segunda-feira, 30 de junho de 2014

Papa diz que comunismo roubou bandeira do cristianismo

Queridos leitores, a gente até tenta não falar tanto do papa para não ficar monocórdio, mas todo dia aparece uma declaração bombástica dele que não dá para ignorar. Ninguém segura Francisco! 

A pérola de hoje, que mistura opiniões dele sobre feminismo e comunismo, está reproduzida no Brasil Post:

Em entrevista histórica, papa acusa comunismo de roubar bandeira cristã e faz piada sobre as mulheres

Gabriela Loureiro

Na primeira entrevista exclusiva concedida pelo papa a uma mulher, Francisco falou sobre comunismo e misoginia na Igreja Católica. Franca Giansoldati, do jornal italiano Il Mesaggero, bem que tentou, mas o papa Francisco não quis se comprometer a apontar uma mulher como chefe de um departamento do Vaticano.

Giansoldati perguntou se poderia fazer uma crítica e, diante da afirmativa, disse que o papa fala pouco sobre as mulheres e, quando fala, é apenas de um ponto de vista da maternidade e do casamento, enquanto as mulheres lideram estados, multinacionais e exércitos. "Na Igreja, para o senhor, que lugar as mulheres ocupam?", questionou a jornalista.

"As mulheres são a coisa mais bonita que Deus fez. A Igreja é mulher. Igreja é uma palavra feminina. Não se pode fazer teologia sem essa feminilidade. Mas sim, você tem razão, não se fala o suficiente. Concordo que devemos trabalhar mais a teologia das mulheres e sim, estamos trabalhando nesse sentido", respondeu o papa.

A jornalista então perguntou se não existe uma misoginia como pano de fundo nessa situação. "O fato é que a mulher veio de uma costela", disse Francisco, aos risos, para depois se desculpar explicando que era uma piada diante da perplexidade de Giansoldati. "Concordo que devemos nos aprofundar na questão feminina", limitou-se a comentar o papa.

Quando questionado se podemos esperar uma decisão histórica de Francisco, como uma mulher chefe de departamento do Vaticano, o papa apenas disse que os padres "acabam agindo sob a autoridade das donas de casa".


Comunismo

Na mesma entrevista, a jornalista comentou que as críticas de Francisco ao capitalismo desenfreado levaram alguns a rotulá-lo como marxista, no que ele respondeu que os comunistas roubaram a bandeira do cristianismo.

Ele foi questionado sobre um post no blog da revista Economist que dizia que ele soava como um leninista quando criticou o capitalismo e pediu uma reforma econômica radical.

"Eu só posso dizer que os comunistas têm roubado a nossa bandeira. A bandeira dos pobres é cristã. A pobreza está no centro de o Evangelho", disse ele, citando passagens bíblicas sobre a necessidade de ajudar os pobres, os doentes e os necessitados.

"Os comunistas dizem que tudo isso é comunismo. Claro, vinte séculos mais tarde. Então, quando eles falam, pode-se dizer: 'mas então você é cristão'", disse ele, rindo.

Desde sua eleição, em março de 2013, Francisco tem frequentemente atacado o sistema econômico global como sendo insensível aos pobres e não fazer o suficiente para compartilhar a riqueza com aqueles que mais precisam.

No início deste mês, ele criticou a riqueza feita a partir de especulação financeira como intolerável e disse que a especulação com commodities era um escândalo que comprometeu o acesso dos pobres aos alimentos.



domingo, 29 de junho de 2014

Papa ergue sua voz em defesa dos albinos africanos

Um ano atrás, comentamos aqui sobre a história de terror (real) pela qual passam os albinos africanos. Agora chega a vez do papa Francisco emprestar sua voz para defendê-los, segundo informa o IHU:

Campanha pelos albinos africanos. 
Jorge Mario Bergoglio emprestou sua voz ao “padre Francis”, personagem de uma novela-denúncia digital

O Papa Francisco aderiu à campanha mundial para sensibilizar sobre a situação dos africanos albinos, #HelpAfricanAlbinos, lendo uma frase para um “social audio book”, um audiolivro participativo que será divulgado pela internet. O livro Sombra branca foi escrito por Cristiano Gentili, cooperador internacional e ex-funcionário da ONU na África, que há alguns meses foi recebido pelo Papa no Vaticano, e, por ocasião da apresentação da campanha on line no sítio ombrabianca.com, reuniu-se novamente com o Papa na quinta-feira, dia 26, durante a audiência geral na Praça São Pedro.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi e publicada no sítio Vatican Insider, 26-06-2014. A tradução é de André Langer.

Os albinos, na África, sofrem discriminações e violência desde sempre. “As pessoas com albinismo, na maioria dos países africanos, sobretudo na Tanzânia, são ‘presas’ no verdadeiro sentido da palavra: as partes dos seus corpos são consideradas amuletos da sorte, e esta é a causa da sua desgraça”, indica o sítio. “Marginalizados pela sociedade – continua a explicação –, que não os considera africanos, pelo mercado de trabalho, pelos familiares que em muitos casos os abandonam ao nascer, são vítimas de homicídios rituais. Sua perseguição está relacionada à superstição. Desta forma, os “africanos albinos” lutam para sobreviver desde a sua chegada ao mundo. Na África, vivem dezenas de milhares de pessoas com albinismo. Na África, a taxa de albinismo encontra-se entre as mais altas do mundo. E a sociedade do mundo civil não leva em consideração as míseras condições de vida destes seres humanos, sobretudo as crianças.

Segundo a crença popular, as partes do corpo têm fortes poderes mágicos e dão riqueza, fortuna e fertilidade aos que as possuem. Um doente de Aids acredita curar-se através de uma relação sexual com uma mulher albina; os pescadores, com partes do corpo de uma pessoa com albinismo tecidas nas redes, estão convencidos de que pescarão mais. Para alimentar este mercado, as pessoas albinas são perseguidas, mortas, mutiladas; suas sepulturas são profanadas e os restos roubados. Pernas, ossos e braços são enterrados na terra de minas para que o ouro brote à superfície. Órgãos genitais são usados como poção em remédios contra a infertilidade. À barbárie humana somam-se os problemas de saúde derivados da falta de melanina e da constante exposição ao sol equatorial, que causa queimaduras, infecções, cegueira e, na maioria dos casos, tumores na pele. Cerca de 80% dos albinos tanzanianos não passam dos 30 anos. O câncer de pele é um homicida silencioso. Sua esperança de vida é de 32 anos”.

