sábado, 11 de julho de 2015

Papa relembra sofrimento paraguaio durante visita ao país


A matéria é da Rádio Vaticano:

Papa às autoridades do Paraguai: prioridade aos pobres

Foi debaixo de uma chuva intensa que o Papa Francisco chegou à cidade de Assuncion, capital do Paraguai nesta sexta-feira dia 10 de julho. O mau tempo não desencorajou os paraguaios que vieram em massa pelas estradas para saudar o Santo Padre.

No aeroporto de Assuncion, a cerimónia de boas-vindas decorreu ao sabor de uma sugestiva coreografia com danças e cânticos guarani. A acolher o Papa estava o Presidente Horácio Cartes.

O primeiro discurso do Papa Francisco foi no encontro com as autoridades no Palácio Presidencial. O Santo Padre agradeceu a hospitalidade e recordou a dolorosa história do Paraguai que entre os séculos XIX e XX sofreu conflitos fratricidas, falta de liberdade e violações dos direitos humanos:
“Quanta dor e quanta morte! Mas é admirável a tenacidade e o espírito de superação do povo paraguaio para se refazer perante tanta adversidade e prosseguir nos seus esforços para construir uma nação próspera e em paz.”
No seu discurso o Santo Padre prestou homenagem aos milhares de paraguaios simples, cujos nomes não aparecerão escritos nos livros de história “mas que foram e continuam a ser verdadeiros protagonistas da vida do seu povo”. Em particular, o Papa reconheceu com emoção e admiração o papel desempenhado pela mulher paraguaia nestes momentos dramáticos da história do país.

Reconhecendo que já há alguns anos que o Paraguai está empenhado na construção de um projeto democrático sólido e estável e empenhado também em combater a corrupção, o Papa Francisco exortou os paraguaios a potenciarem o diálogo como meio privilegiado para favorecer o bem comum.

Salientando a cultura do encontro e o respeito das legítimas diferenças de opinião como base para a superação dos conflitos e das divisões ideológicas, o Santo Padre declarou que os pobres devem ser a prioridade:
“Os pobres e necessitados deverão ocupar um lugar prioritário. Estão-se a cumprir muitos esforços para que o Paraguai progrida no caminho do crescimento económico. Houve passos importantes nos campos da educação e da saúde. Não pare o esforço de todos os atores sociais, enquanto existirem crianças sem acesso à instrução, famílias sem casa, trabalhadores sem um trabalho digno, agricultores sem uma terra para cultivar e tantas pessoas obrigadas a emigrar para um futuro incerto.”
“…que não haja mais vítimas da violência, da corrupção ou do narcotráfico. Um desenvolvimento económico que não tem em conta os mais fracos e infelizes, não é um verdadeiro desenvolvimento.”
Na conclusão do seu discurso o Papa Francisco assegurou a colaboração da Igreja Católica para “uma sociedade inclusiva” e que indica “o caminho da misericórdia” aberto por Cristo que “ilumina a caridade” para que ninguém se sinta marginalizado.



sexta-feira, 10 de julho de 2015

Papa faz o seu discurso mais ideológico durante visita à Bolívia

Do apelo à preservação do meio-ambiente ao pedido de perdão aos indígenas pelos abusos cometidos pela igreja na colonização da América, sobrou para todo mundo (inclusive o Estado Islâmico) no discurso anticapitalista do papa ontem, 09/07/15, em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, segundo informa a Folha de S. Paulo:

Em discurso anticapitalista, Francisco prega "mudança de estruturas"

FABIANO MAISONNAVE

No discurso mais político em pouco mais de dois anos de pontificado, o papa Francisco defendeu nesta quinta-feira (9) uma "mudança de estruturas" mundial, chamou o capitalismo de "ditadura sutil" e exortou os movimentos sociais a realizar "três grandes tarefas" na economia, na união entre os povos e na preservação do ambiente.

"Reconhecemos que este sistema impôs a lógica dos lucros a qualquer custo, sem pensar na exclusão social ou na destruição da natureza?", perguntou o papa a algumas centenas de representantes de movimentos sociais de vários países, entre os quais o MST, sem-teto, indígenas e quilombolas brasileiros,durante o 2º Encontro Mundial de Movimentos Populares, em Santa Cruz de la Sierra (Bolívia).

"Se é assim, insisto, digamos sem medo: queremos uma mudança, uma mudança real, uma mudança de estruturas. Este sistema já não se aguenta, os camponeses, trabalhadores, as comunidades e os povos tampouco o aguentam. E tampouco o aguenta a Terra, a irmã Mãe Terra, como dizia são Francisco", completou o papa no encontro, realizado no auditório da Expocruz (feira agropecuária de Santa Cruz).

Para o papa, a "globalização da esperança" nasce e cresce entre os pobres, mas até a elite econômica quer mudanças: "Dentro dessa minoria cada vez menor que acredita que se beneficia com este sistema reinam a insatisfação e especialmente a tristeza. Muitos esperam uma mudança que os libere dessa tristeza individualista que os escraviza."

Em outra dura crítica ao capitalismo, Francisco afirmou que, "atrás de tanta dor, tanta morte e destruição está o fedor disso que [são] Basílio de Cesareia (330-379) chamava de 'o esterco do Diabo' [dinheiro]". Segundo ele, o capitalismo é uma "ditadura sutil".

O líder católico atacou também "a concentração monopólica dos meios de comunicação social que pretende impor pautas alienantes de consumo e certa uniformidade cultural". Para ele, trata-se de "colonialismo ideológico".

Apesar da análise dura, Francisco advertiu contra o excesso de pessimismo e exortou os movimentos sociais a protagonizar as mudanças: "Eu me atrevo a dizer-lhes que o futuro da humanidade está, em grande medida, em suas mãos", afirmou. "Vocês são os semeadores das mudanças."

Em seguida, o pontífice propôs a realização de três tarefas aos movimentos sociais. A primeira é a "colocar a economia a serviço dos povos": A economia não deveria ser um mecanismo de acumulação, mas "a administração correta da casa comum". O objetivo, diz, é assegurar os "três Ts: trabalho, teto e terra".

