A história é antiga, a reportagem é de 2015, mas continua atual e divertida. Confira no vídeo abaixo:
Mostrando postagens com marcador católicos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador católicos. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 12 de janeiro de 2018
O cachorro que trocou o pastor evangélico pelo padre
Postado por
Hélio Pariz
às
11:19
Links para esta postagem
O cachorro que trocou o pastor evangélico pelo padre
2018-01-12T11:19:00-02:00
Hélio Pariz
cães|católicos|evangélicos|humor|pastor|
Comments
Marcadores:
cães,
católicos,
evangélicos,
humor,
pastor
quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
Fafá de Belém é madrinha de navio-hospital católico que atenderá ribeirinhos da Amazônia
A informação foi publicada no blog da Sonia Racy no Estadão em 23/12/17, e - cá entre nós - não deu o destaque devido à brilhante iniciativa do Ministério Público do Trabalho, citada en passant no final da matéria:
Fafá, a madrinha do barco-hospital da Amazônia
Sempre às voltas com a valorização da Amazônia, Fafá de Belém virou madrinha de um novo projeto: um hospital flutuante, pensado para atender à população ribeirinha do Estado do Pará. “Tem lugares lá aos quais só se chega de barco”, explicou a cantora belenense, que fez o show de lançamento do projeto no início do mês.
O barco-hospital se chamará “Papa Francisco”, terá 100 leitos, quatro centros cirúrgicos, laboratório e uma unidade de imagens preparada para enviar raios-x e ultrassons, por satélite, para outras instituições – como o Sírio-Libanês e o Albert Einstein, em SP.
A iniciativa é do frei Francisco Belotti, fundador da Associação e Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus, ao lado do empresário Henrique Prata, presidente do Hospital do Câncer de Barretos, do procurador Ronaldo José de Lima, do Ministério Público do Trabalho em Campinas, e da Emgepron, empresa de projetos da Marinha.
O atendimento será completado, em rios menores – que não comportam barcos com 48 metros de extensão –, por 12 “ambulanchas”. E o melhor: orçado em R$ 24,5 milhões, o projeto já tem quem pague a conta. Os recursos virão da indenização por dano moral coletivo firmada em 2013 entre as empresas Raízen e Basf e o MP do Trabalho. A previsão é que fique pronto até agosto do ano que vem. /PAULA REVERBEL
Postado por
Hélio Pariz
às
11:00
Links para esta postagem
Fafá de Belém é madrinha de navio-hospital católico que atenderá ribeirinhos da Amazônia
2017-12-27T11:00:00-02:00
Hélio Pariz
Amazonas|católicos|danos morais|direito|justiça|medicina|saúde|trabalho|
Comments
sábado, 23 de dezembro de 2017
Quem são as mulheres católicas e evangélicas que lutam pelo direito ao aborto?
Os argumentos das católicas brasileiras que há 25 anos defendem o aborto
Camilla Veras Mota
O Papa Francisco não chega a comover. Elas não vão à missa aos domingos, defendem o Estado laico, a contracepção, o casamento gay e, há quase 25 anos, o aborto.
O mais antigo movimento no Brasil de católicas que pregam os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres nasceu entre um grupo de jovens que se inquietavam com questões que não ecoavam na Igreja, ainda no início dos anos 90.
"Nós falávamos dos pobres, mas não olhávamos para as mulheres", diz Regina Soares Jurkewicz, coordenadora do Católicas pelo Direito de Decidir (CDD), referindo-se à Teologia da Libertação, corrente progressista que norteava a atuação das pastorais sociais das quais ela, a professora da PUC-SP Maria José Rosado-Nunes e a teóloga Luiza Tomita, também fundadoras, faziam parte nos anos 80.
Em 1993, elas conheceram a médica uruguaia Cristina Grela - hoje parte da equipe do Ministério da Saúde do Uruguai, único país da América do Sul onde o aborto foi totalmente legalizado, em 2012, até a 12ª semana de gestação - em alguns casos, esse limite é maior.
Naquela época a ativista era integrante do grupo americano Catholics For Choice - que completa 45 anos em 2018 - e fazia um périplo pelo continente na tentativa de organizar um movimento semelhante na região. Além do Brasil, há "Católicas por el Derecho a Decidir" em outros dez países latinoamericanos.
Depois de um evento na Igreja do Carmo, em São Paulo, o movimento foi lançado no dia 8 de março daquele ano. Está presente hoje em 14 Estados e atua em duas frentes - a educativa, com a produção de material didático para o ensino da religião e a realização de seminários para formação de multiplicadoras, e política, organizando debates, marchas e idas a Brasília.
Em uma de suas campanhas mais recentes, o CDD foi às ruas em novembro para protestar contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 181, que pode criminalizar o aborto mesmo nos casos em que ele hoje é permitido, como em gestações resultantes de estupro.
Entre seus membros, leigos e religiosos, está a freira feminista Ivone Gebara, punida pelo Vaticano em 1995 por defender publicamente em uma entrevista a descriminalização e a legalização do aborto.
Na época à frente da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Joseph Ratzinger - que anos depois se tornaria o papa Bento 16 - determinou que ela voltasse à Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, onde obteve seu doutorado, para passar dois anos reclusa, em "reeducação teológica".
Por não estar ligado à estrutura da Igreja, contudo, o movimento em si está fora dos limites de repreensão da hierarquia católica. As perseguições também não são frequentes, diz Jurkewicz.
O que há são questões pontuais como a de Gebara e a que ela mesmo enfrentou quando publicou seu doutorado. Logo após a apresentação do trabalho, que reunia 21 casos de abuso sexual de mulheres por padres, a assistente social foi demitida da universidade em que lecionava, ligada à diocese de Santo André.
O antagonismo mais organizado vem de setores conservadores da religião, de instituições como Arautos do Evangelho e Opus Dei.
As "ameaças", dizem, chegam geralmente por email ou pelas redes sociais. "São mensagens dizendo que a gente vai para o inferno, essas coisas. Nada grave."
O aborto sempre foi considerado pecado?
Para defender o aborto dentro da lógica religiosa, as ativistas argumentam que o início da vida sempre foi um ponto de divergência dentro da fé católica.
Nos primeiros séculos do cristianismo, exemplifica Jurkewicz, houve Santo Agostinho, que condenava o controle de natalidade e o aborto por romperem a conexão entre ato conjugal e procriação, mas que afirmava que ele não era um ato de homicídio.