Consciente deste drama, Cristiano Gentili escreveu uma “novela-denúncia” inspirando-se na realidade. Não encontrou nenhum editor, apesar de ter se dirigido a políticos, homens e mulheres do espetáculo, jornalistas e professores universitários. Nunca obteve uma resposta. Entretanto, no ano passado escreveu ao Papa Francisco e em novembro recebeu uma resposta do Vaticano. Propuseram-lhe que participasse como relator de um congresso internacional sobre os problemas do desenvolvimento na África, organizado pela Pontifícia Academia das Ciências. Jorge Mario Bergoglio, depois, quis reunir-se com Cristiano Gentili. Durante o encontro, o autor propôs que lesse uma frase deste “audiolivro social”. O Papa escolheu duas frases do “padre Francis”, o único sacerdote que aparece no livro, um personagem que tem seu nome, Francisco, embora Gentili tenha escrito o livro antes da eleição do Pontífice argentino e, portanto, antes que se fizesse chamar pelo nome do santo de Assis. “Francis levantou as mãos para o céu – é a passagem lida pelo Papa Francisco – e disse: ‘Deus está em cada ser humano. A vida de um ser humano vale a vida de toda a humanidade. Se se ofende uma pessoa, ofende-se a Deus’”.

E depois também se ouve a voz do Pontífice, quando o padre Francis se dirige a uma criança albina: “O religioso a interrompeu com um gesto de mão. ‘Reflete sobre o que acabo de dizer. Permaneçam em Deus e Ele permanecerá com vocês’”. A campanha, apoiada por algumas ONGs, como a Médicos com a África – Cuamm, está acontecendo pela internet e dela pode participar quem o desejar, emprestando sua voz para completar as frase do livro. Todas, menos aquelas já pronunciadas pelo Papa Francisco.



sábado, 28 de junho de 2014

100 anos do assassinato que deu causa à Primeira Guerra Mundial

"Aff.. vem aí um péssimo século"

No dia 28 de junho de 1914, por volta das 10:45 h da manhã de Sarajevo, hoje capital da Bósnia-Herzegovina e naquela época capital da província de mesmo nome que fazia parte do Império Austro-Húngaro, eram assassinados o arquiduque Francisco Ferdinando e sua esposa Sofia.

Foi o estopim da Primeira Guerra Mundial, conflito que nunca pode deixar de ser analisado em conjunto com a Segunda Guerra que lhe seguiu, eventos que marcaram profundamente o século XX e transformaram para sempre o mundo em que vivemos.

O arquiduque Francisco Ferdinando era herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, este próprio uma ficção geopolítica criada em 1867 que, mediante a união das coroas de Áustria e Hungria, reunia uma série de países e nacionalidades na imensa colcha de retalhos pátrios que caracterizava a Europa do século XIX.

Para que o leitor tenha uma ideia da diversidade territorial e cultural do Império Austro-Húngaro, basta lembrar que ele compreendia regiões que hoje estão espalhadas (parcial ou totalmente) em 13 países: Áustria, Hungria, República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegovina, Sérvia, Montenegro, Itália, Romênia, Polônia e Ucrânia.

Quem acompanha os atuais incidentes entre as nacionalidades ucraniana e russa na região fronteiriça entre os dois países consegue imaginar o quanto era complicado manter todos esses povos vivendo debaixo do mesmo teto no início do século XX.

Francisco Ferdinando não nasceu para ser imperador, pois era sobrinho do soberano Francisco José I e o terceiro na linha sucessória. Ocorre que o príncipe-herdeiro, seu primo Rodolfo, se suicidou em 1889, e - após a renúncia ao direito de sucessão por seu pai - Ferdinando passou a ser o pretendente ao trono.

Casou-se em 1900 com a condessa Sofia Chotek que, por não pertencer a nenhuma casa real europeia, fez com que o casamento fosse considerado morganático, ou seja, ela jamais poderia ser chamada de imperatriz nem seus filhos poderiam herdar o trono, pesada obrigação que o amargurado imperador Francisco José impôs à união.


Sofia e Francisco Ferdinando: um final infeliz

Além disso, Sofia não podia se sentar ao lado do arquiduque em cerimônias oficiais, mas podia acompanhá-lo caso Francisco Ferdinando estivesse fazendo uma visita militar, o que era o caso daquele dia 28 de junho de 1914.

Sarajevo estava em polvorosa naqueles dias devido às intrigas entre os austro-húngaros e o Reino da Sérvia, que queria ver independentes os países eslavos do Império, tanto a Bósnia como a Croácia, com os quais formaria depois a união que ficou conhecida como Iugoslávia, Estado pan-eslavo que só seria desmembrado - também com muito derramamento de sangue inocente - nos anos 1990.

O Império Alemão, comandado pelo kaiser Guilherme II e aliado da Áustria-Hungria, acompanhava de perto o desenrolar daquele perigoso jogo geopolítico, interessado que estava em estender sua influência por toda a Europa.

Parece que Francisco Ferdinando não percebeu a gravidade do momento ou não deu atenção aos fantasmas que assombravam a Europa do início do século XX.

Com a intenção de mostrar seu poderio militar e também agradar sua esposa, exibindo-a ao público numa situação em que isso não era proibido, Francisco Ferdinando resolveu se aventurar em Sarajevo num carro aberto, crendo - talvez - que ninguém ousaria levantar a mão contra o herdeiro do trono.

Ali os esperava a resistência sérvia, organização que se opunha à aproximação de seu país com o Império Austro-Húngaro, e era organizada em várias facções terroristas, sendo uma delas a Mão Negra, da qual um jovem chamado Gavrilo Princip era membro.

A Mão Negra havia preparado um atentado contra Francisco Ferdinando naquele dia. Vários terroristas estavam dispersos na multidão, prontos para matar o arquiduque.

Um deles conseguiu lançar uma granada que explodiu a poucos metros do carro aberto em que ele e Sofia estavam, ferindo cerca de 20 pessoas.

Visivelmente contrariado, Francisco Ferdinando ainda foi até a sede da Prefeitura, onde lideranças cristãs, muçulmanas e judias de Sarajevo o esperavam.

