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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Traficante se converte e denuncia grupo que planejava matar promotor em SP


Curioso é que deram à operação o nome de "Judas Iscariotes"...

De qualquer maneira, isso sim é um claríssimo sinal de arrependimento (Lucas 3:8). Quisera outras pessoas que "viram evangélicos" tivessem o mesmo comportamento...

A informação foi publicada no Estadão de 23/09/17:

Operação prende 25 de organização que ameaçava matar promotor em Rosana

De acordo com a investigação, o grupo é suspeito de planejar a morte do promotor público Renato Queiroz de Lima, que atua no município.

José Maria Tomazela

SOROCABA - Uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual (MPE), na manhã deste sábado (23), prendeu 25 integrantes de uma organização de traficantes de drogas que atuava em Rosana, no Pontal do Paranapanema, extremo oeste do Estado de São Paulo. De acordo com a investigação, o grupo é suspeito de planejar a morte do promotor público Renato Queiroz de Lima, que atua no município. Foram cumpridos também 30 mandados de busca. A Polícia Civil ainda apura a ligação dos suspeitos com outras organizações criminosas.

De acordo com o delegado Ramon Euclides Guarnieri Pedrão, as investigações foram iniciadas a partir de denúncias anônimas e ganharam corpo depois que um dos envolvidos se tornou evangélico e decidiu “entregar” o grupo – a operação foi batizada de “Judas Iscariotes”, numa referência ao traidor de Jesus Cristo. “Observamos que pequenos grupos de traficantes formavam uma rede em que os líderes se comunicavam e faziam referência a uma liderança maior. Eles se ajudavam e trocavam informações”, disse. A cidade fica na divisa com o Mato Grosso do Sul e está na rota dos carregamentos de drogas procedentes do Paraguai.

O plano de atentar contra a vida do promotor foi revelado por uma testemunha que prestou depoimento sob sigilo. “Foi uma menção clara de dar um tiro no promotor de Justiça que atua no enfrentamento do tráfico de drogas no município. Com as prisões, vamos prosseguir as investigações, em parceria com o Ministério Público”, disse. A Polícia Militar e a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) colaboraram com a operação, com cães farejadores para a busca de drogas. A PM participou com um helicóptero.

Com os suspeitos, foram apreendidos entorpecentes, celulares e rádios comunicadores. Conforme o delegado, os grupos trabalhavam com pequenas quantidades de drogas, uma espécie de varejo do crime. A investigação vai prosseguir para identificar o esquema de fornecimento da droga. Os detidos tiveram as prisões temporárias decretadas pela Justiça por 30 dias. Todos foram levados para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Caiuá, na mesma região.



sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Justiceiros "evangélicos" obrigam mãe de santo a quebrar imagens em terreiro do RJ


É difícil classificar o vídeo abaixo fora das fronteiras da barbárie, em que bandidos invadem um terreiro de umbanda e obrigam a mãe de santo a quebrar seus objetos religiosos.

Talvez sirva para revelar o perigo de um país em que a palavra "evangélico" seja vista mais como ideologia do que teologia, em que pessoas que se sentem superiores a outros só por professarem uma determinada religião e não são capazes de conviver com o diferente.

Esses seres abjetos certamente nunca leram Zacarias 4:6, que diz: 'Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito'

A matéria é da CBN:

Criminosos obrigam mãe de santo a destruir próprio terreiro em Nova Iguaçu

Testemunhas disseram à CBN que os traficantes chegaram a urinar nas imagens sacras. Toda a ação foi gravada e divulgada nas redes sociais. A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa apura um outro vídeo nas mesmas circunstâncias. O caso também teria ocorrido na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro.

Por André Coelho

Mais um terreiro de candomblé foi atacado por bandidos em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Sete criminosos armados invadiram o barracão, no bairro Ambaí, durante uma sessão. Eles obrigaram a yalorixá, sacerdotisa no local, a destruir as próprias imagens sob a mira de uma arma.

Toda a ação foi gravada e divulgada pelos criminosos nas redes sociais. Testemunhas disseram à CBN que os bandidos chegaram a urinar nos santos, dizendo que não permitiriam a prática de "bruxaria" naquela comunidade.

Os "filhos de santo", como são chamados os fiéis, foram obrigados a deixar o local. Criminosos usaram os canos das armas para arrancar as "guias", um tipo de cordão, do pescoço deles.

Nas imagens, é possível ouvir os criminosos usando termos cristãos enquanto a mulher quebra as imagens sagradas.

'Quebra tudo, quebra tudo! Apaga as velas, porque o sangue de Jesus tem poder! Arrebenta as guias todas! Todo o mal tem que ser desfeito, em nome de Jesus! Quebra tudo porque a senhora é quem é o "demônio-chefe"! É a senhora quem patrocina essa cachorrada! Quebra tudo! Arrebenta as guias todas, derrama, quero que quebre as guias todas!'

As imagens de outro ataque também circulam nas redes sociais. As primeiras informações obtidas pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa apontam que o caso teria ocorrido no Parque Flora, também em Nova Iguaçu. Na gravação, um homem é obrigado por criminosos a destruir o próprio terreiro de candomblé.

Os bandidos ameaçam a vítima com um bastão de beisebol onde está escrita a palavra 'diálogo'. Eles dizem para a vítima que ela será morta, caso tente montar um novo terreiro na favela. O grupo chega a gritar o nome de uma facção criminosa durante a ação, além de citar o nome de Jesus Cristo e outros termos comuns em cultos evangélicos.

