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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Reforma no Código Penal do Nepal quer impedir conversões religiosas

Cristãos nepaleses: duas palavras ameaçadas de não andarem mais juntas no Nepal.

Até rimou, mas a graça acaba aí onde começa a ameaça aos 20% dos 31 milhões de nepaleses que não professam o hinduísmo, segundo alerta a Rádio Vaticano:

Nepal: preocupação dos cristãos 
com lei que pune conversões

Katmandu (RV) – Uma modificação no Código Penal do Nepal que pune todas as conversões religiosas e as atividades de evangelização e proselitismo, trouxe grande preocupação à comunidade cristã local.

A lei, que entrará em vigor a partir de agosto de 2018, estabelece que qualquer pessoa que for “pega em flagrante” fazendo ações de proselitismo com o objetivo de converter uma pessoa “ou a minar a religião, a fé ou o credo de outra casta, grupo étnico ou comunidade”, poderá ser punido com até cinco anos de detenção.

Ademais, qualquer pessoa que ”ofender o sentimento religioso” (de um outro grupo confessional), poderá ser condenada a dois anos de prisão e ao pagamento de uma multa de 2 mil rúpias nepalesas (cerca de 16 euros).

A pena será aplicada quer aos cidadãos como aos estrangeiros, incluindo os missionários.

Diversos expoentes cristãos nepaleses expressaram à Agência Asianews o temor de que a nova normativa possa levar a uma reviravolta em relação à liberdade religiosa, que em teoria, é garantida pela Constituição laica e democrática aprovada em 2015.

Entre esses, está Dom Paul Simick, Vigário Apostólico do Nepal, para quem “existe a possibilidade de que seja limitado o direito dos sacerdotes de exercer o próprio credo e obrigações”.

Na tentativa de justificar a reforma, o Ministro da Justiça Agni Kharel, afirmou que “o controle se aplica também aos hinduístas e aos budistas e não somente aos cristãos”.

Também o Conselheiro do Primeiro Ministro, Dinesh Bhattarai, assegurou que a nova normativa “não quer atingir de maneira particular uma fé ou algum fiel”.

Opinião diferente tem o Presidente da Federação Cristã nepalesa, C. B. Gahatraj. Para ele o objetivo do novo Código Penal é “controlar a liberdade religiosa e de conversão. Condenamos este controle”, afirmou com veemência.

O líder cristão denuncia que “os partidos políticos estão tentando controlar o crescente interesse das pessoas em se converter ao cristianismo”, reiterando que “nós não obrigamos ninguém e ao mesmo tempo não pedimos que ninguém mude de religião”.

(JE/LZ)



segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Uma budista tenta acalmar Bolsonaro

A matéria foi publicada no Estadão de 20/11/16:

Media training ensina Bolsonaro a 'olhar para si'

Olga Curado agora dá aulas a deputado do PSC, políticos e empresários implicados na Lava Jato

Gilberto Amendola

Entre os políticos que já fora ajudados por Olga Curado estão nomes como o de Lula, Dilma e Aécio

Ensinar o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) a se ouvir, a compreender que tudo aquilo que ele diz pode ter consequências na vida de outras pessoas; ensiná-lo a olhar para dentro de si e a encontrar um ponto de equilíbrio – tudo isso, claro, usando técnicas do Aikidô, arte marcial que prega os princípios da não violência.

Parece uma missão impossível, mas esse já foi um dos trabalhos da especialista em media training, jornalista, poeta e budista Olga Curado. Sim, Bolsonaro foi um dos políticos nacionalmente conhecidos que, ao longo dos últimos 16 anos, procurou melhorar a própria comunicação tendo se socorrido dos serviços de Olga (o ex-presidente Lula, a ex-presidente Dilma Rousseff e o senador Aécio Neves também já foram ajudados por ela).

A ética profissional não permitiu que Olga contasse detalhes das sessões com o deputado linha dura. O que não impediu que a reportagem imaginasse o excelentíssimo se atirando e rolando no tapete macio do escritório da especialista – eventualmente utilizado para dinâmicas físicas. “É importante ensinar a cair para que a pessoa aprenda a se levantar. Proponho exercícios de equilíbrio físico. A pessoa tem que cair para perceber o seu ponto de equilíbrio. Cair no chão, rolar e perceber como é rígida. No filme O Discurso do Rei, o coach usa técnicas parecidas com essa para melhorar a comunicação do rei gago”, diz Olga.

A reportagem procurou Bolsonaro para que o próprio comentasse as aulas, mas o pedido parou na assessoria do deputado que, automaticamente e sem ouvi-lo, avisou que ele não falaria sobre o assunto.

Ainda sobre Bolsonaro, Olga comenta que ele é um personagem curioso – com crenças que ela não discute. “Ele tem o público dele. O importante é que políticos como Bolsonaro tenham a medida clara do que falam. Às vezes, políticos falam sem a noção das consequências. Falam e se surpreendem com o efeito nocivo do ódio. Se surpreendem com a interpretação que fazem do que eles dizem. É preciso cuidado com a força bruta da inconsciência”, diz.

‘Água no pescoço’. Sem revelar especificidades de seus clientes, Olga conta como muitos dos políticos chegam em seu escritório. “Normalmente me procuram quando a água já está batendo no pescoço”, fala. Não à toa, citados na Operação Lava Jato (políticos e empresários) estão entre os seus clientes mais recentes. “Claro, o meu trabalho acontece antes do caso chegar em Curitiba”, avisa. “Mas eu preparo, por exemplo, quem vai dar algum depoimento em CPI ou explicações públicas. Tento passar técnicas para que eles tenham autocontrole mesmo diante das perguntas mais duras. Até para dizer que não vai responder é preciso algum preparo”, lembra.

Mas existiria alguma dica básica que poderia ser aplicada para a maioria dos políticos em maus lençóis? “Não adianta querer ser simpático, seduzir os interlocutores ou fingir ser íntimo demais. Não precisa cometer suicido público, mas não se deve enrolar. Não ajudo políticos a se esconderem. Eles precisam assumir responsabilidades por aquilo que pensam ou querem. Não ensino a mentir. Não faço teatro”, afirma Olga.

Para ela, o que faz muitos homens públicos apresentarem problemas de comunicação é a falta de clareza em seus propósitos. “Quando pergunto por que determinado político quer ser prefeito ou governador, ele me diz que é pra ‘melhorar a vida das pessoas’. Ok, tudo bem. Isso é mais ou menos verdade porque muitos não têm uma agenda concreta. A qualidade da comunicação tem a ver com coerência. Não adianta exercício de retórica. Ou o político explica como ele pretende ajudar as pessoas ou o eleitor percebe. O eleitor tem uma sensação quando o que se diz é verdadeiro ou apenas um exercício artístico, uma elaboração artificial”, diz.

Segundo Olga, a nossa “cultura do líder” faz com que muitos tenham vergonha de dizer coisas como ‘não sei’. “O mais fácil é a gente ouvir: ‘isso eu não sei, mas na minha opinião...’ Essa é a síndrome da opinião sobre assuntos que as pessoas não sabem. Políticos sofrem disso e, por isso, sofrem com a exposição pública”, conta. “Tento confrontá-los para que não assumam os dois personagens mais manjados do comportamento político: o da vítima ou o do super-herói. Nenhum funciona. Quando se escondem atrás desses personagens, só falam para convertidos. Portanto, não ganham eleições majoritárias.”

