segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Foi pagar promessa por ter sido salvo de acidente e morreu atropelado

Um caminhoneiro espanhol que teve apenas as iniciais do seu nome reveladas, A. G. J., de 40 anos de idade, estupefato por ter se safado ileso de um acidente há cerca de um ano atrás, prometeu naquele mesmo instante que iria a pé até Caión, na Costa da Morte, na Galícia, região autônoma da Espanha, a fim de agradecer à Virgem dos Milagres, mesma atitude que tomam milhares de peregrinos que se dirigem àquele santuário todo mês de setembro. Para tanto, A. G. J. se fez acompanhar de 6 familiares. Decidiram sair bem cedinho do local onde moravam, Merelle, uma vila perto de Ordes, na província de La Coruña, que fica a 30 km de Caión, mas não tinham caminhado nem 1 km quando a tragédia se produziu. Era 6:40 da manhã e os romeiros seguiam por uma estrada secundária bem estreita quando - de repente - apareceu um Opel Vectra desgovernado que atropelou A. G. J e duas tias suas, de 49 e 59 anos de idade, levando os três à morte. O Vectra era dirigido por um homem de 35 anos que não apresentou sinais de embriaguez, e - a julgar pela ausência de marcas de frenagem do veículo na estrada - se supõe que ele tenha dormido ao volante. O caso gerou muita consternação na pequena vila de Merelle e na cidade de Ordes, cujo prefeito Manuel Regós decretou um dia de luto oficial em memória dos mortos. Já o condutor do veículo continua em liberdade e não há, por enquanto, nenhuma investigação aberta contra ele.


Fonte: El País

Papa visitará mosteiro de Lutero

O papa Bento XVI visitará a Alemanha no próximo mês de setembro, e chamou a atenção um detalhe do roteiro de visitas do papa ao seu país natal: a visita ao antigo mosteiro agostiniano de Erfurt, lugar onde Martinho Lutero começou sua vida monástica (e se ordenou padre) na igreja católica, após ter estudado Direito na universidade da mesma cidade, curso que abandonou para se dedicar aos estudos de Teologia. O mosteiro deixou de ser católico em 1556, quando o último monge agostiniano morreu. Depois disso foi secularizado, servindo a vários propósitos administrativos e governamentais, tendo o seu templo sido reconsagrado como luterano em 1851. Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu de abrigo antiaéreo para a população civil até 25 de fevereiro de 1945, quando um bombardeio britânico destruiu o mosteiro e matou 267 pessoas que ali estavam refugiadas, embaixo da biblioteca. A reconstrução começou em 1946 e foi completada em 1957, e um seminário ocupou o local de 1960 a 1993, quando foi adaptado para se tornar um centro de conferências da Igreja Luterana, destinação que mantém até hoje, mesmo com uma área reservada a sete irmãs de uma ordem religiosa luterana que segue a Regra de São Bento.

A visita a este mosteiro histórico - e decisivo na formação do padre e teólogo que levou a Reforma Protestante adiante - está sendo vista, portanto, como uma "homenagem" do papa a Lutero. Entretanto, autoridades católicas alemãs - ouvidas pela Reuters - advertem que esta "honraria" é o máximo que os luteranos podem esperar do papa ao seu compatriota teólogo, já que, ao que tudo indica, nenhuma iniciativa será tomada para acrescentar uma tábua que seja à estreita e frágil ponte suspensa sobre o abismo das diferências doutrinárias entre católicos e os protestantes tradicionais ou reformados. Hans Langendoerfer, secretário da Conferência de Bispos da Alemanha, disse recentemente à revista Focus que "as esperanças a respeito dessa visita estão à beira da loucura. Estão dizendo que o papa Bento poderia conceder um novo status aos protestantes ou simplesmente mudar todas as regras sobre a comunhão. Isto não funciona assim". Joachim Wanke, bispo católico de Erfurt, diz que será um encontro para fortalecer os laços entre as denominações, mas não deve se esperar nada mais, como uma eucaristia conjunta, algo que já ocorre entre católicos e ortodoxos, por exemplo. Será no mínimo curioso, entretanto, ver a reação do papa ao ser recebido pela bispa luterana de Erfurt, Ilse Junkermann, encarregada de fazer as honras do mosteiro ao ilustre visitante.

Mas nem tudo são nuvens negras no horizonte, diz Hans Langendoerfer, que adiantou que Bento XVI homenageará Lutero pela sua contribuição ao cristianismo, como a ênfase na Bíblia e a promoção da piedade popular. Acrescenta que "em Erfurt, Bento XVI tem como objetivo passar longe da ideia de que os protestantes são os primeiros de todos os dissidentes. Esta visão mais abrangente da história cristã poderia render frutos no momento em que nos aproximamos do 5º centenário da Reforma, a ser comemorado em 2017". De fato, católicos e luteranos vêm conversando há muito tempo, tendo chegado a um acordo sobre a justificação pela fé em 1999 e levantado as mútuas condenações expedidas durante a Reforma, e há esperança de que cheguem a termos mais próximos em 2017. Neste sentido, o teólogo luterano Reinhard Frieling já adianta que "o sonho da unidade de todos os cristãos pode ser realizado se os protestantes concederem ao papa o papel de líder honorário da cristandade".

Boas intenções, sem dúvida, mas todos nós sabemos que um certo lugar muito desagradável anda cheio delas. Por outro lado, nada impede que católicos e protestantes se respeitem, apesar de suas substanciais divergências doutrinárias. Convivência pacífica também é possibilidade e privilégio de quem pensa diferente.

Fontes adicionais:
- TrustLaw
- Sacred Destinations

Mesmo depois de massacre, cristãos continuam sendo perseguidos na Índia

A genocida política de "faxina religiosa" continua mandando na Índia, segundo noticia a agência católica Zenit:

Índia: cristãos com medo em Orissa

Dom Barwa: “Precisamos de mais esforços para a reconciliação”


NOVA DELHI, sexta-feira, 26 de agosto de 2011 (ZENIT.org) – Três anos depois da morte de mais de cem cristãos por causa da violência de hindus fundamentalistas no estado de Orissa, Índia, os fiéis continuam sofrendo perseguição. As autoridades não permitem reconstruir as igrejas nem construir novas nas “colônias” cristãs nascidas após o massacre.

Nesta quarta-feira, aniversário desses pogroms, os cristãos de Orissa não se atreveram a celebrar grandes reuniões para recordar as vítimas e alçar a voz contra as injustiças que ainda sofrem.

“Tínhamos medo das represálias dos fundamentalistas hindus, que estavam concentrados para celebrar o aniversário da morte do vidente Laxmananda Saraswati”, explicou a presidente do grupo de mulheres da arquidiocese de Cuttack-Bhubaneswar, Shibani Sing, à agência Ucanews.

“É uma pena que não estejamos organizados; não pudemos recordar os nossos mortos nem homenageá-los”, declarou o coordenador da associação de sobreviventes, Bipra Charan Nayak. O advogado católico Paul Pradhan também afirmou: “Nossas vozes são fracas por falta de solidariedade”.

O arcebispo de Cuttack-Bhubaneswar, Dom John Barwa, explicou que as coisas estão voltando à normalidade nas cidades, mas nas áreas remotas continuam os incidentes violentos.

Ataques

No sábado passado, 21 de agosto, foi atacada a igreja católica de Santa Maria, em Pune, na Índia ocidental. Os vândalos queimaram parcialmente o tabernáculo, picharam imagens religiosas e jogaram pelo chão bíblias e outros livros religiosos.

No estado indiano de Karnataka, pelo segundo domingo consecutivo, a celebração religiosa foi interrompida e o pastor foi agredido e preso pela falsa acusação de forçar conversões.

Vinte ativistas radicais hindus atacaram o pastor Sangappa Hosamani Shadrak, de 28 anos, enquanto celebrava na localidade de Rohi em casa de um fiel.

Os extremistas atacaram a comunidade, profanaram o pão e o vinho que estavam sendo usados na celebração e agrediram o pastor, que perdeu um dente e ficou gravemente machucado no rosto. Os agressores ainda o levaram para outra localidade, Latte, e o amarraram a uma árvore.

