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terça-feira, 31 de outubro de 2017

Martinho Lutero, 500 anos depois


Exatos 500 anos atrás, o dia deve ter amanhecido bonito e tranquilo em Wittenberg, na Alemanha, e ninguém ali, naquela fria manhã de outono, imaginava que estava prestes a acontecer um incidente que mudaria a história da humanidade para sempre.

Afinal, o que importava à gente naqueles tempos era sobreviver um dia mais, da maneira que fosse possível, e quanto mais supersticiosamente fosse, menos ruim seria para suas invariáveis e miseráveis vidas sem futuro algum.

Não se sabe exatamente a que horas daquele dia um jovem monge agostiniano cruzou a praça central para afixar na porta da catedral um pequeno manuscrito em que desfilava em 95 teses sua indignação contra o comércio de indulgências que era obrigado a ver - talvez diariamente - naquele mesmo local.

Seu nome era Martinho Lutero e seus passos nervosos não davam a mínima ideia da importância que aquele momento teria na História.

Afinal, havia passado por ali naqueles dias um frade dominicano de nome Johann Tetzel, cuja principal incumbência era vender indulgências para garantir a reconstrução da Basílica de São Pedro, a mando do papa Leão X.

Tetzel era objeto de crítica em duas teses de Lutero:
27. Pregam doutrina mundana os que dizem que, tão logo tilintar a moeda lançada na caixa, a alma sairá voando [do purgatório para o céu].

28. Certo é que, ao tilintar a moeda na caixa, pode aumentar o lucro e a cobiça; a intercessão da Igreja, porém, depende apenas da vontade de Deus.
O fato é que - ao afrontar a Igreja oficial - Lutero escancarou, naquele dia 31 de outubro de 1517, as portas da modernidade. Encerrava-se ali - de fato - a Idade Média e o poder absoluto da Igreja de Roma.

Lutero era o homem improvável para aquela missão, o que revela os caminhos misteriosos que Deus elege para fazer sua vontade se expressar e ser concretizada no meio (e por meio) de homens e mulheres comuns, como você e eu.

Numa definição moderna, Lutero era 8 ou 80, capaz dos maiores acertos e erros na mesma proporção. Critique-se o que se quiser em sua vida, mas ele não pecava por omissão.

Aliás, é fácil criticá-lo hoje em dia pelo que fez de 1517 em diante, apesar do anacronismo do olhar retrovisor. 

Difícil mesmo é encontrar alguém que tivesse se aventurado a pensar em fazer o que ele fez.

Lutero tinha uma opinião (talvez forte demais, muitas vezes sarcástica) formada sobre tudo e não esperava que pisassem no seu calo para expressá-la.

Fez muitos inimigos, mas - e daí? - o mundo precisou se moldar ao seu pensamento revolucionário.

Uma conjunção (humanamente) inesperada de fatores políticos, pessoais e religiosos fez com que a ousadia de Lutero frutificasse muito além do que ele podia haver imaginado ou planejado.

Por isso estamos nós aqui hoje celebrando os 500 anos como frutos não de um gesto isolado de um homem chamado Martinho Lutero, mas do fato de Deus tê-lo usado como instrumento humano assumidamente imperfeito mas aberto e disponível a revolucionar os tempos, os modos e as eras segundo e seguindo a vontade do Seu Senhor.

Engana-se quem crê que sua importância se restringe ao círculo fechado da religião.

Traduziu a Bíblia na língua alemã, tornando o sagrado popular, fazendo a voz de Deus audível a quem realmente precisava (e queria) compreendê-la.

Preocupou-se com a educação pública, não só tornando as escolas acessíveis a todos mas instando os pais e as autoridades locais a educarem as crianças com qualidade e diversidade. Como disse:
Temos hoje os melhores e mais doutos jovens companheiros e homens com conhecimentos linguísticos e toda a ciência; esses poderiam muito bem produzir algo útil se fossem aproveitados para instruir a juventude. Não está evidente que hoje se pode formar um menino em três anos de modo que aos 15 ou 18 anos sabe mais do que lhe puderam ensinar até agora todas as universidades e conventos? Afinal, que se aprendeu até agora nas universidades e conventos a não ser tornar-se burro, tosco e estúpido? Houvem quem estudasse vinte, quarenta anos e não sabe nem latim nem alemão. Não quero nem falar da vida vergonhosa e dissoluta na qual a nobre juventude foi corrompida tão miseravelmente.

(LUTERO, Martinho. Aos Conselhos de Todas as Cidades da Alemanha para que criem e mantenham escolas cristãs. 1524. Tradução de Ilson Kayser. MARTINHO LUTERO. Obras Selecionadas. São Leopoldo: Sinodal. Porto Alegre: Concórdia. 1995. Vol. 5, pág. 306)
A repercussão de suas "marteladas" num dia qualquer em Wittenberg ajudou a gerar a modernidade, moldou a Alemanha e provocou a reação da Igreja Católica, que - na verdade - devia lhe agradecer porque, não fosse pela Reforma luterana, teria enfrentado dias e problemas muito piores.

No fundo, o Concílio de Trento (1545-1563) estruturou a Contra-Reforma católica que salvou Roma da extinção pura e simples. Tudo por Lutero!

A partir dali, os papas souberam que seu poder não era mais ilimitado e incontrastável, e os católicos encontraram outros rumos ao longo dos séculos que lhes permitem hoje celebrar conjuntamente com os luteranos os 500 anos daquele dia que, de tão iluminado e glorioso na História, espantou as trevas que ameaçavam devorar o bocado incipiente e medíocre que havia de civilização.

