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domingo, 22 de outubro de 2017

Celebrando os 500 anos da Reforma com Lutero - parte 22


ENCARNAÇÃO E TRINDADE

E eu rogarei ao Pai. [João 14.16a]

“Portanto, se guardarem meus mandamentos, viverem juntos em harmonia e fraternidade, mostrando assim que me amam, então, devem resignar-se com o fato de o diabo os importunar. O mundo mostrará sua hostilidade e os afligirá e atormentará sem fim. Ademais, os falsos cristãos e as facções retribuirão o amor de vocês com todo tipo de maldade. Não permitam que isso os intimide, mas perseverem e permaneçam em meu amor. Vocês não passarão necessidade e não serão abandonados, pois não ficarei sentado, ocioso, lá em cima, no céu, e esquecerei vocês. Nada farei além de ser seu amado sacerdote e mediador; orarei e suplicarei por vocês ao Pai para que ele lhes dê o Espírito Santo, que os consolará, fortalecerá e preservará em todas as necessidades, para que vocês permaneçam em meu amor e possam suportar alegremente tudo que lhes acontecer por minha causa”.

Mas, como é possível reconciliar as palavras “Eu rogarei ao Pai” com aquelas ditas acima, de que “o que pedirdes em meu nome isso Eu farei”? Ali, Cristo mostra que é verdadeiro Deus e que ele mesmo quer conceder o que lhe pedirem. Aqui, porém, ele diz que rogará ao Pai para que este lhes mande um Consolador. Como se pode afirmar do verdadeiro Deus que ele pedirá algo de alguém outro? Pois, certamente, não é próprio de Deus estar sujeito a alguém outro e ser obrigado a receber algo dele. Não, Deus, mesmo é capaz de dar e fazer todas as coisas.

Por isso, quando a esperta razão e as mentes sagazes escutam tais palavras de Cristo, imediatamente exclamam: “Oh, essas não são palavras de Deus, mas de um simples ser humano. Pois se ele fosse Deus, teria de dizer: ‘Eu lhes mandarei o Consolador’”. Dessa maneira, querem mandar o Espírito Santo para a escola; bancam os espertos com sua gramática e sua lógica e nos ensinam que a palavra “rogar” não é própria de Deus e que, por conseguinte, Cristo não pode ser Deus. Então, ampliam e enfatizam isso com sua retórica, fazendo com que o Espírito Santo pareça uma criança, sim, um imbecil, que não sabe como falar. Independentemente do que o Espírito Santo faz e diz, deve estar errado. Portanto, criticam e sabem tudo melhor. Mas não são suficientemente piedosos para juntar os dois versículos, arrancando uma parte do contexto aqui e outra ali, e onde encontram uma palavra ou duas, lançam-se sobre elas e enganam as pessoas para que não vejam o que mais a Escritura tem a dizer sobre isso. Sim, se é válido tomar uma palavra ou duas de um contexto todo e ignorar o que vem antes e depois ou o que a Escritura afirma alhures, então, eu também poderia interpretar e torcer toda a Escritura e qualquer discurso da maneira como me aprouvesse.

Mas a regra é esta: olha o texto todo, inclusive as palavras que o precedem e as que o seguem. Então constatarás que Cristo fala tanto como Deus quanto como ser humano; com isso, evidenciar-se-á, poderosamente, como ensinamos e cremos, que Cristo é verdadeiro homem e, também, verdadeiro Deus. Pois, como se pode expressar em quaisquer palavras que ele fala como Deus e como homem ao mesmo tempo, visto que tem duas naturezas distintas? Se ele sempre falasse como Deus, não se poderia provar que ele [também] é verdadeiro homem. E se ele falasse sempre como homem, não se perceberia que ele também é verdadeiro Deus.

Por isso, Cristo precisa alternar, usando, às vezes, palavras que refletem sua natureza divina e, outras vezes, empregando aquelas que são próprias à sua natureza humana. Contudo, é a mesma pessoa que fala, às vezes, como se fosse tão-somente Deus e, outras vezes, como se fosse apenas ser humano. Pois, se Cristo é tanto Deus quanto ser humano em uma só pessoa, por que não deveria dizer também isso e aquilo de si mesmo sem fazer uma distinção? Mas, aqui, ele emprega ambas as maneiras de falar em rápida sucessão em um único sermão. Porque a mesma pessoa que disse há pouco “o que pedirdes em meu nome isso eu farei”, também declara aqui: “E eu rogarei ao Pai”. Isso acontece visando a tornar certo e claro este artigo: que, nessa pessoa, Cristo, não há somente divindade nem somente humanidade, mas que ambas, tanto a natureza divina quanto a humana, encontram-se indivisas em uma só pessoa.

Pois dissemos suficientemente que, na essência divina de Cristo e do Pai, há duas pessoas distintas. Por isso, quando falamos de Cristo, aqui, também é preciso ensinar claramente que ele é uma pessoa, mas que há duas naturezas distintas, a divina e a humana. De novo, exatamente como lá, a natureza ou a essência divina permanece não-misturada no Pai e em Cristo, assim, aqui, a pessoa de Cristo permanece indivisa. Por isso, os atributos de cada natureza, a humana e a divina, são atribuídos a toda a pessoa, e dissemos de Cristo: “O homem Cristo, nascido da virgem Maria, é onipotente e faz tudo que pedimos – não, contudo, de acordo com a natureza humana, mas de acordo com a natureza divina, não por causa de seu nascimento de sua mãe, mas, porque ele é o Filho de Deus”. E, mais, “Cristo, o Filho de Deus, roga ao Pai, não de acordo com sua natureza ou essência divina, segundo a qual ele é igual ao Pai, mas porque ele é verdadeiro homem e filho de Maria”. Portanto, é necessário juntar as palavras e compará-las de acordo com a unidade da pessoa. As naturezas sempre devem ser diferenciadas, mas a pessoa deve permanecer indivisa.

Assim como se crê nele como sendo uma pessoa, Deus e homem, também nos convém falar dele como o requer cada natureza. Algumas palavras indicam sua natureza humana; outras, sua natureza divina. Por isso, deve-se considerar o que Cristo diz de acordo com sua natureza humana e o que ele diz de acordo com sua natureza divina. Pois, onde isso não é observado e apropriadamente diferenciado, segue-se necessariamente todo tipo de heresia, como aconteceu em tempos passados, quando algumas pessoas afirmaram que Cristo não era verdadeiro Deus, e outras asseveraram que ele não era verdadeiro homem. Pois elas não foram capazes de seguir o princípio de diferenciar entre os dois tipos de discurso com base nas duas naturezas.

Pois Cristo falou, muitas vezes, como o homem mais humilde da terra quase não deveria falar. Por exemplo, quando ele diz: “Eu não vim para ser servido, mas para servir” [Mt 20.28]. Com essas palavras, ele se torna completamente servo entre todos os seres humanos, embora seja verdadeiro Deus e Senhor sobre todas as criaturas, ao qual todos devem servir e adorar. Igualmente, Salmo 41[.4], ele faz de si um pecador e afirma que está sendo punido por causa do pecado. Isso, naturalmente, está fora de cogitação segundo a natureza divina. Por outro lado, ele, frequentemente, emprega o discurso da majestade enaltecida, que nenhum anjo ou criatura deveria usar, embora estivesse na forma e figura mais humilde enquanto vivia neste mundo, como, por exemplo, Jo 6[.62]: “Que será, pois, se virdes o Filho do Homem subir para o lugar onde primeiro estava?”

