segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A janela do coração

Leitura bíblica: Mateus 6:16-18; Atos 13:2-3; 14:23

Versículo-chave: “Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas” (Mateus 6:16)

Meditação: O rosto é a janela do coração. Ou devia ser. No mundo dos cosméticos e da cirurgia plástica, nem sempre podemos ver através dessa janela. O que é ainda mais sério, muitos desenvolvem certo dualismo, de modo que o rosto passa a contradizer o coração. Demonstramos esse fato quando nos encontramos tristes e fingimos estar alegres. Mas também é verdade quando não expressamos no brilho do rosto a alegria que estamos sentindo. O conduto de nossa mensagem é o que se encontra em nosso rosto, não em nossas palavras. Muitas vezes o rosto nega a fé. O rosto pode ser uma apresentação a Cristo ou uma negação do que ele poderia significar nas vidas dos outros. Quem é que gostaria de conhecer a Cristo pessoalmente pelo que se encontra no rosto do leitor?

Examinaremos o ensino do jejum, da perspectiva dos fariseus. Alguns deles desfiguravam o rosto ou lançavam cinza sobre a cabeça para que o povo soubesse que estavam jejuando. O jejum devia tê-los levado para mais perto de Deus e, assim, dado um brilho em seu rosto. O propósito do jejum fora tão distorcido que era identificado por um rosto triste. Haviam perdido a alegria. Isso nos leva a perguntar: Qual deve ser a aparência de nosso rosto uma vez que falamos com Deus?

Em hebraico, a palavra para “rosto” e “presença” é a mesma. Quando o Senhor fez a seguinte promessa a Moisés: “A minha presença irá contigo” (Êxodo 33:14), também queria dizer: “Meu rosto irá contigo”. Próximo ao fim do seu ministério, Moisés deu uma bênção que incluía a segurança de que a face de Deus brilharia sobre o povo. A face de Deus em Cristo é a fonte do brilho de nossos rostos.

Pensamento do dia: “O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti” (Números 6:24-25)


(Lloyd John Ogilvie, em “O que Deus tem de melhor para a minha vida”, Ed. Vida, meditação de 30 de julho)

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Âncoras seguras na tempestade

Leitura bíblica: Atos 27:27-44

Versículo-chave: “E, receosos de que fôssemos atirados contra lugares rochosos, lançaram da popa quatro âncoras, e oravam para que rompesse o dia.” (Atos 27:29)

Meditação: Quais são suas âncoras na tempestade? O que, em seu interior, estabiliza o navio da vida em meio aos ventos cortantes da dúvida, do mar amargo da dor, das rochas afiadas da tentação? É o que nos acontece na tempestade, não na calma ou na tranqüilidade dos portos da vida, que testa a nossa fé.

Paulo partiu para Roma sob a guarda romana. Na viagem de Creta a Malta, um vento nordeste, chamado Euro-aquilão, soprou das montanhas de Creta, apanhando o navio e atirando-o à deriva por vários dias. Só Paulo tinha confiança em meio ao desespero. Enquanto o navio vagava ao léu, perto da costa de Malta, os marinheiros lançaram sondas e, temendo dar contra as rochas, abaixaram quatro âncoras. E Paulo orava para que despertasse o dia. A vida é assim. Que quatro âncoras seriam capazes de estabilizar nossa alma no mar turbulento do tempo? Paulo possuía mais que âncoras físicas. Em oração, ele lançou as verdadeiras âncoras da vida.

Ele tinha a âncora da confiança na ajuda presente de Deus. Mediante o seu ministério, Deus havia sido fiel em cada crise. Paulo podia confiar nele agora. A seguir, ele tinha a âncora da esperança. A esperança de Paulo estava firmada no Senhor da história, que o havia ajudado a atravessar fielmente cada dificuldade. O salmista tinha razão: “Espere no Senhor”.

Mas Paulo também tinha a âncora do propósito. Ele sabia que sua obra ainda não estava terminada. Ele devia ir à presença de César. Deus terminaria o que havia começado. O propósito nos liberta dos temores e nos dá coragem. Nosso propósito é glorificar a Deus e desfrutar dele para sempre, a despeito do que acontece ou do que as pessoas dizem. Finalmente, havia a âncora da comunhão: “Deus por sua graça te deu todos quantos navegam contigo”. Aqueles que aceitaram a mensagem de Paulo deviam responder por ele. Deus sempre provê alguém que sabe, compreende, ouve e ama. São essas as nossas âncoras até romper a aurora de um novo dia.

Pensamento do dia: Há âncoras para a tempestade.

(Lloyd John Ogilvie, “O que Deus tem de melhor para a minha vida”, Ed. Vida, meditação de 17 de agosto)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Começando a aprender

Meu Deus, é essa brecha, essa distância que me mata.

Eis o único motivo por que desejo solidão – estar perdido para todas as coisas criadas, morrer para elas e para o conhecimento delas, pois elas me lembram a distância que me separa de Ti. Elas me falam algo de Ti: que estás muito longe delas, embora nelas estejas. Tu as fizeste e a Tua presença lhes sustenta o ser, mas elas Te escondem de mim. Como gostaria de viver sozinho, fora delas! O beata solitude. Ó solidão abençoada!

Pois sabia que somente deixando-as eu poderia chegar a Ti; e por isso tenho me sentido tão infeliz quando parecia que Tu me condenavas a permanecer nelas. Agora a minha dor passou e a minha alegria está por começar: a alegria que se alegra na mais profunda dor. Pois estou começando a entender. Ensinaste-me e consolaste-me e recomecei a esperar e a aprender.

(Thomas Merton, “Diálogos com o Silêncio”, Fissus Editora, 2003, pág. 21)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Em vez de reclamar, cante!

Não se deve subestimar o poder da propaganda negativa. É o que a United Airlines aprendeu recentemente, quando o cantor Dave Carroll pegou um avião de Halifax ao Nebraska, com conexão no aeroporto O'Hare em Chicago, e o seu violão Taylor chegou quebrado ao destino. Depois de várias reclamações infrutíferas, Carroll decidiu fazer uma canção, "United Breaks Guitars", que é um tremendo sucesso na web e uma terrível dor de cabeça para a United. Essa moda bem que podia pegar no Brasil. Confira:


sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A onda

Estréia hoje em vários cinemas pelo Brasil, o filme alemão "A Onda" ("Die Welle"), baseado numa história real acontecida numa escola secundária de Palo Alto, California (EUA), em 1967, que também teve uma versão televisiva americana em 1981, que chegou a passar no Brasil com o mesmo nome, "A Onda" ("The Wave"). Não deixa de ser curiosa a transposição de um fato real acontecido nos EUA de 1967 para a Alemanha de 2009. A pergunta sinistra que o filme (e a experiência real) tenta responder é: "seria possível reviver o nazismo hoje em dia?". É muito fácil criticar os alemães e responsabilizá-los pela ascensão do nazismo - o mal absoluto - ao poder e todas as consequências trágicas que acarretou para a humanidade. Afinal, o povo alemão do início do século XX era profundamente militaresco e as rivalidades européias e a crise econômica do primeiro pós-guerra apenas engrossaram o caldo que viria a entornar na década de 1930. O filme "A Onda" mostra que a gênese do mal não depende de um país, sociedade, época ou um contexto específico. Desgraças como o nazismo podem acontecer em qualquer lugar e tempo, com qualquer um. É só uma questão de oportunidade. O preconceito e a maldade continuam vivos no planeta Terra, e devem ser constantemente vigiados. "A Onda" é um filme imperdível, que deve ser visto, revisto, divulgado e debatido, para que nunca mais o mundo passe por semelhante flagelo.


quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Proteja a sua inocência

por Henri Nouwen

Ser um filho de Deus não o isenta de tentações. Você pode ter momentos em que se sentirá tão abençoado, tão em Deus, tão amado, que esquecerá que está ainda vivendo num mundo de principados e potestades. Mas a sua inocência como um filho de Deus precisa ser protegida. De outra forma, facilmente será arrebatado do seu verdadeiro ser e enfrentará a força devastadora da escuridão à sua volta.

Esse afastamento pode vir como uma grande surpresa. Antes que tome consciência disso ou antes que tenha tido oportunidade de permitir que isso aconteça, pode sentir-se dominado por luxúria, irritação, ressentimento ou avareza. Um quadro, uma pessoa, ou um gesto podem desencadear emoções fortes e destrutivas e seduzir o seu ser inocente.

Como um filho de Deus, você deve ser prudente. Não pode simplesmente andar pelo mundo como se nada ou pessoa alguma pudesse causar-lhe dano. Você continua extremamente vulnerável. As mesmas paixões que fazem com que ame a Deus podem ser usadas pelas forças do mal.

Os filhos de Deus precisam apoiar-se, proteger-se e manter-se unidos junto ao coração de Deus. Você pertence a uma minoria num mundo vasto e hostil. À medida que se tornar mais consciente da sua identidade como filho de Deus, verá igualmente com mais clareza as muitas forças que desejam convencê-lo de que todas as coisas espirituais são falsos substitutos para as coisas boas da vida.

Quando se está temporariamente afastado do seu verdadeiro eu, pode ter-se a súbita sensação de que Deus é somente uma palavra; a oração, uma fantasia; a santidade, um sonho; e a vida eterna, uma fuga do verdadeiro viver. Jesus foi tentado dessa forma, e nós também o somos.

