sexta-feira, 19 de junho de 2015

Túmulo de Chico Xavier é danificado em Uberaba (MG)


A informação é do G1 Triângulo Mineiro:

Túmulo de Chico Xavier é danificado e filho de médium fala em vandalismo


Incidente ocorreu em Uberaba, onde líder espírita foi enterrado.
Grades de proteção serão instaladas após incidente em sepultura.


Alex Rocha

Um trincado e algumas marcas de pancadas apareceram nesta quinta-feira (18) no vidro blindado que protege o túmulo de Chico Xavier, situado no cemitério São João Batista, em Uberaba. As ranhuras fazem o filho adotivo do médium, Eurípedes Higino, pensar em ato de vandalismo, possivelmente motivado por intolerância religiosa. Após o incidente, Higino pretende instalar barras para reforçar a segurança do túmulo. O G1 entrou em contato com a assessoria da Polícia Militar e com a administração do cemitério, que afirmaram não ter registrado o ocorrido.

Eurípedes disse que pela manhã esteve no local e percebeu que a placa de identificação de um túmulo vizinho estava jogada próximo à sepultura do pai. Segundo ele, um jornalista de São Luís (MA) visitou o túmulo à tarde para uma pesquisa e percebeu o vidro danificado.

"Eu levei duas senhoras de manhã para conhecerem o túmulo. Quando foi depois do almoço, deixei um rapaz do Maranhão na entrada. Ele logo voltou na minha casa e disse que tentaram quebrar, pois tinha até marcas de pé no vidro", disse.

Euripedes acredita que a pessoa que tentou destruir o túmulo utilizou peças de mármore soltas da sepultura vizinha. “Nessa altura, tanto pode ser atitude de drogados, como de intolerância religiosa. Eu pensava que o Chico era respeitado desde as periferias e por pessoas de todas as religiões”, afirmou.

Temendo por mais atos de vandalismo, Eurípedes disse que já chamou um serralheiro para orçar a implantação de grades.“Ele [Chico Xavier] brincava que eu teria mais trabalho depois da sua partida do que quando fosse vivo. Já roubaram coisas e uma senhora já disse que estava minando no túmulo, sendo que o Chico não era milagroso. Ele é igual a todos nós”, afirmou.

Segurança

De acordo com o diretor de cemitérios, Jaime Messias, o dano ao túmulo não foi comunicado à administração. Ele destaca que o cemitério é vigiado em tempo integral. “À noite, temos três guardas noturnos fazendo ronda. De vez enquanto, a Guarda Municipal passa e também faz ronda. Durante o dia, tem muitas pessoas no cemitério, como coveiros, lavadores de túmulo. Todos eles são vigilantes também, pois trabalham cuidando de tudo lá”, explicou.

Visitas e história

De acordo com o Ministério de Turismo, semanalmente, o túmulo e o museu de Chico Xavier recebem 2.500 visitas. Nascido em Pedro Leopoldo, o médium residia em Uberaba desde 1959. Chico Xavier morreu no dia 30 de junho de 2002, aos 92 anos.



O difícil acordo entre católicos e ortodoxos sobre a data da Páscoa


Matéria publicada no IHU:

Patriarca de Moscou ao Papa: sobre a Páscoa um gesto de boa vontade, mas não alteraremos tradições milenárias

A Igreja ortodoxa russa acolheu com cautela a disponibilidade expressada pelo Papa Francisco de estabelecer uma data comum para a Páscoa, de modo que católicos, ortodoxos e protestantes possam festejar a Ressurreição no mesmo dia. Segundo o intérprete Nikolai Balaschov, vice-presidente do Departamento das relações eclesiásticas externas do Patriarcado de Moscou, as palavras do Pontífice transmitidas pela mídia não são suficientes para compreender de modo correto qual é a essência de sua proposta. “Preferirei conhecer as exatas declarações do Papa Francisco, transmitidas por diversas fontes de informação”, declarou Balashov, numa entrevista com a agência Tass, sublinhando que “se a Igreja de Roma pretende abandonar a Páscoa segundo o calendário gregoriano, introduzido no século XVI, e voltar à data antiga (juliana), utilizada na época em que a Igreja do Oriente e Ocidente eram unidas e utilizada até agora pelos ortodoxos, esta intenção é bem-vinda”. Se, ao invés, a ideia é a de “ter uma data fixa para a Páscoa e não liga-la ao primeiro plenilúnio após o equinócio da primavera, como foi estabelecido tanto no Oriente como no Ocidente pelo Concílio de Nicéia de 325, então tal proposta é totalmente inaceitável para a Igreja ortodoxa”, advertiu Balashov. “Esperamos a publicação nas fontes oficiais do Vaticano”, acrescentou.

A reportagem é de Nina Achmatova, publicada pelo sítio AsiaNews, 15-06-2015. A tradução é de Benno Dischinger.

O representante dos ortodoxos russos quis depois recordar que Constantinopla e Moscou não estão em desacordo sobre a Páscoa e que diversamente de quanto foi referido pela imprensa, no programa do Concílio pan-ortodoxo não é prevista a discussão sobre a revisão da data na qual celebrar a Páscoa. De qualquer modo, Balashov reconheceu que o Papa “quis realmente dar um passo em direção aos ortodoxos. Trata-se de um gesto de boa vontade. Esta aproximação, no entanto, não pode ser realizada através de uma mudança radical das nossas comuns tradições do primeiro milênio do cristianismo”. Como a Igreja católica, também a Igreja ortodoxa festeja a Páscoa no domingo subsequente à primeira lua nova plena, mas seguindo um calendário diverso. Neste ano, a Páscoa católica foi festejada no dia 5 de abril, enquanto a ortodoxa no dia 12 de abril. Na próxima vez na qual a Páscoa dos católicos e dos ortodoxos coincidirá será o dia 16 de abril de 2017.

Parece que a proposta do Pontífice não tenha sido discutida no encontro de 16 de junho, no Vaticano, com o metropolita Hilarion de Volokolamsk, presidente do departamento para as relações eclesiásticas externas do Patriarcado de Moscou. Segundo o que foi reportado pelo centro de comunicações da Igreja ortodoxa russa, o colóquio teve no centro da discussão “a situação dos cristãos no Oriente Médio e na África, bem como a necessidade de uma ação comum para proteger a concepção tradicional de família na sociedade laica de hoje”. Antes de ser recebido pelo Papa, Hilarion teve um encontro com o presidente do Pontifício conselho para a promoção da unidade dos cristãos, o cardeal Kurt Koch.



quinta-feira, 18 de junho de 2015

Atirador mata 9 fiéis de igreja metodista nos EUA


A trágica informação vem do UOL Notícias:

Atirador mata nove pessoas em igreja em Charleston (EUA)

Um homem branco matou nove pessoas na noite desta quarta-feira (17) em uma igreja frequentada pela comunidade negra de Charleston, na Carolina do Sul, informou a polícia.

