sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Aquarela do Brasil... na Eslovênia!

Vi no blog Ultimato na Prateleira e não resisti, vou colocar abaixo o vídeo do coral esloveno Perpetuum Jazzile, com o acompanhamento do sexteto brasileiro BR6, cantando Aquarela do Brasil com uma pronúncia e interpretação perfeitas, um trabalho brilhante que merece ser divulgado e conhecido por todos:




E eles dão um show também cantando "África", do Toto:



e continuam bem brasileiros cantando "Mas que Nada":



Música de qualidade não tem língua nem fronteira...

Imagem de Jesus aparece no molho de pizza

O vídeo abaixo mostra mais uma dessas estranhas (e rotineiras) ocorrências em que aparece alguma imagem sacra em determinados objetos e circunstâncias. Como todos nós já fomos crianças e - acho que a maioria - gostávamos de visualizar formas nas nuvens, parece que há uma tendência inata no ser humano de querer ver sinais onde eles - provavelmente - não existem, ou um certo instinto de crer em algo que requer - acima de tudo - fé. É óbvio que esta motivação daria um tratado, que não tenho inspiração nem condições de escrever no momento, mas fica aí o registro do que aconteceu no momento em que uma funcionária da Brownies Pizza, em Scranton, Pennsylvania (EUA), ia jogar o resto do balde de molho de tomate no lixo. Depois que ela viu a imagem formada, houve toda a repercussão e o balde foi guardado no freezer para manter o desenho:




via blog Scotteriology

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A igreja nudista

Pois é, galera, já tem igreja nudista nos Estados Unidos. Será que a moda pega no Brasil? Leia a notícia da BBC e veja o vídeo abaixo:

Roupa é item opcional em igreja dos EUA

Uma igreja no Estado americano da Virginia (nordeste dos Estados Unidos) está causando polêmica ao receber fiéis nus. Até o pastor celebra o culto como veio ao mundo.

Na capela de Whitetail - uma comunidade nudista fundada em 1984, na cidade de Ivor -, roupas são um item opcional.

"Eu não acredito que Deus se importe com a maneira como você se veste quando você faz suas orações. O negócio é fazer as orações", diz Richard Foley, um dos frequentadores.

Mas entre os que não fazem parte da congregação, a ideia de uma igreja nudista não agrada muito. Várias pessoas ouvidas nas ruas de Ivor se surpreenderam e disseram achar o conceito de uma igreja nudista desrespeitoso.

O pastor Allen Parker discorda: "Jesus estava nu em momentos fundamentais de sua vida. Quando ele nasceu estava nu, quando foi crucificado estava nu e quando ressuscitou, ele deixou suas roupas sobre o túmulo e estava nu. Se Deus nos fez deste jeito, como isso pode ser errado?"

Lucro

A comunidade nudista de Whitetail vai de vento em popa apesar dos tempos de crise. Segundo a administração do resort, mais de dez mil pessoas visitaram o local no último ano e os lucros subiram 12% no período.

Os visitantes dizem que ser nudista é algo libertador. Para eles, em um ambiente como este não há julgamento de classe social e todos ficam livres para ser quem realmente são.

Além disso, o clima seria de igualdade. Um frequentador exemplificou isso dizendo que, na comunidade, não é possível dizer quem está desempregado, quem é alto-executivo e quem é encanador.

"Aqui, todos participam, todos são compreensivos e preocupados com a comunidade e com a família. Temos uma das congregações mais ativas da região. Eu considero isso um presente de Deus e um privilégio", disse o pastor Parker.

Até ateus querem lucrar com crentes

A notícia é de agosto de 2009 (o que em tempos de internet a torna antiga), foi publicada no jornal britânico Telegraph e traduzida pelo site Ateus do Brasil, e mostra como a crença pode ser explorada até mesmo pelos descrentes:

Ateus lucram em cima da crença alheia nos EUA

Um grupo de ateus nos Estados Unidos criou um serviço ideal para religiosos que acreditam no arrebatamento: eles se oferecem para cuidar dos bichos de estimação dos religiosos em troca de uma pequena taxa.

Todos os ateus registrados no site Eternal Earth-Bound Pets são pecadores e blasfemos confessos, garantindo que serão deixados para trás quando os escolhidos forem selecionados.

O modelo de negócio é uma tentativa irreverente de lucrar às custas da crença — espalhada entre os cristãos americanos — de que os pios serão carregados ao paraíso por Deus em um arrebatamento repentino, deixando descrentes para sobreviver a sete anos no reino do anti-Cristo na Terra,

“Você dedicou sua vida a Jesus. Você sabe que será salvo. Mas quando o arrebatamento vier, o que acontecerá com seus amados bichos de estimação que serão deixados para trás?”, pergunta o site do grupo. “Eternal Earth-Bound Pets tira esse peso da sua consciência.”

Por 110 dólares, a firma promete cuidar pela vida toda de quase todos os bichos de estimação domésticos se seus donos forem transportados para o paraíso dentro dos próximos dez anos.

A oferta pode soar forçada ou até mesmo provocativa, mas o grupo insiste que não é brincadeira. Ele alega que possui uma rede de ateus amantes de animais espalhados por 20 estados para garantir velocidade e cuidado animal no local quando o arrebatamento ocorrer, e estabeleceu uma conta no Paypal para receber assinaturas.

Os fundadores também garantem aos crentes que seus animais irão desfrutar de uma excelente qualidade de vida: “Todos os animais viverão em casas amáveis, não em um canil ou oficina de animais.”

E enquanto a companhia promete que todos os ateus cuidadores sejam pessoas morais com ficha criminal limpa, afirma que eles não são tão santos.

“Cada um de nossos representantes afirmou para nós por escrito que eles são ateus, não acreditam em Deus nem em Jesus, e que eles blasfemaram de acordo com Marcos 3:29, negando qualquer chance de salvação”, afirma o website.

Mas os consumidores em potencial são advertidos a lerem os termos e condições antes de abrir mão de US$ 110,00; se o assinante perder sua fé ou não for arrebatado em 10 anos, eles não poderão receber um reembolso.

Campinas oficializa o Dia do Samurai

Ora, se estão realizando até Congresso Brasileiro de Teologia na Flórida (EUA), ¿por que é que Campinas não pode ter o seu Dia do Samurai?, conforme a notícia abaixo, do site Cosmo On Line:

Câmara aprova lei que institui o Dia do Samurai

Vereadores de Campinas deram sinal verde por unanimidade à proposta do vereador Paulo Oya

A Câmara de Campinas aprovou ontem (22/2) à noite, por unanimidade, projeto de lei que cria o Dia do Samurai no calendário oficial do município. Se for sancionada pelo prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT), a proposta — de autoria do vereador Paulo Oya (PDT) — fará os campineiros reverenciarem os antigos guerreiros japoneses todo dia 24 de abril. Mas não consta, na história, que Campinas teve qualquer relação com os samurais, que reinaram durante oito séculos no Japão, a não ser com a arte das espadas praticada por eles e ensinada em algumas escolas de artes marciais da cidade.

A era dos samurais chegou ao fim em 1867 como uma das consequências da Revolução Menji, a sucessão de eventos que conduziu a uma profunda mudança nas estruturas política, econômica e social do Japão e fez a transição da sociedade feudal ao capitalismo.

O projeto de lei é do vereador Paulo Oya (PDT), filho de imigrantes japoneses das ilhas Ryu Kyu. Ele justifica a homenagem pela necessidade de falar da cultura samurai nesses anos em que a sociedade carece de tantos valores. “Durante quase um milênio, essa cultura influenciou profundamente o caráter, os valores e a cultura do povo japonês que tanto os brasileiros admiram”, disse.

Várias cidades brasileiras instituíram o Dia do Samurai em 24 de abril, como uma homenagem a Jorge Kishikawa, autor do livro Pensamentos de um Samurai Moderno (Shin Hagakure). Nascido em 24 de abril, Kishikawa foi um introdutor no Brasil do kobudô, a arte marcial dos samurais, e um dos principais difusores da cultura japonesa em São Paulo.

O vereador explica, no projeto, que as virtudes do samurai são justiça, coragem, benevolência, educação, sinceridade, honra e lealdade e tiveram origem no budismo, shintoísmo e confucionismo.