(LUTERO, Martinho. Os capítulos 14 e 15 de S. João, pregados e interpretados pelo Dr. Martinho Lutero e Capítulo 16 de S. João, pregado e explicado. 1537-1538. Tradução de Hugo S. Westphal e Geraldo Korndörfer. MARTINHO LUTERO. Obras Selecionadas. São Leopoldo: Sinodal. Porto Alegre: Concórdia. Canoas: Ulbra, 2010, vol. 11, págs. 139-142)

(este comentário de Lutero sobre João 14:16a 
continua no excerto ao qual se chega clicando aqui)



domingo, 8 de novembro de 2015

"É melhor fechar um McDonald's do que uma escola"


Excelente entrevista do filósofo espanhol Fernando Savater, concedida a Vitor Hugo Brandalise e publicada no Estadão de 31/10/15, da qual destacamos as seguintes frases:

"Sempre que ouvi falar de doutrinação na educação foi de pessoas relacionadas à intolerância religiosa, cujo único fim no ensino é, sempre, doutrinar. E, porque são intolerantes, doutrinam para pior"

"O fundamental no ensino é formar cidadãos, pois na democracia somos todos governantes. E, como somos governantes, é preciso educar para não sermos malgovernados"

"As escolas devem ser sempre abertas à liberdade de escolha. Com método, com disciplina. Paradoxalmente, na educação, liberdade e autonomia são frutos da disciplina"

"Uma boa escola ajuda a tirar o medo. Os pais devem auxiliar, aconselhar sem pressionar, porque serão pouco ouvidos, de toda forma. Já os professores devem ser capazes de despertar a vocação do aluno, de educá-lo para que deseje educar-se mais. Fascinar, sem hipnotizar"


"É verdade que a boa educação é muito cara. Mas a má educação custa muito mais"

Eis a matéria:

Mente aberta


Numa semana de Enem e de acusações de doutrinação, o filósofo espanhol Fernando Savater vai no bê-á-bá. ‘Educar é ensinar a conviver, é formar cidadãos e não empregados, é despertar a vocação. É, enfim, fascinar sem hipnotizar’

Cruzaram-se por acaso essa semana, em São Paulo, os filósofos Simone de Beauvoir, francesa, ícone do feminismo, e Fernando Savater, espanhol, reconhecido pensador da filosofia da educação, com livros traduzidos em 20 países. Savater esteve no Brasil para o evento Fronteiras do Pensamento, na quarta-feira. Beauvoir, que morreu em 1986, esteve por aí, em rodas de conversa e redes sociais, estrela de questão da prova do Enem, o que levou dois deputados reacionários a qualificarem o teste como “doutrinação” feminista, e seus seguidores a chamarem a filósofa de “nazista” e “pedófila”.

Defensor de “educar para a tolerância”, Savater sorriu quando Beauvoir apareceu a ele, em forma de pergunta. Respondeu assim: “Sempre que ouvi falar de doutrinação na educação foi de pessoas relacionadas à intolerância religiosa, cujo único fim no ensino é, sempre, doutrinar. E, porque são intolerantes, doutrinam para pior. Na Espanha franquista, os padres o faziam. Temo que seja assim em todo lugar.”

Savater soube também que, por aqui, pedir a alunos que escrevam sobre violência contra a mulher, tema da redação do Enem, ainda causa polêmica. “Se houve controvérsia, é preciso mesmo falar disso em aula”, disse o filósofo, que defende, em O Valor de Ensinar (Planeta), “escolas plurais, que ensinem a respeitar, inclusive, aquilo de que não gostamos”.

Autor de mais de 80 livros sobre ética, política educação, Savater cultiva a clareza e a linguagem simples em seus textos. Certa vez, foi acusado de “trivial”. Rebateu: “trivialidade é o que fica na cabeça de um imbecil quando escuta alguém falar com clareza”. E é porque ainda não estão lá tão claras as razões do governo paulista para fechar 94 escolas (30 delas com notas acima da média e, entre as que ficam na capital, a maioria está na periferia), que Savater quis falar sobre isso apenas “por princípio”. “Sempre vou preferir que se feche um McDonald's do que se feche uma escola”, como disse ao Aliás.

As escolas devem educar especialmente para uma profissão ou para a vida?

Para mim, educação é transmissão do que consideramos essencial de nossa cultura, de nossa vida às outras gerações. Há essa faceta, de ensinar destrezas que sirvam para o trabalho, mas também há a formação cívica e ética. Comparo a educação com uma pessoa em sua casa, onde estão todos os seus bens preciosos, quadros, livros, discos. De repente, há um incêndio, e é preciso salvar aquilo de que gostamos. É isso, o que há de valioso, o que queremos passar adiante, a razão de ser da educação. Mas o que acontece é que hoje a educação se considera simplesmente laboral. Queremos formar empregados, pessoas rentáveis, que ganhem e façam ganhar dinheiro, rapidamente. Essa pode ser uma opção, mas não é a base da educação. O fundamental no ensino é formar cidadãos, pois na democracia somos todos governantes. E, como somos governantes, é preciso educar para não sermos malgovernados. Se caímos nas mãos de ignorantes, fanáticos, cínicos, a democracia será prejudicada, ou impossibilitada, como aconteceu em alguns lugares.

O que se perde a partir dessa ênfase laboral?

Se torna só adestramento, pobre do ponto de vista existencial. Os gregos rechaçavam isso. Viam o Império Persa, que não educava os filhos, só ensinava um ofício. Ao filho de um artesão, o artesanato. Mas não havia formação cidadã. Já os gregos desprezavam isso. Queriam formar um cidadão capaz de encontrar seu próprio destino, e não alguém que nasce para ocupar um lugar determinado. As escolas devem ser sempre abertas à liberdade de escolha. Com método, com disciplina. Paradoxalmente, na educação, liberdade e autonomia são frutos da disciplina.

Como a escola auxilia na busca por vocação?

A escola é um lugar onde a pessoa se civiliza. A família é um mundo de afetos, importantes para o desenvolvimento, mas todo centrado no que é nosso. Nossa casa, os filhos mais bonitos, a melhor mãe. Aí surge a sociedade, que começamos a entender na escola, onde encontramos pessoas com quem não temos laços, mas que precisamos respeitar. É o que acontecerá ao longo da vida, que em grande parte se dá em um mundo não afetuoso, do trabalho, da política. A escola é um lugar para aprender que não é só brincando que se demonstra o amor à vida, mas também cumprindo atividades socialmente necessárias e desenvolvendo uma vocação. Pois cada vocação é uma forma de amar a vida e uma arma para lutar contra o medo de viver. Vale a pena enfrentar tudo isso? Uma boa escola ajuda a tirar o medo. Os pais devem auxiliar, aconselhar sem pressionar, porque serão pouco ouvidos, de toda forma. Já os professores devem ser capazes de despertar a vocação do aluno, de educá-lo para que deseje educar-se mais. Fascinar, sem hipnotizar.

Um exame nacional, o Enem, citou Simone de Beauvoir e foi qualificado de “doutrinação”. Tratar de temas como esse em exames é doutrinar?

