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quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Celebrando os 500 anos da Reforma com Lutero - parte 12


OS JUROS

A maior desgraça da nação alemã, contudo, é com certeza o empréstimo a juros: se este não existisse, muitos teriam que deixar de comprar sua seda, seu veludo, joias, especiarias e toda sorte de ostentação. Ele não existe há muito mais de 100 anos e já levou à pobreza, à miséria e à perdição quase todos os príncipes, fundações, cidades, nobres e herdeiros. Se continuar por mais 100 anos, é impossível que a Alemanha fique com um centavo sequer. Com certeza teremos que nos devorar uns aos outros. Foi o diabo que o inventou, e com a sua aprovação o papa fez sofrer o mundo inteiro. Por isso conclamo e peço aqui que cada um encare sua própria perdição, a de seus filhos e herdeiros – ela não está às portas, mas já grassa dentro de casa – e que o imperador, os príncipes, senhores e cidades façam com que o empréstimo a juros seja proscrito o mais rápido possível e coibido doravante, não importa se o papa e toda a sua justiça ou injustiça se oponham, ou se há feudos ou fundações sobre ele embasadas. É melhor que seja instituído um único feudo com bens hereditários ou rendas honestas numa cidade do que uma centena deles à base do empréstimo a juros. Sim, um feudo baseado em empréstimo a juros é pior e mais pesado do que 20 deles baseados em bens hereditários. Na verdade o empréstimo a juros deve ser símbolo e sinal de que o mundo está vendido ao diabo com graves pecados, de sorte que só podemos mesmo ficar carentes de bens seculares e espirituais ao mesmo tempo. No entanto, ainda não estamos notando nada!

Neste ponto também se deveriam realmente por rédeas nos Fugger e nas companhias desse tipo. Como é possível que durante a vida de uma única pessoa se juntem tão imensos bens reais de acordo com a vontade de Deus e de maneira correta? Eu não conheço a conta. Mas não compreendo como se pode, com 100 florins, ganhar 20 por ano, sim, com um florim, ganhar mais outro, e tudo isso proveniente não da terra ou do gado, onde os bens não dependem do entendimento humano, mas da bênção de Deus. Deixo isso para os entendidos do mundo. Eu, como teólogo, não posso censurar mais do que a aparência maligna e escandalosa da qual diz São Paulo: “Acautelai-vos de todo aspecto ou aparência maligna” [1 Ts 5.22]. Isso eu sei muito bem: seria muito mais de acordo com a vontade de Deus fomentar a agricultura e reduzir o comércio, e que agem muito melhor aqueles que cultivam a terra, conforme a Escritura, e nela procuram seu sustento, como está dito a nós e a todos na pessoa de Adão: “Maldita seja a terra quando nela trabalhas; ela te produzirá cardos e abrolhos, e no suor do teu rosto comerás o teu pão” [Gn 3.17-19]. Ainda há muita terra não arada e sem cultivo.

(LUTERO, Martinho in À Nobreza Cristã da Nação Alemã, acerca da Melhoria do Estamento Cristão. 1520. MARTINHO LUTERO. Obras Selecionadas. São Leopoldo: Sinodal. Porto Alegre: Concórdia. Tradução de Walter O. Schlupp. 2. ed. 2000. vol. 2, págs. 337-338)



domingo, 8 de outubro de 2017

Celebrando os 500 anos da Reforma com Lutero - parte 8

                                                                                                                                                                                                                                                                        

O TEMPO E O SÁBADO - PARTE II

E Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, porque nele tinha descansado de toda a obra que Deus criou, assim o fez.
( Gênesis 2:3)

Em Mateus 12 [sic. Mc 2.27], Cristo diz: “O sábado foi feito por causa do ser humano, não o ser humano por causa do sábado”. Contudo, aqui, Moisés silencia sobre o ser humano e não diz explicitamente que o sábado foi confiado às pessoas. [Limita-se, porém, a] dizer que Deus abençoou o sábado e o santificou para si. Isso, ele não fez com nenhuma outra criatura. Não santificou para si o céu, nem a terra, nem qualquer outra criatura, mas santificou para si o sétimo dia. Isso significa, de modo especial, que devemos entender que o sétimo dia deve ser usado principalmente para o culto a Deus. Pois santo é o que foi dedicado a Deus e separado de todos os usos profanos. Por isso, santificar significa escolher para usos sagrados ou para o culto a Deus. Desse modo, Moisés usa essa expressão mais vezes, também quando fala de vasos sagrados.

Logo, conclui-se dessa passagem: se Adão tivesse permanecido na inocência, ele teria mantido sagrado o sétimo dia, isto é, teria ensinado, neste dia, seus descendentes sobre a vontade de Deus e o culto a ele; teria louvado a Deus, dado graças, sacrificado etc. Nos outros dias, teria cultivado o campo, cuidado dos animais. Aliás, ele também manteve sagrado o sétimo dia, depois da queda, pois nele ensinou seus filhos, conforme atesta o sacrifício oferecido pelos seus filhos, Caim e Abel. Portanto, o sábado foi destinado ao culto a Deus desde o início do mundo.

Caso a natureza tivesse permanecido inocente, ela teria celebrado a glória e os benefícios de Deus. No sábado, os seres humanos teriam conversado [entre si] sobre a inestimável bondade do Criador; teriam sacrificado, orado etc. Pois é isso que significa o verbo “santificar”.

Além disso, inclui-se aqui também [o conceito d]a imortalidade do gênero humano, conforme atesta sabiamente a Carta aos Hebreus [3.18] ao se referir ao descanso de Deus com base no Salmo 95[.11]: “Não entrarão em meu descanso”. Ora, o descanso de Deus é eterno. Adão teria vivido um certo tempo no paraíso conforme a vontade de Deus; depois disso, teria sido arrebatado para aquele descanso divino que Deus não só quis indicar aos seres humanos, mas também entregá-lo a eles por meio da santificação do sábado. Nesse caso, a [própria] vida animal teria sido feliz e santa, espiritual e eterna. Agora, nós, miseráveis, perdemos essa felicidade da vida física por causa do pecado e, enquanto vivemos, estamos em meio à morte. No entanto, como o mandamento do sábado é dado à Igreja, indica-se que também aquela vida espiritual será restituída a nós por meio de Cristo. Assim, os profetas examinaram cuidadosamente aquelas passagens em que Moisés aponta secretamente para a ressurreição da carne e para a vida imortal.

