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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

O filho que não perdoa o pai pelo que ele fez durante a ditadura argentina


A matéria foi publicada na BBC Brasil:

A luta de argentino para denunciar o próprio pai por crimes da ditadura

Marcia Carmo

O advogado Pablo Verna, de 44 anos, fez um pedido ao Congresso Nacional do seu país, a Argentina: ele quer que a legislação em vigor, que impede familiares de denunciarem e prestarem depoimentos à Justiça contra seus parentes, seja modificada.

Seu objetivo é ter o direito de denunciar e depor contra o pai, que foi médico do Exército durante a ditadura argentina (1976-1983). Ele diz que Julio Alejandro Verna, hoje aos 70 anos, admitiu ter injetado sedativos em vítimas do regime militar antes que elas fossem lançadas dos chamados "voos da morte", que arremessavam os prisioneiros ainda vivos em rios ou no mar.

O pai dele está livre. Questionado certa vez por uma repórter, o médico negou ter sedado desaparecidos políticos para esse fim. "Não, senhora. De onde tiraram isso?"

Pablo Verna integra o Histórias Desobedientes, grupo que reúne 25 filhos de ex-repressores da ditadura argentina. Leia seu depoimento à BBC Brasil:

"Há muito tempo eu desconfiava que meu pai tinha cometido crimes na ditadura militar. Nas conversas em casa, ele demonstrava conhecer detalhes demais dos crimes cometidos naquele período horrível. Mas quando eu perguntava por que ele sabia tanto, respondia que eram as enfermeiras que lhe contavam.

Meu pai era médico do Exército argentino. E com o passar dos anos, baseado no que ele mesmo me dizia, passei a questioná-lo com tom mais critico, e de acusação.

Nossa relação foi ficando cada vez mais tensa. Duas conversas foram aos gritos. Em 2009, eu já tinha certeza de que ele tinha participado dos crimes. Mas não sabia como. Não tinha os fatos concretos. Além disso, como filho, acho que queria manter a dúvida diante de algo tão pavoroso.

Então, em meados de 2013, em mais uma conversa tensa, ele admitiu que tinha cometido os crimes. Não lembro as palavras exatas que usei para que admitisse isso. Mas naquele encontro lembrei o que meu pai tinha contado a um familiar e as respostas anteriores que tinha me dado cada vez que abordei o assunto. Foi impossível para ele negar o que tinha feito. E até que me disse: 'foi isso mesmo'.

Como médico, meu pai participava dos crimes da ditadura injetando sedativos nas pessoas que seriam jogadas vivas ao rio ou ao mar. Eram anestesias que as deixavam imediatamente paralisadas, mas respirando. E quando elas estavam assim, as jogavam dos 'voos da morte', como ficaram conhecidos.

Meu pai cometeu outros crimes. Ele também participava dos sequestros dos opositores, dos militantes sociais e políticos. Foram 30 mil desaparecidos no nosso país. A ditadura genocida sequestrava e fazia essas pessoas desaparecerem.

Depois daquela conversa em meados de 2013, ele disse a um familiar que não estava arrependido. E ainda acrescentou que tinha participado de um caso específico que teve muita repercussão aqui na Argentina.

Em 1979, quatro pessoas foram sequestradas e também receberam as injeções de anestesia. Elas foram jogadas em um riacho, uma simulação de um acidente de carro em uma ponte. As quatro morreram.

Como médico militar, meu pai estava sempre armado. Isso até passar para a reserva, em 1983, com o retorno da democracia no país. E além desses crimes genocidas, certa vez ele apareceu em casa com uma maleta de primeiros-socorros de médico que não era dele. Que era de uma das vítimas da ditadura. Eu perguntei porque estava com duas maletas, e me respondeu que tinha sido um presente. Que uma das maletas tinha sido de um subversivo.

Na minha casa, as palavras que ele usava eram chamativas, como 'subversivo'. Eram palavras de um genocida. Era um discurso ideológico para eliminar os que eram opositores ao regime militar. Uma vez, disse que os opositores eram mortos porque, quando eram presos e soltos, ficavam ainda piores.

A nossa relação foi rompida naquela conversa em meados de 2013, quando meu pai admitiu os crimes. Mas no dia seguinte ele me ligou para saber se eu tinha contado para minha mulher. Depois disso, ficamos sem nos falar até pouco tempo - dias atrás, ele me telefonou para, ao meu ver, fazer ameaças. Também faz isso por meio de conversas com parentes, cujos relatos chegam até mim.

Eu me afastei de muitos familiares. Primeiro, para evitar encontrá-lo, e ainda porque uma parte da minha família se recusa a saber, nega o que ocorreu. Acha que isso é um problema entre duas pessoas - no caso meu pai e eu. Mas isso não é um simples problema entre duas pessoas, é entre ele e a humanidade, na qual eles, os familiares, estão incluídos.

Hoje meu pai está livre, mas é investigado porque o denunciei na Secretaria de Direitos Humanos poucos meses depois daquela nossa conversa. Agora o caso dele faz parte de uma imensa apuração, levada adiante pelos defensores das vítimas na que ficou conhecida como 'megacausa contraofensiva', pela repressão e extermínio ocorridos no Campo de Mayo nos anos 1970 e 1980. O local foi um centro clandestino de prisão e extermínio horrível no nosso país.