Não confie nos seus pensamentos e sentimentos quando está fora de si. Volte logo ao seu verdadeiro lugar e não preste atenção ao que o iludiu. Aos poucos, ficará mais preparado para enfrentar essas tentações, e elas terão menor e menor poder sobre você. Proteja a sua inocência agarrando-se à verdade: você é um filho de Deus e profundamente amado.

(Henri J. Nouwen, em “A Voz Íntima do Amor”, Paulinas, 2001, p. 80)

Amor verdadeiro


“Nós amamos porque ele nos amou primeiro”
(1 João 4:19)


Não há luz alguma no planeta, exceto a que emana do Sol; e não há amor verdadeiro a Jesus no coração, exceto aquele que vem do próprio Senhor Jesus. Desta fonte transbordante do amor infinito de Deus deve emanar todo o amor a Ele devido. Esta deve ser uma verdade grande e certa, ou seja, que o amamos exclusivamente pela razão de que Ele nos amou primeiro. Nosso amor a Ele é o legítimo resultado de seu amor para conosco. Qualquer um pode ter uma admiração fria, quando observando as obras de Deus, mas o calor do amor somente pode inflamar-se no coração pelo Espírito de Deus. Quão grande é o prodígio de pessoas como nós serem trazidas ao amor de Jesus! Quão maravilhoso é que, quando nos rebelamos contra Ele, pôde Ele, por uma demonstração de tal amor assombroso, procurar atrair-nos de volta. Não! Nunca receberíamos um grão de amor vindo de Deus, a menos que ele fosse semeado em nós pela preciosa semente dele para conosco. O amor, portanto, tem como seu genitor o amor de Deus derramado no coração. Mas depois de ele ser assim nascido divinamente, deve ser nutrido de forma natural. O amor é uma planta exótica; não é uma que floresce naturalmente no solo humano, mas deve ser regada lá de cima. O amor a Jesus é uma flor de natureza delicada, que, se não receber nenhuma nutrição que não seja aquela que sai da rocha de nosso coração, logo definhará. Assim como o amor desce do céu, assim deve ele alimentar-se do pão celestial. Ele não pode existir no deserto, se não for alimentado com o maná que vem do alto. O amor nutre-se de amor. A própria alma e vida de nosso amor a Deus é o seu amor para conosco.


Amo-te, Senhor, mas não com meu próprio amor,
pois nada tenho para dar-te;
Amo-te, Senhor, mas todo o amor é teu,
porque vivo por teu amor.
Sou como nada, e alegro-me de ser
vazio, e perdido, e submerso em ti.”

(”Meditações Matinais”, C. H. Spurgeon, meditação de 11 de junho)

Será isto contemplação?

Meu Deus, é somente a Ti que posso falar porque mais ninguém me compreenderá. Não posso trazer mais ninguém nesta terra para dentro da nuvem onde habito em Tua luz, isto é, em Tua escuridão, onde estou perdido e perplexo. Não posso explicar para ninguém a angústia que é desfrutar de Ti, nem a perda que é Te possuir, nem a distância de todas as coisas provocada pela chegada a Ti, nem a morte que é o nascimento em Ti, pois eu mesmo nada sei sobre isso. Tudo quanto sei é que desejaria que isso tivesse passado – e desejaria que tivesse começado.

Contradisseste tudo. Deixaste-me na terra de ninguém.

Fizeste-me andar de um lado para outro debaixo dessas árvores, repetindo sem parar: “Solidão, solidão”. Volveste e jogaste o mundo todo em meu colo. Disseste-me: “Largue tudo e Me siga”, e então amarraste a metade de Nova York como uma bola acorrentada a meus pés. Fizeste-me ajoelhar atrás deste pilar com a minha mente barulhenta como uma agência bancária. Será isto contemplação?

(Thomas Merton, em “Diálogos com o Silêncio”, Fissus Editora, 2003, pág. 15)

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Consciências cauterizadas

No meio dos escândalos que envolvem a Igreja no Brasil, é muito comum líderes das mais variadas facções evangélicas saírem em defesa uns dos outros, tudo em nome de uma suposta fraternidade que se contrapõe à igualmente presumida perseguição de todos os que não jogam no time deles. 

Cria-se, então, um ambiente de paranóia coletiva, não raras vezes combatida com uma espécie de histeria e indignação também coletivamente ensaiadas. 

O observador mais atento poderia se indagar: “Como é que o pastor X tem coragem de dizer isso?”. 

Muitos líderes adotam práticas no mínimo exóticas e que nada têm de bíblicas, e sabem – nem que seja por instinto – que a melhor defesa é o ataque. Se combaterem aqueles que denunciam os crimes dos falsos profetas, talvez possam evitar futuras investigações que cheguem aos seus próprios arraiais.

É claro que existem alguns despudorados que mentem com o mais indisfarçável cinismo para ver seus maus propósitos atingidos, mas me parece que, em alguns casos, o buraco pode ser mais embaixo. 

Mais em cima, para ser mais exato: na consciência. A hipocrisia se tornou tão doentia que as suas consciências já não cumprem a função que delas se esperaria. 

Uma característica distintiva do pastor é justamente a sua consciência boa e pura, como Paulo frisava em suas cartas (2ª Coríntios 1:12; 1ª Timóteo 1:5,19; 4:2; 2ª Timóteo 1:3), sendo que 2ª Coríntios 4:2 é lapidar: “pelo contrário, rejeitamos as coisas ocultas, que são vergonhosas, não andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus; mas, pela manifestação da verdade, nós nos recomendamos à consciência de todos os homens diante de Deus”.

Ao que parece, alguns “pastores” de fato creem que estão sendo usados para algum desígnio divino, não porque sinceramente acreditam nisso, mas porque precisam crer no seu messianismo de araque. 

Negá-lo não é mais possível, já que, não podendo mais ser boa e pura (se é que um dia foi), sua consciência se cauterizou, conforme Paulo descreveu a Timóteo (2ª carta, 4:1-2): “Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada”. 

A palavra grega aí traduzida por “cauterizada” (καυτηριάζω - kautēriazō ) significa a ferida que foi marcada com ferro em brasa, para que não doa mais. 

Torna-se, assim, insensível, já que as suas células morreram e não servem para mais nada. 

Por isso, nos dizeres de Judas (12-13), “estes são os escolhidos em vossos ágapes, quando se banqueteiam convosco, pastores que se apascentam a si mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelos ventos; são árvores sem folhas nem fruto, duas vezes mortas, desarraigadas; ondas furiosas do mar, espumando as suas próprias torpezas, estrelas errantes, para as quais tem sido reservado para sempre o negrume das trevas”. 

Com a mente cauterizada, não lhes restou outra alternativa senão acreditarem no seu auto-engano e se confraternizarem com todos aqueles que padecem do mesmo mal.

Hoje é tudo o que temos

Leitura bíblica: Mateus 6:25-34

Versículo-chave: “Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.” (Mateus 6:34)

Meditação: Um dos aspectos mais perturbadores da ansiedade é a preocupação com o futuro. Soren Kierkegaard disse: “Que é a ansiedade? É o dia seguinte”. O capítulo ainda não escrito de nossa vida é que perturba a maioria de nós. Jesus nos oferece a solução: deixe que o amanhã cuide de si; viva hoje ao máximo. A mensagem de Cristo é que se vivermos hoje da maneira que ele sugere, o amanhã será mais glorioso do que jamais ousamos imaginar, pois o que fazermos hoje está inseparavelmente relacionado com o que acontecerá amanhã. Podemos influenciar o futuro através de como lidamos com o que está acontecendo. Jesus diz que há oportunidade suficiente hoje para vermos o seu poder em operação contra o mal. Concentre-se nessa realidade e o amanhã será uma oportunidade de êxito. Uma vez que o nosso “amanhã” último, a vida eterna, esteja seguro, podemos viver sem reservas cada dia.

A maioria de nós se preocupa tanto com o futuro que não desfruta o presente. Preocupamo-nos com o que virá e falhamos em experimentar o que é. Prosseguimos em preparação como se um novo plano, relacionamento ou oportunidade tornará tudo diferente. É bom fazer planos, mas não ao ponto de esquecer da voz de Deus nos momentos mais difíceis da vida.

As sementes da colheita do amanhã são plantadas hoje. A maneira de as cultivarmos é que determinará o que colheremos. Não se esqueça de viver... HOJE!

Pensamento do dia: Hoje é tudo o que temos. Não se esqueça de viver!

(Lloyd John Ogilvie, “O que Deus tem de melhor para a minha vida”, Ed. Vida, meditação de 19 de agosto)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Ansiedade criativa

Leitura bíblica: Lucas 15:11-24

Versículo-chave: “Levantar-me-ei e irei ter com meu pai e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti.” (Lucas 15:18)

Meditação: A ansiedade criativa existe. Jesus parece estar dizendo que devemos ser muito mais ansiosos por viver no reino sob a direção de Deus do que acerca das coisas que em última instância não têm valor.

Os ouvintes de Jesus pensavam ter vencido espiritualmente. Tomavam a Deus como coisa assentada e usavam mal a eleição de ser o seu povo. Haviam ficado descuidados e estavam tentando manipular a Deus para seus próprios propósitos.

Colocaram-no numa prateleira e só o tiravam de lá quando dele precisavam.

