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terça-feira, 12 de agosto de 2008

Diário de um lunático - 9


05/05/2007

Oi, gente!

Sou eu, o João de novo, invadindo a praia do meu irmão Pedro, que anda meio ocupado, e nem reparou que fui eu quem escreveu o último diário lunático dele. Com certeza, também não vai reparar que eu continuo escrevendo aqui. Enquanto isso, vocês vão ter que me engolir. É que eu queria contar o que aconteceu domingo passado, quando um amigo meu, o Juca, me convidou para ir à igreja que ele freqüenta, porque era uma ocasião especial, e eles iam receber uns profetas por lá, segundo as palavras que ele próprio disse. Já estranhei de início, porque uma igreja cristã deveria ter profetas sempre, de segunda a segunda, dentro e fora da igreja, e não só em ocasiões especiais. Mal sabia eu que o espanto continuaria quando chegasse lá.

Pra começo de conversa, eu já estranhei que tivesse uma bandeira de Israel por lá, e que uma moça dançasse sem parar com ela não só nos momentos de louvor, mas em qualquer hora que lhe desse na telha. Nada contra Israel, diga-se de passagem, mas acho que cada coisa deve ter seu lugar. Primeiro, estávamos numa igreja, não numa sinagoga. Aliás, nem sei se as sinagogas têm bandeiras de Israel em lugar de destaque nas suas reuniões públicas, ou se elas são usadas em algum ritual litúrgico. Independentemente disso, qualquer bandeira é um símbolo político, e como tal deve ser considerada. Pelo menos era o que eu imaginava, mas lá eu fiquei sabendo que, para ser cristão hoje em dia, é preciso ter um alinhamento automático com os objetivos políticos do Estado de Israel. Que as sinagogas tenham este alinhamento, é perfeitamente compreensível, mas uma igreja cristã deveria ser um lugar de acolhimento de todos, sem qualquer distinção de etnia, país, sexo, religião ou condição social. A coisa ficou ainda mais esquisita quando, assim, do nada, eu ouvi um som estranho, que, ainda meio atordoado, percebi que vinha de uns chifres do tipo de um berrante, daqueles que os vaqueiros usam para tocar a boiada, e meu amigo, diante da minha cara assustada, me explicou que aquele instrumento se chamava shofar, muito comum entre os profetas do Velho Testamento, e que aquilo significava que a aliança de Deus com o povo havia sido quebrada e era necessário restaurá-la mediante o que ele chamou de "atos (e sons) proféticos" como aquele. Só então meu amigo disse que ele "achava" que tinha antepassados judeus, e era importante resgatar a história da família. Achei interessante isso, porque o Brasil é um país onde houve uma miscigenação tão grande que é difícil alguém não ter um antepassado judeu (ou muçulmano), principalmente aqueles que ficaram na Península Ibérica como cristãos-novos (os sobrenomes Figueira, Oliveira, Parreira, etc., estão aí para que não me desmintam). Se bem que eu acho que o que o povo da igreja dele não gosta mesmo é de cristãos velhos... Ainda bem que este meu amigo (até onde sei) não crê em terapia de vidas passadas, senão teríamos mais uma reencarnação de algum faraó na praça.

Aí eu entrei em parafuso, né.... uai, por que é que Jesus veio, então, se bastava tocar um shofar pra chamar o povo ao arrependimento? Por que é que a Bíblia diz que Jesus é o mediador de uma nova aliança, então? "Não" - disse meu amigo -, "precisamos de profetas". Parece que a crucificação dele já não é mais suficiente para os cristãos atuais. É preciso voltar mais atrás, resgatar antigas práticas judaicas para agradar a Deus. E tudo se resume numa palavra que eu ouvi umas mil vezes naquela noite, "unção". Ora, eu achava que a unção de Deus já havia sido dada a todos os cristãos, através de Jesus. Pelo menos, é o que João diz em sua primeira carta (2:20,27 – não agüentei, cheguei em casa e fui conferir). Aparentemente, não era isso o que eles pensavam, pois havia unção para tudo, e de tudo quanto é nome. Teve até um que disse que havia uma "unção diferente" para aquele culto. Será que ele não queria uma unção igual a que Jesus deu aos primeiros cristãos? Outro insistia em dizer que éramos produtos dos sonhos de Deus, como se o Todo-Poderoso tirasse um cochilo depois do almoço todo santo dia. Na hora dos dízimos e das ofertas, disseram que tínhamos que sacrificar alguma coisa, senão Deus não nos ouviria. Será que eles queriam crucificar Jesus de novo? Fiquei na dúvida... Outra coisa que eles atacavam muito era a religiosidade (dos outros). Ora, eu nunca vi tanta religiosidade na minha vida como naquela noite, só que com outros nomes. Pelo menos, eles inauguraram a hiper-religiosidade anti-religiosidade. Novidade pra mim.

Confesso que não gostei do que vi e ouvi. No final, ficou uma sensação de que esses crentes de hoje são uns eternos insatisfeitos. A graça de Deus não satisfaz mais, nem Deus fez uma nova aliança com a humanidade. Viver uma vida cristã simples, tranqüila e piedosa, ninguém mais quer; é preciso novidades em profusão (senão eles "abandonam" a igreja e a fé). No meu tempo, a graça de Deus bastava; agora, parece que não basta mais. Não satisfaz. Isto me fez lembrar daquela musiquinha que a gente cantava na Escola Dominical de uma igreja lá perto de casa, quando eu era criança: "Satisfação sem fim". Como é que era mesmo? Lembrei! "Satisfação é ter a Cristo, não há melhor prazer já visto"... "Sou de Jesus e agora sinto satisfação sem fim".... acho que era assim. Só muito tempo depois eu percebi que aquele corinho era uma resposta ao "I can get no satisfaction" ("Eu não consigo ter satisfação"), do Rolling Stones. Talvez, se Mick Jagger cantasse hoje na igreja do meu amigo, o povão ia se identificar. E iam dançar com a bandeira da Inglaterra... que pelo menos tem uma cruz, só pra contextualizar...