"A distribuição justa dos frutos da terra e do trabalho humano não é mera filantropia. É um dever moral. Para os cristãos, a tarefa é ainda mais forte: é um mandamento. Trata-se de devolver aos pobres e aos povos o que lhes pertence."

A segunda tarefa, segundo o pontífice, é "unir nossos povos no caminho da paz e da justiça". Ele defendeu o conceito de "pátria grande", usado por movimentos de esquerda para pregar a união latino-americana.

Francisco afirmou que problemas como a violência não podem ser resolvidos sem cooperação entre os países e atacou o "novo colonialismo": "Interação não é sinônimo de imposição", afirmou. "Colocar a periferia em função do centro lhe nega o direito a um desenvolvimento integral. Isso é iniquidade, e a iniquidade gera tal violência que não haverá recursos policiais, militares ou de inteligência capazes de deter."

Por último, o líder católico pediu a preservação da "Mãe Terra", tema de sua encíclica mais recente: "Não se pode permitir que certos interesses –que são globais, mas não universais– se imponham, submetam os Estados e organismos internacionais e continuem destruindo a criação".

'3ª GUERRA EM PARCELAS

O papa também condenou o assassinato de católicos pelo grupo terrorista Estado Islâmico e disse que o mundo vive "uma Terceira Guerra Mundial em parcelas".

"Isto também deve ser denunciado: dentro desta Terceira Guerra Mundial em parcelas que vivemos, há uma espécie de genocídio em marcha, e ele deve cessar", declarou o pontífice.

Visitando um país de maioria indígena, Francisco pediu desculpas pelo atuação da Igreja Católica durante a colonização –momento do discurso em que ele foi mais aplaudido pelos fiéis.

"Digo-lhes com pesar: foram cometidos muitos e graves pecados contra os povos originários da América em nome de Deus", disse. "E quero dizer-lhes, quero ser muito claro, como foi são João Paulo 2°: peço humildemente perdão, não apenas pelas ofensas da própria igreja como pelo crimes contra os povos originários durante a chamada conquista da América."

Ao final do discurso, disse: "Digamos juntos de coração: nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhum povo sem soberania, nenhuma pessoa sem dignidade, nenhuma criança sem infância, nenhum jovem sem possibilidades, nenhum idoso sem velhice digna. Sigam a sua luta e, por favor, cuidem muito da Mãe Terra."



quinta-feira, 9 de julho de 2015

Papa reforça opção preferencial pelos pobres na chegada à Bolívia


A informação é da Rádio Vaticana:

Papa na chegada à Bolívia: opção pelos últimos

O Papa Francisco chegou à Bolívia na quarta-feira dia 8 de julho à cidade de La Paz. A acolhê-lo no aeroporto internacional de El Alto estava o presidente Evo Morales, representantes das instituições do país, os bispos da Bolívia e largos milhares de fiéis.

No seu discurso o Papa Francisco agradeceu o acolhimento do presidente e de todas as autoridades e saudou em modo especial todos os bolivianos que procuraram outras paragens para viver.

O Santo Padre declarou grande alegria por estar “neste país de beleza singular, abençoado por Deus nas suas distintas áreas: o planalto, os vales, as terras amazónicas, os desertos, os lagos incomparáveis.” Alegre por estar num país onde não só se fala o castelhano mas também 36 idiomas nativos, o Santo Padre apresentou-se como hóspede e peregrino:

“Como hóspede e peregrino, venho para confirmar a fé dos crentes em Cristo ressuscitado, a fim de que todos nós que acreditamos n’Ele, enquanto peregrinamos nesta vida, sejamos testemunhas do seu amor, fermento de um mundo melhor e colaboremos na construção duma sociedade mais justa e solidária” – declarou o Papa.

O Santo Padre declarou ainda que a Bolívia “tem dado passos importantes na inclusão de amplos sectores na vida económica, social e política do país” e considerou que “a coesão social requer um esforço na educação dos cidadãos”.

Dirigindo-se em especial à Igreja o Papa Francisco afirmou:
“A voz dos Pastores, que tem de ser profética, fala à sociedade em nome da Igreja Mãe, partindo da sua opção evangélica preferencial pelos últimos, pelos descartados, pelos excluídos, essa é a opção preferencial da Igreja.” Não se pode crer em Deus Pai sem ver um irmão em cada pessoa, e não se pode seguir Jesus sem dar a vida por quem Ele morreu na cruz” – advertiu o Santo Padre.
O Papa Francisco afirmou que “a família merece uma atenção especial dos responsáveis pelo bem comum” e os jovens, “comprometidos com a sua fé e com grandes ideais, são uma promessa de futuro”.

O Santo Padre expressou ainda a necessidade de se “gerar uma ‘cultura da memória’ que garanta aos idosos não só a qualidade de vida nos seus últimos anos, mas também o carinho.”

O Papa Francisco concluiu a sua intervenção afirmando estar numa “pátria que de si própria diz ser pacifista, que promove a cultura da paz e o direito à paz.”

“Coloco esta visita sob o amparo da Santíssima Virgem de Copacabana, Rainha da Bolívia, pedindo-Lhe que proteja todos os seus filhos. Muito obrigado e que o Senhor vos abençoe. Jallalla Bolívia! – disse o Santo Padre no final do seu discurso na sua chegada à Bolívia. (RS)



quarta-feira, 8 de julho de 2015

Na onda das estátuas feias, sobrou até para Nefertiti no Egito


Padrão de beleza há 3.500 anos, bem que podiam ter deixado a rainha Nefertiti curtindo seu sarcófago, não é mesmo?

A notícia é da BBC Brasil:

Autoridades egípcias viram piada na internet por estátua 'feia' de Nefertiti

O lançamento de uma réplica feia do famoso busto da rainha Nefertiti fez com que egípcios zombassem de autoridades do país nas redes sociais.

Nefertiti governou o Egito ao lado do marido no século 14 a.C. e sua beleza é lendária - o nome dela, na verdade, significa "uma bela mulher chegou".

