quinta-feira, 14 de maio de 2015

Vaticano reconhece oficialmente o Estado da Palestina


Apesar da negativa técnica dada pelos diplomatas católicos, o tratado assinado é o primeiro documento em que o Vaticano reconhece direta e oficialmente a Palestina como Estado, o que pode provocar reações de Israel.

A matéria é do Brasil Post:

Vaticano diz ter fechado primeiro tratado com Estado da Palestina

O Vaticano concluiu seu primeiro tratado que reconhece formalmente o Estado da Palestina, um acordo para atividades da Igreja Católica em áreas controladas pela Autoridade Palestina, informou a Santa Sé nesta quarta-feira.

O acordo "visa melhorar a vida e as atividades da Igreja Católica e seu reconhecimento na esfera judicial", disse o monsenhor Antoine Camilleri, vice-ministro de Relações Exteriores do Vaticano, que liderou uma delegação de seis pessoas nas negociações.

O texto do tratado foi concluído e será assinado oficialmente pelas respectivas autoridades "no futuro próximo", informou um comunicado conjunto emitido pelo Vaticano.

Autoridades do Vaticano disseram que, apesar da importância do acordo, o documento não representa o primeiro reconhecimento do Estado da Palestina pela Santa Sé.

"Nós reconhecemos o Estado da Palestina desde quando recebeu reconhecimento da Organização das Nações Unidas, e já está listado como Estado da Palestina em nosso anuário oficial", disse o padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano.

Em 29 de novembro de 2012, a Assembleia-Geral da ONU adotou uma resolução reconhecendo a Palestina como Estado observador não-membro. A decisão foi saudada à época pelo Vaticano, que também ocupa a posição de observador não membro na ONU.



quarta-feira, 13 de maio de 2015

A longa luta do Brasil contra o racismo

Matéria publicada na Agência Brasil:

Brasil precisa mudar conceitos para acabar com racismo, diz professor

Marcelo Brandão

Uma cultura baseada na valorização da pele clara e um sistema educacional que não valoriza todos os brasileiros como iguais. De acordo com o professor e jornalista Edson Cardoso, a sociedade precisa mudar esses conceitos para acabar com o racismo. Cardoso respondeu a perguntas de parlamentares da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Violência contra Jovens Negros e Pobres hoje (12), em Brasília.

“Na escola conseguimos colocar que a escravidão aconteceu antes das Pirâmides do Egito, mas a escravidão está aí. Temos que compreender que somos envolvidos em uma ideologia que exclui essas pessoas. Então, não vamos avançar se não formos capazes de mudar, mexer no sistema educacional, na representação do humano”, disse o professor.

Na opinião de Cardoso, a população estigmatiza as pessoas negras como inferiores e essa mentalidade limita o potencial da sociedade como um todo. “Sabemos todos que estigmatização é desumanização. Se mais da metade da população é atingida pela estigmatização, como é a população negra, temos que pensar nos efeitos no conjunto da sociedade. O que significa uma sociedade onde grande parte da população é considerada menos humana e inferior?”

Para o presidente da comissão, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), fica mais clara a ideia de que há um genocídio de negros no Brasil. “É fundamental essa compreensão da democracia racial no país. E o professor traz essa compreensão como o racismo ficou estruturante nas instituições de poder no Brasil. Ela se soma à compreensão de que de fato há no Brasil um genocídio em relação aos jovens negros no país”, explicou o deputado.

A audiência pública feita hoje se soma a trabalhos já feitos pela CPI, como, por exemplo, uma audiência no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Entre os próximos passos da CPI está ouvir os secretários de Segurança Pública do País sobre o modelo de policiamento praticado nas cidades, além de representantes do Judiciário.

Para o presidente da comissão, a Justiça não funciona quando há crimes contra a vida, apenas contra o patrimônio. “Não podemos admitir que a cor da pele seja questão determinante da ordem pública, da segurança pública”, disse o parlamentar. Segundo ele, o objetivo da CPI é compartilhar responsabilidades sobre segurança pública entre União, estados e municípios.

A comissão deve propor, ao final dos trabalhos, que cada município tenha seu plano de enfrentamento a homicídios. Ainda há a ideia de trabalhar, com uma série de ministérios, políticas públicas que mudem as condições de vulnerabilidade dos jovens negros.

A CPI foi instalada, no final de março, motivada por dados como o Anuário da Violência de 2014, que revelou que, das 56.337 pessoas assassinadas no Brasil, em 2012, mais de 30 mil são jovens, em sua maioria negros, do sexo masculino, moradores das periferias e áreas metropolitanas dos centros urbanos.



terça-feira, 12 de maio de 2015

Líder cubano visita o papa

Matéria publicada no IHU:

O papa e Raúl Castro: um face a face ''familiar'' de 55 minutos

Um face a face "familiar". Um diálogo coloquial e descontraído. Assim foi a audiência concedida pelo Papa Francisco ao presidente de Cuba, Raúl Castro Ruz, na manhã desse domingo, no Vaticano. Os dois, em estrita solidão, conversaram por 55 minutos. Falaram da viagem apostólica à ilha em setembro próximo, e o mandatário cubano agradeceu pela intervenção pontifícia no "degelo" com os Estados Unidos.

A reportagem é de Andrés Beltramo Alvarez, publicada por Vatican Insider, 10-05-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Pouco depois das 9h20min locais, o líder católico chegou à Plaza del Hongo, na entrada posterior da Sala Paulo VI. Ele se transferiu caminhando da sua residência, a pouco distante Casa Santa Marta, acompanhado apenas pelo seu mordomo, que segurava uma pasta de couro preto para ele.

