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sábado, 27 de maio de 2017

Egito ataca Estado Islâmico para vingar cristãos martirizados



Este mundo está cada vez mais louco...

A notícia é do Estadão:

Egito ataca base do EI na Líbia após 
atentado que matou 28 cristãos

Mascarados atiraram contra o ônibus que transportava fiéis a um mosteiro copta, deixando também 24 feridos; ação ocorre pouco mais de um mês após os atentados do Estado Islâmico a igrejas coptas no Dia de Ramos

CAIRO - O presidente egípcio, Abdel-Fatah al-Sissi, ordenou nesta sexta-feira um ataque aéreo contra bases de treinamento do Estado Islâmico na Líbia horas após um atentado contra cristãos coptas deixar 28 mortos e 24 feridos. Ele também apelou ao presidente americano, Donald Trump, que lidere a luta contra o terrorismo.

Homens mascarados abriram fogo com armas automáticas contra um ônibus e outros veículos que transportavam fiéis para o mosteiro copta de São Samuel, na Província de Minia. Nenhum grupo assumiu a autoria do ataque.

O atentado, a oeste da localidade de Al Adua, coincide com a ofensiva iniciada há alguns meses pelo braço egípcio do grupo extremista Estado Islâmico (EI) contra a minoria cristã copta no país – que representa cerca de 10% dos 90 milhões de habitantes do Egito – em meio à perda de terreno do grupo no Iraque e na Síria.

Forças de segurança iniciaram uma busca pelos agressores, montando dezenas de postos de verificação e patrulhas na estrada desértica.

O ataque ocorreu na véspera do início do mês muçulmano sagrado do Ramadã e na esteira de uma série de atentados a bomba contra igrejas cristãs coptas no Egito reivindicados pelo EI. Em 9 de abril, atentados contras as catedrais coptas de São Jorge, na cidade de Tanta, no Delta do Rio Nilo, e de São Marcos, em Alexandria, deixaram 45 mortos e um ataque suicida em 11 de dezembro contra a Igreja de São Pedro, no Cairo, matou 29 fiéis, a maioria mulheres e meninas.

Após os atentados do Domingo de Ramos, o presidente egípcio declarou estado de emergência por três meses. Na ocasião, ele acusou os jihadistas de tentar dividir o país com ataques contra minorias.

Os coptas são uma das comunidades cristãs mais importantes do Oriente Médio, e uma das mais antigas. Os muçulmanos sunitas são maioria no Egito.

A Justiça civil anunciou na semana passada o envio à Justiça militar de 48 pessoas suspeitas de envolvimento nos ataques contra as três igrejas coptas realizados desde dezembro.

Segundo a Promotoria, os acusados comandavam ou pertenciam a “duas células” vinculadas ao EI, no Cairo e no sul do Egito, e participaram em “treinamento militar em campos na Líbia e na Síria”.

Um braço do grupo extremista atua ao norte da Península do Sinai, onde ataca com frequência as forças de segurança, sobretudo desde que o Exército destituiu em 2013 o presidente Mohamed Morsi, ligado à proscrita Irmandade Muçulmana.

A comunidade cristã do Egito recebeu no mês passado o apoio do papa Francisco. Durante uma visita de dois dias, o pontífice defendeu a tolerância e o diálogo entre muçulmanos e cristãos. Fervoroso defensor do ecumenismo, Francisco reuniu-se na ocasião com o papa copta ortodoxo do Egito, Teodoro II, e com o imã Ahmed Al-Tayeb, da mesquita de Al-Azhar, a instituição mais prestigiosa do Islã sunita.

Em um comunicado, o Vaticano disse que o papa ficou “muito triste” com o “bárbaro” ataque. Em uma mensagem de condolências, o papa afirmou que continuará com sua “intervenção pela paz e a reconciliação” no Egito.

“O incidente de Minia é inaceitável para os muçulmanos e os cristãos e atenta contra a estabilidade do Egito”, afirmou o imã Al-Tayeb em um comunicado. Em sua página oficial no Facebook, a Irmandade Muçulmana disse que, como em outras ocasiões, o “derramamento do sangue egípcio é proibido” e os ataques são um “crime”.

A Igreja copta apelou, por sua vez, “por mais medidas para prevenir esses incidentes que prejudicam a imagem do Egito”.



sexta-feira, 26 de maio de 2017

Atentado contra ônibus mata 23 cristãos no Egito


A trágica notícia vem da Agência Brasil:

Ataque contra ônibus de cristãos no Egito deixa pelo menos 23 mortos

Pelo menos 23 pessoas morreram nesta sexta-feira (27) e 27 ficaram feridas em um ataque feito por um grupo de homens desconhecidos contra um ônibus de cristãos no povoado de Al Adua, na província de Minia, no Sul do Egito, informou à Agência EFE e o porta-voz do Ministério da Saúde egípcio, Jaled Muyahid.

Entre os feridos, sete estão em estado grave, segundo uma fonte de segurança.

Segundo declarou essa mesma fonte à Agência EFE, o ataque aconteceu quando o ônibus, que transportava cristãos coptas, dirigia-se ao mosteiro de São Samuel, a poucos quilômetros de Al Adua.

A fonte de segurança afirmou que um número indeterminado de homens armados, que estavam em quatro veículos, rodearam o ônibus e começaram a disparar enquanto o veículo circulava por um caminho perto de Al Adua, a caminho do mosteiro.

Os feridos foram levados, segundo o porta-voz, a três hospitais nos povoados de Magaga, Al Adua e Bani Mazar, na província de Minia.

