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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Adeus a Peter O'Toole, o Lawrence da Arábia do cinema

Para tristeza de todos os fãs da sétima arte, morreu no dia 14/12/13 o grande ator irlandês Peter O'Toole, aos 81 anos de idade.

Ainda que relativamente desconhecido para os jovens apreciadores do cinema, felizmente, não passou despercebido o seu falecimento.

Homenagens mais que merecidas foram feitas ao redor do mundo.

Alguns críticos de cinema e cinéfilos dizem que - curiosamente - o "grande pecado" de O'Toole foi ter começado por cima.

Tendo iniciado sua carreira na telona em 1960, já em 1962, aos 30 anos de idade, emplacou o papel-título pelo qual ficaria eternamente conhecido: Lawrence da Arábia.

Com apenas dois anos de filmografia, portanto, Peter O'Toole já havia alcançado o ápice a que um ator com sua fleuma e seu gabarito poderia almejar.

A partir daí, suas atuações em tantos outros filmes como "O Homem de La Mancha" (1972), "Calígula" (1979), "O Último Imperador" (1987) e "Troia" (2004), ou a brilhante e esquecida obra televisiva "O Caçador" ("Rogue Male", 1977), se tornaram meras notas de rodapé à sua inesquecível encarnação de "Lawrence da Arábia", dirigido por David Lean e inspirado no vulto histórico T. E. Lawrence, personagem real de uma das grandes aventuras da época da Primeira Guerra Mundial.

O que pouca gente sabe é que tanto Peter O'Toole como T. E. Lawrence, a quem ele deu vida no cinema a ponto se ser confundido com o personagem, tinham profundas raízes cristãs, que, cada um a seu modo e tempo, foram sendo diluídas durante suas trajetórias no planeta.

De origem galesa, T. E. Lawrence (1888-1935), que passou para a posteridade como o "Lawrence da Arábia", foi uma das mais emblemáticas figuras que emergiram do primeiro conflito que envolveu o mundo todo, de 1914 a 1918.

Numa época em que o colonialismo europeu iniciava sua decadência e aquela certa dose de, digamos, "cavalheirismo" medieval cedia vez à barbárie da (ainda incipiente) tecnologia moderna de guerra, T. E. Lawrence viajou em 1911 à Arábia, então pertencente ao Império Otomano (hoje Turquia), como assistente nas escavações arqueológicas promovidas pelo Museu Britânico.

Ainda que seu trabalho no Oriente Médio tenha se concentrado nas ruínas dos hititas e das Cruzadas, seu esforço científico lançou as bases da moderna arqueologia bíblica naquelas terras.

As profundas raízes cristãs de sua família - enfronhada em Oxford - fizeram com que Lawrence, desde a mais tenra idade, se interessasse pelos relatos bíblicos, e já em 1909 a sua correspondência enviada à Grã-Bretanha dava conta de que ele havia visitado e esquadrinhado 36 castelos e fortalezas (a maioria em ruínas) na região da Síria, Líbano e Palestina.

Com o estouro da Primeira Grande Guerra, em 1914, Lawrence, então na Inglaterra, é chamado de volta pelo exército britânico para trabalhar no Oriente Médio, que ele conhecia tão bem.

Seus laços com a comunidade nativa árabe, cultivados durante suas viagens nômades e seu trabalho arqueológico, fizeram com que Lawrence, insuflado pelos britânicos, os estimulasse a lutar contra o imperialismo otomano, que, aliado à Alemanha, era o inimigo comum de ambos os povos naquela zona conflagrada.

Antes de T. E. Lawrence morrer por
traumatismo craniano decorrente de um
acidente de motocicleta, ninguém pensava
em usar esse tal "capacete".
Depois de ajudar a consolidar a independência dos países árabes em relação à nascente Turquia, embora colocando-os sob a esfera britânica, Lawrence voltou para a Inglaterra, onde levou uma vida relativamente pacata até morrer num acidente de motocicleta em 19 de maio de 1935.

Curiosamente, outra de suas contribuições para a humanidade, ainda que involuntária, é que somente depois de sua morte o governo britânico investiu na cultura do capacete para motociclistas, o que veio a salvar milhões de vidas no mundo todo a partir de então.

Peter O'Toole, por seu lado, foi criado como católico na anglicana Leeds, tendo inclusive estudado num colégio de freiras durante os bombardeios nazistas da Segunda Guerra Mundial, embora tenha abandonado a fé a partir de sua adolescência.

Além de "Lawrence da Arábia", foi indicado 8 vezes ao Oscar da Academia de Hollywood, sendo sempre preterido até que finalmente, cônscios de seu erro, lhe outorgaram um Oscar honorário pelo conjunto de sua obra em 2003.

Entretanto, o já consagrado ator não conseguiu deixar a lembrança de Jesus para trás. Mais tarde, confessou: "Ninguém consegue tirar Jesus de mim... não há qualquer dúvida que ele foi uma figura histórica de tremenda importância, com enormes ensinamentos. Como a paz, por exemplo".