Imediatamente depois, deslocaram-se até ali o responsável pelas Relações com os Estados da Santa Sé, Paul Richard Gallagher, e o sostituto da Secretaria de Estado, Giovanni Angelo Becciu. Com eles, também esteve Georg Gänswein, prefeito da Casa Pontifícia, que recebeu Castro na porta. Os diplomatas saudaram apenas no início e depois se retiraram.

"Bem-vindo!" foi a palavra com a qual o papa recebeu o seu convidado. De lá, ambos se deslocaram até o escritório privado, onde permaneceram até depois das 10h25min.

"O clima da conversa foi extremamente cordial, familiar, foi uma premissa para a próxima viagem. O presidente falou da acolhida e da expectativa do povo cubano para a ida do papa. O presidente Castro, antes de sair, dirigiu-se à delegação cubana, composta por cerca de 10 pessoas. Dirigindo-se aos jornalistas, ele disse que também tinha vindo para agradecer ao Santo Padre pela sua contribuição para a melhoria das relações com os Estados. Na conversa privada, falaram longamente e sem intérpretes. Isso fala do clima de familiaridade estabelecido", explicou aos repórteres o diretor da Sala de Imprensa vaticana, Federico Lombardi.

Depois do face a face, ocorreu uma breve troca de presentes. O presidente deu ao bispo de Roma uma medalha comemorativa dos 200 anos da Catedral de Havana, da qual só 25 foram fabricadas. Além disso, também lhe entregou um quadro, obra do pintor cubano Kcho, representando uma grande cruz realizada com barcaças e a cujos pés pode-se ver um homem rezando.

O artista, especialmente interessado em questões sociais, em 2014, apresentou uma mostra no Palácio da Chancelaria de Roma e, nessa ocasião, enviou uma carta a Francisco, à qual o pontífice respondeu.

"Ele teve a inspiração a partir da viagem do papa à (ilha italiana de) Lampedusa, da sua preocupação com os problemas dos migrantes e dos refugiados. Também se baseou no fato de o papa ter chamado a atenção mundial para o problema dos migrantes", acrescentou Lombardi.

Por sua parte, Jorge Mario Bergoglio entregou um medalhão com a imagem de São Martinho de Tours e, ao fazer isso, explicou ao presidente que ele costuma presenteá-lo com muito prazer aos chefes de Estado que o visitam, porque a imagem mostra o santo cobrindo um pobre com o seu manto. "É preciso cobrir os pobres, mas também se ocupar com a sua promoção", afirmou.

Ele também deu uma cópia da sua exortação apostólica Evangelii gaudium (A alegria do Evangelho) e explicou que o texto "tem uma parte religiosa e uma parte social", acrescentando outra frase: "Aqui está uma das declarações que o senhor tanto gosta".

O líder católico, depois, cumprimentou a delegação cubana, composta por cerca de 10 pessoas, incluindo o vice-presidente do Conselho de Ministros, Ricardo Cabrizas Ruíz; o chanceler, Bruno Rodríguez, e o embaixador junto à Santa Sé, Rodney Alejandro López Clemente. Ele acompanhou o seu hóspede até a porta, onde ambos se despediram.

Mais tarde, ao sair da Sala Paulo VI, Francisco dirigiu algumas palavras aos jornalistas, que ainda estavam no lugar. Abençoou-lhes, pediu-lhes para que rezassem por ele e concluiu, brincando: "Certamente, eu estraguei o domingo de vocês!".



segunda-feira, 11 de maio de 2015

Brasil tem mais de 20 milhões de mães solteiras

Dados assustadores publicados no Brasil Post:

Brasil tem mais de 20 milhões de mães solteiras (PESQUISA)

O Brasil tem 67 milhões de mães, segundo pesquisa do Instituto Data Popular. Dessas, 31% são solteiras e 46% trabalham. Com idade média de 47 anos, 55% das mães pertencem à classe média, 25% à classe alta e 20% são de classe baixa. Pouco mais de um terço dos filhos adultos (36%) ajudam financeiramente as progenitoras.

De acordo com o estudo, as mães do século 21 são menos conservadoras e mais interessadas em tecnologia do que as do século 20. Entre as mães do século passado, 75% acreditavam que uma pessoa só pode ser feliz se constituir família. O percentual de verdade dessa premissa cai para 66% para as mães da nova geração. Para 58% das mães da geração anterior é um dever da mulher cuidar das refeições. Enquanto esse pensamento prevalece em apenas 45% das progenitoras do século 21.

A geração anterior também acha que é principalmente papel do homem trazer dinheiro para dentro de casa (55%) e que as tarefas domésticas são dever da mulher (60%). Entre as mais novas, 43% acreditam no papel do homem provedor e 48% veem a mulher como responsável pelo lar.

Em relação a tecnologia, 35% das mães da geração atual disseram que não imaginam a vida sem internet, contra 14% das que experimentaram a maternidade antes dos anos 2000. 63% das mães do século 21 disseram que adoram produtos tecnológicos de última geração. Entre as mais velhas, o percentual é de 38%.



domingo, 10 de maio de 2015

O trabalho mais difícil do mundo


Nossa singela homenagem às nossas mais amadas heroínas:




Por que as pessoas fazem tatuagens idiotas?