Fazemos praticamente o mesmo. Tratamos a Deus como um adjunto de uma vida plena. Usamos a oração em épocas de crise e necessidade e só pensamos em Deus e em sua vontade quando estamos imprensados contra a parede de um problema insuperável. A direção de nossa vida está sob nosso próprio controle.

Jesus parece estar dizendo: “Não esteja tão seguro de poder usar a Deus desse modo; sem o saber, sua ansiedade pelas pequenas coisas, na realidade é causada pela ansiedade da separação de Deus”. Esse tipo de ansiedade mais profunda é um dom de Deus. Diz-nos que algo está errado ou fora do lugar. A inquietação que sentimos nos momentos tranqüilos, quando tudo ao nosso redor está calmo, a solidão mesmo entre pessoas, a profunda insegurança ainda que tudo pareça em ordem – é ansiedade criativa, porque nos pressiona de volta para Deus. Aquilo que finalmente aconteceu com o filho pródigo pode acontecer a nós. Por que viver do modo que vivemos, se nosso Pai nos está esperando?

Pensamento do dia: A ansiedade criativa é um dom de Deus.

(Lloyd John Ogilvie, “O que Deus tem de melhor para a minha vida”, Ed. Vida, meditação de 18 de agosto)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Una obstinación argentina

Todos aqueles que se interessam pela História da América Latina, e da Argentina em particular, com esse fenômeno cíclico dos messias e caudilhos que sempre aparecem nos países latinoamericanos como os salvadores da Pátria, o jornal argentino Página 12 disponibilizou gratuitamente um trabalho extenso e brilhante de José Pablo Feinmann sobre Perón e a influência que ele continua exercendo sobre a política daquele país. Escrito em espanhol (obviamente), o trabalho se chama "Peronismo. Filosofia política de una obstinación argentina" e é praticamente um livro que pode ser lido em .pdf, e todos os 88 capítulos podem ser baixados clicando aqui. Não deixa de ser uma dica interessante para quem não entende porque a política argentina segue girando em torno de Perón, 50 anos depois da morte de Evita e 30 depois da morte dele próprio. Mesmo que você prefira o "mestre" Galvão Bueno, e não goste da Argentina como eu particularmente gosto, a leitura é bastante interessante, pois cá entre nós, nem no futebol nós somos muito diferentes.

domingo, 16 de agosto de 2009

O conto do bilhete premiado


No meio da balbúrdia que assola a igreja evangélica no Brasil, tenho uma dúvida cruel: o que leva alguém a seguir um falso profeta e acreditar em tudo o que ele diz? Qual é a motivação que está por trás dessa conduta? 

Obviamente, há muitos fatores que influenciam uma pessoa a entrar num regime de obediência cega a um líder religioso, sem questionar o seu testemunho e a sua pregação. 

Chamar os seguidores de “fanáticos” me parece uma generalização inócua, que descamba para o pejorativo quando poderia (ou deveria) ser elucidativo. Banaliza mais do que explica. 

Proponho, portanto, algumas razões que me parecem cabíveis numa análise mais aprofundada, a título de contribuição para o debate. 

Esta lista não pretende ser exaustiva, mas exemplificativa de motivos que podem ser ampliados, intercambiados, mesclados e/ou recombinados, numa tentativa de dissecar este fenômeno:

1) instinto religioso – esta é uma questão ainda muito pouco estudada no meio acadêmico. Já existem alguns trabalhos bastante interessantes sobre o instinto moral, área em que Steven Pinker é o maior e melhor referencial (clique aqui para maiores detalhes). 

O fato, entretanto, é que o ser humano parece ser naturalmente condicionado a crer num poder superior, e mesmo aqueles que observam a questão do ponto de vista ateu, consideram o instinto religioso como um fator agregador da evolução, que deu aos primeiros ajuntamentos humanos um poder de coesão em torno de objetivos ditados por um ente superior através de seus enviados, o que lhes permitiram enfrentar os inimigos e as adversidades naturais de forma muito mais organizada e competente. 

É curioso verificar que até o ateísmo militante pode ser enquadrado numa espécie instinto (a-)religioso, ainda que de seu objetivo seja negar a divindade. Mesmo que a ciência não tenha chegado sequer perto de esclarecer a questão, as pessoas tendem a se comportar de maneira religiosa, e isto as predispõe, de certa forma, a se comportar de maneira submissa diante de uma divindade, o que nos leva ao segundo fator:

2) temor reverencial – em qualquer religião, toda pessoa que se diz intermediária de uma revelação específica e/ou se apresenta como um canal de comunicação com o divino - enfim, um “sacerdote” de um determinado deus -, assume uma posição de autoridade em relação aos seus seguidores, que estão, de certa forma, predispostos a confiar no seu líder e obedecer as suas determinações sem questioná-las a priori

Há, por assim dizer, uma “aura de divindade” na pessoa do sacerdote, que induz os seus fiéis a uma posição de submissão não só em relação ao ente superior do qual derivam sua autoridade, mas sobretudo quanto a si próprios. 

Em igrejas que se dizem cristãs, falsos profetas sabem manipular essa confusão para atingir os seus objetivos particulares e, muitas vezes, inconfessáveis.

3) o poder do auto-engano – o ser humano parece ter uma séria tendência ao auto-engano. 

Cada um de nós pode ver isso presente em nossas vidas fazendo um exercício muito simples: basta lembrar de um episódio trágico ou doloroso que aconteceu há muitos anos. 

Reparou como a lembrança hoje não dói tanto como efetivamente doeu à época dos fatos? 

Pois é, a nossa memória trata de “dourar a pílula” e ir pouco a pouco amenizando o fato, bem como a encontrar algum lado positivo, por mínimo que seja, no que aconteceu. 

Da mesma maneira – em diferente grau, é verdade – nos comportamos com relação aos fatos e às relações atuais. 

Há um misterioso processo de relativização das coisas, tornando tudo um pouco mais palatável e compreensível. 

Essa questão parece estar diretamente relacionada com o nosso autônomo instinto de sobrevivência. 

Seria muito difícil encarar a vida como ela é, os fatos como eles são, nus e crus, de maneira seca e hiper-realista. 

Por isso, quando o falso profeta prega algo herético, que soa mais a uma aberração, seus seguidores tendem a racionalizar o que ele disse e torná-lo, de alguma maneira, mais – digamos – digerível pelo intelecto. 

O auto-engano é algo tão poderoso que as pessoas fogem até da Bíblia para verificar se o que foi dito é realmente bíblico. Preferem simplesmente se “acostumarem” a elas, nem que para isso precisem repetir verdadeiros mantras evangélicos a si mesmos. 

Como diz Eduardo Gianetti em seu livro “Auto-Engano”, “nada é o que parece: assim como o homem primitivo viveu num mundo de sonho em relação aos fenômenos da natureza, também nós ainda vivemos num mundo de sonho em relação a nós mesmos e pouco ou nada sabemos sobre as causas verdadeiras de nossas ações na vida prática.”

4) o comportamento de manada – o auto-engano pode ser – muitas vezes – coletivo. Embora o comportamento de manada seja um fenômeno mais facilmente verificado no mercado financeiro, nas igrejas podemos constatá-lo em muitas situações. 

Por exemplo, diante de algo absurdo que o líder prega, o auto-engano já opera no indivíduo no sentido de amenizar o que ouviu, e ele busca no grupo uma espécie de “confirmação negativa” do seu comportamento, ou seja, ele não quer – verdadeiramente – que o grupo confirme as suas suspeitas de que está sendo enganado, mas o seu inconsciente lhe pergunta: “será que mais ninguém percebeu a barbaridade que eu acabei de ouvir?”. 

Diante da resposta negativa a essa questão íntima, suas emoções obtêm um alívio temporário e ele se sente – de novo – pertencente a um grupo, sem se dar conta de que muitos outros se fizeram a mesma pergunta, e todos preferiram o conforto ilusório de uma manada que seguirá incondicionalmente o seu líder e todos se atirarão no abismo, se preciso for.

5) a preguiça de pensar; 6) a falta de educação e 7) as carências sócio-econômicas – são 3 fatores que estão intimamente associados. 

Entenda-se por “educação” aqui a educação convencional, que deveria ser oferecida pelas escolas públicas, nas quais deveria ser (mas não é) formada a imensa maioria da população brasileira. 

Não é necessária uma detalhada pesquisa estatística para afirmar que existe no ser humano, genericamente considerado, uma tendência ao comodismo e uma aversão à introspecção e ao pensamento crítico. 

Os fatos falam por si mesmos. São poucos aqueles que se dedicam a questionar a própria existência, o grupo, a sociedade e o mundo em que estão inseridos. 

Larga parcela da população acha que fazer isso é pura perda de tempo, e os filósofos são pessoas que não têm nada melhor para fazer e têm tempo de sobra para investigar essas coisas. 

É claro que milhões de pessoas, no Brasil, têm que garantir a sua sobrevivência e a da família e, ainda que quisessem, não encontram tempo nem disposição para uma autocrítica, para a análise da sua situação sócio-econômica, e muito menos para agir visando modificar a situação. 

Por outro lado, muitas pessoas tiveram acesso a uma educação de qualidade e vivem em boas condições, mas se recusam a pensar, da mesma maneira que há outros que não tiveram nada disso e se tornam grandes pensadores, mas essas são exceções que, a meu ver, apenas confirmam a regra. Infelizmente, sempre há gente ingênua ou incauta, e o que varia é sua representatividade na população. 

