Mostrando postagens com marcador Chile. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Chile. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Igrejas evangélicas pegam fogo (literalmente) no Chile


Um templo da Assembleia de Deus foi consumido pelo fogo na localidade chilena de Vilcún, na província de Cautín da IX Região da Araucanía, na tarde do dia 25 de julho de 2017.

Ao que tudo indica, se trata de um incêndio criminoso, já que no local havia panfletos com a inscrição "Liberdade para os presos políticos mapuches".

Os mapuches são o povo aborígene nativo da Patagônia chilena e argentina, no cone sul do continente sulamericano, cuja história é marcada pela violência que foi cometida contra eles pelos colonizadores espanhóis e as repúblicas independentes que os seguiram.

Até hoje, os mapuches chilenos estão constantemente envolvidos em militância política na qual confrontam o poder estabelecido no Chile, exigindo direitos para seu povo, sua terra e sua cultura.

No caso incendiário de Vilcún, quando os bombeiros chegaram já não havia nada mais a fazer, visto que as chamas tinham consumido o templo.

Apesar dos indícios criminosos, o incidente ainda está sob investigação.

Outro incêndio havia ocorrido a 90 km dali, em Ercilla, também na região da Araucanía, alguns meses atrás (mais precisamente no início de abril), que arrasou o templo do Centro Evangélico Misionero.

Apesar dos disparos ouvidos no início do incêndio de abril, as investigações da polícia chilena chegaram à conclusão de que a verdadeira causa do fogo foi o mau funcionamento da calefação a lenha que servia a humilde instalação, segundo noticiou o portal biobiochile.

Independentemente disso, os ânimos continuam exaltados na região da Araucanía, e o bispo católico de Temuco, D. Hector Vargas, vem insistindo num chamado à paz para todas as comunidades ali representadas.

Fontes: Religión Digital, La Tercera, MSN Chile (com vídeo).



sábado, 13 de agosto de 2016

Gravidez de menina de 11 anos abusada pelo padrasto põe aborto em evidência no Chile

A matéria é do IHU:

Chile discute aborto após menina de 11 anos engravidar de padrasto

No Chile, uma menina de 11 anos engravidou após ter sido estuprada por seu padrasto, de 41 anos. O crime, revelado nesta semana, gerou indignação no país, onde não há previsão legal de aborto. O caso ocorreu na cidade de Villarrica, na região da Araucanía.

A menina, que não teve o nome divulgado, já está com 20 semanas de gestação – quase 5 meses. Os abusos eram constantes, segundo ela relatou às autoridades. O padrasto está detido.

Uma lei de 1989 proíbe a realização do aborto no Chile em qualquer hipótese, não havendo exceção sequer para o estupro de uma menor. A proibição, que gera casos como este atual, é alvo de críticas de diversos setores, e o governo da presidenta Michelle Bachelet busca aprovar uma lei que torne o aborto legal em algumas situações.

O tema é polêmico em uma sociedade fortemente conservadora como a do Chile. Recentemente, em 25-07-2016, houve uma marcha feminista em defesa do aborto nas ruas de Santiago, capital do país.

A polêmica sobre o aborto no Chile

Desde sua campanha à presidência, Bachelet vem defendendo que o aborto seja permitido em três situações: em caso de estupro, de risco à vida da mãe e de inviabilidade do feto. Ela apresentou um projeto de lei com essas premissas, que vem sendo discutido no Congresso desde 2014. Em março de 2016, a proposta foi aprovada na Câmara de Deputados, e agora se encontra em discussão no Senado.

O presidente anterior, Sebastián Piñera (2010-2014), era contrário a uma legislação como essa, e afirmou que não a sancionaria caso o parlamento a aprovasse. Trata-se de uma divisão no país que expõe as diferenças entre os polos conservador, representado por Piñera, e progressista, ligado a Bachelet.

O aborto na América Latina

Enquanto setores conservadores dão prioridade ao que compreendem como direito à vida do feto, os favoráveis à legalização do aborto defendem o direito de escolha da mãe. Para estes, a sociedade precisaria reconhecer que a proibição causa abortos clandestinos, que trazem riscos para as mulheres, e que o problema deveria ser tratado como uma questão de saúde pública.

O aborto e a legislação sobre ele são um ponto de conflito em toda a América Latina. O Chile está ao lado de El Salvador, Nicarágua e República Dominicana como os países com leis mais restritivas sobre o tema. Em El Salvador, mesmo mulheres que tiverem abortos espontâneos podem ser penalizadas.

Na outra direção está o Uruguai, onde o aborto é legalizado desde dezembro de 2012, quando foi aprovada a Lei de Interrupção Voluntária da gravidez. De acordo com um relatório de 2015 do Ministério da Saúde uruguaio, em 2014 não ocorreu nenhuma morte materna em um aborto.



segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Chile enterra Manuel Contreras mas não o seu horror

Chilenos saíram à rua para festejar a morte de Contreras

A matéria (bastante detalhada) é da BBC Brasil:

Morre Manuel Contreras, pai da 'Operação Condor'

Constanza Hola Chamy

Dos 529 anos de prisão que foi condenado devido a crimes de violação de direitos humanos durante a ditadura chilena, Manuel "Mamo" Contreras cumpriu menos de 20. Ele morreu na noite de sexta-feira, aos 86 anos.

Contreras foi o rosto mais visível da repressão política no Chile. Sua missão era "extirpar e eliminar o extremismo marxista", segundo suas próprias palavras. E, para ele, não faltaram recursos para implementar um plano sistemático de violência exercida pelo Estado, que matou e desapareceu com milhares de pessoas durante o governo militar chileno.