Não se sabe a extensão exata da fé de O'Toole e Lawrence, mas a feliz congruência desses dois grandes homens num personagem cinematográfico da maior relevância neste mundo moderno tão contraditório e ansioso por símbolos de fé e de coragem, faz com que a gente agradeça o privilégio de  ter conhecido as suas histórias de vida.

Peter O'Toole no papel-título de "Lawrence da Arábia" (1962)

Foto autografada de Peter O'Toole no papel de um dos três
anjos que visitam Abraão no épico "A Bíblia" (1966)



terça-feira, 4 de junho de 2013

As infames Cruzadas da Europa do Norte


Um pedaço trágico e vergonhoso da história da religião cristã institucionalizada, com conversões forçadas e forçadas e guerras entre cristãos nominais, que não pode ser esquecido a fim de que não se repita jamais, publicado na revista Aventuras na História.

Curiosamente, os "cruzados do Norte" tiveram uma participação expressiva na formação do reino de Portugal. 

Em 1147, quando já eram proscritos no Norte da Europa, cerca de 13.000 deles navegaram em cerca de 200 barcos até a costa do então Condado Portucalense, já sob o comando de D. Afonso Henriques (mais tarde D. Afonso I, primeiro rei de Portugal).

Sabendo da chegada dos forasteiros, D. Afonso entrou em acordo com eles para vencerem os mouros que ainda comandavam o centro-sul do território que hoje forma Portugal, prometendo-lhes saques e terras, conseguindo o seu apoio para finalmente conquistarem Lisboa.

Se hoje estamos aqui, escrevendo e lendo em português, pelo menos uma mínima medida devemos a esses elementos que barbarizaram o Norte da Europa em nome de Cristo, mas por essas contingências misteriosas do destino, ajudaram a formar Portugal.

Eis a íntegra do artigo:

Os últimos pagãos da Europa

As Cruzadas do Norte, conduzidas pelos Cavaleiros Teutônicos, levaram a palavra de Cristo na ponta da espada e espalharam o terror na Idade Média

Texto Fabio Marton
Ilustrações Rodrigo Idalino

A força era relativamente pequena. Não passava de 300 cavaleiros e soldados de infantaria. Estava às portas da cidade de Gdansk, no litoral da atual Polônia. O uniforme era um paradoxo: túnicas com cruzes pretas cobriam as armaduras. Na cabeça, os elmos eram decorados com chifres. Pareciam demônios agindo em nome de Jesus Cristo. Há controvérsia sobre o que se seguiu.Não está claro se as portas foram abertas, se houve cerco ou combate. O fato é que a Ordem dos Cavaleiros Teutônicos entrou em Gdansk sem muita resistência. Sua missão era retomá-la para o rei da Polônia, após uma revolta de comerciantes alemães negar a autoridade do soberano. Com a cidade conquistada, em 13 de novembro de 1308, todos os resistentes foram mortos. Eram, em sua maioria, compatriotas alemães. As mulheres e crianças tiveram o mesmo destino. Depois, os invasores atearam fogo no local. Cachorros lambiam o sangue que escorria copioso nas ruas. As crônicas medievais, provavelmente exageradas, falam em 10 mil vítimas no que ficou conhecido como o Massacre de Gdansk.

Os Cavaleiros Teutônicos esperavam o pagamento real pelo serviço prestado. Como não se chegou a um acordo, convocaram mais 4 mil cavaleiros, expulsaram a guarnição polonesa e prosseguiram conquistando e arrasando todas as cidades da Pomerélia, deixando a Polônia sem litoral. O massacre gerou um processo em Roma, durante o qual a Ordem chegou a ser excomungada pelo papa, mas terminou absolvida. Se um massacre covarde não parece uma boa introdução para uma história de cavalaria, é porque as Cruzadas do Norte não foram feitas de honra e glória, mas forjadas em combates desiguais, fanatismo, traição e ambição mercantil. Como no Oriente Médio, guerreiros que fizeram votos de pobreza e castidade cometeram saques e estupros. Por mais de dois séculos, a cristandade esteve em guerra santa contra diversos povos do Mar Báltico, os últimos pagãos da Europa.



