sábado, 31 de outubro de 2009

O pastor soberbo, por Lutero

Hoje faz exatos 492 anos que Martinho Lutero pregou as suas famosas 95 teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg. Assim, o dia 31 de outubro de 1517 é considerado o marco oficial do começo da Reforma Protestante, embora outros movimentos já tivessem existido, e o próprio Lutero venha a romper definitivamente com a Igreja Católica apenas alguns anos depois. Em 2017, portanto, comemoraremos os 500 anos da Reforma Protestante, mas talvez cheguemos lá com outra Reforma profunda na Igreja evangélica, especialmente a brasileira, hoje tão soberba e entregue a símbolos e práticas pagãs.

O momento é, então, propício para que lembremos das palavras do próprio Lutero, comentando Tito 1:7, em que Paulo diz que o bispo (pastor) não deve ser soberbo (αὐθάδης - authadēs) nem irascível. Queira Deus que seus ensinamentos contribuam para que voltemos aos eternos valores genuinamente cristãos defendidos pela Reforma:




Não soberbo. Essas são preciosidades que se encontram na casula sacerdotal. Tal qualidade adere, naturalmente, a todas as honras. Authadis refere-se à ideia de que sou agradável a mim mesmo; [e aquele que se agrada a si. Trata-se daquela disposição inflexível e entediada de quem olha para si mesmo no espelho e despreza os outros. As formas de como a soberba se manifestas são descritas neste dito: ela espelha a própria pessoa e se infla devido às dádivas que recebeu de Deus frente à outra pessoa que as não possui; ela quer ser temida e notada. A este vício opõe-se Cristo que “se esvaziou”, Fp 2.7. O apóstolo poderia ter dito: “Eu sou santo, tu és pecador; eu sou filho de Deus, tu, do diabo”. Mas, ao invés disso, diz “se esvaziou”. “Mas tenho pena de ti; farei com que tu sejas santo e filho de Deus, e com que eu assuma a posição contrária”. Assim deve agir um bispo. Ao ver um irmão ignorante, que não pense: “Eu sou mais douto e o outro nada é”, “considerado em relação a mim, é um rei camponês”. Tal soberba não é nobre, mas própria de camponeses, como, por exemplo, quando um camponês possui cem florins no seu cofrinho e se esforça para que todos saibam disso. Se tens uma habilidade, sabe que não a tens para zombar do próximo e insultá-lo, mas, sim, para edificá-lo. É assim que agem nossos entusiastas: eles próprios querem saber tudo, e insinuam que nós nada sabemos. Se, contudo, eu sei alguma coisa, sendo um fiel despenseiro, devo sabê-lo em prol do irmão, de modo que, simplesmente, compartilhe-o com ele, não buscando, nisso, favores, proveito e elogios, mas de tal sorte que seja sequioso pela salvação do irmão. Trata-se, pura e simplesmente, de conceder-lhe parte naquilo que ele próprio não possui, e não de agradar a si mesmo. Esta última atitude é, segundo Paulo, submeter as dádivas e os dons de Deus a uma rapina. A dádiva e o dom me foram dados para que sirvam ao próximo. Se eu quero, porém, que os outros me olhem , então, transformo o que me foi concedido num objeto de rapina. Devo distribuir e conceder os dons a outrem e, no entanto, tomo-os exclusivamente para mim. Desse modo, deleito-me em ser louvado e chamado de homem piedoso e douto. Se, por outro lado, sou considerado culpado de alguma coisa, fico logo irado. Este é o maior dos vícios, um defeito inenarrável. Ele carrega consigo a vanglória, a inveja, o espírito do amor a si próprio e o roubo das dádivas de Deus. É uma “cebola vestida com túnica”. Quando algum pregador possui um dom maior em comparação com outro, ele não quer mais ensinar, a menos que seja liberto da vanglória, essa peste. Eu mesmo fiz isso, a fim de remover a vanglória que se acha no meu coração. Certamente, todo e qualquer um deve fazê-lo. É possível reconhecer outros pecados, mas não esse. Quando o Senhor torna um homem douto, também o constitui para que não agrade a si mesmo, para que não se vanglorie nem seja um ladrão da glória de Deus. Se o fazes, cometes uma abominação e um sacrilégio, Rm 2.5. Alegrar-se apenas com aquilo que considera seus próprios dons, nada é senão somatório de sacrilégios. Quem faz isso não se preocupa com as pessoas a quem serve. Cristo, porém, exige de nós que essas virtudes, ainda que ínfimas, etc., nos sejam atribuídas por causa do serviço. Um bispo é alguém que não agrada a si mesmo, mas, sim, a outrem; isso, porém, quando o faz para a boa edificação.

Todo o homem soberbo é “iracundo”. Diz-se que as virtudes são encadeadas entre si. O mesmo também ocorre com os vícios. Aquele que agrada a si mesmo, deleita-se consigo e com os dons recebidos, facilmente se ofende com o defeito de um irmão. Portanto, quando um bispo é constituído como objeto de admiração em meio aos irmãos, dentre os quais alguns são firmes e cultos, notando-se, porém, uma grande diferença do lado oposto; e quando, além disso, tem ao seu redor lobos e é constituído no meio de diabos, torna-se impossível que não seja tentado, a todo instante, por várias tentações e que se não lhe apresente um grande motivo para irar-se. Deve cuidar, particularmente, de não mostrar-se irascível diante dos irmãos, ou seja, ele deve ser manso e bondoso, de sorte que possa tolerar as fraquezas, e todas as enfermidades de suas almas. Aquele, porém, que agrada a si mesmo, fica ofendido tão logo as coisas não aconteçam conforme os seus propósitos. Caso veja alguém um pouco relutante, logo quer excomungá-lo, como fazem os nossos bispos. Que não se levantem murmúrios e queixas contra eles acerca de sua tirania! Ao contrário, deve haver um afeto paterno e materno no bispo. Pedro o expôs da seguinte maneira: “Não como dominadores dos que vos foram confiados” [1 Pe 5.3], como se o rebanho fosse sua própria herança e como se quisessem, simplesmente, dominar na Igreja, de forma que tudo suceda conforme se enfurece e vocifera sua própria cabeça, de modo que o bispo possa gloriar-se a cada palavra, etc. Como já disse, foi assim que agiu o papa, e assim agem nossos bispos. “Não”, diz Paulo, “porque dominemos, mas como vossos servos por causa de Cristo” [2 Co 4.5]. Não fui constituído para governar qualquer cristão na condição de senhor; antes, fui constituído como servo. Somente um é o Senhor. Embora sejam servos, devemos obedecer-lhes e, diante deles, humilhar-nos por causa do Senhor. Por outro lado, eles devem servir-nos e suportar até mesmo nossa fraqueza por causa do Senhor. Por conseguinte, aquele que agrada a si próprio não pode deixar de ofender-se e exercer a tirania. Se alguém é constituído bispo, é preciso que seja uma pessoa honrada e de boa reputação. Se não fosse assim, a Palavra seria desprezada. Pois quem ouviria uma pessoa reprovável, principalmente entre aqueles a quem lidera? Caso isso ocorresse, estaríamos, de imediato, numa situação de perigo, visto que a carne e o sangue são tomados de pruridos pelos louvores, submetendo-os a seus propósitos. De outra parte, se meu irmão não me elogia, é ele quem peca. “Se és louvado, estás em perigo; se não és, é teu irmão que está”, diz Agostinho em seu comentário ao Sermão do Monte. Portanto, é necessário que o Espírito Santo esteja presente para que sejamos moderados em relação ao outro, de modo que o bispo conceda a glória a Deus, e que aquele que o ouve honre o bispo por causa de Cristo, Hb 13.7. Assim, pois, deve meditar o pastor, o bispo: embora te encontres numa posição superior e tenhas recebido dons melhores, os juízos de Deus, não obstante, são incompreensíveis. Pode acontecer que Deus volte seu olhar para alguém numa situação muito inferior, e que o mais baixo lhe seja agradável, mesmo que te encontres numa posição elevada. É possível que um só denário lhe agrade mais do que dez mil talentos. Um exemplo disso encontra-se em Lucas [7.36-48]: obras de inestimável valor são realizadas, tratando Deus publicamente com todo louvor. A pecadora, por sua vez, não faz nada disso. Cristo rejeita as obras esplêndidas e magníficas do fariseu. Ele proclama e gaba o que fez a pecadora e coloca sobre o miserável fariseu o fardo de muitos pecados. Sim, sim, assim tu és! Portanto, que toda pessoa o tema; ele despreza os soberbos, e dá atenção aos humildes, não fazendo acepção de pessoas. Por isso, nossa humildade não é monástica, pois esta é a soberba e a humildade em si mesma e não a humildade em Cristo. Trata-se de uma simulação de humildade. Os mais humildes são, na verdade, soberbos no mais alto grau. A vossa humildade, porém, certamente, possui os mais altos dons e, contudo, teme a Deus, visto que ele julga maravilhosamente. Eu poderia perecer com meus dons, fama e honra. Aqueles que conhecem a Cristo, associam-se a ti de maneira apropriada. Quem conhece a Cristo, deve ser honrado e ter os irmãos em alta estima. Porém, não deve fazer uso dessas coisas, mas passar de largo, como se não as visse, pensando, ao contrário: “Eu sou um servo e me empenharei para servir ao irmão, mesmo ao menor”. Desse modo, ele deve humilhar-se por meio de Cristo. Quem tiver esse sentimento, não pode ser soberbo, pois esse espírito não tolera a soberba. Ele diz: seguramente, sei mais do que outros, mas de que adianta isso se alguém cai por causa de uma única palavra minha, etc.? Assim, o pavão soberbo acaba largando suas penas. “Eu me gloriarei em ti e não em meus dons, pois te conheço e te compreendo”. Por esses meios, a soberba fica proibida.