"Havia oito mortos dentro da igreja. Duas pessoas feridas foram levadas ao hospital e uma faleceu. No momento, temos nove vítimas fatais deste crime odioso", disse o chefe da polícia de Charleston, Gregory Mullen. "Acredito que foi um crime de ódio", completou.

O ataque ocorreu por volta das 21h local (22h no horário de Brasília), na Emanuel African Methodist Episcopal Church, uma das mais antigas igrejas da comunidade negra de Charleston.

A polícia da cidade persegue um suspeito branco, com cerca de 20 anos, apontado como o autor dos disparos. A operação policial envolve um grande contingente, incluindo meios aéreos, e prosseguia quatro horas após o tiroteio.As TVs locais mostraram várias ambulâncias e um importante dispositivo policial em torno da igreja.

Os canais de televisão também mostraram um jovem que corresponde a descrição do suspeito sendo algemado e levado por dois policiais, mas as autoridades confirmaram que permanecem em busca do atirador.

Segundo o canal local ABC4 News, a polícia investigou uma ameaça de bomba, que já foi descartada.

Reações de políticos

"Minha família e eu oramos pelas vítimas e os parentes afetados pela tragédia sem sentido desta noite" na igreja, disse a governadora da Carolina do Sul, Nikki Haley. "Enquanto ainda ignoramos os detalhes, sabemos que jamais entenderemos o que motiva uma pessoa a entrar em um dos nossos locais de oração e tirar a vida de outros".

Jeb Bush, pré-candidato republicano à Casa Branca nas eleições de 2016, que deve participar de um comício em Charlotte, na Carolina do Norte, disse no Twitter que "nossos pensamentos e orações estão com os indivíduos e famílias afetadas pelos trágicos fatos de Charleston".

A pré-candidata democrata Hillary Clinton, que participou na quarta-feira de um ato eleitoral na cidade, escreveu no Twitter: "notícias terríveis de Charleston - meus pensamentos e minhas orações estão com vocês".



quarta-feira, 17 de junho de 2015

Editorial da Folha ataca fundamentalismo evangélico na política


Editorial da Folha de S. Paulo publicado no último domingo, 14/06/15:

Submissão

Num futuro não muito distante, a aliança entre grupos políticos moderados e fundamentalistas religiosos obtém expressiva vitória eleitoral. Logo se estabelece, num país de tradições laicas e liberais, o predomínio da repressão, do obscurantismo e do preconceito.

Em “Submissão”, polêmico livro de Michel Houellebecq recém-traduzido no Brasil, imagina-se o domínio de certa “Fraternidade Muçulmana” sobre o Estado francês.

O Brasil por certo não é a França retratada nesse romance, e se o fanatismo de alguns grupos traz perigo à sociedade ocidental, não há sinais de sua atividade em São Paulo, no Rio de Janeiro ou em Brasília.

Um espírito crescente de fundamentalismo se manifesta, contudo, em setores da sociedade brasileira –e, como nunca, o Congresso Nacional parece empenhado em refleti-lo, intensificá-lo e instrumentalizá-lo com fins demagógicos e de promoção pessoal.

O ativismo legislativo que se iniciou com a gestão de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na Câmara dos Deputados, e que Renan Calheiros (PMDB-AL) não deixou de seguir no Senado, possui o aspecto louvável de recuperar para o Parlamento um padrão de atuação e de debate por muito tempo sufocado.

Essa aparência de progresso institucional se acompanha, porém, dos mais visíveis sintomas de reacionarismo político, prepotência pessoal e intimidação ideológica.

Tornou-se rotineiro, nos debates do Congresso, que este ou aquele parlamentar invoque razões bíblicas para decisões que cumpre tratar com racionalidade e informação.

Condena-se a união homoafetiva, por exemplo, em nome de preceitos religiosos e de textos –não importa se a Bíblia ou o Corão– que podem muito bem ser obedecidos na esfera privada, mas pouco têm a contribuir para a coexistência entre indivíduos numa sociedade civilizada e plural.

Muitas religiões pregam a submissão da mulher ao homem, abominam o divórcio, estabelecem proibições a determinado tipo de alimento, condenam o consumo do álcool, reprovam o onanismo, legislam sobre o vestuário ou o corte de cabelo.

Nem por isso se pretende, nas sociedades ocidentais, adaptar o Código Penal a esse tipo de prescrições, dos quais muitos exemplos podem ser encontrados no texto bíblico. Sobretudo, não é função do Estado legislar sobre a vida privada.

Ainda assim, num evidente aceno a parcelas crescentes do eleitorado, uma verbiagem religiosa toma conta do Congresso.

Nos tempos de Eduardo Cunha, mais do que nunca a bancada evangélica se associa à bancada da bala para impor um modelo de sociedade mais repressivo, mais intolerante, mais preconceituoso do que tem sido a tradição constitucional brasileira.

O conservadorismo sem dúvida é forte no Brasil; a pena de morte, a redução da maioridade penal, a rejeição ao aborto e à liberação das drogas têm apoio em larga parcela da população –e diante de tais assuntos, naturalmente, cada pessoa tem o direito de se posicionar como lhe parecer melhor.

Mas nossa sociedade também é, felizmente, mais complexa do que pretendem os mais conservadores.

A tradição do sincretismo religioso, da liberalidade sexual, do bom humor, da convivência com pessoas vindas de todos os países e das mais diversas culturas, a prática do respeito, da cortesia e do perdão constituem elementos tão cultivados na identidade brasileira quanto o que possa haver –e indiscutivelmente há– de autoritário e violento em nosso cotidiano.

O debate entre essas forças contraditórias é constante e, a rigor, interminável. Não combina com o açodamento das decisões que, em campos diversos, têm sido tomadas na Câmara dos Deputados.

Seria equivocado criticar seu presidente por ter finalmente posto em votação algo que se arrastava há anos nos labirintos da Casa, como a reforma política. É inegável, entretanto, que Eduardo Cunha atropelou as próprias instâncias institucionais ao impor ideias como a do distritão na pauta de votações.

A toque de caixa, questões intrincadas como a do financiamento às campanhas eleitorais sofreram apreciações seguidas, e nada comprova mais a precipitação do processo do que o fato de que, em cerca de 24 horas, inverteram-se os resultados do plenário.

