segunda-feira, 16 de março de 2015

TJSP condena Levy Fidelix a pagar R$ 1 milhão por declarações homofóbicas

levy fidelix

A informação é do Brasil 247:

FIDELIX TERÁ DE PAGAR R$ 1 MILHÃO POR HOMOFOBIA


Ex-candidato à Presidência da República foi condenado pelo TJ-SP por ter feito afirmações homofóbicas durante debate eleitoral na televisão; no dia 28 de setembro do ano passado, Levy Fidelix (PRTB) foi questionado sobre o motivo de muitos dos que se dizem defensores da família não reconheceram o direito de casais homossexuais ao casamento civil; o então candidato respondeu que "dois iguais não fazem filho" e que "aparelho excretor não reproduz"; cabe recurso

O ex-candidato à Presidência da República, Levy Fiddelix (PRTB), foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a pagar uma multa de R$ 1 milhão por ter feito afirmações homofóbicas durante um debate eleitoral na televisão. A ação civil pública por daos morais foi movida pelo movimento Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT) e a sentença judicial foi anunciada na última sexta-feira (13). Ele poderá recorrer da decisão.

No dia 28 de setembro do ano passado, enquanto participava de um debate, Fidelix foi questionado sobre o por quê de muitos dos que se dizem defensores da família não reconheceram o direito de casais homossexuais ao casamento civil. Na ocasião, Fidelix afirmou que "dois iguais não fazem filho" e que "aparelho excretor não reproduz". O então candidato teria dito, ainda, que população LGBT deve ter atendimento psicológico e afetivo, mas "bem longe da gente".

"Aparelho excretor não reproduz (...) Como é que pode um pai de família, um avô ficar aqui escorado porque tem medo de perder voto? Prefiro não ter esses votos, mas ser um pai, um avô que tem vergonha na cara, que instrua seu filho, que instrua seu neto. Vamos acabar com essa historinha. Eu vi agora o santo padre, o papa, expurgar, fez muito bem, do Vaticano, um pedófilo. Está certo! Nós tratamos a vida toda com a religiosidade para que nossos filhos possam encontrar realmente um bom caminho familiar", disse durante o debate.

Para o Tribunal de Justiça de São Paulo, contudo, as declarações do então candidato "ultrapassaram os limites da liberdade de expressão, incidindo em discurso de ódio". Conforme a sentença, a multa será revertida em ações de promoção de igualdade da população LGBT.



domingo, 15 de março de 2015

O que caracteriza alguém criativo?


A resposta talvez esteja neste artigo interessante de Renata Reps para o Brasil Post:

A exclusividade padronizada da criatividade

Em pesquisas e bates-papos com as mentes criativas que cruzam o meu caminho, já percebi alguns pontos em comum entre elas. Não estou dizendo que essas pessoas não sejam, de fato, pontos fora da curva. Tudo indica, porém, que dentre toda esta descentralização existem empatias, intervalos de encontro que parecem se reunir e formar uma outra massa: o grupo dos que não querem fazer as coisas como todo mundo faz.

A cada nova conversa, a luzinha laranja daquele canto do cérebro que conecta informações apitava quando alguém também me dizia que tinha viajado para longe antes de ter aquela ideia, ou que os amigos não compreendiam o que estava tentando fazer; ou que o dinheiro nunca havia sido sua primeira preocupação. E os pequenos pontos de congruência formavam, pouco a pouco, uma linha de características similares e que une até mesmo quem tenta e quer ser tão diferente. A criatividade tem, afinal, uma sequência natural.

Nada disso são regras e não quer dizer que valham para todo mundo. O que me foi alarmante foi apenas o grande número de pessoas que relatou estes três fatores que eu descrevo a seguir.

1. O ano sabático

Os judeus conhecem bem a importância deste período. A expressão "ano sabático" deriva, na verdade, do shabat, que é o dia do descanso sagrado para o Judaísmo, dia em que Deus repousou depois desta trabalheira que foi a criação do mundo. Bom, se até Ele precisou de uma folga para clarear as ideias, que dirá nós, selvagens mortais. É impressionante a presença deste ano de alívio das pressões quotidianas na vida dos empreendedores criativos. E isso é muito fácil de entender: para se chegar a uma ideia de negócio que tenha um real potencial disruptivo - ou seja, que tenha capacidade de desestabilizar a concorrência por seu conteúdo inovador - é preciso dar um tempo da rotina.

A rotina tem um papel importante na vida dos seres humanos. Ela cria uma noção de sentido, de organização dentro de todo o caos que podem ser nossa mente ou nosso quarto, por exemplo. Mas, infelizmente, ela tem o triste potencial de nos impedir de enxergar um palmo à frente de nossos narizes. É por isso que quando viajamos sentimos tanto, nos alegramos tanto, nos emocionamos tanto. É como se nos desnudássemos daquele véu que tapa as grandes excitações do dia a dia e que serve para nos permitir seguir o ritmo normal da vida, sem tantos questionamentos ou deslumbramentos a cada passo. Quando estamos em um lugar novo, percebemos mais. Até mesmo quando estamos de férias, ainda que na mesma cidade, conseguimos ver detalhes que se perdem dentro de um quotidiano comum.

Pois o ano sabático é isto: um grande encontro com os próprios desejos, sem freios ou bloqueios. É aquele tempo que tiramos para nos livrar dos problemas que nos prendem em nossa vida diária. Fazemos belos encontros, aprendemos novas línguas, descobrimos outras culturas. Tem quem precise de desculpas para isso - como fazer um curso no exterior, por exemplo. Mas o mais eficaz, pelo que tenho visto, é mesmo quem sai sem rumo, e também quem visita não só um, mas vários países. Na volta, há duas saídas: se encaixar à força à realidade precedente ou procurar novos caminhos. Mas ir embora, normalmente, é uma escolha sem volta: a vida nunca vai ser o que era antes. E é aí que os empreendedores tiram proveito.

2. A incompreensão dos amigos e da família

O empreendedor é um desbravador solitário. O paralelo que eu consigo fazer é com aqueles que estão construindo uma tese ou uma dissertação de um assunto muito específico, que só eles entendem. Não dá para sentar em uma mesa de bar e compartilhar aquilo com olhares ávidos e sorridentes de compreensão; as pessoas vão se entediar, ou duvidar, ou simplesmente não entender. E elas podem te desencorajar, fazendo perguntas que não são pertinentes àquela pesquisa, ou que vão te tirar do seu foco. É isso: você passa 24 horas por dia com um tema na cabeça e não pode dividi-lo com quase nenhum outro ser.

Pois novas ideias são assim. Elas incomodam. O universo parece criar estratégias bem delineadas para manter o status quo e o sucesso já adquirido da espécie humana. Assim, ameaças à paz são cortadas pela raiz. Você pode pensar em inúmeros exemplos em que essa máxima seja válida, e o empreendedorismo criativo é apenas mais uma delas. Como explicar aos seus pais que você vai abandonar um emprego que te rende sustento e uma posição bem delimitada no status social para criar um blog, ou para abrir um negócio que muitas vezes você não vai nem conseguir fazê-los entender o que é?

