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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

50 anos sem C. S. Lewis, Aldous Huxley e John F. Kennedy


O dia 22 de novembro de 1963 ficou marcado na História da humanidade como a data em que o então presidente americano John Fitzgerald Kennedy foi assassinado em Dallas, Texas.

Entretanto, JFK foi apenas o personagem histórico mais famoso que faleceu naquele fatídico dia, que também levou os britânicos Aldous Huxley e C. S. Lewis.

Huxley foi um escritor prolífico e visionário, que deixou obras como "Admirável Mundo Novo", um retrato do autoritarismo do Estado sobre as liberdades individuais, inspirado na experiência que ele próprio teve ao viver na Itália fascista dos anos 1920.

No premonitório "Admirável Mundo Novo" de Huxley, publicado em 1932, tudo é pré-condicionado pelo Estado para fazer as pessoas viverem em harmonia na nova sociedade, sem necessidade de valores familiares, religiosos ou morais.

Se alguém se desviasse desse padrão pré-fabricado de comportamento, seria reconduzido a ele mediante uma droga social chamada "soma".

É de Aldous Huxley a conhecida frase que diz:
"A ditadura perfeita terá as aparências da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão."
Qualquer semelhança com a sociedade em que vivemos hoje em dia, como você percebe, não é mera coincidência.

Já C. S. Lewis é a abreviatura pela qual ficou conhecido Clives Staples Lewis, que ficou mais conhecido pelas suas monumentais "Crônicas de Nárnia", contos fantásticos através dos quais ele mostrou ao mundo a sua crença cristã.

Outro livro extraordinário de C. S. Lewis é "Cristianismo Puro e Simples", resultado da compilação de uma série de palestras radiofônicas que ele fez pela BBC de Londres entre 1942 e 1944, com o fim de dar esperança aos britânicos enquanto bombas enviadas por Hitler caíam sobre as suas cabeças.

Publicado na forma definitiva em 1952, "Cristianismo Puro e Simples" (ou "Mero Cristianismo" em outra versão) faz a defesa dos dogmas centrais da religião cristã, numa maneira que teve enorme acolhida de católicos, ortodoxos e protestantes.

Clicando na tag C. S. Lewis deste blog, você terá oportunidade de conhecer as principais ideias da sua obra, embora seja impossível - para o nosso propósito - dar a dimensão exata da vastidão do que esse grande homem pensou e escreveu. 

Entretanto, destacamos seu comentário sobre bondade e maldade, que pode ser lido clicando aqui, e um trecho de sua autobiografia, "Surpreendido pela Alegria", em que Lewis conta o seu percurso do ateísmo até a fé cristã, concluindo assim:
“Quando estamos perdidos na mata, a visão de um marco tem grande importância. Quem o vê primeiro, grita: “Olhem lá!” Todo o grupo se reúne e tenta enxergar. Mas depois de encontrar a estrada, passando pelos marcos a cada poucos quilômetros, não mais paramos para olhar. Eles nos encorajam e devemos mostrar-nos gratos pela autoridade que os erigiu. Mas não paramos para olhar, ou pelo menos não lhes damos importância excessiva; não nesta estrada, embora os marcos sejam de prata e as inscrições, de ouro: “Nós seguimos para Jerusalém”.
Não é, claro, que eu não me surpreenda muitas vezes parando à margem da estrada para olhar objetos de importância ainda menor.”

(C. S. Lewis, “Surpreendido pela Alegria”, Mundo Cristão, 1998, p. 243)
Por fim, John Fitzgerald Kennedy foi o primeiro presidente católico dos Estados Unidos, o jovem milionário e boa pinta que, ao lado da esposa Jacqueline, deu à Casa Branca um ar de corte inglesa medieval, que veio a ser conhecida popularmente como "Camelot".

A família Kennedy, por si só, gerou uma saga americana com as tragédias que a envolveram, como a morte do irmão de JFK, Robert F. Kennedy, em 1968 e o acidente aéreo que vitimou John Fitzgerald Kennedy Jr. em 1999, apenas para citar dois exemplos.

JFK governou numa época conturbada da Guerra Fria, em que o envolvimento americano no caos do Vietnã, o início do programa espacial da NASA e a crise dos mísseis em Cuba marcaram as disputas com a então União Soviética, deixando o mundo a um mísero fio da Terceira Guerra Mundial.

No campo interno, deu todo o apoio possível na época ao movimento dos direitos civis liderado por Martin Luther King, Jr., que vivia a sua efervescência na luta contra a discriminação racial.

Para ficar apenas no campo das frases, entre as muitas que ele proferiu e ficaram famosas, uma delas é a que diz: "Não pergunte o que seu país pode fazer por você, pergunte o que você pode fazer por seu país!"

Por essas e outras razões, o seu assassinato por Lee Harvey Oswald naquele fatídico 22/11/63 nunca foi aceito - pelo imaginário popular - como a obra de um homem só.

