Mostrando postagens com marcador consciência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador consciência. Mostrar todas as postagens

sábado, 30 de dezembro de 2017

É muito provável que a sua percepção de mundo esteja equivocada. Saiba por quê.


Talvez você ache que 2016 foi melhor que 2017, e que não tem jeito de 2018 não ser pior.

Melhor rever esta percepção, de acordo com matéria que foi publicada na BBC Brasil:

Por que achamos que o mundo está pior do que realmente é

No Brasil, a taxa de homicídios hoje é bem mais alta do que no ano 2000, quase metade das meninas e mulheres de 15 a 19 anos engravidaram e quase metade dos adultos sofrem de diabetes.

Essas afirmações acima não correspondem à realidade do país, mas refletem o que pensa a maioria dos brasileiros, segundo a uma pesquisa recém-divulgada pela Ipsos-Mori chamada Perigos da Percepção.

A partir de quase 30 mil entrevistas conduzidas entre setembro e outubro passado em 38 países, a enquete testou a percepção das pessoas sobre 14 temas que causam precupação ou são de grande importância na mídia. Em resumo, a ideia era saber se o que as pessoas achavam sobre esses assuntos estava perto da realidade - "realidade" essa baseada em informações retiradas "de uma variedade de fontes verificadas", segundo a Ipsos-Mori.

A conclusão da pesquisa é de que pessoas no mundo inteiro estão bem equivocadas sobre questões-chave e características da população de seus próprios países.

E no ranking dos países cujas populações mais "erraram" - onde a média percentual obtida pelas respostas esteve mais distante do número "real" - o Brasil aparece em segundo lugar, atrás apenas da África do Sul.

Percepção x Realidade

Mas por que existe essa lacuna entre percepção e realidade? Por que muitos enxergam as coisas piores do que são?

"Nós sabemos de estudos anteriores que isso ocorre, em parte, porque superestimamos o que nos causa preocupação", diz Bobby Duffy, diretor gerente da Ipsos Public Affairs, em texto para apresentar os resultados da pesquisa.

Os pesquisadores afirmam que somos geneticamente programados para acreditar mais nas más do que nas boas notícias.

O estudo mostra, por exemplo, que a taxa de homicídios caiu na maioria dos países analisados, nos últimos 15 anos, mas que a maior parte das pessoas acredita que o quadro piorou.

No Brasil, 76% têm essa percepção, embora o índice tenha permanecido estável em relação ao ano 2000, usado como base de comparação.

A porcentagem de mulheres entre 15 e 19 anos que têm filhos também é superestimada. No Brasil, a média estimada pelos entrevistados foi de 47% - quase a metade das mulheres adolescentes do país. Mas o dado registrado no Brasil corresponde a apenas 6,7%. v O índice de mortes por ataques terroristas ao redor do mundo, que nos últimos anos diminuiu em relação aos 15 anos anteriores, também é percebido de forma equivocada. Apenas um quinto das pessoas entre todas as entrevistadas nos 38 países acredita que houve queda.

Reação é mais forte a imagens negativas

Nossos cérebros, segundo os pesquisadores, processam informações negativas de um jeito diferente e as armazenam de forma a estarem mais acessíveis que as positivas.

Um neurocientista comprovou isso mostrando a pessoas imagens de coisas conhecidas, como pizzas e Ferraris, para estimular sensações positivas, e outras, como um rosto mutilado e um gato morto, por exemplo, para despertar outro tipo de reação.

A partir desse experimento, ele mediu a atividade elétrica no cérebro e constatou que respondemos mais fortemente a imagens negativas.

Temer para sobreviver

A mídia, geralmente, leva a culpa por mergulhar as pessoas em um mar de desânimo e pessimismo.

Eles questionam: se somos alimentados com uma dieta tão implacavelmente negativa, é de admirar que acabemos pensando que o mundo é um lugar terrível?

Na prática, essa hipersensibilidade que temos a informações negativas - ou a más notícias - aparentemente desempenha uma função importante na evolução.

Um cérebro mais sensível a más notícias reage mais intensamente a informações sobre possíveis perigos - o que acaba pesando no instinto de sobrevivência.



domingo, 31 de maio de 2015

A morte como experiência comum de todos os seres humanos


Artigo pra lá de interessante publicado no Aleteia:

O que as pessoas sentem ao morrer

Impressionante relato da enfermeira que trabalhou 20 anos na UTI e registrou as mais variadas e irracionais vivências dos pacientes

As unidades de cuidados paliativos e UTI dos hospitais têm uma íntima relação com a morte, proporcionando numerosas experiências que fogem de qualquer explicação racional: pacientes que intuem o momento exato em que vão morrer, outros que parecem decidir por si mesmos o dia e a hora, adiantando ou atrasando sua morte, sonhos premonitórios de familiares ou pressentimentos de terceiras pessoas que, sem nem sequer saber que alguém está internado ou sofreu um acidente, têm a certeza interior de que faleceram.

Somente os profissionais de saúde que trabalham perto dos pacientes terminais conhecem em primeira pessoa o alcance e variedade destas estranhas experiências. A ciência ainda não foi capaz de oferecer uma resposta a estes fenômenos, razão pela qual costumam ser descritos como paranormais ou sobrenaturais – uma etiqueta “vaga demais para a magnitude destas experiências”, segundo explica a enfermeira britânica Penny Sartori, que dedicou 20 anos da sua vida a trabalhar na UTI.

Sua trajetória é suficientemente sólida para garantir que ela já viu de tudo, tornando-se capaz de intuir padrões e elaborar hipóteses sobre estes fenômenos. Tanto é assim, que dedicou sua tese de doutorado a este tema, e cujas principais conclusões compartilha no livro “The Wisdom Of Near-Death Experiences” (Watkins Publishing).

“Alucinações” compartilhadas por familiares

Ao longo de sua vida profissional, Penny teve contato com pacientes que viveram experiências de quase-morte (EQM), bem como com familiares que viveram de perto experiências de morte compartilhada. A quantidade e repetição de padrões levam a enfermeira a descartar a hipótese do acaso e a da impossibilidade de encontrar um raciocínio lógico para este estendido fenômeno.

Cerca de 75% dos pacientes esperam estar sozinhos no quarto para morrer.

Sua tese principal se centra em que “nosso cérebro é independente da consciência. É o meio para canalizá-la, razão pela qual, na realidade, é fisicamente alheia ao corpo”. Esta ideia explicaria, segundo ela, por que “a alma e a consciência podem ser vivenciadas à margem do corpo”, como nas EQM ou na meditação budista.