O arquiduque cancelou parte da agenda que deveria cumprir naquele dia para visitar os feridos no hospital local. Antes de chegar lá, entretanto, seu motorista se perdeu na cidade convulsionada, entrou na rua errada e o carro terminou indo na direção de Gavrilo Princip, que, ao ver o herdeiro do trono e sua esposa, não titubeou e atirou neles com a pistola Browning calibre 7,65 x 17 mm que portava.

Baleados, ambos não resistiram aos ferimentos e morreram poucos minutos depois.  O segundo atentado no mesmo dia foi fatal.


O assassino Gavrilo Princip é preso pouco depois de atirar no casal imperial.

Essa misteriosa força chamada "acaso" fizera o arquiduque ir parar no exato lugar onde, "por acaso", havia alguém pronto para matá-lo.

Terminava ali uma história de amor que havia vencido a proibição imperial, juntamente com o próprio Império que não resistiria ao final da guerra, 4 anos depois.

Obviamente, não foi o duplo assassinato a grande causa do início da guerra, mas abriu a torneira para que jorrassem os interesses imperialistas dos países europeus.

O Império Austro-Húngaro, insuflado pelo kaiser Guilherme II, propositalmente exigiu reparações e condições que a Sérvia, apoiada pelo tzar Nicolau II, além de França e Grã-Bretanha, jamais poderia aceitar, e o conflito começou 30 dias depois dos atentados de Sarajevo.

Vinham pela frente 4 anos de terror, com milhões de mortos, inclusive entre os reis. Francisco José morreu em 1916 e Nicolau II foi assassinado pelos bolcheviques em 1918, depois de ter sido deposto pela Revolução Russa de 1917. Guilherme II também perderia a coroa no fim da guerra. 

Na verdade, a Primeira Guerra Mundial foi o prelúdio da Segunda, e o mundo nunca mais foi o mesmo a partir de então.

E até hoje sofremos, de certa maneira, as consequências do assassinato cometido exatos 100 anos atrás.

Os fantasmas do passado continuam voando por aqui, agora em escala global. Para espantá-los, é fundamental relembrar o passado para nunca mais repeti-lo.

O arquiduque e sua esposa em foto tirada 5 minutos antes do atentado que os matou

A BBC Brasil preparou uma simulação muito interessante, de como teria sido uma cobertura nos padrões atuais, minuto a minuto, dos acontecimentos daquele fatídico dia 28 de junho de 1914. Para visualizá-lo, clique aqui.



sexta-feira, 27 de junho de 2014

Ramadã desafia jogadores muçulmanos durante a Copa


A notícia é do Brasil Post:

Jogadores muçulmanos na Copa enfrentam decisão sobre ramadã

A fase de mata-mata da Copa do Mundo coincide com o início do ramadã e os jogadores muçulmanos devem decidir se vão aderir ao jejum religioso, com duração de um mês, que começa no fim de semana.

França, Alemanha, Suíça, Bélgica, Argélia e Nigéria estão entre as seleções que possuem jogadores muçulmanos, que devem optar se vão se submeter ao período de 30 dias de jejum e reflexão.

Durante o ramadã, o nono e mais sagrado mês do calendário islâmico, espera-se que todos os muçulmanos adultos e sadios deixem de comer e beber durante a luz do dia.

Esse cenário poderia causar estragos no caso de atletas de elite, com dietas cuidadosamente controladas, especialmente nas condições úmidas e quentes nas quais alguns jogos têm sido disputados no Brasil.

“O desafio principal é tentar manter a hidratação diariamente, e em segundo lugar tentar manter os níveis de energia”, disse Emma Gardner, nutricionista do Instituto Inglês do Esporte, à Reuters.

“A massa muscular também é um problema. As pesquisas apontam que as pessoas podem perder massa ao longo do período do ramadã, embora a tendência é que isso ocorra no período inicial”, disse ela.

As observações de Gardner contrastam com as feitas por Jiri Dvorak, diretor-médico da Fifa, que disse em uma coletiva de imprensa na segunda-feira que os jogadores submetidos ao jejum não teriam qualquer deterioração em sua condição física.

“Fizemos extensos estudos em jogadores durante o ramadã, e a conclusão foi que se o ramadã for acompanhado adequadamente, não há nenhuma redução no desempenho físico dos jogadores”, disse Dvorak aos jornalistas.

OZIL NÃO PODE JEJUAR

O alemão Mesut Ozil é um dos jogadores que já decidiu o que fazer.

“O ramadã começa no sábado, mas eu não vou participar porque estou trabalhando”, disse ele em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira.

“Para jogadores que obedecerem ao jejum durante o Mundial, o momento ideal para jogar seria no fim do dia, pois é mais perto da hora em que podem reabastecer e reidratar”, disse Gardner, que já trabalhou com um jogador de hóquei nessa situação.

“Alguns atletas optam por usar o bochecho, no qual basicamente enxaguam a boca com água, mas ingerem nada”, disse ela, que também já atuou junto ao clube inglês Blackburn Rovers.

A desidratação pode ter um efeito negativo sobre o desempenho. A perda de um ou dois por cento dos fluídos em relação ao peso leva a problemas como falta de concentração.

No entanto, a nutricionista disse que a melhor maneira de auxiliar o jogador em jejum seria consultar seu técnico para assegurar o planejamento adequado da atividade física e recuperação, com a recomendação de que treinem somente uma vez por dia.

Realimentar o corpo sob tais circunstâncias não é fácil, já que toda a ingestão diária deve ser feita à noite.

“Descobri que no intervalo do jejum, para devolver o atleta a um estado hidratado ele deve ingerir cerca de seis litro de fluídos”, disse Gardner.

"As diretrizes mandam de dois litros e meio a três litros de fluído por dia, então muitas pessoas se surpreendem ao ouvir seis", acrescentou.





quinta-feira, 26 de junho de 2014

Religiões que acreditam em alienígenas


Matéria interessante publicada no Canna Club:

Religiões que acreditam em aliens

Nada de portões sagrados do céu, jardim do Éden, transformar água em vinho ou um velho de barba branca em uma arca: o foco de algumas religiões está na crença em ETs.

Você já ouviu falar em religiões UFO? Pois é, como o próprio nome sugere, são crenças que giram em torno de OVNIs e extraterrestres — nossos vizinhos, e, caso alguém nunca tenha lhe avisado até agora, existe uma série dessas religiões “aliens” espalhadas ao redor do planeta.

