quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Evidências históricas da ressurreição de Jesus teriam sido encontradas em Jerusalém

inscrição em grego sobre "Deus ressuscitando"


o sinal de Jonas em um dos ossuários


o sinal de Jonas em catacumba romana




O debate sobre a historicidade de Jesus é um dos temas que mais encantam os céticos, diante da ausência - pelo menos até hoje - de evidências arqueológicas contemporâneas dEle que comprovassem a Sua efetiva passagem pelo planeta 2.000 anos atrás. Para eles, outras evidências indiretas como a tradição oral e escrita posterior, além da rápida transformação (para os padrões da época) do mundo pagão em cristão não bastam. Parece, entretanto, que esse discurso está perto de cair por terra, e justo naquilo que mais provoca pruridos nos céticos, que é o episódio de Sua ressurreição, já que o arqueólogo James D. Tabor teria encontrado ossuários raríssimos numa escavação no bairro de Talpiot, em Jerusalém, em que, num deles, estaria gravado em grego "Deus ressuscitando" alguém e no outro uma imagem do "sinal de Jonas" (imagens acima). O achado seria comprovadamente do período imediatamente anterior à destruição de Jerusalém no ano 70 d. C., época em que os arqueólogos diziam que não seria possível encontrar evidências cristãs, que se tornariam mais comuns a partir do fim daquele século em diante, já que os primeiros cristãos ou voluntariamente se espalharam pelo mundo, ou tiveram que fugir da perseguição feroz das autoridades romanas e judaicas. A nova descoberta arqueológica, segundo as primeiras informações, foi justamente encontrada ao lado de outra tumba que já foi motivo de muita controvérsia há cerca de 5 anos atrás, quando circulou o documentário "A Tumba de Jesus" (vídeo abaixo, caso queira relembrar), que teria encontrado outra caixa ossuária, que pertenceria a um certo "Jesus, filho de José", mas que ficou apenas no fertilíssimo terreno das teorias da conspiração. Afinal, Dan Brown e seu "Código Da Vinci" estavam na moda na época, mas depois que o livro virou filme, parece que as pessoas (mesmo as mais céticas) se convenceram, envergonhada e dissimuladamente, da bobagem que era o seu roteiro. Na atual tumba (que, segundo dizem, foi encontrada milagrosamente intacta), as caixas ossuárias foram encontradas mediante uma microcâmera robótica, e numa delas está a inscrição sobre "Deus ressuscitando", e em outra uma imagem iconográfica que foi entendida como uma referência ao episódio do profeta Jonas e o grande peixe, que, como Jesus disse em 4 oportunidades no Novo Testamento, o "sinal de Jonas" (três dias dentro do peixe) seria também o sinal de sua ressurreição (Mateus 12:39 e 16:4; Lucas 11:29-30). Além disso, o "sinal de Jonas" está claramente comprovado como referência à ressurreição de Cristo nas sepulturas cristãs mais antigas conhecidas até agora, como aquelas espalhadas em muitas catacumbas romanas (última imagem acima). Afinal, a maioria das pessoas sabe que o desenho do peixe era um sinal distintivo dos primeiros cristãos, presente até hoje em muitos parachoques de carros, por exemplo. O arqueólogo James D. Tabor, professor e catedrático de Estudos Religiosos da Universidade da Carolina do Norte em Charlotte, em nota oficial expedida pela mesma universidade, deu a seguinte declaração:
"Se alguém dissesse que seria possível encontrar, quer uma declaração sobre a ressurreição ou uma imagem de Jonas em uma tumba judaica desse período, eu teria dito que isso seria impossível - até agora. Nossa equipe ficou num estado de estupefação incrédula, mas a evidência estava ali, cristalina diante de nossos olhos, obrigando-nos a rever nossas premissas anteriores."
Entretanto, como tudo o que cerca os relatos de novas descobertas arqueológicas retumbantes, essa é mais uma daquelas que devemos ficar com os dois pés atrás enquanto não forem não só revelados os achados, como cabalmente comprovados e submetidos a revisão científica independente, para que, enfim, se possa dizer que as evidências são irrefutáveis. De qualquer maneira, dada a seriedade da Universidade da Carolina do Norte, seria muito difícil que eles soltassem uma nota oficial se comprometendo dessa maneira se não houvesse uma altíssima probabilidade da descoberta arqueológica ser, de fato, revolucionária. Aguardemos os desdobramentos, então.

Para acompanhar o andamento da pesquisa, acesse The Jesus Discovery (em inglês).

Para um relatório (em inglês e em .pdf) das descobertas atuais, clique aqui.






terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Fanáticos americanos veem alien reptiliano chifrudo implantado na cabeça de Obama

Que a gente pode imaginar qualquer coisa vendo os formatos das nuvens, isso todo mundo sabe. 

Agora, parece que a aversão dos conservadores norteamericanos ao presidente Barack Obama está atingindo níveis estratosféricos. 

Bem pra lá da estratosfera, na verdade. 

Sob o argumento de que "isso é pra onde vão os nossos impostos", a mulher que narra o vídeo abaixo aponta a cicatriz e a, digamos, "marca d'água" de um alienígena reptiliano com chifres implantado na cabeça do presidente dos Estados Unidos, assim meio parecido com aqueles nada simpáticos reptilianos da antiga série "V - A Batalha Final" (de 1984), que teve uma tentativa fracassada de remake em 2009. 

Por fim, não é difícil imaginar que a lunática tenha no seu cérebro algum fanatismo religioso implantado, já que termina convocando: "Oremos pelo nosso Presidente". 

A teoria da conspiração reptiliana não é nova e vem circulando em vários vídeos surtados nos últimos anos. 

Muito provavelmente, na falta de um programa ou discurso que ajude a bater Barack Obama nas próximas eleições presidenciais do fim de 2012, tem muita gente apelando para a imaginação fértil desenfreada. 

Se bem que dá para desconfiar que, já que não fica bem para eles expressarem abertamente o seu racismo, preferem travesti-lo de ficção científica, já que os aliens, até onde se sabe, não têm como processá-los. 

Que o Obama anda fazendo coisas que parecem extraterrestres, isso todo mundo também já sabe. 

Agora, não precisa levar a expressão assim tão ao pé da letra, né...





O mito das 8 horas de sono

Não fique tão preocupado se você estiver passando por alguns problemas de insônia. É claro que se isso te incomoda profunda e rotineiramente, você deve procurar um médico que lhe auxilie a tratá-la, mas se o problema é ocasional, pode ser que isto se deva ao fato de que a recomendação das 8 horas seguidas de sono seja uma tendência muito nova na história da humanidade, segundo a notícia abaixo que vem do La Nación da Argentina. Talvez fracionar o sono em 2 turnos possa ser uma solução... confira:

O MITO DE DORMIR 8 HORAS

É comum que nos preocupemos em perder o sono durante a noite, sem saber que isso poderia nos ajudar. Tanto a ciência como a história parecem confirmar, cada vez mais, que oito horas de sono poderiam ser antinaturais.