O número de vítimas poderia aumentar pelo estado de saúde das pessoas feridas, segundo a fonte de segurança.

Até o momento, nenhum grupo assumiu a autoria do ataque e ainda não se sabe quantas pessoas contribuíram pelo ocorrido.

A minoria cristã copta foi vítima de numerosos atentados nos últimos meses, pois em 9 de abril, Domingo de Ramos, o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) cometeu dois ataques nas catedrais de São Jorge, na cidade de Tanta (delta do Nilo), e de São Marcos de Alexandria (costa mediterrânea), nas quais morreram 46 pessoas.

Além disso, em 11 de dezembro um terrorista filiado ao EI se explodiu no interior da Igreja de São Pedro, situada junto à catedral copta da capital egípcia do Cairo, e matou uns 30 fiéis, a maioria mulheres e crianças.

Os coptas egípcios representam entre 10% e 12% da população.

Edição: Graça Adjuto



domingo, 9 de abril de 2017

Atentados a igrejas coptas no Egito deixam dezenas de mortos e feridos


Por enquanto, são essas as trágicas estatísticas - ainda incertas e com base em informações que necessitam ser confirmadas - com que os cristãos no mundo todo recebem o Domingo de Ramos, uma festa de tradição católica mas que marca para toda a humanidade o início dos rituais que lembram a morte e ressurreição de Jesus Cristo.

O primeiro atentado aconteceu na igreja de São Jorge ("Mar Girgis") em Tanta, uma cidade a 120 km ao norte do Cairo, capital egípcia, e os primeiros números de vítimas apontavam 21 mortos e 53 feridos. Os dados mais recentes indicam 25 mortos e 69 feridos, e as perspectivas de atualização não são animadoras.

Depois houve um segundo atentado perto da Basílica de São Marcos em Alexandria, templo que equivale, para os coptas, ao que significa a Basílica de São Pedro no Vaticano para os católicos.

Em Alexandria, um terrorista suicida se explodiu perto da igreja no momento em que os fiéis estavam chegando para a missa, e há registro, por enquanto, de pelo menos 6 mortos e 21 feridos.

Alexandria é a sede patriarcal dos coptas, e o atual "papa" deles, Tawadros, estava no local por ocasião da explosão, mas segundo as últimas informações, não foi atingido e está sendo protegido de eventuais rescaldos terroristas.

O papa Francisco foi inteirado da triste notícia pouco antes de rezar o seu tradicional Angelus dominical na praça de São Pedro, ocasião em que fez questão de condenar o ataque terrorista e se solidarizar com os irmãos coptas.

Segundo as autoridades egípcias que estão apurando os fatos, realmente se trata de um ato terrorista, visto que na igreja de Mar Girgis foi encontrado um artefato que havia sido "plantado" no local com antecedência, a fim de que explodisse no horário da celebração religiosa que anuncia a Semana Santa, e o segundo atentado foi efetivamente perpetrado por um homem-bomba.

Em dezembro de 2016, um outro ataque reivindicado pelo Estado Islâmico deixou 29 mortos numa igreja copta do Cairo.

Aguardam-se informações no decorrer do dia, mas desejamos que haja paz no Egito.

As fontes das informações aqui coligidas são o Observador e o Times of Israel.



sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Cristãos são os reis da sucata no Egito


Não, meus amigos, esta não é a mistura do Brasil com o Egito, mas que tem gente dando novo significado à expressão "ralar o tchan" por lá, isso tem...

A matéria é da BBC Brasil:

Minoria cristã se torna 'garimpeira do lixo' em busca de ascensão social no Egito

Caroline Davie

É o cheiro nauseante e adocicado que te atinge primeiro, vindo da mistura de papelão molhado e frutas podres. Ele se mistura aos gases de emissões de veículos e ao odor da areia quente enquanto seguimos viagem por uma autoestrada do Cairo. Estamos na Cidade do Lixo.

Para alguns egípcios, porém, esse é o cheiro do sucesso.

Nosso táxi trafega pelas ruas, seguindo uma caminhão que parece sofrer para transportar sua carga de caixas de papelão compactadas.

Imagens de Nossa Senhora, Jesus e de santos decoram as fachadas de lojas e varandas de apartamento. Resíduous de sacos plásticos, papel alumínio e jornais voam com o vento, misturados à poeira urbana.

Por trás das muralhas desse subúrbio do Cairo está uma comunidade de cristãos coptas, a religião de apenas 10% dos mais de 82 milhões de egípcios. Aqui, eles são conhecidos como os Zabaleen - um termo derrogatório para definir catadores de lixo.

Eles se estabeleceram em uma pedreira abandonada e, desde os anos 70, coletam o lixo no Cairo de graça, trazendo-o para casa para reciclar. A triagem é feita à mão - o plástico é separado do papelão, o tecido do material orgânico - antes de tudo ser vendido para o próximo estágio da "indústria do lixo" que sustenta a comunidade.

O material é pulverizado, derretifo e compactado até que só sobre material orgânico em decomposição, que serve de alimento para porcos mantidos em conjuntos habitacionais do local - e cujos grunhidos ecoam do alto dos prédios.

A Cidade do Lixo, por sinal, é um dos poucos lugares do Cairo em que se pode comer carne de porco na rua - o Egito é um país onde o islã é a religião oficial.

Hoje, as ruas estão vazias, porque é domingo. A igreja, construída em uma caverna, realiza uma missa assistida por cerca de 4 mil pessoas - bem menos que os 20 mil que se aglomeram no local em datas mais significativas do calendário cristão.