A imagem moderna que se tem da antiga rainha foi construída a partir do busto descoberto em 1912, atualmente mantido num museu em Berlim - a propriedade do objeto é questão de debate frequente entre Egito e Alemanha.

Para os egípcios, Nefertiti continua a ser um símbolo de orgulho da história e beleza impressionantes do país. Então, quando autoridades quiseram encomendar uma estátua na entrada da cidade de Samalut, pensaram na antiga rainha.

Infelizmente, a réplica final pouco se parece com a bela rainha - e muitos passaram a lamentar o atual estado da arte egípcia. Para falar a verdade: a mulher retratada na estátua é bem feia.

"Isso é um insulto à Nefertiti e a todos os egípcios", escreveu uma mulher no Twitter.

Outro usuário escreveu: "Isso deveria ser chamado 'estátua feia, de mal gosto e sem arte'... não Nefertiti."

Muitos egípcios se sentiram ofendidos pela tentativa fracassada de replicar o busto icônico e expressaram raiva contra os escultores.

"Se você não sabe como fazer estátuas, não vá e faça algo tão injusto à bela Nefertiti", disse um homem no Twitter.

"Você não está apenas distorcendo o presente, mas também o passado... Eu peço que o busto original não seja devolvido da Alemanha, pelo menos lá ela tem sua dignidade", escreveu outro.

Milhares de outros egípcios estão usando a hashtag "Nefertiti" em árabe, comparando a réplica ao busto original, muitas vezes usando legendas sarcásticas.

O busto foi retirado da cidade após as criticas e será substituído por uma estátua da pomba da paz, segundo a imprensa local.‏

Internautas egípcios ironizaram: "Nefertiti antes e depois do casamento"




terça-feira, 7 de julho de 2015

Justiça de SC tira filhos de pais e tia-madrasta


A história absurda foi noticiada pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina:

Pais e madrasta são destituídos do poder familiar por tratamento desigual aos filhos

A 6ª Câmara de Direito Civil do TJ confirmou sentença de comarca do sul do Estado que destituiu pais e madrasta do poder familiar sobre duas crianças. Após ser abandonado pela mulher e ficar com os dois filhos, o apelante envolveu-se com a cunhada e com ela teve outras duas crianças. A partir daí, os filhos do antigo casamento passaram a ser declaradamente preteridos pela tia-madrasta. As crianças eram submetidas a afazeres domésticos exaustivos para a idade, e uma delas teve tratamento de grave doença negligenciado.

A madrasta afirmava não amar as crianças "como mãe", apenas como tia. Um casal próximo à família das crianças, e que detém a guarda delas há dois anos, já manifestou interesse em adotá-los. Ambos são chamados de pai e mãe pelos meninos. A mãe biológica quase não visita as crianças e o pai acabou por ser conivente com a atual esposa, apesar de declarar querer os filhos de volta. O desembargador Ronei Danielli, relator da matéria, afirmou que a negligência é uma das feições da violência física, e a simples afirmativa feita pela madrasta de que as crianças não eram amadas como seus irmãos por parte de pai já é motivo suficiente para pensar em destituição.

Ele também ressaltou a relação de amizade existente entre os candidatos à adoção e os pais biológicos, o que garantiria contato das crianças com suas raízes. "Eis o ponto crucial a ser priorizado: esses infantes merecem a chance de encontrar uma família bem-ajustada, consciente acerca das necessidades mais elementares de saúde e higiene e pronta a lhes fornecer a devida assistência médica, bem como o suporte emocional e espiritual, tão importantes para um crescimento sadio, humano e digno. Esses meninos merecem ser amados por uma mãe de verdade. Merecem experimentar um amor de mãe e não de tia (seja lá o que isso significar)", concluiu o desembargador. A decisão foi unânime.



Papa se encontra com padre Paquito no Equador

O encontro efetivamente aconteceu, conforme já prenunciava o Estadão em sua edição de ontem, 06/07/15:

Em Guayaquil, papa fará primeira missa no Equador e encontrará o "xará" Paquito

RODRIGO CAVALHEIRO

Francisco celebrará missa na capital econômica do Equador no começo da tarde desta segunda-feira antes de almoçar com vice-reitor do Colégio Javier, Francisco Cortés

QUITO - O padre espanhol Francisco Cortés tornou-se uma celebridade no Equador, depois de o papa Francisco repetir que uma das razões de sua viagem ao país era ver o "padre Paquito", apelido pelo qual o religioso equatoriano é conhecido em Guayaquil. Aos meios locais de imprensa, Paquito - apelido comum para o nome Francisco entre os hispânicos - disse que fará ao papa uma pergunta que o intriga. "Quero perguntar por que se lembrou de mim", disse ao jornal El Comercio, de Quito.

Paquito tem 91 anos e se orgulha de ter recebido saudações do papa enviadas por seis pessoas. Ele almoçará com o pontífice nesta segunda-feira, 6, depois da missa prevista para as 13h45 (horário de Brasília). O espanhol é o vice-reitor do Colégio Javier, na capital econômica equatoriana, no sul do país.

O papa argentino era o reitor do Colégio San José, no bairro de Flores, em Buenos Aires, quando escolheu em 1981 a sede equatoriana para seus alunos seminaristas prestarem serviço comunitário, obrigatório para a formação sacerdotal. O espanhol viu o amigo Jorge Bergoglio pela última vez em 1985, quando acompanhou na capital argentina a ordenação dos alunos que haviam passado por Guayaquil. Em 2013, quando Bergoglio escolheu o nome para o pontificado, ambos viraram "xarás".