Seus escritos a respeito do Êxodo diziam, sobre o feto, que "não existe alma viva em um corpo que carece de sensações". Ele nunca chegou a uma conclusão sobre o momento em que a vida começava.
Já o teólogo Tertuliano defendia em 160 que a concepção era o início de tudo e, por isso, condenava a prática.
"Não é um dogma de fé, é uma questão disciplinar", diz ela, acrescentando que nos cadernos penitenciais da Igreja na Idade Média o aborto era colocado entre outros pecados sexuais.
Os Cânones Irlandeses de 675, por exemplo, previam 14 anos a pão e água para aquele que tivesse relação sexual com a vizinha e três anos e meio para quem destruísse um embrião no ventre.
O tema passou a ser oficialmente condenado pela Igreja apenas em 1869, a partir de um boletim do papa Pio 9.
A posição da Igreja hoje e o papa Francisco
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em sua nota "Pela vida, contra o aborto", de abril deste ano, afirma que "a tradição judaico-cristã defende incondicionalmente a vida humana".
O texto defende a "integralidade, inviolabilidade e a dignidade da vida humana desde a sua concepção até a morte natural" e condena "todas e quaisquer iniciativas que pretendam legalizar o aborto no Brasil".
"A posição sempre foi a mesma: defender e cuidar da vida humana desde a sua concepção. A vida humana é preciosa demais para ser eliminada ou descartada", diz o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, em nota enviada à BBC Brasil.
O papa Francisco manteve o entendimento que herdou dos antecessores, apesar de ter autorizado, em novembro do ano passado, que padres pudessem perdoar o aborto - prerrogativa que antes era restrita a bispos ou confidentes especiais da Igreja.
"A ideia (por trás da iniciativa do Papa Francisco) é mais de compaixão, de perdão. A Igreja não trabalha com direitos (para as mulheres)", diferencia Jurkewicz.
As ativistas do CDD são críticas em relação ao papel do feminino na Igreja Católica, que limitaria "os espaços de poder e saber" aos homens.
"A posição oficial guarda a tradição da mulher como mãe, está carregada de atributos de gênero. Mesmo as freiras são vistas como 'mães espirituais'", ressalta.
São Tomás de Aquino
O princípio do "recurso à consciência" é outro argumento usado pelas ativistas para defender suas bandeiras e o primeiro destacado pelo movimento do qual se originou o CDD, o americano Catholics for Choice (CFC).
A ideia é que cada católico tome decisões guiadas pelo pensamento individual, ponderando o efeito de suas ações sobre si e sobre o próximo, e que respeite o arbítrio do outro.
"São Tomás de Aquino afirmava que nossa consciência não é um atributo das instituições", diz Amanda Ussak, diretora do programa internacional do CFC.
A organização surgiu nos Estados Unidos em 1973, ano em o aborto foi legalizado no país após decisão da Suprema Corte no emblemático caso Roe v. Wade.
Prevendo uma onda de reações contrárias de instituições religiosas, um grupo de católicas decidiu se reunir e se contrapor às pressões por recuos. Uma década depois, o movimento deu início à sua expansão internacional.
A iniciativa, afirma Ussak, veio da percepção de que criminalização do aborto prejudicava especialmente as mulheres pobres, grupo que ainda hoje registra o maior número de mortes por complicações em procedimentos feitos em clínicas clandestinas.
Hoje a organização atua também na Europa e na África, dando treinamento às organizações para comunicar as campanhas e apoio às iniciativas para mudar as leis locais.
Um exemplo recente de atuação nesse sentido aconteceu no Chile, onde o Congresso aprovou, em agosto, a descriminalização em caso de risco de vida da mulher, inviabilidade fetal e estupro. Até então, qualquer tipo de aborto era proibido.
Na Argentina, o Católicas por el Derecho a Decidir (CDD) participou das discussões que culminaram, em 2006, na Lei de Educação Sexual Integral - semelhante à educação de gênero hoje debatida no Brasil -, na Lei para Prevenir e Erradicar a Violência contra a Mulher, de 2009, e a Lei de Identidade de Gênero, de 2012, que permitiu que travestis e transexuais escolhessem o sexo no registro civil.
"Nos falta ainda a legalização do aborto", afirma Victoria Tesoriero, uma das coordenadoras do movimento argentino.
Hoje há iniciativas semelhantes às ONGs católicas entre mulheres pentecostais e neopentecostais. O Evangélicas pela Igualdade de Gênero (EIG), por exemplo, nasceu em 2015 voltado especialmente para a questão da violência contra a mulher.
"Eu nasci nas Assembleias de Deus, no movimento pentecostal, e durante muito tempo testemunhei todo tipo de violência, institucional, simbólica, assédio", conta Valéria Vilhena, uma das fundadoras da rede, que hoje soma 3 mil mulheres.
Em sua tese de mestrado, feita na Universidade Metodista, onde dá aulas hoje, ela mergulhou no cotidiano de uma casa de acolhimento para vítimas de violência doméstica em São Paulo e verificou que 40% das atendidas eram evangélicas.
O aborto, para ela, entra na problemática da negação de direitos às mulheres e da violência. A posição pública a favor, contudo, veio apenas neste ano, em reação à PEC 181.
"Não estamos trabalhando a questão da legalização a partir da Bíblia porque nós queremos desvinculá-la da questão religiosa. É uma questão de saúde pública", destaca. "A questão é essa: mulheres morrem", emenda.
Postado por
Hélio Pariz
às
11:31
Links para esta postagem
Quem são as mulheres católicas e evangélicas que lutam pelo direito ao aborto?
2017-12-23T11:31:00-02:00
Hélio Pariz
aborto|Argentina|Assembleia de Deus|Brasil|católicos|Estados Unidos|evangélicos|ideologia|mulheres|neopentecostalismo|pecado|pentecostalismo|política|religião|São Tomás de Aquino|teologia|
Comments
segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
Padre desce de tirolesa até o altar para celebrar missa no interior de SP
![]() |
| Ainda bem que o padre usa calças por baixo da batina, né... |
Está cada dia mais difícil atrair fiéis para as atividades religiosas, a julgar por esta notícia - com vídeo mais abaixo - que vem do Estadão:
Padre usa tirolesa para entrar em igreja
SARA ABDO
Missa especial celebrava Nossa Senhora Rosa Mística
Era 13 de novembro, dia da Rosa Mística, quando religiosos foram surpreendidos pela entrada inusitada do padre que celebraria a missa: descalço, ele "desceu" ao altar a partir de uma tirolesa.