Trevas estas que, lamentavelmente, nunca desapareceram, e estão sempre prontas a mudar de nome e roupagem para destruir não só a Igreja, mas principalmente a humanidade.

Talvez tenha chegado a hora de novos Luteros e novas Reformas...


Encerrando nosso mês dedicado a Martinho Lutero, agradecendo aos nossos leitores pela paciência e companheirismo em nos acompanhar, e louvando a Deus por tê-lo escolhido e celebrando sua vida e sua magnífica obra, cantamos inicialmente seu hino clássico "Castelo Forte" com o Coral e Orquestra Filarmônica da UniCesumar:


E convidamos os nossos amigos leitores a participarem de uma sessão-pipoca para ver o ótimo filme "Lutero" (2003), com as brilhantes atuações de Joseph Fiennes, Peter Ustinov (ele próprio uma lenda da atuação, em seu último filme), Bruno Ganz e Alfred Molina, entre outros:




Celebrando os 500 anos da Reforma com Lutero - parte 31


PELA EDUCAÇÃO DOS FILHOS

Uma prédica de Martinho Lutero para que se mandem os filhos à escola

A todos os meus prezados senhores e amigos, pastores e pregadores que seguem fielmente a Cristo, Martinho Lutero.

Graça e paz em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Meus muito amados senhores e amigos. Vedes com vossos próprios olhos como o asqueroso Satã nos ataca agora de todos os lados com violência e com astúcia, e nos aflige com toda sorte de pragas, para destruir o santo Evangelho e o reino de Deus. Ou então, não podendo destruí-los, pelo menos procura por obstáculos e atrapalhar por todos os meios para que não progrida ou alcance o predomínio. Entre suas artimanhas uma das mais importantes (se é que não é a mais importante) consiste em aturdir e enganar as pessoas simples de tal maneira que não queiram mandar seus filhos à escola nem encaminhá-los para o estudo. Ele lhes insufla os seguintes pensamentos perniciosos: como já não existe mais a perspectiva da monjaria masculina ou feminina e do clericato, como vinha acontecendo até agora, não há mais necessidade de pessoas instruídas nem de muito estudo; o que interessa é tratar de conseguir alimento e riquezas.

Isso me parece uma verdadeira obra de mestre da arte diabólica. Ao ver que hoje já não pode fazer e agir como quer, procura impor sua vontade a nossos descendentes, preparando-os diante de nossos olhos de maneira que nada aprendam e nada saibam, a fim de que quando estivermos mortos, tenha à disposição um povo despreparado, despojado e indefeso, com o qual possa fazer o que quer. Pois se desaparecerem a Escritura e as ciências, nada mais restará na Alemanha do que uma rude e selvagem horda de tártaros e turcos, e, quem sabe, uma pocilga e uma súcia de animais selvagens. Por enquanto, porém, lhes esconde sua intenção, cegando-os com maestria, a fim de que, quando as coisas chegarem a esse ponto e eles o enxergarem com seus próprios olhos, possa rir-se de todo o lamento e choro daqueles que, ainda que quisessem, não mais podem remediar a situação, e tenham que confessar: tarde demais. Daí então estariam dispostos a dar cem florins por um erudito medíocre, enquanto agora não teriam dado sequer dez por dois eruditos completos.

É o que mereceriam, porque agora não querem manter nem sustentar mestres e professores íntegros, honestos e disciplinados, postos à disposição e esforço, e além disso com pouco gasto e dinheiro. Em troca, recebem mestres de aluguel e professores auxiliares, grosseiros, asnos e lorpas, como os tiveram anteriormente, os quais somente ensinaram a seus filhos como ser burro, apesar dos altos custos. Em contrapartida, violentam suas mulheres, filhas e empregadas, pretendendo ser senhores da casa e dos bens, como vinha acontecendo até agora. Esta deve ser a recompensa para sua grande e escandalosa ingratidão, para a qual o diabo os induz com tanto ardil.

Visto que, como curas das almas, devemos ser vigilantes contra esse e outros ardis maliciosos, por força de nosso ministério, certamente não podemos cochilar neste ponto de tamanha importância; devemos, muito antes, estimular, advertir, encorajar, instigar com toda a força, empenho e cuidado, para que o homem simples não se deixe enganar e seduzir tão miseravelmente pelo diabo. Por isso cada qual deve ficar atento e desempenhar seu ministério, para que não cochile nesta matéria, permitindo que o diabo seja Deus e senhor. Pois se silenciarmos e dormirmos nesse ponto, deixando a juventude no abandono e permitindo que nossos descendentes se tornem tártaros e animais selvagens, então será por culpa de nosso silêncio e ronco, e teremos que prestar contas rigorosas sobre isso.

Sei perfeitamente que muitos dentre vós levam esse assunto adiante também sem minha exortação, melhor do que o poderia fazer e aconselhar. Além disso publiquei anteriormente um livrinho especial sobre essa matéria, dirigido aos conselheiros nas cidades. No entanto, caso alguém tivesse esquecido o assunto ou quisesse seguir meu exemplo com mais afinco, enviei-vos este sermão, pronunciado mais do que uma vez cá entre os nossos, para que percebais com quanta fidelidade estou colaborando convosco e que sempre estamos cumprindo nossa parte, de modo que perante Deus estamos desculpados no que se refere a nosso ministério. Sem dúvida, o assunto agora depende de nós, porque vemos que também os chamados clérigos procedem nessa matéria como se quisessem ver a ruína de todas as escolas, da disciplina e do ensino, e inclusive estão dispostos a colaborar para seu destroçamento, porque já não têm a mesma liberdade arbitrária como até agora. É o diabo que efetua isso através deles. Que Deus nos ajude. AMÉM.