No começo da década de 1990, o psiquiatra Thomas Wehr realizou uma experiência na qual se deixava um grupo de pessoas na escuridão durante 14 horas por dia durante um mês.

Levou algum tempo para que o sono se normalizasse, mas na quarta semana os indivíduos haviam adquirido um padrão muito diferente: primeiro dormiam durante quatro horas e depois ficavam acordados por uma ou duas horas antes de cair em outro sono de quatro horas.

Ainda que os cientistas do sono tenham ficado impressionados com a pesquisa, a ideia de que devemos dormir por oito horas consecutivas se mantém entre o público em geral.

Em 2001, o historiador Roger Ekirch da universidade Virginia Tech, publicou um artigo que se mostrou premonitório - baseado em 16 anos de investigação - que revelava uma enorme quantidade de provas históricas de que os humanos costumavam dormir em dois turnos diferentes de tempo.

Seu livro "At Day's close: Night in the past" [um jogo de palavras em inglês parecido com algo como "Perto do Dia: Noite no Passado"] foi publicado há quatro anos e desenterrava mais de 500 referências de padrões segmentados de sono, que ele havia encontrado em diários, livros de medicina e literatura, além de notas de tribunais, desde a Odisseia de Homero até resenhas antropológicas de tribos modernas da Nigéria.

Assim como na experiência de Wehr, essas referências descrevem um primeiro sono que começa por volta de duas horas depois do anoitecer, seguido por um período de uma ou duas horas de vigília e por um segundo sono.

A HISTÓRIA DO SONO

"O relevante não é somente a quantidade de referências, mas a maneira em que elas se referem a esse fato, como se fosse algo conhecido por todos", diz Ekirch.

Durante o período de vigília, essas pessoas estavam bastante ativas. Frequentemente se levantavam, iam ao banheiro, fumavam e alguns inclusive visitavam os vizinhos. A maioria das pessoas ficava na cama, lendo, escrevendo ou rezando.

Incontáveis manuais de oração do final do século XV traziam rezas especiais para as horas de vigília. E essas horas não eram completamente solitárias. As pessoas costumavam conversar ou ter relações sexuais com seus companheiros de cama.

Um manual médico francês do século XVI inclusive aconselhava aos casais que o melhor momento para conceber não era no final de um dia longo de trabalho, mas "depois do primeiro sono", quando "se desfruta mais e se faz melhor".

Ekirch descobriu que as referências ao primeiro e segundo sono começaram a desaparecer no final do século XVII. Esta tendência começou nas classes altas da Europa do Norte e ao longo de 200 anos se espalhou ao resto da sociedade ocidental.

Já em 1920, a ideia de um primeiro e segundo sono havia desaparecido por completo do imaginário coletivo. Uma das razões para essa mudança, segundo o especialista, se deveu às melhoras na iluminação pública, à chegada da eletricidade às casas e à proliferação dos salões de café, que em certas circunstâncias ficavam abertos durante toda a noite.

OS PERIGOS DA NOITE

Na medida em que a noite se converteu em um momento legítimo para realizar atividades e a atividade noturna aumentou, diminuiu o tempo que as pessoas dedicavam ao descanso.

Em seu novo livro, "Evening's Empire" ("O Império do Entardecer"), o historiador Craig Koslofsky propõe uma versão de como isso aconteceu.

"Aquilo que se relacionava à noite, antes do século XVII, não era bom", assegura. A noite era um momento povoado por pessoas de má reputação, como criminosos, prostitutas e bêbados.

"Inclusive os ricos, que podiam comprar muitas velas, tinham coisas melhores nas quais gastar seu dinheiro. Não havia prestígio nem algum valor social associado ao fato de se manter acordado por toda a noite".

Isso mudou na época da Reforma Protestante e da Contra-Reforma. Protestantes e católicos se acostumaram a celebrar missas e cultos secretos à noite durante os períodos de perseguição.

Se anteriormente a noite havia pertencido aos depravados, agora as pessoas "respeitáveis" se habituavam a aproveitar as horas de escuridão.

Esta tendência se transferiu também ao âmbito social, mas somente no caso daqueles que eram capazes de ter luz artificial em casa.

Com a chegada da iluminação às ruas, entretanto, poder socializar à noite começou a se estender às classes sociais mais baixas.



Playground de peão

Comece a desconfiar quando os pedreiros da obra estiverem muito contentes e com escoriações pelo corpo...





segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Ário x Atanásio

Aproveitei o último fim de semana para preparar as biografias de Ário e Atanásio para o site e-cristianismo. Consultando os livros enquanto procurava passar a melhor ideia possível do que significaram as vidas dos dois personagens marcantes da história da igreja, me deparei com uma série de pessoas e circunstâncias que me fizeram pensar um pouco mais sobre essa tal "cristofobia" que virou a palavra da moda nas últimas semanas. Era tão gritante a discrepância entre aquilo que chamam atualmente de "cristofobia" com a situação real e aflitiva da Igreja primitiva, que foi inevitável fazer uma comparação. Ário e Atanásio foram contemporâneos, e serviram a igreja cristã em Alexandria quando o patriarca era Alexandre, só que de maneira bem distinta. Atanásio, o mais jovem deles, sempre foi submisso a seu bispo e muitos dizem que, conforme amadurecia, se tornou a sua maior influência intelectual. Já Ário foi o responsável pela difusão da heresia que leva o seu nome - o arianismo - que basicamente pregava que Jesus Cristo não participava da mesma natureza divina de Deus Pai (isto num resumo sofrível, já que a questão da terminologia é central nessa controvérsia). Essa polêmica levou à convocação do Concílio de Niceia pelo imperador Constantino, que se realizou em 325, e no qual foram estabelecidos os dogmas centrais do cristianismo, que seriam aperfeiçoados e definitivamente "fechados" nos Concílios de Calcedônia (ano 451) e Constantinopla II (em 553). A controvérsia ariana atacava principalmente o pensamento cristológico ortodoxo da Igreja, com as suas inevitáveis imbricações com a doutrina da Trindade. Alexandre morreu um ano depois de Niceia, Ário em 336, e coube a Atanásio combater os muitos seguidores de Ário nas décadas seguintes, isso numa época em que os arianos tinham uma influência política muito grande, pela proximidade com Constantino e seus parentes, enquanto à ala ortodoxa restava pouca margem de manobra. Constantino, inclusive, teria sido batizado apenas no leito de morte, em 336, e quem lhe ministrou o batismo foi um bispo ariano, Eusébio de Nicomédia. Fica difícil, portanto, argumentar que ele teria imposto a sua visão particular ao cristianismo, já que - se dependesse dele - a igreja primitiva inteira se converteria em ariana. Aliás, apesar de sua, digamos, "arianofilia", em todas as decisões cruciais que teve que tomar sobre os dogmas da Igreja, Constantino sempre decidiu a favor da ortodoxia. Talvez fizesse isso a contragosto para apaziguar as facções teológicas contrárias, mas é mais provável que não tinha ideia da importância de suas decisões. Atanásio não teve tempo para pensar em "cristofobia". A ele cabia pregar o evangelho tal como o havia recebido de seus pais na fé. Não encontrou vida fácil com nenhuma autoridade política. Durante a sua vida, enfrentou CINCO exílios e esteve debaixo do poder de vida ou morte de OITO imperadores: Constantino I; seus filhos Constantino II, Constâncio II e Constante; Juliano; Jovano; Valentiniano e Valente, dos quais apenas dois, Constante e Jovano, lhe foram favoráveis e, mesmo assim, por curtíssimo período. Juliano o definiu como "seu pior inimigo", e os demais apenas o toleravam, mas não hesitavam em mandá-lo para novos exílios. A disputa com os arianos serviu de combustível para que Atanásio seguisse em frente. Nada disso serviu de desculpa para que ele se furtasse a cumprir sua missão de pastor. Se a ortodoxia da Igreja cristã (e naquele tempo não havia diferença entre católicos, ortodoxos e protestantes) foi vitoriosa, isso se deveu, em primeiro lugar, à ação de Deus na História; e, em segundo, a pastores corajosos como Atanásio.