Na escola há uma doutrinação permanente, não? E nem todas as doutrinas são ruins. Às crianças se ensina a não bater nos menores, a respeitar os adultos... São doutrinas, e nos parece normal. O problema não é doutrinar ou não. Ao estudar filosofia na escola, é preciso saber o que disse Simone de Beauvoir. O que o professor não pode fazer é dizer que essa é a verdade e que não há outra. Há que ensinar pensamento crítico, e é preciso aplicá-lo. Sempre que ouvi falar mal de doutrinação na educação foi de pessoas relacionadas a algum tipo de intolerância religiosa, cujo único fim no ensino é doutrinar. E, porque são intolerantes, doutrinam para pior. Na Espanha, os que se opuseram sempre a tudo o que parecia uma ética cívica foram os padres, que passaram o franquismo todo doutrinando, para pior, os espanhóis. Temo que seja assim em todo lugar.

Por que defende que assuntos como intolerância, violência, drogas sejam tratados na escola?

Há quem acredite que se educam as crianças para que continuem crianças, mas as educamos para que sejam adultos. E melhores do que nós. Então é preciso tratar do que nos preocupa. Uma criança de 3 anos não tem de ouvir sobre o aborto, mas há um momento em que esse assunto, e outros, relacionados à sexualidade, ou à morte, terão de ser tratados. Para isso estão na escola. É onde se revela o outro, os vínculos capazes de unir a criança aos demais, a outros países, onde não há os mesmos costumes, os mesmos gostos, a mesma ideologia.

Nesse mesmo exame o tema da redação, violência contra a mulher, causou controvérsia.

Às vezes acontece na Espanha. Parece um acordo dos que, desgraçadamente, propagam a tradição machista de que o varão é dono da mulher. Mas isso já é senso comum. Não é preciso ser feminista para saber que o marido não pode bater na mulher. Se houve controvérsia aqui sobre esse assunto, é porque é preciso mesmo falar dele nas escolas.

Outro assunto debatido é a inclusão de termos como gênero nos planos de ensino. Qual sua opinião a respeito?

São temas delicados, é preciso cuidado. Mas deve-se tratar de gênero, orientação e diversidade sexual, porque as crianças vão se deparar com isso. Há crianças que desde novas têm dúvidas. A escola existe para explicar situações humanas e resolver problemas humanos. E essas são situações humanas, não algo que o demônio introduziu. Falar disso é uma questão de tolerância, um dos princípios das sociedades pluralistas. E passa pela escola, que precisa ensinar a conviver inclusive com aquilo de que não gostamos.

Escolas no Brasil usam exames como o Enem para fazer propaganda. O que isso indica?

Avaliações são importantes como controles, para ver se os alunos estão aprendendo e se o professor está se fazendo entender. Mas não podem se tornar a finalidade da escola. Quando se tornam, está relacionado aos males do ensino privado, que causa essas distorções. O fundamento do ensino é que seja público. Esse deve ser sempre um dos pilares de um bom Estado, pois as pessoas que mais precisam de escola são as que não podem pagar. Por isso o orçamento da educação deve ser o maior. O Exército não pode ter mais dinheiro do que as escolas. É verdade que a boa educação é muito cara. Mas a má educação custa muito mais. Nada sai mais caro a um país do que ter seus cidadãos mal informados e ignorantes.

Muitos alunos já não tomam nota, mas sim tiram foto da lousa. Isso é uma perda?

Para mim, o ensino tem certa dimensão de artesania. As crianças têm de aprender que o que conta é o professor, e sua própria relação com ele, e não com a máquina. Sou partidário de que a certas idades não se entre com celular na classe. Porque, se o aluno não escreve, só tira fotos do que os outros escrevem, corre o risco de nunca conseguir escrever algo direito. Acho que há um período em que o melhor é minimizar a tecnologia. Que se use lápis, caderno, lousa. Dispositivos eletrônicos, no fundo, distraem. Hoje, um dos problemas das crianças é a dificuldade de se concentrar. Naturalmente, elas já se distraem com o que veem na janela, um pássaro, uma mosca. Mas nós, professores, sempre tentamos que se mantenha a atenção. Sem atenção não se faz nada de importante, não há arte, nem ciência. E, se a criança pensa mais no aparelho divertido que têm, é difícil que preste atenção no professor. Voltando às notas, creio que elas ajudam a fixar, a refletir sobre o que se aprende. Eu mesmo, após décadas dando aulas, comecei a refletir sobre educação depois de convidado a escrever sobre ela.

Uma mudança no ensino em São Paulo priorizou manter numa mesma escola alunos de mesma faixa etária. Qual sua opinião sobre isso?

Considero benéfico alunos de diferentes idades numa mesma escola. Os maiores e os pequenos ficam juntos no recreio, se veem, falam. Para mim, parece bom tudo o que faça com que as crianças vejam aspectos diversos da realidade, ou seja, que há pessoas mais velhas com diferentes gostos e ambições.

O governo fechou 94 escolas no Estado. Fecham-se escolas, em qualquer lugar do mundo?

Não sei dos pormenores do plano. Mas, por princípio, vou sempre preferir que se feche um McDonald’s do que se feche uma escola.



segunda-feira, 8 de junho de 2015

Milionário indiano doa fortuna e vira monge

A informação é da BBC Brasil:

'Rei do Plástico', milionário indiano doa fortuna e larga tudo para virar monge

Um dos homens mais ricos da Índia renunciou a sua fortuna para seguir uma vida espiritual de total austeridade.

Bhanwarlal Doshi, que criou um império do plástico avaliado em US$ 600 milhões (R$ 1,8 bilhão) pela revista Forbes, tornou-se monge do jainismo, uma das religiões mais rigorosas e tradicionais da Ásia.

O jainismo não só exige a renúncia a bens materiais, como também professa uma vida de profundo respeito à vida, em que se evita violência até contra insetos ou mesmo micróbios.

Doshi, que era casado e só usava roupas de marcas de luxo, agora será celibatário, usará somente uma túnica e caminhará descalço. As intensas atividades sociais darão lugar à meditação e quase toda a sua fortuna será doada para obras da religião.

De milionário a monge

A busca de um caminho espiritual é algo comum na Índia, mas a mudança radical na vida de Doshi para alcançar seu moksha – ou salvação – não tem precedentes, segundo Amresh Dwivedi, do serviço hindu da BBC.

Tampouco foi uma decisão tomada repentinamente, por causa de alguma crise mental ou moral que o empresário teria sofrido. Bhanwarlal Doshi, na verdade, passou décadas pensando em abandonar sua riqueza e entregar-se à espiritualidade.

Ele discutiu seus planos com sua família que, no início, rejeitou a ideia. Doshi queria receber a diksha, cerimônia de consagração, há três anos, mas seus familiares não permitiram.

Ele levou todo esse tempo para convencê-los, mas, no fim, foi iniciado como monge em uma cerimônia em três dias na cidade de Ahmedabad, no oeste da Índia.

"Estamos orgulhosos dele. A honra e o respeito que ele recebeu quando anunciou sua decisão é algo que precisamos ver para crer", disse seu filho, Rohit, ao jornal indiano Ahmedabad Mirror.