Papa e avião. Durante o voo de Roma a Quito, no domingo, o Papa Francisco enviou telegramas ao rei da Espanha e aos presidentes dos países sobrevoados. No telegrama ao presidente português Aníbal Cavaco Silva, disse: "Ao sobrevoar Portugal numa visita pastoral que me leva ao equador, Bolívia e Paraguai, tenho o prazer de saudar Vossa Excelência formulando cordiais votos para sua pessoa e inteira Nação sobre a qual invoco benevolência divina para que seja consolidada nela a esperança e alegria de viver na harmonia e bem-estar de todos seus filhos. Francisco PP"

Papa e a tietagem. Nos estreitos corredores do avião da companhia Alitalia durante a viagem ao Equador, o papa Francisco voltou a mostrar simpatia e carisma brincando com os jornalistas que estavam no voo. Recebeu dezenas de presentes , abençoou fotos e até posou para os pedidos de "selfies". Após terminar o café da manhã - fruta, frios, queijo, doces e iogurte - Francisco, que viajou na parte dianteira da aeronave, foi ao fundo do avião onde era esperado por 75 jornalistas que o acompanham nesse retorno à América do Sul.

Francisco começou a cumprimentar um a um os jornalistas pelos estreitos corredores do Airbus A330, rodeado por câmeras de televisão, máquinas fotográficas, tablets e celulares. Quase todos queriam um registro ao lado do pontífice. Casa, ou melhor, América Latina, onde Francisco já esteve em julho de 2013, quando visitou o Brasil. Porém, no Equador, Bolívia e Paraguai o papa pode se expressar em espanhol, sua língua materna.

Como em qualquer audiência das quartas-feiras, os jornalistas repetiram os gestos dos fiéis na praça São Pedro. Trouxeram presentes e pediram "selfies" e bênçãos ao pontífice. Os mais emocionados eram os seis jornalistas dos países nos quais o papa passará: dois do Equador, dois da Bolívia e dois do Paraguai. Um dos equatorianos trouxe fotos de sua família para ser abençoada. Já uma boliviana o presenteou com uma das cruzes de madeira que o papa dará a bênção em Santa Cruz, durante a missa de abertura do Congresso Eucarístico na Praça do Cristo Redentor.

Francisco não hesitou em posar para uma "selfie" para a outra jornalista boliviana, que fez o pedido com muita vergonha, revelou o papa após o registro. Além disso, o pontífice brincou com os repórteres cinematográficos, que não podem largar as câmeras para cumprimentá-lo.

Francisco distribuiu até "bênçãos digitais" ao atender ao pedido de um jornalista que mostrou a foto de sua avó ao papa através de um celular. Aos que lhe perguntaram sobre o que ele esperava da dura viagem, a mais longa realizada até agora, o papa respondeu brincando: "Não ocorrerá nada, mascarei (a folha de) coca".

Francisco teve um pulmão retirado quando tinha 21 anos, razão pela qual havia preocupação com a reação de seu organismo à altitude de Quito, a 2,8 mil metros sobre o nível do mar. Ele ainda passará pelos 4 mil metros de altitude de El Alto, na Bolívia, onde chegará na quarta-feira.





segunda-feira, 6 de julho de 2015

E a Grécia disse não...

No último sábado, comentamos aqui a decisão do patriarca da Igreja Ortodoxa Grega em apoiar o voto no "sim" para que o governo grego aceitasse as condições impostas pelo FMI, pelo Banco Central Europeu e pelos bancos credores do país.

Realizado o plebiscito ontem, 5 de julho de 2015, mais de 60% dos gregos seguiram a direção contrária, preferindo o "não", apesar da intensa campanha midiática que insistia em que o país se sujeitasse às condições da troica financeira que quer ver a dívida paga.

Algumas observações merecem ser feitas de imediato.

Em primeiro lugar, todo mundo sabe que a dívida grega é impagável. O país já sofre as consequências de um alto custo social das medidas econômicas visando satisfazer os credores.

Todos também sabiam que, ganhando o "sim" ou o "não", o cenário continuaria sendo o de uma catástrofe, uma terra arrasada sem fim.

Ao que parece, a população grega preferiu o caos de uma economia em frangalhos na qual ela ainda tivesse algum poder de decisão sobre a própria desgraça, embora ninguém saiba dizer como isso acontecerá.

A democracia grega, mãe eterna de todas as formas de participação popular que o mundo conhece, foi mais uma vez pioneira ao dizer "não" à elite financeira que comanda o mundo.

Os gregos preferiram o exemplo de Leônidas e seus 300 de Esparta para resistir ao avassalador exército persa de Xerxes, que hoje fala alemão.

Tudo muito helenicamente romântico e trágico ao mesmo tempo, mas tudo indica que a dialética ateniense prevalecerá já no curto prazo.

É muito provável que a insurreição grega venha a ser sufocada o quanto antes. O "mau exemplo" que eles deram ao mundo, ao resistir à ocupação financeira, tem que ser derrotado sem demora.

Não se surpreenda, portanto, se as (antes) rigorosíssimas autoridades financeiras europeias tratarem de - rapidamente - conseguirem um acordo com o governo grego.

Quem conhece os intestinos do sistema econômico-financeiro mundial, algo que este que vos escreve já teve o desprazer de conhecer, sabe que os governos - de qualquer orientação ideológica - existem para satisfazer os desejos vorazes de uma ínfima elite biliardária que manipula a política e a imprensa a seu bel prazer.

Suspeitamos, portanto, que - apesar da grandeza do gesto de Esparta - nada mudará no establishment econômico europeu e mundial. 

Para essa gente, a crise grega foi, e continuará sendo, apenas um acidente de percurso que precisa ser esquecido o mais rápido possível. 

Não se iludam, Termópilas cairá!



domingo, 5 de julho de 2015

Francisco, o único papa-profeta?

Eugenio Scalfari e o papa Francisco

É esta a pergunta que se faz Eugenio Scalfari, fundador do jornal italiano La Repubblica, talvez o pensador italiano mais importante da segunda metade do século XX para cá.

Scalfari, que completou 91 anos de idade em abril, é ateu e tem tido encontros com o papa Francisco, como ele relata no artigo abaixo, o que reforça a importância de sua leitura neste domingo gelado no Centro-Sul do Brasil.

Não deixa de ser interessante ver como um pensador ateu - moderado, de renome, e que efetivamente conversa com o papa - retrata o pontífice.

O artigo foi traduzido e publicado pelo IHU:

Papa Francisco, profeta que encontra a modernidade


Francisco não é apenas um papa, mas um profeta ou, melhor, sobretudo um profeta e um pastor. É a figura mais relevante do século em que vivemos. 



