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terça-feira, 27 de junho de 2017

Religiões se unem para tentar salvar as florestas tropicais


Talvez o problema seja exatamente que tudo fica apenas na "tentativa".

A matéria é da versão brasileira do El País:

Um encontro ecumênico na Noruega para salvar as “florestas sagradas”

Religiosos e indígenas se reúnem em Oslo para unir esforços para frear desmatamento das matas tropicais

ALEJANDRA AGUDO

Enquanto você lê esta frase, 120 hectares de floresta tropical desapareceram. São 24 por segundo. Este alto ritmo de desmatamento significa, na prática, a destruição do lar da metade das espécies conhecidas do planeta, além de seres humanos e de um importante armazém de milhões de toneladas de carbono. A eficácia das florestas para absorver esse elemento é tão grande que “pode representar um terço da mitigação da mudança climática durante as próximas décadas”, segundo o ministro de Clima e Meio Ambiente da Noruega, Vidar Helgesen. Por isso, “é preciso lutar contra o desmatamento e reparar os danos causados”, completou Helgesen, na segunda-feira, durante a cerimônia de abertura da Iniciativa Ecumênica de Oslo para as Florestas Tropicais, que o Governo norueguês organiza em conjunto com a Rainforest Foundation Noruega e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Uma reunião – que termina nesta quarta-feira – de líderes religiosos e indígenas do mundo todo para enfatizar seu papel nesta batalha. O objetivo dos religiosos é aproveitar seu poder de influência para atrair os fiéis a essa causa. Já os indígenas mantêm o conhecimento ancestral para a proteção de sua casa, a natureza, que defendem todos os dias para o benefício de todos, arriscando sua vida.

“Os políticos e cientistas, que ocupam diversos cargos em outros âmbitos, não podem falar com a mesma autoridade moral que os líderes religiosos. A prática da religião é uma forma de se relacionar com os valores mais sagrados da vida”, afirmou Kusumita Pedersen, subdiretora do Parlamento das Religiões do Mundo. “A ciência, por si só, não muda o coração humano”, acrescentou Mary Evelyn Tucker, diretora do Fórum de Religião e Ecologia da Universidade Yale. Agora esse poder pode (e deve) se concentrar numa causa: salvar as florestas tropicais. “Cada lugar de oração deve ser um centro ecológico, oferecendo formas de mudar o mundo”, sugeriu William Vendley, secretário-geral das Religiões para a Paz. No momento, o plano é se reunir de novo numa cúpula global ecumênica em 2018, já com um programa de ação elaborado. As florestas tropicais, atualmente palcos de disputas pela propriedade e o uso de seus recursos, transformam-se também num lugar para o entendimento entre religiões e tradições espirituais, unidas para a sua salvaguarda. À espera de propostas concretas, os diálogos preliminares propiciaram um consenso entre os presentes sobre várias ideias.

“Se continuarmos desmatando, será um suicídio. Nós, como mensageiros de Deus e guardiões da criação, temos que promover a proteção de nossa casa comum.” O Arcebispo Marcelo Sánchez Sorondo, chanceler da Academia Pontifícia de Ciências do Vaticano, abriu a primeira mesa de debate com essa afirmação, que seria depois compartilhada por seus acompanhantes no palco do Nobel Peace Center da capital norueguesa. Indígenas, budistas, judeus, muçulmanos, hindus e católicos acreditam que a Terra é uma criação divina que deve ser cuidada. Um sentimento e um objetivo comuns numa época em que o entendimento entre as crenças parece pouco provável. Mas deve ser, afirmou o prelado. “Não é fácil rezar juntos, mas temos que agir unidos para conservar o planeta que Deus nos deu.”

Metropolitan Emmanuel, vice-presidente da Conferência Europeia de Igrejas, aceitou o desafio: “O cuidado da Terra deve nos unir. Isso vai além das diferenças doutrinarias”. “A Bíblia nos diz: mesmo quando é preciso defender o próprio país , não tem sentido destruir a fonte de sua própria sobrevivência”, agregou o rabino David Rosen, diretor internacional de assuntos inter-religiosos do Comitê Judaico Americano em Israel. “Quando Deus criou o primeiro ser humano, levou-o entre as árvores do Éden e lhe disse: ‘Olha minha obra, quão maravilhosa e digna de reconhecimento. E tudo o que criei é para teu benefício. Tem cuidado para não saquear nem destruir meu mundo, porque, se o fizeres, não haverá quem o recupere depois”, prosseguiu, lendo o Eclesiastes Rabá para ressaltar que não há desculpas para causar um prejuízo irreparável ao planeta. Ainda assim, é isso o que ocorre na prática: todos os anos, é desmatada uma área de floresta tropical do tamanho da Áustria. E, tal como a adverte a Rainforest Foundation Noruega com evidências científicas, os danos podem levar décadas, séculos ou até milênios para serem sanados (se é que isso é possível).

A destruição das florestas tropicais significa não apenas um ataque contra a criação de Deus, tal como descrevem os líderes religiosos, mas também contra a fonte de vida das pessoas. Isso porque essas matas absorvem carbono. Evitam que milhões de toneladas de gás acabem na atmosfera e contribuam para o aquecimento global. Também regulam os ciclos da água, razão pela qual seu desaparecimento altera as chuvas de maneira negativa. Acima de tudo, são o lar e o sustento de 1,6 bilhão de pessoas.

Phra Paisal Vongvoravisit, membro do Comitê Consultivo da Rede Internacional de Budistas, na Tailândia, recordou que “nossa existência só é possível graças ao ar, à água, aos alimentos e às outras espécies da natureza.” Por isso, “o fato de quebrar o galho de uma árvore é o mesmo que causar um dano a um amigo que nos ajuda”, explicou. Se for assim, grandes indústrias extrativistas, produtores de óleo de palma e soja, mineradoras, construtores de rodovias e represas de água estão massacrando nossos amigos, transformando-os literalmente em terra queimada. “É muito preocupante. A natureza é destruída em nome do desenvolvimento”, disse Paisal.

Essa realidade tem consequências. A ciência demonstrou a relação causa-efeito entre o desmatamento e a elevação das temperaturas, assim como de fenômenos climáticos adversos. Para Nanditha Krishna, presidenta da Fundação Ramaswami Aiyar, a explicação está no carma: “Toda ação tem uma reação.”