Os samurais ocupavam o mais alto status social enquanto existiu o governo militar nipônico denominado Shogunato. Eram pessoas treinadas desde pequenas para seguir o caminho do guerreiro. Se seu nome fosse desonrado, ele executaria o seppuku, porque acreditava que era preferível morrer com honra a viver sem ela. No seppuku, ele comete suicídio usando uma faca que enfia no estômago e puxa para cima.

No início, eram coletores de impostos e servidores civis do império. Depois, ganharam funções militares e, mais tarde, se tornaram uma casta, com o título passando de pai para filho, e tornaram-se burocratas aristocráticos. Na era Meiji, foram abolidos e um exército nacional ao estilo ocidental foi estabelecido no Japão. O legado samurai até hoje influencia a sociedade japonesa.

A Câmara também aprovou ontem projeto do vereador Arly de Lara Romêo (PSB) e outros parlamentares que institui no calendário de eventos do município a Semana do Taekwondo.

Congresso Brasileiro de Teologia... na Flórida!!!

Você, evangélico brasileiro que padece neste supercarente campo missionário que é Boca Raton, na Flórida (EUA), está cansado da vida dura nos condomínios fechados? Não aguenta mais hambúrguer com frango frito? Com saudades daquele arroz-com-feijão teológico que a igreja abandonou? Em dúvida quanto ao seu chamado? Pois os seus problemas acabaram: nos dias 11 a 13 de março será realizado mais um Congresso Brasileiro de Teologia em Pompano Beach, aí mesmo, na Flórida, logo ali na esquina. Oportunidade riquíssima para comer um arroz-com-feijão basiquinho com os irmãos, já que o tema do congresso é "Teologia em tempos de crise"... nada mais apropriado, né não?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Veredas antigas

No seu livro “História do Movimento Missionário”, recentemente lançado pela Ed. Hagnos, Justo L. González e Carlos Cardoza Orlandi chamam a atenção para alguns aspectos que contribuíram para o crescimento da Igreja primitiva nos primeiros séculos, e que andam esquecidos pela Igreja atual. O primeiro é a importância das mulheres, que eram muito mais numerosas que os homens. Timóteo é o exemplo claro desta influência, através de sua avó Loide e sua mãe Eunice (2 Tim 1:5), mas o fato é que tudo indica que as mulheres viram na nascente igreja cristã uma maneira de escapar da promiscuidade e dos abusos sexuais que marcavam a ferro e fogo a sociedade machista da época. Além disso, as mulheres tinham (e continuam tendo) muito mais contatos sociais com maior capacidade de comunicarem a mensagem do evangelho. Assim, geralmente elas eram as primeiras a se converterem e logo traziam à igreja seus maridos e filhos.

O segundo aspecto é o cuidado que os primeiros crentes tinham um para com os outros, especialmente numa época de epidemias que dizimavam populações inteiras, como era o cenário dos primeiros séculos da era cristã. Enquanto os pagãos eram individualistas, abandonavam os doentes e procuravam fugir das cidades, os cristãos se ajuntavam e cuidavam dos seus enfermos, e logo passaram a cuidar inclusive dos pagãos carentes, dando início à longa tradição de caridade que marcou a história do cristianismo. Havia, portanto, uma taxa maior de sobrevivência (e permanência) entre os cristãos. Um terceiro ponto que favoreceu o crescimento cristão é o repúdio ao aborto e ao infanticídio, práticas comuns entre os pagãos, além da aversão às relações extraconjugais. Tudo isto combinado gerou uma taxa positiva de crescimento populacional dos cristãos, enquanto os demais experimentavam uma redução no seu número.

Esses dados da Igreja primitiva podem ser resumidos em um só verbo, hoje em desuso nas comunidades cristãs: SERVIR. Os primeiros crentes colocavam em primeiro lugar o interesse do outro, o serviço ao próximo, a proteção da comunidade, sem exclusivismo. Foi esta característica que chamou a atenção dos pagãos e transformou o mundo. Infelizmente, vivemos uma era em que muita gente dentro das igrejas procura apenas SERVIR-SE dela e da comunidade, para os seus próprios interesses egoístas. A seus líderes se aplica a advertência de Judas (vv. 12-16): são “pastores que se apascentam a si mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelos ventos; são árvores sem folhas nem fruto, duas vezes mortas, desarraigadas; ondas furiosas do mar, espumando as suas próprias torpezas, estrelas errantes, para as quais tem sido reservado para sempre o negrume das trevas, [...] a sua boca diz coisas muito arrogantes, adulando pessoas por causa do interesse”.

Voltemos, então, ao exemplo que nos deixaram nossos pais na fé.

Para ler o trecho do livro “História do Movimento Missionário” aqui comentado, visite o site e-cristianismo.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

100 vezes Malafaia

Talvez inspirado por seu mentor Morris Cerullo (e na ausência dele), o Silas Malafaia deu mais uma "inovada" neste último fim de semana. Conforme mostra o vídeo abaixo, premido pelas necessidades financeiras do mês de fevereiro (já que ele ainda não confirmou nem desmentiu se - de fato - comprou um avião), pediu mais dinheiro ao seu público, e já que o Cerullo não estava ali do lado pra fazer o papel da "profetada", o Malafaia "liberou uma palavra", dizendo que quem contribuísse com ele nesta semana ainda, teria o retorno de 100 vezes mais no prazo de 1 ano. Dizendo-se portador de uma "revelação especial" de Deus, Malafaia se propôs a orar por quem plantasse uma "sementinha" que fosse no ministério dele (veja o vídeo abaixo). Além disso, esta "semente" serviria para "proteger" os empregos e os negócios dos ofertantes de todos os gafanhotos do maligno, uma nova "simpatia evangélica" muito em voga hoje em dia.

A primeira coisa que chama a atenção é uma simples análise econômica. A economia é um dos frutos da inteligência que Deus deu ao homem para que administrasse com sabedoria as coisas desse mundo. Malafaia já disse várias vezes que tem que arcar com milhões de reais para manter seus programas no ar. Apenas para efeito de exercício mental, suponhamos que Malafaia arrecade 10 milhões de reais com esta "oferta especial". Imaginando que a "profecia" funcione, e considerando que a imensa maioria dos ofertantes é das classes média e baixa, no prazo de um ano 100 vezes mais, ou seja - 1 BILHÃO DE REAIS -, transferiria de mãos como que num passe de mágica, o que geraria dois sérios problemas econômicos:

1) este dinheiro sairia do bolso de outras pessoas e empresas, que teriam que cobrir o rombo com outras pessoas e empresas, num efeito cascata que terminaria gerando - na ponta - um empobrecimento maciço de boa parte da população brasileira, além da quebra de algumas empresas com o consequente desemprego que isto acarretaria;

2) se o dinheiro for aparecer, assim, do "nada", sem origem fática e palpável, isto injetaria na economia uma quantidade enorme de moeda - 1 BILHÃO DE REAIS - o que inevitavelmente geraria uma alta inflação, com os efeitos danosos já conhecidos por boa parte da população.

Aí alguém pode perguntar: agradaria a Deus que tudo isto acontecesse só pra sustentar o programa do Malafaia na televisão?

Do ponto de vista bíblico, como diria Arnaldo César Coelho, a regra é clara: "Como conheceremos a palavra que o Senhor não falou? Quando o tal profeta falar em nome do Senhor, e tal palavra se não cumprir, nem suceder assim, esta é palavra que o Senhor não falou" (Deuteronômio 18.21-22)". Logo, daqui a um ano, como é que saberemos se a "palavra liberada" por Malafaia se cumpriu? A única maneira de, digamos, aferir e conferir esta profecia seria termos dados objetivos e transparentes em que pudéssemos nos basear, o que nos defronta com dois novos problemas:

1) os ministérios evangélicos brasileiros primam pelo fato de não serem transparentes. Poucas igrejas efetivamente prestam contas das suas contas de maneira pública, auditada e confiável. Claro que há organizações evangélicas sérias que se preocupam com esta transparência, mas infelizmente são a exceção que envergonha a regra. Se até agora não sabemos exatamente quantos foram beneficiados pela "unção financeira dos 900 reais" do Cerullo, cujo prazo fatal era o final de 2009, não há qualquer razão para esperarmos que Malafaia preste conta da "unção dos 100" daqui a um ano;

2) é legítimo que os ofertantes não queiram divulgar os seus nomes ou os valores que contribuem. É garantia constitucional o direito à privacidade e é perfeitamente compreensível que pessoas sérias e corretas não queiram se expor ao escrutínio público de suas ofertas. De novo, como não há qualquer auditoria independente que ateste a lisura das contas e dos resultados, ficamos novamente num beco sem saída.