O pároco Augusto Alves Ferreira, do município de Espírito Santo do Pinhal, interior do Estado de São Paulo, é conhecido na cidade por fazer missas animadas. "Mas descer a tirolesa foi a primeira vez", disse ao E+ a usuária @stylesfatal, quem compartilhou a foto em seu Twitter e preferiu não se identificar.
Embora responda pela Paróquia Divino Espírito Santo, a entrada triunfal de Augusto foi na catedral da cidade. A missa era em celebração à Nossa Senhora Rosa Mística, comemorada todo dia 13.
O padre fez toda a travessia segurando a santa nas mãos.
A publicação ficou popular no Twitter. Veja algumas repercussões:
Postado por
Hélio Pariz
às
11:00
Links para esta postagem
Padre desce de tirolesa até o altar para celebrar missa no interior de SP
2017-12-18T11:00:00-02:00
Hélio Pariz
católicos|esquisitices|profano|
Comments
Marcadores:
católicos,
esquisitices,
profano
quarta-feira, 6 de dezembro de 2017
Em 1777, padre espanhol escondeu mensagem ao futuro em lugar bastante inusitado
Padre usou bunda de estátua de Jesus como "cápsula do tempo"
Esta pode ter sido a primeira vez que um local tão peculiar foi escolhido como esconderijo
Um padre na Espanha do século 18 encontrou um local inesperado para esconder uma mensagem secreta para o futuro: o traseiro de uma estátua oca de Cristo crucificado, chamado Cristo del Miserere. A carta foi encontrada durante a restauração da peça quando especialistas tiraram uma parte do objeto de madeira — mais precisamente o pano que cobre as nádegas de Jesus.
Aparentemente o intuito da estátua realmente era servir como "cápsula do tempo". "Embora seja habitual que muitas esculturas estejam vazias, não é tão difícil encontrar documentos manuscritos dentro", explicou o historiador Efrén Arroyo, membro da Fraternidade da Semana Santa de Sotillo de la Ribera, à Agencia EFE.
O documento foi escrito em 1777 por Joaquín Mínguez, capelão da Catedral do Burgo de Osma, e seu conteúdo conta com a descrição da vida da época, assim como considerações sobre o rei Carlos III, vários regentes e eventos da época.
A carta também detalha as culturas cultivadas na região (trigo, centeio, cevada e aveia e uvas para vinho); as doenças mais comuns (como malária e febre tifóide); e as atividades mais populares da população (como cartas, jogos de bola e jogos de bar).
Ele ainda fornece informações mais gerais, como: "O Tribunal está em Madri, há um Correio e uma Gazeta para as notícias, [e] há uma Inquisição, para a qual não existem erros contra a Igreja de Deus". De acordo com Arroyo, esses detalhes indicam fortemente que Mínguez queria deliberadamente deixar uma mensagem para ser lida no futuro. Resta saber se o padre não ficou com a consciência pesada de guardar esse recado em um local tão peculiar...
(Com informações de Science Alert.)
Postado por
Hélio Pariz
às
11:00
Links para esta postagem
Em 1777, padre espanhol escondeu mensagem ao futuro em lugar bastante inusitado
2017-12-06T11:00:00-02:00
Hélio Pariz
católicos|Espanha|esquisitices|futuro|iconoclastia|Inquisição|tempo|
Comments
Marcadores:
católicos,
Espanha,
esquisitices,
futuro,
iconoclastia,
Inquisição,
tempo
domingo, 12 de novembro de 2017
Papa diz que explorar trabalhadores para enriquecer é pecado mortal
Podem acusar o papa Francisco de tudo, menos de ficar calado sobre todos os assuntos do mundo.
Quem quiser conhecer a fundo seu pensamento basta ouvir (ou ler) suas homilias.
Bergoglio gosta de colocar o dedo na(s) ferida(s) e ficar girando, girando, girando...
Deve ser por isso que ele é tão contestado dentro da própria igreja que comanda.
Confira na breve coletânea dos sermões papais publicada na Rádio Vaticano:
A coragem de sujar as mãos para pregar o Reino de Deus
O Papa Francisco na sua homilia de terça-feira dia 31 de outubro na Capela da Casa de Santa Marta, referiu-se às palavras de Jesus sobre o grão de mostarda e o fermento e sublinhou que o Reino de Deus “cresce a partir de dentro, com a força do Espírito Santo”.
E para tal é preciso não ter a “ilusão” de não ser preciso “sujar as mãos” para pregar o Reino de Deus – disse o Santo Padre que recusou uma “pastoral de conservação”.
Neste “Sal da Terra, Luz do Mundo” registamos as palavras do Santo Padre e recordamos outras homilias em Santa Marta nas quais Francisco exorta os católicos a viverem o concreto da vida, no meio do mundo, numa atitude de serviço.
A força do fermento e do grão de mostarda
Na sua homilia, na terça-feira dia 31 de outubro, Francisco salientou os elementos propostos pelo capítulo 13 do Evangelho de S. Lucas, o grão de mostarda e o fermento, e considerou-os pequenos mas poderosos pois têm uma força e “uma potência” que faz crescer.
O Santo Padre referiu-se também à leitura de S. Paulo na Carta aos Romanos proposta pela liturgia daquele dia e que refere os sofrimentos da vida. Segundo o Papa, não obstante as tensões e sofrimentos, a esperança leva-nos à glória de Deus, à plenitude:
“É justamente a esperança que nos leva à plenitude, a esperança de sair desta prisão, desta limitação, desta escravidão, desta corrupção e chegar à glória: um caminho de esperança. E a esperança é um dom do Espírito. É propriamente o Espírito Santo que está dentro de nós e leva a isso: a algo grandioso, a uma libertação, a uma grande glória. E para isso Jesus diz: ‘Dentro da semente de mostarda, daquele grão pequenino, há uma força que desencadeia um crescimento inimaginável’” – disse o Santo Padre.
Lançar e misturar pelo Reino de Deus
Viver em esperança – assinalou o Papa – é crescer “a partir de dentro, com a força do Espírito Santo”, renunciando a uma “pastoral de conservação”:
“Cresce a partir de dentro, com a força do Espírito Santo. E sempre a Igreja teve, seja a coragem de pegar e lançar, de pegar e misturar, seja também o medo de fazê-lo. E muitas vezes nós vemos que se prefere uma pastoral de conservação e não de deixar que o Reino cresça: 'vamos permanecer aquilo que somos, pequeninos, ali, estamos seguros…' E o Reino não cresce. Para que o Reino cresça é preciso coragem: de lançar o grão, de misturar o fermento” – disse o Santo Padre.