Já me decidi, não volto mais lá.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Diário de um lunático - 8

25/05/2007

Oi, gente!

Eu sou o João, irmão do Pedro, e vou aproveitar que ele anda meio distraído ultimamente pra escrever no diário dele. Tenho certeza que, se ele percebesse que eu fiz isso, não veria problema algum. O problema mesmo é que ele não vai perceber nunca. É que somos gêmeos, e às vezes não sei se eu sou ele, se ele sou eu, enfim, vira uma confusão na minha cabeça que eu nem sei quem sou. Sorte minha que ele é tão "deslocalizado" quanto eu. É bem capaz dele achar que foi ele quem escreveu isso aqui. É que, às vezes, eu me pego com o RG dele e nem reparo que estão me chamando de Pedro e o meu nome é João. Deve ser um caso raro de confusão de personalidades na maternidade. Ah, deixa pra lá, senão eu me esqueço do que quero contar.

Ontem, sábado, eu encontrei com um pessoal da igreja protestante perto lá de casa, moçada bacana com quem eu cresci. Eles estavam meio revoltados com alguma coisa que, a princípio, não percebi bem o que era. Parecia que não queriam que uma determinada lei fosse aprovada no Congresso. Pelo menos era isso que estava escrito nas camisetas e nas faixas. Como eram todos muito legais, eu nem entendi direito contra o quê eles protestavam, mas como a companhia deles é sempre muito agradável, montei numa kombi e quando vi, já estava na frente do Congresso Nacional. Sim, eu moro em Brasília, e maio não é um bom mês pra protestar, mesmo que você seja protestante. Aliás, nenhum mês é bom para protestar na Capital. Não tem gente disposta a isso. Afinal, como é bem sabido, Brasília não tem esquina, nem calçada. Quando os presidentes ficavam lá no Catete, no Rio, certamente eles ouviam alguém passar na calçada gritando; "Getúlio Vargas filho da... ". Também.... as janelas davam pra rua, né. Aqui, na imensidão dessa Esplanada, qualquer grito se perde na secura do ar. O som não se propaga no vácuo, aprendi no cursinho. Já que dizem que o Brasil é um deserto de homens e de idéias, não adianta nada gritar em Brasília, já que os cérebros são meio ocos por aqui. Pelo jeito, as idéias também têm ojeriza ao vácuo.

Bem, voltemos ao protesto. Vi um monte de crentes, todos tentando parecer bem vestidos (mas não conseguindo) e refrescados (debaixo daquele sol?), e tinha um cara com um megafone lá na frente, camisa e gravata empapadas de suor (o paletó já tinha sido aposentado, como manda o figurino da capital), que parecia ser o líder da manifestação. Depois de uma gritaria e uns aleluias que seguiram o que parecia ser uma oração do megafone abafado pelo burburinho, o cidadão que o empunhava se identificou como o Pastor Tal, que estava ali em nome de Jesus. Poxa, que legal, alguém vai protestar contra a corrupção, a miséria e o desgoverno em frente do Congresso, e isso em nome de Jesus, pensei eu. Já engatei uns aleluias para acompanhar os meus amigos, que estavam ali, todos eufóricos. Não sou muito letrado na Bíblia, mas lembrei na hora de Jesus expulsando os vendilhões do templo. Assim, de repente, me senti investido de uma missão sagrada e nem prestei muita atenção no que o tal pastor falava. Nem o megafone devia ouvi-lo, ao que tudo indicava. Até que, lá pelas tantas, meus ouvidos começaram a ter vida independente, e talvez pela proximidade, sussurraram aos meus neurônios: "escuta bem o que ele tá falando". Apartei-me um pouco da histeria dos meus amigos, e me concentrei naquele megafone esquisitão tentando decifrar os chiados de LP antigo e arranhado. Demorei pra entender que o motivo daquela manifestação toda era barrar um projeto de lei que, segundo berrava o tal pastor, criminalizaria quem dissesse que os gays estão pecando quando fazem, bem, aquilo que eles fazem entre quatro paredes (problema - ou solução - deles, né?!). Ao perceber que era disso que se tratava aquela balbúrdia toda, foi como se um balde de água gelada caísse na minha cabeça, embora não aliviasse o suor que já me incomodava. Até então, pensava que eu estava imbuído da sagrada comissão de combater a corrupção e o descaso com os mais pobres, mas agora eu me via num batalhão preocupado em poder criticar os gays abertamente. Ora, eu até conheço o Januária, que eu pensava que tinha ganho esse apelido por talvez ser da cidade de mesmo nome lá de Minas, mas só depois fiquei sabendo que era por ele ser, pelo menos até onde se saiba, o único gay da repartição, e ainda torcedor do Vasco numa terra de rubro-negros. Agora, porque é que um crente vai querer ter o direito de dizer que ele é pecador? Não somos todos pecadores, afinal? E o Januária é tão na dele, não incomoda ninguém...