Cinquenta anos de teorias da conspiração depois, entretanto, não foram suficientes para incriminar mais ninguém do que o próprio Oswald.

Talvez o grande susto que a humanidade tomou naquele dia foi saber que até o homem mais poderoso do mundo era vulnerável a um ato tresloucado qualquer.

Definitivamente, somos todos mortais!

O que poderia nos diferenciar, então, seria o que vem após a morte, ou seja, o nosso destino eterno.

De certa maneira, os três homens que morreram exatos 50 anos atrás nos mostraram, cada um à sua maneira, as mais diversas facetas da humanidade, da humildade passando pela manipulação ideológica até o supremo poder que se pode atingir neste mundo.

Por sinal, o filósofo cristão Peter Kreeft lançou em 1982 o livro "Between Heaven and Hell" ("Entre Céu e Inferno"), em que imagina um diálogo entre os três personagens se encontrando logo após a morte naquele dia, em que eles debatem as suas visões de mundo antes de saberem o que a eternidade lhes reservava.

O livro foi lançado no Brasil pela Editora Mundo Cristão com o título "O Diálogo - Um debate além da morte entre John F. Kennedy, C. S. Lewis e Aldous Huxley", já esgotado, infelizmente.

Huxley nasceu em 1894; Lewis, em 1898; Kennedy em 1917. Três vidas que, por essas estranhas coincidências do destino, se apagaram neste mesmo dia em 1963.

Três jornadas que marcaram o século XX e explicam, mesmo com suas deficiências e contradições, o mundo atual em que vivemos.



quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Liam Neeson estaria considerando se converter ao Islã

Como a notícia vem do tabloide sensacionalista britânico The Sun, famoso por seus escândalos fabricados e constantemente criticado (e processado por celebridades) por passar dos limites éticos do jornalismo, a notícia merece ser recebida com a devida cautela, mas na sua edição de hoje, o jornal garante que o ator irlandês Liam Neeson, atualmente com 59 anos de idade, estaria cogitando seriamente se converter ao islamismo. No momento, Neeson está filmando em Istambul, na Turquia, e estaria muito impressionado com o fervor religioso que emana das 4.000 mesquitas da cidade. Segundo ele, a chamada pública à oração 5 vezes por dia "invade o seu espírito". Nas primeiras semanas, ela deixaria a pessoa transtornada, mas depois "penetra no espírito e se torna uma coisa linda". Acrescenta, ainda, que "algumas mesquitas são maravilhosas e isto realmente me faz pensar em me tornar muçulmano". Procedente de uma família católica na conturbada Irlanda do Norte, onde os protestantes pró-britânicos são maioria em relação à população de origem irlandesa (católica), Neesom chegou a ser coroinha na infância, e recebeu o nome Liam em homenagem ao pároco da igreja que seus pais frequentavam. Sua esposa Natasha Richardson faleceu num acidente de esqui em 2009. Desde então, o ator aumentou o seu interesse na fé, lendo muitos livros sobre religiões, a existência de Deus e o ateísmo. Em 2010 ele já havia recebido críticas por ter dito que Aslan, o leão da terra fantástica de Nárnia criada por C. S. Lewis, que ele próprio dubla nos filmes da série, não era uma representação simbólica de Jesus Cristo, mas de todos os líderes espirituais, incluindo Maomé. A se confirmarem a versão do The Sun e a conversão de Liam Neeson, não deixará de ser estranho ver como muçulmano o ator que representou no cinema personagens que entraram para o inconsciente coletivo mundial como (além da voz de Aslan) Oskar Schindler (em "Lista de Schindler", 1993), Michael Collins (filme homônimo sobre o líder da independência irlandesa, 1996), o jedi Qui-Gon Jinn ("Stars Wars - 1 - A Ameaça Fantasma", 1999), o sexólogo Alfred Kinsey ("Kinsey", 2004), o nobre guerreiro cristão Godfrey de Ibelin ("Cruzada", 2005) e - quem diria! - Zeus (em "Fúria de Titãs", 2010).



domingo, 24 de abril de 2011

Os sermões de Nárnia na Páscoa

Rowan Williams é o Arcebispo da Cantuária (Canterbury), cargo máximo dentro da hierarquia religiosa da Igreja Anglicana, já que o posto de chefe da denominação é ocupado formalmente pelo monarca da Inglaterra, atualmente a Rainha Elizabeth II. É ele, por sinal, que celebrará o casamento do Príncipe William com Lady Kate Middleton na Abadia de Westminster no próximo dia 29. Enquanto não chega o casório real, já é tradição que o Arcebispo da Cantuária pregue sermões especiais durante a Semana Santa, ritual que Rowan Williams desempenhou na semana que passou, falando por três noites consecutivas sobre "As Crônicas de Nárnia", a obra-prima de C. S. Lewis, supostamente escrita para crianças, mas que tem toda uma simbologia cristã mais facilmente compreendida por adultos. Nos anos anteriores, o Arcebispo Williams pregou sobre temas bíblicos, como o evangelho de Marcos, o credo apostólico e a oração.

