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sábado, 13 de janeiro de 2018

O primeiro imperador chinês queria ser (literalmente) imortal

Qin Shi Huang, o primeiro imperador da China

A curiosa informação foi publicada na BBC Brasil:

Como fracasso na busca de imperador chinês por 'elixir da vida' deu origem ao Exército de Terracota

O enorme poder de Qin Shi Huang tinha apenas um limite: a morte.

O primeiro imperador da China, o "senhor dos dez mil anos", o filho do sol, o senhor de todas as terras e dos céus, descobriu precocemente que apenas a imortalidade estava fora do seu alcance.

E, por isso, tentou alcançá-la de todas as maneiras possíveis.

Conforme revelado por um estudo recente com base em textos milenares encontrados em 2002, o imperador tornou-se tão obcecado com a ideia da imortalidade que ordenou uma busca desesperada por um elixir da vida em todos os cantos da China.

Os textos, de 2 mil anos de idade e escritos em milhares de lâminas de madeira (utilizados antes da invenção do papel), dão contam de uma incrível cruzada que tomou o país asiático na busca pela poção mágica.

Os documentos, encontrados em um poço na província de Hunan (região central do país), incluem um decreto imperial pelo início das buscas e, também, as ambíguas e desanimadas respostas de comunidades que não tinham outra opção senão dar uma resposta negativa ao imperador.

Uma localidade identificada como Duxiang, por exemplo, informou ao soberano que nenhum remédio milagroso havia sido encontrado ali.

O exército de terracota, um legado impressionante para a humanidade.

Mas a comunidade não deu o braço a torcer: disse que continuaria com as buscas.

Outro local, chamado Langya, parte da atual província de Shandong (no leste do país), indicou a existência de uma milagrosa planta que poderia ser colhida em uma "montanha sagrada".

Mas nenhuma planta ou poção mágica funcionou e Qin Shihuang morreu em 210 a.C., após 11 anos de reinado.

O imperador, que conquistou, um após o outro, os seis reinos que integravam a China, dando forma ao país como o conhecemos hoje, morreu aos 49 anos, segundo historiadores. E, até os últimos momentos da vida, obcecado com a imortalidade.

Huang construiu a Grande Muralha, forjou um vasto império - impondo sistemas únicos de escrita, dinheiro, pesos e medidas e encomendando canais e estradas - e ordenou que um exército "eterno" de guerreiros o acompanhasse ao reino da morte.

Foi assim que seus súditos construíram o formidável Exército de Terracota, uma coleção de esculturas de 8 mil soldados, cavalos e carros que foram enterrados junto com o imperador, depois que este perdeu sua última batalha: contra a morte.

8 mil soldados "acompanharam" o imperador até o além.



segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Conclusões olímpicas


Sim, meus queridos amigos, é triste ter que admitir isso mas a Olimpíada brasileira, mais especificamente carioca, acabou...

A grande notícia é que ela transcorreu sem maiores problemas, sobretudo quanto a violência e terrorismo, embora ainda tenhamos que passar pelas Paralimpíadas para podermos comemorar dois eventos pacíficos em seguida.

Quanto aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, foram duas semanas bastante divertidas, em que o brasileiro mostrou ao mundo o seu jeito estabanado de ser, meio confuso, espalhafatoso e contraditório, mas espontâneo e bem-humorado tanto quanto possível.

As cerimônias de abertura e de encerramento agradaram por sua simplicidade e baixo custo, mostrando ao mundo a cultura e a criatividade brasileiras em seu estado de pura arte, sem querer concorrer com festas e sedes antigas, até porque, cá entre nós, ainda que os mais jovens não entendam o que isso significa, nada vai superar o painel humano do ursinho Misha derramando uma lágrima na despedida de Moscou 1980.

Só quem viu esta cena pela televisão 36 anos atrás pode tentar descrever a emoção que sentiu naquele contexto histórico em que a tecnologia ainda perdia de 10 x 0 para a ideologia.

Depois disso, tudo virou mais do mesmo, inclusive a grandiosidade de Pequim 2008, que mostrou ao globo o despropósito de uma China faraônica, logo uma cultura milenar que tem tantas coisas lindas e simples para compartilhar.

Portanto, o Rio de Janeiro acertou em cheio ao fazer cerimônias relativamente simples, muito mais ligadas à emoção do que à ostentação, mostrando o que o Brasil tem de melhor, sua música, sua gente, sua malemolência, seu bom humor.

Claro que este rumo foi ditado, em larga parte, pelas limitações orçamentárias, mas que bom que foi assim, pois serviu de antítese ao negócio bilionário que são os jogos patrocinados pelo Comitê Olímpico Internacional.

Sim, no fim tudo se limita a isso, um negócio. Vivemos num mundo onde a economia impera, e o espírito olímpico é só uma desculpa para que grandes contratos sejam assinados à sombra dos seus arcos.

Tenebrosa é a coincidência a que permitiu que o Brasil encerrasse sua Olimpíada na mesma semana em que vai decidir o impeachment de sua primeira mulher que chegou à Presidência.

De novo, engana-se quem acha que é a lei ou os políticos que vão decidir o destino de Dilma Rousseff. Não, caros amigos, quem parece que já decidiu pela sua defenestração é a economia, mediante aqueles famosos tentáculos invisíveis do mercado, que são afinal quem decide o destino de cidades olímpicas e presidentes.

Era este o cenário em 2009, quando o Rio de Janeiro foi escolhido como sede olímpica para 2016, e o Brasil era muito mais interessante do ponto de vista econômico do que político ou esportivo.

Cabalísticos sete anos depois, tudo mudou.

Parece que o Brasil se despediu não só dos seus Jogos mas também de uma era, e - seja no esporte ou na política - não há boas perspectivas no horizonte.

Tentemos, então, perpetuar (enquanto pudermos) este sentimento gostoso e anestésico de duas semanas em que o mundo nos visitou e interagimos com o diferente.

Foi bom enquanto durou...



sábado, 26 de dezembro de 2015

Onde é proibido comemorar o Natal?

Matéria publicada na BBC Brasil:

Quais são os países que proíbem o Natal?

O Natal é uma das celebrações mais difundidas no mundo, mas não é vista com bons olhos em todos os lugares.

Em alguns países, as celebrações natalinas são reguladas ou totalmente proibidas.

Em outros lugares a compra e venda de certos produtos e até as reuniões familiares são limitadas.

O país que mais recentemente entrou na lista dos que proíbem a festividade é o Tajiquistão, na Ásia central. Nesta semana autoridades do país anunciaram que endurecerão as restrições para a celebração do Natal.