(LUTERO, Martinho. Obras Selecionadas. vol. 10. Interpretação do Novo Testamento. Gálatas-Tito. Ed. Sinodal-Ed. Concórdia, São Leopoldo, Porto Alegre, 2008, pp. 580-583)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Momentos apostólicos

Coincidentemente, eu estava em Sorocaba nesta semana, e pude acompanhar in loco a movimentação envolvendo a entrega do título de "cidadão sorocabano" a Estevam Hernandes, o "apóstolo" fundador da Igreja Renascer, que passou uma temporada na cadeia nos Estados Unidos - juntamente com a esposa, a "bispa" Sonia Hernandes - por terem entrado naquele país com dinheiro não declarado, escondido inclusive numa Bíblia. Detalhe: ambos são réus confessos, ou seja, confessaram que cometeram o crime segundo as leis americanas. Fizeram isso para conseguir uma redução na pena, que nos EUA é negociada com o promotor. Logo, não podem dizer que foram vítimas de uma armação qualquer, nem do capeta, já que se fizerem isso estariam não só admitindo que mentiram (e os crentes sabem muito bem quem é o pai da mentira) como incorreriam em outro crime previsto na legislação americana: o perjúrio, que nada mais é do que mentir à Justiça, crime que não existe em terras tupiniquins, daí termos que conviver com as mais insanas versões sobre os crimes, principalmente nos casos de corrupção. Ouvi a notícia pela Rádio Gospel FM de Sorocaba, de propriedade da Renascer, em que bispos e pastores comemoravam o título concedido ao seu "apóstolo", como um sinal de reconhecimento de sua autoridade espiritual. Também me surpreendi ao ver que, num determinado horário, 12:12 hs., a rádio pára tudo para o seu "momento apostólico", ou seja, criaram a versão evangélica do tradicional Angelus católico, horário em que os católicos mais tradicionais param tudo para rezar a Ave Maria, hoje geralmente às 18:00 hs. Aliás, estamos vivendo uma fase esotérica muito degradante no meio evangélico, em que a numerologia tem invadido a Igreja com as teorias mais bizarras, como o apego do Marco Feliciano ao número 7, do Malafaia e Cerullo aos 900 reais, enfim, virou uma bagunça generalizada que tem levado muita gente honesta às mais ridículas superstições, que nada têm de bíblicas, como é o caso do tal horário apostólico das 12:12.

Aproveito para escrever isso porque o blog da Nani (Nani e a Teologia) também abordou o tema sorocabano, e a seguir transcrevo o que ela comentou:



Na noite do dia 26 de outubro, Estevam Hernandes foi agraciado com o título de Cidadão Sorocabano.

Veja a reportagem do jornal local:



A grande realização de Estevam pela cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo, pode ser vista abaixo:



Segundo o site IGospel:


O sr. foi citado como a pessoa que sugeriu a colocação, na entrada de Sorocaba, da inscrição “Sorocaba é do Senhor Jesus”. Como o sr. vê isso hoje, com a concretização dessa placa como um marco na entrada da cidade?

A colocação dessa placa, declarando que a cidade é do Senhor, me traz uma grande satisfação interior por ter sido a pessoa que Deus usou para que o prefeito Vitor Lippi fizesse esse monumento. Infelizmente, muitas cidades, do estado de São Paulo, quando você entra vê que são cidades consagradas por forças que imperaram durante muitos anos e, graças a Deus, hoje a realidade é que temos a igreja de Cristo se levantando. Então, eu tenho um carinho muito especial por Sorocaba, e eu louvo a Deus, porque quando recebi a notícia do título de cidadão eu me alegrei. E isso faz parte dessa relação, que eu creio vai aumentando a cada dia.

A foto acima é do blog Abacoros: Sorocaba no avesso. Reproduzo também as seguintes palavras do blog:

Sorocaba, berço de caçadores de índios, hereges e judeus espanhóis, desde o século XVII. Dominada pela maçonaria até século XXI. É finalmente conquistada pela cristandade. Tem um corpo religioso no lugar da Câmara e um rei no Paço. Estabelecerão em breve o ensino religioso nas escolas. Abacoros seria completamente conquistada pelos cristãos, não fosse um qüiproquó: Jesus se fez passar por munícipe e pode sacar todo o lance. Cristo então disse ao Lippi: Não quero! Não quero mais ser o senhor destas terras nem munícipe. O IPTU está muito caro, a música é ruim. Vou morar em outro lugar. Talvez em Votorantim.

Pois é, além do IPTU, Jesus não deve ter gostado nada do novo cidadão de Sorocaba...

domingo, 25 de outubro de 2009

IURD vira Iurd para a Folha

A briga entre Edir Macedo e a Folha de S. Paulo continua e promete novos rounds. Agora, nas denúncias de evasão de divisas a Folha de S. Paulo passou a se referir à Igreja Universal do Reino de Deus pela sigla Iurd, e não mais com as maiúsculas IURD, como era conhecida até então. A mensagem não tão subliminar assim é que o Edir Macedo dirige uma igreja universal do reino de deus com todas as letras minúsculas, como se fosse uma sátira ao fato dela não ser tão universal assim, ter um reino restrito e servir a um deus pagão qualquer (talvez o dinheiro). Tudo bem que o diretor da Folha, Otávio Frias Filho, seja ateu convicto, e tenha até proporcionado um momento constrangedor quando, logo após a morte do seu pai, Octávio Frias de Oliveira, tenha escrito e publicado uma carta aberta ao bispo - D. Manuel Parrado Carral - que celebrou a missa de 7º dia que sua mãe havia encomendado ao pai, dizendo que ele era agnóstico, esquecendo-se que, dentro da tradição da família, aquele era um momento de reunião dos amigos e parentes para a celebração da memória do pai, já que, cá entre nós, é pra isso que servem essas ocasiões, e não para diatribes ateístas ou agnósticas. Entretanto, também cá entre nós, não deixa de ter uma certa dose de razão a Folha ao escrever a sigla com letras minúsculas. A IURD (ou Iurd, escolha!) prega um deus genérico que ninguém sabe exatamente qual é, mediante o qual se tem acesso a um reino de poder material no mundo presente, aqui e agora, daí não se entender bem em que sentido ela pretende ser universal ou mesmo igreja.

sábado, 24 de outubro de 2009

O brigadeiro dos fariseus

Uma das objeções que se repetem quanto às críticas que se fazem às novas práticas religiosas e aos deuses estranhos introduzidos na igreja evangélica brasileira, é que o que importa é que o evangelho está sendo anunciado e pessoas estão se convertendo. Primeiramente, de “novas” essas práticas não têm nada; pelo contrário, são heresias bem antigas, existem desde que a Igreja é Igreja. Em segundo lugar, não tenho dúvidas de que pessoas se convertem a Cristo, única e exclusivamente pela ação do Espírito Santo, que não respeita tempo, rito ou lugar para convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo, prerrogativa que é única e exclusivamente Sua (João 16:8). Já vi pessoas se convertendo nos lugares menos cristãos, porque a luz do Espírito ali lhes alcançou, fazendo-os enxergar a operação do erro.

