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quinta-feira, 9 de março de 2017

STJ condena curandeira por extorsão e estelionato mediante "ameaça espiritual"


Ah, se a moda pega não só para as curandeiras que pregam papel em poste...

Já pensou se começam a investigar, processar e julgar alguns pregadores televisivos? Aqueles que apelam para tudo quanto é "gafanhoto espiritual" para "devorar" quem não lhes der polpudas ofertas, manja? uy!

A notícia (bastante detalhada, vale a leitura!) é do próprio Superior Tribunal de Justiça:

Ameaça espiritual serve para configurar crime de extorsão

Em decisão unânime, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) considerou que a ameaça de emprego de forças espirituais para constranger alguém a entregar dinheiro é apta a caracterizar o crime de extorsão, ainda que não tenha havido violência física ou outro tipo de ameaça.

Com esse entendimento, seguindo o voto do relator, ministro Rogerio Schietti Cruz, a turma negou provimento ao recurso de uma mulher condenada por extorsão e estelionato.

O caso aconteceu em São Paulo. De acordo com o processo, a vítima contratou os serviços da acusada para realizar trabalhos espirituais de cura. A ré teria induzido a vítima a erro e, por meio de atos de curandeirismo, obtido vantagens financeiras de mais de R$ 15 mil.

Tempos depois, quando a vítima passou a se recusar a dar mais dinheiro, a mulher teria começado a ameaçá-la. De acordo com a denúncia, ela pediu R$ 32 mil para desfazer “alguma coisa enterrada no cemitério” contra seus filhos.

Extorsão

A ré foi condenada a seis anos e 24 dias de reclusão, em regime semiaberto. No STJ, a defesa pediu sua absolvição ou a desclassificação das condutas para o crime de curandeirismo, ou ainda a redução da pena e a mudança do regime prisional.

Segundo a defesa, não houve qualquer tipo de grave ameaça ou uso de violência que pudesse caracterizar o crime de extorsão. Tudo não teria passado de algo fantasioso, sem implicar mal grave “apto a intimidar o homem médio”.

Para o ministro Rogerio Schietti, no entanto, os fatos narrados no acórdão são suficientes para configurar o crime do artigo 158 do Código Penal.

“A ameaça de mal espiritual, em razão da garantia de liberdade religiosa, não pode ser considerada inidônea ou inacreditável. Para a vítima e boa parte do povo brasileiro, existe a crença na existência de forças sobrenaturais, manifestada em doutrinas e rituais próprios, não havendo falar que são fantasiosas e que nenhuma força possuem para constranger o homem médio. Os meios empregados foram idôneos, tanto que ensejaram a intimidação da vítima, a consumação e o exaurimento da extorsão”, disse o ministro.

Curandeirismo

Em relação à desclassificação das condutas para o crime de curandeirismo, previsto no artigo 284 do Código Penal,o ministro destacou o entendimento do Tribunal de Justiça de São Paulo de que a intenção da acusada era, na verdade, enganar a vítima e não curá-la de alguma doença.

“No curandeirismo, o agente acredita que, com suas fórmulas, poderá resolver problema de saúde da vítima, finalidade não evidenciada na hipótese, em que ficou comprovado, no decorrer da instrução, o objetivo da recorrente de obter vantagem ilícita, de lesar o patrimônio da vítima, ganância não interrompida nem sequer mediante requerimento expresso de interrupção das atividades”, explicou Schietti.

Pena mantida

O redimensionamento da pena também foi negado pelo relator. Schietti entendeu acertada a decisão do tribunal paulista de considerar na dosimetria da pena a exploração da fragilidade da vítima e os prejuízos psicológicos causados.

Foi determinada, ainda, a execução imediata da pena, por aplicação do entendimento do Supremo Tribunal Federal de que seu cumprimento pode se dar logo após a condenação em órgão colegiado na segunda instância.v

Esta notícia refere-se ao(s) processo(s):

- REsp 1299021





segunda-feira, 6 de março de 2017

Bruxas dos EUA lançam feitiços contra Trump


O detalhe da vela cor de laranja é particularmente engraçado e a notícia esquisitona vem da ACIDigital:

Bruxas dos Estados Unidos se unem para “lançar feitiços” contra Trump

WASHINGTON DC, 04 Mar. 17 / 02:00 pm (ACI).- Nos Estados Unidos, bruxas de todo o país querem “lançar feitiços” contra o presidente Donald Trump, a fim de removê-lo do seu cargo.

O primeiro “feitiço massivo” ocorreu à meia-noite do dia 24 de fevereiro, dia no qual as bruxas também se comprometeram a repetir o ato em cada “lua crescente” até alcançar o seu objetivo.

Os próximos feitiços serão lançados nos dia 26 de março, 24 de abril e 23 de maio.

Além disso, os organizadores criaram um documento on-line chamado “A Spell to Bind Donald Trump and All Those Who Abet Him” (Um feitiço para amarrar Donald Trump e todos aqueles que o encobrem). Neste documento também detalham uma lista de materiais para realizar o ritual. Entre os materiais, há uma foto desfavorável de Trump, um carta de tarô, um pedaço de vela laranja e terra.

O ritual descrito nesse documento chama os espíritos, que incluem os “demônios dos reinados do inferno” e ordena “atar Donald J. Trump para que falhe completamente”.

Segundo o Pe. Vincent Lampert, exorcista da Arquidiocese de Indianápolis desde 2005, os feitiços poderiam ter certo poder.

“Creio que há poder, mas não vem de Deus. Qualquer um que se atreva a dizer que quer desafiar Deus, está usando o poder do mal como próprio. Devem se dar conta de que não podemos usar o diabo, mas que o diabo nos usa”, disse o sacerdote ao meio de comunicação ‘Indianapolis’ em 2014.

Os feitiços, segundo Pe. Lampert, só têm um efeito nas pessoas que são espiritualmente frágeis, mas que se a pessoa está “ancorada” em Deus, então não há nada a que temer.

Além disso, o sacerdote assinalou que em Deuteronômio 18,10-12, o uso da bruxaria é condenado como detestável para Deus.

Por outro lado, disse que não se pode “impedir que alguém ponha maldição, mas como cristão, se reza a Deus, a maldição não terá poder”.

Pe. Lampert explicou que os católicos devem participar da Missa, receber a Eucaristia e se confessar, pois é uma forte proteção contra o mal.