O Tajiquistão é uma república faz fronteira com o Afeganistão ao sul, com a China ao leste, com o Quirguistão ao norte e com o Uzbequistão a oeste. O governo proibiu as seguintes tradições natalinas:

  • Árvores de Natal (naturais ou artificiais)
  • Fogos de artifício
  • Comidas natalinas
  • Troca de presentes
  • Arrecadação de dinheiro
  • Fantasia de Papai Noel


A religião muçulmana é maioria no país e cresce desde que o Tajiquistão se separou da União Soviética em 1991.

Outros países

Em Brunei, no sudeste asiático, proibiu-se o uso em público de gorros de Papai Noel ou qualquer outro tipo de indumentária relacionada. As pessoas não muçulmanas são autorizadas a celebrar o Natal, desde que não em público.

O Islã é a religião oficial do país e o sultão é o chefe religioso neste reino, que faz fronteira com a Malásia.

Como ocorre anualmente, a Arábia Saudita emitiu uma regulamentação anual que proíbe "sinais visíveis" da celebração do Natal.

Tanto muçulmanos como visitantes não podem participar da celebração. O governo determina que todos devem se orientar pelo calendário lunar e não pelo gregoriano.

Na Arábia Saudita também é proibida a celebração do Dia das Bruxas.

Em 2012, 41 cristãos foram detidos pela polícia religiosa árabe acusados de "conspirar para celebrar o Natal".

Enquanto isso, na China, onde convivem a abertura ao capitalismo de mercado e a proteção das tradições, há zonas onde as festividades natalinas seguem vetadas.

Uma das cidades onde a celebração é proibida é Wenzhou (na China oriental), cuja prefeitura vetou todas as celebrações natalinas nas escolas e nos centros comunitários.

Natal entre refugiados

O Natal é celebrado com moderação no Iraque e na Síria, locais onde aumentaram os ataques a centros de culto cristãos desde que a guerra civil se agravou. Um grupo de voluntários chegou a ir ao Iraque para celebrar com os cristãos que vivem em campos de refugiados.



sexta-feira, 11 de setembro de 2015

China quer decidir em quem o Dalai Lama vai reencarnar

Quem diria, até quem reencarna em quem, se reencarna, os políticos querem decidir. A matéria é da Galileu:

Governo chinês quer escolher em qual corpo o Dalai Lama vai reencarnar

Chineses afirmam que a santidade não pode se recusar a dar continuidade à tradição

No último domingo (6/9), durante conferência sobre o aniversário de 50 anos da Região Autônoma do Tibete, um oficial do governo chinês afirmou que este tem o direito de escolher a próxima encarnação de Dalai Lama. O representante disse ainda que se não fosse pela intervenção de Pequim, os tibetanos teriam permanecido na era medieval, com práticas ultrapassadas e escravidão.

China/Tibete Em 1950, tropas chinesas invadiram o Tibete e passaram a controlar a região. Após tentativas frustradas de fazer um acordo de paz com autoridades da China como Mao Zedong e Deng Xiaoping, o Dalai Lama se exilou em Dharamsala, na Índia, onde vive até hoje e controla a Administração Central Tibetana. Logo, em 1965, o Tibete entrou para a lista de regiões autônomas da China. As relações políticas, portanto, são delicadas.

A afirmação do oficial chinês faz parecer que a intenção do governo é transformar uma entidade espiritual em ferramenta política. Acontece que, para os tibetanos budistas, os Dalai Lamas são manifestações de Avalokiteshvara, o bodisatva da suprema compaixão dos Budas. Ou seja, eles seriam criaturas iluminadas escolhidas para reencarnarem e servirem a humanidade.

A linhagem conta com 14 Dalai Lamas, sendo Tezin Gyatso o atual “grande protetor”. O tibetano de 80 anos foi descoberto como encarnação da entidade aos 3 e, ao chegar aos 6, começou sua educação monástica. “Sempre me perguntam se eu realmente acredito na encarnação. Essa não é uma resposta fácil de dar. Mas dada a experiência que tive ao longo da vida, não tenho dificuldade em aceitar que sou espiritualmente conectado com os 13 Dalai Lamas que me precederam, com o Chenrezig e o próprio Buda”, afirma Gyatso.

Segundo a Administração Central Tibetana, quando completar 90 anos, o Dalai Lama consultará os Lamas superiores da tradição do budismo tibetano, o público da região e os seguidores da religião para avaliar se a instituição de Dalai Lama deve continuar a reencarnar ou não.

Em 2007, a Administração de Negócios Religiosos do Estado Chinês divulgou um regulamento definido pela China em relação à reencarnação. Por conta desse documento, os chineses acreditam que, independente do que Dalai Lama diga ou faça, a santidade não pode negar o direito do governo de escolher e confirmar uma nova encarnação.

Para o governo chinês, o Dalai Lama não pode se negar a reencarnar e deve respeitar a tradição. Já a santidade afirma que, caso a entidade escolha prosseguir, “seu reconhecimento e aceitação não devem ser dados a um candidato escolhido por conta de meios políticos, ainda mais se forem relacionados a República da China”.

*Com supervisão de André Jorge de Oliveira



sábado, 5 de julho de 2014

Quando um lama morre no Brasil e é cremado no Nepal


Artigo de Ricardo Anderáos para o Brasil Post:

Da morte à vida: cremação e reencarnação no Himalaia

Na décima terceira Lua após sua morte no Brasil, o lama tibetano Chagdud Rinpoche foi cremado no Nepal. Eu participei do retiro de Yoga da Morte durante o qual ele faleceu em Três Coroas, no Rio Grande do Sul. E não hesitei em cruzar o mundo para fazer parte da cerimônia de cremação que aconteceu ao ar livre, nas encostas do Himalaia. Lá, no altar do templo localizado defronte à pira funerária em forma de estupa, seu cadáver coberto com vestes rituais permanecia sentado em posição de meditação, exatamente como estava quando seu coração parou de bater.

Quando o Rinpoche morreu exatamente? E quem é o garoto que foi identificado alguns anos depois como sua reencarnação? As perguntas da nossa mente racional ficam em segundo plano face a tudo que vivenciei nesse processo. Continuo com minha estratégia de suspensão da descrença: o que acredito ou deixo de acreditar perde importância diante dos ganhos que a meditação me dá no meu relacionamento comigo mesmo e com todos ao meu redor. Numa palavra: Bodhichitta.

