segunda-feira, 20 de abril de 2015

Divórcio aumenta risco de ataque cardíaco, diz pesquisa

A matéria é do Brasil Post:

Divórcio pode aumentar risco de ataque cardíaco em até 77%. Entenda o porquê.

Ione Aguiar

Você é divorciado? Então preste atenção no coração.

Pessoas que se divorciaram correm mais risco de sofrer ataques cardíacos do que pessoas casadas, revelou um estudo da Duke University.

Os pesquisadores acompanharam quase 16 mil pessoas durante 18 anos e concluíram que, especialmente para as mulheres, o divórcio pode ser um fator de risco tão alto quanto a pressão alta e o diabetes.

Mulheres que passaram por um divórcio têm 24% mais risco de sofrer enfartes.

Já entre as que se divorciaram mais de uma vez, o risco é 77% maior do que entre as casadas. O número é similar ao de hipertensos e diabéticos, cuja propensão de ter problemas cardíacos gira em torno de 73% e 81%, respectivamente.

Entre os homens, a diferença é mais modesta. Divorciados uma vez têm chances 10% maiores. Para duas vezes ou mais, o risco sobe para 30%.

Curiosamente, casar novamente diminui os riscos, mas só para os homens.

Por quê?

À BBC, a pesquisadora Linda George disse acreditar que o desgaste psicológico do divórcio leva a níveis mais altos de inflamação e aumenta os hormônios do estresse.

"A imunidade é prejudicada, e se isso continua por muitos anos realmente existe um preço fisiológico a se pagar", explicou.

Ela atribui a diferença entre os sexos à forma como homens e mulheres lidam com a separação. Segundo a pesquisadora, o divórcio pode ser "um fardo psicológico" mais pesado para a maior parte das mulheres.



domingo, 19 de abril de 2015

A sabedoria de Einstein, 60 anos depois de sua morte


Artigo interessante publicado no Brasil Post:

60 anos da morte de Albert Einstein: 6 frases inspiradoras do maior cientista da história

Ione Aguiar

"Amável", "nobre" e "são". Estas são algumas das palavras usadas para descrever Albert Einstein no obituário que estampou as páginas do New York Times em 19 de abril de 1955.

Neste sábado (19), faz 60 anos que Einstein morreu aos 76 anos, deixando para trás um mundo muito, mas muito diferente de quando nasceu.

O sentido do espaço e do tempo foi completamente demolido com sua Teoria da Relatividade. E duas bomba atômicas, consequências infelizes de sua genialidade, comprovaram até onde pode ir irracionalidade humana.

É consenso em suas várias biografias que Einstein foi um pacifista, dotado de agudo senso de justiça e de tolerância.

O Brasil Post reuniu algumas de suas frases, que provam que Einstein era muito mais do que um grande cientista. Era um homem fascinante.

1. Sobre o maravilhamento

"A mais linda experiência que podemos ter é o misterioso. É a emoção fundamental, berço da verdadeira arte e da verdadeira ciência. Quem quer que não a conheça e já não possa imaginar ou se maravilhar, está morto."

2. Sobre o senso comum

"Senso comum não é nada mais do que um depósito de preconceitos colocados na mente antes de fazermos dezoito anos"

3. Sobre o sucesso

"Se A é sucesso na vida, então A é igual a X mais Y mais Z. X é trabalho. Y é diversão, e Z é manter sua boca fechada!"

4. Sobre a paixão

"Nada realmente valioso nasce da ambição ou do mero senso de dever. Só surge do amor e da devoção pelos homens"

5. Sobre o nacionalismo

"Nacionalismo é uma doença infantil. É o sarampo da raça humana."

6. Sobre a solidão

"Meu apaixonado senso de responsabilidade social sempre contrastou com minha pronunciada ausência de necessidade de contato direto com outros humanos. Eu sou realmente um 'viajante solitário' e nunca pertenci a meu país, meu lar, meus amigos ou mesmo à minha família com todo meu coração. Mesmo com todos estes laços, nunca perdi a necessidade de estar sozinho".



sábado, 18 de abril de 2015

Dietrich Bonhoeffer, 70 anos depois de sua morte

No dia 9 de abril de 1945, um mês antes da capitulação da Alemanha nazista frente aos aliados, Dietrich Bonhoeffer foi enforcado nu por ter tido a coragem de se opor à insanidade que havia tomado conta do país.

Em homenagem ao grande teólogo protestante alemão, reproduzimos o artigo abaixo publicado no IHU:


O desafio de Bonhoeffer ao nazismo.
Artigo de Alberto Melloni


Bonhoeffer não é um homem forçado a viver sob o nazismo: ele poderia ter ficado nos Estados Unidos ou em Londres, onde ele tinha sido levado pelo seu trabalho como teólogo e onde sonhou um concílio de todas as Igrejas para anunciar a paz de Cristo ao mundo em delírio.

A opinião é de Alberto Melloni, historiador da Igreja, professor da Universidade de Modena-Reggio Emilia e diretor da Fundação de Ciências Religiosas João XXIII de Bolonha. O artigo foi publicado no jornal Corriere della Sera, 09-04-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Era dezembro de 1931. Um jovem livre professor evangélico, pároco dos estudantes da escola técnica de Berlim, ávido leitor do livro de capa violeta de Otto Dibelius, O século da Igreja, vai escutar uma palestra do admirado teólogo, superintendente geral da Igreja Luterana em Berlim.

