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quinta-feira, 27 de abril de 2017

Filhos adotados por ativista gay recebem batismo católico em Curitiba


O casal Toni Reis e David Harrad e seus filhos Alyson (esquerda), Felipe (centro) e Jéssica (direita),
ao lado do padre Élio, em batizado no domingo, 23 de abril.
Foto: David Harrad/Arquivo Pessoal

Toni Reis é dos mais importantes ativistas dos direitos GBLT no Brasil, que ficou mais conhecido ainda quando participou de um debate com Silas Malafaia por ocasião de audiência pública que discutiu o Estatuto da Família no Congresso Nacional, isso em 25/06/15.

Naquela oportunidade, o gestual hitleriano de Malafaia gerou um meme que viralizou na internet, como observamos aqui na época e você pode rever abaixo.



Toni Reis mora em Curitiba e é casado com David Harrad, com quem adotou 3 filhos que, hoje adolescentes, pediram o batismo católico.

Não deixa de ser interessante o contraste entre a atitude do bispo católico de Curitiba e aquela de Malafaia, conforme você pode ler no artigo abaixo, publicado no Estadão:

Filhos de casal gay são batizados em igreja católica de Curitiba

SARA ABDO

O arquivista da igreja disse que a questão dos pais não infringe o sacramento das crianças

Na manhã do domingo, 23, o padre Élio Dall'Agnol realizou o batizado de três adolescentes, filhos adotivos do casal Toni Reis e David Harrad. Juntos há 27 anos, eles decidiram propor o batizado católico para os filhos e, no último fim de semana, participaram da cerimônia na Catedral Basílica de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, em Curitiba.

Em entrevista ao E+, o professor Toni Reis contou que o casal foi em quatro igrejas da capital paranaense e só ouvia não, fosse pela religião anglicana de David, fosse pela agenda, fosse por questões burocráticas. Quando falou com o Arcebispo Metropolitano de Curitiba, Dom José Antonio Peruzzo, Reis recebeu um sim imediatamente. O bispo autorizou o batismo e pediu para padre Élio realizar o sacramento de Alyson, de 16 anos, Jéssica, de 14 anos e Filipe, de 12 anos.

"Foi uma cerimônia muito emocionante", disse Toni, que é uma das lideranças da causa LGBT. Criado sob as concepções da igreja católica, ele disse ter chorado pelo menos três vezes ao se lembrar da mãe, uma mulher muito religiosa. "Na missa o padre falou muito sobre a importância da adoção e de sempre falar a verdade para os filhos".

A cerimônia de batismo, realizada às 11h do domingo, logo após da missa, durou 1h15. "Como nossos filhos já são adolescentes, o padre caprichou e explicou o porque do batismo. Ele fez muito esforço para que o significado do sacramento fosse entendível para os três", disse Harrad. Ele estava acostumado com os batizados de recém-nascidos nas igrejas anglicanas da Inglaterra. Compareceram à cerimônia 40 pessoas.

O arquivista da Catedral, Gabriel Forgati, disse à reportagem que a origem da criança e adolescente não infringe o sacramento. Segundo ele, se os filhos de David e Toni procurarem a mesma igreja para darem continuidade nos sacramentos católicos como catequese e crisma, serão recebidos normalmente. "Nem teria porque ser diferente".

Os cinco membros da família frequentam as missas, juntos, pelo menos todo 1º domingo do mês. Após o batizado, durante o jantar e enquanto tomavam sopa, os pais perguntaram aos adolescentes como se sentiam. Segundo relatou Toni, Alyson se descreveu 'purificado'. Jéssica, que sempre vai à missa, sentia-se incluída: "agora sou católica, com orgulho". O caçula, Felipe, afirmou que mais que nunca eram todos irmãos em Cristo.

O processo. Todo o processo de batismo dos filhos durou sete anos. Foi necessário alterar todos os documentos, dentre eles a certidão de nascimento, que agora registra filho de pai Toni Reis e pai David Harrad. A proposta do sacramento foi feita para os filhos, que não seriam batizados contra a própria vontade. Reis conta que os três são escoteiros, e isso os ajudou muito a valorizar a importância dos princípios e valores na vida.



domingo, 2 de agosto de 2015

Mórmons não querem líderes gays dos escoteiros nos EUA


Matéria publicada no IHU:

Igreja Mórmon dos EUA se opõe a decisão dos escoteiros de permitir líderes gays


A organização de escoteiros Boy Scouts of America suspendeu na segunda-feira (27/7) sua proibição nacional de líderes adultos abertamente homossexuais. 



A reportagem é de Erik Eckholm, publicada pelo jornal The New Yorl Times e reproduzida pelo portal Uol, 29-07-2015.

A nova política, entretanto, permite que as unidades patrocinadas por igrejas escolham os líderes das unidades locais que compartilham seus preceitos, mesmo que isso signifique a restrição desses cargos a homens heterossexuais.