Mais tarde, os extremistas chamaram a polícia, que prendeu o pastor e alguns fiéis. As tentativas do GCIC de libertá-lo foram em vão. Shadrak foi levado ao presídio de Jamkotai, sob acusações não especificadas.

Proibido construir igrejas

Em Kandhamal, o governo local enviou carta ao pároco da igreja católica de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa em Mondasoro exigindo a paralisação imediata dos trabalhos de reconstrução de uma capela na localidade de Padunbadi, alegando que o terreno é propriedade do estado.

Há dias, o governo impediu a construção de outra igreja católica em Nadagiri, onde muitas famílias cristãs foram realocadas depois de ter suas casas ocupadas por extremistas hindus. Outros grupos radicais continuaram criando problemas, ao bloquear a chegada de material de construção para as casas e igrejas cristãs.

O Global Council of Indian Christians (GCIC) enviou uma carta aberta ao Primeiro Ministro, Shree Naveen Patnakiji, pedindo a revogação dessas ordenanças contrarias à Constituição indiana e à liberdade religiosa, segundo a AsiaNews.

O presidente do GCIC, Sajan K. George, pôs em dúvida a existência de liberdade religiosa em estados como Karnataka, Orissa e Gujarat. “É uma mancha sobre a Índia laica”, declaró.

O GCIC está muito preocupado com a nova campanha do Vishwa Hindu Parishad (VHP), grupo extremista e militante hinduísta que se mostrou contrário a um projeto de lei para combater a violência inter-religiosa.

A entidade considera que a ameaça do extremismo político contra os cristãos é um problema que não afeta só Orissa, mas a Índia toda.

“Muito mais a ser feito”

O arcebispo de Cuttack-Bhubaneswar destacou que “devemos trabalhar pela paz mantendo o nosso direito de estar aqui”, especialmente no distrito de Kandhamal, o mais afetado, onde, há três anos, 300 povoados foram atacados, com saldo de mais de 70 mortos.

Ao menos 25.000 pessoas fugiram da violência quando, em 23 de agosto de 2008, foi assassinado o ativista político Swami Laxmanananda Saraswati.

Entre agosto e setembro daquele ano, mais de 170 igrejas e capelas foram atacadas no Natal de 2007 em Kandhamal, obrigando 3.000 pessoas a abandonar seus lares.

“Nos últimos três anos, houve passos no caminho da reconstrução e do diálogo”, explicou o arcebispo à associação internacional Ajuda à Igreja Necessitada, “mas há pessoas que ainda têm medo; houve progressos na paz e na justiça, mas ainda muito mais tem que ser feito”.

“Foi feita justiça depois do que houve em Kandhamal, mas estamos um pouco desanimados”, reconheceu. “Os funcionários de departamentos mais baixos nos criam problemas, mas os de níveis superiores estão fazendo o seu melhor esforço”, disse, embora as “palavras bonitas sobre a necessidade de justiça nem sempre se traduzem em atos”.

A maior parte das pessoas desalojadas entre 2007 e 2008 voltou para Kandhamal, graças à construção de mais de 3.700 casas, que devem chegar a 4.000 no final do ano.

O arcebispo agradeceu a Ajuda à Igreja Necessitada. “A maior parte das paróquias de Kandhamal foi reconstruída, mas faltam muitas igrejinhas e capelas do interior”.

A entidade também proporcionou 30.000 euros para a assistência psicológica às vítimas das atrocidades cujo triste aniversário foi ontem.


Por um triz

Tem gente que gosta de viver perigosamente, como este rapaz australiano que resolveu atravessar a ferrovia para chegar à plataforma no exato momento em que um trem passava pela estação de Mawson Lakes. O Departamento de Transportes da Austrália decidiu divulgar o vídeo como parte da sua campanha de segurança nas ferrovias, a National Rail Safety Week. São impressionantes a loucura, a sorte e as imagens que o garoto mostrou ao mundo:

domingo, 28 de agosto de 2011

Cristologia moderna e teologia ateia

Se tem uma coisa da qual o filósofo Luiz Felipe Pondé não foge é polêmica. Assim foi no artigo "Qualquer golfinho consegue ser ateu" e na pendenga com as feministas pelo artigo "Restos à janela", apenas para citar dois exemplos. É no mínimo curioso (pra não dizer surpreendente) que venha dele um texto, publicado hoje na sua coluna da Folha de S. Paulo, sobre as tendências conflitantes da cristologia moderna, em que ele fala sobre o perigo de se tirar de Jesus a condição divina e deixá-lo apenas humano, o que seria muito parecido com uma "teologia ateia". Como o tema é muito vasto e demandaria discussões inesgotáveis, perdoa-se uma ou outra falha ou omissão aqui e ali, mas não deixa de ser um artigo muito interessante de se ler. Deus crucificado continua sendo um escândalo para os "sábios". A matéria pode servir, ainda, como um roteiro sobre como debater Jesus com a alta intelectualidade. Apesar da arrogância e auto-suficiência que a caracteriza, o texto de Pondé é uma evidência de que os intelectuais - cada um à sua maneira - também são pessoas carentes de Deus e existe espaço e momento para evangelizá-los. Confira:

Jesus do alto, Jesus de baixo

LUIZ FELIPE PONDÉ
COLUNISTA DA FOLHA


Afinal, quem foi Jesus? A pergunta é um clichê, mas movimenta rios de dinheiro e ideias. A figura do jovem herege judeu morto pelos romanos é peça-chave de nossa cultura e de nosso imaginário.

Qualquer iniciante sabe que heróis como esses são em parte uma "construção" histórica, no sentido de que muita gente e muita coisa se unem pra constituir a face (se é que existe "uma" face neste caso) do personagem. No caso deste judeu herege, o caso é mais sério porque muita gente crê que ele seja também Deus, além de homem.

O problema central acerca de Jesus é justamente sua "pessoa divina" e não apenas sua "pessoa histórica". Muito já foi escrito sobre isso. A partir do século 19, porém, o material se tornou mais "científico", no sentido de se buscar, afinal de contas, quem teria sido o Jesus histórico.

HEREGE JUDEU

Antes de tudo, por que eu me refiro a ele como um herege judeu? Porque o cristianismo nasceu uma heresia judaica e seu líder, ainda que nunca tenha dito (não há fonte documental que prove isso) que ele fosse o messias (salvador esperado pelos judeus até hoje), é um herege, visto como tal pela aristocracia religiosa judaica de sua época, por ter "criado" uma seita com seus seguidores.

Mais tarde, os seguidores diretos de Jesus passaram a pregar seu messianismo para comunidades judaicas "assimiladas" aos modos romanos ou gregos de viver (e que viviam em colônias romanas). A partir daí, a pequena heresia judaica se transformou no cristianismo que conhecemos.

O encontro com a erudita cultura greco-romana pagã deu à jovem heresia judaica sua cor filosófica e teológica, pela assimilação da filosofia de então --platonismo e estoicismo, basicamente. Em meio às discussões acerca da doutrina em nascimento, uma das questões centrais era saber quem era Jesus, no sentido teológico.

Muitos o consideravam "apenas" mais um profeta israelita, com vocação para falar aos pobres e oprimidos pela casta do templo judaico e pela ocupação romana. A fala de Jesus, ainda que não beligerante, tem a marca do profetismo hebraico do Velho Testamento (para os judeus "bíblia hebraica").

PROFETAS

E o que vem a ser esse profetismo? Basicamente uma crítica social, política e moral. Os profetas de Israel criticavam os "poderosos" por seus abusos e o povo por seu "relaxamento" moral. E a todos por viverem uma religião vazia e puramente (nos termos do rabino e filósofo judeu do século 20, Avraham Joshua Heschel) "behaviorista".

Dito de outra forma, uma prática religiosa sem coração ou conteúdo, apenas "exterior". Essa controvérsia será conhecida na tradição do cristianismo primitivo paulino como a oposição entre a lei e a intenção do coração no cumprimento da lei. Portanto, o cristianismo nasce sim com uma vocação de crítica do poder e dos costumes estabelecidos.