Ficamos hospedados em um monastério em Boudanath, nos arredores de Kathmandu, ao lado da gigantesca estupa que é um dos templos budistas mais sagrados do mundo. À volta desse enorme monumento branco em forma de disco, do tamanho de um estádio, milhares de pessoas circulam, rezam e fazem prostrações incessantemente. Nos seis dias seguintes nossa rotina se repete: liderados pela lama Tsering Everest acordamos antes do amanhecer, viajamos duas horas de ônibus numa estradinha assustadora que serpenteia até o alto das montanhas, chegamos ao templo e praticamos meditação durante todo o dia aos pés do kudun do Rinpoche. No fim do dia voltamos a Boudanath, circumbulamos a grande estupa algumas vezes recitando mantras, jantamos e despencamos na cama.

Meditar é uma tarefa às vezes fácil, às vezes dificílima. Mas nunca antes nem depois daqueles dias consegui tamanha clareza e profundidade em minha prática. Não sou uma pessoa dada ao misticismo, e resisto a aceitar explicações mágicas para as coisas. Mas sou obrigado a confessar que meditar perto do corpo do Rinpoche, tanto dentro quanto fora daquele templo, com temperaturas próximas de zero, foi uma experiência transcendental. Ainda hoje, passados mais de dez anos, me alimento das lembranças e insights daqueles dias quando enfrento dificuldade para relaxar a mente e meditar. Depois de seis dias de purificação e meditação, chegou o grande momento para cerca de 300 pessoas que saíram de várias partes do mundo para participar da cremação. Alguns vieram do Tibete, cruzando os Himalaias, enfrentando a neve e fugindo da polícia de fronteira chinesa para estar ali. Muitos vieram da Índia, do Butão e de várias partes do Nepal. Outros tantos eram alunos dos EUA e do Brasil, países onde o incansável Chagdud Rinpoche havia construído redes com dezenas de templos e centros de prática.

Quatro lamas ficaram ao redor da estupa crematória, marcando os quatro pontos cardeais. Ao lado de cada um deles, monjes e praticantes avançados empunhavam instrumentos musicais, sinos, vajras e outros objetos de prática. Os praticantes mais juniores, como era o meu caso, completavam o círculo. A estupa foi totalmente recheada com flores, ervas aromáticas e madeira. Na base, uma grande mandala pintada em pergaminho também demarcava os pontos cardeais.

O corpo do Rinpoche foi finalmente retirado do altar, colocado em uma liteira e levado em procissão ao redor da estupa. Por fim, foi depositado dentro da pira funerária, acima das ervas e da madeira. Todos sentamos e meditamos longamente, até que os quatro lamas começaram a conduzir a elaborada cerimônia. Depois de muitos mantras e cânticos, cada um enviou seu emissário com o fogo que foi colocado na base da estupa. Em pouco tempo as labaredas começaram a crepitar. Uma densa fumaça tomou conta do ambiente e subir ao céu, obscurecendo a luz do Sol.

O aroma que nos envolveu é inesquecível. Nunca me senti tão só e simultaneamente tão integrado ao universo. Os insights se sucediam de maneira ao mesmo tempo vigorosa e calma. Era claro que eu estava vivendo um dos momentos-chave de minha vida. O nascimento de meus filhos, a morte de meu pai e algumas imagens que povoam minha mente desde a mais tenra infância passavam diante de meus olhos. Nunca tão aqui, nunca tão agora...

Não tenho mais palavras. Deixo as imagens mais abaixo falarem por si:


Cerca de 4 anos depois daquele inesquecível 8 de dezembro de 2003, soubemos que o yangsi de Chagdud Rinpoche - sua reencarnação em uma criança - foi identificada no Tibete. Os quatro lamas que conduziram sua cremação haviam, finalmente, concluído a última etapa do misterioso ritual. Ganhamos uma foto do menino, mas nenhuma outra informação foi fornecida, como forma de proteção da criança. Em 3 de agosto desse mesmo ano, o decreto número 5 do Escritório Governamental para Assuntos Religiosos do Governo da China no Tibete tornou obrigatório o cadastramento junto ao governo de todas as crianças reconhecidas como reencarnações de lamas tibetanos, sob pena de acusação de fraude e prisão.



terça-feira, 31 de dezembro de 2013

10 antigas tradições de Ano Novo


Chega ao fim o ano de 2013, ano de conquistas e derrotas, alegrias e tristezas, umas mais, outras menos, como acontece com todos os seres humanos do planeta.

Vem aí 2014! Novos planos e antigas esperanças o aguardam, e por isso cada um de nós tem uma maneira de dar-lhe as boas vindas, embora a maneira como isso ocorre esteja padronizada mundo afora, com algumas pequenas diferenças rituais e culturais.

Hoje é um dia propício, portanto, para relembrar como antigas civilizações comemoravam o Ano Novo segundo seus costumes ancestrais.

O portal Listverse cita 10 dessas antigas tradições:

O deus babilônico
Marduque
1 - AKITU BABILÔNICO

Na antiga Babilônia, a chegada do Ano Novo era comemorada com dois eventos que ocorriam na entrada de cada semestre do calendário sumério, quando se celebrava o festival Akitu, em honra do deus supremo de sua religião, Marduque.

Akitu, em antigo sumério, significava literalmente "corte da cevada", ou "semeadura da cevada", conforme o início do semestre correspondente às etapas do seu cultivo.

Conforme você percebe, o povão bebe cerveja desde priscas eras, e a festa popular em torno do Akitu durava duas semanas.

Ao rei cabia um papel mais cerimonial, indo ao templo de Nabu onde recebia dos sacerdotes um cetro real com o qual participava de vários rituais, sendo o mais importante aquele que representava a Criação segundo as tradições religiosas sumérias.

2 - FESTIVAL EGÍPCIO DA BEBEDEIRA

De novo, o álcool. Muitos beberrões atuais se identificariam com essa festa, não é mesmo?

Na antiga mitologia egípcia, o deus-com-cabeça-de-leão Sekhmet havia decidido destruir a humanidade, no que foi impedido pelo deus-sol Rá, que lhe fez beber uma quantidade gigantesca de uma cerveja de cor vermelha, como se fosse sangue humano.

Com essa bizarra inspiração, cada Ano Novo egípcio era comemorado com uma bebedeira coletiva, em que o povo agradecia a Rá pelo estratagema utilizado para o proteger de Sekhmet.

Não era um porre, digamos, "leve". Tratava-se praticamente de um coma alcoólico, já que quando mais se bebesse, mais o indivíduo, a nação e a humanidade seriam salvos da extinção decretada por Sekhmet.