Algo garantido, novamente segundo as palavras de Contreras, pelas "ordens que me foram dadas diretamente pelo presidente da República", Augusto Pinochet.

O modelo acabaria exportado para o resto da América Latina por meio da Operação Condor, da qual ele foi o criador, gestor e executor. Contreras também foi um colaborador próximo da agência secreta americana, a CIA, e planejou os atentados contra o ex-ministro chileno Orlando Letelier em Washington e contra o ex-general Carlos Prats, na Argentina.

A chamada Operação Condor consistiu em um esforço coordenado pelos governos militares da América Latina, entre as décadas de 1970 e 1980, para perseguir opositores políticos.

Contreras era considerado o braço direito de Augusto Pinochet e e foi o chefe da Direção de Inteligência Nacional do Chile (Dina), entre 1973 e 1977.

Os 529 anos de prisão aos quais foi condenado são apenas os ratificados pela Suprema Corte do Chile. No total, Contreras somava mais de 1 mil anos de penas.

Porque, se no Chile "não se dava um passo" sem que Pinochet soubesse, isto se devia em grande parte ao trabalho de Contreras, o ideólogo da polícia secreta do país.

"Contreras foi um dos genocidas mais representativos da ditadura militar", disse à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, Carmen Hertz, advogada e ex-diretora de Direitos Humanos do Ministério das Relações Exteriores do Chile.

Lado mais obscuro

Poucos dias antes de morrer e enquanto recebia sua última condenação, já havia uma mobilização nas redes sociais pedindo "orações" para a recuperação de Contreras.

"Ainda restam 500 anos para pagar" era o que se lia na foto que circulava com a hashtag #NoTeMuerasMamo ("Não Morra Mamo (apelido de Contreras)", em tradução livre).

Como um dos símbolos do lado mais obscuro do governo militar chileno, Contreras morreu repudiado por todos os setores do espectro político do país. Até o partido de extrema direita, UDI, lhe deu as costas.

Questionado por uma rádio chilena se o Exército devia ou não fazer as honras no funeral de Contreras, o presidente do partido, Hernán Larraín, respondeu que "alguns não querem que ele morra como general".

O governo da presidente Michelle Bachelet, que foi presa e torturada por uma patrulha de Contreras durante a ditadura militar, deu desfecho à polêmica: Contreras não era digno de honra. Nem ele e muito menos os outros violadores dos direitos humanos, segundo um decreto publicado durante o primeiro governo de Bachelet e divulgado nesta semana.

O decreto proíbe honras militares nos funerais dos que tenham sido condenados por tais tipos de crimes.

Contreras passou seus últimos dias no Hospital Militar. Com a piora de seu estado, foi transferido para Punta Peuco, uma prisão militar.

Uma prisão que, como o próprio Contreras afirmava, foi construída para abrigá-lo.

Carreira meteórica

Juan Manuel Guillermo Contreras Sepúlveda nasceu em Santiago em 1929, mas passou a maior parte de sua juventude no sul do Chile.

Em 1947, entrou na escola militar como um dos melhores alunos. Reconhecido como hábil e inteligente, teve, a partir dali, uma carreira meteórica.

Foi um dos militares chilenos "premiados" em 1967 com uma temporada na Escola das Américas, uma academia de instrução militar onde a forças americanas treinavam militares aliados da América Latina durante a Guerra Fria.

Foi chamada de "escola de ditadores" pelo congressista Joseph Kennedy 2º que, em 1994, disse que a Escola das Américas "produziu mais ditadores e assassinos que nenhuma outra na história do mundo".

Enquanto estudava no local, Contreras conheceu vários oficiais americanos com quem manteria contato mais tarde, devido à cooperação entre a CIA e a DINA.

Também conheceu vários colegas com que posteriormente retomaria o vínculo para um de seus principais projetos, a Operação Condor.

Em 11 de setembro de 1973, as Forças Armadas Chilenas deram um golpe de Estado que derrubou o então presidente do país, o socialista Salvador Allende.

Contreras estava nesta época a 100 quilômetros da capital Santiago, encarregado do regimento Tejas Verdes, que posteriormente ficaria conhecido como um dos principais centros de detenção e tortura do governo militar chileno.

"(Tejas Verdes) foi um dos locais de maior crueldade e brutalidade contra os partidários do governo de Salvador Allende", disse Hertz.

"Em 1974, a Dina eliminou boa parte do MIR (Movimento de Esquerda Revolucionário), em 1975 o Partido Socialista e em 1976 foi a vez do Partido Comunista", explicou a advogada.

"Contreras era, ao mesmo tempo, o senhor e o vassalo. Se reportava única e exclusivamente a Pinochet", acrescentou.

Três meses depois do golpe, a Junta de Governo designou Contreras como o encarregado de criar um organismo nacional de inteligência. Em junho de 1974, era criada oficialmente a Direção de Inteligência Nacional, a Dina.

Dina e Pinochet

Diretor da Dina, Contreras, reportava diretamente ao presidente, Pinochet.

"A cúpula da Dina era o presidente da República", disse o próprio Contreras em uma entrevista ao canal estatal chileno TVN em 2005.

Segundo um relatório da Comissão da Verdade e Reconciliação chilena, o relatório Rettig, mais de 1,5 mil pessoas morreram nas mãos da Dina sob a diração de Contreras.

Mas, apesar das múltiplas condenações, Contreras nunca reconheceu as mortes.

"Nego", disse ele à CNN Chile em 2013 ─ sua última entrevista a uma emissora de TV ─ quando questionado sobre a existência dos detidos desaparecidos.

Além disse, na ocasião, acusou as vítimas de tortura de um "bando de mentirosos".