Outros afirmavam que Jesus era "apenas" um espírito, e seu corpo teria sido, em termos atuais, mero "holograma". Jesus não tinha, portanto, propriamente um corpo de carne e osso.
A vitória final (se é que se pode falar em vitória final nesse assunto) foi daqueles que defendiam que Jesus era homem e Deus ao mesmo tempo, tendo, portanto, duas substâncias, a humana e a divina, sem confusão entre elas.

RATZINGER

Um temor presente (ainda que de certa forma velado) nos estudos da cristologia levados a cabo por Joseph Ratzinger (Bento 16) em seus dois livros sobre Jesus é o risco de "revisão histórica" dessa vitória da hipótese de que Jesus seja homem e Deus.

"Jesus of Nazareth" [trad. Adrian J. Walker, Doubleday, 372 págs., R$ 55,70], publicado no Vaticano em 2007, traz uma extensa introdução metodológica acerca dos riscos de uma revisão histórica da pessoa divina de Jesus por conta das "modas metodológicas" contemporâneas em estudos bíblicos.

Afora essa introdução, o livro se ocupa basicamente dos primeiros anos públicos de Jesus e de sua "autoapresentação" como salvador único, e representante do Deus dos judeus.

"Jesus de Nazaré - Da Entrada em Jerusalém até a Ressurreição" [trad. Bruno Bastos Lins, Planeta, 272 págs., R$ 29,90] de 2011, se ocupa dos últimos dias de sua vida no mundo, e é inferior em comparação ao primeiro volume de sua cristologia.

Portanto, a empreitada de Ratzinger, além de ser uma busca pessoal da pessoa de Jesus, deve ser vista, em suas próprias palavras, como um esforço de entrada no debate cristológico contemporâneo por parte de um dos teólogos católicos vivos mais consistentes.

CRÍTICA LIBERAL

Qual seria esse debate e qual seria o risco implícito nele (ou, às vezes, quase resvalando numa "moda metodológica"), pelo menos aos olhos do papa teólogo? O risco de revisão histórica seria fruto de um movimento, que em si nunca teve intenção de revisão da divindade de Cristo, conhecido como crítica bíblica liberal, identificada com o protestantismo liberal alemão do século 19.

A intenção do movimento, muito pautada pelo caldo cultural do iluminismo, com vocação clara para declarar todo conhecimento não científico como vago e sem valor, era fazer um estudo histórico e documental da Bíblia e, dentro dele, da pessoa de Jesus de Nazaré.

Não se pode dizer que tenha sido apenas "culpa" dos alemães protestantes, pois católicos como o francês Renan também estavam à caça do "Jesus histórico".

Ainda em 1914, o filósofo judeu alemão Franz Rosenzweig, em sua "Teologia Ateia" (sem tradução em português), chamava a atenção para o mesmo risco que alimenta, veladamente, a busca de Ratzinger.

Para Rosenzweig, o protestantismo liberal alemão poderia concluir que Jesus era apenas um grande homem, pois as intenções inconscientes da crítica bíblica de então davam mais atenção ao que Jesus teria de humano e atenuavam seus aspectos "irracionais", a saber, sua suposta divindade.

Nos termos que Ratzinger usa em seu segundo volume sobre Jesus (e concordando de certa forma com parte do que a crítica especializada diz de sua obra sobre Jesus), sua cristologia pode ser vista como uma cristologia "do alto" em oposição a uma cristologia "de baixo" (ainda que ele recuse ser apenas um teólogo "do alto").

A diferença entre ambas é que a primeira daria maior atenção ao fato que Jesus é, antes de tudo, Deus intervindo na história, e a segunda optaria pelo caráter humano e histórico (portanto, político e social) de Cristo.

RECONSTRUÇÃO

A tendência da crítica bíblica liberal ao buscar a pessoa do Jesus histórico seria deslizar suavemente para privilegiar o personagem que habitou a Palestina em detrimento do que foi "construído" em cima dele por teólogos posteriores --lembremos que nos textos evangélicos em nenhum momento Jesus se diz Deus.

Assim sendo, a divindade de Jesus poderia sair arranhada, na medida em que estaria "fora" da reconstrução histórica possível.

O argumento metodológico de Ratzinger é que nada há de grandioso a ser "reconstruído" historicamente acerca de Jesus (sua arqueologia seria menor do que sua teologia), e que por isso o resultado seria apenas a projeção sobre o personagem histórico de Jesus dos preconceitos ou preferências dos próprios pesquisadores.

Essas preferências seriam basicamente a de "modernizá-lo" a ponto de torná-lo mais palatável a um mundo que tende a diminuir a divindade de Jesus em favor de um Jesus líder político e não Deus. O que inclusive facilitaria o diálogo inter-religioso contemporâneo.

Para Ratzinger, o Jesus que importa é o que nos fala diretamente de sua fonte primeira, os evangelhos, e não o dos "historiadores".

Outro lançamento é "Jesus - Uma Biografia de Jesus para o Século 21" [trad. Alexandre Martins, Nova Fronteira, 208 págs., R$ 39], do historiador "generalista" Paul Johnson.

O livro também segue a tendência de uma "teologia do alto", sem grandes diálogos com a crítica histórica, mas acaba sendo demasiadamente vago e confessional. Em nada acrescenta ao debate do século 21 sobre Jesus.

O de Ratzinger é melhor.

Pastor americano transforma igreja em circo

Primeiramente, nada contra os circos, a não ser aqueles que usam e abusam de animais. Muito menos contra os palhaços, esses profissionais do riso que buscam, mesmo às custas da própria dor, fazer com que os outros se alegrem. Pelo menos todo mundo sabe qual é o propósito de um circo e a qual tipo de público ele se destina. O curioso, diferente, esquisito, é quando o pastor de uma enorme igreja de Nashville, capital da música country e do Estado do Tennessee, nos Estados Unidos, se propõe a fazer as vezes de domador de animais exóticos para, digamos, "ornamentar" seus sermões. Que hoje nós vivemos a era do entretenimento, do espetáculo, inclusive dentro das igrejas, isto já se tornou um lugar comum. Que muitos pastores agora preferem desempenhar o papel de cheerleaders ("animadores de torcida", apenas para manter o referencial norteamericano) em vez de comandarem um rebanho de almas perdidas e resgatadas por Jesus com base única e exclusiva na Palavra de Deus, isto - lamentavelmente - também já se tornou corriqueiro. Agora, não precisa exagerar, né...

Este parece ser o caso do pastor Maury Davis, da Cornerstone Church, na área de Madison, em Nashville. Dizendo-se inspirado em suas viagens ditas "missionárias" ao exuberante paraíso natural africano de Serengeti, região compreendida entre o Quênia e a Tanzânia e onde se realizam as maiores migrações animais de que o mundo tem notícia, o Pr. Davis trata de, digamos, "ilustrar" seus sermões com animais exóticos, como macacos, girafas, papagaios, etc., como se pode ver no vídeo abaixo (ou na página) da WKRN-TV de Nashville, entrevista em que o Ace Ventura gospel diz que já está preparando a presença de leão, elefante e gorila no picadeiro púlpito, isto a partir do próximo mês de outubro. Perguntado sobre o risco de que alguma dessas apresentações circenses dê zebra, o Dr. Dolittle do Tennessee alega que toma todas as precauções e que a única vez em que alguém se feriu na igreja foi durante um rodeio (!!!?) realizado DENTRO do templo, em que alguns peões se machucaram sem gravidade. Ainda dentro do gênero entretenimento, Pr. Davis gosta de correr riscos soltando fogos de artifício também DENTRO do templo. E nós reclamando aqui no Brasil sobre as restrições que os bombeiros impõem às construções...

Sobre as lições que os animais ensinam, o pastor diz que aprendeu com o leão que mesmo o rei dos animais tem que trabalhar duro para sobreviver. Cá entre nós, pastor, o leão até que trabalha duro eventualmente pra lutar contra outros machos que ameaçam seu território e proteger o seu harém de leoas e a sua prole, mas o trabalho duro de caçar comida mesmo são as coitadinhas que fazem, enquanto o bichão passa a maior parte do tempo dormindo, e ainda é ele que dá as primeiras dentadas no abate. E já que tem muita gente que vai à igreja em busca de pão e circo, talvez fosse interessante relembrar o tempo em que leões e cristãos compartilhando a mesma arena era sinal de outro tipo de espetáculo; sangrento, é verdade, mas muito mais espiritual...