As duas biografias (mais a do patriarca Alexandre) podem ser lidas nos seguintes links:







Bispo anglicano D. Robinson Cavalcanti e esposa são mortos por filho adotivo

A tragédia ocorreu nessa última noite (estima-se que por volta das 22h de domingo, 26/02) e os dados ainda são um pouco desencontrados, mas tudo indica que D. Robinson Cavalcanti e sua esposa tenham sido mortos pelo filho adotivo, que seria viciado em drogas. D. Robinson, bispo anglicano da Diocese do Recife, sempre teve uma forte atuação social e política, além de ter sido autor de vários livros como "Cristianismo e Política" e "Uma Bênção Chamada Sexo". Lamentamos profundamente a notícia (com o vídeo abaixo) que vem do Diário de Pernambuco:

Filho mata pais adotivos a facadas em Olinda

O pastor da Igreja Anglicana, cientista político e ex-reitor da Universidade Federal Rual de Pernambuco (UFRPE), Edward Robinson Cavalcante, de 64 anos, e a esposa dele, a professora aposentada Mirian Nunes Machado Cotias Cavalcante, também de 64 anos foram assassinados na casa da família, na Rua Barão de São Borja, número 305, em Jardim Fragoso, Olinda.

De acordo com a policia, o autor do crime é o filho adotivo do casal Eduardo Olímpio Cotias Cavalcante, de 29 anos. O rapaz morava nos Estados Unidos desde os 16 anos de idade e teria voltado ao Btasil há cerca de 15 dias depois de ter sido preso no país estrangeiro várias vezes por envolvimento com drogas e outros delitos.

Segundo o reverendo Hermany Soares, amigo da família, quando Eduardo chegou ao Brasil, ele foi buscá-lo no aeroporto e ainda no desembarque teria perguntado onde compraria uma arma.

Ontem pela manhã, o rapaz saiu de casa, foi beber na praia e voltou à tarde. À noite ele foi visto amolando uma faca na frente do portão de casa. Por volta das 22 horas da noite, Eduardo começou a discutir com o pai, pegou a faca e começou a golpear o idoso. A mãe foi defender o marido e também foi esfaqueada.

O bispo Robison morreu no quarto. Já a mãe ainda foi levada para o Hospital Tricentenário, em Olinda, com uma facada no peito esquerdo, mas já chegou morta. Após o crime, Eduardo tentou cometer suicídio ingerindo uma substância não identificada e aplicando vários golpes de faca no próprio peito. Ele foi levado para o Hospital da Restauração (HR) em uma viatura da Polícia Militar. Eduardo estava passando por um processo de deportação.

Segundo informações de parentes, o bispo Robinson foi o coordenador regional da primeira campanha do ex-presidente Lula para presidente da República, que o teria visitado em casa depois de eleito. O bispo também foi candidato a deputado federal e proferiu palestras na ONU.

Com informações do repórter Edson Araújo, da TV Clube










Abaixo, o comunicado em vídeo do bispo Renato Suhett, ex-Universal, hoje na Igreja Anglicana:



Existe a expectativa de que as notícias sejam atualizadas no decorrer do dia através do site TV A Voz da Fé



domingo, 26 de fevereiro de 2012

Brasileiros levam espiritismo aos Estados Unidos

Apesar de ter sido fundado pelo francês Allan Kardec, o espiritismo parece ser um fenômeno tipicamente brasileiro. 

Não há estatísticas confiáveis, até porque existem várias vertentes de espiritismo, desde as raízes africanas até os setores que estão mais próximos da assim chamada "parapsicologia", e além disso existe uma dificuldade entre os espíritas em se identificarem como "espíritas", "kardecistas" ou "espíritas kardecistas", como ficou patente por ocasião do censo do IBGE em 2010. 

Isso sem contar aqueles que frequentam centros espíritas mas na hora de responder o censo se dizem católicos. 

De qualquer maneira, se estima que existam no mundo cerca de 15 milhões de "espíritas" (no sentido lato do termo para quem assim se identifica), entre os quais cerca de 2% da população brasileira, ou seja, algo em torno de 3.800.000 de pessoas, o que equivaleria a cerca de 1/4 do contingente global. 

Repita-se que esses são meras suposições estatísticas com boa chance de corresponderem aos dados estatísticos com boa dose de semelhança. 

Como a presença de espíritas em outros países não é tão expressiva como no Brasil, parece que já existe uma espécie de "rede missionária espírita"  informal e voluntária que se propaga para o exterior. 

Não que o espiritismo não seja conhecido nos Estados Unidos, por exemplo. Afinal, muitos programas e seriados de TV já mostraram casos policiais em que houve o auxílio de um(a) médium para desvendar o crime. 

Agora, o Washington Post do último dia 24/2 trouxe uma matéria sobre um centro espírita em Rockville, no Estado de Maryland (nos EUA), chamado Sociedade Espírita Allan Kardec, em que cerca de 40 brasileiros se reúnem para estudos conjuntos e ministração de "passes" (uma espécie de "benzimento" ou "transferência de energia" espírita). 

As reuniões incluem a leitura e discussão dos livros de Allan Kardec, e não diferem muito das suas equivalentes ministradas em inglês nos Estados Unidos, salvo pelo acolhimento e pela proximidade física que também é uma atitude tipicamente brasileira. 

O Washington Post traz um dado que talvez seja desconhecido de muita gente, sobre o aumento da popularidade do espiritismo nos Estados Unidos no fim da década de 1960, que, segundo o articulista Chris Lyford, teria ocorrido também em razão da chegada de uma grande leva de imigrantes brasileiros. 

A matéria fala ainda da diminuição da presença espírita em seu país de origem, a França, mas no geral ressalta a importância da presença brasileira na consolidação do espiritismo no Norte da América.



Itália cancela isenção fiscal de empresas católicas. E o Brasil?

A Folha informa que, na última sexta-feira, 24 de fevereiro, o governo italiano anunciou que irá cancelar as isenções tributárias para as propriedades empresariais pertencentes à Igreja Católica, o que deve resultar num acréscimo de 600 milhões de euros aos cofres públicos. 