Desta maneira, tanto do ponto de vista econômico como bíblico, cada crente tem que recorrer a este precioso dom que Deus lhe deu: a inteligência. Na hora do aperto ou do apelo, é comum as pessoas se deixarem levar pelas emoções, mas o uso da razão é um recurso valioso demais para ser desprezado ou subutilizado quando se avalia as ações e as palavras de quem quer que seja. A "palavra liberada" por Malafaia fica, portanto, no limbo do comodismo: tanto faz como tanto fez. De qualquer maneira, ele não responderá pelo sucesso ou pelo fracasso do que disse, já que sempre lhe restará a desculpa-padrão de que o ofertante não teve fé suficiente para alcançar a promessa (se já não alcançaram com Cerullo, por que a alcançariam agora?). E muitos, movidos pela mórbida tentação do autoengano, aceitarão cegamente esta alegação. Para Malafaia, a única sanção que lhe pode ser aplicada é o juízo de valor de quem o segue. Afinal, se não há compromisso algum com a Bíblia e com o resultado da sua "profecia", o melhor termo para designá-la talvez fosse "reza braba".




Advogado diz que Arruda está sendo crucificado

Não se discute que o advogado tem o direito de defender seu cliente, independentemente do crápula que está lhe pagando, mas tem que tomar um certo cuidado na sua argumentação, para não cair no ridículo de fazer declarações absurdas, como a noticiada pelo site G1:

O advogado do governador afastado José Roberto Arruda, Nélio Machado, disse que ainda não teve acesso integral ao inquérito e que só vai comentar a ação penal quando ela estiver instalada, e não as investigações.

Nélio Machado disse ainda que existe uma “perseguição ao governador” e que ele está sendo “crucificado”. A Globo News não conseguiu falar com o advogado do governador em exercício, Paulo Octávio.

Já a assessoria da Polícia Civil disse que os inquéritos correm em segredo de Justiça e que as conclusões obtidas até agora foram encaminhadas ao Ministério Público e ao Judiciário. A assessoria também negou ter qualquer conhecimento sobre vazamentos nas investigações.

Aliás, se é que vivemos num Estado de Direito, como dizem os juristas que elogiam o sistema judicial brasileiro, está mais do que na hora de garantir que ele funcione honestamente. Uma das medidas que poderiam ser adotadas para tornar o país mais justo e legal seria saber exatamente de onde vem o dinheiro que paga os advogados dos corruptos. Não há dúvida de que recebem muito dinheiro, mas a pergunta que não quer calar é: a origem deste dinheiro é lícita? Ou é o dinheiro roubado que financia este pagamento? Afinal, o seu direito de defesa deve ser garantido, como manda a Constituição, mas que seja ele próprio que pague, e não os cofres públicos que arrombou.

Se o Brasil fosse um país sério, deveria ser criado um mecanismo legal que deixasse essa questão transparente, como impor ao investigado o ônus de comprovar a origem lícita do dinheiro com o qual está pagando seu advogado, dinheiro este que deveria ser depositado em juízo até que se comprovasse efetivamente que ele não foi obtido ilegalmente. Talvez - com esta obrigação - a sociedade fosse brindada com dois benefícios: o advogado pensaria duas vezes antes de assumir um caso envolvendo corruptos, e ele seria o maior interessado em que a Justiça fosse rápida, mas - por enquanto - este é só o delírio de um cidadão indignado.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Qual a idade da sua memória?

O jogo está em japonês, mas não tem segredo, usa algarismos arábicos e todo mundo vai entender.

Faça este teste, que vai mostrar se seu cérebro é jovem ou mais velho do que o resto do seu corpo.

Como jogar:

1. Clique no link abaixo;

2. Quando abrir a página, tecle 'start;'

3. Aguarde 3, 2, 1. São várias contagens regressivas conforme o seu sucesso no jogo.

4. Memorize a posição dos números e clique nos círculos, sempre do menor para o maior número, começando pelo ZERO, se ele estiver presente. O jogo não espera você clicar toda a sequência pra dizer se está certo ou errado. Assim que você erra ele encerra aquela fase e parte pra próxima.

5. No final do jogo, o computador vai dizer a idade do seu cérebro. Tá tudo em japonês, mas os algarismos da idade da sua memória vão ficar bem claros. Concentre-se bem e vá à luta, pois o que vale é a primeira tentativa, não vá ficar treinando pra tentar diminuir a idade da tua memória, ok!

Jogo da Memória

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Ato profético em Brasília

Infelizmente, não havia nenhum representante desses grupos neopentecostais e neoqualquercoisa que se especializaram em fazer performances que chamam de "atos proféticos", urinando e enterrando coisas esquisitas Brasil afora (talvez porque há alguns membros deles que estão envolvidos em denúncias de corrupção), embora houvesse quem estivesse "orando" pelo Arruda em frente à prisão dele justo no dia em que ele foi acusado - pelo Ministério Público Federal - de ter falsificado o recibo dos tristemente famosos panetones. Enquanto isso, um enfermeiro e professor fez uma manifestação solitária e bastante significativa nesta manhã em Brasília, conforme noticia o Correio Braziliense online de hoje:

Enfermeiro faz protesto contra Arruda em frente à PF

Jacqueline Saraiva

Publicação: 20/02/2010 11:53 Atualização: 20/02/2010 15:07

A manhã deste sábado (20/2) na Superintendência da Polícia Federal foi marcada por protestos contra o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM). Às 11h30, o enfermeiro e professor Ivan Rodrigues, 35 anos, abriu três covas no gramado em frente ao prédio da PF, próximo à pista, onde colocou três cruzes, representando Arruda, o governador em exercício Paulo Octávio e a Câmara Legislativa

Na cova destinada à Câmara Legislativa, Rodrigues colocou diversas fotos dos envolvidos no escândalo da Caixa de Pandora. Na cova reservada a Arruda foi jogada uma camiseta do movimento “Fora Arruda” e na de Paulo Octávio foram deixadas várias notícias de escândalos que envolvem o nome do governador. “Quem está morto tem que ser enterrado. Não existe respirador e nem desfibrilador para quem está morto”, protestou o enfermeiro.

Ivan Rodrigues recebeu apoio das pessoas que passavam pelo local. Acompanhado de seus dois filhos, Samuel Sanches, seis anos, e Juliana Rodrigues, nove, o professor argumentou que o povo brasileiro não pode ficar apenas em casa assistindo aos fatos e sem tomar nenhuma medida. “Temos que trazer nossos filhos e fazer alguma coisa”, reclamou.

Ao final do gesto, ele acendeu quatro velas brancas e estendeu a bandeira do Brasil sobre as covas. “O povo brasileiro é maior que a corrupção”, disse.

Almoço

Desta vez não foi Flavia Arruda que trouxe a refeição do governador afastado. Um homem não identificado chegou ao meio-dia em um Honda Civic preto, entregou o almoço de Arruda e logo foi embora.

Mais orações

Pouco antes, a empresária Marlene Iracema Timóteo, 42 anos, também chegou ao prédio da Superintendência para fazer mais preces. “Ele (Arruda) fez muito pela população brasileira”, disse.

Jesus bebe e fuma em livro escolar da Índia

Notícia da Folha Online de hoje:


Imagem de Jesus fumando e tomando cerveja causa indignação na Índia


O porta-voz da Arquidiocese de Mumbai, Anthony Charanghat, protestou nesta sexta-feira pela inclusão de uma imagem de Jesus Cristo fumando e segurando uma lata de cerveja em um livro-texto usado nas salas de aula do primário no nordeste da Índia.

"Deveriam proibir o livro, porque ele fere os sentimentos dos católicos e representa uma falta de respeito", disse Charanghat.

A fonte disse não ter visto o desenho em questão, mas disse estar sabendo da polêmica.