"Contreras sempre se considerou vítima de uma grande injustiça. Nunca teve autocrítíca; os outros eram sempre os culpados", afirmou à BBC Mundo o juiz chileno Mario Carroza, que interpelou o ex-general várias vezes.

'Pai' da Operação Condor

A influência de Contreras acabaria ultrapassando a Cordilheira dos Andes.

No meio da década de 1970, a América Latina vivia o auge dos governos militares.

E junto com outros governos, como o de Ernesto Geisel no Brasil, Juan María Bordaberry no Uruguai e Hugo Banzer, na Bolívia, foi estabelecida uma rede latino-americana de coordenação de operações de repressão entre suas diferentes equipes de inteligência.

Documentos secretos descobertos no Paraguai e conhecidos como "Arquivo do Terror" apontam que a Operação Condor nasceu no dia 25 de novembro de 1975 em uma reunião secreta dos líderes de inteligência, cujo anfitrião foi o próprio Contreras.

Segundo o Relatório Hinchey, feito pelo Departamento de Estado americano em 2000, a CIA manteve entre 1974 e 1977 contato com Contreras, "pai" da Operação Condor. O mesmo relatório também estabelece a data da confirmação oficial.

"Em outubro de 1976 (...), Contreras confirmou a existência da Condor como uma rede de intercâmbio de inteligência, mas negou que teve um papel nos assassinatos extrajudiciais."

Rompimento com a CIA

Um evento em 1976 marcaria o fim da proximidade de Contreras com Pinochet e também o começo do fim da Dina: o atentado em Washington que matou Orlando Letelier.

Letelier, ministro e embaixador de Allende, morreu em um atentado com carro-bomba encomendado pela Dina.

Um dos líderes da operação em Washington foi Michael Townley, a quem o próprio Contreras diria, posteriormente, ser vinculado à CIA.

Mas a bomba colocada no carro do diplomata chileno não apenas matou Letelier e seu assistente, Ronni Moffit, como também arruinou a relação entre a agência de inteligência americana e Contreras.

Segundo o relatório Hinchey, este possivelmente foi o momento em que o papel de Contreras no assassinato de Letelier virou um problema.

Um problema tão grande que sua primeira condenação, em 1993, foi como autor intelectual do assassinato.

Contreras, por sua vez, sempre afirmou que Letelier foi assassinado pela CIA, mas este vínculo nunca foi provado.

"Não há nenhuma demonstração de que a CIA estava envolvida", disse à BBC Mundo Juan Pablo Letelier, analista político e filho de Orlando.

O que se sabe é que, depois do atentado, a relação entre os governos do Chile e Estados Unidos, mudou radicalmente.

"Para os Estados Unidos, era inaceitável que uma pessoa tenha sido morta em seu território. Sua relação com o regime militar chileno tinha sido relativamente cordial e amistosa. Mas, depois de Letelier, a relação mudou. Por passar dos limites, Pinochet perdeu muito", disse à BBC Mundo Patricio Navia, analista político da Universidade de Nova York.

Em 1977, a Dina tinha conseguido cumprir o objetivo inicial de exterminar os grupos considerados subversivos e terroristas.

No entanto, a investigação do assassinato de Letelier conseguiu provas contra dois agentes da Dina, o americano Michael Townley e o chileno Armando Fernández Larios. Naquela ano, Contreras foi obrigado a se aposentar e a Dina substituída pela Central Nacional de Inteligência (CNI).

Investigado

Logo depois da redemocratização do Chile, em 1990, Contreras virou o foco de atenção das investigações sobre violações de direitos humanos.

Ele cumpriu pena de várias formas: desde prisão domiciliar até reclusão em Punta Peuco, um centro especialmente construído para ex-militares e colaboradores do governo militar, condenados por violações de direitos humanos.

Sua primeira condenação foi em 1993, pelo assassinato de Letelier. Depois, multiplicaram-se outras por casos como a Operação Colombo e o assassinato do general Carlos Prats.

Mas Contreras não queria assumir sozinho toda a responsabilidade.

A primeira vez em que ele garantiu que Pinochet não apenas sabia, mas também dava ordens à Dina foi em 2003, no que foi considerado um marco da investigação sobre a Operação Condor.

"Como diretor-executivo da Dina, eu apenas recebia ordens do presidente da República. A Dina tinha como missão de extirpar e eliminar o extremismo marxista. Eu apenas cumpria ao pé da letra as ordens que me eram passadas diretamente pelo presidente da República, de quem eu dependia", disse.

Pinochet morreu em 2006 sem enfrentar nenhuma pena por violações dos direitos humanos. E sempre insistiu que Contreras era quem tomava todas as decisões na Dina.

Um dos episódios mais conhecidos foi a acareação realizada em 2005, onde os dois foram reunidos em público.

"Você mandava na Dina, general, que isto fique claro de uma vez!", disse Pinochet a Contreras.

"Sim, general, mas você era quem ordenava tudo e isso também tem que ficar claro", respondeu.



sexta-feira, 6 de junho de 2014

Chilenos invadirão o Brasil durante a Copa


Isso se eles conseguirem passar pelas obras em Cuiabá. Não deixe de ver também o vídeo pra lá de motivacional dos mineiros chilenos resgatados em 2010, em apoio à sua seleção, que segue logo abaixo da matéria da BBC Brasil:

Caravana de 3 mil chilenos cruzará os Andes de carro para ver Copa

Marcia Carmo

Uma caravana de mais de três mil chilenos cruzará os Andes e invadirá três Estados brasileiros para acompanhar a Copa do Mundo.