“As maldições são efetivas quando a pessoa está frágil. A pessoa teme ao diabo mais do que a Deus”, enfatizou.



quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Garoto africano abandonado por "bruxaria" ganha vida nova 1 ano depois

O menino chamado Hope ("Esperança" em português), um ano depois de ser resgatado, tudo a ver. 

A matéria é do G1 Mundo:

Um ano depois, menino abandonado por 'bruxaria' tem foto recriada na Nigéria

Hope, de três anos, começou a frequentar escola exatamente um ano após ser resgatado desnutrido e vagando pelas ruas por voluntária dinamarquesa.

Exatamente um ano após ser resgatado das ruas desnutrido e abandonado, acusado de bruxaria, o menino Hope começou esta semana a frequentar uma escola na Nigéria. A dinamarquesa Anja Ringgren Lovén, que o retirou das ruas, recriou a foto do dia em que o encontrou pela primeira vez, em 30 de janeiro de 2016, e deu a ele água.

Desta vez, porém, Hope aparece bastante saudável, usando tênis e roupas novas e com uma pequena mochila nas costas. As duas imagens têm exatamente um ano de diferença, segundo Anja, mas a de 2017 marca o primeiro dia em que o menino de três anos foi para a escola.

No ano passado, a imagem da dinamarquesa dando água e biscoitos ao menino, nu e extremamente magro, impressionou pessoas em todo o mundo e ajudou a arrecadar mais de US$ 1 milhão, segundo o jornal britânico “Independent”.

Oito semanas depois, Anja divulgou novas fotos que mostravam a primeira etapa da recuperação de Hope, já com uma aparência completamente diferente e brincando com outras crianças na instituição que ela mantém com seu marido, David.

Há quatro anos o casal criou a African Children’s Aid Education and Development Foundation, uma instituição que abriga mais de 30 crianças, todas abandonadas após serem acusadas de bruxaria.

Em uma entrevista ao Huffington Post, Lovén contou que em sua primeira visita à Nigéria conheceu uma criança que havia sido espancada quase até a morte por causa da superstição. Sem conseguir esquecer o caso, ela vendeu tudo o que tinha na Dinamarca e se mudou para o país africano, onde criou a fundação.

Ela contou ainda que, em janeiro de 2016, recebeu um telefonema com o aviso de que um menino com idade entre dois e três anos estava sozinho nas ruas e sobrevivendo com restos de comida que algumas pessoas davam a ele. Foi então que ela encontrou Hope, que passou oito meses abandonado.

O menino passou por uma transfusão de sangue e um tratamento para eliminar vermes e foi submetido a uma cirurgia para corrigir um defeito congênito na uretra.



sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Infarta apresentador de TV que rogou praga a maconheiros

Parece que praga pra maconheiro funciona na base do bate-volta... 

A informação é do UOL Notícias da TV:

Apresentador que rogou praga para maconheiros sofre infarto

FERNANDA LOPES

O apresentador Sikêra Junior, 49 anos, que se tornou fenômeno na internet no final do ano passado, sofreu um infarto na madrugada desta quinta-feira (5) em Maceió (Alagoas). Ele ficou famoso nacionalmente após sua praga para os "maconheiros" viralizar nas redes sociais: "Você, que fuma maconha, vai morrer antes do Natal", declarou, ao vivo.

A TV Ponta Verde, afiliada do SBT em Alagoas, confirmou que o apresentador passou mal com sintomas de infarto e foi levado Hospital do Coração de Alagoas, em Maceió, onde passou por um cateterismo. Sikêra está de repouso no hospital e aguarda uma vaga na UTI _ele deve ficar em observação pelas próximas 48 horas.

Na edição de ontem (5) do Plantão Alagoas, Junior foi substituído pelo apresentador Fábio Araújo. No perfil oficial do programa no Facebook, fãs expressaram solidariedade e preocupação com o apresentador titular e desejaram que ele melhore e volte logo.

Sikêra Junior é natural do Estados de Pernambuco. Com estilo semelhante ao Balanço Geral e com reportagens popularescas e policialescas, o Plantão Alagoas faz sucesso de audiência e repercute nas redes sociais pelo jeito debochado e sem pudores do apresentador, que o comanda há cinco anos..

Além da praga aos maconheiros, Junior já xingou uma internauta no ar com discurso cheio de palavrões e, durante uma ação de merchandising, caiu de uma moto em pleno estúdio.

Em nota oficial, a TV Ponta Verde afirma que Junior ficará afastado do Plantão Alagoas durante 15 dias, para se recuperar.



quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Satanista cai no golpe do falso bruxo no interior de SP

É... não tá fácil pra ninguém!

A notícia pra lá de esquisitona é do Diário de Marília:

Satanista perde R$ 3 mil para falso bruxo e procura a Polícia Civil em Marília

Falso delegado da ordem dos bruxos teria prometido entregar seu filho em sacrifício satânico

Um balconista de Garça (35 km de Marília), integrante de uma seita satânica, procurou a Polícia Civil na manhã desta terça-feira, dia 6, relatando ter sido vítima de um golpe, perdendo R$ 3 mil em dinheiro, por um falso bruxo, que o teria convidado para participar da sociedade fraternal da qual supostamente fazia parte em Marília. O estelionatário teria mostrado um túmulo violado no cemitério da Saudade para a vítima e prometido entregar seu filho para sacrifício quando ele completasse sete anos.

O balconista de 50 anos procurou a Polícia Civil de Marília, revelando ter sido enganado por um estelionatário. Ele contou que fazia parte de uma seita satânica, conhecendo o criminoso na internet, que teria se apresentado como sendo delegado de uma suposta ordem de bruxos e presidente de uma irmandade. O desconhecido começou a pressioná-lo para entrar em sua sociedade fraternal, dizendo que procuraria a Polícia Federal para denunciá-lo como farsante.

A vítima entrou em contato pessoal com o suposto delegado da ordem de bruxos em sua residência, no Jardim América, pedindo para conhecer o templo, mas o estelionatário disse que o prédio havia sido destruído por evangélicos. O balconista passou então a pagar uma mensalidade para manutenção de um site, além de uma taxa de adesão, chegando ao valor total de R$ 3 mil em dinheiro.