O porta-voz da Conferência Episcopal da Índia (CBCI), o irmão Babu Joseph, pediu nesta semana ao governo que tome medidas contra a editora que publicou o livro, Skyline Publication.

Joseph informou que a CBCI ordenou aos colégios católicos da Conferência Episcopal da Índia que proíbam os livros desta editora nas salas de aula.

"Jesus Cristo, como uma divindade, é central na fé e na vida cristã. É errada a tentativa de macular a imagem de Jesus é um ato censurável e inclusive condenável", disse em declarações à agência de notícias "Ians".

Segundo o porta-voz, Jesus aparece "caricaturizado" em um livro-texto para os alunos do primário do estado indiano de Meghalaya, onde a fé cristã é majoritária, ao aparecer "com um cigarro em uma mão e uma lata de cerveja na outra".

Curiosamente, em 2007 um jornal tâmil --grupo étnico de fé hindu-- gerou uma polêmica religiosa na Malásia ao publicar um desenho de Jesus Cristo na mesma posição.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Condenado por morte de João Hélio vai morar na Suíça

Notícia do JBOnline:

Condenado por morte do menino João Hélio vai morar na Suíça


RIO - Ezequiel Toledo de Lima, um dos acusados de participação do assassinato do menino João Hélio Fernandes, de 6 anos, no dia 7 de fevereiro de 2007, já está na Suíça com a família. Ele foi solto no último dia 10 pelo juiz da Vara de Infância e da Juventude, que ainda determinou que Ezequiel ingressasse no Programa de Proteção à Criança e Adolescente, destinado aos que estão ameaçados de morte.

Ezequiel teria sofrido ameaças de morte no Instituto João Luiz Alves, onde cumpriu pena. A mãe do rapaz também teria sido ameaçada. Através da organização não-governamental Projeto Legal, ele conseguiu embarcar para a Suíça, com garantia de casa e identidade novas para recomeçar sua vida.

O menino João Hélio foi arrastado por cerca de sete quilômetros, depois de ter ficado preso pelo cinto de segurança do carro da mãe, após um assalto na Rua João Vicente, perto da Praça do Patriarca, em Oswaldo Cruz. Os bandidos abandonaram o carro na Rua Caiari, com o menino já morto.

Além de Ezequiel, outras quatro pessoas foram presas. Carlos Eduardo Toledo de Lima, condenado a 45 anos de prisão; Diego Nascimento da Silva, a 44 anos e três meses; Carlos Roberto da Silva e Tiago de Abreu Mattos, condenados, cada um, a 39 anos de reclusão.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

O capitalista de fé

Calma, gente! Não vou falar de "pastores" que montam seus impérios para amealhar milhões... de reais! Estes são os "capitalistas DA fé". Já "o capitalista DE fé" é o título de uma longa matéria publicada hoje no jornal O Estado de S. Paulo, a respeito do empresário católico Estevam de Assis, de 53 anos de idade, um dos sócios do grupo Bretas, uma rede de varejo com 59 lojas e 12 postos de gasolina nos Estados de Minas Gerais, Goiás e Bahia, que vale hoje algo em torno de R$ 1 bilhão, segundo análise do mercado, e é cobiçada por grandes redes varejistas do Brasil.

Enquanto tem muito "pastor" e "missionário" evangélico que ouviu o "chamado" pra morar em mansões nos condomínios de Boca Raton, na Flórida, dirigindo seus BMW e Mercedes conversíveis, Estevam de Assis mora num apartamento alugado, de 3 quartos, em Belo Horizonte, não tem televisão nem computador em casa, e dirige seu veículo 1.0. Segundo informa o Estadão:

Assis e a mulher fizeram voto de simplificação total de vida. Só gastam com o que é absolutamente necessário. Ele fica com apenas 5% dos rendimentos e doa o restante. "Não é voto de pobreza, porque não sou pobre", explica o empresário. "Mas eu não posso comprar mais nada. Se ganho uma camisa, tenho de doar outra do armário. Eu descobri essa alegria, essa liberdade de ser feliz precisando de pouca coisa."

A cultura empresarial do grupo Bretas, uma sociedade de 12 irmãos, parece seguir o mesmo modo franciscano de ser: os executivos não recebem salários exorbitantes nem têm secretárias exclusivas, e muito menos aqueles bônus milionários que todo diretor paparicado pelas revistas de negócios papa no fim do ano. Ainda segundo o jornal, Estevam gasta a maior parte do dinheiro pagando terapia a padres e freiras, o que é algo até discutível, já que certamente alguém poderia apontar obras muito mais carentes de ajuda financeira dentro da própria Igreja Católica, mas, cá entre nós, o dinheiro é do Estevam e ele faz o que quiser com ele. Pelo menos faz o contrário de muito "pastor", "bispo" e "apóstolo" que tem por aí: usa o seu próprio dinheiro para ajudar a sua igreja em vez de se servir dele e dela. O único problema é algum "pastor" esperto aproveitar o exemplo de Estevam de Assis, omitir que ele é católico, e arrecadar ainda mais dinheiro dos incautos, para a sua própria perdição. Afinal, a isca desses lobos é a teologia da prosperidade, e como é que eles vão justificar à sua "torcida igrejeira" que Deus está abençoando um católico? Abafa, Estevam!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Informação é poder

Transexualismo não é mais doença na França

É o que informa o jornal O Estado de S. Paulo de 13/02/10:

Transexualismo deixa de ser doença

França foi o primeiro país a retirá-lo da lista de problemas psiquiátricos

O transexualismo já não é considerado uma doença mental na França. O país foi o primeiro a tirá-lo da lista de problemas psiquiátricos, segundo um decreto, publicado nesta semana no Diário Oficial do país.

O decreto do Ministério da Saúde francês suprime "os transtornos precoces da identidade de gênero" de um artigo do código da Previdência Social relativo às "doenças psiquiátricas de longa duração".

A classificação era feita de acordo com a realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ainda em vigor, denominada Classificação Internacional de Doenças (ou CIM-10, na sigla em francês).

A ministra da Saúde na França, Roselyne Bachelot, tinha anunciado no dia 16 de maio do ano passado, antes do Dia Mundial da Luta contra Homofobia e a Transfobia, que o transexualismo já não seria considerado como uma doença psiquiátrica na França.

Na ocasião, personalidades do mundo político e científico tinham firmado um artigo, divulgado na imprensa, para pedir à OMS que "não considerasse os transexuais como afetados por doenças mentais".

"A França é o primeiro país no mundo que já não considera o transexualismo como patologia mental", afirmou ontem Joël Bedos, responsável francês no Comitê do Dia Internacional contra a Homofobia e a Transfobia (IDAHO, na sigla em inglês).

Para explicar sua classificação, a OMS justifica que o transexualismo aparece no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, estabelecido por médicos americanos. A revisão deste manual, em curso, parece não prever a retira do transexualismo, aponta Bedos.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Devolvam Brasília para Goiás!

Coluna de Fernando Rodrigues na Folha de S. Paulo de hoje:


Brasília fracassou


BRASÍLIA - A prisão preventiva do governador de Brasília, José Roberto Arruda, confirma a falência do modelo político-administrativo do Distrito Federal. Criado em 1960 e piorado ao longo das décadas, o sistema é disfuncional e produz escândalos em série.

O Congresso fará um bem ao Brasil -e aos habitantes de Brasília- se extinguir o modelo em vigor. O Distrito Federal tem mais de 2,5 milhões de habitantes e nenhum prefeito nem vereador. Só há um governador e uma Câmara Distrital. A concentração de poder é a porta de entrada para a corrupção.

Considerava-se necessário no passado instalar a capital da República numa área de segurança nacional. Esse conceito caducou. Não há prejuízo nem risco para o Brasil hoje se o Distrito Federal for devolvido para Goiás. Cidades satélites como Ceilândia (mais de meio milhão de habitantes) passariam a ter prefeitos e Câmara Municipais.

Não ficariam mais controladas por um administrador nomeado sabe-se lá com que tipo de influência política imprópria e oculta. O centro de Brasília também pode ser uma cidade autônoma, como as demais, com prefeito e vereadores. Os cidadãos brasilienses passariam a votar para eleger o governador de Goiás, senadores, deputados federais e estaduais goianos.

