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quinta-feira, 30 de julho de 2015

Os enigmáticos cristãos ortodoxos do Oriente


Artigo interessante de Gustavo Chacra no Estadão:

Os cristãos ortodoxos são inimigos do Ocidente?

Por que, quando falamos de Israel, associamos ao judaísmo, quando falamos do Irã ou Arábia Saudita, associamos ao islamismo, e quando falamos do Ocidente, associamos ao cristianismo, mas, quando falamos de Rússia, Grécia ou Síria, não falamos dos cristãos ortodoxos? E por que esta insistência em achar que a Cristandade se resuma a católicos, protestantes e evangélicos?

Quem conhece Jerusalém sabe da importância dos cristãos ortodoxos, principal grupo cristão da cidade. E o cristianismo ortodoxo tem um papel ultra relevante na geopolítica internacional. Basta lembrar que a segunda maior potência militar do mundo é a Rússia, cristã ortodoxa. A Grécia, no coração da maior crise europeia deste século, também é cristã ortodoxa. Parte do apoio ao regime de Bashar al Assad vem de cristãos ortodoxos. Aliás, há milícias cristãs ortodoxas lutando contra o ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh. Cristãos ortodoxos também sempre estiveram em movimentos de independência palestinos.

Há até quem diga que, se não houvesse o islamismo, os cristãos ortodoxos ainda seriam os maiores inimigos do Ocidente. Os países árabes mediterrâneos possivelmente seriam majoritariamente cristãos ortodoxos. Os palestinos, idem, e os cristãos ortodoxos seriam os adversários de Israel. Aliás, a Turquia também seria cristã ortodoxa e sua capital seria Constantinopla.

Os cristãos ortodoxos se dividem em oito patriarcados – Alexandria, Antióquia (hoje removido para Damasco), Jerusalém, Moscou, Geórgia, Sérvia, Romênia e Bulgária. Além destes, temos o Patriarcado Ecumênico de Constantinopla (Istambul). O Patriarca ecumênico se chama Bartolomeu I e ele exerce enorme influência no Leste Europeu e em regiões do Oriente Médio.

Um dos motivos de a Rússia apoiar o regime de Assad, embora longe de ser o mais importante, é a população cristã ortodoxa síria. Na visão de Moscou, se o regime de Assad cair, os cristãos ortodoxos sírios tendem a ser perseguidos e massacrados. O Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa abertamente condena os que apoiam intervenção ocidental para derrubar Assad na Síria. Ele chegou a se encontrar com o líder sírio já durante a Guerra Civil e o parabenizou pela reeleição em 2014.

Aliás, curiosamente, muitos cristãos ortodoxos não simpatizam em nada com posições políticas de evangélicos no Ocidente, como o senador Ted Cruz, um ultra-conservador pré-candidato a Presidência dos EUA pelo Partido Republicano, descobriu depois de ser vaiado por criticar Assad e os palestinos para uma plateia de cristãos ortodoxos de origem sírio-libanesa. O senador republicano não sabia que os cristãos ortodoxos costumam ser pró-Assad e pró-palestinos (aliás, muitos são palestinos).

Quando vemos a Rússia se aproximando do Chipre e da Grécia, não podemos esquecer que estes países também são cristãos ortodoxos. Mesmo com o comunismo sendo contra a religião, culturalmente os países do Leste Europeu ortodoxos, como a Bulgária, possuíam uma relação melhor com Moscou do que católicos, como a Polônia.

Há algumas semanas, completou-se 20 anos do massacre de Srebrenica, cometido por sérvios, que são cristãos ortodoxos, e foram apoiados pelos russos, também cristãos ortodoxos. Curiosamente, tanto na Guerra da Bósnia quanto na de Kosovo, o Ocidente defendeu os muçulmanos contra os cristãos ortodoxos.