Alguns participantes afirmaram que tais empresas não fazem outra coisa a não ser satisfazer uma demanda crescente dos produtos que conseguem na floresta. “Nos preocupa o sentimento de perda. Acreditamos de forma errônea que as aquisições materiais preencherão nossas vidas, e por isso compramos de forma desmedida. Quanto mais, melhor. Não somos conscientes de que o sentimento de perda desaparecerá quando vivermos em paz, em vez de acumular cada vez mais”, advertiu Paisal. “E todas as religiões podem ajudar as pessoas a viver em paz. A cooperação entre os cultos é fundamental para lutar contra o materialismo e, desse modo, contra o desmatamento.” O monge tem pelo menos um aliado nessa missão:

Din Syamsuddin, diretor do Centro para o Diálogo e a Cooperação entre Civilizações, da Indonésia. “Os seres humanos são integrantes da comunidade da natureza e devem basear seu consumo na moderação. Temos que mudar nossa maneira de viver, protegendo as gerações futuras.” Para isso, disse o representante do islã na mesa, “é necessária a colaboração entre cientistas, empresários, religiões e a sociedade.” E concluiu seu discurso com uma citação. “Como disse o profeta, embora se aproxime o dia da destruição, se alguém tiver uma semente na mão, que a semeie.”

A Noruega plantou uma semente há uma década: decidiu converter a preservação das florestas tropicais em uma de suas prioridades internacionais. A partir de então, não só investiu com essa finalidade mais de 3 bilhões de dólares (10 bilhões de reais), estima o ministro do Clima e Meio Ambiente norueguês, como também tomou medidas para a redução do consumo do óleo de palma (azeite de dendê) e da importação de madeiras de procedência tropical. Em benefício do desenvolvimento sustentável e da mitigação do aquecimento global também estimula a paulatina substituição de veículos de combustão fóssil por elétricos – cerca de 30% dos vendidos em 2016 são assim. Desse modo, o país reduz suas emissões. No entanto, exporta o problema: sua principal indústria (40% do PIB) ainda é a da produção de petróleo. Algo que o ministro Helgesen reconhece que precisa ser mudado nos próximos anos, seguindo os conselhos de Nanditha Krishna: “A teologia hindu diz que devemos tomar da Terra somente o que necessitamos. Mas devemos simplificar nossos desejos, nos submetermos a uma transformação pessoal”.

Indígenas, os guardiães da floresta

"Para nós que vivemos em florestas tropicais, as árvores, as plantas, animais e micro-organismos são membros de nossa comunidade. Temos, além disso, deidades que protegem as árvores e as águas. E temos árvores sagradas. Infelizmente, somos ameaçados por proteger as florestas, nossos direitos são violados e esmagados. Estamos em uma crise”, afirmou em sua intervenção Vicky Tauli-Corpuz, relatora das Nações Unidas para a defesa das pessoas indígenas. Ela, que vive no norte das Filipinas, sabe bem que aos riscos do desmatamento se somam os que correm aqueles que ousam defender a venerada, sagrada, divina, mas maltratada, casa de todos.

"Todos os dias lutamos contra os ataques do Estado brasileiro, as hidrelétricas, as empresas mineradoras, as madeireiras, contra a ampliação das ferrovias, as diferentes formas de pressão. O Brasil é o país que mais mata ativistas indígenas”, denunciou Sonja Guajajara, coordenadora nacional da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil. Apesar de defenderem seus territórios na selva amazônica, a líder enfatiza que sua luta não é local. “Não tem fronteiras, por isso temos de nos juntar e reunir todas as forças presentes”, disse, pedindo o apoio do grande público presente.

O saber tradicional dos povos indígenas está reconhecido no Acordo de Paris como uma potente ferramenta contra as mudanças climáticas. A evidência científica demonstra que onde eles vivem e fazem o manejo da floresta não há desmatamento, ocorrem menos incêndios e as árvores são ativamente (e não só em palavras) respeitadas. Sofrem, porém, constantes ataques, como descreveu Guajajara. Um recente relatório da Anistia Internacional revelou que, dos 281 ativistas assassinados no mundo em 2016, a metade atuava em problemas ligados à terra, território e meio ambiente.

“Os povos indígenas formam uma unidade com a Natureza, e a Natureza não ataca, mas dá respostas”, disse a líder brasileira ao justificar sua resistência à destruição de seu habitar em nome do progresso. Joseph Itongwa, membro do Comitê de Povos Indígenas da África, na República Democrática do Congo, aprofundou essa ideia: “Não me ensinaram o valor das árvores na escola. Desde crianças aprendemos seu valor para nossa sobrevivência. Produzem tudo de que precisamos: dão frutos, abrigam pássaros, são nossas guias... Temos uma relação de respeito com a Natureza. Assim, cortar árvores vai bem além do que se disse aqui. É uma perda de nossa identidade. Quando se derruba uma árvore é como se cortassem nossa identidade”.

Nesse sentido, Harol Jhony Rincon, secretário-geral da Organização Nacional dos Povos Indígenas da Amazônia Colombiana (OPIAC), perguntou: “Por que dizem que somos os guardiães da Natureza? ”Sem intenção de ofender”, disse, ele lançou sua resposta: “Porque os ambientalistas assumem que a preservação é o mesmo que a cosmovisão dos indígenas”. Uma equivalência que Rincon nega: “Nós não falamos de ambientalismo, mas de governo de nossos territórios porque o pai criador nos deu essa missão”,

O necessário reconhecimento real da titularidade das terras tem sido um dos assuntos mais debatidos atualmente, nos palcos, em grupinhos, cafés e encontros paralelos. Sem ele, a porta para que as grandes corporações e Governos se aproveitem dos recursos naturais em detrimento do bem comum está aberta. E passam por ela sempre que podem, sem se importar em muitas ocasiões que dentro da casa haja um indígena, milhares de espécies, árvores milenares, milhões de insetos... vivendo. Mas sua existência, luta e morte é invisível para a maioria dos habitantes do planeta. “Temos que nos tornar visíveis”, declarou Abdon Nabalan, vice-presidente do Conselho Nacional da Aliança de Indígenas do Arquipélago, na Indonésia. A iniciativa inter-religiosa para salvar as florestas tropicais, da qual tratou, tem sido uma oportunidade. “E que haja mais”, conclui.



quinta-feira, 22 de junho de 2017

Cristãos se unem contra ditador da Zâmbia


A informação é da Radio Vaticano:

Zâmbia: duro ataque das Igrejas 
ao Presidente Edgar Lungu

Alarmados por uma deterioração rápida dos direitos humanos e do clima político na Zâmbia, as três principais Igrejas cristãs, conhecidas na Zâmbia como as "três Igrejas Mãe", publicaram nesta sexta-feira (16/06) uma duríssima declaração pública, numa conferência de imprensa, criticando a liderança do presidente zambiano Edgar Lungu. Os líderes da Igreja na Zâmbia pediram a libertação imediata do principal líder político da oposição da Zâmbia, Hakainde Hichilema (popularmente conhecido por HH) que o presidente Lungu lançou numa prisão de máxima segurança máxima, mesmo antes do julgamento por uma alegada acusação de traição.