(LUTERO, Martinho. Uma prédica de Martinho Lutero para que se mandem os filhos à escola. 1530. Tradução de Ilson Kayser. MARTINHO LUTERO. Obras Selecionadas. São Leopoldo: Sinodal. Porto Alegre: Concórdia. 1995. Vol. 5, págs. 331-333)



quarta-feira, 30 de agosto de 2017

STF discute ensino religioso hoje


A informação é do próprio Supremo Tribunal Federal:

Ação sobre ensino religioso em escolas públicas está na pauta do STF desta quarta-feira (30)

A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4439, que discute dispositivos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação relativos ao ensino religioso, será julgada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) na sessão da próxima quarta-feira (30).

Na ADI, de relatoria do ministro Luís Roberto Barroso, o procurador-geral da República pede, com fundamento no princípio da laicidade do Estado, que o STF assente que o ensino religioso em escolas públicas deve ter natureza não confessional, ou seja, sem vinculação a religiões específicas, com a proibição de admissão de professores na qualidade de representantes das confissões religiosas. O tema foi objeto de audiência pública realizada pelo Supremo em junho de 2015.

Também na pauta do dia 30 está a ADI 5599, da relatoria do ministro Edson Fachin, que questiona a reforma do ensino médio. A ação é de autoria do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que sustenta que um tema dessa complexidade não poderia ser tratado por meio de medida provisória (Medida Provisória 746/2016, posteriormente convertida na Lei 13.415/2017).

Entre os julgamentos previstos estão, ainda, as Ações Cíveis Originárias (ACOs) 648, 660, 669 e 700, que discutem os valores repassados pela União aos estados como complementação do valor pago por aluno ao Fundo de Manutenção e de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef). O relator é o ministro Marco Aurélio.

Outro processo na pauta, ligado à educação, é o Recurso Extraordinário 601580, com repercussão geral reconhecida, que discute a possibilidade de militar transferido ingressar em universidade pública, na falta de universidade privada congênere à de origem. A relatoria é do ministro Edson Fachin.



sábado, 19 de agosto de 2017

O que fazer quando seu filho é neonazista?

Foto: Evelyn Hockstein / The Washington Post

Pergunta dura e atual inclusive para brasileiros que veem assustados o crescimento do fascismo no Brasil, especialmente nos arraiais que se dizem "evangélicos".

A matéria é do Estadão:

Quando seu filho se torna um neonazista

Se em outros tempos o racismo era absorvido em casa, internet mudou a lógica da radicalização

Jessica Contrera / THE WASHINGTON POST

Durante o fim de semana inteiro, Tefft ficou de olhos fixos na TV. Em sua casa, em Dakota do Norte, passava de um canal de notícias para outro, vendo os manifestantes agitando bandeiras com suásticas, gritando “vocês não nos substituirão”, levantando o braço como nos tempos de Hitler.

E pensou em seu pai, que lutou na 2.ª Guerra, e em sua mãe, que cuidou dos soldados que quase morreram lutando contra os ideais nazistas de superioridade racial. Agora via na TV esses ideais sendo exaltados, pensando se veria o rosto conhecido de um manifestante em meio aquela multidão.

No domingo, esse manifestante bateu a sua porta. Fugira de Charlottesville, Virgínia. Tefft deixou que ele entrasse. Afinal, ainda era seu filho. Há mais de dois anos Tefft vinha discutindo com Peter, seu filho de 30 anos, na esperança de que ele abandonasse todo esse “lixo” racista e sexista que encontrou online. Agora tinha a prova inegável de que seu filho mais novo havia assimilado tais ideias. Como pai, o que deveria dizer?

Durante o fim de semana inteiro, Tefft ficou de olhos fixos na TV. Em sua casa, em Dakota do Norte, passava de um canal de notícias para outro, vendo os manifestantes agitando bandeiras com suásticas, gritando “vocês não nos substituirão”, levantando o braço como nos tempos de Hitler.

E pensou em seu pai, que lutou na 2.ª Guerra, e em sua mãe, que cuidou dos soldados que quase morreram lutando contra os ideais nazistas de superioridade racial. Agora via na TV esses ideais sendo exaltados, pensando se veria o rosto conhecido de um manifestante em meio aquela multidão.

No domingo, esse manifestante bateu a sua porta. Fugira de Charlottesville, Virgínia. Tefft deixou que ele entrasse. Afinal, ainda era seu filho. Há mais de dois anos Tefft vinha discutindo com Peter, seu filho de 30 anos, na esperança de que ele abandonasse todo esse “lixo” racista e sexista que encontrou online. Agora tinha a prova inegável de que seu filho mais novo havia assimilado tais ideias. Como pai, o que deveria dizer?

“Disse-lhe que suas ações eram inaceitáveis e o que eu pretendia fazer”, lembra Pearce Tefft. O que fez foi publicar uma carta no jornal local de Fargos, o Forum, e denunciar abertamente as crenças do seu filho. A carta seria publicada na manhã seguinte.

“Tenho compartilhado minha casa e meu coração com amigos e conhecidos de todas as raças, gêneros e crenças. Ensinei a meus filhos que homens e mulheres são criados iguais. Que temos de amar a todos da mesma maneira. Evidentemente Peter não quis aprender essas lições”, disse em sua carta.

Em outros tempos, se uma pessoa era abertamente racista, supunha-se que suas convicções já vinham de casa, ensinadas pela família. Mas hoje esses conceitos racistas estão disponíveis para qualquer um que tenha uma conexão de internet.