A estrutura econômica hoje é bem diferente da época em que eles aprenderam o que se devia fazer para ganhar a vida. O problema é que este modelo está em fase de constituição, e ainda há numerosos representantes do velho paradigma econômico vivendo à moda antiga; e eles podem ser tão jovens quanto você. São eles, inclusive, que vão te fazer repensar seus planos e se questionar: nossa, mas será que vale a pena mesmo? São eles, com seus salários fixos e sem correr riscos, que sinalizarão que o seu caminho não faz sentido, ou que você deveria deixar essa bobagem de lado e parar de sonhar. Então, acredite: a maioria dos seus amigos não vai te entender ou te oferecer suporte. Esta luta, amigo, vai ser travada por você sozinho - ou com poucas companhias de verdade.

3. O dinheiro como conseqüência - e não objetivo

É este mesmo pessoal, com a cabeça no modelo econômico passado, que faz os empreendedores parecerem loucos desvairados quando eles dizem que sua preocupação principal não é o dinheiro. É batata: a maioria esmagadora dos criativos que conheci buscavam, acima de tudo, criar algo em que acreditassem e que lhes desse prazer. Eles queriam sair de um paradigma de viver para os fins de semana, mesmo que isso significasse trabalhar muito mais do que em seus empregos fixos de antes, para inventar algo que não existia. Ou apenas para ser feliz mais vezes por semana.

A maior parte deles, também, tinha uma vontade vascular de empreender. E isso desde sempre. E um grande número sabia que queria criar o próprio negócio, mas não tinha certeza do que deveria criar. Algumas dessas pessoas juntaram dinheiro durante muito tempo em seus empregos tradicionais antes de se aventurar na própria empresa; outras delas, conseguiram vender suas ideias e obter financiamentos; algumas poucas, ainda, contaram com suporte familiar. Mas para todas, sem exceção, ganhar muito dinheiro não era o objetivo principal. Eles tinham objetivos nobres, queriam mudar o mundo, melhorar as coisas - nem que fosse a própria vida.

É claro que isso não impede a boa estruturação do modelo de negócios para que ele dê certo; a fase de testes para conferir se o mercado aceita e está preparado para aquele novo conceito e a preparação para um primeiro ano que é, normalmente, decisivo. E os números são implacáveis: ¼ das startups brasileiras morre antes do término deste ano inicial, segundo um estudo da Fundação Dom Cabral realizado em outubro de 2014. E daí tudo bem, né, a pessoa vai ter tentado - e se forçar a sair da inércia para tentar construir grandes coisas e ser feliz já é um grande mérito. Mas aqueles que têm sucesso, mesmo, podem até ficar milionários - como eu tenho visto com certa freqüência. Ricos e felizes, como num conto de fadas. E olha que a ideia inicial era apenas ser feliz.

Portanto, um brinde à criatividade, e a quem arregaça as mangas para fazer um plano abstrato sair do papel, mesmo fazendo força contra a ventania que tenta empurrar para o sentido oposto. Se você é uma dessas pessoas, acredite: tem mais desbravadores por aí parecidos com você, e enfrentando o mesmo tipo de perrengue.

Encontre-os.



sábado, 14 de março de 2015

Inezita Barroso, o jeito caipira de ser e cantar

Inezita Barroso, 1925-2015

Artigo de Jotabê Medeiros para o Estadão, com vídeo imperdível do documentário feito por alunos da ECA-USP mais abaixo:

Inezita Barroso foi um bunker cultural, uma casamata de resistência

Artista tornou-se uma espécie de abrigo para todos os sobreviventes de expressões do Brasil rural e profundo de um outro tempo e ética

Inezita Barroso, a Dama Caipira, era uma espécie de abrigo, um refúgio de expressões culturais que eram depositárias privilegiadas da identidade do País. A ela recorriam formas em vias de desaparição, duplas e cantores e arquivos vivos que sobreviveram à blitzkrieg modernizadora de diversas décadas.

Ultimamente, em sua casa em São Paulo, com seus 22 passarinhos de gaiola (atestado de sua fidelidade para com o ideário caipira), ela ainda gravava participações no programa Viola Minha Viola (o mais longevo do País), como se sua existência representasse um bunker contra a pasteurização, o nivelamento cultural. Enciclopédia viva de uma época.

Opunha-se à presença de tecladistas em seu programa, além de alfinetar os conglomerados culturais. “É ridículo ver um personagem do campo falando com sotaque carioca”, ela disse, há 5 anos. Era confortador vê-la ali resistindo, procuradora de uma ética desaparecida, como uma Palmirinha da música caipira, uma doutora da roça.

Ainda assim, Inezita não era uma entusiasta da repetição passiva das formas tradicionais; seu rosto se iluminava quando se deparava com um artista que, ancorado nas formas arcaicas, transcendia seu invólucro e se projetava para a frente. Sua própria carreira como cantora se valeu dessa dialética transformadora: ela se destacou cantando Ronda, de Paulo Vanzolini, além de Noel Rosa e Ary Barroso. Sabia que o problema da afirmação nacional não era de fronteira, mas de autenticidade.

Nascida na Barra Funda, antigo bairro fabril de São Paulo, ela entretanto tinha alma de interior, tinha um destino de campo e mato. Também atriz e formada em biblioteconomia, cresceu artisticamente com a profissionalização do rádio e da TV no Brasil. E sonhava com o dia em que orquestras de moda de viola invadissem todas as cidades do País. Como cantora, experimentou o sucesso, mas sempre o preteriu à condição de divulgadora cultural, levando gerações a conhecerem as obras de Cascatinha e Inhana, As Irmãs Galvão, Pedro Bento e Zé da Estrada, Milionário e José Rico, Tonico e Tinoco, entre outros.

Mas não era onívora, certas coisas ela não engolia. “Essa música moderninha de hoje, que chamam de sertaneja, não tem valor. É sempre a mesma coisa, com a mulher que abandonou o marido. Com o agravante que só a tocam no mesmo ritmo, parece um realejo”, disse ao repórter Lucas Nobile.

Em sua biografia, escrita por Carlos Eduardo Oliveira e publicada no ano passado, Inezita contou como se decidiu pela vida artística após assistir a um show de Carmem Miranda e revela que teve de enfrentar a resistência dos pais conservadores. Vinha da classe média alta, e sua disposição de levar a vida com cabelos curtos, violão no braço e em rodas de viola com trabalhadores rurais chocou a família. Nas fazendas de familiares, colhia os ritmos (catira, cateretê, chamamé) e as canções que gravava e celebrizava (ou simplesmente introjetava na mente para uso futuro), como Moda de Pinga.

O curador Teixeira Coelho, em uma definição conceitual de cultura, afirmou o seguinte: “O melhor resumo da ideia de cultura, e que poucas políticas culturais se dispõem a aceitar, é aquela que apresenta a cultura como uma longa conversa. Uma longa conversa entre tudo o que é cultura, entre todos que movem a cultura. Uma longa e franca conversa. A melhor ideia de liberdade é essa ideia de conversa. Essa, na verdade, é a melhor ideia de liberdade”. Em sua conversa de uma vida, Inezita cumpriu essa ideia à perfeição.






sexta-feira, 13 de março de 2015

Madonna quer se encontrar com o papa

like a prayer
Madonna é chegada numa polêmica com os católicos

Não, não, senhores, não estamos falando de nenhuma aparição mariana, mas da rainha do pop Madonna, cujo nome de berço é Madonna Louise Ciccone.