Cristianismo, armado e perigoso

Após a conquista de Jerusalém pela Primeira Cruzada, em 1099, a cristandade viveu uma fase de violenta euforia. A conversão dos vikings, iniciada no século 8, havia se dado de forma relativamente pacífica, por contato, diplomacia e trabalho missionário - ninguém precisou conquistá-los para impor a crença à força. A opção começou a parecer atraente após a vitória na Cidade Santa. Em 1147, o abade Bernardo de Clairvaux anunciou a primeira das Cruzadas do Norte: "Proibimos expressamente que por qualquer razão se faça paz com esses povos, seja por dinheiro ou tributo, até chegar o tempo em que, com a ajuda de Deus, eles ou sua religião sejam destruídos". As palavras de Bernardo (mais tarde São Bernardo) têm origem um ano e meio antes, quando o papa Eugênio III convocou a Segunda Cruzada para recuperar um território perdido no Oriente Médio. Os alemães da Saxônia pediram uma reunião com Clairvaux, já então um grande ideólogo e propagandista da guerra santa, para demonstrar que o inimigo infiel estava na porta de casa e não era preciso viajar ao Oriente Médio para enfrentá-lo. Numa faixa entre a Alemanha e a Rússia, povos de diversas etnias recusavam a conversão. Uma dessas regiões era a Prússia, habitada então por eslavos. Em 997, o missionário São Adalberto foi morto pelos prussianos a golpes de lança depois que tentou, sem sucesso, cortar a árvore sagrada dos pagãos com seu machado. Sua cabeça desfilou pelas ruas. Havia também apostasia, como a que ocorreu na ascensão do príncipe Niklot, dos vendos, em 1131, que retomou crenças ancestrais depois de dois príncipes cristãos.

Os povos do báltico viviam em sociedades violentas, com frequentes ataques de uns contra os outros. Haviam sido empurrados para a região na Antiguidade, por inimigos eslavos, celtas e germânicos, até conseguirem se proteger atrás de uma faixa de pântanos e florestas que cruzava a atual Polônia. Não tinham escrita. O que se sabe deles vem de sítios arqueológicos, folclore e relatos de seus inimigos. Suas armas eram primitivas: lanças, machados e porretes. Tinham cavalos, mas eram pôneis, menores que os de outros europeus. Sabiam fazer fortificações de madeira e não tinham armas de cerco, como catapultas, torres e trabucos. Os únicos entre eles que chegaram a ter um exército foram os lituanos, que adotaram as tecnologias de seus inimigos - todos os outros eram bandos desorganizados de guerreiros, a típica imagem do bárbaro.

Com barcos de construção similar aos dos vikings, os pagãos que viviam no litoral faziam incursões de pirataria. Por ironia, seu alvo costumava ser os países nórdicos. "Jovens [bálticos] só conseguiam adquirir o dinheiro necessário para comprar uma fazenda e casar por meio da guerra - pilhagens traziam dinheiro, gado, cavalos e escravos", afirma o historiador William Urban, da Universidade de Monmouth (EUA). Influenciado por Bernardo de Clairvaux, o papa Eugênio III lançou uma bula, em 13 de abril de 1147, afirmando que guerrear contra os infiéis na Península Ibérica e no Báltico teria o mesmo efeito que fazer isso no Oriente Médio. O guerreiro seria perdoado por todos os seus pecados, ganhando acesso direto ao Paraíso.

Guerra confusa

O príncipe Niklot reagiu ao avanço cristão na região com um ataque preventivo aos saxões, dando início à Cruzada dos Vendos. Foi uma guerra curta e confusa. Forças unidas de dinamarqueses, saxões e poloneses, comandadas muitas vezes por bispos e abades, invadiram o território eslavo, saqueando, queimando templos e batizando guerreiros derrotados pelo caminho. No cerco à principal fortificação dos vendos, Dobin, os saxões exigiram o batismo das tropas dentro da fortaleza. Niklot não só aceitou como prometeu pagar tributos a eles. Os cruzados passaram água na cabeça dos inimigos e deram as costas, como se a missão estivesse cumprida. Tanto o príncipe como a maioria dos "convertidos" continuariam pagãos até o fim da vida. Em 1160, após uma revolta, o líder dos vendos foi morto em combate.

Muitos cristãos tomaram a nova regra papal como licença para abusar dos infiéis. Em 1186, com problemas financeiros por causa de uma guerra interna, o rei Sverre da Noruega foi buscar recursos saqueando as terras dos bálticos. Em 1195, atendendo a um pedido por reforços militares em uma missão na Livônia, os suecos se limitaram a encher seus barcos de carga roubada e ir para casa celebrar. Com a autorização do papa, os nórdicos tiveram a chance de voltar a fazer "ataques vikings à moda antiga", descreveu o historiador Eric Christiansen, autor do livro The Northern Crusades (sem tradução). Na Livônia (território das atuais Estônia e Letônia) havia uma missão cristã desde 1185.

Ela começou pacífica, mas se militarizou quando os religiosos perderam a paciência com as conversões insinceras dos pagãos. Em 1193, o papa Celestino III autorizou privilégios cruzadistas para quem reforçasse as tropas na região. Liderando esses exércitos, o bispo Bernardo de Hanover acabou morto, em 1198. Isso levou Inocente III, sucessor de Celestino, a decretar a Cruzada da Livônia. A guerra durou quase um século, e se estendeu a vários outros alvos, como os estonianos e letões. A Ordem Livônia dos Irmãos da Espada foi fundada em 1202. O território conquistado por esses monges guerreiros passou a ser chamado de Terra Mariana - a "terra santa" da Virgem Maria, não menos importante que Jerusalém.