Regime rigoroso

De certo modo, Doshi imitou um dos precursores do jainismo, Majavira, um rei que viveu entre os séculos 6 e 5 a.C.

Segundo Amresh Dwivedi, do serviço hindu da BBC, Majavira era um monarca que abandonou seu reinado, atormentado pela miséria que o rodeava para dedicar-se a fazer o bem à humanidade.

Dwivedi explica que duas grandes religiões surgiram na Índia mais ou menos na mesma época: o jainismo e o budismo.

O último se estendeu até o leste, com grande aceitação na China, no Tibete, no Japão e em outros países. Mas o jainismo, por causa de seu regime mais rigoroso, não encontrou o mesmo apoio e está concentrado em uma pequena área na parte ocidental da Índia. Seu número de praticantes foi diminuindo até quase a extinção, de acordo com o jornalista da BBC.

Após a iniciação como monge, Doshi enfrentará uma vida de celibato e completa austeridade, sem nenhuma das comodidades nem elementos que consideramos indispensáveis na vida moderna, como telefone, relógio, acessórios ou roupas elaboradas.

Ele se levantará todas as manhãs às quatro da manhã para praticar o ritual da alochana, a autocrítica, que consiste em refletir sobre as atividades do dia anterior e os momentos em que ele pode ter ferido algum animal.

Extremos

A consideração por todos os seres vivos é o motivo pelo qual os seguidores do jainismo não usam sapatos – para não pisar por engano em algum pequeno invertebrado no caminho.

Alguns adeptos extremos da religião também cobrem a boca para evitar que moscas entrem nela e até para não inalar micróbios no ar.

Naturalmente, os jainistas são vegetarianos, mas eles não podem dedicar-se à agricultura por receio de matar os animais que vivem na terra.

A única profissão exercida por eles é o comércio, porque consideram que, assim, não prejudicam nada e ninguém, segundo Amresh Dwivedi.

O ex-milionário Bhanwarlal Doshi é justamente um comerciante, mas de grande porte. Ele é dono da DR International, uma das maiores produtoras de plástico da Índia.




segunda-feira, 2 de março de 2015

Como lidar com as críticas que você recebe no seu dia-a-dia

Artigo interessante publicado no Brasil Post:

Três atitudes para lidar melhor com as críticas

Priscilla de Sá

Chega um momento em que, para avançar na empresa, expandir o próprio negócio ou começar do zero em uma nova profissão, é preciso mais que nos considerarmos prontas. Precisamos, de fato, estar preparadas.

Nesse caminho, o recurso mais precioso e difícil de encontrar é alguém que fale a verdade sobre nós mesmas.

É o que acontece com a colega que tem mau hálito, comete erros crassos de português ou se veste de maneira inadequada para o cargo que exerce. Embora todo mundo saiba que o melhor para ela é encontrar quem lhe dê um toque, nem sempre as pessoas se prontificam a fazê-lo.

Críticas são um terreno pantanoso, tanto para quem dá quanto para quem recebe. Se isso não fosse verdade, elas não teriam sido rebatizadas de "feedback" - cuja corruptela eu não posso publicar aqui - mas que descreve bem o que acontece, em grande parte dos ambientes profissionais.

Um belo dia, depois de meses sem saber se está fazendo a coisa certa ou não, você é chamada à salinha do mal. Lá, alguém esfrega as mãos e desanda a falar do que tem tado observando, tá tendo que mudar e tá esperando que você teja entendendo...

Um jeito menos doloroso (e viscoso) de encarar o dar e receber críticas é adotar uma mentalidade diferente em relação a elas.

1. Toda crítica é um presente:

Quando emissor e receptor se convencem de que levar uma chamada hoje evita um fracasso esculpido em bronze amanhã, a pananoia diminui e ambos entram em um nível sênior de conversa, em que não cabem artifícios do tipo embalar a crítica entre dois elogios açucarados para compensar.

Aliás, essa técnica só serve para desvalorizar os pontos fortes do profissional, que se tornam os pães do sanduíche (vamos combinar: o que faz o sanduíche de mortadela do Mercadão ser um clássico paulistano é a mortadela, não o pão).

2. Dissocie mensagem e emissor:

Idiotas também ajudam! Às vezes (muuuitas vezes), a crítica é usada como instrumento de dominação. Ainda assim, o conteúdo delas pode fazer sentido. Vai por mim. Até hoje, as melhores sacadas sobre o meu trabalho eu não escutei da minha mãe nem do meu amigo gay, e sim das minhas (per)seguidoras favoritas.

Apenas tenha o cuidado de filtrar o componente emocional delas e buscar orientação de quem lhe queira bem, na hora de planejar a mudança.

3. Peça uma segunda opinião:

Sempre achei que o trabalho de um escritor fosse uma tarefa solitária e autocentrada, mas aprendi que os melhores se importam com a opinião dos leitores. Por isso, é comum eles distribuírem algumas cópias a especialistas e representantes do público a que se dirigem, para que façam uma "leitura crítica".

Se pensarmos nossa carreira como um manifesto, tal como um livro, faz todo o sentido escolhermos algumas pessoas de confiança para fazerem uma leitura crítica das nossas atitudes profissionais.

Afinal, amigo é quem não deixa você sorrir com um verdinho no dente.

P.S.: Liderar implica ter mais vidraças abaixo da nossa pedra e ter pedras cada vez maiores apontadas para a nossa vidraça. Nessa palestra , eu explico algumas técnicas e ferramentas.



sábado, 28 de fevereiro de 2015

Sua capacidade de julgamento não é lá essas coisas

critique

Matéria da Superinteressante reproduzida no Brasil Post:

Duas ideias erradas que você tem sobre sua capacidade de julgamento

Ana Carolina Prado

A gente pode admitir que é ruim em esporte, que não tem o menor talento musical ou que tem gosto duvidoso para escolher roupas, mas uma qualidade que dificilmente abriríamos mão de defender sem falsa modéstia: nossa inteligência. Se você concorda com isso, leitor, este post pode abalar um pouco suas estruturas. Porque ele tem o objetivo de provar que você não é tão esperto quanto pensa. Não leve para o lado pessoal, estamos todos nessa – incluindo Einstein e Stephen Hawking.

É que nossos cérebros estão cheios de noções preconcebidas e padrões de pensamento que nos influenciam sem que percebamos. Como explica o livro “Você não é tão esperto quanto pensa”, do jornalista David McRaney (Editora Leya), somos cheios de crenças que parecem boas no papel, mas desmoronam na prática – e, mesmo quando elas desmoronam, nós tendemos a não notar. Temos esse desejo profundo de estarmos sempre certos e nos vermos sob uma luz positiva em termos morais e comportamentais – e isso norteia em muito a forma como a nossa mente funciona. Quer ver como? Leia dois exemplos tirados do livro:

1. A ideia errada: “Minhas opiniões são o resultado de anos de análise racional de objetiva dos fatos”.

A verdade: Suas opiniões são resultado de anos em que você prestou atenção a informações que confirmavam o que você acreditava. :/

Imagine a situação: você está de bobeira em casa e, em vez de ficar navegando para sempre pelo catálogo do Netflix, resolve realmente assistir a um filme e escolhe algum clássico oitentista, tipo “Os goonies”. Você vê e, no dia seguinte, encontra por acaso um texto que faz alguma referência ao filme. Coincidência engraçada, justo agora. Dois dias depois, vê um comercial na TV dizendo que vão exibir o filme naquela tarde. Eita. Para completar, um amigo seu, que não sabia que você havia assistido ao filme nos últimos dias, posta no Facebook uma matéria que fala sobre um dos atores que estavam lá. Gente, será que é o universo tentando te mandar uma mensagem? Seria legal (e estranho), mas não. Trata-se simplesmente de um negócio chamado “viés da confirmação”.