Famosa por suas apresentações polêmicas, como "Like a Prayer" (1989), consideradas profanas pelo que muitos que veem no videoclip uma simulação de relação sexual com uma imagem sacra, Madonna sempre teve problemas com os católicos, religião na qual foi criada.


Em entrevista concedida ao programa do jornalista Luca Dondoni - na rádio italiana RTL 102,5 -, por ocasião do lançamento do seu novo álbum "Rebel Heart" ("Coração Rebelde"), a cantora norteamericana foi questionada a respeito de sua relação com a religião, já que muitas de suas novas canções têm forte conotação mística.

Madonna respondeu que "elas têm um pouco que ver com meu relacionamento com Deus e/ou sexualidade ou lidar com a ideia de Deus e religião ou sexualidade; esses temas estão todos presentes em minhas canções - como você sabe. É também a razão pela qual eu fui excomungada da Igreja Católica não só uma vez, nem duas, mas três vezes... eu não sei... você acha que o papa me convidaria?"

Madonna então perguntou ao entrevistador o que o papa pensa sobre a comunidade gay, e Dondoni lhe respondeu que o papa se manifesta sobre esta questão dizendo "Quem sou eu para julgar?".

A pop star então disse: "Deus abençoe o papa. Nós temos que nos encontrar. Um prato de massa, uma garrafa de bom vinho. Será que tenho chance?"

O jornalista não se fez de rogado e comentou: "Eu acho que se você encontrar este papa, ele te dará um abraço", ao que Madonna replicou: "Fantástico! Apresente-me a ele".

Resta saber se a rainha do pop vai cantar "Papa, Don't Preach" (1986) ao romano pontífice.


A fonte da informação aqui divulgada é o Vatican Insider.



quinta-feira, 12 de março de 2015

Justiça autoriza Congregação Cristã a impedir pregação de seus membros

goodbye

Denominação religiosa tem prerrogativa de escolher representantes

Justiça de Minas negou pedido de indenização de fiel que foi impedido de pregar

Por entender que a Congregação Cristã no Brasil (CCB) tem direito de restringir o acesso de fiéis ao púlpito, o Judiciário mineiro rejeitou, pela segunda vez, pedido de indenização por danos morais de dois fiéis da denominação. O casal pleiteava reparação alegando que um deles foi caluniado por membros da entidade, o que acarretou ainda que ambos não pudessem mais manifestar-se publicamente nem exercer funções litúrgicas e de formação nos templos.

C.R.L. e sua mulher, W.B.M., que se casaram em março de 2007, afirmam que frequentam a CCB há mais de vinte anos e, uma vez que iam se mudar de São Paulo para Cambuí, no Sul de Minas, pediram, como é praxe na Congregação Cristã no Brasil, as chamadas “cartas de bom testemunho” para se apresentarem à comunidade local da igreja. O documento tem a finalidade de prestar informações aos anciãos ministeriais, em caráter sigiloso, sobre a conduta do fiel nas casas de oração em seus municípios de domicílio anterior, para definir como será a participação dele nos cultos e se haverá restrição de alguma natureza contra ele.

O casal afirma que, em abril de 2007, quando o marido pediu para “expressar a Palavra de Deus”, foi barrado pelos dirigentes, que disseram que ambos “fugiram do Ministério de São Paulo” e possuíam certidão de casamento falsa. Além disso, declararam que C. foi denunciado por furto e tinha praticado outros crimes, como homicídio, roubo e estupro. Diante disso, o casal, que defende que todas as acusações são mentirosas, pediu para ver a carta de apresentação, mas isso lhe foi negado. Eles sustentam que passaram a ser marginalizados pela congregação e requereram uma reparação pelo dano moral em abril de 2010.

A CCB alegou que os originais das cartas deveriam estar com os autores da ação, pois esses documentos são entregues ao fiel para que ele os repasse aos membros da igreja do local para onde está indo fixar-se. A igreja também afirmou que incongruências na grafia encontradas nos campos a preencher na carta de apresentação (cabeçalho, rodapé) e dados faltantes indicavam que a documentação era forjada. Declarou, por fim, que não há obrigatoriedade de permitir a pessoas difamadas que ocupem cargo na igreja como forma de compensação. A congregação sustentou que questões de fé devem ser resolvidas de acordo com dogmas e estatutos religiosos.

A juíza Patrícia Vialli Nicolini, da 1ª Vara Cível de Cambuí, concluiu que não havia provas suficientes de que membros da igreja caluniaram C. A magistrada julgou a ação improcedente em junho de 2014. O casal recorreu, mas os desembargadores Rogério Medeiros, Luiz Carlos Gomes da Mata e José de Carvalho Barbosa, da 13ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), ratificaram a sentença.

O relator Rogério Medeiros salientou que o líder espiritual que proibiu que C. pregasse não cometeu ato ilícito, pois como tal ele tem a prerrogativa de autorizar ou negar a prática a membros da igreja conforme sua convicção. O magistrado também avaliou que as cartas de testemunho pareciam ter sido adulteradas: “O documento contém diagramação padrão, com campos limitados, inexistindo local para comentários sobre a atuação do portador da carta, pois não é este o seu objetivo. Por sua vez, nas cartas apresentadas pelos apelantes, todas em cópia reprográfica, diga-se de passagem, é nítido que as acusações contra eles não foram escritas pelo ministro religioso que as subscritou, não se sabendo quem de fato lançou os escritos caluniosos”.

O desembargador Rogério Medeiros também rechaçou o argumento de que as cartas vieram preenchidas de São Paulo, sendo entregues ao casal por um dos cooperadores mais antigos da igreja, porque, de acordo com o estatuto, a comunicação é dada diretamente ao membro solicitante do documento e não é enviada para outra igreja ou outro membro do ministério.

“Diante das contradições e incoerências no depoimento das testemunhas dos autores, bem como das adulterações nas cartas de testemunho, cujos escritos os autores não comprovaram que foram lançados pela Igreja, e, de outro lado, utilizando o princípio do livre convencimento racional do juiz, conclui-se que a apelada [a CCB] não cometeu ato ilícito, a ensejar sua condenação ao pagamento de indenização”, encerrou o relator.



quarta-feira, 11 de março de 2015

Papa quer financiamento público de campanhas eleitorais

A informação é da ANSA Brasil:

Papa defende financiamento público de campanha

Segundo Francisco, "interesses" não podem afetar candidatos

O papa Francisco defendeu que as campanhas eleitorais sejam financiadas com dinheiro público para evitar que "interesses" influenciem a atuação dos candidatos. A declaração está em uma entrevista do Pontífice à revista "La Carcova News", publicação paroquial de um bairro pobre da periferia de Buenos Aires.