A dúvida agora é: quanto tempo levará pra essa moda chegar no Brasil? (como assim? já chegou faz tempo...)


sábado, 27 de agosto de 2011

Historiador israelense critica identificação de Israel com religião


Os conflitos do Oriente Médio têm sido uma tônica desde o fim da Segunda Guerra Mundial e a criação do Estado de Israel em 1948. De certa forma, continuam definindo os grandes embates que envolvem países que se dizem cristãos, judeus ou muçulmanos (de forma oficial ou não), tendo como força propulsora exatamente isto: a religião. Um ramo do cristianismo conhecido como dispensacionalismo, originário dos Estados Unidos no século XIX, tem na existência do Estado de Israel o motor do seu discurso escatológico, já que preveem a batalha do Armagedom com base no intricado jogo de rivalidades políticas, religiosas e históricas que têm como epicentro o território em que hoje está Israel e a Palestina. O estabelecimento do Estado de Israel seria, nesta visão, uma forma de "apressar" o Apocalipse. Por isso também, existe uma espécie de "alinhamento automático" de cristãos (sobretudo norteamericanos) com os propósitos políticos do Estado de Israel. Basta ver que, no Brasil, muitas igrejas que seguem práticas cada vez mais judaizantes do culto cristão, utilizam a bandeira de Israel como se ela, por si só, detivesse poderes místicos, sem nenhuma indagação racional sobre a veracidade e a conveniência deste ritual muito mais ideológico do que teológico. Diante deste barril de pólvora de múltiplos interesses desencontrados, sobra pouco ou nenhum espaço para perseguir aquilo que deveria ser realmente buscado com todas as forças: a paz em Jerusalém. É no mínimo curioso, portanto, que venha de um historiador israelense uma crítica contundente a essa visão belicista e apocalíptica, conforme noticia a Folha de S. Paulo:

Historiador israelense defende que povo judeu é invenção do sionismo

FABIO VICTOR
DE SÃO PAULO


Na carteira de identidade do historiador israelense Shlomo Sand, no lugar reservado à nacionalidade está escrito que ele é judeu.

Sand, 64, solicitou ao governo que seja identificado de outro modo, como israelense, porque acredita que não existe nem um povo nem uma nação judeus.

Seus motivos estão expostos em "A Invenção do Povo Judeu". Best-seller em Israel, traduzido para 21 idiomas e incensado pelo historiador Eric Hobsbawm, o livro chega agora ao Brasil (Benvirá).

O autor defende que não há uma origem única entre os judeus espalhados pelo mundo. A versão de que um povo hebreu foi expulso da Palestina há 2.000 anos e que os judeus de hoje são seus descendentes é, segundo Sand, um mito criado por historiadores no século 19 e desde então difundido pelo sionismo.

"Por que o sionismo define o judaísmo como um povo, uma nação, e não como uma religião? Acho que insistem em ser um povo para terem o direito sobre a terra. Povos têm direitos sobre terra, religiões não", diz à Folha, por telefone, de Paris.

"Na Idade Média a palavra povo se aplicava a religiões: o povo cristão, o povo de Deus. Hoje, aplicamos o termo a grupos humanos que têm uma cultura secular -língua, comida, música etc. Dizemos povo brasileiro, povo argentino, mas não povo cristão, povo muçulmano. Por que, então, povo judeu?"

Valendo-se de fontes e documentos históricos, a tese de Sand, ele mesmo admite no livro, não é em si nova (cita predecessores como Boaz Evron e Uri Ram). "Sintetizei, combinei evidências e testamentos que outros não fizeram, pus de outro modo."

Ele compara: até meados do século 20, "a maioria dos franceses achava que era descendente direto dos gauleses, os alemães dos teutões e os italianos, do império de Júlio César". "São todos mitos", afirma, "que ajudaram a criar nações no século 19".

Neste século 21, sustenta, não há mais lugar para isso.

"Não só o Brasil é uma grande mistura. A França, a Itália, a Inglaterra são. Somos todos misturados. Infelizmente há muitos judeus que se acham descendentes dos hebreus. Não me sinto assim. Gosto de ser uma mistura."

Filho de judeus, nascido num campo de refugiados na Áustria, o autor lutou do lado israelense contra os árabes na Guerra dos Seis Dias, em 67, quando o país ocupou Cisjordânia e faixa de Gaza.

Em seguida virou militante de extrema esquerda e passou a defender um Estado palestino junto ao de Israel.

Professor na Universidade de Tel Aviv e na França, onde passa parte do ano, o historiador avalia que as hostilidades entre israelenses e palestinos, reavivadas nas últimas semanas, continuarão por tempo indeterminado.

"Enquanto o Estado palestino não for reconhecido nas fronteiras de 67, acho que a violência não vai parar."

A INVENÇÃO DO POVO JUDEU
AUTOR Shlomo Sand
EDITORA Benvirá
TRADUÇÃO Eveline Bouteiller
QUANTO R$ 54,90 (576 págs.)

Escritor tenta seguir Bíblia à risca por 1 ano


Que tem louco pra tudo no mundo, isso já é público e notório para todos. Já está nas livrarias brasileiras o livro "Um Ano Bíblico", de A. J. Jacobs, jornalista norteamericano que relata a sua experiência de tentar viver por um ano inteiro - literalmente - os mandamentos bíblicos, tirados em sua maioria (ao que parece) dos preceitos morais, alimentares e cerimoniais do Velho Testamento. 

O chamariz do livro é, obviamente, aquilo que a sociedade entende por "mandamentos bíblicos" de maneira rasa, sem uma interpretação e - sobretudo - contextualização que justifique o embasamento religioso para a empreitada. 

Serve, portanto, muito mais para o anedotário mundano sobre os princípios morais e cerimoniais do Velho Testamento, muito embora o escritor diga que tenha "evoluído" e se tornado uma "pessoa melhor" depois da experiência. 

Lançado em 2006 nos Estados Unidos, o livro finalmente tem sua versão em português para aqueles que se aventurarem a lê-lo. A matéria foi publicada na Folha de S. Paulo de hoje:


Foi difícil seguir a Bíblia, relata jornalista

ROBERTO KAZ
DE SÃO PAULO

No dia 7 de julho de 2005, o jornalista norte-americano A.J. Jacobs --um agnóstico-- resolveu seguir a Bíblia com o máximo rigor, empreitada que se estenderia por um ano.

De pronto, percebeu que "Não cobiçarás", o décimo dos mandamentos, era quase impraticável em uma cidade consumista como Nova York, onde mora.

Às 14h daquele dia, anotou que já havia cobiçado "o valor que o escritor Jonathan Safran Froer recebe para falar em público; o Palm Top Treo 700; a paz espiritual do cara da loja de Bíblias; a fama de George Clooney".

Perplexo, Jacobs lembrou que o versículo ainda mandava não cobiçar "a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo".

Concluiu que "o boi e o jumento não eram um problema para a Manhattan pós-agrária de Nova York".

Todo o resto era.

Essas e outras impressões estão relatadas em "Um Ano Bíblico", obra recém-traduzida pela Agir, em que Jacobs, 43, relata a experiência de ter vivido 365 dias de acordo com os preceitos do livro sagrado.

As restrições incluíam não fazer a barba, não blasfemar e não encostar em nenhuma mulher menstruada.

No tocante aos deveres, precisou apedrejar um adúltero (usou pedrinhas pequenas) e pastorear uma ovelha (alugou de um escritório que fornece animais para ensaios fotográficos).

Ao final, disse ter evoluído. "Aprendi que, se você finge ser uma pessoa melhor, acaba, de fato, se tornando uma pessoa melhor", contou à Folha, por telefone.

Jacobs já estava habituado a viver de forma obsessiva. Três anos antes, publicara o livro "The Know-it-All" (o sabe-tudo), em que lera, de cabo a rabo, os 32 volumes da "Enciclopédia Britânica".