Alguma coisa estava errada naquele protesto. Não conseguia olhar mais para o pastor. Disfarçadamente, virei para o outro lado, olhando em direção da Torre de TV. Foi quando eu tive, acho eu, uma epifania, pois um vulto branco, luminoso, apareceu no meu campo de visão, e me perguntou: "Você acha que Jesus faria esse protesto?". Foi tudo muito vapt-vupt, questão de apenas ouvir esta frase rápida, e, cá entre nós, credito esse vulto mais a um ofuscamento pelo sol implacável do maio brasiliense. A frase, entretanto, acredito que ouvi. Teria sido alguém que percebeu meu desconforto e me dirigiu a palavra sem que eu notasse? Teria alguém pego a kombi por engano também? Pode ser, mas o que importa é que eu realmente fiquei pensando se Jesus não tinha nada mais importante pra fazer do que ficar protestando contra um projeto de lei que o impedisse de falar que homossexualismo é pecado. Bem, até onde me lembro, Jesus era amigo de pecadores, e dialogava em paz com os rejeitados de sua época: publicanos, prostitutas, leprosos, mulheres e samaritanos. Os romanos, Calígula que o diga, não eram assim, digamos, muito machos. Engraçado, não me lembrei de nenhuma passagem dos evangelhos em que Jesus invocasse o direito de poder dizer que toda esta galera era pecadora. Aliás, todas as leis eram contra ele e os seus direitos foram tão desrespeitados que ele pagou o que não devia com a cruz. No dia-a-dia, a sua presença bastava, a sua autoridade era suficiente, e o seu "negócio" era anunciar o evangelho sem negociá-lo. Parece que o negócio de alguns pastores hoje é outro. Agora, cá entre nós, precisa mesmo de toda essa papagayada? Não dava só pra pregar o evangelho? Ou é essencial aos pastores poderem atacar os gays?

Diante disso tudo, achei melhor inventar uma desculpa qualquer (o sol, como sempre...) e sair de fininho. Vai que o Januária me vê depois no Jornal Nacional.... melhor não correr o risco de arranjar um inimigo na repartição. Os outros colegas já não são confiáveis.... no caráter, esclareço. Agora, o que cada um deles faz entre quatro paredes é problema deles, e se Jesus quiser encontrá-los e alcançá-los, tenho certeza de que não vai haver Sodoma e Gomorra que o impeçam, muito embora o Pastor Tal faça de tudo para afastá-los do evangelho da graça de Deus. Pelo menos, foi essa tal graça que eu sempre ouvi dos meus amigos crentes. Acho que eles estão meio sem graça de voltar à graça. Então, voltei pra casa pra curtir o que restava do domingão, mas uma pulga incomodava minha orelha: por que os crentes se sentem tão ameaçados pelos gays? Fetiche? Sei não...

Falta de fé, ou graça, talvez....

João (ou Pedro... ah... sei lá!)

terça-feira, 1 de julho de 2008

Diário de um lunático - 7

04/05/2007

Olá para todos, sou eu novamente.

Quem tem me acompanhado tem percebido como meu objetivo maior é dar minha opinião sobre alguns grupos religiosos, principalmente comentando o que eu passo algumas vezes. Mas a minha primeira motivação para isto não foi uma religião que pregava algo totalmente diferente do que pratica, ou as notícias de mulçumanos suicídas que me fez acreditar que a religião é um grande mal à humanidade. A minha motivação primeira foi o próprio ateísmo, por isto posso até me considerar um "lunático". Pois poderia com toda justiça ser considerado um ateu, mas prefiro que não seja. A meu ver, o ateísmo é muito mais próximo de uma religião do que todo mundo imagina. E é por isto que resolvi escrever hoje. Algo que li me chamou a atenção, e resolvi considerá-lo aqui.

Estava lendo em algum destes fóruns que freqüento, que a religião atrasou e continua atrasando o progresso. Em outro lugar li que a fé é um sentimento, dizendo com isto que a fé é algo arbitrário. Cheguei até a ler que a religião foi culpada pelas catástrofes ambientais que temos hoje em dia, neste que é o ano da ecologia...

É até curioso que tais afirmações sejam feitas. Até onde eu sei, o ateu, ou como eles gostam de ser chamados - os "céticos" -, são aqueles que questionam acima de tudo. Para eles, só posso dizer que algo acontece quando este algo for empiricamente provado. Já se provou que elétrons percorrem um condutor, quando aplicada uma diferença de potencial entre os pólos deste condutor, e isto eles não duvidam. Agora, não se provou ainda de forma empírica, como avaliar se uma situação é boa ou não. É claro, uma lâmpada ligada em uma noite escura de chuva é algo muito bom. Mas isto infelizmente, é puro sentimento, e ateus não consideram o sentimento digno de crédito. O sentimento é arbitrário, fazendo todo julgamento - sobre algo ser ou não bom - também ser arbitrário.

O que é o progresso? Ao meu ver, progredir é deixar um estado definido para um estado melhor que o anterior. O progresso chegou em minha casa, por que finalmente asfaltaram minha rua! Deixei uma situação péssima, vivendo entre a poeira, para uma melhor, vivendo sem ela. É neste momento que a trapalhada do ateu acima fica evidente... Para se definir progresso, é preciso primeiro definir o que é bom e o que é ruim. E isto ele não pode fazer, pois isto não é definido empiricamente. Ele pode no máximo se basear em conceitos próprios para definir o que é progresso, mas isto deveria ter o mesmo valor para ele do que a fé de um budista. Não pode haver moralidade universal para o ateu, senão qualquer teísta poderia facilmente provar a existência de seu deus. E isto o ateu não pode permitir.

As catástrofes ambientais foram culpa da religião? Eu penso que tal análise seja bastante superficial. Da mesma forma, poderia dizer que toda descoberta científica no passado se deveu à crença em um deus, pois a grande maioria dos cientistas era teísta (boa parte ainda é). Claro que o ateísta não aceitará a segunda declaração, pois tem horror a qualquer intromissão da religião na ciência. Mas se é para ser superficial, então sejamos! Agora, se estivermos dispostos a tratar as duas questões como questões complexas, que necessita de uma análise mais acurada, então nenhuma das duas declarações poderá ser feita.