Ainda hoje, os Irmãos da Espada são particularmente infames entre os povos bálticos: "Em nome de Cristo, atacavam, saqueavam, sequestravam, estupravam, matavam", escreveu o historiador letão Visvaldis Mangulis. Estupros eram obviamente proibidos pelos votos de castidade, mas, segundo Christiansen, "o irmão-cavaleiro estava exposto a fortes tentações, pois o poder frequentemente deixava as mulheres à sua mercê. Elas eram butim, e a expectativa de estupro era o que mantinha seus auxiliares nativos motivados. Alguns cavaleiros devem ter se juntado a eles".

Enquanto prosseguia a Cruzada da Livônia, entraram em ação os Cavaleiros Teutônicos. Surgida no final do século 12 em Acre, na Palestina, a ordem era formada por guerreiros que viviam em conventos, renunciando à propriedade e aos prazeres carnais, até mesmo à mesa: se alimentavam quase só de pão, água e alguns vegetais insossos. Os Cavaleiros passaram a procurar novos alvos após as sucessivas derrotas dos cristãos na Palestina, principalmente com a queda de Jerusalém em 1187. Em 1226, aceitaram o convite do duque polonês Conrado I, de Masóvia, para tomar parte em sua até então malfadada campanha contra os prussianos. Conrado deu a eles um feudo em Chelmno, que se expandiria em um novo país.

Com uma força de 10 mil homens, em 1233, os cruzados levariam quase 30 anos para conquistar a Prússia. Os territórios passaram a fazer parte do Ordensstaat, o Estado da Ordem, ao qual se juntaram as conquistas dos Irmãos da Espada, em 1236, após a Batalha de Saule, na qual os lituanos praticamente aniquilaram os monges-guerreiros - os sobreviventes se juntaram aos teutônicos. Com pagãos escasseando na região, em 1241, a Ordem passa a atacar outros cristãos, invadindo a República de Novgorod, de ortodoxos russos, com apoio do papa e dos reinos da Suécia e Dinamarca. Foram derrotados na Batalha do Gelo, imortalizada no filme Alexander Nevsky (1938), de Sergei Eisenstein. A cavalaria russa empurrou os cruzados para dentro de um lago congelado - com suas armaduras pesadas, o gelo se partiu e 20 deles foram ao fundo. A humilhação delimitou a fronteira máxima da ação dos cruzados: eles nunca mais voltariam a atacar os russos. O território do Ordensstaat cresceu em outras direções e chegou a dominar todo o litoral do Báltico entre a Alemanha e Rússia no final do século 15.

A vingança dos poloneses

Em 1283, a Ordem voltou-se contra o Grão-Ducado da Lituânia, o último e mais poderoso reino pagão da Europa. E também seu maior fracasso. Mesmo após um século de guerras e devastação, os lituanos só aumentaram seus domínios, chegando a uma imensa faixa entre os mares Negro e Báltico. Em 1385, a guerra acabou em derrota moral para os Cavaleiros, quando o grão-duque Jogalia da Lituânia casou-se com a rainha Edviges da Polônia, convertendo-se ao catolicismo e unificando os reinos. Quando uma revolta nativista no Ordensstaat foi apoiada pelos lituanos, os Cavaleiros declararam guerra aos países unificados, em 1409. Foi um desastre: acabaram trucidados na Batalha de Grunwald, um ano depois. A ordem perdeu suas possessões bálticas, principalmente para a Polônia-Lituânia, até os últimos e pequenos feudos monásticos, em 1583, após a Guerra da Livônia - quase dois séculos após os últimos pagãos da Europa terem se inclinado à pia batismal e 446 anos após o início das Cruzadas do Norte. A Ordem dos Cavaleiros Teutônicos existe ainda hoje, depois de abandonarem qualquer propósito militar. Algo que só aconteceu em 1929.

O panteão báltico

Os pagãos do Mar Báltico não eram uniformes: falavam línguas eslavas, bálticas (como o letão e o lituano) e fínicas (como o finlandês e o estoniano), completamente ininteligíveis entre si. Mas sua religião tinha várias características comuns. Os povos bálticos reverenciavam a natureza, com os deuses principais relacionados ao céu, e os menores à terra, florestas e agricultura. Dievas era o deus do céu, onde tinha uma fazenda. Sua noiva era Saule, o Sol. Todos os dias, Saule se movia numa carruagem para seu casamento com Dievas. O rival de Dievas era Menuo, a Lua, o deus da guerra. Em algumas tradições, a Lua conseguia se casar com o Sol, mas era infiel, e por isso era punida por Perkunas, o deus do trovão. A deusa da terra era chamada Zemyna ("mãe terra"). Os cristãos relacionaram Zemyna à Virgem Maria e Dievas a Deus - ainda hoje essa é palavra para o deus cristão em lituano (do qual adotamos a grafia).