De qualquer maneira, sempre há uma massa ignara pronta a ser manipulada por líderes religiosos inescrupulosos, e essas pessoas querem melhorar o seu nível social, e aí aberrações - como a teologia da prosperidade - caem como uma luva.

8) falta de instrução bíblica – no meio evangélico brasileiro, pode-se notar uma forte ênfase às revelações particulares dadas aos falsos profetas de plantão, em detrimento do ensino sistemático da Palavra. 

Curiosamente, o livre exame da Bíblia pelo crente foi um dos pilares da Reforma Protestante, já que, até então, este estudo era limitado a um número pequeno de pessoas e de centros de ensino. 

Atualmente, esta boa prática não é mais incentivada pela Igreja brasileira, que está muito mais próxima da heresia montanista do que da ortodoxia cristã. 

O montanismo foi um movimento do século II, fundado – como o nome indica – por Montano, cujos adeptos se diziam portadores de revelações particulares do Espírito Santo, às quais a igreja deveria se submeter. 

A seu favor, em comparação com as “profetadas” atuais, deve-se dizer que o cânon do Novo Testamento não existia – pelo menos como o conhecemos hoje – na época de Montano. 

Entretanto, os evangelhos e as cartas apostólicas já circulavam entre as igrejas, como uma maneira de uniformização do ensino e da pregação (a chamada “ortodoxia”). 

Na igreja evangélica brasileira do século XXI, o cânon já está fechado há quase 2 milênios, e mesmo assim sempre aparece alguém com uma revelação nova que pretende impô-la aos seus seguidores. 

“O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta conhecimento”, diz o Senhor (Oséias 4:6). E “toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Timóteo 3:16). 

Os falsos profetas mantêm o povo afastado do estudo bíblico porque sabem que, se conhecerem a verdade, deles se libertarão (João 8:32). 

 Oferecem-lhes como alimento um leite estragado, envenenado pelos seus delírios. “Ora, qualquer que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, pois é criança; mas o alimento sólido é para os adultos, os quais têm, pela prática, as faculdades exercitadas para discernir tanto o bem como o mal” (Hebreus 5:13-14). 

É claro que muito desta desídia bíblica se explica (mas não se justifica) pelas deficiências culturais e sócio-econômicas, mas há que se destacar, também, a formação nominal como cristão do povo brasileiro, geralmente na Igreja Católica. 

Há, portanto, uma certa identificação de se pertencer a uma determinada religião, sem entretanto entendê-la ou praticá-la. 

Este é um fenômeno muito presente nas igrejas protestantes brasileiras, que não sabem de onde vêm, o que são, nem para onde vão, mas analisaremos isso um pouco mais no item seguinte:

9) o desprezo à ortodoxia – o próprio nome – ortodoxia – já gera uma certa confusão (quando não repulsa), por não se compreender o sentido exato do termo, hoje genericamente associado à tradição oriental da Igreja cristã. 

Por “ortodoxia” deve ser entendido o conjunto de doutrinas comuns a todos os ramos históricos da Igreja cristã, ou seja, os católicos, os ortodoxos orientais e os protestantes, por se tratar de um período em que a Igreja não estava dividida, quando aconteceram os primeiros concílios (Jerusalém, Nicéia, Constantinopla e Calcedônia), em que as bases fundamentais do cristianismo foram estabelecidas. 

A imensa maioria dos cristãos nominais brasileiros (católicos e evangélicos incluídos) simplesmente desconhece a História da Igreja. 

Sabem que existem doutrinas como a da Trindade, a da Encarnação, mas desconhecem o porquê de crer nelas. 

Se já não chegam à Igreja como criaturas pensantes, não é lá que vão aprender a pensar. 

Conhecer a História da Igreja é essencial para saber qual é a grande tradição ortodoxa comum a todas as confissões cristãs históricas e compará-las com o que estão pregando no culto das 19 horas. 

Até se pode argumentar que a Reforma Protestante combateu a tradição oral que serve de fundamento para muitas doutrinas católicas, mas mesmo as igrejas ditas “protestantes” mantiveram a fidelidade à ortodoxia, que hoje se deteriora devido às muitas interpretações particulares que extraem – a fórceps – significados totalmente esdrúxulos de textos fora de contexto, apenas para justificar os interesses escusos dos falsos profetas.

10) o bilhete premiado – não se pode esquecer do ser humano individualmente considerado. 

Muita gente decide seguir falsos profetas porque está obtendo alguma vantagem com isso, seja ela qual for. Tiago (1:14) já dizia que “cada um, porém, é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência”. 

A palavra grega traduzida por “engodado” - δελεάζω - deleazō - significa também “fisgado”. 

Líderes heréticos se aproveitam desse desejo tipicamente humano de se dar bem, para jogar a sua isca e arregimentar seguidores. 

Por isso, muita gente, embora não admita, vê a igreja como um negócio, não só para quem a dirige, como também para os seus liderados. 

Não se trata necessariamente de uma vantagem ilícita ou imoral, mas de algum conforto material ou emocional que advém do simples fato de se frequentar uma determinada igreja. 

Guardadas as devidas proporções, se assemelha muito com o famoso conto do bilhete premiado, em que um estelionatário se aproveita da cobiça do outro, que se julga esperto, e, fingindo uma ingenuidade bastante conveniente no momento, oferece um bilhete de loteria supostamente premiado porque não tem condições de receber o galardão. 

O pretenso esperto imediatamente se aproveita da aparente ignorância do coitadinho que tem o bilhete premiado, e o compra por uma quantia bem menor, e quando vai receber o prêmio, vê umas orelhas de burro crescendo instantaneamente na sua cabeça. 

Tentou se aproveitar da ingenuidade do outro e agora morre de vergonha por ter caído num golpe tão antigo. Assim são muitos crentes em relação aos falsos profetas que seguem. 

Estes últimos fingem que estão oferecendo um bilhete premiado, que não é necessariamente o céu, mas um paraíso fictício na Terra, de prosperidade e gozo de bens nesta vida, e seus seguidores se fazem de interessados e solícitos em adquirir o passaporte enquanto lhes convém. 

O risco é terminar sendo barrado no paraíso verdadeiro.

11) o silêncio dos justos – por muito tempo, no Brasil, os cristãos protestantes se calaram diante das aberrações que foram surgindo no seu meio, derivadas de divisões de igreja e falsos profetas oportunistas que começaram a inventar fábulas e revelações particulares para fundarem suas próprias igrejas. 

Havia um certo “esprit de corps”, um corporativismo evangélico, que impedia críticas e denúncias de grupos estranhos ao evangelho, que, entretanto, alegavam pregá-lo. Felizmente, este é um procedimento que vem sendo abandonado, só espero que não seja tarde demais.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Um toque de amor

Só pra lembrar a importância do exame rotineiro de próstata a quem está chegando ou já passou dos 40...



E não se esqueça, você tem sempre o direito de pedir uma segunda opinião...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A pedra de toque

Peço desculpas de antemão por ter que recorrer a este espetáculo grotesco, das "instruções" de Edir Macedo aos seus discípulos sobre como ganhar dinheiro com as coisas sagradas, que foi amplamente divulgado pelo Jornal Nacional da Globo, e se encontra no Youtube (ver abaixo). É claro que a matéria é requentada e que a Globo quer que a Record e o Edir, digamos, explodam, mas por mais que a família Marinho não seja exatamente "sagrada", os fatos falam por si mesmos e eu queria me limitar a uma das "lições" bíblicas com que o Edir Macedo nos "agracia" no vídeo em questão. Em determinado momento ele se refere ao conhecido episódio em que Moisés, depois de atravessar o Mar Vermelho, já no deserto do Sinai, fere a rocha para fazer com que ela mine água:

Números 20

7 E o Senhor disse a Moisés:
8 Toma a vara, e ajunta a congregação, tu e Arão, teu irmão, e falai à rocha perante os seus olhos, que ela dê as suas águas. Assim lhes tirarás água da rocha, e darás a beber à congregação e aos seus animais.
9 Moisés, pois, tomou a vara de diante do senhor, como este lhe ordenou.
10 Moisés e Arão reuniram a assembléia diante da rocha, e Moisés disse-lhes: Ouvi agora, rebeldes! Porventura tiraremos água desta rocha para vós?
11 Então Moisés levantou a mão, e feriu a rocha duas vezes com a sua vara, e saiu água copiosamente, e a congregação bebeu, e os seus animais.

Na "lição", Edir diz que "tocar a rocha com o cajado", como Moisés fez, é uma demonstração de fé, de força, de poder, de determinação, que todo pastor da Universal deve dar perante os fiéis. Entretanto, pode até passar desapercebido pela maioria dos crentes, mas, longe de ser um exemplo de fé, este foi um episódio de desobediência de Moisés, com graves consequências, conforme o versículo seguinte deixa claro:

12 Pelo que o Senhor disse a Moisés e a Arão: Porquanto não me crestes a mim, para me santificardes diante dos filhos de Israel, por isso não introduzireis esta congregação na terra que lhes dei.

Deus tinha dito a Moisés que FALASSE à rocha, e não que a tocasse com seu cajado, mas Moisés não só não falou nada à rocha como a "feriu" duas vezes com o cajado, pelo que Deus o castigou não lhe permitindo que entrasse na Terra Prometida.