A opinião é de Eugenio Scalfari, jornalista e fundador do jornal italiano La Repubblica, 01-07-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto. 

Eis o texto.


É preciso reler o Cântico de Francisco de Assis, que, justamente para essa releitura, foi publicado abaixo e que o Papa Bergoglio colocou como título da sua primeira encíclica. Ele ilumina todo o documento do papa, explica por que Bergoglio assumiu o nome de Francisco, que nunca tinha sido usado nos dois mil anos de história da Igreja e, principalmente, dá significado e resposta a uma pergunta que muitos, fiéis e não fiéis, se fizeram: por que o Papa Francisco dedica a sua primeira encíclica à ecologia? Não existem outros problemas muito mais urgentes e dramáticos nestes tempos obscuros que estamos atravessando?

Certamente existem, e o Papa Francisco os enfrenta um por um em toda a sua plenitude, começando pelo da pobreza, da migração de povos inteiros já sem-terra, das guerras que afligem o mundo, do egoísmo imperante, da intolerável desigualdade econômica e social. Ele não se dirige apenas aos cristãos, mas a todos os homens que Deus criou com a terra, confiando eles à terra e o cuidado da terra a eles, isto é, a nós.

Todos os comentaristas da encíclica que, nestes dias, leram o seu texto sublinharam concordemente essas "passagens", dando-lhes, obviamente, interpretações diferentes. Por isso, para mim, que voluntariamente não me pronunciei até agora sobre temas que sempre me interessaram e que, nos últimos meses, muitas vezes, tive a oportunidade de discutir diretamente com o Papa Francisco, só restaria reconhecer tanto a encíclica, quanto a preparação do Sínodo, que irá ocorrer em outubro próximo, quanto as intervenções de Francisco ocorridas logo depois da publicação da encíclica, quanto o seu encontro com os valdenses em Turim, quanto, por fim, os comentários que essa imensa quantidade de trabalho religioso e pastoral provocou, para sair daó mais rico em conhecimento.

Certamente é isso, eu saio enriquecido e mais informado da política religiosa que Francisco leva em frente com ritmo cada vez mais apressado. Mas me faço duas perguntas que merecem aprofundamento e resposta: quem é verdadeiramente o Papa Francisco? E quem é verdadeiramente Jorge Mario Bergoglio?

Cada papa tem traços salientes que configuram o papel que ele desempenhou na história do cristianismo. Mas esse papel e os efeitos que ele provocou nas sociedades da época em que esse papa viveu e agiu, decorrem da personalidade do homem que, em um certo ponto da sua vida, foi chamado a se sentar no trono de Pedro. O caráter da pessoa determina o cargo que ocupa, mas, ao mesmo tempo, a carga cria delineamentos novos nessa pessoa.

Responder a essas duas perguntas que eu me fiz já não só é possível depois de dois anos de pontificado, mas também necessário para entender o que está acontecendo na Igreja e o que provavelmente irá acontecer enquanto Francisco exercer o seu magistério na cátedra de Pedro.

* * *

Francisco não é apenas um papa, mas um profeta ou, melhor, sobretudo um profeta e um pastor. Que eu saiba, isso nunca tinha acontecido antes dele; papas pastores talvez sim, alguns, poucos, contudo. Abundam na história da Igreja papas diplomatas, ou guerreiros, ou místicos, ou litúrgicos, ou legisladores, ou organizadores. Profetas, não, não houve nenhum. Paulo de Tarso também foi profético, além de legislador e fundador da religião cristã. Agostinho igualmente, e Jerônimo, e Boaventura, e Anselmo, e Francisco de Assis e muitos outros, mas não eram papas, não eram bispos de Roma.

Francisco, ao contrário, é. Devemos dizer que a excepção confirma a regra e que, depois dele, não haverá outro como ele? Temo que sim, temo que ele continue sendo uma exceção, mas o impulso que ele está dando à "Ecclesia" mudará profundamente o conceito de religião e de divindade, e isso continuará sendo uma mudança cultural dificilmente modificável.

Mas por que eu digo profeta? Em que consiste a sua profecia e o seu conceito de divindade? Deus é Um em todo o mundo e para todas as gentes. Naturalmente, a afirmação vale apenas para quem tem fé em um além e em um Criador.

A unicidade do Deus criador exclui todo fundamentalismo, toda guerra religiosa, toda divindade múltipla. A própria Trindade, mistério da fé católica, muda de natureza, e Francisco disse isso várias vezes e, precisamente nos últimos dias, ainda mais claramente, em Turim, quando respondeu às perguntas de três jovens diante de milhares de pessoas reunidas para ouvi-lo.

Ele disse que o Espírito Santo é o Espírito de Deus que suscita no coração dos homens a vocação ao bem, e o Filho é Deus que ama as suas criaturas e suscita o amor humano em todas as suas castas formas. Esta é a Trindade: não mais o mistério da fé, mas a articulação do único Deus, misericordioso, amoroso, criador e, portanto, Pai.

A misericórdia é infinita, o pecado faz parte das contradições inerentes à Criação, necessária riqueza de cada criatura individual que não é o clone das outras. As contradições contêm amor, perdão, mas também raiva contra as injustiças sofridas e vergonha por aquelas cometidas contra os outros. Nas contradições, há riqueza e pecado ao mesmo tempo. A misericórdia do Pai também é transmitida às suas criaturas, e são os pastores que a ensinam e a praticam, eles por primeiro.

Talvez, o Papa Francisco ainda não tirou uma consequência teológica dessa sua visão profética, que ele está levando em frente todos os dias: ele não é mais o Vigário de Jesus Cristo na terra, mas é o Vigário de Deus, porque Cristo nada mais é do que o amor de Deus, não um Deus diferente que se encarnou, viveu 33 anos, começou a pregação aos 30 anos e foi crucificado quando o imperador Tibério tinha acabado de ser empossado pelo Senado depois da morte de Otaviano Augusto.