Serão cerca de 800 veículos e 10 mil quilômetros de viagem no total, a partir de 7 de junho. A "Caravana Santiago Brasil 2014" atravessará o Chile e a Argentina e partes do interior do Brasil. Juntos, os carros formarão uma fila, que terá também trailers e vans.

O tamanho da procura surpreendeu até o mesmo o criador da ideia, lançada no Facebook em outubro do ano passado.

"Pensamos que seríamos dez carros, no máximo. E agora é muito mais e não para de crescer", disse à BBC Brasil Alberto Schmidt, de 34 anos.

"Por questão de segurança, eu e minha mulher queríamos companhia para chegar ao Brasil e apoiar a 'Roja'", disse ele, referindo-se ao apelido carinhoso que os chilenos dão à sua seleção. A palavra significa "vermelho" em espanhol, a cor da camiseta do time.

Schmidt é empresário e disse ter abandonado o trabalho de design e construção de estandes de exposições para organizar a empreitada. O casal viajará com uma filha de dois anos, e a maioria dos integrantes da caravana levará mulher e filhos, disse ele.

"Somos torcedores comuns de norte a sul do Chile e só queremos aproveitar a oportunidade de ver a Copa ser perto, na nossa região. Muitos que integram nossa caravana estarão saindo pela primeira vez do país", disse.

"Não ouvimos falar de nada parecido com a nossa caravana em todos os lugares que estivemos no Brasil. Seremos a maior caravana do mundo para apoiar a 'Roja'. Tudo que queremos é que ela seja campeã mundial", disse.

Infraestrutura

Schmidt esteve três vezes no Brasil para preparar a viagem. E, como muitos, reclamou de como o país está "caro" e de problemas com infraestrutura.

Disse ter tido dificuldades para usar celulares em estradas e observou várias obras atrasadas. Algumas, contou, causaram engarrafamentos em Cuiabá, onde o Chile estreará contra a Austrália no dia 13, na Arena Pantanal.

O Chile jogará também contra a Espanha no Rio de Janeiro e contra a Holanda em São Paulo.

"Nós, integrantes da caravana, vamos nos comunicar com walkie-talkie. E para estarmos seguros contra imprevistos na estrada já sabemos quem são os mecânicos e médicos no grupo", disse.

Questionado se previa problemas de comunicação com a população local, Schmidt respondeu: "O português não é muito diferente do espanhol e quando falamos devagar todos entendem".

No total, a viagem de ida e de volta durará mais de 20 dias.








quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Jovem gay assassinado no Chile se torna "santo popular"

Em março de 2012, Daniel Zamudio Vera foi barbaramente assassinado num parque em Santiago, capital do Chile, pelo único fato de ser homossexual.

Sua morte gerou gigantesca comoção popular no país, com declarações desencontradas do clero local, conforme comentamos aqui no blog.

A exemplo do que ocorre com vários outros temas, como aborto e divórcio, parece que existe um enorme descompasso entre o discurso oficial do Vaticano e aquilo que os seus fiéis fazem e pensam em particular.

Entretanto, um ano depois, Daniel Zamudio se converteu numa espécie de "santo" na devoção de muitos chilenos que transformaram seu túmulo num pequeno santuário, conforme noticiou a BBC Brasil:

Túmulo de jovem gay vira santuário no Chile

Paula Molina

O túmulo de um jovem homossexual morto depois de ser atacado por quatro homens em 2012 se transformou em um santuário no Chile.

A gaveta temporária que abriga o corpo de Daniel Zamudio no Cemitério Geral de Santiago está coberto de frases como "Dani lindo, anjinho bonito, cuide de nós", ou "Daniel, onde estiver, rogue por nós. Respeito para você", "Cuide de nós e nos liberte, nos ajude a seguir em frente".

O jovem morreu em 2012 aos 24 anos, depois de ser atacado por quatro homens em um parque no centro da capital chilena. De acordo com o veredito dado em outubro, os agressores agiram com "crueldade extrema e total desprezo pela vida humana".

A comoção causada pelo crime levou à aprovação de uma lei contra a discriminação que leva o nome de Zamudio. No entanto, esta lei não tem aplicação retroativa.

Por isso, os agressores responsáveis pela morte de Zamudio não enfrentaram o agravante de discriminação pela condição sexual. Porém, foram todos condenados pelo crime. Um deles foi sentenciado à prisão perpétua e os outros três a penas que variam entre sete e 15 anos.

'Animita'

Entre outros golpes, os agressores acertaram Zamudio com os chutes, socos, cortes e queimaduras, desenharam suásticas no abdome da vítima com cacos de vidro e, com uma pedra de oito quilos, fraturaram a perna direita de Zamudio.

O jovem foi encontrado por um guarda na manhã do dia 3 de março de 2012. O guarda declarou que "nunca havia visto uma agressão tão brutal". Ele permaneceu em coma em um hospital público durante quase um mês.

Quando a morte de Zamudio foi anunciada, uma multidão acendeu velas na porta do hospital e cerca de duas mil pessoas acompanharam o enterro.

Mais de um ano depois da morte, os funcionários do cemitério sabem onde fica seu túmulo e dão informações aos visitantes que querem deixar suas homenagens ao jovem. Entre os frequentadores estão estudantes, casais, homens e mulheres.

"Rezam, falam com ele, se benzem, pedem coisas", contam os funcionários, que já conhecem bem o fenômeno chamado no Chile de "animitas", a criação de lugares de peregrinação, geralmente ligados a mortes violentas ou injustas.

"Daniel Zamudio tem todos os elementos para se transformar em uma animita", afirma Claudia Lira, pesquisadora de cultura popular e tradicional da Universidade Católica de Santiago.