Alguém poderia alegar que Paulo já dizia aos filipenses que “alguns pregam a Cristo até por inveja e contenda, mas outros o fazem de boa mente; estes por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho; mas aqueles por contenda anunciam a Cristo, não sinceramente, julgando suscitar aflição às minhas prisões. Mas que importa? Contanto que, de toda maneira, ou por pretexto ou de verdade, Cristo seja anunciado, nisto me regozijo, sim, e me regozijarei" (Filipenses 1:15-18). Entretanto, uma análise mais acurada desse texto revela que algumas pessoas anunciavam o evangelho de Cristo de má fé, por mais paradoxal que isto possa parecer. A pergunta que não quer calar, portanto, é a seguinte: as “novas” práticas religiosas brasileiras estão anunciando a Cristo?

Parece-me evidente que a resposta a esta pergunta é negativa. A pregação evangélica brasileira se concentra, hoje, em rituais judaizantes repaginados, parafernálias coreográficas, sinais mirabolantes e superstições profanas requentadas, enquanto o evangelho de Cristo, a pura e simples mensagem salvadora da Sua cruz, nas raras vezes em que é proclamada (um tanto quanto envergonhadamente), é uma espécie de um (e um apenas) minúsculo granulado de chocolate jogado na superfície de um brigadeiro, que é servido no prato dos ouvintes como uma massa gordurosa e rançosa de mensagens até bonitas, que trazem alguma aparência de sabedoria, que talvez até sirvam para as suas necessidades imediatas de doçura nas agruras da vida, mas produzem neles um resultado acumulado de cegueira espiritual e consciência enfatuada, revelando o seu sabor amargo no final. Não por acaso, logo após terem-lhe pedido sinais, Jesus recomendou a seus discípulos que se guardassem do fermento dos fariseus, a doutrina deles que exigia manifestações rápidas e visíveis do poder de Deus (Mateus 16:1-12). Qualquer semelhança com a atual "igreja brasileira de resultados" não é mera coincidência...

Guardai-vos deles, irmãos!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Tim Maia por João da Birita

Confesse: não é todo dia que você vê um bêbado afinado e com bom gosto musical... e olha que ele dá de 10x0 em muito cantor sertanejo por aí...

Lula, Judas e Jesus

Exemplo perfeito e acabado da enfermidade mais conhecida como "verborragia microfônica", o presidente Lula acrescentou mais uma pérola ao seu arsenal - aparentemente inesgotável - de asneiras jogadas ao vento, ao dizer que "se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão", numa entrevista concedida ao jornal Folha de S. Paulo, publicada ontem. Por mais que a declaração soe destrambelhada, algumas reflexões mais profundas são necessárias:

1) do ponto de vista prático, o sistema político brasileiro foi criado justamente para acomodar as mais variadas posições do espectro ideológico do país, de forma que os mesmos parasitas continuem mamando nas tetas sempre dadivosas do governo de plantão, tudo isso embalado pelo grande delírio coletivo da impunidade, tanto em cima como embaixo, afinal, dos muitos poucos que são condenados, menos ainda cumprem algum tipo de pena. As alianças são movidas muito mais pelo lema "que vantagem podemos ter?" do que propriamente "qual benefício a população terá?".

2) embora a análise teológica seja muito mais profunda, Jesus de fato teve uma aliança com Judas, até muito perto do fim do seu ministério. Afinal, Judas era uma espécie de tesoureiro da trupe apostólica, e ele mesmo um dos apóstolos até a traição final, quando a sua tristeza (ou remorso) pode muito bem ser um sinal para aqueles que crêem no vale-tudo religioso para alcançar a riqueza nesta vida.

3) ainda que a reação mais dura tenha vindo da católica CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil -, talvez o presidente Lula estivesse muito mais impressionado com as alianças que alguns líderes evangélicos fazem entre si e com pessoas e práticas totalmente estranhas ao evangelho, geralmente em razão de uma "prosperidade" às custas da desgraça alheia, ou de uma boquinha qualquer.

Não mexa com o gordinho - 1



Obs.: Veja o vídeo do Não mexa com o gordinho - 2 clicando aqui.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Direito fundamental à internet

Enquanto no Brasil a discussão ainda engatinha, na Finlândia o acesso à internet com banda larga acaba de se transformar em direito fundamental garantido na Constituição do país. O projeto prevê conexão mínima de 100 Mb para todos os finlandeses até 2015. Por aqui, a discussão entra (e se perde) pelos costumeiros caminhos da discussão ideológica, o disfarce ideal para quem quer manter o povo na mais completa ignorância, além da renda concentrada nas mãos de poucos. Ainda que haja um projeto do governo federal para tornar isso realidade o mais rápido possível, vozes se levantam na imprensa e dentro do próprio governo, tentando garantir o monopólio da banda larga na mão das empresas privadas, que cobram pela conexão um dos preços mais caros do mundo. O acesso amplo e livre à internet, pelo menos com preços civilizados, é uma das maneiras mais rápidas e democráticas de se levar oportunidade, conhecimento e cidadania a toda a população. Todo e qualquer investimento neste sentido merece ser estimulado. Como tudo o que acontece no Brasil, muita gente vai querer tirar uma lasquinha desse latifúndio, mas o projeto merece o maior apoio popular. Só resta torcer para que não demore muito para isto virar realidade por aqui, senão será mais um bonde da História que o Brasil vai perder.

Marido traído não tem razão

Pelo menos é isso o que achou o juiz Paulo Mello Feijó, do 1º Juizado Especial Cível do Tribunal de Justiça do Rio, que parece ter perdido a paciência num caso em que o marido traído processou o amante da esposa por danos morais. Entre as pérolas da sentença, destacam-se:

"alguns homens, no início da 'meia idade', já não tão viris, o corpo não mais respondendo de imediato ao comando cerebral/hormonal e o hábito de querer a mulher 'plugada' 24hs, começam a descarregar sobre elas suas frustrações, apontando celulite, chamando-as de gordas (pecado mortal) e deixando-lhes toda a culpa pelo seu pobre desempenho sexual". Este comportamento choca-se, segundo o juiz, com os anseios das mulheres na fase pré-menopausa, que "desejam sexo com maior frequência, melhor qualidade e mais carinho - que não dure alguns minutos apenas".

"Meu marido não me quer, não me deseja, me acha uma 'baranga' - (azar dele!) mas o meu amante me olha com desejo, me quer - eu sou um bom violino, há que se ter um bom músico para me fazer mostrar toda a música que sou capaz de oferecer!!!!".

um dia o marido relapso descobre que outro teve a sua mulher e quer matá-lo - ou seja, aquele que tirou sua dignidade de marido, de posseiro e o transformou num solene corno!"

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Fé na fé

Nas décadas de 50 e 60, o sociólogo austríaco Peter Berger estudou a fundo formas culturais, políticas e sociais da religião norte-americana. 

Ele disse que a religião americana podia ser definida com a seguinte idéia:"Tenha fé na fé - pois é de grande valor terapêutico. Levante-se pela manhã, ponha-se de frente para a janela, atire a cabeça para trás, respire profundamente três vezes, repetindo: 'Eu creio, eu creio, eu creio' ".

Não demorou muito para que essa tendência chegasse ao Brasil. 

Hoje se prega aos tupiniquins que tenham fé numa fé artificial vinculada ao dinheiro, sucesso, poder e fama, pois esses seriam, segundo eles, os sinais característicos do verdadeiro cristão. 