Os Evangelhos relatam essa história, mas os evangelistas – exceto, talvez, João –, escreveram relatos de segunda mão e nunca conheceram o Jesus de quem descrevem a vida e a pregação. Quanto a Paulo de Tarso, fundador da religião que tomou o nome de Cristo, ele não conheceu e nunca se encontrou com Jesus de Nazaré. No entanto, foi justamente Paulo o fundador. Se fosse por Pedro, o cristianismo teria permanecido como uma seita judaica, definida pelos seus seguidores como "judaico-cristã", como na época havia muitas: os fariseus, os essênios, os zelotas e outros ainda, com o Sinédrio na cúpula, administrando a Lei e o Templo que era a sua sede.

Assim era concebida a comunidade judaico-cristã liderada por Pedro e por Tiago, que Paulo forçou a sair de Jerusalém e a abrir a nova religião por ele fundada no mundo circunstante, no Oriente Médio, na Grécia, no Egito, em Roma e, de lá, a todos os territórios do Império, isto é, toda a Europa.

O Jesus relatado pelos Evangelhos provavelmente existiu, provavelmente pregou. A sua pessoa foi teologizada, as comunidades cristãs criaram uma doutrina, uma liturgia, um direito canônico. Nos textos decorrentes dessa doutrina, Deus também é definido como o Deus dos exércitos. O sentido dessa definição é duplo: exércitos de fiéis ou exércitos de guerreiros, combatentes nas Cruzadas, na Inquisição, nas guerras das potências europeias nas quais a Igreja, de vários modos, interveio. O poder temporal do papa a induziu a participar de alianças ou de guerras com Espanha, com a França, com a Áustria, com o Império, com Veneza.

Esse foi o papado até 1861, quando foi proclamado o Reino da Itália. Não por isso o poder temporal dos papas terminou. Ele continuou e, em parte, ainda continua, e Francisco empenhou contra ele a sua luta. A sua visão é uma Igreja missionária, em que a Igreja institucional representa apenas a intendência, destinada a predispor os serviços dos quais a Igreja missionária precisa.

A verdadeira política de Francisco é a de reunificar o cristianismo, folha por folha, ramo após ramo. Nos últimos dias, ele se encontrou com o representante da Igreja Valdense. Nunca tinha acontecido um encontro semelhante. Os valdenses eram cátaros, um movimento cismático que chegou à Itália a partir da Europa central, atravessou toda a planície da Padânia, chegou em Marselha obstaculizado e combatido de todos os modos e, em Marselha, foi massacrado pelas tropas francesas, encorajadas e abençoadas pela Igreja de Roma, que assumiu a responsabilidade por esse massacre.

Pedro Valdo fazia parte dessa comunidade, mas, tendo chegado aos vales do Piemonte, decidiu parar ali. Ele também sofreu ataques e vexações de todos os tipos. Não são muitos os valdenses, mas, religiosamente, são uma comunidade importante e respeitada.

Pois bem, o Papa Francisco os encontrou em Turim há poucos dias e, em nome da Igreja Católica, invocou o seu perdão; os valdenses o agradeceram "do fundo do coração". Logo se verão novamente e abrirão um discurso mais desafiador. O objetivo de Francisco é de abrir a Igreja a todas as comunidades protestantes e reuni-las. Deus é único, e os cristãos devem voltar a ser uma única religião, mas isso não basta. Não por acaso, Francisco também abriu com os muçulmanos, porque o seu Deus é o mesmo dos cristãos.

Não é profético esse pensamento? E não é profético o título da encíclica? O Santo de Assis agradece a Deus pela morte corporal que é prevista pela criação. A morte é um dom. Eis por que eu digo que Francisco é o Vigário de Deus, que o Espírito Santo decidiu colocar no sólio de Pedro.

* * *

Mas Jorge Mario Bergoglio era assim também antes de se tornar papa? O cargo que ele já ocupa há dois anos o mudou ou foi ele que mudou o papel?

Eu me encontrei com o Papa Bergoglio quatro vezes e escrevi muitas vezes sobre ele. Permito-me dizer que nos tornamos amigos. Se Deus é único em todo o mundo, a Igreja também só pode ser uma e, justamente porque é uma em todas as partes, ela não pode e não deve se ocupar com a política.

Igreja livre em Estado livre era o lema de Cavour, mas eu diria que, agora, também é o lema de Bergoglio. O outro lema que justamente Bergoglio me indicou em um dos nossos encontros é: "Ama o teu próximo mais do que a ti mesmo". Com essa frase, ele se dirige a toda a sociedade do mundo e aos ricos, especialmente, porque são eles que devem dar, e a recompensa está apenas no dar sem nada exigir em troca, a não ser o amor de Deus.

Bergoglio sabe perfeitamente que o mundo está vivendo em uma sociedade globalizada, sabe que há um povo de "sem-terras" de mais de 60 milhões de pessoas que vagam pelo mundo em busca de dignidade e de vida.

Por fim, Bergoglio também se propôs a mudar a estrutura da Igreja, que até agora foi vertical. Ele quer colocar ao lado dessa estrutura vertical também uma estrutura horizontal: os Sínodos, aos quais acorrem os bispos de todo o mundo. Desse ponto de vista, ele adotou a ideia central do cardeal Martini, do qual era um bom amigo e que votou nele no conclave do qual o cardeal Ratzinger saiu papa.

Uma Igreja vertical e horizontal: essa é a estrutura que Francisco está implementando e, com ela, um relançamento religioso das Conferências Episcopais que devem agir todas em terra de missão, porque a Igreja deve ser, em todas as partes, missionária.

Em um dos nossos encontros, perguntei ao Papa Francisco se não seria o caso de convocar um novo concílio que reconheça e dê o seu selo a todas essas novidades, mas ele me respondeu: "O Vaticano II pôs como o seu principal objetivo o de se encontrar com o mundo moderno. Essa declaração conciliar é muito importante, mas, desde então, não deu um único passo à frente. Por isso, eu não preciso convocar outro concílio. Ao contrário, devo aplicar concretamente o Vaticano II, e é isso que estou tentando fazer: o encontro com a modernidade".