Essa casa deixou poucos sobreviventes e provas. Meu problema hoje, como filho, é que, apesar de ter essas certezas contra meu pai, encontrei barreiras na legislação que me impedem de denunciá-lo penalmente. No Código de Processo Penal da Argentina, existem dois artigos que proíbem que familiares denunciem e deem depoimento, já no processo, contra outros familiares.

Ou seja, não podem ser testemunhas contra outros familiares. Por isso, entramos com esse projeto de lei pedindo que essas proibições não sejam aplicadas para os casos de crimes contra a humanidade. E assim nós, filhos de repressores, poderemos denunciar nossos pais judicialmente, além de prestar depoimento contra eles nos julgamentos.

Nós do coletivo Historias Desobedientes, que somos filhos e filhas de genocidas, vivemos nas nossas casas, com nossos pais, a imposição de um mandato de silêncio, de maneira implícita ou explicita.

Os genocidas fizeram um pacto de silêncio que cumprem até hoje. Eles não revelam o que fizeram e o que os outros militares fizeram. Mas depois de muitos anos, e de conscientização do que aconteceu, e da nossa própria ética, decidimos levar as acusações adiante. Mas aí nos deparamos com esses artigos da legislação argentina.

Apresentamos esse projeto de lei no dia 7 de novembro na mesa de entrada da Câmara dos Deputados. No nosso grupo, alguns já têm os pais mortos, outros condenados e outros, impunes.

No meu caso, espero que meu pai seja investigado. E que ele e os outros genocidas reflitam e tenham alguma dignidade em seus últimos anos de vida. Que deem um pouco de paz a tantos familiares que não sabem qual foi o destino de seus parentes desaparecidos. E paz até para eles, genocidas. Porque eles também devem viver um inferno em suas mentes e corações.

Nós, como coletivo, sabemos que nossa iniciativa, com esse projeto de lei, pode ajudar no contexto das investigações. Coisas que ouvimos nas nossas casas podem aportar no contexto em que os crimes foram cometidos. Inclusive os casos de roubo que as vítimas da ditadura sofreram.

Nossa iniciativa não dará resposta a tudo. Mas pode contribuir para acabar com a impunidade mantida pelos genocidas."



sábado, 23 de dezembro de 2017

Quem são as mulheres católicas e evangélicas que lutam pelo direito ao aborto?


Matéria extensa publicada na BBC Brasil:

Os argumentos das católicas brasileiras que há 25 anos defendem o aborto

Camilla Veras Mota

O Papa Francisco não chega a comover. Elas não vão à missa aos domingos, defendem o Estado laico, a contracepção, o casamento gay e, há quase 25 anos, o aborto.

O mais antigo movimento no Brasil de católicas que pregam os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres nasceu entre um grupo de jovens que se inquietavam com questões que não ecoavam na Igreja, ainda no início dos anos 90.

"Nós falávamos dos pobres, mas não olhávamos para as mulheres", diz Regina Soares Jurkewicz, coordenadora do Católicas pelo Direito de Decidir (CDD), referindo-se à Teologia da Libertação, corrente progressista que norteava a atuação das pastorais sociais das quais ela, a professora da PUC-SP Maria José Rosado-Nunes e a teóloga Luiza Tomita, também fundadoras, faziam parte nos anos 80.

Em 1993, elas conheceram a médica uruguaia Cristina Grela - hoje parte da equipe do Ministério da Saúde do Uruguai, único país da América do Sul onde o aborto foi totalmente legalizado, em 2012, até a 12ª semana de gestação - em alguns casos, esse limite é maior.

Naquela época a ativista era integrante do grupo americano Catholics For Choice - que completa 45 anos em 2018 - e fazia um périplo pelo continente na tentativa de organizar um movimento semelhante na região. Além do Brasil, há "Católicas por el Derecho a Decidir" em outros dez países latinoamericanos.

Depois de um evento na Igreja do Carmo, em São Paulo, o movimento foi lançado no dia 8 de março daquele ano. Está presente hoje em 14 Estados e atua em duas frentes - a educativa, com a produção de material didático para o ensino da religião e a realização de seminários para formação de multiplicadoras, e política, organizando debates, marchas e idas a Brasília.

Em uma de suas campanhas mais recentes, o CDD foi às ruas em novembro para protestar contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 181, que pode criminalizar o aborto mesmo nos casos em que ele hoje é permitido, como em gestações resultantes de estupro.

Entre seus membros, leigos e religiosos, está a freira feminista Ivone Gebara, punida pelo Vaticano em 1995 por defender publicamente em uma entrevista a descriminalização e a legalização do aborto.

Na época à frente da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Joseph Ratzinger - que anos depois se tornaria o papa Bento 16 - determinou que ela voltasse à Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, onde obteve seu doutorado, para passar dois anos reclusa, em "reeducação teológica".

Por não estar ligado à estrutura da Igreja, contudo, o movimento em si está fora dos limites de repreensão da hierarquia católica. As perseguições também não são frequentes, diz Jurkewicz.

O que há são questões pontuais como a de Gebara e a que ela mesmo enfrentou quando publicou seu doutorado. Logo após a apresentação do trabalho, que reunia 21 casos de abuso sexual de mulheres por padres, a assistente social foi demitida da universidade em que lecionava, ligada à diocese de Santo André.

O antagonismo mais organizado vem de setores conservadores da religião, de instituições como Arautos do Evangelho e Opus Dei.

As "ameaças", dizem, chegam geralmente por email ou pelas redes sociais. "São mensagens dizendo que a gente vai para o inferno, essas coisas. Nada grave."

O aborto sempre foi considerado pecado?