E conta a Erwin Sutz a cena hilariante que se revela a ele: "Dibelius nos informou em uma conferência sobre o fato de que a Igreja tem 2.500 estudantes a mais e que, por isso, aos teólogos poderão ser feitos pedidos particulares, incluindo, em primeiro lugar, a disponibilidade ao martírio, em uma luta em que estariam entrelaçados ideais políticos e religiosos! (...). Os ouvintes pisoteavam como loucos: viva a 'Igreja violeta'".

O ouvinte afiado e cortante daquela infantil arrogância era Dietrich Bonhoeffer: jovem teólogo de alta linhagem acadêmica (o bisavô era o historiador da Igreja Karl August von Hase, chamado por Goethe a Jena, o avô era o pregador da corte Karl Alfred), cuja figura e cuja obra marcam um antes e um depois na história do cristianismo.

Bonhoeffer não é um homem forçado a viver sob o nazismo: ele poderia ter ficado nos Estados Unidos ou em Londres, onde ele tinha sido levado pelo seu trabalho como teólogo e onde sonhou um concílio de todas as Igrejas para anunciar a paz de Cristo ao mundo em delírio.

De volta à pátria, trabalhou no seminário clandestino da Igreja Confessante, na que Dibelius também tinha entrado: e aceitou entrar na contraespionagem alemã, posição essencial para uma ação de resistência que visava a matar Hitler.

Preso no dia 5 de abril de 1943, deu-se conta, depois do fracasso do complô de Canaris, que não tinha saída e, da prisão de Tegel, escreveu, em forma de pensamentos, cartas e poesias, textos que cumpriam o percurso teológico iniciado com a tese sobre a Communio sanctorum em 1927 e que continuou nos cursos (o de 1932 saiu em italiano no dia 22 de abril, com o título Tra Dio e il mondo [Entre Deus e o mundo], pela editora Castelvecchi, traduzido por Nicholas Zippel, p. 64 e 69).

Assim, naquela série de textos que seria reunida com o título Resistência e submissão, Bonhoeffer marca uma ruptura no modo de pensar Deus com uma "fé concreta". Em torno dessa interrogação da responsabilidade se desdobrará a sua vida como prisioneiro até o dia 9 de abril de 1945, quando, em uma Alemanha já derrotada, Bonhoeffer foi levado ao castelo de Flossenbürg, submetido a um processo rocambolesco para salvar as formas e enforcado pouco antes da chegada dos Aliados.

Bonhoeffer não vive esse trajeto com a alma febril dos pisoteadores exaltados da "Igreja violeta", mas com a dolorosa ternura de quem viu a dupla "substituição vicária" da Igreja e do mundo, colocada, uma, lá onde deveria estar o outro, em um deslocamento em que o Cristo se revela como tal "para o mundo" e não "para si mesmo".

Ele já tinha escrito isso em uma pregação de 1932: "É possível que o cristianismo, iniciado de modo tão revolucionário, seja agora e para sempre conservador? (...) Se é realmente assim, não devemos nos admirar que até mesmo a nossa Igreja volte ao tempo em que será pedido o sangue dos mártires. Mas esse sangue, admitindo-se que ainda tenhamos a coragem, a honra e a fidelidade para derramá-lo, não será tão inocente e luminoso como o das primeiras testemunhas. Sobre o nosso sangue, haverá o peso de uma nossa grandes culpa: a culpa do servo inútil, que é jogado para fora, nas trevas".

Mas, ao se reconhecer assim, ele descobre a graça cara. E, ao mesmo tempo, descobre que somente "o Christus intercedens nos assegura da graça de Deus".



sexta-feira, 17 de abril de 2015

Refugiados muçulmanos jogam cristãos no Mar Mediterrâneo


A informação é do Brasil Post:

Imigrantes muçulmanos jogam cristãos no mar durante travessia para a Itália

Gabriela Bazzo

A polícia italiana prendeu 15 homens suspeitos de obrigarem 12 imigrantes cristãos de pularem de um barco em pleno Mediterrâneo durante uma travessia entre o continente africano e a costa da Itália.

De acordo com a polícia de Palermo, os homens presos eram da Costa do Marim, do Mali e do Senegal. Eles serão acusados de múltiplo homicídio motivado por ódio religioso. Além de provocarem a morte dos imigrantes, que vinham da Nigéria e de Gana, eles ameaçaram outros cristãos que estavam no barco.

De acordo com a BBC, eles estavam entre 105 pessoas que viajam em um barco inflável vindos da Líbia. Segundo os sobreviventes, outros cristãos que estavam no barco relataram terem sido ameaçados.

Segundo a CNN, os outros passageiros se salvaram porque formaram um cordão humano que evitou que eles fossem lançados no mar.

O incidente agrava uma crise humanitária: segundo a Organização Internacional para a Migração (IOM, siga em inglês), cerca de 20 mil pessoas chegaram à costa italiana este ano - durante a travessia, mais de 900 pessoas morreram desde o começo de 2015.

No ano passado, foram 3.200 mortes registradas e, desde 2000, 22 mil pessoas morreram tentando chegar à Itália.