'É só um diálogo que eu tô tendo com vocês, na próxima vez eu mato! Safadeza, pilantragem! Primeiramente é Jesus! Quando vocês forem bater cabeça aí na casinha do cachorro, vocês primeiro pedem licença a Jesus! Vocês não sabem que o "mano" não quer macumba aqui? Tá peitando por quê? Por que a gente tirou a boca dali? Arrebenta tudo! Eu sou da honra e glória de Jesus! Pensa por que eu não tô na favela essa p*** vai continuar? Já avisei! Se eu pegar de novo ou tentar construir esse c*** de novo, eu vou matar!'

Ativistas que defendem a liberdade religiosa condenaram os novos casos de violência. O presidente da comissão, Ivanir dos Santos, acredita que as ações registradas nos últimos meses são conjuntas. Para ele, os criminosos atuam com base na orientação de lideranças religiosas mal-intencionadas com o objetivo de aumentar a influência sobre comunidades carentes.

'Essa é uma coisa muito bem orquestrada e pensada até de ocupação de espaço geográfico. É sinal de que tem algumas más lideranças religiosas metidas nisso. Porque o cidadão em si ele não acorda, da noite pro dia, tem uma miragem, 'ah, Jesus mandou, fui lá e fiz'. Não é isso que está acontecendo. Eles estão falando com uma retórica, com um discurso muito bem contruído. Então alguém botou isso na cabeça dessas pessoas.'

Ontem, o secretário de Segurança, Roberto Sá, se reuniu com o secretário estadual de Direitos Humanos Átila Nunes e o chefe da Polícia Civil, Carlos Leba, para discutir a possível criação da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância. Nós entramos em contato com a Polícia Civil por causa dos dois vídeos, mas ainda não tivemos retorno.

Na semana passada, a CBN exibiu dados do Tribunal de Justiça do Rio que mostram que, desde 2012, o estado não registrou condenações por preconceito ou depredação de itens religiosos.




segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Polícia investiga suposta aliança entre traficantes e pastores contra umbandistas no RJ


Alguma coisa está errada na Baixada Fluminense e na sua capital. 

Imagine no dia em que os "evangélicos" dominarem o mundo...

A matéria é do Extra:

Ataques a terreiros do Rio podem ter partido de traficantes envolvidos com pastores evangélicos, diz Átila Nunes

Ricardo Rigel

O secretário estadual de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI), Átila Nunes, afirmou ao EXTRA, nesta sexta-feira, que os recentes ataques a terreiros de umbanda e candomblé ocorridos na Baixada Fluminense e na Capital podem ter relações com traficantes envolvidos com supostos pastores evangélicos. Denúncias recebidas através do Disque Combate ao Preconceito (2334-9551), apontam que traficantes estariam ameaçando os líderes religiosos para que deixassem de celebrar os cultos.

— Nós estamos estudando uma forma de resguardar essas pessoas que frequentam esses centros e ao mesmo tempo cobrar que estes casos sejam apurados rapidamente. Nós temos recebido várias denúncias de que falsos pastores têm criado uma relação com o tráfico de drogas de regiões como as de Nova Iguaçu, para lavar o dinheiro do tráfico dentro das igrejas. Tenho conversado com a Polícia Civil para que esses casos passem a ser investigados — contou o secretário Átila Nunes.

Nas últimas duas semanas, seis casos de intolerância religiosa foram registrados em Nova Iguaçu. Segundo a Secretaria Estadual de Direitos Humanos, na terça-feira, um grupo de criminosos invadiu um terreiro de candomblé, no Parque Flora, também no município, e quebrou imagens e objetos usados nos cultos. Mas, neste caso, os donos do terreiro não tiveram coragem de registrar o fato.

— Já conversei com os donos do local, mas eles têm muito medo de tudo que está acontecendo. Estamos fazendo uma mediação com a Polícia Civil, para que tudo seja apurado. Esse é um fenômeno terrível que não pode continuar crescendo em nossa sociedade.

Elaine Dias Pereira, de 64 anos, a Mãe Elaine de Oxalá, responsável por um terreiro de Candomblé, no bairro de Santa Rita, também em Nova Iguaçu, diz que também tem sofrido com ataques de intolerância religiosa. Há quatro meses, criminosos jogaram uma bomba no terreiro dela:

— Foi um absurdo o que fizeram comigo. Explodiram o meu relógio e fugiram. O caso foi registrado como intolerância religiosa. O que mais me deixa tensa é que tenho esse terreira há quase 30 anos e estamos com muito medo de novos ataques.

Ainda de acordo com a mãe de santo, ela também tem conhecimento de que outros terreiros estão sofrendo ameaças de traficantes ligados a pastores.

— Uma filha de santo me relatou que viu um traficante ordenando o fechamento de um terreiro aqui em Nova Iguaçu. Estamos assustados e queremos uma providência das autoridades — reclamou Mãe Elaine de Oxalá.

Entre as denúncias recebidas pela (SEDHMI), um filho de santo de outro terreiro, também em Nova Iguaçu, chegou a relatar os ataques que o centro dele vem sofrendo:

"Nossa casa foi invadida por traficantes. Assim como outras casas também foram. Nos proibiram de exercer qualquer tipo de culto, atabaques e até mesmo usar roupas que remetam a nossa religião. Nosso medo da exposição é exatamente de perder o nosso barracão".