Penny apresenta inúmeros exemplos em seu livro, mas todos coincidem em que os pacientes que vivem estas EQM são sempre os que abraçam a morte de maneira mais tranquila e feliz, assim como os familiares que pressentem a morte dos seus entes queridos. Por quê? Segundo as entrevistas que ela fez a estes últimos, isso se deve a que estão convencidos de que só se trata do fim da vida terrena.

Independentemente do fato de serem pessoas religiosas, agnósticas ou ateias, todas elas têm o sonho ou a visão de como seu familiar vai embora deste mundo guiado por alguém (cônjuges já falecidos, seres anônimos ou anjos) e o faz com uma clara sensação de “paz e amor”.

“No começo, me chamava a atenção o fato de que alguns familiares de falecidos não se sentissem tristes após receberem a notícia da morte do seu ente querido, mas, ao entrevistá-los, percebi que, na verdade, estavam tranquilos porque tinham experimentado essa sensação de transcendência da vida”, contou Penny.

Escolhendo o momento “mais apropriado” para morrer

Este é o caso das pessoas que, sabendo quando vão morrer, pedem para ficar um momento a sós no quarto ou o fazem precisamente quando o familiar (que permanece o tempo todo ao seu lado) as deixa por um momento para ir ao banheiro.

Outros casos igualmente chamativos são os das pessoas que morrem justamente depois de ver algum familiar que ainda não havia podido visitá-las (por exemplo, por estar viajando), ou quando terminam toda a papelada de heranças e seguros de vida. “Parecem estar à espera de que um evento específico ocorra para permitir-se morrer”, relatou a enfermeira.

Sensação de transcendência em religiosos, agnósticos e ateus

O diretor do Tucson Medical Center, John Lerma, especialista em cuidados paliativos, recopiou exemplos muito similares aos citados por Penny em “Into the Light: Real Life Stories About Angelic Visits, Visions of the Afterlife, and Other Pre-Death Experiences” (New Page Books). Segundo seus relatórios, cerca de 75% dos pacientes esperam que seus parentes saiam do quarto para morrer.

Penny se nega a acreditar que estas vivências sejam motivadas por alucinações: “Não é possível que várias pessoas vejam a mesma coisa e sejam capazes de descrever o que viram exatamente da mesma maneira, quando se trata de uma percepção distorcida da realidade”.

Seus estudos mais novos se centram nas vivências compartilhadas pelas pessoas que acompanham os que estão em transe de morte. “Abrem uma via completamente nova de iluminação racional sobre a questão da vida após a morte, porque as pessoas que comunicam estas experiências são saudáveis. Costumam estar sentadas junto ao leito de morte de um ente querido quando têm uma dessas experiências maravilhosas e misteriosas.”

Novos rumos de pesquisa

O recurso – cínico, segundo Penny – de explicar este fenômeno a partir de disfunções cerebrais tampouco se sustenta com os exemplos de pessoas internadas com Alzheimer avançado que repentinamente recuperam a capacidade de raciocínio.

“São pacientes em estado terminal da doença, incapazes de articular palavras, e de repente, de forma surpreendente, começam a falar com total coerência, interagindo com pessoas que não estão no quarto e que frequentemente são familiares mortos”, explica a autora.

Além disso, acrescenta, “costumam ficar em paz após esta experiência e acabam morrendo com um sorriso nos lábios, geralmente um ou dois dias depois”.

O argumento de que estas visões são induzidas pelos fármacos tampouco é aceito pela autora, porque, segundo ela, “os remédios causam ansiedade, todo o contrário do que os pacientes sentem nessas horas”.

A enfermeira defende em seu livro que este tipo de vivências, recopiladas ao longo de toda a sua vida profissional, podem ser importantes para demonstrar a existência de uma vida depois da morte e que, pelo menos, devem abrir uma nova linha de pesquisa (como algumas que partem da física quântica) para os estudos científicos.

Ela diz estar convencida de que “a morte não é tão temível como costumamos imaginar”.



sábado, 11 de outubro de 2014

Cientistas dizem que consciência sobrevive até 3 minutos depois da morte


Matéria publicada n'O Globo de 07/10/14:

Consciência pode permanecer por até três minutos após a morte, diz estudo

Cientistas entrevistaram pacientes que chegaram a ter morte clínica, mas voltaram à vida

RIO - Aquele túnel com uma luz brilhante no fundo e uma sensação de paz descritos por filmes e outras pessoas que alegaram ter passado por experiência de quase morte podem ser reais. No maior estudo já feito sobre o tema, cientistas da Universidade de Southampton disseram ter comprovado que a consciência humana permanece por ao menos três minutos após o óbito biológico. Durante esse meio tempo, pacientes conseguiriam testemunhar e lembrar depois de eventos como a saída do corpo e os movimentos ao redor do quarto do hospital.

Ao longo de quatro anos, os especialistas examinaram mais de duas mil pessoas que sofreram paradas cardíacas em 15 hospitais no Reino Unido, Estados Unidos e Áustria. Cerca de 16% sobreviveram. E destes, mais de 40% descreveram algum tipo de "consciência" durante o tempo em que eles estavam clinicamente mortos, antes de seus corações voltarem a bater.

O caso mais emblemático foi de um homem ainda lembrou ter deixado seu corpo totalmente e assistindo sua reanimação do canto da sala. Apesar de ser inconsciente e "morto" por três minutos, o paciente narrou com detalhes as ações da equipe de enfermagem e descreveu o som das máquinas.

- Sabemos que o cérebro não pode funcionar quando o coração parou de bater. Mas neste caso, a percepção consciente parece ter continuado por até três minutos no período em que o coração não estava batendo, mesmo que o cérebro normalmente encerre as atividades dentro de 20 a 30 segundos após o coração – explicou ao jornal inglês The Telegraph o pesquisador Sam Parnia.

Dos 2.060 pacientes com parada cardíaca estudados, 330 sobreviveram e 140 disseram ter experimentado algum tipo de consciência ao ser ressuscitado. Embora muitos não se lembrassem de detalhes específicos, alguns relatos coincidiram. Um em cada cinco disseram que tinha sentido uma sensação incomum de tranquilidade, enquanto quase um terço disse que o tempo tinha se abrandado ou se acelerado.

Alguns lembraram de ter visto uma luz brilhante, um flash de ouro ou o sol brilhando. Outros relataram sentimentos de medo, afogamento ou sendo arrastado pelas águas profundas. Cerca de 13% disseram que se sentiam separados de seus corpos.