Saiba mais

Livro - The Northern Crusades, Eric Christiansen, Penguin Books, 1998





sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Cristãos acuados na Síria

Matéria do The Wall Street Journal traduzida e publicada no jornal Valor Econômico do último dia 14 de agosto:

Religião e história nutrem conflito sírio

Por Bill Spindle e Sam Dagher | The Wall Street Journal

Perto da cidade síria de Aleppo, a Igreja de São Simeão Estilita comemora o asceta do século V que se tornou uma celebridade antiga ao viver no topo de uma coluna por décadas para demonstrar sua fé. O Krak dos Cavaleiros, castelo imponente nas proximidades de Homs, foi uma fortaleza da ordem dos Cavaleiros Hospitalários em sua missão de defender um reino das Cruzadas. Seydnaya, um imponente mosteiro na cidade de mesmo nome, foi provavelmente construído no tempo de Justiniano.

Uma freira desse mosteiro falou recentemente sobre a atual crise da Síria em uma alcova à luz de velas, cercada por ícones votivos de mil anos, doados por fiéis russos ortodoxos, e pingentes de prata com formas de partes do corpo que os suplicantes procuravam curar: pés, cabeças, pernas, braços e até um par de pulmões e um rim.

"Não é algo de pequenas dimensões o que estamos enfrentando", disse ela, se referindo tanto à situação do país quanto de sua religião. "Nós simplesmente desejamos que a matança cesse."

Poucos lugares são tão centrais como a Síria na longa história do cristianismo. Saulo de Tarso fez sua conversão aqui, supostamente na Rua Chamada Direita, que ainda existente em Damasco. Foi nessas terras que ele praticou suas primeiras missões com a meta de atrair não judeus para a nascente fé.

Um século atrás, o Levante tinha uma população possivelmente 20% cristã. Agora, está mais próxima de 5%. A Síria hoje hospeda comunidades vibrantes, embora minguantes, de diversas antigas seitas: sírios ortodoxos, sírios católicos, gregos ortodoxos, gregos católicos e armênios ortodoxos.

Mas as comunidades cristãs na Síria estão sendo severamente testadas pela revolta que angustia o país há mais de um ano. Elas relembram o ano de 636, quando o imperador bizantino cristão Heráclio viu seu exército ser derrotado pelas forças muçulmanas ao sul da atual Damasco. "A paz esteja contigo, Síria. Que bela terra serás para os nossos inimigos", lamentou o imperador, antes de fugir para a Antioquia. No Século VIII, uma famosa igreja em Damasco foi demolida para dar lugar a uma mesquita omíada, hoje um dos lugares mais sagrados do Islã.

Não poucos cristãos na moderna Síria temem que a atual crise possa terminar da mesma maneira, para eles, se Bashar al Assad e seu regime forem derrotados pela insurgência rebelde.

Sob muitos aspectos, é uma preocupação estranha. Cristãos e muçulmanos viveram lado a lado com um mínimo de atrito durante as décadas em que a família Assad esteve no poder. Historicamente, comunidades cristãs locais por vezes acolheram até mesmo senhores muçulmanos, quando os libertaram da mão pesada de Constantinopla ou de Roma. Em muitos lugares, os dois grupos continuam, ainda hoje, a estender as mãos uns aos outros. Até mesmo extremistas rebeldes dizem também nada ter contra os cristãos.

Mas, à medida que o conflito no país assume contornos sectários cada vez mais acentuados, pois a maioria dos cristãos se posiciona a favor do regime ou pelo menos não se opõe ativamente a ele, algumas das mais antigas comunidades cristãs da Terra estão se sentindo oprimidas.

"Levamos uma vida que tem sido inveja de muitos", diz Isadore Battikha, que até 2010 foi arcebispo de Homs, Hama e Yabroud para a Igreja Católica greco-melquita. "Mas, hoje, o medo é uma realidade."

O padre Battikha é um dos muitos apoiadores ferrenhos do presidente Assad.

Desde o início do atual conflito, história e religião têm desempenhado um papel fundamental no fomento das paixões em ambos os campos na Síria. E isso tornou-se mais pronunciado à medida que o conflito foi se arrastando, tornando-se mais sangrento e perverso.

Uma das afirmações frequentemente repetidas feitas pelo regime sírio explora com eficácia antigas rivalidades. O conflito, alega-se, é uma tentativa de neo-otomanos na Turquia e ultraconservadores muçulmanos de ambições expansionistas na Arábia Saudita, conhecidos como wahhabitas, de conquistar terreno na Síria.

Essa narrativa, segundo a qual uma maioria de muçulmanos sunitas domina e reprime as minorias, é agora matéria de noticiários noite após noite na televisão estatal síria. O regime sabe que essa mensagem repercute bem entre os cristãos e outras minorias.