Finalmente, a fé pode ser um sentimento. E é muito engraçado como exatamente são os sentimentos que me diferenciam do computador que estou usando para escrever neste diário. Será que quando um ateu militante empreende uma campanha de desconversão, ele está querendo robotizar todo mundo? Como é que eles julgam qual sentimento deve ser combatido? Eu realmente queria que sentimentos fossem arbitrários, assim poderia escolher não ficar triste, ou bravo, ou nervoso...

Mas já que eles são totalmente racionais, eu estava imaginando... Há um conhecido argumento chamado "aposta de Pascal", que muitos ateus conhecem e desdenham como uma tentativa absurda e desesperada de conversão. Pascal dizia que era melhor fazer parte de uma religião que prometia a salvação do que ser ateu, pois se esta religião estivesse certa, a vantagem seria infinita. Mas se ela estivesse errada, nada diferente do que o ateísmo já tem aconteceria.

Costumam responder apontando para as "n" religiões que existem, e que mesmo escolhendo a religião "x" não teríamos esta garantia... Bem, vamos usar a razão então. Se existissem "n" religiões que prometessem a salvação e um paraíso após a morte, e considerando que elas são equiprováveis, as chances de você escolher a religião correta seria 1/n. Você pode aumentar "n" que a razão tende a zero, mas não chega a zero. E no ateísmo, a probabilidade de se viver após a morte é 0. Então, o que é maior? 0 ou 1/n? E se não são equiprováveis, não é melhor tentar achar as que possuem maior probabilidade? Para mim, o que a aposta de Pascal prova é que o ateísmo é mais irracional que qualquer religião. E dizem que sentimento não é importante.

Termino hoje por aqui... Sou Pedro, muito obrigado por me tolerar...

terça-feira, 27 de maio de 2008

Diário de um lunático - 6

23/04/2007

Olá para todos! Já faz um bom tempo que eu não escrevo aqui. Realmente, as coisas ficaram difíceis nestes últimos dias, e eu tive que procurar emprego da velha forma mesmo: indo de empresa em empresa. Talvez não tenha sido tão ruim assim, vocês não tiveram o desgosto de encontrar mais um de meus textos bestas.

Mas como eu não ligo para as críticas, cá estou novamente escrevendo sobre estes dias passados. A boa notícia é que eu finalmente consegui um emprego. Não é uma coisa muito fácil, vocês devem saber. A questão é que o meu novo patrão é adventista do sétimo dia. Há vantagens e desvantagens de se ter um patrão assim. A grande vantagem é que você tem certeza absoluta que nunca irá trabalhar aos sábados, o que é bom para um ser consumidor necessitando de mais tempo para incentivar o capitalismo, como eu. Por outro lado, você pode esquecer daqueles churrascos que as empresas dão no dia do trabalho.

Falar dos adventistas é muito fácil, afinal de contas, eles são quase omni-presentes na internet. Gostam de fóruns, gostam principalmente de defender o criacionismo. Certamente entre os maiores criacionistas estão os adventistas. Conhecendo a teologia cristã como eu venho conhecendo recentemente, posso imaginar por que isto acontece.

Os adventistas estão para a maioria dos outros cristãos, assim como os agnósticos estão para os ateus, mas ao contrário. O adventista é mais materialista que um cristão comum, o agnóstico é mais espiritualista que o ateu comum (pelo menos em teoria). Assim, os adventistas não podem admitir a existência de uma alma, por exemplo, como outras denominações.

Este "materialismo" pode ser notado até quando eles recorrem à Bíblia, seu livro sagrado. Tudo deve ser lido rigorosamente da forma que está. Mas é claro, tenho que fazer uma observação aqui... Todo livro deve ser lido da forma que está mesmo. O autor não escreve "cachorro" querendo escrever "macaco". O problema adventista da leitura da Bíblia, é que eles transformaram aqueles números antes do versículo, como por exemplo João 3:16, como algo que faz parte do texto, desde os primórdios dos tempos. Para eles, o texto está todo fatiado como um presunto... Bem, a comparação não foi boa, vamos tentar de novo... Para eles, o texto está todo dividido como os anéis de uma cebola, e para montar a sua salada teológica, eles podem escolher os anéis que quiserem. Tudo em nome da boa culinária.

Recentemente descobri que eles pregam que todas as religiões do mundo irão se unir contra eles. Eu acho que seria muito divertido uma união entre Orlando Fedeli, Silas Malafaia, Edir Macedo, Caio Fabio e o Inri Cristo. Seria uma ótima versão da Liga da Justiça, ou para os mais clássicos, uma ótima peça de tragédia grega, onde os adventistas, é claro, ocupariam o lugar dos narradores. Felizmente, a idéia é meio absurda para mim, afinal estamos em um mundo cada vez mais individualista. A tendência é separar, e não juntar. Isto é tão verdade, que os próprios adventistas se separaram...

Eles também possuem uma profetiza, que muitos acusam de plágio. Já vi alguns comentando que na época não havia direitos autorais. Certamente com isto eles querem dizer que a sua cópia é profeticamente autorizada, o que faz de todo copista da Bíblia na história, um potencial profeta. Recentemente inventaram também as sociedades proféticas, já que são Sociedades Bíblicas que distribuem a Bíblia hoje. Está muito fácil ser profeta, até eu posso ser. Aproveitando esta minha nova capacidade, quero dizer que pelo menos daqui a um ano este meu texto estará em um blog ou algum site. Vamos ver se passo no teste.

Para encerrar, gostaria de dizer que o meu emprego está sendo ótimo. Espero em breve escrever mais alguma coisa aqui.