"É uma morte cruel, inesperada, onde há muito derramamento de sangue, há uma tragédia. As pessoas sentem que esta morte é injusta, porque ele era uma pessoa discriminada, morreu indefeso, na rua", acrescentou.

"Na cosmovisão chilena, mesmo que exista um processo judicial, ele se converte em um mártir, uma concepção que vem do catolicismo e que se junta com a idiossincrasia chilena; a pessoa pode estar mais próxima de Deus porque o sofrimento a transformou e, portanto, se pode pedir coisas a esta pessoa", afirmou.

Cartas

Parte dos bilhetes deixados no túmulo de Daniel Zamudio são guardados pelo Movimento de Integração e Liberação Homossexual do Chile, o Movilh.

"Vamos quase todas as semanas ver Daniel e recolhemos muitas cartas que as pessoas escrevem por razões diferentes. Meninos, meninas que pedem ajuda, ou mensagens de carinho", contou presidente do Movilh, Rolando Jiménez.

"A última vez que contei tínhamos entre 150, 200 (cartas)", disse o ativista, que espera incorporar os textos de alguma forma ao túmulo e memorial à diversidade que o movimento está construindo no Cemitério Geral de Santiago e para onde pretende levar de forma definitiva os restos de Zamudio.

"Não temos vínculos com nenhuma religião ou crença. Somos ateus, entre outros motivos, pelo papel da Igreja Católica na difusão e promoção da homofobia no nível cultural", afirmou.

"Mas se as pessoas sentem uma proximidade com Daniel a partir desta lógica, respeitamos. E no túmulo memorial haverá espaço para que as pessoas continuem deixando suas cartas e as coisas que que hoje levam, presentes, brinquedos, corações."

O Movilh também planeja instalar algum memorial no parque onde Zamudio foi atacado.

Atualmente apenas uma cruz e flores marcam o local do ataque.



quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Pais, protejam seus filhos dos pedófilos!


O vídeo abaixo foi produzido pela UNICEF no Chile, para alertar os pais quanto à responsabilidade que eles têm no cuidado, na prevenção e na educação de seus filhos, para que os pequeninos não sejam presas fáceis das armadilhas típicas dos pedófilos.

Na produção chilena, um homem vestido de algodão doce vai a um parque de Santiago, capital do país, e - sem fazer nenhum esforço - as crianças vão se aproximando pela curiosidade natural da infância, e obviamente pelo doce colorido que atrai seus olhos e seu apetite.

Afinal, imagine-se na pele de uma criança: quer coisa mais fofa do que um "monstro" de algodão doce ambulante do qual você pode tirar pedaços e comer?

A situação toda é tão meiga que os próprios pais se aproximam do homem de algodão doce para pegar alguns pedaços para os seus filhos.

Terminada a guloseima, o homem então distribui um cartão a cada pai e mãe ali presente, com os seguintes dizeres:
É assim tão fácil para um pedófilo atrair uma criança.
Estejamos alertas!
O semblante desconcertado e o olhar perdido no infinito dos pais faz com que eles voltem à realidade dura e crua das ruas, e percebam como aquela situação poderia facilmente colocar seus filhos à disposição de predadores sexuais.

O resultado do vídeo é, portanto, assustadoramente espetacular:



Justiça chilena pede perdão por ter apoiado o golpe de Pinochet

Hoje, dia 11 de setembro, é uma data que deve ser sempre lembrada por todos aqueles que amam e prezam a democracia na América Latina.

Foi num fatídico dia 11 de setembro, do ano de 1973, que as forças armadas chilenas, lideradas por Augusto Pinochet, com apoio dos Estados Unidos e das ditaduras militares vizinhas, entre elas a que golpeava o Brasil à época, derrubaram o governo democraticamente eleito de Salvador Allende e instauraram uma dinastia do terror no Chile.

Milhares de civis foram executados, sobretudo no período inicial, em que o glorioso Estádio Nacional de Santiago (palco da final da Copa do Mundo de 1962, em que o Brasil ganhou o bicampeonato vencendo a Tchecoslováquia por 3x1) foi transformado num matadouro das jovens aspirações democráticas da nação chilena.

A ditadura sanguinária de Pinochet só terminaria em 1990, e os governos civis democraticamente eleitos que lhe sucederam vão conseguindo, pouco a pouco, sanar as terríveis fraturas que ele provocou na sociedade chilena.

Por isso chama a atenção o fato de que, exatos 40 anos depois do golpe de 1973, o Poder Judiciário do Chile (pelo menos em parte) venha a público pedir perdão pelo apoio incondicional que deu às rotineiras execuções sumárias e violações de direitos humanos naqueles anos de chumbo, não ouvindo os incontáveis gritos de socorro, quando poderia ter salvo muitos inocentes da máquina pinochetiana de matar.

O exemplo deveria ser seguido pelos "nobres juristas" brasileiros que conspurcaram o Direito e a Democracia no seu afã de servir aos áulicos do poder militar que deixou refém a nação de 1964 a 1985.

Um pedido de desculpas não vai trazer de volta nenhuma vítima daqueles regimes ensandecidos, mas serve pelo menos de exemplo para que o erro jamais se repita. 

Antes tarde do que nunca.

A notícia é do jornal português Público, com a grafia lusitana típica (que reforma ortográfica, que nada!):

Juízes chilenos pedem desculpa por "acções e omissões" na ditadura de Pinochet

Livro da jornalista Alejandra Matus (1999),
proibido pela Suprema Corte chilena por 2
anos, que denuncia a subserviência do Poder
Judiciário à ditadura de Augusto Pinochet
Associação de magistrados admite que o poder judicial falhou "na sua tarefa essencial", mas o porta-voz do Supremo Tribunal rejeita pedir perdão.