Por um lado, é muito egoísmo do ser humano achar que ele é raça mais desenvolvida no universo, pois a quantidade de galáxias descobertas e planetas possivelmente habitáveis são notícias frequentes em sites do ramo.

Por outro lado, algumas dessas crenças alternativas são tão mirabolantes e viajam tanto em fábulas bizarras que fica difícil botar uma fé concreta nelas.

Chen Tao (o caminho direito)

Esse culto foi formado em 1993 — na região do extinto Taiwan —, pela ex-professora de sociologia Hon-ming Chen, e misturava Cristianismo, Budismo, New Age e as inusitadas crenças em OVNIs.

Os fiéis tinham o costume de acreditar em alguns dogmas bem bizarros: na cabeça deles, a ideia em comum era de que a guerra nuclear criou e aniquilou o sistema solar em quatro diferentes eras. E tem mais: que Deus pegou os sobreviventes em um disco voador — sim, eles defendiam essa teoria com unhas e dentes.

Além disso, esse grupo de malucos ganhou destaque ao anunciar que o fim do mundo viria durante a última semana de março de 1998 — até agora, nada. Chen acreditou que Deus iria aparecer na televisão no mundo inteiro ao mesmo tempo, com a guerra nuclear e os desastres naturais acontecendo instantes depois.

Por causa disso, a ex-professora e seus fiéis seguidores se mudaram para Garland, Texas, achando que o lugar — chamado de “Terra de Deus” — iria salvá-los do caos. Contudo, Deus era muito tímido para aparecer na TV ou algo deu errado na transmissão, e o mundo continuou a girar normalmente até hoje. Após o fiasco, o grupo silenciosamente desapareceu na obscuridade e não foi ouvido desde 2001.

Ordem Fiat Lux

Se você pensou que era uma caixinha de fósforos, está errado! Sendo o termo em Latim para “Haja Luz”, a Ordem Fiat Lux teve o início de suas atividades em 1973, quando a sua fundadora — Erika Bertschinger, uma secretária suíça — caiu sobre sua cabeça durante um passeio a cavalo.

Por um milagre dos deuses ou pela loucura depois do tombo, ela descobriu que era a própria Virgem Maria e poderia se comunicar com seres transcendentais, como Jesus Cristo.

Sendo assim, Erika mudou seu nome para Ueriella e fundou seu grupo de seguidores e saiu divulgando suas ideias pela Alemanha. Eles acreditavam em algumas teorias bem malucas: que o mundo seria devastado em meados de 1998, por discos voadores nazistas e desastres naturais, e também que alguns ETs amigáveis viriam para resgatar os poucos humanos escolhidos e usá-los para criar um novo paraíso na Terra.

Porém, depois que o ano de 1998 terminou, a tese deles foi definitivamente para o espaço e o grupo nunca mais teve seus créditos em teorias mirabolantes do tipo.

Academia de Ciências Unarius

Formada em San Diego no ano de 1954 pelo casal Ernest e Ruth Norman — que juravam serem reencarnações de um ser poderoso, chamado Unarius —, essa galera tinha algumas crenças muito estranhas: acreditavam que as proezas psíquicas tendem a crescer se você meditar regularmente com um crânio de cristal — supostamente de 10 mil anos atrás — chamado "Max".

O grupo também ensinava "física interdimensional" aos seus adeptos, que eles afirmavam ter a capacidade de responder a todas as perguntas sobre o universo e toda a sua existência. Além disso, a Terra iria enfrentar uma colisão com outro planeta e este evento marcaria o início de uma era próspera. Era previsto para isso acontecer em 2001, com o desembarque de várias naves espaciais.

Contudo, ninguém viu essa magnífica cena dos filmes de Hollywood ocorrer e, quando a teoria deles falhou, mais tarde veio uma explicação: os ataques de 11 de setembro de 2001 mostraram aos alienígenas que a humanidade ainda não estava pronta para se reunir com eles e, assim, os nossos amigos ETs adiaram o evento.

Forças Dimensionais Exteriores (ODF)

De acordo com Orville Gordon, o fundador da seita Outer Dimensional Forces, algumas "forças dimensionais do terror" começariam o Armageddon na Terra depois que viram como os seres humanos abusaram do planeta.

Então, ele mudou o nome para Nodrog ("Gordon" de trás para frente) e transformou sua casa em uma verdadeira base de pouso para discos voadores. Sabe por quê? Para que os seus seguidores fossem apanhados pelos extraterrestres e levados para um local seguro durante o dia do juízo final.

Especula-se que Gordon morreu e foi enterrado em algum lugar em sua “base UFO”. O grupo tem persistido até hoje em suas teorias malucas.

One World Family Commune

Conhecida como a Igreja Industrial do Consolador do Novo Mundo, essa religião combina muito com os hippies, comunistas, entre outros. O culto surgiu na Califórnia, em 1973, e, de acordo com o seu fundador — um pintor chamado Allen Noonan —, ele teria experimentado uma série de encontros sobrenaturais com extraterrestres (as famosas abduções) e recebia até instruções dos aliens, carinhosamente apelidados de “Galactic Elohim of Galactica”.

Com isso, Noonan mudou seu nome para Michael Allen e começou a formar seu próprio grupo, sob a doutrina central do Uni-Comunismo. De acordo com essa crença, a paz pode ser alcançada quando todos os países estiverem desarmados e as pessoas formarem uma comunidade com os costumes hippies.

Segundo eles, esses alienígenas foram os criadores originais da Terra e um dia iriam voltar para o nosso planeta, ajudando na transformação da sociedade — onde a energia é livre e a injustiça não existe.

I AM Activity

Essa é uma das primeiras religiões UFO que existem no Planeta Azul, iniciando as atividades em 1930. O motivo da crença deles? De acordo com Guy Ballard — fundador do culto —, ele se encontrou com o lendário St. Germain (mestre dos martinistas) em MT. Shasta, na Califórnia, e teria recebido algumas instruções de como comandar o seu povo, através de uma orientação telepática.

Após Ballard morrer em 1939, sua esposa — Edna — tornou-se o principal canal para as mensagens divinas, que ela continuou a receber até sua morte em 1971. Desde então, o movimento tem sido controlado pelo seu conselho de administração, com base em Illinois. Estima-se que eles tenham mais de 300 grupos de seguidores espalhados pelo mundo.