Ademais, mostra-se aqui que o ser humano também foi criado principalmente para o conhecimento de Deus e o culto a ele. Pois o sábado não foi instituído por causa das ovelhas e dos bois, mas devido aos seres humanos, para que eles praticassem o conhecimento de Deus e crescessem nele. Portanto, mesmo que o ser humano tenha perdido o conhecimento de Deus por causa do pecado, Deus quis que o mandamento sobre a santificação do sábado permanecesse; que, no sétimo dia, fosse exercida a Palavra, fossem praticados outros cultos instituídos por ele, para que pensássemos, primeiramente, sobre a nossa condição, ou seja, que esta natureza foi criada principalmente para o conhecimento e a glorificação de Deus.

Além disso, [o sábado foi instituído] para que também retivéssemos o coração certa esperança da vida futura e eterna. Porque todas as coisas que Deus quis que fossem feitas no sábado são sinais claros de uma outra vida depois desta. [Caso contrário,] por que seria necessário que Deus falasse conosco por meio de sua Palavra se não fosse para viver numa vida futura e eterna? Se não se deve esperar uma vida futura, por que não vivemos como pessoas com quem Deus não fala e que não o conhecem? Mas como a majestade divina só fala com o ser humano, e só o ser humano o conhece e o apreende, segue-se, necessariamente, que há uma outra vida depois desta, a qual devemos alcançar mediante a Palavra e o conhecimento de Deus. Pois esta vida temporal e presente é uma vida animal, que todos os animais, que não conhecem a Palavra nem Deus, vivem.

É isso que significa o sábado ou o descanso divino, no qual Deus fala conosco através da sua Palavra e nós, por nossa vez, falamos com ele por meio de invocação e fé. Os animais, como cães, cavalos, ovelhas, bois, certamente também aprendem a ouvir e a entender a voz do ser humano e também são conservados e alimentados por ele. Mas nossa condição é melhor, pois ouvimos a Deus, conhecemos sua vontade e somos chamados para uma certa esperança de imortalidade. Estes são testemunhos claros das promessas sobre a vida eterna que Deus nos revelou por meio da sua Palavra, depois dessas indicações obscuras, como aquela relativa ao descanso de Deus e à santificação do sábado. Mas essas [revelações] sobre o sábado são bastante claras. Imagina se não houvesse [outra] vida depois desta. Não se concluiria que não temos necessidade de Deus nem da sua Palavra? Pois aquilo que necessitamos ou fazemos nesta vida também podemos ter [e fazer] sem a Palavra. Os animais pastam, vivem, se alimentam, embora não tenham a Palavra de Deus nem a ouçam. Por que se necessitaria da Palavra para o alimento e para a bebida, que já foram criados antes?

Portanto, o fato de Deus dar a Palavra, ordenar a que se a pratique, que se santifique o sábado e seu culto, tudo isso demonstra haver [outra] vida depois desta e que o ser humano foi criado não só para a vida corporal, como os outros animais, mas para a vida eterna, assim como Deus, que ordena e institui estas coisas, é eterno.

Mas aqui surge outra pergunta, que já tocamos acima, isto é, sobre a queda de Adão, ou seja: quando ele caiu, no sétimo ou num outro [dia]? Embora não se possa precisa-lo, tenho boas razões para imaginar que ele tenha caído no sétimo dia. Ele foi criado no sexto dia; Eva também foi criada na tarde ou no fim do sexto dia, enquanto Adão dormia. No sétimo dia, que fora santificado pelo Senhor, Deus fala, de manhã, com Adão, instrui-o quanto ao seu culto e proíbe-lhe de comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Pois esta é, em si, a função do sétimo dia, pregar e ouvir a Palavra de Deus. Desde então, permaneceu, na Escritura e no costume, a prática de se destinar o tempo da manhã para a oração e os cultos, como diz o Salmo 5[.3]: “De manhã estarei parado diante de ti e verei”.

Assim, na manhã do sétimo dia, Adão parece ter ouvido o Senhor que lhe confiou o cuidado da economia e da política, juntamente com a proibição do fruto. Satanás estava impaciente com essa belíssima criação e ordem e invejava tamanha felicidade do ser humano, que na terra e todas as coisas estivessem abundantemente a seu dispor e que, depois de uma vida corporal tão feliz, tivesse a esperança certa da vida eterna, que ele próprio, Satanás, havia perdido. Por isso, talvez por volta do meio-dia, depois da conversa de Deus, ele próprio também conversa com Eva. Assim costuma ser até hoje: onde está a Palavra de Deus, ali também Satanás se empenha em semear a mentira e a heresia, pois lhe dói que nós, por meio da Palavra, como Adão no paraíso, nos tornemos cidadãos dos céus. Por isso, ele seduz Eva para o pecado, e vence. O texto diz claramente que, quando o calor do dia já tinha cessado, o Senhor veio e condenou Adão à morte, juntamente com toda a sua descendência. Eu me convenço facilmente de que tudo isso aconteceu no sábado, no único dia – e este não completo – em que Adão viveu no paraíso e se alegrou com seus frutos.

Foi por essa razão que o ser humano perdeu essa felicidade devido ao pecado. Mas Adão não teria vivido ocioso no paraíso se tivesse permanecido na inocência: no sábado, ele teria instruído seus filhos; com a pregação bíblica, teria honrado a Deus com os merecidos louvores e, com a reflexão sobre as obras de Deus, teria estimulado a si e aos outros para a ação de graças. Nos outros dias, ele teria trabalhado, cultivando o campo ou caçando, mas de uma maneira bem diferente do que acontece hoje. Pois, para nós, o trabalho é um incômodo, mas para Adão teria sido um enorme prazer, mais agradável do que o ócio. Por isso, assim como as outras calamidades desta vida nos lembram do pecado e da ira de Deus, também o trabalho e a dificuldade de obter o sustento nos devem lembrar do pecado e convidar para a penitência.