Os magistrados do Chile pediram desculpas pelas "acções e omissões" do sistema judicial perante as violações dos direitos humanos na ditadura militar no país, nas décadas de 1970 e 1980.

"O poder judicial e, em especial, o Supremo Tribunal da época claudicaram na sua tarefa essencial de tutelar os direitos fundamentais e proteger as vítimas do abuso estatal", lê-se num comunicado da Associação de Magistrados do Poder Judicial, citado pelo jornal La Nación.

É um pedido de desculpas incondicional: "Sem ambiguidades nem equívocos, chegou a hora de pedir perdão às vítimas, aos seus familiares e à sociedade chilena", declaram os magistrados do país.

"O poder judicial podia e devia ter feito muito mais" durante a ditadura militar e "incorreu em acções e omissões impróprias das suas funções, ao ter-se negado, salvo raras mas valiosas excepções, a proteger quem pediu a sua protecção", dizem ainda os magistrados chilenos.

No mesmo comunicado, a associação pede que o Supremo Tribunal reflicta sobre os actos passados e que tome também uma posição: "Temos a esperança de que o actual Supremo Tribunal, cujo papel tutelar dos direitos fundamentais ficou demonstrado no actual exercício das suas funções, dê ouvidos à sentida solicitação dos juízes que aspiram a distanciar-se de um passado obscuro que receberam involuntariamente como herança."

Porta-voz do Supremo afasta pedido de desculpas O apelo lançado pela Associação de Magistrados do Poder Judicial já teve resposta do porta-voz do Supremo, Hugo Dolmetsch, embora a título pessoal. "O pedido de perdão é algo íntimo, quando se sente algum grau de responsabilidade. Acho que todos têm um grau de responsabilidade, mas não sei se estarei no grupo dos que devem pedir perdão", disse o representante do Supremo Tribunal chileno.

Numa entrevista à CNN do Chile, Hugo Dolmetsch recusou-se a falar em nome do Supremo, mas afirmou que "terá de sair alguma determinação" sobre um eventual pedido de perdão. "Um sim ou um não, mas algo terá de sair", afirmou.

Dolmetsch, que trabalhou no sistema judicial durante os anos da ditadura militar, admitiu que "podia ter feito mais". Mas "a situação era de uma gravidade tremenda. Eu era advogado, mas não creio que estivesse obrigado a assumir uma atitude de liderança nesta matéria. Ninguém é obrigado a cometer suicídio. Não necessariamente um suicídio porque alguém o vai matar, mas pode ser um suicídio do ponto de vista laboral", afirmou.

O responsável justificou mesmo o comportamento do Supremo durante a ditadura militar que colocou no poder Augusto Pinochet, depois do golpe que derrubou Salvador Allende em 1973.

Para o actual porta-voz do Supremo, o poder judicial apoiou o golpe de Estado militar para "manter a independência". "Foi um erro? Perante as circunstâncias foi correcto, de outro modo poderia haver uma ditadura absoluta. Assim, o poder judicial continuou a funcionar de forma independente", defendeu.

Salvador Allende e Pablo Neruda



sábado, 20 de abril de 2013

Vaticano quis acobertar crimes da ditadura chilena

É o que revela mais um vazamento de dados diplomáticos sigilosos pelo Wikileaks, segundo noticia a EBC:

Wikileaks: Vaticano foi cúmplice do golpe de Estado no Chile

O Wikileaks publicou nesta segunda-feira (08) quase dois milhões de documentos diplomáticos secretos dos Estados Unidos, que datam dos anos 70, incluindo vários que revelam a cumplicidade do Vaticano no golpe de Estado contra Salvador Allende no Chile (1973) e sua colaboração e apoio à ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Um dos documentos, datado de 18 de outubro revela que o então substituto do secretario de Estado Vaticano, Giovanni Benelli, expressou a diplomáticos dos EUA “sua grande preocupação, e do papa Paulo VI, pela exitosa campanha internacional esquerdista para falsear completamente as realidades da situação chilena”. Segundo o documento, o então secretario de Estado do Vaticano saiu em defesa dos golpistas perante o corpo diplomático nos Estados Unidos e qualificou de propaganda comunista as denúncias sobre as violações aos direitos humanos da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1900).

“Benelli classificou de exagerada a cobertura dos acontecimentos como possivelmente o maior êxito da propaganda comunista, e sublinhou o fato de que inclusive círculos moderados e conservadores pareciam muito dispostos a crer nas mentiras mais grosseiras sobre os excessos da Junta chilena” diz um comunicado do Departamento de Estado.Segundo o comunicado “a Arquidiocese em Santigado, o cardeal [Raul] Silva e o Episcopado chileno em geral asseguram ao para Paulo que a Junta está fazendo todo o possível para que a situação volte à normalidade e que as histórias dos meios internacionais que falam de uma repressão brutal não tem fundamento”.

Considerado o "número dois" do papa Paulo VI, Benelli foi o escolhido para receber o ex-presidente dos EUA, Richard Nixon ao descer de um helicóptero na Praça de San Pedro em 1969, para selar a aliança anticomunista entre a Casa Branca e o Vaticano.


Números da ditadura chilena

O relatório Retting, realizado pela Comissão da Verdade e Reconciliação da 1991 e que contabilizou apenas execuções e desaparecimentos, reconheceu um total de 2279 mortes cometidas pelo estado durante a ditadura Pinochet. Já a Comissão Valech, batizada com esse nome para homenagear o exbispo de Santiago, Sergio Valech, ampliou a pesquisa sobre a repressão e enumerou mais de 30 mil vítimas em relatório apresentado em 2004, do qual 28 mil são relacionadas a detenções ilegais, tortura, execuções e desaparecimentos. O segundo relatório da Comissão Valech, entregue em agosto de 2011 ao presidente Sebastián Piñera, reconhece mais de 40 mil vítimas.