Você lê vários textos fazendo referência a várias coisas todos os dias, o Facebook está lotado de posts com notícias sobre pessoas famosas, os canais de TV estão sempre transmitindo algum filme. Mas, porque “Os goonies” estava na sua cabeça, você estava mais sensível a coisas que lhe fizessem referência e descartou as outras. Antes disso, você provavelmente passou várias vezes por conversas e textos e vídeos que mencionassem algo relacionado ao filme, mas na época tudo passou despercebido.

Algo parecido acontece em relação a outros temas – incluindo os que envolvem ideologias. É por causa desse viés que teorias da conspiração se mantêm: se você procurar APENAS provas de que o homem não foi à Lua, que a Avril Lavigne e a Anitta morreram e foram substituídas ou que o governo federal tem um plano de ocupação comunista no país, você vai encontrar.

Essa tendência também foi a responsável por fazer com que os apoiadores de Barack Obama comprassem livros que o retratavam de uma forma positiva durante a época da eleição presidencial norte-americana de 2008, enquanto aqueles que não o curtiam compraram livros que o mostravam de uma forma negativa. O pesquisador Valdis Krebs chegou a essa conclusão analisando tendências de compras na Amazon e o comportamento de pessoas nas redes sociais, e continuou o estudo por anos, chegando à conclusão de que as pessoas compravam livros para ter a confirmação de suas ideias, não para obter novas. A tendência dos humanos é querer estar certo sobre como veem o mundo, então procuram informações que confirmam suas crenças e evitam provas e opiniões que as contradizem.

Confirmando isso, um estudo de 2009 da Universidade de Ohio mostrou que pessoas passam 36% mais tempo lendo um ensaio se ele se alinha com sua opinião. Em outras palavras, prestamos mais atenção a materiais que validem nossa visão de mundo – até que ficamos tão confiantes dela que ninguém consegue nos fazer mudar de ideia. E isso é bem ruim. “Na ciência, você se aproxima mais da verdade ao procurar evidências contrárias. O mesmo método talvez devesse ser usado para formar suas opiniões”, diz David McRaney.

2. A ideia errada: Você entende como o mundo funciona baseando-se em estatísticas e fatos selecionados a partir de muitos exemplos.

A verdade: Sentimos informar, mas a sua visão de mundo não foi construída de forma tão ciente e cuidadosa. Na verdade, você é mais propenso a acreditar que algo é senso comum se puder encontrar só um exemplo disso e muito menos propenso a acreditar em algo que nunca viu antes.

Essa tendência se chama “heurística da disponibilidade” e é bastante usada por políticos, como quando eles contam, em um discurso, alguma anedota envolvendo uma situação que é familiar aos ouvintes. Ao fazer isso, eles estão apostando que aqueles que os ouvem entenderão esse exemplo como um indicativo de que existem muitos outros casos semelhantes.

É o mesmo princípio que faz as pessoas acharem, logo após algum caso envolvendo um atirador em uma escola, por exemplo, que isso virou uma espécie de “epidemia” – e faz com que os pais ignorem que seus filhos têm três vezes mais chance de serem atingidos por um raio do que receber um tiro de um colega. Na época em que aconteceu o caso de Columbine, uma pesquisa feita por Barry Glassner, autor do livro “Cultura do Medo”, mostrou que a violência nas escolas tinha caído 30% e que era mais fácil um estudante levar um tiro antes desse caso acontecer. Mas ninguém deu atenção a isso, já que haviam acabado de testemunhar a tragédia. A frase “só acredito vendo” também está relacionada à heurística da disponibilidade. Ter visto ou ouvido um caso que comprove uma ideia torna você muito mais propenso a adotá-la do que ler por alto outros 10 fatos distantes que provem o contrário. “Você não pensa em estatísticas, pensa em exemplos, em histórias”, escreve David McRaney.

Essa tendência foi apontada em 1973, no estudo dos pesquisadores Amos Tverksy e Daniel Kahneman. Os voluntários ouviram uma gravação com nomes de homens sendo ditos em voz alta, sendo 19 deles de pessoas famosas e 20 de desconhecidos. O estudo foi repetido depois com nomes de mulheres. Depois, eles tiveram de lembrar o máximo de nomes possível ou identificá-los a partir de um banco de palavras. Cerca de 66% das pessoas se lembraram dos nomes de pessoas famosas com maior frequência que os nomes desconhecidos e 80% disseram que a lista tinha mais nomes de famosos do que de não-famosos. Para os autores, isso mostrou que, quanto mais disponível estiver a informação, mais rápido você a processa e, assim, mais acredita nela e maior sua tendência a ignorar outras informações que a contradigam.



sábado, 9 de julho de 2011

Malafaia quer liberdade de expressão só pra ele


Este blog já não dá muita bola mais pra Silas Malafaia, considerando que tudo de importante que se deva saber sobre ele já foi suficientemente comentado, ficando por conta e risco de quem o segue o fardo de segui-lo. 

Entretanto, vez ou outra, ele volta à baila por causa de seus comentários que, ocasionalmente, vemos nos seus programas, como foi o caso de hoje cedinho (vídeos abaixo), em que Malafaia desfilou mais um xororô dizendo-se vítima de uma série de agruras e perseguições para - em seguida - pedir dinheiro. 

Nada de novo no front. Não será surpresa se, nas próximas semanas, Morris Cerullo ou Mike Murdoch aparecerem por lá com mais uma de suas campanhas mágicas de prosperidade. 

O esquema é sempre esse: xororô-Cerullo ou xororô-Murdoch. Acredita quem quer. Afinal, vivemos num país democrático e livre, e cada um cuida de si e – tanto quanto pode – dos outros. Se for engodado pela própria concupiscência (Tiago 1:14) e cair no conto do bilhete premiado, aí já é problema dele com Deus.

A pregação matinal de Malafaia foi razoavelmente proveitosa. A análise do seu discurso serve muito mais a exercícios de retórica ideológica deteriorada do que – propriamente – teologia. Vale pelo que não é dito e se pode ler nas entrelinhas. 

Primeiramente, a tradicional autovitimização em relação às críticas que recebe (inclusive deste blog). Ainda que não tenha nomeado nenhum blogueiro em particular, parece que sua grita maior é contra o blog Genizah, de Danilo Fernandes, quando se referiu aos “blogs apologéticos com humor” (ou coisa parecida) e à passagem da sacolinha na ESLAVEC (escola de líderes patrocinada pelo Malafaia, em tese gratuita). 

Sinal que ele lê os blogs, mas não dá pra ter certeza se as críticas realmente o incomodam, ainda que o façam - às vezes - mudar o discurso. Elas parecem funcionar mais como combustível para sua autovitimização panfletária. No fundo, massageiam o seu já inflado ego. 