Os cristãos ortodoxos do Oriente Médio, historicamente, sempre estiveram na vanguarda dos movimentos arabistas. Também costumam ser urbanos, de cidades como Beirute, Damasco, Trípoli (a do Líbano), Jerusalém e Aleppo. No passado, eram ingrediente importante do caldo cosmopolita do Mediterrâneo, junto com os judeus e os muçulmanos.

No Líbano, os cristãos ortodoxos são minoria entre os cristãos, embora sejam a maioria dos cristãos de Beirute (Ashrafyeh, o sofisticado bairro cristão de Beirute, é cristão ortodoxo). A maior parte dos cristãos libaneses é cristã maronita, uma vertente catolicismo no Oriente, com ritos distintos dos católicos-romanos e com Patriarca próprio – por lei, o presidente libanês e o chefe das Forças Armadas precisam ser cristãos maronitas. Mas muitos dos imigrantes libaneses para o Brasil possuem origem cristã ortodoxa, incluindo o meu avô paterno. No Clube Monte Líbano de São Paulo, muitos sócios são cristãos ortodoxos. Há ainda a grande catedral do Paraíso.

Enfim, para entender o mundo, ajuda entender um pouco do cristianismo ortodoxo. Aliás, antes que me esqueça, diferentemente do judaísmo, “ortodoxo” para os cristãos não significa ser mais religioso.

E vale, neste caso, contar a história de dois conhecidos meus. Ele era cristão ortodoxo, do Monte Líbano. Ela, judia ortodoxa, da Hebraica. Mas, curiosamente, a mãe dele, também cristã ortodoxa, dava aulas de matemática em um colégio judaico e foi a um Bar Mitzva. O filho foi buscá-la e, na porta, viu a moça judia bonita. Deu uma paquerada. Ela perguntou a religião dele, por curiosidade. Orgulhoso, respondeu “ortodoxo” (na realidade, cristão ortodoxo). Ela, que era judia, achou meio estranho, pois ele não parecia ortodoxo. Mas a química já os havia atraído, independentemente das origens. Os dois se apaixonaram e casaram. Hoje são sócios do Monte Líbano e da Hebraica, mas frequentam o Paulistano. O filho foi batizado na Catedral Ortodoxa, mas também fez Bar Mitzva.



segunda-feira, 1 de junho de 2015

Gregos e turcos tentam encontrar paz para o Chipre

A ilha de Chipre é rota de passagem das civilizações do Mediterrâneo desde tempos imemoriais.

A sua primeira referência na Bíblia se encontra no capítulo 23 de Isaías, e é citada 6 vezes no livro de Atos dos Apóstolos.

A história da ilha é bastante conturbada, alternando períodos de dominação por fenícios, egípcios, romanos, gregos, venezianos, e - mais "recentemente" - pelos Impérios Otomano e Britânico.

Independente do Reino Unido desde 1960, Chipre se viu dividida entre as comunidades de origem turca e grega, situação que gerou vários conflitos e perdura até hoje, com a ilha - e sua capital Nicósia - dividida entre os ortodoxos gregos e os muçulmanos turcos.

Parece, entretanto, que há esperança e espaço para a paz e a reconciliação, segundo noticia a Voz da Turquia:

Líderes cipriotas passeiam pela cidade dividida depois das negociações

Os líderes das comunidades, turca e grega, passearam por ambos os lados de Nicósia.

O presidente turco-cipriota, Mustafa Akinci, e o presidente greco-cipriota, Nicos Anastasiades, num intervalo das negociações de paz, acompanhados dos presidentes da câmara de ambos os lados, passearam-se por ambos os lados de Nicósia, atraindo muita atenção pública.

Anastasiades disse que irão trabalhar para achar uma solução, o mais rápido possível e que é necessária uma solução para o futuro de ambas as sociedades.

Akinci acrescentou que gostava de transmitir uma mensagem de esperança ao Chipre, porque é o que mais precisa depois de todas as desilusões do passado.

Os dois líderes encontrar-se-ão novamente a 28 de maio.



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