De acordo com Parnia, muito mais pessoas podem ter experiências quando estão perto da morte, mas as drogas ou sedativos utilizados no processo de ressuscitação podem afetar a memória:

- As estimativas sugerem que milhões de pessoas tiveram experiências vivas em relação à morte. Muitas assumiram que eram alucinações ou ilusões, mas os relatos parecem corresponder a eventos reais. E uma proporção maior de pessoas pode ter experiências vivas de morte, mas não se lembrarem delas devido aos efeitos da lesão cerebral ou sedativos em circuitos de memória.



sexta-feira, 18 de julho de 2014

Cientistas dizem ter descoberto como desligar a consciência

Artigo publicado no Gizmodo Brasil:

Cientistas parecem ter localizado o mecanismo de desligamento da consciência no cérebro

Todos nós perdemos a consciência diariamente: enquanto estamos dormindo. Mas os cientistas nunca haviam entendido que parte do cérebro controlava o mecanismo de estar consciente ou inconsciente. Agora, pesquisadores parecem ter encontrado essa parte do cérebro por coincidência, enquanto estavam estudando uma paciente epilética usando estimulação elétrica.

Como relata a News Scientist, pesquisadores da Universidade George Washington estavam usando eletrodos para monitorar os sinais do cérebro e tentar identificar que área dele disparava as convulsões da paciente. Um desses eletrodos foi colocado no claustro, uma fina camada de neurônios que fica entre as principais estruturas do cérebro — uma região que nunca havia sido estudada com o uso de eletrodos profundos anteriormente.

Inesperadamente, quando os pesquisadores enviaram sinais elétricos de alta frequência para o claustro, a paciente perdeu a consciência: ao contrário do que acontece durante uma convulsão, quando a atividade de uma pessoa cessa imediatamente, a paciente pareceu ir relaxando, passou a falar em voz mais baixa e se mexer mais devagar, até que ela ficou parada em silêncio, sem responder a chamados ou a estimulação visual. Ela estava, por definição, inconsciente. Quando ela acordou e a estimulação elétrica foi desligada, ela não se lembrava de nada que havia acontecido enquanto ela estava “desligada”.

A descoberta pode ter imensas implicações para pacientes com epilepsia ou que estejam em estados semi-conscientes, mas é só o começo das pesquisas. Até agora, esse interruptor on/off foi testado em apenas um paciente. Mas identificar o local do cérebro onde fica o mecanismo de desligamento da consciência será crucial para que entendamos melhor como funciona o fluxo cerebral, como explica o pesquisador Christof Koch para a News Scientist:

Em última instância, se nós soubermos como ligar e desligar a consciência e que partes do cérebro estão envolvidas no processo, então nós poderemos entender quem faz o quê. Os robôs têm isso? E os fetos? Um gato ou um cachorro ou uma minhoca têm esse mecanismo? Esse estudo é incrivelmente intrigante, mas é só um tijolo no grande edifício da consciência que estamos tentando construir.

Talvez algum dia nós possamos adormecer ao desligar um interruptor localizado no fundo dos nossos cérebros.



domingo, 16 de março de 2014

Experiências fora do corpo podem ser induzidas virtualmente


Matéria publicada no Canna Club:

Experiência fora do corpo é desencadeada por realidade virtual

Projeção da consciência, experiência extracorporal, desdobramento espiritual, emancipação da alma, projeção astral ou viagem astral são termos usados alternativamente para designar as experiências fora-do-corpo ou estados alterados de consciência, que podem ser supostamente realizadas por qualquer pessoa, por meio do sono, via meditação profunda, técnicas de relaxamento, ou involuntariamente, durante episódios de paralisia do sono, trauma, variações abruptas da atividade emocional e estresse, experiência de quase-morte, deprivação sensorial, estimulação elétrica do giro angular direito do cérebro, estimulação eletromagnética, experiências de ilusão de óptica controladas, e através de efeitos neurofisiológicos por indução química de substâncias comumente descritas como drogas.

Exemplos de tais substâncias correlacionadas com a fenomenologia das experiências extra-corpóreas são o Cloridrato de cetamina, a Galantamina, a Metanfetamina, o Dextrometorfano, a Fenilciclidina e a Dimetiltriptamina (presente na bebida ritualística Ayahuasca)

É fácil perceber que são muitas as causas que poderiam levar as pessoas a este estado notável, frequentemente associado a manifestações espirituais segundo religiosos de várias correntes de fé. Mas uma nova pesquisa realizada por Jane Aspell da Anglia Ruskin University, no Reino Unido e Lukas Heydrich, do Instituto Federal Suíço de Tecnologia, em Lausanne, mostra que uma EFC poderia ser disparada apenas colocando um indivíduo para assistir um vídeo de si mesmo com seu batimento cardíaco projetado sobre ele.De acordo com o estudo, é fácil enganar a mente fazendo com que ela acredite pertencer a um órgão externo e manipular a auto-consciência de uma pessoa simplemente externalizando os ritmos internos de seu corpo.

Os voluntários do estudo foram equipados com uma espécie "óculos de realidade virtual" (um head mounted display - HMD, ou monitor montado na cabeça) e foram filmados em tempo real por uma câmera de vídeo conectada ao HMD, o que lhes permitiu ver o seu próprio corpo em pé a dois metros a frente dos mesmos.

Sincronizado através de sinais da pulsação dos voluntários usando eletrodos, o momento da batida do coração foi usado para acionar um flash brilhante que foi sobreposto contornando o corpo virtual, visto através do HMD.

Depois de assistir o brilho do contorno acendendo e apagando em sincronia com os batimentos cardíacos durante vários minutos, os participantes da pesquisa experimentaram uma forte identificação com o corpo virtual, relatando que eles o sentiam mais como seu próprio corpo. Eles também perceberam que estavam em um local diferente na sala do que em seu corpo físico, relatando sentirem estar mais próximos de seu dublê do que eles realmente estavam, e eles experimentaram toque em um local fora de seu corpo físico.

"Esta pesquisa demonstra que a experiência de si mesmo pode ser alterado quando apresentado informações sobre o estado interno do próprio corpo, como uma batida do coração." - Jane Aspell

As descobertas da investigação podem levar a novos tratamentos para pessoas que sofrem de distúrbios de percepção, como a anorexia e transtorno dismórfico corporal. Aspell atualmente trabalha em um estudo sobre o "efeito sanfona" em pessoas que fazem dietas e suas mudanças de auto-percepção com o ganho e a perda de peso.

"Pacientes com anorexia, por exemplo, têm uma desconexão de seu próprio corpo. Eles olham no espelho e acham que eles são maiores do que realmente são. Isso pode ocorrer porque seu cérebro não atualiza sua representação do corpo depois de perder peso, e o paciente, portanto, fica preso com uma percepção maior de si próprio, que está desatualizada." - Jane Aspell



domingo, 2 de fevereiro de 2014

Consciência quântica?