No ano passado, 170 mil pessoas fugiram da África e do Oriente Médio e realizaram a travessia, de pelo menos 500 km, até a Itália.




quinta-feira, 16 de abril de 2015

Vaticano atrasa admissão de embaixador gay da França


A matéria rocambolesca é do IHU:

O embaixador francês é gay. A Santa Sé não o credencia

Em Paris, ele é considerado "a melhor personalidade possível para esse papel", mas o Vaticano ainda não deu o aval para Laurent Stefanini. O motivo pelo qual a Santa Sé atrasa o seu sim à nomeação do novo embaixador da França seria, de acordo com a mídia francesa, a sua declarada homossexualidade.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no jornal La Stampa, 10-04-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A Sala de Imprensa vaticana opõe formalmente um "no comment" aos pedidos de esclarecimento dos jornalistas, que ressaltam a incongruência desse episódio com a sensibilidade acentuada em relação à condição homossexual manifestada tanto por Francisco ("Se uma pessoa é gay e busca o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para julgar?", disse o papa no retorno da Jornada Mundial da Juventude do Rio), quanto do último Sínodo dos bispos sobre a família.

Por trás do silêncio das fontes oficiais, na Cúria, admite-se que o problema existe e que diz respeito não tanto à condição pessoal indicado do embaixador indicado por Paris, mas ao seu perfil público de apoiador do casamento gay.

Melhor outro nome

Na Secretaria de Estado, salientam que a decisão ainda não foi tomada e que a questão está sendo assumida pelo arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário para as relações com os Estados, que ocupa esse cargo há pouco mais de dois meses e que ainda não tem aprofundou a questão.

A última palavra caberá ao papa, depois de ouvir o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado. Na atual situação, a diplomacia pontifícia também espera que possa chegar de Paris a proposta de um outro nome.

O ex-chefe do protocolo do Eliseu e ex-número dois da Embaixada da França junto à Santa Sé, Laurent Stefanini, foi nomeado no dia 5 de janeiro pelo presidente François Hollande para suceder Bruno Joubert na Villa Bonaparte.

"Filha predileta"

No tabuleiro internacional, a França, "filha predileta" do papado, é historicamente um ambiente fundamental para a Santa Sé, a tal ponto que os serviços secretos franceses sempre tiveram a defesa do pontífice como uma das suas missões fundamentais, como demonstra também o alerto que chegou ao Vaticano pouco antes do atentado de 1981, na Praça de São Pedro, contra Karol Wojtyla.

"Não há figura mais apta do que Stefanini para desempenhar o papel de embaixador da França junto à Santa Sé", garantem no Quai d'Orsay, reiterando o "profundo conhecimento" por parte do diplomata dos dossiês ligados ao mundo católico e às relações com o Vaticano.

A melhor oferta

Stefanini obteve o "total apoio" da Conferência Episcopal Francesa, e o fato de que, para Paris, "não havia melhor candidatura possível" é garantido por fontes do governo francês.

Tal estado de impasse ao longo do eixo Vaticano-Paris ocorrera em 2008. "Quanto à sua sexualidade, é uma questão estritamente privada. Abstemo-nos de qualquer comentário", apontam em Paris, explicando que, nesse tipo de assunto, "nunca há um não", mas sim "uma ausência de resposta" sobre a proposta de candidatura.

Em todo o caso, o procedimento está ainda em curso. De acordo com vários meios de comunicação franceses, incluindo o Canard Enchaîné, Les Echos e Le Journal du Dimanche, o Vaticano ainda não deu o aval a Stefanini como embaixador francês junto à Santa Sé justamente por ele ser gay.



quarta-feira, 15 de abril de 2015

Número de mortes por depressão cresce assustadoramente no Brasil

A informação foi publicada no UOL Saúde:

No Brasil, mortes por depressão crescem 705% em 16 anos

Fabiana Cambricoli

Em 16 anos, o número de mortes relacionadas com depressão cresceu 705% no Brasil, mostra levantamento inédito feito pelo jornal O Estado de S. Paulo com base nos dados do sistema de mortalidade do Datasus. Estão incluídos na estatística casos de suicídio e outras mortes motivadas por problemas de saúde decorrentes de episódios depressivos.

Foi a depressão, somada à dependência química, o que provavelmente levou o ator americano Robin Williams, de 63 anos, a se matar, na segunda-feira passada, dia 11. Os dados mostram que, em 1996, 58 pessoas morreram por uma causa associada à depressão. Em 2012, último dado disponível, foram 467.

O número total de suicídios também teve aumento significativo no Brasil. Passou de 6.743 para 10.321 no mesmo período, uma média de 28 mortes por dia. As taxas de suicídio são muito superiores às mortes associadas à depressão porque, na maioria dos casos, o atestado de óbito não traz a doença como causa associada.

No Brasil, a faixa etária correspondente à terceira idade é a que reúne as estatísticas mais preocupantes. No caso de mortes relacionadas à depressão, os maiores índices estão concentrados em pessoas com mais de 60 anos, com o ápice depois dos 80 anos.

No caso dos suicídios, embora os números absolutos não sejam maiores entre os idosos, a maior taxa de crescimento no período analisado ocorreu entre pessoas com mais de 80 anos. Entre 1996 e 2012, o suicídio cresceu 154% nesta faixa etária.