Um artigo curioso e interessantíssimo publicado no Vice:

Um Psicólogo Explica Por Que as Pessoas Fazem Tatuagens Idiotas

Jules Suzdaltsev

Tatuagens dizem tudo que você precisa saber sobre a sociedade na qual elas foram feitas – e os EUA estão testemunhando uma epidemia de tatuagens escrotas. Não tenho números para sustentar essa afirmação, porque ninguém pensou em pesquisar isso, mas realmente parece que há mais tatuagens horríveis do que nunca. Por todo lado, você vê gente ostentando marcas clichês, citações idiotas, nomes de ex (lembra de "Winona Forever"?), frases mal traduzidas em outras línguas e, num caso muito bizarro, terríveis tatuagens faciais.

Mas por que as pessoas ainda estão tatuando arame farpado em volta do bíceps e borboletas no cóccix? Tentando entender melhor a questão, falei com Kirby Farrel, professor da Universidade de Massachusetts especializado em antropologia, psicologia e história relacionadas ao comportamento humano. Seu último livro, Berserk Style in American Culture, discute o vocabulário da cultura pós-trauma da sociedade norte-americana.

VICE: Qual é o seu interesse em tatuagens péssimas?
Kirby Farrel: Estou interessado principalmente no que você pode chamar de "a antropologia da autoestima e identidade". Penso nas tatuagens como um método que as pessoas usam para tentar se sentir significantes no mundo. Trabalho muito com Ernest Becker – você já ouviu falar do livro dele? Acho que ele ganhou um prêmio Pulitzer com esse livro chamado A Negação da Morte.

Sim, já ouvi falar.
Bom, ele argumenta que somos únicos entre os animais, porque somos sobrecarregados com a consciência do futuro, da futilidade, da morte e assim por diante. Estamos constantemente inventando defesas. A cultura é uma defesa contra o sentimento de opressão, futilidade e perdição. Culturas estão cheias de valores e belezas que te fazem sentir que sua vida é significativa e que tem um significado duradouro, mesmo que limitado. Então, você pode dizer que tatuagens são expressões culturais de heroísmo e individualidade.

Logo, isso se traduz numa epidemia de tatuagens idiotas?
Muitas pessoas dizem que fizeram uma tatuagem como uma lembrança de alguém ou algum evento. Por exemplo, tatuar a letra de uma música. As frases, claro, acabam sendo os maiores clichês. Mas elas estão te exortando a ser um indivíduo forte, imitando todos os outros animais que também pintam clichês na própria pele.

E onde esses caminhos se cruzam? Por um lado, a pessoa quer algo que lhe dê a sensação de significância e autoexpressão, mas acaba fazendo exatamente o oposto disso (o que consideramos uma "tatuagem ruim" ou uma "tatuagem clichê")?
Acho que a fantasia de ser especial, único, importante e heroico, que é do que estamos falando, é complicada quando vivemos numa cultura que celebra esses valores. Estamos sempre bombardeando outros países para preservar nossa "liberdade", o que presumivelmente significa individualidade. Mas, ao mesmo tempo, nossa cultura é intensamente conformista. Temos empresas constantemente tentando imprimir sua marca na consciência popular. Então, por exemplo, se você está tatuando algum clichê bobo de uma música pop, como "Vou te amar para sempre" ou "Não seja um imitador", na verdade você está se marcando com entretenimento industrial, porque grupos de rock, como sabemos, são basicamente máquinas de fazer dinheiro, empregando modelos financiados pela indústria do entretenimento.

Então por que as pessoas fazem isso?
Uma resposta é que somos animais incrivelmente sociais. Você tem de ter em mente que o eu não é uma coisa. É um evento. Se você está em sono profundo, o eu realmente não existe. A neuroquímica do eu não está ali. Desse ponto de vista, nos sentimos mais reais quando outras pessoas nos afirmam, reasseguram e reforçam nossa identidade. Nos rituais sociais pelos quais passamos, como dizer "Oi, como vai? Bem, e você?", você não espera ouvir qualquer informação pessoal. É só uma confirmação de que vocês dois existem e reconhecem um ao outro. De certa maneira, tatuagens também funcionam assim. Elas chamam atenção para você e fazem você se sentir real, mesmo se essa atenção fizer você se sentir membro de um grande grupo. Uma tatuagem te diz que você é parte de uma tribo de colegas tatuados, uma tribo linda e significativa. Você pode até compartilhar símbolos com outra pessoa! Ao mesmo tempo, por causa do fenômeno das marcas, isso faz você se sentir mais esperto do que o cara ao lado, que não sabe o suficiente para comprar seu produto em particular ou sua moda em particular.

Parece que você está dizendo que a própria cultura é clichê. Assim, tentando emular essa cultura social, fazemos essas tatuagens ruins.
A cultura está constantemente nos tentando com fantasias de singularidade e heroísmo. Você é tentado a comprar uma nova BMW, porque isso promete te fazer sentir heroico nas ruas. Você vai se destacar na multidão. A multidão é formada de pessoas comuns, elas vão morrer um dia e serão esquecidas. Mas todo mundo está olhando para você, você está sob os holofotes, você é o herói. E, ao mesmo tempo, se você ajustar a perspectiva sutilmente, eles estão fazendo as pessoas comuns acharem que é OK adorar heróis. Você é convidado a identificar e admirar o rico, o heroico, o prestigioso – e, se você os admira, isso se torna "minha música", "meu cabelo" ou "meu produto". Na verdade, você compartilha o glamour com o poder fetichista das coisas que admira.

Você está dizendo que isso é ser enganado por um movimento social de adoração ao herói?
Bom, se você está ou não sendo "enganado", depende de como você se sente sobre a validade e o pertencimento dos clichês. Quando você quer se tatuar com um verso da sua música favorita, você certamente está sentindo um tipo de excitação emocional e admiração por essa música. Um tipo de êxtase romântico. Você ouve as pessoas dizerem "Isso tem um significado especial para mim". É como uma auréola emocional em torno desse objeto.