Esse encontro irá levantar problemas enormes: a modernidade ocidental nasceu do Iluminismo e aportou no relativismo; não há nada de absoluto, começando pela verdade. Francisco, naturalmente, responde a esses problemas, salientando a importância da fé, mas isso não exclui o fato de que o encontro com a modernidade levantará problemáticas totalmente novas que apenas um papa-profeta poderá entrever e gerir.

Desejo-lhe longa vida, convicto como estou de que ele é a figura mais relevante do século em que vivemos.




O CÂNTICO DAS ESCRITURAS
São Francisco de Assis

Altissimu, onnipotente bon Signore, tue sò le laude, la gloria e l’honore et onne benedictione.
Ad te solo, Altissimo, se konfano et nullu homo ène dignu te mentovare.
Laudato sie, mi’ Signore, cum tucte le tue creature, spetialmente messor lo frate Sole, lo qual è iorno et allumini noi per lui. Et ellu è bellu e radiante cun grande splendore: de te, Altissimo, porta significatione.
Laudato si’, mi’ Signore, per sora luna e le stelle: in celu l’ài formate clarite et pretiose et belle.
Laudato si’, mi’ Signore, per frate vento et per aere et nubilo et sereno et onne tempo, per lo quale a le tue creature dài sustentamento Laudato sì’, mi’ Signore, per sor’acqua, la quale è multo utile et humile et pretiosa et casta.
Laudato si’, mi’ Signore, per frate focu, per lo quale ennallumini la nocte, et ello è bello, et iocundo et robustoso et forte.
Laudato si’, mi’ Signore, per sora nostra matre terra, la quale ne sustenta et governa, et produce diversi fructi con coloriti flori et herba.
Laudato sì’, mi’ Signore per quelli ke perdonano per lo tuo amore et sostengono infirmitate et tribulatione. Beati quelli ke ‘l sosterranno in pace, ke da te Altissimo, siranno incoronati.
Laudato sì’, mi’ Signore, per sora nostra morte corporale, da la quale nullu homo vivente po’ skappare: guai a quelli ke morrano ne le peccata mortali; beati quelli ke trovarà ne le tue santissime voluntati, ka la morte secunda no ‘l farrà male.
Laudate et benedicete mi’ Signore et ringratiate e serviateli cum grande humilitate.
Altíssimo, omnipotente, bom Senhor, a ti o louvor, a glória, a honra e toda a bênção.
A ti só, Altíssimo, se hão-de prestar e nenhum homem é digno de te nomear.
Louvado sejas, ó meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente o meu senhor irmão Sol, o qual faz o dia e por ele nos alumias. E ele é belo e radiante, com grande esplendor: de ti, Altíssimo, nos dá ele a imagem.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Lua e as Estrelas: no céu as acendeste, claras, e preciosas e belas.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão Vento e pelo Ar, e Nuvens, e Sereno, e todo o tempo, por quem dás às tuas criaturas o sustento.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Água, que é tão útil e humilde, e preciosa e casta.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão Fogo, pelo qual alumias a noite: e ele é belo, e jucundo, e robusto e forte.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pela nossa irmã a mãe Terra, que nos sustenta e governa, e produz variados frutos, com flores coloridas, e verduras.
Louvado sejas, ó meu Senhor, por aqueles que perdoam por teu amor e suportam enfermidades e tribulações. Bem-aventurados aqueles que as suportam em paz, pois por ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, ó meu Senhor, por nossa irmã a Morte corporal, à qual nenhum homem vivente pode escapar. Ai daqueles que morrem em pecado mortal! Bem-aventurados aqueles que cumpriram a tua santíssima vontade, porque a segunda morte não lhes fará mal.
Louvai e bendizei a meu Senhor, e dai-lhe graças e servi-o com grande humildade.




sábado, 4 de julho de 2015

Igreja ortodoxa grega pede que fiéis votem "sim" à União Europeia


A crise econômica grega ameaça a integridade da União Europeia, depois que o país deixou de pagar a parcela devida ao FMI (Fundo Monetário Internacional) no último dia 30 de junho.

Analistas entendem que uma eventual falência do país implicaria na exclusão da Grécia da comunidade europeia, com um imprevisível efeito dominó em outras economias cambaleantes do continente.

Depois de meses de intensa e infrutífera negociação, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, convocou um referendo para o próximo dia 5 de julho (amanhã, domingo), em que a população grega decidirá se aceita o acordo imposto pelo FMI, pela Comissão Europeia e pelos bancos credores, ou não.

O voto "sim" representa, portanto, que a população concorda em fazer mais sacrifícios (além daqueles que já fez) para garantir o socorro financeiro proposto pelos credores do país, avalizado pelas autoridades comunitárias.

Não há decisão fácil no referendo, entretanto...

O premier Tsipras faz campanha pelo "não", o que implicaria na saída da zona do euro e em um futuro de caos econômico até que o país se reerga das cinzas do tsunami financeiro que se avizinha.

Já o patriarca Jerônimo II, da Igreja Ortodoxa Grega, faz campanha abertamente pelo "sim", alegando que a Grécia "deve continuar no coração da Europa", mas não especifica as consequências econômicas e - sobretudo - sociais do seu voto.

Tsipras rebate a crítica dos que veem a Grécia fora da União Europeia se o "não" vencer, dizendo que isto não significará a saída grega da comunidade europeia, mas lhe dará uma posição de força para seguir negociando com as autoridades monetárias mundiais e os seus credores.

A atitude de Jerônimo II chamou a atenção porque os patriarcas ortodoxos gregos geralmente não se manifestam sobre assuntos políticos e econômicos que envolvem o país.

Talvez o cinto do patriarca tenha ficado apertado demais desde que o governo grego deixou de subsidiar a Igreja Ortodoxa do país por ocasião da crise econômica de 2012.

E olha que não faltam crises políticas, sociais e financeiras por lá ao longo da história. Uma atrás da outra, e o caos atual - infelizmente - não será o último, ao que tudo indica.

Enquanto isso, a população grega vive horas complicadas sem saber o que acontecerá com o berço da democracia quando seus cidadãos exercerem o sagrado direito de votar.