Para o Reino de Deus crescer, Francisco recusa a função de “guardiões de museus” mas propõe aquela de gente que quer “lançar” e “misturar”, sujando as mãos pelo Reino de Deus:
“Ai daqueles que pregam o Reino de Deus com a ilusão de não sujar as mãos. Estes são guardiões de museus: preferem as coisas belas, e não este gesto de lançar para que a força se desencadeie, de misturar para que a força faça crescer. Esta é a mensagem de Jesus e de Paulo: esta tensão que vai da escravidão do pecado, para ser simples, à plenitude da glória. E a esperança é aquela que vai em frente, a esperança não desilude: porque a esperança é muito pequena, a esperança é tão pequena quanto o grão e o fermento” – declarou o Papa.
No final da sua homilia, Francisco lançou uma pista de reflexão aos fiéis presentes na Eucaristia: “acreditamos que na esperança está o Espírito Santo com o qual podemos falar?”
O Papa Francisco nas suas homilias em Santa Marta tem exortado por diversas vezes os católicos, e os sacerdotes em particular, a viverem o concreto da vida, no meio do mundo, numa atitude de serviço. Recordemos três homilias de Francisco como exemplo destas preocupações do Santo Padre.
O Senhor ensina o caminho do fazer
Na terça-feira, dia 23 de fevereiro de 2016 o Papa afirmou que o cristianismo é uma religião concreta, que age fazendo o bem, e não uma “religião do dizer” feita de hipocrisia e vaidade.
Cruzando a leitura do profeta Isaías com a passagem do Evangelho de S. Mateus, propostas pela liturgia do dia, o Santo Padre abordou a “dialética evangélica entre dizer e fazer”. Francisco enfatizou a hipocrisia dos escribas e fariseus apresentando as palavras de Jesus: “não imiteis as suas obras, pois eles dizem e não fazem”:
“O Senhor ensina-nos o caminho do fazer. E quantas vezes encontramos pessoas, tantas vezes na Igreja: ‘Sou muito católica’. ‘Mas o que fazes?’ Quantos pais dizem que são católicos, mas nunca têm tempo para conversar com os seus filhos, para brincar com os seus filhos, para ouvir os seus filhos. Se calhar têm os pais numa casa de repouso, mas estão sempre ocupados e não podem ir visitá-los e deixam-nos abandonados! ‘Mas sou muito católico e pertenço àquela associação’. Esta é a religião do dizer: eu digo que sou assim, mas faço a mundanidade.”
Nas palavras do Papa o profeta Isaías indica o que agrada a Deus: “Cessem de fazer o mal, aprendei a fazer o bem.” “Aliviar os oprimidos, fazer justiça ao órfão, defender a causa da viúva.”E fala ainda da infinita misericórdia de Deus.
Na sua homilia o Santo Padre citou o capítulo do Evangelho de Mateus sobre o juízo final, quando Deus pedirá contas ao homem pelo que ele fez pelos famintos, os sedentos, os encarcerados, os estrangeiros. “Esta” - declarou Francisco – “é a vida cristã”.
“Que o Senhor nos dê esta sabedoria de entender onde está a diferença entre o dizer e o fazer, e nos ensine o caminho do fazer e nos ajude a ir nesse caminho, porque o caminho do dizer leva-nos ao lugar onde estavam os doutores da lei, os clérigos, que gostavam de vestir-se e serem como se fossem uma majestade. E isto não é a realidade do Evangelho! Que o Senhor nos ensine este caminho” – disse o Papa na conclusão da sua homilia.
Dinheiro e poder sujam a Igreja
Na terça-feira dia 17 de maio de 2016, na Missa em Santa Marta o Papa Francisco afirmou que o dinheiro e o poder sujam a Igreja. O Santo Padre disse que o caminho que Jesus indica é o serviço, mas com frequência na Igreja buscam-se poder, dinheiro e vaidade.
Partindo da passagem do Evangelho de S. Marcos, proposta pela liturgia do dia na qual os discípulos se perguntavam entre si quem era o maior entre eles, o Papa afirmou que estas tentações mundanas comprometem também hoje o testemunho da Igreja:
“No caminho que Jesus nos indica, o serviço é a regra. O maior é aquele que serve mais, quem está mais ao serviço dos outros, e não aquele que se vangloria, que busca o poder, o dinheiro...a vaidade, o orgulho… Não, esses não são os maiores. E o que aconteceu aqui com os apóstolos, inclusive com a mãe de João e Tiago, é uma história que acontece todos os dias na Igreja, em cada comunidade. ‘Mas entre nós, quem é o maior? Quem comanda?’ As ambições…Em cada comunidade – nas paróquias ou nas instituições – sempre existe esta vontade de galgar, de ter poder.”
Na sua homilia o Papa Francisco sublinhou que a vontade mundana de estar com o poder acontece nas paróquias, nos colégios e também nos episcopados, uma atitude que não é a atitude de Jesus que veio para servir e ensina o serviço e a humildade. Mas todos somos tentados pelas atitudes de poder e de vaidade – afirmou o Papa que pediu ao Senhor para que nos ilumine para entendermos que o espírito mundano é inimigo de Deus:
“Todos nós somos tentados por estas coisas, somos tentados a destruir o outro para subir mais. É uma tentação mundana, mas que divide e destrói a Igreja, não é o Espírito de Jesus. É belo, imaginemos a cena: Jesus que diz estas palavras e os discípulos que dizem ‘não, é melhor não perguntar muito, vamos em frente’, e os discípulos que preferem discutir entre si qual deles será o maior. Vai-nos fazer bem pensar nas muitas vezes que nós vimos isto na Igreja e nas muitas vezes que nós fizemos isto, e pedir ao Senhor que nos ilumine, para entender que o amor pelo mundo, ou seja, por este espírito mundano, é inimigo de Deus.”
Explorar trabalhadores para enriquecer é pecado mortal
Na quinta-feira dia 19 de maio de 2016, na Missa em Santa Marta, o Papa Francisco afirmou que explorar os trabalhadores para enriquecer é ser como sanguessugas e isso é um pecado mortal.
O Santo Padre comentou a primeira leitura da liturgia do dia, extraída da carta de S. Tiago, e afirmou que “não se pode servir Deus e as riquezas”. Estas, as riquezas – continuou Francisco – são boas em si mesmas, mas erram aqueles que seguem a “teologia da prosperidade”.