Matéria do ScienceDaily traduzida e adaptada por Cesar Grossmann para o HypeScience:

Teoria Orch OR: descoberta de vibrações quânticas cerebrais apoia teoria controversa sobre a consciência

Uma das hipóteses para explicar a consciência mais controversas surgidas nos últimos 20 anos foi criada pelo físico-matemático Sir Roger Penrose. Segundo ela, a consciência seria o resultado de fenômenos quânticos acontecendo ao nível dos neurônios. Esta hipótese ou teoria tem sido muito criticada. Um dos problemas alegados seria que o cérebro é um ambiente muito úmido, quente e ruidoso para que fenômenos como coerência quântica se manifestem. No entanto, já foram demonstrados fenômenos quânticos na orientação das aves, na fotossíntese, e no nosso sentido olfatório.

Em uma revisão de 20 anos da teoria “Orch OR” (Orchestrated Objective Reduction, ou Redução Objetiva Orquestrada), os autores Stuart Hameroff e Sir Roger Penrose afirmam que, das 20 previsões testáveis da teoria, 6 foram confirmadas, e nenhuma foi refutada.

A mais recente confirmação, segundo os autores, foi a descoberta de vibrações quânticas em microtúbulos dentro dos neurônios. A descoberta, realizada por um grupo de pesquisadores liderados por Anirban Bandyopadhyay, do Instituto Nacional de Ciências Materiais em Tsukuba, Japão (e atualmente trabalhando no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos EUA) sugere que os ritmos observados em eletroencefalogramas (EEGs) derivam de vibrações em microtubos. Outro trabalho, feito pelo laboratório de Roderick G. Eckenhoff, na Universidade da Pensilvânia (EUA), sugere que a anestesia, que desliga de forma seletiva a consciência, ao mesmo tempo que mantém as atividades não conscientes do cérebro, também atua via microtúbulos nos neurônios cerebrais.

Os microtúbulos, vibrando na frequência de megahertz, acabam gerando padrões de interferência, ou “batimentos” em frequências menores, batimentos estes que aparecem nos EEGs. Em testes clínicos, o cérebro foi estimulado com ultrassom transcraniano, e foram relatadas melhoras de humor, que talvez venham a ser úteis no tratamento de Alzheimer e danos cerebrais no futuro.

Os autores Hameroff e Penrose afirmam que, depois de 20 anos de críticas céticas, “a evidência agora claramente apoia a Orch OR”. Eles acreditam que tratar as vibrações dos microtúbulos cerebrais poderá trazer benefícios a várias funções mentais, neurológicas e cognitivas.



terça-feira, 14 de maio de 2013

Se aguentares até 2045 poderás ser imortal!

Segura firme aí, 'merrmão', faltam só 32 anos para você poder se tornar imortal.

Bom, não exatamente "você", mas a sua consciência. É o que propõe o projeto 2045 Initiative, patrocinado - a exemplo de certas equipes inglesas de futebol - por um bilionário russo.

A notícia já circulou em 2012, mas voltou a repercutir no Mashable no mês passado (abril/2013), e a matéria abaixo, publicada em 01/08/12 é do Megacurioso:

Bilionário russo pretende propiciar a imortalidade humana a partir de 2045

O magnata tem a intenção de alojar mentes artificiais humanas em avatares holográficos que durem para todo o sempre!

Por Maurício M. Tadra

Um magnata russo está planejando alcançar a imortalidade cibernética dentro dos próximos 33 anos. A ideia é muito mais séria do que pode parecer à primeira vista, tanto é que o multimilionário do país da vodka já tem uma equipe inteira de profissionais trabalhando no desenvolvimento de unidades holográficas funcionais com capacidade de carregar um cérebro artificial humano. Agora, o russo está tentando reunir mais bilionários ao redor do mundo interessados em colaborar financeiramente com o intento.

O homem por trás do projeto “2045 Initiative” — descrita como uma organização sem fins lucrativos — é Dmitry Itskov. A lista de metas e prazos que o russo estipulou para o desenvolvimento da obra é um tanto ambiciosa. Segundo a imagem acima, divulgada no site oficial do projeto, as ações preteridas são as seguintes:

  • Até 2020: a criação, com sucesso, de um avatar para o qual um cérebro humano possa ser transplantado.
  • Até 2025: conseguir transplantar com sucesso o cérebro de uma pessoa no final da vida para o avatar.
  • Até 2030: criar um cérebro artificial.
  • Até 2035: conseguir, com sucesso, transplantar o cérebro artificial para o avatar.
  • Até 2040: a criação de um corpo holográfico.
  • Até 2045: finalmente transplantar o cérebro artificial humano para o avatar holográfico, representando o ser imortal.


No entanto, o conceituado engenheiro Dario Borghino, da Polytechnic University of Turin, alertou a ideia do projeto para o fato que, em muitas vezes, as tecnologias mais improváveis se tornam mais fáceis de serem aceitas quando olhamos para um futuro distante. Contudo, se pensarmos com racionalidade, 2045 não está tão longe assim... “Então, qual a probabilidade de um projeto desse ter sucesso?”.

Cá com meus botões, concordo com Borghino. E você, o que acha?






terça-feira, 30 de abril de 2013

Pesquisa revela que ateus não conseguem se desvencilhar da ideia de Deus

Psicólogos finlandeses realizaram uma pesquisa que revelou que ateus se sentem especialmente desconfortáveis quando se propõe que eles desafiem Deus a fazer coisas terríveis diretamente relacionadas a eles ou pessoas que lhes são queridas.

A equipe, liderada por Marjaana Lindaman, da Universidade de Helsinki, concluiu que "os resultados permitem inferir que as atitudes dos ateus em relação a Deus são ambíguas, no sentido de que as suas convicções explícitas conflitam com a sua resposta afetiva".

A metodologia da pesquisa - publicada no International Journal for the Psychology of Religion - consistiu de dois experimentos de pequena escala, sendo que o primeiro envolveu 17 pessoas da própria Finlândia que foram recrutadas via internet, e que apresentavam altos níveis de crença ou descrença em Deus.

Eletrodos foram ajustados em dois dedos de cada participante para coletar os dados enquanto eles liam em voz alta uma série de frases previamente elaboradas e com forte conteúdo, digamos, intimidador.

Algumas das declarações eram desafios à divindade como "eu desafio Deus a fazer com que meus pais se afoguem" e outras igualmente desagradáveis, como "não há nenhum problema em chutar a cara de um cachorrinho". Havia ainda afirmações neutras como "espero que não chova hoje".