Além das questões conceituais, a especialista trata de problemas bastante concretos, como o de ensinar como um político deve respirar, como olhar para as pessoas, segurar um olhar sem constrangimento, como não parecer arrogante, usar as mãos de uma maneira correta, manter a postura e ter a consciência do próprio corpo. “Muitos tomam um susto quando se olham. Dizem: ‘ eu não sabia que era assim. Trata-se de um processo de educação não verbal”, afirma.

Questionada sobre políticos que teriam o domínio da arte da comunicação, Olga cita dois que não foram seus alunos: “Tem um que é bastante óbvio: o Obama. Ele sabe criar um ambiente empático, sabe dar a atenção devida aos seus interlocutores, tem clareza e etc.”.

Cunha. O outro é um pouco mais surpreendente. “Eduardo Cunha. Ele não precisa de aula. Acho que já nasceu sabendo. Não é um julgamento de conteúdo, mas de forma. Ele tem a fala clara e sabe o que quer quando está se expressando. Na votação do impeachment, ele ouvia os maiores xingamentos contra ele e apenas repetia: ‘Excelência, por favor, o seu voto’”.



quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Turista holandês é preso por perturbar culto budista em Myanmar


Lembrando que Myanmar é o nome atual do país que antigamente se chamava Birmânia. A matéria foi publicada no Estadão:

Turista é preso em Myanmar por desligar som de cânticos budistas

Eu sempre comento que nós, brasileiros, ainda estamos engatinhando nessa história de viajar. Europeus e australianos viajam o mundo há muito tempo. Pra eles é super normal, por exemplo, tirar um ano sabático depois da escola e seguir viajando o mundo em qualquer idade. Mas me engano quando acho que o fato de terem o hábito de viajar mais, faz com que tenham maior noção de mundo e diferenças culturais.

Já falei aqui uma vez sobre as pessoas que deixam a educação em casa na hora de viajar. E a última notícia de turista sem-noção foi a de um holandês de 30 anos que ficará preso por três meses em Myanmar por desligar um amplificador de som que transmitia um hino budista. Ele se hospedava em um hostel em Mandalay no dia 23 de setembro quando um centro budista próximo começou a transmitir as citações religiosas. Muitas organizações budistas em Myanmar frequentemente usam amplificadores com o volume alto para transmitir sermões, performar rituais ou pedir doações. E, como relatou o jornal New York Times, Klaas Haijtema foi considerado culpado por perturbar um grupo envolvido em culto religioso.

Em depoimento ao tribunal, ele contou: “Eu estava muito cansado aquela noite e acordei com o barulho. Fiquei nervoso e achei que as crianças estavam tocando música. Falei pra elas abaixarem o volume antes de desligar o amplificador, mas elas não me entenderam. Por isso eu desliguei” – simples assim; como se o mundo girasse ao redor do turista e as crianças budistas não tivessem percebido.

Viajar para outro país, principalmente para os do Oriente e se deparar com costumes diferentes do seu não é fácil para o ego. Dá uma vontade de criticar e avisá-los de que estão “fazendo tudo errado”… Para segurar a onda, desenvolvi uma técnica muito simples: lembrar que sou uma visita na casa de outra pessoa, portanto eu tenho mais é que baixar a bola. Funciona para pessoas com o mínimo de educação, com aquela ideia de “não faça na casa dos outros o que não gostaria que fizessem na sua casa”. E, para completar, se eu tenho dúvida de `como fazer´, eu observo ou pergunto; não saio fazendo de qualquer jeito.

A palavra que resume essas atitudes é respeito – o que mais se precisa numa viagem para outra cultura, mas o que é mais esquecido na hora de fazer a mala.



quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Papa divulga vídeo pedindo paz e diálogo entre religiões


O papa Francisco divulgou um vídeo de suas intenções de oração para o mês de janeiro de 2016, utilizando o canal oficial do Vaticano no youtube.

Juntamente com um rabino judeu, um imã muçulmano e uma monja budista, de procedência argentina como o papa, Francisco pede "que o diálogo sincero entre homens e mulheres de diferentes religiões produzam frutos de paz e justiça".

Veja como ficou:




quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

O Natal na visão das outras religiões


A matéria foi publicada no portal EBC em 19/12/12:

Quem não comemora o Natal?

Guilherme Strozi

Nem todas as pessoas comemoram o Natal no dia 25 de dezembro. Algumas culturas, nem sequer comemoram o Natal, como referência ao nascimento de Jesus Cristo (ou Jesus de Nazaré).

Natal é um feriado e festival religioso cristão originalmente destinado a celebrar o nascimento anual do Deus Sol no solstício de inverno e adaptado pela Igreja Católica, no terceiro século d.C., pelo imperador Constantino para comemorar o nascimento de Jesus de Nazaré.

Porém, nem todas as culturas absorveram a tradição de celebrar o dia 25 de dezembro, seja como uma homenagem ao nascimento de Jesus, ou, pela adoração da passagem do sol ao redor da Terra.

O Portal EBC separou algumas culturas que não comemoram o Natal como uma data primordial em seu calendário:

Islamismo

Ao contrário das religiões cristãs - para as quais Jesus é o Messias, o enviado de Deus - o islamismo dá maior relevância aos ensinamentos de Mohamad, profeta posterior a Jesus (que teria vivido entre os anos 570 e 632 d.C.), pois este teria vindo ao mundo completar a mensagem de Jesus e dos demais profetas.

Em relação à celebração do Natal, os muçulmanos mantêm uma relação de respeito, apesar de a data não ser considerada sagrado para o seu credo.

Para os muçulmanos, existem apenas duas festas religiosas: o Eid El Fitr, que é a comemoração após o término do mês de jejum (Ramadan) e o Eid Al Adha, onde comemoram a obediência do Profeta Abraão a Deus.

Judaísmo

Os judeus não comemorem o Natal e o Ano Novo na mesma época que a grande maioria dos povos, mas para eles, o mês de dezembro também é de festa. Apesar de acreditarem que Jesus existiu, os judeus não mantêm uma relação de divindade com ele.

Na noite do mesmo dia 24 de dezembro os judeus comemoram o Hanukah, que do hebraico significa festa das luzes. Esta data marca a vitória do povo judeus sobre os gregos conquistada, há dois mil anos, em uma batalha pela liberdade de poder seguir sua religião.

Apesar de não ser tão famosa no Brasil, a festa de Hanukah, que, tradicionalmente, dura 8 dias, em outros países é tão "pop" como o Natal. Em Nova Iorque, por exemplo, as lojas que vendem enfeites de Natal também vendem o menorah (candelabro de 8 velas considerado o símbolo da festividade judaica). "Para cada um dos 8 dias acendemos uma vela até que o candelabro todo esteja aceso no último dia de festa", explica o rabino.

O peru e bacalhau típicos do Natal católico são substituídos por panquecas de batata e bolinhos fritos em azeite. E em vez de desembrulharem presentes à meia-noite, as crianças recebem habitualmente dinheiro.