Chama a atenção, portanto, que alguém que se intitula "bispo" e líder de uma igreja alegadamente "cristã", cometa um erro crasso num episódio bíblico tão conhecido e tão decisivo na vida de Moisés. Não por acaso, o orgulho e a vaidade fizeram com que Moisés buscasse a exibição de poder e prestígio naquele dia, e terminou pagando muito caro por isso: viu a Terra Prometida apenas de longe, mas nela não entrou (Deuteronômio 32:48-52). Talvez os episódios atuais não sejam mera coincidência.



terça-feira, 11 de agosto de 2009

As jumentinhas de Balaão

Houve um tempo (não tão antigo assim) em que os jornais raramente davam notícias sobre os evangélicos (então chamados de "protestantes") e, quando o faziam, geralmente eram apenas informações neutras ou positivas sobre algum trabalho evangelístico ou social que eles desenvolviam. 

Hoje, infelizmente, parece que as notícias sobre "evangélicos" correspondem a uma subseção das páginas policiais. 

Frequentam-nas autoproclamados "apóstolos", "bispos" e "pastores" dos mais variados matizes. A Folha de S. Paulo informa na edição de hoje (disponível na Folha Online), que a Justiça aceitou denúncia do Ministério Público, e abriu ação penal contra Edir Macedo e mais nove integrantes da cúpula da Igreja Universal, por movimentação financeira suspeita de R$ 4 bilhões no período de 2003 a 2008. 

Parece que todas as suspeitas que envolvem a organização em questão serão investigadas pelo Poder Judiciário, com amplo direito de defesa obviamente.

Este novo escândalo se soma a outros tantos perpetrados por igrejas que se dizem evangélicas, como o caso do apóstolo e da bispa da Igreja Renascer. 

Em casos como esses, os líderes investigados rapidamente tentam levantar uma nuvem de poeira para desviar a atenção, dizendo-se perseguidos porque estão pregando o evangelho. 

Ainda que outras tantas igrejas evangélicas se sintam animadas a levantar os seus membros em defesa de uma suposta fraternidade cristã, o fato é que muitos crentes viram apenas massa de manobra nas mãos de seus líderes, que assim agem - não raras vezes - na base da troca de favores e esconderijos com os outros que estão na berlinda. 

Tudo isso estimula uma verdadeira briga de torcidas organizadas na saída do estádio, como parece que muitas igrejas se tornaram, associações de fãs (com alguns fanáticos incluídos no pacote). É tudo na base do "eles contra nós", "nós contra eles", sendo que não fica muito claro quem é que são "eles" nem quem somos "nós". 

Afinal, o diabo tem as costas largas, e é fácil jogar a culpa nele por todas as mazelas e escândalos que caem repetidamente sobre as costas dos iluminados de plantão. 

Assim, a igreja evangélica brasileira, genericamente considerada, se movimenta num ridículo comportamento de manada, em que a grande vítima pisoteada é o evangelho puro e simples de Jesus Cristo.

Confesso que, quando essas igrejas neopentecostais surgiram e se consolidaram no decorrer das décadas de 70, 80 e 90, embora já houvesse muitas denúncias sobre suas práticas - no mínimo - esdrúxulas, eu mantinha um pé atrás antes de criticá-las, movido pela advertência de Jesus aos seus discípulos quando estes se preocupavam com um homem que expulsava demônios em nome do Mestre, que lhes respondeu: "Quem não é contra nós, é por nós" (Marcos 9:40). 

Eu imaginava que eles não eram contra nós. Não queria generalizar este "eles" e "nós", tão comum nas torcidas organizadas atuais. 

Hoje, passadas as décadas, eu chego a conclusão de que eles são sim contra nós, não porque nós temos qualidades maravilhosas, mas eles são contra o evangelho simples da mensagem da cruz e da salvação que há em Cristo, que é o que existe de mais precioso em nossas vidas. 

Como o volume financeiro acima descrito fala por si só, essas igrejas estão muito mais preocupadas com algo também precioso: ELE, o dinheiro que amealham dos incautos que caem em suas redes. 

Tanto que uma observação rápida de suas pregações televisivas mostra que eles raramente falam do nome de Jesus, como se tivessem vergonha de citá-lo. 

Falam genericamente de um "deus" que não sabemos se tem "D" maiúsculo, que cobre de bens todos aqueles que entregam seu dinheiro a eles. 

 Por essas e outras razões, não vejo mais como enquadrá-los no versículo acima, já que desprezam a graça de Deus e são manifestamente contra o verdadeiro evangelho de Cristo e contra nós, que compomos o Corpo de Cristo universalmente reunido, independentemente da denominação cristã em que estamos.


Talvez alguém possa objetar que pessoas se convertem nessas igrejas. Eu também não tenho dúvidas disso, porque já vi pessoas se convertendo nos lugares mais improváveis, inclusive estudando com seguidores de religiões que nada tinham de cristãs, mas que nelas despertaram o interesse pelo Deus verdadeiro. Afinal, "buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração" (Jeremias 29:13). 

Outra objeção que pode ser levantada contra a minha percepção da situação, é a de que, ainda que maneira meio capenga, fragmentos do evangelho são pregados nessas igrejas. 

Refuto esta opinião recorrendo à jumentinha de Balaão (Números 22), grande pregadora daqueles tempos. 

Muitos séculos depois, ao entrar triunfalmente em Jerusalém, também montado num jumentinho, sendo criticado pelos fariseus quanto ao barulho que o povo fazia, Jesus lhes disse que se eles se calassem, até as pedras clamariam (Lucas 19:40). 

Ora, Se Deus falou através de uma jumenta, Ele pode falar através de quem (ou do que) Ele quiser, logo a crítica não procede. 

Portanto, não tenho dúvidas de que pessoas honestas e corretas podem se converter nessas igrejas. Só tenho uma dúvida cruel quanto a isso: depois de realmente convertidas, elas continuam lá?