Por que esse sentimento é significativo para nossa identidade própria?
Acho que, no geral, as pessoas estão com medo do futuro e se agarram a um ritual, um lema, um clichê familiar que elas acham significativo. É como um cobertor de segurança para dar sentido à sua vida, principalmente quando sua moral está sob pressão ou você está realmente empolgado com algo bom. Mas a questão é que, em qualquer um desses eventos, o clichê não parece ser um clichê. Isso parece ter um significado especial.

OK. Mudando um pouco de assunto: tatuagem é uma coisa que existe há milhares de anos. Alguns dos primeiros humanos já tinham tatuagens. Você acha que existe algo inerente à natureza humana que nos faz querer nos tatuar?
Claro. O cadáver que foi encontrado congelado e preservado nos Alpes, que acho que tem uns 5 mil anos – ele está num museu na Itália, você pode passar para dar um oi –, a última pesquisa mostra que esse corpo tem várias tatuagens. Elas tendem a ter um desenho abstrato. Baseado na localização delas, a hipótese é que elas serviam para se distrair de coisas físicas desconfortáveis, como artrite. Ou elas provavelmente tinham algum tipo de significado mágico. Pensando nisso, de certa maneira, todos os nossos comportamentos tendem a ser muito mágicos. Imaginamos que há algum poder especial em nossos símbolos, em nossos lemas, em nossas marcas, que isso de alguma forma eleva nosso humor, nos faz sentir mais fortes, mais capazes e melhores sobre nós mesmos.

E você acha que isso é algo inerente à humanidade?
Claro. Como pessoas, estamos regularmente à beira do pânico existencial. Becker disse que, se você visse o mundo realisticamente (quão vulnerável e totalmente insignificante você é, considerando o cosmo), você ficaria louco. Então, você precisa constantemente de histórias que constroem sua autoestima e fazem você se sentir significante, o que é fornecido pela cultura.

Logo, essas tatuagens escrotas são uma representação desse mecanismo de defesa?
Sim, exatamente. São representações físicas e artísticas de valores com que você se identifica. Vivemos nesse mundo onde existe um tipo de racismo recorrente e repentino, que vemos desde os anos 60 ou até desde a Guerra Civil. As condições de trabalho são extremamente punitivas, exigentes e despersonalizantes para quem está na base. Você não sente que tem direito à própria identidade. Então, as pessoas se sentem especialmente pressionadas para tentar encontrar seu próprio reforço mágico, porque há coisas em que a cultura não pode te ajudar. Você vê dinheiro, morte e culpa quando as pessoas querem se sentir seguras e como se estivessem no comando em termos de autoestima e bem-estar.

Muitas tatuagens parecem um tanto inconsequentes. Como as pessoas racionalizam a permanência de uma tatuagem em relação à própria mortalidade?
Muitas pessoas, especialmente quando são jovens, imaginam que serão jovens para sempre. Afinal de contas, se a mágica de que estamos falando sobre a cultura realmente funcionar, então, você pode se sentir invencível e imortal, por assim dizer. E é um clichê adolescente achar que você vai viver para sempre – é por isso que eles se arriscam, usam drogas, etc. Eles não conseguem imaginar que vão crescer e parecer diferentes do ideal cultural. Você nunca teve de se preocupar em ficar doente nem nunca esteve em apuros. Você nunca teve de se preocupar em ficar velho e ter de aceitar diminuir suas perspectivas, seus poderes, suas fantasias.

Você acha que isso é uma reação ao medo, ou na verdade resultado da falta de experiência?
Bom, você não acha que são as duas coisas?

Acho que sim.
Você tem medo, mas não admite isso, porque poderia prejudicar sua moral frágil. Uma moral danificada te torna menos eficiente, menos seguro, menos produtivo, etc. Então, você nega que tem medo. Provavelmente, o mecanismo básico da cultura é fingir que tudo está bem e que você não está com medo.

Mas estamos com medo.
Sim, com certeza. Estamos vivendo um momento em que as pessoas estão tão famintas por autoestima, aprovação e confiança, que estão dispostas a dizer e fazer coisas realmente bizarras e idiotas, porque com isso elas se sentem diferentes. Assim, elas se sentem únicas, significativas e vivas.



sábado, 9 de maio de 2015

A vitória russa na Segunda Guerra, 70 anos depois

Bandeira soviética é hasteada no topo do Reichstag em  2 de
maio de 1945, diante de uma Berlim em ruínas.
Artigo publicado no Sputnik Brasil em 04/05/15:

No Dia da Vitória, um lugar para a bandeira russa

Aleksander Medvedovsky

Faltam poucos dias até o 8 de Maio, data da comemoração da Vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial, e até o 9 de Maio, o Dia da Vitória da União Soviética na Grande Guerra Patriótica de 1941-1945.

Não vai fazer mal lembrar nesse momento as cruciais páginas da História recente, não somente para aqueles que não conhecem os fatos, mas também, talvez até mais importante, para outros que desesperadamente tentam reescrevê-la e chegam a iniciar uma discussão sobre as perspectivas de um "mundo russo diferente" e colocam em dúvida a própria existência da Rússia até 2045.

Vamos aos números, porque os números são imutáveis. Alguns meses antes da invasão da URSS, em 1941, Hitler declarou "O mundo vai perder o fôlego", seguramente pensando como o mundo iria reagir à sua esmagadora vitória sobre a URSS. Mas tudo foi muito diferente, como já tinha acontecido no passado.