Budismo

Não há envolvimento do budista com a característica particular da comemoração do Natal do mundo ocidental, ou seja, da comemoração do nascimento de Jesus Cristo. Mas, os budistas admiraram as qualidades daqueles que lutam pela humanidade e, por isso, respeitam a tradição já estabelecida, respeitando a figura de Jesus Cristo, que para eles é considerado um “Bodhisattva” – um santo ou aquele que ama a humanidade a ponto de se sacrificar por ela. Para os budistas ocidentais, o dia 25 de Dezembro tem um cunho não cristão, mas sim, espiritual.

Protestantismo

Embora seja uma religião cristã, é subdividida em diversas “visões” da Bíblia. Algumas comemoram o Natal como os católicos, outros buscam na Bíblia e no histórico religioso, cuja data de nascimento de Cristo é discutida, um fundamento para não comemorar a data tal como é comemorada no catolicismo. É o caso das testemunhas de Jeová, por exemplo. Já a Assembleia de Deus e a Presbiteriana comemoram o Natal com o simbolismo da presença de Cristo entre os homens, onde a finalidade é levar a uma instância reflexiva a respeito de Cristo. Festejar condignamente o Natal é uma bênção e inspiração para todos quantos nasceram do Espírito ao tornarem-se filhos de Deus pela fé em Cristo, para os evangélicos.

Afro-Brasileiras (Candomblé e Umbanda)

Yemanjá, Yansã e Oxum são entidades comemoradas ao longo do ano nas religiões afro-brasileiras, que têm no mês de dezembro um simbolismo todo especial. Mas para os umbandistas a comemoração do natal cristão é algo mais natural, porque a maioria dos seus seguidores e médiuns praticantes veio da religião cristã. A umbanda encontrou um lugar para Cristo no rol de suas divindades – ele é associado a Oxalá, considerado o maior Orixá de todos. No dia 25 de dezembro, os umbandistas agradecem à entidade que, segundo a sua crença, comanda todas as forças da natureza.

Alguns terreiros de Candomblé também oferecem algum ritual especial à data, mas a prática não configura uma passagem obrigatória em todos os centros.

Hinduísmo

As mais importantes celebrações do hinduísmo são ocorridas na Índia, por meio da Durga Puja, o Dasara, o Ganesh Puja, o Rama Navami, o Krishna Janmashtami, o Diwali, o Holi e o Baishakhi. O Durga Puja é a festa da energia divina. Já o festival de Ganesh é celebrado nos estados do sul da Índia, com danças alegres e cantos. O Diwali é o “festival das luzes” em que em cada casa, em cada templo são colocadas milhares e milhares de luzes, acesas toda a noite. O significado destas festas é adorar a Energia Divina.

Taoísmo

O taoísmo, religião majoritariamente vista na China, não tem qualquer celebração no Natal. No entanto, a religião tem inúmeras datas onde se comemora o nascimento de grandes mestres ou sua ascensão. O Ano Novo Chinês, assim como no budismo, é a data mais comemorada para os taoístas. Nesse dia se celebra o Senhor do Princípio Inicial.



sexta-feira, 11 de setembro de 2015

China quer decidir em quem o Dalai Lama vai reencarnar

Quem diria, até quem reencarna em quem, se reencarna, os políticos querem decidir. A matéria é da Galileu:

Governo chinês quer escolher em qual corpo o Dalai Lama vai reencarnar

Chineses afirmam que a santidade não pode se recusar a dar continuidade à tradição

No último domingo (6/9), durante conferência sobre o aniversário de 50 anos da Região Autônoma do Tibete, um oficial do governo chinês afirmou que este tem o direito de escolher a próxima encarnação de Dalai Lama. O representante disse ainda que se não fosse pela intervenção de Pequim, os tibetanos teriam permanecido na era medieval, com práticas ultrapassadas e escravidão.

China/Tibete Em 1950, tropas chinesas invadiram o Tibete e passaram a controlar a região. Após tentativas frustradas de fazer um acordo de paz com autoridades da China como Mao Zedong e Deng Xiaoping, o Dalai Lama se exilou em Dharamsala, na Índia, onde vive até hoje e controla a Administração Central Tibetana. Logo, em 1965, o Tibete entrou para a lista de regiões autônomas da China. As relações políticas, portanto, são delicadas.

A afirmação do oficial chinês faz parecer que a intenção do governo é transformar uma entidade espiritual em ferramenta política. Acontece que, para os tibetanos budistas, os Dalai Lamas são manifestações de Avalokiteshvara, o bodisatva da suprema compaixão dos Budas. Ou seja, eles seriam criaturas iluminadas escolhidas para reencarnarem e servirem a humanidade.

A linhagem conta com 14 Dalai Lamas, sendo Tezin Gyatso o atual “grande protetor”. O tibetano de 80 anos foi descoberto como encarnação da entidade aos 3 e, ao chegar aos 6, começou sua educação monástica. “Sempre me perguntam se eu realmente acredito na encarnação. Essa não é uma resposta fácil de dar. Mas dada a experiência que tive ao longo da vida, não tenho dificuldade em aceitar que sou espiritualmente conectado com os 13 Dalai Lamas que me precederam, com o Chenrezig e o próprio Buda”, afirma Gyatso.

Segundo a Administração Central Tibetana, quando completar 90 anos, o Dalai Lama consultará os Lamas superiores da tradição do budismo tibetano, o público da região e os seguidores da religião para avaliar se a instituição de Dalai Lama deve continuar a reencarnar ou não.

Em 2007, a Administração de Negócios Religiosos do Estado Chinês divulgou um regulamento definido pela China em relação à reencarnação. Por conta desse documento, os chineses acreditam que, independente do que Dalai Lama diga ou faça, a santidade não pode negar o direito do governo de escolher e confirmar uma nova encarnação.

Para o governo chinês, o Dalai Lama não pode se negar a reencarnar e deve respeitar a tradição. Já a santidade afirma que, caso a entidade escolha prosseguir, “seu reconhecimento e aceitação não devem ser dados a um candidato escolhido por conta de meios políticos, ainda mais se forem relacionados a República da China”.

*Com supervisão de André Jorge de Oliveira



quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Uma estátua de Buda com um monge mumificado dentro


A matéria é do Gizmodo Brasil:

Esta estátua de Buda tem uma múmia dentro dela

Cheryl Eddy

Esta não é uma estátua de Buda qualquer. Como a radiografia mostra claramente, há uma múmia dentro dela.

Radiografia e endoscopia foram feitas para examinar as cavidades torácicas e abdominais do paciente mais velho — como a estátua é conhecida — no Centro Médico Meander, na cidade de Amersfoort, na Holanda. A radiografia identificou a múmia como o corpo do mestre budista Liuquan.

A endoscopia revelou algo fantástico: pedaços de papel com caracteres chineses e outros materiais apodrecidos foram encontrados no lugar de órgãos. Testes de DNA foram feitos, mas o resultado só será revelado em uma publicação sobre a vida do Mestre Liuquan a ser publicada em breve.

O artefato é uma das obras de uma exposição de múmias que esteve no Museu Drents, em Assen. É a primeira vez que a “múmia de Buddha” é exposta fora da China; de acordo com o museu, a estátua contém os restos mortais do mestre budista que viveu “por volta do ano 1100” e é possivelmente um exemplo de auto mumificação, que, segundo a CNET, consistia em:

Uma dieta de mil dias consumindo água, sementes e nozes, seguida de outros mil dias consumindo raízes, cascas de pinheiro e um chá especial feito da seiva de uma árvore chinesa — uma substância tóxica, usada para repelir bactérias e larvas. Depois disso os monges eram então selados em uma tumba de pedra para aguardar a morte.