Do mesmo modo que contribuiu para a radicalização de muçulmanos e disseminar as teorias de conspiração, a internet oferece um terreno fértil para os supremacistas brancos, neonazistas e a ciência mentirosa que pretende apoiar suas crenças. Uma pessoa pode digerir e internalizar tudo isso, alterando drasticamente seus conceitos sem nunca ter encontrado aqueles que as persuadiram a pensar desse modo.

Quando jornalistas disseram à mãe de James Alex Fields Jr. que seu filho de 20 anos fora preso por lançar seu carro contra pessoas contrárias aos manifestantes em Charlottesville, ela se surpreendeu quando soube de que tipo de manifestação seu filho estava participando. “Não sabia que se tratava de um encontro de supremacistas brancos”, disse Samantha Bloom. E acrescentou que seu filho já teve um amigo negro.

Investigadores averiguavam fotos de manifestantes que participaram da concentração para identificar seus nomes, idades, cidade natal e empregadores. Com cada nome descoberto, havia a possibilidade de que em algum lugar mais um pai descobrisse em seu filho era um racista declarado. E no caso dos que já sabiam – bem, agora era de conhecimento geral também, e muitos não hesitariam em expor sua repulsa.

Como Tefft, esses pais se defrontarem com uma pergunta: o que fazer quando descobre que seu filho simpatiza com nazistas? Amá-lo incondicionalmente, sabendo que sofrerá a ira da sociedade? Ou acusar publicamente o filho e perder a chance de fazer com que ele mude seus hábitos?

Basta perguntar a Sherry Spencer, mãe de Richard Spencer. Seu filho ficou conhecido por uma conferência logo após a eleição de 2016, quando encerrou seu discurso gritando “Heil Trump! Heil nosso povo!”, enquanto o público fazia a saudação nazista. Ele se tornou um líder da “direita alternativa”, que defende um Estado só de brancos.

Na cidade natal da família, Whitefish, Montana, membros da comunidade exigiram que Sherry renegasse publicamente as crenças do filho. Um corretor de imóveis enviou a ela uma declaração para que assinasse, na qual ela reconhecia que a presença do filho na cidade estava “causando danos aos moradores”. Ela não assinou e fez uma postagem em um blog afirmando que o corretor a estava ameaçando.

Os membros da família de Tefft, especialmente a mãe de Peter, receberam uma avalanche de mensagens na mídia social e telefonemas de pessoas que compartilhavam ou aprovavam suas opiniões. A situação se agravou no fim de semana quando a conta no Twitter @YesYoureRacist postou uma foto de Peter na manifestação de Charlottesville com a legenda: “Esse encantador nazista é Pete Tefft, de Fargo, ND”.

Seu pai disse que as mensagens recebidas de “culpa por associação” eram tão infames que não as repetiria. E cancelou sua linha de telefone fixo.

Tefft soube pela primeira vez das ideias do filho há alguns anos, quando Peter insistiu para que ele visse os sites que estava lendo. Tefft sempre insistiu com os filhos para tentarem compreender o mundo a partir de múltiplas perspectivas. Assim, não se surpreendeu com o fato de Peter procurar ampliar seu conhecimento. Mas o que encontrou nos sites não tinha nada a ver com os valores que procurava incutir na família.

“Eu apontava o que estava errado e ele rejeitava, dizendo ‘não, você não está entendendo’. Dizia a ele que os judeus são brancos e ele respondia, ‘não são’. E também sempre negou o Holocausto. É ridículo”.

Eles discutiam sobre evidências e por que o avô, seu irmão, os irmãos mais velhos de Peter, todos haviam prestado o serviço militar. “Para lutar por um país onde todos se respeitam”, dizia o pai. E discutiam também sobre igualdade das mulheres e essa parte foi a que mais inquietou Tefft.

“Ele dizia coisas estúpidas quando começava a comparar mulheres e assuntos do gênero”, disse Tefft. Ele dizia ao filho: “Deus, você tem quatro tias, quatro irmãs, o que acontece com você?”

Nada funcionou. Quando Peter retornou a Dakota do Norte no domingo, Tefft disse que a partir de então ele não seria mais bem-vindo nas reuniões de família. Prometeu que sempre falaria com ele, mas outros parentes tinham dito que se retirariam se ele aparecesse. Estavam muito zangados com o ódio do qual eram vítimas por causa do ódio que Peter disseminava.

Às 8h21 da segunda-feira a carta foi publicada no site do jornal local. Nessa carta, Tefft lembrou-se de algo que o filho disse certa vez: “A questão é que nós, fascistas, não acreditamos em liberdade de expressão. Você pode dizer o que quiser, nós simplesmente lançamos no forno”. “Peter, você terá de colocar nossos corpos no forno, também. Por favor, renuncie ao ódio, aceite e ame a todos”, suplicou na carta. Depois disso, não teve mais notícias do filho. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

"Mulher atingindo o neonazi com uma bolsa", clássica imagem
do fotógrafo sueco Hans Runesson




segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Charlottesvile mostra o perigo de ser complacente com fascistas em geral

Na próxima vez em que o seu amiguinho burro disser que nazismo é uma ideologia de esquerda, mostre-lhe a matéria abaixo em que eles se assumem "de direita" e, de preferência, desenhe o que isso significa porque eles têm uma dificuldade enorme em compreender as obviedades.

Na próxima vez em que a sua amiguinha burra disser que é fãzóca do projeto "escola sem partido", mostre-lhe a matéria abaixo e lhe pergunte quem é que vai ensinar às crianças que nazismo e fascismo são atitudes e posições ideológicas imbecis, para dizer o mínimo. Talvez seja necessário desenhar também...