Os resultados mostraram que os padrões de comoção de crentes e descrentes seguiram precisamente o mesmo padrão: alto tanto para Deus como para as declarações desagradáveis, e baixo para as neutras.

Depois de realizada a experiência, os crentes disseram se sentir muito desconfortáveis recitando os desafios a Deus, mas a leitura dos dados obtidos pelos eletrodos mostrou que as reações dos dois grupos foram exatamente as mesmas.

Isto mostra que o ato de "desafiar Deus" fez com que os participantes ateus se sentissem mais nervosos do que eles admitiam, inclusive para si próprios.

Alguém poderia objetar, por exemplo, que as reações dos ateus se deram não propriamente pelo fato de haver uma entidade divina incluída na frase que falavam, mas pelas situações desagradáveis ali associadas.

Antecipando-se a essa objeção, os pesquisadores finlandeses já haviam acrescentado um segundo experimento para testar essa hipótese.

Desta vez foram recrutados 19 ateus que tomaram parte numa versão expandida do primeiro experimento, agora incluindo dez variações dos "desafios a Deus" com o detalhe de que elas excluíam qualquer menção a forças sobrenaturais.

Por exemplo, além de declarar "eu desafio Deus a fazer todos os meus amigos se virarem contra mim", eles também liam em voz alta a frase "eu queria que todos os meus amigos se virassem contra mim".

Os resultados mostraram que os ateus sentiram maior comoção enquanto liam as declarações relacionadas a Deus do que quando proferiam as frases quase idênticas que omitiam a divindade.

A conclusão a que os pesquisadores chegaram foi a de que "mesmo os ateus têm dificuldade em desafiar Deus a provocar danos a eles próprios e a seus queridos".

Entretanto, não pararam por aí e procuraram também encontrar explicações para essa atitude, o que os fez chegar a 4 prováveis razões:

1) a mais provocativa é que as crenças explícitas dos ateus podem diferir das reações implícitas que existem fora do alcance de sua consciência;

2) por outro lado, eles podem dar muito valor à palavra "Deus" pela observação constante que têm do respeito que seus amigos e familiares crentes têm para com a prática séria de sua religião;

3) os ateus podem ainda ter achado a ideia de "Deus" absurda ou aversiva, o que os levou a uma resposta emocional alterada;

4) outra razão plausível é que os ateus guardam, ainda, reflexos de suas crenças anteriores e não conseguiram abandoná-las completamente, e elas ainda produzem uma espécie de "eco" em suas consciências.


A fonte da notícia é a revista Pacific Standard. Pede-se ao portal gospel ou ateu que vier aqui copiar a matéria, que cite as fontes indicadas com os respectivos links e faça a sua própria tradução.



sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Cientistas querem ler o que você sonha

Sonhos: a última fronteira!

Parodiando a série Jornada nas Estrelas, talvez não seja o espaço a última fronteira, mas os sonhos, o território onírico onde nenhum homem jamais esteve, pelo menos de maneira real.

É exatamente este campo pouco explorado da mente humana que cientistas japoneses, do Laboratório de Computação em Neurociência ATR, sediado em Tóquio, estão querendo investigar.

Obviamente, como o nome "ciência" indica, a abordagem não será psicanalítica, à moda de Sigmund Freud ou Carl Jung, ainda que todo o simbolismo dos sonhos continue sujeito às mais variadas formas de interpretação.

O problema que se pode vislumbrar desde já é se uma técnica de, digamos, "leitura" dos sonhos não se limite à interpretação, mas se desvirtue em controle da mente ou manipulação das pessoas, apenas para citar dois efeitos colaterais danosos do procedimento.

Os sonhos revelam os segredos mais íntimos de todas as pessoas, mesmo aqueles que são tão secretos a ponto de que o próprio sonhador os desconheça. Logo, por que submeter a um desconhecido a abertura desse envelope selado dos recônditos mais obscuros de sua alma?

Os pesquisadores japoneses recorreram a uma estratégia moderna, sem dúvida, mas não muito diferente daquela utilizada para desvendar os segredos das civilizações passadas.

Veja o caso dos hieróglifos egípcios, por exemplo. Eram um total mistério até 1822, quando o francês Jean-François Champollion finalmente os decifrou através da leitura da Pedra de Roseta, que havia sido descoberta em 1799.

Para sorte da humanidade, a Pedra de Roseta era um artefato do século II a. C., período em que os gregos dominavam o Egito, e nela estava insculpido um mesmo texto em 3 idiomas: o egípcio antigo (hieróglifos), o egípcio daquela época e o grego arcaico.

Era, obviamente, muito mais fácil traduzir o grego antigo, e, a partir dele, decifrar o que queria dizer cada hieróglifo.

No caso dos sonhos atuais, a técnica usada no Japão é muito mais avançada, mas segue a mesma solução de Champollion, e a semelhança com os hieróglifos vai mais além: os cientistas também leem imagens. Neuroimagens.

A grosso modo, a experiência consiste em despertar os voluntários sonhadores participantes no momento em que se detectam padrões de ondas cerebrais correspondentes ao início do sonho. Esses padrões são exaustivamente estudados previamente para, digamos, "calibrar" a leitura do eletroencefalograma do paciente.

Constatado o início do sonho, os pesquisadores perguntam ao sonhador o que exatamente ele acabou de sonhar, anotam, e o colocam de novo para dormir, sempre por um período de 3 horas, entre 7 e 10 vezes em dias distintos, sendo que os participantes eram despertados até 10 vezes por hora.

Cá entre nós, só mesmo a paciência oriental para se submeter a um teste como esse...

Os dados obtidos revelaram uma média de 6 a 7 sonhos visuais por hora, que levaram os cientistas a obter 200 relatos de sonhos, mediante os quais puderam extrair palavras-chave conforme a frequência com que apareciam, por exemplo: "carro", "masculino", "feminino", "computador", etc, dividindo-as em 20 categorias.

Agora, com os voluntários já despertos, os pesquisadores lhes apresentavam fotografias relativas a essas palavras-chave, e associavam as ondas cerebrais correspondentes a cada uma delas, separando-as inclusive pelas regiões do cérebro que elas afetavam.

Desta forma, por comparação com fatos e valores já conhecidos de antemão, se pode chegar a uma conclusão sobre o que a pessoa está sonhando mediante o gráfico de suas ondas cerebrais. Uma Pedra de Roseta mais moderna, sem dúvida, mas igualmente decifrável.

A primeira grande descoberta, entretanto, foi constatar que tanto o sentido da visão (quando a pessoa está desperta) como as imagens dos sonhos são processadas na mesma região do cérebro.