Causas

Segundo especialistas, o aumento de suicídios e de mortes associadas à depressão está relacionado com dois principais fatores: o aumento das notificações e o crescimento de casos do transtorno. "Como o assunto é mais discutido hoje, há maior procura por atendimento médico e mais diagnósticos. Mas também está provado, por estudos epidemiológicos, que a incidência da depressão tem aumentado nos últimos anos, principalmente nos grandes centros", disse Miguel Jorge, professor associado de psiquiatria da Unifesp.

Jorge explica que, além do componente genético, que pode predispor algumas pessoas à doença, fatores externos da vida atual, como o estresse e a grande competitividade profissional, podem favorecer o aparecimento da doença.

No caso dos idosos, a chegada de doenças crônicas incuráveis, o luto pela perda de pessoas próximas e a frustração por não poder mais realizar algumas atividades os tornam mais vulneráveis à depressão e ao suicídio. "Um estilo de vida estressante, o uso de drogas e álcool e insatisfação em diversas áreas são fatores de risco para a doença. Fazer escolhas pessoais e profissionais que ajudem a controlar esses fatores é uma forma de prevenir a depressão", diz o especialista.



terça-feira, 14 de abril de 2015

Já existe aula de yoga com maconha na California


A matéria é do Catraca Livre:

Professora inaugura aula de yoga com maconha na Califórnia

Em São Francisco, na Califórnia, EUA, a maconha para uso medicinal já é legalizada desde a década de 1990. Recentemente, a professora canadense Dee Dussault resolveu criar a Ganja Yoga, que consiste em uma aula de yoga em que os alunos são convidados a fumar a erva antes, durante e depois da prática. As informações são do Vírgula, da UOL.

A professora é especializada em Hatha Yoga e, em entrevista à CBC San Francisco, disse que as aulas de yoga 420 são "um caminho para que as pessoas possam desfrutar de relaxamento, alívio das dores, sensualidade e paz interior".

A ideia, que está fazendo muito sucesso, funciona da seguinte maneira: os primeiros 15 minutos são de consumo de maconha, seguidos de 90 minutos de prática de Hatha Yoga.

Os benefícios da prática de conciliar a atividade física com a maconha ainda não foram estudados. Algumas pessoas afirmam que a erva pode atrapalhar, pois tira o foco do aluno, já outros acreditam que os canabinoides potencializam o relaxamento e a dedicação durante as posturas. Para participar das aulas, é necessário ter o registro de usuário medicinal.



segunda-feira, 13 de abril de 2015

Egípcia passa 43 anos por homem para sustentar família


A matéria é do Extra:

Mulher recebe condecoração após se passar por homem durante 43 anos para trabalhar e sustentar a família

Uma mulher egípcia, que durante 43 anos se passou por homem para conseguir emprego e sustentar sua família, recebeu uma condecoração do governo da cidade de Luxor, no Egito, na última terça-feira. Sisa Abu Daooh, de 64 anos, foi honrada pela Direção da Solidariedade Social local com o prêmio de “mulher chefe de família” por seus anos de trabalho árduo para alimentar a filha e os netos. A história dela só foi descoberta no ano passado. As informações são do jornal The New York Daily News.

Sisa perdeu o marido quando ainda estava grávida da filha. Ela, que não queria pedir esmolas nas ruas, mas estava pressionada socialmente para ficar em casa, decidiu, então, se disfarçar de homem para sustentar a pequena Houda. Assim, durante 43 anos, ela trabalhou fazendo tijolos e engraxando sapatos, entre outras atividades, para ganhar dinheiro.

“Eu preferia trabalhos pesados como levantar tijolos, sacos de cimento e limpar sapatos, que mendigar nas ruas. Eu precisava ganhar a vida para mim, para a minha filha e para meus netos”, disse ela.

Ela chegou a casar a filha com um homem, quando a menina já era jovem. Porém, o rapaz ficou doente e não pôde trabalhar. Por isso, Sisa continuou sua farsa. Para não ser descoberta, ela usava roupas masculinas - incluindo turbantes - para sair de casa.

“Para me proteger dos homens e de seus assédios, e para fugir da perseguição por causa das tradições, eu decidi ser um homem. Me vestia com as roupas deles para trabalhar ao lado deles (como igual), em aldeias onde ninguém me conhecesse”, lembra.

Atualmente, Sisa diz que se mantém trabalhando como engraxate porque, assim, ganha uma “renda decente”. “Minha mãe é a única que ainda provê para a família. Ela acorda todos os dias às seis da manhã para começar a polir sapatos na estação de Luxor. Eu carrego os kits de trabalho para ela porque ela já está em idade avançada”, diz a filha Houda.

Gentil, Sisa agradece quem já ajudou em seu percurso. “Obrigado a todos que têm me ajudado. Espero ver o Egito em uma situação melhor”, diz.



domingo, 12 de abril de 2015

Por que é tão difícil mudar?

Artigo de Marcelo Levites no Estadão:

Por que é tão difícil mudar?

A pior coisa da vida é ser obrigado a abrir mão de algo que gostamos e que nos dá prazer. Seja um alimento, um vício ou até mesmo um hábito. Todos nós sabemos que para ter uma vida saudável é preciso se exercitar, manter uma alimentação balanceada, dormir com qualidade, não fumar, não beber, ter amigos etc. Mas por que é tão difícil fazer algo que sabemos que é bom para nós?