Percebeu a contradição? 

O que define o cristão, portanto, não é a fé inicial, redentora, mas os resultados materiais decorrentes da prática religiosa. 

Assim, a “fé” que se prega deixa de ser o “firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem” (Hebreus 11:1), e passa a ser o “resultado visível da prosperidade material” na vida de alguém. 

Não é coincidência, então, qualquer semelhança com a corrente filosófica hegemônica na modernidade, o utilitarismo, cujo lema maior é que “os fins justificam os meios”.

Não há dúvida de que o reino de Deus já é para esse mundo, mas pelo andar da carruagem, parece ser apenas para esse mundo, segundo o que alguns "evangélicos" pregam. 

Não basta ter fé, é preciso exercitá-la, alegam. 

O sacrifício de Jesus já não é suficiente, é preciso sacrificar-se de novo para garantir uma salvação para aqui e agora, salvação que se traduz em bens e posses, carro do ano na garagem, e polpudos recursos na conta bancária. 

O que deveria ser espiritual tem que ser expresso em valores materiais visíveis e palpáveis, numa ânsia sem fim por um bem-estar real que dê ao crente o conforto de uma vida tranquila, em que Deus seja apenas um detalhe, um nome que se usa como mantra para espantar o mau-olhado.

Assim, Deus foi reinventado pelo homem pós-moderno. 

Nessa visão, não é mais o homem que depende de Deus, mas o Todo-Poderoso passou a depender do que o homem crê, de suas necessidades, de seus favores, e de sua fé na fé

Num mundo consumista, Deus passou a ser mais um artigo de consumo, algo que se usa, se abusa e se desgasta com o tempo, e que precisa sempre estar atualizado com o modismo vigente.

O sucesso passou a ser o deus dos novos tempos. Bem... não tão novos assim... a riqueza e o poder continuam fazendo súditos há milênios. Talvez o melhor nome para esse velho “deus” seja egoísmo.

Entretanto, quando se trata da vida cristã, é preciso reconhecer que ela envolve pontos altos e pontos baixos. 

Ser cristão não é viver em função de fama, dinheiro, sucesso, poder. 

Ser cristão é viver em função de Cristo, como o próprio nome diz. E Ele alertou... "no mundo terei aflições..." (João 16:33). 

Paulo disse em Filipenses 4:
11 Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância.
12 Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito ou passando necessidade.
Essa é a chave do entendimento do sucesso do cristão... há momentos em que se tem tudo, e há momentos em que não se tem nada. 

Muitos já experimentaram e continuam experimentando essa situação muitas vezes na vida. 

Há momentos de muito sucesso financeiro, e há momentos da falta dele. 

A corrente gospel fashion moderna chamaria isso de fracasso, mas quem é cristão aprende que o Senhor tem um propósito certo para cada ocasião. 

E mesmo aqueles momentos que aparentemente são de derrota ou fracasso, o Senhor tem o maravilhoso poder de usá-los e revertê-los em favor dos Seus filhos.

Mesmo nessa situação, um crente pode ser acometido momentaneamente pelo deus do egoísmo. 

Afinal, muitos gostam de serem apenas doadores, não só de recursos financeiros, mas de carinho, atenção e afeto. 

E quando chega o mau dia, têm que aprender a receber as mesmas coisas que doavam, ainda que não esperassem retribuição das pessoas a quem, eventualmente, houvessem doado alguma coisa, ou ainda de outras pessoas que querem apenas compartilhar o bem que Deus lhes deu. 

Uma das experiências mais gratificantes da vida de um cristão é quando outras pessoas querem doar-lhe alguma parte dos seus recursos, da sua atenção, do seu carinho. 

Quem retém as bênçãos, ou quer apenas doar num rito sacrifical, e não aprende a receber, está perdendo a grande chance de descobrir as infinitas possibilidades do amor de Deus.

O cristão sabe, por experiência própria, que o Senhor realmente cuida dos Seus filhos, e nada lhes falta. 

Talvez, isso represente uma certa crise de consciência e de vivência, pois convivemos com muitas pessoas, mesmo crentes, que vêem no sucesso financeiro um objetivo final de vida e um sinal característico do que eles julgam ser um "verdadeiro cristão". 

Chega, então, o momento de rever as convicções. 

Ter dinheiro é ótimo, mas não ter também é igualmente ótimo... pois é mais uma oportunidade para ver o poder de Deus agindo e intervindo nesse pequeno mundo carente da presença dEle. 

Como disseram Sadraque, Mesaque e Abede-Nego ao rei Nabucodonosor, em Daniel 3, se o Senhor quiser nos livrar da fornalha, tá tudo bem, mas se Ele não quiser nos livrar, tá tudo bem também...

A Ele toda a glória!

A tradição viva da Igreja

por Paul Tillich

A autoridade e a razão constituíam o problema básico do escolasticismo. Qual era a autoridade medieval? Era a tradição substantiva sobre a qual se edificava toda a vida medieval. A autoridade residia, primeiramente, na tradição da igreja, expressa no reconhecimento dos pais da igreja, nos credos e concílios, e na Bíblia. Quando ouvimos hoje o termo “autoridade” pensamos logo num tirano, seja um pai, um rei, um ditador, ou mesmo um professor. Mas nos documentos medievais, a palavra auctoritas (autoridade) tinha outro sentido. Não era nem mesmo o papa, pois o seu autoritarismo só veio a aparecer mais tarde, pelo fim desse período. No início e no período áureo da Idade Média, a autoridade era a tradição viva. Perguntava-se: qual é a relação da razão com a tradição viva da igreja na qual se vivia? Não havia outra tradição. Essa tradição viva era-lhes tão natural como o ar que respiramos. Esta analogia pode nos ajudar a entender o sentido da tradição viva na Idade Média.

A tradição, no entanto, se compunha de diversos elementos, nem todos dizendo a mesma coisa. Examinando-os, era necessário fazer escolhas. A Idade Média enfrentou essa situação, primeiramente, no domínio das decisões práticas, representado na lei canônica. Essa lei era a base da vida medieval; o dogma era uma das leis canônicas e vinha daí a sua autoridade legal dentro da igreja. Necessidades práticas, então, criaram uma classe de pessoas devotadas a harmonizar o significado das leis canônicas existentes. O método empregado era dialético, conhecido como o método “do sim e do não”. A razão era o instrumento desse trabalho. Ela combinava e harmonizava as sentenças dos pais e dos concílios, primeiramente na prática e logo em seguida no que se refere às declarações teológicas. A razão coletava, harmonizava e comentava as sentenças dos pais. Era a sua função principal. Quem desempenhou essa tarefa com reconhecido êxito foi Pedro Lombardo, cuja obra, Quatro Livros de Sentenças, tornou-se o manual do escolasticismo medieval. Essas Sentenças eram, por sua vez, comentadas por outros teólogos quando escreviam seus sistemas.

A razão também devia interpretar o sentido da tradição dada, expressa nas sentenças. Muito embora a fé sempre fosse pressuposta, seus conteúdos tinham que ser interpretados. Veio daí o moto: credo ut intelligam, creio para entender. Queria se dizer que a substância da fé era dada; podia-se participar nela. Não havia na Idade Média a “vontade de crer”. O credo era dado como era dada a natureza. Da mesma forma, a razão apenas interpretava a tradição dada; não criava a tradição. Essa analogia pode nos ajudar a entender melhor a Idade Média.

O próximo passo foi dado, menos especulativamente e com mais cautela, por pensadores que levavam a sério Aristóteles, na sua elaboração teológica, como demonstra especialmente, Tomás de Aquino. Achavam que a razão era adequada para interpretar a autoridade. Na verdade, a razão jamais se opõe à autoridade; a tradição viva pode ser interpretada em termos racionais. A razão não precisa ser destruída para interpretar o significado da tradição viva. Esta ainda é até hoje a posição tomista.