Agora a estátua está em Budapeste, no Museu Nacional de História Natural, onde ficará até maio de 2015.



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Budistas dizem que monge mumificado há 200 anos está vivo

A notícia esquisita vem d'O Globo:

Monge mumificado há 200 anos ‘não está morto’, defendem budistas


Segundo médico do Dalai Lama, corpo está em estado profundo de meditação

Um monge mumificado há 200 anos virou notícia em sites do mundo inteiro esta semana. Segundo budistas veteranos, ele está vivo e num estado profundo de meditação. O religioso foi encontrado no dia 27 de janeiro no distrito de Ulan Bator, na Mongólia.

Agora, exames forenses estão sendo realizados. Acredita-se que o frio da região tenha preservado o corpo, que foi encontrado em bom estado de conservação, enrolado em pele de animais. Alguns especialistas budistas afirmam que a múmia está, na verdade, em um estado espiritual raro conhecido como “tukdam”. E que ele não está morto.

— Eu tive o privilégio de cuidar de alguns monges que alcançaram o estado “tukdam“ — disse ao "Siberian Times" o médico Barry Kerzin, conhecido por cuidar do Dalai Lama. — Se a pessoa puder se manter neste estado por mais de três semanas — o que acontece raramente — seu corpo começa a encolher gradualmente e, no fim, tudo o que sobra da pessoa é seu cabelo, unha e roupas. Nestes casos, pessoas que vivem próximas ao monge veem um arco-íris que brilha no céu por dias consecutivos. É o estado mais próximo ao estado de Buda. Se o monge conseguir continuar neste estado meditativo, ele pode se tornar um Buda. Ao alcançar tal nível espiritual, o meditador também pode ajudar outros, e todos ao redor sentem uma alegria profunda.

A notícia foi originalmente publicada no “Siberian Times” e repercutida pela imprensa internacional, sem revisão por publicações científicas. De acordo com Ganhugiyn Purevbata, professor do Instituto de Arte Budista da Mongólia, o monge “está sentado na posição de lótus, com a mão esquerda aberta, e a direita simboliza a reza do Sutra”.

— Este é um sinal que o Lama não está morto, mas em meditação muito profunda, de acordo com tradições antigas dos Lamas budistas — disse Purevbata.

CASO DE POLÍCIA


Segundo informações da policia local, a múmia foi roubada de outra parte do país e estava prestes a ser vendida no mercado negro. O corpo do monge teria sido retirado de uma caverna na região de Kobdsk e armazenada em uma casa em Ulan Bator.

O contrabandista, identificado pela mídia local apenas como Enhtor, foi preso sob acusação de roubar itens de valor cultural e pode ser punido com multa de até US$ 43 mil e entre cinco e 12 anos de prisão. Agora, o monge está sendo guardado no Centro Nacional de Conhecimento Forense, na capital Ulan Bator.



domingo, 1 de fevereiro de 2015

Thomas Merton, 100 anos depois

trappist monk catholic
Dedicamos este fim-de-semana a Thomas Merton (1915-1968), pensador, poeta e escritor católico, cujo centenário foi comemorado ontem, 31 de janeiro de 2015.

Hoje reproduzimos o artigo de Christian Albini para o IHU:

Merton, o profeta da fé ardente encarnada na vida


Merton realizou uma jornada interior que o tornou nosso contemporâneo e companheiro nas múltiplas rotas da fé e da dúvida.

A reflexão é do teólogo leigo italiano Christian Albini, coordenador do Centro de Espiritualidade da diocese de Crema, na Itália, e sócio-fundador da Associação Viandanti. O artigo foi publicado na revista Jesus, de janeiro de 2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

"Os atos ordinários da vida cotidiana – comer, dormir, caminhar etc. – tornam-se atos filosóficos que abrangem os princípios últimos da vida na própria vida e não em abstração." É a descoberta da história humana de Thomas Merton, nascido no dia 31 de janeiro de 1915, em Prades (França), e falecido no dia 10 de dezembro de 1968, em Bangkok, que foi um "viandante de reinos" desconhecidos, nos quais se adentrou antes de outros.

Muitos o conhecem pelo livro A montanha dos sete patamares (1948), o relato autobiográfico da sua juventude e do seu ingresso na abadia trapista de Gethsemani (Louisville, Kentucky, EUA), que vendeu milhões de cópias e é um dos textos de espiritualidade mais conhecidos do século XX. O livro é literatura autêntica, cuja prosa foi comparada com o jazz de Charlie Parker, que expressa a labuta da consciência ocidental e o vórtice da vida urbana entre os dois conflitos mundiais. Como um rio na cheia, a escrita atravessou toda a sua existência, derramando-se em uma produção enorme de ensaios, poemas, meditações, diários, milhares de cartas que influenciaram gerações de leitores.

Merton, verdadeiro "homem ardente", tocou múltiplas dimensões da experiência humana; o centro da sua viagem, porém, sempre foi Cristo, do qual se esforçou para reconhecer os traços do rosto em tudo e em todos. "O coração do sábio vive em Cristo. 'Fora' de Cristo, ao contrário, tudo se torna um abismo, e não há nem mesmo uma corda bamba para atravessá-lo."

Em uma primeira fase da sua experiência cristã, Merton buscou Cristo rejeitando e contestando o mundo moderno pelo materialismo consumista e pela violência que o impregnavam e o levavam na direção da guerra. Nessa fuga na separação, o mosteiro era uma antecipação terrena da cidade celeste, lugar para se encontrar com Deus na anulação de si e para se confiar às prescrições rituais e litúrgicas da vida trapista. Uma atitude desse tipo também se beneficiava das suas vicissitudes pessoais, marcadas pela morte precoce dos pais, ambos pintores, que se encontraram no ambiente artístico de Paris.

A juventude de Merton foi nômade e substancialmente indiferente à religião, com deslocamentos entre França, Inglaterra, Estados Unidos e viagens à Itália e à Alemanha. Sensível e intelectualmente curioso, alimentou-se desordenadamente de pintura, música, política, arquitetura e, especialmente, de literatura, estudada antes em Cambridge e depois na Columbia University de Nova York, com uma voracidade que ia do predileto William Blake a James Joyce e sonhando em se tornar um escritor. Nas suas andanças, não faltaram episódios de transgressão, que lhe deixaram o peso do sentimento de culpa, e aventuras amorosas.

A leitura das obras filosóficas de Etienne Gilson sobre a Idade Média e dos escritos com os quais Jacques Maritain atualizava o tomismo ofereceram a Merton uma chave de leitura da realidade, dando início à sua aproximação ao catolicismo, até receber o batismo em 1938.

Na fé católica, Merton finalmente encontrou uma casa, experimentando uma forte atração pela oração e pela mística alimentada pela leitura de Teresa de Ávila, pelos Exercícios Espirituais de Inácio de Loyola e, em particular, pela via da infância espiritual de Teresa de Lisieux. A intensidade da sua experiência de fé o levou a enfrentar radicalmente, e não sem um certo tormento, a interrogação vocacional no equilíbrio entre o compromisso social em tempo integral em meio aos pobres do Harlem e a vida monástica.