As ruas também contam com o que parece uma espécie de camelódromo: sobre tapetes, há um festival de panelas, pratos, taças de champanhe e talheres de prata.

Mas não são bancas. O guia explica para a reportagem da BBC que nenhum dos itens está à venda.

"Esses são os presentes de casamento de uma noiva. Ela os deixa na rua para mostrar aos vizinhos o quão ricos são".

A Cidade do Lixo é um lugar de oportunidades.

Os Zabaleen estão entre os melhores recicladores do mundo, e o aumento da demanda mundial por materiais reciclados fez com que novas empresas surgissem no local.

A Cidade do Lixo abriga uma série de homens jovens em ternos de grife e relógios caros. Alguns desses jovem empreendedores têm diplomas, mas, na maioria dos casos, a combinação de educação básica e uma conta bancária já resolve.

Se a posse de terras é algo complicado em termos legais, os rumores são de que, na Cidade do Lixo, o metro quadrado sai pelo equivalente a R$ 3.600.

A BBC localiza o carro de Adel antes de o encontrar - um esportivo laranja em meio às ruas empoeiradas. Ele está apenas de passagem. Deixou Cidade do Lixo para morar em um condomínio de luxo do Cairo (áreas com nomes de cartão postal de cidades ocidentais, como Beverly Hills e Hyde Park), mas seu negócios ainda estão aqui.

Ao abrir a porta de seu armazém, ele aponta para uma espécie de roda de plástico verde, tão grande como uma pessoas. "Fui o primeiro a comprar essa máquina aqui. Ela transforma garrafas plásticas em espirais de encadernação. Agora, recebo lixo do Egito inteiro", explica.

Outra máquina produz um cubo perfeitamente prensado de metal, comoposto de latas de refrigerante compactadas.

Adel vende seus produtos reciclados ao redor do mundo. Sua filha está matriculada em uma escola particular de renome do Cairo e ele é sócio de um ilustre clube da cidade. Mas a vida não é muito segura: contratos internacionais de reciclagem dependem de estabilidade e consistência, atributos que hoje estão escassos no Egito.

Socialmente, a posição de Adel é precária. A comunidade se sente discriminada.

"Não tenho vergonha de ser Zabal, mas espero que minha filha encontre outra carreira".






sexta-feira, 9 de maio de 2014

Especialistas garantem que o evangelho da "esposa de Jesus" é uma farsa


Aqui no blog nós não damos muita bola para as teorias da conspiração que são rotineiramente criadas na tentativa de fazer as origens históricas do cristianismo caírem em descrédito, mas - a exemplo das descobertas arqueológicas bíblicas que raramente são verdadeiras - nem por isso deixamos de divulgá-las com o devido cuidado e, por que não dizer, ceticismo.

Assim foi em setembro de 2012, quando publicamos aqui a "descoberta" do chamado "evangelho da esposa de Jesus", anunciada por Karen L. King, professora da Harvard Divinity School e reproduzida com estardalhaço pela imprensa e pelos blogs mundo afora.

O fundamento para o achado é um fragmento de papiro escrito em copta antigo, do tamanho de um cartão de visita, que registra as palavras “Jesus disse a eles, ‘minha esposa’”. “Eles”, no caso, seriam os discípulos a quem Jesus estaria se dirigindo na ocasião.

Em abril de 2014, a imprensa mundial se regozijou com a notícia, publicada originalmente na Harvard Theological Review, de que o papiro em questão havia sido submetido a testes científicos que o dataram entre os séculos VII e IX da era cristã, eximindo-o de ser uma falsificação moderna.

Na ocasião, não julgamos digna de registro a datação científica, porque não acrescentava nada ao dilema, nem definia cabalmente a autenticidade do papiro. Afinal, qualquer pessoa que tenha acesso a um papiro antigo pode se valer de uma tesoura, cortar um pedacinho e fazer o que bem entender dele. Se colar, colou! Não será a primeira nem a última vez que isso acontecerá.

Ao que parece, a Harvard Divinity School se tornou um reduto de gnósticos tentando forçar uma revisão das origens do cristianismo, sobretudo as canônicas, de tão interessados que estão em divulgar os evangelhos apócrifos de Judas e Maria Madalena, por exemplo.

O gnosticismo, para quem não se lembra, foi o movimento herético que surgiu no começo da igreja cristã, em que seus seguidores se diziam portadores de um conhecimento único, especial, que lhes havia sido conferido por uma entidade cósmica da qual Jesus teria sido, a grosso modo, uma "fagulha" dessa divindade.

Jesus teria sido, segundo eles, um "ser etéreo", um portador de uma energia cósmica que não tinha existência real, mas, a exemplo do que muitos pensam hoje, teria sido apenas um mestre de bons ensinamentos que poderiam ou não ser seguidos de acordo com a vontade de quem os conheça.

O grande combatente dessa heresia foi o apóstolo João que, em seu evangelho e suas cartas, fez questão de ensinar que Jesus é Deus e havia vindo ao mundo em carne e osso, e não como uma "fagulha", ou uma "força vital" como pregavam os gnósticos.

Quanto ao papiro da professora Karen King, a mídia foi pródiga em anunciar sua suposta autenticidade, mas se silenciou quanto aos eruditos que insistem que se trata de uma falsificação.

Desta maneira, passou (convenientemente) despercebido o artigo do Dr. Jerry Pattengale, publicado no The Wall Street Journal de 1º de maio de 2014 (talvez pelo feriado mundial), em que ele apresenta argumentos sólidos advogando pela falsidade do papiro de Karen King.