Uma espécie de furor sacrossanto, para o qual contribui em grande medida o interesse fisiológico de pressionar o Executivo, alastra-se para o Senado. No susto, acaba-se com a reeleição e se altera a duração dos mandatos políticos. O cidadão assiste a tudo sem sentir que foi consultado.

No meio dessa febre decisória, há espaço para que o Legislativo comece a transformar-se numa espécie de picadeiro pseudorreligioso, onde se encenam orações e onde se reprime, com gás pimenta, quem protesta contra leis penais duras e sabidamente ineficazes.

Setores políticos moderados se veem quase compelidos a conciliar-se com a virulência ideológica dos que consideram a defesa dos direitos humanos uma complacência diante do crime; dos que consideram a defesa do Estado laico uma agressão contra a fé; dos que consideram a racionalidade ocidental uma forma de subversão, e as conquistas do iluminismo uma espécie de conspiração diabólica.

Os inquisidores da irmandade evangélica, os demagogos da bala e da tortura avançam sobre a ordem democrática e sobre a cultura liberal do Estado; que, diante deles, não prevaleça a submissão.



terça-feira, 16 de junho de 2015

Igreja do Neymar perde ação contra Band por causa de dízimo

Todo mundo sabe que Neymar nunca fez questão de esconder sua condição de evangélico, apesar de suas festinhas nada religiosas e de ser o próximo garoto-propaganda da PokerStars.


Tanto isto é verdade que, no último dia 6 de junho, quando o Barcelona derrotou o Juventus da Itália, conquistando a Champions League 2015, o craque barcelonês fez questão de comemorar com uma faixa na cabeça dizendo que ele é "100% Jesus".



Desde seus tempos de Santos F. C., entretanto, Neymar já chamava a atenção pelo valor do dízimo que doava à Igreja Batista Peniel de São Vicente (SP), como comentamos aqui em 2011.



Naquela época, quando o jogador já aguardava o nascimento do primeiro filho (sem ser casado), o pastor da igreja fazia questão de dizer que "Neymar tem reconhecida influência de Deus sobre seu comportamento".

Com a transferência para o Barcelona em 2013, por um valor astronômico numa negociação nebulosa sobre a qual ainda pairam dúvidas cruéis, o jornalista Marcondes Brito publicou matéria no seu blog na Band (hoje o texto está fora do ar), comentando que Neymar teria pago - supostamente - 13 milhões de reais de dízimo à igreja em razão da negociação com o futebol europeu, e este valor teria sido "depositado na conta do pastor".

Inconformada com o teor da publicação, a Igreja Batista Peniel entrou com ação na Justiça paulista requerendo indenização por danos morais do jornalista e da Rede Bandeirantes de TV, perdendo em primeira instância, o que a levou a apelar ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

No dia 19 de maio de 2015, a apelação da igreja foi julgada pela 1ª Câmara de Direito Privado do TJSP, e melhor sorte não lhe acudiu: perdeu de novo.

No Acórdão de 2ª instância, da lavra do Desembargador Dr. Francisco Loureiro, disponibilizado publicamente no dia 12 de junho de 2015 e que pode ser lido na íntegra (inclusive com o teor completo da matéria do jornalista atacada pela igreja) clicando aqui, o Tribunal rechaçou o pleito da apelante dizendo, entre outras coisas:

Embora a um primeiro exame impressione a hipótese levantada pelo jornalista, de que R$ 13 milhões possivelmente foram pagos por Neymar e sua família a título de dízimo à Igreja, em termos jurídicos a tese não tem maior relevância.
A ilicitude da matéria jornalística, ao menos para efeito de responsabilidade civil, não se dá pela intenção ou isenção de quem a elabora ou divulga, mas sim pelo interesse público, veracidade e pertinência de seu conteúdo.
[...]
Parece claro que não é a malícia do jornalista ou do editor que torna a matéria ilícita, mas sim o seu conteúdo.
No caso concreto, o que fizeram as matérias foi simplesmente suscitar uma hipótese relativa à considerável contribuição do jogador Neymar à Igreja frequentada por sua família.
Em outras palavras, os apelados meramente conjecturaram a respeito do pagamento de vultuoso dízimo à instituição religiosa autora, com a ressalva expressa de que se trata de uma questão de “convicção de uma pessoa fiel aos seus princípios”. Foi realmente a dimensão da possível contribuição que chamou a atenção do jornalista requerido, e ensejou as publicações em análise.

[...]

Há nítida prossecução de interesse público e social nas matérias objetos de apreciação. As publicações objetivaram informar aos internautas certos detalhes relativos à transação que culminou na transferência do jogador de futebol Neymar a um clube europeu, lembrando que a negociação foi amplamente noticiada pela imprensa por suposta omissão dos reais valores envolvidos, o que levou até mesmo à propositura de ações judiciais entre os envolvidos.

É bem verdade que, nas matérias em análise, foi dado especial enfoque à suposta contribuição feita por Neymar à Igreja autora. No entanto, inegavelmente as matérias se revestem de interesse público.

[...]

No caso concreto, os requeridos tiveram o cuidado de, a todo instante, tratar em tom hipotético o pagamento de dízimo milionário pelo jogador Neymar à Igreja autora.

Como se não bastasse, a conjectura baseou-se em declarações anteriores do pai do atleta, também seu empresário, dando conta de que, não obstante o considerável aumento dos ganhos do jogador ao longo do tempo, o pagamento do dízimo à Igreja continuou sendo feito.

[...]

No caso em tela, como já dito anteriormente, em nenhum momento foram lançadas críticas diretas à Igreja e ao recebimento de contribuições de seus fiéis, tampouco a imagem da instituição religiosa foi vinculada à prática de ilícito pelo jogador Neymar.
Foi justamente a possibilidade de que o atleta tenha contribuído com mais de R$ 13 milhões para a instituição, de uma só vez, que motivou a veiculação das matérias.
Em outras palavras, foi o próprio vulto do dízimo possivelmente pago pelo jogador que ensejou as publicações e, nesse sentido, as narrativas mostraram-se absolutamente pertinentes.
Em suma, não vejo, no caso concreto, após minucioso exame das matérias, ausência de interesse público, falta de veracidade dos fatos noticiados, ou ausência de pertinência entre os fatos e a narrativa.
Não é possível vislumbrar os alegados danos à honra objetiva da autora em virtude das publicações veiculadas pelos réus na Internet.
Logo, a improcedência da ação foi bem reconhecida pela sentença, que deve ser integralmente mantida.
Diante do exposto, pelo meu voto, nego provimento ao recurso.
Obviamente, a igreja ainda pode recorrer do Acórdão do TJSP. Resta saber se vale a pena insistir na tese da indenização.



segunda-feira, 15 de junho de 2015

Carta Magna completa 800 anos hoje

Rei João assina a Carta Magna. Na realidade, o processo não foi tão pacífico assim.