Alguns poucos egípcios permaneciam sóbrios para, no dia seguinte, acudirem e acordarem os bêbados que jaziam pelas casas, ruas e praças das cidades.

3 - NORUZ DA PÉRSIA

"Noruz" (نوروز em farsi, significando literalmente "Novo Dia") é a festa de Ano Novo da antiga Pérsia, que vem sendo comemorada há milênios, e há quem diga que em 2013 foi comemorado o 5774º Noruz da História.

Perceba que, não por acaso, o calendário judaico, contado a partir da Criação, também está no ano 5774.

O Ano Novo persa ocorre no dia 21 de março, ou na data do equinócio da primavera do hemisfério Norte, que é em torno desse dia, e se tornou uma festa muito ligada ao zoroastrismo e à fé Bahá'í.

A celebração dura 13 dias, durante os quais a primavera recomeça a cobrir a terra com vegetação e flores, simbolizando um renascimento.

Até hoje, o Noruz é muito celebrado mundo afora, especialmente no Irã, onde vive boa parte dos seguidores das religiões que o festejam.

4 - FESTA DA CIRCUNCISÃO

A festa da circuncisão era uma tradição da Igreja cristã primitiva, uma espécie de continuação do Natal.

Como a lei judaica mandava circuncidar os meninos ao oitavo dia do nascimento, quando começou a tradição de se comemorar o Natal em 25 de dezembro, em seguida veio a ideia de se celebrar o dia da circuncisão do menino Jesus.

Por isso mesmo, o dia 1º de janeiro, instituído como início do Ano Novo por Júlio César em seu calendário juliano de 46 a. C., passou a ser coincidente com a festa da circuncisão, que ainda é celebrada em comunidades ortodoxas orientais, luteranas e anglicanas ao redor do mundo.

A tradição foi se perdendo na igreja católica até que, em 1974, o papa Paulo VI decretou o dia 1º de janeiro como o "Dia Mundial da Paz".

5 - HOGMANAY DA ESCÓCIA

Hogmanay é uma antiga tradição escocesa de se celebrar com fogueiras o último dia do ano e a virada para o ano seguinte.

O registro mais antigo da festa é de 1604, mas há quem diga que o Hogmanay remonta às eras pagãs da Escócia, antes do advento do cristianismo em terras britânicas.

O fogo é o grande personagem do evento, sendo conduzido em tochas e bolas pelas ruas, simbolizando o retorno do Sol, e continua a ser comemorada na Escócia.

6 - FESTA ROMANA DE JANO

Jano (ou Janus), era o deus romano de duas caras, associado às transições da vida, entre passado e futuro.

Como o próprio nome indica, o nome "janeiro" para o primeiro mês do ano deriva da palavra "Jano".

Não por acaso, portanto, o primeiro dia de janeiro era dedicado ao deus Jano.

Os antigos romanos acreditavam que tudo o que se semeava naquele dia duraria o ano todo.

Por isso mesmo, era um costume deles dar presentes e comida, abster-se de ações e pensamentos maus, e ser cordial uns para com os outros.

7 - CRIOS E IASION DA GRÉCIA

Crios e Iasion eram associados à chegada do Ano Novo na antiga Grécia.

Crios era um dos doze titãs clássicos da mitologia grega, vinculado à constelação de Áries, a primeira que aparecia no céu quando começava a primavera, o que remetia o imaginário popular à entrada em uma nova estação.

Iasion era um semideus, filho de Zeus com uma de suas muitas amantes. Iasion era amante também de Deméter, a deusa grega da agricultura e das estações do ano.

A depravação dos deuses gregos era tanta que Deméter teve uma filha com seu irmão Zeus: Perséfone. 

Isso explica porque Zeus teria matado Iasion, fazendo com que o povo passasse a celebrar a tragédia romântica de Iasion e Deméter na chegada da primavera.

8 - A LENDA CHINESA DE NIAN

Todas as grandes cidades do mundo onde há uma comunidade chinesa relevante sabem o que é celebrar o Ano Novo chinês, que segue seu calendário próprio.

Trata-se de uma festa onde a cor vermelha predomina e se celebra a lenda de Nian, que seria um monstro submarino que, todo dia de Ano Novo, vinha ao continente para devorar pessoas e animais.

Os antigos chineses então se refugiavam nas montanhas, onde esperavam estar a salvo de Nian, que em chinês significa "Ano".

Um dia, entretanto, um velhinho de barbas apareceu numa vila na noite de Ano Novo, pedindo comida e abrigo, e só uma viúva também já idosa o acolheu em meio ao caos.

Em retribuição ao gesto caridoso da viúva, o velhinho prometeu que Nian jamais voltaria e decorou a vila toda com velas e lanternas vermelhas, preparando ainda fogos de artifício para "recepcionar" o monstro quando ele aparecesse.

Todo aquele rebuliço de cores, luzes e sons fizeram com que o monstro se assustasse e sumisse, mas a tradição deveria ser repetida a cada virada de ano.

9 - NEMONTEMI E QUAHUITLEHUA DOS AZTECAS

Os antigos aztecas, povo aborígene do território onde hoje está o México, tinham duas datas específicas para marcar o último e o primeiro dia do ano.

Havia um intervalo de 5 dias entre o último e o primeiro dia do ano. Esse interstício se chamava Nemontemi, e correspondia a um período considerado peculiarmente azarado e perigoso, já que os maus espíritos varriam a terra buscando a quem tragar.

Os aztecas então se recolhiam a suas habitações, fazendo o máximo de silêncio para não atrair as assombrações.

Findo o Nemontemi, começava o primeiro mês do ano para os aztecas, chamado de Quahuitlehua, que correspondia ao final da estação seca e ao início do plantio das novas culturas.

Aí começava também um ritual bárbaro. Para assegurar o favor dos deuses da chuva, que regaria suas plantações, os aztecas sacrificavam crianças por afogamento, dentro do ritual a que chamavam Atlchualco, ou "compra da água".

Ainda bem que certos costumes foram extintos.

10 - DIA DA SENHORA NA INGLATERRA

Até 1752, o dia 25 de março marcava o início do Ano Novo na Grã-Bretanha, com exceção da Escócia, que tinha a sua própria tradição das fogueiras, acima descrita.

Também conhecido como o "Dia da Anunciação", o Dia da Senhora ("Lady Day") tinha inspiração cristã e marcava o dia em que o arcanjo Gabriel visitara Maria para avisá-la do nascimento de Jesus Cristo, exatos 9 meses depois, no Natal.