Os benefícios seriam fartos. O Senado eliminaria as três vagas de Brasília. Não haveria mais Câmara Distrital e a casa dos horrores chamada Palácio do Buriti, sede do governo local. Os edifícios poderiam ser convertidos em museus.

É preciso coragem para colocar essa mudança em prática. Mas o fracasso retumbante do sistema atual exige grandeza do Congresso: acabar com o democratismo da Constituição de 1988 que ampliou de maneira desmedida a autonomia administrativa para um pedaço de terra no interior de Goiás. Um benefício pago com o dinheiro de todos contribuintes brasileiros.

Direito Romano e Cristianismo

I – Doutrinas cristãs e direito romano – II. Direito romano e instituições cristãs.

Os problemas surgidos pelo impacto do cristianismo com o direito romano são muitos e complexos, e receberam respostas muito diferentes, tendentes umas a aumentar a influência das doutrinas cristãs sobre o direito romano no Baixo Império (I), as outras a reduzi-la a proporções mais justas. Com efeito, tratou-se de avaliar a influência do direito romano sobre a evolução do cristianismo em geral, e sobre as instituições eclesiásticas em particular (II).

I. Doutrinas cristãs e direito romano. A influência cristã sobre o direito romano derivou sobretudo da vontade do príncipe; a expressão mais direta foi sem dúvida a legislação imperial: a) os imperadores aceitaram e impuseram a nova religião; multiplicaram as instituições que favoreciam a Igreja; asseguraram o triunfo da fé cristã, tal como definida pelas autoridades da própria Igreja, ameaçando, em caso contrário, com as mais diversas sanções (exclusão das funções civis, incapacidade para suceder, etc.). Abundante legislação reprimiu as heresias, o paganismo e a religião judaica (CT XVI). Os imperadores se preocuparam também com regulamentar o estatuto dos clérigos e dos bispos, bem como as condições necessárias para aceder às ordens; em favor do clero prodigalizaram formalmente o primado romano (Novella 18, de 19 de junho de 448); b) deve-se notar ainda uma influência cristã na legislação sobre a família e sobre a sociedade. A Igreja lutou contra o aborto, o abandono dos recém nascidos, o comércio das crianças, os abusos da patria potestas [pátrio poder], e teria desejado também uma restrição oficial à liberdade do divórcio (Concílio de Cartago de 13 de junho de 407). Provocou sanções para quem rompia sem justo motivo o noivado (CT 3,5,2. Cf. Concílio de Elvira, cânon 54) e obteve a interdição dos matrimônios entre os parentes (CT 3,12,2-4; cf. Concílio de Elvira, cânon 61). Suportou a escravidão, mas esforçou-se para abolir o costume de marcar na testa os escravos, e de manter separadas as famílias dos servos; favoreceu a alforria e obteve o reconhecimento civil dos que eram alforriados in ecclesia. Lutou contra os jogos dos gladiadores e conseguiu obter a sua supressão. Chegou até mesmo a fazer modificar o calendário civil em função de suas festividades, e a substituir o domingo ao die solis; procurou manter intacto o cunho sagrado dos dias reserva dos a Deus, fazendo proibir nestes os jogos do teatro e do circo; c) menos incisiva foi a influência das doutrinas cristãs no campo econômico. Houve quem quisesse ver esta influência na legislação sobre lesões ou limitações das taxas de juros; na ampliação da noção de dolo; no enfraquecimento do formalismo em favor do cunho obrigatório do simples compromisso; nas sanções contra o enriquecimento injusto; mas é difícil avaliá-la em todos estes casos, sem ter, no entanto, de rejeitá-la totalmente; d) a legislação sobre os crimes, no Baixo Império, foi assinalada por mais forte severidade, quase por uma crueldade. Sobre esta o cristianismo influiu bem pouco, e apenas esporadicamente e de maneira inteiramente casual. A Igreja obteve a supressão do suplício da cruz, e a possibilidade de participar da vigilância das prisões, a fim de poder confortar os prisioneiros; e) os historiadores conseguiram descobrir também outros traços da influência cristã sobre a técnica jurídica romana, mas as coincidências evidentes são muito insignificantes (Gaudemet, 512).

II. Direito romano e instituições cristãs. A influência do direito romano sobre a sociedade eclesiástica se verificou principalmente na terminologia, na técnica jurídica, nas instituições: praticamente na transposição ou adaptação das regras romanas às necessidades próprias da igreja; a) Entre as permutas terminológicas, a de ordo, para designar os membros da hierarquia eclesiástica, é uma das mais significativas, já que este termo, desde o princípio, qualificava os quadros dirigentes da civitas e, propriamente, o senado municipal. Faz-se mister recordar também que os poderes do sumo pontífice, desde o princípio, foram definidos com os termos técnicos de auctoritas e de potestas. Quanto à terminologia das decretais, foi ela fortemente devedora daquela das constituições imperiais; b) Particularmente sentida foi a influência do direito romano na área da técnica jurídica. O poder legislativo do papa não foi certamente simples mudança das instituições romanas (permaneceu fundado na Escritura e provinha do primado); mas nem por isto foi menos devedor daquele a respeito da elaboração das decretais, na linha dos modelos do tempo. Doutro lado, os modos de se recorrer ao papa inspiraram-se claramente no direito imperial (relatio, provocatio). O mesmo se verificou quanto aos concílios. Esta instituição não foi simplesmente tomada do direito público romano, mas beneficiou-se muito com os modelos do tempo acerca de sua organização (modo de dirigir as sessões, processo nas votações, redação dos atos, etc.). Mas o direito canônico serviu-se mais amplamente dos modelos romanos no âmbito processual: retomou a técnica das praescriptiones (de persona, de mandato, de tempore) e da contestatio litis; adotou também as particularidades concernentes aos meios de prova e as condições relativas às testemunhas (como a da exclusão das infames personae). Nem é preciso explicar que o direito canônico deve ao direito romano todo o contexto do processo de apelo; c) A influência do direito romano sobre as instituições cristãs foi multiforme; claríssimo em matéria de matrimônio. A Igreja retomou, no essencial, a noção romana do matrimonium, e as condições para realizá-lo (dos, tabulae nuptiales); adotou sua doutrina sobre o matrimônio consensual, aliás logo aperfeiçoado (Munier, 17); conservou os noivados segundo as leis romanas, mas pouco depois os distinguiu nitidamente do matrimônio propriamente dito. Foi intransigente em seus princípios em matéria de fidelidade e de indissolubilidade. Muitas das normas relativas ao estatuto dos clérigos se inspiraram nas que regulavam as carreiras civis (proibição de passar de um posto a outro, promoção por graus, interstícios). E, enfim, os sinais exteriores do poder (vestes e insígnias) dos funcionários romanos foram adotados para significar os vários graus dos dignitários eclesiásticos (pontificalia, dalmática, pálio). Por último, mencionamos o paralelismo bem claro entre as circunscrições administrativas e as eclesiásticas.

(“Dicionário Patrístico e de Antiguidades Cristãs”, Ed. Vozes e Ed. Paulinas, 2002, pp. 417-8)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Romênia manda ajuda do Haiti pro Taiti

Essa nem o Pat Robertson esperava... a Romênia mandou tropas e ajuda humanitária para o Taiti, colônia francesa no meio do Oceano Pacífico, em vez do Haiti, que fica do outro lado do globo, no Mar do Caribe. Além do nome parecido, ambos os lugares ficam numa ilha e falam francês, o que certamente tornou muito difícil para o Ministro da Defesa romeno distinguir um do outro. Suspeita-se que seus subordinados querem a sua cabeça, razão pela qual fizeram boca de siri enquanto ele pagava este mico transoceânico. Os habitantes do paradisíaco Taiti receberam os romenos com piadas e gozações de todo tipo, e Portugal vai aproveitar o momento para pedir a substituição imediata dos portugueses pelos romenos em toda e qualquer anedota num certo país lusófono mais ao sul.




Fonte: R7 Notícias

Eu vou te enriquecer

O mundo é dos espertos, diz a sabedoria popular. 