Perguntado se tinha alguma sugestão aos governantes argentinos, que estão em ano eleitoral, ele respondeu: "Primeiro, que proponham uma plataforma clara. Que cada um diga 'no governo, nós faremos isso e aquilo'. Muito concreto! A plataforma eleitoral é algo sério, ajuda as pessoas a verem aquilo que cada um pensa."

Além disso, Francisco declarou que candidatos devem, antes de tudo, conhecer as propostas dos seus próprios partidos, coisa que muitas vezes não acontece. Em seguida, o Papa declarou que é preciso chegar a um modelo de campanha que não seja financiado.

"O financiamento da campanha eleitoral envolve muitos interesses, que depois cobram a conta. Evidentemente, é um ideal, porque é preciso de dinheiro para manifestos, para a televisão. Em todo caso, que o financiamento seja público. Eu, como cidadão, sei que financio esse candidato com essa exata soma de dinheiro, que tudo seja transparente e limpo", explicou. (ANSA)



terça-feira, 10 de março de 2015

Qual é a idade ideal para o seu filho ter um celular?

Artigo publicado na Oficina da Net:

Qual idade certa para dar um celular para uma criança?

As crianças estão cada vez mais inseridas no meio tecnológico, não é mesmo? Quem de nós nunca ouviu algum adulto comentar que o filho, sobrinho, neto, enfim, uma criança, sabe lidar com um eletrônico melhor que ele? Pois é, esta é a realidade atual.

Muitos grandalhões ainda não tiveram contato com computadores e celulares mais avançados, como os smartphones, enquanto os pequenos dão show de destreza e entendimento. Atualmente, com a grande demanda de aparelhos celulares, que a cada dia surgem com mais opções de uso, não é difícil que uma criança fique tentada a ter um aparelho exclusivo para ela. Decisão difícil aos pais. De um lado, a criança querendo mais um modo de diversão, do outro, os pais repletos de dúvidas.

Uma das maiores dúvidas dos pais é qual a idade ideal para dar um aparelho celular ao filho, sem que o ato possa gerar alguma consequência na vida dos pequenos. Especialistas defendem que não há uma ideal para isso, mas sim, uma análise de toda a situação envolvente. Obviamente que não estamos falando em dar um aparelho celular a uma criança pequena, que ainda nem alfabetizada está. Muitos estudiosos indicam que a idade ideal seria em torno dos 13 anos, porém, com bem sabemos, a realidade é outra, e vemos cada vez mais crianças portando celulares antes deste tempo.

No entanto, outros especialistas defendem que o momento mais propício para entregar um aparelho a uma criança seja entre os 9 e 10 anos. O que todos concordam é que tudo irá depender da necessidade de cada criança, se os pais as deixam muito tempo sozinhos, se frequentam clubes ou outros locais sozinhos, entre outros fatores. Além disso, sempre é necessário avaliar o nível de responsabilidade dos pequenos.

Antes de comprar um celular ao filho, é melhor avaliar a necessidade

Ao adquirir um smartphone para seu filho, os pais precisam ter em mente as reais motivações para tal. Então, nada mais justo que analisar a necessidade do uso do aparelho pela criança, se é só por diversão, para acessar as redes sociais, games, apps, ou mesmo se precisa manter comunicação com os pais em um momento necessário.

Então, conforme citado acima, se o filho realmente já possui uma certa maturidade para compreender o bom uso do aparelho celular, e precisa manter contato com pais, então pode sim ter chegado a hora de dar mais esta responsabilidade ao filho. Sim, responsabilidade! O filho precisa saber que o aparelho não é apenas um mimo dos pais, ou simplesmente um brinquedo novo, mas sim que ele é um importante meio de comunicação e precisa ser usado conforme o combinado com os pais.

Problemas atribuídos ao uso de celular por crianças

De acordo com um estudo realizado pelos institutos da América do Norte – Sociedade Canadense de Pediatria e a Academia Americana de Pediatria, o uso de smartphones por crianças de menos de 12 anos pode acarretar sérios problemas. Confira abaixo os males que o uso de smartphones podem causar:

1. Obesidade: A obesidade infantil pode estar ligada ao uso em excesso de aparelhos eletrônicos.

2. Problemas de desenvolvimento cerebral: Os dois primeiros anos de vida das crianças são muito importantes para determinar a eficiência do desenvolvimento cerebral. Alguns estudos defendem que a superexposição a aparelhos eletrônicos neste período pode causar déficit de atenção, distúrbios de aprendizado, aumento da impulsividade e até atrasos cognitivos.

3. Sono alterado: Dormir bem faz bem a todos, principalmente para as crianças. Passar horas à noite jogando, conversando ou navegando nos aparelhos eletrônicos pode acarretar em sono alterado, o que não é nada saudável aos pequenos.

4. Depressão infantil: Estudos defendem que o uso excessivo da tecnologia pode causar até depressão nas crianças. Outros problemas emocionais também foram constatados, como ansiedade, transtorno bipolar e psicose.

5. Radiação: Ainda não há um estudo conclusivo sobre o uso de celulares e o câncer cerebral em crianças. Porém, muitos cientistas defendem que a radiação emitida é um fator de risco para as crianças, já que elas são mais sensíveis aos agentes radioativos que os adultos.

Levando em consideração vários fatores, a idade ideal para uma criança ganhar um aparelho celular será obrigação dos pais avaliarem e decidirem. Para a decisão é necessário avaliar todos os quesitos, além dos citados acima, um bastante importante, a segurança dos pequenos. Os celulares costumam ser muito visados pelos criminosos, então, todo cuidado é pouco.



segunda-feira, 9 de março de 2015

Meditação ajuda o cérebro a envelhecer melhor


Matéria publicada no Brasil Post:

Meditação pode proteger o cérebro dos sinais do envelhecimento, aponta estudo

Carolyn Gregoire

Meditar faz bem para o cérebro. Uma nova onda de pesquisas associa a antiga prática a vários benefícios cognitivos, de mais atenção e foco à redução dos sintomas de ansiedade e depressãoe a melhor controle cognitivoe funcionamento executivo.

Segundo um novo estudo do Centro de Mapeamento do Cérebro da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), a meditação também pode proteger o cérebro do envelhecimento. Pesquisadores da UCLA e da Universidade Nacional da Austrália descobriram que os cérebros de pessoas que meditam há muitos anos são menos afetados pelo envelhecimento que os daqueles que não meditam.

O declínio do cérebro começa aos 20 anos, e o órgão continua a diminuir de volume e peso ao longo da vida. Além de melhorar o bem-estar físico e emocional a qualquer altura da vida, a meditação pode ser uma maneira eficaz de prevenir doenças neurodegenerativas como demência, Alzheimer e Parkinson, assim como adiar o declínio cognitivo que vem com a idade. A estratégia é gratuita e não tem efeitos colaterais.

O novo estudo aprofunda uma pesquisa realizada pela mesma equipe em 2011, que mostrou que pessoas que meditam mostram menos atrofia relacionada ao envelhecimento na massa branca do cérebro, material que compõe cerca de metade do órgão e é composto de fibras nervosas usadas pelo cérebro para se comunicar.