"A fé é o abrir-se de um olho interior, o olho do coração que deve se encher com a luz divina. A fé não é um simples assentimento, é vida. Abrange todos os setores da vida." Entrando no Gethsemani no dia 10 de dezembro de 1941, Merton queria se fazer esquecer, encontrar paz no anonimato e no escondimento. A paixão pela escrita, porém, continuava a habitá-lo, e o abade o encorajou a cultivá-la, pondo-a a serviço da comunidade e da Ordem.

Assim, o sucesso o projetou em um palco planetário, tornando-se, a despeito dele mesmo, uma espécie de testemunha da vida religiosa. Ele sempre foi permeado por uma tensão entre a atividade de escrita, projetada para o mundo externo, e o desejo de aprofundar cada vez mais a experiência contemplativa, sem circunscrevê-la aos momentos rituais e às prescrições da regra, mas estendendo-a à totalidade da existência.

A esse propósito, textos conhecidos e significativos são Sementes de contemplação, de 1949, depois reescrito e que se tornou Novas sementes de contemplação (1961), e Nenhum homem é uma ilha (1955).

"Beleza da luz solar caindo sobre um grande vaso de cravos brancos e vermelho e folhas verdes sobre o altar da capela do noviciado. A luz e a escuridão. (…) Esta flor, esta luz, neste momento, este silêncio. Dominus est. Eternidade. Ele passa. Ele permanece."

Na observação da natureza e das pequenas coisas, Merton intuiu uma via espiritual de encontro com Deus, orientando-se para a direção eremítica que a Ordem trapista, na época, não previa. Ele captava a solidão como possibilidade daquela intensidade da qual sentia a falta, intuindo a necessidade de uma renovação da vida religiosa que a libertasse da rigidez, dos pesos e das estratificações.

"Em Louisville, na esquina entre a Fourth Avenue e Walnut, no centro do distrito de compras, de repente fui tomado pela percepção de que eu amava todas aquelas pessoas, que elas eram minhas e eu era elas, que não poderíamos ser alienados uns aos outros, mesmo que fôssemos totalmente estranhos."

Tendo ido à cidade para uma comissão trivial, no dia 19 de março de 1958, Merton viveu uma espécie de experiência mística que pôs fim ao seu chamado "sonho de separação". Era a percepção clara de uma comunhão interior com o próprio tempo e a humanidade, alcançada dentro da solidão monástica.

Não por acaso, ele se apaixonou pela teologia da Bonhoeffer e pelo seu cristianismo "não religioso" que busca a Deus no centro do mundo de hoje na sua secularidade. O episódio, recontado no Diário de uma testemunha culpada (1966), é um divisor de águas simbólico, marca a passagem para a segunda fase da sua experiência cristã.

O lugar autêntico da espiritualidade, para ele, não é mais um espaço sagrado, mas a vivência humana na sua totalidade, feita de corpo, de afetos, de risadas, de pequenos prazeres, de convivência cotidiana,de a participação nas vicissitudes da história... Como se, entre mundo e mosteiro, não houvesse um muro, mas um canal de comunicação.

Merton intensificou as trocas de cartas com pessoas comuns e com intelectuais como Boris Pasternak, Erich Fromm, Henry Miller, com personalidades eclesiais e religiosas (entre as quais Jean Leclerc, Abraham Heschel, Daisetz T. Suzuki), ultrapassando as fronteiras confessionais do catolicismo e da própria religião cristã, com ativistas no campo social e político.

Ele se tornou o marginal que participava do debate público, a "testemunha culpada", que, assimilando a mensagem do Mahatma Gandhi, denunciava uma cultura de opressão e violência da qual se sentia cúmplice, expondo-se em primeira pessoa pelos direitos civis dos afro-americanos, contra a guerra que brinca com a vida e com a morte (eram os anos do Vietnã) e pelo desarmamento nuclear.

São posições que lhe causaram contrastes e até mesmo censuras dentro da Ordem, tanto que o livro A paz na era pós-cristã permaneceu inédito até 2004. Apesar disso, ele recebeu atestados de estima de João XXIII, que recorreu a ele na redação da encíclica Pacem in terris, e de Paulo VI.

"A verdadeira comunicação no nível mais profundo é mais do que uma simples partilha de ideias, de conhecimentos conceituais ou de verdades formuladas. O tipo de comunicação que é necessário nesse nível profundo também deve ser 'comunhão' além dos limites das palavras."

Na dilatação dos horizontes de Merton, o encontro com outras tradições espirituais antecipou as aberturas do Vaticano II e assumiu cada vez mais espaço, levando-o a se interessar pelo budismo e pela meditação zen, pelo hinduísmo e pela prática do ioga, pelo sufismo e pelo taoísmo, e dando origem a livros como A via simples de Chuang Tzu (1965) e O zen e os pássaros do apetite (1968). Para ele, foram todas ocasiões para explorar aqueles sendeiros de interioridade que podem levar a purificar e enriquecer a espiritualidade cristã.

"Nossa verdadeira jornada é uma jornada interior: é uma questão de crescimento, de aprofundamento e um abandono cada vez maior à ação criadora do amor e da graça nos nossos corações." Merton escreveu isso aos amigos em 1968, às vésperas da partida para a Ásia, onde ele se encontrou também com o Dalai Lama, que ficou positivamente marcado pelas suas palestras.

Infelizmente, a descarga elétrica de um ventilador com defeito o matou, enquanto ele se encontrava na Tailândia para um congresso monástico. O seu Diário asiático foi publicado postumamente em 1972.

Na sua vida, Merton efetivamente realizou essa jornada interior que o tornou nosso contemporâneo e companheiro nas múltiplas rotas da fé e da dúvida. Gregório Magno conta que São Bento teve uma visão em que contemplou todo o mundo reunido "como em um único raio de sol". Thomas Merton continua iluminando ainda hoje, justamente como um raio de luz em que está contido um mundo inteiro.



sábado, 31 de janeiro de 2015

100 anos atrás nascia Thomas Merton

monk zen budism catholic
Thomas Merton, 1915-1968

Há exatos cem anos, no dia 31 de janeiro de 1915, nascia Thomas Merton, monge trapista americano que se notabilizou como pensador e escritor católico, com profundas ligações com a tradição zen budista.

Em homenagem ao seu centenário, reproduzimos o artigo abaixo, publicado no IHU:

Thomas Merton: 

sagrado e demasiado humano


"Na verdade, Merton não é um santo oficial, talvez porque ele mergulhou demais na política e nas religiões orientais, em particular o budismo, causando um desconforto entre alguns católicos conservadores", escreve Margery Eagan, em artigo publicado por Crux, 07-01-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Eis o artigo.

Bonito, robusto, cheio de virtude, sério, sexy e um pouco perigoso, “como um Spencer Tracy com uma tonsura e batina”. Eis como o cineasta Bem Eisner certa vez descreveu o famoso monge que cresceu órfão, sem nenhuma religião, com um filho fora do casamento e que viveu uma vida devassa, bêbado, mulherengo antes de se tornar um ativista da paz, contrário a guerras e a favor dos direitos civis: um eremita recolhido num monastério em Kentucky. Aos 51 anos, apaixonou-se por uma aluna de enfermagem que tinha a metade de sua idade cujas cartas ele queimou antes de sair em viagem para se encontrar com budistas na Tailândia, onde, dois anos mais tarde, um ventilador estragado o eletrocutou ao sair de uma banheira.