Roger Williams é licenciado em Filosofia e Teologia e foi professor das duas universidades mais prestigiosas da Inglaterra, Cambridge e Oxford, por longo tempo. É, portanto, uma pessoa intelectualmente muito capacitada para comentar as Crônicas de Nárnia, o que de fato faz muito bem. Entretanto, por mais que C. S. Lewis seja um escritor cristão da melhor qualidade, com enorme influência no período pós-Segunda Guerra Mundial, é sintomático que sua obra tenha sido escolhida para os sermões de Páscoa do chefe da Igreja Anglicana. Pode ser que a mensagem que o Arcebispo está passando seja, na verdade, a de que a Bíblia não basta mais, ou não fornece inspiração suficiente para pregações, ou ainda que seja necessário apelar a autores mais atuais para transmitir uma mensagem cristã. Nada contra C. S. Lewis, diga-se de passagem, ou ainda que Roger Williams escolhesse outra oportunidade para brindar-nos com o seu enorme conhecimento das obras do autor. Tudo bem que a gente saiba que o leão Aslan representa uma figura simbólica do Leão de Judá, mas o perigo é misturar todas as estações da religião e da literatura e, de repente, começar a falar sobre o coelho de Alice no País das Maravilhas. O problema, me parece, é de outra palavra inglesa, timing: escolheram o momento errado para a iniciativa. Enquanto a Igreja Anglicana se esfacela em divisões internas por causa de setores liberais que ordenam sacerdotes homossexuais, por exemplo, além do assédio do Vaticano que abriu exceções para que anglicanos retornem à Igreja Católica, o Arcebispo da Cantuária aproveita a Páscoa para desfilar sua erudição sobre C. S. Lewis.

Last but not least, as pregações de Rowan Williams sobre o autor britânico e suas Crônicas de Nárnia são realmente excelentes, e, para quem se interessar, estão disponíveis em mp3 (em inglês):

Sermão 1: "Not a tame lion"

Sermão 2: "I only tell you your own story"

Sermão 3: "Bigger inside than outside"

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Patriotismo, partidarismo e guerra

por C. S. Lewis:

A guerra deixará de absorver a nossa total atenção, porque se trata de um objeto finito e, por isso, intrinsecamente inadequado para suportar toda a atenção de uma alma humana. Para evitar mal-entendidos, é preciso fazer algumas distinções aqui. Acredito que a nossa causa é muito justa, como costuma acontecer com as causas humanas, e isso me faz acreditar que seja o nosso dever participar dessa guerra. Todo dever é um dever religioso, e nossa obrigação de desempenhar esse dever é absoluta. Assim, pode até ser um dever salvar uma pessoa que esteja se afogando e, quem sabe, se vivemos em uma praia perigosa, devemos nos preparar para o ofício de salva-vidas, de modo que estejamos prontos caso apareça alguém se afogando. Quem sabe tenhamos até que perder a nossa própria vida para salvá-lo. Mas, se um dia alguém se devotasse ao ofício de salvar vidas no sentido de dedicar-se totalmente a isso – de modo que não pensasse ou falasse de outra coisa, ou exigisse que todas as demais atividades humanas cessassem até que todas as pessoas aprendessem a nadar -, ele seria um maníaco obsessivo. Assim, salvar a vida de pessoas do afogamento é um dever pelo qual vale a pena morrer, mas não para o qual valha a pena viver. Tudo indica que os deveres políticos (entre os quais eu incluiria os deveres militares) sejam desse tipo. Uma pessoa pode ter que morrer pelo seu país, mas ninguém precisa viver pelo seu país em um sentido exclusivo. Aquele que se entrega sem reservas aos apelos temporais de uma nação, de um partido, ou de uma classe, está dando a César algo que, de maneira mais do que enfática, pertence a Deus: está dando a si mesmo.

(C. S. Lewis em “O Peso da Glória” (The Weigh of Glory), citado em “Um Ano com C. S. Lewis”, Ed. Ultimato, 2005, p. 281)

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Lata velha

por C. S. Lewis:

Há um alerta ou incentivo para cada um de nós. Se você é uma pessoa legal – que tem facilidade em alcançar virtudes -, tenha cuidado! Muito se espera daqueles a quem muito é dado. Se você considerar mérito seu o que na verdade são presentes que Deus lhe deu por meio da natureza e se contentar em ser uma pessoa simplesmente legal, não passará de um rebelde. E os dons só o levarão a cair de forma ainda mais terrível; o tornarão ainda mais corrupto e seu mau exemplo, ainda mais desastroso. O próprio demônio já foi um arcanjo; os dons naturais dele estavam tão acima dos seus, quanto os seus estão acima das habilidades dos chimpanzés.