No dia 22 de junho, quando o exército alemão, apoiado por seus aliados, com 4 milhões de homens, estava pronto para invadir a URSS, metade da Europa já tinha caído perante sua força militar. Inclusive a França. E a Grã-Bretanha estava pronta para ser invadida, o que não aconteceu porque os alemães deram preferência a atacar a União Soviética. Os EUA praticamente não estavam envolvidos em ações militares.

Para o dia 7 de novembro de 1941 estava programado um desfile militar das forças alemãs na Praça Vermelha de Moscou. A parada aconteceu, mas foi um desfile do exército soviético, engajado na defesa de Moscou contra os ataques das forças alemãs.

A Batalha de Moscou foi o primeiro grande acontecimento da Segunda Guerra Mundial a mudar por completo a imagem que o mundo inteiro e os próprios alemães tinham sobre a capacidade de resistência do exército e dos povos da União Soviética.

Os números falam por si sós. A participação de mais de 7 milhões de pessoas de ambos os lados dessa batalha mostra a sua grandiosidade. Durante a luta que durou 6 meses, a Rússia teve 926 mil soldados mortos, mais do que todo o exército britânico durante a Primeira Guerra Mundial. Esse número, numa única batalha, ultrapassa todas as perdas dos exércitos britânico e americano durante toda a Segunda Guerra Mundial. A bandeira da Alemanha nazista nunca foi hasteada em Moscou.

É curioso, mas no livro "Uma breve história do século XX", de Geofrey Blaney, que virou best-seller internacional, no capítulo destinado à Segunda Guerra Mundial está detalhado o desembarque dos Aliados em 6 de junho de 1944 na região da Normandia, mas não há uma única palavra sobre a Batalha de Moscou, e apenas muito superficialmente cita a de Stalingrado.

A Batalha de Stalingrado, na opinião de praticamente todos os historiadores do mundo, foi um ponto crucial na luta contra o exército alemão durante a guerra. Até o Presidente Ronald Reagan, muitos anos depois, no seu primeiro jantar com o Presidente Mikhail Gorbachev, lembrou Stalingrado como exemplo de extremo heroísmo e momento importantíssimo da vitória sobre o nazismo.

Na Batalha de Stalingrado, que durou de 17 de julho de 1942 a 2 de fevereiro de 1943, lutaram contra o exército soviético Alemanha, Romênia, Itália, Hungria, Croácia e voluntários da Finlândia. No início da operação, participaram dos dois lados 816 mil militares, acima de 5 mil unidades de artilharia, 480 blindados, em torno de 2 mil aviões. No final de novembro de 1942, acima de 1 milhão e 600 mil militares participaram diretamente das ações daquela que se tornou a maior batalha terrestre da História da Humanidade.

Em 1 de maio de 1945 os soldados da Divisão 150 do Exército Vermelho hastearam a bandeira vermelha em Berlim, no prédio do Parlamento alemão, o Reichstag. Na madrugada de 2 de maio, o exército alemão, que defendia Berlim, capitulou.

Pouca gente sabe que o ato de rendição incondicional da Alemanha na Segunda Guerra Mundial foi assinado 2 vezes. Na primeira vez, isso ocorreu na cidade francesa de Reims, em 7 de maio, às 2h40min, pelo horário europeu, e deveria entrar em vigor no dia 8 de maio às 23 horas.

Numa correspondência dirigida a Churchill e Truman, Stalin escreveu o seguinte: "O ato assinado em Reims não pode ser descartado, mas também não pode ser reconhecido. O ato de rendição, como um importante documento histórico, deve ser assinado no lugar onde começou a guerra, em Berlim, com participação do alto comando militar de todos os países da Aliança.” Os EUA e a Grã-Bretanha concordaram com a realização de nova assinatura do ato e consideraram o documento assinado em Reims como preliminar.

A assinatura definitiva aconteceu em Berlim na madrugada de 9 de maio, no horário de Moscou, e por esse motivo a comemoração do Dia da Vitória acontece no 9 de Maio.

Durante a guerra, a URSS perdeu 9 milhões de soldados e mais de 17 milhões de civis. No seu livro "Moscou 1941", Rodric Braithwrite analisa a questão das vítimas de guerra de modo diferente. "Para cada britânico e americano que morreu, os japoneses perderam 7 pessoas, os alemães 20, e os soviéticos 85." Ele continua: "Quatro quintos dos combates na Segunda Guerra Mundial aconteceram no front do Leste. Dois terços do exército alemão estavam no Leste mesmo depois do Dia D. De fato, se não estivessem combatendo os russos, eles se encontrariam na França, e não teria havido nenhum Dia D. Alguns podem contestar os números exatos. Quanto à ordem de grandeza, não restam dúvidas. Não é de surpreender que os russos acreditem que foram eles que venceram a guerra."

No dia 8 de maio, Churchill fez a seguinte declaração em seu programa de rádio: "Hoje nós provavelmente vamos pensar sobre nós mesmos; amanhã, iremos prestar homenagem aos nossos camaradas russos, cujo heroísmo nas batalhas da guerra se tornou uma grandiosa participação na vitória comum.”

Passaram-se 70 anos. O mundo está mudando, mas, independentemente disso, todos os países civilizados festejam, cada um a seu modo, essa grande vitória.

As bandeiras dos Aliados são hasteadas como símbolos da vitória e homenagem a todos aqueles que deram suas vidas para isso.