O Papa recordou o que diz S. Tiago: “Olhai que o salário que não pagastes aos trabalhadores que ceifaram os vossos campos está a clamar; e os clamores dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor do universo!”
Francisco recordou a precaridade dos vínculos laborais e, em particular, citou o que lhe disse uma jovem que encontrou um emprego de 11 horas diárias por 650 euros na informalidade. E disseram-lhe que, se queria, podia ficar com o trabalho senão há mais quem queira: “há uma fila atrás de si”.
A exploração das pessoas hoje é uma verdadeira escravidão – denunciou o Papa: “Viver do sangue das pessoas. Isto é pecado mortal. É pecado mortal.”
No final da homilia de dia 19 de maio de 2016 o Papa Francisco propôs uma reflexão sobre a exploração das pessoas no mundo do trabalho e pediu ao Senhor que “nos faça entender aquela simplicidade que Jesus nos diz no Evangelho: É mais importante um copo de água em nome de Cristo que todas as riquezas acumuladas com a exploração das pessoas.”
“Sal da Terra, Luz do Mundo”, é aqui na Rádio Vaticano em língua portuguesa.
Postado por
Hélio Pariz
às
13:00
Links para esta postagem
Papa diz que explorar trabalhadores para enriquecer é pecado mortal
2017-11-12T13:00:00-02:00
Hélio Pariz
católicos|igreja|trabalho|
Comments
quinta-feira, 9 de novembro de 2017
Batistas do Sul são maiores apoiadores do livre porte de arma nos EUA
Análise: Evangélicos se opõem a controle de armas
Batistas do sul são os mais propensos a se opor a leis mais rigorosas para o porte de armas do que outros americanos que professam uma religião
Sarah Pulliam Bailey / W. Post
O massacre de domingo foi o pior ocorrido em uma igreja na história moderna dos EUA. Para muitos evangélicos conservadores, políticas adotadas especificamente para o porte e uso de armas não estão detalhadas na Bíblia e eles não acham que medidas nesse sentido são constitucionais e poderiam resolver o problema dos assassinatos em massa, foi o que disse Russel Moore, presidente do braço político da Convenção Batista do Sul.
Os batistas do sul são os mais propensos a se opor a leis mais rigorosas para o porte de armas do que outros americanos que professam uma religião. Muitos americanos pertencentes a grandes grupos religiosos defendem leis mais rígidas, incluindo os protestantes negros (76%), os católicos (67%), os protestantes brancos (57%), de acordo com pesquisa realizada em 2013 pelo Public Religion Research Institute. Mas os evangélicos – que constituem um quarto da população --, são os menos inclinados a apoiar leis mais rigorosas a respeito (38% são a favor e 59% contra).
Para Jen Hatmaker, escritor e orador conhecido de Austin, o direito às armas se tornou um tema central de debate enraizado na política evangélica. “Conheço perfeitamente mulheres cristãs sensatas, amáveis, que não possuem armas que dirão que ‘não se trata de armas, mas do coração’. É espantoso”, disse ele. “Isso tem raízes profundas e inalteráveis no coração dos evangélicos conservadores, e é tão sagrado quanto a Trindade”.
Depois de o evangelista Franklin Graham ser convidado a rezar durante um café da amanhã da Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), em 2014, ele sugeriu no Facebook que não estava de acordo com a exigência de verificação de antecedentes de todo mundo. Por outro lado, defendeu a verificação de antecedentes no caso de imigrantes muçulmanos.
As armas estão incorporadas na estrutura e na psique da cristandade americana desde sua fundação, afirma Karen Swallow Prior, professora de inglês na Liberty University, que escreveu por que carrega uma arma durante suas idas a áreas rurais da Virgínia. “O país foi fundado para escapar da perseguição religiosa. Os EUA se expandiram como um experimento em individualismo e adentraram fronteiras que exigiam armas para a sobrevivência, para autodefesa e para conseguir alimento”.
Os evangélicos também enfatizam muito mais o individualismo e a responsabilidade pessoal do que outros grupos religiosos.
Algumas pessoas acham que a razão pela qual os evangélicos não desejam leis mais rígidas no campo das armas é simples. Os evangélicos votam nos republicanos e os republicanos têm aversão por políticas mais rígidas para as armas. Muitos evangélicos também se opõem porque acham que elas podem acabar infringindo a liberdade religiosa.
“Acho que eles são totalmente partidários. Os evangélicos votam com base nas linhas do partido, tenham elas sentido teológico ou não. Os que são contra o aborto apoiariam qualquer coisa que fosse parte de uma agenda liberal, o que significaria, no final, endossar o aborto, se for parte dessa agenda”.
Em sua análise de dados de uma ampla pesquisa de 2016 chamada CCES Common Content Dataset, o cientista político Ryan Burge comparou as respostas de evangélicos, protestantes brancos e católicos à seguinte pergunta: Você apoia ou se opõe à uma proibição dos rifles de assalto?”. Ele encontrou diferenças que dependiam mais da filiação partidária do inquirido, se era democrata ou republicano, do que da sua identidade religiosa.
Joe Carter, editor da Gospel Coalition, acredita que os evangélicos são mais avessos a mais regulamentos porque são mais adeptos às armas. Os evangélicos brancos são os mais propensos a possuir uma arma, segundo estudo do Pew Research Center, publicado no Christianity Today. Segundo o estudo, 41% dos evangélicos brancos possuem uma arma, em comparação com 33% dos protestantes brancos (33%), indivíduos sem uma religião definida (32%), protestantes negros (29%) e católicos (24%).
Os evangélicos brancos (44%) também se mostram satisfeitos com as leis sobre armas. Por outro lado, pouco mais da metade dos americanos que professa uma religião (52%) acham que a legislação deve ser mais rígida. Segundo Joe Carter, muitos evangélicos apoiariam leis mais rigorosas se acreditassem que elas seriam eficazes para conter os assassinatos. “Mas eles não acreditam que um criminoso que mata pessoas inocentes irá atender a regras estabelecidas para a compra de armas de fogo”, disse ele. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO
Postado por
Hélio Pariz
às
11:07
Links para esta postagem
Batistas do Sul são maiores apoiadores do livre porte de arma nos EUA
2017-11-09T11:07:00-02:00
Hélio Pariz
armas|batistas|católicos|Estados Unidos|evangélicos|ideologia|individualismo|liberdade|neoconservadorismo|política|protestantes|religião|
Comments
Marcadores:
armas,
batistas,
católicos,
Estados Unidos,
evangélicos,
ideologia,
individualismo,
liberdade,
neoconservadorismo,
política,
protestantes,
religião
terça-feira, 7 de novembro de 2017
O papa argentino no divã judeu
A estranha informação foi publicada no Estadão em 01/09/17:
Papa revela que fez terapia com psicanalista judia
Francisco disse que se consultou com profissional quando tinha 42 anos para 'esclarecer algumas coisas'
O papa Francisco revelou que, quando tinha 42 anos, fez terapia na Argentina durante seis meses com uma psicanalista judia para "esclarecer algumas coisas". As sessões disse, o ajudaram muito.