Mas, se você não passa de uma pobre criatura – envenenada por uma má criação, numa família cheia de invejas e intrigas absurdas – premiada com alguma perversão sexual independente de sua vontade; e atormentada pelo complexo de inferioridade que a faz humilhar-se diante dos seus melhores amigos -, não se desespere. Ele sabe de tudo isso. Você é um dos pobres que ele abençoou. Ele sabe muito bem que lata velha você está tentando dirigir. Não desista. Faça o que puder. Algum dia (quem sabe em um outro mundo, mas talvez até antes disso) ele lhe jogará no ferro velho e lhe dará uma carcaça novinha. Então, você poderá nos impressionar a todos – e não menos a si mesmo -, pois terá aprendido a guiar na auto-escola mais exigente do mundo. (Alguns dos últimos serão os primeiros e alguns dos primeiros, os últimos).

(C. S. Lewis em “Mero Cristianismo”, citado em “Um Ano com C. S. Lewis”, Ed. Ultimato, 2005, p. 232)

sábado, 24 de julho de 2010

Conversões imaginárias

por C. S. Lewis:

Se o cristianismo é verdadeiro, então por que nem todos os cristãos são necessariamente mais agradáveis do que os não-cristãos? O que está por trás dessa questão é em parte razoável e em parte inadmissível. A parte razoável é esta: se a conversão ao cristianismo não representa nenhum aperfeiçoamento nas ações do ser humano – se ele continuar sendo tão metido, rancoroso e vingativo; tão corroído pela inveja ou ambicioso como antes – então teremos fortes motivos para suspeitar que sua “conversão” foi totalmente imaginária. Depois da nossa conversão inicial, toda vez que achamos que fizemos algum avanço, esse é o teste que devemos aplicar. Sentimentos delicados, novos insights, um interesse maior pela “religião” podem não significar nada, se o termômetro indicar que a nossa temperatura continua subindo. Nesse sentido, o mundo secular está totalmente certo em julgar o cristianismo por seus resultados. Uma árvore é conhecida pelos seus frutos; ou, como diz o dito popular, a prova do pudim está em comê-lo. Quando nós, cristãos, nos comportamos mal, ou deixamos de nos comportar como deveríamos, tornamos o cristianismo desacreditado para o mundo lá fora. Os cartazes e panfletos dos tempos de guerra diziam que conversa fiada pode custar vidas. A recíproca é verdadeira: “vidas fiadas” dão o que falar. Se levarmos nossas vidas sem responsabilidade, as pessoas de fora começarão a falar; e nós teremos lhes dado bons motivos para duvidar do próprio cristianismo.

(C. S. Lewis em “Mero Cristianismo”, transcrito em “Um Ano com C. S. Lewis”, Ed. Ultimato, 2005, p. 230)

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Tudo fez formoso a seu tempo

2009 chega ao fim. Tempo de fazer balanços e projetar 2010. Tempo também de agradecer a Deus por tudo o que passou, antecipando o que ainda está por vir. Não importa se foi (ou se vai ser) bom ou ruim, pois somos alertados pela Palavra que “o mundo jaz no maligno” (1 João 5:19), mas “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Romanos 8:38). Salomão diz em Eclesiastes 3:11 que Deus “tudo fez formoso a seu tempo” e acrescenta que “também pôs na mente do homem a ideia da eternidade, se bem que este não possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até o fim”. É esta ideia da eternidade no coração que move muita gente a buscar, por todos os meios, uma maneira de se perpetuar na lembrança e no coração dos outros, no poder, nas riquezas, na dominação, esquecendo-se de que Quem faz tudo formoso a seu tempo é Deus e não o homem. Vivemos numa era de megapastores midiáticos e celebridades instantâneas, em que a busca desesperada de poder e fama é uma maneira mal disfarçada de tentar alcançar a eternidade já neste mundo, no ledo autoengano de que se possa roubá-la das mãos de Deus.