O último passo foi a separação entre razão e autoridade. Duns Escoto e Guilherme de Ockham, o nominalista, entendiam que a razão não se prestava para interpretar a autoridade nem a tradição viva, nem mesmo para expressá-las. O nominalismo posterior diria isto, claramente. Entretanto, se a razão não pode interpretar a tradição, a tradição se transforma em autoridade de modo bem diferente; passa a ser a autoridade mandatória a exigir submissão, mesmo se não for entendida. É o que chamamos de “positivismo”. A tradição é dada positivamente: está aí e a vemos; aceitamo-la e nos submetemos a ela do modo como nos é dada pela igreja. A razão não tem capacidade de mostrar o sentido da tradição; só pode mostrar as diferentes possibilidades derivadas das decisões da igreja e da tradição viva. A razão pode chegar a probabilidades e a improbabilidades, mas nunca a realidades. Não pode dizer como as coisas deveriam ser. Isso depende da vontade de Deus. A vontade de Deus é irracional e dada. É dada na natureza. Precisamos, pois, de certo empirismo para descobrir como são as leis naturais. Não estamos no centro da natureza. Relacionamo-nos com as ordens da igreja, com a lei canônica, de modo que é a essas decisões que nos submetemos positivamente; devemos aceitá-las como leis positivas, pois não as podemos entender em termos racionais.

A autoridade da igreja e, até certo ponto, a razão terminaram com o advento do protestantismo. A razão voltou a ser completamente elaborada e se tornou criativa na Renascença. Na Reforma, a tradição se transformou em fé pessoal. Mas a Contra-Reforma tentou manter a razão prisioneira da tradição. Só que essa tradição já não era a tradição viva, mas formulada e identificada com a autoridade do papa. São fatos extremamente importantes para nós ainda hoje. Enfrentamos o problema da tradição viva e de sua confusão com autoridade. Trata-se de um erro. A autoridade pode ser natural e factual, sem nos partir internamente, destruindo a nossa autonomia e sem nos sujeitar à lei externa da heteronomia. No primeiro momento da Idade Média, a autoridade era natural, por assim dizer, como é natural a nossa relação com a natureza. Já no final da Idade Média, a situação mudara. Surgiu, então, certo conceito de autoridade contra o qual devemos lutar, porque exige a sujeição das diversas tradições a uma única tradição. Hoje em dia, os ditadores chegam ao extremo de excluir todas as outras tradições. As assim chamadas “cortinas de ferro”, que muitas vezes construímos ao não admitir livros do Oriente etc., são tentativas de manter as pessoas dentro de uma só tradição impedindo-as de entrar em contato com outras tradições. Todos os sistemas autoritários sabem que nada é mais perigoso para uma dada tradição do que o contato com outras tradições. Os indivíduos, assim, ficariam livres para decidir em face dessas outras tradições. O método da “cortina de ferro” não era necessário na Idade Média porque não havia outra tradição; vivia-se na tradição medieval como se vive naturalmente na natureza.

(TILLICH, Paul. História do Pensamento Cristão. São Paulo: ASTE, 2000, p. 148-150)

Argentinos contra Maradona

quem diria...
argentinos dizendo que Pelé foi melhor
que Maradona

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Evangélicos arrecadam mais de R$ 1 bi por mês

O Estadão de ontem traz dois artigos com dados interessantes sobre as contribuições religiosas no Brasil:

Doações de evangélicos superam R$ 1 bi por mês

Com mais adeptos, a Igreja Católica arrecada menos dinheiro, que tem como um dos destinos as campanhas politicas, segundo especialistas

Márcia Vieira

As igrejas evangélicas no Brasil recolhem por mês entre seus fiéis mais de R$ 1 bilhão - precisamente R$ 1.032.081.300,00. A Igreja Católica, que tem mais adeptos espalhados pelo País, arrecada menos: são R$ 680.545.620,00 em doações. Os números estão na pesquisa sobre religião realizada pelo Instituto Análise com mil pessoas em 70 cidades brasileiras.

Entre os evangélicos, as igrejas que mais recolhem são as pentecostais, como a Assembleia de Deus, e neopentecostais, como a Universal do Reino de Deus. Seus cofres engordam mensalmente com doações que chegam a quase R$ 600 milhões. Cada fiel doa em média R$ 31,48 - mais que o dobro das esmolas que os católicos deixam nas suas paróquias (R$ 14,01).

Os evangélicos não-pentecostais, chamados de históricos (presbiterianos e batistas, por exemplo), são os mais generosos. Doam em média R$ 36,03, o que dá um faturamento mensal de R$ 432.576.180,00 às igrejas.

E para onde vai tanto dinheiro? Alberto Carlos Almeida, diretor do Instituto Análise, aposta que os políticos são um dos destinatários. "Parte desse dinheiro é usada para financiar campanhas. É só reparar no aumento dos candidatos evangélicos e no fato de os não-evangélicos cortejarem as igrejas nas campanhas."

A pesquisa mostra que o número de católicos continua em declínio. No Censo de 2000, eram 73,77% da população ante 15,44% de evangélicos. Nessa pesquisa, o número de católicos caiu para 59% e o de evangélicos subiu para 23%. "Ou seja, dois em cada dez brasileiros são evangélicos", diz Almeida.

O cientista político Cesar Romero Jacob, autor do Atlas da Filiação Religiosa e Indicadores Sociais no Brasil, se diz surpreso com a queda de "15 pontos porcentuais" no número de fiéis da Igreja Católica. Mas não tem dúvida sobre a força dos pentecostais e neopentecostais no voto do brasileiro.

Depois de analisar o mapa eleitoral das últimas cinco eleições presidenciais constatou que Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva usaram a mesma estratégia para vencer. Nos grotões do Nordeste, fizeram aliança com as oligarquias. Nas periferias, acordos com pastores e partidos populistas. "O debate político é intenso sobretudo na classe média das grandes cidades. Nos grotões e na periferia o que funciona é a máquina. Seja ela das igrejas pentecostais, dos populistas ou das oligarquias."

Figura polêmica, o Bispo Macedo, fundador da Universal do Reino de Deus, é conhecido pela maioria dos brasileiros. Mas sua imagem não é das melhores. Para 70% dos entrevistados, "ele usa o dinheiro da Universal para enriquecer". Entre os próprios evangélicos, 57% têm essa impressão. E 18% dizem que "ele é bom e tudo o que faz com o dinheiro da Universal é para o bem de seus fiéis".

A pesquisa mostra que a estratégia de recolher doações funciona muito bem, sobretudo na Universal. "Os pastores falam de dinheiro o tempo todo", constata a antropóloga Diana Lima, do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio, o Iuperj. "Além do dízimo, os fiéis são estimulados a fazer propósitos com Deus e pagam por isso."

O Bispo Macedo, que responde a processo criminal por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, levou ao máximo a Teologia da Prosperidade, criada por americanos no início do século 20. "A relação com Deus é de contrato. Não se espera a salvação para depois da morte. O que interessa é o aqui e agora", analisa Diana, que há cinco anos frequenta cultos, para entender o que move uma pessoa pobre a doar o pouco que tem para Macedo e seus pastores.

Diana defende a tese de que a Universal estimula o empreendedorismo dos fiéis. "Não é aquele negócio de pedir uma casa a Deus e ficar esperando que caia do céu. Não. Eles querem oportunidades. E sobretudo não querem mais ser humilhados."

Ela destaca que os pastores falam muito nisso. "Quem tem dinheiro se locomove confortavelmente no seu carro, não passa pela humilhação de andar no trem." O discurso se baseia na lógica do dinheiro. "Os fiéis investem agora, dando dinheiro à igreja nesse acordo com Deus, para ter o lucro lá na frente."

Diana comprovou que os fiéis não se incomodam com o enriquecimento dos pastores. "Uma das explicações é que o pastor está num lugar santificado. Então, faz sentido estar economicamente bem." Quando ouvem acusações de desvio de dinheiro, como a que levou o casal de bispos Estevam e Sonia Hernandes, líderes da Igreja Renascer, para a cadeia, preferem não julgar. "Os fiéis acham errado, mas defendem que cada um tem de se preocupar com seu compromisso diante de Deus. Isso não desautoriza a igreja."

Para Diana, os fiéis aprovam o uso político do dinheiro doado. "Acreditam que o Brasil está perdido. Que as drogas, o alcoolismo, a violência são coisas do mal. Portanto, ter na condução da sociedade alguém alinhado com a palavra de Deus é bom", explica. "Logo, precisam ter representação política."