Navego pela internet e me deparo com o lançamento do livro "Eu Vou te Enriquecer", de Paul McKenna, da Ed. Best Seller, que tem a seguinte sinopse da Livraria da Folha:

Por que algumas pessoas ganham dinheiro com facilidade enquanto outras continuam pobres? De acordo com Paul McKenna, não é porque elas são mais inteligentes, trabalham muito ou têm sorte, mas porque agem e pensam de forma diferente.

Após dois anos de pesquisas sobre como funciona a mente dos milionários, o autor combinou estratégias para o sucesso com um programa mental de enriquecimento. O resultado é esta obra inovadora que apresenta técnicas inspiradas na psicologia para ajudar o leitor a economizar, a evitar gastos desnecessários e a utilizar melhor o dinheiro. Com este livro, Paul McKenna mostra que enriquecer é mais fácil do que se imagina.


Inclui CD de hipnose.


Confesso que não sei quem é Paul McKenna, nem nunca li ou pretendo ler livro dele, assim como fiz com outros papas da neurolinguística, como Napoleon Hill e Lair Ribeiro, razão pela qual não vou me arriscar a comentar o conteúdo do livro. 

[OBS.: aos defensores da neurolinguística que aparecem por aqui nos comentários abaixo, sejam bem-vindos, agradeço sua participação (que está sendo publicada sem nenhuma censura), mas por gentileza entendam que não estou aqui fazendo qualquer análise minimamente profunda da PNL, pois o objetivo desse artigo é notar a semelhança entre o discurso de muitos pastores evangélicos atuais com a resenha do livro]

O que me chama a atenção é a semelhança da proposta com a pregação de alguns "pastores" evangélicos, que, com outras palavras e roupagens, prometem o céu na terra mediante o dinheiro, já que, para eles, a pobreza é contagiosa, e até andam inventando fábulas incríveis para tentar dizer que Jesus era, na verdade, muito rico.

Logo, sejam todos bem-vindos à gloriosa era da "neurolinguística evangélica". Afinal, "eu vou te enriquecer" é a mensagem que muitos pregadores estão proclamando ao mundo, que do jeito que as coisas estão, vai continuar perdido...

MSI - Movimento dos Sem Istádio

A marchinha da Dilma

Se você está tentado a pular carnaval este ano, veja o vídeo abaixo e perca a vontade na hora...

Um basta! aos pedágios abusivos

Movimentos organizados de cidadãos paulistas contrários ao alto preço dos pedágios planejam promover uma paralisação geral nas rodovias do Estado no dia 1º de julho, caso não haja negociação com o governo para rever a política de concessões do governo estadual. Infelizmente, a coisa parece estar partidarizada e inserida no contexto da disputa eleitoral PSDB x PT deste ano, mas não deixa de ser um excelente momento para que todos aqueles que não se conformam com os altos preços cobrados para trafegar nas rodovias paulistas aproveitem o momento para colocar o tema em pauta, procurando, sobretudo, tirá-lo do apaixonado e inconsequente debate eleitoral para discuti-lo como política de Estado. Aliás, está mais do que na hora do país sair dessa polarização idiota entre petistas e tucanos, entre direita e esquerda, e tratar as políticas públicas como uma questão pura e simples de exercício de cidadania.

Ainda que todos paguem os seus impostos, inclusive o IPVA, o que - em tese - faz com que construir e conservar estradas boas seja uma obrigação (e não um favor) do Estado, acho que há um certo consenso de que é minimamente aceitável pagar pedágio para ter estradas melhores. A questão é o alto preço dos pedágios, cobrados indistintamente com critérios discutíveis e a preços absurdos. Os governantes se defendem dizendo que a privatização das rodovias - com as consequentes tarifas abusivas -, se justifica pela qualidade e transparência dos serviços prestados, esquecendo-se de que, ao dizer isso, estão confessando que não têm competência para gerir a malha rodoviária, nem dispõem de pessoas honestas para comandá-la. Também não fica claro se as concessionárias contribuem de alguma maneira para o caixa de suas campanhas. Outra alegação corriqueira é a de que só paga pedágio quem é rico, o que é a mais deslavada demagogia, já que o preço pago pelo produtor/prestador na estrada vai inflacionar o preço final que o consumidor paga pelo produto ou serviço que compra, seja ele um tomate ou um automóvel. Além disso, as empresas de ônibus já diluem o preço do pedágio no valor de suas passagens, encarecendo-as a cada nova praça construída. Enfim, não resta ao cidadão senão procurar (e protestar) pelos meios legítimos uma revisão nesta política vergonhosa.

Eis a notícia do movimento antipedágio, do site Cosmo On Line:


Grupo antipedágio ameaça parar rodovia

Caso não haja acordo, a paralisação, organizada entre todos os movimentos contra os pedágios existentes em SP

Venceslau Borlina Filho
Agência Anhanguera de Notícias

Integrantes da Comissão Cidadania Participativa de Indaiatuba ameaçaram ontem (11/02) parar as rodovias paulistas caso o governador José Serra (PSDB) não abra a discussão para rever o modelo de concessão. A intenção é criar, com apoio de deputados estaduais da bancada petista, uma frente parlamentar na Assembleia Legislativa específica sobre o assunto e convocar o Estado para a discussão. Caso não haja acordo, a paralisação, organizada entre todos os movimentos contra os pedágios existentes em São Paulo, já teria data para acontecer: 1º de julho, ficando marcada como o Dia de Mobilização contra os Pedágios no Estado de São Paulo — data-base de reajuste das tarifas.

O recado foi dado durante a 1ª Reunião Estadual dos Movimentos contra os Pedágios Abusivos do Estado de São Paulo organizada pela comissão — grupo que luta pela diminuição da tarifa de R$ 8,80 cobrada na praça do Km 60 da Rodovia Santos Dumont (SP-75). Indaiatuba é uma das que mais sofrem os efeitos de um pedágio na Região Metropolitana de Campinas (RMC). Em toda a RMC, são 11 praças de pedágio. Se somadas as praças na região expandida, incluindo municípios como Elias Fausto, Itupeva, Atibaia, Louveira, Rafard, entre outros, esse número sobe para 22. “Queremos usar a frente parlamentar para negociar. Se não tivermos avanços, vamos conclamar todos os movimentos a parar os corredores”, disse o coordenador da comissão, José Matos. Serra anunciou na semana passada a diluição do valor da praça de pedágio de Jaguariúna, criando uma praça em Mogi Mirim e dividindo a cobrança da tarifa.

Os deputados petistas Roberto Felício, Marcos Martins e Antonio Mentor apoiaram a iniciativa. A deputada Ana Perugini (PT), apesar de demonstrar preocupação com a paralisação programada, também apoiou a mobilização em torno dos pedágios. Os deputados questionam, principalmente, a outorga da concessão, onerosa aos usuários das rodovias que já contribuem com impostos destinados a conservação de rodovias, como o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Outro ponto levantado foi a comparação entre os modelos de concessão do Estado e do governo federal, cuja diferença está entre o valor da outorga e a exploração pela menor tarifa.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Campanha da Fraternidade 2010 ataca o deus dinheiro

Tendo por base as palavras de Jesus em Mateus 6:24 - "Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro" -, a Campanha da Fraternidade deste ano, tradicionalmente comandada pela Igreja Católica brasileira, tem a companhia da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, a Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e a Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia, repetindo a experiência ecumênica já ocorrida nos anos de 2000 e 2005.

A Folha Online vê o tema da campanha como um ataque à política econômica do governo Lula, citando o texto-base do evento, que "critica a crescente dívida interna do país, as altas taxas de juros, a elevada carga tributária, o sistema financeiro internacional e até mesmo o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)". O site da CNBB, por sua vez, destaca:

O bispo diocesano dom João Maria Messi abriu o encontro lembrando-se do compromisso mútuo de colocar a campanha em prática e organizá-la nas cidades. “Este tema ressalta a questão da economia que na sociedade é vista como prioridade máxima em detrimento do ser humano que é esmagado em seu ser. Os senhores do dinheiro passam por cima de tudo e de todos em nome do capital”, disse dom João, que espera envolver as Igrejas Cristãs nas discussões.

Para o pastor Antônio Carlos, da Igreja Metodista de Volta Redonda, não é possível viver sem levar em conta a economia. “Tudo gira em torno da econômica e se ela não gerar vida é porque algo está errado e não podemos desenvolver este tema sem um ecumenismo, pois afeta todos nós”, disse Antônio.