Jorge Mario Bergoglio faz estas confissões em um livro que narra uma série de conversas que manteve com o sociólogo francês Dominique Wolton e que será publicado na França, segundo antecipou nesta sexta o jornal italiano "La Stampa".
"Consultei uma psicanalista judia. Durante seis meses fui uma vez por semana a sua casa para esclarecer algumas coisas. (...) Depois, um dia, quando estava a ponto de morrer, me chamou. Não para receber os sacramentos, pois era judia, mas para ter um diálogo espiritual. Era uma pessoa boa. Durante seis meses me ajudou muito", explicou.
Aquelas visitas ocorreram quando o agora papa argentino tinha 42 anos, entre 1978 e 1979, em plena ditadura militar na Argentina, que em 1976 derrubou o governo de María Estela Martínez de Perón.
O periódico adianta outros temas que aborda Bergoglio, como sua opinião sobre o casamento homossexual. A respeito desse tema, o papa opina que "o matrimônio é aquele formado entre um homem e uma mulher", ainda que aceite chamar de "uniões civis" aquelas por pessoas do mesmo sexo. /EFE
Postado por
Hélio Pariz
às
11:10
Links para esta postagem
O papa argentino no divã judeu
2017-11-07T11:10:00-02:00
Hélio Pariz
Argentina|católicos|judaísmo|psicanálise|
Comments
Marcadores:
Argentina,
católicos,
judaísmo,
psicanálise
sábado, 4 de novembro de 2017
Papa canonizou 30 brasileiros mortos pelos holandeses em 1645
Olá, amigos leitores!
Como vocês perceberam, passamos o mês de outubro relembrando alguns textos de Lutero, dentre as milhares (talvez milhões) de páginas de sua vasta obra, pra que pudéssemos ver e ler um panorama multifacetado do seu pensamento, dentro do que foi possível organizá-lo e selecioná-lo.
Retornamos agora, então, com nossa "programação normal", relembrando um fato que aconteceu alguns dias atrás e que representou, de certa forma, um contraponto católico à celebração do quinto centenário da Reforma Protestante, o que demonstra, ainda que de maneira capciosa, que manobras religiosas são também políticas e ideológicas, é só uma questão de aproveitar a ocasião, manja?
Trata-se da canonização de trinta "santos" brasileiros, martirizados pelos holandeses calvinistas que invadiram a então colônia portuguesa do Brasil no século XVII.
A matéria foi publicada na BBC Brasil em 14 de outubro de 2017:
O massacre holandês há 372 anos que levou o papa Francisco a decretar a santidade de 30 brasileiros
Renata Moura
Uma missa de domingo em uma capela, ameaças em campo aberto às margens de um rio e 150 pessoas brutalmente assassinadas. Dois massacres registrados no Rio Grande do Norte e apontados como símbolos da intolerância religiosa de holandeses que dominavam o Nordeste brasileiro em 1645 renderam ao país, 372 anos depois, 30 novos santos - "os primeiros santos mártires do Brasil".
Os chamados "mártires de Cunhaú e Uruaçú" - nomes de duas localidades da época que hoje correspondem aos muncípios potiguares de Canguaretama e São Gonçalo do Amarante - foram beatificados no ano 2000 pelo Papa João Paulo II e canonizados neste domingo pelo Papa Francisco.
"Pela exaltação da fé católica e incremento da fé cristã, declaramos e definimos santos os padres André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira e seus 27 companheiros leigos", disse o papa.
Na mesma cerimônia, ele canonizou Cristobal, Antonio e Juan, mortos em 1527 e 1529, e considerados os Protomártires do México e de todo o continente americano; o sacerdote espanhol Faustino Míguez, fundador do Instituto Calasanzio, Filhas da Divina da Divina Pastora, e o Frade Menor Capuchinho italiano Angelo d'Acri.
Os 30 novos santos do Brasil são os únicos mortos identificados em dois massacres que deixaram um saldo de aproximadamente 150 vítimas. Por esse motivo, somente eles foram reconhecidos na cerimônia.
O caso é considerado emblemático, entre outros motivos, porque os massacrados teriam "dado a vida, derramado o sangue, na vivência de sua fé", segundo a Igreja.
Em Cunhaú, 70 teriam sido assassinados em 16 de julho de 1645. O episódio é apontado como retaliação holandesa aos que seguiam a fé católica e se recusavam a migrar para o movimento religioso protestante que difundiam, o calvinismo.
O livro "Beato Mateus Moreira e seus companheiros mártires", escrito pelo Monsenhor Francisco de Assis Pereira a partir de pesquisas históricas e dados que embasaram a beatificação, afirma que os holandeses contaram com a ajuda de indígenas para invadir uma capela da região, fechar as portas e matar quem estivesse dentro, em uma manhã de domingo.
Quase três meses depois desse episódio, em 3 de outubro, outras 80 pessoas também viraram alvos em outro cenário: às margens do rio Uruaçú, foram despidas e assassinadas por não terem se convertido ao protestantismo.
Nem crianças foram poupadas do ataque. Uma delas, com dois meses de vida, foi uma das vítimas, junto com uma irmã e o pai.
Também parte desse segundo grupo, o camponês Mateus Moreira acabou virando símbolo do martírio porque, no momento de sua morte, teria bradado: "Louvado seja o Santíssimo Sacramento". A louvação seria uma prova incontestável de sua fé, na visão católica. Ele foi morto ao ter o coração arrancado pelas costas.
A presença da igreja católica no Nordeste já era considerada "marcante" nessa época, como descreve o Monsenhor Pereira, postulador da causa da beatificação dos mártires, no livro. "Havia padres seculares (padres pertencentes a dioceses), numerosos conventos de franciscanos, carmelitas, jesuítas e beneditinos. Eram mais de 40 mil católicos", escreve ele.
Os holandeses aportaram na região em 1630. Eles chegaram nesse período a Pernambuco e assumiram o comando político e militar da área - estendendo o domínio posteriormente a outras capitanias, inclusive à do Rio Grande, como era chamado o Rio Grande do Norte.