A polícia Civil está investigando os casos relacionados aos ataques em Nova Iguaçu. Ainda segundo Átila Nunes, na próxima semana, ele volta a se reunir com o Secretário estadual de Segurança, Roberto Sá, e com o delegado Carlos Leba, chefe da Polícia Civil, para definir o cronograma de obras para a implantação da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi):

— A nossa expectativa é que o órgão comece a funcionar ainda este ano.



sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Alisson, um brasileiro invisível



Uma história de vida como tantas outras que se vivem e se perdem pelas ruas do Brasil, Alisson diz ao portal São Paulo Invisível no facebook que "tem Deus no coração, mesmo morando na rua e usando droga".

Não sabemos o quê e quanto da história de Alisson é verdade, porque uma vida de drogas e delírios na rua já não sabe mais distinguir entre realidade e fantasia.

Só sabemos que Alisson está em situação de rua e "quer sair deste lugar".

"Quero ter a benção de Deus na minha vida pra largar a maldita dessa droga. É difícil. De verdade."

Alisson é um pequeno retrato do Brasil.

Se for possível ajudá-lo materialmente, acesse a página do São Paulo Invisível e apoie as iniciativas deles.

Se, por qualquer razão, não for possível, pelo menos ore pelo Alisson e/ou divulgue as organizações que tentam tornar sua vida (e as de tantos outros) menos trágica.



sábado, 22 de julho de 2017

14 mortes em 1 mês levantam suspeitas sobre abrigo católico da Grande SP


A notícia foi publicada no Estadão em 19/07/17:

Sob investigação há 6 anos, abrigo a 76 km de SP tem 14 mortes em um mês

9 delas apresentavam quadros de diarreia e vômito, acompanhados de desnutrição; vítimas moravam em sítios da Missão Belém

Fabiana Cambricoli e Luiz Fernando Toledo

SÃO PAULO - Ao menos 14 pessoas que viviam em um centro de acolhida de uma missão ligada à Igreja Católica, que recebe usuários de drogas e moradores de rua em Jarinu, no interior paulista, morreram nos últimos 30 dias. Pelo menos nove delas apresentavam quadros de diarreia e vômito, acompanhados de desnutrição, desidratação ou intoxicação alimentar. Outros 19 foram internados com esses sintomas, mas sobreviveram. As causas dos óbitos ainda estão sendo investigadas.

As vítimas moravam nos sítios da Missão Belém, a 76 km da capital. O espaço recebe, em sua maioria, dependentes vindos da Cracolândia. A entidade, fundada pelo padre Gianpietro Carraro em 2005, atua no Brasil, na Itália e no Haiti e atende 2 mil pessoas. Só nas quatro propriedades de Jarinu, são 850.

Segundo informações dos boletins de ocorrência dos óbitos, aos quais o Estado teve acesso, metade das vítimas eram idosas e a maioria vivia nos sítios da Missão Belém há anos. Eram ex-dependentes químicos, ex-moradores de rua ou pacientes com problemas psiquiátricos rejeitados pela família.

A primeira das 14 mortes aconteceu no dia 18 de junho. A vítima, de 56 anos, teve um mal súbito após receber medicações. Três dias depois, mais um óbito foi registrado, desta vez de um homem de 50 anos internado há oito em Jarinu. Ele foi o primeiro hospitalizado a apresentar diarreia e vômito.

Nas semanas seguintes, casos do tipo aumentaram. Do dia 3 de julho até esta terça-feira, 18, o Hospital de Clínicas de Campo Limpo Paulista, município vizinho de Jarinu, recebeu 25 internos da Missão Belém, dos quais 6 morreram. De acordo com a Prefeitura do município, a maioria dos pacientes chegou ao local “em avançado estado de desidratação, desnutrição e intoxicação alimentar, em alguns casos associados a doenças crônicas, HIV e sequelas de acidente vascular cerebral (AVC)”.

A Vigilância Municipal de Jarinu, órgão vinculado à Prefeitura, diz ter feito fiscalizações no local antes e depois das mortes, mas afirma não ter encontrado sinais aparentes de contaminação. Segundo a Prefeitura, o órgão espera resultados de análises de amostras de água e fezes enviadas ao Instituto Adolfo Lutz e a contaminação por rotavírus já foi descartada pelo órgão. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), toda a cidade de Jarinu - com cerca de 28 mil habitantes - tem média de 14,4 óbitos por mês.

Regulamentação

Desde 2011, a Missão Belém é alvo de investigação do Ministério Público e da Prefeitura de Jarinu. Segundo a promotora Aline Morgado da Rocha, o local funciona, na prática, como uma comunidade terapêutica, mas não tem licença para desempenhar tal atividade. O estabelecimento não tem nem licença de funcionamento da prefeitura.

Norma da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) prevê que espaços que recebam usuários de drogas em regime de residência devem ter licença segundo as leis municipais. Também precisam contar com responsável técnico de nível superior e mecanismos de encaminhamento à rede de saúde.

Para o psicólogo e professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Marcos Garcia, há um “limbo legal” no oferecimento deste tipo de serviço. “Alguns têm cadastro como assistência social ou equipamento de saúde, mesmo não seguindo as normas do Sistema Único de Saúde (SUS).”

‘Se Deus levou, não temos culpa’, diz coordenador

O coordenador da Missão Belém, Marcio Antonio dos Santos, afirmou que muitos dos abrigados já chegam ao local doentes e observou que nem sempre é possível reverter seus problemas de saúde. Os boletins de ocorrência dos óbitos mostram, porém, que parte deles já vivia no local há anos.

“Tem uns que sobrevivem e outros não conseguem. O que fazemos de melhor é não deixar ele morrer na rua, como indigente e sem nada. Mas se Deus decide levar, já não é problema nosso. Se Deus levou, não temos culpa”, disse.