Para defender o aborto dentro da lógica religiosa, as ativistas argumentam que o início da vida sempre foi um ponto de divergência dentro da fé católica.

Nos primeiros séculos do cristianismo, exemplifica Jurkewicz, houve Santo Agostinho, que condenava o controle de natalidade e o aborto por romperem a conexão entre ato conjugal e procriação, mas que afirmava que ele não era um ato de homicídio.

Seus escritos a respeito do Êxodo diziam, sobre o feto, que "não existe alma viva em um corpo que carece de sensações". Ele nunca chegou a uma conclusão sobre o momento em que a vida começava.

Já o teólogo Tertuliano defendia em 160 que a concepção era o início de tudo e, por isso, condenava a prática.

"Não é um dogma de fé, é uma questão disciplinar", diz ela, acrescentando que nos cadernos penitenciais da Igreja na Idade Média o aborto era colocado entre outros pecados sexuais.

Os Cânones Irlandeses de 675, por exemplo, previam 14 anos a pão e água para aquele que tivesse relação sexual com a vizinha e três anos e meio para quem destruísse um embrião no ventre.

O tema passou a ser oficialmente condenado pela Igreja apenas em 1869, a partir de um boletim do papa Pio 9.

A posição da Igreja hoje e o papa Francisco

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em sua nota "Pela vida, contra o aborto", de abril deste ano, afirma que "a tradição judaico-cristã defende incondicionalmente a vida humana".

O texto defende a "integralidade, inviolabilidade e a dignidade da vida humana desde a sua concepção até a morte natural" e condena "todas e quaisquer iniciativas que pretendam legalizar o aborto no Brasil".

"A posição sempre foi a mesma: defender e cuidar da vida humana desde a sua concepção. A vida humana é preciosa demais para ser eliminada ou descartada", diz o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, em nota enviada à BBC Brasil.

O papa Francisco manteve o entendimento que herdou dos antecessores, apesar de ter autorizado, em novembro do ano passado, que padres pudessem perdoar o aborto - prerrogativa que antes era restrita a bispos ou confidentes especiais da Igreja.

"A ideia (por trás da iniciativa do Papa Francisco) é mais de compaixão, de perdão. A Igreja não trabalha com direitos (para as mulheres)", diferencia Jurkewicz.

As ativistas do CDD são críticas em relação ao papel do feminino na Igreja Católica, que limitaria "os espaços de poder e saber" aos homens.

"A posição oficial guarda a tradição da mulher como mãe, está carregada de atributos de gênero. Mesmo as freiras são vistas como 'mães espirituais'", ressalta.

São Tomás de Aquino

O princípio do "recurso à consciência" é outro argumento usado pelas ativistas para defender suas bandeiras e o primeiro destacado pelo movimento do qual se originou o CDD, o americano Catholics for Choice (CFC).

A ideia é que cada católico tome decisões guiadas pelo pensamento individual, ponderando o efeito de suas ações sobre si e sobre o próximo, e que respeite o arbítrio do outro.

"São Tomás de Aquino afirmava que nossa consciência não é um atributo das instituições", diz Amanda Ussak, diretora do programa internacional do CFC.

A organização surgiu nos Estados Unidos em 1973, ano em o aborto foi legalizado no país após decisão da Suprema Corte no emblemático caso Roe v. Wade.

Prevendo uma onda de reações contrárias de instituições religiosas, um grupo de católicas decidiu se reunir e se contrapor às pressões por recuos. Uma década depois, o movimento deu início à sua expansão internacional.

A iniciativa, afirma Ussak, veio da percepção de que criminalização do aborto prejudicava especialmente as mulheres pobres, grupo que ainda hoje registra o maior número de mortes por complicações em procedimentos feitos em clínicas clandestinas.

Hoje a organização atua também na Europa e na África, dando treinamento às organizações para comunicar as campanhas e apoio às iniciativas para mudar as leis locais.

Um exemplo recente de atuação nesse sentido aconteceu no Chile, onde o Congresso aprovou, em agosto, a descriminalização em caso de risco de vida da mulher, inviabilidade fetal e estupro. Até então, qualquer tipo de aborto era proibido.

Na Argentina, o Católicas por el Derecho a Decidir (CDD) participou das discussões que culminaram, em 2006, na Lei de Educação Sexual Integral - semelhante à educação de gênero hoje debatida no Brasil -, na Lei para Prevenir e Erradicar a Violência contra a Mulher, de 2009, e a Lei de Identidade de Gênero, de 2012, que permitiu que travestis e transexuais escolhessem o sexo no registro civil.

"Nos falta ainda a legalização do aborto", afirma Victoria Tesoriero, uma das coordenadoras do movimento argentino.



As evangélicas

Hoje há iniciativas semelhantes às ONGs católicas entre mulheres pentecostais e neopentecostais. O Evangélicas pela Igualdade de Gênero (EIG), por exemplo, nasceu em 2015 voltado especialmente para a questão da violência contra a mulher.

"Eu nasci nas Assembleias de Deus, no movimento pentecostal, e durante muito tempo testemunhei todo tipo de violência, institucional, simbólica, assédio", conta Valéria Vilhena, uma das fundadoras da rede, que hoje soma 3 mil mulheres.

Em sua tese de mestrado, feita na Universidade Metodista, onde dá aulas hoje, ela mergulhou no cotidiano de uma casa de acolhimento para vítimas de violência doméstica em São Paulo e verificou que 40% das atendidas eram evangélicas.

O aborto, para ela, entra na problemática da negação de direitos às mulheres e da violência. A posição pública a favor, contudo, veio apenas neste ano, em reação à PEC 181.

"Não estamos trabalhando a questão da legalização a partir da Bíblia porque nós queremos desvinculá-la da questão religiosa. É uma questão de saúde pública", destaca. "A questão é essa: mulheres morrem", emenda.



terça-feira, 7 de novembro de 2017

O papa argentino no divã judeu


A estranha informação foi publicada no Estadão em 01/09/17:

Papa revela que fez terapia com psicanalista judia

Francisco disse que se consultou com profissional quando tinha 42 anos para 'esclarecer algumas coisas'

O papa Francisco revelou que, quando tinha 42 anos, fez terapia na Argentina durante seis meses com uma psicanalista judia para "esclarecer algumas coisas". As sessões disse, o ajudaram muito.

Jorge Mario Bergoglio faz estas confissões em um livro que narra uma série de conversas que manteve com o sociólogo francês Dominique Wolton e que será publicado na França, segundo antecipou nesta sexta o jornal italiano "La Stampa".

"Consultei uma psicanalista judia. Durante seis meses fui uma vez por semana a sua casa para esclarecer algumas coisas. (...) Depois, um dia, quando estava a ponto de morrer, me chamou. Não para receber os sacramentos, pois era judia, mas para ter um diálogo espiritual. Era uma pessoa boa. Durante seis meses me ajudou muito", explicou.

Aquelas visitas ocorreram quando o agora papa argentino tinha 42 anos, entre 1978 e 1979, em plena ditadura militar na Argentina, que em 1976 derrubou o governo de María Estela Martínez de Perón.

O periódico adianta outros temas que aborda Bergoglio, como sua opinião sobre o casamento homossexual. A respeito desse tema, o papa opina que "o matrimônio é aquele formado entre um homem e uma mulher", ainda que aceite chamar de "uniões civis" aquelas por pessoas do mesmo sexo. /EFE



segunda-feira, 26 de junho de 2017

Nadador brasileiro dá sunga amarela ao papa


A bem da verdade, não há registro de que a sunga em questão tenha sido entregue ao pontífice, mas que o nadador brasileiro Bruno Fratus tirou uma foto segurando-a e a divulgou nas redes sociais, a prova está aí acima. 

César Cielo, campeão olímpico dos 50 metros nado livre em Pequim 2008 e atual detentor dos recordes mundiais nas provas de 50 e 100 m no mesmo estilo, também estava presente no evento realizado no sábado, 24/06/17, em que o papa recebeu dezenas de nadadores italianos no Vaticano.



Na ocasião, conforme divulgou a Rádio Vaticano, o papa aproveitou para fazer um apelo pela despoluição da água em todo o mundo.

Como alguns atletas brasileiros estavam por lá, também foram convidados a visitar o papa e - obviamente - não perderam a ocasião.

Quanto à sunga, se é um presente de mau gosto ou não, fica a seu critério dizer já que ninguém sabe o seu destino, mas quem conhece os argentinos já percebeu que eles consideram vergonhoso usar uma sunga em público, razão pela qual você já deve ter observado que eles só utilizam suas bermudas quando visitam as praias brasileiras e todos sentem enorme desconforto quando veem homens usando sunga no mesmo espaço.

Já pensou o papa Francisco de sungão amarelo na intimidade de seu quarto no Vaticano, se é que existe intimidade por lá?

Não, melhor não, né...



segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Adeus, Ricardo Piglia!

Se existe um terreno em que a Argentina é extremamente fértil, é no campo da literatura.

Talvez os escritores mais conhecidos entre "los hermanos del Sur" sejam Jorge Luis Borges, Ernesto Sábato, Julio Cortázar e Adolfo Bioy Casares, entre tantos outros de igual qualidade e importância.

Na sexta-feira passada, dia 6 de janeiro de 2017, nos despedimos de Ricardo Piglia, outro grande entre os grandes autores argentinos, um adeus sentido que deixou a literatura mundial, particularmente a sul-americana, muito menos rica.

Celebrando sua vida e obra, reproduzimos abaixo o obituário publicado no Estadão:

Morre o escritor argentino Ricardo Piglia

Autor transitava com maestria no universo do crime

UBIRATAN BRASIL

Um romance do escritor argentino Ricardo Piglia é como um novelo que, ao se desenrolar, surpreende o leitor com suas inúmeras e diferentes camadas. Com isso, consolidou-se como herdeiro de grandes nomes da literatura de seu país, como Jorge Luis Borges e Julio Cortázar. Inquieto, radical, Piglia era um gigante literário. Na tarde de sexta-feira, 6, foi anunciada sua morte, aos 75 anos, vítima de uma parada cardíaca, segundo noticiou o jornal Clarín. A morte já o cercava, pois, em 2014, foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença que ataca os neurônios controladores dos movimentos musculares.

Piglia era considerado um incansável pensador da literatura, posição que dividia com seu grande amigo Juan José Saer, também já falecido. Eclético, escreveu não apenas romances, mas também críticas, ensaios e roteiros, além de apresentar programas de TV e de atuar como professor de literatura da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, durante 15 anos.

Nascido em Adrogué, província de Buenos Aires, em 24 de novembro de 1941, Piglia teve como primeira atividade literária dirigir a coleção Série Negra, especializada em ficções policiais, e lançou na Argentina escritores como Raymond Chandler e Dashiel Hammett. A partir daí, tornou-se um produtivo pesquisador da literatura argentina, com ensaios importantes sobre Roberto Arlt, Jorge Luis Borges e Macedônio Fernández. Inquieto, sempre se preocupou em recuperar escritores que estavam esquecidos e, principalmente, redefinir imagens cristalizadas.

Publicou contos na década de 1960, quando desenvolveu uma curiosa linha de raciocínio - para ele, uma narrativa curta sempre conta duas histórias: uma visível que esconde outra, invisível. “O conto reproduz a busca sempre renovada de uma experiência única que nos permite ver, sob a superfície opaca da vida, uma verdade secreta”, afirmava Piglia.

A consagração, no entanto, veio com Respiração Artificial, em 1980. Romance polifônico, é ambientado durante a ditadura argentina, iniciada em 1976, e apresenta como narrador Emilio Renzi, revelador da verdadeira história do país e personagem que voltaria em outras obras.

A investigação permitiu que Piglia exercesse seu talento ao revelar os meandros de uma sociedade construída a partir de uma violência camuflada, que torna inertes seus habitantes. Com isso, conseguiu expor o arbítrio e a violência em todo o seu horror. Em enquete realizada com 50 escritores argentinos, Respiração Artificial figurou na lista dos dez melhores romances da história literária do país.

A realidade inspirava a escrita de Piglia que, a partir de fatos verdadeiros, conseguia construir histórias tão eletrizantes que nem pareciam baseadas em acontecimentos reais. É o caso de Dinheiro Queimado, título brasileiro para Plata Quemada, lançado originalmente em 1997 e editado aqui pela Companhia das Letras. O ponto de partida foi um assalto a um carro-forte, acontecido em Buenos Aires, em 1965. Para oferecer aos leitores uma escrita vibrante, Piglia pesquisou documentos confidenciais, cercando-se de detalhes que incriminavam policiais e políticos corruptos.

Outro crime, agora no pampa argentino, tornou-se o mote para Piglia retornar ao romance noir em Alvo Noturno, lançado em 2010. Na verdade, trata-se de uma trama policial sociológica - como já fizera em Respiração Artificial e Plata Quemada, Piglia revelou-se aqui inquieto, radical, insatisfeito ao delinear uma história que, além de transcorrer em ritmo ágil e direto, é complexa graças à sobreposição de impressões sobre o assassinato.

Já em Formas Breves, de 1999, Piglia reuniu textos que lhe permitem transitar na fronteira entre a ficção narrativa e o exercício crítico. São relatos em que trata tanto da relação entre psicanálise e literatura como da importância social embutida nos romances policiais. Em ambos, apresenta conclusões surpreendentes - se, no primeiro, afirma que James Joyce conhecia profundamente o trabalho de Freud, no segundo, acredita que o mundo do crime é o universo com que os homens devem dialogar nos tempos atuais.

Desde que foi diagnosticado com ELA, Piglia apressou-se em escrever sua autobiografia, Diários de Emilio Renzi, dividida em três volumes. O primeiro, Anos de Formação, foi publicado em 2015, enquanto o segundo, Anos Felizes, saiu em setembro passado - nenhum foi traduzido ainda no Brasil. A ideia de utilizar Renzi como protagonista veio durante a filmagem do documentário 327 Cadernos, no qual o diretor Andrés Di Tella acompanhou Piglia na leitura de seus diários escritos desde a adolescência.

FRASES

"Minha relação com a escrita continua a mesma. São horas de grande plenitude que estão no centro da minha vida. O difícil é, como sempre, passar para o outro lado, entrar na escrita e deixar o real em suspenso"

"A experiência da doença é a da injustiça em estado puro: ‘Por que eu?’, você se pergunta, e qualquer explicação é ridícula e sem sentido. O sentimento de injustiça convida à rebelião e à luta, então você não se queixa e isso é um alívio"

"Às vezes, escreve-se melhor quando se está em plena ação e se vive melhor quando se está sozinho"



sábado, 7 de janeiro de 2017

Católicos argentinos terão rádio na Antártida


A informação é da Gaudium Press:

Igreja argentina inaugurará uma emissora FM na Antártida

"A estação da Igreja Católica Apostólica Romana funcionará na base antártica Vicecomodoro Marambio, da província da Terra de Fogo, Antártida e Ilhas do Atlântico Sul, no canal 220, frequência 91,9 MHz, categoria 'F' e sinal distintivo LRF945", diz a resolução da Entidade Nacional de Comunicações do país.

Além disso, se indicou no artigo 2º que a Igreja Católica "determinará o espaço organizacional -dentro de seu âmbito, conforme o Direito Canônico- no qual se desenvolverá o funcionamento e operação da emissora a qual se refere o artigo primeiro da presente".

Na resolução do Enacom se especifica que a autorizada terá "180 dias corridos para apresentar as documentações técnicas definitivas para sua aprovação e posterior habilitação do serviço". (GPE/EPC)



segunda-feira, 13 de junho de 2016

Papa rejeita doação de 16.666.000 pesos do governo argentino

Que as relações entre o papa Francisco e o atual presidente argentino, Mauricio Macri, não são nada boas, isso já se sabia, sobretudo em razão da prisão - desde janeiro de 2016 - da líder popular Milagro Sala, na província de Jujuy, no Norte do país.

Apesar de ser parlamentar do Mercosul e da Legislatura jujeña, a ativista peronista Milagro Sala continua presa, malgrado os protestos papais e internacionais que a consideram uma presa política e exigem a sua liberação.

Agora, não se sabe a razão exata pela qual caiu muito mal a iniciativa de Macri em doar 16.666.000 pesos à Fundação Pontifícia Scholas Occurrentes, instituição com responsabilidades educacionais e ligada à Igreja Católica.

Seria o cabalístico número 666 uma provocação subliminar introduzida no meio da cifra milionária? Teria sido a pressa do governo argentino em demonstrar - com a doação - que está tudo às mil maravilhas entre Francisco e Macri?

A quantia equivale hoje, pelo câmbio oficial, a 4.124.162 reais brasileiros, cá entre nós, uma soma nada fácil de ser rejeitada, mas o papa não se deu por logrado e bateu a porta na cara do presidente argentino. Com gosto, pelo jeito...

Já pensou se Michel Temer resolve doar uns milhõezinhos às denominações ditas "evangélicas" lideradas por certos "pastores" que o ajudaram a tomar o poder?

Como se comportariam certas celebridades "góspeis" ao ouvir milhões de moedas originárias de dinheiro público tilintando no cofre do Tio Patinhas?

Você acha que eles rejeitariam? (risos sarcásticos)

A matéria é do IHU:

Quando a esmola é grande, até o Papa desconfia

Bergoglio ordenou não aceitar os 16 milhões e 666 mil pesos que o Governo doou à Fundação Scholas Occurrentes. A decisão aumentou novamente a tensão na relação entre o Governo e o Papa Francisco.

A reportagem é de Washington Uranga e publicada por Página/12, 12-06-2016. A tradução é de André Langer.

Em um gesto de indubitável repercussão política, o Papa Francisco ordenou aos responsáveis da Fundação Pontifícia Scholas Occurrentes para que não aceitem a doação de 16 milhões e 666 mil pesos que lhe foram outorgados há 10 dias pelo governo de Mauricio Macri com a finalidade de contribuir para a “manutenção da equipe profissional, da infraestrutura e do equipamento da sede central” da organização impulsionada por Bergoglio.

De maneira extra-oficial, sabia-se que a decisão tornada pública pelo Governo como um gesto de aproximação com Francisco caiu muito mal no Vaticano e deixou o Papa chateado. O sítio italiano Vatican Insider refletiu isso em uma nota que deu conta da perplexidade que a doação causou em Bergoglio e que mesmo no Vaticano pareceu uma brincadeira de mau gosto o fato de que a doação fosse de 16 milhões e 666 mil pesos, quando se sabe que “666” é “o número da besta”.

Agora, em uma carta com data de 09 de junho e dirigida a Marcos Peña, na sua condição de Chefe de Gabinete, os responsáveis pela Scholas Occurrentes, José María del Corral (presidente) e Enrique Palmeyro (secretário), comunicaram ao governo de Mauricio Macri que “considerando que há quem queira desvirtuar este gesto institucional feito no marco da Lei 16.698, com a finalidade de provocar confusão e divisão entre os argentinos, e de acordo com os comentários compartilhados por telefone, achamos por bem suspender a contribuição econômica não reembolsável destinada a cobrir os gastos com pessoal, infraestrutura e equipamento da sede central em nosso país”.

Colocando em relevo, no entanto, a necessidade de recursos que a fundação tem, os assinantes assinalam na mesma carta que “procuraremos obter este aporte necessário no imediato através dos organismos multilaterais de crédito e da ajuda de privados”.

A Fundação Scholas Occurrentes é uma rede mundial educativa que pretende promover a vinculação entre escolas de todo o mundo, compartilhar projetos, estabelecer alianças e cooperação, com a intenção de favorecer as escolas de recursos mais baixos propiciando uma educação sem excluídos. Os antecedentes da iniciativa remontam ao tempo em que Bergoglio era arcebispo de Buenos Aires, e sob o lema de “Escolas irmãs” impulsionou uma linha de ação que denominou “unir escolas, esportes populares e solidariedade”.

Por decisão e impulso do Papa, desde agosto de 2015 a fundação tem reconhecimento legal por parte do Vaticano e conta com uma direção formada por três argentinos: o bispo Marcelo Sánchez Sorondo e dois colaboradores próximos a Francisco: José María del Corral e Enrique Palmeyro.

Em 2014, por solicitação da hoje ex-presidenta Cristina Fernández de Kirchner, o Congresso aprovou a Lei 26.985 declarando de “interesse nacional” o projeto Scholas Occurrentes.

Um dos pontos que mais chateou o Papa sobre a doação foi que a determinação não lhe foi comunicada oficialmente, mas que tomou conhecimento do decreto assinado por Macri através da imprensa. Por esse mesmo motivo, Bergoglio fez saber também seu descontentamento a Palmeyro e del Corral, a quem teria reprovado o gesto assinalando que a Argentina tem outras necessidades mais urgentes e às quais o Governo deve atender.

O chefe de Gabinete, Marcos Peña, aceitou o pedido dos diretores da Scholas para anular a doação e respondeu com outro texto no qual assinalou que “sem prejuízo de tomar nota da suspensão proposta, ratificamos o compromisso do nosso Governo de acompanhar a Fundação na importante tarefa de impulsionar e defender os valores da paz, da inclusão e do encontro dos jovens de todo o mundo”.

A contrariedade de Francisco com a doação oficial aumentou após perceber que diversos porta-vozes da Aliança Mudemos procuraram apresentar o subsídio como uma forma de “reconciliação” com o Papa depois que a máxima autoridade da Igreja católica fez manifestações muito claras de distanciamento com o governo de Macri, incluindo seu gesto adusto nos apenas 22 minutos de audiência que lhe concedeu em 27 de fevereiro passado no Vaticano.

Sobre a doação à Scholas, Juan Grabois, um dirigente social muito próximo ao Papa, disse ao Vatican Insider que quem “pensa que por dar dinheiro, especialmente recursos públicos, a uma fundação, escola, ONG, cooperativa ou movimento popular pelo simples fato de estar direta ou indiretamente vinculado ao Papa, está fazendo um ‘gesto a Francisco’ é realmente um imbecil, além de corrupto e prevaricador”.

No sábado, foi divulgada a notícia de que Grabois, líder da Confederação da Economia Popular e do Movimento de Trabalhadores Excluídos (TEM), foi nomeado pelo Papa como consultor do Pontifício Conselho da Justiça e Paz. Este organismo vaticano, integrado majoritariamente por leigos, trabalha para “a formação entre os povos de uma sensibilidade sobre o dever de promover a paz” e desenvolver ações pela justiça no mundo.

Uma vez conhecida a sua nomeação, Grabois disse que “este é um reconhecimento para a tarefa dos movimentos populares e um estímulo para continuar trabalhando, como fiz até agora, pelos direitos dos mais pobres”.

O dirigente é uma pessoa da confiança de Bergoglio desde quando o agora Papa era arcebispo de Buenos Aires e tem uma ativa presença em organizações sociais de favelas e bairros pobres da Grande Buenos Aires, trabalhando com carrinheiros, vendedores ambulantes, camponeses, costureiros, artesãos e operários de empresas recuperadas.

Já em Roma, Francisco confiou a Grabois a organização dos encontros de movimentos populares que o Papa presidiu em Roma em outubro de 2014 e em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, em julho de 2015. O agora consultor da Justiça e Paz é também professor de Teoria do Estado na Universidade de Buenos Aires (UBA) e de prática profissional na Universidade Católica Argentina (UCA).



sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Papa se encontrará com novo presidente argentino amanhã

O papa recebe Mauricio Macri em setembro de 2013, quando este último era prefeito de Buenos Aires

A informação é da Gaudium Press:

Presidente argentino se encontrará com o Papa no próximo sábado

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, se encontrará com o Papa Francisco no próximo sábado, 27, em audiência que disse esperar com "alegria".

Mauricio Macri expressou que espera do Pontífice "conselhos valiosos para a tarefa que começou na Argentina".

Destacou Mauricio Macri, em declarações a meios franceses, as "boas relações" que sustentou como chefe de governo da Cidade de Buenos Aires com o Arcebispo Bergoglio, e manifestou que o atual Pontífice é uma das pessoas que mais o conhece "em termos de agenda concreta" de trabalho. Ele mantêm agora, segundo declarou, uma relação de "respeito recíproco" com o Papa.

Sobre um recente gesto do Papa Francisco, de enviar um rosário a uma líder presa, o presidente Macri afirmou que "o Papa sempre busca que ainda o maior pecador tenha a oportunidade de rezar e reconhecer seus erros. O Papa Francisco, além de seu amor pela Argentina, hoje tem uma tarefa superadora em termos de manter uma liderança religiosa no mundo inteiro".



quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Presa política na ditadura argentina reencontra filho 39 anos depois

Foto de Marcos Brindicci / Reuters

E ainda tem gente (que se diz "evangélica", inclusive) que defende ditaduras.

A matéria é do HuffPost Brasil:

Argentino reencontra mãe 39 anos após ter sido levado pela ditadura

BUENOS AIRES (Reuters) - Um homem que nasceu em um dos centros de detenção clandestinos da ditadura argentina se reencontrou depois de 39 anos com a mãe, que deu à luz durante seu cativeiro.

Mario Bravo foi sequestrado por autoridades do país na província de Tucumán entre maio e junho de 1976, após ter nascido em uma prisão porque sua mãe, Sara, havia sido detida.

Tanto Sara, que foi liberada mais tarde, quanto seu filho, que foi criado por outra família na província de Santa Fe e duvidava de sua identidade, cederam sua informação genética para a Comissão Nacional pelo Direito à Identidade (Conadi), onde a filiação foi determinada em novembro.

"As avós da Praça de Maio informam a restituição de outro neto, o caso número 119 que conseguimos resolver. Hoje (terça-feira) nosso neto se encontrou pela primeira vez com sua mãe", disse Estela de Carlotto, presidente da Associação Avós da Praça de Maio, quem recebeu Bravo para determinar sua identidade.

A Argentina foi governada por uma ditadura militar entre 1976 e 1983, período durante o qual dezenas de milhares de argentinos foram sequestrados e cujo paradeiro ainda é desconhecido, como também o de filhos de presos políticos nascidos em cativeiro.

"O que aconteceu é muito ruim, muito feio, mas é isso. Já passou, é passado. E agora foi algo muito bonito. Eu agradeço a Deus por ter encontrado a minha mãe viva, isso é um milagre", disse Bravo em uma cerimônia na sede das Avós da Praça de Maio, em Buenos Aires.

(Reportagem de Maximilian Heath)



quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Família argentina que foi de Kombi aos EUA se encontrou com o papa


Quinze dias atrás, publicamos aqui matéria sobre a família argentina que viajou de Kombi por todas as Américas até os Estados Unidos, com o fim específico de participar do Encontro de Famílias em Filadélfia, Pennsylvania, que foi comandado pelo papa Francisco.