Hoje é um dia de festa para todos aqueles que amam a Justiça, o Direito e a Liberdade.

No dia 15 de junho de 1215, depois de muitos anos de crise política e religiosa, o rei João, que passaria para a História com o apelido de "João Sem-Terra", finalmente aceitou discutir a carta que era então conhecida como os "Artigos dos Barões", em que os nobres impunham limitações ao poder do rei. 

No fundo, era um tratado de paz que evoluiu para se tornar um dos mais importantes documentos que o ser humano já produziu.

Após alguns dias de muitas discussões e deliberações, no dia 19 de junho de 1215 o selo real foi aposto a esta declaração de direitos e deveres que ficou conhecida como a "Carta Magna", a primeira lei que limitou de alguma forma o poder do rei (e - por assim dizer - do Estado, ainda que este conceito fosse estranho à época), razão pela qual ficou conhecida como a primeira Constituição da história da humanidade.

Obviamente, o rei João assinou o documento bastante contrariado, apenas para ganhar tempo na tentativa de dar a volta por cima e impor novamente o seu poder absoluto sobre os nobres que haviam ousado afrontar a sua autoridade.

Poder este que tinha um apetite exagerado por criar e cobrar impostos, o que abalava ainda mais a frágil economia inglesa na época das Cruzadas, e levantava uma forte oposição contra os desmandos do monarca.

Logo, assim que os barões se retiraram de Londres, o rei João tratou de desdizer tudo o que havia dito, renegando a Carta Magna que havia assinado, com o apoio do papa Inocêncio III, que a anulou mediante recurso do monarca, o que mergulhou a Inglaterra em mais uma violenta guerra civil.

João Sem-Terra passou para o imaginário coletivo da humanidade também como o rei vilão contra quem o mítico personagem Robin Hood se rebelou juntamente com seu bando refugiado na floresta de Sherwood, em Nottingham, uma visão lendária que até hoje tem forte apelo popular.

A "Magna Carta" foi assinada às margens calmas do riacho de Runnymede ("às margens plácidas do Ipiranga" te lembra alguma coisa?), a cerca de 32 km de Londres, local que espera a rainha Elizabeth hoje para festejar os 800 anos de sua promulgação.

Promulgação esta que foi imposta a João Sem-Terra pelos nobres e - em seguida - rechaçada pelo monarca, mas que estabeleceu as liberdades fundamentais dos cidadãos e deixou claro que nem mesmo o rei estava acima da Lei.

Entre idas e vindas ao longo dos séculos, a Carta Magna prevaleceu sobre a tirania e o absolutismo, e influenciou definitivamente legislações e Constituições mundo afora.

Do ponto de vista jurídico, sua maior contribuição para a humanidade foi estabelecer o princípio do "devido processo legal", ou seja, que ninguém deveria ser condenado a uma pena ou ser privado de seus bens sem que fosse devidamente processado e julgado pelas instâncias legais previamente constituídas para avaliar o caso.

Este princípio continua sendo um dos mais sólidos pilares das democracias modernas e das liberdades civis, e se alguém levado às barras da Justiça pode recorrer a ele hoje, isto se deve em grande parte ao que ocorreu naquele dia exatos 800 anos atrás.


Rei João nada satisfeito ao ser "enrolado" pelos nobres na Carta Magna




domingo, 14 de junho de 2015

Depressão pode estar relacionada a bullying na adolescência


Matéria publicada no Brasil Post:

Bullying na adolescência pode estar relacionado à depressão quando adulto

Uma pesquisa publicada nesta semana no The BMJ, um dos mais influentes jornais de medicina do mundo, sugere que bullying na adolescência está fortemente associado com depressão no início da idade adulta. De acordo com o estudo, jovens frequentemente assediados moral e fisicamente têm duas vezes mais chances de ter a doença, em comparação com aqueles que nunca foram intimidados.

A equipe de cientistas, liderada por Lucy Bowes, professora do Departamento de Psicologia Experimental da Universidade de Oxford, realizou um dos maiores estudos sobre a associação entre intimidação na adolescência e depressão na idade adulta. A pesquisa examinou a relação entre o bullying aos 13 anos e a depressão a partir dos 18.

Os pesquisadores estudaram dados de bullying e depressão em 3 898 participantes do Estudo Longitudinal Avon de Pais e Filhos (ALSPAC), análise de um grupo de nascidos em 1991 e 1992, no ex-condado de Avon, na Inglaterra. Aos 13 anos, os participantes preencheram um questionário de autorrelato sobre bullying e, aos 18, completaram a avaliação que identificou os indivíduos com sintomas da depressão.

Dos 683 adolescentes que, aos 13 anos, relataram bullying frequente mais de uma vez por semana, 14,8% estavam deprimidos aos 18 anos. Já dos 1 446 adolescentes que, na mesma faixa etária, sofreram algum assédio físico ou moral, de uma a três vezes ao longo de seis meses, 7,1% estavam depressivos no início da fase adulta.

No geral, 2 668 participantes compartilharam informações sobre assédio moral e sintomas depressivos, bem como outros fatores que podem ter causado a depressão, tais como problemas mentais e de comportamento, conflitos familiares e eventos traumatizantes.

Além disso, para efeitos de comparação, apenas 5,5% dos adolescentes que não sofreram bullying estavam depressivos aos 18 anos.

O tipo mais comum de assédio moral foi o por xingamentos: 36% dos participantes eram agredidos verbalmente com frequência. Enquanto 23% tinham pertences furtados.

A maioria dos adolescentes nunca contou a um professor - de 41% a 74% dos entrevistados - ou para os pais - de 24% a 51% dos participantes. Mas 75% dos jovens disseram a um adulto ter sofrido bullying físico, como ser atropelado ou agredido.

Em um editorial que acompanhou o estudo, Maria Tofi, professora de psicologia criminal da Universidade de Cambridge, escreve que este artigo tem mensagens claras que devem ser endossadas pelos pais, escolas e profissionais.