(LUTERO, Martinho. Textos Selecionados da Preleção sobre Gênesis. MARTINHO LUTERO, Obras Selecionadas. 1535-1545. São Leopoldo: Sinodal. Porto Alegre: Concórdia. Canoas: Ulbra, 2014, vol. 12, tradução de Geraldo Korndörfer, págs. 115-118)



quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Vaticano lança moeda homenageando os 100 anos das aparições de Fátima


A informação é da Rádio Vaticano:

Moeda vaticana recorda centenário das aparições de Fátima

O centenário das aparições de Fátima será recordado pelo Departamento Filatélico Numismático do Governatorato do Vaticano com a emissão de uma moeda comemorativa de 2 euros, em 5 de outubro.

Em reconhecimento à Lúcia dos Santos, Francisco e Jacinta Marto – as três crianças que em 1917 tiveram visões da Virgem Maria e são o símbolo da inocência que permite aos homens reconhecer a Deus - a artista Orietta Rossi decidiu dedicar a eles o primeiro plano da composição, retratando-os como aparecem numa célebre fotografia de época que percorreu o mundo. Ao fundo, a imponente basílica construída no local das aparições.

O Papa Francisco recordou o centenário das aparições da Virgem Maria em Fátima com uma Viagem Apostólica realizada em 13 de maio do corrente ano, durante a qual canonizou os pastorinhos Jacinta e Francisco Marto, diante do túmulo dos quais recolheu-se em oração. Lúcia dos Santos por sua vez, falecida em 2005, foi proclamada Serva de Deus e seu processo de beatificação ainda está em andamento.

A moeda de 2 euros do Vaticano terá, como aquela emitida no passado 1 de junho e dedicada aos 1950 anos do martírio dos Santos Pedro e Paulo, uma dupla produção: uma em "FDC - fior di conio" - que é o mais alto grau de conservação, sem nenhum sinal de circulação, conservando o seu brilho natural - com tiragem de 80 mil peças, “comercializadas na fonte” ao preço de 18 euros a unidade e outra em uma pequena caixa, com tiragem de 10 mil exemplares, que o UFN (Ufficio Filatelico e Numismatico) colocará à disposição de coleccionadores e de comerciantes numismáticos ao preço de 37 euros. (BS/JE)



quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Governo Temer quer exportar para o Irã. Pode, Malafaia?

Malafaia é aquele sujeito que, em 2010, publicou artigo nos principais jornais do país criticando o acordo nuclear que o Brasil e a Turquia negociaram com o Irã, em condições muito melhores para o Ocidente do que o acordo atual proposto por Barack Obama.

É que o governo brasileiro, naquela época, não era aliado de Malafaia.

Talvez por isso mesmo ele apoiou o golpista Michel Temer que o sucedeu, e ficou caladinho quando o Brasil apoiou o Irã na ONU a mando do Nosferatu tupiniquim.

Agora, olha que horror: esse mesmo governo apoiado por Malafaia quer burlar o boicote internacional ao Irã para vender bilhões de dólares (sim, isso mesmo que você leu: bilhões) em produtos agrícolas ao Irã.

Será que Malafaia vai publicar algum anúncio nos jornais contra essa ajudinha do Temer ao Irã?

Hipocrisia, a gente vê por aqui...

Malafaia aparece filando uns salgadinhos e dando um abraço gostoso num camarada no vídeo abaixo, gravado quando Michel Temer foi elevado à condição de presidente do ex-país chamado Brasil e a "pastorzada" foi lá demonstrar-lhe o seu apoio incondicional, dizendo-lhe que "Deus o escolheu".

Para ajudar o Irã?

Agora, o Temer dá mais uma banana para eles...

E você ainda acredita nesses caras, né?

Vocês se merecem...

Confira o vídeo antológico:




E leia a matéria do Estadão, então:

Agricultura pede que BB financie exportações ao Irã

O Irã, que foi submetido a embargo dos EUA, é o maior cliente brasileiro do setor no Oriente Médio

O Ministério da Agricultura pediu à Câmara de Comércio Exterior que o Banco do Brasil seja o agente financiador de exportações do agronegócio para o Irã, maior cliente brasileiro do setor no Oriente Médio, com US$ 2,2 bilhões em importações no ano passado. Em 2017, as principais aquisições foram de milho, soja, carne bovina e açúcar. Por causa do embargo dos Estados Unidos, grandes instituições financeiras não operam naquele país. Fonte da diretoria do BB, no entanto, revela à coluna que o banco, por atuar nos EUA, tem de seguir as sanções impostas ao país árabe e não se submeteria a nenhum risco de retaliação do governo norte-americano.

Para a instituição, a prerrogativa de autorizar outros bancos para o financiamento de exportações é do governo federal, mas a maioria deles também tem operações globais e está sujeita aos mesmos riscos do BB.



domingo, 30 de julho de 2017

Cerveja brasileira incomoda fundamentalistas hindus


A matéria é do Diário de Notícias de Portugal:

Hindus pedem que cerveja brasileira Brahma mude de nome

Brahma é o nome de um deus hindu

Um grupo de hindus pediu a mudança da marca de cerveja brasileira Brahma, propriedade da multinacional cervejeira Anheuser-Busch InBev, com sede em Lovaina, na Bélgica, argumentando que é inapropriado uma bebida alcoólica ter o nome que um deus hindu.

O líder norte-americano/hindu Rajan Zed, numa declaração feita na quarta-feira no estado do Nevada, nos Estados Unidos, disse que no hinduísmo Brahma, Vishnu e Shiva formam a grande tríade das suas divindades.

De acordo com Zed, ligar o deus Brahma com uma bebida alcoólica é muito desrespeitoso.

O uso inadequado das divindades, conceitos ou símbolos hindus para o comércio ou outros fins não é aceitável e fere a sensibilidade dos devotos, de acordo com Zed, que é presidente da Sociedade Universal do Hinduísmo.