A informação é do portal Religión Digital.



sexta-feira, 3 de julho de 2015

Ana Paula Valadão lança o pijamão gospel


A onda de ídolos gospel faturando em cima da fama não é nova. Aqui mesmo já falamos da moda gospel para os pés de André Valadão e repercutimos matéria da Folha de S. Paulo sobre a "indústria" que os evangélicos movimentam no Brasil.

Daí não ser surpresa alguma ver Ana Paula Valadão pinçando um versículo bíblico, mais exatamente Deuteronômio 8:8, para justificar os 7 frutos estampados no seu involuntário pijamão: "Trigo, Cevada, Figos, Romãs, Uvas, Azeitonas e Tâmaras".

É sempre assim com certas personalidades evangélicas, e não só na vestimenta: basta citar um versículo bíblico qualquer e extrair dele o maior lucro possível.

Para esses ícones gospel, a referência bíblica tem o condão de "ungir" qualquer coisa vendável, e eles nem ficam vermelhos com tanto utilitarismo.

Parece, entretanto, que Ana Paula Valadão não esperava a reação sarcástica da plateia quando postou a foto acima no seu perfil do facebook.

Os internautas não perderam a chance de ironizar a musa gospel nos comentários: "pijama" foi o campeão das impressões da galera, mas sobrou também "toalha de mesa", "livro de colorir", "cortina", "pão integral gourmet ungido" e "pelo menos tem cevada pra gente tomar vendo o Fluzão".

Seria cômico, não fosse trágico...



quinta-feira, 2 de julho de 2015

Papa mascará folhas de coca durante visita à Bolívia


No que faz muito bem, pois este que vos escreve já teve que mascar folhas de coca (além de abusar do respectivo chá) para enfrentar as extremas altitudes da cordilheira dos Andes.

Fiquem tranquilos, queridos leitores, não fiquei "doidão". Só quem fica desesperado em busca de oxigênio nas altitudes superiores a 2.500m do nível do mar sabe como a coca (a planta, e não sua derivada, a cocaína) é essencial para aguentar o tranco.

No fundo, a experiência de mascar coca ou tomar o seu chá é um teste de força para o coração, que passa a bombear loucamente o sangue para retirar o máximo de oxigênio do ar rarefeito que os pulmões inspiram do ambiente ao seu redor.

A experiência é curiosa, confesso. O simples ato de inspirar o ar, que em altitudes menores requer um ou dois segundos, de repente passa a durar o triplo ou quádruplo.

Esperamos que o coração do papa resista bravamente ao exercício. Desejamos longa vida e muito oxigênio para o pontífice romano.

A notícia é da BBC Brasil:

Papa 'pretende mascar coca durante viagem à Bolívia', diz governo de Morales


O papa Francisco pediu para mastigar folhas de coca durante sua visita à Bolívia, segundo o ministro da Cultura do país, Marko Machicao.
O pontífice deve chegar ao país no dia 8 de julho.


A folha de coca, um dos ingredientes usados para a fabricação da cocaína, é usada em vários países dos Andes há milhares de anos para combater os males da altitude e também como um leve estimulante.

Machicao disse que o governo ofereceu ao papa o chá da folha de coca e o pontífice fez um "pedido específico", para mastigar as folhas.

O Vaticano não comentou a afirmação do ministro boliviano.

Ilegal e sagrada

As folhas de coca foram declaradas uma substância ilegal sob a Convenção da ONU para Drogas Narcóticas de 1961.

Mas, o cultivo de folhas de coca com fins religiosos e medicinais é legal na Bolívia.

Muitos indígenas bolivianos consideram a planta da coca sagrada e mastigar as folhas, ou fazer um chá com elas, é muito popular.

A Constituição boliviana de 2009 até declarou que a folha de coca é um "patrimônio cultural" do país.

O presidente do país, Evo Morales, já foi agricultor e cultivava as folhas. Ele faz campanha para descriminalizar o consumo de folhas de coca.

Se o papa Francisco realmente mascar folhas de coca durante sua visita à Bolívia, o ato significaria um grande apoio à campanha de Morales.

"Estamos esperando o santo padre com a folha sagrada de coca", disse Machicao.

A visita do papa à Bolívia é parte de uma viagem do pontífice pela América do Sul, que deve passar também pelo Equador e Paraguai.



quarta-feira, 1 de julho de 2015

Malafaia vira meme nos EUA


O comportamento irascível de Silas Malafaia nos debates que trava pelos meios de comunicação já é bem conhecido de todos os brasileiros, mas a coisa começa a ultrapassar as fronteiras do país.

Durante o debate que teve com Toni Reis, presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais), realizado em Brasília na semana passada, os gestos e trejeitos de Malafaia foram fotografados à exaustão.

Na ilustração acima, os punhos cerrados e levantados de Malafaia são comparados com os ensaios fotográficos que Adolf Hitler fazia em privado antes de ascender ao poder na Alemanha, para avaliar como sua gesticulação e expressão facial podiam aumentar o potencial persuasivo de seu discurso.

Essas fotos ficaram famosas principalmente quando foram encartadas na biografia de Hitler escrita por Joachim Fest (que resenhamos aqui), na qual Fest comentou:
A série de fotos que o mostra em poses melodramáticas ao estilo da época por vezes parece engraçada, mas demonstra como o seu gênio demagógico se formou: treinando e corrigindo erros, soube aprender.
Os maneirismos de Malafaia somados ao ar blasé de Toni Reis durante a audiência pública do dia 25/06/15, por ocasião da discussão do Estatuto da Família, não passaram despercebidos pelos geradores de memes da rede mundial, que logo trataram de repercutir principalmente esta foto:



O BuzzFeed americano reuniu alguns desses memes, que você pode ver clicando aqui.

Obviamente, o BuzzFeed tratou de reproduzi-los em sua versão brasileira.

O fato é que, aos poucos, amado ou odiado (quem se importa?), Silas Malafaia vai se tornando uma celebridade mundial. 

Bem... talvez não do modo que ele esperava.



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