Os três Organismos-mãe da Igreja na Zâmbia compreendem a Conferência dos Bispos Católicos da Zâmbia (ZCCB); a Comunidade Evangélica da Zâmbia (EFZ) que representa as Igrejas Carismáticas e Pentecostais, bem como o Conselho das Igrejas na Zâmbia (CCZ). CCZ é o ‘corpo guarda-chuva’ para as Igrejas Protestantes e as organizações relacionadas com a Igreja que tradicionalmente também são membros do Conselho Mundial das Igrejas (CMI).

A declaração dos líderes da Igreja é um severo ataque ao Presidente Lungu e demonstra uma clara manifestação de solidariedade que recentemente não se via entre os líderes da Igreja na Zâmbia. Ela também ressalta a frustração com o presidente da Zâmbia e o estilo vingador da liderança de Edgar Lungu.

"Sim, nós na Liderança da Igreja não estamos arrependidos, a Zâmbia eminentemente se qualifica para ser marcada como uma ditadura. O facto é que apenas uma liderança que não tem a vontade do povo ao seu lado ou pensa que não tem a vontade do povo do seu lado usa as instituições do Estado para suprimir a mesma vontade do povo", disseram os Líderes da Igreja. Em síntese, eles estavam a apoiar uma declaração anterior dos Bispos católicos zambianos que chamavam o presidente Lungu como um ditador. A Zâmbia tem sido conhecida no passado como uma democracia relativamente pacífica e estável.

Não há muito amor perdido entre o presidente Lungu e o líder do principal partido da oposição UPND, Hichilema. Quando este último não cedeu prioridade à comitiva do presidente em abril deste ano, Lungu desencadeou toda a força da maquinaria estatal da Zâmbia contra Hichilema. E desde então ele aprisionou o líder da oposição acusando-o de traição. É um crime que acarreta uma sentença de morte. Amnesty International diz que as acusações de traição contra o presidente da UPND na oposição, Hichilema, têm a finalidade de perturbar, intimidar e dissuadi-lo de fazer o seu trabalho político.

A declaração conjunta apresentada aos órgãos de informação, e emitida pelos líderes da Igreja é assinada pelo Arcebispo de Lusaka e Presidente da Conferência dos Bispos Católicos da Zâmbia (ZCCB), Telesphore Mpundu; o Presidente do Conselho das Igrejas na Zâmbia (CCZ), o Bispo Alfred Kalembo; e o Presidente da Comunidade Evangélica da Zâmbia, o Bispo Paul Mususu. O arcebispo Mpundu informou aos órgãos da comunicação que todos os esforços para a diplomacia dos bastidores falharam quando o presidente Lungu recusou-se a receber os clérigos.

Na declaração dos líderes da Igreja, o Serviço da Polícia da Zâmbia é destacado pela sua falta de profissionalismo e pela brutalidade. "A acusação do Serviço da Polícia como não profissional não foi inventada pelos três Organismos-Mãe da Igreja; encontra-se em preto e branco no julgamento do Magistrado Greenwell Malumani, que nos diz que a conduta da Polícia neste caso não estava em conformidade com a lei e a ética Profissional da Polícia! Citando o bem formado juiz, o episódio "expôs a incompetência da Polícia, a falta de profissionalismo e o comportamento criminoso na maneira como geriram a prisão de Hakainde Hichilema", lê-se na declaração.

Os líderes da Igreja criticam ainda a diminuição das liberdades na Zâmbia: uma crescente cultura de intimidação por parte dos agentes estatais; o piorar da situação dos direitos humanos e, em particular, a erosão da liberdade de imprensa. Papa apoiar as suas afirmações, eles dão como um exemplo o fechamento do jornal independente líder na Zâmbia, 'The Post'. Eles pediram ao governo do presidente Lungu para iniciar o diálogo nacional como uma saída para o impasse político.

Como era de prever, os apoiantes do presidente Lungu contactaram os meios da comunicação social para desabafar a sua ira contra os líderes da Igreja, embora a maioria dos cidadãos tenha ficado aliviada por ver que a Igreja estava a assumir uma forte posição moral contra a injustiça e o estilo autoritário do governo do presidente Lungu. (BS)



quarta-feira, 21 de junho de 2017

Emir árabe muda nome de mesquita para "Maria Mãe de Jesus"


A informação é do portal acidigital:

Mesquita nos Emirados Árabes agora se chama Maria Mãe de Jesus

ABU DHABI, 17 Jun. 17 / 10:00 am (ACI).- As autoridades dos Emirados Árabes Unidos decidiram mudar o nome de uma de suas mesquitas, lugar de culto muçulmano, para que, de agora em diante, se chame “Maria, Mãe de Jesus”.

Segundo informa ‘Gulf News’, a mudança de nome a “Mariam Umm Eisa”, árabe para “Maria, Mãe de Jesus”, foi decidido pelo xeique Mohammad Bin Zayed Al Nahyan, príncipe de Abu Dhabi e Comandante Geral das Forças Armadas dos Emirados Árabes Unidos.

A poucos metros da mesquita está a igreja anglicana St. Andrew. Seu capelão, Andrew Thompson, disse a ‘Gulf News’: “Estamos muito felizes de que celebremos algo que temos em comum entre ambos os credos”.

Por sua parte, o pastor da comunidade evangélica em Abu Dhabi, Jeramie Rinne, agradeceu ao xeique Mohammad por “outro gesto de tolerância religiosa ao renomear a mesquita”.