Ainda que o foco da campanha, aparentemente, seja político, me parece que - ainda que subrepticiamente - ataca também a crescente entronização do dinheiro como verdadeiro "deus" em muitas igrejas evangélicas. É difícil acreditar que os organizadores da campanha não tenham tido esta intenção, mas mesmo nesta remota hipótese, não deixa de ser uma oportunidade para que todos os cristãos aproveitem o tema para denunciar os desvios da chamada "teologia da prosperidade", que endeusa o dinheiro em detrimento do verdadeiro evangelho simples e salvador de Jesus Cristo.

Discipulado


por Dietrich Bonhoeffer:

Quando as Escrituras Sagradas falam do discipulado de Jesus, proclamam a libertação do homem de todos os preceitos humanos, de tudo quanto oprime, sobrecarrega, provoca preocupações e tormentos à consciência. No discipulado, o ser humano sai de sob o jugo de suas próprias leis, e submete-se ao jugo suave de Jesus Cristo. Seria isso menosprezo da seriedade dos mandamentos de Jesus? Não. Antes, somente onde permanece de pé o mandamento integral de Jesus, o chamado ao discipulado sem restrições, é que se torna possível a plena libertação do homem para a comunhão em Jesus. Quem segue indiviso ao mandamento de Jesus, quem se sujeita sem resistência ao jugo de Jesus, a este se lhe torna leve o fardo que tem de levar, recebendo, na suave pressão desse jugo, a força necessária para percorrer o caminho certo sem cansaço. O mandamento de Jesus é duro, desumanamente duro para aquele que se lhe opõe. O mandamento de Jesus é suave e fácil para aquele que voluntariamente se lhe sujeita. “Os seus mandamentos não são penosos” (1ª Pedro 5:3). O mandamento de Jesus nada tem que ver com curas psicológicas violentas. Jesus nada nos exige sem nos dar forças para o realizar. O mandamento de Jesus jamais destruirá a vida, mas a conservará, fortalecê-la-á e a sanará.

(Dietrich Bonhoeffer, em “Discipulado”, Ed. Sinodal, pág. 4)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O galeão apostólico

Logo depois do reencontro dos apóstolos no concílio de Jerusalém, Paulo e Pedro desceram juntos até o porto de Cesareia, para o adeus final, já que cada um seguiria o seu caminho. Superados os ressentimentos pela discussão áspera que haviam tido alguns dias antes, os dois apóstolos falavam agora de suas rotinas de viagens, enquanto aguardavam a hora de embarcar:

- Sabe, Pedro, estou cansado de andar a pé por essas estradas poeirentas e de pegar esses barcos cargueiros caindo aos pedaços...
- Nem me diga, Paulo, eu viajo bem menos que você e já sinto o cansaço.
- Pois é, Pedro, eu estava pensando comigo se a gente devia orar a Deus e fazer uma campanha entre os irmãos para comprar um navio apostólico só para uso dos ungidos...

Pedro fez uma cara de espanto que deixou Paulo constrangido.

- “Veja se você concorda comigo, Pedro” – Paulo continuou -, o campo é enorme, o serviço extenuante, e nós perdemos muito tempo enjoando no mar e comendo poeira pelo deserto.
- Isso lá é verdade, Paulo, mas o que você sugere?
- Tá vendo aquele galeão reluzente entrando no porto? É um modelo novo fabricado pela família Ferrari da Itália.
- Lindo mesmo, e parece bem rápido. Acho que serviria aos nossos propósitos.
- Sem dúvida, Pedro, poderia deixar um apóstolo em cada porto e assim o evangelho se espalharia mais rápido.
- Verdade... mas ainda temos toda a terra para explorar. Bom será o dia em que alguém inventar uma máquina que voa.
- Cá entre nós, Pedro, acho que quando esse dia chegar, esta máquina não será mais necessária, já que todo o trabalho duro – depois do Mestre – quem fez fomos nós e nossos filhos na fé.
- Olha, Paulo, eu não duvido que apareça alguém se dizendo “apóstolo” ou um “pastor” muito especial, achando que tem muito mais trabalho que nós e só uma galé voadora vai resolver seu problema...
- Bem, voltemos ao assunto, e a campanha do galeão?
- Ah, Paulo, acho que Deus não precisa de galeão nem de máquina voadora não... não há maior prazer do que pregar o evangelho e estabelecer a Igreja no mundo, por terra e mar, a pé mesmo...
- É verdade, Pedro... acho que eu tava delirando... não somos mais crianças deslumbradas com galeões e máquinas voadoras, e seja na terra, seja no mar, você consegue caminhar, né...
- Paulo, Paulo, o que importa é que com Cristo, a pé ou no barco, tudo vai muito bem, vai muito bem...

Assim, bem-humorados e dispostos ao trabalho, cada apóstolo seguiu para um destino, tendo no coração apenas um vislumbre do tamanho da obra que estavam ajudando a construir...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Aquassab

Cidadãos de São Paulo:
os seus problemas acabaram!




Moralidade não depende de religião

Pelo menos é isso o que diz um estudo publicado na revista Trends in Cognitive Sciences, segundo informa o jornal O Estado de S. Paulo de hoje, ao qual faço minhas considerações mais abaixo:




Moralidade independe de religião, diz estudo

Crença divina seria produto, e não causa, de comportamentos sociais

Herton Escobar

De onde vem a religião? O fato de que todas as sociedades humanas conhecidas acreditam (ou acreditavam) em algum tipo de divindade - seja ela Deus, Alá, Zeus, o Sol, a Montanha ou espíritos da floresta - intriga os cientistas, que há tempos buscam uma explicação evolutiva para esse fenômeno.

Seria a religião uma característica com raiz evolutiva própria, selecionada naturalmente por sua capacidade de promover a moralidade e a cooperação entre indivíduos não aparentados de uma população? Ou seria ela um subproduto de outras características evolutivas que favorecem esse comportamento social independentemente de crenças religiosas?

A origem mais provável é a segunda, de acordo com um artigo científico publicado ontem na revista Trends in Cognitive Sciences. Os autores fazem uma revisão dos estudos já publicados sobre o tema e concluem que nem a cooperação nem a moralidade dependem da religião para existir, apesar de serem influenciadas por ela.

"A cooperação é possível graças a um conjunto de mecanismos mentais que não são específicos da religião. Julgamentos morais dependem desses mecanismos e parecem operar independentemente da formação religiosa individual", escrevem os autores. "A religião é um conjunto de ideias que sobrevive na transmissão cultural porque parasita efetivamente outras estruturas cognitivas evoluídas."

O artigo é assinado por Ilkka Pyysiäinen, da Universidade de Helsinki, na Finlândia, e Marc Hauser, dos Departamentos de Psicologia e Biologia Evolutiva Humana da Universidade Harvard, nos Estados Unidos.

Em entrevista ao Estado, Hauser disse que a religião "fornece apenas regras locais para casos muito específicos" de dilemas morais, como posições sobre o aborto ou a eutanásia. Já questões de caráter mais abstrato são definidas com base numa moralidade intuitiva que independe de religião.

Estudos em que pessoas são convidadas a opinar sobre dilemas morais hipotéticos mostram que o padrão de julgamento de religiosos é igual ao de pessoas sem religião ou ateias. Em outras palavras: a capacidade de distinguir entre certo e errado, aceitável e inaceitável, é intuitiva ao ser humano e independe da religião, apesar de ser moldada por ela em questões específicas.

"Isso pode sugerir como é equivocado fazer juízos sobre a moralidade das pessoas com base em suas religiões", disse ao Estado o pesquisador Charbel El-Hani, coordenador do Grupo de Pesquisa em História, Filosofia e Ensino de Ciências Biológicas da Universidade Federal da Bahia. "Entre os ateus, assim como entre os religiosos, há a variabilidade usual dos humanos. Há ateus tão altruístas quanto Irmã Dulce, assim como há religiosos tão dados à desonestidade e a faltas éticas quanto pessoas não tão religiosas."

