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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Charlottesvile mostra o perigo de ser complacente com fascistas em geral

Na próxima vez em que o seu amiguinho burro disser que nazismo é uma ideologia de esquerda, mostre-lhe a matéria abaixo em que eles se assumem "de direita" e, de preferência, desenhe o que isso significa porque eles têm uma dificuldade enorme em compreender as obviedades.

Na próxima vez em que a sua amiguinha burra disser que é fãzóca do projeto "escola sem partido", mostre-lhe a matéria abaixo e lhe pergunte quem é que vai ensinar às crianças que nazismo e fascismo são atitudes e posições ideológicas imbecis, para dizer o mínimo. Talvez seja necessário desenhar também...

Na próxima vez em que os seus amiguinhos "evangélicos" disserem que vão votar para presidente do Brasil num candidato fascista cujo nome não deve nem ser pronunciado, mostre-lhes a matéria abaixo, e lhes diga que os "evangélicos" americanos apoiaram Donald Trump, mesmo sabendo que ele está relacionado com esta gente que defende a "supremacia dos brancos", tanto que não os criticou veementemente pelo acontecido, o que está gerando enorme reação inclusive por parte dos republicanos que o apoiavam.

Quem sabe ainda haja lugar para arrependimento e salvação no que restou da alma deles, se é que restou alguma coisa.

Não se assuste, entretanto, se nada disso funcionar, porque raciocínio e bom senso costumam faltar a esses acéfalos, mas faça a sua parte, denuncie e tente salvar o máximo de pessoas dessa desgraça chamada nazismo.

Lembre-se sempre que aqueles que não aprendem com os erros que a História lhes ensina, estão condenados a repeti-los.

A matéria é do G1:

"Sou nazista, sim": O protesto da extrema-direita dos EUA contra negros, imigrantes, gays e judeus

Autoproclamados fascistas, supremacistas, nacionalistas e alt-right marcham à luz de tochas e promovem eventos em cidade do sul americano.

Centenas de homens e mulheres carregando tochas, fazendo saudações nazistas e gritando palavras de ordem contra negros, imigrantes, homossexuais e judeus.

Foi a cena - surreal, para muitos observadores - que desfilou aos olhos da pacata cidade universitária de Charlottesville, no Estado americano de Virgínia.

O protesto, na noite da sexta-feira, foi descrito pelos participantes como um aquecimento para o evento "Unir a Direita", que acontece na tarde deste sábado na cidade e promete reunir mais de mil pessoas, incluindo os principais líderes de grupos associados à extrema direita no país.

A cidade, de pouco mais de 50 mil habitantes e a apenas duas horas de Washington, foi escolhida como palco dos protestos após anunciar que pretende retirar uma estátua do general confederado Robert E. Lee de um parque municipal.

Durante a Guerra Civil do país (1861-1865), os chamados Estados Confederados, do sul americano, buscaram independência para impedir a abolição da escravatura. Atualmente, várias cidades americanas vêm retirando homenagens a militares confederados - o que tem gerado alívio, de um lado, e fúria, de outro.

Os participantes do protesto desta sexta-feira carregavam bandeiras dos Confederados e gritavam palavras de ordem como: "Vocês não vão nos substituir", em referência a imigrantes; "Vidas Brancas Importam", em contraposição ao movimento negro Black Lives Matter; e "Morte aos Antifas", abreviação de "antifascistas", como são conhecidos grupos que se opõem a protestos neonazistas.

Estudantes negros do campus da universidade da Virginia, onde ocorreu a marcha, e jovens que se apresentavam como antifascistas tentaram fazer uma "parede-humana" para impedir a chegada dos manifestantes à parada final do marcha, uma estátua do terceiro presidente americano, Thomas Jefferson.

"Fogo! Fogo! Fogo!", gritavam os manifestantes, enquanto se aproximavam do grupo de estudantes.

Em número bem menor, o grupo que fazia oposicão à marcha foi expulso da estátua em poucos minutos. A reportagem flagrou homens lançando tochas sobre os estudantes, enquanto estes, por sua vez, dispararam spray de pimenta nos olhos dos oponentes.

A polícia, que acompanhou todo o protesto de longe, interviu e separou os dois grupos, enquanto ambulâncias se deslocavam ao local para socorrer feridos pelo confronto.

"Esta manifestação é ilegal", afirmou um dos oficiais aos manifestantes, que se afastaram. A polícia não confirmou se houve presos.

Nazis

"Sim, eu sou nazista, eu sou nazista, sim", afirmou um homem, em frente à reportagem, durante uma discussão com um dos membros do grupo opositor.

Ao contrário das especulações anteriores, a marcha incluiu muitas mulheres, que também seguravam tochas.

A BBC Brasil conversou com um pai e uma mãe que levaram a filha de 14 anos ao protesto. "Eu aprendi com meu pai que precisamos defender a raça branca e hoje estou passando este ensinamento para a minha filha", afirmou o pai.

"Se não fizermos algo, seremos expulsos do nosso próprio país", disse a mãe. A conversa foi interrompida por um homem forte e careca. "Vocês estão falando com um estrangeiro. Olha o sotaque dele!", afirmou, rindo, em referência ao repórter.

A família se afastou e se juntou ao coro, que cantava "Judeus não vão nos substituir". Os três seguravam tochas.

Outro homem afirmou que estava ali porque "têm o direito de se expressar".

"Gays, negros, imigrantes imundos, todos eles se manifestam e recebem apoio por isso. Porque quando homens brancos decidem gritar por seus direitos e sua sobrevivência vocês fazem esse escândalo?", questionou o homem a um grupo de jornalistas.