Tempelhofgesellschaft (Sociedade Templo)

Não é uma nenhuma surpresa que os neonazistas gostam de se gabar de sua raça, no entanto, alguns deles vão além e acreditam que seus antepassados ??realmente vieram do espaço sideral. Em uma combinação bizarra de superioridade racial falsa e fascínio UFO, a Tempelhofgesellschaft foi formada em Viena na década de 1990.

A tese era de que a raça ariana teve sua origem com os antigos sumérios do planeta Aldebaran — que teriam vindo para cá há milhares de anos e se estabeleceram em Atlântida. Eles também acreditam que os sumérios serão obrigados a dominar o mundo um dia e conquistar as outras raças, especialmente os judeus.

Seekers

Em 1954, o ilustre Leon Festinger, em mais um de seus estudos revolucionários, presenciou um culto apocalíptico em Chicago — conhecido como “Seekers”. Eles acreditavam que estavam recebendo mensagens de seres chamados de "Guardiões", que vieram do planeta Clarion.

O aviso era que o mundo iria acabar em 21 de dezembro de 1954, e com isso os magníficos “Guardiões” teriam instruído os fiéis a ficarem atentos no dia de resgate. No entanto, por causa de muitas zombarias e da mídia, o grupo perdeu muito de sua influência. Mesmo assim, está ativo até hoje.

Fundação Urântia

Este grupo é famoso e promove “O Livro de Urântia” como sua espécie de Bíblia. Essa galera acredita que essas escrituras são obra de alguns alienígenas, chamados de “Comissão Orvonton”. De acordo com eles, as mensagens escritas no livro vieram durante o sono ou em outros momentos de relaxamento total (meditação, viagem astral) para o médico Sadler, em meados de 1930.

Atualmente, existem inúmeros de grupos afiliados em dezenas de países. Só para você ter ideia, mais de meio milhão de exemplares do “O Livro de Urântia” já circularam pelo globo. De acordo com essas escrituras, o verdadeiro nome de Jesus era Michael e o universo é composto de sete anéis concêntricos, sendo que Deus habita no meio.

Além disso, a Fundação Urântia também afirma que o livro substitui a Bíblia com perfeição como a autoridade máxima da verdade sobre a vida, o universo e tudo mais. Se você ficou curioso a respeito, saiba que esse livro pode ser baixado gratuitamente na web.

O Círculo Cósmico da Comunhão

Este grupo foi formado no início de 1950, em Chicago. Seu fundador — um carteiro chamado William Ferguson (posteriormente ele passou a ser um fraudador condenado) —, afirmou ter feito contato com seres de outros planetas.

De acordo com suas palavras, ele foi subitamente transportado para a “Sétima Dimensão”, onde recebeu a iluminação plena. Além disso, também se tornou amigão de um ser chamado Khauga (uma espécie de deus, que teria levado Ferguson a Marte) e dos líderes dos venusianos — sim, nossos vizinhos que moram no planeta Vênus.

Ferguson também afirma que suas técnicas de relaxamento profundo (meditação, projeção astral) podem ajudar os membros a atingir um nível superior de consciência dimensional e permitir que eles façam uma viagem para fora de seus corpos terrenos.

Após Ferguson morrer, em 1967, a filial de Chicago assumiu o controle do grupo, que ainda está em plena atividade.



quarta-feira, 25 de junho de 2014

Maio foi o mês mais quente registrado na história


A preocupante notícia vem da Agência Brasil:

Maio foi o mês mais quente no planeta desde 1880

O mês de maio foi o mais quente no planeta desde que se começaram a registrar temperaturas, em 1880, divulgou hoje (23) a agência norte-americana responsável pelos oceanos e pela atmosfera.

A temperatura média do planeta chegou a 15,54 graus centígrados, 0,74 grau acima da média do século 20, de acordo com a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA). O recorde anterior tinha sido estabelecido em 2010.

"A maior parte do mundo teve temperaturas mais quentes que a média mensal, com temperaturas altas recorde no leste do Cazaquistão, em partes da Indonésia, e no centro e noroeste da Austrália", comunicou a NOAA.

A temperatura dos meses de maio dos últimos 39 anos tem sido superior à média de todo o século 20. Abril também é um mês historicamente quente por todo o globo, e a temperatura média registrada igualou os valores de 2010, os mais altos desde 1880, divulgou a NOAA.

O aumento da temperatura é consequência do aquecimento global. A última vez que as temperaturas de maio ficaram abaixo da média do século 20 foi em 1976, de acordo com a agência norte-americana.



terça-feira, 24 de junho de 2014

A complicada relação do Vaticano com a máfia


No último domingo, reproduzimos aqui a notícia de que o papa Francisco excomungou os mafiosos. Agora, o IHU publica entrevista com a professora Alessandra Dino, da Universidade de Palermo, que trata das complicadas relações entre o Vaticano e a máfia:

As estreitas relações entre máfia e religião. 
Entrevista com Alessandra Dino


"Nenhuma ruptura." As palavras do Papa Francisco proferidas em Síbaris são uma evolução da frase "Arrependei-vos, virá o juízo de Deus", dirigida aos mafiosos pelo Papa Wojtyla em 1993, no Valle dei Templi. A explicação é de Alessandra Dino, professora de sociologia da Universidade de Palermo e autora do livro La Mafia devota. Chiesa, religione, Cosa Nostra [A máfia devota. Igreja, religião, Cosa Nostra], que analisa a relação entre a Igreja e a máfia, com pesquisas de campo e entrevistas com os párocos da província de Palermo entre 2004 e 2005. 


A reportagem é de Mario Marcis, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 22-06-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.


Eis a entrevista.

Que uso a máfia fez da religião ao longo do tempo?

Para a máfia, ela sempre foi um instrumento. Sempre foi importante ter a religião por trás. Depois, ela serviu para tornar mais sólido o vínculo associativo em seu interior, porque ela cria formas de ritualidade entre os membros dos clãs, que se sentem assim legitimados de cometer crimes sem nenhum senso de culpa. Mas acima de tudo dá à máfia uma legitimação das suas ações criminosas. Mas também a Igreja usou a máfia. Basta pensar nas declarações de Francesco Marino Mannoia, que contou sobre os investimentos de Michele Sindona no IOR.