Primeiro, o que poucos sabiam é que a tal datação científica foi feita por pesquisadores que assinaram um acordo de confidencialidade para não divulgar os dados laboratoriais que os fizeram chegar a essa conclusão. O que, cá entre nós, já é um tanto quanto estranho. 

A farsa começou a ser desmontada pelo professor Christian Askeland, especialista em copta que atua na Universidade Wesleyana de Indiana, que considera o papiro de Karen King como cópia de outro papiro que já foi definitivamente considerado como falso.

O interessante é que foi a própria Harvard Divinity School que, na ânsia de divulgar sua "descoberta", incluiu um material adicional que forneceu, inadvertidamente, a prova de que se tratava de uma falsificação.

Esse material é outro fragmento de papiro, só que do evangelho de João, que foi disponibilizado nos links indicados por Harvard, e que guarda muitas similaridades com o fragmento de Karen King, como a caligrafia, a tinta e o instrumento de escrita que foi utilizado. E esse fragmento de João havia sido diretamente copiado de uma publicação de 1924.

O professor Askeland acrescenta, ainda, que "dois fatores imediatamente indicaram que se tratava de uma falsificação. Primeiro, o fragmento tinha as mesmas quebras de linha da publicação de 1924. Segundo, o fragmento continha um dialeto peculiar do idioma copta chamado 'licopolitano', que caiu em desuso durante ou antes do século VI. Como a Sra. King fez dois testes radiométricos e concluiu que a planta que forneceu o papiro desse fragmento tinha sido colhida entre os séculos VII e IX, isso significa que o fragmento da 'esposa de Jesus' foi escrito num dialeto que não mais existia na época em que seu papiro foi feito".

Outros especialistas chegaram à mesma conclusão, como Mark Goodacre, professor de copta na Universidade Duke, e Alin Suciu, pesquisador de copta da Universidade de Hamburgo, e a datação antiga do papiro não os surpreendeu, já que, como dissemos acima, um falsificador pode retirar um pedaço pequeno de um papiro antigo e forjá-lo da maneira que mais lhe convier.

O problema é quando a instituição que cai num golpe desses tem o pomposo nome "Universidade de Harvard". Aí o bicho pega...

Melhor não esperar que a falsidade do "evangelho da esposa de Jesus" tenha a mesma repercussão na mídia que sua suposta autenticidade. Afinal, sempre vai haver alguém jurando de pé junto que Jesus era casado com Maria Madalena pelo simples fato de que é gostoso acreditar numa mentira.

É que a verdade não costuma vender jornal...



sexta-feira, 2 de maio de 2014

Arqueólogos poloneses alegam haver encontrado tumba de Alexandre no Egito


Alexandre, o Grande não tem descanso. Pelo menos o que restou de seus ossos, se é que eles estão enterrados em algum lugar, não podem "dormir" em paz.

Em agosto de 2013, traçamos aqui no blog um breve perfil de Alexandre e do mistério que envolve o destino final de seu sarcófago de ouro, quando se especulou que ele estaria enterrado na Grécia.

Apesar do furor que a notícia causou mundo afora naquela época, não se soube mais dos desdobramentos da busca pela tumba perdida de Alexandre em terras gregas.

Agora vem do Egito a notícia de que Alexandre continuaria sepultado em Alexandria, último local onde se sabe que seu sarcófago esteve, até o início da era cristã.

O World News Daily Report informa que uma equipe de arqueólogos e historiadores poloneses encontrou um estranho mausoléu enquanto exploravam a cripta de uma antiga igreja cristã na cidade egípcia que leva o nome do antigo rei macedônio.

A tumba seria feita de mármore e ouro, e estaria situada numa área conhecida como Kom el-Dikka, no centro da cidade de Alexandria, apenas 60 metros distante da mesquita de Nebi Daniel.

Trata-se, segundo os pesquisadores, de um grande monumento, aparentemente selado e escondido durante o século III ou IV depois de Cristo, momento em que o cristianismo se tornou a religião hegemônica do Império Romano.

A decoração do mausoléu seria, também, uma homenagem à natureza multicultural do império conquistado por Alexandre, combinando influências artísticas e arquitetônicas de origem grega, egípcia, macedônia e persa, com inscrições em grego, além de alguns hieroglifos egípcios, mencionando que a tumba é dedicada ao "rei dos reis, e conquistador do mundo, Alexandre III".

Haveria ainda um sarcófago quebrado, feito de cristal, possivelmente danificado durante os distúrbios políticos e religiosos que sacudiram Alexandria durante o reinado de Aureliano, por volta de 270 d. C.

Dentro do sarcófago haveria ainda 37 ossos, na maioria quebrados, provavelmente pertencentes a uma única pessoa adulta do sexo masculino, que, somente após a datação por carbono-14, poderá determinar a que era pertenceram.

Como você percebe, usamos e abusamos aqui de verbos no condicional, já que tudo que envolve Alexandre, o Grande, é sempre objeto de muitas especulações e falsificações.

Além disso, a notícia foi divulgada em portais um tanto quanto desconhecidos, sobre os quais, entretanto, não paira nenhuma suspeita anterior de, digamos, desinformação, mas todo cuidado é pouco.

O próprio fato de existir uma equipe polonesa investigando uma antiga igreja cristã em território copta no Egito já soa um tanto quanto estranho, convenhamos, a começar pelo fato de que os "poloneses" representam para as piadas que os americanos contam o papel que os brasileiros destinam aos "portugueses" nos seus chistes.