No novo estudo, os pesquisadores observaram a ligação entre a meditação e a preservação de massa cinzenta, o tecido onde ocorre a cognição e onde são guardadas as memórias. Eles examinaram os cérebros de 100 participantes, 50 dos quais meditavam havia 20 anos em média e outros 50 que não meditavam. Ambos os grupos eram compostos por 28 homens e 22 mulheres de 24 a 77 anos.

Os cérebros dos participantes foram escaneados com ressonância magnética. Os dois grupos apresentaram diminuição de massa cinzenta por causa da idade, mas ela era menor entre os que meditavam. Em outras palavras, aparentemente a massa cinzenta ficou mais bem preservada.

"Entre os adeptos da meditação, essa relação entre perda de massa cinzenta e idade não era tão pronunciada”, disse Florian Kuth, co-autor do estudo, ao The Huffington Post. “Surpreendentemente, ela não era tão pronunciada em várias regiões do cérebro. Esperávamos ver isso só em algumas pequenas regiões... mas o que vimos foi o cérebro quase inteiro. Foi uma grande surpresa.”

Os resultados não provam causalidade – personalidade, estilos de vida e diferenças genéticas podem ser parte da explicação --, mas são promissores. O próximo passo seria um estudo longitudinal acompanhando os cérebros de um grupo de meditadores e não-meditadores ao longo de vários anos, para examinar as mudanças que ocorrem como resultado direto de anos de meditação, disse Kuth.

Numa época em que os americanos estão vivendo cada vez mais, mas sofrendo de altos índices de doenças degenerativas como Alzheimer, a pesquisa é um lembrete importante de que a meditação pode ter impacto de longo prazo no cérebro.

“Se esses resultados forem replicáveis, vai ser algo importante”, disse Kuth. “Poderia ter um impacto enorme.”

A pesquisa foi publicada online na revista Frontiers in Psychology.



domingo, 8 de março de 2015

Tem gente que se infecta com HIV de propósito

Essa informação bizarra vem da Folha de S. Paulo:

'Virei um caçador do vírus HIV', diz praticante de roleta-russa do sexo

CAROLINA DANTAS

"Fui fazer o exame para detectar o HIV. Quando eu recebi o resultado, a psicóloga foi falar comigo de um jeito gentil e delicado. Eu disse: 'Tudo bem, moça, ainda bem, até que enfim, depois de tantos anos. Agora eu tenho a certeza. Agora eu estou livre'." É dessa maneira que o paulistano J.D., 35, explica à sãopaulo como recebeu a notícia de que tinha contraído o vírus HIV. Ele escolheu ter a doença.

O caixa de supermercado, que pede que seja identificado apenas pelo apelido SóBare, faz parte de um grupo que preocupa o Ministério da Saúde, o dos que contraem o vírus HIV por opção.

No final de 2014, o ministério criou uma comissão para discutir a vulnerabilidade dos homossexuais e, também, os casos de infectados por escolha. Os profissionais vão analisar as implicações dessa prática e o quanto ela está disseminada no Brasil. Em nota, o ministério afirma que "é contra a prática do 'barebacking' (...). Não cabe ao ministério punir ou julgar civilmente quem pratica ou coopta pessoas para a disseminação da prática".

O apelido SóBare vem da expressão em inglês "bareback", usada para a prática do sexo sem camisinha. Ele diz que desde que contraiu o vírus, há três anos, só mantém relações sem a "capa", como chama os preservativos.

A prática "bare" é antiga. É conhecida desde a década de 1980, com mais casos nos Estados Unidos. No Brasil, a maior parte dos participantes é do sexo masculino, homossexuais, que tem o interesse em fazer sexo grupal. Alguns deles estão em grupos apenas pelo risco: têm relações com várias pessoas e são informados que algum deles é portador do vírus, mas não sabem exatamente quem, por isso a prática também é conhecida como roleta-russa do sexo.

Em São Paulo, SóBare conta que já organizou duas festas para a disseminação do vírus em casa. "O largo do Arouche é o ponto de encontro para quem quer se infectar." Segundo ele, alguns dos participantes tatuam o símbolo de perigo biológico. Uma forma de serem reconhecidos entre os pares.

SóBare afirma que tomou a decisão de contrair o vírus para garantir liberdade sexual e é assim com todos os conhecidos que participam das festas do HIV. Antes das relações, SóBare avisa que é portador e diz que não faz sexo com proteção. "Se negocio com 20 pessoas, apenas cinco aceitam", conta.

"Quando tomei a decisão, me tornei um caçador do vírus. Tem pessoas que passam dez anos tentando [contrair o vírus]. Eu fiquei aproximadamente cinco anos. Era um desejo. Eu odeio ter qualquer tipo de dúvida, eu gosto de ter a certeza em tudo na minha vida. Queria chegar para o meu parceiro e poder dizer com certeza: eu tenho o vírus."

De acordo com SóBare, os "negativos" -jovens que ainda não contraíram o vírus- que decidem ser portadores podem entrar em contato com os "positivos" e se encontrar para sexo sem camisinha. Esses rituais são chamados de "batismo" ou "conversão", geralmente marcados por sites camuflados na internet. Ele já teve um perfil no Facebook para conseguir organizar as festas, mas foi bloqueado após uma denúncia feita para a rede social.

"Eu fiz a minha conversão em uma noite. Marquei em um motel e encontrei outros homens, convidei muita gente mesmo, umas cem pessoas portadoras, para conseguir finalmente contrair o vírus."

A cada seis meses, enquanto praticava o sexo sem camisinha com diferentes homens infectados, SóBare ia ao médico para checar se tinha conseguido ficar "positivo".

AS CONSEQUÊNCIAS

SóBare diz ter conversado com outros portadores do vírus e consultado infectologistas muito tempo antes de tomar a decisão. "Foi aí que descobri que essas pessoas têm uma vida normal". Ele explica que, depois que começou a se medicar com o coquetel distribuído pelo governo federal, não sentiu nenhum efeito colateral.

Artur Timerman, infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein, afirma que tem percebido, em consultório, um aumento dos relatos da prática. Timerman estuda os vírus e os tratamentos contra o HIV desde 1981.

"Esses jovens que estão escolhendo ter HIV, com o perdão da palavra, são 'imbecis com iniciativa'. Esse mito de que não existe mais efeito colateral é uma falácia sem tamanho", diz Timerman. Segundo ele, nenhum medicamento que precisa ser utilizado por anos é livre de efeitos colaterais.

"O paciente com HIV vai precisar tomar remédios para o resto da vida. As consequências, geralmente, são alteração dos ossos e problemas renais", explica.

Outro mito que circula entre os jovens é de que, para contrair o vírus, é preciso estar com a imunidade baixa. De acordo com o médico, essa informação também é falsa.

"Esses argumentos falsos estão ajudando a aumentar o número de pessoas infectadas no Brasil. Mesmo que o remédio não tivesse efeito colateral, o governo brasileiro não vai ter força financeira para bancar coquetel para todo mundo", completa.