O confronto entre o eterno e o provisório é antigo. O tempo é um enigma que a humanidade vem tentando decifrar há milênios. Santo Agostinho dizia que todos nos sentimos familiarizados com ele, mas somos incapazes de entendê-lo de forma clara e satisfatória. Até Einstein, a ciência o considerava absoluto e imutável. A única alternativa era esperá-lo passar, como muitos fazem à espera do ano novo. Coube ao gênio da física inferir que, considerados à velocidade da luz, tempo e espaço eram grandezas relativas. Trazendo o tema para o campo da fé, Deus se revela no tempo e na história, e o modo pelo qual Ele faz isso não é absoluto, nem relativo, mas - em linguagem bíblica – formoso e oportuno. A palavra hebraica traduzida por “formoso” em Eclesiastes 3:11 é יפה - yâpheh – que também pode ser traduzida por “belo”, “agradável, “prazeroso”. A ideia por trás da expressão “tudo fez formoso a seu tempo” é que justamente devemos aproveitar todas as oportunidades que nos são dadas por Deus para viver uma vida plena dedicada a Ele, mesmo nos momentos mais difíceis. Este é o conselho também dado por Paulo em Efésios 5:15-16, que nos recomenda a sermos sábios e usarmos bem todas as oportunidades (“remindo o tempo”), porque os dias são maus. E é a Bíblia a melhor demonstração disso, contando a história do povo de Deus (e a Sua intervenção na História) ao longo dos milênios. Afinal, Jesus veio ao mundo no tempo oportuno (Marcos 12:2; Lucas 20:10; 1ª Timóteo 2:6). Já nós, humanos, somos seres que nascemos, atuamos, interagimos, e nos despedimos num determinado momento do tempo. Somos circunstanciais, enquanto Deus é eterno. Tiago (4:14) descreve a vida como um vapor que aparece por pouco tempo e logo se desvanece, mas, na nossa curta existência, o Senhor coloca dentro do nosso coração este desejo, este sentimento, este vislumbre da eternidade (Eclesiastes 3:11 - veja também um texto interessante de Philip Yancey sobre o tema). No mesmo livro, onde diz que há tempo para tudo (3:1-8), o Pregador ressalta que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos (9:11); logo, aproveitar o tempo e todas as oportunidades que ele nos oferece é um conselho recorrente de Paulo (Efésios 5:16, Colossenses 4:5).

Temos sempre a oportunidade de fazer o bem, não só aos outros mas principalmente a nós mesmos (Gálatas 6:9-10, Filipenses 4:10), e há aqueles que, como aconteceu à enteada de Herodes, aproveitam a oportunidade para fazer o mal (Marcos 6:21), ou para manipular o bem que outros fizeram (2ª Coríntios 11:12). A oportunidade sempre aparece para que digamos a palavra certa no tempo adequado. Podemos deixá-la passar, e assim nos tornarmos omissos, ou dizer a palavra fora de tempo (ou de propósito), correndo o sério risco de sermos inconvenientes. Salomão compara a palavra dita a seu tempo a maçãs de ouro em salvas de prata (Provérbios 25:11, ver também 15:23). Como o servo sofredor profetizado por Isaías, podemos pedir a Deus que saibamos dizer boa palavra ao cansado. "Ele me desperta todas as manhãs, desperta-me o ouvido para que ouça como aqueles que aprendem" (Is. 50:4). Como cristãos, temos, mais que a obrigação, o prazer de aproveitar as oportunidades de dar testemunho da nossa fé (Lucas 21:13, 2ª Coríntios 5:12), enquanto aguardamos o tempo oportuno em que nosso Senhor e Rei se manifestará em glória (1ª Timóteo 6:15), sempre alertas, entretanto, porque o mal absoluto também aproveita as ocasiões de se manifestar (2ª Tessalonicenses 2:6), conforme a própria história da humanidade insiste em comprovar. C. S. Lewis teve oportunidade de observar isso, imaginando uma carta do Diabo a um aprendiz, em que o coisa-ruim dizia o seguinte:

Os seres humanos vivem no tempo. Porém o Inimigo os destinou à eternidade. É por isso, acredito, que ele quer que os homens atentem basicamente para duas coisas: a própria eternidade e aquele ponto do tempo que chamam de presente. O presente é o ponto em que o tempo toca a eternidade. É no momento presente, e nada mais do que no momento presente, que os seres humanos têm experiências semelhantes àquela experiência que o nosso Inimigo tem da realidade como um todo; é somente nele que lhe são oferecidas a liberdade e a realidade. É por isso que ele quer que os homens estejam constantemente ligados ou com a eternidade (o que significa mantê-lo em mente) ou com o presente – quer seja meditando sobre sua união eterna com ele ou separação dele, ou então, obedecendo à voz presente da consciência, carregando a cruz de hoje, recebendo a graça para hoje e dando graças pelo prazer no presente. (transcrito de "Cartas do Diabo a seu Aprendiz", em "Um Ano com C. S. Lewis – Leituras Diárias de suas Obras Clássicas", Ed. Ultimato, 2005, p. 279)