''Eles ganham menos e estão mais dispostos a doar''

Para pesquisador, vigor econômico das igrejas evangélicas fortalece politicamente o grupo

Alberto Carlos Almeida, diretor do Instituto Análise, tem experiência em pesquisar o comportamento dos brasileiros. Além de se autor dos livros A Cabeça do Brasileiro e A Cabeça do Eleitor, ele dirigiu as pesquisas de opinião da Fundação Getúlio Vargas e da Ipsos. Para ele, não existem dúvidas de que o vigor econômico das igrejas pentecostais e neopentecostais, bancado pelas doações dos fiéis, fortalece politicamente o grupo evangélico.

"Parte desse dinheiro é usada para financiar campanhas. A tendência é essa influência aumentar. Os evangélicos estão se capitalizando mais ao longo dos anos", diz Almeida, em entrevista ao Estado. Leia os principais pontos a seguir.

SURPRESA

Havia a suposição de que os evangélicos doam mais dinheiro que os católicos. O que não se sabia é quanto mais eles davam. A recente prosperidade das igrejas evangélicas pentecostais é visível. Os templos são enormes. Elas têm recursos para investir em redes de rádio e televisão. A surpresa vem do fato de os pentecostais terem uma renda menor do que a dos católicos e a contribuição ser bem maior. Eles ganham menos e estão mais dispostos a doar.

RELIGIÃO EMERGENTE

O pentecostalismo no Brasil hoje é uma religião emergente em termos de recursos financeiros. É como se, do ponto de vista econômico, o catolicismo fosse a Europa e o pentecostalismo a Coreia do Sul.

CAMPANHAS

É um faturamento mensal alto com uma margem de lucro brutal. Pelo panorama político, parte desse dinheiro é usada para financiar campanhas. Está cheio de candidatos evangélicos nas eleições. E os candidatos não-evangélicos vivem cortejando as igrejas evangélicas.

DEFESA DA CAUSA

O candidato, se eleito, não precisa nem pertencer à religião, mas ele vai defender as causas dos evangélicos. Hoje no Brasil, vejo uma disputa por hegemonia entre a Igreja Católica e os evangélicos. A grande diferença é que os evangélicos são fragmentados. O dinheiro vai picadinho para várias igrejas. Mas é fato que eles estão com mais dinheiro na mão. E isso é usado para numa eventualidade financiar candidatos e pressionar governos.

MENOR ARRECADAÇÃO

Podemos fazer uma reflexão. O catolicismo pede dinheiro envergonhadamente.

PERSUASÃO

O pentecostal ao arrecadar tem uma coisa de persuasão, de dizer "dê o dinheiro que Deus vai lhe dar de volta". Ela mistifica resultados que não são divinos. A pessoa começa a frequentar, por exemplo os Alcoólicos Anônimos, e consegue parar de beber. Ela atribui isso a Deus. O pastor vai dizer: "Viu? Você deu o dinheiro e Deus agiu. Então, continue dando mais dinheiro." O padre católico não faz isso. E acho que ele não fará. Isso é um limite para arrecadação dos católicos. É preciso pensar em outra estratégia.

domingo, 11 de outubro de 2009

Gideão Favelado Corintiano

Calma, gente... a notícia é do jornal Agora:

10/10/2009

Sabesp convida cão para encontro de conciliação

Rejane Tamoto
do Agora

A Sabesp convocou, em carta oficial, um cachorro para um acordo sobre uma suposta falha de abastecimento e cobrança de água na capital. E quando Gideão Favelado Corintiano (um vira-lata de 6 anos) foi "atrás de seus direitos", ainda foi impedido de entrar. Quem conta a história é o dono do cão, o vendedor Oswaldo Martins de Oliveira, 60 anos --que, no mês passado, abriu o convite da Sabesp e viu que não só o seu nome, mas também o de Gideão, estava escrito.

"Nós moramos em um sobrado. Ele embaixo e eu em cima", diz Oliveira, morador do Jardim Maristela (zona sul de SP). No último dia 30, ele levou Corintiano a uma unidade da Sabesp na região central da capital para falar sobre o acordo. O cão foi barrado na porta. Oliveira conta que a confusão começou quando recebeu, em 2003, uma cobrança de R$ 5.000 da Sabesp. Não pagou e teve a água cortada. Ele entrou com duas ações na Justiça e colocou o vira-lata como coautor. Na primeira, perdeu. Na segunda, o nome do cão foi excluído, mas o dono conseguiu, no mês passado, um acordo judicial: a dívida caiu para R$ 131,10.

"Corintiano teve que tomar banho de caneca com água doada. Fiquei deprimido com a situação e tive gripe suína", afirma o dono. A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) informou que os dados da ação judicial com o nome do cão entraram em seu sistema. "A Sabesp emitiu um convite identificando as partes envolvidas na ação para que o cliente tivesse condições de compreender e entrasse em acordo." O cachorro não foi barrado por ser favelado ou corintiano. Segundo a Sabesp, por segurança, só cães-guias podem entrar.

Com nome de herói bíblico, Gideão Corintiano brigou, em janeiro, com um pit bull que iria atacar uma criança. "Ele até afastou os maconheiros do bairro", gaba-se Oliveira. Corintiano, segundo o dono, também gosta de ir a treinos do Timão. "Ele já foi ver 14 treinos."

A "unção" do vômito

O vídeo nem é tão nojento como poderia ser se as informações dos seus créditos finais fossem mostradas: "gente vomitando prego enferrujado, agulhas e até sapo de 5cm pela boca”. Mesmo assim, recomenda-se um estômago razoavelmente forte para assiti-lo:


sábado, 10 de outubro de 2009

Um River de saudade

Se existir, o céu dos cães deve ter amanhecido em festa hoje cedo, especialmente na área destinada aos golden retrievers, quando apareceu um cara diferente, simpático, brincalhão, para se juntar aos vultos dourados saltando atrás de frisbees esvoaçantes e bolas lançadas por sobre campos floridos e imensos gramados verdes. 

Nesta fria manhã de outubro, chegou lá o River, o cão mais bacana que alguém possa imaginar, companheiro, carinhoso, inteligente. 

Nem teve tempo de perceber a transformação, já que partiu deste mundo dormindo aos pés da cama do seu dono, depois de 18 meses de tratamento quimioterápico por causa de um câncer linfático que, contra todas as expectativas, não conseguiu impedi-lo de viver com dignidade os seus últimos dias. 

No seu último dia, o River teve, inclusive, direito ao seu passeio, a fazer xixi nos seus postes preferidos, e a comer o seu prato predileto: bananas, muitas bananas. 

Partiu sem deixar bens materiais, já que dois ou três brinquedinhos eram apenas pretexto para fazer o que mais gostava, estar perto da sua família, compartilhando aquele amor que mal lhe cabia no coração. 

Deixa uma família triste, mas ao mesmo tempo confortada por não vê-lo sofrer indefinida e injustamente. Foi um enorme privilégio ter desfrutado da sua companhia. 

 Deixa dois irmãos, o Jordan e o Yerik, aos quais agradece pelos 9 anos e 16 dias de convívio, e por compreenderem a situação e terem feito vistas grossas às regalias e aos privilégios escancarados que teve nos últimos meses. 

Embora tenha perdido a conta das espetadas que levou, agradece ao veterinário Marquinho por ter-lhe proporcionado uma sobrevida longa e digna. 

Valeu a pena ter vivido e conhecido cães e humanos como vocês.