A primeira explicação pode estar no fato de o nosso cérebro estar programado a fazer algo daquela maneira, sempre. E mudar essa programação é sempre muito difícil. Muitas vezes achamos até impossível, mas não é.

Outra é a autossabotagem. Isso ocorre muitas vezes na dieta. Mesmo o médico nos dizendo que estamos proibidos de consumir determinado alimento, pois passaremos mal, nosso cérebro dá um jeitinho de nos dizer o contrário e acabamos sempre nos dando mal.

Uma terceira hipótese é a certeza de que somos inatingíveis. “Sempre fiz desta maneira e nunca me aconteceu nada”.

Para quem tem mais idade, mudar é algo muito complicado. Mas é possível e, garanto a vocês, muito prazeroso. Não digo que precisa ser algo tão radical. Dar pequenas escorregadelas na dieta, furar a academia é algo do ser humano, mas não pode ser regra.

Várias estratégias podem ajudar nosso cérebro a criar novos hábitos. Antes de comer algo que possa lhe fazer mal pense duas vezes e lembre-se das consequências ruins que aquele alimento pode provocar. Antes de desistir do exercício pense seriamente nos efeitos positivos e saiba: somos frágeis sim e algo ruim como um AVC ou um infarto pode ocorrer conosco e não só com o vizinho.

Viver intensamente é respeitar os limites do corpo e da mente e ter qualidade de vida.

Viva mais e melhor.



sábado, 11 de abril de 2015

O difícil diálogo entre economia e teologia

"O dinheiro do imposto", pintura de Rubens

A matéria é do IHU:

Quando a economia se torna tema de debate teológico

A teologia pode se ocupar dos impostos? Pode parecer estranho, mas não é. Não é nos Evangelhos que se narra o episódio em que Jesus é questionado se é certo ou não pagar o tributo a César? "É uma pergunta antiga e é pertinente ainda hoje, especialmente quando pensamos na resposta de Jesus, segundo o qual se deve dar 'a César o que é de César e a Deus o que é de Deus'. Para a fé cristã, tudo pertence a Deus e à sua ideia de amor e de justiça. Por isso, os impostos deveriam ser definidos e pagos com base em princípios que garantam a justiça para todos."

A reportagem é de Giuseppe Matarazzo, publicada no jornal Avvenire, 26-03-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Não é de se estranhar, portanto, que a Concilium, a revista internacional de teologia publicada pela Queriniana, no seu último número, aborde o assunto e reúna, com uma resenha, as sugestões e os temas lançados pelo discutido e feliz livro de do economista Thomas Piketty, O capital no século XXI (Ed. Intrínseca), detendo-se em particular sobre a "redistribuição das riquezas" e a ''justa taxação", como "soluções" para democratizar o capitalismo, capaz agora apenas de criar desigualdades, minando "a partir dos fundamentos os valores meritocráticos sobre os quais se regem as nossas sociedades democráticas".

Ao longo do tempo, a riqueza dos indivíduos mais ricos tiveram um índice de crescimento maior em relação à economia como um todo, de modo que os ricos se tornaram mais ricos, e os pobres tornaram-se mais pobres. Não se trata apenas de uma percepção de Piketty, mas também do resultado de um estudo sobre três séculos de dados em mais de 20 nações.

"O mais rico – apontam os teólogos Luiz Carlos Susin (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, Brasil) e Klaus da Silva Raupp (atualmente em formação em Boston), que comentaram o trabalho de Piketty – continuará aumentando a sua riqueza, e, no longo prazo, a desigualdade não se baseará mais apenas nas diferenças de renda, mas também nas riquezas herdadas." O garfo só pode aumentar. E interesse, inevitavelmente, às gerações posteriores.

Embora exista uma democracia formal, o abismo entre os mais ricos e os mais pobres é intransponível, e isso ofende as bases do humanismo. A economia brasileira, por exemplo, é um exemplo válido para ilustrar a disparidade entre riquíssimos e paupérrimos: segundo a ONU, relatam Silva Raupp e Susin, nos últimos 12 anos, 17 milhões de pessoas de um total de 20 milhões cruzaram a linha da pobreza extrema e da fome.

No entanto, segundo o Banco Central do Brasil, os lucros dos bancos e de outros atores do mercado financeiro alcançaram níveis sem precedentes na história do país.

A solução para colocar o capitalismo novamente na estrada democrática, para Piketty, está no sistema (justo) de taxação: "progressiva sobre a renda e, sobretudo, sobre a renda de capital (sobre os grandes patrimônios) como a melhor alternativa para regular o capital e diminuir a desigualdade".

Campo no qual se jogam elementos políticos, filosóficos. E teológicos: o bem comum e da justiça social, princípios da doutrina social católica moderna, presentes em todos os documentos da Igreja, da Rerum novarum de Leão XIII à Pacem in terris de João XXIII, até a Evangelii gaudium do Papa Francisco, que pede ao mundo católico que se posicione contra "uma economia da exclusão" e "um dinheiro que governa em vez de servir".



sexta-feira, 10 de abril de 2015

O difícil diálogo entre católicos e protestantes

A matéria é do IHU:

"O problema não é o Papa, mas o papado"

Na opinião de Pedro Tarquis, diretor do blog Protestante Digital, “a atuação de Francisco repete a do cardeal Cisneros em seu tempo. Revolução ética e moral, mas os mesmos princípios”. O artigo é publicado por Religión Digital, 21-03-2015. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

Pediram-me que, como cristão protestante, escrevesse sobre a marca de Francisco neste segundo aniversário de seu pontificado. Em seu caso, mais do que em qualquer outro, apresenta-se a questão de que o problema não é o Papa, mas o papado.