O coordenador alegou que os efeitos do crack podem ser os responsáveis pelas mortes e não houve registro de intoxicação alimentar, embora o Hospital de Campo Limpo Paulista tenha confirmado a informação à reportagem. “(As vítimas) estavam com problemas cardiovasculares, problemas ligados ao longo uso de bebida e outros”, diz ele.

O Estado procurou o padre Gianpietro Carraro, fundador do grupo, mas o religioso respondeu por mensagem que não poderia dar entrevista por estar em missão no Haiti. A assessoria de imprensa da Arquidiocese de São Paulo informou que a Missão Belém é independente juridicamente e, por isso, não irá se manifestar.

VÍTIMAS E DATA DE REGISTRO
  • Edson Luiz Ambrozio, de 56 anos, em 18 de junho.
  • Marco Cesar de Moraes, de 50, em 22 de junho
  • Ismael Francisco Nunes, de 53 anos, em 28 de junho
  • Natal Aparecido de Moraes Funck, de 63, em 1º de julho
  • Nicodemos Dias Soares, de 78 anos, em 3 de julho
  • Jamilton José Cerqueira da Silva, de 50, em 4 de julho
  • Gonçalo Galdino da Silva, de 55 anos, em 5 de julho
  • Otaviano Gomes da Silva, de 81, em 6 de julho
  • Nivaldo Santoja, de 56, no dia 7
  • João Crisostomo da Luz Neto, de 75 anos, em 10 de julho
  • Luiz Carlos Vieira, de 62, anos, em 12 de julho
  • Iolando da Silva, de 70, no dia 12 de julho
  • Wlademir Picoralle, de 64 anos, no dia 13 de julho
  • Um desconhecido, nesta terça, 18 de julho




terça-feira, 13 de junho de 2017

Da Cracolândia à faculdade de Direito, passando pela Cristolândia


O título acima é um brevíssimo resumo da história contada pela BBC Brasil:

Como deixei a cracolândia e entrei na faculdade de Direito

Gabriela Di Bella e Gui Christ

"Acharam que eu estava derrotado, quem achou estava errado, eu voltei, tô aqui, se liga só, escuta aí."

É na forma de rap que Tiago Ideal Nogueira, de 35 anos, conta a história de sua sobrevivência a quatro anos na cracolândia, na região central de São Paulo.

O ex-"noia" - forma como os usuários de crack costumam ser chamados na cidade - atualmente é missionário, ajudando dependentes a deixarem a droga, produziu o seu primeiro CD de rap e, em 2016, foi o melhor aluno do curso na faculdade de Direito privada que frequenta na zona leste de São Paulo.

Ele lembra exatamente o momento em que decidiu mudar de vida.

"Entrei pela porta da Cristolândia (ONG que auxilia usuários do crack a deixarem a droga) no dia 8 de maio de 2012, às 15h30, após quatro anos vivendo no fluxo", diz Nogueira à BBC Brasil na praça Princesa Isabel, onde ele foi conversar com usuários da nova cracolândia que se formou no centro paulistano após a mais recente ação policial no local anterior, perto dali.

Agora, após dois anos de tratamento nas fazendas da ONG e um ano como missionário - ouvindo, ajudando no banho, servindo comida e convencendo usuários a aceitarem o tratamento -, ele quer trabalhar no setor público, mas com foco justamente em viciados.

"Meu sonho é ser defensor público", afirma.

Bolsista na faculdade graças a um acordo com a ONG, Nogueira tem notas altas em quase todas as disciplinas. "A matéria que mais gosto de estudar é Direito Civil, e tirei nove notas 10. Estou no segundo ano e luto para manter esse ritmo."

A coordenadora do curso, Eliana Berta Fernandes Corral, afirma que Tiago é destaque em meio aos 600 alunos de seu corpo discente.

"As notas dele são realmente acima da média, e ele sempre participa das aulas e das nossas atividades. Temos orgulho dele na faculdade."

Diálogo

Nascido na zona norte de São Paulo, Nogueira perdeu a mãe aos 12 anos e o irmão mais velho aos 15 - ambos tinham HIV. Sua avó morreu de câncer quando ele tinha 20 anos.

Ele vivia com o tio e diz que nunca lhe faltou nada em termos materiais. "Eu morava bem, trabalhava com meu tio e andava com carrão, bem vestido e perfumado", lembra.

Entretanto, o que mais faltava era diálogo, conta. "Não tive pai, nunca soube quem ele era, e sentia falta de uma orientação, de alguém com quem conversar. Meu tio me dava tudo, menos isso."

Nogueira começou a usar drogas na adolescência, quando saía à noite. "Comecei a usar cocaína na balada, (junto com) bebida. Para um adolescente, estava tudo legal", conta. Até que provou o crack.

"Ele (o crack) seguia sempre comigo. Eu trabalhava e ia para as baladas com ele junto, até o momento em que ele pede exclusividade. E, em 2009, eu fui morar nas ruas por causa disso."

Nessa mesma época começou a se envolver com a pichação, o que envolvia escalar prédios altos - "subi e pichei diversos prédios famosos de São Paulo".

Em 2010, caiu e quebrou vários ossos quando grafitava um edifício da avenida Brigadeiro Luís Antonio, na região central da cidade. Quase morreu. Apesar disso, não abandonou o gosto pela atividade - mas hoje faz grafites pedindo autorização dos donos dos muros.

Sonho

Foi um sonho com a avó que mudou sua vida.