A tradição se alargou tanto que o dia passou a marcar também o "aniversário" da expulsão de Adão e Eva do paraíso, do assassinato de Abel por Caim, do "sacrifício" de Isaque por Abraão, da decapitação de João Batista e Tiago e da libertação de Pedro da prisão.

A superstição era tal envolvendo o "Lady Day" que alguns "profetas do fim-do-mundo" do século X predisseram que o mundo acabaria na data em que o Dia da Senhora coincidisse com a Sexta-Feira Santa, o que veio a acontecer no ano 970, mas o mundo continua de pé desde então.

Até hoje, 31 de dezembro de 2013. Feliz 2014!



terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Chinês se suicida após acompanhar namorada no shopping por 5 horas

A notícia correu rapidamente o mundo feito rastilho de pólvora, e tem toda pinta de ser falsa, apenas uma pegadinha mais no mundo da informação instantânea, mas não deixa de ser curiosa, mesmo que não seja verdadeira.

A informação é da InfoExame:

Homem se suicida após namorada continuar comprando sapatos

Marcelo Venceslau

Um homem de 38 anos se suicidou em um Shopping Center em Xuzhou, leste da China, após sua namorada continuar comprando sapatos. A tragédia aconteceu no último sábado (7).

Depois de mais de 5 horas no shopping, o homem não aguentou continuar entrando em lojas de sapato e acabou pulando sete andares até a morte. A namorada, que não foi identificada, disse ao homem para dar mais uma volta à procura de sapatos.

Segundo uma testemunha, Tao Hsiao disse a sua namorada que eles já tinham sapatos o suficiente e sacolas demais para carregar, mas ela insistia em entrar em mais uma loja que tinha uma oferta especial para sapatos. “Ela começou a gritar, disse que ele era muito avarento e que estava destruindo o Natal“, disse a testemunha ao Daily Mail. Em seguida o chinês largou suas sacolas no chão e pulou pela sacada até se chocar com os enfeites natalinos do shopping e, em seguida, com o chão.

Segundo o porta-voz do Shopping, o serviço de emergência chegou rapidamente para socorrer o homem, mas ele já estava morto devido ao impacto da queda. “Este é um trágico acidente, mas essa época do ano pode ser muito estressante para muitas pessoas”, disse o porta-voz.

*Com informações do Daily Mail



quarta-feira, 5 de junho de 2013

Homem de 66 anos de idade descobre cisto no ovário (dele!)

E quando você achava que já tinha lido, visto e ouvido de tudo na vida, vem a notícia abaixo do Terra para te desmentir:

Homem de 66 anos descobre em check-up que é biologicamente uma mulher

Com barba, um pequeno pênis, mas sem testículos, o paciente havia considerado durante toda a vida ser um homem

Um homem de 66 anos que foi a um hospital de Hong Kong aflito com um inchaço no abdômen recebeu uma impactante notícia: ao passar por um check-up, o diagnóstico apontou que se tratava de um cisto no ovário, já que, biologicamente, ele é uma mulher.

Segundo publicou nesta terça-feira o jornal local South China Morning Post (SCMP), a confusão se deve a uma condição muito rara que é a combinação de dois distúrbios genéticos: a síndrome de Turner e a hiperplasia congênita adrenal (CAH).

A síndrome de Turner leva mulheres a terem algumas deficiências, entre elas, perdem a capacidade de engravidar, e, embora os portadores costumem ter aspecto feminino, nesse caso específico o portador do distúrbio também sofria de CAH, que provoca um aumento dos hormônios masculinos e gera uma aparência masculina.

Com barba, um pequeno pênis, mas sem testículos, o paciente, um chinês órfão nascido no Vietnã, havia considerado durante toda a vida ser um homem, relata a revista médica Hong Kong Medical Journal.

"É um caso muito interessante e muito raro de duas síndromes combinadas. É provável que não surja outro semelhante em um futuro próximo",conta à publicação o professor em pediatria Ellis Hon Kam-lun.

Depois de descobrir sua condição no hospital Queen Elizabeth da ilha, o paciente, que prefere manter anonimato, decidiu continuar sua vida como homem e começar um tratamento de hormônios masculinos.

Apenas outros seis casos como esse foram registrados na história médica mundial, mas os diagnósticos foram fornecidos antes.

Condição rara

A síndrome de Turner tem uma prevalência estimada de uma em cada 2.500 ou 3 mil mulheres, e implica ter só um cromossomo "x", em vez dois, que é o normal.

Seu diagnóstico costuma ser possível inclusive em testes pré-natais, mas a combinação dessa síndrome com o CAH levou o paciente a desconhecer seu gênero biológico até uma idade inédita na literatura médica.



terça-feira, 26 de março de 2013

Milhares de porcos aparecem mortos em rio chinês

É... coisas estranhas estão acontecendo no mundo. Os caçadores de mensagens apocalípticas devem ter ficado frenéticos com essa notícia do Terra, lembrando a manada de porcos (a "Legião") endemoninhados que se atirou no mar segundo o relato bíblico (Marcos 5 e Lucas 9).

China: retirada de 13 mil porcos não afeta qualidade da água em rio

Embora 13 mil porcos mortos tenham sido retirados do rio Huangpu nos últimos dias, a qualidade da água corrente em Xangai segue sem ter sido afetada, segundo as autoridades da cidade mais povoada da China, com mais de 23 milhões de habitantes.

Cerca de 80% dos corpos retirados são de animais jovens, revelou o porta-voz do governo de Xangai, Xu Wei, que afirmou que a qualidade de água tanto no rio como nas torneiras ainda é normal, e após seis dias de inspeção, não foi detectada carne duvidosa nos mercados locais.

Após uma semana de retirada de centenas de cadáveres diariamente, as autoridades da prefeitura enviaram parte das mais de 230 embarcações empregadas nas tarefas de limpeza rumo à fronteira com a província de Zhejiang, em cujo lago Dianshan nasce o Huangpu e de onde parece que os corpos são provenientes.

Estas embarcações são encarregadas de vigiar a zona nos próximos dias e de recolher todos os corpos que apareçam perto de Xangai, explicou Xu ao jornal oficial Shanghai Daily.

Há uma semana a Comissão de Agricultura de Xangai detectou na água do Huangpu, que atravessa a cidade até desembocar no rio Yang Tsé, próximo ao mar, a presença de um circovírus suíno potencialmente letal para os animais, embora não contagie os humanos.

Contudo, não foi decretado nenhum alarme por parte das forças de saúde por enquanto e nem consta uma epidemia suína na região.