Piadas à parte, o Centro Polonês de Arqueologia, apesar de pouco conhecido, goza de alguma reputação não manchada até agora e - talvez - o que chama mais a atenção é o fato de que eles escavavam uma antiga igreja cristã e teriam encontrado algo totalmente inesperado.

Divulgamos a notícia com o fim de que ela seja mais conhecida e mais pessoas acompanhem o desenrolar do processo.

Aguardemos, então, maiores informações sobre o suposto achado, se é que elas algum dia virão.



terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Amizade de padre copta e xeque muçulmano resiste a 40 anos de intolerância religiosa no Egito

Numa região em permanente estado de guerra e num país marcado pelo ódio religioso, ainda há lugares onde cristãos e muçulmanos podem viver em paz e harmonia, segundo noticia o UOL:

No Egito deflagrado,
xeque e padre mantêm
amizade de 40 anos

Richard Furst

Às margens do Rio Nilo, no vilarejo de Qufada, município de Maghagha, no Alto Egito, vive uma dupla de amigos totalmente estranha para o país onde nasceram: Fattah Hamdi, xeque, mantêm há mais de 40 anos a amizade do padre Yoanas.

A semelhança da túnica, da barba longa e do semblante destes dois amigos escondem diferenças enormes.

De um lado, um salafista do Partido Nour, grupo islâmico ultraconservador que quer definir uma nova ordem no país de acordo com tradições do século 7. Do outro, está um sacerdote da Igreja Copta, uma das comunidades cristãs mais antigas do mundo.

No surto de violência no Egito, as propriedades cristãs têm sido alvos constantes de ataques de radicais islâmicos. Mesmo antes das manifestações pelo país, houve prisões de manifestantes lutando pela construção de novos templos.

Os cristãos compõem em torno de 10% dos quase 90 milhões de egípcios. Apesar de ser comum a amizade entre seguidores das duas religiões, as lideranças muçulmanas mantêm linha dura e proíbem a construção ou restauração de igrejas sem a aprovação de autoridades locais. Um relatório divulgado pelo governo egípcio aponta que existem duas mil igrejas no país, contra mais de 100 mil mesquitas.

"Manter a nossa amizade há mais de 40 anos é uma forma também de contribuir para a sociedade local. Ao lado disso, há fortes laços entre nossas famílias: superamos momentos pessoais juntos. Participamos de jantares do mês sagrado do Ramadã e dos almoços de Natal e Páscoa. Nossos filhos são amigos também, só não sabemos se vão seguir a vida como xeque e padre", destaca Yoana, enquanto espera Hamdi para uma reunião num campo de futebol, onde jovens muçulmanos e cristãos também têm o hábito de se encontrar para conversar.

É sexta-feira, dia de descanso nos países árabes, mas Yoanas tem agenda normal. O xeque está atrasado, porque ainda não terminou as orações semanais na mesquita.

Enquanto espera, o padre é surpreendido por uma muçulmana que pede ajuda para retirar parte de um brinquedo que feriu o nariz do filho. Yoanas chama o padre que realiza os serviços médicos na igreja: uma bolinha é retirada com uma pinça, e a mãe, que não tem contato físico com homens, balança a cabeça para agradecer o socorro.

"As relações entre muçulmanos e cristãos aqui na cidade são muito fortes. É amizade, não apenas cumprimentos pelas ruas. Se houver problemas, mesmo entre dois cristãos, viemos à igreja para ajudar a resolvê-los", diz o xeque ao se aproximar do templo e ver o atendimento médico realizado.

O xeque também é do Comitê de Reconciliação, local que trabalha de acordo com regulamentos islâmicos extremamente tradicionais.

As diferenças são colocadas de lado no dia a dia e eles parecem conversar sobre os mais diferentes temas. São a favor, por exemplo, da nova Constituição do Egito. O copta espera que essa possa ser a oportunidade de facilitar a construção de novas igrejas cristãs, algo praticamente impossível neste momento. A relação com as suas mulheres – o título religioso não os proíbe do casamento –, os filhos e os problemas da comunidade também são tratados.

"Fazendo caridade em nossa região, a gente encontrou uma forma de falar sobre religião e política sem alterar a voz. É preciso se dedicar ainda mais, nós sabemos, temos muito ainda a conversar sobre nossas doutrinas", acrescenta o padre.

A população local, formada por cerca de 220 famílias cristãs e mais de 30 mil muçulmanos, recorre constantemente às lideranças religiosas. Até em casos extremos, o xeque ou o padre são acionados pelos moradores antes mesmo do hospital ou da polícia. Qufada está distante do Cairo não só pelas quatro horas de carro, mas pelas galinhas e jumentos soltos nas ruas aonde o asfalto, o saneamento básico e a coleta de lixo ainda não chegaram.

"Todos os dias nós resolvemos problemas entre a população. Em muitos casos, uma luta ou acidente pessoal se transforma em conflito religioso, sem ter essa origem. Certa vez um cristão atropelou um muçulmano. Se a vítima tivesse morrido seria um grande problema porque as pessoas começariam a relacionar com a igreja. Nós não aceitamos qualquer opinião tendenciosa ou agressiva em favor de um grupo ou ideia", frisa o xeque.

Há diversos relatos de que líderes islâmicos incitaram atos contra cristãos, transmitindo mensagens contra coptas pelos alto-falantes de mesquitas e durante os protestos pela restituição do presidente deposto Mohamed Mursi.