Não se habituara, no entanto, a seguir tamanho número de regras (listou cerca de 700 obrigações). "O cuidado com a pureza feminina foi o mais complicado", contou. "A Bíblia diz que você não pode se sentar em um lugar ocupado recentemente por uma mulher menstruada."

Logo, durante uma semana por mês, ele se recusava a dividir o assento com sua mulher, Julie. "Ela ficou tão irritada que passou a se sentar em todas as cadeiras de casa, para se vingar. Eu era obrigado a ficar no chão", lembra.

Para evitar a cobiça, pediu a Julie que recortasse os anúncios dos jornais. "Mas se você tira o anúncio, não sobra nada. Nova York foi feita para cobiçar", concluiu.

Editor da "Esquire", prestigiosa revista mensal americana, Jacobs também enfrentou problemas no trabalho. Habituado a escrever sobre celebridades, viu-se obrigado a entrevistar Rosario Dawson, atriz estonteante que atuou no filme "Sin City".

O texto, publicado em abril de 2006, começava assim: "Senhor, perdoe-me pela noite com Rosario Dawson. Perdoe-me pela conversa sobre camisinhas estouradas. Perdoe-me por cometer adultério no coração".

Por telefone, ele resumiu: "Foi horrível, muito tentador, e ela tinha uma boca muito suja".

Passada a publicação do livro nos Estados Unidos, Jacobs voltou a fazer a barba ("para que minha mulher não pedisse o divórcio"), mas diz ter mantido certos hábitos tirados da Bíblia. Procura não mentir, respeita o dia do descanso e tenta ser grato às boas coisas que lhe acontecem no dia a dia.

"Um Ano Bíblico" foi vertido para 15 línguas. Indagado se ansiava por mais traduções, o autor respondeu: "Sim, mas não podia querer tanto, para evitar a cobiça".

Enfatizou ter doado 10% do lucro obtido com a primeira edição a uma instituição de caridade.

Das seguintes, só 7%. "Dez era demais", concluiu.

UM ANO BÍBLICO
AUTOR A.J. Jacobs
TRADUÇÃO Edmundo Pedreira Barreiros
EDITORA Agir
QUANTO R$ 49,90 (400 págs.)

Evangélica que se dizia virgem casa grávida e tem casamento anulado

É verdade, você tem razão, é difícil dar um título a este fato com poucas palavras, fica mesmo meio confuso, mas você vai entender. Primeiro, o fato não aconteceu muito tempo atrás em um país distante com costumes religiosos esquisitos. Aconteceu recentemente em Goiânia (GO) mesmo. É que a noiva evangélica passou todo o namoro e noivado dizendo que queria se casar virgem, teve sua vontade respeitada pelo noivo (que não sabemos se era virgem ou não, não fica claro no texto da notícia), só que em plena lua-de-mel - pimba! - ela se revelou grávida. "Cuma"???!!! Isso sim é que é lua-de-fel, não é mesmo?

O passo seguinte foi a anulação do casamento, pedida pelo agora ex-marido e deferida pela juíza da causa, segundo noticia o Consultor Jurídico:

Marido virgem anula casamento com a mulher grávida

A juíza Sirlei Martins da Costa, da 2ª Vara de Família e Sucessões de Goiânia, julgou procedente o pedido de anulação de casamento realizado por um rapaz recém-casado. O autor da ação alega que, embora não mantivesse relações sexuais com a então noiva, descobriu, durante a lua-de-mel, que a esposa estava grávida.

Citada na ação, a esposa contestou a alegação do marido. Durante a audiência, porém, reconheceu os fatos, dizendo que, durante o namoro, era seguidora de uma igreja evangélica. Disse que, com base em sua crença religiosa, convenceu o noivo de que não podia manter relações com ele antes do casamento. Ainda de acordo com a mulher, ela casou-se grávida, mas só descobriu a gravidez durante a lua-de-mel, e assumiu que o marido não podia ser o pai.

Para a juíza, o depoimento pessoal da mulher é prova da existência de um dos requisitos para a anulação do casamento. A juíza determinou a expedição de documentos necessários para que o cartório anule o casamento e condenou a mulherao pagamento das custas e despesas processuais, além dos honorários advocatícios. Com informações da Assessoria de Imprensa do TJ-GO.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Cristo Redentor usado em propaganda de site que promove adultério


A Arquidiocese do Rio de Janeiro agora deve estar achando que o problema que teve com Loco Abreu tentando dar um chapéu no Cristo Redentor é até fichinha perto do uso da imagem do monumento num site de relacionamentos extraconjugais, conforme noticia o Estadão:

Site de relacionamentos extraconjugais faz propaganda usando o Cristo

Outdoor tem imagem do Cristo ao lado dos dizeres: 'Tenha um caso agora! Arrependa-se depois'

Clarissa Thomé

RIO - O outdoor de um site de relacionamentos, especializado em relações extraconjugais, está provocando polêmica na cidade. A propaganda tem a imagem do Cristo Redentor ao lado dos dizeres: "Tenha um caso agora! Arrependa-se depois". A Arquidiocese encaminhou o assunto para o departamento jurídico e estuda as medidas que tomará.

"A Arquidiocese repudia com veemência essa propaganda com uso do Cristo, cujo direito de imagem pertence à Cúria. Ainda mais num anúncio que prega o adultério", afirmou o porta-voz da Arquidiocese, Adionel Carlos da Cunha.

Padre Omar Raposo, pároco do Santuário Cristo Redentor, disse que a propaganda provocou "indignação". "Ficamos todos perplexos. A Igreja defende uma proposta de valorização da família, do equilíbrio. E esse site aposta no contrário, na relativização da família", afirmou.

A propaganda é do site Ohhtel, que promete ser "o melhor lugar no Brasil para ter um caso discreto". A rede social chegou ao País em julho e já tem 210 mil inscritos. "Acreditávamos que o público do Rio seria menos conservador, mas o que ocorreu é que São Paulo tem maior número de inscritos. Apostamos na publicidade no Rio para triplicar o número de perfis na cidade", afirma a vice-presidente do site no Brasil, Laís Ranna.

A escolha do Cristo, explica ela, teve a intenção de "provocar as pessoas". Apesar da reação da Cúria, a empresa não pretende retirar a propaganda, na Barra da Tijuca, zona oeste. "Nós compramos o direito de usar aquela imagem", afirmou.

De acordo com Laís, o site tem enfrentado problemas com publicidade, por ser um "serviço polêmico". "Queremos patrocinar um time de futebol, mas temos encontrado dificuldades", afirmou.

Nosso céu tem até planeta de diamante

O céu que nos protege está cada dia mais brilhante, até um planeta maciço de diamante já encontraram, e nem está tão longe assim, só a 4.000 anos-luz de distância. "Bora" lá garimpar? A notícia é do Terra:

Astrônomos descobrem planeta de diamante

Astrônomos avistaram um planeta exótico que parece ser feito de diamante e que orbita uma pequena estrela no nosso quintal galáctico. O novo planeta é muito mais denso do que qualquer outra conhecido até agora e é composto basicamente de carbono. Porque é tão denso, os cientistas calculam que o carbono deve ser cristalino, assim, uma grande parte deste estranho mundo pode ser efetivamente diamante. As informações são da agência Reuters.

"A história evolutiva e a incrível densidade do planeta sugerem que ele é composto de carbono - ou seja, é um diamante enorme que orbita uma estrela de neutrons a cada duas horas, em uma órbita tão estreita que caberia dentro de nosso próprio Sol", disse Matthew Bailes da Universidade de Tecnologia Swinburne, em Melbourne.

A 4 mil anos-luz de distância - ou cerca de um oitavo do caminho em direção ao centro da Via Láctea a partir da Terra - o planeta é provavelmente o remanescente de uma estrela massiva, uma vez que perdeu suas camadas exteriores para os pulsares - pequenas estrelas de neutrons mortas, que giram centenas de vezes por segundo, emitindo feixes de radiação.

No caso do pulsar J1719-1438, os raios que regularmente varrem a Terra e foram monitorados por telescópios na Austrália, Grã-Bretanha e no Havaí, permitindo aos astrônomos detectar modulações devido à atração gravitacional de seu planeta companheiro invisível. As medições sugerem que o planeta, que orbita sua estrela a cada duas horas e 10 minutos, tem massa ligeiramente maior do que Júpiter, mas é 20 vezes mais denso, conforme Bailes e seus colegas relataram na revista Science nesta quinta-feira.