A Comissão averiguou neste fim de semana várias fazendas de Xangai que os internautas locais acusaram de lançar porcos no rio, embora tenha descoberto que uma delas já não cria porcos, enquanto as autoridades não conseguiram provar que a outra atirasse corpos na água.

A empresa chinesa de carne envasilhada, Xangai Maling Aquarius, também foi acusada na internet de utilizar carne de porcos mortos ou doentes, mas as autoridades também não acharam provas nem em seus produtos e nem em suas instalações.

Até agora, só foi localizado um culpado pelo problema, embora a prática seja bastante estendida na zona, sobretudo na vizinha cidade de Jiaxing, em Zhejiang.

Como primeiro fruto das investigações iniciadas desde que o caso ficou conhecido, uma fazenda dessa cidade reconheceu na quarta-feira ter jogado vários porcos mortos ao rio Huangpu, embora não tenha sido identificado o estabelecimento responsável e nem o número de cadáveres jogados ao rio.

A confissão foi obtida depois que as investigações preliminares indicassem, pelos rótulos das orelhas de 14 dos animais recolhidos, que todos eles tinham nascido em Jiaxing.



quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Pânico aumenta a 24 horas do fim do mundo


Amanhã, 21 de dezembro de 2012, como você já deve estar careca de saber, é o dia marcado para o fim do mundo segundo as profecias maias.

Apesar de todas as evidências em contrário, muita gente realmente acredita que o apocalipse - finalmente - chegou, e o pânico se espalha pelo planeta.

Parece que o medo do fim do mundo, e toda a mitologia que o envolve, é tão universal que não respeita distâncias, idiomas ou culturas tão discrepantes como a chinesa e a ameríndia, por exemplo.

Na China, as autoridades comunistas locais já prenderam em torno de uma centena de místicos em sete províncias, que estariam reverberando os maus presságios das profecias da antiga civilização sulamericana.

Boa parte do pânico chinês seria justificado pelo sucesso estrondoso de bilheteria que fez o filme-catástrofe "2012" três anos atrás.

Aliás, no fundo o pânico apocalíptico é mais um resultado do furor midiático com que o assunto vem sendo tratado nos últimos anos.

Tanto a imprensa como o setor de entretenimento têm tratado o tema como uma certeza absoluta, ignorando o bom senso e a razão. Afinal, o fim do mundo vende pra caramba...

O problema deixa de ser apenas consumista quando se transforma numa histeria coletiva que pode levar à morte dezenas, centenas ou milhares de pessoas.

É esta a preocupação das autoridades argentinas, que estão profundamente incomodadas com a possibilidade de um suicídio coletivo na região central do país, mais especificamente no monte Uritorco, na província de Córdoba.

Calcula-se que cerca de 15 mil pessoas acorrerão ao local em resposta a uma convocação feita pelo Facebook para um "suicídio espiritual coletivo", seja lá o que essa expressão tenebrosa signifique.

O monte Uritorco, localizado no município de Capilla del Monte, tem fama de ser uma espécie de "aeroporto de OVNI's", e já está sendo devidamente patrulhado para que nenhuma loucura em massa ocorra no local.

O Brasil, é claro, não poderia ficar de fora. Em Pirenópolis (GO), o professor Masuteru Hirota lidera um grupo que jura de pés juntos que uma onda de 1.500 metros de altura destruirá quase toda a Terra, poupando justa e convenientemente o Centro-Oeste brasileiro.

O professor Hirota se compara aos próprios maias e a Nostradamus, alegando ainda receber revelações de um ente cósmico chamado "Energia de Luz", pelo que se autodefine sem nenhuma modéstia: "como eu, não existe ninguém no mundo".

Entretanto, como se pode perceber nas outras regiões acima citadas, o que não falta no mundo é gente surtando por causa da data do apocalipse.

Resta saber quem estará por aqui no dia 22 de dezembro de 2012.

Fontes:
Argentina teme suicídio em centro por causa do fim do mundo
A 4 dias do "fim do mundo": grupo foge para cidade goiana
Chinese authorities arrest dozens for spreading Mayan apocalypse rumours



segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Empresa chinesa programa folga geral no dia do fim do mundo

Na próxima sexta-feira, dia 21/12/2012, o mundo deverá acabar, segundo uma interpretação equivocada das profecias maias.

Como o pânico inútil já está se espalhando pelo mundo diante da catástrofe anunciada, com pessoas tentando evitar ao máximo a possibilidade de serem vítimas do apocalipse que se aproxima.

O engraçado é que até uma empresa chinesa, a Chengdu Higgses Internet Technology Company, não quer correr riscos desnecessários.

Para tanto, resolveu dar folga geral aos seus empregados no tal "dia do fim do mundo", começando na véspera, dia 20 de dezembro.

Os felizes trabalhadores da Chengdu Higgses receberam um comunicado com os seguintes dizeres:
A todos os camaradas em armas,

À luz do significado especial do diz 21 de dezembro de 2012, e após cuidadosa análise, a empresa chegou à seguinte conclusão: estabelecer a "folga do fim do mundo", nos dias 20 (quinta-feira) e 21 de dezembro (sexta-feira), perfazendo o total de 2 dias.

Recomendamos que, durante este período de folga, todos tomem os seguintes cuidados:

1. Por favor, tome medidas contra incêndios e roubos.

2. Fique à vontade para desligar o seu celular durante toda a folga, a fim de garantir que você não seja incomodado.

3. Já que todo mundo está geralmente ocupado com o trabalho, nós sugerimos que você aproveite esse tempo "final" para passar mais tempo com a sua família.

Desejamos a todos um feliz "dia do fim do mundo".
Apesar das boas intenções (da qual se costuma dizer que o inferno está cheio), a imprensa chinesa está desconfiada de que essa é mais uma desculpa esfarrapada (embora bem humorada) para evitar o cansaço causado pelo exagero da carga de trabalho dos empregados da firma.

Afinal, as empresas chinesas, sobretudo do ramo de tecnologia, são tristemente famosas pelos excessos que cometem corriqueiramente em suas relações trabalhistas.

De qualquer maneira, os empregados devem estar torcendo para ninguém obrigá-los a repor as horas de folga quando chegar o sábado, dia 22 de dezembro, e todos estiverem ainda vivos.

Fonte: Tea Leaf Nation



domingo, 28 de outubro de 2012

A invasão grisalha

Quem diria que daqui a 10 anos o planeta terá um bilhão de idosos, e esse contingente exige uma nova atitude não só dos governos mas de toda a população mundial para enfrentar os enormes desafios que essa cifra traz, ao mesmo tempo que oferece ótimas oportunidades de melhorar a vida de todos.