"O hinduísmo é a terceira maior religião do mundo com cerca de 1,1 mil milhões de seguidores e um vasto pensamento filosófico e não deveria ser encarada de modo frívolo. Símbolos de qualquer fé, maior ou menor, não devem ser desrespeitados", de acordo com Rajan Zed.

"Além disso, o caráter sagrado de (divindade) Brahma não fica bem em propagandas e anúncios da cerveja Brahma, declarou Rajan Zed.

Celebridades de Hollywood, como Megan Fox e Jennifer Lopez, já atuaram em anúncios da cerveja Brahma.

A Anheuser-Busch InBevtem mais de 500 marcas de cerveja em cerca de 150 países, entre as quais as brasileiras Brahma e Skol, e outras como a Budweiser e Corona.



domingo, 9 de julho de 2017

Bispos moçambicanos querem saber quem lucrou com "dívidas ocultas" do país


Ah Moçambique, país querido de povo irmão, como nossas tragédias políticas são parecidas, além dos bilhões que nos roubam e da língua que falamos...

Talvez aqui seja um pouco pior, porque as dívidas públicas são abertas, claras e conhecidas, assim como quem delas se aproveita, e pouco ou nada acontece, principalmente se o político é filiado ao partido "certo" e "inimputável", não é mesmo?!

A matéria é da Rádio Vaticano:

Moçambique. Bispos reagem ao relatório de auditoria sobre "dívidas ocultas"

A Comissão Episcopal de Justiça e Paz de Moçambique, reagiu em carta publicada no dia 4 de julho corrente, ao relatório de auditoria sobre as dívidas ocultas, cujo resumo foi divulgado semana passada pela Procuradoria-Geral da República. O relatório de auditoria foi formalmente entregue à PGR em Maio findo, pela consultora internacional Kroll.

Segundo o bispo de Pemba e igualmente presidente da Comissão Episcopal de Justiça e Paz, Dom Luíz Fernando Lisboa, o povo não deve ser responsabilizado e prejudicado por aqueles que contraíram a dívida ilegalmente.

Na carta partilhada com a imprensa moçambicana, pode-se ler o seguinte: «Não podemos permitir que ao povo moçambicano seja imputada a responsabilidade de pagar com a miséria, sangue e morte as dívidas contraídas em nome dele, de forma ilegal e inconstitucional».

Usar política como forma de caridade

Ainda de acordo com o documento da Comissão Episcopal de Justiça e Paz, os Bispos moçambicanos pedem que o órgão competente declare inconstitucional a inclusão, por parte da Assembleia da República, das dívidas ocultas contraídas em 2013 no orçamento de 2015, de forma unilateral, ilegal e ilegítima e que a PGR responsabilize as pessoas e/ou instituições que não favoreceram o trabalho da auditoria independente com vista a esclarecer o destino dos empréstimos contraídos e os seus beneficiários. Porém, acima de tudo, e em primeiro lugar, responsabilize aqueles que directamente contraíram a dívida.

«Queremos ainda lembrar aos cristãos que trabalham na política as palavras de Papa Francisco: “A política é uma das formas mais altas de caridade, porque procura o bem comum”. Ninguém está obrigado a obedecer a disciplina de qualquer partido político ou aos dirigentes que contradigam à sua consciência cristã. Com efeito, não podemos colocar um partido político nem seus dirigentes acima da justiça, do amor a Deus e do amor aos irmãos. No final dos nossos dias seremos julgados conforme o amor. Não levaremos riqueza nem poder», lê-se na carta da Comissão de Justiça e Paz, divulgado no dia 4 de julho em curso.

Entretanto, Moçambique viu a sua dívida ultrapassar 11 mil milhões de dólares após a descoberta, em Abril de 2016, de dívidas secretamente avalizadas pelo anterior Governo moçambicano, entre 2013 e 2014.

A descoberta das dívidas levou o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os doadores a suspenderem a ajuda ao País, condicionando o reatamento do apoio à realização de uma auditoria internacional à dívida pública.

No passado dia 24 de Junho, a Procuradoria-Geral da República (PGR) de Moçambique divulgou o sumário do relatório da auditoria às dívidas ocultas, assinalando que a mesma deixou por esclarecer o destino dos dois mil milhões de dólares contraídos pelas três empresas estatais entre 2013 e 2014.

Hermínio José, Maputo



segunda-feira, 22 de maio de 2017

Iranianos reelegem presidente o reformista Rouhani



Manja o Irã, aquela república islâmica tão criticada? Pois é, lá tem eleição direta para presidente e o candidato do manda-chuva do país, o aiatolá Ali Khamenei, perdeu para o atual presidente Hassan Rouhani (ou Rohani, há divergências quanto à grafia), que concorreu à reeleição.


Logo, ao contrário do Brasil varonil, bons ventos políticos e econômicos sopram no Irã, segundo informa o Estadão:

Reformista Rohani é reeleito no Irã

Com 57% dos votos, presidente que selou pacto nuclear com Ocidente ganha mais quatro anos no cargo em meio à recuperação econômica

Renata Tranches

TEERÃ - O reformista Hassan Rohani foi reeleito neste sábado, 20, presidente do Irã com 57% dos votos, em uma votação que mostrou o apoio dos iranianos ao pacto nuclear com o Ocidente, o fim de mais de uma década de isolamento internacional e um princípio de recuperação econômica.

O anúncio da vitória foi feito na manhã de ontem pelo Ministério do Interior. Seu rival na disputa, o juiz conservador Ebrahim Raisi - próximo do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, teve 38% dos votos.

O acordo negociado em 2015 estipulou regras para o país desenvolver seu programa nuclear, que incluem inspeções internacionais e limites para o enriquecimento de urânio. O Irã alega que o programa, que começou a ser desenvolvido nos anos 50, antes da Revolução Islâmica de 1979, tem objetivos pacíficos, enquanto seus críticos argumentam que teria ambição militar, para construir bombas.