A medida faz parte de uma série de iniciativas do governo liderado pelo primeiro-ministro Mario Monti com o fim de salvar a Itália do naufrágio coletivo que está sendo a crise econômica europeia. 

Mais do que uma questão entre os Estados da Itália e do Vaticano (que afinal está ali em Roma), este é um tema que merece ser muito mais debatido, fiscalizado e implementado em todo o mundo. 

Isenção fiscal para as igrejas fez sentido (e continua fazendo em alguns casos) num tempo em que a religião se incumbia (e muito) das atividades de assistência social (e de educação e saúde outras vezes) sobretudo aos pobres. 

Democratizava, portanto, o socorro à população numa época em que o Estado era muito fraco para atender a essas necessidades básicas. 

Hoje, entretanto, ainda que de forma muitas vezes capenga, o Estado consegue atender a maior parte dessas antigas demandas através dos órgãos públicos ou mesmo da previdência oficial. 

Por outro lado, muitas igrejas se preocuparam mais em se estruturar como verdadeiras empresas, valorizando o lucro (ainda que travestido de saldo positivo no balanço do fim de ano) e minimizando os prejuízos. 

Isto, é claro, sem contar na avalanche de pilantras que se aproveitam da religião para se locupletar às custas dos fiéis incautos. 

É - infelizmente - comum hoje que igrejas façam vistas grossas e virem as costas aos pobres justamente porque a sua pregação materialista e consumista exige riqueza para se sustentar não só no discurso, mas também na ostentação, a fim de retroalimentar o seu caixa. 

Não faz sentido que toda a sociedade, independentemente do que crê ou não crê, arque com o peso dessa renúncia estatal aos impostos devidos enquanto líderes religiosos levam vidas nababescas. 


Logo, também não faz mais sentido que as religiões tenham isenção fiscal. 

Para não prejudicar as instituições sérias que restaram, talvez fosse o caso de estipular uma alíquota ínfima de imposto sobre a conta-corrente (do tipo da extinta CPMF) e obrigar que todas as transações financeiras das igrejas e associações religiosas transitassem por essa mesma conta e fossem devidamente registradas, exatamente com o fim de evitar a safadeza e o mau uso desse benefício fiscal em atividades que não representam o fim último das religiões, que é a assistência material, moral e espiritual às pessoas que nela congregam e à sociedade como um todo, a qual será - inclusive - beneficiada com o retorno de todos esses tributos a seu favor. 

Assim, as mesmas instituições comprovadamente sérias - encerrado o ano fiscal - poderiam restituir integralmente os impostos pagos, mesmo que fossem de pouca monta. 

O mesmo esforço deveria ser feito com relação à propriedade cruzada de líderes religiosos cujos bens deveriam pertencer à igreja mas estão a serviço deles em nome de "laranjas". 

Os estatutos sociais constitutivos das organizações religiosas deveriam ser padronizados por lei, a fim de evitar que se tornassem "propriedade privada e hereditária" de grupos familiares ou com terceiras intenções. 

Outra iniciativa que deveria ser também aplicada é o fim das isenções e tratamento igualitário com as outras empresas do ramo naqueles casos em que as igrejas exploram atividade econômica lícita e concorrencial, como é o caso dos hospitais, escolas e hotéis, por exemplo, como está fazendo o governo italiano neste momento. 

Religião séria não pode nem precisa ter medo do Fisco. 

Há líderes honestos e gente digna nas igrejas, que não precisam se esconder atrás de contas suspeitas, e cujo maior patrimônio pessoal é o nome honrado. 

Desconfio, portanto, que os únicos que sairão perdendo nesse caso são os líderes religiosos desonestos. 

Que os entreguem ao Leão!



sábado, 25 de fevereiro de 2012

Amazon.com chegaria ao Brasil no 2º trimestre de 2012

Os bibliófilos que já andavam eufóricos na surdina, sorrindo pelos cantos por causa dos boatos de que a Amazon.com abriria uma filial no Brasil num futuro não tão distante, podem começar a botar as manguinhas de fora porque parece que o glorioso dia da abertura está chegando. Pelo menos é essa a informação publicada ontem, 24 de fevereiro, pela Publishing Perspectives, em matéria assinada por Roberta Campassi. Segundo a jornalista, a Amazon pretende vender o seu e-reader (leitor de livros digitais) Kindle por 199 reais, o que, cá entre nós, não é nenhum absurdo para quem quer ter esse objeto de desejo, que é tão ou mais cobiçado entre os leitores vorazes do que os aparelhos da Apple para os geeks. Ainda que este preço, uma vez confirmado, já fosse o mais barato do mercado brasileiro, a Amazon pretenderia ainda, numa jogada explosiva de marketing, inaugurar suas vendas de Kindle com o preço a R$ 149 na versão básica, o que certamente provocará uma avalanche de leitores compulsivos atrás do aparelho. A notícia diz, ainda, que o lançamento da Amazon brasileira está previsto para o segundo semestre deste ano, contrariamente a boatos anteriores que o prediziam para 2013. Se for verdade, a gigante norteamericana terá que vencer também a resistência das editoras e livrarias brasileiras, acostumadas durante décadas a uma reserva informal de mercado. A luta será feroz e já se antecipam problemas de logística que requererão muito jogo de cintura da Amazon para manter sua política de bons preços e entrega rápida no Brasil. Ansiosos mesmo ficam os leitores, na esperança de que não só o acervo brasileiro de e-books seja disponibilizado pela Amazon, mas também a sua enorme e paradisíaca prateleira mundial de livros nos mais diversos idiomas. Depois dessa alvissareira notícia, ainda que não dê pra colocar desde já o seu bloco na rua, você já pode contar aos amigos mais chegados a razão da sua felicidade estampada na cara.



O 1º pênalti de uma árvore na história do futebol

O fato inusitado ocorreu na Argentina, numa emocionante partida entre o San Lorenzo de Sáenz Peña e o Libertad de Charata, jogo válido pelo torneio que se denomina "Argentino C", mas que equivale, na prática, à 5ª divisão do futebol dos hermanos, já que o nível menor corresponderia às ligas regionais, o popular "amadorzão" mesmo. Não que o Argentino C não seja lá uma várzea também, como mostra o vídeo abaixo do embate, gravado na província de Chaco, jogado num "potrero" (o equivalente ao nosso "terrão") e com uma árvore cujos galhos fazem sombra pro goleiro na pequena área. Arqueiro com sombra particular vocês nunca tinham visto, não é mesmo? Só que isso não ajudou muito o time local, o San Lorenzo, já que Gorosito, o atacante adversário, chutou uma bola na trave, ela subiu, tocou nos galhos da árvore que até então era responsável unicamente pela sombra, e caiu de volta à cancha, e aí  o zagueiro Marcelo Escobar, do San Lorenzo, resolveu pegá-la com a mão para bater tiro de meta. Como, apesar dos pernas-de-pau em campo, a árvore não faz parte do jogo, o árbitro Juan Mancuello não teve dúvida: marcou pênalti, que resultou em gol. O ex-árbitro argentino Ángel Sánchez, comentando o lance inusitado, discordou da marcação do colega na ativa: "O pênalti foi mal marcado. Se a bola bate em um objeto estranho, o jogo deve recomeçar com a bola disputada por dois jogadores adversários no chão. A única exceção é a cobrança de pênalti. Se, na execução de um pênalti, a bola pega em um objeto estranho, deve-se voltar a cobrança". A árvore, portanto, não tem nada a ver com a lambança de quem ela estava só protegendo do sol. Teme-se, entretanto, pelo futuro da frondosa artilheira...