O jornalista americano Ted C. Fishman escreveu o livro "Shock of Gray" (algo traduzido como "Choque do Grisalho"), que aborda o tema. Abaixo uma entrevista que ele concedeu ao Estadão e foi publicada no dia 07/10/12.

Trata-se de uma leitura espetacular (o adjetivo é esse mesmo, pode crer) não só para o seu domingão, mas para todo o resto da sua vida e a de sua família e seus amigos. Leia e aprenda sem moderação:

Invasão grisalha

Viver mais está dificultando o planejamento do mundo. A boa notícia é, justamente, que se vive mais

Mônica Manir

Como bom jornalista que é, Ted C. Fishman gosta de uma boa história. Daí que começa Shock of Gray com uma muito próxima, a dos próprios pais, para ilustrar duas faces do mesmo dominó: a velhice. Enquanto a mãe, na casa dos 80, ainda rebola num concerto tributo ao Led Zeppelin e nada no Lago Michigan, o pai muito antes disso entrou num processo degenerativo, que o deixou totalmente dependente da família.

Daí em diante Ted parte para o subtítulo do livro: o envelhecimento da população mundial e como ele coloca jovens contra velhos, filhos contra pais, trabalhadores contra patrões, empresas contra rivais e nações contra nações. Tem-se a impressão de que só virá pedreira. Mas não é assim. O jornalista, autor do best seller China S. A., também mostra como o choque grisalho traz expansões de civilidade, de círculos sociais e de investimentos na ciência em busca da expansão maior, a imortalidade.

Ted estava em Chicago, sua cidade natal, quando deu esta entrevista atualizando suas pesquisas. Shock of Gray foi lançado em 2010 e, na época, ainda não se cravava 1 bilhão de idosos em dez anos, dado que a ONU divulgou nessa semana. Um pouco antes da entrevista o jornalista havia feito uma palestra para 1.100 executivos da segurança pública sobre como a polícia, os bombeiros e outros serviços de emergência devem se adaptar a um mundo em que, a cada segundo, duas pessoas celebram o 60º aniversário. "O complicador da história é que esses profissionais estão enfrentando pressão para que reduzam suas pensões", diz. Funcionários públicos contra governo. Trabalhadores contra patrões, enfim.

Quem sofrerá e quem se beneficiará com 1 bilhão de idosos daqui a dez anos?

Ted C. Fishman - Um mundo de idosos implica enormes desafios em diferentes frentes. O envelhecimento da população se propalou por dois motivos: o prolongamento da vida em si e o fato de muitas famílias serem menores do que há uma ou duas gerações. Se continuarmos construindo redes de seguridade social nos moldes dos anos 1930, 50 ou 80, os países irão à bancarrota e todos os cidadãos vão sofrer. E, se não encontrarmos maneiras de cuidar do crescente e imenso grupo de pessoas que não tem filhos, então centenas de milhões no mundo se encontrarão sozinhos e isolados quando mais velhos. Acho, no entanto, que o aspecto mais importante de um mundo envelhecido é que o benefício é maior que o sofrimento. O fato de as pessoas estarem morrendo mais tarde significa que a humanidade está ganhando o maior tesouro de todos: mais vida. É o que sempre desejamos, desde que começamos a misturar ervas em tigelas e conversar com espíritos nas árvores. O economista Robert Fogel, Nobel de Economia, destacou que por 7 mil gerações não houve grandes alterações na longevidade. Isso começou a mudar a partir do século passado, e agora as pessoas normalmente vivem 40 anos mais. Isso é maravilhoso.

Mas ainda não alterou o tom pejorativo que cerca a palavra 'velho'.

Ted C. Fishman - "Velho" é uma expressão escorregadia, usada de forma diversa pelas diferentes culturas. Quando se pergunta a um americano com quantos anos ele se sente, ele geralmente se dá 15 anos a menos que a idade, porque a valorização da juventude é muito alta aqui. Já um japonês responde com dez anos a mais, porque eles veneram a velhice e sentem que, com ela, ganham sabedoria. Há também uma divergência sobre quem é velho ou não no trabalho e fora dele. Quando empregadores e estatísticos tratam de trabalhadores mais velhos, tendem a pensar naqueles com mais de 50. Mas, na maioria dos estilos de vida, os 50 anos se encaixam na meia-idade. Claro que, se você joga futebol ou precisa dar um sprint na Olimpíada, ter 30 anos é muito. Mas, se aspira a ser papa, ainda é jovem de tudo.

Como preparar nossa sociedade para mais idosos e menos carrinhos de bebê?

Ted C. Fishman - Um caminho é melhorar o condicionamento físico para que os mais velhos continuem ágeis. Além disso, com pessoas vivendo tanto, teremos que redesenhar o espaço físico das nossas comunidades para torná-las mais acessíveis. Em Shock of Gray eu descrevo um lugar em Tóquio chamado Sugamo, algo como a Broadway ou os Champs-Élysées, só que dirigido à faixa dos septuagenários. A maior parte dos consumidores exibe uma forma física notável e consegue se divertir muito. Para tanto, as ruas se tornaram mais "suaves", de tal forma que bengalas e andadores não se enrosquem nas calçadas, por exemplo. Os vendedores das lojas também foram treinados para lidar com uma clientela que tem dificuldade para ouvir e para enxergar de perto e que, às vezes, também parece um pouco desorientada. O transporte público é essencial em lugares assim, e criar meios de locomoção que os idosos possam usar confortavelmente e em segurança é essencial para ajudá-los no acesso os serviços e à interação social de que precisam para se manterem saudáveis e felizes. Obviamente, esses são benefícios que também atendem os pais com carrinhos de bebê. Ajustes que criam tensão entre gerações são aqueles que desviam recursos dos jovens, como dinheiro para a educação, para os mais velhos, como investimentos no sistema de saúde. Os orçamentos públicos terão de pesar prioridades para gerações que estão décadas distantes uma da outra.

A medicina convencional sabe como tratar os idosos?

Ted C. Fishman - Sim, os avanços na medicina são um ingrediente chave para a longevidade. Ainda assim, pessoas mais velhas podem sofrer de tratamento excessivo. Em geral, sintomas que parecem estar relacionados à idade são, na verdade, resultado da sobreposição de medicamentos. Um bom geriatra muitas vezes começa o tratamento de uma pessoa de idade tirando todos os remédios que ela vem tomando até então.