Já a leitura científica dos sonhos, propriamente dita, pode dar origem a uma assustadora "polícia dos sonhos", levando a usos perigosos por indivíduos e governos mal intencionados.

Do ponto de vista jurídico, por exemplo, até que ponto são invioláveis a consciência e a liberdade de um cidadão para se proibir que uma ordem legal qualquer invada os seus sonhos?

Não se trata somente de controle mental, mas a tecnologia pode ser desenvolvida até o ponto de manipular alguém a ter determinados sonhos ou assumir certas verdades alheias como suas.

Enfim, são muitas as possibilidades de aplicação da pesquisa científica japonesa, embora, cá entre nós, elas pareçam ser muito mais maléficas que benéficas. Talvez aquele recente filme, "A Origem" ("Inception") não seja tão ficção científica assim...

Pelo menos por enquanto, os seus sonhos são só seus. Mas só por enquanto... aproveite!

Fonte: Nature



terça-feira, 30 de outubro de 2012

Inventário do invisível

Então... você acha que sabe tudo? Mad afinal, o que é o "invisível", por exemplo?

Essa é a pergunta que John Lloyd tenta responder de maneira absolutamente instigante, para deleite de todos aqueles que não se conformam em ver (e tentar entender) apenas a superfície das coisas.

O primeiro vídeo abaixo é a participação de John Lloyd na conferência TED, com legendas em português.

O segundo vídeo é um resumo muito bem humorado de sua preleção.






sexta-feira, 10 de agosto de 2012

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Neurocientista diz que animais têm consciência

Recentemente foi divulgada a notícia de uma jovem fêmea de leopardo que matou uma fêmea de babuíno e se "arrependeu", pois não tinha percebido que ela tinha um filhote (veja a notícia no HypeScience).

No mesmo compasso, ainda que seja estranha a conexão que o neurocientista canadense Philip Low faz entre queijo e consciência, não deixa de ser muito interessante a matéria da Veja sobre "consciência animal", aquela revista que temos que fazer uma necessária ressalva toda vez que divulga algo assim, digamos, diferente, já que a publicação ficou tristemente famosa pelo caso boimate:

"Não é mais possível dizer que não sabíamos", diz Philip Low

Neurocientista explica por que pesquisadores se uniram para assinar manifesto que admite a existência da consciência em todos os mamíferos, aves e outras criaturas, como o polvo, e como essa descoberta pode impactar a sociedade

O neurocientista canadense Philip Low ganhou destaque no noticiário científico depois de apresentar um projeto em parceria com o físico Stephen Hawking, de 70 anos. Low quer ajudar Hawking, que está completamente paralisado há 40 anos por causa de uma doença degenerativa, a se comunicar com a mente. Os resultados da pesquisa foram revelados no último sábado (7) em uma conferência em Cambridge. Contudo, o principal objetivo do encontro era outro. Nele, neurocientistas de todo o mundo assinaram um manifesto afirmando que todos os mamíferos, aves e outras criaturas, incluindo polvos, têm consciência. Stephen Hawking estava presente no jantar de assinatura do manifesto como convidado de honra.

Low é pesquisador da Universidade Stanford e do MIT (Massachusetts Institute of Technology), ambos nos Estados Unidos. Ele e mais 25 pesquisadores entendem que as estruturas cerebrais que produzem a consciência em humanos também existem nos animais. "As áreas do cérebro que nos distinguem de outros animais não são as que produzem a consciência", diz Low, que concedeu a seguinte entrevista ao site de VEJA:

Estudos sobre o comportamento animal já afirmam que vários animais possuem certo grau de consciência. O que a neurociência diz a respeito? Descobrimos que as estruturas que nos distinguem de outros animais, como o córtex cerebral, não são responsáveis pela manifestação da consciência. Resumidamente, se o restante do cérebro é responsável pela consciência e essas estruturas são semelhantes entre seres humanos e outros animais, como mamíferos e pássaros, concluímos que esses animais também possuem consciência.

Quais animais têm consciência? Sabemos que todos os mamíferos, todos os pássaros e muitas outras criaturas, como o polvo, possuem as estruturas nervosas que produzem a consciência. Isso quer dizer que esses animais sofrem. É uma verdade inconveniente: sempre foi fácil afirmar que animais não têm consciência. Agora, temos um grupo de neurocientistas respeitados que estudam o fenômeno da consciência, o comportamento dos animais, a rede neural, a anatomia e a genética do cérebro. Não é mais possível dizer que não sabíamos.

É possível medir a similaridade entre a consciência de mamíferos e pássaros e a dos seres humanos? Isso foi deixado em aberto pelo manifesto. Não temos uma métrica, dada a natureza da nossa abordagem. Sabemos que há tipos diferentes de consciência. Podemos dizer, contudo, que a habilidade de sentir dor e prazer em mamíferos e seres humanos é muito semelhante.

Que tipo de comportamento animal dá suporte à ideia de que eles têm consciência? Quando um cachorro está com medo, sentindo dor, ou feliz em ver seu dono, são ativadas em seu cérebro estruturas semelhantes às que são ativadas em humanos quando demonstramos medo, dor e prazer. Um comportamento muito importante é o autorreconhecimento no espelho. Dentre os animais que conseguem fazer isso, além dos seres humanos, estão os golfinhos, chimpanzés, bonobos, cães e uma espécie de pássaro chamada pica-pica.

Quais benefícios poderiam surgir a partir do entendimento da consciência em animais? Há um pouco de ironia nisso. Gastamos muito dinheiro tentando encontrar vida inteligente fora do planeta enquanto estamos cercados de inteligência consciente aqui no planeta. Se considerarmos que um polvo — que tem 500 milhões de neurônios (os humanos tem 100 bilhões) — consegue produzir consciência, estamos muito mais próximos de produzir uma consciência sintética do que pensávamos. É muito mais fácil produzir um modelo com 500 milhões de neurônios do que 100 bilhões. Ou seja, fazer esses modelos sintéticos poderá ser mais fácil agora.

Qual é a ambição do manifesto? Os neurocientistas se tornaram militantes do movimento sobre o direito dos animais? É uma questão delicada. Nosso papel como cientistas não é dizer o que a sociedade deve fazer, mas tornar público o que enxergamos. A sociedade agora terá uma discussão sobre o que está acontecendo e poderá decidir formular novas leis, realizar mais pesquisas para entender a consciência dos animais ou protegê-los de alguma forma. Nosso papel é reportar os dados.

As conclusões do manifesto tiveram algum impacto sobre o seu comportamento? Acho que vou virar vegetariano. É impossível não se sensibilizar com essa nova percepção sobre os animais, em especial sobre sua experiência do sofrimento. Será difícil, adoro queijo.