Menos de 20% dos infectados com o vírus sentem os efeitos da doença nos primeiros anos após a contração do vírus. A maior parte das pessoas sentirá os sintomas apenas seis ou sete anos depois. De 2006 a 2014, de acordo com dados do Ministério da Saúde, houve um aumento de casos de HIV em cerca de 50% para jovens entre 15 e 24 anos.

O médico Esper Kallas, professor da Universidade de São Paulo e estudioso de infecções por HIV, realiza cerca de dois ou três diagnósticos por semana em seu consultório. Ele avalia que há, realmente, mais facilidade para o tratamento da doença, mas que ainda existem riscos.

"É preciso ter disciplina com o medicamento. Caso haja um descuido, o vírus pode se tornar mais forte e será necessário buscar novos remédios. De qualquer maneira, acredito que este grupo de homens que escolhe contrair o vírus ainda seja isolado, não algo disseminado. A maior parte das pessoas que recebo no consultório contraíram o vírus por descuido no momento de fazer sexo", diz Kallas.



sábado, 7 de março de 2015

A maldade é contagiosa

Primo Levi, 1919-1987
escritor judeu italiano
que testemunhou os horrores
do holocausto
Artigo publicado no IHU:

O contágio do mal.
Artigo de Primo Levi

Nunca a consciência humana foi violentada, ofendida, distorcida como nos campos de concentração: em nenhum lugar, foi mais clamorosa a demonstração de quão tênue é cada consciência, de quão fácil é subvertê-la e submergi-la.

A opinião é do químico e escritor italiano Primo Levi (1919-1987), sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. É autor do livro É isto um homem? (1947), memória dos seus sofrimentos no campo de concentração.

O artigo foi publicado no jornal La Stampa, 21-01-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Pensem: há não mais do que 20 anos, e no coração desta civilizada Europa, foi sonhado um sonho demente, o de edificar um império milenar sobre milhões de cadáveres e de escravos. O verbo foi banido para as praças: pouquíssimos se recusaram e foram decepados; todos os outros consentiram, parte deles com desgosto, parte com indiferença, parte com entusiasmo. Não foi somente um sonho: o império, um efêmero império, foi edificado: os cadáveres e os escravos existiram. […]

Mas também houve mais, e pior: houve a demonstração despudorada de como o mal prevalece facilmente. Isso, notem bem, não só na Alemanha, mas onde quer que os alemães tenham posto os pés; em toda a parte, eles o demonstrado, é uma brincadeira de criança encontrar traidores e fazer deles sátrapas, corromper as consciências, criar ou restaurar aquela atmosfera de consenso ambíguo, ou de terror aberto, que era necessária para traduzir em ato os seus desígnios.

Tal foi a dominação alemã na França, na França inimiga de sempre; tal foi na livre e forte Noruega; tal foi na Ucrânia, apesar dos 20 anos de disciplina soviética; e as mesmas coisas aconteceram, conta-se com horror, dentro dos próprios guetos poloneses: até mesmo dentro dos campos de concentração. Foi uma irrupção, uma enxurrada de violência, de fraude e de servidão: nenhuma represa resistiu, salvo as ilhas esporádicas das Resistências europeias.

Nos próprios campos de concentração, eu disse. Não devemos recuar diante da verdade, não devemos indultar à retórica, se realmente queremos nos imunizar. Os campos de concentração foram, além de lugares de tormento e de morte, lugares de perdição.

Nunca a consciência humana foi violentada, ofendida, distorcida como nos campos de concentração: em nenhum lugar, foi mais clamorosa a demonstração a que nos referíamos antes, a prova de quão tênue é cada consciência, de quão fácil é subvertê-la e submergi-la.

Não admira que um filósofo, Jaspers, e um poeta, Thomas Mann, tenham renunciado a explicar o hitlerismo em chave racional e tenha falado dele, literalmente, como "dämonische Mächte", como potências demoníacas.

Nesse plano, adquirem sentido muitos detalhes, desconcertantes, da técnica concentracionária. Humilhar, degradar, reduzir o homem ao nível das suas vísceras. Por isso, a viagem nos vagões selados, propositalmente promíscuos, propositalmente desprovidos de água (não se tratava aqui de razões econômicas). Por isso, a estrela amarela sobre o peito, o corte dos cabelos, também nas mulheres. Por isso a tatuagem, o uniforme desajeitado, os sapatos que fazem tropeçar. Por isso, e de outro modo não se entenderia, a cerimônia típica, predileta, cotidiana, da marcha em passo militar dos homens-trapos diante da orquestra, uma visão grotesca mais do que trágica.

Assistiam-na, além dos chefes, as repartições da Hitlerjugend, rapazes de 14-18 anos, e é evidente quais deviam ser as suas impressões. São esses, portanto, os judeus de que nos falaram, os comunistas, os inimigos do nosso país? Mas eles não são homens, são marionetes, são feras: estão sujos, esfarrapados, não se lavam, não se defendem ao serem agredidos, não se rebelam; não pensam senão em encher a pança. É justo fazê-los trabalhar até a morte, é justo matá-los. É ridículo compará-los a nós, aplicar a eles as nossas leis.

Chegava-se ao mesmo escopo de aviltamento, de degradação por outro caminho. Os funcionários do campo de Auschwitz, mesmo os mais altos, eram prisioneiros: muitos eram judeus. Não se deve acreditar que isso mitigasse as condições do campo: ao contrário. Era uma seleção ao revés: eram escolhidos os mais vis, os mais violentos, os piores, e lhes eram concedidos todo poder, alimentos, vestes, isenção do trabalho, isenção da própria morte em gás, contanto que colaborasse.

Colaboravam: e eis que o comandante Höss pode se livrar de todo remorso, pode levantar a mão e dizer "está limpa": não somos mais sujos do que vocês, os nossos próprios escravos trabalharam conosco. Releiam a terrível página do diário de Höss em que se fala do Sonderkommando, da equipe designada para as câmaras de gás e para o crematório, e vocês entenderão o que é o contágio do mal.



Mulheres trabalham emoções e memória de maneira diferente

É o que diz pesquisa publicada no Brasil Post:

Homens e mulheres processam emoções de forma diferente (e isso afeta a memória)

Algumas situações são comuns na vida de boa parte dos casais. Por exemplo, esquecer uma toalha molhada em cima da cama é algo insignificante para o homem, mas, para a mulher, pode ser motivo de puxão de orelha — ou uma briga ferrenha, dependendo da dinâmica do par. E esta toalha molhada no lugar errado, na hora errada, será sempre lembrada em discussões futuras...

As mulheres se lembram mais de cenas e objetos que mexeram com as emoções, enquanto os homens podem achá-los bobos (ou mesmo esquecê-los). É o que diz um estudo que acaba de ser publicado no Journal of Neuroscience.

Estudiosos observaram 3.398 pessoas em quatro séries em que homens e mulheres tinham que olhar uma coleção de figuras — algumas que eram estimulantes em termos emocionais, outras não. O resultado sustenta a ideia de que emoções aplacam homens e mulheres igualmente, mas no caso delas, a imagem que gerou tal emoção fica impregnada na mente.

"O resultado corrobora com a crença comum de que mulheres são mais emocionalmente expressivas que os homens", afirma uma das pesquisadora, a dra. Klara Spalek.