O satanista também contou que o falso bruxo o levou até o cemitério da Saudade, onde teria mostrado um túmulo violado. Ele afirmou ter condições de levar os policiais até o local, para confirmar a veracidade das informações. Também contou que o estelionatário prometeu dar o seu filho em sacrifício para ritual satânico quando o garoto completasse sete anos de idade.

O crime apenas foi percebido quando o satanista pediu ao falso bruxo o número de registro de sua ordem, não obtendo êxito em sua solicitação. O balconista então decidiu procurar a Polícia Civil de Marília para denunciar o falso delegado da ordem de bruxos. O caso foi registrado como estelionato no Plantão da Central de Polícia Judiciária (CPJ) e será investigado.



terça-feira, 26 de julho de 2016

Os videntes de São Paulo

Artigo publicado no Estadão de 17/07/16:

Dos postes às mesas dos videntes de São Paulo

'Trabalhos' de descarrego incluem até lençol de 400 fios e podem ser pagos no cartão

Mônica Manir

Dei por mim na calçada, ao pé da porta. Um cartaz amarelo alardeava o que imaginei escondido: Consulta Búzios Tarô. Acima da mesma porta, mais um cartaz: Tarô Vidência. Nos dois, o mesmo número de telefone fixo. Subi os primeiros degraus. Um portão alto, duplamente gradeado, me interrompia o caminho. Toquei a campainha. Veio uma mulher; era a senhora da limpeza, de pés descalços e um cheiro de alvejante que exalava da alma. Eu disse que tinha uma consulta marcada, ela me fez entrar. Subi mais alguns degraus, atravessei uma cerquinha de madeira e por ali fiquei, esquecida numa sala mal alumiada, pesadamente acortinada e com dois sofás gris, sobre um dos quais acomodei minha curiosidade. Acima, um lustre equilibrava folhas de vidro. Abaixo, um tapete grisalho cobria um quadrado do chão de tacos, alguns soltos. “Velhos trastes, paredes sombrias, um ar de pobreza, que antes aumentava do que destruía o prestígio”, diria Machado de Assis em A Cartomante, conto que inspirou este primeiro parágrafo.

Contrariando Machado, o cenário desse sobrado na Vila Mariana não era de pobreza, mas de classe média, como de resto a maioria dos cenários que encontrei nas consultas a videntes que colocam anúncios nos postes de São Paulo oferecendo amarrações e desamarrações de amor. Tevês me apareceram ligadas no Datena ou em desenhos animados, doces crianças em fralda circularam pela sala tomando doces refrigerantes, e cães e gatos, tão doces quanto, se enroscaram nos meus cadarços enquanto os donos ajeitavam consultórios improvisados.

No sobrado em questão da Vila Mariana, também compunham o lugar dez pacotes de panfletos, um deles aberto, do qual certamente saiu o papel que eu tinha em mãos. Ele me fora dado 5 minutos antes, na saída do Metrô Ana Rosa, por um moço magro. Nele lia-se que a sensitiva Beatriz, com mais de 28 anos de experiência no mesmo endereço, solucionava união de casais, afastamentos de rivais, impotência ou frieza, inveja, vícios, depressão, financeiro. O telefone era outro, mas o tal endereço era o mesmo que vi num cartaz dias antes, e que me trouxeram até ali para a consulta daquela manhã.

Quase meia hora depois, a sensitiva Beatriz me fez sentar diante de uma mesa, ela do lado oposto. Entre nós, um pano bordô com búzios, um crucifixo e uma plaqueta com bandeiras de cartão de crédito. Vestia jeans e camiseta preta um tanto curta, que insistentemente puxava para baixo. Perguntou o que eu preferia, búzios ou tarô. Pedi o segundo. Então Beatriz, arriscados 39 anos, pegou as cartas do tarô de Marselha e, enquanto as embaralhava, olhava para mim, mas por baixo dos olhos. Perguntou meu nome inteiro, que dei, a data de nascimento, que dei, e a profissão, que dei como estudante de bioética, o que também sou.

A seu pedido, dividi as cartas em três. Ela juntou tudo novamente e descortinou a Morte. Sorte que depois veio a Roda da Fortuna, disse ela, sinal de que viverei muito. E assim foi arcano atrás de arcano, a Temperança, a Estrela, o Mago ou Charlatão, com pinceladas sobre saúde, família, carreira, finanças – até o enrosco. “Você tem um ex?” Quem não os tem?, pensei. “Pois uma pessoa na sua vida nunca te esqueceu”, vaticinou, “e vocês nem sabem direito por que se separaram”. Beatriz, no entanto, sabia: alguém colocara nosso nome, o meu e o dele, na boca de um defunto. Para me acertar com alguém, apenas após um trabalho liberar o caminho. Um trabalho que pedia 91 materiais, velas dessa altura, cristais africanos. A coisa aconteceria num terreiro na Praia Grande. Levaria um tempo, teria de voltar outras vezes, mas a garantia era total. Olhei para as bandeiras de cartão de crédito.

“Pedido de despacho não tem nada a ver com a tradição do tarô”, ressalva a socióloga Priscila Kuperman, autora do livro Tarot – Uma Linguagem Feiticeira (Editora Mauad). “O tarô atrai porque tem uma aura mágica na medida em que atua no acaso, é razão de estudo e ajuda, as consultas são cobradas num preço previamente combinado, mas nunca passou como algo relacionado a produtos extras”, diz.

Diante da minha hesitação, Beatriz resgatou os 28 anos no mesmo endereço. “Quem não é honesto não fica tanto tempo no mesmo lugar.” Mas quanto, afinal, sairia a limpeza? Puxou a blusa pra baixo. São R$ 850, pagáveis no cartão, se eu quisesse. O ideal, aliás, era começar naquele momento, não havia tempo a perder. Declinei. Disse que precisava pensar, não estava preparada para dispor daquela quantia. Beatriz foi guardando as cartas com ar de muxoxo. Perguntei o valor da consulta. Ela repetiu o que dissera ao telefone: R$ 100. Questionei que no papelzinho estava escrito R$ 50. “R$ 50 são os búzios, e você escolheu o tarô.” Olhei para Antony, o gato que brincou com meus cadarços. Ele deu de ombros.