Na próxima vez em que os seus amiguinhos "evangélicos" disserem que vão votar para presidente do Brasil num candidato fascista cujo nome não deve nem ser pronunciado, mostre-lhes a matéria abaixo, e lhes diga que os "evangélicos" americanos apoiaram Donald Trump, mesmo sabendo que ele está relacionado com esta gente que defende a "supremacia dos brancos", tanto que não os criticou veementemente pelo acontecido, o que está gerando enorme reação inclusive por parte dos republicanos que o apoiavam.

Quem sabe ainda haja lugar para arrependimento e salvação no que restou da alma deles, se é que restou alguma coisa.

Não se assuste, entretanto, se nada disso funcionar, porque raciocínio e bom senso costumam faltar a esses acéfalos, mas faça a sua parte, denuncie e tente salvar o máximo de pessoas dessa desgraça chamada nazismo.

Lembre-se sempre que aqueles que não aprendem com os erros que a História lhes ensina, estão condenados a repeti-los.

A matéria é do G1:

"Sou nazista, sim": O protesto da extrema-direita dos EUA contra negros, imigrantes, gays e judeus

Autoproclamados fascistas, supremacistas, nacionalistas e alt-right marcham à luz de tochas e promovem eventos em cidade do sul americano.

Centenas de homens e mulheres carregando tochas, fazendo saudações nazistas e gritando palavras de ordem contra negros, imigrantes, homossexuais e judeus.

Foi a cena - surreal, para muitos observadores - que desfilou aos olhos da pacata cidade universitária de Charlottesville, no Estado americano de Virgínia.

O protesto, na noite da sexta-feira, foi descrito pelos participantes como um aquecimento para o evento "Unir a Direita", que acontece na tarde deste sábado na cidade e promete reunir mais de mil pessoas, incluindo os principais líderes de grupos associados à extrema direita no país.

A cidade, de pouco mais de 50 mil habitantes e a apenas duas horas de Washington, foi escolhida como palco dos protestos após anunciar que pretende retirar uma estátua do general confederado Robert E. Lee de um parque municipal.

Durante a Guerra Civil do país (1861-1865), os chamados Estados Confederados, do sul americano, buscaram independência para impedir a abolição da escravatura. Atualmente, várias cidades americanas vêm retirando homenagens a militares confederados - o que tem gerado alívio, de um lado, e fúria, de outro.

Os participantes do protesto desta sexta-feira carregavam bandeiras dos Confederados e gritavam palavras de ordem como: "Vocês não vão nos substituir", em referência a imigrantes; "Vidas Brancas Importam", em contraposição ao movimento negro Black Lives Matter; e "Morte aos Antifas", abreviação de "antifascistas", como são conhecidos grupos que se opõem a protestos neonazistas.

Estudantes negros do campus da universidade da Virginia, onde ocorreu a marcha, e jovens que se apresentavam como antifascistas tentaram fazer uma "parede-humana" para impedir a chegada dos manifestantes à parada final do marcha, uma estátua do terceiro presidente americano, Thomas Jefferson.

"Fogo! Fogo! Fogo!", gritavam os manifestantes, enquanto se aproximavam do grupo de estudantes.

Em número bem menor, o grupo que fazia oposicão à marcha foi expulso da estátua em poucos minutos. A reportagem flagrou homens lançando tochas sobre os estudantes, enquanto estes, por sua vez, dispararam spray de pimenta nos olhos dos oponentes.

A polícia, que acompanhou todo o protesto de longe, interviu e separou os dois grupos, enquanto ambulâncias se deslocavam ao local para socorrer feridos pelo confronto.

"Esta manifestação é ilegal", afirmou um dos oficiais aos manifestantes, que se afastaram. A polícia não confirmou se houve presos.

Nazis

"Sim, eu sou nazista, eu sou nazista, sim", afirmou um homem, em frente à reportagem, durante uma discussão com um dos membros do grupo opositor.

Ao contrário das especulações anteriores, a marcha incluiu muitas mulheres, que também seguravam tochas.

A BBC Brasil conversou com um pai e uma mãe que levaram a filha de 14 anos ao protesto. "Eu aprendi com meu pai que precisamos defender a raça branca e hoje estou passando este ensinamento para a minha filha", afirmou o pai.

"Se não fizermos algo, seremos expulsos do nosso próprio país", disse a mãe. A conversa foi interrompida por um homem forte e careca. "Vocês estão falando com um estrangeiro. Olha o sotaque dele!", afirmou, rindo, em referência ao repórter.

A família se afastou e se juntou ao coro, que cantava "Judeus não vão nos substituir". Os três seguravam tochas.

Outro homem afirmou que estava ali porque "têm o direito de se expressar".

"Gays, negros, imigrantes imundos, todos eles se manifestam e recebem apoio por isso. Porque quando homens brancos decidem gritar por seus direitos e sua sobrevivência vocês fazem esse escândalo?", questionou o homem a um grupo de jornalistas.

Perto dali, sozinho, um rapaz jovem extendia a mão e fazia uma saudação nazista, enquanto era fotografado por fotojornalistas e gritava "Vocês não vão nos substituir".

As tochas são uma marca da Ku Klux Klan, grupo fundado pouco depois da guerra por ex-soldados confederados - derrotados no conflito. Originalmente concebida como um clube recreativo, a KKK rapidamente começou a promover a violência contra populações negras do sul dos EUA.

Por muitas décadas, grupos supremacistas brancos promoveram linchamentos, enforcamentos e assassinatos de negros.

Não houve referências ao presidente americano Donald Trump durante todo o ato. Mas as críticas à imprensa eram constantes e faziam coro com o slogan de Trump: "Não temos medo de 'fake news', seus mentirosos".