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

As crônicas de Marvin - 14

Sentimentos em comum

Rapidamente subimos a ruazinha e caminhávamos em direção ao Shopping que ficava ali perto.
- Hummm... Então estamos indo para o Shopping, Marvin?
- Bem, não exatamente. – respondi.
Continuamos andando enquanto ela tentava descobrir nosso destino antes de chegarmos. Foi então que chegamos à entrada do Shopping. Do lado de fora, existe um terreno vago, onde geralmente se instalam circos ou parques de diversão. Naquele dia, estava um parque que geralmente se instalava ali todo ano. Era setembro ainda. Não havia muitas chuvas naquela época, por isto era uma época boa de se instalar parques de diversão. Sem chuva, mais clientes.
- Muito bem, aqui estamos...
- O parque? – perguntava Amanda.
- Sim, o parque. Achei que seria legal nos divertirmos um pouco... Afinal de contas, não dá para ficar trancado em casa por todo o feriado...
- É, você tem razão... Mas Marvin, eu não posso entrar neste parque...
A declaração me assustou... Será que havia alguma regra maluca por trás disto? Mas é estranho, este parque já esteve em Goiânia outras vezes e me lembro bem de alguns irmãos comentarem sobre como se divertiram ali...
- Ué, Amanda... Por quê?
- É que eu estou de vestido... Estávamos em uma visita, lembra-se? Bem, vestidos não combinam muito com parques de diversão...
- Ah, você tem razão... Hummmm...
- Se você tivesse me avisado, eu estaria preparada. – me respondeu com um sorriso...
- Não seja por isto. Estamos na frente de um Shopping... Vamos comprar algo mais adequado então!
- O quê?
Antes que ela rejeitasse esta opção, peguei ela pela mão e a levei para o Shopping. Ela bem que tentou negar, mas não teve jeito: fomos até uma loja de roupas, procurar algo para ela.
Bem, neste momento eu tenho que confessar que não poderia ter cometido erro maior que este. A combinação de mulheres mais lojas de roupas nunca foi tão desastrosa para os homens que as acompanham. É como se acontecesse um distúrbio no espaço-tempo, fazendo com que o tempo para as mulheres ficasse pelo menos umas três vezes mais rápido, enquanto que para os homens ficasse umas quarenta vezes mais lento. E na verdade não posso reclamar muito disto, pois afinal, o mesmo efeito deve acontecer ao contrário, quando chamamos elas para ir a um boteco para conversarmos com nossos amigos. E assim como há homens que não vão a butecos, também há mulheres que não demoram muito tempo em uma loja de roupas. Infelizmente as exceções são poucas para ambos os lados. E eu não tive esta sorte.
A tarefa era simplesmente encontrar uma calça e uma blusa que fossem mais apropriados para se ir a um parque de diversões. Bem, não era tão simples assim... Ela levou um bom tempo escolhendo tudo.
- Puxa, Marvin, me desculpe pela indecisão... É que eu não consigo achar algo que me agrade...
- Está tudo bem, Amanda... – respondi, sorrindo.
Ela me parecia meio tensa... Talvez pensasse que a demora dela pudesse me fazer mudar de idéia. Eu entendia o lado dela. Às vezes é fácil para nós criticarmos as pessoas quando elas fazem algo que gostam, mas que nós mesmos não gostamos. Uma pessoa que não goste de xadrez pode não achar sentido nenhum em estudar livros e livros de jogadas de xadrez. Mas para aquele que gosta, estudar aqueles livros é prazeroso. E muitas vezes há discussões desnecessárias simplesmente por que as pessoas não conseguem ver isto. Mas eu não a trouxe ali para que ela ficasse nervosa ou tensa, eu queria que ela se divertisse. Então enquanto ela escolhia uma calça, peguei um chapéu de praia que estava ali por perto e o coloquei.
- Ei, que tal estou? – disse fazendo caretas...
Imediatamente quando ela me viu, começou a rir...
- Hahaha, Marvin, você está uma graça... Mas eu acho que não faz seu estilo, hahaha...
- Tem razão, mas nesta loja não se vendem sombreros mexicanos...
- Ah, é claro... Eles certamente fazem seu estilo, não é? – disse ela, rindo, talvez me achando com cara de Mariachi fake.
E pelos próximos minutos, ela ficou bem mais descontraída. Claro, eu ia fazendo minhas palhaçadas enquanto ela escolhia... Eu escolhia roupas estranhas, gerando mais risos por parte dela... Fico me perguntando como é que tais roupas são criadas... Será que os costureiros um dia acordam, dizendo “Puxa, hoje vou fazer a roupa mais estranha que eu puder” e fazem?
Então, começamos a provar as roupas, esperando a opinião do outro, como em um filme hollywoodiano. Comecei então a entender por que algumas vezes aparecem cenas como estas... Geralmente se pede a opinião sobre uma roupa a pessoas que confiamos, que queremos de certa forma, agradar. E depois de uma hora, ela já havia escolhido tudo que queria. Pediu para uma das atendentes para que pudesse trocar de roupa nos provadores depois de pagar e a atendente deixou. Então fomos ao caixa, onde eu peguei tudo que ela escolheu e disse:
- Pode deixar, eu pago.
- Você? Não, Marvin, não posso deixar você fazer isto.
- Ora, Amanda, fui eu quem te obrigou a vir até aqui... É o mínimo que eu posso fazer...
- Não, não posso aceitar isto... Você não precisa pagar nada...
- Ei... Não faço isto por que preciso, mas por que eu quero te dar isto de presente...
Ela ficou um pouco tímida com isto.
- Puxa, não é todo mundo que tem a vontade de me dar presentes assim...
- É, eu sei... Mas não faz mal a ninguém dar presentes de vez em quando, não é?
- Mesmo sendo caros?
- Dinheiro é o de menos agora e eu não tenho muito com que gastar... O que importa é agradar as pessoas de quem você gosta.
- Puxa... Obrigada então... – disse ela um pouco tímida...
Paguei a conta dela e ela rapidamente foi se trocar. O vestido a deixava um pouco velha, devo confessar. Agora com calça jeans e camiseta, ela parecia novamente uma jovem. Hora da diversão!
Corremos para o parque que ainda estava um pouco vazio. Ainda era dia, e as pessoas preferiam vir mais tarde. Assim, pagamos rápido pela entrada e em pouco tempo já estavamos tentando nos decidir sobre qual o primeiro brinquedo que iríamos...
- Vamos na montanha russa!!! – disse eu.
- Pu... Puxa, você tem certeza?
Só pelo gaguejar dela, eu já tinha certeza. A intenção era assustar mesmo.
- Sim, claro!
Então fomos para a fila. Não demorou muito tempo e os carrinhos chegaram. Entramos, Amanda ainda meio desconfiada. Colocamos todos os equipamentos de segurança e em pouco tempo o carrinho estava partindo.
Eu nunca tinha andado de montanha russa na vida. E aquela foi a experiência mais assustadora que tive. Depois de subir até a parte mais alta, lentamente, o carrinho desceu, de uma vez, até chegar próximo ao solo. É como se a fôssemos jogados de um desfiladeiro. Confesso que não apreciei o loop, minha cabeça foi parar junto aos pés. E não entendo por que o pessoal gosta de gritar tantooo... O quê é aquilo????
- AAAAAAhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!
Desci acabado... Que viagem... Só depois de pisar em terra firme, tive a oportunidade de reparar na Amanda...
- Uau, adorei!!! Vamos de novo!!!
- O quê?????
- Vamos de novo!!! Eu gostei demais, é muito legal... Nunca imaginei que fosse tão bom!
- Você está brincando?
- Claro que não!!! Vamos??
Então ela me puxou pela mão e subimos novamente no carrinho da montanha russa. O pior é que não tinha fila, não tive tempo nem de respirar direito.
Depois de cinco voltas na montanha russa, a Amanda finalmente concordou em experimentar os outros brinquedos. Bom para mim, agora poderia ver se encontrava algum brinquedo que ela não gostasse (e eu sim). Não, não se trata de revanche... Ah, se trata sim!!! Fui direto naquele brinquedo que te faz girar em cima de um grande prato.
- Marvin, você tem certeza?
- Ei, não precisa perguntar se eu tenho certeza toda vez que formos em um brinquedo novo. Este aqui será diferente.
E o pior é que foi mesmo. Agora eu poderia saber como se sente uma roupa em uma máquina de lavar... O brinquedo começou lentamente a girar, mas logo ele girava tão rápido, mas tão rápido, que eu não conseguia mais desgrudar a minha cabeça do equipamento de segurança... E todos gritavam sem nenhum motivo, então decidi me juntar a eles...
- aaaaaaaaaaaaaaaAAAAAAAAAaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaAAAAAaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaAAAAAHHH!!!!
Foi uma experiência única! Vai ser a única vez na minha vida que vou neste brinquedo. Isto não é um brinquedo, é uma máquina de tortura chinesa... Como é que alguém consegue gostar disto???
- Puxa, eu gostei demais deste também!!!!
- O quê???
- Ah, Marvin, fala que você não gostou nem um pouquinho?
- Não gostei nem um pouquinho...
- Hummm, não seja mal-humorado... Hehehehe...
- Está bem, então vamos em qual agora?
Ela deu uma risadinha, olhando para algo atrás de mim...
- O que foi?
Me virei e tudo que vi foi um carrossel.
- Ah, então você está curtindo com a minha cara, não é?
- Hehehe... Só um pouquinho, Marvin...
- Humpf... Tenho certeza que no próximo brinquedo, eu me darei bem.
Desta vez fomos ao barco pirata. Não, eu não me dei bem, principalmente quando ele chegava nos pontos mais altos... Nenhuma diferença para a montanha russa...
- Muito legal este também, Marvin!!! – disse Amanda, com um grande sorriso no rosto.
Nunca a vi tão feliz em todo tempo que a conheço.
- Puxa, acho que preciso de um tempo... – respondi.
- Hehehe, tudo bem.
- Hummm, acho que sei de um brinquedo que será bom para mim...
- Ah, é? Qual?
Corri à uma das poucas barracas que não envolvia te chacoalhar, te jogar para cima ou te colocar de cabeça para baixo: a barraca de tiro. E nestas horas compensou todo aquele tempo ocioso desperdiçado com meus jogos de tiro ao alvo, escondidos dos anciãos, para não levar um chamado de atenção.
Comprei cinco rolhas, e fui capaz de ganhar uns dois chocolates. Eu sei que aquilo ali é difícil pois os prêmios são bem presos, mas o que vale é a diversão. Fiquei com um chocolate, o outro dei para Amanda.
- Humm, estava bom... Mas agora fiquei com vontade de comer mais alguma coisa...
- Puxa vida, mesmo depois de chacoalhada para todos os lados?
- Hehehehe, sim! Que tal um sorvete?
- Está bem... Eu também vou querer...
Compramos o sorvete e nos sentamos em um lugar, à sombra. Ficamos calados por cinco minutos, tomando o sorvete.
- Marvin...
- Sim?
- Eu queria te agradecer... por me trazer aqui... eu gostei muito...
- Hehehehe, embora eu esteja parecendo um rabugento, eu também estou gostando de estar por aqui... Esta hora eu poderia estar em casa, sozinho, fazendo qualquer coisa para matar o tempo...
- Hummmm... É mesmo, você mora sozinho... E seus pais?
- Bem... eles morreram há algum tempo...
- Oh... Sinto muito...
- Não tem problema... Você iria saber de uma forma ou de outra, não?
- Sim...
Houve um pequeno momento de silêncio.