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Pitboys X Travecos

A cena foi gravada nas ruas de uma cidade britânica, Swansea (País de Gales) e mostra alguns pitboys tentando intimidar travestis, só que desta vez algo deu errado. Eles não sabiam que alguns dos travestis gostavam também de lutar vale-tudo nas horas vagas:

Invasão de privacidade

O direito à privacidade é um dos mais sagrados direitos da pessoa humana, garantido no art. 5º, inciso X, da Constituição brasileira. Entretanto, poucos direitos são mais violados do que ele no país. Reportagem do jornal SBT Brasil (veja o vídeo clicando aqui) mostra como é fácil ter acesso a dados supostamente sigilosos das informações pessoais, bancárias e fiscais de qualquer cidadão, dos mais fracos aos mais poderosos. E instituições e empresas das quais se esperaria o mínimo de decência e segurança, como a Receita Federal, o SERASA e o SPC, se saem com a desculpa de que alguém burlou ou hackeou os seus sistemas, como se eles não tivessem qualquer responsabilidade pela mais absoluta segurança dos dados que coletam e disponibilizam mediante régia remuneração. Hoje, qualquer boteco de esquina consulta o SERASA e o SPC, por exemplo, e ninguém tem controle algum do destino dessa informação. A tal privacidade, tão protegida pela letra da Constituição, é, na verdade, mais uma dessas ficções jurídicas de conteúdo programático que são muito bonitas quando se lê, mas que ninguém ouse exigi-las no mundo real. A filosofia que eles seguem é só uma: o cidadão que se dane!

PlayChurch Remix

Acordei cedo hoje, liguei a TV e lá estava o pr. Jorge Linhares no programa do Silas Malafaia, preenchendo aqueles horários com mensagens minúsculas de vários pastores. 

No pouco que disse, Linhares conseguiu misturar algumas estações, e do que foi possível capturar do seu rápido discurso, ele estava discorrendo sobre Ezequiel 44:23 ("E a meu povo ensinarão a distinguir entre o santo e o profano, e o farão discernir entre o impuro e o puro"), fazendo um mix comparativo-associativo (em 15 segundos) da apatia religiosa nas igrejas tradicionais norte-americanas e européias com orgias e bacanais, além de taxas enormes de suicídios, dizendo que o sacerdote deve ensinar o povo a separar entre o santo e o profano, algo que ele diz (e se propõe) fazer. 

De fato, é muito positivo saber distinguir o profano do santo, e o problema é dizer que só os outros é que não sabem fazer isso, como se não houvesse uma epidemia do profano no Brasil, com tantas práticas esdrúxulas e exóticas no meio evangélico (para dizer o mínimo). 

Seria muito bom o pr. Jorge Linhares começar a dura missão na sua própria igreja, onde uma consulta rápida ao seu site mostra que o congresso Loucos por Jesus 2009 vai sortear 3 PlayStation para quem se inscrever, ou então conversar com o Silas Malafaia pra discutir se é profano ou não negociar "unções financeiras" a 900 reais.


quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Folha de S. Paulo inventa a epidemia estatística

Fonte: blog Entrelinhas

Mídia & Política
Sábado, 3 de Outubro de 2009

Folha não se emenda na gripe suína

A matéria reproduzida abaixo saiu escondidinha, no segundo caderno do Cotidiano da Folha de S. Paulo, e não mereceu chamada de capa. É inacreditável que o jornal tenha feito o que fez neste sábado. Resumindo a história, depois de afirmar, no dia 19 de julho, na primeira página, que 35 milhões de brasileiros seriam contaminados pela gripe suína, o jornal mandou a campo o seu próprio instituto de pesquisas, o Datafolha, para realizar uma das coisas mais ridículas da história do jornalismo brasileiro.

Sim, porque a enquete mesmo é algo surreal: o Datafolha foi para as ruas perguntar às pessoas se, nos últimos meses, elas tiveram "sintomas de gripe". Com o resultado em mãos, a Folha escreveu outra pérola que não resiste a dois minutos de análise. Segundo o jornal, "27% dos brasileiros tiveram sintomas de gripe desde junho", o que equivale a 51,3 milhões de pessoas. Bem, aí o jornal faz uma continha malandra, diz que 40% desses casos devem ser da variante suína e chega aos 20 milhões de infectados. No meio do texto, a ressalva de que o "auto-diagnóstico" não é propriamente a melhor maneira de se aferir as coisas, mas, enfim, está lá o número grandão - 20 milhões, uma enormidade, mas ainda assim, 15 milhões abaixo do "previsto" pelo jornal em julho.

É evidente que a pesquisa não vale coisa alguma e que o número está superdimensionado. Dos tais 27% dos entrevistados (e não de toda a população brasileira, conforme a própria pesquisa mostra, porque não foram pesquisados os menores de 16 anos) que disseram ter tido sintoma de gripe, é bastante provável que um percentual expressivo tenha respondido afirmativamente mesmo no caso de ter passado apenas por um mero resfriado, muito mais comum do que a gripe, conforme apontam os especialistas. Ademais, a estupidez cometida pelo jornal não se sustenta pela taxa de letalidade da doença. Se de fato fossem 20 milhões de brasileiros com a suína, apenas na faixa acima de 16 anos, admitindo a taxa de 0,4%, já deveriam ter morrido 80 mil pessoas em consequência da doença. Só que não morreram nem duas mil. Realmente, espanta que um jornalista inteligente, estudado e bem formado como Hélio Schwartsman se preste ao triste papel de assinar uma sandice como a que se pode ler a seguir.




27% dos brasileiros tiveram sintomas de gripe desde junho

Pesquisa Datafolha mostra que, nos últimos três meses e meio, o equivalente a 51,3 milhões de pessoas experimentou quadro gripal

Até julho, o vírus da gripe suína correspondia a 40% dos casos leves, o que sugere que 20,5 milhões de pessoas podem ter contraído a doença

HÉLIO SCHWARTSMAN
DA EQUIPE DE ARTICULISTAS

Pesquisa Datafolha mostra que 27% dos brasileiros com mais de 16 anos relataram ter tido "sintomas de gripe" entre junho e a data da entrevista (de 9 a 11/9). Extrapolando essa porcentagem para a população geral, isso significa que algo em torno de 51,3 milhões de pessoas experimentaram um quadro gripal nos últimos três meses e meio.

Mais ou menos a metade delas (14% dos entrevistados, ou cerca de 26,6 milhões) declararam ter procurado um médico -o que explica, com folga, a superlotação dos hospitais.

Evidentemente, nem todo "sintoma de gripe" é de fato provocado por vírus, nem todo vírus respiratório é o da gripe e nem toda gripe tem como agente causador o H1N1 pandêmico.

Dados do Ministério da Saúde sobre os casos menos graves indicam que o novo H1N1 respondia por 40% das amostras processadas até o fim de julho. A partir daí, a pasta concluiu que o esforço de fazer o diagnóstico laboratorial de quadros leves não compensava e passou a testar só os mais graves. Nessa situação, no auge da epidemia (primeira semana de agosto), o H1N1 foi identificado como causador de 58% das síndromes respiratórias agudas graves notificadas e testadas.

Se aplicarmos o "deflator" de 40% aos 51,3 milhões de quadros gripais, chegamos a 20,5 milhões, que representam, na opinião de infectologistas, uma estimativa bruta defensável dos casos de gripe suína ocorridos até o momento.

"Não dá para publicar um artigo científico no "New England Journal of Medicine", mas, com as devidas ressalvas, [esse método] serve para dar uma ideia do tamanho da epidemia aqui", disse Esper Kallas, da USP e do Hospital Sírio-Libanês.

O principal problema, aponta, é que não dá para equiparar o autodiagnóstico a um diagnóstico médico. "Mas não há como avançar mais numa entrevista simples [como a do Datafolha]."

O médico afirmou também que não se surpreenderia nem se os 27% tivessem tido a gripe suína. Ele disse que já há estudos apontando para uma circulação de 30% do H1N1 no Chile.

Celso Granato, do Laboratório Fleury, que ajudou a Folha a preparar o questionário do Datafolha, considerou os 27% um índice elevado: "Não esperava tanto!". Relativizou o problema do autodiagnóstico lembrando que o ministério acaba de fazer uma longa campanha na TV para explicar o que é gripe.

Também disse que o índice de 14% de procura por um médico sugere consistência no comportamento dos entrevistados. "Ninguém vai ao médico por um resfriadinho", afirmou.

Nordeste

O diretor do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, David Uip, surpreendeu-se com a porcentagem de quadros gripais apurada no Nordeste, que superou a do Sudeste. "Só isso já merece uma investigação."