Perto dali, sozinho, um rapaz jovem extendia a mão e fazia uma saudação nazista, enquanto era fotografado por fotojornalistas e gritava "Vocês não vão nos substituir".

As tochas são uma marca da Ku Klux Klan, grupo fundado pouco depois da guerra por ex-soldados confederados - derrotados no conflito. Originalmente concebida como um clube recreativo, a KKK rapidamente começou a promover a violência contra populações negras do sul dos EUA.

Por muitas décadas, grupos supremacistas brancos promoveram linchamentos, enforcamentos e assassinatos de negros.

Não houve referências ao presidente americano Donald Trump durante todo o ato. Mas as críticas à imprensa eram constantes e faziam coro com o slogan de Trump: "Não temos medo de 'fake news', seus mentirosos".

Chorando muito, uma estudante era amparada por amigos. "É pior do que a gente pensava. É muito pior. Isso vai virar um inferno."

"A negra está assustada!", gritou uma mulher, rindo junto a um grupo de homens portando tochas.

Alt-right

O prefeito de Charlottesville divulgou uma nota após a marcha, classificando o ato como "uma parada covarde de ódio, fanatismo, racismo e intolerância".

"A Constituição permite que todo mundo tenha o direito de expressar sua opinião de forma pacífica, então aqui está a minha: não só como prefeito de Charlottesville, mas como membro e ex-aluno da universidade de Virginia, fico mais do que incomodado com essa demonstração não-autorizada e desprezível de intimidação visual em um campus universitário".

Para o protesto deste sábado, são esperadas figuras como Richard Spencer, criador do termo alt-right, uma abreviação de "alternative right", ou "direita alternativa", em português. O grupo é acusado de racismo e antissemitismo e têm representantes no governo de Donald Trump.

Esta é a segunda vez que a cidade se torna sede de protestos de grupos supremacistas. Em 8 de julho, aproximadamente 40 membros da sede local da Ku Klux Klan também acenderam tochas em Charlottesville.

Presidente de um organização que define como "dedicada à herança, identidade e ao futuro de pessoas de ascendência europeia nos EUA", Spencer ganhou visibilidade internacional por fazer a saudação "Hail Trump, hail nosso povo, hail vitória", logo após a eleição do republicano.

Formado em filosofia política na Universidade de Chicago, Spencer já declarou que o ativista negro Martin Luther King Jr. era uma "fraude" e um símbolo da "desconstrução da Civilização Ocidental".

Também disse que imigrantes latinos nos EUA estavam "se assimilando ao longo das gerações rumo à cultura e ao comportamento dos afro-americanos" e lamentou que o país estivesse se tornando diferente da "América Branca que veio antes".



segunda-feira, 31 de julho de 2017

Bolsonaro confirma "banana" aos fãs evangélicos

Conforme havíamos repercutido aqui em novembro de 2016, parece que o deputado federal Jair Bolsonaro escolherá outro partido que não o evangélico PSC para se candidatar às eleições presidenciais do ex-país que um dia foi conhecido como Brasil, em 2018, se é que o calendário eleitoral será respeitado nesta ex-nação ou se o ex-Brasil chegará até lá.

Resta saber como ficarão seus "adoradores" evangélicos, ou melhor, como ficará o seu atual partido, o PSC, já que o eleitorado gospel certamente se bandeará para o candidato paradoxalmente defensor da tortura e contrário ao aborto por respeitar o "dom da vida".

O puro e santo evangelho de Jesus Cristo, este sim - não se preocupe-, passará bem longe de mais essa empreitada dita "evangélica".

De qualquer maneira, haverá viúvas na política, do PSC ou do mundinho varonil gospel. Até o Eymael (o "democrata cristão") rejeitou o Bolsonaro, vocês acreditam?

A saída, então, é ressuscitar o Enéas ("meu nome é Enéas!") e seu Prona.

Basta um polpudo fundo partidário para que milagres assim aconteçam...

A matéria é do Congresso em Foco:

Bolsonaro acerta filiação ao PEN para disputar a Presidência

Pré-candidato à Presidência, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) acertou sua transferência para o Partido Ecológico Nacional (PEN). Os três filhos dele com mandato político – o também deputado federal Eduardo Bolsonaro (SP), o deputado estadual Flávio Bolsonaro e o vereador do Rio Carlos Bolsonaro – devem seguir o mesmo caminho. A filiação deve ser assinada em duas semanas, segundo dirigentes da legenda.

Para se adequar ao perfil mais conservador do eleitorado de Bolsonaro, o PEN prepara mudança de nome. A tendência é que ressuscite o Prona, partido do recordista de votos na Câmara, Enéas Carneiro (SP), eleito em 2002 com o apoio de 1,57 milhão de eleitores. Enéas também disputou a Presidência três vezes (1989, 1994 e 1998). Outras denominações são estudadas pelo PEN, como Partido da Defesa Nacional ou Pátria Amada Brasil.

A saída de Bolsonaro do PSC foi antecipada em novembro do ano passado pelo Congresso em Foco. A relação do parlamentar com o presidente da sigla, Pastor Everaldo, que disputou a eleição presidencial em 2014, estava desgastada. Everaldo resistia a garantir ao deputado legenda para concorrer ao Planalto em 2018. Bolsonaro também estava contrariado com a coligação do PSC com o PCdoB e o PT em alguns municípios em 2016.