Chorando muito, uma estudante era amparada por amigos. "É pior do que a gente pensava. É muito pior. Isso vai virar um inferno."

"A negra está assustada!", gritou uma mulher, rindo junto a um grupo de homens portando tochas.

Alt-right

O prefeito de Charlottesville divulgou uma nota após a marcha, classificando o ato como "uma parada covarde de ódio, fanatismo, racismo e intolerância".

"A Constituição permite que todo mundo tenha o direito de expressar sua opinião de forma pacífica, então aqui está a minha: não só como prefeito de Charlottesville, mas como membro e ex-aluno da universidade de Virginia, fico mais do que incomodado com essa demonstração não-autorizada e desprezível de intimidação visual em um campus universitário".

Para o protesto deste sábado, são esperadas figuras como Richard Spencer, criador do termo alt-right, uma abreviação de "alternative right", ou "direita alternativa", em português. O grupo é acusado de racismo e antissemitismo e têm representantes no governo de Donald Trump.

Esta é a segunda vez que a cidade se torna sede de protestos de grupos supremacistas. Em 8 de julho, aproximadamente 40 membros da sede local da Ku Klux Klan também acenderam tochas em Charlottesville.

Presidente de um organização que define como "dedicada à herança, identidade e ao futuro de pessoas de ascendência europeia nos EUA", Spencer ganhou visibilidade internacional por fazer a saudação "Hail Trump, hail nosso povo, hail vitória", logo após a eleição do republicano.

Formado em filosofia política na Universidade de Chicago, Spencer já declarou que o ativista negro Martin Luther King Jr. era uma "fraude" e um símbolo da "desconstrução da Civilização Ocidental".

Também disse que imigrantes latinos nos EUA estavam "se assimilando ao longo das gerações rumo à cultura e ao comportamento dos afro-americanos" e lamentou que o país estivesse se tornando diferente da "América Branca que veio antes".



sábado, 29 de julho de 2017

Na Flip, uma voz denuncia o racismo endêmico do Brasil

 
Menino brasileiro com a ama de leite, 1860.

Você não precisa concordar com tudo o que a professora negra Diva Guimarães fala na Flip, a Feira Literária Internacional de Parati, versão 2017, na mesa "A Pele que Habito", sob coordenação do ator Lázaro Ramos, mas seria interessante parar para ouvir o que ela tem a dizer sobre o que é ser afrodescendente no Brasil.

Talvez você se convença de que há algo de errado (ou faltando) na sua percepção do racismo neste nosso país (hoje à beira de se tornar um ex-país) extremamente injusto.

Indague-se no vídeo abaixo:




sexta-feira, 21 de julho de 2017

Professor de Direito de RR aplica prova com resultado religioso


A informação é do G1 Roraima:

Juiz aplica caça-palavras como prova a alunos de Direito em RR e resposta certa é: 'Deus é fiel sempre'

'Foi uma perda de conhecimento', diz estudante. Professor afirma que exame não foi avaliação e que deu nota baseada em frequência dos alunos.

Emily Costa

O juiz federal Hélder Girão Barreto surpreendeu alunos de uma faculdade privada de Boa Vista ao aplicar um caça-palavras como prova da disciplina de Direito Constitucional. No exame, ele pediu que alunos encontrassem a resposta certa do teste, que foi a frase “Deus é fiel sempre”.

A prova foi aplicada para alunos do 3º semestre de Direito da Faculdade Cathedral na tarde do dia 9 deste mês mas acabou não valendo como nota. Mesmo assim, a avaliação aplicada na disciplina de Direito Constitucional II, gerou críticas por parte dos universitários.

O exame não tinha uma pergunta específica. Abaixo do caça-palavras havia apenas a orientação 'encontre a resposta certa e escreva abaixo'.

“No final, o que valeu os quatro 'pontos' dessa prova foi a presença no dia do exame e em todas as outras aulas do professor”, explicou uma estudante que fez a prova. Ela não quis ter o nome divulgado. Outro aluno emendou: "Acho que essa, apesar da nota não ter contado, a prova causou uma perda de conhecimento, porque não mediu o que aprendemos ao longo do bimestre".

Procurado pelo G1, o juiz afirmou por telefone que a avaliação foi uma ‘pegadinha’. Ele negou ter dado nota aos estudantes com base na prova.

"Meus alunos foram avaliados de várias formas, e essa não foi uma avaliação, essa na realidade foi uma pegadinha, uma pegadinha que fiz com eles. A avaliação foi feita pela presença, pela frequência nas aulas", declarou o magistrado, reafirmando que aplicou o caça-palavras e a resposta certa foi 'Deus é fiel sempre'. "Quem tem Deus como direção da sua vida sabe que ele é fiel sempre".

O juiz também disse que é de total competência do professor a escolha de como avaliar os estudantes. Ele pontuou que as críticas ao exame foram feitas por alunos que faltaram às aulas e que se consideraram prejudicados pela avaliação baseada na frequência.

“O professor avalia os alunos da forma como acha conveniente [...] Eu não participo de uma coisa chamada pacto de mediocridade, que é quando uma instituição faz de conta que paga bem, o professor faz de conta que dá aula e os alunos fazem de conta que aprendem. Nas minhas aulas eu passo todas as matérias, com critério, conteúdo e cobrança de frequência", declarou.

Em nota, a assessoria da Faculdade Cathedral informou que os professores têm autonomia para elaborar exames a partir do conteúdo didático dado aos acadêmicos. A instituição confirmou que o teste não valeu como nota. (veja nota na íntegra ao fim da reportagem).