No Brasil, que teve sua contribuição na vitória das forças aliadas contra o fascismo, esta data também é lembrada. Perante o Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Rio de Janeiro, no dia 8 de maio acontece o desfile militar com a participação dos representantes das Forças Armadas.

Hasteadas as bandeiras dos países aliados, não é de estranhar que a bandeira russa tenha seu legítimo lugar ao lado das outras.





sexta-feira, 8 de maio de 2015

Como o seu trabalho afeta o seu cérebro

Artigo publicado no Brasil Post:

Como a sua profissão afeta o seu cérebro

Ana Prado

O seu trabalho influencia aspectos da sua vida que vão muito além daquelas oito horas que você passa na firma – pode afetar sua saúde, sua vida familiar e até determinar o tipo de pessoas com quem você anda e o tipo de lugar que frequenta. Mas um estudo publicado nesta quarta-feira (29) na Neurology, jornal médico da Academia Americana de Neurologia, indica que ele faz ainda mais: pode determinar como o seu cérebro vai envelhecer.

Os pesquisadores acompanharam 1.054 pessoas com mais de 75 anos por oito anos. Eles passavam, a cada 18 meses, mais ou menos, por um teste clínico chamado “Mini-Mental State Examination” (MMSE), que media sua memória e habilidades de raciocínio. Os participantes também tiveram que contar sua história profissional e categorizar as tarefas que desempenhavam no trabalho em três grupos: executivo (inclui programar trabalhos e atividades, desenvolver estratégias e resolver conflitos), verbal (envolve avaliar e interpretar informações) e fluido (inclui aquelas tarefas que exigem atenção seletiva e análise de dados).

A conclusão foi que profissionais cujos empregos exigem mais atividades verbais, desenvolvimento de estratégias, resolução de conflitos e atividades gerenciais podem apresentar melhor proteção contra o declínio da memória e do raciocínio decorrente da velhice. “Nosso estudo é importante porque sugere que o tipo de trabalho que você faz toda a sua carreira pode ter um significado ainda maior em sua saúde cerebral do que a educação que você teve”, afirmou ao Medical Xpress a autora, Francisca S., da Universidade de Leipzig, na Alemanha. “A educação é um fator bem conhecido que influencia o risco de demência”, completa.

Nos testes de memória e raciocínio, aqueles cujas carreiras tinham o nível mais alto dos três tipos de tarefas marcaram dois pontos a mais em relação às pessoas com nível mais baixo. É importante notar que, nos testes MMSE, uma pequena diferença em pontos faz muita diferença na prática. Eles também tiveram a taxa mais lenta de declínio cognitivo: durante os oito anos em que foram acompanhados, sua taxa de declínio foi a metade da taxa dos outros participantes. As tarefas que mais pesaram para essa diferença foram as executivas e verbais.

Isso quer dizer que ter um trabalho desafiador pode significar um futuro saudável para o seu cérebro. Nas palavras da autora do estudo: “Esses desafios podem ser um elemento positivo, se ajudarem a construir a reserva mental de uma pessoa no longo prazo.”



quinta-feira, 7 de maio de 2015

Depois da dengue e da chikungunya, vem aí a febre zika

Não é piada não! Mas que zica! A notícia é do Estadão:

Ministério da Saúde investiga Zika, outra febre ‘prima’ da dengue

FABIANA CAMBRICOLI E LAURA MAIA

Vírus também é transmitido pelo ‘Aedes aegypti’, a exemplo da chikungunya; há casos investigados no Nordeste

O Ministério da Saúde investiga a chegada de um novo vírus ao Brasil, similar à dengue e à chikungunya, que já teve casos suspeitos reportados em pelo menos seis Estados, todos no Nordeste. O chamado Zika Vírus ou Febre Zika é transmitido pelo Aedes aegypti e outros tipos de mosquito e provoca sintomas parecidos com os da dengue, mas com menor gravidade.

A investigação foi iniciada neste ano após uma série de cidades do Nordeste notificar as vigilâncias epidemiológicas estaduais sobre a ocorrência de uma doença em que os pacientes apresentavam manchas ou erupções na pele, sem definição de diagnóstico.

Camaçari, na Bahia, foi um dos municípios que enviaram amostras para a análise do ministério. “Desde janeiro tivemos a notificação de 2.300 casos em que o paciente apresentava exantema (manchas no corpo). Descartando doenças como sarampo e rubéola, pensamos que fosse dengue ou chikungunya, mas metade desses pacientes não apresentava febre. Foi aí que notificamos o Estado para que fosse feita uma investigação”, conta o secretário municipal da Saúde de Camaçari, Washington Couto.

Pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) afirmaram ter encontrado o vírus em amostras de sangue de pacientes da cidade baiana, mas a presença da doença ainda não foi confirmada pelo governo federal. “O Ministério da Saúde acompanha a situação e participa da investigação dos casos” registrados nos Estados da Bahia, Maranhão, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe e Paraíba.



quarta-feira, 6 de maio de 2015

Irã proíbe cortes de cabelo "satânicos"

Matéria publicada no Brasil Post:

Irã proíbe cortes de cabelo 'satânicos' e depilação de sobrancelhas

Cortes de cabelo considerados não ortodoxos, depilação de sobrancelhas, tatuagens e bronzeamento artificial estão proibidos para homens iranianos, segundo informação divulgada nesta segunda-feira (4) pela imprensa do país persa. Cortes e penteados no estilo 'espetado', apreciados pelos mais jovens, são considerados "ocidentais", "não islâmicos" e com simbologias ligadas ao "culto ao demônio".