No começo dos anos 2000, EUA e ONU impuseram sanções econômicas ao país, alegando falta de transparência. As medidas afetaram a economia iraniana. A retórica do então presidente, Mahmoud Ahmadinejad (2005-2013), pregando a destruição de Israel, não ajudou.

O clérigo Rohani foi eleito em 2013 com o aval do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, para levar adiante a negociação, mesmo diante da forte resistência dos linhas-duras. O presidente prometeu que, com o pacto, viria a transformação econômica.

Com o levantamento das sanções, o país começou a acumular algumas vitórias. Voltou a exportar petróleo - segundo o embaixador iraniano no Brasil, Seyed Ali Saghaeyan, a produção foi de 1 milhão para 2,5 milhões de barris por dia, entre 2015 e este ano (mais informações nesta página), e a inflação caiu de 37,7% para 7,2%. O país fechou ainda acordos bilionários com companhias europeias e até americanas, principalmente na área de aviação. Mas o desemprego não cedeu e subiu de 10,4%, em 2013, para 11,2%, este ano.

A explicação, segundo o especialista Pejman Abdolmohammadi, pesquisador da London School of Economics, é que o presidente não influenciou drasticamente a condição econômica iraniana, apesar de ter conseguido algumas aberturas que ajudarão no longo prazo. O baixo preço do petróleo, no momento em que o país volta a exportar, limitou os ganhos do acordo.

O fim da “doutrina Obama”, de aproximação com Teerã, foi outro fator negativo e está influenciando os assuntos domésticos, segundo Abdolmohammadi. O especialista da Texas Christian University, Manocher Dorraj, acrescenta que há um lobby de Arábia Saudita e Israel - rivais iranianos - para que Trump não alivie nenhuma sanção fundamental que possa trazer prosperidade à economia do país.

Durante a campanha para tentar um novo mandato, em votação feita na sexta-feira contra Raisi, o presidente foi criticado por seus partidários por não promover a ampliação dos direitos civis e liberdades com as quais se comprometeu. “As pessoas realmente esperavam que ele pudesse fazer algo nesse sentido”, explica o pesquisador da London School. Ele foi cobrado também por não ter criado condições para libertar dois líderes reformistas em prisão domiciliar desde 2011: Hossein Mousavi e Mehdi Karroubi.

Como chefe de governo, Rohani alega que há limites para o que pode fazer. No Irã, quem dá a última palavra é o líder supremo. Mas o argumento não foi suficiente e críticas têm se repetido, como a da premiada atriz Baran Kosari, que fez campanha para Rohani em 2013. “Simplesmente dizer que ele (o governo) está sob pressão não é aceitável”, disse.

De qualquer forma, para especialistas Rohani teve um papel fundamental para mudar a imagem internacional do Irã. “Ele foi um dos presidentes mais influentes da república islâmica, mais até, eu diria, que (Mohammed) Khatami”, disse Abdolmohammadi, em referência ao histórico líder reformista. / COM REUTERS





sábado, 15 de abril de 2017

Delator da Odebrecht diz que "pastor" Everaldo queria "vender" voto evangélico


O vídeo da delação premiada do ex-executivo da Odebrecht, Fernando Reis, sobre o tal "pastor" Everaldo é um escândalo, para dizer o mínimo.

Não se iluda com o nome ilusório "delação premiada". De "prêmio", só a redução da pena a quem delata, mas estamos falando de bandidagem, de criminosos que utilizaram dinheiro de procedência duvidosa com fins escusos, como é o caso da Odebrecht e seus executivos.

Qualquer político que se relaciona com eles, sabe bem com quem está falando...

No caso em questão, primeiramente, o delator afirma que o caso de Everaldo é um dos que mais demonstram como a própria empresa achacadora, a Odebrecht, perdeu o controle do esquema de corrupção.

Depois diz que quem lhe apresentou Everaldo foi o arroz-de-festa da corrupção gospel, o ex-deputado evangélico Eduardo Cunha, e que Everaldo tinha elaborado complicadas estatísticas sobre o destino de 26 milhões de votos evangélicos e quantos deles ele podia trazer para si ou direcionar segundo seu bel prazer.

Pasme: Everaldo se julgava "dono" de 8 milhões de votos evangélicos no país e tinha um discurso privatista que coincidia com a visão econômica de mundo da Odebrecht.

Houve várias outras reuniões em que Everaldo estava sempre acompanhado de Rogério Vargas, que o delator não sabia precisar se era secretário e/ou tesoureiro do partido (PSC - Partido Social Cristão).

Foi feito o primeiro pagamento pela Odebrecht no valor de R$ 1 milhão e, a partir daí, segundo o delator afirma, o ciclo começou a ficar vicioso, conforme o nome de Everaldo aparecia com pequenos índices nas primeiras pesquisas eleitorais para as eleições presidenciais de 2014.

Houve uma segunda contribuição, então, também de R$ 1 milhão e também como "caixa 2", com os codinomes "zelota" e "aquário 2", este último em referência ao símbolo do PSC, que é um peixe, e esses valores foram sempre entregues no escritório de advocacia do Sr. Rogério Vargas.

Conforme Everaldo foi crescendo nas pesquisas, chegando a ter algo em torno de 4,5 a 5% das intenções de voto, as "doações" foram subindo até alcançar o montante de R$ 6 milhões.

A Odebrecht chegou a orientar Everaldo a reforçar seu discurso privatista na entrevista que deu ao Jornal Nacional da Rede Globo de TV em 19 de agosto de 2014, mas com o acidente aéreo que matou o candidato Eduardo Campos (do PSB - Partido Socialista Brasileiro) pouco depois, e com a consequente ascensão de Marina Silva ao seu posto de candidato pelo PSB, praticamente todo o eleitorado evangélico migrou para a candidata, levando Everaldo a desaparecer nas pesquisas.

Everaldo teria percebido o golpe e a Odebrecht, sentindo-se "credora" do candidato, pediu-lhe que utilizasse o seu tempo no debate para ajudar Aécio Neves, do PSDB, fazendo perguntas "inócuas" e "escadas" para que o tucano pudesse ter mais tempo e se saísse bem para - assim - chegar ao segundo turno com Dilma, do PT.