De acordo com a estudante que fez o exame, antes de aplicar a prova, o professor entrou sorrindo na sala e disse que passaria uma avaliação diferente. “Ele disse que o exame não seria consultado, e, depois de distribuir as folhas com o caça-palavras para a turma, nos avisou que deveríamos entregar o exame à líder da classe, e foi embora”, conta a estudante.

Ao perceberem que a resposta certa era 'Deus é fiel sempre", os alunos se surpreenderam. "Ele é um professor rígido, que cobra mesmo. Por isso quando encontrei a frase fiquei até surpreso como todo mundo, pois ninguém esperava isso", avaliou outro estudante que também não quis ter a identidade divulgada.

Veja a íntegra da resposta da faculdade:


A Faculdade Cathedral esclarece que conta com três sistemas de avaliação próprio, como sistemática, continuada e bimestral, em que o professor aplica a prova de acordo com o conteúdo ministrado em sala de aula. 


Dentro da avaliação continuada, o professor pode usar critérios que considerar pertinentes para estimular a criatividade e o raciocínio do aluno. Ressaltamos que o professor tem autonomia para elaborar os exames a partir do conteúdo didático dados aos acadêmicos. A sala de aula é um espaço democrático no caso em questão, o teste aplicado não foi para atestar nota e sim, frequência.




sexta-feira, 23 de junho de 2017

STF suspende lei que proibia ideologia de gênero em escolas de Paranaguá (PR)


A informação é do Consultor Jurídico:

Lei que proíbe ensino sobre gênero e orientação sexual é suspensa

Parte da lei da cidade de Paranaguá (PR) que proíbe o ensino sobre gênero e orientação sexual nas escolas foi suspensa liminarmente pelo ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal. Ele concordou com os argumentos da Procuradoria-Geral da República, que viu na lei afronta a preceitos constitucionais como a igualdade, a vedação da censura em atividades culturais, a laicidade do Estado e o pluralismo de ideias.

Na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 461, apresentada pela PGR, o chefe do órgão, Rodrigo Janot, alegou que a Lei 3.468/2015, que aprova o plano municipal de educação, veda, na parte final do inciso X do artigo 3º, a adoção de políticas de ensino que tendam a aplicar a ideologia de gênero, bem como o uso dos termos “gênero” e “orientação sexual” nas escolas.

O dispositivo, para o procurador-geral da República, viola também a competência privativa da União para legislar sobre diretrizes e bases da educação nacional. Para Barroso, a proibição de tratar de conteúdos em sala de aula sem uma justificativa plausível conflita com os valores citados da ADPF, além de impor aos alunos o desconhecimento e a ignorância sobre uma dimensão fundamental da experiência humana.

O ministro disse ainda que tal atitude impede que a educação desempenhe seu papel fundamental de transformação cultural e de promoção da igualdade. A transexualidade e a homossexualidade, acrescentou o ministro, são um fato da vida que não deixará de existir por sua negação.

“Impedir a alusão aos termos gênero e orientação sexual na escola significa conferir invisibilidade a tais questões. Proibir que o assunto seja tratado no âmbito da educação significa valer-se do aparato estatal para impedir a superação da exclusão social e, portanto, para perpetuar a discriminação”, ressaltou o ministro.

Barroso lembrou ainda que a Constituição Federal de 1988 prevê a competência privativa da União para dispor sobre as diretrizes e bases da educação nacional. Segundo o relator, a Lei 9.394/1996 (Lei de Diretrizes e Bases de Educação), editada pela União, estabelece como princípios o respeito à liberdade, o apreço à tolerância e a vinculação entre educação e práticas sociais.

“Ainda que se viesse a admitir a possibilidade do exercício de competência suplementar na matéria, seu exercício [pelo município] jamais poderia ensejar a produção de norma antagônica às diretrizes constantes da Lei 9.394/1996”, ressaltou o ministro. Com informações da Assessoria de Imprensa do STF.

ADPF 461



domingo, 18 de junho de 2017

Bancada "evangélica" tem novo inimigo: Janot, o Procurador Geral da República

O alvo gospel é Janot... 

Manja aqueles bons tempos em que evangélicos de verdade pregavam o evangelho de Jesus Cristo e transformavam o mundo com seu testemunho e suas orações?

Pois é, ficaram no passado. Hoje os autointitulados "evangélicos" querem mesmo é fazer polêmica e política, nada mais...

A matéria é do Radar Online da Veja:

Evangélicos preparam ofensiva contra Rodrigo Janot

Ernesto Neves

Como se Rodrigo Janot já não tivesse trabalho suficiente, ele agora terá de lidar com a grita dos evangélicos.

Isso porque o procurador-geral da República mantém posição firme contra leis municipais que proíbem o ensino de educação sexual e ideologia de gênero.

Com isso, deputados evangélicos planejam uma visita à PGR na próxima terça (20). Segundo Ezequiel Teixeira (Podemos-RJ), a atitude de Janot é autoritária. Ele fará um discurso contra a atitude no plenário da Câmara.

“Querem, de qualquer forma, nos enfiar goela abaixo a doutrinação de nossas crianças e adolescentes nas escolas”, disse.

A PGR já apresentou ações para derrubar a proibição nas cidades de Cascavel (PR), Blumenau (SC), Paranaguá (PR), Palmas (TO), Novo Gama (GO), Ipatinga (MG) e Tubarão (SC).



terça-feira, 16 de maio de 2017

Universidade Presbiteriana Mackenzie abre centro criacionista


A informação é da revista Exame da Abril:

Mackenzie abre núcleo de estudos que contesta teoria da evolução

O Núcleo Discovery-Mackenzie tem como objetivo promover os estudos de fé, ciência e sociedade

Marina Demartini

São Paulo – A Universidade Presbiteriana Mackenzie abriu um novo espaço para que professores e alunos discutam a origem da vida e questionem uma das principais teorias da biologia: o evolucionismo. O chamado Núcleo Discovery-Mackenzie é uma parceria entre a instituição brasileira e o Discovery Institute, um instituto americano que promove o estudo da Teoria do Design Inteligente (TDI).