Para a parapsicóloga Márcia Cobêro, a mentalidade do automático, rápido e descartável contribui para a proliferação desse tipo de oferta. “Em vez de amadurecer, corrigir, fazer terapia, é mais encantador atribuir o problema a outra pessoa ou a uma energia negativa, que não implica esforço pessoal.” Diretora do Instituto Padre Quevedo de Parapsicologia, ao qual também acorrem aflitos, ela desmistifica que as mulheres sejam as maiores vítimas. “Elas fazem mais propaganda de terem ido; os homens são presas discretas.” Mas Márcia aposta num certo perfil machadiano. A mulher, diz ela, normalmente quer se vingar de um amor desfeito ou amarrar outro, enquanto o homem busca dinheiro e poder.

Jaleco. Pois lá estou em outro templo místico, este no Itaim-Bibi, com o tarô cigano aberto e a vida emperrada. É mais um sobrado, mas já na porta os trabalhos são divulgados como “honestos e infalíveis”. Eu havia chegado mais cedo, e Jussara, a vidente que me receberia, tinha saído. “Tudo bem”, disse Sílvia, em seus 65 anos, “sou mãe-de-santo também, é tudo igual”. Botou um jaleco branco, ajeitou-se na mesa lotada de imagens, afastou os búzios da frente e pediu que eu dividisse o baralho em cinco montes. Daí para chegar ao amor mal resolvido e à limpeza espiritual foi uma cartada.

Olhando para um calendário da Caixa, perguntou se eu tinha alguém para me ajudar no serviço. Diante da negativa, disse que poderia fazer um despacho indiano na linha da direita. “Não pode mexer com a da esquerda, de Exu-Pomba-Gira.” O material era completo, tudo “abaixo de encomenda, uma caixa grande que os orixá providencia”. Cada despacho sairia por R$ 550, multiplicados por quatro, porque cuidaria do amor, da saúde, do trabalho e da família. Anunciando pagamento após resultado, embolsou R$ 50 da consulta. Uma coisa é uma coisa, outra é bem outra.

Mais ou menos nessa linha trabalhou a sensitiva Alyne, perto do Metrô Santa Cruz. Não é que o tarô dos anjos mostrou que o negócio estava anuviado e eu precisava de mais uma assepsia? Senti que devia tomar as rédeas do meu destino e disse que compraria tudo. Ela anotou num papel: 21 velas brancas de 90 cm de altura por 40 cm de diâmetro, mais um lençol de 400 fios, que eu poderia achar na Zêlo, mais um champanhe. Lençol avulso de 400 fios, não achei. Só o jogo. O mais em conta saía por R$ 180. Já vela neste diâmetro, nem na fábrica: “Quem pediu essa vela sabe o que é centímetro?”, perguntou o atendente de uma delas. “Vai pesar uns 100 kg e, quando queimar, vai esparramar pra tudo que é lado. Confere lá com ela e me liga de volta. Sucesso!”

Por telefone, Alyne insistia nos 40 cm. Disse que tinha me mostrado a vela, e mostrou mesmo um exemplar na consulta, mas cujo diâmetro era bem menor. “Por favor, pega uma régua e meça aí, a vela não tem 40 cm”, insisti. “Não pode medir numa régua, né, tem de medir numa dimensão de redondo, não de quadrado”, disse, irritada. “Você tem CNPJ de taróloga?”, perguntou. Ouvindo o óbvio não, disse que poderia comprar com desconto numa fábrica de seu conhecimento. Em vez de R$ 65, cada uma sairia por R$ 32,50.

“A questão é que essas pessoas, em geral, são profissionais da área, hábeis em lançar problemas que todo mundo tem”, lembra Márcia Cobêro. “E, a partir do momento em que o vidente foi capaz de adivinhar o problema, que o próprio cliente entrega durante o consulta, o cliente vai julgá-lo apto a resolver.” Junte-se a isso a insegurança dos nossos dias, como o desemprego doméstico e um terrorismo assustador. “Especificamente no momento, gostaríamos que nos amarrassem a esperança, que periga se desprender de nossas assustadas perspectivas frente ao descalabro que vivemos no momento”, metaforiza o psicanalista Sérgio Telles.

Embora negue, pelos sete elementos, que a crise não bateu à porta, o fato é que há um mês Pai Leo de Ogum entregou seu escritório na Barão de Itapetininga e voltou à rua, onde montou um guarda-sol emoldurado de panos indianos. Seu negócio, há 28 anos, são búzios e tarô. Na frente da Praça da República, vira e mexe alguém se acocora para perguntar da consulta: R$ 25 o tarô e R$ 30 os búzios. No escritório, cobrava R$ 60. “Agora estou mais perto do povo, atendo garotas de programa, pobres, ricos, GCM, militar, artistas, gente de todas as gamas”, gaba-se.

Pai Leo de Ogum, originalmente Leo Teodoro, diz ser de Ilhéus, na Bahia, e não tem medo de mostrar a cara. De fato, não achei tantos cartazes mostrando o rosto de um sensitivo, muito menos o corpo, e muito menos o corpo sarado, como ele faz. “O ser humano, pela natureza, é curioso”, diz. “Em visão de espiritualidade, ele quer saber o que vai acontecer na vida dele no presente, no passado e no futuro.” Porque os oráculos vêm desde Jesus Cristo, continua Pai Leo, “quando não tinha praticamente televisão, rádio, carro, nada que se comunicasse, nem luz, praticamente”.

Na consulta aos búzios, ele não viu trabalho emperrando meu caminho. Mas sua comunicação com os orixás parecia desconectada. Pai Leo encontrou documentos pendentes em cartório (que não tenho), confere?, consulta “de mulher” por fazer (feita recentemente), confere?, e filhos (que nem tenho) indo mal na escola. Perguntei se ele tinha filhos. “Tenho um”, mostrou no celular. “Mas a mãe dele não tá mais comigo por preconceito.” Preconceito dela? “A sogra é evangélica, de família japonesa, e eu macumbeiro. Guenta ficar muito tempo?”

Estudioso da religião afro-brasileira, o professor titular sênior da USP, Reginaldo Prandi, diz que muita gente não vai a terreiro de jeito nenhum, por achar que “é coisa do diabo”, mas faz sua fé nos centros urbanos sem checar se esses “consultórios” são de fato pilotados por pais ou mães de santo, que em geral não misturam búzios com cartas. “É como médico, tem que pedir referência, perguntar como trabalha”, avisa.