O que pode mudar com o impacto dessa descoberta? Os dados são perturbadores, mas muito importantes. No longo prazo, penso que a sociedade dependerá menos dos animais. Será melhor para todos. Deixe-me dar um exemplo. O mundo gasta 20 bilhões de dólares por ano matando 100 milhões de vertebrados em pesquisas médicas. A probabilidade de um remédio advindo desses estudos ser testado em humanos (apenas teste, pode ser que nem funcione) é de 6%. É uma péssima contabilidade. Um primeiro passo é desenvolver abordagens não invasivas. Não acho ser necessário tirar vidas para estudar a vida. Penso que precisamos apelar para nossa própria engenhosidade e desenvolver melhores tecnologias para respeitar a vida dos animais. Temos que colocar a tecnologia em uma posição em que ela serve nossos ideais, em vez de competir com eles.



segunda-feira, 9 de abril de 2012

D. Odilo Scherer decide quem pode sofrer

Publicamos aqui no último mês de janeiro, no artigo "Aborto e vida Severina", um documentário contundentemente trágico sobre o sofrimento de um casal humilde nordestino (em especial a mãe) durante a gestação de um feto anencéfalo, destinado à morte assim que visse a luz do dia, o que de fato ocorre, já que os meandros da Justiça e da saúde pública fazem o sofrimento perdurar indefinidamente até o caixãozinho branco do final.

Como já escrevemos naquela oportunidade, talvez o momento mais emblematicamente triste do documentário "Uma História Severina" (vídeo abaixo), ocorre quando a mãe vai a uma loja comprar UMA única roupinha para o bebê, e a vendedora, na esperança - talvez - de vender um enxoval inteiro, fica estupefata com a resposta que recebe, a de que a criança ia nascer para morrer.

Impossível, portanto, não sentir - no mínimo - compaixão pela triste sina do casal. Não havia solução fácil no caso deles. Qualquer que fosse a decisão tomada, a dor seria inafastável.

Por isso, soa no mínimo estranha a declaração do cardeal-arcebispo de São Paulo, D. Odilo Scherer, publicada no Estadão ontem, 8 de abril de 2012, de que o sofrimento da mãe não é justificativa para o aborto de anencéfalo. Passa a impressão de que quem decide se alguém pode ou não sofrer é um cardeal da igreja católica.

Ao fazer isso, o cardeal - inadvertidamente - não pode reclamar de toda e qualquer pessoa que queira julgar, por exemplo, se as justificativas dadas pela igreja católica aos casos de pedofilia no seu meio são razoáveis ou não, e as vítimas de padres pedófilos não se surpreendem já que - historicamente - as autoridades católicas se preocuparam muito mais em proteger os abusadores do que com o sofrimento que eles causaram.

Dois pesos e duas medidas, portanto. Claro que esta é uma generalização barata de um problema muito mais profundo, mas ela é propositalmente feita para que se perceba a fragilidade dos argumentos do cardeal. Do alto do seu trono episcopal, ele agora controla as consciências já destinadas à tragédia e decide quem pode ou não pode sofrer...

Desconfio que boa parte da perda de influência e de fiéis da igreja católica se dê pelo abandono concomitante do foco no seu discurso teológico. Ao leigo, parece que eles só se preocupam com o aborto, que se torna um discurso ideológico ao sabor das marés políticas e jurídicas de ocasião.

Isso não quer dizer que o discurso anti-aborto não seja legítimo, dentro do ambiente e da ênfase em que ele se fizer necessário. O que ele não pode trazer embutido é o desejo inquisitório e autoritário de decidir quem vai sofrer, acrescentando dor externa a quem não consegue mais suportar a dor que carrega no ventre...





domingo, 6 de novembro de 2011

A voz da consciência

A Folha de S. Paulo publica hoje uma ótima entrevista com o neurocientista português António R. Damásio, que tem carreira brilhante nos Estados Unidos - onde atualmente é professor de Neurociência na University of Southern California -, em que ele aborda, além da área em que é especialista, temas variados como consciência, religião, ciência, ateísmo, linguagem, entre outros assuntos, e todos de uma maneira sucinta e equilibrada. Vale a pena ler:

A voz da consciência

Damásio e a festa movediça dos pensamentos

RESUMO

O neurocientista António R. Damásio propõe um modelo para explicar a consciência humana, que se formaria em três níveis: o "protosself", o "self central", desenvolvidos na infância, e o "self autobiográfico", que segundo ele seria um "trabalho em andamento", fruto do acúmulo de nossas experiências e reflexões sobre o mundo.

CARLOS MESSIAS

O "SELF" PODE ser entendido como a consciência do eu e do mundo ao redor, a unidade central e reguladora do que somos, sentimos e vivemos. Em seu "Livro do Desassossego", Fernando Pessoa se refere à consciência como uma "orquestra oculta" e diz desconhecer quais "instrumentos tangem e rangem" nela: "Só me conheço como sinfonia".

Em seu quarto livro, "E o Cérebro Criou o Homem" [trad. Laura Teixeira Motta, Companhia das Letras, 439 págs., R$ 49], outro português, o neurocientista António R. Damásio, 67, aprofunda seu mergulho na sinfonia citada por Pessoa -ou, em suas palavras, na "festa movediça" de imagens, memórias e sentimentos que é a consciência humana. No livro, o autor prossegue sua ambiciosa investigação sobre o papel do corpo e de nossa origem animal nas representações mentais e propõe tese pioneira ao apontar o tronco cerebral, e não o córtex pré-frontal, como centro da consciência.

"Procuro articular a forma como os sentimentos são fundamentais na construção da consciência, tanto do que somos quanto do que está a nossa volta", disse o autor em entrevista à Folha, concedida por telefone, em seu gabinete na Universidade do Sul da Califórnia, onde coordena o Instituto de Cérebro e Criatividade.

Neodarwinista e ex-pupilo de Norman Geschwind, o pai da neurologia comportamental, Damásio reconhece que é preciso ter fé na ciência e acredita em tratamentos médicos e espirituais combinados.

Folha - Em que sentido "E o Cérebro Criou o Homem" complementa "O Erro de Descartes"?
António R. Damásio - Em vários sentidos. "O Erro de Descartes" teve muito a ver com o problema fundamental da emoção e a maneira como ela influencia as nossas decisões. Este livro também fala sobre isso, mas procuro articular a forma como os sentimentos são fundamentais na construção da consciência, tanto do que somos quanto do que está ao redor. Eu me aprofundo mais nas origens da mente, nos sentimentos básicos e na consciência.