Além de carbono, é provável também que o novo planeta tenha oxigênio - com mais predomínio na superfície e cada vez mais raro em direção ao centro rico em carbono. Sua alta densidade sugere que elementos mais leves, como hidrogênio e hélio, que são os principais constituintes dos gigantes gasosos como Júpiter, não estão presentes.

A banalização da fé

Ainda existem 7.000 joelhos que não se dobraram a Baal no Brasil (1º Reis 19:18). A seguir, o clipe oficial da música "Mercadores da Fé" do ministério de rap gospel D'CRISTO:


dica do exemplo bereano

Há um rio muito maior embaixo do Amazonas

Se nós, brasileiros, já nos sentíamos abençoados por ter um tesouro ecológico como a bacia do rio Amazonas, vamos ter que refazer as contas se se confirmar a descoberta de que existe um rio muito maior embaixo do Amazonas. O tesouro hídrico subterrâneo parece ser incalculável. Bem que podíamos descobrir um tesouro de ética e honestidade nos seres humanos (principalmente políticos) aqui em cima, não é mesmo? A informação vem site Amazônia (com vídeos da Globo News e da Record abaixo):

Pesquisadora da Ufam identifica rio subterrâneo debaixo de rio Amazonas

Rio batizado de Hamza tem aproximadamente quatro mil metros de profundidade

Trabalho desenvolvido pela pesquisadora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Elizabeth Tavares, apontou indícios de um rio subterrâneo debaixo do rio Amazonas de até quatro mil metros de profundidade.

O rio foi batizado de Hamza, em homenagem ao orientador de Elizabeth, o indiano Valiya Hamza, da Coordenação de Geofísica do Observatório Nacional.

A área de estudo abrange as bacias sedimentares de Acre, Solimões, Amazonas, Marajó e Barreirinhas. O trabalho de Elizabeth foi baseado em dados de temperaturas de 241 poços profundos perfurados pela Petrobras, nas décadas de 1970 e 1980, na região Amazônica.

O trabalho foi apresentado durante o 12º Congresso Internacional da Sociedade Brasiliera de Geofísica, no Rio de Janeiro, na semana passada e foi divulgado nesta semana pelo Observatório Nacional, órgão vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia.

Segundo o estudo divulgado pelo Observatório Nacional, a metodologia utilizada baseia-se na identificação de sinais térmicos típicos de movimentos de fluidos em meios porosos.

Conforme os resultados das simulações computacionais, apresentadas pela doutoranda Elizabeth Pimentel, o fluxo de águas subterrâneas é, predominantemente, vertical até cerca de 2 mil metros de profundidade, mas muda de direção e torna-se quase horizontal em profundidades maiores.

O sentido deste fluxo lateral é de oeste para leste, iniciando na região de Acre, passando pelas bacias de Solimões, Amazonas e Marajó e alcançando as profundezas do mar, nas adjacências de Foz de Amazonas.

Segundo Hamza, essas características são semelhantes a de um rio subterrâneo debaixo de rio Amazonas. De acordo com essa interpretação, a região Amazônica possui dois sistemas de descargas de fluidos: a drenagem fluvial na superfície que constitui o Rio Amazonas e o fluxo oculto das águas subterrâneas através das camadas sedimentares profundas.

Vazão

Conforme o estudo, ambos os rios têm o mesmo sentido de fluxo, de oeste para leste. Contudo, existem diferenças marcantes na vazão, nas larguras das áreas de drenagem e nas suas velocidades de escoamentos.

A vazão média do Rio Amazonas é estimada em cerca de 133 mil metros cúbicos, enquanto a vazão do fluxo subterrâneo (Rio Hamza) é estimada em 3090 metros cúbicos.

Esse valor é pequena em relação à vazão do Rio Amazonas, mas é indicativo de um sistema hidráulico subterrâneo, gigantesco, na face terrestre.

Conforme o estudo, para se ter uma idéia da importância deste sistema, basta notar que a vazão subterrânea na região Amazônica é superior à vazão média do Rio São Francisco.

A largura do Rio Amazonas varia de 1 a 100 quilômetros, na área de estudo, enquanto a do fluxo subterrâneo (rio Hamza) varia de duzentos a quatrocentos quilômetros.

Segundo Hamza, as águas provenientes do fluxo subterrâneo da região Amazônica, eventualmente, emergem nas partes profundas do mar, na região da margem continental adjacente à Foz do Rio Amazonas.

É provável que as descargas deste fluxo subterrâneo sejam as responsáveis pelos extensos bolsões, de baixa salinidade do mar, encontrados nas adjacências da Foz do Amazonas.






quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Anderson Silva ama o Burger King


Até que ficou legal a nova propaganda do Burger King, em que o astro brasileiro do MMA Anderson Silva ("The Spider" - "O Aranha") declara o seu amor a um hambúrguer da rede de lanchonetes, dublando o clássico "Lovin' You" na voz de Minnie Riperton. Não deixa de ser, também, uma sátira do slogan do principal concorrente, o McDonald's, "I'm loving it" (no Brasil, "Amo muito tudo isso"). Ponto para o corajoso lutador Anderson Silva, uma das grandes estrelas do próximo UFC Rio, que não se constrangeu ao auto-ironizar sua voz fina, que é motivo de chacota dos adversários, e mandou bem na dublagem. Confira, primeiro, a propaganda, e depois a versão original de Minnie Riperton:



Os limites da metodologia científica

Matéria interessante publicada pela agência católica Zenit:

Os limites do método científico

Curso de verão sobre o padre Jaki, físico falecido em 2009

MADRI, terça-feira, 23 de julho de 2011 (ZENIT.org) – A importância de reconhecer os limites do método científico, que impede a ciência experimental de tratar de realidades não quantificáveis, foi exposta como uma das principais contribuições do sacerdote e físico húngaro Stanley Jaki.

Especialistas abordaram o tema Ciência e Fé em Stanley Jaki, em curso de verão no Colégio Maior San Pablo CEU, neste julho, em Madri, cidade onde o padre faleceu há dois anos.

Os expoentes destacaram, como aspectos principais do pensamento de Jaki, os limites do método científico, a diferença entre ciência experimental e saber humanístico e a importância de distinguir ciência e fé sem opô-las.

Participaram, entre outros, Jacques Vauthier, matemático e professor de Filosofia da Ciência da Sorbonne; Manuel Maria Carreira, físico e filósofo da Universidade de Comillas, Espanha, e Paul Haffner, professor do Ateneu Regina Apostolorum, de Roma.

As instituições organizadoras do Congresso foram a Universidade CEU San Pablo e o Ateneu Regina Apostolorum.

Questão metodológica

Stanley Jaki se preocupou com os limites do método científico tentando continuamente separar o objeto da ciência e o objeto da religião. Em entrevista de 1991, ele citava Maxwell: “Uma das provas mais difíceis para uma mente científica é conhecer os limites do método científico”.

À pergunta sobre quais são esses limites, Jaki respondia: “Os limites da ciência (e ao falar de ciência me refiro aqui à física) são fixados pelo seu próprio método”.

“O método da física versa sobre os aspectos quantitativos das coisas em movimento. Só podemos aplicar legitimamente o método científico-experimental quando captamos aspectos quantitativos nas coisas. Mas quando nos surgem perguntas como ‘isso é belo?’, ou ‘existe isto?’, ou ‘esta ação é moralmente boa?’, estamos nos perguntando coisas que a ciência não pode responder”.

Segundo os expoentes do congresso, esta é uma ideia fundamental e “muito sadia”, e há unanimidade na epistemologia atual, não só entre os católicos.

Ciências e humanidades

Em razão dos limites do método científico, o cientista e sacerdote húngaro afirmou que a ciência experimental não é capaz de tratar de realidades que não são quantificáveis ou medíveis, e que pertencem ao saber humanístico.