Em cima dos cartazes do Pai de Ogum se metem os do Bruxo, que atua num prédio de advogados na Rua José Bonifácio. Ele tem seis baralhos e nove números de celular, para atender até via “whatzap”. O Bruxo é Divino Quintiliano, vulgo Phuazza Kwenn, seu nome quando participou de filmes de Zé do Caixão. É de Anicuns, em Goiás, já foi da Aeronáutica e mais não sei porque ele já abre o tarô Rider-Waite pra me escanear. Só registrei a vida longa. Foram amenidades, nenhuma desamarração à vista nem a prazo e a ênfase em que, se eu quisesse, teria poderes para também ler o tarô. Sua frase predileta é “tá tranquilo”. Mas a mais notória foi quando explicou por que existem tantos cartazes de videntes espalhados nas regiões ricas da cidade: “O grã-fino é mais na dele, mas vai aonde o pobre vai”, diz. “O confidente do rico, quer saber, é mesmo a empregada.”

No rigor da lei é estelionato. Ao pé do artigo 171 do Código Penal Brasileiro, cartomancia e afins podem ser entendidos como estelionato, e os infratores estão sujeitos à pena de reclusão de 1 a 5 anos. Afinal, é proibido “obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento”. Mas o advogado Tarcísio Germano de Lemos lembra que a Constituição garante liberdade de culto, e é nisso que muitos videntes se ancoram. O ataque à Cidade Limpa, porém, não tem fuga se houver o flagrante, pelo qual o infrator pode pagar R$ 10 mil. A Prefeitura afirma que, de janeiro a maio, recolheu mais de 185 mil itens, entre eles vários lambe-lambes de sensitivos.



segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Bruxinhos brasileiros terão sua própria Hogwarts


Não é piada nem mágica não, gente. Uma legião de crianças brasileiras aprenderá a ser um "bruxo coxinha" desde a mais tenra idade, segundo noticia o HuffPost Brasil:

Hogwarts brasileira existe e está com matrículas abertas para sua 1ª turma

Luiza Belloni

Qual amante da franquia Harry Potter nunca teve vontade de, ao menos por alguns instantes, estudar na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts? Foi com este sonho que Vanessa Candida dos Santos Godoy, de 26 anos, decidiu criar a própria escola de magia e assim nasceu a EMB -- Escola de Magia e Bruxaria do Brasil.

A escola ficará em um castelo na cidade de Campos de Jordão, no estado de São Paulo. Em outubro do ano passado, foi realizado um evento teste de apenas um dia que reuniu mais de 300 fãs da saga. Agora, Vanessa abriu inscrições para um curso de quatro dias, entre 24 e 27 de junho de 2016, em um castelo de verdade.

Como em Hogwarts, os alunos vão viver e ter aulas no castelo (um hotel com mais de 6 mil metros de área construída e a 1700 metros de altitude). Ao chegarem no castelo, os alunos serão divididos pelo "chapéu seletor" online entre a Casa das Águias, Casa dos Esquilos, Casa das Serpentes e Casa dos Tigres.

"Por quatro dias, uniformizados com as típicas capas da EMB, os alunos se matricularão e frequentarão as aulas que mais forem de seu interesse. Há temas apropriados para todos os tipos de bruxos!", diz o site.

Os alunos deverão escolher oito dos 10 cursos oferecidos pela escola: Poções e Elixires, Cuidado dos Animais Mágicos, Adivinhação, Astromagia, Cultura Trouxa, Herbologia, História Mágica, Defesa Antitrevas, Feitiçaria, Voo (sim, tem uma disciplina que ensina a habilidade de voar). Eles receberão todo o material escolar para as aulas, que vão durar em torno de 40 minutos cada.

As aulas incluem recitar feitiços, jogar Quadribola (adaptação do jogo Quadribol), cuidar de "animais mágicos" e vivenciar "a rotina de uma escola de magia em um castelo de verdade."

Em entrevista ao HuffPost Brasil, a idealizadora do projeto, Vanessa, explica que toda a programação é inspirada na história de J.K. Rowling, mas com um toque brasileiro. "Fizemos algumas adaptações para o público, como a cerveja amanteigada. Aqui ela é gelada e é menos doce que a tradicional [vendida nos estúdios da Warner, em Londres]", conta.

Outra novidade é a carteirinha de estudantes bruxos. "Já temos clube de vantagens e fechei parcerias com lojas que darão descontos aos alunos que apresentarem a carteirinha na hora da compra."

Ela explica que a ideia surgiu depois de perceber que todas as feiras sobre a saga eram iguais. "Decidi criar um mundo paralelo, onde os fãs poderiam ter uma imersão completa e real do mundo da magia. O conteúdo dado em sala de aula é totalmente lúdico e voltado ao universo de Harry Potter", acrescenta.

Vanessa disse que a escola não pretende ser apenas uma cópia de Hogwarts. "Lá, as pessoas encarnam mesmo os personagens, igual a um RPG [jogo em que consiste interpretar papéis em um determinado universo fictício]. O objetivo é criar a nossa própria fanfic [narrativa fictícia escrita e divulgada por fãs]."

Estudar na Hogwarts brasileira custa, ao todo, R$ 1.850. O valor inclui a programação completa (que pode ser conferida aqui) de 24 a 27 de junho, alimentação, Copo Mágico Refil (refrigerante e chá gelado à vontade), cobertura de seguro saúde no período, transporte e o Kit Aluno -- apostilas, capa do uniforme, mapa do castelo da escola, carteirinha de estudante bruxo, medalha do torneio Taças das Casas e o diploma de conclusão do curso.



terça-feira, 20 de outubro de 2015

Italiana executada por bruxaria será julgada 300 anos depois

A informação é d'O Globo:

Italiana decapitada por bruxaria será julgada 300 anos depois

Tribunal de Brentônico irá analisar o caso de Maria Toldini

O tribunal da cidade de Brentônico, na Itália, resolveu colocar em prática o ditado popular “a justiça tarda, mas não falha” e decidiu julgar o caso de uma mulher condenada à morte há 300 anos sob acusação de bruxaria. Segundo o ministro de cultura local, Quinto Canali — que liderou a iniciativa de reviver a história — , a análise tardia do caso de Maria Bertoletti Toldini, que foi decapitada aos 60 anos, é uma tentativa de retomar um período sombrio da história e retirar “seu romantismo folclórico”.