- Eles morreram de acidente de carro... Estavam viajando à noite, quando um caminhoneiro que dormiu ao volante invadiu a pista deles...
- Puxa... Que pena.
- É... Sabe, eu sempre fui muito distante deles... Meu pai sempre trabalhava muito, só chegava à noite... Minha mãe se sentia muito carente por isto. Você poderia até pensar que ela teria suprido esta carência com seu filho, mas não foi assim comigo. Ela estava muito preocupada com o próprio casamento... Cresci sem o costume de conversar com eles... E eu nunca pensei que fosse sentir a falta deles, até que aconteceu o acidente... Na época, eu vivia para meu trabalho, assim como meu pai. Hoje acho que foi a única coisa que ele me ensinou, viver para o trabalho. Quando eles morreram, eu percebi que estava cometendo os mesmos erros que meu pai, então mudei minha vida completamente... Deixei um bom emprego e uma vida de luxo para viver uma vida mais simples...
Amanda ficou em silêncio por pelo menos um minuto, refletindo. Estava visivelmente melancólica e não era para menos.
- Sempre me lembro de um certo dia, quando estávamos esperando começar a reunião. Eu ainda tentava me enturmar com as outras irmãs, embora elas não me quisessem como amiga. Era uma noite de verão e fazia tanto calor!! Estava triste por causa de meu pai também, das brigas dele com minha mãe... Então apareceu uma nova pessoa no salão, um estudante. Ele era tão tímido... Assim como eu... E embora eu soubesse que ele era muito inteligente, ele nunca se vangloriou disto. Ele nunca tentou ser melhor que ninguém. Cada dia me surpreendo mais com ele, pois eu nem mesmo sabia que ele suportava sozinho a morte dos pais... Ele deve ser realmente forte por suportar isto de forma racional...
Lentamente virei meu rosto e olhei para aquela moça, que agora olhava para o chão.
- Sabe, este estudante... É por tudo isto que eu... que eu gosto tanto dele... E por isto estou tão feliz de estar perto dele...
Senti um frio na barriga, uma sensação que não poderia descrever... Uma parte de mim parecia não acreditar que estava acontecendo aquilo. Parecia irreal, fantástico. Esta parte cética precisava encontrar algo errado naquilo tudo.
- Amanda... como você poderia gostar deste estudante? Ele nunca atraiu ninguém, ele sempre foi feio e esquisito...
- Marvin... Esta beleza que você se refere é apenas um castelo de areia contruído na praia. Um dia vem a onda da idade e leva tudo. Mas a praia sem o castelo pode continuar sendo bela... E na verdade o que importa é a praia, não o castelo. Podemos fazer mais castelos, do jeito que quisermos, desde que a praia seja boa para isto. O que importa são as pessoas, as aparências mudam sempre. Talvez Jeová em sua grande sabedoria tenha permitido que as coisas fossem assim, para podermos entender que há muitas formas de beleza e que nem sempre o nosso imperfeito deixa de ser belo.
- Puxa, belas palavras... Nunca li algo assim na Sentinela...
- Hummmm... Não leu mesmo... São resultado de minhas reflexões. Eu gosto muito de pensar nas coisas da vida, mas não comento elas com ninguém, por que tenho medo de dizer besteira e ser repreendida.
A velha censura, muito peculiar às ditaduras. Ela não estava com medo de meras repreensões do tipo “você está errada neste ponto X”, mas daquelas acompanhadas por comissões e afins.
De repente, ela se levantou.
- Ei, tem mais um brinquedo que eu quero ir! Vamos?
Então ela me pegou pela mão e me puxou até os carrinhos de bate-bate. Havia muito tempo que não brincava em um destes. Peguei um preto e ela um azul. Logo que se iniciou, parti em direção a ela com toda a força que o carrinho poderia me oferecer. Bati com tanta força que ela até tombou para o lado.
- Ah, é assim, é? – disse ela com tom de revanche.
- Sim, é assim mesmo!
Ela não teve jeito de fazer nada, pois os moleques que estavam na pista se aproveitaram do fato dela estar meio presa para acabar de prendê-la. Dei a ré e fiz a volta na pista, para pegar embalo para mais um choque. Ela tentava ainda se livrar dos outros.
Enquanto isto, vários pensamentos passavam por minha cabeça. Todos eles se relacionavam com minha surpresa há pouco, nossa conversa. Eu sempre me senti sozinho e de alguma forma sempre quis resolver isto, sendo reconhecido por alguém. Até agora, não tinha tido sucesso. Por isto pensei que sempre seria um grande solitário cercado pela sociedade.
Mas com o tempo, percebi que eu estava errado. Eu não era um em um milhão, eu não era um tipo raro de pessoa. Na verdade, a grande parte do mundo é que é solitária. O mundo está cheio de pessoas tentando ser amadas, tentando ser reconhecidas. Não é para menos, pois a cada dia deixamos mais e mais de ser seres humanos. Nossa dor, nosso amor, nossa tristeza ou alegria não passam de algum tipo de reação química. Somos operários obrigados a fazer tudo que nossos patrões pedem por medo de sermos substituídos ou para mostrar (provar) que somos bons naquilo que fazemos. Somos brinquedos manuseados por crianças de 3 anos, soltando os pedaços. Ficamos sozinhos em nossa insignificância e assim como eu quis combater minha solidão com reconhecimento, todo mundo quis.
Por um momento quase acertei o carrinho dela novamente.
- Hahahaha, escapei!! – disse ela.
- Não por muito tempo!
Este combate da solidão então promoveu a maior onda de idiotices da história humana. Havia todo tipo de tentativa para se tornar famoso. Tinha gente com a capacidade de fazer músicas com duas notas musicais apenas. Letras de músicas obrigatoriamente tinham que estar relacionadas com sexo. Então começou a aparecer mulheres dançando ao lado deles... Alguém lançou a mania de apelidar mulheres de frutas e em pouco tempo não havia mais nome para usar (vocês deveriam ter conhecido a mulher jaca). Foi aí que começaram a pegar o nome de qualquer animal, planta, planeta, marca de cigarro... Tinha até a mulher Colgate, já imaginaram? Aquilo não parecia ter fim. Uma pobre mulher estava tentando bater o recorde já estabelecido de ser a mulher com mais silicone nos seios. Fico imaginando qual a razão disto. Talvez as milhares de mensagens de sua coleção de fãs pervertidos em todo o mundo a fizessem se sentir melhor. Devia ser muito triste chegar no seu quarto à noite e dar-se conta de que todo mundo é fã do seu silicone. Deveria ser muito triste alguém se esforçar tanto em seu trabalho para ser reconhecido pelos seus patrões, mas nunca receber sequer um obrigado.
- Ahá!!!! Te peguei, Marvin!
Era Amanda atingindo meu carrinho com grande força...
- Isto não vai ficar assim!
- Ah, você não vai mais me pegar!
Analisando estas tentativas, me dei conta que na verdade a simples busca pelo reconhecimento não valia de nada. Não era o simples reconhecimento, mas O Reconhecimento, aquele que se admira a pessoa de uma forma inexplicável, assim como não conseguia explicar o que senti ao ouvir Amanda me dizendo que gostava de mim. Então percebi que os dois de fato eram a mesma coisa, que eu acabei de achar o que procurava. Percebi que mais uma vez eu estava enganado... Pensei que saberia exatamente como era ser querido, mas me enganei completamente... Era um sentimento completamente diferente, incontrolável. Não era a resposta a um problema que eu encontrei, pois seria injusto tratar algo tão auto-suficiente em função de algo tão negativo.
Meu carrinho mais uma vez batia com força no dela, fazendo ela ir para frente.
- Hahahaha, eu te disse que te pegaria!
Logo a sirene tocou.
- Ah, isto não é justo!! O tempo já acabou!!
Lentamente nos levantamos dos carrinhos e saímos da pista. Eu estava feliz pela alegria dela.
- Hehehehe, isto foi muito legal!!! Mas infelizmente nós temos que ir... Não avisei meus pais que eu ficaria tanto tempo fora, e já são sete horas... Eu só gostaria de ir em mais um brinquedo...
- Ah, é? Qual?
Então ela apontou para o velho e bom trem fantasma que estava no canto do parque, convidando a todos para visitá-lo. Do lado de fora tocava Thriller e me lembrei que o cantor um dia foi testemunha de Jeová também... Certamente por isto que ele declarou não defender o ocultismo com esta música... Eu diria que os fantasmas assombram mais as testemunhas de Jeová do que as pessoas comuns.
- O trem fantasma? Humm, não me parece muito assustador, parece mais para crianças...
- Ah, mas eu sempre quis ir em um... Vamos, vamos??? – insistia ela como alguém que quer finalmente desfrutar de um prazer totalmente proibido.
- Está bem, então vamos.
Como eu esperava, o trem fantasma não era tão assustador assim. Eles assustavam mais quando eu era pequeno. Mas devo confessar que eles conseguem produzir efeitos muito bons. Foi ótimo reviver tudo aquilo. Foi ótima a companhia. Mas o melhor de tudo aquilo é que esta história era minha. Não era a história de ninguém. Eu não precisei me basear na história de ninguém, não esperava que fosse igual à história de ninguém.
Saímos do brinquedo e nos dirigimos à saída. Caminhávamos devagar, como que curtindo o caminho de volta. Ela olhava para baixo, pensando em alguma coisa que eu não sabia o que era. Eu, a olhava pelo canto dos olhos, às vezes diretamente. E aconteceu que ela percebeu que eu a olhava de maneira diferente e ficou um pouco tímida...
- O...O que foi, Marvin?
- Sabe, o que você me disse antes... O quanto você gosta deste estudante?
A vergonha dela aumentou bastante com a pergunta e eu pensei que ela não iria me responder. Logo percebi sua respiração mais forte.
- ... mais do que você imagina... muito mais.
Logo pegamos o ônibus, dirigindo-nos para casa. Ficamos um bom tempo calados durante a viagem, sérios, pensativos... O que acontecia? O que ela estava pensando agora? O que eu faço?
Feriado prolongado, sete horas da noite... Este tipo de combinação fazia bairros inteiros ficarem desertos. E nunca em toda a minha eu tinha visto a rua da casa de Amanda tão perfeitamente deserta. Não havia ninguém ali, especialmente testemunhas de Jeová. Paramos em frente ao portão de Amanda.
- Marvin... Muito obrigado de novo por tudo... Eu gostei demais do passeio.
- Eu também gostei muito, Amanda...
Ela sorriu.
- Que bom... Então.... Boa noite, Marvin.
- Boa noite... Amanda...
Então ela lentamente caminhou até a porta. Eu tinha que fazer algo.
- Ei, Amanda, espere.
Corri até ela. Ficamos cara a cara.
- Eu preciso te dizer uma coisa.
- Precisa? O quê?
Como eu tinha mencionado no início, era setembro. Não havia muita chuva nesta época. O céu estava sem muitas nuvens, por isto podia-se ver as estrelas iluminando o céu. E como havia estrelas! Como a lua iluminava tão bem aquela noite! Mesmo assim, algumas partes daquela rua ainda ficavam um pouco escuras, envolvendo tudo em mistério.
Não havia ninguém além dela e eu. Coloquei minha mão esquerda em seu rosto suavemente, enquanto a direita segurava seu ombro. Não lhe disse nada, pois eu sabia que um ato vale mais do que mil palavras. O beijo que lhe dei, este disse tudo.