Fonte: Canchallena



sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Agnosticismo de Dawkins é mesmo novidade?

Publicamos hoje a notícia de um debate entre Richard Dawkins e o Arcebispo da Cantuária, Dr. Rowan Williams, líder religioso da igreja Anglicana. Como dissemos ali, o debate não trouxe nada muito significativo, digno de nota, além da declaração de Richard Dawkins de que ele não é ateu, mas sim, agnóstico.

Alguns leitores então comentaram a notícia, dizendo que esta de fato não é uma notícia nova, e que em seu livro, Deus, uma ilusão, Dawkins teria dito que a probabilidade de Deus existir é baixa. Este foi um bom motivo então para que fôssemos verificar as referências que os leitores nos repassaram a fim de fazer algumas considerações.

Aparentemente, quando Dawkins diz que está convicto de "6,9 em cada 7 das suas crenças", ele está fazendo alusão à escala que ele mesmo criou em seu livro já mencionado, algo que uma leitora faz menção. Que escala é esta?
Levemos, então, a sério a ideia do espectro de probabilidades e coloquemos ao longo dele os juízos humanos sobre a existência de Deus, entre dois extremos de certezas opostas. O espectro é contínuo, mas pode ser representado por sete marcos:
1. Teísta convicto. Probabilidade de 100% de que Deus existe. Nas palavras de C. G. Jung, "Eu não acredito, eu sei".
2. Probabilidade muito alta, mas que não chega aos 100%. Teísta de facto. "Não tenho como saber com certeza, mas acredito fortemente em Deus e levo minha vida na pressuposição de que ele está lá."
3. Maior que 50%, mas não muito alta. Tecnicamente agnóstico, mas com uma tendência ao teísmo. "Tenho muitas incertezas, mas estou inclinado a acreditar em Deus."
4. Exatamente 50%. Agnóstico completamente imparcial. "A existência e a inexistência de Deus têm probabilidades exatamente iguais."
5. Inferior a 50%, mas não muito baixa. Tecnicamente agnóstico, mas com uma tendência ao ateísmo. "Não sei se Deus existe, mas estou inclinado a não acreditar."
6. Probabilidade muito baixa, mas que não chega a zero. Ateu de facto. "Não tenho como saber com certeza, mas acho que Deus é muito improvável e levo minha vida na pressuposição de que ele não está lá."
7. Ateu convicto. "Sei que Deus não existe, com a mesma convicção com que Jung 'sabe' que ele existe."
Fonte: Dawkins, Richard; Deus, um delírio, Editora Companhia das Letras, págs. 62 e 63.

Dentro desta escala então, onde Dawkins se posiciona e por quais motivos?
Eu ficaria surpreso de encontrar muita gente na categoria 7, mas a incluo em nome da simetria com a categoria l, que é bastante populosa. É da natureza da fé que alguém seja capaz, como Jung, de ter uma crença sem nenhum motivo adequado para tal (Jung também acreditava que alguns livros específicos de sua estante explodiam com um grande estrondo). Os ateus não têm fé; e a razão, sozinha, não tem como levar alguém à convicção plena de que alguma coisa definitivamente não existe. Daí por que a categoria 7, na prática, é muito mais deserta que seu oposto, a categoria l, que tem tantos habitantes devotados. Coloco-me na categoria 6, mas tendendo para a 7 — sou agnóstico na mesma proporção em que sou agnóstico a respeito de fadas escondidas no jardim.
Fonte: Dawkins, Richard; Deus, um delírio, Editora Companhia das Letras, pág. 63.
Assim, Dawkins não se considera no ponto 7 de sua escala, por que ele acha difícil que alguém possa estar neste ponto. Para ele, o ponto 7 revela uma fé igual àquela existente no ponto 1 de sua escala. E se ele está se colocando como 6,9, então ele está aproximando-se o máximo possível deste ponto 7, sem no entanto fazê-lo, já que para isto ele teria que admitir que possui fé em alguma coisa.

Mesmo assim, observem como ele define o ponto 6 onde ele se posiciona como Ateu de facto. Ele não se coloca no ponto 4 ou 5, que são os pontos que ele posiciona o agnosticismo. E de fato, é assim que ele se apresenta ao longo de seu livro, e é com o propósito de tornar pessoas ateias que ele escreve o livro, como ele mesmo informa em seu prefácio, na página 23:
Se este livro funcionar do modo como pretendo, os leitores religiosos que o abrirem serão ateus quando o terminarem.
Ainda em seu prefácio, discutindo a "religiosidade" de Einstein, ele faz a seguinte declaração (páginas 27 e 28):
A bióloga celular Ursula Goodenough, em The sacred depths of nature [As profundezas sagradas da natureza], soa ainda mais religiosa que Hawking e Einstein. Ela adora igrejas, mesquitas e templos, e vários trechos de seu livro são um convite a ser tirados de contexto e usados como munição para a religião sobrenatural. Ela chega até a chamar a si mesma de "naturalista religiosa". Mas uma leitura cuidadosa mostra que na verdade ela é uma ateia tão convicta quanto eu.
A próxima citação é do capítulo que várias pessoas citaram como prova de que Dawkins sempre se considerou um agnóstico. Este trecho descreve uma experiência dele em uma conferência em Cambridge sobre ciência e religião. Ali ele se define como (página 163):
Primeiro devo confessar (essa é provavelmente a palavra certa) que a conferência foi patrocinada pela Fundação Templeton. O público era um pequeno número de jornalistas científicos escolhidos a dedo, da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos. Eu era o pobre ateu em meio aos dezoito palestrantes convidados.
E segue então discutindo como a fundação pagou pela participação destes jornalistas. No entanto, ele se define como o "pobre ateu", não como o pobre agnóstico.

Mas já que mencionamos o capítulo 4, Por que quase com certeza Deus não existe, é interessante também mencionar que o capítulo, ao contrário do que nossos leitores sugerem, não é para defender qualquer forma de agnosticismo. O capítulo se ocupa na verdade em refutar o argumento teísta de que por ser improvável que a vida tenha surgido por acaso, a Teoria da Evolução deveria ser descartada. Assim, tentando fazer uma reviravolta nesta argumentação, Dawkins afirma por todo capítulo que é a existência de Deus que tem baixa probabilidade, e por este motivo é que tais teístas deveriam descartar a existência de Deus. Na página 171 de seu livro, ele deixa claro que esta baixa probabilidade é um argumento contra a existência de Deus, e não um argumento a favor do agnosticismo:
Deixei a conferência animado e revigorado, e com minha convicção reforçada de que o argumento da improbabilidade — a tática do 747 Definitivo — é um argumento muito sério contra a existência de Deus, e para o qual ainda não vi nenhum teólogo dar uma resposta convincente, apesar das várias oportunidades e convites para fazê-lo.
Assim, quem sugeriu que este capítulo estaria demonstrando o agnosticismo de Dawkins, está muito enganado. O capítulo argumenta no sentido de que esta baixa probabilidade na verdade indica que Deus não existe - um argumento bem ateísta, diga-se de passagem.