Por outro lado, o Vigário Apostólico da Arábia do Sul, o Bispo católico Paul Hinder, também expressou sua satisfação pela mudança de nome da mesquita e disse que Maria “está de forma proeminente na Bíblia e no Corão (o livro sagrado muçulmano) e constitui um laço importante entre cristãos e islâmicos”.

Em sua opinião, esta mudança de nome da mesquita “contribuirá para a paz e o entendimento mútuo não só em nosso país, mas em toda a região”.



Emir ou amir - (termo que, em língua árabe, significa "comandante") é como se fosse um título de nobreza equivalente a príncipe, historicamente usado nas nações islâmicas do Médio Oriente e Norte de África. Originalmente, foi um título de honra atribuído aos descendentes de Maomé. Séculos depois, tornou-se utilizado em vários contextos, como por exemplo, para se referir a chefes e nobres, como no caso dos Beduínos da Arábia e do Império Otomano.
Fonte: Wikipedia


sexta-feira, 16 de junho de 2017

Marcha gospel confirma que "evangélicos" cavam sua sepultura ao lado de Temer


Estevam Hernandes, aquele líder da Renascer que curtiu uma temporada preso nos EUA, mesma situação pela qual passou sua esposa Sonia Hernandes, por terem tentado entrar naquele país com milhares de dólares escondidos dentro da Bíblia, aproveitou a Marcha para Jesus - realizada ontem em São Paulo (SP) - para defender o governo de Michel Temer, o presidente do Brasil que é acusado de vários crimes e está sendo processado no Supremo Tribunal Federal.

Esta foi a 25ª edição do evento gospel que, apesar de ter começado - curiosa e paradoxalmente - com uma oração "contra a prostituição e a corrupção", prova que, apesar das autoproclamações de piedade e arrependimento, do ponto de vista moral e espiritual os resultados são os piores possíveis, já que o Brasil só vem descendo o poço desde a primeira Marcha e - até o momento - não se consegue discernir o seu fundo.

Alguma coisa está errada, portanto, se o objetivo da Marcha, conforme diz o "bispo" Leonardo Migliolo (acho que confundiram o nome do Leandro Miglioli) na matéria, é "orar pelo País". "Orar pelo presidente, pelo governador, pelo prefeito". Tá bão...

Ao apoiar o polêmico presidente do país em suas reformas antipopulares, o "apóstolo" da Renascer não está sozinho, entretanto, pois seguiu o mesmo exemplo da liderança da Assembleia de Deus - Ministério Madureira, que foi beijar a mão de Michel Temer outro dia, acompanhada de gente do nível do Pastor Everaldo e Jair Bolsonaro, conforme se vê pela publicação da CONAMAD no Facebook.

Líderes "evangélicos" se associam, portanto, ao que existe de pior na política brasileira, provando (mais uma vez) que a palavra "evangélico" denota hoje no Brasil um termo muito mais ideológico (da pior espécie, aquela que quer levar vantagem em qualquer situação) do que teológico, infringindo fragorosamente o segundo mandamento, que, caso você não se lembre ou não leia a Bíblia, ordena para não se levar o santo nome de Deus em vão.

Sair mal na foto, afinal, parece que passou a ser pré-requisito para aparecer na mídia e nos portais gospel como "liderança evangélica brasileira", seja lá o que isto significa.

A coisa anda tão feia que Miguel Reale Junior, ex-ministro da Justiça de FHC e um dos juristas autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, disse que iria se desfiliar do PSDB ao constatar que o partido não vai se desligar do governo Temer, dizendo que espera que "o partido encontre um muro suficientemente grande que possa servir de túmulo".

Parece que os evangélicos já encontraram uma marcha suficientemente grande para tanto.

Do jeito que a coisa anda, não se assuste se a praga de "The Walking Dead" começar pelo Brasil...




A vergonhosa informação (para os verdadeiros cristãos) foi publicada no Estadão:

Marcha para Jesus atrai multidão para as ruas de São Paulo e tem tom político

Neste ano, a Marcha tem como lema #EuAcheiMeuRei, em referência a Jesus. Criador defendeu a permanência do presidente Michel Temer no cargo, além da aprovação das reformas propostas pelo governo federal

Felipe Resk

SÃO PAULO - Uma oração contra a prostituição e a corrupção no Brasil abriu nesta quinta-feira, 15, a Marcha Para Jesus, que atraiu uma multidão de evangélicos por ruas do centro e da zona norte de São Paulo. Criador do evento, o apóstolo Estevam Hernandes, líder da Igreja Renascer em Cristo, também defendeu a permanência do presidente Michel Temer (PMDB) e as reformas da previdência e do trabalho, propostas pelo governo.

Em cima do trio elétrico, logo no início da passeata, Hernandes foi breve. "Oramos contra a corrupção e a prostituição, baseado em um preceito bíblico. A Bíblia fala que, quando nós oramos e clamamos, mudamos situações", afirmou. "Como brasileiros, nós estamos sendo afetados com toda essa loucura que o Brasil tem passado, de corrupção, de miséria."

O apóstolo também se posicionou contrário à saída do presidente Michel Temer. "Particularmente, sou favorável que termine esse mandato por causa de todo o trauma que a nação tem passado", disse. "Mas não que eu, ou nós, tenha um apoio explícito ao governo Temer."

Para ele, se houver "sustentação do Congresso", Temer "pode chegar ao final do mandato". "Agora, a gente sabe que está extremamente complicado", disse o apóstolo, que defendeu, ainda, as reformas propostas pelo governo. "Isso é fundamental para o Brasil, para que a economia volte a crescer e para que a gente tenha uma retomada do que é mais fundamental: o emprego."

O bispo Leonardo Migliolo, da Renascer, afirmou que o objetivo da Marcha é "orar pelo País". "Orar pelo presidente, pelo governador, pelo prefeito", disse. "Para que Deus possa conduzir com sabedoria toda essa situação que o País está enfrentando."

Politicos. Presente ao evento, o vice-prefeito Bruno Covas elogiou a organização. "São Paulo, além de ser uma cidade que tem uma tolerância religiosa muito grande, é vocacionada para eventos grandes como esse", disse.

Covas também compareceu para representar o prefeito João Doria (PSDB), que está em viagem a Porto Rico, no Caribe, para comemorar o aniversário da 15 anos da filha. "A viagem foi solicitada há dois anos, portanto muito antes de ele sonhar em disputar as prévias do PSDB", disse Covas.