Maria foi presa em 1715 acusada de assassinar crianças, tornar a terra estéril e danificar um vinhedo local, além de blasfêmia e heresia. No entanto, um historiador afirma que a mulher pode ter sido alvo falsas acusações por parte de seus próprios familiares devido a uma disputa por herança. O julgamento será feito na corte, com juízes familiarizados com as leis da época.

“Se vemos em nossa história algo injusto contra a humanidade, temos que saber e dizer que essa história estava errada. É importante agora, assim como era há cem anos e como será daqui 100 anos. Houve um assassinato que não se justificava, que não deveria ter acontecido. Mataram uma pessoa com motivações que não existiam. Ela era inocente”, afirmou Canali, que teve a ideia de lutar por um novo julgamento após ver uma encenação cômica da morte de Maria na cidade.

“Quem teria a ideia de fazer um show folclórico de comédia em Auschwitz?”, questionou.

Na época de sua morte, Maria era viúva e havia se casado novamente. A mulher chegou a ser defendida no tribunal da época por um advogado que argumentou que os crimes dos quais sua cliente havia sido acusada tinham causas naturais. Mas a defesa não foi suficiente e Maria acabou decapitada e seu corpo foi queimado.

O prefeito da cidade, que é favorável ao julgamento tardio, afirmou que o custo da sessão será ínfimo e argumentou que, apesar das críticas por parte da população, é importante reavaliar o caso como uma maneira de corrigir injustiças históricas cometidas contra mulheres.

“Acho que existe um valor simbólico em fazer isso, também em relação às mulheres. Esta foi uma injustiça histórica contra as mulheres— também na tragédia grega vemos que elas sempre se deparam com injustiças, assim como hoje em dia, de diferentes maneiras”, afirmou Christian Perenzoni.

Cerca de 50 a 60 mil pessoas morreram na Europa acusadas de bruxaria entre os séculos XV e XVIII, a maioria delas mulheres.



segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Papa Francisco tem sua "bruxa má"

É o que conta matéria publicada na Folha de S. Paulo de 11/08/13. E pensar que, por uma brincadeira dessas (se verdadeira), o papa poderia ser queimado vivo nos tempos da Inquisição, hein...:

Amiga do papa foi apelidada de "bruxa má" após adivinhar que ele seria pontífice

DEPOIMENTO A
LÍGIA MESQUITA
DE BUENOS AIRES

A argentina Clelia Luro de Podestá, 87, foi casada com o ex-bispo da cidade de Avellaneda, Jerónimo Podestá. Em Buenos Aires, o casal conheceu Jorge Bergoglio. Quando Clelia ficou viúva, em 2000, Bergoglio lhe deu muito apoio e os dois se tornaram amigos. Em 2005 ela disse ao então cardeal que ele seria papa. Hoje, o pontífice a chama de "bruxa má" e liga a cada 15 dias para a amiga.

*

Em 1960 me separei do meu primeiro marido. Vivia em Salta, em um engenho de açúcar, onde ele trabalhava, e voltei para Buenos Aires com minhas cinco filhas e a sexta na barriga.

Para me sustentar, trabalhava numa companhia de poupança e empréstimo de casas e veículos.

Em 1966, um padre amigo de Salta, que era alcoólatra, me escreveu pedindo que eu achasse o bispo de Avellaneda para ajudá-lo.

Foi assim que conheci Jerónimo. Ele conseguiu trazer o padre para se tratar em Buenos Aires. Ficamos próximos e me tornei secretária privada dele.

Jerónimo fazia sermão com a "Populorum Progressio", a encíclica revolucionária de Paulo 6º (1897-1978), e estávamos aqui com a ditadura militar de Juan Carlos Onganía. Como Jerónimo tinha muita força, muito carisma, os militares não gostavam.

Eles pediram a Roma que o tirassem de Avellaneda, e o Vaticano pediu a Jerónimo que me mandasse embora.

Eu era uma mulher muito linda, agora não sou mais. Tinha 38 anos, era livre, já havia enfrentado a vida com o divórcio. Ele disse não à minha renúncia e o Vaticano o tirou de Avellaneda no fim de 1967.

Para nós, no começo era impossível ser um casal. Não pensávamos nisso. Mas, quando o Vaticano lhe deu uma punição e impediu que ele exercesse publicamente o ministério, decidimos nos casar.

Eu engravidei de um menino, mas recebi uma notícia ruim e tive um aborto aos 4 meses.

Em 1974 fomos para o exílio no Peru. Foi um período difícil. Jerónimo tinha uma herança do pai, o que nos ajudou no começo. E toda vez que eu vinha visitar minhas filhas em Buenos Aires trazia cerâmicas peruanas para vender e deixava dinheiro com elas.

Voltamos em 1980. Em 1984, fomos a Roma na primeira reunião da confederação internacional dos sacerdotes casados. Naquela época, de 400 mil padres, uns cem mil eram casados.

Quando retornamos, criamos a federação latino-americana. O que nós queremos é que Roma olhe pra gente. Não somos contra o celibato, mas queremos que seja facultativo.

Jerónimo era um homem lindo, de coração doce. Era profeta, patriota, lutava pelos direitos humanos. Era fora de série. Não há nenhum outro igual, acho que só Jesus. Se tivesse que viver tudo novamente, eu colocaria os pés nos mesmos lugares.

Os padres aqui não entendiam nada, não falavam com a gente. E ainda não entendem, porque julgam sem entender. O pior é que muitos deles têm mulheres escondidas.



MEU AMIGO FRANCISCO

Aí conhecemos [Jorge Mario] Bergoglio [que se tornaria papa Francisco]. Jerónimo me disse que queria conhecê-lo. Perguntei para quê, já que nenhum padre queria recebê-lo. Ele falou que Bergoglio era inteligente e saberia escutá-lo.

Os dois ficaram contentes de terem se conhecido. Quando Jerónimo estava no hospital, antes de morrer Bergoglio lhe deu a unção dos enfermos.

Para mim, Bergoglio foi um bom interlocutor quando eu estava mal com a ausência de Jerónimo. Ele me ligava todos os domingos, me dava forças. Foi meu amigo. Agora, ele me liga de Roma a cada 15 dias.