Em suma, nós, cristãos, somos privilegiados porque recebemos, no nosso tempo finito – presente -, a visita do Deus infinito, Aquele que faz tudo formoso a seu tempo. Como lembra Paulo, fomos agraciados com "uma fé e um conhecimento que se fundamentam na esperança da vida eterna, a qual o Deus que não mente prometeu antes dos tempos eternos. No devido tempo, ele trouxe à luz a sua palavra" (Tito 1:2-3), pela qual vivemos e experimentamos a doce invasão do Eterno nas nossas vidas peregrinas neste mundo. Há momentos, entretanto, em que nossas mãos fraquejam, nossos pés escorregam, nossa vida, aparentemente, se esvai, e o tempo se torna um fardo pesado demais para carregar. É nessa hora em que todas essas verdades devem ser lembradas, para que façamos como aconselha o escritor de Hebreus (4:16): "Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno". Afinal, como lembra o salmista, a natureza se alegra em Deus e espera dEle o seu sustento em tempo oportuno (Salmo 104:27). O maná que sustentou o povo de Israel no deserto por 40 anos, durava apenas um dia, com exceção da provisão dupla para o sábado, recebida na sexta-feira (Êxodo 16). Não adiantava guardar o maná para o dia seguinte, pois o tempo prazeroso e oportuno para comê-lo havia se esgotado. Entretanto, sempre caía maná no dia seguinte. Se hoje não é o tempo oportuno, não nos desesperemos, vamos com confiança ao trono da graça, lá há tempo, formosura e oportunidade, mas principalmente graça, sempre...


Para um estudo mais detalhado do livro de Eclesiastes, clique aqui.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Epicuro e a existência de Deus

Atribui-se a Epicuro a frase 'Se Deus pode acabar com o mal mas não quer, é monstruoso; se quer, mas não pode, é incapaz; se não pode nem quer, é impotente e cruel; se pode e quer, por que não o faz?', que é comumente usada para se questionar a existência de Deus, muitas vezes sem a referência correta, até para que se evitem as seguintes observações:

Primeiro, Epicuro, filósofo grego pai do epicurismo (muitas vezes confundido com o hedonismo), acreditava na existência de Deus, conforme se pode ver no começo da "Carta a Meneceu", que pode ser lida clicando aqui.

Segundo, a frase é propositalmente contraditória, pois, argumentativamente falando, duvidar da existência de Deus é - pelo menos para Ele - intrinsecamente mau, logo, se Deus acabasse com o mal, acabaria também com a possibilidade de se discutir a Sua existência.

Terceiro, acabar com o mal, na visão cristã, significa acabar com a humanidade, já que a maldade é inerente ao homem pelo pecado original. A proposta cristã é a da redenção final futura pela fé em Jesus.

Quarto, segundo C. S. Lewis, a maldade é, no fundo, uma bondade corrompida (leia o texto clicando aqui), já que a pessoa má busca através da maldade que faz uma bondade pervertida, ou seja, algo que lhe dá um determinado prazer mórbido. Logo, uma interpretação possível da frase de Epicuro, é que Deus é tão bom que permite que o homem livre faça uma maldade imaginando que ela seja perversamente boa para si mesmo.

Bondade x Maldade - por C. S. Lewis



"Qual é então o problema? O de um universo que contém muitas coisas evidentemente más e aparentemente desprovidas de sentido, mas que contém igualmente criaturas como nós, que sabem que existem coisas más e absurdas. Ora, há apenas dois pontos de vista que levam em consideração todos os dados desse problema. Um deles é o cristão, segundo o qual este mundo é um mundo bom que se corrompeu em boa parte, mas que continua a manter viva a memória do que deveria ter sido. O outro é o do chamado dualismo, segundo o qual há dois poderes iguais e independentes por trás de todas as coisas, um bom e outro mau, e este universo é o campo de batalha em que travam um contra o outro uma guerra sem fim. Pessoalmente, penso que, depois do cristianismo, o dualismo é a ideologia mais nobre e sensata que se encontra à disposição no mercado. Mas padece de um defeito de fabricação.

Os dois poderes, ou espíritos, ou deuses – o bom e o mau -, são vistos como completamente independentes. Ambos existem desde toda a eternidade. Nenhum deles fez o outro, nenhum deles tem mais direito que o outro de chamar-se Deus. Cada um, presumivelmente, pensa que ele é que é bom e outro é mau. Um deles aprecia o ódio e a crueldade, o outro prefere o amor e a misericórdia, e cada um está disposto a defender o seu ponto de vista. Ora bem, que queremos nós dizer quando chamamos a um deles o Poder Bom e ao outro o Poder Mau? Há apenas duas opções: ou estamos dizendo simplesmente que preferimos um ao outro – como quem prefere cerveja a vinho -, ou estamos dizendo que um deles realmente está errado ao considerar-se bom, pouco importando o que eles próprios pensem a respeito um do outro e qual deles nós, os homens, prefiramos no momento.

Ora, se o que queremos dizer é apenas que, pessoalmente, preferimos o Poder Bom, então temos que deixar de lado de uma vez por todas as expressões “bem” e “mal”. Porque a palavra Bem significa justamente aquilo que se deve preferir sempre, sejam quais forem os nossos gostos ou disposições num determinado momento. Se “ser bom” não significasse mais do que alistar-se na facção que nos “caiu bem” sem termos qualquer motivo real para fazê-lo, então o Bem não mereceria ser chamado Bem. Portanto, afirmar que há um “Poder Bom” e outro “Mau” só faz sentido se pretendemos significar que um deles está objetivamente errado e o outro objetivamente certo.