O deputado confirmou o acerto com o PEN em entrevista ao site O Antagonista. “Houve (o acerto). É verdade”, declarou. “É igual a um noivado. Você marcou a data do casamento. Em 99% das vezes, você casa”, emendou. Os números do PEN, por enquanto, são discretos: tem três deputados federais, 14 prefeitos e 13 deputados estaduais. Como mostra a nova edição da Revista Congresso em Foco, o deputado também tem produção legislativa pífia em seus 26 anos de mandato na Câmara.

Registrado em 2012, o PEN tem forte ligação com os evangélicos e chegou a oferecer abrigo à ex-senadora Marina Silva quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou a criação da Rede a tempo de ela disputar a eleição presidencial de 2014. Marina optou pelo PSB, em aliança com o então candidato Eduardo Campos (PSB), falecido em agosto daquele ano em um desastre aéreo. Com a morte de Campos, ela deixou a condição de vice para assumir a vaga dele e terminou a disputa na terceira colocação.

Há duas semanas Bolsonaro disse que namorava alguns partidos e que seu provável destino seria o PSDC, presidido por José Maria Eymael, que disputou a Presidência da República quatro vezes (1994, 2006, 2010 e 2014). Mas o flerte não foi correspondido. Por meio nota, a Executiva do Diretório Nacional da legenda negou que tivesse interesse na filiação do deputado: “Não existem esses entendimentos e não há interesse da Democracia Cristã”. Além disso, o partido afirma que terá candidato próprio nas eleições de 2018 e que a escolha se dará “entre os seus atuais filiados”, que será indicado no 7º congresso nacional da sigla a ser realizado em agosto.



sábado, 29 de abril de 2017

Após vitória de Le Pen em sua cidade, prefeito francês renuncia para não "dedicar sua vida a um bando de imbecis"

A notícia é da Rádio França Internacional:

Prefeito de cidade que votou em Marine Le Pen anuncia demissão

O prefeito socialista da cidade de Annezin, no norte da França, Daniel Delomez, declarou que não iria “dedicar sua vida a um bando de imbecis”.

Annezin é uma pequena cidade de 6000 habitantes situada no norte do país. Neste domingo (23), no primeiro turno da eleição presidencial, 38,09% de sua população votou na representante do partido de extrema-direita Frente Nacional, Marine Le Pen. Uma desilusão difícil de superar para o Daniel Delomez, de 70 anos, prefeito da cidade há nove anos. “É uma catástrofe!”.

Nesta segunda-feira (23),o prefeito admitiu “ que se exasperou”, mas a essência de sua opinião “continuava a mesma”. Ele também disse que o clima de domingo à noite na cidade o incomodou. “Fiquei incomodado com tantas pessoas votando na Frente Nacional”, explicou Delomez.

Extrema-esquerda em segundo lugar

Boa parte da população de Annezin representa o eleitorado padrão de Marine Le Pen, formado por operários de baixa renda e pouca instrução. Na cidade, o candidato da extrema-esquerda, Jean Luc Mélenchon, obteve 19,25% dos votos e o do centro, Emmanuel Macron, 17,29% dos votos. No cômputo geral, a candidata da extrema-direita teve 21,5% dos votos e Macron 23,7%. Esta é a primeira vez na história da França que a extrema-direita obtém esse resultado.



segunda-feira, 17 de abril de 2017

Levantando a bola: "pastor" Everaldo apoiou Aécio "pelo fim da corrupção" em 2014



É, a internet deixa rastros nem sempre honrosos, conforme você pode ver pelo tuíte abaixo, do então candidato "pastor" Everaldo, agora denunciado pela Odebrecht como beneficiário de R$ 6 milhões de reais para que ajudasse seu então (supostamente) oponente Aécio a ganhar as eleições presidenciais de 2014.






Não dá mais pra negar a autoria da declaração em questão porque ela foi referenciada pela  
BBC Brasil na época, viu....

Chato isso, não é mesmo?

Mas é também no Twitter que o ex-candidato tem procurado se defender com os seguintes argumentos:




Avalie você mesmo a defesa do "pastor". Te convence?

De qualquer maneira, certamente ele terá oportunidade de se defender nas instâncias competentes para dar ao caso o destino que lhe cabe.




domingo, 16 de abril de 2017

A dobradinha Aécio - Pastor Everaldo nos debates das eleições de 2014


O vídeo abaixo foi editado e publicado no youtube logo após os debates das eleições presidenciais de 2014. 

Dois anos e meio atrás, portanto. 

Premonitório?

Não. É que agora a gente sabe por quê e quem pagou tanto amor, não é mesmo?

Confira:




sábado, 15 de abril de 2017

Delator da Odebrecht diz que "pastor" Everaldo queria "vender" voto evangélico


O vídeo da delação premiada do ex-executivo da Odebrecht, Fernando Reis, sobre o tal "pastor" Everaldo é um escândalo, para dizer o mínimo.

Não se iluda com o nome ilusório "delação premiada". De "prêmio", só a redução da pena a quem delata, mas estamos falando de bandidagem, de criminosos que utilizaram dinheiro de procedência duvidosa com fins escusos, como é o caso da Odebrecht e seus executivos.

Qualquer político que se relaciona com eles, sabe bem com quem está falando...

No caso em questão, primeiramente, o delator afirma que o caso de Everaldo é um dos que mais demonstram como a própria empresa achacadora, a Odebrecht, perdeu o controle do esquema de corrupção.