Ela também pede maior investigação para estabelecer as relações causais entre assédio moral e depressão e ressalta a importância de intervenções antibullying nas instituições de ensino.



sábado, 13 de junho de 2015

Umberto Eco diz que redes sociais dão voz a uma "legião de imbecis"


Matéria do UOL Notícias:

Redes sociais deram voz a legião de imbecis, diz Umberto Eco

Crítico do papel das novas tecnologias no processo de disseminação de informação, o escritor e filósofo italiano Umberto Eco afirmou que as redes sociais dão o direito à palavra a uma "legião de imbecis" que antes falavam apenas "em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade".

A declaração foi dada nesta quarta-feira (10), durante o evento em que ele recebeu o título de doutor honoris causa em comunicação e cultura na Universidade de Turim, norte da Itália.

"Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel", disse o intelectual.

Segundo Eco, a TV já havia colocado o "idiota da aldeia" em um patamar no qual ele se sentia superior. "O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade", acrescentou.

O escritor ainda aconselhou os jornais a filtrarem com uma "equipe de especialistas" as informações da web porque ninguém é capaz de saber se um site é "confiável ou não".



sexta-feira, 12 de junho de 2015

Justiça catarinense reparte os cães de casal separado



Sim, às vezes a relação termina e até os animais de estimação entram na confusão, conforme mostra esta notícia do Tribunal de Justiça de Santa Catarina:

Casal entra na Justiça para brigar por partilha de cães após dissolução de casamento

A partilha de dois cachorros, em uma ação de dissolução de união estável, teve que ser decidida pela 1ª Câmara de Direito Civil do TJ. Isso porque a apelante, ré no processo, não se conformou com a posse dos animais pelo ex-cônjuge. Em suas razões, alegou que os cães ficaram com o ex-marido sob a condição de que ela pudesse visitá-los mas, após certo tempo, foi impedida de exercer esse direito por liminar que determinava seu afastamento do ex. A câmara decidiu que cada um dos cônjuges ficará com um cachorro, já que a recorrente não aceitou indenização no valor do animal, por razões sentimentais.

Para além do simples imbróglio, o desembargador substituto Gerson Cherem II, relator da matéria, chamou a atenção dos custos que uma disputa desse tipo gera para a sociedade, além de descortinar uma situação de vazio existencial, que se materializa em buscar a Justiça para decidir com quem ficarão os cachorros.

"A questão desnuda algo da crise da contemporaneidade. De fato, o amor do casal acabou e sobraram a partilha e os escombros da relação. Hoje, porém, algumas pessoas não suportam mais as frustrações típicas da vida em sociedade. E nesta angústia e perene insatisfação, entram no vórtice do egocentrismo; nada mais importa, só os próprios desejos, custe o que custar. Os seus valores dizem respeito apenas a si, numa simbiose que se autoalimenta. [¿] Volvendo ao caso, creio que a solução estaria mais para a área da psicanálise", anotou. A decisão foi unânime.



quinta-feira, 11 de junho de 2015

70 anos de uma polêmica execução de guerra


Heinz Petry era um rapaz alemão que tinha apenas 16 anos de idade quando foi executado pelas forças aliadas em 11 de junho de 2015.

Exatos 70 anos depois, pouco se sabe de sua história de vida e morte, mas sua execução permanece como um símbolo pungente de como a Segunda Guerra Mundial ceifou milhões de vidas de forma organizada ou aleatória, revelando o que existe de pior na espécie humana.

As poucas informações que sobreviveram ao final do conflito dizem que Heinz Petry era mais um dos muitos garotos e jovens arregimentados pela Juventude Hitlerista para serem triturados na tentativa bizarra e infrutífera de garantir alguns dias mais de sobrevivência do ideário nazista.

Juntamente com Josef Schöner (que teria 17 anos à época), Petry foi preso por espionagem contra as forças americanas que ocupavam a cidade de Aachen, na região Oeste da Alemanha, perto de Colônia.

Além de ter sido ocupada pelos aliados em outubro de 1944, Aachen estava em comoção profunda desde 25 de março de 1945, quando seu prefeito - Franz Oppenhof - havia sido assassinado por oficiais nazistas a mando de Heinrich Himmler, que o acusara de traição.

Entre os envolvidos na conspiração que matou Oppenhof havia 2 membros da Juventude Hitlerista. Tudo indica que Heinz Petry não era um deles.

O assassinato, entretanto, foi usado por Josef Goebbels e Martin Bormann para fins de propaganda como uma grande prova de que a juventude nazista estava se levantando contra os traidores por toda a Alemanha, tentando reavivar o que restava do espírito combativo alemão.

A rendição alemã terminaria ocorrendo no dia 8 de maio de 1945, antes - portanto - da execução de Petry.

Petry foi preso e julgado por espionagem algum tempo depois. Não se sabe exatamente o que foi que ele fez para que chegasse a esse ponto, mas o julgamento foi rápido e o veredito foi dado: ele deveria ser executado por fuzilamento.

E foi isso o que aconteceu no dia 11 de junho de 1945, conforme você pode ver no vídeo abaixo (não assista se imagens explícitas de um fuzilamento possam te ofender.

Os detalhes da vida e da morte de Petry permanecem no limbo histórico. Muito provavelmente jamais saberemos como é que ele terminou diante do pelotão de fuzilamento.

Nesses tempos em que se debate a redução da maioridade penal no Brasil, talvez seu caso extremo sirva para reflexão de quem queira pensar e descer ao mais profundo da misteriosa (e perigosíssima) alma humana.

Independentemente do que se possa avaliar em termos práticos hoje em dia, o fato é que a execução de Heinz Petry continua clamando aos nossos ouvidos e à nossa consciência, sussurrando-nos diuturnamente nesses 70 anos que se passaram, que toda e qualquer guerra é - em síntese - a mais absoluta estupidez.




quarta-feira, 10 de junho de 2015

Pútin se encontra hoje com o papa em Roma


A notícia é da Gazeta Russa:

Em viagem à Itália, Pútin se reunirá com o papa Francisco

Paulo Paladino

O presidente russo Vladímir Pútin viajou nesta terça-feira (9) para a Itália, onde vai se encontrar com os líderes do país e visitar a Expo 2015. Nesta quarta-feira (10) Pútin se reunirá também com o papa Francisco no Vaticano.

A crise ucraniana e a situação dos cristãos no Oriente Médio são algumas das questões que serão debatidas na reunião entre Pútin e o papa Francisco, segundo o conselheiro do Kremlin para política exterior, Iúri Uchakov.

“As relações bilaterais, a crise ucraniana, a situação dos cristãos no Oriente Médio e a necessidade de proteger os interesses dos fiéis serão discutidas [no encontro desta quarta-feira]”, disse Uchakov, em entrevista coletiva.

O conselheiro não quis comentar sobre a possibilidade de o presidente russo e o líder cristão agendarem uma visita papal à Rússia.