Qual é a sensibilidade dos párocos em relação à máfia? No seu livro, você escreve que 65% dos seus entrevistados manifestaram muita ambiguidade.

Veio à tona a partir da pesquisa que a consciência do fenômeno mafioso era percebida em uma porcentagem muito reduzida. Pedi que os párocos me dessem uma definição de "mafioso". Muitas vezes, a resposta era a que os mafiosos dariam de si mesmos, "homens de honra". Mas o aspecto mais chocante foi a resposta que muitos deles davam à pergunta "Quem são os colaboradores da justiça". O juízo era mais negativo do que o dado pelos mafiosos. Surgia a ideia da traição. Para eles, o único arrependimento possível é o diante de Deus.

Mas, então, a Igreja é contra ou a favor da máfia?

Existem muitas Igrejas. Há inúmeros testemunhos de padres que se rebelaram contra o crime organizado e, por isso, foram mortos. Depois, é preciso dizer que a Igreja, como instituição, enfrentou o problema muito tarde. O primeiro documento oficial sobre a máfia é o do cardeal Ruffini, que, em 1963, falava a respeito como de "uma invenção dos comunistas para prejudicar a Democracia Cristã". Isso logo depois do massacre de Ciaculli. Tiveram que passar 30 anos para que a Igreja tomasse uma posição mais clara, com o discurso do Papa Wojtyla. Poucos meses depois, no dia 15 de setembro de 1993, era assassinado o padre Pino Puglisi. A morte, que ocorreu depois do discurso do papa, demonstra os efeitos que podem produzir os posicionamentos claros da Igreja e dos papas, em particular. Foi uma vingança, uma resposta direta a João Paulo II.

O Papa Francisco foi o primeiro a pronunciar a palavra "excomunhão"?

Houve, na Igreja, quem se pronunciou em favor da excomunhão contra os mafiosos. Mas se referia aos homicídios realizados, não ao simples fato de fazer parte do crime organizado. As palavras do Papa Francisco podem ser lidas como um 416-bis [artigo do Código Penal italiano que penaliza a "associação para delinquir"] da Igreja. Desta vez, há o agravante. É muito importante que a Igreja se pronuncie contra sem ambiguidade, porque a força dessa conivência sempre foi justamente a ambiguidade. A máfia também a usava para dar de si uma imagem "divina" para fora. Prova disso são os pizzini [folhetos da máfia] de Provenzano, em que se retomavam as passagens da Bíblia ou o fato de que Nino Mangano se fizesse chamar por "U Signuri".

Qual é a diferença entre as palavras de Wojtyla e as do Papa Francisco?

Não há nenhuma diferença, mas continuidade. A Igreja, antes, pediu o arrependimento terreno e depois de 21 anos introduziu um segundo nível. Você tem a oportunidade de se arrepender; se não o fizer, está fora. Foi isso que Bergoglio disse hoje.



segunda-feira, 23 de junho de 2014

Cuiabá respira religião durante a Copa

É o que informa o UOL Copa:

Com tradução, torcida e festa, religiosos tentam se aproximar da Copa em MT

Guilherme Costa

Minutos antes de a Nigéria chegar para treinar na UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), na véspera do confronto com a Bósnia na Arena Pantanal, um grupo de torcedores esperava a seleção africana. Eram todos brasileiros, e chamava atenção um trio envolvido em bandeiras com as cores do país africano. Arthur Marques, Camila Brígida e Graziela Gallo acompanharam a equipe nacional desde o desembarque no aeroporto em Cuiabá. Os três viajaram à capital mato-grossense como parte de um programa de uma igreja e simbolizam o quanto diferentes religiões têm feito esforços para se aproximar da Copa do Mundo de 2014.

Arthur, Camila e Graziela viajaram de Bragança Paulista para Cuiabá com passagens compradas pela comunidade religiosa que frequentam. Os três tiveram de custear despesas na capital mato-grossense – eles ficaram hospedados em aposentos da própria igreja. O trio levou panfletos em diferentes idiomas para espalhar entre torcedores das seleções que passarem pela cidade.

"Irã, Argélia, Nigéria, Rússia e Colômbia estão entre os países que mais matam cristãos no mundo, e os três últimos têm jogos da Copa em Cuiabá", relatou Graziela. Além dos panfletos e das bandeiras, o trio levou camisetas especiais à capital mato-grossense. Eles fazem parte de uma missão fundada pelo pastor Jonathan Ferreira dos Santos, que espalhou representantes em todas as sedes da Copa.

No entanto, a missão não foi a única tentativa de religiosos se aproximarem da Copa. Um grupo ligado a outra igreja realizou ações no Fifa Fan Fest e nas imediações da Arena Pantanal. Eles ofereceram pinturas de rosto e fizeram danças coreografadas.

Igrejas católicas de Cuiabá apostaram em missas traduzidas. A São Gonçalo criou cerimônia em espanhol, e a catedral Basílica do Senhor Bom Jesus de Cuiabá fez toda a liturgia em inglês. O programa especial foi um pedido do prefeito Mauro Mendes.

No bairro Bandeirantes, um grupo montou no dia 12 de junho uma tenda para difundir o islamismo em Cuiabá. Lideradas pelo sheik Omar Omama, as pessoas distribuem livros e panfletos sobre a religião e tentam interação com o público. O material é traduzido para inglês, espanhol, russo, alemão e italiano.

Ao site "Mídia News", Omama disse que Cuiabá tem 200 famílias de origem muçulmana e outras 15 convertidas. O foco da ação, contudo, é a presença de turistas estrangeiros na cidade – sobretudo para o jogo do último sábado, disputado por Bósnia e Nigéria, dois países que têm grandes contingentes de praticantes da religião.

Na sexta-feira, jogadores da seleção da Bósnia e alguns torcedores da Nigéria estiveram na mesquita de Cuiabá. Até aqui, mais de 100 mil livros foram distribuídos pelos muçulmanos na cidade.





domingo, 22 de junho de 2014

Papa excomunga os mafiosos


Visitando ontem, 21/06/14, a Calábria, na região sul da Itália, o papa Francisco emitiu a excomunhão dos mafiosos, segundo noticia a BBC Brasil:

Papa excomunga máfia italiana por 'adoração do mal'

O papa Francisco condenou neste sábado a máfia italiana pelo o que chamou de "adoração do mal" em uma missa na região da Calábria.