Para os estudiosos do TDI, certas características do universo e dos seres vivos são tão complexas que só podem ser explicadas por uma causa inteligente. Assim, células e moléculas precisaram passar pela intervenção de algum tipo de inteligência para existir “e não por um processo não direcionado, como a seleção natural”, como aponta o site oficial do Discovery Institute.

A seleção natural é um dos mecanismos básicos da teoria da evolução proposta por Charles Darwin em seu livro A Origem das Espécies, de 1859. Segundo ela, indivíduos melhores adaptados à determinada condição ecológica têm mais chance de sobreviver e deixar descendentes.

Até hoje, a teoria da evolução é uma das mais aceitas entre os membros da comunidade científica para explicar a origem da vida e a evolução humana. Além disso, ela é amplamente ensinada em escolas de diversas partes do mundo.

O Discovery Institute, aliás, já tentou colocar o TDI dentro da grade de escolas públicas dos EUA. Um dos casos mais conhecidos é o de Kitzmiller contra o Distrito Escolar da área de Dover, na Pensilvânia, em 2005. Na época, o distrito mudou seu currículo de ensino da matéria de biologia para exigir que o TDI fosse apresentado como alternativa ao evolucionismo.

Onze pais de alunos da região processaram o distrito sob a alegação de que o design inteligente não passava de um tipo de criacionismo (crença religiosa de que os seres vivos foram criados por um ser superior).

O juiz John E. Jones III chegou ao veredito de que o ensino do design inteligente viola a Cláusula de Estabelecimento da Primeira Emenda à Constituição dos Estados Unidos. Segundo ele, o TDI não é ciência e “não pode desacoplar-se do seu criacionista, portanto religioso, antecedente”.

O teólogo e pastor presbiteriano Davi Charles Gomes, chanceler da universidade, ressalta em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo que o Núcleo Discovery-Mackenzie não é um espaço de TDI, mas de estudos de fé, ciência e sociedade. “Nossa instituição é confessional, o que significa que ela tem uma visão segundo a qual o mundo tem um significado transcendente. E não existe ciência que, no fundo, não reflita também sobre coisas transcendentes.”

Quem faz afirmação parecida é Marcos Eberlin, presidente executivo da Sociedade Brasileira do Design Inteligente e futuro coordenador do núcleo da Mackenzie. “Tem gente que acha que o design vem dos ETs, outros falam de um Grande Arquiteto do Universo, como os maçons, ou um espírito evoluído, como os espíritas”, disse em entrevista à Folha.

Já Maria Cátira Bortolini, geneticista da UFRGS, disse ao jornal que a teoria descarta evidências, fatos e provas científicas. “O que importa é a narrativa, construída de forma que se coadune com a ideologia ou a crença do sujeito.”



domingo, 14 de maio de 2017

Atualizando as definições de maternidade


Artigo de Bianca Spessirits para o HuffPost Brasil, com o qual homenageamos todas as nossas amadas mamães. Vocês são sensacionais!

As definições de maternidade foram atualizadas

Há quem conceba a maternidade como sinônimo de privação.

Mãe não dorme.

Não toma banho sossegada.

Não come comida quentinha.

Não tem vida social.

Não usa lingerie.

Não namora.

Não pode adoecer.

Não trabalha fora.

Em determinados períodos, é assim mesmo.

A natureza nos proporciona um intensivão de maternidade quando temos um recém-nascido em casa, por exemplo.

De fato, a gente mal dorme; toma banho na hora que dá; escova os dentes perto de meio dia; lembra de beber água para o leite não secar; segura o xixi; come pra não desmaiar.

Enquanto a gente aprende a ser mãe e o bebê aprende a ser filho, é assim mesmo. A jornada de ambos é de 24h por dia, em regime de dedicação exclusiva.

Mas não é só isso.

O bebê cresce. Ele aprende a dormir sozinho, a falar, a andar e, um dia, que demora muito menos do que a gente imagina, ele entente que ele e mamãe não são a mesma pessoa. O ex-bebê vira criança e rompe o cordão umbilical imaginário. A gente não rompe, até porque o tal cordão, a nosso ver, vai e volta. Volta quando o filho adoece, na adaptação escolar, em saltos do desenvolvimento... Volta quando chega a hora de escolher a profissão, o vestido de noiva (ou o costume), a cor do esmalte (ou que cerveja tomar). Volta loucamente quando bate aquela saudade imensa da criança que cresceu e se tornou um igual.

Posso chamar o cordão umbilical imaginário de algo mais concreto, palpável?

Chamo de colo. Esse aí consubstancia direito fundamental de terceira geração. Não importa a idade: quando o bicho pega, o cidadão quer o colo da mãe dele.

Uma vez assegurado o colo ao indivíduo, entendo que a mãe/mulher é livre. Pode dormir, comer, trabalhar, ler... EXISTIR!

Sendo mais explícita: atenda seu filho em tudo que for essencial, estruturante, e se atenda nas mesmas circunstâncias. Seja a melhor mãe do mundo, mas seja você. Seja a mulher pela qual seu marido se apaixonou, a filha que sua mãe criou, a profissional preparada que você sonhou.

Seja o melhor modelo de si.

Se fores mãe de menina, então...

Deixe claro pra sua filha que ela pode ser o que ela quiser, assim como você.



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