"Um dia sonhei que tomava um refrigerante com a minha vó e conversei muito com ela. Acredito que ela me mandou uma mensagem. Na época, andava de muleta. Acordei, me olhei no espelho e percebi que tinha me tornado um farrapo humano. Estava muito magro, 'noia' e de muleta, tinha passado quatro dias fumando crack direto", lembra. Foi nesse momento que decidiu buscar ajuda na Cristolândia.

Nogueira diz que o período mais difícil foram os primeiros seis meses.

"O corpo pede a droga e você tem que lutar para se manter na abstinência. Tinha muito desejo de fumar, muita fome, e dormir era complicado."

Ainda assim, conta que não teve nenhuma recaída.

Ele se tornou evangélico dentro da Cristolândia. "No começo foi difícil. Eles falavam que Deus é bom, eu só pensava que havia perdido toda minha família - e isso era Deus sendo bom? Eu ficava revoltado", explica. Depois de 15 dias de tratamento, diz ter tido "um encontro com Deus". Hoje se considera um missionário.

Já o rap surgiu dentro das atividades de música durante o tratamento, e hoje ele o utiliza para transmitir apoio aos usuários de crack. Nogueira compõe e canta em igrejas e nos cultos da ONG e gravou um CD que se chama Divinamente Rap.

Também quer desenvolver, com ajuda de um amigo, um aplicativo para agilizar a busca de vagas para tratamento de dependentes químicos, organização da internação e sistemas de logística da ONG que o resgatou.

Abordagens

Nogueira vê com ceticismo a operação policial realizada pelo governo na cracolândia.

"Sabemos que há interesse imobiliário em revitalizar a área, mas é preciso cuidar das pessoas. Só agir com autoritarismo não resolve. Assim, a cracolândia nunca vai deixar de existir", opina.

Ele se queixa de ter sido abordado "a vida inteira" por policiais e ter sido tratado como "negão e bandido".

Em uma viagem recente à praia, foi parado por um policial e retrucou: "Olha o constrangimento que o senhor está me fazendo eu passar. Eu sou missionário, eu dou banho em noia, eu faço aquilo que o senhor não faz".

Sobre a vida na cracolândia, recorda que cada dia era "uma guerra".

"Você levanta de manhã, começa a batalha. Onde você vai comer, e como vai conseguir dinheiro. É impossível não entrar no esquema, você é obrigado a aprender as táticas - sempre ter um cigarro ou uma cachaça na mão para vender."

Do ponto de vista das estatísticas, Nogueira é um sobrevivente: segundo pesquisa da Unifesp, 30% dos usuários de crack morrem antes de cinco anos de consumo da droga. Ele credita sua sobrevivência ao medo "de levar facada", que o fazia evitar dormir na rua - pagava por uma cama nos albergues baratos da região.

Hoje, diz que sua maior luta é contra si mesmo.

"Nunca posso achar que estou bem, sempre estou em progresso. Ajudar as pessoas me faz bem, porque todos os dias me deparo com a realidade que vivi."



terça-feira, 30 de maio de 2017

Primeira Igreja Batista de SP ganha novo vizinho: a Cracolândia


A informação foi publicada no Estadão:

Fiéis vigiam igreja na nova Cracolândia

Primeira Igreja Batista de SP perdeu frequentadores com megaoperação que levou viciados à Praça Princesa Isabel

Felipe Resk

SÃO PAULO - José Carrasco é um senhor de 65 anos, estatura mediana e com a cabeleira mais para branca do que grisalha. Religioso, ele frequenta há 15 anos a Primeira Igreja Batista de São Paulo, que fica na Praça Princesa Isabel, no centro da capital. Foi lá onde se instalou uma nova Cracolândia, após operação policial na semana passada dispersar os usuários de droga do antigo quadrilátero da droga. Foi quando Carrasco assumiu uma nova função no templo: segurança voluntário.

Com medo de circular mais perto do fluxo, ao menos 30% dos fiéis faltaram aos cultos na semana anterior, segundo cálculos da Igreja. Por isso, Carrasco foi um dos membros da comunidade religiosa que aceitou vestir um colete e ficar com os olhos atentos na movimentação da Praça Princesa Isabel. “Como eu faço parte, conheço bem quem frequenta”, diz. “Então, a ideia é identificar quem é quem e fazer com que as pessoas se sintam acolhidas, se sintam seguras, ao me ver.”

Carrasco conta que já trabalhou como vigilante. Segundo ele, o trabalho tem sido tranquilo. “É sossegado. Se a gente não mexe com eles (usuários), eles não mexem com a gente”, diz.

“Os membros fazem trabalho voluntário, com reforço principalmente em horários de culto”, admite o pastor Reinaldo Junior, de 35 anos, segundo quem, também foi pedido reforço de policiamento ao 13.º Batalhão da Polícia Militar, responsável pela área. A Igreja também pôs à disposição dos fiéis, no domingo, uma van para levá-los ao Metrô Santa Cecília e ao Terminal Princesa Isabel. “No domingo da operação ficou bem vazio”, relata.

A Primeira Igreja Batista é conhecida pelo trabalho social realizado com usuários de drogas da Cristolândia. O projeto oferece café da manhã, banho e almoço aos usuários. “Depois da operação, o fluxo na Cristolândia cresceu de 300 para 450 pessoas por dia”, diz Junior.

O projeto faz, ainda, internação voluntária em quatro comunidades terapêuticas. As cerca de 120 vagas, no entanto, já estão preenchidas. “Não é só a gente: todos os lugares estão cheios”, afirma. “Por isso que, antes de se falar em internação compulsória, como está sendo discutido, tem de saber se há vagas disponíveis. Não há.”