Sem dúvida, Francisco trouxe ar fresco em imagem, em estilo de governo e em conceitos éticos ao catolicismo romano.

Sua proximidade, sua simplicidade, sua preocupação por temas sociais, seu posicionamento em temas éticos importantes (como as questões de abuso sexual do clero, a imigração, a justiça social, a perseguição aos cristãos) foram aspectos pessoais muito positivos e que só podem ser lidos a partir da empatia com sua pessoa.

No entanto, uma questão bem diferente é a dimensão do personagem, sua figura como Vigário de Cristo, sua postura a respeito dos princípios fundamentais do cristianismo como é entendido pela Igreja evangélica ou protestante: Só a Fé, Só a Graça, Só a Escritura.

Francisco nada mudou, nem nada quis ou anunciou querer mudar neste aspecto.

Lutero continua excomungado, e a atuação de Francisco repete a do cardeal Cisneros em seu tempo. Revolução ética e moral, mas os mesmos princípios.

Neste sentido, a maioria dos cristãos evangélicos ou protestantes não compartilha entusiasmo algum a respeito do futuro do ecumenismo em seu sentido mais profundo: unidade em torno ao Jesus dos Evangelhos acima do das tradições, instituições e Magistério.

Inclusive, em muitos subjaz a dúvida de se a atuação do “Sumo Pontífice” não é no fundo uma manobra para atrair e diluir o pujante movimento evangélico na América Latina.

Por tudo isso, acredito que sua figura é aceita e valorizada no pessoal, mas discutível, questionável e polêmica no institucional. Seria necessário, para avançar superando estas questões e esclarecer dúvidas e interrogações, que Francisco mergulhasse no fundo do coração do Vaticano, aprofundando muito mais do que os mencionados aspectos éticos, sociais e de imagem.

Porque Jesus embora tenha tratado destes importantes aspectos éticos e sociais (o “bom samaritano”, as parábolas), ao mesmo tempo questionou de forma radical o próprio Templo de Jerusalém, a instituição religiosa de seu tempo, as tradições e o magistério dos fariseus, para dizer: Está Escrito.



quinta-feira, 9 de abril de 2015

Justiça obriga filho violento a se afastar de sua mãe



Filho violento terá que guardar distância de meio quilômetro da própria mãe

A 3ª Câmara Criminal do TJ negou recurso de um homem contra decisão que o obriga a manter a distância mínima de 500 metros de sua mãe. No pedido de habeas corpus, o impetrante alegou que a decisão foi totalmente baseada nas palavras da mãe, sem ouvir sua versão e sem observar os princípios da ampla defesa e do contraditório. Alegou ainda que todas as acusações são mentirosas, verdadeiras calúnias, uma vez que motivadas pelo desejo da mãe em retirá-lo da casa onde coabitam.

"Em casos como o descrito, quando uma pessoa chega ao ponto de dirigir-se a uma delegacia de polícia e ao Judiciário para pedir socorro, é porque a situação tornou-se constrangedora, perigosa e inviável", interpretou o desembargador substituto Leopoldo Augusto Brüggemann, relator da matéria. Em seu depoimento, a vítima relatou que o filho se tornou muito agressivo nos últimos tempos.

Além de quebrar objetos no interior da residência, ele também passou a atacar sua mãe com palavras de baixo calão, motivos suficientes para que a genitora passasse a temer por sua integridade física e moral. De acordo com o processo, as medidas que a câmara manteve são, além do afastamento de casa, a impossibilidade de aproximar-se da mãe a menos de meio quilômetro e a proibição de manter contato com a vítima por qualquer meio de comunicação.



quarta-feira, 8 de abril de 2015

Dieta propõe reduzir risco de Alzheimer em 50%


A matéria é do Brasil Post:

Esta dieta pode cortar seus riscos de Alzheimer em 50%

The Huffington Post | De Carolyn Gregoire

E se houvesse uma medida preventiva que pudesse cortar pela metade o risco de desenvolver mal de Alzheimer?

Alguns nutricionistas podem ter encontrado a fórmula: uma dieta mediterrânea com muitos nutrientes e pequenas quantidades de açúcar e gorduras não-saudáveis.

A dieta ganhou o nome de MIND (em inglês, a palavra significa mente e compõe a sigla de intervenção mediterrânea para retardar a degeneração neurológica) e pode ser eficaz mesmo que não seguida à risca, segundo um novo estudo da Universidade Rush . Pesquisadores descobriram que as pessoas que seguiram a dieta de perto tinham uma probabilidade 53% menor de desenvolver Alzheimer. Aqueles que a fizeram de forma moderada baixaram em 35% o risco de desenvolver dessa doença devastadora.

A dieta MIND incorpora elementos da dieta mediterrânea – muito peixe, gorduras saudáveis, vegetais e grãos integrais, uma combinação que pode reduzir o risco de doenças cardíacas e câncer – e da DASH (sigla em inglês para abordagem dietética para evitar a hipertensão) – que tem muitas frutas, vegetais e laticínios de baixo teor de gordura e pode reduzir o risco de hipertensão, ataques do coração e derrames.