Eu dizia para Bergoglio que ele seria papa. E ele falava que não queria. Em 2005, quando ele foi ao conclave e voltou, eu disse: você escapou, mas na próxima não vai poder. E ele se tornou papa e me chama de "bruxa má".

Tenho certeza de que ele vai mudar muitas coisas, já está mudando. Está fazendo muita coisa em Roma, com sua postura de pobreza, com a questão do banco [do Vaticano], da Cúria romana.



quinta-feira, 13 de junho de 2013

Ser albino na África é como estar dentro de um filme de terror

Matéria apavorante publicada no Opera Mundi:

Violência e preconceito: a perseguição aos albinos na África do Sul

Em especial nas áreas rurais, famílias abandonam ou escondem crianças; fato também ocorre em outros países do continente

Sindiswa Ntshinga é empregada doméstica e mãe solteira. Moradora da favela de Gugulethu, na África do Sul, a africana de 36 anos cria quatro meninos, dois de pele escura como ela e dois de feições claras e com cabelos loiros. O nascimento do primeiro filho albino aconteceu no ano de 2004.

“Eu não sabia o que albinismo significava, mas lembro que fiquei assustada”, relembra. Com a ajuda de médicos locais, Sindiswa aprendeu tudo sobre a condição de natureza genética em que há um defeito na produção de melanina pelo organismo. Mas apesar de ter saciado o anseio pelo desconhecido e ter aprendido a atender as necessidades da criança, o medo ainda a persegue. “Eu posso lidar com os problemas de pele, de visão e até de preconceito, apesar de machucar. Mas me apavoro em pensar que meus filhos são alvos de caçadores”, lamenta.

Em muitos países africanos, pessoas com albinismo são vistas como seres mágicos que possuem poderes de cura, tornando-se, por isso, vítimas de “muti” (mutilamentos realizados para poções usadas em rituais de bruxaria). “Partes do corpo de albinos são comercializadas em um `mercado’ ilegal ao redor do continente para fins religiosos”, explica Nomasonto Mazibuko, presidente da ASSA (Associação de Albinos da África do Sul, na sigla em inglês).

Devido a esse fato, milhares de pessoas passaram a se esconder com medo de perder suas vidas para “caçadores”, que chegam a ganhar 75 mil dólares vendendo um “conjunto de membros”. As partes mais valorizadas (dedos, língua, braços, pernas e genitais) podem ser comercializadas por 3 mil dólares. Entre 2006 e 2012, 71 albinos foram sequestrados, mutilados ou assassinados ao redor da África-subsariana.

O último crime registrado no país sul-africano ocorreu em 2011, quando Sibisuso Nhatave desapareceu enquanto caminhava para a escola na província de KwaZulu-Natal. O menino albino de 14 anos nunca mais foi encontrado. Concluídas no ano passado, as investigações apontaram para sacrifício tribal.

A presidente da ASSA ressalta, porém, que a África do Sul não é a nação que mais sofre com o fenômeno de caça aos albinos. “A Tanzânia é a região com maiores índices de assassinatos para fins religiosos. Mas o crime acontece no continente inteiro”, explica, destacando que ainda não existe nenhuma legislação específica para combater esse tipo de crime. “Nós, como país e continente, precisamos de leis somente para punir essas atrocidades ”, completa.



Preconceito e abandono

Moradora de Gugulethu, a 15 km da capital Cidade do Cabo, Khutaza Ntshota Nono perdeu as contas de quantas vezes foi ofendida ou reverenciada na rua. “Muitos me xingam ou não param de me olhar, como se eu fosse uma aberração. Também há aqueles que encostam em mim e começam a rezar, acreditando que vou trazer sorte para suas vidas”, conta a estudante de 17 anos. O preconceito contra albinismo ainda é fortemente enraizado na sociedade sul-africana, onde muitos ainda enxergam a condição como algo “de outro mundo”.

Para Nomasonto, essa realidade só pode ser mudada com a ajuda do governo. “Precisamos de campanhas de conscientização que informem e eduquem as pessoas. Além disso, em nenhuma parte da nossa Constituição se fala sobre albinismo. A sociedade precisa entender que isso é uma questão genética e não algo divino ou demoníaco”, declara. Segundo ela, as regiões rurais são as mais afetadas pelo fenômeno.

O abandono de crianças com albinismo é outro grande problema do país, que registra mais de dez casos todos os anos. De acordo com o professor Trevor Jenkins, do Instituto Sul-Africano de Pesquisa Médica, um em 35 negros do país são portadores do gene que transmite de forma hereditária a condição. “Quando ambos os pais são portadores, a criança nasce com albinismo. Muitas famílias escondem seus filhos por vergonha”, explica.

Julia Skasi, de 43 anos, presenciou quando a vizinha jogou a filha recém-nascida na lata de um lixo nos arredores de Khayelitsha, segunda maior favela da África do Sul. “Saí correndo para ajudar e, quando cheguei lá, vi que o bebê era branco. Tentei conversar com a mãe, mas ela afirmou que não queria uma filha ‘com defeito’“, relembra.

Educação

Sensibilizada com a situação da criança, a dona de casa adotou a menina que hoje se encontra saudável e com quatro anos de idade. “Ela é ótima na escola, apesar de sofrer preconceito de muitos coleguinhas. Para ajudar eu conversei com os professores e expliquei sobre a saúde da minha filha. Aos poucos o assunto passou a ser introduzido na sala de aula”, conta.

Mesmo com todas as dificuldades de adaptação em ambiente de ensino, a africana de cultura xhosa comemora o fato de a filha frequentar uma instituição regular da região. “Foi difícil encontrar uma escola que a aceitasse, as pessoas não sabem como lidar com o albinismo”, diz. A presidente da ASSA confirma o fato explicando que grande parte dos albinos acaba estudando em escolas especiais para cegos. “Muitos albinos têm problema de visão, mas isso não significa que eles não enxergam”, diz.

É o caso de Khutaza, que está prestes a se formar no terceiro ano do Ensino Médio em uma instituição para cegos em Gugulethu. A adolescente de 17 anos explica que, apesar de ter dificuldades para enxergar à distância, ela não é portadora de cegueira. “Foi o único colégio que soube me ajudar e entender as minhas limitações”, fala.