Até porque Malafaia diz defender a liberdade de expressão, especialmente na sua campanha contra os movimentos homossexuais e o PLC 122. Exaspera-se, entretanto, quando é ele o alvo das críticas e não quer que esta mesma liberdade de expressão valha para todos. 

Só vale para ele e os demais que sejam convenientemente amordaçados. Ele até paga anúncio em jornal defendendo a liberdade de expressão, mas que ninguém ouse criticá-lo. Curiosamente, sua atitude cai na vala comum do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.

Malafaia se propôs, também, a justificar seus ganhos financeiros com uma argumentação enviesada, em que não fica claro quem é quem e – sobretudo – quanto tem na divisão do patrimônio entre associação, igreja, editora e o particular dele, sem especificar, entretanto, quais são os bens que gozam de imunidade tributária e a que (ou a quem) se destinam.

Diga-se, a seu favor, que ele não tem obrigação legal de revelar essas questões publicamente, mas como diria o antigo filósofo corinthiano Vicente Matheus, “quem sai na chuva é pra se queimar”. 

Se Malafaia arrecada dinheiro pública e legalmente para cobrir os milhões de despesas que afirma ter "pra sustentar esta brincadeira toda", deveria se dar, pelo menos, ao trabalho de prestar contas detalhadas do destino dessa verba lúdica. 

Eticamente, seria um ponto importantíssimo a seu favor. Entretanto, o detalhamento supérfluo de seu orçamento serve apenas para se dizer perseguido e voltar a xingar seus críticos de "bandidos", “imbecis”, “idiotas” e adjetivos afins, como já é rotina e não assusta mais a ninguém, a não ser quando nos perguntamos se Jesus, Paulo e Pedro usariam este tipo de expediente verborrágico.

Por fim, depois de todos esses rodeios, Malafaia chega à sua denúncia “bombástica”: a de que um conhecido pastor, juntamente com dois assessores, estaria visitando diretores das redes de TV onde Malafaia aluga horários para criticá-lo e dizer que ele não teria mais condições de cumprir com suas obrigações contratuais. 

Ora, Malafaia, não há nada de “bombástico” nisso, a não ser o fato de “pastores” disputarem a tapa os horários na TV. Ninguém é bobo, nem acredita mais que exista este ecumenismo gospel entre os telepastores, salvo quando se trata de motivos políticos e ideológicos, em que geralmente estão todos no mesmo iate. É a famosa briga de foice no escuro. Nem vale a pena imaginar quem seria o pastor-conspirador de plantão. São tantos os candidatos...

A única bomba, infelizmente, é o estrago atômico que toda esta vaidade e cobiça tem feito na pregação do evangelho no Brasil, depois que “pastores” viraram Sílvios Santos vendendo o Baú da Felicidade, e igrejas e denominações se transformaram em organizações político-ideológicas. Volta logo, Senhor Jesus!






sexta-feira, 17 de junho de 2011

Como o pastor deve lidar com as críticas - parte 3

por David Murray,
do blog Head Heart Hand
(tradução gentilmente autorizada pelo autor)

Parte 3 (final) - 4 maneiras de se beneficiar da crítica

Então você está preparado para as críticas, você consegue distinguir a natureza do crítico e da sua crítica, mas agora você tem que respondê-la. Você sairá chifrado, machucado, ou com um floreio da sua capa você deixará o touro passar e aprenderá dessa experiência? A maneira como você lida com a crítica vai determinar todo o curso do seu ministério.

Quatro atitudes que devem ser evitadas:

Rejeitar: sem dedicar um momento de reflexão você simplesmente descarta a crítica, a minimiza e segue em frente

Retaliar: de novo, frequentemente sem mesmo uma pausa, você ataca o ofensor ou critica a crítica

Ressentir-se: enquanto aparentemente você aceita o que foi dito, por dentro você ferve e fica amargamente emburrado

Resignar-se: você simplesmente se rende, desiste e foge

Quatro passos a serem seguidos:

1. Receba a crítica

Tanto se ela vier em forma verbal como escrita, a primeira coisa a fazer é orar por graça ao ouvir o que está sendo dito. Se a pessoa estiver na sua frente, ore no seu íntimo, olhe nos olhos dela, projete calma, evite linguagem corporal ou expressão facial hostis, e peça um tempo para pensar e orar sobre o que está sendo dito.

Você pode querer esclarecer a queixa mediante uma recolocação dela com outras palavras, isto com o fim de fazer com que todos os interlocutores compreendam exatamente como o problema está sendo exposto. Dê uma previsão mais ou menos clara de quando você pretende dar uma resposta (dentro de uma semana, digamos), e pergunte a ele(a)(s) que tipo de ação da sua parte ele(a)(s) gostaria de ver em resposta à queixa efetuada.

2. Reflita sobre a crítica

Questões para serem pedidas em oração incluem:

• É verdadeira? É pelo menos minimamente verdadeira? Tente encontrar nela um grão de verdade, se você puder.
• É proporcional? É uma tempestade num copo d’água? É feita dentro de um contexto de prévio e apropriado reconhecimento do trabalho do pastor? A crítica se estende além de um sermão ou incidente? É equilibrada na sua expressão ou se tornou hostil e exagerada?
• Quem está fazendo a crítica? Se ela vem de um cristão fiel, então você deve prestar muito maior atenção a ela do que a alguém que não professa ser cristão. Se um crente em especial tem uma teologia equivocada ou algum “hobby teológico” particular, então isto deveria ser levado em conta quando você avaliar a validade da crítica.
• Existe ago mais por trás da crítica? Seria o caso de stress ou problemas em casa ou no trabalho?
• Quantas vezes você já ouviu esta crítica? Se ela está vindo de um número razoável de fontes independentes, então é tempo de sentar-se e refletir longamente sobre ela.

Algumas vezes pode ser interessante procurar conselho, obter uma segunda opinião de um outro líder de confiança, um colega pastor, ou um amigo, alguém um pouco mais objetivo do que você. Talvez seja também o caso de pedir a eles que acompanhem a situação quando você responder à pessoa que lhe critica, para depois relatar o ocorrido a ele(s) no futuro.

3. Responda à crítica

Na sua resposta, tente pensar em construir um relacionamento de longo prazo. É fácil saborear uma vitória no curto prazo mas perder para sempre uma oportunidade de fazer um bem espiritual a uma pessoa.

Se for possível, encontre-se pessoalmente com seu crítico em vez de responder-lhe por email ou telefone. Orem juntos e então calmamente exponha quais aspectos da crítica você aceita (pelo que você lhe agradece) e quais você não aceita. Se você admitir que estava errado, explique como você pretende pedir perdão às partes ofendidas e colocar as coisas nos eixos. Em circunstâncias muito extremas pode ser apropriado você colocar o seu cargo à disposição. Pergunte se a outra pessoa achou sua resposta satisfatória. Encerre com uma oração, pedindo ao Senhor para abençoar o relacionamento que vocês têm, não deixando o diabo entrar, e que todos possam crescer em amor e respeito mútuos.

4. Arrependa-se do seu erro ou pecado

Quando um toureiro é ferido, ele irá rever a filmagem do incidente, aprender do erro cometido, e acertar as coisas para o futuro. Da mesma maneira, o pastor deveria responder não somente aceitando que ele disse ou fez alguma coisa errada, mas também acertando as coisas para o futuro. O arrependimento não inclui só a tristeza pelo pecado, mas deixá-lo em direção a uma nova obediência e dependência do Espírito Santo.