“Eles não discutirão qualquer visita do papa à Rússia, porque essa é uma questão que diz respeito não só ao Estado, mas também à hierarquia da Igreja Ortodoxa”, disse Uchakov, que não descartou uma possível reunião em Roma entre o presidente russo e ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi.

Pútin já se reuniu com o líder da Igreja Católica em novembro de 2013, quando discutiram uma solução negociada para o conflito na Síria.



terça-feira, 9 de junho de 2015

Justiça italiana decide que mãe vegetariana deve dar carne ao filho


Notícia interessante da BBC Brasil:

Justiça italiana obriga mãe macrobiótica a dar carne para filho

Erika Zidko

Na Itália, cada vez mais a alimentação dos filhos é caso de Justiça. Uma recente decisão do Tribunal de Bergamo, no norte do país, obrigando uma mãe a modificar a dieta macrobiótica do filho, acendeu o debate sobre o controle de regimes alimentares de filhos de pais separados.

De acordo com o jornal L'Eco di Bergamo, a ação foi movida pelo pai de uma criança de 12 anos contra a ex-mulher, adepta da dieta macrobiótica (alimentação rica em cereais e legumes). Com a decisão, a mãe deve incluir carne na refeição do filho ao menos uma vez por semana. Já o pai se compromete a não dar carne mais de duas vezes nos finais de semana em que estiver com a criança.

"Cada vez mais, em casos de separação e divórcio, os filhos são o centro de polêmicas e acabam sendo instrumentalizados pelos pais. A questão alimentar, que é particularmente delicada, é uma delas. É um fenômeno que tem ocorrido com maior frequência", diz à BBC Brasil o advogado Carlo Prisco, especialista em questões relacionadas à alimentação vegetariana (que exclui carne) e vegana (priva de qualquer substância de origem animal).

Apesar de ser uma ordem judiciária, a decisão de Bergamo não é tecnicamente uma sentença, é um acordo entre as partes, orientado pelo juiz. "Quando os pais separados divergem sobre o regime alimentar dos filhos, na maioria das vezes os vegetarianos ou veganos acabam cedendo à pressão para evitar maiores conflitos", afirma o advogado.

Já o caso contrário é mais raro, segundo o advogado.

"É difícil ver alguém entrar na Justiça para garantir a alimentação vegana aos filhos. A maioria se sente desencorajada."

Prisco vê como preconceituosa a posição de muitos médicos e juízes em relação à alimentação vegetariana ou vegana.

"A maioria tende a deduzir que a alimentação onívora (que inclui indiferentemente substâncias animais ou vegetais) seja a mais saudável por conter mais alimentos. Acreditam, erroneamente, que o melhor genitor é o que oferece mais comida. Além disso, o simples fato de se declarar onívora ou vegana, não significa que a pessoa se nutra, efetivamente, de forma correta e equilibrada."

Mas as disputas relacionadas a regimes alimentares não acontecem apenas em família. Contratado por um casal vegano, o advogado está acompanhando o caso de uma criança de quase dois anos de idade cujo pediatra, após constatar que o peso e a altura estavam pouco abaixo da média e que o paciente seguia a dieta dos pais, advertiu os serviços de assistência social.

A perícia de um segundo médico, contratado pela família, certificou que o menor não apresenta problemas de desenvolvimento.

"Muitas vezes o estado de saúde da criança é determinado apenas com base na rapidez do crescimento. Outros fatores, como exames de sangue, ausência de patologias e o fato de que não seja obesa não são levados em consideração", afirma Prisco.

Ele também move uma ação no Tribunal de Bolzano contra um jardim de infância que, apesar de oferecer um cardápio alternativo à dieta onívora, como determina o Ministério da Educação, exige que cada mãe que optar pela dieta vegetariana para o seu filho apresente regularmente certificados médicos da criança.

"Acreditamos que se trate de uma discriminação. A previsão é de que a sentença seja divulgada no próximos dias. Se vencermos a ação, outros pais poderão basear-se nesta decisão."

Mudanças culturais

Para Annamaria Bernardini de Pace, uma das advogadas de Direito de Família mais conhecidas da Itália, a alimentação dos filhos é e sempre foi motivo de briga entre pais separados ou divorciados.

"Do mesmo modo como discutem para decidir entre escola pública ou particular, curso de inglês ou de alemão, férias na praia ou em montanha, se frequentar ou não as aulas de religião, eles questionam muito a dieta dos filhos. Há quem tema a obesidade e acuse o outro genitor por deixar os filhos comerem demais, há quem se preocupe que as filhas façam regime quando estão com a mãe e possam tornar-se anoréxicas", disse à BBC Brasil.

A decisão do Tribunal de Bergamo, segundo a advogada, demonstra que problemas deste tipo existem. "A dieta normal é a onívora. As outras formas de alimentação, como vegetariana, macrobiótica, são escolhas minoritárias e nem sempre são aceitas pelo outro genitor."

"As pessoas devem ter a liberdade de escolha, mas quando os pais não conseguem entrar em acordo sobre a alimentação dos filhos menores é o juiz quem deve intervir, baseando-se no parecer de médicos, psicólogos ou outros especialistas", afirma.

"Não existe um preconceito contra quem não segue a dieta normal", diz a advogada. "Até porque muitos juízes são vegetarianos."



Fim do mundo já tem nova data: setembro de 2015


Você, meu amigo, minha amiga, que vive correndo atrás de uma profetada sobre o fim do mundo, trate de se agendar (de novo). 

Não se avexe e faça suas malinhas porque o próximo show (furado) da turnê do apocalipse já está marcado para o final do próximo mês de setembro, segundo noticia o Terra:

Terra deve acabar em setembro, apontam teorias, mas EUA já estariam se preparando

Teóricos da conspiração têm alertado que o Exército dos EUA tem praticado exercícios que seriam, na verdade, uma preparação para o caso de um asteroide colidir com a Terra e acabar com a humanidade.

No próximo mês, um grande treinamento militar chamado "Jade Helm" será realizado em vários Estados americanos com 1.200 soldados participantes, mas os detalhes de sua finalidade são escassos, de acordo com o jornal britânico "Daily Mirror".

Agora, conspiradores estão ligando este exercício às suas previsões de que um enorme asteroide irá atingir a Terra em setembro deste ano.

Um blogueiro do site Whistleblower800, que afirma investigar a corrupção no governo dos EUA, disse ter descoberto a razão para o treinamento.

Ele sugeriu que o "Jade Helm" seria uma "apólice de seguro" no caso de um asteroide se chocar com a Terra e tumultos proliferarem pelo país.

Ele escreveu: "Se chegarmos até o outono, este terá sido apenas um exercício de treinamento. Se não, teremos tropas de prontidão para lidar com o que seria pandemônio e caos. Os militares vão atirar em nós, porque seremos vistos como tolos que se recusam a aceitar os sacrifícios necessários para salvar o nosso planeta".

Vários blogueiros em sites de conspiração dizem ter previsto que a catástrofe iminente cairá em algum momento entre 22 e 28 de setembro.

Enquanto isso, teóricos bíblicos afirmam que o asteroide irá iniciar o arrebatamento e o início de uma tribulação --termo bíblico que descreve o período aflitivo que antecederia a volta de Jesus Cristo-- de sete anos.

A Nasa fez sua parte e divulgou um comunicado para tranquilizar as pessoas de que nenhum objeto grande é esperado para bater no planeta em "várias centenas de anos".

Um porta-voz disse: "A Nasa não conhece nenhum asteroide ou cometa atualmente em rota de colisão com a Terra, então a probabilidade de uma grande colisão é muito pequena. Na verdade, o melhor que podemos dizer, nenhum objeto grande deve atingir a Terra a qualquer momento nos próximos cem anos".



segunda-feira, 8 de junho de 2015

Milionário indiano doa fortuna e vira monge

A informação é da BBC Brasil:

'Rei do Plástico', milionário indiano doa fortuna e larga tudo para virar monge

Um dos homens mais ricos da Índia renunciou a sua fortuna para seguir uma vida espiritual de total austeridade.

Bhanwarlal Doshi, que criou um império do plástico avaliado em US$ 600 milhões (R$ 1,8 bilhão) pela revista Forbes, tornou-se monge do jainismo, uma das religiões mais rigorosas e tradicionais da Ásia.

O jainismo não só exige a renúncia a bens materiais, como também professa uma vida de profundo respeito à vida, em que se evita violência até contra insetos ou mesmo micróbios.

Doshi, que era casado e só usava roupas de marcas de luxo, agora será celibatário, usará somente uma túnica e caminhará descalço. As intensas atividades sociais darão lugar à meditação e quase toda a sua fortuna será doada para obras da religião.

De milionário a monge

A busca de um caminho espiritual é algo comum na Índia, mas a mudança radical na vida de Doshi para alcançar seu moksha – ou salvação – não tem precedentes, segundo Amresh Dwivedi, do serviço hindu da BBC.

Tampouco foi uma decisão tomada repentinamente, por causa de alguma crise mental ou moral que o empresário teria sofrido. Bhanwarlal Doshi, na verdade, passou décadas pensando em abandonar sua riqueza e entregar-se à espiritualidade.

Ele discutiu seus planos com sua família que, no início, rejeitou a ideia. Doshi queria receber a diksha, cerimônia de consagração, há três anos, mas seus familiares não permitiram.

Ele levou todo esse tempo para convencê-los, mas, no fim, foi iniciado como monge em uma cerimônia em três dias na cidade de Ahmedabad, no oeste da Índia.

"Estamos orgulhosos dele. A honra e o respeito que ele recebeu quando anunciou sua decisão é algo que precisamos ver para crer", disse seu filho, Rohit, ao jornal indiano Ahmedabad Mirror.

Regime rigoroso

De certo modo, Doshi imitou um dos precursores do jainismo, Majavira, um rei que viveu entre os séculos 6 e 5 a.C.

Segundo Amresh Dwivedi, do serviço hindu da BBC, Majavira era um monarca que abandonou seu reinado, atormentado pela miséria que o rodeava para dedicar-se a fazer o bem à humanidade.

Dwivedi explica que duas grandes religiões surgiram na Índia mais ou menos na mesma época: o jainismo e o budismo.

O último se estendeu até o leste, com grande aceitação na China, no Tibete, no Japão e em outros países. Mas o jainismo, por causa de seu regime mais rigoroso, não encontrou o mesmo apoio e está concentrado em uma pequena área na parte ocidental da Índia. Seu número de praticantes foi diminuindo até quase a extinção, de acordo com o jornalista da BBC.

Após a iniciação como monge, Doshi enfrentará uma vida de celibato e completa austeridade, sem nenhuma das comodidades nem elementos que consideramos indispensáveis na vida moderna, como telefone, relógio, acessórios ou roupas elaboradas.

Ele se levantará todas as manhãs às quatro da manhã para praticar o ritual da alochana, a autocrítica, que consiste em refletir sobre as atividades do dia anterior e os momentos em que ele pode ter ferido algum animal.

Extremos

A consideração por todos os seres vivos é o motivo pelo qual os seguidores do jainismo não usam sapatos – para não pisar por engano em algum pequeno invertebrado no caminho.

Alguns adeptos extremos da religião também cobrem a boca para evitar que moscas entrem nela e até para não inalar micróbios no ar.

Naturalmente, os jainistas são vegetarianos, mas eles não podem dedicar-se à agricultura por receio de matar os animais que vivem na terra.

A única profissão exercida por eles é o comércio, porque consideram que, assim, não prejudicam nada e ninguém, segundo Amresh Dwivedi.

O ex-milionário Bhanwarlal Doshi é justamente um comerciante, mas de grande porte. Ele é dono da DR International, uma das maiores produtoras de plástico da Índia.




domingo, 7 de junho de 2015

Existe casamento sem sexo?

Matéria interessante (e polêmica) publicada no Brasil Post:

Até quando um casamento sem sexo pode sobreviver?

The Huffington Post | De Rebecca Adams

Se você perguntar a Heather*, ela vai dizer que, em geral, tem um bom casamento. Ela e seu esposo, com quem está há dez anos, se dão bem e se divertem juntos. A única coisa é que não têm relações sexuais — ou não têm há pelo menos quase um ano.

Heather, 32, disse ao The Huffington Post que, quando ela e seu marido se conheceram há 15 anos, faziam sexo sempre que podiam. Mas, depois de dois anos de casados, a vida sexual começou a minguar — de várias vezes por semana para uma vez a cada alguns meses, para uma vez por ano, sempre com Heather tomando a iniciativa. Heather não está satisfeita com isso, mas seu marido não está interessado em sexo e não quer falar sobre como consertar o que, para ela, é um grande problema. “Recebo uma variedade de respostas”, disse Heather. “Não está no clima; está cansado; tem dor de estômago.”

Ela acredita que ele tem níveis baixos de testosterona, mas se recusa a ir ao médico. Quando comenta a falta de sexo, seu marido ou se fecha ou fica na defensiva. Ela se queixou sobre como se sente pouco atraente, como sente que eles são apenas colegas de quarto. Mas Heather parece não receber nenhum tipo de retorno ou interesse, então simplesmente parou de tentar — está cansada de ser rejeitada.

Mulheres que querem que seus maridos sintam um tipo específico de vergonha

Atualmente as mulheres podem não depender dos homens para tomar a iniciativa na hora do sexo, mas isso não significa que estejam imunes à rejeição de um desejo sexual não correspondido, especialmente com as tradicionais normas de gênero ainda em voga. O estereótipo do marido com tesão versus “mulher que não está no clima” está entre os difíceis de eliminar.

Se os maridos estão conscientemente se opondo a ter relações sexuais, muitas esposas começam a se perguntar: O que há de errado comigo? Penny*, 43, que conheceu seu marido há 15 anos, disse que naquele tempo nutriam uma “atração instantânea”. Três anos após o casamento, no entanto, notou que ele perdeu o interesse por sexo. Em ocasiões nas quais Penny tinha a expectativa de ter relações sexuais, como no aniversário do relacionamento ou férias, seu marido a rejeitava, diz ela.

“Ficava arrasada”, diz Penny. “Nunca pensei ser a pessoa mais linda na sala, mas me sentia atraente e forte no sentido de quem eu era [antes disso].”

O marido de Penny não estava disposto a falar sobre o casamento sem sexo ou buscar aconselhamento profissional. Penny decidiu fazer terapia por conta própria, o que lhe permitiu perceber que o problema não tem a ver com ela ou com sua capacidade de atração. Penny abordou o marido com cuidado ao longo dos anos e o incentivou a buscar qualquer tipo de ajuda médica ou aconselhamento necessário, mas ele se recusava continuamente a falar sobre o assunto.

Quando não podia mais suportar ficar sem relações íntimas, Penny conversou com o marido sobre buscar um caso extraconjugal. Ela começou a ter relações sexuais com um conhecido; seu esposo consentiu e sabia de tudo. Mas aquilo não resolveu os problemas de comunicação sexual do casal e certamente não aliviou o desejo de Penny de estar mais próxima do marido. No momento estão separados.

Alguns pais podem não notar o declínio da vida sexual até que os filhos cresçam e exijam menos atenção. Esse foi o caso de Megan*, 30, mãe de três filhos. Megan sempre tomou a iniciativa quando queria ter relações sexuais, mas quando a atenção que tinha que dar aos filhos minou suas energias, ela parou de procurar. Disse que o marido não está mais interessado em sexo ou carinhos e nem sequer olha mais para ela.

Megan tentou conversar sobre o assunto — enviou artigos para o marido como ponto de partida e até propôs cirurgia plástica se isso fosse torná-la mais atraente —, mas rapidamente se sentiu muito desmoralizada para continuar insistindo na questão de estimular a vida sexual do casal.

“É como ter que pescar para receber um elogio”, disse. “Não parece sincero se você tem que pedir por isso.”

Claro, essas histórias refletem apenas uma parte da complicada dinâmica. Os homens sentem sua própria dose de humilhação quando falham, seja por um bloqueio psicológico ou um problema fisiológico. Causas fisiológicas comuns para a diminuição do desejo sexual em homens incluem disfunção erétil, medicamentos (como antidepressivos), questões químicas cerebrais e desequilíbrios hormonais (como baixa testosterona). No lado psicológico, o pouco interesse pode estar relacionado à depressão, estresse, ansiedade ou problemas no relacionamento propriamente dito.

Quer os homens decidam buscar ajuda ou não, no entanto, a maioria deles é “motivada pela parceira”, diz Irwin Goldstein, diretor do Programa de Medicina Sexual do Hospital Alvarado, em San Diego, Estados Unidos. Ele disse ao The Huffington Post que muitos de seus pacientes são bastante apáticos em relação à queda do desejo sexual, mas procuram tratamento por causa da parceira, que pode estar se sentindo rejeitada ou ignorada.

O problema nesses casamentos não é necessariamente sexo.

Em muitos casamentos sem sexo, o problema não é apenas sexo — é a falta de empatia do marido e sua incapacidade de resolver a questão com a esposa descontente.

“Se há algo que você realmente quer muito e seu parceiro não reserva um tempo para sequer conversar sobre o assunto, isso geralmente mostra uma disfunção muito maior do que apenas sexo”, disse ao HuffPost Rachel Sussman, psicoterapeuta licenciada e especialista em relacionamentos.

Dito isso, ela acrescenta que a maneira pela qual as mulheres abordam o assunto pode fazer toda a diferença. Em seu consultório, Sussman diz que há mulheres que atacam verbalmente os maridos dizendo coisas como “o que há de errado com você?” ou “que tipo de homem você é?”. Mas a agressividade, seja passiva ou ativa, não é a maneira de abordar a questão. “Quando você tem duas pessoas que estão com raiva uma da outra e com a autoestima ferida, essa [atitude] não é o tipo de receita para conseguir colocar a vida sexual de volta nos trilhos”, disse Sussman.

Ela recomenda que os casais conversem sobre o assunto em um ambiente descontraído, amoroso —, talvez tomando uma taça de vinho ou quando as crianças estiverem dormindo. Num relacionamento saudável, disse, o parceiro acabará respondendo.

Mas quando vale a pena terminar o casamento?

Muitas das mulheres com as quais o HuffPost conversou enfatizaram que, mesmo estando infelizes com a vida sexual, não estavam preparadas para terminar o casamento.

Mas Patty*, 49, disse ao HuffPost que a recusa de seu marido em lidar com o problema sexual entre eles é um sinal de imaturidade que está causando grandes dificuldades em outras áreas do relacionamento. Ela e o marido não fazem sexo há quase sete anos, apesar de ser “como coelhos” nos cinco primeiros anos do casamento. “Meu casamento está em perigo, e não tenho certeza sobre o quanto ele percebe isso”, disse Patty. “Estamos aqui para embarcar numa jornada juntos. O sexo faz parte dessa jornada.”

Não há via expressa, mas Sussman disse que, se depois de quatro a seis meses seu parceiro continua a ignorar o assunto, então pode ser o caso de se perguntar: Estou disposta a terminar meu casamento por causa disso?

Se alguém estiver disposto a melhorar o casamento, no entanto, é preciso começar com um diálogo calmo e aberto.

“Onde houver vontade, há um caminho”, Sussman disse. “É apenas questão de conseguir que alguém esteja disposto.”

*Os sobrenomes foram omitidos para proteger as identidades das mulheres entrevistadas para este artigo.



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