Em um comunicado de imprensa, os pesquisadores afirmam que a dieta MIND é mais fácil de seguir que a dieta mediterrânea completa, que exige consumo diário de peixe e várias porções de frutas e vegetais.

Eis um dia típico da dieta MIND:

3 porções de grãos integrais
Uma salada mais um vegetal
Um copo de vinho
Nozes para o lanche
Mirtilo ou morangos
Frango ou peixe
Feijões (dia sim dia não)

Além de ingerir esses alimento saudáveis, o protocolo MIND exige evitar comidas como manteiga e queijo, carne vermelha, doces e comidas fritas ou processadas.

No geral, a dieta “enfatiza comidas baseadas em plantas e consumo limitado de carne animal e comidas com gorduras saturadas, além de especificar o consumo de frutas silvestres e verduras”, diz o estudo.

Para avaliar o efeito protetor da dieta, os pesquisadores olharam para os dados de consumo de comida de 900 americanos mais velhos que já participavam do Projeto Rush de Memória e Envelhecimento. O projeto começou em 1997 e estuda problemas relacionados ao envelhecimento. Em vez de pedir que os voluntários do estudo seguissem a dieta MIND, eles analisaram dados de uma década dos participantes que já se alimentavam segundo os princípios da dieta, assim como aqueles que baseavam sua alimentação nas dietas mediterrânea e DASH.

Ao longo de um período de cinco anos, a equipe coletou dados de incidência de Alzheimer. O estudo controlou vários fatores que têm influência conhecida no desenvolvimento da doença, como educação, atividade física, fumo e condições cardiovasculares.

A equipe descobriu que a dieta MIND reduzia os riscos de Alzheimer em 53%, enquanto a dieta mediterrânea reduzia os riscos em 54% e a DASH, em 39%. Mas, mesmo quando a dieta MIND era seguida de forma parcial, o risco de desenvolver Alzheimer foi reduzido em 35%. No caso das outras dietas, os benefícios foram negligenciáveis.

“Foi surpreendente descobrir que até mesmo os indivíduos que faziam a dieta MIND de forma moderada tiveram redução no risco de Alzheimer”, disse por email ao The Huffington Post Martha Morris, autora do estudo. “Não foi o caso com a dieta DASH ou a mediterrânea. Para ambas, só uma aderência completa mostrou benefícios.”

A explicação deve residir no fato de que a dieta MIND foi desenvolvida especificamente para refletir as pesquisas mais recentes sobre nutrição e cérebro, diz Morris. Se seguida por muitos anos, a dieta é muito promissora na prevenção do mal de Alzheimer.

“As pessoas que se alimentam conforme essa dieta ao longo dos anos têm a melhor proteção”, diz Morris em um comunicado.

Muitos fatores podem contribuir para o desenvolvimento da doença – incluindo genética, ambiente e estilo de vida --, mas a pesquisa sugere que a dieta certamente está entre esses fatores. Portanto, a nutrição pode ser uma medida preventiva eficaz.

A pesquisa foi publicada na edição de março do Journal of the Alzheimer’s Association.



terça-feira, 7 de abril de 2015

Desenganado aos 17, faz 25 anos que ele vive com fibrose cística


A matéria é da BBC Brasil:

Desenganado aos 17, britânico vive todo dia como se fosse o último há 25 anos

O britânico Tim Wotton foi informado pelos médicos que não viveria além dos 17 anos de idade por causa de uma fibrose cística. Mas isso foi há 25 anos. Hoje, aos 43, ele segue vivo e encara cada novo dia como se fosse seu último:

"Cada hora de cada dia é importante para mim, já que nunca sei quando meu tempo acabará. Ter fibrose cística é o que me faz ter sede de viver.

Pela manhã, me visto como se cada dia fosse meu último na Terra e nunca deixo minhas roupas favoritas no guarda-roupa à espera de uma ocasião especial para usá-las.

Não vejo necessidade de me ater às pequenas coisas sobre as quais fofocam no escritório.

Em vez disso, separo um tempo diariamente para apreciar algo como um pôr do sol ou uma paisagem. Todo dia deve ser pontuado por momentos especiais.

Fico feliz quando tenho um final de semana. Acredito que, quando a semana de trabalho acaba, temos sete "janelas de oportunidades" para aproveitar: a sexta-feira à noite, a manhã, tarde e noite de sábado, e a manhã, tarde e noite de domingo.

Na maior parte de minha vida adulta, ficava feliz quando conseguia fazer algum tipo de atividade - esporte, almoço, jantar, ir às compras ou cinema, ficar com a família ou ir à uma festa - nestes períodos. Isso me dava a sensação de que estava aproveitando cada momento.

Este estilo de vida intenso marcou o fim da minha adolescência, meu tempo na universidade e tudo mais que veio em seguida, porque era motivado pela possibilidade de morrer jovem.

Outras prioridades

Hoje em dia, tenho outras prioridades, mas ainda tiro proveito destas janelas de oportunidade a cada dia para passar algum tempo em família, socializar e trabalhar como consultor, sem me esquecer dos exercícios físicos - hockey aos sábados e ir à academia à noite -, que são vitais para mim.