A Calábria, no sul da Itália, é considerada a base da organização criminosa 'Ndrangheta, uma das mais influentes do país. O pontífice também excomungou os gângsteres.

Mais cedo, Francisco visitou uma prisão onde se encontrou com um homem cujo filho de três anos foi morto em um aparente "acerto de contas" envolvendo o não pagamento de uma dívida de drogas.

Durante seu discurso, o papa criticou repetidamente o crime organizado e a corrupção.

Em frente a centenas de milhares de pessoas, ele descreveu a 'Ndrangheta como "adoração do mal e do desprezo do bem comum".

"Aqueles que em suas vidas seguem o caminho do mal, como os mafiosos, não estão se comunicando com Deus", disse o papa, de acordo com a agência de notícias Reuters. "Eles estão excomungados".

Encontro com prisioneiros

A 'Ndrangheta é composta por uma rede de pequenas organizações criminosas no sul da Itália que domina o comércio de cocaína do país. Trata-se de uma das mais poderosas máfias da Itália, ao lado da siciliana Cosa Nostra e da napolitana Camorra.

Na manhã deste sábado, Francisco visitou uma prisão onde se encontrou com familiares presos de "Coco" Campolongo, um menino de três anos que foi assassinado junto de seu avô na Calábria.

"Nenhuma outra criança deve sofrer dessa maneira novamente", afirmou o pontífice.

O argentino também se encontrou com centenas de outros prisioneiros da penitenciária de Castrovillari, muitos dos quais foram condenados por crimes relacionados à atuação na máfia.

Segundo a agência de notícias AFP, muitos dos prisioneiros choraram quando foram cumprimentados pelo papa.



sábado, 21 de junho de 2014

Presidente da FIFA diz que cumpriu promessa feita ao papa

"- Conta outra, Blatter!"

Pelo jeito, o presidente da FIFA, o suiço Joseph Blatter, anda tentando limpar a sua barra em todas as esferas, inclusiva nas vaticanas, segundo noticia a Agência Brasil:

Blatter envia carta ao Papa dizendo que cumpriu promessa feita no Vaticano

O presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Joseph Blatter, enviou hoje (20) carta ao papa Francisco informando que manteve a promessa feita em novembro, durante visita ao Vaticano, em novembro do ano passado.

"Por ocasião da cerimônia de abertura [da Copa do Mundo], lançamos três pombas da paz, enviando uma mensagem firme e um símbolo de esperança ao mundo todo", escreveu Blatter na mensagem ao pontífice.

Na carta, o dirigente da Fifa destacou que o Programa Aperto de Mãos pela Paz está sendo cumprido. "Antes e depois de cada partida, as duas equipes trocam um gesto pelo paz, na forma de um aperto de mãos." A iniciativa foi concebida pela Fifa e pelo Centro Nobel da Paz como um forte signo de amizade e respeito.

Para a Copa do Mundo no Brasil, a Fifa lançou ainda campanha contra o racismo e a discriminação no futebol. O objetivo é incentivar os torcedores a publicarem selfies com a mensagem #SayNoToRacism (Diga não ao racismo) nas redes sociais. Milhares de pessoas já responderam ao apelo, entre elas os jogadores Lionel Messi, da Argentina, Steven Gerrard, da Inglaterra, e Samuel Eto’o, da Seleção de Camarões, a fim de mostrar a união da comunidade esportiva.

"Como homem de fé e como presidente da Fifa, envio à Vossa Santidade as minhas mais fervorosas e sinceras saudações pessoais, bem como aquelas de toda a família do futebol", conclui Blatter.



sexta-feira, 20 de junho de 2014

Como se comunicar com extraterrestres


A premissa é um tanto esquisita, mas vai que - de repente - você se depara com um extraterrestre por aí... neste caso, siga as instruções recomendadas pela NASA, conforme indica a Folha de S. Paulo:

O que você diria a um ET?

SALVADOR NOGUEIRA

Se você anda sem leitura, e na sua casa #nãovaitercopa, fica uma sugestão do Mensageiro Sideral: a Nasa, agência espacial americana, acaba de publicar um livro que é basicamente um guia sobre como estabelecer comunicação com alienígenas.

O volume foi editado por Douglas Vakoch, especialista em formulação de mensagens interestelares do Instituto SETI, organização que concentra suas atividades na busca por sinais de inteligência extraterrestre.

A premissa do livro é interessante. Ela transcende a famosa discussão “estamos sós no Universo?” e se concentra na pergunta seguinte: “e se descobrirmos que não estamos sós e estabelecermos contato com outra civilização no cosmos, como faremos para trocar informações com ela?”.

Daí o título “Arqueologia, Antropologia e Comunicação Interestelar”. O livro tenta emprestar dessas disciplinas voltadas para problemas mais “mundanos” — como a decifração de linguagens escritas antigas ou a compreensão do modo de pensar de povos que nunca tiveram contato direto conosco — possíveis lições aplicáveis ao futuro contato com alienígenas.

POLÊMICO

Naturalmente, com esse tema e a abordagem escolhida, o livro acabou instantaneamente envolvido em controvérsia. Uma citação pinçada de um dos capítulos e divulgada na internet fez parecer que a obra defende certas teorias conspiratórias segundo as quais sociedades humanas da antiguidade teriam recebido visitas de astronautas alienígenas, e que marcações em rochas seriam obras extraterrestres.

Veja a citação que circulou por aí: “Podemos dizer pouco, se é que podemos dizer alguma coisa, sobre o que esses padrões significam, por que foram cortados nas rochas e quem os criou. Para todos os efeitos e propósitos, eles poderiam ter sido feitos por alienígenas.”

O autor do capítulo em questão é William H. Edmondson, especialista em ciências cognitivas e inteligência artificial da Universidade de Birmingham, no Reino Unido. Mas uma leitura atenta revela que ele jamais sugeriu que há sinais de visitas alienígenas no passado terrestre. Sua passagem se refere à dificuldade inerente na interpretação de mensagens produzidas por povos (no caso em questão, humanos) separados culturalmente de nós. É uma maneira de dizer que, se tentarmos compreender mensagens alienígenas, teremos dificuldade ainda maior.

Se lido pela perspectiva certa, o livro agrega muito valor à reflexão sobre vida inteligente no universo, ao tentar avançar numa questão pouco discutida: o que esperamos de um contato com outra civilização?