O senador Magno Malta também participou do evento. Apesar de ter informado o comparecimento à organização, o governador Geraldo Alckmin não apareceu.

Esta é a 25ª edição da Marcha Para Jesus, com o lema #EuAcheiMeuRei. A concentração começou por volta das 10 horas, em frente à Estação da Luz, do Metrô, na região central. De lá, oito trios elétricos partiram em direção à Santana, na zona norte, onde fica o palco, instalado na Praça Heróis da FEB, com shows de música gospel.

Com faixas de "Deus é Fiel" e "100% Jesus", jovens representaram grande parte do público. Na multidão, havia fiéis de todas as idades, de bebês a idosos. A dona de casa Rosangela Cazella, 35 anos, levou a filha de 10 meses para a Marcha. "Já vim várias vezes, mas esta é a orimeira com ela", disse ela, fiel da Orgeja Verbo da Vida.

O marido Lucas Bispo, de 34, técnico em telecomunicação acompanhou a família. "O evento é muito importante, é uma manifestação do corpo de Cristo e também uma oportunidade de ir para a rua e falar de Jesus, mostrar a alegria do nosso povo."

Apesar de ser católico, o treinador de futebol Antônio Carlos oliveira, de 44 anos, saiu de Cajamar, na Grande São Paulo, para participar da festa. "Minha familia é toda evangélica, da Renascer", afirmou. "O evento é muito bacana porque une todo mundo." Organizadores do evento afirmaram que a quantidade de pessoas que participaram da festa foi maior de todas as edições, mas não divulgaram números. Em 2016, a organização afirmou que 3 milhões de pessoas participaram do evento.



terça-feira, 9 de maio de 2017

Templos compartilhados: uma ideia canadense


Sim, irmãos e amigos, eu sei que existem igrejas bastante grandes que apresentam cultos em distintos horários para comunidades específicas que existem no seu seio, como acontece com hispânicos em algumas igrejas de São Paulo, por exemplo.

O que eu nunca tinha visto até dois anos atrás era um templo dividido por duas denominações.

Em abril de 2015 eu passava pela Rodovia Trans-Canadá, a Highway 1, por uma pequena cidade chamada Salmon Arm, na província da Colúmbia Britânica, quando me deparei com uma cena no mínimo curiosa: um templo com duas denominações: uma presbiteriana e outra batista.


O templo compartilhado por batistas e presbiterianos, visto a partir da Trans-Canadá (Hwy 1)

Como não havia tempo para parar e investigar mais a fundo, apenas registrei mentalmente o fato e o local, e isso ficou me "encucando" por dois anos e agora resolvi localizar no Google Earth onde estava este templo.

Aparentemente, são duas pequenas comunidades religiosas, já que há poucos registros de suas atividades na internet.

Um pequeno mapa com a localização do templo em Salmon Arm, BC

Uma igreja é a St. Andrew's Presbyterian Church e a outra é a Mountain View Baptist Church.

Os batistas são madrugadores, têm seu culto às 9 da manhã no domingo. Já os presbiterianos começam seus serviços às 10:45 h., conforme mostra a foto da placa na entrada lateral do terreno:




Essa mesma foto, que tem baixa resolução, permite ver que há uma indicação de telefone para aluguel do templo, que é o mesmo número de telefone da igreja presbiteriana.

Provavelmente, numa cidade com uma pequena população, como é comum no interior da British Columbia, qualquer fonte de renda é muito bem vinda, não é mesmo?


A parte de trás do templo, com a Trans-Canadá passando lá no fundo da foto.

Perdão, amigos canadenses, demorou dois anos para eu reportar essa curiosidade de um brasileiro que passou rapidamente por Salmon Arm (BC) a caminho de Calgary (Alberta), mas fica registrada a sua criatividade e boa convivência com diferentes denominações.

Salmon Arm, BC em destaque entre Vancouver, BC e Calgary, AB, com destaque também para Kamloops, ali perto.

Algo tipicamente canadense, por sinal. Um lindo país onde as pessoas não têm problemas em conviver com gente das mais variadas procedências.

Será que este exemplo "pegaria" no Brasil?

Você conhece algo parecido por aqui? Se sim, por favor compartilhe conosco nos comentários abaixo.

Um templo simples e funcional acolhe as duas comunidades.



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Papa é oficialmente convidado para celebrar os 500 anos da Reforma Protestante

É o que informa o IHU:

Igreja Evangélica alemã faz convite histórico ao Papa Francisco


Pela primeira vez desde a Reforma, a Igreja Evangélica na Alemanha, que representa a grande maioria dos protestantes alemães, convidou o papa a visitar o país, local onde a se iniciou a Reforma. Uma delegação ecumênica da Alemanha visitou o Papa Francisco no Vaticano em 6 de fevereiro como parte da comemoração do 500º aniversário do evento religioso que dividiu o cristianismo ocidental. 

A reportagem é de Gerard O’Connell, publicada por America, 06-02-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.


“Papa Francisco, o senhor desencadeou um sentimento de bondade e misericórdia a todas as pessoas” e “como irmãs e irmãos em Cristo estamos felizes pela clara orientação que nos tem dado”, disse o Bispo Heinrich Bedford-Strohm antes de fazer o convite a Francisco. Bedford-Strohm preside o Conselho da Igreja Evangélica (Evangelische Kirche in Deutschland – EKD) na Alemanha.

O Cardeal Reinhard Marx, presidente da Conferência dos Bispos Católicos Alemães, acompanhava a delegação. Marx sublinhou a significação histórica do convite e expressou a esperança fervorosa de que o papa possa respondê-lo.

O Papa Francisco já participou de uma comemoração católico-luterana conjunta em torno da Reforma em Lund, na Suécia, em outubro do ano passado, mas este convite é mais significativo ainda.

Embora não tenha dado uma resposta ao convite durante a audiência, é possível que o Papa Francisco o aceite. Ele conhece a Alemanha, fala alemão e está ciente da importância do convite.

Saudando a delegação alemã em sua biblioteca particular, Francisco procurou impulsionar os esforços em direção à unidade dos cristãos. Ao considerar uma iniciativa ecumênica, convidou os evangélicos e católicos a se perguntarem: “Podemos partilhar junto com os nossos irmãos e irmãs em Cristo? Será que conseguiremos percorrer mais um outro trecho do caminho juntos?”