Uma possibilidade aventada pelo médico é que a ampla repercussão midiática da epidemia tenha contribuído para inflar os números nordestinos.

A literatura médica é quase unânime em apontar incidência decrescente de gripe conforme se avança para o norte. Também não se verificou, no Nordeste, pressão tão forte sobre o sistema de saúde quanto a observada no Sul e no Sudeste.

Kallas, porém, disse que, com a circulação cada vez maior de pessoas entre cidades e regiões, não esperaria taxas tão menores no Nordeste.

Vale ainda observar que os 51,3 milhões constituem uma extrapolação conservadora, pois a metodologia do Datafolha não considera a população até os 16 anos, justamente a mais suscetível a contrair vírus respiratórios em geral. Esse recorte etário representa cerca de 25% da população.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O celular bonzinho

Tá cansado daquela galera ligando de 5 em 5 minutos no teu celular cobrando aquela dívida antiga?

Tá esperando sentado aquela ligação de alguém querendo te oferecer emprego, dinheiro, namoro, etc?

Pois os seus problemas acabaram....

Leve o teu celular na Igreja Universal mais próxima e faça a

UNÇÃO DO CELULAR



Fonte do vídeo: Jovens de Jesus

via Sola Scriptura e Bereianos


segunda-feira, 5 de outubro de 2009

¡Colômbia, mi amor!


O Forum Atos reproduz notícia do Estadão, que fala da morte de entre 30 e 40 membros da FARC num ataque do Exército colombiano. Sempre me perguntam a minha opinião, porque conheço a Colômbia, e já estive lá duas vezes, e portanto me sinto autorizado a comentar o assunto com algum conhecimento de causa.

Primeiro, trata-se de um lindo país com um povo muito bacana. Bogotá é uma das cidades mais agradáveis de se viver que eu conheci na vida, por incrível que pareça, e eu moraria lá sem medo algum. Andava pela cidade à noite muito mais seguro do que em São Paulo, e não vejo a hora de voltar.

Segundo, o buraco na Colômbia é mais embaixo. Não há nenhum santo na direita ou na esquerda colombiana, já que toda a crise política e institucional deriva do Bogotazo de 1948, em que o candidato a presidente Jorge Eliécer Gaitán foi assassinado. A partir daí a Colômbia nunca mais foi a mesma.

Terceiro, da falência paulatina das instituições colombianas, a partir do Bogotazo, resultou o tráfico de drogas, que obviamente, não foi impulsionado por um mercado consumidor local, mas pelas "necessidades" drogadictas européias e norte-americanas, com todo o jogo sujo que isso foi (e é) capaz de fazer com as nossas repúblicas bananeiras más al sur.

Quarto, a Colômbia recebe bilhões de dólares todo ano a pretexto de combater o tráfico de drogas, e isso HÁ DÉCADAS. ¿Não é estranho que todo esse dinheiro não foi ainda capaz de resolver o problema? Por que será? Qualquer semelhança com o plano de despoluição do rio Tietê não é mera coincidência. A "despoluição" imaginária, que patina há 20 anos, já torrou bilhões de dólares, mas o rio continua lá cheio de sujeira.

Quinto, muita gente fatura com esta crise institucional, tanto à direita como à esquerda. A gente percebe isso quando se mistura aos colombianos e vai ao interior, perto de Bogotá, e passa desapercebido inclusive pela zona de guerrilha (a composição étnica da Colômbia não é muito diferente da brasileira). Quando você passa pelo gigantesco reservatório de água de Bogotá e percebe ali - em cada uma das 2 entradas - um tanque de guerra com um garoto soldado em cima, você percebe que tudo não passa de um grande teatro de horror. Se algum guerrilheiro da FARC quisesse, era só passar ali e pedir pro garoto descer do tanque que ele ia levar pra dar uma volta, mas a coisa é tão encenada que fica ali apenas pra dar a aparência de uma zona conflagrada, o que de fato é, mas com o único fim de desviar a atenção daquilo que realmente interessa - O TRÁFICO - em que todas as partes em conflito saem lucrando, com exceção obviamente da molecada que, seja no Exército, nos paramilitares, nas FARC, é dragada pra máquina de moer carne dos senhores da guerra, TODOS eles com as mãos manchadas de sangue.

Portanto, notícias como esta apenas me despertam nojo e tristeza. Nojo porque mais jovens foram parar no açougue de donos ocultos, e tristeza porque a Colômbia é um lindo país de um povo maravilhoso, e eles certamente não merecem este show de horrores.

domingo, 4 de outubro de 2009

Espuma tóxica

A TV Globo de São Paulo promoveu recentemente a navegação, pelo rio Tietê, de um robô flutuador desenvolvido pelo IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo – para medir os níveis de poluição ao longo do rio. Obviamente, os resultados foram alarmantes. Não pude deixar de traçar um paralelo com a pregação evangélica no Brasil. Ao contrário dos rios de água viva que Jesus disse que sairiam do interior de quem nEle cresse (João 7:38), a mensagem pregada nos púlpitos de muitas igrejas evangélicas brasileiras se parece mais como um imenso rio poluído. Fico imaginando se pudéssemos ter um robozinho passeando pelos discursos que saem dos altares. Certamente, a surpresa seria bastante desagradável. Não dá mais nem pra dizer que a pregação evangélica fica só nas margens ou na superfície de águas sujas, como se o evangelho se resumisse a mantras de auto-ajuda sem nenhum compromisso com a cruz (e o perfume) de Cristo. Na verdade, este rio já está tão contaminado que nem existe mais contato com o elemento água. Tudo o que sobrou foram espumas tóxicas do atrito com as poucas pedras que ainda fazem frente à correnteza fétida. É essa espuma incendiária dos pulmões e do espírito que muita gente incauta está respirando nas igrejas, num cenário completamente distinto do mergulho profundo nas águas vivas da cruz de Cristo e da salvação pela graça e pela fé. Infelizmente, é esta espuma tóxica que os altares supostamente cristãos estão servindo ao povo, numa espécie de narguilé venenoso que anestesia as mentes e desvia os corações do evangelho da graça de Cristo. Tudo isso em nome do imediatismo de um paraíso fictício aqui na Terra, dos resultados visíveis de uma vida momentânea e materialmente próspera, alcançada mediante "unções" negociadas. Ainda há tempo para limpar as águas e mergulhar de cabeça no evangelho verdadeiro, tomando cuidado para não confundir os rios e penetrar nas “profundezas de satanás” da mensagem à Igreja de Tiatira (Apocalipse 2:24), a igreja cujas últimas obras eram melhores que as primeiras, mas tolerava Jezabel e suas prostituições. Melhor ficar com a mensagem do Filho de Deus aos poucos que não se prostituíram: “tão-somente apeguem-se com firmeza ao que vocês têm, até que eu venha”(Ap. 2:25). Agarremo-nos, portanto, à verdadeira Rocha que é Jesus, e às pedras da nossa fé, para resistirmos às correntes fétidas e à espuma tóxica que ameaçam a Igreja evangélica no Brasil.

Gracias a la vida

Nesta semana que foi tão feliz e importante para a América do Sul, com a vinda das Olimpíadas 2016 para o Rio de Janeiro, justamente às 5:15 desta manhã uma voz se calou - fisicamente - para sempre. Depois de algumas semanas de complicações renais e hepáticas, Mercedes Sosa, "La Negra", a grande diva da música folclórica argentina, faleceu em Buenos Aires. Deixa um legado musical imenso, que marcou os anos de chumbo das ditaduras latino-americanas com sua voz única e seu talento inigualável. Merecidamente, seu corpo será velado no prédio do Congresso argentino, digno de todas as homenagens daqueles que apreciam a boa música e a defesa intransigente das liberdades. Como homenagem, seguem abaixo dois vídeos de Mercedes Sosa, cantando "Gracias a la Vida" e "Volver a los 17", ambas as músicas de composição da não menos diva chilena Violeta Parra, sendo que na segunda Sosa é acompanhada por gente do nível de Caetano Veloso, Gal Costa, Chico Buarque e Milton Nascimento, só pra dar uma idéia do quanto ela foi importante para o Brasil. ¡Gracias, Mercedes Sosa!





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