Em Qufada não é diferente. Mas Hamdi diz que está pronto para subir a qualquer momento até a torre da igreja da Virgem Maria para proteger o templo do amigo Yoanas. Sobre os ataques e mortes em manifestações no Egito, o xeque abraça o padre e diz: "essas pessoas não entendem o islã, que quer dizer paz".



sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Egito mergulha no caos

Cristãos e muçulmanos egípcios em 2011: a união não sobreviveu à lua-de-mel.

Os protestos iniciados em 25 de janeiro de 2011, contra a então ditadura de Hosni Mubarak no Egito, encheram de esperança os cristãos e muçulmanos do país, que marcharam unidos na Praça Tahrir e derrubaram o regime opressor.

A revolução egípcia de 2011 representou o apogeu da chamada "Primavera Árabe", uma onda supostamente democrática que também varreu outros países árabes como Tunísia e Líbia, sem contar aqueles que ainda estão conflagrados, como Síria, Omã, Iêmen e Bahrein.

Entretanto, as coisas não andaram nada bem para o lado do Egito.

Ainda que, em junho de 2012, eleições livres tenham escolhido Mohamed Morsi, candidato da Irmandade Muçulmana, como o novo presidente do país, a sua tentativa de "islamizar" o país não foi bem recebida pelas forças armadas locais, nem pelos aliados estrangeiros, o que resultou na sua deposição em 3 de julho de 2013.

Teria faltado tato a Morsi? Afinal, o Egito é peça chave do conturbado jogo geopolítico do Oriente Médio, onde a preservação do Estado de Israel é defendida a qualquer custo pelo seu maior patrocinador, os Estados Unidos.

Desde os acordos de paz de 1977 e 1978, o Egito foi uma espécie de Estado-tampão no mundo árabe, que garante a relativa paz de Israel, pelo menos no seu flanco Sul.

Só que essa "neutralidade" egípcia foi conseguida às custas de mão de ferro no controle político do país.

Afinal, "democracia" é um conceito que os países poderosos manipulam conforme a sua conveniência. Inúmeras vezes, ditadura no território dos outros é refresco.

Registre-se que houve amplo apoio popular à derrocada de Morsi em julho de 2013, tendo em vista a profusão de problemas sociais e econômicos que se agravaram no seu curto governo.

Ressalte-se, ainda, que a base eleitoral que garantiu a vitória da Irmandade Muçulmana - em 5 eleições seguidas - veio das áreas periféricas, rurais e distantes das metrópoles Cairo e Alexandria, onde a oposição sempre lhe foi muito forte e aguerrida.

O caldeirão de pólvora da nascente democracia egípcia demorou, pois, pouco mais de um ano para explodir.

E, lamentavelmente, parece que não falta combustível para essa autodestruição do país, que vem sobretudo do fanatismo religioso.

O representante máximo da maior denominação cristã do Egito, o recentemente eleito patriarca copta Tawadros II, também não contribuiu em nada para a pacificação do país, ao contrário de seu antecessor, Shenouda III, que apascentou seu rebanho em relativa segurança por 40 anos igualmente conturbados.

Pouco antes do golpe militar que derrubou Morsi, Tawadros II chegou a tuitar euforicamente em defesa dos protestos contra o regime democraticamente eleito, segundo noticiou à época o Vatican Insider.


Patriarca Tawadros II e Papa Francisco se encontraram em maio de 2013.

Não por acaso, portanto, o patriarca copta é citado numa lista de líderes egípcios marcados para morrer. O horror impera no país.

Infelizmente, parece que não falta gente disposta a "apagar" o incêndio egípcio com gasolina.

A invasão da mesquita El Eyman, onde seguidores da Irmandade Muçulmana se encontravam reunidos a favor de Morsi, na última quarta-feira, 14 de agosto de 2013, terminou com a morte de cerca de 600 pessoas, em estatística macabra ainda não confirmada e sujeita a atualização em curso.

Em retaliação ao massacre de membros do partido de Morsi, dezenas de igrejas cristãs foram destruídas e queimadas ontem, 15 de agosto de 2013.

A dúvida é se o ataque à mesquita pode ser considerado um "genocídio", o que - nessa semântica macabra - poderia provocar o genocídio de cristãos.

A população cristã do país, que representa 10% da população local de aproximadamente 85 milhões de pessoas, está apavorada com mais essa perseguição.

O convívio entre cristãos e muçulmanos no Egito nunca foi dos mais amistosos, com atritos frequentes aqui e ali, mas sempre houve mais tolerância e respeito do que em outros países árabes pelo importância que a igreja copta egípcia tem para a cristandade e sua importância histórica para o país.

Igreja copta de São Jorge, em Assiut, destruída.

Muitas igrejas coptas foram atacadas na última onda de violência, e, a julgar pela crescente instabilidade política do Egito, não é nada seguro professar a fé cristã por lá.

A própria ONU já denunciou a crise e apelou para o entendimento e a pacificação entre as partes com a máxima urgência possível.

A ABPNews noticia o ataque a uma igreja batista em Beni Mazar, a duas horas de carro em direção ao sul da capital egípcia, Cairo.

O pastor Mounir Sobhy Yacoub Malaty, da Primeira Igreja Batista do Cairo, pediu as orações dos irmãos de todo o mundo, e ainda indicou um vídeo do facebook para mostrar a situação em que ficou a igreja de Beni Mazar.

O portal ahramonline estimou em 38 o número de igrejas cristãs que foram vandalizadas juntamente com a batista de Beni Mazar, na sua maioria coptas, mas também ortodoxas e católicas.

Órgãos do governo e da polícia local também não escaparam à depredação.