"Penteados de adoradores satânicos estão vetados a partir de agora", disse Mostafa Govahi, chefe do sindicato dos barbeiros iranianos, à agência local Isna. Segundo ele, quem desrespeitar a determinação terá a licença revogada.

Ele acusou barbeiros que trabalham sem autorização de oferecerem cortes do estilo agora banido. "Eles foram identificados e terão de arcar com as consequências". As transgressões são tidas como "violações às regulamentações islâmicas".



terça-feira, 5 de maio de 2015

Estranhas explosões de rádio vêm do espaço sideral. Seriam aliens?

A matéria abaixo, publicada no Brasil Post, lembra a hipótese levantada pelo ótimo filme "Contato" (1997), baseado no livro homônimo de Carl Sagan, dirigido por Robert Zemeckis e estrelado por Jodie Foster e Matthew McConaughey :

ETs estão por trás das misteriosas explosões de rádio? Cientistas opinam

Macrina Cooper-White

O que são essas coisas?

Nos últimos oito anos os astrônomos têm tentando entender o que são os sinais estranhos de rádio que vêm de algum lugar do cosmos. E o mistério agora se aprofunda.

Um novo estudo mostra que tais "explosões rápidas de rádio" (como são conhecidas) seguem um padrão estranhamente específico - uma descoberta que os pesquisadores por trás do estudo dizem ser “muito difícil de explicar”.

“Há algo realmente interessante que precisamos entender”, disse o coautor do estudo Michael Hippke, cientista do Instituto de Análise de Dados de Neukirchen-Vluyn, Alemanha, à Revista New Scientist.

"Esta seria uma nova física, como um novo tipo de pulsar, ou, por fim, se pudermos excluir todas as outras possibilidades, um extraterrestre."

Contato extraterrestre, sério? Isso pode soar bem estranho, mas um renomado cientista dedicado à busca por inteligência extraterrestre (SETI, em inglês) diz que não devemos descartar essa possibilidade.

“Estas explosões rápidas de rádio poderiam ser um ‘aviso’ de que outras civilizações estão buscando um sinal de vida inteligente que também esteja equipado com tecnologia de rádio”, disse ao The Huffington Post o Dr. Seth Shostak, astrônomo sênior e diretor do

Centro de Pesquisas SETI, que não estava envolvido no estudo. “Por outro lado, isso poderia ser também um fenômeno astrofísico perfeitamente natural”.

Para a pesquisa, descrita no dia 30 de março em um post do banco de dados online arXiv, Hippke e seus colegas analisaram 11 explosões detectadas desde 2007, a última foi captada no radiotelescópio Parkes (acima), em maio de 2014.

Os cientistas analisaram um recurso específico chamado de “medida de dispersão” - que representa o diferencial do tempo entre a detecção de frequências altas de uma explosão e suas frequências baixas. (As frequências baixas trafegam mais lentamente através da poeira espacial, e, assim, levam mais tempo do que as frequências altas para chegarem na Terra.) Surpreendentemente, eles descobriram que a medida de dispersão de cada pulso era sempre um múltiplo do número 187,5.

Provavelmente, tal espaço uniforme "não é produzido por uma explosão de supernova", disse Hippke ao HuffPost Science em um e-mail.

“Todas as frequências deixam a nova ao mesmo tempo e a MD [medida de dispersão] é criada pela passagem de poeira. À medida que a quantidade de pó varia, a MD poderia parecer aleatória”.

Hippke disse que os pulsos provavelmente são gerados por uma fonte, ainda não identificada aqui na Terra, que emite ondas de rádio de curta frequência seguidas por outras de alta frequência - talvez algo tão simples como uma base de estação de telefonia celular.

Se isso não for uma explicação viável, é possível que elas venham de um novo e desconhecido tipo de objeto cósmico do espaço profundo.

Ou os aliens.

Seja lá o que forem esses sinais, fiquem atentos!



segunda-feira, 4 de maio de 2015

Paracetamol pode deixar pacientes insensíveis às emoções

Matéria publicada no UOL:

Tylenol não inibe apenas a dor, mas também as emoções, aponta estudo

Nicholas Bakalar - The New York Times

Um estudo recente demonstrou que o paracetamol (Tylenol), popular remédio contra a dor, também pode tornar as pessoas insensíveis a emoções positivas e negativas.

Em um experimento randomizado e controlado, 85 pessoas tomaram 1.100 miligramas de Tylenol ou um placebo. Uma hora depois, os pesquisadores apresentaram a eles 40 imagens em ordem aleatória. As imagens eram muito agradáveis (por exemplo, crianças rindo com gatinhos em um parque), neutras (um rolo de macarrão em cima de uma mesa) ou muito desagradáveis (um vaso sanitário cheio de excrementos). O estudo foi publicado online no periódico "Psychological Science".

Os participantes que tomaram Tylenol estavam 20% menos propensos a classificar as imagens como sendo muito desagradáveis e 10% menos propensos a classificá-las como bastante agradáveis, em comparação com os que tomaram placebo.

Embora os mecanismos permaneçam incertos, pesquisas anteriores sugeriram que o Tylenol reduz a dor agindo na ínsula, parte do cérebro que influencia nas emoções sociais, entre outras funções.

