Mostrando postagens com marcador curandeirismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador curandeirismo. Mostrar todas as postagens

domingo, 28 de maio de 2017

Crianças não vacinadas preocupam saúde pública no Brasil



Enquanto não se resolver a intrincada poção mágica que inclui liberdades individuais, saúde pública, prerrogativas e direitos das crianças, terapias alternativas, fanatismo religioso e poder do Estado, estamos correndo sérios riscos.

A matéria é do Estadão:

Grupos contrários à vacinação avançam no País e preocupam Ministério da Saúde

Movimento, disseminado principalmente nas redes, é apontado como causa de surto de sarampo na Europa

Fabiana Cambricoli e Isabela Palhares

Embora o Brasil tenha um dos mais reconhecidos programas públicos de vacinação do mundo, com os principais imunizantes disponíveis a todos gratuitamente, vêm ganhando força no País grupos que se recusam a vacinar os filhos ou a si próprios. Esses movimentos estão sendo apontados como um dos principais fatores responsáveis por um recente surto de sarampo na Europa, onde mais de 7 mil pessoas já foram contaminadas. No Brasil, os grupos são impulsionados por meio de páginas temáticas no Facebook que divulgam, sem base científica, supostos efeitos colaterais das vacinas.

O avanço desses movimentos já preocupa o Ministério da Saúde, que observa queda no índice de cobertura de alguns imunizantes oferecidos no Sistema Único de Saúde (SUS). No ano passado, por exemplo, a cobertura da segunda dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, teve adesão de apenas 76,7% do público-alvo.

“Isso preocupa e causa um alerta para nós porque são doenças imunopreveníveis, que podem voltar a circular se a cobertura vacinal cair, principalmente em um contexto em que temos muitos deslocamentos entre diferentes países”, diz João Paulo Toledo, diretor do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, que ressalta que todas as vacinas oferecidas no País são seguras.

A disseminação de informações contra as vacinas ocorre principalmente em grupos de pais nas redes sociais. O Estado encontrou no Facebook cinco deles, reunindo mais de 13,2 mil pessoas. Nesses espaços, os pais compartilham notícias publicadas em blogs, a maioria de outros países e em inglês, sobre as supostas reações às vacinas – por exemplo, relacionando-as ao autismo.

Os pais também trocam informações para não serem denunciados, como não informar aos pediatras sobre a decisão de não vacinar os filhos, e estratégias que eles acreditam que garantiram imunização das crianças de forma alternativa, com óleos, homeopatia e alimentos.

Exemplos. A doula Gerusa Werner Monzo, de 33 anos, participa de um desses grupos. Ela afirma que há anos começou a ler sobre as vacinas e, por isso, sempre foi contrária a imunizar os filhos, hoje com 6 e 9 anos. “Tomaram as que são dadas nos primeiros meses de vida porque fui obrigada, mas não foram todas. O caçula, por exemplo, não tomou reforços da tríplice viral e a da poliomielite”, disse. Gerusa diz ser contra vacinar seus filhos por achar a imunização desnecessária em crianças saudáveis e por medo de possíveis reações.

“Meus meninos nunca tomaram vacinas como a da gripe ou febre amarela, mas são mais saudáveis que muitas crianças porque têm boa alimentação, fazem tratamento com homeopatia. As vacinas atrapalham essa imunização natural que desenvolveram.”

Ela conta, no entanto, que os dois já tiveram catapora – doença que pode ser evitada com a vacina tetra viral.

A designer Fátima (nome fictício), de 39 anos, é mãe de um menino de 3 anos que só foi vacinado, pelo calendário oficial, até os 15 meses. Ela pediu para não ser identificada, por medo de ser denunciada e porque o pai do menino não sabe que o filho não tomou todas as vacinas.

“Quando ele tinha quatro meses, tomou as vacinas tetravalente e rotavírus e dias depois seu comportamento mudou, ficou agitado, não conseguia comer, teve alergia por todo o corpo. Na época, eu não entendia o que tinha acontecido, mas, depois de conhecer os grupos que falam sobre as verdadeiras reações das vacinas, tenho certeza de que foi uma consequência delas.”

Foi depois de entrar nos grupos que ela decidiu não dar as vacinas seguintes no menino, mesmo sem ter o apoio de familiares e do pediatra. “Não comento com ninguém sobre isso, nem com o meu marido, só a minha mãe sabe que eu parei de dar as vacinas. Não vou dizer nada para o médico nem na escola para evitar qualquer problema. Essa é uma decisão minha e sei que estou cuidando bem do meu filho de outra forma, com uma alimentação saudável e tratamento homeopático”, disse.