Pedro.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Diário de um lunático - 5


26/03/2007

Olá para todos, meu nome é Pedro. Talvez já tenham ouvido falar de mim. Sou o mais novo desempregado brasileiro.
Vida de desempregado é muito difícil mesmo. Dá muita preguiça levantar todo dia cedo, e procurar nos jornais o seu próximo cárcere. Não bastasse você procurar algo que vai te tomar 2/3 do seu dia, você ainda tem que vender este seu tempo precioso por preço de banana. Tem empregador que acha que todo este tempo de sua vida vale muitas vezes menos que o salário mínimo. Fazem de tudo para te explorar, ou explorar alguém. Contratam apenas estagiários, contratam sem carteira, te contratam para trabalhar 8 horas, depois te fazem trabalhar mais, adicionando horas nos maravilhosos bancos de hora que nunca te dão folga. Mas a vida é assim mesmo...
E como agora sou um desempregado, estou enviando meus currículos para todos os lados, através de qualquer meio. Inclusive a internet! É uma maravilha como este meio te proporciona resultados rápidos. Eu consegui ser rejeitado por 20 empresas em um só dia!!! Tudo isto por que eu achava justo que pelo conhecimento que eu tenho, gostaria pelo menos de ganhar 2 salários.
A internet tem seu lado ruim também. É incrível a quantidade de spams que eu recebo. É um efeito colateral: você distribui seu email para ser mais facilmente encontrado, e você acaba sendo encontrado!
Mas, entre os emails que eu recebo, estão vários emails curiosos, e que eu gostaria de comentar. Pode-se encontrar de tudo na internet, ou pelas mensagens de spam. Principalmente pornografia. Mas de vez em quando a gente recebe alguns emails que são destaque!
Outro dia recebi um email que educadamente dizia que eu iria para o inferno. É o tipo de email que todo mundo gosta de receber. Dizia para que eu me arrependesse senão viraria literalmente churrasco.
Em todo o mundo, e por 2000 anos, várias pessoas se tornaram cristãs, creio que principalmente por causa da mensagem de amor transmitida pelo cristianismo. Está certo que este mesmo cristianismo prega o inferno (pelo menos na maioria de suas denominações), mas eu tenho certeza absoluta que o inferno não foi o fator decisivo para a conversão de milhares de cristãos. Pode ter sido usado para manter eles lá, mas não para trazê-los. O que será que passa pela cabeça de tais pessoas? Que eu vou dizer: "tudo bem, desisto, não quero virar churrasco", e pronto? Onde está aquela mensagem cristã que vemos Jesus pregar na Bíblia? Eu já tive a curiosidade de ler os Evangelhos, e Jesus não manda pregar o inferno. Ele bem que repreende muita gente falado deste lugar, mas não faz disto sua mensagem evangelística. Talvez o cristianismo moderno precise de missionários menos sádicos. Assim o evangelismo talvez obtivesse um sucesso melhor do que eles esperam.
Outro email que recebi é mais legal ainda. Misturava Nostradamus com a Bíblia, e chegava a declarar que viagens ao interior oco da Terra eram feitos pelo triângulo das bermudas! Puxa, vou pegar um empréstimo e criar uma empresa de viagens para o interior da Terra!! Júlio Verne morreria de inveja de mim agora!!!
Declaração mais bombástica é que a salvação neste email é dado pela massa específica!!! Ah, temos que incluir neste cálculo, o perispírito!! É incrível, é fantástico, tão fantástico que preferi não terminar de ler o email, para que minha mente não seja prejudicada. Tem alguém muito doido escrevendo estas coisas por aí, e eu realmente não quero estar morando na mesma região que ele, quando ele der um tempo no seu computador e sair para passear. Depois desta mensagem passo até a me considerar mais normal...
Eu sou Pedro, já devem ter ouvido falar de mim. Continuo à procura de um emprego, e tomando cuidado com os spams...

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Diário de um lunático - 4

23/03/2007

Olá para todos, eu sou Pedro, o mais novo desempregado. Vão ouvir falar de mim, principalmente se você faz parte de algum departamento de recursos humanos. É por isto que eu fiquei alguns dias sem atualizar meu diário, pois eu ainda estava reunindo coragem para fazer o que tinha que fazer. Ah, eu também estava curtindo minhas férias forçadas, já que agora vou demorar pelo menos mais 2 anos para ter umas férias remuneradas. Eu gostava de meu último emprego, sério mesmo. Mas infelizmente alguns donos de empresa acham que podem viajar a vontade, gastando seu rico dinheirinho, que não haverá problema algum. No fim das contas, quem paga o pato somos nós, os infelizes empregados.

É incrível como os chefes se dão algumas liberdades que os míseros mortais não podem. Meu último chefe podia gritar em qualquer volume. E isto era engraçado, por que a gente acompanhava em primeira mão as fases da empresa.

No início era "Eu te mandei fazer isto?", ou "Eu não quero saber de problemas! Resolva!", depois foi passando para o "Nós podemos conversar sobre isto melhor", "Eu sei que seu salário atrasou este mês, e eu fico pessoalmente perturbado com isto". Alguns dias depois, a coisa fica mais interessante: "Olha, estou com várias propostas nas minhas mãos, esperando apenas a aprovação dos clientes. Se eu vender tudo isto, nós já temos 120.000 R$ garantidos", e a melhor de todas: "Buááááá, eu apliquei todo meu dinheiro nesta empresa para que vocês pudessem trabalhar aqui com todas as condições possíveis, Buááááá".

Ultimamente o chefe estava ficando mais religioso. Era comum escutar às vezes um "Aleluia". Só que ele era a pessoa religiosa mais estranha que eu já vi. Era católico, que agia como evangélico gritando Aleluia, e vivia com idéias espíritas. Aliás, isto envolveu um evento estranho naquela empresa.