Aí estaria, segundo o delator Fernando Reis, a "distorção" na "política de contribuições" da Odebrecht: era um valor muito grande ofertado a "quem tem muito pouco pra dar". A seu ver, esta foi uma "avaliação errada".

Veja a íntegra da delação especificamente quanto ao "pastor" Everaldo:




sexta-feira, 24 de março de 2017

Papel-moeda entra em extinção no mundo

A matéria é da BBC Brasil:

Os países onde o dinheiro vivo está prestes a ser extinto

Lauren Comiteau

Em tempos de turbulência econômica, não é de se espantar que algumas pessoas prefiram guardar seu dinheiro à moda antiga: em espécie, em algum cofre ou em algum esconderijo. Pelo menos até a tempestade passar.

Mas em alguns países do mundo, como a Holanda, o dinheiro em espécie está praticamente em vias de extinção - a ponto de alguns estabelecimentos simplesmente recusarem cédulas ou moedas.

Da badalada rede de lojas de comida natural Marqt à padaria do bairro, todos preferem receber pagamentos em cartão de débito ou crédito. Alguns dos varejistas chegam a definir essa prática como "mais limpa" e "mais segura".

Eu fiz uma experiência: deixei o cartão em casa e tentei ver até onde poderia chegar com um punhado de dinheiro vivo em Amsterdã.

Espanto e resistência

Como era de se esperar, fui recebida com expressões de espanto e com resistência quando quis pagar meu aluguel em dinheiro.

"Não me lembro da última vez que recebemos pagamento em dinheiro", conta Marielle Groentjes, contadora da imobiliária que administra meu apartamento, há dez anos no cargo.

"Não gostamos de ter dinheiro aqui na agência. Não temos cofre e os bancos nos cobram para fazer um depósito."

Mas são itens menores e mais baratos que dão mais dor de cabeça. Se não sou impedida de fazer compras em lojas que só aceitam cartões, sou obrigada a ficar em uma fila enorme de pessoas pagando em dinheiro, enquanto vejo outras resolvendo suas vidas rapidamente nos caixas automáticos.

Os euros no meu bolso não servem para eu comprar um sanduíche nem para que eu estacione o carro em Amsterdã.

"Dinheiro em espécie é um dinossauro, mas ele ainda não vai ser extinto", afirma Michiel van Doeveren, conselheiro sênior no Banco Central holandês, o DNB.

Segundo ele, é a logística que está encarecendo as transações em dinheiro, uma vez que ele precisa ser transportado, vigiado, contado e registrado. "É importante que a economia eletrônica ganhe mais espaço porque queremos adotar pagamentos mais eficientes."

Como ganhar mais

Os pagamentos eletrônicos nas lojas e supermercados da Holanda ultrapassaram as transações em dinheiro pela primeira vez em 2015, por uma margem estreita: 50% delas em cartões de débito, 49,5% em dinheiro e 0,5% em cartões de crédito.

Um movimento conduzido por um grupo de bancos e varejistas holandeses quer que essa proporção suba para 60%-40% até 2018. Eles argumentam que pagamentos eletrônicos são mais baratos, mais seguros e mais convenientes.

Assim como a Holanda e seus vizinhos na Escandinávia, a Suécia está entre os primeiros na corrida pela erradicação do dinheiro vivo. Mas nem todo o mundo simpatiza com a ideia.

"Trata-se de um problema enorme. Para pequenas empresas, é muito caro depositar dinheiro no banco", afirma Guido Carinci, diretor da associação de pequenos empresários TOMER. Ele diz que tem que pagar uma taxa de 300 coroas suecas por mês (cerca de R$ 120) para uma empresa que está autorizada a fazer depósitos em sua conta.

Segundo ele, os bancos lucram bastante com a cobrança de taxas sobre transações eletrônicas, enquanto não faturam com o dinheiro vivo. Isso tira o incentivo para que eles aceitem cédulas ou moedas.

Muitas lojas suecas já despacharam suas caixas registradoras, incluindo a gigante das telecomunicações Telia, cujas 86 filiais pararam de aceitar dinheiro vivo em 2013. Os ônibus suecos já não aceitam pagamento em dinheiro há vários anos. E até os sem-tetos que vendem revistas na rua aceitam receber em cartão ou através de aplicativos de celular.

O problema se tornou tão grave que a maioria dos suecos enfrentam o dilema de o que fazer com a pilha de notas que os bancos não querem. Alguns estão até recorrendo a guardar tudo "embaixo do colchão", segundo Bjorn Eriksson, diretor da empresa de segurança Säkerhetsbranschen.

Laços culturais

Apesar disso, as atitudes variam bastante dentro da Europa e em outras regiões do mundo. Algumas culturas relutam firmemente em desistir do dinheiro em espécie. É o caso, por exemplo, da Alemanha, cujos consumidores acreditam que o dinheiro vivo os ajuda a controlar melhor seus gastos, segundo um estudo realizado recentemente pelo Banco Central alemão.

Na superpotência da Europa, mais de 75% dos pagamentos ainda são feitos em dinheiro. A Itália é ainda menos adepta das transações eletrônicas, com 83% dos pagamentos em dinheiro.

E por mais que os americanos adorem suas notas verdinhas, o país está começando a viver um movimento no sentido de se tornar mais eletrônico. No ano passado, eles adotaram cartões de crédito com chip - uma década depois de muitos países europeus.

Em janeiro passado, várias filiais da rede de lanchonetes Sweetgreen pararam de aceitar dinheiro vivo, inclusive em sua loja em Wall Street, onde a maioria dos jovens executivos usam aplicativos de "carteira" em seus celulares, como o Apple Pay, por exemplo.

Os avanços na tecnologia móvel também está mudando costumes em alguns países da África. No Quênia e na Tanzânia, o serviço digital M-Pesa permite que milhões de pessoas hoje paguem suas contas, cobrem seus salários e realizem pequenas transações em mercados locais através de suas contas em seus celulares.



quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Quando Abílio Diniz ia à missa em troca de gibi...