No momento em que reconhecemos esta verdade, porém, estamos aceitando implicitamente que existe no universo uma terceira coisa além desses dois poderes: algum tipo de lei, de padrão ou regra do bem, com o qual um desses poderes – o bom – está de acordo, e o outro não. Mas, se ambos devem ser julgados por esse padrão, então esse mesmo padrão – ou o Ser que o fez – é anterior e superior aos dois: ele é que é o verdadeiro Deus. Na verdade, o que queríamos dizer ao falar num Poder Bom e num Poder Mau era apenas que um deles está na relação correta com o verdadeiro e definitivo Deus, e o outro numa relação errada.

Podemos chegar à mesma conclusão por outro caminho. Se o dualismo fosse verdadeiro, o Poder Mau teria que consistir num ser que amasse a maldade pela maldade. Ora, não conhecemos absolutamente ninguém que ame a maldade simplesmente por ser má. O que mais se aproxima disso é a crueldade. Mas, na vida real, uma pessoa só é cruel por uma de duas razões: ou porque é sádica, isto é, sofre de uma perversão sexual que a faz encontrar prazer na prática da crueldade; ou porque é capaz de tirar da crueldade algum benefício, como dinheiro, poder ou segurança. Mas o prazer, o dinheiro, o poder e a segurança são coisas boas em si mesmas, embora apenas de maneira limitada. O mal consiste em procurar obtê-las por métodos errados, ou por meios ilícitos, ou ainda em medida excessiva.

Não quero dizer com isto que uma pessoa que pratique a crueldade não possa ser terrivelmente perversa. Quero dizer que a maldade, se nos detivermos a examiná-la, se revela apenas como procura de algum bem de uma maneira errada. Ou seja, podemos ser bons por simples amor à bondade, mas não podemos ser maus por simples amor à maldade. Podemos realizar uma ação boa quando não nos sentimos bons nem nos dá prazer nenhum realizá-la, unicamente porque a bondade é correta; mas nunca ninguém cometeu uma ação cruel unicamente porque a crueldade é errada – mas apenas porque a crueldade lhe era aprazível ou útil. Noutras palavras, a maldade não consegue sequer ser má da mesma forma que a bondade é boa. A bondade é, por assim dizer, ela mesma; a maldade não passa de bondade corrompida."

(C. S. Lewis, “Mero Cristianismo”, Ed. Quadrante, 1997, págs. 53/55)

sábado, 11 de outubro de 2008

Sofrimento, o megafone de Deus

"O Espírito humano não tentará entregar a sua vontade própria enquanto tudo parecer estar em ordem com ela. Agora, tanto o erro quanto o pecado têm essa característica de que quanto mais profundos, menos as suas vítimas suspeitarão da sua existência; trata-se de maldades mascaradas. O sofrimento é uma maldade sem máscara, inconfundível; toda pessoa sabe que algo está errado quando está sendo machucado. [...] Contudo o sofrimento não é só imediatamente reconhecível, mas também um mal impossível de se ignorar. Podemos até deitar a cabeça satisfeitos apesar dos nossos pecados e de toda a nossa estupidez; qualquer pessoa que já tenha observado glutões engolindo as mais exóticas especiarias, como se não soubessem o que estão comendo, admitirá que é possível ignorar até mesmo o prazer. Mas o sofrimento insiste em que nos ocupemos dele. Deus sussurra nos nossos prazeres, na nossa conversa e por meio da nossa consciência, mas grita por meio do sofrimento. O sofrimento é o megafone de Deus para despertar um mundo surdo."

(C. S. Lewis, em "O Problema do Sofrimento", transcrito em "Um Ano com C. S. Lewis – Leituras Diárias de suas Obras Clássicas", Ed. Ultimato, 2005, p. 317)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Tempo oportuno