Os otomanos, turcos que governaram a Síria de 1516 até a Primeira Guerra Mundial, relegaram os cristãos a um status de cidadãos de segunda classe. Eles foram autorizados a praticar sua religião e a governarem-se em assuntos que não diziam respeito aos muçulmanos. Mas também foram obrigados a pagar impostos especiais e havia muitas restrições a eles no que dizia respeito a interações com os muçulmanos. O wahhabismo, a forma ascética e fortemente conservadora do islamismo praticado na Arábia Saudita, é ainda mais duro em relação aos cristãos.

Os rebeldes facilitaram, para o regime, a manipulação desse tipo de temor. Num esforço para inspirar seus próprios combatentes e obter favores e apoio de estrangeiros, principalmente da Arábia Saudita e do Catar, o único outro país onde o wahhabismo é a religião estatal, alguns caracterizam o conflito como uma luta para restaurar as glórias dos califados islâmicos e resgatar a Síria do domínio dos infiéis.

Isso transparece claramente nos nomes adotados para identificar as brigadas do Exército Livre da Síria - a frouxa articulação de milícias locais e desertores do Exército. Muitas das milícias receberam seus nomes em homenagem a figuras reverenciadas por muçulmanos sunitas como o terceiro califa Umar ibn al -Khattab, cujo título principal era al Farouq, que significa "aquele que distingue verdade de falsidade", e o guerreiro islâmico e comandante militar Khalid ibn al Walid.

Foi Ibn al Walid, combatendo pelo califa Umar, quem derrotou o imperador Heráclio em 636, durante a primeira onda da conquista muçulmana proveniente da Península Arábica nos anos que se seguiram à morte do profeta Maomé.

O principal alvo dos rebeldes de inclinação mais sectária não são os cristãos. São os alauitas, grupo minoritário ao qual pertence a família Assad. Os alauitas, que compõem cerca de 12% da população da Síria, praticamente o mesmo percentual dos cristãos, são uma seita heterodoxa que ramificou-se do Islã. São considerados heréticos por extremistas muçulmanos, muito piores do que os cristãos.

Apesar disso, muitos cristãos temem que um governo que venha a substituir o regime de Assad possa ser dominado por grupos como a Irmandade Muçulmana, que poderiam devolvê-los à condição de cidadãos de segunda classe. Eles também temem que suas comunidades possam ser devastadas pelo fogo cruzado entre a insurgência predominantemente muçulmana sunita síria e o bem armado regime alauita, da mesma maneira que os cristãos no vizinho Iraque muito sofreram durante as guerras sectárias lá nos últimos dez anos.

A expansão do conflito a Damasco e Aleppo, as duas maiores cidades sírias, amplificou os temores dos cristãos. Eles estão sob pressão tanto do regime como dos rebeldes para que tomem partido e declarem suas alianças. Aqueles que querem evitar tomar partido estão deixando o país.

Por ora, muitos refugiados - tanto cristãos como muçulmanos e outros - mudaram-se para áreas onde se sentem mais seguros na Síria ou no vizinho Líbano. Até agora, não emergiu o padrão visto no Iraque, onde muitos cristãos emigraram definitivamente para países ocidentais.

Os exemplos mais claros de adesão de cristãos ao regime ocorreram em Homs. Na cidade de Qusayr, a sudoeste de Homs, uma família cristã ajudou as forças de segurança pegando em armas e operando postos de controle. O resultado foi uma reação contra todos os cristãos, e a cidade ficou praticamente esvaziada de cristãos a partir de então.

Em Wadi al Nasara - o Vale dos Cristãos, outro enclave em meio a cerca de 30 aldeias a oeste da cidade de Homs -, uma família de cristãos pró-regime combateu ao lado de elementos leais a alauitas, dizem moradores que recentemente fugiram da área. Cristãos pro-regime tomaram, no belíssimo vale, dois palácios de propriedade de diplomatas árabes do Golfo, disseram eles.

Perto dali, combatentes sunitas estabeleceram uma base no Krak dos Cavaleiros, castelo que é um marco histórico do Século XII e pertencia às cruzadas. "Agora é impossível para um muçulmano descer até o vale", disse um morador da área.

O padre Paulo Dall'Oglio, sacerdote jesuíta italiano que viveu na Síria durante três décadas, mas foi expulso pelo regime em junho, diz que muitos membros da igreja têm velhos laços com o regime e com os serviços de inteligência, o que moldou sua posição.

"Muitos cristãos na Síria acreditam não haver alternativa ao regime de Bashar al Assad", diz o padre Dall'Oglio.

Alguns cristãos, porém, estão se esforçando para superar esse fosso, tentando um diálogo com a oposição e os rebeldes, ou pelo menos lançando uma ponte sobre o abismo sectário que cada vez mais os separam.

Basilios Nassar, um sacerdote ortodoxo grego da cidade central de Hama, foi baleado e morto por franco-atiradores do governo em janeiro, enquanto ajudava a evacuar os feridos em confrontos em um bairro, dizem ativistas cristãos.