Para piorar as coisas, a Irmandade Muçulmana marcou para hoje, 16 de agosto de 2013, um "dia de fúria" no Egito, para vingar as mortes de dois dias atrás.

As expectativas para o futuro egípcio são mais tenebrosas do que os piores cenários que alguém pode imaginar.

Um consenso nacional e internacional sobre o destino do país se faz mais que urgente.

Só nos resta clamar pelo desarmamento dos espíritos e orar pela paz no Egito, para que o país não se esfacele ainda mais.


Militantes muçulmanos em conflito com as forças de segurança em 14/08/13,
tudo o que o Egito não precisa.



sexta-feira, 10 de maio de 2013

Papa e patriarca copta se reúnem pela paz no Vaticano

O encontro histórico aconteceu na manhã de hoje, 10/05/13, e a notícia vem do Estadão:

Papa copta e papa Francisco rezam juntos no Vaticano

Dois papas rezaram juntos nesta sexta-feira no Vaticano, um católico e outro ortodoxo, um sinal da melhora dos laços após a eleição dos novos líderes para as duas igrejas.

O papa Francisco saudou o líder da igreja ortodoxa copta do Egito, papa Tawadros II, na primeira reunião desse tipo no Vaticano em 40 anos, dizendo que a visita do colega "fortalece os laços de amizade e fraternidade entre as duas igrejas".

As igrejas copta e católica se separaram no século 5º, por causa de diferenças teocráticas.

Os cristãos são cerca de 10% da população egípcia. A igreja copta ortodoxa do Egito conta com cerca de 10 milhões de fiéis, enquanto a igreja católica copta no Egito - cujos fiéis são leais ao papa Francisco, têm cerca de 165 mil seguidores.

As duas igrejas têm reclamado a respeito da crescente discriminação e dos ataques contra eles desde 2011, ano em que o presidente Hosni Mubarak foi derrubado e teve início o aumento de poder da Irmandade Muçulmana no Egito.

Os dois papas rezaram juntos pela paz nesta sexta-feira na moderna capela Redemptoris Mater (Mãe do Redentor), localizada no interior do Palácio Apostólico.

A visita celebra os 40 anos da assinatura da declaração de melhoria de relações, de 1973, pelo papa Paulo VI e o antecessor de Tawadros, papa Shenouda III, que morreu no ano passado. O papa João Paulo II visitou Shenouda no Cairo em 2000.

Francisco citou nesta sexta-feira o "sofrimento" dos cristãos, dizendo que seu sofrimento compartilhado pode ser uma fonte de força e união. "Do sofrimento compartilhado pode florescer o perdão, a reconciliação e a paz, com a ajuda de Deus", disse ele.

Desde que assumiu o cargo no ano passado, Tawadros tem se aproximado da comunidade católica egípcia, participando da posse do novo patriarca católico e ajudando na formação de um conselho de igrejas cristãs no Egito.

Francisco, por sua vez, tem se aproximado da igreja ortodoxa. O patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu, participou da cerimônia de posse de Francisco, o que representa um importante gesto de unidade.

Tawadros já havia declarado que queria ir a Roma para parabenizar Francisco por sua eleição, convidá-lo para ir ao Egito e tentar construir a unidade entre as igrejas e a paz na região. "Trabalhar juntos para promover o diálogo ecumênico e a paz na Terra será nosso objetivo mútuo", disse ele em inglês.

A presença de Tawadros no interior do Palácio Episcopal significa que havia na verdade três papas no Vaticano nesta sexta-feira. O papa emérito Bento XVI está em sua casa de repouso localizada nos jardins do Vaticano. As informações são da Associated Press.



terça-feira, 6 de novembro de 2012

Igreja copta egípcia já tem um novo patriarca


Depois da morte do patriarca Shenouda III, em março deste ano, a igreja ortodoxa copta egípcia chegou ao fim de um longo processo seletivo que apontou o 118º Patriarca de Alexandria.

Tawadros II assumirá o patriarcado oficialmente no próximo dia 18 de outubro, e passa a liderar cerca de 16 milhões de fiéis espalhados pelo mundo, mas fortemente concentrados no Egito, onde representam aproximadamente 10% da população de 85 milhões, de maioria muçulmana.

Apesar de exercer entre os ortodoxos coptas um papel similar ao do papa na igreja católica, o processo seletivo copta é um tanto quanto diferente do romano, já que um colégio eleitoral de 2.500 pessoas (que inclui laicos além do clero) votam secretamente até chegarem a uma lista tríplice.

Os candidatos selecionados nas recentes eleições foram os bispos Rafael, de 54 anos de idade, do Cairo, e Tawadros, 60 anos, de Beheira (delta do Nilo), além de um monge, Rafael Ava Mina, de 70 anos.

Quando os três nomes finais estão definidos, eles são colocados numa urna e um garoto de olhos vendados "sorteia" o escolhido, o que aconteceu no último domingo na catedral de São Marcos no Cairo, capital egípcia.



O novo patriarca copta recebe a igreja num período conturbado da história egípcia. Seu antecessor, Shenouda III, conseguiu conduzir os coptas em relativa paz ao longo de seu pontificado, mesmo com todas as crises políticas e religiosas que teve que enfrentar.

Tawadros II começa seu reinado, entretanto, com bons augúrios, já que Mohamed Badia, líder da poderosa Irmandade Muçulmana, principal força política e religiosa do Egito, imediatamente o saudou com efusivos parabéns por sua eleição, desejando-lhe pleno êxito em sua missão.

Que Deus permita que cristãos e muçulmanos vivam em paz no Egito.