* Com informações da agência pública de notícias de Cuba, Prensa Latina e da emissora multiestatal Telesur



quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O bispo mata-cachorros do Chile

O bispo católico de Punta Arenas, no Chile, Bernardo Bastres (que não merece o título de "Dom"), justifica a matança de cães sob o argumento de que “Deus criou todas as coisas e as colocou à disposição do ser humano, esse é um princípio do Gênese, tudo está ao nosso serviço, e, portanto, também podemos nos desfazer problemas criados pela natureza”

Parece que o bispo católico parou a leitura da Bíblia no Gênesis, pois se tivesse chegado até o último versículo do livro de Jonas, leria a resposta de Deus ao profeta fujão:
"E eu, será que não vou ter pena de Nínive, esta cidade enorme, onde moram mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem distinguir a direita da esquerda, além de tantos animais?"
(Jonas 4:11 - Edição Pastoral católica)
Do jeito que a coisa anda pelos lados do Vaticano, eles não precisam mais de inimigos externos. Aliás, cá entre nós, o mesmo pode se dizer dos evangélicos brasileiros...

Será que é pedir demais que o papa exigisse - além de um exame de proficiência bíblica - uma análise psiquiátrica antes de nomear um bispo? A notícia é do Opera Mundi:

Cidade chilena vive matança de dezenas de cães após declarações de bispo

Dom Bernardo Bastres citou a Bíblia para justificar morte de cachorros de rua que supostamente atrapalham cidadãos

Dezenas de cachorros apareceram mortos durante este final de semana nas ruas da pacata cidade de Punta Arenas, no extremo sul do Chile. Ainda não está claro como esses animais morreram, mas organizações denunciam possível envenenamento.

A matança vem apenas poucos dias depois das declarações de um bispo local que citou a Bíblia para justificar o assassinato de cães de rua. Em artigo no jornal regional Hoy por Hoy na última quarta-feira (09/01), dom Bernardo Bastres lembrou que existem cidades na Europa com autonomia para eliminar os cachorros de rua quando eles são um incômodo para a sociedade.

“Deus criou todas as coisas e as colocou à disposição do ser humano, esse é um princípio do Gênese, tudo está ao nosso serviço, e, portanto, também podemos nos desfazer problemas criados pela natureza”, afirmou o religioso. Ele queria que as autoridades chilenas sacrificassem os cães sem donos.

Revoltados com a morte dos cachorros, dezenas de pessoas se reuniram neste domingo (13/01) em frente à catedral da cidade e responsabilizaram o bispo pelo ocorrido. Os manifestantes impediram a realização da missa e informaram que vão se concentrar novamente nesta segunda (14/01) no local.

“Hoje (13/01), voluntários da nossa organização descobriram que havia cachorros mortos no centro de Punta Arenas e o que encontramos foi trágico e horroroso”, contou Valéria Muñoz, da UDDA (União de Defesa do Direito Animal na sigla em espanhol).

Os corpos de dezenas de cães estavam empilhados em caminhões da polícia militar chilena. “Mais de 15 cachorros foram retirados do centro da cidade e do bairro de San Miguel. Segundo informaram os carabineiros, também se retiraram animais do bairro Pedro Aguirre Cerda”, acrescentou a ativista.

Dom Bernardo Bastres negou nesta segunda-feira (14/01) as acusações de que estaria envolvido com a matança e lamentou as possíveis consequências de suas declarações. "Eu acho que as pessoas que mataram esses animais são pessoas desequilibradas. Não existe espaço dentro de qualquer sistema democrático para o povo fazer a justiça em suas mãos", disse ele.

O religioso se reuniu nesta segunda (14/01) com grupos de defesa dos direitos animais. Ambos realizaram um comunicado conjunto, no qual repudiam a matança dos cães e também os danos infligidos à catedral no protesto deste domingo (13/1). Além disso, eles pedem a investigação das mortes.

“A presente mesa concorda com a necessidade de modificação da atual gestão de cães pela cidade e sugere a criação de um mecanismo de registro, cadastro e esterilização dos animais de rua, como também a fiscalização e possível punição para donos irresponsáveis”, diz o comunicado.

Segundo a Secretaria Regional da Província de Magallanes, existem aproximadamente 12 mil cachorros de rua na capital Punta Arenas, número bastante superior à média entre as capitais provinciais chilenas, de 7,5 mil – excluindo Punta Arenas, a média das capitais diminuiria para 5,5 mil, segundo a Secretaria.



sábado, 13 de outubro de 2012

Milagre nos Andes, 40 anos depois


A foto em preto e branco acima é o retrato definitivo de uma das mais belas e - simultaneamente - trágicas páginas da história da humanidade.

É que hoje faz exatos 40 anos do acidente aéreo que entrou para a História como o caso dos sobreviventes dos Andes, no dia 13 de outubro de 1972, uma sexta-feira 13 que - lamentavelmente - fez jus à superstição.

Essa é uma das histórias mais conhecidas de acidente aéreo no mundo, numa época em que era praticamente impossível que alguém sobrevivesse a tragédias com aviões.

Hoje, felizmente, a indústria aeronáutica evoluiu tanto que os acidentes se tornaram muito menos frequentes, e já não são mais raras as oportunidades em que haja um bom número de sobreviventes quando um avião sofre uma avaria qualquer.