O bom pastor - 2ª parte

(continuação do texto anterior, disponível clicando aqui)

O que NÃO se espera de um pastor

É interessante constatar que, para que não pairem quaisquer dúvidas, a qualificação neotestamentária do bom pastor é feita também por meio de exemplos negativos, exemplificando características que não devem estar presentes no líder (ou candidato a líder) da igreja. São elas:

1) que não seja dado ao vinho - 1 Tim 3:3 (ARA, ARC, BJ, TEB) – “não deve ser apegado ao vinho” (NVI), “não beberrão” (BP). Não pretendemos aqui entrar na questão de se é permitido ao cristão o consumo de álcool, embora na mesma carta (5:23), Paulo recomende a Timóteo que tome um pouco de vinho por causa de seus problemas de estômago e outras enfermidades. O fato indisputável é que o pastor não deve ser um bêbado, um embriagado, mesmo que eventual. Deve ter cuidado também para que o seu testemunho público não seja afetado por uma taça de vinho.

2) que não seja violento – 1 Tim 3:3 (NVI) – não briguento (BJ, BP, TEB), não espancador (ARA, ARC). A palavra grega aí traduzida por “violento”, “briguento”, “espancador” é πλήκτης - plēktēs, que quer dizer literalmente um “pugilista”, “lutador”, alguém que parte para o ataque físico contra outra pessoa. Obviamente, não devemos limitar este significado apenas para o aspecto físico da questão, mas também na conduta social e emocional do pastor, que não deve ser alguém que “atire sem perguntar”, para quem “a melhor defesa é o ataque”. Pelo contrário, o pastor deve ter sempre em mente o exemplo de Sadraque, Mesaque e Abedenego, que diante da ameaça de serem atirados na fornalha de fogo do rei, não tiveram dúvida alguma de responder: “Ó Nabucodonosor, não precisamos defender-nos diante de ti. Se formos atirados na fornalha em chamas, o Deus a quem prestamos culto pode livrar-nos, e ele nos livrará das tuas mãos, ó rei” (Daniel 3:16-17).

3) que não seja altercador – 1 Tim 3:3 (TEB) – “não contencioso” (ARC), que seja “inimigo de contendas” (ARA), “amável, pacífico” (BP, NVI), “indulgente, pacífico” (BJ), . A palavra grega aqui é ἐπιεικής - epieikēs – que também pode ser traduzida por “paciente”. Além de “não violento”, o pastor não deve ser alguém que sempre “parta para a ignorância” segundo o dito popular. Deve ter capacidade de argumentar sem recorrer à violência verbal. Lamentavelmente, muitos líderes preferem seguir outro ditado popular, e dão um boi para não entrar numa briga, mas uma boiada pra não sair dela.

3) não apegado ao dinheiro – 1 Tim 3:3 (NVI) – “não cobiçoso de torpe ganância” (ARA, ARC), “desinteressado” (BP), “desinteresseiro” (BJ). No texto original em grego, Paulo enfatiza tanto essa questão que usa duas palavras para reforçar a importância de não servir ao dinheiro: αἰσχροκερδής (aischrokerdēs) e ἀφιλάργυρος (aphilarguros), também traduzida como “avarento” (ARA, ARC). Na carta de Paulo a Tito (1:7), a TEB traduz aischrokerdēs por “não ávido de lucros desonrosos”. Infelizmente, nos dias atuais, esta ênfase paulina foi deixada de lado pelos “pastores” da prosperidade, mais preocupados em pedir dinheiro e amealhar fortunas do que simplesmente pregar e (principalmente) viver o evangelho em sua plenitude. Na visão deles, o sucesso é medido pela conta-corrente polpuda e não pela igreja cheia de pecadores convertidos a Jesus. Graças a Deus, ainda há poucos e bons pastores que sabem que de nada vale ao homem “ganhar o mundo inteiro e perder sua vida” (Mateus 16:26, Marcos 8:36, Lucas 9:25), e por isso escolhem investir seus recursos e sua vida na propagação do evangelho, e não no acúmulo de riquezas particulares, cientes do que Paulo também disse mais adiante (1 Tim 6:10) - "o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males". Quando se despediu dos presbíteros de Éfeso (Atos 20), Paulo invocara em seu testemunho que “de ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes; vós mesmos sabeis que estas mãos serviram para o que me era necessário a mim e aos que estavam comigo” (vv. 33-34), logo após lhes predizer que “eu sei que, depois de minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho, e que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles” (VV. 29-30).

4) que não seja novo na fé (neófito) – 1 Tim 3:6 (ARA, ARC) – “que não seja recém-convertido” (BJ, BP, NVI), e a seguir Paulo justifica: “para que não se ensoberbeça” (ARA, ARC, BJ), seja “cegado pelo orgulho” (TEB), “não se envaideça e incorra na condenação do diabo” (BP). Infelizmente, esta orientação de Paulo é seguidamente desobedecida em muitas igrejas, que assim que surge alguém recém-convertido com algum destaque, já lhe passam muitas incumbências que, biblicamente, só cabem a um pastor. Isto sem contar todos aqueles que não são exatamente “iluminados”, mas ficam “deslumbrados” com a graça de Deus, e, imaginando que a estão servindo (ou ainda, “cobiçosos de torpe ganância”), fundam suas próprias igrejas como os mais novos “profetas” e “pastores” da praça. O próprio fato de crescer no entendimento e na graça de Deus implica em tempo e paciência para que o fruto do Espírito Santo nele se desenvolva. Paulo era profundamente zeloso desta característica, tanto que insiste mais adiante com Timóteo: “a ninguém imponhas precipitadamente as mãos” (1 Tim 5:22).

5) que não seja arrogante – Tito 1:7 (ARA, TEB) – “não presunçoso” (BJ), “não orgulhoso” (NVI), “não egoísta” (BP). Embora todas as soluções sejam possíveis, a Bíblia do Peregrino parece traduzir melhor a palavra grega αὐθάδης authadēs, que significa primordialmente “alguém que faz algo só para o próprio prazer”. Infelizmente, esta é mais uma qualidade priorizada por Paulo e desprezada por muitos pseudo-pastores, que se encaixam mais na definição do apóstolo Judas Tadeu: “Estes homens são como rochas submersas, em vossas festas de fraternidade, banqueteando-se juntos sem qualquer recato, pastores que a si mesmos se apascentam; nuvens sem água, impelidas pelos ventos; árvores em plena estação dos frutos, destes desprovidas, duplamente mortas, desarraigadas, ondas bravias do mar, que espumam as suas próprias sujidades; estrelas errantes, para as quais tem sido guardada a negridão das trevas, para sempre” (Judas 1:12-13). Na visão de Pedro, esses pretensos líderes “são como criaturas irracionais, guiadas pelo instinto, nascidas para serem capturadas e destruídas; serão corrompidos pela sua própria corrupção!” (2 Pedro 2:12).

6) que não seja iracundo – Tito 1:7 (ARC) – que “não seja irascível” (ARA, BJ, TEB), “briguento” (NVI), “colérico” (BP). A palavra grega aqui é ὀργίλος - orgilos - que significa a qualidade da pessoa que se ira, encoleriza, rapidamente. Não deixa de ser um complemento aos atributos de “não violência” e “não altercação” a que Paulo se refere na carta a Timóteo. As três qualidades demonstram que o pastor deve ser uma pessoa em que o fruto do Espírito seja bem desenvolvido, e que ele tenha paciência, domínio próprio, temperança, e principalmente humildade para ouvir primeiro o que o outro tem que falar, e interaja ou reaja com toda mansidão.

Conclusão

Diante de todas essas características, é imperativo que tanto os pastores como suas congregações observem fielmente o que o Novo Testamento propõe para a liderança da Igreja. O escritor aos Hebreus (13:7) diz que as ovelhas devem seguir o exemplo de seus pastores e imitar a sua fé. Enorme responsabilidade esta! Curiosamente, o escritor de Hebreus recomenda que se observe atentamente o resultado da vida dos pastores que já se foram, uma atitude bem diferente daquela que impera em muitas igrejas atualmente, de que a fé se mede pelos resultados imediatos e palpáveis que ela obtém em, muitas vezes, verdadeiras negociatas com um deus imaginário a quem se julga servir. O resultado que deve ser observado não é o instantâneo de um determinado momento na vida do pastor, mas toda a sua vida de fé; em outras palavras, o conjunto de sua obra. Em sua primeira carta, Pedro aconselha aos pastores: “Pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados, olhando por ele; não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer; não por ganância, mas desejosos de servir; não como dominadores dos que lhes foram confiados, mas como exemplos para o rebanho. Quando se manifestar o Supremo Pastor, vocês receberão a imperecível coroa da glória” (1 Pedro 5:2-4).

Oremos para que seja esta a conduta dos nossos pastores.

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