Estamos mais próximos da imortalidade? Ou mais perto de um infinito controle de doenças crônicas?

Ted C. Fishman - Nem uma coisa, nem outra. Mas, se você vai frequentemente a consultórios médicos, sabe que leva uma eternidade para ser atendido.

No Brasil, que tem cerca de 23,5 milhões de idosos, a previdência é identificada como o principal problema decorrente do envelhecimento da população. O processo todo foi pensado como se fôssemos viver, no máximo, até os 70. Como isso se dá nos EUA?

Ted C. Fishman - Nos EUA, pesquisas mostram que a insegurança quanto à aposentadoria é o grande medo dos americanos. O tema é tão complicado que os políticos evitam discuti-lo, então se prorroga o problema ad infinitum.

Ao mesmo tempo, mais da metade dos mais velhos no Brasil sustenta a família.

Ted C. Fishman - Existe uma grande desconexão em relação à forma como os recursos são transferidos entre as gerações. Na maior parte dos países industrializados, pensões e custos com o sistema de saúde transferem recursos dos trabalhadores mais jovens para os mais velhos e dependentes. No entanto, no seio das famílias, a transferência se dá dos mais velhos para os mais novos. Uma das razões para as pessoas estarem tão preocupadas quanto à previdência social, a ponto de sair às ruas para protestar a respeito, é que desejam o dinheiro para contribuir com a saúde e a educação dos netos. Uma vantagem das famílias menores, com uma ou duas crianças, é que o dinheiro dos pais e dos avós pode ser direcionado para uma educação mais completa, em vez de uma educação parcial para quatro, cinco ou seis crianças. É um gasto privado que ajuda os países a desenvolver seu capital humano.

Você afirma no livro que o envelhecimento da população mundial pode acelerar a globalização. Como isso acontece?

Ted C. Fishman - O envelhecimento acelera a globalização porque os empregos e o dinheiro investido migram para os países mais jovens, nos quais a mão de obra é barata e as populações rurais ainda estão indo para as cidades. Uma vez que essa migração se dê, o tamanho das famílias passa a diminuir, as crianças têm uma educação melhor, mulheres podem frequentar as escolas e conseguir melhores empregos e o valor do mercado e da mão de obra local crescem. A partir daí aquele país promissor começa a procurar lugares nos quais investir e conseguir mão de obra mais barata, e o ciclo inteiro se repete. Nesse sentido, um mundo envelhecido é um mundo mais próspero.

Nas suas pesquisas anteriores, a Espanha lidava com um contingente grande de imigrantes, entre eles muitos equatorianos que trabalhavam justamente como curadores de idosos e desguarneciam seu país de mão de obra jovem. Como está essa realidade agora, após a crise econômica?

Ted C. Fishman - A economia da Espanha se enfraqueceu muito desde aquelas minhas reportagens de dois anos atrás. O marcante é o desejo de permanência desses imigrantes, que hoje chegam a 5,5 milhões de estrangeiros residentes no país. Apesar das altas taxas de desemprego, o salário que um equatoriano receberia em um ano de trabalho na sua terra natal corresponde a dois meses na Espanha. Ou seja, eles preferem ficar por lá, apesar de o governador equatoriano ter criado o Welcome Home Program, chamando de volta a população jovem.

Um desafio da China é chegar à riqueza o mais rápido possível, antes que os seniores emperrem o crescimento. Os chineses vão ter sucesso nisso?

Ted C. Fishman - Devido à política do filho único, a China é hoje o país que envelhece mais rapidamente, mas ainda não é um país velho. Pelo contrário: está no ponto ideal do seu período de bônus demográfico. Os chineses também estão muito preocupados em educar a nova geração de trabalhadores para tirá-los dos escalões inferiores de trabalho. Acredito que, para centenas de milhões de chineses, essa fórmula funcionará e suas famílias serão capazes de se sustentar sozinhas ao longo das gerações. No entanto, para outras centenas de milhares essas mudanças não ocorrerão rápido o suficiente e seu futuro será marcado por pobreza e isolamento. É um cenário bem misto.

Está prevista sua vinda ao Brasil na semana que vem para um simpósio de economia global. O que já sabe do País quanto a sua demografia?

Ted C. Fishman - O que sei é que o Brasil pode tirar vantagem do tão famoso "dividendo demográfico". É quando o número de nascimentos está diminuindo ao mesmo tempo que a população de jovens está chegando ao seu clímax e seus pais ainda continuam saudáveis. Juntas, essas tendências significam que o país tem muitas pessoas em idade produtiva e relativamente poucas pessoas dependentes, sejam crianças ou idosos. Para muitas nações, isso simboliza o período de máximo crescimento. Em geral acontece uma única vez. O Brasil pode capitalizar isso ou então desperdiçar a oportunidade por causa da corrupção generalizada e do planejamento econômico politicamente popular, porém instável. Mas acho que não é de forma alguma o pior caso - e ainda pode vir a ser um dos mais bem-sucedidos.

Qual foi a história mais interessante que ouviu entre tantas que pesquisou para o seu livro?

Ted C. Fishman - Gostei da história de Sarasota, na Flórida, demograficamente a mais idosa do país. Ela se tornou um centro de inovação em serviços para as pessoas mais velhas. É como um Vale do Silício para um mundo em envelhecimento. A região é um ímã para aposentados ricos, que muitas vezes vivem em mansões ou condomínios de luxo e ali permanecem até não poderem mais gerenciar a casa. Quando isso acontece, eles se mudam para uma comunidade de aposentados que se assemelha a um hotel 4 estrelas. Mas, por Sarasota ser uma comunidade agradável à beira-mar, agrada a ricos e pobres. Muitos vivem em pequenas casas, outros em barracas ilegais na periferia da cidade. É uma comunidade maravilhosa, onde as pessoas mais velhas procuram ficar ativas e se engajar culturalmente. Mas há também tristeza lá. Muitas mulheres em cadeiras de rodas contam com a caridade para sobreviver. Gastaram a maior parte do seu dinheiro e de sua força física cuidando de um marido doente, que agora está morto.

Shock of Gray foi publicado há dois anos. Que capítulos você acrescentaria a uma nova edição?

Ted C. Fishman - Eu acrescentaria mais dados sobre a América Latina, vista como um bastião da juventude, mas que está envelhecendo mais rapidamente que os EUA, por exemplo.

E como está sua mãe? Viajando?

Ted C. Fishman - Minha mãe acaba de voltar da Índia, para onde foi pela primeira vez, e sozinha. Ela fará 85 anos em janeiro.



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