O saudoso astrônomo Carl Sagan defendeu que encontrarmos uma sociedade alienígena mais avançada nos ajudaria a superar nossa “adolescência tecnológica”. Ele sugeriu que esses extraterrestres poderiam estar transmitindo uma versão da “Enciclopédia Galáctica” para nós, por meio de sinais de rádio. Até agora, todos os esforços de detecção de transmissões interestelares obtiveram, na melhor das hipóteses, resultados duvidosos e inverificáveis. Mas, se um dia eles tiverem sucesso, a pergunta que vem a seguir é: conseguiremos interpretar o significado contido na transmissão alienígena? E outra: devemos responder? Se sim, o que devemos dizer a eles, e como?

Essas e outras interessantes questões são todas investigadas minuciosamente no livro, que também apresenta um bom histórico da pesquisa SETI na Nasa. Se você estiver com o inglês afiado, recomendo a leitura. O livro pode ser baixado gratuitamente aqui, em diversos formatos, inclusive no universal PDF.



quinta-feira, 19 de junho de 2014

Ortodoxos russos sob fogo cerrado

O intrincado dilema ortodoxo russo é analisado pelo IHU:

Todas as batalhas de Kirill

É uma época complicada para o patriarca ortodoxo de Moscou: um momento que não pode não ter repercussões no longo prazo nas relações entre as Igrejas do mundo ortodoxo e, naturalmente, com Roma. Recentemente uma notícia da AsiaNews, até hoje não confirmada oficialmente, assegurava que o Papa Francisco teria enviado uma mensagem pessoal ao patriarca Kirill. Uma mensagem que não foi enviada através de canais diplomáticos, na qual o Papa teria dito a Kirill: “Estou preparado para uma reunião neste momento”.

A reportagem é de Marco Tosatti e publicada no sítio Vatican Insider, 05-06-2014. A tradução é de André Langer.

E isto é um problema. Por um lado, por questões de equilíbrio interno no Santo Sínodo, onde a ala anticatólica foi, desde sempre, muito forte. Já o Papa Wojtyla buscou estabelecer um contato pessoal (com a doação do ícone de Kazan) sem sucesso. João Paulo II era eslavo, polonês, e talvez Moscou temesse seu carisma. Mais tarde falou-se de um possível encontro com Bento XVI; mas a ideia encontrou vários obstáculos, sempre pelo lado oriental. Agora o problema volta a aparecer com Francisco: tudo parece simpático e positivo, neste sucessor de Pedro, que garante estar disposto (assim como seus antecessores) a discutir seu papel na Igreja. Mas como se faz isso?

O problema se aprofundou a partir da presença cada vez mais constante e apreciada do grande adversário de Moscou ao lado do Papa. O patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu, primus inter pares entre os ortodoxos, foi um dos protagonistas da viagem do Papa à Terra Santa e estará ao seu lado no próximo domingo, dia 08, na oração pela paz na Terra Santa. São eventos que relançam seu papel, e em consequência, fragilizam ainda mais as aspirações do Patriarcado de Moscou a uma posição de liderança na Igreja ortodoxa, à custa de Constantinopla. Não se exclui o fato de que a disponibilidade do Papa Bergoglio para encontrar Kirill se reafirme justamente para temperar os aparentes favoritismos de Roma por Bartolomeu; mas é evidente que na silenciosa batalha entre a Segunda e a Terceira Roma, a Segunda, Constantinopla, está ganhando pontos.

E depois está a crise na Ucrânia. O Patriarcado de Moscou, sólida base religiosa da política interna de Putin, assumiu uma posição basicamente prudente na crise ucraniana. A Crimeia converteu-se – por enquanto – em território russo. E Moscou tem não poucos problemas com os tártaros, muçulmanos, a cujo líder foi negado o visto de entrar novamente na península, e que se negam a se dobrar ao estado de fato. Uma Crimeia russa teria tido, como consequência natural, a passagem da Igreja Ortodoxa de obediência moscovita, sob o controle direto do Patriarcado. E, no entanto, o Patriarcado decidiu, como gesto “para os irmãos ortodoxos ucranianos”, que as três dioceses que cobrem o território da Crimeia continuem a responder à Igreja ortodoxa ucraniana de obediência moscovita. (Existem, além disso, outras duas Igrejas ortodoxas ucranianas.) Todos os bispos e sacerdotes da Crimeia – e trata-se de não menos de 150 paróquias – mantiveram seu posto.

Boa vontade, um pouco de vergonha, e talvez também o desejo de evitar grandes problemas no Concílio da Igreja ortodoxa russa, onde 76 dos 318 bispos são ucranianos frente a 180 russos. Está claro que numa situação de conflito aberto no leste deste país, a tentação da Igreja ortodoxa da Ucrânia de se emancipar da tutela moscovita é forte; como ocorreu em 1992 com a criação de uma Igreja autônoma. Não é por acaso que o Patriarcado de Moscou tenha divulgado nos últimos meses apelos à paz do metropolita Onofrio de Kiev; um movimento do qual provavelmente Putin não gostou.

E esta obrigada moderação fez com que o Patriarcado de Moscou tenha perdido a posição contra o inimigo favorito dos ortodoxos russos, ou seja, a Igreja greco-católica ucraniana. Falando na Bielorússia, o metropolita Hilarión, o ‘Ministério do Exterior’ do Patriarcado, acusou os greco-católicos de “ter desempenhado um papel destrutivo” na crise. “Ao contrário da Igreja ortodoxa canônica ucraniana – disse –, que foi capaz de, durante estes meses difíceis, unir pessoas de diferentes pontos de vista políticos, inclusive aquelas que participaram das barricadas, os ‘uniatas’ (termo negativo usado pelos ortodoxos para identificar os greco-católicos, N.D.R.), se posicionaram de maneira aberta a favor de uma das partes do conflito”.

Hilarión recordou o Concílio de Brest, de 1595, no qual se decidiu pelo retorno à comunhão com Roma das dioceses ortodoxas ucranianas e bielorussas. E acusou os greco-católicos atuais de trabalhar contra o diálogo entre católicos e ortodoxos, e de trazer de volta “os tempos em que os ortodoxos e os católicos se olhavam mutuamente não como amigos, mas como rivais”.



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