Naquele tempo, entretanto, a notícia do desaparecimento do voo 571 da Força Aérea Uruguaia quando sobrevoava a Cordilheira dos Andes, na fronteira entre Argentina e Chile, despertou os piores temores e o longo período de buscas infrutíferas provocou a certeza de que ninguém havia sobrevivido.

O avião modelo Fairchild Hiller FH-227 transportava o time amador de rugby dos "Old Christians", do Colégio Stella Maris de Montevidéu, que disputaria uma partida em Santiago do Chile, que no dia anterior já havia feito uma parada forçada em Mendoza, na Argentina, por conta do mau tempo.

Eles não sabiam até então, mas 23 dos 78 aviões Fairchild 227 fabricados no mundo sofreram graves acidentes ao longo de sua vida (in)útil em razão de problemas de potência no motor, matando 393 pessoas no total.

Tudo indica que foi exatamente o motor fraco, associado ao cálculo equivocado dos fortes ventos contrários (que reduziram dramaticamente a velocidade real em comparação com aquela apontada pelos controles do avião), que levou os pilotos a se chocarem contra as montanhas numa área de ínfima visibilidade.

Milagrosamente, depois dos seguidos choques com a crista da montanha, que foram tirando as asas e a fuselagem traseira do avião, só sobrou o "charuto" anterior, onde se concentraram os sobreviventes.

Das 45 pessoas a bordo, (40 passageiros e 5 tripulantes), 7 desapareceram lançados aos ares nos primeiros choques e 6 morreram instantaneamente no impacto final com o solo.

Havia 32 sobreviventes quando os restos do avião "estacionaram" na neve após deslizarem por centenas de metros no local conhecido como "Glaciar de las Lágrimas", a 3.500 m de altitude sobre o nível do mar, 2 km abaixo de onde a cauda se havia despedaçado ao tocar o primeiro pico.

Na madrugada e no dia seguintes, mais 4 passageiros não resistiram aos graves ferimentos provocados não só pelo choque como pela "avalanche" de poltronas que se amontoaram nos bancos da frente.

6 corpos dos 7 desaparecidos lançados aos ares foram encontrados por uma expedição no dia 24 de outubro, mas não havia nem sinal do avião, cujos ocupantes agonizavam num local de difícil acesso e visualização pelas equipes de resgate.

No domingo, 29 de outubro de 1972, uma avalanche soterra os sobreviventes por 3 dias, matando 8 deles que até então resistiam bravamente às intempéries e à tragédia anunciada.

Nos dias 15 e 18 de novembro, e 11 de dezembro, morrem mais 3 corajosos (até então) sobreviventes, um em cada dia.

Desde o começo, eles haviam racionado os poucos alimentos que tinham, mas diante da impossibilidade de encontrar comida animal ou vegetal no local em que estavam, são obrigados a se valer dos corpos enterrados na neve, de seus amigos e familiares, para continuarem vivos.

Talvez tenha sido o canibalismo que mais chamou a atenção do mundo do que o acidente em si, mas um dos sobreviventes, José Pedro Algorta buscou uma referência religiosa - na eucaristia católica - para justificar o ato e dar ânimo aos demais dizendo que "seus amigos lhes davam os seus corpos para sua vida física, assim como Jesus  lhes havia dado o seu corpo para sua vida espiritual".

Foi esta decisão radical - verdadeira injeção de ânimo - que lhes permitiu seguirem vivos, até que três deles, Antonio Vizintín, Fernando Parrado e Roberto Canessa, inconformados com o decreto de morte certa, um dia após a última morte de um companheiro, decidem se aventurar pela cordilheira em busca de socorro, já que não havia mais esperança sequer de que alguém continue tentando encontrá-los.

Com muito esforço, eles haviam feito o rádio do avião funcionar e já sabiam que eram dados como mortos e as buscas já tinham sido suspensas.

Depois de 3 dias de caminhada, Vizintín escorrega e se machuca, voltando ao improvisado "acampamento", e depois de percorrerem 55 km, 10 dias após haverem iniciado a marcha equivocadamente para oeste (no Chile, quando seria muito mais rápido e fácil serem localizados indo para leste, na Argentina), Parrado e Canessa encontram o chileno Sergio Catalán, que chama os carabineiros para socorrerem os 16 sobreviventes.

No dia 22 de dezembro de 1972, para delírio e alívio do mundo que acompanhava o drama (inclusive deste que vos escreve, então com 9 anos de idade) termina o resgate do último sobrevivente, 72 dias após o terrível acidente.

Essa é, sem dúvida, uma das mais emocionantes, famosas e impressionantes histórias de resgate de vítimas e superação humana de que se tem notícia, razão pela qual se tornou objeto de muitos livros e filmes ao longo desses 40 anos.

Em 2010, não muito longe dali, só que no deserto de Atacama, 33 mineiros chilenos manteriam o mundo em suspense até seu resgate espetacular. Estranha (e feliz) propensão dessa região a proporcionar histórias quase inacreditáveis de sobrevivência em ambientes hostis.

Se os Andes por si só já representam um milagre da natureza, um presente de Deus para os sulamericanos, a história dos heróis uruguaios da humanidade será contada para sempre como um dos mais belos milagres que se tem notícia.

O Terra preparou um belo infográfico para celebrar a data, e abaixo seguem dois vídeos, o primeiro da reconstituição do acidente no filme "Vivos" ("Alive" - 1993) e o segundo um excelente documentário ("Estou Vivo: Milagre nos Andes") na íntegra do History Channel:





Último grupo de sobreviventes na última noite no avião,
felizes por saber que seriam resgatados na manhã seguinte.
Os 16 sobreviventes em foto tirada esta semana


LinkWithin

Related Posts with Thumbnails