Depois diz que quem lhe apresentou Everaldo foi o arroz-de-festa da corrupção gospel, o ex-deputado evangélico Eduardo Cunha, e que Everaldo tinha elaborado complicadas estatísticas sobre o destino de 26 milhões de votos evangélicos e quantos deles ele podia trazer para si ou direcionar segundo seu bel prazer.

Pasme: Everaldo se julgava "dono" de 8 milhões de votos evangélicos no país e tinha um discurso privatista que coincidia com a visão econômica de mundo da Odebrecht.

Houve várias outras reuniões em que Everaldo estava sempre acompanhado de Rogério Vargas, que o delator não sabia precisar se era secretário e/ou tesoureiro do partido (PSC - Partido Social Cristão).

Foi feito o primeiro pagamento pela Odebrecht no valor de R$ 1 milhão e, a partir daí, segundo o delator afirma, o ciclo começou a ficar vicioso, conforme o nome de Everaldo aparecia com pequenos índices nas primeiras pesquisas eleitorais para as eleições presidenciais de 2014.

Houve uma segunda contribuição, então, também de R$ 1 milhão e também como "caixa 2", com os codinomes "zelota" e "aquário 2", este último em referência ao símbolo do PSC, que é um peixe, e esses valores foram sempre entregues no escritório de advocacia do Sr. Rogério Vargas.

Conforme Everaldo foi crescendo nas pesquisas, chegando a ter algo em torno de 4,5 a 5% das intenções de voto, as "doações" foram subindo até alcançar o montante de R$ 6 milhões.

A Odebrecht chegou a orientar Everaldo a reforçar seu discurso privatista na entrevista que deu ao Jornal Nacional da Rede Globo de TV em 19 de agosto de 2014, mas com o acidente aéreo que matou o candidato Eduardo Campos (do PSB - Partido Socialista Brasileiro) pouco depois, e com a consequente ascensão de Marina Silva ao seu posto de candidato pelo PSB, praticamente todo o eleitorado evangélico migrou para a candidata, levando Everaldo a desaparecer nas pesquisas.

Everaldo teria percebido o golpe e a Odebrecht, sentindo-se "credora" do candidato, pediu-lhe que utilizasse o seu tempo no debate para ajudar Aécio Neves, do PSDB, fazendo perguntas "inócuas" e "escadas" para que o tucano pudesse ter mais tempo e se saísse bem para - assim - chegar ao segundo turno com Dilma, do PT.

Aí estaria, segundo o delator Fernando Reis, a "distorção" na "política de contribuições" da Odebrecht: era um valor muito grande ofertado a "quem tem muito pouco pra dar". A seu ver, esta foi uma "avaliação errada".

Veja a íntegra da delação especificamente quanto ao "pastor" Everaldo:




sexta-feira, 14 de abril de 2017

Balaão gospel: Odebrecht diz que pagou para Pr. Everaldo ajudar Aécio em debate na TV

Tutti buona gente...

Balaão, para aqueles que não leram a Bíblia, é o "profeta de programa" que foi pago para maldizer o povo de Israel em Números, capítulo 22.

Balaão anda fazendo muito sucesso ultimamente nas igrejas ditas "evangélicas" no Brasil. Já tivemos oportunidade de constatar este fenômeno e "homenageá-lo", sob diferentes ângulos, nos artigos:

As jumentinhas de Balaão (agosto de 2009)


Pois agora, entre tantas outras "profetadas", chega a notícia de que o "pastor" Everaldo, candidato do PSC à presidência do país em 2014, teria recebido propina para ajudar Aécio Neves, então candidato do PSDB, em um debate televisivo realizado às vésperas do 1º turno daquelas eleições.

Curioso que o delator confessa que o pagamento a mais esse Balaão tupiniquim foi “muito grande para quem tem muito pouco para dar”.

Muitos - mas muitos mesmo - "evangélicos" brasileiros copiaram a oração franciscana e se comportam agora na base do "é dando que se recebe". Que fase, meu Deus!!!

Espere sentado um pedido de perdão dos "pastores" e "portais" que te venderam a ideia de que certos "evangélicos" eram "santos".

Aliás, bem que a Lava-Jato podia chegar naquelas "ovelhinhas" que trabalhavam como formiguinhas para viralizar vídeos e artigos que favoreciam determinados candidatos, não é mesmo?

Será que algum daqueles "irmãos" tão "éticos" eram pagos pra isso?

Afinal, haveria mais blogs, portais, igrejas, "pastores", denominações e bocas que a Odebrecht teria alugado para seus amigos tucanos?

Gente que põe a política à frente da fé, cuja ideologia os define, "cujo deus é o ventre, cujo destino é a perdição" (Filipenses 3:19).

Pode ser que a resposta a essas perguntas não sejam conhecidas nesta vida, mas na vindoura, meus amigos,  pois guardai-vos: "Sua nudez será exposta e sua vergonha será revelada. Eu me vingarei; não pouparei ninguém" (Isaías 47:3 - NVI).

Só que aqui neste país cruel existem tantos bandidos graúdos que vai ser difícil, para não dizer impossível, chegar na mão-de-obra da ralé gospel, fiquem tranquilos!

Ou nem tanto...

A matéria é do G1 Operação Lava-Jato:

Odebrecht pediu a Pastor Everaldo para ajudar Aécio em debate de 2014, diz delator

Delator Fernando Reis afirmou em depoimento que empreiteira contribuiu para a campanha de Everaldo e sugeriu a ele que fizesse perguntas para ajudar tucano a chegar ao segundo turno.