Certo dia, fomos chamados para o refeitório, por que um senhor espírita iria fazer uma apresentação. Nos disseram que ele tinha vindo para "trazer luz" para a empresa. Apesar de estar mesmo difícil para a empresa pagar suas contas de energia, achei que a expressão era engraçada. Pessoalmente nunca tinha ouvido da boca de um espírita tal expressão, achei que era algo mais relacionado com misticismo oriental.

Fomos para o pátio. O senhor se dizia médium, e ele teria psicografado as letras das músicas que ele iria tocar. Eu sempre achei interessante como que os médiuns espíritas pareciam gostar deste papel de marionetes. Você nunca encontra uma estória ou uma letra de música feita pelo próprio médium, elas são sempre feitas por espíritos. Parece que você só fica culto depois que morre.Não era o caso daquele espírito. Acho que pegamos um espírito no início de sua evolução musical. O médium também não ajudava muito. E aquela platéia toda sentada diante dele, mantendo o silêncio por respeito, era uma visão cômica até, quando me lembro hoje disto. Talvez os 2 espíritas que trabalhavam conosco eram os únicos realmente empolgados com a apresentação.

O senhor então tentou cantar umas 3 músicas que o espírito lhe enviou, depois ele partiu para uma espécie de palestra de apologia ao espiritismo. Imediatamente me veio à mente alguns apologistas espíritas que me deparei por aí. Por definição, o apologista espírita deixa de ser espírita para ser apologista. Não espere conversar com um apologista espírita em tom respeitoso, a primeira coisa que ele perde é o respeito. Espere uma conversa respeitosa com espíritas comuns, não com os apologistas. Outra coisa a se lembrar é que, algumas idéias espíritas básicas, como a reencarnação, podem ser a coisa mais simples de se entender. No momento que você disser que discorda dela, e começar a apontar falhas, a resposta padrão é que você não conhece a doutrina. Dependendo das falhas que você apontar, eles podem apontar o que você errou, mas geralmente vão dizer que você não conhece a literatura deles, e gentilmente (desde que não sejam apologistas) vão te encaminhar para alguns livros deles, o que é uma ótima estratégia de doutrinação. Por fim, por mais que digam que não defendem dogmas, não acreditem neles. Por isto, não falei nada naquela palestra. Eu já estaria errado mesmo. Talvez daqui a 100 vidas eu entenderia tudo aquilo.

Ele contou seu histórico de questionar por que alguns nascem doentes, por exemplo. Disse que como obteve uma resposta satisfatória dos espíritas, se tornou um. Um médico poderia lhe dar uma explicação melhor, na minha opinião. Agora ele acredita que o sofrimento na verdade não é um sofrimento, é uma coisa boa, que ajuda as pessoas a evoluírem. Tudo é bom! Então dando todas estas voltas, eles chegaram ao mesmo ponto que eu: que tanto faz, não existe nada bom ou ruim. Só não se deram conta disto. Ironia do destino.A palestra começou a ficar interessante quando o senhor começou a ver espíritos. Para nossa felicidade eles estavam um pouco tímidos, só apareceram para nosso ilustre visitante. Foi então que eu me perguntei se o ilustre John Nash de certo filme que vi não teria sido também um médium. Tudo é possível.

Por fim, o senhor foi embora, e todos nós pudemos voltar ao nosso feliz trabalho injusto. A empresa não sobreviveu muito tempo depois desta visita, o que não deixou de ser curioso.

Eu sou Pedro. Preciso de emprego, então se ouvir falar de mim, fale de mim para quem possa me oferecer um...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Diário de um lunático - 3