Risco. Especialistas ressaltam que a decisão de Fátima, Gerusa e de outros pais contrários à vacinação não traz consequências apenas individuais: a queda na cobertura vacinal pode causar problemas de saúde pública. “Imagine se 5% da população deixar de tomar a vacina a cada ano. Isso forma um nicho de pessoas suscetíveis a doenças que, caso contaminadas, podem infectar mais gente”, alerta Guido Carlos Levi, da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).



quinta-feira, 9 de março de 2017

STJ condena curandeira por extorsão e estelionato mediante "ameaça espiritual"


Ah, se a moda pega não só para as curandeiras que pregam papel em poste...

Já pensou se começam a investigar, processar e julgar alguns pregadores televisivos? Aqueles que apelam para tudo quanto é "gafanhoto espiritual" para "devorar" quem não lhes der polpudas ofertas, manja? uy!

A notícia (bastante detalhada, vale a leitura!) é do próprio Superior Tribunal de Justiça:

Ameaça espiritual serve para configurar crime de extorsão

Em decisão unânime, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) considerou que a ameaça de emprego de forças espirituais para constranger alguém a entregar dinheiro é apta a caracterizar o crime de extorsão, ainda que não tenha havido violência física ou outro tipo de ameaça.

Com esse entendimento, seguindo o voto do relator, ministro Rogerio Schietti Cruz, a turma negou provimento ao recurso de uma mulher condenada por extorsão e estelionato.

O caso aconteceu em São Paulo. De acordo com o processo, a vítima contratou os serviços da acusada para realizar trabalhos espirituais de cura. A ré teria induzido a vítima a erro e, por meio de atos de curandeirismo, obtido vantagens financeiras de mais de R$ 15 mil.

Tempos depois, quando a vítima passou a se recusar a dar mais dinheiro, a mulher teria começado a ameaçá-la. De acordo com a denúncia, ela pediu R$ 32 mil para desfazer “alguma coisa enterrada no cemitério” contra seus filhos.

Extorsão

A ré foi condenada a seis anos e 24 dias de reclusão, em regime semiaberto. No STJ, a defesa pediu sua absolvição ou a desclassificação das condutas para o crime de curandeirismo, ou ainda a redução da pena e a mudança do regime prisional.

Segundo a defesa, não houve qualquer tipo de grave ameaça ou uso de violência que pudesse caracterizar o crime de extorsão. Tudo não teria passado de algo fantasioso, sem implicar mal grave “apto a intimidar o homem médio”.

Para o ministro Rogerio Schietti, no entanto, os fatos narrados no acórdão são suficientes para configurar o crime do artigo 158 do Código Penal.

“A ameaça de mal espiritual, em razão da garantia de liberdade religiosa, não pode ser considerada inidônea ou inacreditável. Para a vítima e boa parte do povo brasileiro, existe a crença na existência de forças sobrenaturais, manifestada em doutrinas e rituais próprios, não havendo falar que são fantasiosas e que nenhuma força possuem para constranger o homem médio. Os meios empregados foram idôneos, tanto que ensejaram a intimidação da vítima, a consumação e o exaurimento da extorsão”, disse o ministro.

Curandeirismo

Em relação à desclassificação das condutas para o crime de curandeirismo, previsto no artigo 284 do Código Penal,o ministro destacou o entendimento do Tribunal de Justiça de São Paulo de que a intenção da acusada era, na verdade, enganar a vítima e não curá-la de alguma doença.

“No curandeirismo, o agente acredita que, com suas fórmulas, poderá resolver problema de saúde da vítima, finalidade não evidenciada na hipótese, em que ficou comprovado, no decorrer da instrução, o objetivo da recorrente de obter vantagem ilícita, de lesar o patrimônio da vítima, ganância não interrompida nem sequer mediante requerimento expresso de interrupção das atividades”, explicou Schietti.

Pena mantida

O redimensionamento da pena também foi negado pelo relator. Schietti entendeu acertada a decisão do tribunal paulista de considerar na dosimetria da pena a exploração da fragilidade da vítima e os prejuízos psicológicos causados.

Foi determinada, ainda, a execução imediata da pena, por aplicação do entendimento do Supremo Tribunal Federal de que seu cumprimento pode se dar logo após a condenação em órgão colegiado na segunda instância.v

Esta notícia refere-se ao(s) processo(s):

- REsp 1299021





terça-feira, 15 de outubro de 2013

Preso frei charlatão de Santa Catarina


"Frei Paulo Mendes" era a alcunha pela qual era conhecido o padre Geovalnizo Novais Mendes, quando saía pela região Sul do país enganando incautos com seu "óleo milagroso". 