O executivo Fernando Reis afirmou em depoimento de delação premiada que a empreiteira Odebrecht orientou em 2014 o então candidato a presidente Pastor Everaldo (PSC) a ajudar o candidato do PSDB, Aécio Neves, em um debate entre os presidenciáveis realizado durante a campanha.

Reis não informa qual foi o debate nem se Aécio tinha conhecimento do pedido. Segundo ele, o objetivo da empresa com a manobra foi “dar mais visibilidade” para o candidato tucano durante o debate e ajudá-lo a garantir vaga no segundo turno para disputar com a então presidente Dilma Rousseff, que concorria à reeleição.

O G1 falou por telefone com Pastor Everaldo, mas ele disse que não poderia dar entrevista naquele momento porque estava em uma reunião. Também procurou a assessoria de Everaldo, mas não conseguiu contato.

Fernando Reis afirmou que a Odebrecht repassou R$ 6 milhões para a campanha de Pastor Everaldo, a quem disse ter sido apresentado pelo ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

De acordo com o delator, após a morte de Eduardo Campos, candidato a presidente pelo PSB, os votos da comunidade evangélica migraram para Marina Silva, que o sucedeu como candidata. "Aí, ele [Everaldo] praticamente desapareceu nas pesquisas", disse.

Segundo Reis, Pastor Everaldo “tinha uma rixa com o PT”, partido de Dilma Rousseff, e “a ideia” da Odebrecht com o pedido de ajuda foi “ajudar Aécio a chegar num segundo turno”.

"Como a gente se sentia credor por ter contribuído tanto para a campanha dele, nós sugerimos a ele que usasse o debate sempre para perguntar ao candidato Aécio porque aí daria mais tempo ao Aécio. E analisando a transcrição do debate do primeiro turno se nota que ele fez perguntas absolutamente simples e inócuas para que o candidato Aécio pudesse ter tempo na televisão", afirmou.

Reis disse que a Odebrecht não tinha um candidato de preferência, "mas existia a intenção de ajudar aos dois [Dilma e Aécio] e eu acho que a ideia nesse momento era ajudar o Aécio a chegar ao segundo turno".

O delator afirma que a empresa concluiu depois que a contribuição à campanha de Everaldo foi “muito grande para quem tem muito pouco para dar”.

“A gente achou que ele poderia ter uma grande quantidade de votos. Mas foi uma avaliação completamente errada”, disse.



domingo, 20 de novembro de 2016

A arte de mentir em tempos de pós-verdade

Eleitores de Trump e o próprio em êxtase.
Quanto desta cena é verdade?
Ou pós-verdade...

Sim, é isto mesmo o que você leu no título, a mentira virou uma forma de "arte" nesses tempos em que a verdade não basta mais por si só, ela precisa de um "plus".

Qualquer semelhança com o discurso político único supostamente "ético" que ouvimos diariamente no Brasil não é mera coincidência.

Leia o artigo abaixo, publicado no The Economist, traduzido e reproduzido no Estadão, que você vai entender o porquê:

Arte da mentira

Na política, a verdade já não é mais é falseada ou contestada; tornou-se secundária no debate público

Os políticos sempre mentiram. Faz alguma diferença se resolverem deixar a verdade totalmente de lado?

A essa altura deve estar claro que Donald Trump habita um mundo onde os fatos são, quando muito, imigrantes indesejáveis. Nesse mundo de fantasia, Barack Obama usa uma certidão de nascimento falsa e é o fundador do Estado Islâmico (EI), os Clinton são assassinos e o pai de um dos adversários do magnata nas primárias esteve com Lee Harvey Oswald quando este distribuía panfletos pró-Cuba.

Trump é o principal expoente da política “pós-verdade”, um estilo de atuação na esfera pública que se distingue pelo uso frequente de afirmações aparentemente verdadeiras, mas sem qualquer respaldo na realidade. O descaramento do bilionário não é penalizado, sendo antes tomado como prova de que o eleitor está diante de alguém que não abaixa a cabeça para as elites no poder.

E Trump não é o único. Na Grã-Bretanha, um dos argumentos utilizados pela campanha que venceu o referendo de junho foi o de que, se não aprovassem a saída da União Europeia (UE), os britânicos seriam invadidos por uma horda de imigrantes, já que a Turquia estaria prestes a ingressar no bloco.

Se, como The Economist, o leitor acredita que a política deve se basear em fatos, isso é preocupante. As democracias mais sólidas dispõem de mecanismos de defesa para se proteger da pós-verdade. Países autoritários são vulneráveis.

Mas a pós-verdade é mais que uma simples invenção de elites que ficaram a ver navios. A expressão põe em evidência o cerne do que há de novo na política: a verdade já não é falseada ou contestada; tornou-se secundária. No passado, o objetivo das mentiras políticas era criar uma visão enganosa do mundo. As mentiras de homens como Trump não funcionam assim. Seu intuito não é convencer, e sim reforçar preconceitos.

São os sentimentos, não os fatos, que importam nesse tipo de discurso. A incredulidade dos adversários legitima a mentalidade “nós-contra-eles” que os candidatos anti-establishment exploram com sucesso. E se os oponentes tentam mostrar que as palavras não correspondem à realidade, veem-se obrigados a lutar no campo de batalha escolhido pelos líderes pós-verdade. Quanto mais os defensores da permanência da Grã-Bretanha na UE se esforçavam para mostrar que os partidários do Brexit usavam cálculos superestimados ao determinar os valores gastos pelo país por fazer parte do bloco europeu, por mais tempo mantinham a magnitude desses gastos sob os holofotes.