“Temos o mesmo batismo: devemos andar juntos, sem nos cansar”, disse Francisco. Não tem caminho de volta no trajeto para a unidade, garantiu o papa à delegação; os católicos e os evangélicos devem “continuar a testemunhar juntos o Evangelho e continuar no caminho da unidade plena”.

O papa descreveu as “diferenças” que ainda existem entre as igrejas em questões como a fé e a moral como sendo “desafios” no percurso à unidade visível almejada pelos fiéis. “Os casais que pertencem a confissões diferentes” sentem particularmente “a dor” da divisão, disse, aludindo ao problema de as famílias não poderem participar juntos da Eucaristia.

O pontífice convidou os católicos a evangélicos a trabalharem para “superar os obstáculos ainda existentes”, perseverando com “oração incessante (...) com todas as nossas forças” e “intensificando o diálogo teológico e reforçando a colaboração entre nós”.

Bedford-Strohm disse ao papa: “Às vezes é uma realidade dolorosa nas famílias: casais que compartilham filhos, netos e amigos ficam divididos na mesa do Senhor”. Ele reconheceu que foi feito um progresso “no espírito da reconciliação”, acrescentando que as igrejas estão trabalhando juntas “para encontrar o caminho para uma parceria eucarística ainda maior”.

Falou que esse tema surgiu em vários diálogos com o Vaticano. O Cardeal Marx confirmou essa iniciativa em uma coletiva de imprensa em Roma com os líderes evangélicos alemães ocorrida na sequência do encontro com o papa. Ele falou que ambos os lados estão trabalhando juntos para “descobrir se podemos alcançar uma linha comum”.

O Papa Francisco saudou o fato de que os católicos e os evangélicos estão comemorando os eventos históricos da Reforma juntos “a fim de pôr, mais uma vez, Cristo no centro das nossas relações”. Ele lembrou que, no fundo, os reformadores estavam “animados e inquietos” sobre como “indicar a estrada para Cristo”. Disse que isso deveria estar no centro dos esforços católicos e evangélicos, hoje, quando caminham na direção da unidade.

O Papa Francisco deu as boas-vindas a uma iniciativa evangélico-católica conjunta na Alemanha para realizar uma cerimônia de Penitência e Reconciliação porque “curar a memória, testemunhar a Cristo” é uma tarefa ecumênica.

Na coletiva de imprensa, Annette Kurschus, da delegação alemã, salientou a importância da “diversidade reconciliada” e enfatizou que a visita ecumênica a Roma – “a cidade global do catolicismo” –, no 500º aniversário da Reforma, também tem uma “significação” para o mundo protestante no percurso à unidade.

A Igreja Evangélica na Alemanha é uma federação de igrejas e denominações luteranas, reformadas (calvinistas) e protestantes unidas regionais na Alemanha, com aproximadamente 24 milhões de membros. Ao saudar o papa, Bedford-Strohm disse: “As nossas igrejas sentem uma responsabilidade especial em desenvolver o ecumenismo, uma vez que as divisões começaram conosco na Alemanha”.

A EKA busca “um diálogo mais profundo” com a Igreja Católica “sobre o batismo e sua significação para os próximos passos ecumênicos” e deseja “seguir uma nova abordagem para garantir que o diálogo não fique estagnado”, acrescentou.

Tanto o papa quanto o bispo destacaram a importância de os católicos e evangélicos darem um testemunho comum a Cristo num mundo marcado pela violência e polarização. Francisco disse que “o chamado urgente de Jesus à unidade” convida os membros de ambas as igrejas a agirem juntos “quando vivenciamos graves dilacerações e novas formas de exclusão e marginalização”. Aqui “a nossa responsabilidade é grande”, disse.

O Bispo Heinrich Bedford-Strohm concordou, acrescentando: “Onde são negadas a misericórdia e a compaixão, o ‘pecado social’ ameaça a vida humana consecutivamente”. Ele observou que “alguns agora aspiram conter a nossa humanidade dentro de muros. Um novo populismo em diferentes países glorifica o país dos seus apoiadores e exclui grandes grupos de pessoas”.

Ele destacou também a situação dos refugiados e migrantes – uma questão cara ao Papa Francisco. Disse que “em 2017, as igrejas cristãs deveriam erguer suas vozes juntas no mundo inteiro no intuito de encorajar os nossos países a demonstrar solidariedade com os refugiados do terror e da guerra, e a distribuir os fardos da maneira mais ampla possível”.



terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Judeus cedem sinagoga para muçulmanos que tiveram mesquita incendiada nos EUA


Ainda há gestos de bondade e boa-vontade entre as religiões, segundo noticia a Marie Claire:

Judeus cedem sinagoga para muçulmanos que perderam mesquita em incêndio

Ato de solidariedade em pequena cidade dos Estados Unidos ganhou a atenção na imprensa americana por ir de encontro às políticas anti-imigração de Donald Trump

No último sábado pela manhã, membros do Victoria Islamic Center foram notificados de que sua mesquita no Texas, EUA, foi destruída por um incêndio durante a noite. O incidente ocorreu horas após Donald Trump assinar a ordem executiva que impede cidadãos de sete países com maioria islâmica de entrar em território americano. Agora, num ato de solidariedade que vai de encontro às políticas anti-imigração do presidente americano, líderes religiosos da pequena cidade de Victoria, de 62 mil moradores, se mobilizaram para apoiar a comunidade muçulmana afetada pelo desastre.

Os judeus da região foram os primeiros a dar o exemplo de respeito às diferenças. Seus líderes entregaram a chave da sinagoga local para líderes muçulmanos realizarem cerimônias religiosas. "Ficamos muito felizes em fazer isto", disse Melvin Lack, tesoureiro da sinagoga, ao "USA Today".

Logo em seguida, uma página de arrecadação online foi criada para arrecadar fundos para a reconstrução da mesquita. Em poucos dias, mais de R$ 3 milhões foram doados, superando a meta de R$ 2,6 milhões.

"Nossos corações estão cheios de gratidão pelo tremendo apoio que recebemos", disse o oganizador da arrecadação Omar Rachid. "A efusão de amor, palavras gentis, abraços, mãos amigas e contribuições financeiras são o exemplo do verdadeiro espírito americano e da humanidade em seu auge".



sábado, 24 de dezembro de 2016

Muçulmanos tocam músicas de Natal


Nossos melhores desejos de um Feliz Natal vão hoje acompanhados do vídeo abaixo, em que o grupo musical Strings for Humanity ("Cordas para a Humanidade"), composto por muçulmanos sufis (ou sufistas) tocam canções de Natal.