Violência. Nesta segunda-feira, 29, por volta das 16 horas, quatro equipes da AES Eletropaulo foram à Praça Princesa Isabel para fazer reparos nos postes. O motivo é que os fios haviam sido furtados, deixando boa parte da região às escuras. “De manhã já estava sem luz”, diz o comerciante Antônio Ferreira, de 59 anos. “Já é a terceira vez só de quinta-feira (dia 25) para cá. A gente tenta trabalhar, mas não consegue vender nada”, conta.

Segundo Ferreira, os furtos de fiação começaram depois que os usuários passaram a concentrar-se na praça, cujo número de barracas tem crescido dia a dia. Na sexta, eram 15. Nesta segunda, mais de 35. “Em 30 anos aqui eu nunca vi nada parecido com essa situação.” Para Devarlei Splendore, de 53 anos, os moradores estão “sitiados”. “Os assaltos estão acontecendo à luz do dia. Ontem (domingo, 28) mesmo eu vi um à mão armada. Depois, o meliante foi se esconder na nova Cracolândia.”



sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Repressão policial prejudica ação religiosa na Cracolândia


A informação é da Agência Brasil:

Operação policial na Cracolândia deixa marcas; usuários reclamam de truculência

Daniel Mello

As marcas da operação policial realizada na noite de ontem (17) na Cracolândia, na Luz, região central da capital paulista, ainda eram visíveis hoje (18). Pelo chão, havia restos das bombas de gás usadas no confronto entre policiais militares e usuários de drogas que vivem na região e algumas pessoas tinham no corpo hematomas e cortes.

Na noite dessa terça-feira, usuários de crack estavam na Alameda Dino Bueno e na Rua Helvétia, quando, por volta das 20h, a Polícia Militar bloqueou os acessos à região com homens armados com escopetas e começou a dispersar o grupo.

A Polícia Militar é vinculada ao governo estadual. Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo, tudo começou após policiais militares intervirem em uma briga entre frequentadores da região e pessoas que participavam de um culto religioso. “No local, eles [policiais] foram hostilizados com pedras, paus e garrafas por um grupo de pessoas que também depredou uma base da PM e uma viatura da GCM [Guarda Civil Metropolitana], além de danificarem lojas e um coletivo”, informou o órgão em comunicado.

Durante a ação, oito pessoas foram presas e encaminhadas ao 2º Distrito Policial, do Bom Retiro, sob a acusação de furto qualificado. De acordo com a secretaria, um policial ficou ferido ao ser atingido no rosto por um coquetel molotov.

A prefeitura de São Paulo informou que não teve nenhuma relação com a ação de ontem na Cracolândia e que todos os serviços de atendimento aos usuários e população de rua funcionam normalmente.

Truculência

A versão da PM é contestada pelo ativista do coletivo A Craco Resiste, Raphael Escobar. Segundo ele, que passou pelo local antes do incidente, não houve problemas entre os participantes do culto e os usuários de drogas. “Eles [usuários] gostam da igreja, porque eles ajudam, dão comida”, ressaltou.

Escobar atribui o início da confusão a provocações dos policiais contra os frequentares do “fluxo”- aglomeração de pessoas que fumam crack. “A polícia faz isso, eles atiçam: batem, dão lanternada [batem com a lanterna] na cara”, criticou.

Segundo o ativista, integrantes do coletivo socorreram um rapaz debilitado que ficou ferido durante a ação. “Um rapaz muito ferido, ele tinha uma sonda. Levaram ele para o médico. Ele já teve alta e a gente conseguiu levar para um albergue”, contou. Escobar disse ainda que o garçom de um bar da região foi preso de forma arbitrária, acusado de ter participado de saques a lojas. “Quando a gente chegou no DP, eles estavam afirmando que só tinha moradores de rua ali, mentira, porque o garoto [garçom] eu conheço do bar, vejo sempre quando vou almoçar”, relatou.

O usuário Juliano* reclamou da truculência da ação. “Eu tirei a minha mulher e meu cachorro para não ser oprimido. Tomei uma borrachada do nada, só porque eu vim pegar o meu cachorro. Pensam que somos maus elementos, ladrão, assassino. Nós não somos isso.”

Desarticulação

Para o professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Dartiu Xavier, esse tipo de ação policial compromete o atendimento aos usuários de drogas. “Você estabelece uma relação com esse usuário de drogas na rua no sentido de melhorar a vida dele, na hora em que você entra com uma ação agressiva você perde toda a confiança dele. Ele entende todo mundo como Estado, seja quem presta assistência, seja quem agride”, disse o psiquiatra à Agência Brasil. Xavier é coordenador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Unifesp.

Além de trazer problemas para o atendimento, o professor afirma que as operações policiais são ineficazes contra o tráfico de drogas. “Os traficantes não são presos. Eles não estão ali. Quem está ali preso como se fosse traficante é usuário.”

Xavier defende a abordagem de redução de danos e diz que as iniciativas com enfoque em diminuir os problemas causados pelo uso e abuso de drogas são o futuro, em contraposição às políticas que tentam extinguir a circulação e uso das substâncias. “A gente tem 50 anos de proibicionismo no mundo e não tem nenhum efeito positivo”, avalia.

*Nome fictício



quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Mãe religiosa mata filho gay no interior de SP


As notícias ainda estão na fase inicial de divulgação, e já estão espantando a sociedade brasileira pelos requintes de crueldade.