A política pós-verdade tem muitos pais. Alguns são dignos de louvor. Submeter as instituições e as autoridades a questionamentos é uma virtude democrática. Assumir uma atitude cética e desafiadora diante dos líderes é o primeiro passo para reformar uma sociedade. O colapso do comunismo foi acelerado graças a pessoas corajosas para contestar a propaganda oficial.

Acontece que há também forças corrosivas em ação. Muitos eleitores sentem que foram enganados e deixados para trás, ao passo que as elites continuam a viver no bem-bom. Detestam os tecnocratas que diziam que o euro contribuiria para melhorar suas vidas . Nas democracias ocidentais, as pessoas já não confiam como antes nos especialistas e nas instituições.

Mídia. A evolução da mídia também ofereceu terreno fértil para que a pós-verdade florescesse. A fragmentação das fontes noticiosas criou um mundo atomizado, em que mentiras, rumores e fofocas se espalham com velocidade alarmante. Mentiras compartilhadas online, em redes cujos membros confiam mais uns nos outros do que em qualquer órgão tradicional de imprensa, rapidamente ganham aparência de verdade. Confrontadas com evidências que contradizem crenças que lhes são particularmente caras, as pessoas preferem fechar os olhos para a realidade. Práticas jornalísticas bem-intencionadas também têm culpa no cartório. A busca da “imparcialidade” na veiculação de notícias com frequência cria um falso equilíbrio, às custas da verdade. Os cientistas da Nasa dizem que Marte provavelmente é desabitado; o professor Zureta diz que pululam alienígenas no planeta. Opinião por opinião, cada qual que escolha a sua.

Quando a política começa a ficar parecida com um ringue de luta-livre, a sociedade arca com os custos. Ao insistir em dizer - para perplexidade de alguns dos conservadores mais empedernidos - que Obama fundou o EI, Trump impede a realização de um debate sério sobre como lidar com extremistas violentos. Governar é complicado; aos olhos da política pós-verdade, porém, a complexidade é só um truque ilusionista que os especialistas usam para levar todo mundo no bico.É tentador pensar que, quando ideias vendidas sem amparo na realidade começarem a soçobrar, os eleitores abrirão os olhos e perceberão que se deixaram levar por líderes que não se dão o trabalho nem de disfarçar as mentiras. A pior parte da pós-verdade, porém, é que não se deve contar com esse movimento de autocorreção. Quando as mentiras tornam o sistema político disfuncional, é possível que os resultados negativos acabem por realimentar a mesma alienação e o mesmo descrédito nas instituições que estão na própria origem da política pós-verdade.

Políticos “pró-verdade”, às armas. Para enfrentar essa situação, os políticos comprometidos com os fatos e com a democracia precisam partir para o contra-ataque e incorporar uma linguagem mais aguerrida . Assumir uma posição de humildade e reconhecer os equívocos a que foram levados pela arrogância e pelo excesso de confiança também ajudaria. A verdade conta com forças poderosas a seu lado.

As democracias também têm instituições que podem ajudar. Sistemas judiciários independentes dispõem de mecanismos para estabelecer a verdade. O mesmo se aplica a órgãos criados para orientar a implementação de políticas públicas - em especial os que têm laços com a comunidade científica.

Se Trump for derrotado em novembro, a política pós-verdade parecerá menos ameaçadora, muito embora o bilionário tenha feito sucesso demais nos últimos meses para que ela suma do mapa de uma hora para a outra. Bem mais preocupante é a situação de países como Rússia e Turquia, onde autocratas recorrem à pós-verdade para silenciar os adversários. Deixadas à deriva num oceano de mentiras, as pessoas não terão em que se agarrar. Embaladas pela novidade da política pós-verdade, correm o risco de se ver nas mãos da opressão à moda antiga. / TRADUÇÃO DE ALEXANDRE HUBNER



Erasmo Carlos cantando "Pega na Mentira" em 1981. Premonitório?




sábado, 12 de novembro de 2016

Eleições nos EUA mostram divisão entre "evangélicos" fundamentalistas e "protestantes" liberais


A matéria foi publicada no IHU:

Uma votação polarizada entre evangélicos nos EUA


Temas como direitos humanos, migrações, ambiente, paridade de gênero e direitos das minorias vão mudar radicalmente depois dessa eleição no discurso público. Nos Estados Unidos e no mundo. 


A reportagem é de Matteo De Fazio, publicada no sítio Riforma, 09-11-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto. 

Donald Trump é o novo presidente dos Estados Unidos da América. "Devemos superar as divisões", foi uma das primeiras frases proferidas depois dos cumprimentos de Hillary Clinton pelo desafio na campanha eleitoral. Ainda é difícil, neste momento, imaginar que serão superadas as divisões e os muros, que o próprio Trump prometeu construir, tanto físicos quantos culturais. 

Enquanto o mundo inteiro comenta os resultados da eleição, voltamos a refletir sobre o voto dos protestantes que, com as devidas distinções, foi atraído várias vezes pelos discursos e pelos raciocínios do candidato republicano. 

De acordo com os resultados, o Bible Belt, a área cultural do sudeste dos Estados Unidos onde vive uma grande porcentagem de pessoas cristãs protestantes, em sua maioria evangélicas, apoiou Donald Trump completamente. 

Continuamos o discurso iniciado antes da votação (em que também comentamos a pesquisa do início deste ano do Pew Research Center) olhando para os resultados junto com Paolo Naso, professor de Ciências Políticas e coordenador do mestrado em Religiões e Mediação Cultural da Universidade de Roma "La Sapienza". 