Muitos de nossos leitores nos indicaram a obra de Dawkins, Deus, uma ilusão, como uma forma de refutar a notícia que foi postada. No entanto, embora Dawkins ali se reconheça como agnóstico em alguns pontos (e de forma muito ambígua), ele se define em outras partes do livro como ateu. Até mesmo em sua escala ele se coloca na forma mais alta possível de ateísmo (já que para ele o ponto 7 não deve ter muita gente). Por isto, o susto que as pessoas presentes no debate levaram, bem como o próprio jornal The Telegraph estão bem justificados. Citar seu livro agora parece mais uma forma de salvá-lo das próprias contradições (ou ambiguidades) que ele se sujeita, escrevendo uma coisa e dizendo outra. A resposta à pergunta que encabeça este artigo é, portanto: sim! o agnosticismo de Dawkins é novidade!

Resolvido problema de teclar no smartphone

Dificuldades para digitar no teclado minúsculo do celular? É só comprar o tênis abaixo e tomar cuidado com cocô de cachorro quando você for caminhar... não se esqueça de usar um bom talco anti-chulé se for retirá-lo no metrô...





Vaticano preocupado com Bíblia de 1.500 anos apreendida na Turquia





Uma estranha Bíblia está provocando certa comoção no mundo católico e islâmico, envolvendo um pedido especial do Vaticano à Turquia, para que a verificasse, segundo conta Marco Tosatti, no seu blog San Pietro e Dintorni, no site do jornal italiano La Stampa. O manuscrito teria cerca de 1.500 anos de idade e havia sido apreendido em 2000 numa operação anti-receptação de relíquias e objetos antigos levada a cabo pela polícia turca. Recentemente a referida Bíblia foi requisitada pelo Museu Etnográfico de Ankara, sob cuja guarda se encontra presentemente, mas os jornais turcos Bugun e Zaman se interessaram pelo achado e começaram com as especulações. Tratar-se-ia, portanto, de uma Bíblia escrita em aramaico com alfabeto siríaco, sobre lâminas de couro, e valeria no mercado de antiguidades roubadas algo em torno de 17 milhões de euros, ou seja, são super valorizadas. Apenas as fotocópias estão avaliadas entre 1,3 e 1,7 milhão de euros. Um outro jornal turco, o Star, foi mais longe e suspeitou que pudesse ser uma cópia muito antiga do controverso evangelho de Barnabé, que os muçulmanos dizem que seria um evangelho originalmente aceito no cânon, mas que depois teria sido dele retirado por conter uma profecia a respeito de Maomé, que viria a ser o fundador do islamismo no século VII d. C., e teria uma identidade muito grande com a versão de Jesus que é apresentada no Alcorão. Esta é, na verdade, (mais) uma teoria da conspiração antiga sobre os evangelhos apócrifos, que não se sustenta ante as evidências históricas e mesmo contextuais. Há fortes suspeitas, por exemplo, de que o suposto evangelho de Barnabé tenha sido escrito no século XIV, já que faz referência aos 9 céus que Dante fez famosos na sua obra "A Divina Comédia". De qualquer maneira, o Vaticano parece estar preocupado com o conteúdo dessa tal Bíblia de 1.500 anos, e é bem provável que, muito em breve, ouçamos muita gente falando dela. Aguardemos, então.



Mulher samambaia cóspel



Apesar de ser bem afinadinha, do descompasso gestual e do apego às verdinhas e ao ventilador nas madeixas, a irmã Vera Lúcia pelo menos prega contra a teologia da prosperidade, o que torna difícil que o Malafaia a convide para a sua gravadora, né... e nem adianta contar com o R. R. Soares, o Valdemiro Santiago e o Edir Macedo, além de outros "bispos" e "apóstolos" gospel porque o negócio deles é um "tesouro incomparável" aqui na terra mesmo...





Dawkins afirma que não é ateu

Parem as rotativas! Urgente! Com o perdão aos mais jovens que já nasceram na época da internet, e que não sabem como funcionavam os jornais (que tinham que fechar a edição  da manhã seguinte justo na adiantada hora em que aparecia uma notícia importantíssima) num passado não tão distante assim, o planeta Terra parece que deu uma sacudida na noite passada, quando - após passar toda uma vida atacando a religião e defendendo o ateísmo, o militante (até então ateu) Richard Dawkins deu uma declaração que fez até o gigante Atlas perder o fôlego e quase descartar o planeta nas suas costas, atirando-o de volta na corrente sideral. Perdoem-me o suspense, mas é uma notícia tão chocante que eu nem sei como dá-la porque sei que vai ter muita gente que vai ficar sem pai nem mãe depois de lê-la. Uma geração inteira de órfãos intelectuais acaba da ser formada como tartaruguinhas indefesas que saem dos ovos e correm para o mar. 


Comecemos pelo começo, então. O fato é que pegou muito mal em todos os meios, inclusive ateístas, a negativa de Dawkins em debater com William L. Craig e ele, diante do constrangimento que teria em admitir que estava errado na sua recusa, tratou de agendar desesperadamente um debate com o Arcebispo da Cantuária, Dr. Rowan Williams, o líder religioso da Igreja Anglicana (a rainha da Inglaterra é a chefe política e autoridade máxima). O Dr. Williams, que também é um intelectual renomado, quebrou o galho de Dawkins e aceitou o debate, que aconteceu na noite de ontem na Clarendon House, da mítica Universidade de Oxford. Foi um debate extremamente polido, como se requer de dois homens que se pretendem elegantes no trato com as pessoas, e cujo acompanhamento - muito interessante, por sinal - pode ser lido em espanhol no Canal Ciência do jornal El Mundo da Espanha. Tanto os debatedores, como o mediador, o filósofo Sir Anthony Kenny, se desdobraram em mesuras e palavras simpáticas, e o encontro demorou 1 hora e 20 minutos. Salvo uma única exceção bombástica (que será tratada a seguir) não houve nada assim muito significativo que se tornasse digno de nota. O debate transcorreu no nível inodoro e insípido do seguinte diálogo, quando ambos discutiam a questão teórica da navalha ser ou não ser mais complexa do que um aparelho de barbear, e o Dr. Williams, notório por sua barba cultivada há décadas (foto abaixo), respondeu: "Não que eu saiba muito sobre aparelhos de barbear". Típico humor britânico inofensivo, as usual. Quando tudo se encaminhava para um modorrento empate em 0 x 0 sem disputa de pênaltis, cai do céu a bomba: Richard Dawkins reconheceu que ele está MENOS do que 100% convicto de que NÃO existe um Criador, declaração que quase fez o pasmo Sir Anthony Kenny cair da poltrona (de cujo desconforto já tinha reclamado desde o início, diga-se de passagem):

Sir Anthony Kenny - Então, por que você não se define como agnóstico?
Richard Dawkins - Eu sou agnóstico...
Sir Kenny (incrédulo) - Você é descrito como o ateu mais famoso do mundo...
Dawkins - Eu estou convicto de 6,9 em cada 7 das minhas crenças... eu acho que a possibilidade de existir um Criador sobrenatural é muito, mas muito baixa...