Eles dizem que os franco-atiradores provavelmente o confundiram com um combatente islâmico por causa de sua barba e vestes negras. Sua igreja disse que ele foi morto por "um grupo terrorista armado".

Caroline, uma ativista cristã que pediu para ser identificada apenas por seu primeiro nome, foi presa pelas forças de segurança em abril, em Damasco, enquanto distribuía ovos de Páscoa para filhos de cristãos, de sunitas e de famílias alauitas expulsas pelos combates em Homs.

Tiras de papel com passagens do Alcorão e da Bíblia acompanhavam os ovos. Caroline disse que esse ato fazia parte de suas tentativas de eliminar gradualmente as barreiras que agora separam os grupos religiosos na Síria devido ao conflito.

Anteriormente, ela fez questão de ajudar as esposas e filhos de homens mortos em combate na cidade predominantemente sunita de Douma, nos arredores de Damasco, distribuindo provisões de comida e envelopes com dinheiro.

Ela também procurou realizar reuniões com líderes eclesiásticos para pedir-lhes que "não impusessem uma posição em relação a todos os cristãos". Ela disse que a maioria a repreendeu por ser contra o regime ou não quiseram dialogar com ela.

O padre Nawras Sammour, um jesuíta de 44 anos de idade originário de Alepo, dirige um programa de assistência em todo o país, denominado Serviço Jesuíta para Refugiados. O grupo está atualmente prestando assistência a 6.000 famílias sírias em todo o país que deixaram suas casas, afetadas pela violência: muçulmanos sunitas e xiitas, drusos, alauitas e cristãos.

Ele acredita que somente mediante diálogo entre diferentes grupos religiosos os cristãos continuarão sendo uma presença vibrante nessas antigas terras. Ele admite os problemas e diz compreender as preocupações dos cristãos.

"Veja o Iraque, veja o Egito", diz ele, listando os países vizinhos onde turbulência política e a substituição de um governante autoritário por uma ressurgência islâmica impactou comunidades cristãs há muito estabelecidas. "Mas, apesar disso, temos de construir pontes. Esses são os princípios do Evangelho. Não podemos simplesmente escolher um lado e aderir a ele".

Alexandre Haddad, um residente com 66 anos de idade na aldeia serrana de Maalula, está preocupado com o destino de sua antiga comunidade cristã, mas assume uma perspectiva de longo prazo. Como outros moradores no vilarejo, ele fala uma variante do aramaico, a língua falada pelo próprio Jesus.

"Muitas pessoas passaram por este país - bizantinos, muçulmanos, tamerlanos, mongóis, otomanos", disse Haddad, sentado à sombra do convento de Santa Tecla, heroína da lenda bíblica "Os Atos de Paulo e Tecla".

"Jesus era originário de [uma região] um pouco ao sul. São Paulo esteve em Malula ", diz ele. "O cristianismo é muito forte aqui".



quinta-feira, 12 de julho de 2012

Tesouro do tempo das Cruzadas é achado em Israel

A notícia vem via Yahoo:

Tesouro é achado em local de batalha dos cruzados em Israel

HERZLIYA, Israel, 11 Jul (Reuters) - Um tesouro com moedas de ouro milenares foi desencavado de um terreno onde forças cristãs e muçulmanas travaram batalhas pelo controle da Terra Santa durante as cruzadas, disseram arqueólogos na quarta-feira.

O material estava nas ruínas de um castelo em Arsuf, local estratégico durante o conflito religioso dos séculos 12 e 13.

As 108 moedas formam uma das maiores coleções de moedas antigas já descobertas em Israel. Elas estavam em uma jarra de cerâmica sob uma lajota, no topo das ruínas que ficam à beira-mar, a 15 quilômetros de Tel Aviv.

"É uma descoberta rara. Não temos muito ouro que foi circulado pelos cruzados", disse Oren Tal, professor da Universidade de Tel Aviv que comandou a escavação.

Foi em Arsuf que as forças do rei inglês Ricardo Coração de Leão derrotaram o líder islâmico Saladino. Cerca de 80 anos depois, em 1265, os muçulmanos voltaram sob o comando de outro general e sitiaram a cidade por 40 dias. Quando os muros externos caíram, os cavaleiros cruzados recuaram para o castelo, que acabou sendo destruído.

Tal acredita que o tesouro tenha pertencido à Ordem de Malta, cujos membros habitavam o castelo. As moedas talvez seriam usadas para pagar o arrendamento das terras, ou fossem o lucro de atividades industriais, disse o arqueólogo.

Ao todo, as moedas pesam cerca de 400 gramas. Algumas foram cunhadas dois séculos antes no Egito, e elas serão estudadas nos próximos seis meses, disse Tal.

"O estudo dessas moedas irá contribuir para a nossa compreensão de como interações econômicas de grande escala eram feitas na época", disse ele.