Sobre a distinção entre saber humanístico e ciência experimental, Jaki afirmava: “Os estudos humanísticos e os científicos têm que ser feitos por separado. Não se deve tentar fundi-los, porque eles partem de premissas diferentes e empregam métodos diferentes”.

“Nos estudos humanísticos, por exemplo, quando estudamos Dante, não perguntamos quantas letras existem na obra dele. Mas é uma pergunta que no campo científico seria lógica”.

Jaki indicou que “devemos cultivar tanto os aspectos quantitativos das coisas quanto aqueles que não são mensuráveis”.

Contra o cientificismo

Os expoentes também destacaram que o padre Jaki denunciou o cientificismo como um enfoque da ciência que não reconhece os limites do seu próprio método.

Jaki afirmou que o grande crime deste século é dizer que o único verdadeiro conhecimento é aquele que pertence ao campo do mensurável quantitativamente.

Perguntado sobre as consequências mais relevantes, o padre húngaro respondia: “É um crime porque estas aplicações unilaterais do método quantitativo chegam a privar o ser humano da sua compreensão dos aspectos incomensuráveis da existência”.

Segundo Jaki, “a principal consequência é a relativização dos pontos de vista morais”.

“Em vez de agirmos numa perspectiva moral, segundo a qual uma ação é intrinsecamente boa ou intrinsecamente má, agora seguimos um modelo behaviorista”, explicava.

Para o cientista, “esta é a base do relativismo moderno, que se fundamenta na crença de que existem vários padrões de comportamento ou estilos de vida alternativos. E não se fazem mais perguntas a respeito”.

Complementaridade

O coordenador do curso, Leopoldo Prieto, afirma que “assistimos a uma nova onda de pressões de uma pretensa ciência biológica militante ateia”.

“Diante de um dogma clássico do cientificismo, que afirma que ciência e fé são incompatíveis, o padre Jaki reitera uma doutrina clássica da Igreja”, diz Prieto. “Ou seja, que existe uma distinção de métodos entre elas, mas nenhuma oposição, e sim perfeita complementaridade”.

Para o padre Jaki, ciência e fé são dois modos de aproximação, ambos racionais, com métodos diferentes.

Padre e cientista

Stanley Jaki nasceu em 1924 em Győr, Hungria. Sacerdote beneditino, foi professor de História e Filosofia da Ciência na Universidade Seton Hall de South Orange, Nova Jersey.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Terremoto de hoje foi na fronteira entre Peru e Brasil

Pelo jeito os terremotos começam a ficar diários. Depois do sismo de ontem na Costa Leste dos Estados Unidos (que atingiu Washington e Nova York sem grandes danos), com intensidade de 5,9 graus na escala Richter, hoje a região atingida foi a da fronteira entre Peru e Brasil, com avaliação preliminar de 6,8 graus, e que teve seu epicentro a cerca de 205 km a oeste de Cruzeiro do Sul, no Estado do Acre, e a 82 km ao norte do vilarejo peruano de Pucallpa (já em território peruano, portanto). O abalo se produziu a 145 km de profundidade, segundo informam o Estadão e a Reuters. O sismo ocorreu às 14:45 h e foi identificado pelo serviço geológico norteamericano, o USGS. Não há relatos de vítimas ou danos sérios ainda, mas provavelmente não afetará muita gente, já que se trata de uma região pouco habitada e sem infra-estrutura urbana, a não ser que Pucallpa, com cerca de 270 mil habitantes, tenha sido muito atingida, embora não haja notícias neste sentido ainda. Problema terá o rabino Levin, de Nova York, para justificar o terremoto de hoje, já que o de ontem, na sua cidade, ele disse que foi causado pela aprovação do casamento gay no Estado de Nova York (vídeo abaixo). A não ser que alguma tribo indígena do Amazonas tenha seguido o mesmo caminho recentemente, sem ninguém saber...

O placar do arrebatamento

Na falta do que fazer, já existe o placar do arrebatamento, em que - diariamente - notícias do mundo todo são cotejadas para que se chegue a uma espécie de "arrebatômetro", ou seja, vários indicadores são minuciosamente dissecados para saber se o momento do arrebatamento está próximo ou não, algo parecido com as expressões "tá quente" e "tá frio" nas ingênuas brincadeiras de esconde-esconde, só que neste caso aplicadas ao fim do mundo. Trata-se do site The Rapture Index (algo como "O Índice de Arrebatamento"), que - digamos - "mede" os seguintes fatores, atualizados até 22/08/11:


(clique na imagem para ampliá-la)

Assim, você percebe que eles monitoram os seguintes acontecimentos:

1) falsos cristos
2) ocultismo
3) satanismo
4) desemprego
5) inflação
6) taxas de juros
7) a economia
8) preços e estoques de petróleo
9) dívida e comércio
10) desconforto financeiro
11) liderança
12) abuso de drogas
13) apostasia
14) sobrenatural
15) padrões morais
16) anti-cristãos
17) índice de criminalidade
18) ecumenismo
19) globalismo
20) tribulação do Templo
21) anti-semitismo
22) Israel
23) Gogue (Rússia)
24) Pérsia (Irã)
25) os falsos profetas
26) nações com poderio nuclear
27) tumultos globais
28) proliferação de armas
29) liberalismo
30) processos de paz
31) reis do Oriente
32) marca da besta
33) governo da besta
34) o anticristo
35) marcação de datas para o fim do mundo
36) vulcanos
37) terremotos
38) clima maluco
39) direitos civis
40) fome
41) seca
42) pragas
43) clima
44) suprimento de comida
45) enchentes

Só por esta lista você percebe que eles acompanham uma série de eventos humanos, sociais, além de catástrofes, dando "pontos" a cada um deles conforme o número de notícias do dia, a fim de elaborar um quadro de quantos desses fatores estão sendo "contemplados" num determinado dia, razão pela qual eles próprios dizem que o dia em que o arrebatamento esteve mais próximo (o recorde positivo) foi o último dia 8 de agosto de 2011, com 184 pontos, e o dia em que o arrebatamento esteve mais distante (recorde negativo) foi 12 de dezembro de 1993, com 57 pontos.

É curioso perceber a importância que eles dão a fatores econômicos como inflação, taxa de juros e preço do petróleo, por exemplo, o que reflete muito da preocupação norteamericana com o business, tipicamente capitalista e consumista, e que hoje é parte integrante da pregação de tantas igrejas pelo mundo. A julgar pelo tal "desconforto financeiro" que aflige tantos fiéis da teologia da prosperidade, o arrebatamento já era pra ter acontecido, não é verdade? Daí a tentar entender o que é que tudo isso tem a ver com o arrebatamento, ou que tipo de algoritmo eles utilizam (provavelmente na base do chutômetro), sentimos muito, mas são dados por demais subjetivos e esta tarefa hercúlea não temos condições de compreender nem de explicar...

A mansão da macumba


Alguma coisa muito estranha anda acontecendo na elegante região compreendida entre Santo Amaro e o Campo Belo, um aglomerado de bairros de classe média alta em São Paulo. 

Ventos tenebrosos andam soprando por aqueles lados. 

Na Rua Miranda Guerra, a poucos metros da Rua Zacarias de Góis (onde fica a mansão que em 2002 foi cenário do crime do casal Von Richthofen a mando da própria filha Suzane), existe outra mansão que estava sendo destinada a macumbaria das pesadas. 

Confira a notícia publicada na Folha de S. Paulo no último dia 19 de agosto:

Casarão é lacrado após sacrifício de animais na zona sul de SP

AFONSO BENITES
DE SÃO PAULO


Nos últimos dois anos, uma mistura de sons cortava as madrugadas na rua Miranda Guerra, no Jardim Petrópolis, área nobre na zona sul de São Paulo. As cantorias e o batuque dos atabaques eram misturados ao balir de cabras, ao bodejar de bodes, ao roncar de porcos e ao cacarejar de galinhas.

A barulheira só acabava entre as 3h e as 4h, quando se encerravam os cultos de quimbanda (uma religião afro-brasileira) realizados em um casarão de 522 m², avaliado em R$ 2,5 milhões.

No local, dizem vizinhos e membros de associações de moradores, havia o sacrifício constante de animais. Até os lixeiros com quem a Folha conversou reclamaram dos restos mortais que tinham de recolher quase todos os dias.