Pronto! Dawkins acaba de derrubar mais um mito... ele próprio!

Desculpem-nos, queridos ateus, mas essa também não dá pra passar batido...



P.S.1: Atentos aos críticos ateus que aqui vieram dizer que Richard Dawkins já havia assumido seu agnosticismo anteriormente, fomos ler o livro indicado e somos obrigados a discordar. Ele sempre se reconheceu ateu. Confira as razões que nos levaram a essa conclusão no artigo "Agnosticismo de Dawkins é mesmo novidade?"




P.S.2: Felizmente a íntegra do debate já está disponível no youtube:









Fonte: The Telegraph



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Cabeleireiro descabela governadora do Novo México

Não dá pra passar batido pela inusitada notícia do Vírgula:

Cabeleireiro se nega a atender governadora que é contra o casamento gay

O cabeleireiro Antonio Darden resolveu defender a comunidade gay e se recusou a atender a governadora do Novo México, Susana Martinez, que se posiciona contra os direitos dos homossexuais.

Ela é contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo e defende que a Constituição dos Estados Unidos precisa de uma emenda que proíba tal ato. Em virtude disso, Daren, que já foi responsável por preparar o cabelo da governadora em três ocasiões diferentes nos Estados Unidos, disse não à assessoria da política, que propunha uma quarta visita ao salão.

“Não tem muito tempo que os assessores da governadora ligaram querendo marcar uma nova visita ao meu salão. Por causa de suas posições e seus pontos de vista sobre o casamento gay eu disse a seus assessores que não a atenderia. Ligaram no dia seguinte, perguntando se eu tinha mudado de ideia e eu disse não novamente”, contou o cabeleireiro ao KOB News.

Darden, que vive junto com seu parceiro há 15 anos, disse que está determinado a lutar pelos seus direitos, mesmo que isso signifique perder um cliente importante. “Eu acho que é apenas uma questão de igualdade, dignidade para todos”, completou. 



Absolvido muçulmano que atacou ateu vestido de "zumbi Maomé" em protesto nos EUA


Não precisa ser assim muito inteligente para perceber que é fraco aquele que pensa que a força da sua argumentação reside na ridicularização do seu eventual antagonista. 

Parece, entretanto, que muitos ateus guardam mágoas muito profundas de um passado religioso negativo (o que também é compreensível e lamentável) e partem para a ofensa gratuita, que geralmente é tolerada sem maiores problemas.

Entretanto, há situações em que pode haver surpresas desagradáveis, como foi o caso do movimento militante ateísta de Central, na Pennsylvania (EUA), que resolveu fazer uma espécie de "parada do orgulho ateu" na cidade.

No evento, um sujeito de nome Ernest Perce resolveu se fantasiar de "zumbi Maomé ressuscitado dos mortos", fazendo questão de ridicularizar o profeta do islamismo enquanto outro indivíduo representava o "zumbi papa". 

Como ridicularizar o papa deve ofender pouca gente (que não estava fazendo algo útil na hora do incidente) numa cidade de maioria evangélica ou "tô-nem-aí", sobrou pro outro que quis ridicularizar o Islã. 

Havia alguns muçulmanos presenciando a manifestação, e um deles, de nome Talaag Elbayomy não ficou nada satisfeito com a ofensa ao seu profeta (que sequer pode ser representado graficamente na religião) e partiu pra cima de Perce, dando-lhe uma "gravata" e querendo tirar dele a barba e o cartaz em que estava escrito "Maomé do Islã". 

Alguns metros mais adiante, os dois deram de cara com o sargento Brian Curtis, que diante da confusão (que pode ser vista no vídeo abaixo), levou os dois à delegacia mais próxima para registrar o caso, sem, no entanto, deter Elbayomy pelo "assédio" que Perce dizia ter sofrido.

 Tudo isso aconteceu no começo de outubro de 2011, e houve um processo penal que correu até esta semana, quando saiu o veredito do juiz Mark Martin, absolvendo Elbayomi e chamando Perce de "doofus" (algo como "babaca") por ter ido a uma passeata com o único fim de ofender a religião dos outros. 

O dado curioso é que o juiz Martin serviu como militar por vários anos no Oriente Médio, e disse a Perce que lá ele seria condenado à morte por esse ato. 

Cá entre nós, quem você respeita mais? O soldado que - ainda que equivocadamente - vai à terra dos outros se expor a risco de morte defendendo o que acredita, ou o sujeito que, na falta de ideia melhor, vai até a esquina só para ridicularizar a religião dos outros que estão a milhares de quilômetros de distância? 

Agora, Perce - que não deve torcer para o Botafogo mas gosta de jogar gasolina na fogueira - começa o típico xororô de se transformar ainda mais em vítima, invocando a liberdade de expressão. 

De fato, esta é uma liberdade muito valorizada nos Estados Unidos, que deve ser protegida não só lá como em todos os lugares do mundo. 

Por outro lado, ninguém deve reagir a uma ofensa idiota como essa mediante violência física, mas convenhamos, uma "gravata" também não é lá essas coisas. 

Se todo mundo que desse ou levasse uma "gravata" fosse parar nos tribunais, os juízes não teriam outra coisa a julgar na vida. 

Faltou a ambas partes uma coisinha bem simples e tão escassa hoje em dia: bom senso. 

É verdade, também, que essa liberdade não existe em países islâmicos, mas não é por isso que aqueles que já a alcançaram vão nivelá-la por baixo, não é mesmo? 

Agora, também não precisa ser assim muito inteligente para perceber que, se o ateísmo é essa condição assim tão maravilhosa de vida, por que é que o cara vai se preocupar em ofender a religião alheia na hora de afirmar os seus direitos? 

Só pode estar querendo aparecer no noticiário local mesmo. A ateuzada anda muito magoadinha. Viva, deixe os outros viverem e seja feliz, amigo! 

Protestar? Você está fazendo isso errado...





Marlene Mattos vai à igreja

ilarilarilariê ô ô ô...



Marlene Mattos, quem diria, acabou no Éden...