20/02/2007

Olá para todos, meu nome é Pedro, já devem ter ouvido falar de mim.
Hoje é o último dia de carnaval, e resolvi escrever um pouco sobre meus dias neste feriado. Não me levem a mal, para mim o carnaval é uma total perda de tempo. No entanto, estive muito bem acompanhado no feriado, e por motivos de força maior acabei parando no meio da folia.
As chances de eu participar de tais festanças é nula, e não se perguntem se eu estou preocupado de ter participado mesmo não gostando. Uma das vantagens de não se possuir ligações religiosas é não ter compromissos morais. Você faz suas regras. Geralmente se copia de religiosos as regras mais "humanas", condenando aquelas que te proíbem de participar de festas e outras orgias.
Orgia era um bom nome para aquela festança... É incrível como aquele povo sabe pular como se fossem pipocas saltitando na panela. É incrível também como bebem! Parece haver uma cultura onde o homem deve beber até ficar tonto. Há alguns que dizem que se não for para ficar tonto, então não vale a pena beber. O bom é ficar tonto. Afinal de contas, qual é a graça de não se lembrar de nada? Não seria melhor ficar dormindo em casa?
Bem, infelizmente perdi minha companhia no meio da festa. Bem feito para mim, é o que dá procurar moças farristas. Elas possuem uma consciência moral mais flexível que eu, não ligam muito se arrastaram alguém para uma festa que ele não gosta, e o deixam pra lá depois que descobrem que ele só tem 10 reais e a chave do portão de casa no bolso.
Por isto, resolvi abandonar o barco. E como é complicado passar por aquela multidão! Aquilo era um perfeito campeonato de palhaços. Todos eles querendo aparecer mais e ser mais engraçados. Alguns andavam somente de roupas íntimas, se vangloriando das horas passadas na academia, o que me levou a pensar que aquilo era uma real exposição agropecuária de homens, só faltou o leilão.
Chegando do lado de fora, havia uma total anarquia. Lá dentro tocava axé, mas do lado de fora, tocava qualquer coisa. Música eletrônica, sertaneja, funk, e.... um estranho grupo tocava ali também... Me aproximei para entender aquela cena grotesca, e entender a letra da música...
Muito me surpreendi quando descobri que eram cristãos evangélicos. Estavam tocando uma espécie de rock gospel, ou pelo menos tentando. Enquanto isto, algumas moças distribuíam panfletos. A cantora era realmente desafinada, mas tinha muito empenho. Realmente, algo que jamais esperava.
Uma das grandes críticas contra o cristianismo sem dúvida é que ele se "apoderou" das festas pagãs e as transformou em cristãs. Pelo visto, os olhares evangélicos pairam sobre a última festa pagã. E como um dia Paulo, o apóstolo, se fez de judeu para conquistar os judeus, e grego para conquistar os gregos, aqueles jovens estavam se tornando mundanos para conquistar os mundanos. Havia alguma coisa de errado nisto, e eu estava tentando definir o quê. Eu imaginei como seria se os cristãos primitivos fossem tocar harpa durante as Saturnálias, e cheguei à conclusão que ninguém teria dado atenção a eles. De fato, naquele carnaval, ninguém estava dando atenção para aqueles jovens, além deles mesmos.
O que eu entendo por cristianismo é que deveria causar uma mudança na vida das pessoas, agora as pessoas é que estão mudando o cristianismo, para continuar com a mesma vida. É uma inversão interessante de valores, talvez por isto ninguém dava atenção àquele grupo. Eles mesmos estavam demonstrando que não davam valor aos seus valores.
Mas este tipo de coisa não acontecia só ali não. Já tinha visto muitos programas evangélicos pela TV, e outras coisas do tipo. Me lembro que a palavra "profético" era proferida como um mantra. Tudo tinha que ser profético, para garantir aos ouvintes que era o próprio Deus quem estava assinando em baixo. Outra vez estava no ônibus e um grupo de 4 rapazes gritava histericamente sobre um encontrão que era tremendo... Eu estou tremendo até agora só de pensar... A fogueira santa de Israel prometia queimar o dinheiro excedente dos fiéis, e por isto tinha que ser em Israel. Quanto mais longe, mais fácil deste dinheiro se perder por aí.
Deixei aqueles jovens com seus shows, e fui embora, pensativo.
Eu sou Pedro, e certamente a minha ex-companhia não vai mais ouvir falar de mim.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Diário de um lunático - 2

20/01/2007

Olá para todos. Eu sou Pedro, já devem ter ouvido falar de mim.
Domingo passado fui obrigado a acordar mais cedo, apesar de ser domingo. À minha porta estavam duas moças muito bem vestidas, que tocaram minha campainha para me avisar que o mundo estava próximo de acabar. Bem, não é uma coisa que se ouve todos os dias, geralmente as pessoas avisam que um ladrão invadiu sua casa, ou que seu cachorro está estragando as margaridas da vizinha... Mas como aquelas damas estavam tão bem vestidas bem cedo em um domingo de manhã, achei que pelo menos elas levavam aquilo ali bem a sério.
Tivemos uma boa conversa sobre como as guerras estavam mais violentas, a fome estava mais faminta e as pestilências mais graves. Me perguntei ali por que é que damas tão distintas e educadas estavam ali fazendo o trabalho dos jornalistas criminalísticos... Eu pessoalmente achava o Gil Gomes mais divertido. Ao fim da conversa, ganhei livretos gratuitos, que achei o máximo. Não é todos os dias que a gente ganha algo. Entrei e fui ler. Leitura interessante, e que me motivou a pesquisar mais sobre aquelas pessoas. Tive muita leitura para a semana toda.
Hoje de manhã, as moças vieram novamente à minha casa. Chamam isto de revisita, já que eu parecia para elas muito interessado, disposto até a ler seus livros. Então tivemos nova conversa.
É curioso como estas pessoas basicamente fazem o papel daqueles termos de compromisso de programas do Windows. Você desce a tela toda e no final clica em aceitar. Todas elas fizeram isto, e agora saem pelas ruas oferecendo o mesmo para os outros. Uma diferença é que você depois de clicar no botão aceitar deles, não tem garantias que vai ter seu programa instalado. Tudo depende de você.
Qualquer um pode se perguntar por que a comparação. Ora, apesar deles oferecerem cursos bíblicos, e uma pessoa se tornar membro de sua igreja somente após este curso, eles basicamente não refletem muito sobre aquilo que eles estudam. Tive oportunidade de testar isto perguntando a elas por que achavam que a gente poderia comer sangue injetando-o nas veias. Me contaram uma estória sobre um senhor que injetava álcool na veia para se embriagar, talvez pensando que isto explicaria alguma coisa. Não é preciso pensar muito para concluir que tanto o álcool quanto o sangue vão passar pelo processo que todos desde o primário conhecem como digestão. O sangue nem fornece nutrientes para o sangue da pessoa.
Em certo momento, me disseram que eram politicamente neutros. São tão neutros que adotaram a posição política de não votar em ninguém. Eles fizeram melhor. O mundo hoje conta com pelo menos umas 150 nações. Eles dizem que no reino de Jesus, no entanto, haverá 144.000 reis e sacerdotes. É a maior politização do mundo já vista. Eu fiquei surpreso, pois achava que quem tinha poder de mandar uma tempestade parar conseguiria governar o mundo tranquilamente...
Um tema muito citado era da tal Babilônia a Grande. Disseram que em breve eles seriam destruídos. Me lembrei de alguns trechos dos livros deles, onde disseram que cultivavam o amor cristão. Se amor é venerar a destruição alheia, então acho que tenho que rever meus conceitos.
Bem, depois de muito conversar, elas desistiram de mim. Não estava querendo o estudo delas. Eu imaginei que era necessário muitos estudos e livros para chegar ao ponto delas, e não tinha muito tempo para isto. Afinal, é necessário muito estudo para pensar que pessoas que previram o fim do mundo para pelo menos 3 datas diferentes, ainda sejam os representantes de Deus na Terra. Aliás, é necessário muito estudo para pensar que estes erros comprovam isto...
Espero poder dormir até mais tarde no domingo que vem.
Eu sou Pedro, talvez vocês já tenham ouvido falar de mim...