De alguma forma, este mesmo monge – tão claramente presente entre o sagrado e o demasiado humano – transformou-se num dos escritores católicos mais influentes do século XX.

Ele é, evidentemente, Thomas Merton. O seu 100º aniversário seria em 31 de janeiro. Esta data está sendo motivo para a realização de dezenas de seminários e congressos nos EUA e ao redor do mundo e renovou o interesse em seus mais de 70 livros, poemas e artigos sobre fé, silêncio, solitude, contemplação e justiça social. Estas obras incluem “A montanha dos sete patamares”, sua autobiografia surpreendentemente popular de 1948 que fez Merton se tornar um nome familiar e que inspirou inúmeros jovens de volta da guerra a se juntarem a mosteiros.

“Muitas pessoas resistem à ideia de que podemos mudar. Ele mudou ao longo de toda a sua vida. Ele me deu esperanças”, diz Daniel Horan, frade franciscano que recentemente escreveu um livro sobre a influência franciscana no pensamento de Merton, intitulado “The Franciscan Heart of Thomas Merton” [O coração franciscano de Thomas Merton]. “Ele não é alguém mantido artificialmente limpo. E não é um santo posto num pedestal.”

Na verdade, Merton não um santo oficial, talvez porque ele mergulhou demais na política e nas religiões orientais, em particular o budismo, causando um desconforto entre alguns católicos conservadores. Mas está entre aqueles gigantes espirituais que se tornaram mais palpáveis por causa de suas fraquezas, lutas, tentações e dúvidas.

Horan, com apenas 31 anos, é um dos muitos estudiosos que falam da relevância continuada de Merton enquanto o próprio Estados Unidos continua a luta contra a questão da raça, da desigualdade, do consumismo e para manter a fé.

Eis o que escreve Merton em sua obra “Pensamentos em solitude”:

“Senhor meu Deus, eu não tenho ideia para onde estou indo, / Não vejo o caminho adiante / E não tenho certeza onde irá me levar. / (...) Mas acredito que meu desejo de agradá-lo lhe deixa contente. / (...) Portanto sempre confiarei no Senhor / Embora eu possa parecer estar perdido e na escuridão da morte.”

No texto “Conjecturas de um espectador culpado”, Merton escreve sobre os perigos de trabalhar demais numa sociedade apressada:

“Permitir-se ler levado embora por uma multidão de preocupações conflitantes, render-se a demasiadas demandas, comprometer-se a demasiados projetos, querer ajudar a todos em tudo, é sucumbir à violência. O frenesi do nosso ativismo neutraliza o nosso trabalho pela paz. Ele destrói a nossa capacidade interior pela paz. Destrói a fecundidade do nosso próprio trabalho.”

A felicidade, diz ele, “não é uma questão de intensidade, mas de equilíbrio, ordem, ritmo e harmonia”.

Na verdade, Thomas Merton foi uma “máquina de citações”, da qual jorrava uma sabedoria concisa como se ele fosse autor daqueles calendários que contêm um pensamento do dia.

“O amor é deixar que aqueles que amamos sejam perfeitamente eles próprios e não os mudar para que se adaptem à nossa imagem.”

“O orgulho nos faz artificial e a humildade nos faz verdadeiros.”

“Não estamos em paz com nós mesmos nem com os outros porque não estamos em paz com Deus.”

Mas em “Novas sementes de contemplação”, em “Vida e santidade” e em seus muitos ensaios, Merton, convertido ao catolicismo, oferece insights para dentro de sua própria fé, vida de oração e sua crença na total subjugação à vontade de Deus:

“Estamos vivendo num mundo que é absolutamente transparente e em que o divino está brilhando através dele o tempo todo (...) Quer você entenda, quer não, Deus o ama, está presente em você, vive em você, habita em você, chama-o, serve a você e oferece-lhe uma compreensão e uma compaixão diferentes de tudo o que você jamais encontrou em algum livro ou ouviu em algum sermão.”

“Doar-nos a Deus é algo profundamente sério. Não é suficiente meditar sobre um caminho de perfeição que inclua sacrifício, oração e renúncia do mundo. Temos, na verdade, que jejuar, orar, negar a nós mesmos e nos tornar homens interiores caso quisermos ouvir a voz de Deus dentro de nós.”

“O amor busca não só servi-Lo mas a amá-Lo, comungar com Ele em oração, abandoar a si próprio a Ele em contemplação.”

“Orar é a forma mais importante para se buscar a Deus (...) persevere.”
“A fé é a entrega total a Cristo, que coloca toda a nossa esperança em Deus e espera toda força e santidade de seu amor misericordioso.”
“A fé é o dom de todo o nosso ser com a verdade, com a palavra. É o centro e o significado de toda a existência. A fé rejeita tudo o que não é Cristo, para que toda a vida, verdade, esperança seja encontrada nele. A fé apoia-se completamente n’Ele em perfeita confiança (...) deixando-O cuidar de nós sem saber como ele assim o fará.”

“O que é a perfeição final? Plena manifestação de Cristo em nossas vidas. A misericórdia de Deus em nós. Nossa vida mística destina-se aos outros também. Aqueles que recebem mais têm mais para dar. Sem amor e compaixão com os outros, o nosso próprio amor de Cristo é uma ficção. Amemos em ação.”

“Aqueles que alimentaram os famintos e deram abrigo ao estrangeiro e visitaram os doentes e prisioneiros – estão serão levados ao reino porque fizeram todas aquelas coisas para o próprio Cristo.”

Eis uma prova, embora minúscula, do que é a obra de Thomas Merton, 1915-1968.



sábado, 5 de julho de 2014

Quando um lama morre no Brasil e é cremado no Nepal


Artigo de Ricardo Anderáos para o Brasil Post:

Da morte à vida: cremação e reencarnação no Himalaia

Na décima terceira Lua após sua morte no Brasil, o lama tibetano Chagdud Rinpoche foi cremado no Nepal. Eu participei do retiro de Yoga da Morte durante o qual ele faleceu em Três Coroas, no Rio Grande do Sul. E não hesitei em cruzar o mundo para fazer parte da cerimônia de cremação que aconteceu ao ar livre, nas encostas do Himalaia. Lá, no altar do templo localizado defronte à pira funerária em forma de estupa, seu cadáver coberto com vestes rituais permanecia sentado em posição de meditação, exatamente como estava quando seu coração parou de bater.

Quando o Rinpoche morreu exatamente? E quem é o garoto que foi identificado alguns anos depois como sua reencarnação? As perguntas da nossa mente racional ficam em segundo plano face a tudo que vivenciei nesse processo. Continuo com minha estratégia de suspensão da descrença: o que acredito ou deixo de acreditar perde importância diante dos ganhos que a meditação me dá no meu relacionamento comigo mesmo e com todos ao meu redor. Numa palavra: Bodhichitta.