(hã.. em São João do Meriti? Ah, tá...)



quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Anatomia histórica da violência

Em outubro do ano passado, repercutimos aqui um artigo da Folha de S. Paulo que falava sobre o mais recente livro de Steven Pinker, psicólogo evolutivo da Universidade de Harvard e talvez o maior especialista do mundo em instinto moral. O título do livro é "The Better Angels of Our Nature" ("Os Melhores Anjos da nossa Natureza") e nele Pinker argumenta, basicamente, que os índices de violência vêm diminuindo a taxas constantes na história da humanidade, razão pela qual rejeita o senso comum da média da população, que tem uma percepção contrária. Outro dia, entretanto, verifiquei que Pinker vem advogando essa tese pelo menos desde 2007, quando deu uma palestra no circuito TED - Ideas worth spreading ("Ideias que valem a pena serem divulgadas"), cuja íntegra pode ser vista no vídeo abaixo:





EUA enviam mais missionários ao exterior; Brasil é o 2º



As estatísticas foram produzidas pelo Centro de Estudos do Cristianismo Global do Seminário Teológico Gordon-Conwell e se referem ao ano de 2010. Todd Johnson, diretor do Centro, foi o responsável pela sua divulgação. Estima-se que - em 2010 - existiam cerca de 400.000 missionários cristãos ao redor do mundo, e 127.000 deles eram de procedência norteamericana. Em segundo lugar, vinha o Brasil, com 34.000 missionários. Curiosamente, os Estados Unidos também receberam 32.400 missionários de outras partes do mundo e muitos deles eram brasileiros - católicos e evangélicos - que (supostamente) foram enviados para lá para trabalharem com as comunidades brasileiras do Nordeste do país. Cá entre nós, a pesquisa deve ter passado ao largo da Flórida e especialmente dos condomínios elegantes de Boca Raton, o lugar mais carente do evangelho no mundo e que, por isso mesmo, tem o maior número de "missionários" evangélicos brasileiros por metro quadrado do planeta. A publicação dos resultados da pesquisa se dá num momento muito especial para os cristãos norteamericanos, já que eles recentemente comemoraram 200 anos do primeiro grupo missionário enviado para além do Oceano Atlântico (na época, a Costa do Pacífico era mexicana, que acabava de se tornar independente da Espanha). Quem enviou 5 casais à época foi a Igreja Congregacional, a partir do porto de Salem, Massachusetts (aquela mesma do julgamento das "bruxas" de 1692), em direção à Índia. Um casal - Adoniram Judson e Ann Hasseltine Judson - viajou por 4 meses até Calcutá, na Índia, onde terminou se juntando à Igreja Batista local. Por fim, em 1813 eles terminaram se estabelecendo na então Birmânia (hoje Myanmar). Adoniram ficou lá por décadas e traduziu a Bíblia na língua local. Não foi só uma tradução, mas Adoniram terminou ajudando na própria sistematização do idioma birmanês, publicando um dicionário inglês-birmanês que é utilizado até hoje. O casal chegou a voltar aos Estados Unidos antes de retornar à Birmânia, mas no fim Adoniram terminou morrendo no mar (em 1850) e Ann sucumbiu à varíola e às febres tropicais (em 1826), mesmos destinos que foram compartilhados por metade do grupo missionário original, cada um em determinado ponto do planeta. Eram outros tempos aqueles, em que os evangélicos realmente se preocupavam em doar suas vidas - se preciso fosse - à pregação do evangelho, e não amealhar dinheiro com "teologias" baratas da "prosperidade". A primeira viagem missionária norteamericana de que se tem notícia aconteceu no dia 19 de fevereiro de 1812, e a data foi celebrada em Salem com uma representação cênica, com barco e roupas de época, do que significou essa data para o cristianismo dos Estados Unidos. Os cristãos de Myanmar pretendem comemorar o bicentenário da chegada do casal Judson no ano que vem, isso se a repressão da ditadura local der uma folga. Nem tudo foi perfeito, erros foram cometidos, sobretudo na questão dco contato forçado com os aborígenes e na associação ao colonialismo político-econômico americano e europeu, mas de qualquer maneira, as missões cristãs norteamericanas ajudaram a remodelar o mundo, nem sempre de maneira bem feita ou recebida, é verdade, mas é impossível imaginar a situação atual do cristianismo de raiz protestante em países como o Brasil sem a chegada dos missionários que vieram do Norte durante todo o século XIX.

Fontes: Reuters e Wikipedia



terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Pesquisa diz que jejum protege cérebro e combate asma

Outro diz foi divulgada uma pesquisa que dizia que o jejum pode combater alguns tipos de câncer, e pelo jeito que os artigos vão se atualizando, parece que o jejum é um santo remédio para tudo. Não vai demorar muito para lançarem a "dieta do Chifre da África", se é que isso é tão bom assim. Não é possível... alguém deve estar de gozação. Todo cuidado é pouco nessa hora, afinal, no mínimo, uma anorexia nervosa pode estar esperando na próxima esquina, mas a notícia é da vez vem - de novo - do Estadão:

Jejum pode ajudar a proteger cérebro, diz estudo

Pesquisa afirma que comer praticamente nada por um ou dois dias por semana pode proteger contra doenças degenerativas como Mal de Alzheimer e Parkinson

Jejuar um ou dois dias por semana pode proteger o cérebro contra doenças degenerativas como mal de Parkinson ou de Alzheimer, segundo um estudo realizado pelo National Institute on Ageing (NIA), em Baltimore, nos Estados Unidos.

"Reduzir o consumo de calorias poderia ajudar o cérebro, mas fazer isso simplesmente diminuindo o consumo de alimentos pode não ser a melhor maneira de ativar esta proteção. É provavelmente melhor alternar períodos de jejum, em que você ingere praticamente nada, com períodos em que você come o quanto quiser", disse Mark Mattson, líder do laboratório de neurociências do Instituto, durante o encontro anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência, em Vancouver.

Segundo ele, seria suficiente reduzir o consumo diário para 500 calorias, o equivalente a alguns legumes e chá, duas vezes por semana, para sentir os benefícios.

O National Institute of Ageing baseou suas conclusões em um estudo com ratos de laboratório, no qual alguns animais receberam um mínimo de calorias em dias alternados.

Estes ratos viveram duas vezes mais que os animais que se alimentaram normalmente.

Insulina

Mattson afirma que os ratos que comiam em dias alternados ficaram mais sensíveis à insulina - o hormônio que controla os níveis de açúcar no sangue - e precisavam produzir uma quantidade menor da substância.

Altos níveis de insulina são normalmente associados a uma diminuição da função cerebral e a um maior risco de diabetes.

Além disso, segundo o cientista, o jejum teria feito com que os animais apresentassem um maior desenvolvimento de novas células cerebrais e se mostrassem mais resistentes ao stress, além de ter protegido os ratos dos equivalentes a doenças como mal de Parkinson e Alzheimer.

Segundo Mattson, a teoria também teria sido comprovada por estudos com humanos que praticam o jejum, mostrando inclusive benefícios contra a asma.

"A restrição energética na dieta aumenta o tempo de vida e protege o cérebro e o sistema cardiovascular contra doenças relacionadas à idade", disse Mattson.

A equipe de pesquisadores pretende agora estudar o impacto do jejum no cérebro usando ressonância magnética e outras técnicas.



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