O assunto já foi abordado numa matéria do jornalismo do SBT no começo de 2013:



Ontem, 15 de outubro de 2013, o "frei Paulo" foi preso em Lages (SC) acusado de charlatanismo e estelionato, após ter arrecadado cerca de R$ 2.500,00 em um só dia de "atendimentos", conforme você pode ver no vídeo abaixo:



O curandeiro cobrava de 30 a 50 reais por "sessão".

Por uma questão de isonomia entre as religiões, resta a pergunta inevitável: e os charlatões evangélicos que estão soltos por aí, quando serão presos também?

Deve ter gente querendo esganá-los por concorrência desleal...





terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Raio explode casa de feiticeiro do Zimbabwe

Não é mole não a vida de feiticeiro na África. É o que dá a entender a notícia abaixo - pra lá de esquisitona - do Estadão:

Cinco morrem em explosão na casa de curandeiro no Zimbábue

Cinco pessoas morreram e três ficaram feridas na explosão da casa de um tradicional curandeiro em Chitungwiza, no Zimbábue, nesta segunda-feira, disse a polícia.

Centenas de pessoas fugiram após a explosão, que também danificou várias casas no bairro, que está 20 quilômetros ao sul da capital Harare.

Autoridades disseram que ainda estavam analisando o local da explosão, mas confirmaram a jornalistas que não foi causada por uma bomba ou um botijão de gás defeituoso.

"É um mistério e algumas pessoas suspeitam que poderia ser um raio que matou tanto o curandeiro como um homem que estava se consultando com ele ou tentando se livrar de alguns maus encantos", disse um policial.

A maioria dos zimbabuanos pratica o cristianismo, mas muitos também acreditam em feitiçaria, apesar de uma lei que proíbe a prática.

(Reportagem de Nelson Banya)



segunda-feira, 16 de maio de 2011

O padre curandeiro de Cuiabá

Matéria do Fantástico de ontem:

Padre é acusado de curandeirismo e exercício ilegal da medicina em MT

O religioso se diz capaz de curar doenças como câncer através da ingestão de chás e até urina.

A acusação: famílias de doentes se dizendo iludidas, enganadas por uma falsa promessa de cura. “Ele falou assim: ‘Ou você para ou então eu não pego seu filho para curar. Eu garanto que eu curo, mas você tem que parar com a quimioterapia, porque a quimioterapia é que vai matar seu filho’”, diz uma senhora que não quer se identificar.

“Minha mãe foi a realidade do bem e a cura que ele fez. Já faz cinco anos que ela faleceu”, conta um homem.

O acusado: um padre que diz aplicar um método alternativo e revolucionário de saúde. “É maravilhoso demais para as pessoas que não gostam da entidade popular, da saúde, que o povo tenha saúde de verdade”, alega o padre Renato Barth.

Desde 2005, o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) recebe reclamações contra o padre jesuíta Renato Barth.

“O que estava sendo informado é que havia um padre que estava oferecendo um tratamento substitutivo e curativo para a doença. Então, aqueles pacientes, com essa ideia de que poderiam se curar, abandonavam o tratamento tradicional e começavam a ter os efeitos desse abandono”, afirma Arlan de Azevedo Ferreira, vice-presidente do CRM-MT.

Sob a acusação de curandeirismo e exercício ilegal da medicina, o conselho apresentou uma queixa-crime e o caso foi parar na Justiça. O processo está em andamento. Algumas entidades vieram em defesa do padre.

“Nosso apoio aqui empenhado é justamente por considerar essa denúncia do CRM um absurdo”, defende Marli Keller, diretora do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público - MT.

Pacientes se disseram curados por ele com o uso de chás e da própria urina. “Qualquer tipo de doença. Eu ia para a cadeira de rodas. Com ele foi que eu sarei da dor na sola dos pés. Parece que pisava em cima de pregos”, contou a dona de casa Aliete Viana.

O padre recebeu o Fantástico em uma casa na periferia de Cuiabá, a sede nacional do Bio Saúde, que ele diz ser um método que faz o corpo curar a si próprio. “O cérebro humano tem essa capacidade e produz, no corpo inteiro, no sangue, no corpo e nas células mais de mil ingredientes que necessita para ter saúde”, explica o padre Renato Barth.

Para o Padre Renato, chegará o dia em que o mundo não precisará de médicos. “Eles também terão que procurar outro emprego, quando não houver mais doentes. O doente é que mantém farmácia, mantém farmacêuticos, mantém os médicos, mantém hospitais e mantém universidades de medicina no Brasil”, acredita o padre Renato Barth.

O padre nega todas as acusações.

(leia a - longa - entrevista na íntegra no site do Fantástico e veja o trecho abaixo)

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails