sábado, 18 de julho de 2015

Boneco Minion amortece queda de criança em prédio nos EUA

A informação feliz e inusitada é da Exame:

Boneco dos Minions amortece queda de criança de apartamento

Denver - Um brinquedo de pelúcia do popular filme animado “Minions” amorteceu a queda de uma menina de 5 anos no Estado norte-americano do Colorado.

Ela sofreu apenas ferimentos leves após cair pela janela do terceiro andar de um prédio, disse a polícia nesta sexta-feira.

A criança estava brincando em um quarto do apartamento quando acidentalmente tropeçou e caiu de costas por uma janela aberta, informou a polícia de Colorado Springs em comunicado.

“Felizmente, quando a criança caiu da janela, ela continuou segurando o Minion de pelúcia, o qual, acredita-se, amorteceu sua queda”, informou o comunicado.

A garota foi levada para um hospital local, onde foi tratada por um braço quebrado e então liberada, disse a polícia.

A tenente da polícia local Catherine Buckley disse que é o quinto incidente desde maio de uma criança caindo por uma janela aberta na segunda maior cidade do Estado.

“Felizmente, nenhum dos ferimentos foi sério, mas as pessoas precisam ter uma tela adequada ou algum outro jeito de evitar que a criança abra janelas”, disse ela. “Minions” conta as aventuras de Stuart, Ken e Bon, e é a sequência da bem-sucedida animação “Meu Malvado Favorito”, de 2010.



sexta-feira, 17 de julho de 2015

20 anos é pouco tempo para a reconciliação na Bósnia


O genocídio de Srebrenica, na Bósnia-Herzegovina, é um daqueles trágicos episódios da história da humanidade que não podem ser esquecidos para que jamais se repitam.

Entretanto, parece que a memória do massacre ainda está recente demais para que muçulmanos bósnios (as vítimas) e ortodoxos sérvios (os algozes) encontrem uma saída para vencer o ódio.

A matéria foi publicada pela BBC Brasil em 11/07/15:

Premiê sérvio é atacado em cerimônia dos 20 anos do massacre de Srebrenica

O primeiro-ministro da Sérvia, Aleksandar Vucic, foi atacado por uma multidão durante uma cerimônia para marcar o 20º aniversário do genocídio de Srebrenica na Bósnia-Herzegovina.

Garrafas, pedras, sapatos e outros objetos foram atirados contra o premiê, que teve de sair correndo, protegido por seus seguranças, do cemitério na região de Srebrenica - onde 136 vítimas do massacre estão enterradas.

Vucic foi atingido na cabeça por uma pedra e seus óculos foram quebrados, enquanto muitos gritavam ofensas ou palavras como "genocídio", em referência ao massacre.

O ministro do Interior da Sérvia, Nebojsa Stefanovic, descreveu o ataque ao premiê como "escandaloso", dizendo que foi comparável a uma tentativa de assassinato.

Em 1985, durante a Guerra da Bósnia (1992-1995), cerca de 8 mil homens e meninos muçulmanos foram mortos em Srebrenica pelo exército bósnio da Sérvia, no que é considerado a maior atrocidade já cometida na Europa desde a Segunda Guerra.

Na época, os bósnios muçulmanos buscaram abrigo junto às forças de paz holandesas ligadas à ONU, já que a organização havia declarado Srebrenica uma "área segura" para civis.

No entanto, os civis acabaram sendo mortos por forças sérvias que realizavam uma limpeza étnica na região.

No ano passado, o Tribunal de Haia considerou a Holanda culpada pela morte de mais de 300 homens e meninos muçulmanos bósnios em Srebrenica. No entanto, o Estado holandês foi eximido da culpa pelo destino de outros cerca de 7 mil homens que morreram na região mas que não buscaram abrigo no complexo e, em vez disso, fugiram para a mata nos arredores.

Genocídio

Vucic já havia divulgando um comunicado condenando as mortes e dizendo que o que ocorreu foi um "crime monstruoso". No entanto, ele evitou o termo genocídio.

De volta a Belgrado, capital da Sérvia, Vucic pediu aos sérvios que não odiassem os bósnios muçulmanos e que continuaria a trabalhar pela reconciliação dos dois povos.

Vucic é um ex-nacionalista racial sérvio que entre 1998 e 2000 foi ministro da Informação no governo de Solobodan Milosevic. Agora, ele é um político pró-Ocidente que busca integrar a Sérvia à União Europeia.

Clinton

O ex-presidente americano Bill Clinton, que está em Srebrenica, descreveu a presença de Vucic como um passo em direção à reconciliação.

Ele também se desculpou por ter demorado tanto para colocar um fim à guerra.

Segundo Guy Delauney, correspondente da BBC em Srebrenica, o ataque ao premiê ilustra bem o quanto é difícil a reconciliação na Bósnia e em toda a região.

"Dezenas de milhares de pessoas vieram aqui para homenagear as vítimas de Srebrenica e mostrar solidariedade a essa cidade. Eles ouviram líderes internacionais falarem das cenas de horror que ocorreram aqui e de como isso não deveria se repetir", disse Delauney.

"Mas muitos dos que estavam ali se revoltam com o fato de a Sérvia nunca usar o termo genocídio para Srebrenica. E, como já era esperado, Vucic foi hostilizado pela multidão. O imã que estava no local lembrou a todos que o momento era de se fazer orações. Mas o ódio aqui ainda permanece."

8372 sepulturas de vítimas inocentes ainda clamam por justiça em Srebrenica




quinta-feira, 16 de julho de 2015

Justiça mantém demissão de militar adventista por não trabalhar aos sábados


A informação é do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região (que jurisdiciona os Estados do Sul do Brasil - RS, SC e PR):

Militares de carreira não podem alegar crença religiosa para faltar missões

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) confirmou ontem (08/7) sentença de primeira instância que julgou legal a demissão de um sargento de carreira do Exército do município gaúcho de Jaguarão, no sul do estado, que se recusava a trabalhar nos sábados por questão religiosa.

O homem é adepto da religião Adventista do Sétimo Dia, na qual os fiéis devem guardar o sábado para descanso.

Em 2012, ele foi reprovado na avaliação de desempenho. Além de outras punições disciplinares, ficou preso por dois dias pela recusa de comparecer em missões aos sábados. O ex-militar, que ainda não havia adquirido estabilidade, não teve o seu contrato de prorrogação de serviço renovado.

A dispensa levou-o a ingressar com uma ação contra a União pedindo sua reintegração ao batalhão e indenização por danos morais pelo período em que ficou recluso. Alegou que teria avisado ao seu superior sobre o dogma religioso e que tal decisão viola o respeito à liberdade de crença.

O Exército argumenta que seria inconveniente para a instituição a renovação do contrato do sargento por este não poder trabalhar aos sábados, sendo sua crença religiosa incompatível com as atividades militares.

A Justiça Federal de Pelotas (RS) julgou a ação improcedente e o autor recorreu ao tribunal reafirmando o desrespeito à liberdade de crença.

A 4ª Turma negou o apelo. Segundo o desembargador federal Cândido Alfredo Silva Leal Junior, relator do processo, “o autor não pode pretender se valer de sua condição de sabatista para se eximir de obrigação inerente a sua condição militar. Sendo voluntária sua permanência nas Forças Armadas, não poderia deixar de se submeter à hierarquia e à disciplina prevista no Estatuto dos Militares”.

Leal Junior acrescentou ainda que não há nenhum requerimento formal solicitando diretamente ao comandante responsável sua dispensa, o qual poderia decidir ou não pelo remanejo das atividades aos sábados.

Liberdade de Crença

O inciso VIII do art. 5º da Constituição - segundo o qual ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em leis - só é aplicado em caso de serviço militar obrigatório, não sendo o caso daqueles que optam pela profissão de militar.



quarta-feira, 15 de julho de 2015

"Menina pastora" cresceu e agora dá aulas de Física


A informação é da Folha de S. Paulo:

Jovem que pregava aos 7 anos deixou púlpito para dar aulas de física

De cima de um púlpito, uma menina de sete anos, de franjinha e vestido xadrez, encara uma plateia de milhares de fiéis e grita, com forte sotaque carioca: "É, meirmão, você sabe o que significa essas cinco pre... predrinhas [sic], meirmão? Maravilhoso, conseleiro [sic], Deus forte, pai da eternidade e príííííncipe da paaaiz [sic]!".

A pregação aconteceu num encontro de evangélicos em Camboriú (SC) em 2002. Quando a cena caiu no YouTube, inspirou o "Funk da Menina Pastora". A garota se chama Ana Carolina Dias e não era pastora, mas sim pregadora –a diferença é que não dava conselhos, apenas tinha o dom da oratória.

Hoje aos 21 anos, está no último semestre de licenciatura em física pela Universidade Federal Rural do Rio e não prega mais regularmente. É líder dos jovens de sua igreja e ainda cuida das crianças dos fiéis durante cultos.

Sempre quis trabalhar fora da igreja. Prestou vestibular para física porque gostava de matemática. Hoje dá aula numa escola e num curso pré-vestibular e faz estágio em escola de alunos especiais.

"Sofri muita crítica quando criança. As pessoas diziam que não seria uma pessoa normal. Mas sou prova de que isso não atrapalha a vida de ninguém. Consegui o que queria e continuo fazendo a obra de Deus."

O contato com a ciência não abalou sua fé. Ana se diz fã do movimento "Eu Escolhi Esperar", que defende a virgindade antes do casamento. Teve dois namorados. "Não deram certo, não era a vontade de Deus", diz.



terça-feira, 14 de julho de 2015

Justin Bieber tira foto do traseiro e faz tatuagem para apoiar filha de pastor

Justin Bieber tem uma dificuldade
crônica em manter o traseiro a salvo
dos fotógrafos.
O cantor e "enfant terrible" Justin Bieber continua aprontando das suas, apesar de fazer questão de se declarar cristão evangélico.

Dias atrás, o pop star canadense postou uma foto mostrando o bumbum no seu instagram, o que causou enorme repercussão mundial.

A foto - obviamente - viralizou rapidinho na rede, mas pouparemos os nossos leitores de vê-la aqui. Os mais curiosos poderão consultar o Google e a localizarão imediatamente.

Isto apesar do pedido de desculpas que Justin Bieber fez ontem, ao deletar a foto do seu instagram, alegando que - apesar de não ver maldade no ato - sentiu que tinha ofendido os seus fãs mais jovens.

No caso, foi a filha de uma pessoa próxima a ele, provavelmente criança, que se sentiu constrangida ao ver exposta a bunda "derrière" de seu ídolo.

Não se sabe se o fato tem alguma coisa a ver com o reportado acima, mas recentemente Bieber acrescentou uma letra "G" à sua coleção de tatuagens, desta vez no braço, em homenagem à garota Georgia, filha dos pastores Chad e Julia Veach, que dirigem a mega-igreja The City Church em Seattle, Estado de Washington.

[pausa para suspirar por Seattle, a cidade mais bonita, agradável e descolada que conheci em minha vida, ainda vou morar lá]

A menina Georgia sofre de uma doença rara e grave, chamada lisencefalia, que - numa definição assumidamente sofrível - é uma má formação do cérebro em que aquelas dobras tão características do tecido cerebral ficam lisas e não rugosas, como acontece na quase totalidade das pessoas, fazendo com que aquele complexo sistema de pregas e sulcos praticamente não exista, o que provoca uma série de consequências desde dificuldade para engolir até atraso mental e psicomotor, passando por deformação facial.

Justin Bieber assim justificou a tatuagem: "Esta é para o casal mais forte que eu conheço, Chad e Julia Veach! A filha deles nasceu com lisencefalia. Ela é incrível e tem a alma super doce. Vocês me fazem uma pessoa melhor e eu sou abençoado por tê-los em minha vida".

Resta saber de onde ele tirou a ideia de que mostrar as nádegas ao mundo seria algo bom...

A fonte das informações acima é o Christian Today.



segunda-feira, 13 de julho de 2015

Papa exalta a virtude da hospitalidade na vida do cristão

Mais um discurso contundente do papa durante a visita ao Paraguai, segundo a Rádio Vaticano:

Papa na Missa: cristão é quem aprendeu a hospedar, a alojar

Depois da visita ao Bañado Norte, zona muito pobre e pantanosa da cidade de Asunción, o Papa Francisco dirigiu-se ao Campo Grande de Ñu Guazú (santuário onde S. João Paulo II canonizou S. Roque Gonzalez de Santa Cruz e Companheiros, durante a sua Viagem Apostólica em 1988), onde presidiu à celebração eucarística. Na sua homilia o Papa começou por citar as palavras do salmo 84 "O Senhor nos dará a chuva e a nossa terra dará o seu fruto" para dizer que a confiança nasce da fé, uma comunhão que sempre dá frutos, sempre dá a vida, uma confiança que se torna testemunho nos rostos de muitos que nos encorajam a seguir Jesus.

E, comentando o Evangelho do XV domingo do Tempo Comum, Francisco nos diz que os discípulos são aqueles que aprendem a viver na confiança da amizade, pois o Evangelho nos fala deste discipulado, nos apresenta a cédula de identidade do cristão, a sua carta de apresentação, a sua credencial:
"Jesus chama os seus discípulos e envia-os, dando-lhes regras claras e precisas. Desafia-os a um conjunto de atitudes, comportamentos que devem ter. Sucede, e não raras vezes, que nos poderão parecer atitudes exageradas ou absurdas … mas Jesus é muito preciso, muito claro. Não lhes diz: fazei de conta, ou fazei o que puderdes. Recordemo-las juntos: «Não leveis nada para o caminho, a não ser um cajado; nem pão, nem alforje, nem dinheiro (…), permanecei na casa onde vos derem alojamento»”
Mas há uma palavra muitas vezes esquecida, prossegue o Papa, mas central na espiritualidade cristã, na experiência do discipulado, é a palavra hospitalidade. O cristão é aquele que aprendeu a hospedar, acolher. Jesus não os envia como poderosos, como proprietários, chefes, carregados de leis, normas. Ao contrário, mostra-lhes que o caminho do cristão é transformar o coração:
“Aprender a viver de forma diferente, com outra lei, sob outra norma. É passar da lógica do egoísmo, do fechamento, da luta, da divisão, da superioridade para a lógica da vida, da gratuidade, do amor. Passar da lógica do dominar, esmagar, manipular para a lógica do acolher, receber, cuidar: são duas as lógicas que estão em jogo, duas maneiras de enfrentar a vida, a missão”.
E muitas vezes, continuou o Papa, concebemos a missão com base em projectos ou programas, idealizamos a evangelização, pondo de pé milhares de estratégias, tácticas, manobras, truques, procurando que as pessoas se convertam com base nos nossos argumentos, quando na verdade o Senhor nos diz hoje muito claramente que não se convence com os argumentos, as estratégias e as tácticas, mas aprendendo a alojar.

E O Papa reiterou que a Igreja é uma mãe de coração aberto que sabe acolher, receber, especialmente a quem precisa de maior cuidado, que está em maior dificuldade, a Igreja é a casa da hospitalidade:
“Praticar hospitalidade com o faminto, o sedento, o forasteiro, o nu, o enfermo, o encarcerado, com o leproso, o paralítico; hospitalidade com aquele que não pensa como nós, com a pessoa que não têm fé ou a perdeu; hospitalidade com o perseguido, o desempregado; hospitalidade com as culturas diferentes, de que esta terra é tão rica; hospitalidade com o pecador, porque cada um de nós também o é”.
Mas existe um mal, adverte Francisco, que pouco a pouco constrói o seu ninho no nosso coração e "come" a nossa vitalidade: é a solidão, a solidão que pode ter muitas causas, muitos motivos, e nos separa dos outros, de Deus, da comunidade, vai nos encerrando em nós mesmos. Mas Jesus abre-nos a uma lógica nova:
“Jesus abre-nos a uma lógica nova; a um horizonte cheio de vida, beleza, verdade, plenitude. Deus nunca fecha os horizontes, Deus nunca é passivo face à vida e ao sofrimento dos seus filhos. Deus nunca Se deixa vencer em generosidade. Foi para isto que nos enviou seu Filho, no-Lo oferece, entrega, compartilha: para aprendermos o caminho da fraternidade, do dom”.
E para Francisco trata-se de um novo horizonte, uma nova Palavra para tantas situações de exclusão, desagregação, confinamento, isolamento, é uma Palavra que quebra o silêncio da solidão.

E assim, quando estivermos cansados ou se tornar pesada a evangelização, diz o Papa, é bom recordar que a vida proposta por Jesus corresponde às necessidades mais profundas das pessoas, porque todos fomos criados para a amizade com Jesus e o amor fraterno. E adverte:
“Uma coisa é certa! Não podemos obrigar ninguém a receber-nos, a hospedar-nos; isto é certo e faz parte da nossa pobreza e da nossa liberdade. Mas é certo também que ninguém nos pode obrigar a não sermos acolhedores, hospedeiros da vida do nosso Povo. Ninguém nos pode pedir que não recebamos e abracemos a vida dos nossos irmãos, especialmente dos que perderam a esperança e o gosto pela vida. Como é belo imaginar as nossas paróquias, comunidades, capelas, lugares onde estão os cristãos como verdadeiros centros de encontro tanto entre nós como com Deus”.
E o Papa terminou apresentando Maria como modelo da Igreja: alojar como Maria – disse - que não dominou nem Se apoderou da Palavra de Deus; pelo contrário, hospedou-A, gerou-A e entregou-A; alojar como a terra que não domina a semente, mas que a recebe, nutre e faz germinar, alojar a vida de Deus nos nossos irmãos com a confiança, com a certeza de que «o Senhor nos dará chuva e dará fruto a nossa terra».



domingo, 12 de julho de 2015

O cão que resgatou seu dono humano da rua


A matéria foi publicada no Estadão:

Com ajuda de cachorro, artista plástico inglês que morou na rua redescobre seu talento

ANTONIO GONÇALVES FILHO

Inglês John Dolan, de 43 anos, foi dependente químico e resgatou a arte como desenhista ao ganhar George, um Staffordshire bull terrier

São muitas as histórias de pessoas que resgataram cães vadios das ruas, mas raras as de um cão que tirou delas um artista marginal. O artista inglês John Dolan, 43 anos, ex-presidiário e dependente de heroína, deve tudo a George, de fato seu melhor amigo. Hoje com sete anos, o Staffordshire bull terrier não precisa mais ficar mendigando trocados na calçada da Shoreditch High, uma rua do East End de Londres em que ele e seu dono passavam o dia inteiro para juntar algumas moedas da refeição diária.

John ficava desenhando George, que tinha diante dele um copinho de papel com o seguinte bilhete: “Pode tirar meu retrato do modo que você quiser, mas, por favor, coloque uma moeda ou duas dentro do copo ou posso morder você”. As pessoas, de modo geral, achavam George simpático e atendiam seu pedido. Se alguém mais generoso deixava £ 10 no copo, seu dono retribuía a gentileza com um desenho do cachorro.

Fama. George, o cão sem-teto, ficou famoso na vizinhança. Todos faziam festinha para ele, que, embrulhado em trapos velhos, mal podia abanar o rabinho. A famosa dupla Gilbert e George, que tem seu ateliê também no East End londrino, sempre parava para cumprimentar o outro George e John, hoje um artista em ascensão com sua primeira individual fora da Inglaterra - marcada para o fim deste ano, em Los Angeles.

É o primeiro fruto do sucesso de sua primeira exposição, em setembro de 2013, na galeria Howard-Griffin, sobrenome do proprietário e amigo Richard, que tirou John Dolan e George das ruas ao conceder a ele um adiantamento, introduzindo o artista no mercado de arte londrino. A mostra foi um sucesso, garantindo um retorno de £ 50 mil, e a história rendeu o livro autobiográfico John & George - O Cão Que Mudou Minha Vida, que está sendo lançado pelo selo Fábrica 231, da Editora Rocco.

Cão no inverno. De Londres, por telefone, o autor contou sua história ao Caderno 2. Cauteloso e um tanto desconfiado como costumam ser viciados em heroína e ex-presidiários, John solta-se aos poucos, especialmente quando fala de arte, embora mantenha certa cautela ao tocar no passado. Preso várias vezes por roubo, John sente vergonha em admitir que era para pagar os traficantes, após ver cortado o benefício social (£ 36 semanais) que garantia comida e acomodação temporária num buraco da rua Royal Mint.

A vida já andava péssima quando John encontrou um jovem casal em igual situação, no rigoroso inverno de 2009. Ele, então, morava sozinho nessa quitinete (do Serviço Social) na Royal Mint, perto da torre de Londres. Desempregado, finalmente havia conseguido um teto após dormir anos ao relento. Becky e Sam, o casal de jovens que conheceu no metrô de Tower Hill, mendigando trocados, estava, diz ele, “precisando de uma trégua”. Becky, mais desequilibrada, certo dia topou na rua com um escocês alcoólatra que lhe ofereceu um bull terrier em troca de uma garrafa de cerveja. Ela topou o negócio com pena do bicho, deixando George de herança para John ao arranjar outro apartamento para morar.

Ele aceitou o cão, mas teve trabalho para treiná-lo. É possível imaginar o terrier, ex-guia de um escocês bêbado pelas ruas, saindo em disparada louca com seu novo dono, que tentava inutilmente segurar o cão na coleira - “e ainda por cima com uma artrite miserável”. O tornozelo piorava sensivelmente no inverno, mas John, afinal, não podia segurar as muletas e o cão ao mesmo tempo. Tentava manter o bicho ocupado com uma bola de tênis, que George não largava nem por decreto. O terrier, com marcas de maus-tratos, era totalmente diferente de Butch, o velho vira-lata companheiro do artista entre os 10 e 23 anos.

Não que a vida de Butch tenha sido melhor. Por essa época, John morava num conjunto habitacional de King Square em Islington, semelhante ou pior que as habitações populares de Arnold Circus, por onde passou. O pai, lixeiro, e a mãe, faxineira, nem tinham tempo para ver os desenhos que John fazia - “e eu sempre fui um desenhista compulsivo, desde criança”. O pai, ao chegar em casa, mudava automaticamente de canal - “não vou ver essa merda!” - só para contrariar o filho, e colocava os pés na mesa, sempre com uma cerveja ao lado.

Tédio. Longas tardes se passaram no apartamento da família Dolan com o pai “apagando” depois de tomar uma caixa inteira de cerveja, enquanto a mãe fazia faxina fora. O pequeno John passava o tempo desenhando. Entediado, escapuliu certa noite e foi com um amigo incendiar um carro no estacionamento ao lado do prédio onde morava. Foi pego em flagrante por dois policiais. Ainda por cima, acabou descobrindo que seu pai não era seu pai nem sua mãe, a mãe verdadeira. Eram seus avós. A “tia” Mary era, de fato, a sua mãe.

Não por coincidência, Mary tinha um namorado chamado Jimmy Dolan e, obviamente, não estava preparada para criar um bebê sozinha, aos 16 anos. O resto da história já foi contada em mais de um filme de Kenneth Loach, o especialista em classe operária e famílias disfuncionais da Inglaterra - com certeza o nome certo para adaptar sua autobiografia.

Ele, porém, não escreveu sua história para virar filme. Diz mesmo que nem pretende escrever outro livro. Gosta mesmo é de desenhar. Se resolveu contar sua saga foi só para “alertar outros jovens” sobre o que significa viver na rua, esmolar sob a chuva, dormir ao relento, roubar para comprar drogas e perder os dentes por causa do vício.

Sonho. John tem um sonho: continuar dormindo num lugar decente e fazer carreira como artista. Não lhe interessa tanto o dinheiro - “vivo sem ele há muitos anos”. No entanto, gostaria de ver algum dia um desenho seu ao lado dos “grandes” na Royal Academy ou mesmo na Tate. Fã da pintura de Jackson Pollock, ele, no entanto, prefere continuar fiel à figuração. Foi também essa perseverança que atraiu a atenção do marchand Richard para seu trabalho. Ele o viu pela primeira vez reproduzido num livro chamado Shoreditch Unbound, ao lado de trabalhos de Tracey Emin e da dupla Gilbert e George. Levou um ano depois disso para fazer uma oferta a John - “provavelmente para ver se eu não desistia, se era persistente”.

John desenhava os prédios e a paisagem urbana do East End, chamando a atenção de outros artistas de rua com Thierry Noir, Stik e Pablo Delgado. Tal afinidade não escapou ao marchand do artista, que convidou alguns deles para “interferir” nos desenhos de Dolan, leituras quase arquitetônicas de uma Londres cinzenta, sem cor. “Nunca desejei ser arquiteto”, diz. Não tinha grande senso de orientação. Era tão ruim em Geografia que “só por milagre conseguia achar o caminho de casa”.

O artista passou a ser muito requisitado após a primeira exposição na Howard-Griffin. Aceita encomendas, mas não gosta de desenhar retratos. O que lhe dá prazer, admite, é mesmo retratar George - e saber que seu livro foi lançado no Brasil, “país que só conheço por causa das crianças abandonadas e do futebol”.

JOHN & GEORGE
Autor: John Dolan
Tradução: Ângela Pessoa
Editora: Rocco (320 págs., R$ 34,50 )



sábado, 11 de julho de 2015

Papa relembra sofrimento paraguaio durante visita ao país


A matéria é da Rádio Vaticano:

Papa às autoridades do Paraguai: prioridade aos pobres

Foi debaixo de uma chuva intensa que o Papa Francisco chegou à cidade de Assuncion, capital do Paraguai nesta sexta-feira dia 10 de julho. O mau tempo não desencorajou os paraguaios que vieram em massa pelas estradas para saudar o Santo Padre.

No aeroporto de Assuncion, a cerimónia de boas-vindas decorreu ao sabor de uma sugestiva coreografia com danças e cânticos guarani. A acolher o Papa estava o Presidente Horácio Cartes.

O primeiro discurso do Papa Francisco foi no encontro com as autoridades no Palácio Presidencial. O Santo Padre agradeceu a hospitalidade e recordou a dolorosa história do Paraguai que entre os séculos XIX e XX sofreu conflitos fratricidas, falta de liberdade e violações dos direitos humanos:
“Quanta dor e quanta morte! Mas é admirável a tenacidade e o espírito de superação do povo paraguaio para se refazer perante tanta adversidade e prosseguir nos seus esforços para construir uma nação próspera e em paz.”
No seu discurso o Santo Padre prestou homenagem aos milhares de paraguaios simples, cujos nomes não aparecerão escritos nos livros de história “mas que foram e continuam a ser verdadeiros protagonistas da vida do seu povo”. Em particular, o Papa reconheceu com emoção e admiração o papel desempenhado pela mulher paraguaia nestes momentos dramáticos da história do país.

Reconhecendo que já há alguns anos que o Paraguai está empenhado na construção de um projeto democrático sólido e estável e empenhado também em combater a corrupção, o Papa Francisco exortou os paraguaios a potenciarem o diálogo como meio privilegiado para favorecer o bem comum.

Salientando a cultura do encontro e o respeito das legítimas diferenças de opinião como base para a superação dos conflitos e das divisões ideológicas, o Santo Padre declarou que os pobres devem ser a prioridade:
“Os pobres e necessitados deverão ocupar um lugar prioritário. Estão-se a cumprir muitos esforços para que o Paraguai progrida no caminho do crescimento económico. Houve passos importantes nos campos da educação e da saúde. Não pare o esforço de todos os atores sociais, enquanto existirem crianças sem acesso à instrução, famílias sem casa, trabalhadores sem um trabalho digno, agricultores sem uma terra para cultivar e tantas pessoas obrigadas a emigrar para um futuro incerto.”
“…que não haja mais vítimas da violência, da corrupção ou do narcotráfico. Um desenvolvimento económico que não tem em conta os mais fracos e infelizes, não é um verdadeiro desenvolvimento.”
Na conclusão do seu discurso o Papa Francisco assegurou a colaboração da Igreja Católica para “uma sociedade inclusiva” e que indica “o caminho da misericórdia” aberto por Cristo que “ilumina a caridade” para que ninguém se sinta marginalizado.



sexta-feira, 10 de julho de 2015

Papa faz o seu discurso mais ideológico durante visita à Bolívia

Do apelo à preservação do meio-ambiente ao pedido de perdão aos indígenas pelos abusos cometidos pela igreja na colonização da América, sobrou para todo mundo (inclusive o Estado Islâmico) no discurso anticapitalista do papa ontem, 09/07/15, em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, segundo informa a Folha de S. Paulo:

Em discurso anticapitalista, Francisco prega "mudança de estruturas"

FABIANO MAISONNAVE

No discurso mais político em pouco mais de dois anos de pontificado, o papa Francisco defendeu nesta quinta-feira (9) uma "mudança de estruturas" mundial, chamou o capitalismo de "ditadura sutil" e exortou os movimentos sociais a realizar "três grandes tarefas" na economia, na união entre os povos e na preservação do ambiente.

"Reconhecemos que este sistema impôs a lógica dos lucros a qualquer custo, sem pensar na exclusão social ou na destruição da natureza?", perguntou o papa a algumas centenas de representantes de movimentos sociais de vários países, entre os quais o MST, sem-teto, indígenas e quilombolas brasileiros,durante o 2º Encontro Mundial de Movimentos Populares, em Santa Cruz de la Sierra (Bolívia).

"Se é assim, insisto, digamos sem medo: queremos uma mudança, uma mudança real, uma mudança de estruturas. Este sistema já não se aguenta, os camponeses, trabalhadores, as comunidades e os povos tampouco o aguentam. E tampouco o aguenta a Terra, a irmã Mãe Terra, como dizia são Francisco", completou o papa no encontro, realizado no auditório da Expocruz (feira agropecuária de Santa Cruz).

Para o papa, a "globalização da esperança" nasce e cresce entre os pobres, mas até a elite econômica quer mudanças: "Dentro dessa minoria cada vez menor que acredita que se beneficia com este sistema reinam a insatisfação e especialmente a tristeza. Muitos esperam uma mudança que os libere dessa tristeza individualista que os escraviza."

Em outra dura crítica ao capitalismo, Francisco afirmou que, "atrás de tanta dor, tanta morte e destruição está o fedor disso que [são] Basílio de Cesareia (330-379) chamava de 'o esterco do Diabo' [dinheiro]". Segundo ele, o capitalismo é uma "ditadura sutil".

O líder católico atacou também "a concentração monopólica dos meios de comunicação social que pretende impor pautas alienantes de consumo e certa uniformidade cultural". Para ele, trata-se de "colonialismo ideológico".

Apesar da análise dura, Francisco advertiu contra o excesso de pessimismo e exortou os movimentos sociais a protagonizar as mudanças: "Eu me atrevo a dizer-lhes que o futuro da humanidade está, em grande medida, em suas mãos", afirmou. "Vocês são os semeadores das mudanças."

Em seguida, o pontífice propôs a realização de três tarefas aos movimentos sociais. A primeira é a "colocar a economia a serviço dos povos": A economia não deveria ser um mecanismo de acumulação, mas "a administração correta da casa comum". O objetivo, diz, é assegurar os "três Ts: trabalho, teto e terra".

"A distribuição justa dos frutos da terra e do trabalho humano não é mera filantropia. É um dever moral. Para os cristãos, a tarefa é ainda mais forte: é um mandamento. Trata-se de devolver aos pobres e aos povos o que lhes pertence."

A segunda tarefa, segundo o pontífice, é "unir nossos povos no caminho da paz e da justiça". Ele defendeu o conceito de "pátria grande", usado por movimentos de esquerda para pregar a união latino-americana.

Francisco afirmou que problemas como a violência não podem ser resolvidos sem cooperação entre os países e atacou o "novo colonialismo": "Interação não é sinônimo de imposição", afirmou. "Colocar a periferia em função do centro lhe nega o direito a um desenvolvimento integral. Isso é iniquidade, e a iniquidade gera tal violência que não haverá recursos policiais, militares ou de inteligência capazes de deter."

Por último, o líder católico pediu a preservação da "Mãe Terra", tema de sua encíclica mais recente: "Não se pode permitir que certos interesses –que são globais, mas não universais– se imponham, submetam os Estados e organismos internacionais e continuem destruindo a criação".

'3ª GUERRA EM PARCELAS

O papa também condenou o assassinato de católicos pelo grupo terrorista Estado Islâmico e disse que o mundo vive "uma Terceira Guerra Mundial em parcelas".

"Isto também deve ser denunciado: dentro desta Terceira Guerra Mundial em parcelas que vivemos, há uma espécie de genocídio em marcha, e ele deve cessar", declarou o pontífice.

Visitando um país de maioria indígena, Francisco pediu desculpas pelo atuação da Igreja Católica durante a colonização –momento do discurso em que ele foi mais aplaudido pelos fiéis.

"Digo-lhes com pesar: foram cometidos muitos e graves pecados contra os povos originários da América em nome de Deus", disse. "E quero dizer-lhes, quero ser muito claro, como foi são João Paulo 2°: peço humildemente perdão, não apenas pelas ofensas da própria igreja como pelo crimes contra os povos originários durante a chamada conquista da América."

Ao final do discurso, disse: "Digamos juntos de coração: nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhum povo sem soberania, nenhuma pessoa sem dignidade, nenhuma criança sem infância, nenhum jovem sem possibilidades, nenhum idoso sem velhice digna. Sigam a sua luta e, por favor, cuidem muito da Mãe Terra."



quinta-feira, 9 de julho de 2015

Papa reforça opção preferencial pelos pobres na chegada à Bolívia


A informação é da Rádio Vaticana:

Papa na chegada à Bolívia: opção pelos últimos

O Papa Francisco chegou à Bolívia na quarta-feira dia 8 de julho à cidade de La Paz. A acolhê-lo no aeroporto internacional de El Alto estava o presidente Evo Morales, representantes das instituições do país, os bispos da Bolívia e largos milhares de fiéis.

No seu discurso o Papa Francisco agradeceu o acolhimento do presidente e de todas as autoridades e saudou em modo especial todos os bolivianos que procuraram outras paragens para viver.

O Santo Padre declarou grande alegria por estar “neste país de beleza singular, abençoado por Deus nas suas distintas áreas: o planalto, os vales, as terras amazónicas, os desertos, os lagos incomparáveis.” Alegre por estar num país onde não só se fala o castelhano mas também 36 idiomas nativos, o Santo Padre apresentou-se como hóspede e peregrino:

“Como hóspede e peregrino, venho para confirmar a fé dos crentes em Cristo ressuscitado, a fim de que todos nós que acreditamos n’Ele, enquanto peregrinamos nesta vida, sejamos testemunhas do seu amor, fermento de um mundo melhor e colaboremos na construção duma sociedade mais justa e solidária” – declarou o Papa.

O Santo Padre declarou ainda que a Bolívia “tem dado passos importantes na inclusão de amplos sectores na vida económica, social e política do país” e considerou que “a coesão social requer um esforço na educação dos cidadãos”.

Dirigindo-se em especial à Igreja o Papa Francisco afirmou:
“A voz dos Pastores, que tem de ser profética, fala à sociedade em nome da Igreja Mãe, partindo da sua opção evangélica preferencial pelos últimos, pelos descartados, pelos excluídos, essa é a opção preferencial da Igreja.” Não se pode crer em Deus Pai sem ver um irmão em cada pessoa, e não se pode seguir Jesus sem dar a vida por quem Ele morreu na cruz” – advertiu o Santo Padre.
O Papa Francisco afirmou que “a família merece uma atenção especial dos responsáveis pelo bem comum” e os jovens, “comprometidos com a sua fé e com grandes ideais, são uma promessa de futuro”.

O Santo Padre expressou ainda a necessidade de se “gerar uma ‘cultura da memória’ que garanta aos idosos não só a qualidade de vida nos seus últimos anos, mas também o carinho.”

O Papa Francisco concluiu a sua intervenção afirmando estar numa “pátria que de si própria diz ser pacifista, que promove a cultura da paz e o direito à paz.”

“Coloco esta visita sob o amparo da Santíssima Virgem de Copacabana, Rainha da Bolívia, pedindo-Lhe que proteja todos os seus filhos. Muito obrigado e que o Senhor vos abençoe. Jallalla Bolívia! – disse o Santo Padre no final do seu discurso na sua chegada à Bolívia. (RS)



quarta-feira, 8 de julho de 2015

Na onda das estátuas feias, sobrou até para Nefertiti no Egito


Padrão de beleza há 3.500 anos, bem que podiam ter deixado a rainha Nefertiti curtindo seu sarcófago, não é mesmo?

A notícia é da BBC Brasil:

Autoridades egípcias viram piada na internet por estátua 'feia' de Nefertiti

O lançamento de uma réplica feia do famoso busto da rainha Nefertiti fez com que egípcios zombassem de autoridades do país nas redes sociais.

Nefertiti governou o Egito ao lado do marido no século 14 a.C. e sua beleza é lendária - o nome dela, na verdade, significa "uma bela mulher chegou".

A imagem moderna que se tem da antiga rainha foi construída a partir do busto descoberto em 1912, atualmente mantido num museu em Berlim - a propriedade do objeto é questão de debate frequente entre Egito e Alemanha.

Para os egípcios, Nefertiti continua a ser um símbolo de orgulho da história e beleza impressionantes do país. Então, quando autoridades quiseram encomendar uma estátua na entrada da cidade de Samalut, pensaram na antiga rainha.

Infelizmente, a réplica final pouco se parece com a bela rainha - e muitos passaram a lamentar o atual estado da arte egípcia. Para falar a verdade: a mulher retratada na estátua é bem feia.

"Isso é um insulto à Nefertiti e a todos os egípcios", escreveu uma mulher no Twitter.

Outro usuário escreveu: "Isso deveria ser chamado 'estátua feia, de mal gosto e sem arte'... não Nefertiti."

Muitos egípcios se sentiram ofendidos pela tentativa fracassada de replicar o busto icônico e expressaram raiva contra os escultores.

"Se você não sabe como fazer estátuas, não vá e faça algo tão injusto à bela Nefertiti", disse um homem no Twitter.

"Você não está apenas distorcendo o presente, mas também o passado... Eu peço que o busto original não seja devolvido da Alemanha, pelo menos lá ela tem sua dignidade", escreveu outro.

Milhares de outros egípcios estão usando a hashtag "Nefertiti" em árabe, comparando a réplica ao busto original, muitas vezes usando legendas sarcásticas.

O busto foi retirado da cidade após as criticas e será substituído por uma estátua da pomba da paz, segundo a imprensa local.‏

Internautas egípcios ironizaram: "Nefertiti antes e depois do casamento"




terça-feira, 7 de julho de 2015

Justiça de SC tira filhos de pais e tia-madrasta


A história absurda foi noticiada pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina:

Pais e madrasta são destituídos do poder familiar por tratamento desigual aos filhos

A 6ª Câmara de Direito Civil do TJ confirmou sentença de comarca do sul do Estado que destituiu pais e madrasta do poder familiar sobre duas crianças. Após ser abandonado pela mulher e ficar com os dois filhos, o apelante envolveu-se com a cunhada e com ela teve outras duas crianças. A partir daí, os filhos do antigo casamento passaram a ser declaradamente preteridos pela tia-madrasta. As crianças eram submetidas a afazeres domésticos exaustivos para a idade, e uma delas teve tratamento de grave doença negligenciado.

A madrasta afirmava não amar as crianças "como mãe", apenas como tia. Um casal próximo à família das crianças, e que detém a guarda delas há dois anos, já manifestou interesse em adotá-los. Ambos são chamados de pai e mãe pelos meninos. A mãe biológica quase não visita as crianças e o pai acabou por ser conivente com a atual esposa, apesar de declarar querer os filhos de volta. O desembargador Ronei Danielli, relator da matéria, afirmou que a negligência é uma das feições da violência física, e a simples afirmativa feita pela madrasta de que as crianças não eram amadas como seus irmãos por parte de pai já é motivo suficiente para pensar em destituição.

Ele também ressaltou a relação de amizade existente entre os candidatos à adoção e os pais biológicos, o que garantiria contato das crianças com suas raízes. "Eis o ponto crucial a ser priorizado: esses infantes merecem a chance de encontrar uma família bem-ajustada, consciente acerca das necessidades mais elementares de saúde e higiene e pronta a lhes fornecer a devida assistência médica, bem como o suporte emocional e espiritual, tão importantes para um crescimento sadio, humano e digno. Esses meninos merecem ser amados por uma mãe de verdade. Merecem experimentar um amor de mãe e não de tia (seja lá o que isso significar)", concluiu o desembargador. A decisão foi unânime.



Papa se encontra com padre Paquito no Equador

O encontro efetivamente aconteceu, conforme já prenunciava o Estadão em sua edição de ontem, 06/07/15:

Em Guayaquil, papa fará primeira missa no Equador e encontrará o "xará" Paquito

RODRIGO CAVALHEIRO

Francisco celebrará missa na capital econômica do Equador no começo da tarde desta segunda-feira antes de almoçar com vice-reitor do Colégio Javier, Francisco Cortés

QUITO - O padre espanhol Francisco Cortés tornou-se uma celebridade no Equador, depois de o papa Francisco repetir que uma das razões de sua viagem ao país era ver o "padre Paquito", apelido pelo qual o religioso equatoriano é conhecido em Guayaquil. Aos meios locais de imprensa, Paquito - apelido comum para o nome Francisco entre os hispânicos - disse que fará ao papa uma pergunta que o intriga. "Quero perguntar por que se lembrou de mim", disse ao jornal El Comercio, de Quito.

Paquito tem 91 anos e se orgulha de ter recebido saudações do papa enviadas por seis pessoas. Ele almoçará com o pontífice nesta segunda-feira, 6, depois da missa prevista para as 13h45 (horário de Brasília). O espanhol é o vice-reitor do Colégio Javier, na capital econômica equatoriana, no sul do país.

O papa argentino era o reitor do Colégio San José, no bairro de Flores, em Buenos Aires, quando escolheu em 1981 a sede equatoriana para seus alunos seminaristas prestarem serviço comunitário, obrigatório para a formação sacerdotal. O espanhol viu o amigo Jorge Bergoglio pela última vez em 1985, quando acompanhou na capital argentina a ordenação dos alunos que haviam passado por Guayaquil. Em 2013, quando Bergoglio escolheu o nome para o pontificado, ambos viraram "xarás".

Papa e avião. Durante o voo de Roma a Quito, no domingo, o Papa Francisco enviou telegramas ao rei da Espanha e aos presidentes dos países sobrevoados. No telegrama ao presidente português Aníbal Cavaco Silva, disse: "Ao sobrevoar Portugal numa visita pastoral que me leva ao equador, Bolívia e Paraguai, tenho o prazer de saudar Vossa Excelência formulando cordiais votos para sua pessoa e inteira Nação sobre a qual invoco benevolência divina para que seja consolidada nela a esperança e alegria de viver na harmonia e bem-estar de todos seus filhos. Francisco PP"

Papa e a tietagem. Nos estreitos corredores do avião da companhia Alitalia durante a viagem ao Equador, o papa Francisco voltou a mostrar simpatia e carisma brincando com os jornalistas que estavam no voo. Recebeu dezenas de presentes , abençoou fotos e até posou para os pedidos de "selfies". Após terminar o café da manhã - fruta, frios, queijo, doces e iogurte - Francisco, que viajou na parte dianteira da aeronave, foi ao fundo do avião onde era esperado por 75 jornalistas que o acompanham nesse retorno à América do Sul.

Francisco começou a cumprimentar um a um os jornalistas pelos estreitos corredores do Airbus A330, rodeado por câmeras de televisão, máquinas fotográficas, tablets e celulares. Quase todos queriam um registro ao lado do pontífice. Casa, ou melhor, América Latina, onde Francisco já esteve em julho de 2013, quando visitou o Brasil. Porém, no Equador, Bolívia e Paraguai o papa pode se expressar em espanhol, sua língua materna.

Como em qualquer audiência das quartas-feiras, os jornalistas repetiram os gestos dos fiéis na praça São Pedro. Trouxeram presentes e pediram "selfies" e bênçãos ao pontífice. Os mais emocionados eram os seis jornalistas dos países nos quais o papa passará: dois do Equador, dois da Bolívia e dois do Paraguai. Um dos equatorianos trouxe fotos de sua família para ser abençoada. Já uma boliviana o presenteou com uma das cruzes de madeira que o papa dará a bênção em Santa Cruz, durante a missa de abertura do Congresso Eucarístico na Praça do Cristo Redentor.

Francisco não hesitou em posar para uma "selfie" para a outra jornalista boliviana, que fez o pedido com muita vergonha, revelou o papa após o registro. Além disso, o pontífice brincou com os repórteres cinematográficos, que não podem largar as câmeras para cumprimentá-lo.

Francisco distribuiu até "bênçãos digitais" ao atender ao pedido de um jornalista que mostrou a foto de sua avó ao papa através de um celular. Aos que lhe perguntaram sobre o que ele esperava da dura viagem, a mais longa realizada até agora, o papa respondeu brincando: "Não ocorrerá nada, mascarei (a folha de) coca".

Francisco teve um pulmão retirado quando tinha 21 anos, razão pela qual havia preocupação com a reação de seu organismo à altitude de Quito, a 2,8 mil metros sobre o nível do mar. Ele ainda passará pelos 4 mil metros de altitude de El Alto, na Bolívia, onde chegará na quarta-feira.





segunda-feira, 6 de julho de 2015

E a Grécia disse não...

No último sábado, comentamos aqui a decisão do patriarca da Igreja Ortodoxa Grega em apoiar o voto no "sim" para que o governo grego aceitasse as condições impostas pelo FMI, pelo Banco Central Europeu e pelos bancos credores do país.

Realizado o plebiscito ontem, 5 de julho de 2015, mais de 60% dos gregos seguiram a direção contrária, preferindo o "não", apesar da intensa campanha midiática que insistia em que o país se sujeitasse às condições da troica financeira que quer ver a dívida paga.

Algumas observações merecem ser feitas de imediato.

Em primeiro lugar, todo mundo sabe que a dívida grega é impagável. O país já sofre as consequências de um alto custo social das medidas econômicas visando satisfazer os credores.

Todos também sabiam que, ganhando o "sim" ou o "não", o cenário continuaria sendo o de uma catástrofe, uma terra arrasada sem fim.

Ao que parece, a população grega preferiu o caos de uma economia em frangalhos na qual ela ainda tivesse algum poder de decisão sobre a própria desgraça, embora ninguém saiba dizer como isso acontecerá.

A democracia grega, mãe eterna de todas as formas de participação popular que o mundo conhece, foi mais uma vez pioneira ao dizer "não" à elite financeira que comanda o mundo.

Os gregos preferiram o exemplo de Leônidas e seus 300 de Esparta para resistir ao avassalador exército persa de Xerxes, que hoje fala alemão.

Tudo muito helenicamente romântico e trágico ao mesmo tempo, mas tudo indica que a dialética ateniense prevalecerá já no curto prazo.

É muito provável que a insurreição grega venha a ser sufocada o quanto antes. O "mau exemplo" que eles deram ao mundo, ao resistir à ocupação financeira, tem que ser derrotado sem demora.

Não se surpreenda, portanto, se as (antes) rigorosíssimas autoridades financeiras europeias tratarem de - rapidamente - conseguirem um acordo com o governo grego.

Quem conhece os intestinos do sistema econômico-financeiro mundial, algo que este que vos escreve já teve o desprazer de conhecer, sabe que os governos - de qualquer orientação ideológica - existem para satisfazer os desejos vorazes de uma ínfima elite biliardária que manipula a política e a imprensa a seu bel prazer.

Suspeitamos, portanto, que - apesar da grandeza do gesto de Esparta - nada mudará no establishment econômico europeu e mundial. 

Para essa gente, a crise grega foi, e continuará sendo, apenas um acidente de percurso que precisa ser esquecido o mais rápido possível. 

Não se iludam, Termópilas cairá!



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