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Diário de um lunático - 1

13/01/2007

Olá para todos... Sou o Pedro, vão ouvir muito falar de mim.
Me perdoem a falta de jeito ao escrever, não tenho este costume. Mas resolvi registrar alguns de meus pensamentos, para que depois eu ou você mesmo possa avaliar se sou ou não sou, o que me definiram: um lunático. Isto aconteceu quando meu colega de faculdade, Jaime, descobriu que eu era, de alguma forma, ateu. Ele me disse então:
- Muito bem! É bom mesmo não estar ligado a dogmas e misticismo.
Olhei para ele com uma cara reprovadora, e disse:
-Ué, por que "Muito bem"? Você que é ateu não deveria achar isto bom, na verdade, não deveria achar nada...
Foi então que iniciou a conversa onde fui chamado de louco, lunático... Mas a questão para mim era simples demais, ele devia ter entendido. Afinal de contas, por que ele tem que achar algo que eu decidi para mim mesmo, bom ou ruim?
Navegando pela internet, encontrei cenas das mais grotescas também. Ateus se reunindo em grupos para discutir o ateísmo, e trocar informações. Pareciam até uma alegre igreja cristã, se reunindo para discutir a Bíblia. Todos eles possuíam os seus gurus, que escreviam grandes best-sellers ensinando como ser um ateu. A doutrina ensinada é a doutrina do conhecimento científico. Não entendam mal, a ciência nunca pediu para ser tratada como uma religião. Mas o fato é que alguns ateus são mais religiosos que muitos religiosos, abandonam a religião mas continuam com o velho costume de discutir doutrinas e seguir pastores. Assim eles transformam aquilo que foi descoberto para transformar a sociedade em algo melhor para transformar a sociedade em uma segregação melhor. A ciência que nunca se propôs a estudar o mundo dos místicos (já existem muitas religiões fazendo isto), acaba sendo colocada na argumentação contra o teísmo pelos próprios ateus. É claro, muitos religiosos não conseguem entender nem a própria religião, acabam achando que ciência é a mesma coisa que budismo. Aí, eles atacam é a ciência, pobre coitada. Aí aquele ateu que primeiro confundiu ciência com religião (por mais que negue isto, ele confunde sim, ele a usa como religião) espertamente cita as maravilhas científicas da atualidade, sem as quais o religioso não viveria... Claro, o fato de eu estar digitando este texto em um blog na internet prova que Deus não existe!
Então, depois de tudo isto, percebi que o ateísmo atual na verdade é mais uma religião, a religião do conhecimento científico. Nem todos os ateus são assim, fico feliz de haver ateus sinceros, que sinceramente não ligam para nada disto nem ninguém. Infelizmente a grande maioria deles está presa, já que é preciso ser muito ateu ou muito louco para atropelar a consciência moral (que só para o ateu que não existe), e cometer os vários crimes que levam as pessoas às cadeias. Se vocês perceberam, não sou dogmático, e principalmente, sou ecumênico. A maioria dos ateus que promovem seus encontros em sites de internet e sociedades (tem algo mais religioso do que uma sociedade?) vai dizer que estes não são ateus. Claro que não, parece que é um dogma no ateísmo atual, o fato de que um ateu tem que conhecer bastante sobre matérias acadêmicas, principalmente Biologia e Física (mais precisamente sobre Evolução e Big Bang, para responder aos crentes). É difícil ser um ateu pobre hoje em dia. E o pior de tudo, é que estes ateus que se vangloriam de ser muito racionais acham que os ladrões são religiosos, quando toda religião que eu conheço deve condenar o roubo. E como eu disse antes, estes ateus são mais sinceros, eles não ligam para nada nem ninguém. Eles não se envergonham de dizer que acreditam em Jesus ou em Confúcio, isto não deve significar nada para eles, e também não ligam para as pessoas que os condenam por se dizerem religiosos e cometerem tais crimes.
Em suma, fiquei meio apreensivo por adotar o título de ateu, exatamente por que o ateu hoje me parece religioso demais. Nem o título cético serve. Uma vez provaram que o ceticismo é auto-contraditório. Além disto, o cético não é tão cético assim. Os escritos de Darwin despertam mais ceticismo nos crentes do que nos próprios céticos. A verdade é que os céticos são céticos somente em questão de religião, nos outros assuntos são pessoas normais (ou não) como qualquer outra. O que é uma total falta de ceticismo, já que eles estão escolhendo em que áreas eles são céticos. Quando eles escrevem que a Evolução foi provada, me vem à cabeça quantas e quais perguntas eles se fizeram antes de aceitar isto como fato, e se algum dia eles comprovaram isto pessoalmente. Nada me tira da cabeça que a resposta é nula. Será que eles comprovaram que são elétrons mesmo que fluem por um condutor para que nós tenhamos luz à noite?
E aí volto a meu amigo Jaime, que ficou boquiaberto por perguntar a ele por que ele deveria achar alguma coisa sobre mim. Por que no fundo, ele compartilha aquele sentimento religiosamente peculiar de comunhão, que foi influenciado no ateísmo pelas religiões.
Eu não sou assim. Eu sou Pedro. Não digo que seja um grande prazer em te conhecer, pois não sei se o fato de te conhecer será útil para mim. Mas certamente você ouvirá falar de mim.

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