Fontes: Correio Braziliense, Folha de S. Paulo e IHU



terça-feira, 18 de setembro de 2012

Surge mais um papiro antigo que sugere que Jesus era casado


Dia sim, dia não, aparece uma nova descoberta que traz alguma “revelação” sobre a vida de Jesus, especialmente quanto a textos apócrifos que falam sobre detalhes não canônicos de sua vida.

Desnecessário dizer que tem gente que ganha muito dinheiro com isso. Basta lembrar Dan Brown e seu livro “O Código Da Vinci” que requentava velhas estórias sobre o romance (e casamento) de Jesus com Maria Madalena.

Pena que só depois de ver o filme baseado no livro é que as pessoas se deram conta da bobagem paranoica de mais essa teoria da conspiração pseudobíblica (e do dinheiro que perderam e que poderia ter comprado livros melhores).

A bola da vez vem através de Karen L. King, professora da Harvard Divinity School, que alega ter encontrado um fragmento de papiro do século IV d. C., que – segundo ela – sugere que Jesus teria sido casado.

Mal foi lançado o novo boato extrabíblico, e os costumeiros teóricos da conspiração já estão chamando o novo manuscrito de “o evangelho da esposa de Jesus”, expressão que você certamente ouvirá muito nos próximos dias, talvez meses.

Escrito em copta, antiga língua egípcia, o fragmento (do tamanho de um cartão de visita) diria algo traduzido como “Jesus disse a eles, ‘minha esposa’”. “Eles”, no caso, seriam os discípulos a quem Jesus estaria se dirigindo na ocasião.

O tal “cartão de visita” ainda não foi datado cientificamente, embora King e outros eruditos (não se sabe quais) aleguem não ter dúvidas de sua autenticidade.

A professora King não é novata na função da, digamos, “polêmica escritural”, já que já publicou livros sobre outros apócrifos, como os evangelhos de Judas e Maria Madalena.

O anúncio do novo “evangelho” foi feito em Roma esta semana, durante a reunião do Congresso Internacional para Estudos Coptas.

Alega King, conhecida combatente das análises sexistas da Bíblia, que “faz tempo que a tradição cristã sustenta que Jesus não foi casado, ainda que não exista nenhuma evidência histórica para dar suporte a essa afirmação”.

Acrescenta que “esse novo evangelho não prova que Jesus era casado, mas nos diz que toda a questão só surgiu como parte de um debate acirrado sobre sexualidade e casamento. Desde o começo, os cristãos discordaram sobre se era melhor não se casar, mas só depois de um século depois da morte de Jesus é que eles começaram a apelar para o estado conjugal de Jesus para apoiar suas posições”.

Como se percebe, muita água ainda vai rolar debaixo dessa ponte. Inutilmente, diga-se de passagem, mas fornecerá combustível gratuito à fervura requentada e recalcada das paixões anticristãs e antiortodoxas que grassam no mundo de hoje.

Ficou curioso? Pelo menos, você não vai precisar gastar dinheiro comprando o livro. Alguém certamente te dará um "Código Da Vinci" usado com muito gosto.

Nada de novo no front.

A fonte das informações aqui repassadas é o The Huffington Post.



sábado, 18 de agosto de 2012

Patriarca da Igreja Ortodoxa Etíope morre aos 76 anos de idade

Faleceu no último dia 16 de agosto, quinta-feira, Abune Paulos, que era o patriarca da Igreja Ortodoxa da Etiópia, e o fato ocorreu na capital do país, Addis Abeba.

A Igreja Ortodoxa Etíope tem também o nome "Tewahido", que significa "feito um" ou "unificado" no idioma (exclusivamente litúrgico) Ge'ez, e faz referência à crença de algumas igrejas orientais no monofisismo, ou seja, a posição cristológica de que Jesus tem apenas uma natureza, a da humanidade absorvida pela divindade, e não duas naturezas, conforme decidido no Concílio da Calcedônia no ano 451.

A tese das duas naturezas, aceita pelas igrejas ocidentais (católica e protestante) e pela maioria das igrejas orientais (ortodoxas) se expressa na doutrina da Encarnação que foi assim definida em Calcedônia:
"Na linha dos santos Padres, ensinamos unanimemente a confessar um só e mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, o mesmo perfeito em divindade e perfeito em humanidade, o mesmo verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, composto de uma alma racional e de um corpo, consubstancial ao Pai segundo a divindade, consubstancial a nós segundo a humanidade, "semelhante a nós em tudo com exceção do pecado"(Hb 4,15); gerado do Pai antes de todos os séculos segundo a divindade, e nesses últimos dias, para nós e para nossa salvação, nascido da Virgem Maria, mãe de Deus, segundo a humanidade. Um só e mesmo Cristo, Senhor, Filho Único que devemos reconhecer em duas naturezas, sem confusão, sem mudanças, sem divisão, sem separação. A diferença das naturezas não é de modo algum suprimida pela sua união, mas antes as propriedades de cada uma são salvaguardadas e reunidas em uma só pessoa e uma só hipóstase."(DS 301-302)."
A Igreja Ortodoxa da Etiópia é autônoma desde 1959, quando foi declarada independente pela Igreja Ortodoxa Copta de Alexandria, no Egito, da qual era patriarca até pouco tempo atrás Shenouda III, que morreu em março deste ano e aparece acima na foto ao lado de Abune Paulos.

Este, por sua vez, foi o quinto patriarca da Igreja Ortodoxa na Etiópia, comandando cerca de 45 milhões de fiéis no país e em boa parte do mundo onde a diáspora etíope está presente.



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