Ainda que o estudo tenha achado a explicação para a forma como mulheres se lembram de coisas que homens esquecem, a ciência ainda não sabe responder por que raios alguém não coloca a toalha molhada no lugar certo!



sexta-feira, 6 de março de 2015

Quando a Arábia era cristã


Matéria publicada no Gaudium Press:

Arqueólogos descrevem presença cristã na Arábia no século V

Beirute - Arábia Saudita (Quinta-feira, 29-01-2015, Gaudium Press) Recentemente, uma descoberta feita por arqueólogos franco-sauditas revelou a presença de uma comunidade cristã viva e atuante no deserto saudita no século V.

Orientados pelo Professor Frédéric Imbert, da Universidade de Aix-Marseille, na França, os pesquisadores acabaram descobrindo centenas de cruzes que haviam sido esculpidas em rochas, e até mesmo nomes de cristãos e bíblicos, mais precisamente mártires mortos durante as perseguições que assolavam a região na época.

De acordo com informações da agência de notícias francesa "Orient-Le Jour", a descoberta nas paredes de rocha de Jabal Kawkab (a montanha da estrela), no Emirado de Najran, situado no sul da Arábia Saudita, foi apresentada pelo Professor Imbert em conferência realizada na Universidade Americana de Beirute.

De acordo com Imbert, as cruzes e as inscrições são consideradas "o mais antigo livro dos Árabes", tendo sido escrito "nas pedras do deserto", uma "página da história dos Árabes e do cristianismo".

Conforme o professor, "as cruzes não são as únicas conhecidas na Arábia do Sul e do Leste, mas, sem dúvida, são as mais antigas cruzes cristãs em um contexto que remontamos o ano 470 da nossa era", junto com diversos textos encontrados, feitos ainda no período do Reino himairita de Shurihbil Yakkuf, governante da Arábia do Sul de 470 a 475.

Durante o governo de Shurihbil, tiveram início as perseguições cristãs no local, sendo mortos Marta e Rabi, ambos inscritos na lista dos martírios de Najran, no chamado "Livro dos Himairiti".

Propagado no século IV, o cristianismo na Arábia "difundiu-se na região do Golfo, nas regiões costeiras do Iêmen e de Najran", graças aos missionários persas do Império Sassânida e aos missionários siríacos. Naquele tempo, dois bispos consagrados em 485 e 519, pertenciam à comunidade siríaca, provavelmente oriundos do Iraque. (LMI)



quinta-feira, 5 de março de 2015

Pesquisa diz que casados são mais felizes (nos países ricos)


Matéria publicada no Estadão:

Na saúde e na doença: as pessoas casadas são realmente mais satisfeitas, mostra estudo

Estudo indica que nos países mais ricos, o casamento traz níveis elevados de felicidade

O casamento pode deixar as pessoas mais felizes? Entre os altos índices de divórcio e jovens postergando ou mesmo desistindo de se casar - se seus países os permitirem abdicar do casamento -, a resposta pode ser um sonoro 'não'.

Alguns estudos já tentaram provar o contrário, pelo menos nas nações mais ricas do ocidente, e mostram que pessoas casadas registram níveis mais altos de felicidade e satisfação em comparação àqueles que nunca subiram ao altar. A partir dessa perspectiva, sua atitude passiva-agressiva diante da seus amigos que não para de se gabar sobre o cônjuge perfeito nas redes sociais é perfeitamente justificável.

Um novo estudo publicado pelo National Bureau of Economic Research vem para fortalecer o grupo dos adeptos ao casamento. A partir da análise de dados sobre sua satisfação em diversos aspectos da vida dos entrevistados, de relacionamentos a status socioeconômico, os autores da pesquisa, Shawn Grover, do Canada's Department of Finance e John F. Helliwell, da Vancouver School of Economics, chegaram a resultados que podem apoiar quem tem o casamento como plano futuro:

- O casamento realmente leva à satisfação: "Mesmo levando em consideração a vida pré-marital, aqueles que se casam são mais satisfeitos do que aqueles que permanecem solteiros".

- Estes benefícios não se esgotam, ao contrário do que indicam outros estudos: "Os benefícios do casamento persistem no longo prazo, por mais que o período imediatamente após o casamento seja de maior sucesso".

- O matrimônio ajuda as pessoas a se manterem firmes nos períodos mais suscetíveis à depressão: "O casamento é visto com maior importância na meia idade, quando as pessoas estão mais sensíveis a mergulhar no bem-estar ou cair na melancolia, não importa o estado civil".

- Faça do seu cônjuge seu melhor amigo: "Aqueles que são melhores amigos dos seus parceiros obtêm os maiores benefícios do casamento e da convivência. O bem-estar do casamento é dobrado para aqueles cujo cônjuge também é seu melhor amigo".

Esses dados podem parecer desanimadores para quem não está a caminho do altar ou de uma parceria para o resto da vida, por escolha ou não. Mas há um lado positivo: a felicidade não é inata, nem definida por genes, portanto, há um controle sobre aquilo que pode levar a uma vida plena, seja casamento, dinheiro, carreira, tempo com amigos.



quarta-feira, 4 de março de 2015

Papa ganha diploma de sommelier


A informação foi publicada no caderno Paladar do Estadão de 26/01/15:

Papa Francisco ganha diploma de sommelier

Na última semana, o papa Francisco ganhou uma designação honorário de sommelier. O diploma foi concedido durante a visita de Franco Maria Ricci, presidente da Associação Italiana de Somemeliers, e de uma delegação composta por 180 produtores de vinho, sommelier e críticos. “Eu bebo um pouco de vinho italiano e de outros países. Mas só um pouco”, disse o papa ao site Breitbart, que já disse em um evento no último ano que “sem vinho, não há festa. Imagine terminar um banquete só com chá!”.

Ricci teve a ideia de pedir uma reunião com o papa depois das inúmeros declarações de Francisco falando bem da bebida. “É uma honra e encorajamento para nosso trabalho”, disse ele. Na Bíblia, há 224 referências a vinho – talvez por isso, Francisco não seja o único papa a falar sobre a bebida. Seu antecessor, Bento XVI, também falava constantemente sobre vinho e mencionou a bebida em seu primeiro discurso como sumo-pontífice – ele disse “sou um simples e humilde trabalhador na vinícola do Senhor”.



terça-feira, 3 de março de 2015

Como as religiões terrestres reagiriam a alienígenas?


É esta a pergunta que procura responder matéria publicada no HypeScience:

O fim da sua religião e a descoberta de vida alienígena

Apesar de muitas teorias absolutamente convincentes para explicar o Paradoxo de Fermi e o grande silêncio que vivenciamos até agora com relação à vida extraterrestre, alguns, como David A. Weintraub, da Universidade de Vanderbilt (em Tennessee, nos Estados Unidos), acreditam que a prova de que a vida existe fora da Terra está finalmente chegando.

E aí vem aquela pergunta que não quer calar: como a humanidade vai reagir depois que os astrônomos nos mostrarem evidências científicas e sólidas para a existência de vida extraterrestre?