Segundo Hauser, o ser humano não tem uma propensão a ser religioso, mas sim a buscar causas e propósitos para o mundo ao seu redor - o que muitas vezes acaba desembocando em alguma forma de divindade. Nesse caso, a religião seria um produto da evolução cultural, e não da evolução biológica. "O fato de algo ser universal não significa que faça parte da nossa biologia", diz o pesquisador de Harvard.

Ele e Pyysiäinen sugerem que "a maioria, se não todos, dos ingredientes psicológicos que integram a religião evoluiu originalmente para solucionar problemas mais genéricos de interação social e, subsequentemente, foi cooptada para uso em atividades religiosas."

Ao estabelecer regras coletivas de conduta, a religião funcionaria como uma ferramenta de incentivo e controle da cooperação - tanto pelo lado da salvação quanto da punição. "Que a religião está envolvida na cooperação não há dúvida. Mas dizer que ela evoluiu para esse propósito é algo completamente diferente", afirma Hauser.


Meu comentário:

Não há dados suficientes para se compreender melhor a metodologia utilizada pelos pesquisadores em questão, mas aparentemente o estudo se insere na ampla classe de "revisão de artigos publicados", segundo informa a matéria do Estadão, o que já sugere uma certa superficialidade, já que não foram buscados dados novos, ainda que haja menção a "estudos em que pessoas são convidadas a opinar sobre dilemas morais hipotéticos". Feitas essas considerações iniciais, acho que há dois aspectos básicos que merecem ser abordados:

1) O artigo reconhece que "o fato de que todas as sociedades humanas conhecidas acreditam (ou acreditavam) em algum tipo de divindade (...) intriga os cientistas", algo que já abordei neste blog comentando sobre o instinto moral. Ora, este já é um dado suficientemente complexo e confiável para que não se tente desmontá-lo mediante uma ferramenta metodológica tão singela como a "revisão de artigos publicados". Diante de uma constatação pacífica de que não há qualquer sociedade humana conhecida - em qualquer era da história do mundo - em que não haja o instinto religioso presente, o estudo divulgado na verdade soa como uma tentativa simplória de desconstrução da conclusão unânime da ciência sobre um fato insofismável;

2) os estudos sobre "pessoas convidadas a opinar sobre dilemas morais hipotéticos" com o resultado de que eles "mostram que o padrão de julgamento de religiosos é igual ao de pessoas sem religião ou ateias" não leva em consideração um fato - a meu ver - incontestável, que contamina qualquer pesquisa que se valha desta metodologia: mesmo os ateus, independentemente de sua vontade, são guiados (ou pelo menos pressionados, compelidos, induzidos) pela moralidade majoritária e vigente na sua sociedade, que é a religiosa, que tem poucas variações significativas entre as confissões cristã, judaica, islâmica, hinduísta, budista, taoísta, etc., segundo a região em que seja efetuada a investigação. Logo, dizer que "a capacidade de distinguir entre certo e errado, aceitável e inaceitável, é intuitiva ao ser humano e independe da religião, apesar de ser moldada por ela em questões específicas" é uma análise apressada contaminada ab initio pela pressuposição equivocada de que um ateu (em qualquer contexto) tem uma concepção moral completamente imune à moralidade majoritária da sociedade em que vive (e convive), que é a religiosa.

Confesso que esperava mais deste estudo ao ler o título da matéria, pois há gente muito capacitada no mundo investigando um tema tão interessante como esse (como o Steven Pinker e Jonathan Haidt, por exemplo), mas parece que - infelizmente - eles não foram ouvidos.

Essa tal religiosidade

Muitas igrejas hoje entendem que o inimigo a ser batido é a “religiosidade”, ou seja, aqueles que se preocupam em manter viva a essência do evangelho, a graça salvífica e redentora de Nosso Senhor Jesus Cristo, que se revela simples e acessível ao ser humano, seja ele do século III ou do XXI. 


Não, isso não basta, dizem os novos pregadores do apocalipse. Curiosamente, dizendo-se “apóstolos”, negam a própria tradição apostólica. Dizendo-se resgatadores da verdade evangélica, se valem de novidades rituais e mercadológicas de ocasião. É preciso submeter-se aos seus complicados rituais e repetir os seus chavões e mantras, que alegam dizer tudo, mas não dizem nada. 


Já que aquilo que eles chamam pejorativamente de “religiosidade” se preocupa com a essência do evangelho, nela não há lugar para correntes de prosperidade, novos apostolados, estranhas unções e atividades exóticas afins. É preciso “colar” nos outros a pecha de “religiosos” para desviar a atenção da sua própria religiosidade pagã.


Chegamos, portanto, a uma nova fase, uma espécie de inquisição moderna. Se o irmão ou a irmã se preocupam em estudar a Palavra, para conferir nela se os seus líderes estão realmente pregando a Verdade, logo eles são chamados de “religiosos” e devem ser combatidos e exterminados. 


O mesmo ocorre se eles ousam questionar os seus líderes e se preocupam em manter-se conectados à essência do evangelho, tal como nos foi legado ao longo de 2.000 anos de História da Igreja Cristã, e não se convertem ao novo “evangelho”, finalmente revelado aos líderes iluminados nos últimos 20 anos, os novos gnósticos portadores de uma revelação especial. O inferno não tolera a Sabedoria.


O tristemente curioso nisso tudo é que se esquece facilmente de que Jesus foi um bom religioso. Hoje é chamado de “fariseu” todo aquele que mantém os dois pés atrás em relação a toda e qualquer novidade esdrúxula que se imiscui na Igreja. Paulo se orgulhava de ser um fariseu no melhor sentido da palavra (Atos 26:5), hoje tão depreciada. 


Era aos religiosos que o evangelho era pregado inicialmente (Atos 2:5 e 13:43) nas reuniões festivas e sinagogas, e a palavra “religioso” aqui era usada no melhor sentido, exatamente para designar quem estava interessado em aprender e seguir os ensinamentos do Senhor. 


Para Tiago, “a religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo” (Tiago 1:27), mas provavelmente ele seria expulso da Igreja se dissesse uma coisa dessas em pleno século XXI, já que a palavra “religião” foi banida de muitos púlpitos por ser a nova inimiga de plantão. 


Ajudar os órfãos e as viúvas então, nem pensar... a não ser que de repente seja necessário para adoçar (com o intuito de “justificar”) o turbilhão de dinheiro entrando na “obra”, já que não fica bem comprar um avião de 9 milhões de dólares pro “pastor” com o dinheiro que poderia ser melhor usado em caridade.


Entretanto, outro fenômeno esvazia ainda mais o discurso da caça aos “religiosos”. Afinal, quem é que define o que é “religiosidade”? Atacá-la também não é outra forma de religião? O também tristemente curioso é que quem inicia essas campanhas antirreligiosas tem uma série de práticas muito mais religiosas, como o próprio nome “campanha”, que faz tanto sucesso no meio gospel atual, deixando as novenas e os terços católicos no chinelo. O discurso antirreligioso é só mais uma subespécie (degenerada) do discurso religioso. Simples assim.


É certo que, num futuro próximo, a “religiosidade”, tal como é vista por alguns pregadores, deixará de ser a inimiga e novos espantalhos serão erigidos em seu lugar, uma espécie de “vodus evangélicos” que deverão ser alfinetados de todas as maneiras possíveis até que se esgotem e sejam novamente substituídos pelo mais novo vilão do imaginário “gospel”. 


Entretanto, o estrago já estará consumado na vida de muitas pessoas que foram atraídas por essa pregação perniciosa, que, conforme Paulo já dizia (2 Coríntios 11:3) e Davi já ensinava (Salmo 51:17), não consegue se contentar com a simplicidade da devoção sincera de um coração contrito.


Àqueles que foram tachados de “religiosos”, não resta ou alternativa senão manterem-se fiéis à sã doutrina. Como o próprio Jesus deixou bem claro, mais importante do que dar frutos rápidos e aguados, é permanecer (João 15:16). 


No meio de tanta ansiedade gerada pelo consumismo moderno, dentro e fora das igrejas, religiosos de todo o mundo, uni-vos! O melhor a fazer é continuar crendo no que Jesus disse: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas” (Mateus 11:29).


É muito mais cristão ser religioso no melhor sentido do termo, do que atacar a religiosidade, mas se locupletar à custa dela.

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