Não podemos permitir que o fanatismo se sobreponha ao fato de que Jesus é mencionado 25 vezes no Alcorão, e Maria outras 34 vezes, nem perder a esperança de que podemos conviver em paz com nossas diferenças.

Por isso, algumas ramificações do islamismo não têm nenhum problema em desejar "Feliz Natal" a seus amigos cristãos.

Que seja este espírito de paz e unidade, portanto, que prevaleça nesta noite de Natal, e que seus benefícios pacíficos e solidários se estendam por todos os Natais, Ramadãs e quaisquer outras festas religiosas vindouras.

Eis o vídeo:




segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Exatos 499 anos após a Reforma, papa visita luteranos na Suécia

A matéria é da Rádio Vaticano:

Suécia acolhe o Papa para os 500 anos da Reforma Luterana

Nesta segunda-feira dia 31 de outubro o Papa Francisco está na Suécia para assinalar a histórica Comemoração Conjunta Luterano-Católica nos 500 anos da Reforma que se celebram em 2017. O Santo Padre estará em Malmö e Lund.

A Reforma começou quando Martinho Lutero, monge agostiniano germânico e professor de teologia, pregou as suas 95 teses em 1517 contestando, em particular, a doutrina de que o perdão de Deus poderia ser adquirido pelo comércio das indulgências. O Papa Leão X pediu-lhe para se retratar, mas em 1520 perante a recusa de Lutero foi decretada a sua excomunhão da Igreja Romana.

A Suécia, que se separou da Igreja Católica no século XVI, tem uma forte herança luterana e uma minoria católica sendo, contudo, um dos países mais secularizados do mundo. Com 450.295 km2 onde abundam as florestas, sobretudo no norte, a Suécia é o terceiro maior país da União Europeia em termos de área e com uma população total de cerca de 9 milhões de habitantes. Este país assume o regime de uma monarquia constitucional cuja capital é Estocolmo e é país independente desde a Idade Média. Segundo a prestigiada revista “The Economist” é o quarto país do mundo em índice de democracia, logo a seguir, à Islândia, à Dinamarca e à Noruega.

Esta viagem marca o regresso de um Pontífice a este país escandinavo após a visita de S. João Paulo II há 27 anos tendo visitado a Suécia e celebrado missa para 16 mil pessoas no Globe Arena de Estocolmo, em 1989. S. João Paulo II também fez uma visita ao túmulo de Santa Brígida, primeira santa da Suécia.

De recordar que no passado mês de junho, no dia 5, uma delegação ecuménica da Suécia esteve no Vaticano para a canonização de Maria Isabel Hesselblad, fundadora da Ordem do Santíssimo Salvador de Santa Brígida que tinha sido beatificada por S. João Paulo II a 9 de abril do ano 2000.

Santa Maria Isabel Hesselblad, destacou-se pelo serviço aos mais pobres, em particular, durante a II Guerra Mundial em Roma, ajudando os judeus perseguidos a quem deu refúgio fazendo da sua casa religiosa um autêntico centro de ajuda e de distribuição de alimentos e roupas aos mais necessitados.

O Papa Francisco na Suécia celebra os 500 anos da Reforma mas também os 50 anos de diálogo entre luteranos e católicos, iniciado em 1967, como salientou na semana passada o Cardeal Kurt Koch, presidente do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos na apresentação desta Viagem Apostólica do Santo Padre.

De salientar que nesse mesmo encontro com os jornalistas estiveram presentes pela Federação Luterana Mundial o presidente, bispo Munib Younan e o secretário-geral o Rev. Martin Junge que sublinharam que graças ao diálogo e à confiança “o tempo está maduro para tentar passar do conflito à comunhão”.

Na Suécia por estes dias será dado mais um grande passo para procurar a unidade entre os cristãos.



sábado, 15 de outubro de 2016

Peregrinos luteranos visitaram o papa no Vaticano

Quem diria que um dia Lutero iria virar estátua no Vaticano?

A matéria é da Rádio Vaticano:

Papa Francisco encontra os peregrinos luteranos

O Papa Francisco recebeu na manhã desta quinta-feira, dia 13 de Outubro, na Aula Paulo VI, do Vaticano, cerca de mil membros que participam da peregrinação luterana em Roma. “Estou feliz por vos receber por ocasião da vossa peregrinação ecuménica, iniciada na região de Lutero, em Alemanha, e terminada aqui junto da Sede do Bispo de Roma”, disse o Santo Padre no seu discurso sublinhando sobretudo a necessidade de “dar graças a Deus, disse, porque hoje, luteranos e católicos, estamos caminhando juntos pelas vias que vão do conflito à comunhão. Já percorremos, juntos, um importante percurso de estrada. Ao longo do caminho provamos sentimentos contrastantes: dor pela divisão que ainda existe entre nós, mas também a alegria pela fraternidade reencontrada. A vossa presença aqui, no Vaticano, assim, tão numerosa e tão entusiástica, é um sinal evidente desta fraternidade e nos enche de esperança que podemos continuar a fazer crescer a compreensão recíproca” entre nós sublinhou Francisco.

Francisco aproveitou da ocasião para informar aos presentes que, se Deus quiser, no fim deste mês de Outubro, efectuará uma visita apostólica a Lund, na Suécia, para, juntamente com a Federação Luterana Mundial, prestar homenagem à memória dos cinco séculos do início da Reforma de Lutero e agradecer ao Senhor pelos cinquenta anos de diálogo oficial entre luteranos e católicos.