Apesar dos problemas típicos de uma viagem dessas, a família argentina chegou lá e, no dia 27 de setembro de 2015, domingo, receberam um telefonema às 6 da manhã dizendo que o papa queria conhecê-los.

Imediatamente, a família foi até o Seminário Saint Charles Borromeo, onde o pontífice estava hospedado, e - em menos de 5 minutos de espera - lá estava diante deles o seu conterrâneo papa Francisco que foi logo dizendo: "vocês são a família que veio de Buenos Aires? Estão loucos?", enquanto ria.

A família respondeu: "Sim, também temos uma quota de sã inconsciência como você", usando o pronome pessoal "vos" tão comum à informalidade argentina (o formal e desejável numa circunstâncias dessas seria, no mínimo, o "usted").

A seguir, todos se abraçaram e as crianças não desgrudavam do papa, que continuou: "quando me disseram que estavam aqui, eu disse que queria conhecer vocês, já que os estava acompanhando, que bom que nos encontramos!".

Depois, o papa se dirigiu em italiano a alguns membros de sua comitiva, dizendo: "isto é muito importante, uma família jovem que tem a coragem de sair numa Kombi e viver a vida com júbilo! que vai ao encontro de outras famílias".

A conversa se prolongou por mais tempo do que o previsto e o papa lhes agradeceu por terem ido a Filadélfia, e, enquanto se afastava depois de se despedir, dizia às gargalhadas: "são uns loucos".

As informações acima foram postadas na página da família no facebook.





sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Começa hoje na Inglaterra a Copa do Mundo de Rugby 2015


O mundo do rugby está hoje em festa, pela volta do esporte ao seu lar, a Inglaterra, só que desta vez para a realização da Copa do Mundo 2015.

Treze estádios serão utilizados para o evento, sendo doze na Inglaterra (três em Londres) e um em Cardiff, capital do País de Gales, um dos integrantes do Reino Unido (juntamente com Escócia e Irlanda do Norte).

A Irlanda tem uma particularidade interessante no que diz respeito ao rugby. Sua seleção é representada por jogadores da República da Irlanda (capital Dublin) e da Irlanda do Norte (capital Belfast), numa união que não é vista em nenhum outro esporte de massas e muito menos na política.

Tal fato se explica, talvez, pela importância que se dá à confraternização com o time adversário no rugby.

Apesar das partidas serem disputadas, aos olhos do leigo, com algo que ele chamaria de "truculência", o respeito e a lealdade entre os jogadores são fatores sempre incentivados e vividos na prática. Rivalidade só dentro de campo.

Assim como do futebol, a Inglaterra é o berço do esporte que nasceu na cidade de Rugby, de onde tomou seu nome.

Naquela época, se praticava um esporte parecido com o futebol moderno, onde não havia, por exemplo, limite no número de jogadores por equipe.

Por sinal, essa estranha forma de futebol primitivo havia sido proibida pelo rei Eduardo III (1312-1377), por considerá-lo um esporte "não cristão".

No começo do século XIX, o futebol estava de volta à Inglaterra, sendo disputado principalmente nos colégios.

Diz a lenda que, em 1823, um jovem estudante do colégio de Rugby, chamado William Webb Ellis, revoltado com o excessivo número de jogadores em campo e a dificuldade de praticar o jogo com os pés, pegou a bola com as mãos e saiu correndo até a linha de fundo adversária.

Teria surgido aí o esporte que hoje conhecemos como rugby, cujas regras, a exemplo do que ocorreu com o futebol, foram sendo atualizadas e fixadas com o passar do tempo. No rugby, a bola terminou oval.

Embora haja controvérsias sobre a "lenda" contada acima, não há dúvidas de que o esporte realmente nasceu em Rugby, e o troféu que é dado à seleção campeã da Copa do Mundo, não por acaso, tem o nome de William Webb Ellis.

Esta será a oitava edição da Copa do Mundo de Rugby. Nova Zelândia (os "All Blacks"), Austrália (os "Wallabies") e África do Sul (os "Springboks"), com 2 títulos cada, e Inglaterra, com 1, integram a restrita galeria de quem já levou o troféu para casa. São também as grandes favoritas para o título de 2015.

Ao seu lado, com chances de vitória, poderíamos escalar França, País de Gales e Irlanda, que correm por fora como azarões.

Ainda incipiente no Brasil, os fãs sul-americanos do esporte vão ter que torcer para a Argentina (os "Pumas"), que tem uma seleção tradicional nas competições mundiais, com alguma chance de pelo menos surpreender algum dos favoritos na edição de 2015.

A imperdível final será disputada no mítico estádio de Twickenham, em Londres, no dia 31 de outubro de 2015.

Os jogos poderão ser acompanhados, no Brasil, pela transmissão dos canais por assinatura da ESPN. A abertura do campeonato ocorre hoje às 15:45h de Brasília, com a partida Inglaterra x Fiji.

Apesar de todo o carinho que sente pela Argentina, este que vos escreve, como sempre, vestirá sua camiseta dos All Blacks e torcerá pela Nova Zelândia, a atual campeã e, a exemplo do Brasil no futebol, a seleção "queridinha" do rugby no mundo.

Se você ainda não conhece o rugby, aproveite a Copa do Mundo que começa hoje para começar a entendê-lo e apreciá-lo. 

Há grandes chances de você, no mínimo, se divertir bastante.

Hoje o troféu William Webb Ellis começa a ser assediado pelas principais seleções do mundo.




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