(Reportagem de Rami Amichai e Ari Rabinovitch)



quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Inscrição em árabe do tempo das Cruzadas é decifrada 800 anos depois

A notícia é do Terra:

Decifrada a única inscrição em árabe das Cruzadas

Uma inédita inscrição em língua árabe das Cruzadas, descoberta num domicílio privado em Tel Aviv há alguns anos, foi finalmente decifrada, informou nesta segunda-feira a Autoridade de Antiguidades de Israel. A placa, de mármore cinza, data do século XIII e leva o nome do imperador do Sacro Império Romano-Germânico Frederico II, líder da Sexta Cruzada (1228-1229) e que se auto-intitulou rei de Jerusalém no Santo Sepulcro, igreja onde nasceu Jesus Cristo. [nota do blog: sepulcro? nasceu? alguém escreveu ou traduziu errado aí]

Os monarcas que se lançaram em conquista da Terra Santa usavam o francês como língua de comunicação e o latim como registro culto e para as inscrições. O latim, portanto, geralmente era a língua usada nas placas das fortalezas e templos construídos pelos reis no período entre sua chegada nas muralhas de Jerusalém, em 1099, até o fim das Cruzadas, em 1271.

Frederico II (1194-1250), no entanto, foi um monarca diferente, que tomou parte da Terra Santa sem derramamento de sangue, falava árabe com fluência e encheu sua corte de muçulmanos, explicou à EFE um dos responsáveis pela descoberta - Moshé Sharon. Antes de receber as chaves de Jerusalém das mãos do sultão egípcio al-Kamil, após um breve armistício assinado em 1229, o imperador mandou fortificar o castelo de Yafa, localidade litorânea que se localiza atualmente na mais importante via marítima de acesso a Tel Aviv.

Frederico II mandou colocar nos muros do castelo duas inscrições com o mesmo texto: uma em latim e outra em árabe, em sintonia com sua proximidade dessa cultura, explicou Sharon, que é especialista em epigrafia árabe e historiador do islã na Universidade Hebraica de Jerusalém. Um dos trechos dá a data exata da inscrição, "1229 da encarnação de nosso senhor Jesus, o Messias", e enumera os títulos do imperador, que foi excomungado pelo papa Gregório IX.

A placa em latim, que já no século XIX tinha sido atribuída ao imperador, encontra-se na Sicília, no palácio onde viveu Frederico. Não se sabia, porém, da existência da inscrição em árabe, peça que tinha sido achada há alguns anos numa casa em Tel Aviv. Só na semana passada, no entanto, os especialistas conseguiram decifrar seu significado completamente. O árabe mudou muito pouco daquela época até hoje, mas a legibilidade da placa estava muito comprometida.



quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Muçulmanos querem que Bento XVI peça perdão pelas Cruzadas

Notícia da Folha.com:

Academia islâmica quer que papa se desculpe por Cruzadas

A maior instituição sunita do mundo condicionou nesta segunda-feira a retomada das relações entre o Vaticano e o mundo islâmico a um possível pedido de desculpas do papa Bento 16 pelas Cruzadas ou a uma condenação da ocupação israelense dos territórios palestinos.

A declaração foi dada por Muhammad Rifaa Al Tahtawi , ex-porta-voz da Academia de Investigação Islâmica de Al Azhar, com sede no Cairo, durante o evento "Agenda da convivência: cristãos e muçulmanos por um futuro juntos", promovido em Roma pela Comunidade de Santo Egídio.

Ele disse que está confiante sobre a retomada do diálogo, que foi congelado pela academia sunita no último 20 de janeiro, após o papa denunciar que os cristãos são perseguidos no Oriente Médio. Para a instituição islâmica, o pontífice teria atribuído aos muçulmanos a responsabilidade pela opressão da comunidade cristã na região.

Tahtawi, que alegou ter deixado o cargo para se unir à revolta do povo egípcio, afirmou que "não é aceitável" que o líder máximo da Igreja Católica diga que "não insultou [os muçulmanos e que] apenas falou" o que diria "para qualquer outro grupo religioso sobre a falta de liberdade religiosa".

Para o ex-porta-voz, "isso não é uma desculpa", e seria necessário que o papa "apresentasse agora as desculpas pelas Cruzadas", ou que "condenasse o que Israel está fazendo na Palestina".

Ele ainda observou que "a decisão de congelar o diálogo com o Vaticano, mesmo que nem todos no governo estivessem de acordo, foi muito popular".

"Isso não significa que não se queria um diálogo, mas que se quer um diálogo fecundo, e não de fachada, e baseado no mútuo respeito", completou.

"Nós queremos que o papa faça um gesto que dê a entender aos muçulmanos que ele lhes tem como seres humanos, assim como tem a todos os outros. Um sinal de respeito seria falar do Islã como uma região de paz, como uma das principais regiões no mundo que toma uma posição sobre as práticas israelenses, assim como sobre Jerusalém", defendeu o ex-porta-voz, acrescentando que "o mundo islâmico, em geral, sente por não ser respeitado e tratado igual".

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