A fibrose cística é uma das doenças hereditárias fatais mais comuns do Reino Unido. A cada semana, cinco bebês nascem com esta condição, mas também três vidas jovens são perdidas por causa dela.

Ela afeta os órgãos internos, especialmente os pulmões e o sistema digestivo, ao entupí-los com um muco grudento, o que torna mais difícil respirar e digerir alimentos. Atualmente, não há cura.

Minha mulher, Katie, e meu filho, Felix, de 7 anos, me dão a motivação necessária para me manter por cima nesta luta pela sobrevivência.

Katie é enfermeira e entendeu minhas necessidades médicas desde o primeiro dia em que nos conhecemos. Ela nunca se deixou afetar pelos efeitos da fibrose cística em mim.

Frequentemente, tenho uma tosse tão forte e tão duradoura que tenho espasmos e vomito - muitas vezes, quando estou me preparando para ir trabalhar.

A tosse pode durar mais de uma hora, e isso é exaustivo. Minha mulher me ajuda bastante e a aprecia meu gosto pela vida, mas me lembra que preciso pegar leve.

Felix cresceu com uma parafernália médica ao redor dele e se acostumou a me ver usando um nebulizador e a tomar meus 40 comprimidos diários, que ele chama de "balas do papai".

Estou com os dois o máximo possível. Ensino Felix a jogar hockey e me levanto cedo aos sábados para cuidar dele. Saímos juntos em família. Levo Katie para jantar.

Solidão

Ao mesmo tempo, passo de duas a três horas em tratamento por dia para impedir o avanço da fibrose cística, além de ir ao médico e ao hospital regularmente.

Minha saúde depende desse tratamento, então, prefiro encará-lo como uma forma de me dar vida, em vez de perda de tempo.

Um efeito cruel da fibrose cística é a solidão, já que recomendam que pacientes não tenham contatos uns com os outros para que não haja uma infecção cruzada (pessoas diferentes podem ter bactérias diferentes). Isso significa que não podemos socializar entre nós facilmente nem apoiar uns aos outros.

Esta segregação de pacientes foi imposta em clínicas de tratamento para fibrose cística há quatro anos. Desde então, não posso mais ficar de papo com outros pacientes na sala de espera. Também não pude me encontrar com meu padrinho para a fibrose cística, Chris, em todo esse tempo. Só conversamos por email.

Apesar de podermos usar as redes sociais, é uma pena que pacientes com fibrose cística não possam se encontrar e jogar conversa fora. Ao não conseguir ver a linguagem corporal do outro, perdemos uma das mais poderosas formas de comunicação.

Por mais que odeie minha batalha diária por minha saúde, isso me deu uma perspectiva sobre a vida que muita gente pode nunca chegar a ter ou que só terá quando estiver no fim da vida.

Pessoas com condições fatais tem uma habilidade especial em não apenas identificar, mas também apreciar momentos mágicos, já que eles ficam óbvios em meio às dificuldades do dia a dia.

É libertador encarar cada dia como se ele fosse meu último dia na Terra."



segunda-feira, 6 de abril de 2015

TST decide que, por ser lucrativa, Universal deve pagar contribuiçao sindical

A informação é do próprio Tribunal Superior do Trabalho:

Igreja Universal é condenada a pagar R$ 3,7 milhões de contribuições sindicais no MS

A Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho não acolheu recurso da Igreja Universal do Reino de Deus contra condenação que determinou o pagamento de R$ 3,7 milhões em contribuições ao Sindicato das Entidades Culturais Recreativas de Assistência Social de Orientação e Formação Profissional de Mato Grosso do Sul (SECRASO-MS).

O débito é referente aos anos de 2003 a 2007, período em que a Universal não comprovou o reconhecimento, junto ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), de que não exerce atividade econômica com fins lucrativos (artigo 580 da CLT), o que a tornaria isenta da contribuição. O documento apresentado nesse sentido pela igreja se referia a 2008, posterior aos débitos cobrados no processo.

A condenação abrangeu 31 igrejas em todo o Mato Grosso do Sul. Na fase de execução, a Universal interpôs embargos com o objetivo de alterar o sistema adotado pelo perito responsável pelos cálculos do valor devido. Ele considerou como base para a contribuição sindical o número de igrejas, quando a movimentação econômica da matriz, por si só, reuniria todo o movimento econômico da instituição no estado.

Ao julgar os embargos, o juiz de primeiro de grau entendeu que os temas tratados já tinham sido superados pelo trânsito em julgado do processo, decisão confirmada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região. A Igreja interpôs ainda recurso revista para o TST, cujo prosseguimento foi negado pelo TRT. Por fim, interpôs agravo de instrumento para liberar o recurso para análise do TST, o que foi negado pela Sétima Turma.

Para o ministro Vieira de Mello Filho, relator do processo na Turma, ao fundamentar o agravo de instrumento a Universal não atendeu aos requisitos do artigo 896, parágrafo 2º, da CLT, pois não renovou a indicação de violação aos dispositivos constitucionais que havia apontado no recurso de revista. Com isso, o agravo ficou desfundamentado, "pois apenas as matérias ventiladas no recurso de revista e reiteradas no agravo de instrumento podem ser apreciadas nesta oportunidade".

O artigo 896, parágrafo 2º, dispõe que os recursos em processos em fase de execução só são admitidos na hipótese de ofensa direta à Constituição Federal, o que não foi o caso.



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