Ficamos hospedados em um monastério em Boudanath, nos arredores de Kathmandu, ao lado da gigantesca estupa que é um dos templos budistas mais sagrados do mundo. À volta desse enorme monumento branco em forma de disco, do tamanho de um estádio, milhares de pessoas circulam, rezam e fazem prostrações incessantemente. Nos seis dias seguintes nossa rotina se repete: liderados pela lama Tsering Everest acordamos antes do amanhecer, viajamos duas horas de ônibus numa estradinha assustadora que serpenteia até o alto das montanhas, chegamos ao templo e praticamos meditação durante todo o dia aos pés do kudun do Rinpoche. No fim do dia voltamos a Boudanath, circumbulamos a grande estupa algumas vezes recitando mantras, jantamos e despencamos na cama.

Meditar é uma tarefa às vezes fácil, às vezes dificílima. Mas nunca antes nem depois daqueles dias consegui tamanha clareza e profundidade em minha prática. Não sou uma pessoa dada ao misticismo, e resisto a aceitar explicações mágicas para as coisas. Mas sou obrigado a confessar que meditar perto do corpo do Rinpoche, tanto dentro quanto fora daquele templo, com temperaturas próximas de zero, foi uma experiência transcendental. Ainda hoje, passados mais de dez anos, me alimento das lembranças e insights daqueles dias quando enfrento dificuldade para relaxar a mente e meditar. Depois de seis dias de purificação e meditação, chegou o grande momento para cerca de 300 pessoas que saíram de várias partes do mundo para participar da cremação. Alguns vieram do Tibete, cruzando os Himalaias, enfrentando a neve e fugindo da polícia de fronteira chinesa para estar ali. Muitos vieram da Índia, do Butão e de várias partes do Nepal. Outros tantos eram alunos dos EUA e do Brasil, países onde o incansável Chagdud Rinpoche havia construído redes com dezenas de templos e centros de prática.

Quatro lamas ficaram ao redor da estupa crematória, marcando os quatro pontos cardeais. Ao lado de cada um deles, monjes e praticantes avançados empunhavam instrumentos musicais, sinos, vajras e outros objetos de prática. Os praticantes mais juniores, como era o meu caso, completavam o círculo. A estupa foi totalmente recheada com flores, ervas aromáticas e madeira. Na base, uma grande mandala pintada em pergaminho também demarcava os pontos cardeais.

O corpo do Rinpoche foi finalmente retirado do altar, colocado em uma liteira e levado em procissão ao redor da estupa. Por fim, foi depositado dentro da pira funerária, acima das ervas e da madeira. Todos sentamos e meditamos longamente, até que os quatro lamas começaram a conduzir a elaborada cerimônia. Depois de muitos mantras e cânticos, cada um enviou seu emissário com o fogo que foi colocado na base da estupa. Em pouco tempo as labaredas começaram a crepitar. Uma densa fumaça tomou conta do ambiente e subir ao céu, obscurecendo a luz do Sol.

O aroma que nos envolveu é inesquecível. Nunca me senti tão só e simultaneamente tão integrado ao universo. Os insights se sucediam de maneira ao mesmo tempo vigorosa e calma. Era claro que eu estava vivendo um dos momentos-chave de minha vida. O nascimento de meus filhos, a morte de meu pai e algumas imagens que povoam minha mente desde a mais tenra infância passavam diante de meus olhos. Nunca tão aqui, nunca tão agora...

Não tenho mais palavras. Deixo as imagens mais abaixo falarem por si:


Cerca de 4 anos depois daquele inesquecível 8 de dezembro de 2003, soubemos que o yangsi de Chagdud Rinpoche - sua reencarnação em uma criança - foi identificada no Tibete. Os quatro lamas que conduziram sua cremação haviam, finalmente, concluído a última etapa do misterioso ritual. Ganhamos uma foto do menino, mas nenhuma outra informação foi fornecida, como forma de proteção da criança. Em 3 de agosto desse mesmo ano, o decreto número 5 do Escritório Governamental para Assuntos Religiosos do Governo da China no Tibete tornou obrigatório o cadastramento junto ao governo de todas as crianças reconhecidas como reencarnações de lamas tibetanos, sob pena de acusação de fraude e prisão.



domingo, 15 de junho de 2014

Líderes religiosos mundiais pedem paz na Copa


Informação divulgada pela Agência Brasil no dia 12/06/14:

Líderes religiosos enviam cartas de saudação e incentivo à Copa no Brasil

Danilo Macedo e Yara Aquino

A Presidência da República divulgou hoje (12), dia da abertura da Copa do Mundo de 2014, com a estreia do Brasil no evento, cartas de saudação recebidas de representantes de diversas religiões espalhadas pelo mundo, posicionando-se contra o racismo e a favor da paz num momento de confraternização entre nações. As mensagens foram divulgadas a pedido da presidenta Dilma Rousseff.

Em carta enviada de sua sede em Nova York, a Aliança Evangélica Mundial ressalta que o Mundial “é uma oportunidade para que os povos de todo o mundo se encontrem, reconhecendo suas diferenças, e, ao mesmo tempo, celebrando a multiplicidade da criação de Deus”. Na mensagem, a Aliança Evangélica deseja que a Copa “seja marcada pela alegria, pela paz e pela boa vontade”.

De Israel, a Casa Universal de Justiça mandou mensagem na qual diz que “poucos eventos abraçam um espectro tão amplo da humanidade, incluindo povos de várias etnias, religiões e culturas”. Segundo seu representante, está claro que o esporte é fortalecido pela diversidade dos participantes. "Alegrar-nos com esse fato é rejeitar o preconceito em todas as suas formas”, ressalta o texto.

“O esporte em equipe tem o poder de inculcar os valores humanos da cooperação e da responsabilidade e de nos fazer aceitar êxitos e fracassos com dignidade. Acima de tudo, oferece a oportunidade de promover a boa vontade entre as nações”, destacam, também de Israel, os rabinos.

O candomblé pediu que todos os irmãos e irmãs “roguem às suas divindades para que abençoem plenamente este momento de encontro entre as nações”.

O principal bispo da Igreja Ortodoxa, patriarca ecumênico Bartolomeu, por sua vez, lembra que “o esporte e a competição modernos têm a capacidade de se sobrepor à discriminação racial e cultural, bem como a diferenças econômicas e políticas, ao mesmo tempo em que contribuem para a estabilidade social e a paz global”.

O Conselho Mundial de Igrejas, com sede em Genebra, na Suíça, destaca o fato de todos saberem como o povo brasileiro ama o futebol. "Esperamos que este amor se manifeste em vários aspectos que envolvem este evento global e que, ao seu final, a Copa do Mundo também seja lembrada como um momento histórico na busca dos povos por justiça e paz.”

A mensagem do movimento budista Soka Gakkai Internacional enfatiza que, no Brasil, pessoas de diferentes culturas e crenças vivem em sintonia e que “sua democracia étnica, aliada à cultura do futebol, forma uma poderosa e infalível força para criação de uma cultura de paz”.

A autoridade religiosa do Egito, xeque de Al Azhar, Ahmed Al Tayeb, deseja que todos “façam deste evento esportivo internacional uma oportunidade para promover o espírito de paz e de igualdade entre as pessoas e para transmitir sentimentos de amor e irmandade e para eliminar a injustiça”.