"Não queremos dar conselhos sobre o uso do paracetamol. Essas diferenças são modestas e foram obtidas em um ambiente muito controlado. Recomendamos seguir o conselho de seu médico para o controle da dor com o Tylenol", afirmou Geoffrey R.O. Durso, doutorando de psicologia da Universidade Estadual de Ohio.



domingo, 3 de maio de 2015

Comece a vencer a obesidade infantil desligando a TV

Matéria publicada no Brasil Post:

Uma hora de TV por dia aumenta risco de obesidade infantil em 50%

Giulia Vidale

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, indica que crianças que assistem TV por um período de uma a duas horas correm um risco 47% maior de serem obesas, em relação aos que passam menos tempo em frente ao aparelho. Os resultados foram apresentados durante o encontro anual das Sociedades Acadêmicas de Pediatria, realizado em San Diego, na Califórnia.

A conclusão contraria as diretrizes da Academia Americana de Pediatria. A instituição recomenda que as crianças passem no máximo duas horas por dia em frente à TV. Mark DeBoer, professor de pediatria e coordenador do estudo, espera que seus dados possam ajudar a mudar essa indicação para uma até hora diária.

Os pesquisadores observaram os hábitos de cerca de 11.000 crianças americanas entre cinco e oito anos de idade. Em média, elas assistem 3,3 horas de televisão diariamente - o dobro de tempo em relação aos brasileiros.

Para Marcelo Reibscheid, pediatra do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim, o grande desafio para as crianças é justamente desvincular o TV com o hábito de petiscar. "É muito importante prestar atenção nos alimentos que estamos ingerindo, de modo a fazer as escolhas mais acertadas, o que na frente da televisão é praticamente impossível", diz Reibscheid.

Obesidade Infantil

​A obesidade infantil é um problema de saúde pública. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2013, 42 milhões de crianças com menos de cinco anos estavam acima do peso. No Brasil, quase metade (47,6%) das crianças de 5 a 9 anos estão obesas ou têm sobrepeso, de acordo com dados do IBGE. Na faixa etária de 10 a 19 anos, um em cada quatro (26,45) está acima do peso.

A alimentação inadequada e o sedentarismo não são só os principais vilões da obesidade infantil. "Comer mal e estar acima do peso pode fazer com que as crianças sofram de problemas considerados de adultos, como diabetes, colesterol alto, insônia e hipertensão", diz o médico nutrólogo Daniel Magnoni, da Divisão de Nutrição Clínica do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo.



sábado, 2 de maio de 2015

Yoga contra depressão e ansiedade em idosos

Matéria publicada no Brasil Post:

Yoga evita depressão e ansiedade em idosos, diz pesquisa

Não é segredo que praticar Yoga faz bem. O corpo ganha flexibilidade, os músculos se fortalecem e a postura se aperfeiçoa. Além disso, a atividade previne os problemas cardíacos e doenças, como osteoporose e artrite. Mas a lista de benefícios não para de crescer. Recentemente, um grupo de pesquisadores um grupo de universidades, como Universidade Nacional de Singapura avaliou os efeitos da atividade em homens e mulheres com mais de 60 anos. O estudo foi feito com base em 15 trabalhos realizados ao longo das duas últimas décadas sobre a prática da Yoga.

A análise, publicada no jornal Aging and Mental Health chegou à conclusão de que a Yoga é extremamente eficaz para aliviar a ansiedade e a depressão entre os idosos.Há várias explicações para isso. Como a Yoga consiste na realização de movimentos lentos, aprende-se aos poucos a diminuir o ritmo da respiração e a controlar a ansiedade. A técnica também ajuda a treinar o equilíbrio e evitar quedas. Além disso, o fato da Yoga muitas vezes ser praticada em grupos, isso facilita a socialização entre os idosos. Diz Elisa Kozasa, neurocientista do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. "Essa é uma maneira de interagir com outras pessoas que vivem a mesma fase e que também estão comprometidas em melhorar seu estilo vida".

As pesquisas na área de meditação e Yoga começaram a interessar a comunidade científica a partir da década de 70. Mas somente a partir de meados dos anos 90, sobretudo com o aperfeiçoamento dos exames de imagem, tornou-se possível observar os efeitos da técnica no organismo com mais detalhes. Pesquisadores da Universidade Harvard, por exemplo, estão conduzindo estudos que mostram os efeitos da Yoga na memória e cognição. Trata-se de uma excelente notícia para quem quer envelhecer de maneira mais saudável.



sexta-feira, 1 de maio de 2015

Homem que lava louça é mais feliz

Dia do Trabalho, né gente! Momento apropriado para que este que vos escreve (e lava louças, sim!) ressuscite uma matéria publicada na Exame em 24/10/12:

Homem que lava louça é mais feliz, diz pesquisa

Está na hora de ser um homem mais moderno, meus caros. Lavar a louça, passar a própria camisa e arrumar a cama antes de ouvir as reclamações da esposa ou da namorada. E, segundo um estudo divulgado pela Universidade Umeå, na Suécia, tudo isso ajudará (e muito) a sua saúde.

Após acompanhar de perto a vida de 723 pessoas ao longo de 26 anos, o estudo concluiu que aqueles que não dividiam os afazeres domésticos com a parceira tinham maiores problemas de saúde. Ansiedade, nervosismo e problemas de concentração eram alguns dos transtornos comuns aos, digamos, “preguiçosos”.

Por outro lado, aqueles que topavam fazer metade dos serviços, se apresentavam mais tranquilos e felizes. Na outra ponta, as mulheres que não contam com a ajuda masculina se tornam mais vulneráveis às doenças.

As complicações, afirma o estudo, acontecem por conta dos papéis assumidos por cada gênero dentro do relacionamento. A solução para que a vida em casal se saia melhor é conversar e eliminar essas barreiras. Então já sabe: a solução é botar a barriga para ralar na beira da pia!



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