Para ler a parte 1 clique aqui.

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Como o pastor deve lidar com as críticas - parte 2

por David Murray,
do blog Head Heart Hand
(tradução gentilmente autorizada pelo autor)

Parte 2 - Na arena pastoral

Assim como o toureiro se prepara para a arena, o pastor deve se preparar para a crítica, mas o "matador" também tem que distinguir entre diferentes touros. Ele os observa tanto de perto como à distância. Ele vê como eles interagem com outros touros e como eles reagem a outros toureiros. Ele analisa o seu temperamento e antecipa os seus ataques. Alguns touros são muito agressivos e determinados a matar, outros encaram isto mais como se fosse um jogo, enquanto outros, por sua vez, tratam o toureiro com o máximo respeito. A estratégia do matador será determinada pela natureza dos touros e de seus “ataques”.

Da mesma maneira, o pastor tem que – cuidadosamente – distinguir entre diferentes tipos de críticos e os distintos elementos das críticas que eles fazem:

Crítica esperada: Avaliação regular ou programada e analisada por uma ou mais pessoas, em uma ou mais áreas do seu ministério

Crítica inesperada: Regular ou circunstancial por pessoas cuja opinião você não pediu

Crítica justificada: Reflexo acurado da verdade

Crítica injustificada: Inacurada, falsa, mentirosa, desequilibrada

Crítica construtiva: Feita para o meu bem e que me ajuda e me tornar melhor naquilo que eu faço

Crítica destrutiva: Feita para me desencorajar, prejudicar, desanimar, desmoralizar e diminuir

Crítica sensata: Expressa com amor, sabedoria e equilíbrio

Crítica insensata: Feita com tom, conteúdo e em situação inadequados

Crítica traiçoeira: Aquela que mina covardemente tanto você como o seu ministério quando você está ausente (embora seja provavelmente premeditada com a intenção de que alguém a “leve” ao seu conhecimento)



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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Como o pastor deve lidar com as críticas - parte 1

por David Murray,
do blog Head Heart Hand
(tradução gentilmente autorizada pelo autor)

Parte 1 - O toureiro que ama os touros

Há uma maneira do toureiro (“el matador”) evitar o confronto com os touros: nunca entrar na arena!

Só existe uma maneira de evitar a crítica no ministério, que é nunca se tornar um ministro.

Mas isso não é verdadeiro apenas quanto ao ministério. É verdadeiro em todas as áreas da vida – esporte, política, entretenimento, negócios, etc. Você nunca conseguirá nada em qualquer área da vida se não estiver disposto a receber críticas ou for facilmente abatido por elas. Certa vez John Wesley questionou em seu diário se ele estava sendo verdadeiramente correto para com Deus, já que ele não tinha recebido nenhuma crítica por um dia inteiro.

Então, se a crítica é inevitável, nós podemos nos preparar para recebê-la? Sim, nós podemos. Assim como nenhum toureiro pisa na arena sem preparação intensa, o pastor deveria também se preparar – espiritual e fisicamente – para as inevitáveis “cobranças”. Para tanto:

1. Ande em humildade diante de Deus. O orgulho precede a queda. Se nós formos autoconfiantes ou confiantes além da conta, nós iremos tropeçar, cometer alguns erros enormes e, por isso, receberemos críticas justas. Busque um profundo senso da sua própria vulnerabilidade espiritual. Ore para ser protegido do pecado e da tolice. Você será criticado mesmo que nunca peque ou faça algo tolo (lembre-se de Jesus!). Entretanto, você será ainda mais criticado se você incorrer nesses erros. Então, para quê dar munição extra a eles?

2. Desenvolva e aprofunde o amor pelos seus críticos. Os “matadores” podem até não amar os touros, e de fato geralmente terminam matando-os. Entretanto, o pastor deve amar os seus “touros” por toda a vida, ainda que eles estejam talvez tentando “chifrá-lo” até a “morte”. Você poderá finalmente perceber que há algumas poucas pessoas na sua congregação que irão criticá-lo não importa o que você diga ou faça. Em vez de desenvolver ressentimento e amargura em relação a essas pessoas, peça a Deus que lhe dê um amor como o de Cristo por eles. Isto poderá te dar um vislumbre do quanto foi difícil para Cristo amar VOCÊ.

3. Pratique o controle da língua. Provavelmente você trabalhará num nível profundo de ira torturante e esmagadora que pode levar a uma retaliação destemperada. Entretanto, enquanto processa essas emoções, pratique simplesmente dizer pouca ou nenhuma coisa em resposta às críticas. Talvez seja bom ter uma frase no bolso do colete para recorrer, do tipo “Obrigado por tomar o seu tempo para me falar sobre isso. Por favor, me dê algum tempo em oração para pensar sobre o que você disse e me permita voltar a falar sobre isso com você depois”. Eu nunca me arrependi de ter dito isto e frequentemente me arrependi de ter dito qualquer coisa a mais.

4. Procure ter um sono reparador. A preparação do toureiro envolve os aspectos mental e emocional, e até mesmo o espiritual em certas circunstâncias. Entretanto, ele também deve se preparar fisicamente se ele quiser ser refinado e ágil na sua arte. Da mesma maneira, o pastor tem que se preparar fisicamente para os ataques verbais. A falta de sono e exercícios pode nos levar a uma depressão física, que eventualmente desencadeia um golpe nas nossas emoções e nos nossos padrões de pensamento. Se estivermos descansados e em boa forma, fica muito mais fácil reagir da maneira correta àqueles que nos criticam.



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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Sentimentalismo gospel


Outro dia eu estava no trânsito e resolvi ouvir uma rádio gospel para me inteirar do que a juventude evangélica anda produzindo e ouvindo. 

Confesso que não tenho muita paciência para o que andam tocando por aí, já que impera a baixa qualidade tanto nas letras como nas composições musicais. 

Curiosamente, naqueles poucos minutos em que ouvi uma rádio gospel, tocaram três canções que me chamaram a atenção.

 De certa forma, estavam mais inter-relacionadas do que pareciam a princípio. Não conheço pessoalmente quem as compôs nem quem as canta, e a análise que vou fazer aqui deve servir mais como alerta e incentivo do que juizo de valor ou condenação. 

Espero que os envolvidos na produção dessas canções sejam verdadeiramente cristãos e saibam aceitar opiniões contrárias e aprender com as críticas.

A primeira canção é "Um Sentimento Novo", do Irmão Lázaro:




Irmão Lázaro é um bom cantor, bem afinado, a melodia é de fácil assimilação, sem grande elaboração musical, mas a letra apela para esse sentimentalismo inconsequente que tem se tornado uma marca do estilo gospel no Brasil. 

Fica difícil combater o relativismo e o existencialismo que imperam na sociedade quando as próprias canções que se dizem cristãs apelam para o sentimentalismo, que é uma característica própria do mundo sem Cristo. 

A letra, então, é sofrível, sobretudo na parte em que diz: "Essa sensação de que só Deus me basta. Certeza de que eu em Deus e Deus em mim se encaixa". 