Ontem (11), o papa Francisco gravou um recado para os torcedores brasileiros e estrangeiros que acompanharão a Copa do Mundo. Em mensagem de vídeo, o chefe da Igreja Católica diz que está esperançoso de que, além da festa do esporte, o Mundial se torne a “festa da solidariedade” entre os povos. Para Francisco, o futebol pode e deve ser uma escola para a construção de uma “cultura do encontro”, que permita a paz e a harmonia entre os povos.



sexta-feira, 7 de março de 2014

Jejum como prática religiosa e hábito saudável

Matéria publicada no IHU:

O guia de jejum dos monges


Jejuar não é uma questão de moda; é um costume que faz parte de quase todas as religiões, há milhares de anos. No entanto, na atualidade se trata menos de uma iluminação espiritual e mais de perder peso. 

A reportagem é de Tom de Castella, publicada pela BBC Mundo, 23-02-2014. A tradução é do Cepat.


Crescem as evidências apontando que dietas como as 5:2 – que restringem o consumo de calorias duas vezes por semana – podem ser uma forma sadia de eliminar alguns quilos.

Que conselho os monges e padres, que regularmente se privam de comida, podem oferecer?

O padre Alexander da Costa Fernandes, um monge católico da abadia Worth, na Inglaterra, tem uma experiência de 20 anos de jejuns.

Habitualmente, nas quartas e sextas-feiras só toma água e uma xícara de café.

Inicialmente, foi difícil e tinha dores de cabeça. Demorou nove meses para que pudesse jejuar seriamente.

Ele garante que o segredo está em se acostumar gradualmente com a ideia de jejuar. O corpo “anseia o que espera”.

Aconselha a começar deixando de tomar o café da manhã ou o biscoito do meio da manhã. Assim, dominando-se isso, desiste-se de outra coisa. Uma dieta de pão e água é, segundo ele, um enfoque sensato.

Tomar muito líquido é crucial, e o padre Alexander assinala que ajuda a criar a ilusão de um estômago cheio.

Diferentes enfoques

Os significados do jejum variam de pessoa para pessoa.

Um jejum absoluto, praticado por judeus durante 24 horas em Yom Kippur e Tisha B’Av, proíbe tanto a comida como a bebida.

E durante o Ramadã, o nono mês do calendário islâmico, os muçulmanos se abstém de sólidos e líquidos durante as horas do dia.

O jejum também é importante para os hindus, e alguns monges budistas e monjas renunciam as comidas da tarde.

No mundo laico, a dieta 5:2 define o jejum como um consumo de 500 calorias para as mulheres e 600 para os homens, durante dois dias não consecutivos da semana.

Essa forma de dieta não é própria para todo público, e não está isenta de críticas. A posição do sistema de saúde britânico é a de que é necessário realizar mais pesquisas sobre essas dietas intermitentes e aconselha que as pessoas consultem o médico antes de iniciar uma.

O jejum não é apenas fisicamente exigente. Também é psicologicamente duro, destaca o bispo anglicano de Manchester, o reverendo David Walker, que por um dia da semana, na última década, toma apenas café e água.

“À noite, antes de começar, você pensa: ‘como passarei o dia?’”, destaca o bispo Walker. Contudo, garante que nunca é tão difícil como se espera.

A chave é – aconselha – assegurar-se de se manter ocupado durante as horas das refeições. O corpo está condicionado a querer comida de acordo com uma rotina.

Para eliminar os pensamentos de fome da mente, o bispo sugere fazer algo que o mantenha absorto – como um programa favorito de televisão ou um quebra-cabeça – nas horas em que normalmente se estaria sentado na mesa para tomar o café da manhã, almoçar ou jantar.

Cinco dias

Segundo o padre Alexander, qualquer pessoa sadia e em forma é capaz de encarar um jejum curto. O tempo mais longo que ele conseguiu se privar de alimentos foi de cinco dias. “Há muito confete a respeito da comida”.

O padre acrescenta que as pessoas são bombardeadas com mensagens sobre a necessidade de energia e vitaminas. “O que meus cinco dias de jejum me ensinaram é que temos tanta energia em nosso corpo, em forma de gordura, que somente começa a ser usada após alguns dias”.

Os picos de fome são inevitáveis, inclusive para os mais experimentados. Especialmente, quando há um pão retirado do forno ou um sanduíche com bacon rondando por perto.

Quando isso ocorre, o que se pode fazer?

Aprender a disciplina da mente, aconselha o padre Alexander. “Se no dia do jejum você pensa em uma torta de chocolate ou em ter camarões no jantar, então é totalmente inútil”.

O religioso sugere eliminar sutilmente esses pensamentos e se concentrar em algo que se deveria estar fazendo.

Fazer algo como “parte de uma comunidade”, torna o jejum menos pesado, disse, por sua parte, o bispo Walker. Sendo assim, recomenda fazê-lo com amigos ou colegas para não se sentir isolado quando as coisas se tornarem duras.

Todas essas técnicas são úteis. Contudo, para os religiosos ter fome faz parte do trabalho.

“Algumas vezes a sensação de fome ajuda do ponto de vista espiritual”, concede o bispo Walker. “Quando tenho uma pontada de fome, recordo-me que estou jejuando por um propósito religioso. Isso faz com que minha mente vá até Deus e se torne um momento de oração”.

Elevação espiritual

Todas as religiões importantes, como o Sikhismo, usam o jejum para enfocar a mente de uma forma parecida.

Na Bíblia, Jesus disse “Não só de pão vive o homem”. Seus quarenta dias no deserto foi a inspiração para a Quaresma.

Os cristãos usam o jejum para pensar nos pobres, aqueles que têm fome não por decisão própria, mas pelas circunstâncias. Também é visto como uma ajuda para a concentração que aproxima de Deus.

Confidencialmente, um dos benefícios é perder peso. O bispo de Manchester perde uns três quilos em cada quaresma.

Porém, há algumas diferenças de tom e doutrina entre católicos e anglicanos.

“Uma vida de autoindulgência conduz ao desastre”, destaca o padre Alexander.

Fala da “mortificação” da carne – o jejum como penitência –, mas os anglicanos evitam essa palavra. “É uma disciplina espiritual, mas alegre”, esclarece o bispo Walker.

Contudo, um leigo pode sentir elevação espiritual com a dieta? O bispo Walker pensa que sim. “Se está aberto ao fato de que este processo de jejum abrirá as portas para um encontro espiritual, pode ser”.

O bispo acrescenta que o deixar de comer algum dia é algo básico da natureza. Recorda-se de uma vez que visitou o zoológico e leu um cartaz que dizia “Aos leões não se alimenta nas sextas-feiras”. Argumenta que se os carnívoros não necessitam comer todos os dias, nós também não.

Interromper o jejum não é o fim do mundo, destaca o padre Alexander. Seu prato favorito é peixe com batatas fritas, o prato das sextas-feiras à noite no mosteiro.

“Alguns dias, digo: ‘Ok, sorrindo, não posso mais. Preciso de peixe com batatas fritas’. Acredito que nisso há um pouco de sabedoria. É minha decisão pessoal. Não acredito que o jejum seja uma questão de vontade própria, trata-se de crescimento e da Graça Divina”.

Dessa maneira, o padre enfatiza que o benefício do jejum, em certas ocasiões, pode ser compensado pela companhia em compartilhar uma boa comida. Especialmente, quando se trata de peixe com batatas fritas.



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