Eis a entrevista.




À espera de dados mais precisos, já podemos interpretar as expressões dos evangélicos estadunidenses?

Eu acho que houve uma polarização extrema e radical, assim como na campanha eleitoral, uma radicalização entre os núcleo das Igrejas históricas, penso na Igreja Presbiteriana – à qual Trump, aliás, diz pertencer, mas não há documentos em evidência disso –, em alguns batistas, calvinistas, episcopalianos, luteranos, que, maciçamente, continuaram tendo uma opinião favorável ao Partido Democrata e a Hillary Clinton, e, por outro lado, o contexto das Igrejas evangélicas (a parte carismática, pentecostal, os newborns, ou as Igrejas livres) que, em vez disso, sob o apelo aos valores religiosos dos EUA concederam confiança a Trump, apesar de ser uma das pessoas, do ponto de vista biográfico, menos compatível com essa sensibilidade.

Uma polarização que diz respeito apenas à votação?

Uma votação polarizada que demonstra que a maioria do protestantismo estadunidense, nessa fase, está orientado mais para um vetor evangélico-carismático-livre e tendencialmente conservador, também de um ponto de vista teológico. Por outro lado, o núcleo histórico das Igrejas mainstream que têm fé em uma tradição diferente, que se expressou bem na presidência Obama, crente comprometido que vem justamente desse mundo.

A dimensão religiosa de Trump se expressou, principalmente, com temáticas ligadas ao medo, com a oposição de uma cultura sobre outra. Impressiona notar como o Bible Belt foi inteiramente favorável ao candidato republicano.

Isso não era óbvio. A personalidade e a biografia de Trump dificilmente são compatíveis com uma mensagem de rigor evangélico e cristão. É claro que ele se inspira em valores conservadores (família tradicional, não às famílias gays, não ao aborto e coisas desse tipo), opiniões que são muito caras à direita religiosa, evangélica, carismática e pentecostal, embora o seu estilo de vida parece ser incompatível com isso. Quando essa incompatibilidade veio à tona na campanha eleitoral, houve uma dupla inversão das cúpulas da direita religiosa: disseram que, no fundo, Abraão também tinha várias esposas, ou que o rei Davi não era um exemplo de lealdade exemplar em relação às mulheres, e assim por diante. Representaram Trump como um pecador, mas a altura dos grandes patriarcas bíblicos. Parecia uma tese improvável e ridícula, mas, evidentemente, esse tipo de raciocínio abriu caminho e levou a resultados relevantes.

Falou-se das diferenças na votação entre campanhas e cidades, com grandes polarizações. A leitura superficial que poderia ser feita é "povo culto que vota nos democratas contra povo ignorante que vota nos republicanos". É simples demais reduzir tudo a esse dualismo?

Talvez não. Os Estados Unidos foram investidos por uma crise pesada, da qual saíram parcialmente, pensemos no resgate da indústria automobilística que se deve apenas a Obama. Aquele sonho americano que, nos anos 1970, 1980 e 1990, tornava possível a acumulação de fortunas enormes por parte de alguns setores da classe média: fortunas repentinas que não são mais possíveis. De repente, a classe média em crescimento, que parecia alcançar resultados econômicos únicos e excepcionais, encontrou-se em uma situação de crise. De quem é a culpa? De quem está no poder, foi o raciocínio, neste caso, dos democratas: a alternância pode levar os Estados Unidos a serem novamente grandes, como dizia o lema de Trump. Essa ilusão, o sonho vendido com base no princípio de votar em algo diferente, encorajou a atitude de quem assume como objetivo uma mudança, seja ela qual for. Falamos de pessoas que não conseguem articular uma análise mais sofisticada: se os mercados entraram em colapso, não é culpa de Obama, mas de uma economia mundial que mudou nos últimos anos, de novas consciências, como a ambiental: em um discurso simplificado, em vez disso, a responsabilidade é completamente de quem se senta em Washington. Nesse esquema, a contraposição entre pessoas cultas que conseguem entender a complexidade e pessoas que tendem a simplificar parece-me funcionar.

Alguns defendem que Clinton, para o Mediterrâneo, já fez danos, portanto, Trump é o mal menor. O que devemos esperar para esta área?

Pessoalmente, não acho que pode ficar pior. Não porque eu acredite que vai acontecer sabe-se lá qual revolução. O sistema estadunidense tem a sua solidez, portanto "o sol vai voltar a surgir amanhã", como disse Barack Obama. Eu não temo uma reviravolta política em sentido belicista ou internacional, mas vai mudar o discurso público mundial sobre temas decisivos. Temas como direitos humanos, migrações, ambiente, paridade de gênero, direitos das minorias no discurso público, nos Estados Unidos e no mundo, vão mudar drasticamente depois dessa votação. A partir desse ponto de vista, estamos diante de uma reviravolta, a pior do meu ponto de vista.



quinta-feira, 10 de novembro de 2016

O dia em que a América acabou

Parece que ninguém - a não ser o próprio - esperava que Donald J. Trump vencesse as eleições americanas da última terça-feira, dia 8 de novembro de 2016, que entrou para a história como o dia em que a América acabou.

O candidato foi tratado por anos a fio como um bufão, uma espécie de bobo da corte que jamais teria chances de vitória diante da profusão de asneiras que insistia em pronunciar a cada minuto.