Primeiro, saber que "só Deus me basta" não é uma "sensação", mas uma certeza que todo crente deve(ria) ter. 

Além disso, "sensação" e "encaixa" são palavras temerárias e que não combinam para quem quer comunicar uma mensagem cristã. 

É - no mínimo - de um mau gosto atroz. Pode até arrepiar os pelos do braço, mas dificilmente contribui para o crescimento espiritual ou a conversão de quem quer que seja.

A outra canção com que fui brindado em seguida é "Agora é Só Vitória", de Damares, que canta razoavelmente bem uma melodia comum, simpática até, mas sem grandes pretensões musicais.

 A letra repete o já surrado discurso triunfalista evangélico, de "agora é só vitória", acompanhado de um certo consolo bastante emotivo de cunho "celebridade midiática", ao dizer que o "vencedor que está chegando" vai sair do "anonimato" e - implicitamente - atingir a "fama". 

O refrão insiste que "a prova acabou" e "a luta foi embora", mas todo cristão sabe que a provação deve ser motivo de alegria e "grande gozo" (Tiago 1:2), e que Jesus já nos alertava de que "no mundo tereis tribulações, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" (João 16:33). 

Lamento informar, irmãos, mas enquanto houver fôlego de vida, a luta não vai embora não. Crente que não passa por lutas e provações, ou já morreu ou tá no time errado. Logo, a letra dessa canção está em desarmonia com o evangelho.




Por fim, escutei "Toda Sorte de Bênçãos", do Ministério Apascentar, que tem uma qualidade musical melhor, embora sem grandes novidades, mas que segue na linha do pensamento positivo do "em tudo o que eu faço sou abençoado", "tudo possuirei", "prosperarei, transbordarei":




Depois eu fui pesquisar mais sobre o Ministério Apascentar e vi que "prosperidade" é o grande tema recorrente nas canções do grupo. De fato, a Bíblia fala sobre prosperidade, mas numa escala muito menor do que a ênfase que o Ministério lhe dá. 

Há uma desproporção gritante, portanto, se alguém se der ao trabalho de não simplesmente cantar, mas principalmente pensar e estudar a respeito. 

Na canção "Te Conhecer" a letra diz que "agradecido eu sou pelo que já recebi, mas não estou satisfeito: eu quero mais". Talvez estejamos vendo uma geração de crentes insatisfeitos com a graça de Deus, justamente Ele que disse a Paulo que "a minha graça te basta" (2 Coríntios 2:9). 

É claro que, também de acordo com a Palavra, Deus pode fazer tudo "muito mais do que pedimos e pensamos" (Efésios 3:20), mas esta é uma iniciativa exclusiva e arbitrária dEle, e a Ele nos submetemos agradecidos e satisfeitos.

Contraditória - mas felizmente -, o Ministério Apascentar tem outra canção ("Tua Graça me Basta"), com uma belíssima letra que nega o que foi dito nas canções acima referidas. 

Ao contrário de fugir do anonimato e buscar a fama, como quer Damares em "Agora é Só Vitória", em "Tua Graça me Basta", o grupo diz que "eu não preciso ser reconhecido por ninguém". E contraria o que o próprio ministério diz - insatisfeito - em "Te conhecer", ao cantar que "só Tua Graça me basta e Tua presença é o meu prazer".




Enfim, diante de tanto sentimentalismo, não me senti animado a ouvir música gospel da nova safra, mas - como mostra o último exemplo - ainda há esperança.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Chamados para julgar

Toda vez que se levanta uma crítica a alguém em posição de destaque ou liderança na Igreja, genericamente considerada, é muito comum que se rebata e/ou reprove a crítica com base nas palavras de Jesus em Mateus 7:1 ("não julgueis para que não sejais julgados"), com o fim de encerrar a discussão e sem que se aprofunde o significado (e por que não dizer - o dever) do cristão fazer julgamentos quanto aos outros na sua vida. 

Esquece-se facilmente de que o próprio Jesus também ordenou em João 7:24 -"Não julgueis pela aparência mas JULGAI segundo o RETO JUÍZO". 

Aparentemente, haveria uma contradição nas palavras do Mestre nos versículos aqui contrastados, mas o v. 2 de Mateus mostra que o que realmente importa é que não se pode julgar os outros por outro critério que não sirva para a própria pessoa que está julgando ("Porque com o juízo com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medis vos medirão a vós"), sentido ampliado pelos versículos seguintes:
3 E por que vês o argueiro no olho do teu irmão, e não reparas na trave que está no teu olho?4 Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu?5 Hipócrita! tira primeiro a trave do teu olho; e então verás bem para tirar o argueiro do olho do teu irmão.
Logo, exemplificando, um adúltero ou mentiroso que julga outra pessoa por seu adultério ou mentira está sendo hipócrita por atribuir pecado ao outro sem olhar para o que lhe é próprio, e por isso será julgado pelo mesmo critério com que julgou o próximo.

Isto não significa, obviamente, que devemos nos abster de todo e qualquer julgamento. 

É muito interessante que a palavra grega traduzida por "julgar" ou "juízo" nos versículos acima é κρίνω - krinō - que quer dizer, basicamente, "discernir", mas também "decidir", "condenar", "decretar" e "punir". 

As palavras de Jesus em João 7:24 ("julgai segundo o reto juízo") deixam mais claro ainda que este julgamento, este discernimento, deve ser feito com base no "reto" juízo. 

A palavra grega traduzida por "reto" aqui é dikaios (δίκαιος), que quer dizer "equitativo". 

Nada mais humano do que julgar por equidade, sopesando na balança da Justiça (diké - δίκη - a deusa grega da Justiça) os prós e os contras de uma determinada situação ou condição. 

Por sinal, a própria palavra grega diké para justiça já era uma evolução do pensamento grego, que nos primórdios de sua civilização conhecia "justiça" apenas por themis - Θέμις - que tinha, esta sim, um significado muito mais ligado à justiça divina de Zeus no seu Olimpo de decretos e decisões inquestionáveis (para aprofundar a discussão desses conceitos, acesse o texto "Justiça no pensamento aristotélico - 2").

Desta forma, já estava disseminado na civilização greco-romana - da qual Jesus e seus discípulos fizeram parte - o uso (e o entendimento do seu significado) da palavra dikaios referida pelo Mestre em João 7:24, pela qual podemos inferir que Ele estava se referindo a um julgamento humano, imperfeito portanto, mas que é capaz de formular juízos de valor a respeito de fatos e de pessoas segundo um razoável padrão de equidade comum a todos os membros de uma determinada comunidade. 

Equidade esta que, por sua vez, não é limitada a círculos altamente intelectualizados, mas é extensiva a pessoas simples que podem julgar segundo o velho e bom senso comum. 

É inescapável, portanto, que o crente tenha que fazer julgamentos no decorrer de sua vida cristã, sob pena de ser presa fácil da verborragia de hereges e falsos profetas que, infelizmente, contaminam a Igreja desde épocas remotas.

Dito isso, me parece fundamental que o vídeo abaixo, do Pr. Josemar Bessa, seja revisto de tempos e tempos para que os cristãos se convençam do dever que têm de julgar segundo o reto juízo, segundo a equidade humanamente considerada, para evitar cair nas ciladas dos muitos inimigos que se vestem de ovelhas para devorá-los.

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