Entrevista no mínimo curiosa de Abílio Diniz concedida à coluna de Sonia Racy no Estadão:

Eu peço muito a Deus, mas só o que não consigo fazer sozinho’, diz Abilio Diniz

Religioso, o megaempresário Abilio Diniz lança novo livro e diz que cada um tem de traçar suas metas na vida e ir atrás delas. Como a dele hoje, de conseguir ‘longevidade com qualidade’

Conhecido pela determinação absoluta, o presidente do Conselho da BRF, acionista do Carrefour e comandante da Península – empresa de investimentos da família – volta com um segundo livro sobre sua história, 12 anos depois do primeiro e no mesmo ano em que completa 80 de vida. Abílio Diniz estava com a nova edição já pronta em 2014 mas suspendeu assim que soube que ela coincidiria com a publicação de outro escrito pela jornalista Cristiane Correa, também sobre sua vida.

Nas 175 páginas de Novos Caminhos, Novas Escolhas, a ser lançado na quarta-feira, na Livraria Saraiva do Pátio Higienópolis, o pai da Ana, João Paulo, Adriana, Pedro Paulo, Rafaela e Miguel relata, com ajuda do jornalista Sergio Malbergier, o caminho para conseguir o que se quer. “Muita coisa aconteceu nos últimos anos”, explica Diniz. O empresário mudou de rumo, saiu do Pão de Açúcar, casou-se e teve dois filhos.

“Eu me reinventei, e não só profissionalmente. Atribuo isso à minha fé em Deus.” . No fim do livro, o marido de Geyse reforça sua fé católica: dá receita de diferentes rezas para serem feitas durante 63 dias ininterruptamente. Olhando pra trás, o que faria ele hoje de diferente? “Quando tive o meu primeiro conflito com a família, se tivesse 70% da cabeça que tenho hoje, a história teria sido completamente outra.” Aqui vão os melhores trechos da conversa com a coluna.

Você planejou uma trajetória de vida e, no meio do caminho, as coisas mudaram. A briga com o Casino pelo Pão de Açúcar foi só financeira ou também emocional?

O objetivo, creio eu, não era financeiro. Mas tem o seguinte: o Abílio é um pacote, é um conjunto de coisas. O Abilio é um lutador, um winner, acho que sou um vencedor e que preciso sempre buscar desafios, procurando me superar.

Acredita que o ser humano controla o que ele quer ser?

Prego isso para os meus alunos. Uma das coisas de que falo no livro é: “Se eu posso, você também pode”. Quem olhar minha trajetória sabe que eu nasci filho de imigrante português, um padeiro. Nunca tive dinheiro, nasci num berço honrado mas sem nada. Se cheguei aonde cheguei, por que outros não podem chegar?

Então todo mundo tem possibilidade de vencer na vida?

Calma. É o seguinte: você escolhe o que quer na vida. Eu escolhi. Um caminho de desafios, de inconformismo com certas situações, um caminho com ambição, uma ambição controlada. Cheio de metas, para que eu fosse buscá-las.

E que fazer quando se faz uma escolha e não se consegue seguir?

Se coisas incontroláveis acontecem… e isso acontece, aconteceu comigo, só que eu consegui superá-las. Mesmo o caso do meu sequestro, contado no primeiro livro – eu falo muito en passant no segundo – eu superei. Da minha forma, pela fé em Deus. Foi Ele que mexeu os pauzinhos lá em cima. A crise de 90 eu superei, a briga que me levou a sair do GPA eu superei. Eu podia ter me acomodado, ir fazer outra coisa. As pessoas têm que traçar metas na vida. Eu tinha tudo para não dar certo na vida.

Por quê?

Eu era um sujeito de poucos recursos. Vivi na Várzea do Glicério boa parte da infância, era gordinho e baixinho, um horror. E fui buscar a minha condição física. Toda a minha vida dedicada ao esporte começou por precisar aprender a lutar para não apanhar. Foi mérito só meu? Não. Acho que tive uma boa base, minha mãe me deu uma coisa sensacional que foi me apresentar para Deus, e aí eu segui por esse caminho.

Você foi sempre religioso?

De menino, eu ia à missa sozinho. Saía da rua Tutoia, subia a av. Brigadeiro e ia na igreja da Imaculada Conceição, sozinho. Por que um menino de sete anos e meio vai à missa sozinho? Não é normal, mas eu ia.

O que o atraía? A missa, a liturgia, o estar na igreja?

A proximidade com Deus. E toda vez que eu ia à missa eu ganhava um dinheirinho da minha mãe (rsrsrsr…) Aí , eu passava na banca e comprava um gibi. Quer dizer, eu também experimentava um prazer tremendo. Mas minha mãe me deu a religião, a proximidade com Deus, e meu pai as noções de honestidade e ética. E aí, o que veio? Foram as escolhas que fiz. Antes de começar com supermercados eu estava pronto para sair da FGV e ir estudar nos EUA. Estava com o application da Michigan State University, queria ser professor. Minha ambição naquele momento era estudar, ter conhecimento e subir na vida.

O que é a religião pra você?

Acho que todos os caminhos levam a Deus. Religião, pra mim, é espiritualidade e fé. Eu peço muito a Deus, mas só peço a parte que eu não consigo fazer. Faço a minha parte. Depois, digo que já a fiz e que agora estou pedindo isso. Como peço, hoje, que Deus me dê longevidade com qualidade. Eu me cuido, faço esporte, controlo a alimentação, o estresse. O que não posso controlar eu peço a Ele.

Você sempre apostou nessa opção pelo esporte. E quanto à alimentação?

Comecei pelo esporte, a alimentação veio depois. Eu acreditava, quando pequeno, que se me pendurasse em alguma coisa eu ia espichar. Então, na minha casa, na Tutoia, arrumei uma barra de ferro e outra de madeira e ia me exercitando, achava que aquilo me alongava. Evidentemente não tem nenhuma base científica pra isso, mas o fato é que, com 15 anos, eu já tinha a altura que tenho hoje. Quanto à alimentação, um cara esportista, como eu sempre fui, queima o que come em excesso. Depois vai diminuindo a atividade física, o metabolismo desacelera, hoje não consigo fazer coisas como antigamente.