Itaberlly Lozano, de 19 anos de idade, foi morto com uma facada na garganta e depois teve o corpo incinerado e ocultado, teria sido assassinado pela própria mãe, Tatiana Lozano Pereira, e pelo padrasto, Alex Canteli Pereira, segundo a polícia de Cravinhos (SP), onde aconteceu o crime.

A mãe já teria confessado à Polícia Civil da cidade, que fica na região de Ribeirão Preto (SP).

Segundo ela alega, o rapaz seria viciado em drogas e homossexual que "levava homens para casa", segundo a matéria do jornal A Cidade, de Ribeirão Preto.

O crime ocorreu no dia 29 de dezembro de 2016 e o corpo só foi encontrado no dia 7 de janeiro, num canavial ao lado da rodovia José Fregonesi.

O perfil de Itaberlly Lozano no facebook já está repleto de mensagens lamentando a morte do rapaz, e ofendendo sua mãe.

Curiosamente, no mesmo facebook há uma foto que mostra a família aparentemente unida e feliz às vésperas do último Natal, conforme se pode ver na foto acima.

Por outro lado, no perfil de Tatiana Lozano no facebook, onde se apresenta como Taty Lozano, há uma série de mensagens religiosas de cunho evangélico, mas ainda não se sabe qual a religião que ela segue:



Enfim, mais um episódio trágico que terá desdobramentos importantes nos próximos dias.



sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Infarta apresentador de TV que rogou praga a maconheiros

Parece que praga pra maconheiro funciona na base do bate-volta... 

A informação é do UOL Notícias da TV:

Apresentador que rogou praga para maconheiros sofre infarto

FERNANDA LOPES

O apresentador Sikêra Junior, 49 anos, que se tornou fenômeno na internet no final do ano passado, sofreu um infarto na madrugada desta quinta-feira (5) em Maceió (Alagoas). Ele ficou famoso nacionalmente após sua praga para os "maconheiros" viralizar nas redes sociais: "Você, que fuma maconha, vai morrer antes do Natal", declarou, ao vivo.

A TV Ponta Verde, afiliada do SBT em Alagoas, confirmou que o apresentador passou mal com sintomas de infarto e foi levado Hospital do Coração de Alagoas, em Maceió, onde passou por um cateterismo. Sikêra está de repouso no hospital e aguarda uma vaga na UTI _ele deve ficar em observação pelas próximas 48 horas.

Na edição de ontem (5) do Plantão Alagoas, Junior foi substituído pelo apresentador Fábio Araújo. No perfil oficial do programa no Facebook, fãs expressaram solidariedade e preocupação com o apresentador titular e desejaram que ele melhore e volte logo.

Sikêra Junior é natural do Estados de Pernambuco. Com estilo semelhante ao Balanço Geral e com reportagens popularescas e policialescas, o Plantão Alagoas faz sucesso de audiência e repercute nas redes sociais pelo jeito debochado e sem pudores do apresentador, que o comanda há cinco anos..

Além da praga aos maconheiros, Junior já xingou uma internauta no ar com discurso cheio de palavrões e, durante uma ação de merchandising, caiu de uma moto em pleno estúdio.

Em nota oficial, a TV Ponta Verde afirma que Junior ficará afastado do Plantão Alagoas durante 15 dias, para se recuperar.



terça-feira, 21 de julho de 2015

Vovó não tem medo do Talibã


A matéria é da BBC Brasil:

Avó afegã arma netos e vira heroína na luta contra o Talebã

David Loyn

Ferozah tem entre 60 e 70 anos - ela desconhece sua idade correta, já que nunca foi a escola. Agora, é comandante de uma unidade da polícia que luta contra o Talebã na província de Helmand, no sul do Afeganistão.

Ela assumiu o posto em Sistani, em Marjah, após seu filho ser morto. Recebeu a mais alta condecoração do Afeganistão dada a uma mulher, a medalha de Malalai, heroína de uma batalha contra os britânicos no século 19.

Ser uma comandante militar numa cultura rural, onde mulheres raramente trabalham fora de casa, é bastante raro. Mas as surpresas não param por aí.

Dois de seus netos, Faizal Mohammed, de 13 anos, e Sultan Mohammed, de 14, lutam ao seu lado. Eles são rápidos em montar e desmontar um rifle Kalashnikov - mostram destreza semelhante a de um veterano experiente.

Ela diz: "O Talebã vive me provocando, dizendo 'o que você ganhou? você armou até os seus netos'. Mas o governo está ganhando e eles estão perdendo."

Ferozah os chama de "guerreiros de Sistani" - e os jovens já enfrentaram muitas batalhas contra o Talebã. Mas, independente do nome que têm, estas são crianças transformadas em soldados, o que viola o direito internacional.

Sistani está na linha da frente entre densamente povoada zona central de Helmand, onde vive a maioria das pessoas no país, e as áreas menos povoadas do norte e sul.

A região central, cortada pelo rio Helmand, é mais estável do que antes da chegada das tropas internacionais. As estradas estão bem melhores e há 75 postos de saúde, fornecendo serviços básicos num lugar onde antes não havia nada.

Mais de 190 mil crianças vão à escola na província, cerca de um terço delas meninas, e algumas unidades permanecem abertas em áreas sob controle do Talebã - embora, como nos postos de saúde, seja difícil recrutar funcionários.

Uma das razões do sucesso na prestação de serviços pelo governo em partes de áreas controladas pelo Talebã são os conselhos distritais, criados pelas forças britânicas, e que ainda estão operando.

A criação destes conselhos deu a anciãos dos vilarejos participação direta em como e onde o dinheiro de ajuda é gasto.