Os colonizadores teriam perseguido e assassinado adeptos da religião católica que não aceitaram virar calvinistas. Na mesma época em que, por meio da Inquisição, a Igreja Católica ainda perseguia, julgava e punia acusados de heresia.
Adultos, jovens e crianças: quem são os mártires canonizados
A lista de novos santos inclui um total de 25 homens, entre eles dois padres, e cinco mulheres. Eram 16 adultos, 12 jovens e duas crianças - a mais nova, o bebê de dois meses de idade.
"A identificação dos canonizados não se dá tanto pelos nomes, mas também por identificação de parentesco e de amizade (das vítimas)", ressalta o padre Julio Cesar Souza Cavalcanti, responsável por encaminhar a canonização dos mártires na Arquidiocese de Natal.
A missa solene em que o papa Francisco proclamou a canonização, na Basílica de São Pedro, em Roma, aconteceu às 10h deste domingo, no horário local (5h no Brasil), com a praça completamente lotada.
A professora aposentada Sônia Nogueira, de 60 anos, ficou em Natal, a mais de sete mil quilômetros de distância da cerimônia, mas em vigília e "com o coração cheio de gratidão pelos mártires".
Ela diz que, por intermédio deles, pediu "a graça da cura e da libertação" para o marido, José Robério, que em 2002 começou a enfrentar as consequências de um câncer no cérebro.
Fortes dores de cabeça levaram o militar aposentado, hoje com 68 anos, ao diagnóstico.
O caminho trilhado a partir desse ponto foi marcado por "apreensão", mas também pelo que Sônia resume com letras maiúsculas em um texto: "MILAGRE DA SOBREVIDA!"
A frase foi escrita por ela em um relatório que enviou à Igreja Católica no Rio Grande do Norte, em 2016, para contar a história do marido em meio a exames, tratamentos de saúde, cirurgias e momentos de "fé".
Rezar foi a estratégia fundamental, segundo Nogueira, para que Robério resistisse à doença, que raramente possibilita sobrevida de mais de três anos aos pacientes após diagnóstico. No laudo médico que a professora apresentou para embasar cientificamente o que considera um milagre, o neurocirurgião que acompanhou o caso de Robério o coloca no rol de "exceções da medicina", porque ele sobreviveu.
"Já se vão 15 anos e 5 meses desde que soubemos do tumor", diz Sônia, em entrevista à BBC Brasil. Ela não tem dúvidas: "Foi um milagre. A medicina foi só um complemento".
Comprovação de milagres não foi exigida no processo
Robério e sua mulher estão entre os mais de cinco mil fiéis que já relataram à Arquidiocese de Natal "graças alcançadas" por meio dos "novos santos" do Brasil.
Não foram necessários, porém, milagres para fundamentar a canonização.
"O papa Francisco, quando decidiu pela canonização com a dispensa do milagre, colocou como um ponto básico (para a aprovação) a antiguidade do martírio e a perpetuidade da devoção do povo aos mártires", explica o padre Julio.
Por meio do chamado processo de equipolência, o papa reconhece a santidade considerando três requisitos: a prova da constância e da antiguidade do culto aos candidatos a santos, o atestado histórico incontestável de sua fé católica e virtudes e a amplitude de sua devoção.
O mesmo processo, em que milagres foram dispensados, foi adotado para a canonização de São José de Anchieta, outro santo do Brasil.
Para Nogueira e Robério, no Rio Grande do Norte, o milagre que os mártires teriam realizado é, porém, inquestionável. "Robério foi bem aventurado no processo, por intercessão deles", justifica a aposentada. "Como um paciente pode chegar a (sobreviver) 15 anos tomando uma medicação que segura outros por no máximo três?".
Com dificuldades para falar e andar sem apoio, após a segunda e última cirurgia que fez, o marido faz coro: "Estava muito doente e os mártires me levantaram".
"Quem não vai ficar bom tendo um santo dentro de casa?", ele questiona, referindo- se ao fato de os novos santos terem origem no estado em que mora.
A canonização deste domingo eleva para 36 a quantidade de santos considerados nacionais. Até agora, só um deles, Santo Antônio de Sant'Ana Galvão, mais conhecido como Frei Galvão - santificado em 11 de maio de 2007 - é, porém, brasileiro de nascimento. Os outros cinco já oficializados, São Roque Gonzales, Santo Afonso Rodrigues, São João de Castilho, Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus e São José de Anchieta, são estrangeiros, mas desenvolveram missões no país. Eles são reconhecidos por milagres.
Para o padre Júlio, "a grande mensagem com a canonização é de reconhecer que mesmo pensando diferente, seja em qualquer campo, devemos sempre respeitar o outro e jamais destruir alguém, de nenhum modo".
Postado por
Hélio Pariz
às
10:40
Links para esta postagem
Papa canonizou 30 brasileiros mortos pelos holandeses em 1645
2017-11-04T10:40:00-02:00
Hélio Pariz
Brasil|calvinismo|católicos|Colômbia|história|Holanda|intercessão dos santos|
Comments
Marcadores:
Brasil,
calvinismo,
católicos,
Colômbia,
história,
Holanda,
intercessão dos santos
terça-feira, 31 de outubro de 2017
Martinho Lutero, 500 anos depois
Exatos 500 anos atrás, o dia deve ter amanhecido bonito e tranquilo em Wittenberg, na Alemanha, e ninguém ali, naquela fria manhã de outono, imaginava que estava prestes a acontecer um incidente que mudaria a história da humanidade para sempre.
Afinal, o que importava à gente naqueles tempos era sobreviver um dia mais, da maneira que fosse possível, e quanto mais supersticiosamente fosse, menos ruim seria para suas invariáveis e miseráveis vidas sem futuro algum.
Não se sabe exatamente a que horas daquele dia um jovem monge agostiniano cruzou a praça central para afixar na porta da catedral um pequeno manuscrito em que desfilava em 95 teses sua indignação contra o comércio de indulgências que era obrigado a ver - talvez diariamente - naquele mesmo local.
Seu nome era Martinho Lutero e seus passos nervosos não davam a mínima ideia da importância que aquele momento teria na História.
Afinal, havia passado por ali naqueles dias um frade dominicano de nome Johann Tetzel, cuja principal incumbência era vender indulgências para garantir a reconstrução da Basílica de São Pedro, a mando do papa Leão X.