Mas, se a consciência é fundamental para tomarmos conhecimento do mundo, estava Descartes (1596-1650) realmente tão equivocado?
Sim, pois são os sentimentos básicos que nos permitem ter consciência. Eles são os alicerces da nossa realidade refletida. Depois vêm a linguagem, o raciocínio complexo e toda a criatividade. "Penso, logo existo" dá uma impressão falsa de que só os seres que têm capacidade de pensar podem existir, mas, muito antes de haver pensamento, já existiam seres que sentem seus próprios corpos, sentem suas vidas e, portanto, existem. O correto seria "tenho sentimentos, logo existo".

A linguagem seria a unidade fundamental da consciência?
Existem muitos outros aspectos associados com a memória, com o raciocínio complexo e eventualmente com a linguagem e com o raciocínio baseado na linguagem. Um cão ou um chimpanzé são capazes de raciocinar até muito bem. No entanto, eles não têm linguagem como nós temos, o que nos permite explicar nossas ideias e nos comunicar uns com os outros.

Essa relação de continuidade estaria explícita na sua tese de que o tronco cerebral, estrutura mais primitiva do que a região cortical, seria o centro da consciência?
Exatamente. Um dos pontos fundamentais do livro é mostrar como entender a consciência como função cortical é pensar ao contrário. É como construir um edifício a partir do 20º andar, quando, na verdade, deve-se começar pelo alicerce. E o tronco cerebral é o alicerce da consciência e do sentir. Só depois vêm muitos andares, onde as funções tornam-se mais complexas. E, quando se chega ao córtex cerebral, as coisas tornam-se de fato muito complexas.

Se é tão óbvio, por que tanta demora em chegar a essa conclusão?
É interessante que essa constatação seja baseada em muitos dados que já existiam. O deslumbramento com o córtex cerebral é fruto de uma era das neurociências que está prestes a acabar. Isso poderia ter sido concluído há mais tempo, mas as pessoas ainda se deixam levar pelo fascínio pelo córtex cerebral, afinal, é a estrutura mais distintamente humana e induz a concluir que aquilo que é mais complexo é, portanto, humano. O que não significa que seja o sítio onde começa a humanidade.

Desse processo advêm as três instâncias do self que o sr. propõe?
Com certeza. Há um protosself, extremamente simples e primordial. Depois, há um self central, que é um pouco mais complexo e compartilhado com vários animais. Por fim, há o self autobiográfico, que é sobretudo humano.
É aquilo que todos nós compreendemos, pois nos dá uma história própria. Distingue aquilo vivemos, aquilo que pensamos e, portanto, nos dá noção de que somos seres únicos. Essa, sim, depende do córtex cerebral. Para chegar a esse estágio, todas as partes do cérebro trabalham colaborativamente.

Quando essas propriedades do self se manifestam no processo de desenvolvimento de uma criança?
O protosself e o self central desenvolvem-se rapidamente após o nascimento. Um bebê com um ano tem o protosself e o começo do self nuclear. O self autobiográfico só se desenvolve entre os 18 meses e os dois anos de idade. Há quem diga que demora mais que isso, porque muito poucas pessoas têm memórias de quando tinham essa idade.
O self autobiográfico é um trabalho em andamento. O self que eu tenho hoje é completamente diferente do que eu tinha aos 12 anos. Vai ganhando mais profundidade por causa do acúmulo de experiência em decorrência da nossa análise dessa vivência, pois constantemente analisamos e repensamos aquilo que nós somos.

O seu livro não emite conclusões fechadas, mas reconhece que a consciência é uma somatória de fatores. Ainda será possível mapear todas as funções cerebrais?
Sem dúvida nenhuma vamos avançar cada vez mais. Só é preciso ter alguma modéstia para reconhecer que jamais poderemos mapear o homem completamente. Não podemos nos esquecer de que, quando nos ocupamos do ser humano, estamos olhando para algo extremamente belo e complexo. Só se fôssemos muito presunçosos poderíamos pensar que vamos explicar tudo isso.
Ficamos contentes quando avançamos, mas sempre haverá algo a explicar. Acho bom que algo complexo como o ser humano não seja, nem será em cem anos, completamente explicável. Há de se esperar com paciência e modéstia.

Se isso ocorresse, o homem poderia passar a induzir, em si mesmo ou nos outros, estados de consciência?
Sou um otimista. É claro que é preciso ficar atento para não deixar que o conhecimento seja usado para finalidades vis. É interessante pensar que, quanto mais soubermos sobre isso, mais poderemos usufruir desses avanços a nosso favor. É preciso pensar como esse tipo de conhecimento traz mais benefícios do que malefícios.

O sr. é a favor do uso de psicofármacos?
Tudo o que puder ajudar alguém a deixar de sofrer é de grande serventia. A depressão, por exemplo, é causa de grande sofrimento. E não deve ser combatida só com medicamentos. É preciso, antes de mais nada, entender o que se passa e refletir sobre isso. Algumas causas estão relacionadas ao cérebro, outras ao ambiente e muitas vêm dos dois. Precisamos atacar as duas frentes.

O sr. é um dos principais representantes do neodarwinismo, como o biólogo Richard Dawkins ou o etólogo Desmond Morris. No entanto, não levanta a bandeira do ateísmo.
Tenho admiração por trabalhos de ambos. Mas não me identifico com a apresentação pública deles.
Não sinto necessidade nenhuma de declarar minha orientação religiosa. As pessoas não têm nada a ver com o que acredito. Sempre que alguém usa a ciência para tentar impor suas crenças, me parece algo excessivo e deslocado. Ainda sabemos tão pouco que não temos como fazer pronunciamentos sobre problemas tão profundos quanto crenças e as razões do universo. As pessoas podem ter opiniões, mas não devem dizer aos outros o que pensar.

Ciência e religião têm uma coisa em comum: a fé. Em qual o sr. acredita?
Ambas precisam de fé. Mas, para ser coerente com a minha resposta anterior, prefiro não me pronunciar quanto às minhas crenças religiosas.

Como médico, aceita que a religião seja usada no tratamento?
Desde que a pessoa tenha consciência do que está fazendo, não vejo problema nenhum em que ela concilie as duas coisas.

"'Penso, logo existo' dá impressão de que só seres capazes de pensar podem existir, mas, antes do pensamento, já existiam seres que sentem seus corpos e, portanto, existem"

"É preciso ter modéstia para reconhecer que jamais poderemos mapear o homem completamente. O ser humano é algo extremamente belo e complexo"

"Não sinto necessidade de declarar minha orientação religiosa. Ninguém tem nada a ver com o que acredito. Usar a ciência para tentar impor crenças me parece algo excessivo"



LinkWithin

Related Posts with Thumbnails