O establishment da política e da mídia nacionais e internacionais, reunidos em torno do hoje cadáver político de Hillary Clinton, se deliciaram com o ar canastrão, o jeito de falar de caricatura, enfim, a piada pronta chamada de Trump.

Só que os seus piores medos se tornaram realidade e Donald é hoje presidente eleito dos Estados Unidos, e não há mais nada a fazer senão aceitar o fato consumado.

Como se diz no popular, "aceita que dói menos"...

Afinal, se Donald Trump cumprir tudo o que prometeu na campanha eleitoral, da construção da muralha da fronteira com o México até o banimento de latinos e muçulmanos do território dos EUA, pouco restará a fazer senão esvair-se em lágrimas, coisa que já estão fazendo pessoas enquadradas nessa situação.

Curioso, entretanto, é ver evangélicos fundamentalistas norte-americanos e líderes russos comemorando juntos, irmanados, a eleição de Trump para a presidência dos Estados Unidos.

Sim, amigos, evangélicos e "comunistas" juntos festejando a vitória política de alguém no continente americano. 

Isto pode, sim, mas só fora do Brasil, já que aqui continuarão imperando as falácias, a ignorância e a mediocridade sem fim.

Resta saber se o mundo vai nos acompanhar nesta jornada de bonde (ou tanque) sem freio em direção ao caos total.



terça-feira, 8 de novembro de 2016

O voto envergonhado dos evangélicos nas eleições americanas de 2016

Dúvida do dia: chegará Donald Trump a Washington?
(uma recriação do famoso quadro "George Washington cruzando o rio Delaware", de 1851)

Ufa! Finalmente chegou o dia das eleições nos Estados Unidos, que foi esperado como se algo parecido com o Armagedom estivesse para acontecer. E talvez aconteça...

Hoje é dia de pegar seu balde de pipocas e ficar na frente da TV vendo algum canal internacional de notícias porque fortes emoções estão reservadas para o decorrer do dia e da próxima noite que testará os cardíacos.

Independentemente de quem ganhe aquela poltrona cobiçada no Salão Oval da Casa Branca, Donald Trump (pelo lado republicano) ou Hillary Clinton (democrata), o estrago já está feito para a democracia americana, que se apresenta como modelo para o mundo e teve uma campanha digna de "república das bananas" e repleta de golpes abaixo da cintura.


Hillary sonhando com sua cara esculpida lá em cima do Mount Rushmore

O quadro se apresenta levemente favorável a Hillary Clinton, sobretudo quando se considera que o número de latinos que já votou antecipadamente (nos Estados onde existe esta possibilidade) é o maior da história norte-americana, e ninguém tem dúvida sobre qual é o candidato preferido deles, já que Donald Trump fez questão de atacar esta comunidade ameaçando construir uma muralha gigante na fronteira com o México para impedir que eles entrem no país.

Curiosamente, Clinton não teve que levantar um dedinho só para atrair o voto latino, já que Trump lhe entregou de bandeja esta fatia do eleitorado.

Entretanto, há um grupo específico que já está experimentando o amargo sabor da derrota, não importando quem vença o pleito. É o grupo dos evangélicos fundamentalistas americanos, que vão votar maciçamente em Donald Trump mas morrem de vergonha de ter que admitir que farão isso.

Comportamento este muito diferente das eleições passadas, em que os evangélicos foram decisivos para eleger George W. Bush em 2000 e 2004, e lutaram fervorosamente contra Barack Obama em 2008 e 2012, quando ressuscitaram a ideia do "tea party", o movimento com valores tradicionais e independentistas que foi decisivo na Revolução Americana de 1776.

O maior expoente do "tea party" foi Sarah Palin, candidata a vice-presidente dos Estados Unidos em 2008 na chapa encabeçada por John McCain, mas seu apoio a Trump nas atuais eleições é bastante discreto, a exemplo do que ocorre com a imensa maioria dos evangélicos americanos, que parecem ter vergonha de se aliarem a um candidato misógino que não mede as palavras e vive se metendo em trapalhadas verbais.

Isto fez com que opositores dos evangélicos se animassem e passassem a atacá-los por sua hipocrisia, como foi o caso de Bill Maher, militante ateu e apresentador do programa "Real Time with Bill Maher" (vídeo abaixo), no qual agradeceu a Trump pela oportunidade que ele concedeu aos americanos de conferirem a hipocrisia dos evangélicos no que diz respeito a uma campanha política.

Primeiro, porque diante de um candidato tão falastrão e politicamente incorreto, os evangélicos fingiram não apoiá-lo ou, no máximo, defendem um voto envergonhado em Trump. Poucos realmente dão a cara a tapa. O "low profile" é a regra neste segmento.

Segundo, porque, apesar de defensores dos 10 mandamentos, se alinharam com um candidato cuja vida denota sua intenção permanente de quebrar todos eles.

Bill Maher prossegue seu agradecimento a Trump dizendo que - graças ao magnata - esta campanha não é como as campanhas passadas, nas quais todo candidato fazia questão de parecer "mais cristão" que o outro, mas exige dos evangélicos uma resposta à inquietação de todos nos Estados Unidos: como é que eles se alinharam à campanha de um homem que é mais conhecido por suas virtudes nada cristãs?

No fundo, este é o grande problema que ocorre quando aqueles que se dizem cristãos tornam o nome "evangélico" numa espécie de identificação de partido político. 

Ao levar um nome santo como este para a arena dos debates político-ideológicos, podem ter deixado para trás seu profundo significado espiritual.

Algo muito parecido com o que está acontecendo no Brasil, infelizmente.




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