Tetzel era objeto de crítica em duas teses de Lutero:
27. Pregam doutrina mundana os que dizem que, tão logo tilintar a moeda lançada na caixa, a alma sairá voando [do purgatório para o céu].28. Certo é que, ao tilintar a moeda na caixa, pode aumentar o lucro e a cobiça; a intercessão da Igreja, porém, depende apenas da vontade de Deus.
O fato é que - ao afrontar a Igreja oficial - Lutero escancarou, naquele dia 31 de outubro de 1517, as portas da modernidade. Encerrava-se ali - de fato - a Idade Média e o poder absoluto da Igreja de Roma.
Lutero era o homem improvável para aquela missão, o que revela os caminhos misteriosos que Deus elege para fazer sua vontade se expressar e ser concretizada no meio (e por meio) de homens e mulheres comuns, como você e eu.
Numa definição moderna, Lutero era 8 ou 80, capaz dos maiores acertos e erros na mesma proporção. Critique-se o que se quiser em sua vida, mas ele não pecava por omissão.
Aliás, é fácil criticá-lo hoje em dia pelo que fez de 1517 em diante, apesar do anacronismo do olhar retrovisor.
Difícil mesmo é encontrar alguém que tivesse se aventurado a pensar em fazer o que ele fez.
Aliás, é fácil criticá-lo hoje em dia pelo que fez de 1517 em diante, apesar do anacronismo do olhar retrovisor.
Difícil mesmo é encontrar alguém que tivesse se aventurado a pensar em fazer o que ele fez.
Lutero tinha uma opinião (talvez forte demais, muitas vezes sarcástica) formada sobre tudo e não esperava que pisassem no seu calo para expressá-la.
Fez muitos inimigos, mas - e daí? - o mundo precisou se moldar ao seu pensamento revolucionário.
Uma conjunção (humanamente) inesperada de fatores políticos, pessoais e religiosos fez com que a ousadia de Lutero frutificasse muito além do que ele podia haver imaginado ou planejado.
Por isso estamos nós aqui hoje celebrando os 500 anos como frutos não de um gesto isolado de um homem chamado Martinho Lutero, mas do fato de Deus tê-lo usado como instrumento humano assumidamente imperfeito mas aberto e disponível a revolucionar os tempos, os modos e as eras segundo e seguindo a vontade do Seu Senhor.
Engana-se quem crê que sua importância se restringe ao círculo fechado da religião.
Uma conjunção (humanamente) inesperada de fatores políticos, pessoais e religiosos fez com que a ousadia de Lutero frutificasse muito além do que ele podia haver imaginado ou planejado.
Por isso estamos nós aqui hoje celebrando os 500 anos como frutos não de um gesto isolado de um homem chamado Martinho Lutero, mas do fato de Deus tê-lo usado como instrumento humano assumidamente imperfeito mas aberto e disponível a revolucionar os tempos, os modos e as eras segundo e seguindo a vontade do Seu Senhor.
Engana-se quem crê que sua importância se restringe ao círculo fechado da religião.
Traduziu a Bíblia na língua alemã, tornando o sagrado popular, fazendo a voz de Deus audível a quem realmente precisava (e queria) compreendê-la.
Preocupou-se com a educação pública, não só tornando as escolas acessíveis a todos mas instando os pais e as autoridades locais a educarem as crianças com qualidade e diversidade. Como disse:
Temos hoje os melhores e mais doutos jovens companheiros e homens com conhecimentos linguísticos e toda a ciência; esses poderiam muito bem produzir algo útil se fossem aproveitados para instruir a juventude. Não está evidente que hoje se pode formar um menino em três anos de modo que aos 15 ou 18 anos sabe mais do que lhe puderam ensinar até agora todas as universidades e conventos? Afinal, que se aprendeu até agora nas universidades e conventos a não ser tornar-se burro, tosco e estúpido? Houvem quem estudasse vinte, quarenta anos e não sabe nem latim nem alemão. Não quero nem falar da vida vergonhosa e dissoluta na qual a nobre juventude foi corrompida tão miseravelmente.
(LUTERO, Martinho. Aos Conselhos de Todas as Cidades da Alemanha para que criem e mantenham escolas cristãs. 1524. Tradução de Ilson Kayser. MARTINHO LUTERO. Obras Selecionadas. São Leopoldo: Sinodal. Porto Alegre: Concórdia. 1995. Vol. 5, pág. 306)
A repercussão de suas "marteladas" num dia qualquer em Wittenberg ajudou a gerar a modernidade, moldou a Alemanha e provocou a reação da Igreja Católica, que - na verdade - devia lhe agradecer porque, não fosse pela Reforma luterana, teria enfrentado dias e problemas muito piores.
No fundo, o Concílio de Trento (1545-1563) estruturou a Contra-Reforma católica que salvou Roma da extinção pura e simples. Tudo por Lutero!
A partir dali, os papas souberam que seu poder não era mais ilimitado e incontrastável, e os católicos encontraram outros rumos ao longo dos séculos que lhes permitem hoje celebrar conjuntamente com os luteranos os 500 anos daquele dia que, de tão iluminado e glorioso na História, espantou as trevas que ameaçavam devorar o bocado incipiente e medíocre que havia de civilização.
Trevas estas que, lamentavelmente, nunca desapareceram, e estão sempre prontas a mudar de nome e roupagem para destruir não só a Igreja, mas principalmente a humanidade.
Talvez tenha chegado a hora de novos Luteros e novas Reformas...
Encerrando nosso mês dedicado a Martinho Lutero, agradecendo aos nossos leitores pela paciência e companheirismo em nos acompanhar, e louvando a Deus por tê-lo escolhido e celebrando sua vida e sua magnífica obra, cantamos inicialmente seu hino clássico "Castelo Forte" com o Coral e Orquestra Filarmônica da UniCesumar:
E convidamos os nossos amigos leitores a participarem de uma sessão-pipoca para ver o ótimo filme "Lutero" (2003), com as brilhantes atuações de Joseph Fiennes, Peter Ustinov (ele próprio uma lenda da atuação, em seu último filme), Bruno Ganz e Alfred Molina, entre outros:
Postado por
Hélio Pariz
às
14:30
Links para esta postagem
Martinho Lutero, 500 anos depois
2017-10-31T14:30:00-02:00
Hélio Pariz
Alemanha|católicos|cinema|educação|história|Lutero|música|protestantes|Reforma Protestante|
Comments
Marcadores:
Alemanha,
católicos,
cinema,
educação,
história,
Lutero,
música,
protestantes,
Reforma Protestante
Assinar:
Postagens (Atom)