O santo Padre sublinhou que esta comemoração terá essencialmente o olhar orientado para o futuro, com vista a dar juntos, um autêntico testemunho cristão ao nosso mundo de hoje, que necessita tanto de Deus e da Sua misericórdia e que deste ponto de vista, disse Francisco, o mundo de hoje “espera que sejamos capazes de tornar visível a misericórdia de Deus para connosco através do serviço aos mais pobres, aos doentes, aos que abandonaram as suas terras para procurar um futuro melhor para si e para os seus entes queridos. E em pormos juntos ao serviço dos mais necessitados, nós experimentamos de estar já unidos: é a misericórdia de Deus que nos une”, disse o Santo Padre, que concluiu assim o seu discurso dirigindo-se aos numerosos jovens presentes na delegação:

"Queridos jovens, eu vos encorajo a ser testemunhas da misericórdia. Enquanto os teólogos levam avante o diálogo no âmbito doutrinal, vós continuais a procurar com insistência, ocasiões para encontrar-vos, para se conhecerem. Melhor, rezar juntos e ajudar-vos uns aos outros e a todos aqueles que estão em situação de necessidade. Assim, livres de qualquer preconceito e confiando unicamente do Evangelho de Jesus Cristo, que anuncia a paz e a reconciliação, sereis verdadeiros protagonistas de uma nova estação deste caminho, que com a ajuda de Deus, conduzirá à plena comunhão. Eu vos asseguro a minha oração, e por favor rezais por mim, que preciso tanto da vossa oração. Muito obrigado."



sábado, 8 de outubro de 2016

Papa visita Azerbaijão pedindo paz entre religiões


A matéria é da Rádio Vaticano:

Papa: no Azerbaijão colaboração entre culturas e religiões

Na tarde deste domingo dia 2 de outubro o Papa Francisco teve um encontro com as autoridades do Azerbaijão, em particular, com o presidente Ilham Heydar Aliyev no moderno Centro Heidar Aliyev.

O Papa Francisco sublinhou no seu discurso a sua “admiração pela complexidade e a riqueza” da cultura do Azerbaijão, fruto da contribuição dos muitos povos que, ao longo da história, habitaram nestas terras” – disse Francisco que sublinhou os “benefícios do multiculturalismo e da necessária complementaridade de culturas”:
“Espero vivamente que o Azerbaijão continue pela estrada da colaboração entre diferentes culturas e confissões religiosas. Que a harmonia e a coexistência pacífica alimentem sempre mais a vida social e civil do país, nas suas múltiplas expressões, assegurando a todos a possibilidade de oferecer a própria contribuição para o bem comum.”
O Santo Padre recordou os conflitos que se alimentam da intolerância de ideologias violentas, salientando que é necessário “promover a harmonia” entre as várias componentes de uma nação.

Francisco não deixou de recordar as pessoas que sofreram por “causa de conflitos sangrentos” e demonstrou a sua confiança no diálogo e na negociação para a resolução de divergências.

O Papa afirmou no seu discurso a sua satisfação pelas cordiais relações entre a comunidade católica e a muçulmana, a ortodoxa e a judaica, esperando que aumentem os sinais de amizade e colaboração. O Papa deixou, contudo, um aviso:

“O apego aos genuínos valores religiosos é completamente incompatível com a tentativa de impor aos outros, pela violência, as próprias convicções, servindo-se, como escudo, do santo Nome de Deus. Que a fé em Deus seja fonte e inspiração de compreensão mútua, respeito e ajuda recíproca em prol do bem comum da sociedade. Deus abençoe o Azerbaijão com a harmonia, a paz e a prosperidade” – disse o Papa Francisco no final do seu discurso às autoridades do Azerbaijão.



quarta-feira, 9 de março de 2016

Papa recebe metodistas e valdenses no Vaticano


A informação é do IHU:

Uma delegação metodista e valdense foi recebida pelo Papa Francesco. 
A primeira vez isto acontece no Vaticano


“Um encontro que encoraja todos a prosseguirem no caminho da colaboração e da comunhão entre as nossas igrejas”. Entre os temas enfrentados: a missão num mundo secularizado, o serviço aos últimos, os corredores humanitários e o diálogo inter-religioso. “Foi um encontro centrado na fraternidade e na autenticidade no estilo ao qual o Papa Francisco nos tem habituado”. 

A reportagem foi publicada por Notizie Evangeliche - NEV, 05-03-2016. A tradução é de Benno Dischinger.


Assim o pastor Eugenio Bernardini, moderador da Távola valdense, descreveu a audiência que viu hoje no Vaticano, pela primeira vez na história, uma delegação oficial das igrejas metodistas e valdenses para encontrar o Papa.

“Foi um encontro que encorajou a todos a prosseguirem no caminho da colaboração e da comunhão entre as nossas igrejas, não obstante a diversidade, e às vezes também as divergências que nos contra distinguem – declarou ainda Bernardini.

“Em particular, emergiram duas áreas de colaboração. A primeira é a missão da Igreja num mundo sempre mais secularizado e distante do Evangelho, uma missão que deve caracterizar-se por linguagens novas, sem intentos proselitistas e sim no espírito do livre testemunho em Cristo. Em segundo lugar, uma colaboração no serviço ao mundo e à sociedade, aquela que nós chamamos diaconia e que, para o Papa Francisco: deve estar a serviço dos últimos. Também falamos daquela grande tragédia dos prófugos e da imigração que interroga o nosso continente europeu e naturalmente também as nossas igrejas”.

Na conversação foram citados os corredores humanitários promovidos pela Federação das igrejas evangélicas na Itália (FCEI), da Comunidade de Sant’ Egídio e da Távola valdense, e que levaram recentemente para a Itália, legalmente e em segurança, 97 pessoas consideradas particularmente vulneráveis. A perspectiva é de uma colaboração em nível europeu para que o modelo dos corredores humanitários possa ser apresentado e adotado também no âmbito de outras nações do continente. Além disso, registrou-se uma profunda sintonia no entender a dimensão ecumênica do diálogo inter-religioso, em particular com o Islã, num tempo no qual se reforçam ao mesmo tempo fundamentalismos e preconceitos.

A delegação valdense e metodista doou ao Papa uma série de desenhos inspirados nas histórias de prófugos e migrantes, apresentados num contendor construído com a madeira das barcaças de Lampedusa.

O Papa Francisco, ao invés, ofereceu à delegação acima os textos da encíclica “Louvado seja” e da “Evangelli guadium”. O Pontífice já havia encontrado os representantes das igrejas metodistas e valdenses no passado dia 22 de maio, num encontro havido junto à Igreja valdense de Turim. Além do moderador Bernardini, a delegação compreendia: Greetje van der Ver, Aldo Lausarot, Luca Anziani, Jens Hansen, Lothar Vogel, Maria Bonafede, Raul Matta, Claudio Paravati e Paolo Naso.



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