"Era uma bagunça. Não temos nada contra a religião das pessoas que vivem lá, mas isso tem que ser feito em um lugar adequado, e não em uma área residencial", disse Olívia Costa, membro da associação de moradores. Conforme os vizinhos, entre 20 e 50 pessoas se reuniam em cada culto.

LOCAL ESPECÍFICO

Na última terça-feira, fiscais da subprefeitura lacraram o imóvel com blocos de concreto na entrada. "Identificamos que havia atividade religiosa em área estritamente residencial, o que é proibido", disse o supervisor interino da Subprefeitura de Santo Amaro, Rogério Alves.

Desde o ano passado, ao menos seis multas totalizando quase R$ 30 mil foram emitidas para o dono do imóvel, Chafic Rassul Neto. Nenhuma foi paga e um processo judicial foi aberto para cobrá-lo.

Policiais acompanharam os fiscais, mas, no dia da ação, não flagraram o sacrifício ou maus-tratos a animais. Doutora em sociologia e pesquisadora de religiões afro-brasileiras, Solange Vaini diz que o sacrifício de animais para fins religiosos, como na quimbanda, não é ilegal, mas só pode ser realizado em locais específicos.

"Se a coisa for feita de forma legalizada, não tem problema. Ainda há um certo preconceito com essas religiões. Por que quando o barulho é em uma igreja evangélica o rigor é diferente?"

OUTRO LADO

Procurado por meio de dois advogados, o dono do imóvel não foi encontrado. De acordo com moradores do bairro, apesar de Pontes ser o dono da casa, quem vive lá são sua ex-mulher e um companheiro dela. Ontem a reportagem não os localizou. Aos fiscais eles negaram realizar cultos abertos ao público e disseram que só seus familiares vão à casa.

Colaborou EDUARDO GERAQUE

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Terremoto atinge Washington e Nova York


O planeta anda mandando sinais estranhos. Quando os norteamericanos esperam o grande terremoto (The Big One) para a Costa Oeste, um terremoto de grande magnitude atinge a Costa Leste, incluindo aí Nova York e a capital Washington, onde há registro de danos sem vítimas na Catedral Nacional. Ainda é cedo para afirmar isso, já que não se conhece ainda a extensão do sismo, mas aparentemente (espera-se!) não há grandes danos ou vítimas, mas existe o temor dos possíveis abalos subsequentes, pelo que as pessoas estão abandonando os prédios e se reunindo nas ruas. A notícia é do Bem Paraná:

Forte terremoto atinge os Estados Unidos

Tremor de magnitude 5,9 foi sentido na capital, Washington

Um forte terremoto de magnitude preliminar 5,9 atingiu o estado americano da Virgínia na tarde desta terça-feira (23), às 13h51 locais, 14h51 de Brasília As informações são do Serviço Geológico dos EUA.

O epicentro foi localizado entre as cidades de Charlottesville e Richmond, a uma profundidade de 6 quilômetros, considerada rasa, segundo a agência americana.

O tremor foi sentido na capital, Washington. Os prédios do Pentágono e do Capitólio foram esvaziado. Funcionários acreditaram se tratar de uma bomba, segundo a rede de TV americana CNN.

Ainda não havia relato sobre danos ou vítimas.

Segundo a rádio Bandnews, o tremor também foi sentido em Nova York, especialmente na região sul da cidade.



O vídeo abaixo mostra como as ondas sísmicas do terremoto (com epicentro na Virginia) viajaram pelos Estados Unidos:


FGV divulga novo mapa das religiões no Brasil


Notícia do G1:

País tem menor nível de adeptos do catolicismo desde 1872, diz estudo

Cresce proporção de brasileiros sem religião, segundo pesquisa da FGV.
Mulheres estão menos católicas do que os homens, diz mapa de religiões




A proporção de brasileiros adeptos do catolicismo caiu ao menor nível já registrado desde 1872, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira (23) pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Apesar da queda, o catolicismo ainda é a maior religião no país, seguida pela igreja evangélica e pelo espiritismo.
Evolução dos adeptos do catolicismo no Brasil, segundo estudo da FGV
187299,72%
198088,96%
199183,34%
200073,89%
200373,79%
2009 68,43%
*CPS/FGV, percentual de adeptos na população brasileira, a partir do processamento de dados publicados e microdados do IBGE
Os dados fazem parte de um mapa de religiões traçado pela FGV. Segundo o estudo, 68,43% da população brasileira se dizia católica em 2009, cerca de 130 milhões de pessoas, o menor percentual desde os primeiros registros realizados no país, em 1872, quando os católicos representavam 99,7% da população.
Conforme o estudo, a proporção de católicos vinha se mantendo constante no início dos anos 2000, mas houve queda de 7,3% dos adeptos ao catolicismo entre 2003 e 2009. A pesquisa reuniu microdados de pesquisas do IBGE com cerca de 200 mil entrevistados na década passada.
Uma das razões apontadas para a queda é o crescimento na proporção dos evangélicos no mesmo período (de 17,9% para 20,3% da população). Além disso, o grupo de pessoas que dizem não pertencer a nenhuma religião subiu, de 5,13% para 6,7% da população. No início da década, o índice dos “sem religião” havia caído, de 7,4% para 5,1%.
Veja a seguir a distribuição das principais religiões no país, segundo a pesquisa:
Sem religiãoCatólicosEvangélica pentecostalOutras evangélicasEspiritualistaAfro
brasileira
Orientais ou asiáticas
2009 6,72%68,43%12,76%7,47%1,65%0,35%0,31%
2003 5,13%73,79%12,49%5,39%1,5%0,23%0,3%




Ainda segundo a pesquisa, as mulheres continuam mais religiosas do que os homens, mas a proporção se inverteu no período analisado com relação ao catolicismo. Enquanto 71,6% se dizem católicas, 75,4% dos homens expressam pertencer a essa religião. Setenta anos antes, eram 96% e 95%, respectivamente.
Estados e capitais
O Piauí é o estado com maior número de católicos (87,93%), seguido pelo Ceará (81%) e Paraíba (80,25%). Os menos católicos são o Acre (50,73%), Rio de Janeiro (49,83%) e Roraima (46,78%). Roraima é também o estado com maior proporção de sem religião (19,39%), seguido do Rio de Janeiro (15,95%).
Ainda conforme o estudo, a periferia do Rio de Janeiro é a menos católica e menos religiosa de todas as metrópoles brasileiras. No outro extremo está a periferia de Porto Alegre e de Fortaleza, respectivamente, a mais religiosa e a mais católica.

Entre os evangélicos pentecostais, o Acre é o que contabiliza a maior proporção de adeptos (24,18%). Nas demais denominações evangélicas, o líder é o Espírito Santo (15,09%). O Sergipe é o estado com o menor percentual de evangélicos pentecostais (4,75%).
O Rio lidera em religiões espíritas (3,37%) e afro-brasileiras (1,61%), seguido, nos dois casos, pelo Rio Grande do Sul (2,34% de espiritualistas e 0,94% de afro-brasileiras). Já nas religiões orientais ou asiáticas, São Paulo possui o maior nível de adeptos (0,78%), seguido pelo RJ (0,69%) e Distrito Federal (0,52%).
Nas capitais, Boa Vista, Salvador e Porto Velho são as que possuem maior proporção de pessoas sem religião. Teresina é a capital mais católica do país, com 80, 66% de fiéis, seguida de Fortaleza (74,25%) e Florianópolis (73,91%). Boa Vista é a menos católica (40,87%). Os evangélicos são maioria em capitais da região Norte: Rio Branco (28,43%), Belém (23%), Boa Vista (21,21%) e Porto Velho (19,02%).
Renda
Com relação à renda, a grande parte dos sem religião está concentrada na classe E (7,72% deles não possuem religião), seguida pela classe A/B, com 6,91%. O mesmo acontece no catolicismo, que se concentra principalmente entre essas classes.
Evangélicos pentecostais são 14,98% da classe D. Já as igrejas evangélicas mais tradicionais estão mais concentradas na classe AB (8,35%) e C (8,72%). Outras religiões também estão mais concentradas na classe A/B.

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