Moses Simelane, do Departamento de Educação Básica da África do Sul, garante que o governo já esta tentando reverter essa realidade. “Começamos um treinamento nacional para profissionais da educação ao redor do país, que aborda a diversidade dentro da sala de aula, entre elas o albinismo”, afirma, explicando que o projeto teve início em dezembro de 2012. “Até o final do ano nós pretendemos atingir todas as províncias”, diz.

Nomasonto Mazibuko comemora a iniciativa e afirma que esta é uma das principais conquistas da ASSA este ano. “Estamos acompanhando todos os workshops com professores, oferecendo palestras e treinamento de graça”, diz. A presidente ainda destaca a luta da instituição para que o albinismo seja considerado um tipo de deficiência física junto à Constituição Nacional. “Desta forma uma pessoa albina passará a ganhar privilégios governamentais, principalmente na área da saúde, como protetor solar e consultas médicas providenciadas pelo estado”, conclui.

Opera Mundi publica textos do blog "Por dentro dos Brics", em que quatro jornalistas brasileiros escrevem diretamente de Rússia, Índia, China e África do Sul. Confira mais em www.osbrics.com e @osbrics no Twitter



terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Raio explode casa de feiticeiro do Zimbabwe

Não é mole não a vida de feiticeiro na África. É o que dá a entender a notícia abaixo - pra lá de esquisitona - do Estadão:

Cinco morrem em explosão na casa de curandeiro no Zimbábue

Cinco pessoas morreram e três ficaram feridas na explosão da casa de um tradicional curandeiro em Chitungwiza, no Zimbábue, nesta segunda-feira, disse a polícia.

Centenas de pessoas fugiram após a explosão, que também danificou várias casas no bairro, que está 20 quilômetros ao sul da capital Harare.

Autoridades disseram que ainda estavam analisando o local da explosão, mas confirmaram a jornalistas que não foi causada por uma bomba ou um botijão de gás defeituoso.

"É um mistério e algumas pessoas suspeitam que poderia ser um raio que matou tanto o curandeiro como um homem que estava se consultando com ele ou tentando se livrar de alguns maus encantos", disse um policial.

A maioria dos zimbabuanos pratica o cristianismo, mas muitos também acreditam em feitiçaria, apesar de uma lei que proíbe a prática.

(Reportagem de Nelson Banya)



quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Doméstica demitida por "bruxaria" deve ser indenizada

Esta é uma daquelas notícias estarrecedoras que mostram como o Brasil continua dividido, em grande parte, entre casa grande e senzala, inclusive no que diz respeito a crendices e superstições absurdas.

A informação foi divulgada no Última Instância:

Revertida justa causa de doméstica acusada de bruxaria

Uma empregada doméstica do Rio de Janeiro conseguiu reverter na Justiça do Trabalho sua dispensa por justa causa, aplicada sob a alegação de que ela teria praticado magia negra na residência do patrão.

A trabalhadora também vai receber uma indenização por dano moral no valor de 40 salários mínimos, já que o juiz considerou que ela foi ofendida em sua honra e crenças ao ser chamada de bruxa.

Na ação trabalhista, a empregada expôs que foi admitida em maio de 2011, permanecendo no emprego por seis meses, quando foi dispensada sem receber nada. Também afirmou que sofreu abalo psicológico e em sua auto-estima, ao ser associada à bruxaria.

Em seu depoimento pessoal, o réu afirmou que a empregada foi responsável por vários acontecimentos negativos ocorridos com seu filho, que adoeceu logo após a chegada da reclamante, chegando ao estado de inanição, além do fato de ser ela a autora de cinco grandes despachos de magia negra e vodu encontrados na casa da família.

Ao julgar o pedido, o juiz do Trabalho Leonardo da Silveira Pacheco, Titular da 76ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, considerou que o reclamado não conseguiu provar suas alegações, e que a presença, não comprovada, de “despachos” em diversos móveis e em diferentes cômodos da residência não permite concluir que a autoria dos mesmos é da reclamante.

Segundo observou o magistrado, o próprio reclamado admitiu a ocorrência de fatos parecidos praticados por outras pessoas que trabalharam anteriormente em sua residência, como roubo de roupas íntimas para serem levadas a cemitérios, o que demonstra fanatismo e intolerância religiosa por parte do réu.

“Tais atitudes negativas devem ser levadas ao Poder Judiciário para serem coibidas e desestimuladas por meio de sanções pecuniárias ou penais, numa forma de reduzir o fanatismo e a intolerância religiosas num país laico e que se preocupa com as liberdades individuais, afirmou o juiz, para quem a atitude do réu viola preceito constitucional de liberdade religiosa.

Além da indenização por dano moral, o empregador foi condenado a pagar as verbas rescisórias referentes a uma dispensa sem justa causa – férias proporcionais acrescidas de 1/3, gratificação natalina e aviso prévio. Nas decisões proferidas pela Justiça do Trabalho são admissíveis os recursos enumerados no art. 893 da CLT.

Número do processo: RO 0001462-23.2011.5.01.0076



segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Romênia oficializa profissão de bruxo(a)

Harry Potter que se cuide. Essa história de que religiões de qualquer tipo não pagam impostos está começando a ficar fora de moda, pelo menos na Romênia, segundo a notícia abaixo do Estadão. Não vai demorar muito pro rapa-bolsos chegar em Hogwarts. Se bem que podiam cobrar tributos altíssimos de muitos feiticeiros e numerólogos cóspel que estão arrecadando milhões de incautos evangélicos no Brasil, né não?


Bruxaria é considerada profissão legal na Romênia


A Romênia alterou suas leis trabalhistas para reconhecer oficialmente a bruxaria como profissão. A determinação, que passou a valer hoje, faz parte de um pacote de medidas para combater a evasão fiscal num país que enfrenta forte recessão. Além das bruxas, astrólogos, embalsamadores, camareiros e instrutores de direção são agora considerados profissionais, o que deve facilitar os trâmites para que essas pessoas paguem imposto de renda.

A medida, debatida durante meses, foi alvo de protesto das bruxas e da zombaria da mídia. Hoje, uma bruxa chamada Bratara disse ao Realitate.net, o site de uma das principais emissoras de televisão do país, que planeja fazer um feitiço com pimenta-do-reino e levedura para criar discórdia no governo. As informações são da Associated Press.


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