Mas nem tudo são notícias boas. O Talebã tem realizado avanços importantes em Helmand desde a saída das tropas britânicas e internacionais, no final do ano passado. Sem temer mais ataques aéreos, o grupo organiza ataques mais ousados e amplia sua influência em cidades isoladas no norte da província, incluindo Sangin e Musa Qala.

Eles também têm impedido a reparação de uma central hidrelétrica em Kajaki - se a usina estivesse operando em capacidade total, faria uma diferença significativa nos padrões de vida em todo o sul.

Segundo o chefe local do Ministério de Reabilitação e Desenvolvimento Rural, Mohammed Omar Khane, desde que forças britânicas deixaram a área apenas metade do trabalho foi feita.

E alerta: se a ajuda parar de chegar, tudo o que foi feito será destruído.

Bolha de guerra?

Há menos ajuda chegando ao Afeganistão, e essa diferença é profundamente sentida, especialmente por ocorrer em paralelo à retirada das forças estrangeiras do país. O crescimento econômico dos últimos anos, ao que parece, pode ter sido uma "bolha" dos tempos de guerra.

As prateleiras das lojas em Lashkar Gah estão cheias de produtos que comerciantes tinham planejado vender para as forças britânicas.

O comerciante Jan Ali tenta convencer a população local a comprar cereais matinais e outros produtos estrangeiros. Mas sabe que alguns itens deverão ficar nas prateleiras. "Ninguém aqui sabe o que é mistura de panqueca", disse.

Como outros comerciantes, diz ter ficado surpreso quando as forças estrangeiras partiram, apesar da data de saída ter sido amplamente anunciada.

A mídia afegã tem parte da culpa por esta confusão. Ela alimentou uma teoria - acreditada por muitos - de que as forças estrangeiras jamais sairiam do país.

O impacto da retirada foi sentido além dos empreendimentos que abasteciam a base britânica.

Haji Nazir Ahmad fechou sua empresa de construção após o governo deixar de pagar por obras que ele disse ter entregue. Entre estes projetos estavam as novas lixeiras da cidade.

Segundo ele, autoridades que as encomendaram "não tinham ideia do que uma lixeira pareceria". Ele, então, fez uma amostra.

Ahmad investiu milhões de dólares em máquinas e instalações que agora estão ociosas e servem apenas como sucata. Demitiu 350 trabalhadores e disse que o custo social disso é significativo, incluindo rompimentos familiares e violência contra mulheres.

Diz acreditar que alguns de seus ex-funcionários se juntaram ao Talebã e conta ter encontrado um de seus melhores trabalhadores vendendo heroína nas ruas.

Drogas

A ONU prevê outra safra recorde de papoulas no Afeganistão - a matéria-prima para a heroína -, com a província de Helmand, mais uma vez, liderando a produção.

O impacto social em Helmand é desastroso. Acredita-se haver 110 mil viciados em heroína na província - 7% da população. Viciados que pedem por comida são facilmente vistos no bazar.

O edifício principal da antiga sede britânica em Lashkar Gah foi transformada em uma clínica de reabilitação de drogas. Um quarto projetado para um único oficial britânico agora abriga três viciados.

A capacidade é para apenas 50 pacientes e a taxa de sucesso é muito baixa, diante da constante instabilidade, desemprego e oferta de drogas baratas.

Nove anos de intensos combates por tropas internacionais não conseguiram parar a produção. Na verdade, só fizeram a situação piorar. A única diferença é que empurrou o problema para fora das áreas povoadas centrais, rumo às zonas menos governadas, distantes do canal de Helmand.



sábado, 6 de junho de 2015

Paul McCartney parou de fumar maconha por causa dos netos

A informação é do Brasil Post:

Paul McCartney deixou de fumar maconha para não dar mau exemplo aos netos

O ex-Beatle Paul McCartney, que foi preso no Japão nos anos 80 por posse de maconha, deixou de fumar a erva para "não dar mau exemplo" aos seus filhos e netos, segundo confessou em entrevista ao jornal "The Daily Mirror".

O músico, de 72 anos, assegura que "há muito tempo" não fuma um "baseado" e explica que agora prefere relaxar com uma taça de vinho.

"Já não faço. Por quê? A verdade é que não quero dar um mau exemplo para meus filhos e netos. Agora é uma questão de paternidade", declara. "Antes, eu era simplesmente um tipo que andava por Londres e as crianças eram pequenas; portanto o que tentava era não fazer diante deles", afirmou em entrevista ao jornal. "Ao invés de fumar um baseado, agora tomo uma taça de vinho ou uma boa margarita. A última vez que fumei foi há muito tempo", assegura.

De acordo com Paul, foi o cantor americano Bob Dylan que lhe apresentou a maconha, em agosto de 1964.

Sua predileção pela droga chegou às manchetes dos jornais em janeiro de 1980, quando o músico foi detido no Japão depois que os agentes alfandegários descobriram que Paul portava 225 gramas de erva em sua bagagem.

O músico passou dez noites em uma prisão japonesa antes de ser libertado e deportado, graças à pressão de seus admiradores.

Seu consumo regular de cannabis também foi utilizado como argumento por sua ex-esposa Heather Mills durante a audiência de divórcio em 2008.

Na entrevista ao jornal, o ex-Beatle, pai de cinco filhos e avô de oito, explica também o segredo de seu saudável aspecto físico.

Assim, segundo detalha, vai quase que diariamente à academia, exercita sua flexibilidade durante vários minutos e utiliza o creme hidratante de sua terceira esposa, Nancy, de 55 anos, com quem se casou em 2011.



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