Fala disso no novo livro?

O Novos Caminhos, Novas Escolhas não tem só minha mudança de vida, tem a dos meus hábitos. No primeiro, eu dizia que quanto mais esporte, melhor. No segundo, mudo o conceito: você vê qual é o seu momento, o que quer do esporte, vai e faz. Agora, se você quer o esporte para qualidade de vida, longevidade, não pode exagerar. Está comprovado que o chamado endurance não é a melhor receita. Maratona, exercícios de longa duração, isso não é o melhor para a saúde.

Sua saúde física e mental é incrível, claro que devido, em parte, ao seu DNA. Mas se alguém nasce com DNA ruim, o que pode fazer?

Não tem DNA ruim nem bom. A genética é importante, na vida da pessoa, uns 20%. O restante é você. O que você faz, o que come, o seu entorno… Você comenta sobre estresse, que é importante mapear e controlar pra sofrer menos…

Sim, o jeito de se controlar o estresse é não se estressando por coisas que não sejam importantes. Eu lhe proponho: pegue um caderno de 100 folhas e comece a escrever o que é importante. Vai escrever duas ou três linhas. Tem muito pouca coisa realmente importante na vida.

O que é importante na sua?

Nós mesmos. Nossa saúde, as pessoas que amamos.

Em outro trecho do livro há referências à morte. Você parte do princípio de que é imortal e não pensa mais nisso…

Acho que a gente deve pensar assim. Sem sair da realidade, mas a gente não deve se preocupar com a morte. Você tem de olhar pra frente e não ficar pensando.

No texto aparecem, também, menções ao valor da humildade.

Sim. É que muita gente diz: “Pô, esse Abilio, imagina se ele é humilde…” Se as pessoas imaginam que humildade é fazer voto de pobreza e usar roupa velha, não tem nada a ver comigo. Mas se imaginam que é você ter a consciência de que não sabe tudo, que tem de ter respeito pelas pessoas, buscar coisas novas, estar aberto para ouvir coisas que não tem vontade de ouvir, isso sim é humildade – e eu a pratico.

Quando vem o próximo livro?

Tem gente me provocando para fazer o terceiro, mais técnico, mais business, ou sobre esportes, mas não sei se vou fazer. Dá trabalho, muito trabalho.



quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Temer rezou com cardeais antes de apertar o cinto dos gastos públicos


A informação é do HuffPost Brasil:

Temer reza com cardeais no Palácio da Alvorada por aprovação do teto de gastos públicos

Enquanto o plenário da Câmara dos Deputados iniciou a discussão da PEC 241/16, que limita os gastos públicos, o presidente Michel Temer se reuniu com integrantes da igreja católica no Palácio da Alvorada, residência oficial, para rezar pela aprovação da proposta.

"Ele (Michel Temer) expôs que está preocupado com o dia de hoje, com a votação de hoje. Ele tem necessidade de colocar o Brasil nos trilhos", afirmou o cardeal Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio, após encontro com o presidente, de acordo com o jornal O Globo.

Também presente na reunião com outros treze integrantes da igreja, o cardeal Odilo Pedro Scherer contou que após a reunião, eles fizeram uma visita à capela. "Aproveitamos para rezar juntos na capela, pedindo pelo país e para que cada vez mais tenhamos as luzes para governar para os necessitados, para os pobres, para que se possa ter vida com dignidade", afirmou.

A expectativa do Palácio do Planalto é aprovar a PEC em primeiro turno na Câmara ainda nesta segunda-feira (10). Para isso, é necessário o apoio de três quintos dos votos. Se o texto for aprovado em segundo turno, o texto segue para o Senado, onde também é necessária a mesma proporção, em duas votações, para passar.

Ao chegar à Câmara pela manhã, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirmou que acredita que a PEC será aprovada até o final da noite e que o segundo turno deve acontecer na próxima semana. "Nós vamos cumprir as cinco sessões. Acho que é importante para que não exista nenhum tipo de questionamento em relação à legalidade do rito e da tramitação da matéria, pra que ela não seja judicializada", afirmou a jornalistas.

Para garantir o placar, os ministros de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, e das Cidades, Bruno Araújo, foram exonerados temporariamente das pastas por Temer. Os dois são deputados federais licenciados.

Outra estratégia do peemedebista foi oferecer um jantar na noite deste domingo (9) para a base, a fim de garantir a presença dos parlamentares em Brasília no dia seguinte. O Planalto não informou o custo do evento.

A primeira demonstração de apoio ao governo nesta segunda foi a aprovação de um requerimento para acelerar a votação. Votaram a favor da quebra de interstício - intervalo entre o tempo de aprovação de uma proposta nas comissões e votação no plenário - 255 deputados. O relatório do deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) foi aprovado na última quinta-feira (6), na comissão especial do tema.

Contrários à medida, PT, PCdoB, PDT, PSOL e Rede estão em obstrução. Líder do PCdoB, o deputado Daniel Almeida chegou a comparar a PEC com o confisco da poupança feito pelo governo de Fernando Collor. "A conta ficou no colo de quem teve a sua poupança confiscada (…) É o mesmo discurso de agora", afirmou na tribuna.

O que muda

De acordo com o novo regime fiscal, as despesas serão limitadas com base no valor do ano anterior somado à inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), publicado pelo IBGE.

A partir do décimo ano de vigência, a proposta poderá ser alterada pelo presidente em exercício. O objetivo geral da medida é contribuir para o ajuste fiscal, a fim de retomar a confiança no mercado brasileiro, atrair investimentos e acelerar a atividade econômica.

Uma das principais críticas é que a medida terá impacto negativo nas áreas sociais. De acordo com a proposta, os gastos em ações de saúde pública e educação vão se manter em 2017 seguindo as aplicações mínimas previstas na Constituição. A partir de 2018, serão corrigidos pelo IPCA.



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