O tempo é um enigma que a humanidade vem tentando decifrar há milênios. Até Einstein, a ciência o considerava absoluto e imutável. A única alternativa era esperá-lo passar. Coube ao gênio da física inferir que, considerados à velocidade da luz, tempo e espaço eram grandezas relativas. Trazendo o tema para o campo da fé, Deus se revela no tempo e na história, e o modo pelo qual Ele faz isso não é absoluto, nem relativo, mas - em linguagem bíblica - oportuno. E é a Bíblia a melhor demonstração disso, contando a história do povo de Deus ao longo dos milênios. Afinal, Jesus veio ao mundo no tempo oportuno (Marcos 12:2; Lucas 20:10; 1ª Timóteo 2:6). Já nós, humanos, somos seres que nascemos, atuamos, interagimos, e nos despedimos num determinado momento do tempo. Somos circunstanciais, enquanto Deus é eterno. Tiago (4:14) descreve a vida como um vapor que aparece por pouco tempo e logo se desvanece, mas, na nossa curta existência, o Senhor coloca dentro do nosso coração este desejo, este sentimento, este vislumbre da eternidade (Eclesiastes 3:11). No mesmo livro, onde diz que há tempo para tudo (3:1-8), o Pregador ressalta que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos (9:11); logo, aproveitar o tempo e todas as oportunidades que ele nos oferece é um conselho sábio de Paulo (Efésios 5:16, Colossenses 4:5). Temos sempre a oportunidade de fazer o bem, não só aos outros mas principalmente a nós mesmos (Gálatas 6:9-10, Filipenses 4:10), e há aqueles que, como aconteceu à enteada de Herodes, aproveitam a oportunidade para fazer o mal (Marcos 6:21), ou para manipular o bem que outros fizeram (2ª Coríntios 11:12). A oportunidade sempre aparece para que digamos a palavra certa no tempo adequado. Podemos deixá-la passar, e assim nos tornarmos omissos, ou dizer a palavra fora de tempo (ou de propósito), correndo o sério risco de sermos inconvenientes. Salomão compara a palavra dita a seu tempo a maçãs de ouro em salvas de prata (Provérbios 25:11, ver também 15:23). Como o servo sofredor profetizado por Isaías, podemos pedir a Deus que saibamos dizer boa palavra ao cansado. "Ele me desperta todas as manhãs, desperta-me o ouvido para que ouça como aqueles que aprendem" (Is. 50:4). Como cristãos, temos, mais que a obrigação, o prazer de aproveitar as oportunidades de dar testemunho da nossa fé (Lucas 21:13, 2ª Coríntios 5:12), enquanto aguardamos o tempo oportuno em que nosso Senhor e Rei se manifestará em glória (1ª Timóteo 6:15), sempre alertas, entretanto, porque o mal absoluto também aproveita as ocasiões de se manifestar (2ª Tessalonicenses 2:6), conforme a própria história da humanidade insiste em comprovar. C. S. Lewis teve oportunidade de observar isso, imaginando uma carta do Diabo a um aprendiz, em que o coisa-ruim dizia o seguinte:

Os seres humanos vivem no tempo. Porém o Inimigo os destinou à eternidade. É por isso, acredito, que ele quer que os homens atentem basicamente para duas coisas: a própria eternidade e aquele ponto do tempo que chamam de presente. O presente é o ponto em que o tempo toca a eternidade. É no momento presente, e nada mais do que no momento presente, que os seres humanos têm experiências semelhantes àquela experiência que o nosso Inimigo tem da realidade como um todo; é somente nele que lhe são oferecidas a liberdade e a realidade. É por isso que ele quer que os homens estejam constantemente ligados ou com a eternidade (o que significa mantê-lo em mente) ou com o presente – quer seja meditando sobre sua união eterna com ele ou separação dele, ou então, obedecendo à voz presente da consciência, carregando a cruz de hoje, recebendo a graça para hoje e dando graças pelo prazer no presente.

(transcrito de "Cartas do Diabo a seu Aprendiz", em "Um Ano com C. S. Lewis – Leituras Diárias de suas Obras Clássicas", Ed. Ultimato, 2005, p. 279)

Em suma, nós, cristãos, somos privilegiados porque recebemos, no nosso tempo finito – presente -, a visita do Deus infinito. Como lembra Paulo, fomos agraciados com "uma fé e um conhecimento que se fundamentam na esperança da vida eterna, a qual o Deus que não mente prometeu antes dos tempos eternos. No devido tempo, ele trouxe à luz a sua palavra" (Tito 1:2-3), pela qual vivemos e experimentamos a doce invasão do Eterno nas nossas vidas passageiras neste mundo. Há momentos, entretanto, em que nossas mãos fraquejam, nossos pés escorregam, nossa vida, aparentemente, se esvai, e o tempo se torna um fardo pesado demais para carregar. É nessa hora em que todas essas verdades devem ser lembradas, para que façamos como aconselha o escritor de Hebreus (4:16): "Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno". Afinal, como lembra o salmista, a natureza se alegra em Deus e espera dEle o seu sustento em tempo oportuno (Salmo 104:27). O maná que sustentou o povo de Israel no deserto por 40 anos, durava apenas um dia, com exceção da provisão dupla para o sábado, recebida na sexta-feira (Êxodo 16). Não adiantava guardar o maná para o dia seguinte, pois o tempo oportuno para comê-lo havia se esgotado. Entretanto, sempre caía maná no dia seguinte. Se hoje não é o tempo oportuno, não nos desesperemos, vamos com confiança ao trono da graça, lá há tempo e oportunidade, mas principalmente graça, sempre...

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