Quando os cientistas anunciarem essa descoberta, só temos uma certeza: tudo vai mudar. E nossas filosofias e religiões terão que incorporar essas novas informações.

A busca por sinais de vida lá fora

Os astrônomos já identificaram milhares de planetas que orbitam em torno de outras estrelas. No ritmo atual de descobertas, a expectativa é que outros milhões de planetas sejam encontrados ainda neste século.

Já tendo encontrado os planetas físicos, os astrônomos estão agora à procura de nossos vizinhos biológicos. Isso significa que ao longo dos próximos 50 anos, eles irão começar o tentador estudo detalhado de milhões de planetas à procura de evidências da presença de vida na superfície, no subterrâneo ou nas atmosferas desses planetas.

E é muito provável que encontrem o que estão procurando.

Lá nos Estados Unidos foi feito um levantamento e mais de um terço dos entrevistados disseram acreditar que os extraterrestres já visitaram a Terra, sem a gente saber. Tipo de visita que vem sem ser convidada e sai sem dar tchau. Acreditamos que essa proporção não fuja muito disso a nível mundial. Mas, apesar desse “achismo” de senso comum, a primeira evidência de vida além de nosso planeta provavelmente não contará com sinais de rádio, ou com homenzinhos verdes chegando pelo céu com discos voadores metálicos.

Em vez disso, um Galileu do século 21, usando um enorme telescópio de 50 metros de diâmetro, vai coletar a luz das atmosferas de planetas distantes, procurando as assinaturas de moléculas biologicamente significativas. Algo que não tem exatamente um grande potencial para virar filme de Hollywood.

O que os astrônomos fazem é filtrar a luz de longe através de espectrômetros, que são prismas de alta tecnologia que provocam a luz distante em seus muitos comprimentos de onda distintos. Eles fazem isso à procura por impressões digitais reveladoras de moléculas que não existiriam em abundância nesses ambientes, na ausência de coisas vivas. Os dados espectroscópicos, então, dirão se o ambiente de um planeta foi alterado de forma que apontam para processos biológicos.

Qual é o nosso lugar no universo? Se não estamos sozinhos, quem somos nós?

Com a descoberta de um planeta distante no espectro de luz, com uma substância química que só poderia ser produzida por seres vivos, a humanidade vai ter a oportunidade de ler uma página nova no livro do conhecimento. Nós não ficaremos mais especulando sobre se outros seres existem no universo. Nós saberemos de uma vez por todas que não estamos sozinhos.

Dá um frio na barriga só de pensar.

Afinal, uma resposta afirmativa à pergunta “a vida existe em nenhum outro lugar no universo além da Terra?” levantaria questões imediatas e profundamente importantes, tanto para as ciências quanto para a filosofia e teologia, sobre o nosso lugar no universo. Se os seres extraterrestres realmente existirem, isso significará que a minha religião, minhas crenças e práticas religiosas não podem mesmo ser universais.

Se a minha religião não é universalmente aplicável a todos os outros extraterrestres, talvez ela não precise ser oferecida, nem muito menos forçada, a todos os outros terrestres. Em última análise, podemos aprender algumas lições importantes aplicáveis aqui em casa, só pelo fato de considerar a possibilidade de vida fora do nosso planeta.

David Weintraub investigou os escritos sagrados das religiões mais amplamente praticadas do mundo, perguntando o que cada religião tem a dizer sobre a exclusividade ou não singularidade da vida na Terra, e como, ou se, uma religião em particular iria funcionar em outros planetas em partes distantes do universo. É o tipo de pergunta que faz o cérebro de qualquer um ferver!

Os extraterrestres poderiam ser cristãos?

Vamos examinar uma questão teológica aparentemente simples, mas extremamente complexa: os extraterrestres poderiam ser cristãos? Se Jesus morreu para redimir a humanidade do estado de pecadores no qual os humanos nascem, a morte e a ressurreição de Jesus, na Terra, também iria salvar seres extraterrestres de todos os seus pecados?

Se for assim, por que os extraterrestres seriam pecadores? O pecado é item de série no próprio tecido de espaço e tempo do universo? Ou a vida pode existir em partes do universo sem estar em um estado de pecado e, portanto, sem a necessidade de redenção e, portanto, sem a necessidade do cristianismo? Muitas soluções diferentes para estes enigmas que envolvem a teologia cristã foram apresentadas na pesquisa de Weintraub. Mas a verdade é que nenhuma delas satisfaz a todos os cristãos do mundo.

O mundos dos Mórmons

A Escritura Mórmon ensina claramente que existem outros mundos habitados e que “os seus habitantes são filhos e filhas gerados para Deus” (Doutrinas e Convênios 76:24). A Terra, porém, é um mundo favorecido no mormonismo, porque Jesus, como entendido pelos mórmons, viveu e foi ressuscitado só na Terra.

Além disso, diz também que os mórmons só podem alcançar seus próprios objetivos espirituais durante as suas vidas na Terra, e não em vidas em outros mundos. Assim, para os mórmons, a Terra pode até não ser o centro físico do universo, mas é o lugar mais favorecido dele. Tal visão implica que todos os outros mundos são, de alguma forma, mundos menores do que a Terra.

Há anos-luz de Meca

Os pilares da fé para os muçulmanos exigem que os fiéis rezem cinco vezes por dia, virados para a direção de Meca. Como determinar a direção certa de Meca pode ser extremamente difícil em um planeta que fica há milhões de anos-luz da Terra, praticar a mesma fé em um outro mundo pode não fazer nenhum sentido.

No entanto, as palavras do Alcorão nos dizem que “quaisquer que sejam os seres, nos céus e na terra, devem adorar a Allah” (13:15). Mas poderiam os muçulmanos terrestres aceitar que a religião profeticamente revelada de Muhammad é destinada apenas para os seres humanos na Terra e que outros mundos têm os seus próprios profetas?

Astrônomos são destruidores de paradigmas

Em certos momentos ao longo da história, as descobertas dos astrônomos têm exercido uma enorme influência sobre a cultura humana. Os gregos antigos astrônomos, por exemplo, desachataram a Terra – embora muitos deles resolveram esquecer esse conhecimento.

Da escola da Renascença, os estudiosos Copérnico e Galileu colocaram a Terra em movimento em torno do sol e tiraram os seres humanos do centro do universo.

No século 20, Edwin Hubble eliminou a própria ideia de que o universo tem qualquer coisa que se pareça com um centro. Ele demonstrou que o universo tem um começo no tempo e que, curiosamente, tem um tecido tridimensional, em constante expansão.

Claramente, quando os astrônomos chegam com novas ideias ousadas para o mundo, eles não brincam em serviço. Outra nova ideia tão demolidora de paradigma pode estar na luz que chega a nossos telescópios agora.

Não importa quão religioso ou não você seja. Em um futuro muito próximo, todos estaremos nos fazendo perguntas como “o meu Deus é o Deus de todo o universo? Minha religião é terrestre ou universal?”.

Muitas pessoas terão que trabalhar para conciliar a descoberta de vida extraterrestre com suas respectivas religiões, adaptando-se a essa notícia que promete ser bombástica.



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