Mesmo com esta exceção, a Igreja Mórmon disse que poderá deixar a organização. Sua postura surpreendeu a muitos e levantou dúvidas se outros patrocinadores conservadores, incluindo a Igreja Católica Romana, não seguirão o exemplo.

"A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias está profundamente preocupada com o resultado da votação de hoje pelo Conselho Executivo Nacional dos Boy Scouts of America", disse um comunicado emitido pela igreja momentos depois dos escoteiros anunciarem sua nova política. "Quando a liderança da Igreja retomar a sua programação regular de reuniões em agosto, a associação de um século com os escoteiros terá de ser reavaliada".

Há apenas duas semanas, a Igreja Mórmon deu a entender que poderia permanecer associada ao grupo, desde que suas unidades pudessem escolher seus próprios líderes.

Os principais líderes escoteiros, incluindo Robert M. Gates, atual presidente e ex-secretário de defesa que promoveu a nova política, não responderam imediatamente à declaração mórmon. Em declarações anteriores, Gates manifestou a esperança de que, com a aprovação da isenção para grupos religiosos, os escoteiros pudessem evitar uma fragmentação devastadora.

Muitos líderes dos Boy Scouts of America disseram que não esperavam a resposta dura da Igreja Mórmon e sua ameaça de deixar a parceria.

"Minha suposição era de que a decisão votada hoje tinha sido avaliada, de modo a evitar surpresas desnecessárias", disse Jay Lenrow, líder escoteiro e voluntário de longa data em Baltimore, que está no comitê executivo da região nordeste e atua no comitê nacional de relações religiosas da organização.

"Eu só posso dizer que eu estou esperançoso de que, quando a liderança da Igreja se reunir e discutir a questão, encontrará uma maneira de continuar a apoiar os escoteiros", acrescentou Lenrow.

Os mórmons usam os Boy Scouts of America como sua principal atividade não religiosa para meninos, e as unidades que patrocinam foram responsáveis por 17% de todos os jovens no escotismo em 2013, o último ano para o qual foram publicados dados.

Sob a política adotada na segunda-feira, a discriminação com base na orientação sexual também será banida em todos os escritórios dos Boy Scouts of America e todos os empregos remunerados –uma medida que visa evitar ações na justiça em Nova York, Colorado e outros Estados que proíbem a discriminação no emprego.

Uma ameaça jurídica foi imediatamente evitada. Em resposta à mudança, o procurador geral de Nova York, Eric T. Schneiderman, anunciou na segunda-feira que seu escritório estava arquivando sua investigação dos escoteiros por violação das leis estaduais de combate à discriminação.

O conselho executivo nacional dos escoteiros, composto de 71 líderes civis, empresariais e da igreja, aprovou as alterações com 79% dos votos daqueles que participaram da reunião por telefone, de acordo com um comunicado emitido pelos escoteiros. O anúncio não disse quantos conselheiros estavam ausentes.

A mudança de política, que já era esperada, foi amplamente vista como um divisor de águas para uma instituição que tem enfrentado crescente turbulência sobre a sua posição em relação a pessoas homossexuais, enquanto se esforça para deter um declínio de longo prazo. Ela foi elogiada por organizações de defesa dos direitos gays como um grande passo, apesar de incompleto, para acabar com a discriminação.

Em 2013, enfrentando crescente pressão pública e interna, os escoteiros decidiram que jovens abertamente gays poderiam participar das atividades, mas não adultos. Essa abordagem não satisfez a ninguém. Ela forcou a expulsão dos homossexuais Eagle Scouts quando completavam 18 anos, mas ainda não impediu a saída de alguns conservadores.

Gates fez uma advertência urgente em maio dizendo que, por causa da cascata de mudanças sociais e legais, a organização não tinha escolha senão acabar com a proibição de líderes gays.

Em uma declaração em 13 de julho, a Igreja Mórmon pareceu sugerir que aceitaria a solução adotada na segunda-feira. A declaração dizia que qualquer novo padrão de liderança deveria preservar "o direito de selecionar líderes escoteiros que adiram aos princípios morais e religiosos consistentes com nossas doutrinas e crenças".

Mas o tom da declaração dos mórmons de segunda-feira após o anúncio formal da nova política de Escoteiros foi marcadamente mais negativo.

"A Igreja sempre recebeu todos os meninos em suas unidades de escoteiros, independentemente da orientação sexual", disse a declaração da sede da Igreja Mórmon. "No entanto, a admissão de líderes abertamente homossexuais é incompatível com as doutrinas da igreja e os valores tradicionais dos Boy Scouts of America".

A declaração também sugeriu outra razão pela qual os mórmons estão pensando em deixar os Boy Scouts of America: a possível criação de uma organização similar própria para servir aos seus membros em todo o mundo.

"Como uma organização global com membros em 170 países, a Igreja há muito vem avaliando as limitações que metade de seus jovens enfrenta onde o escotismo não está disponível", disse o comunicado.

Algumas igrejas evangélicas conservadoras cortaram os laços com os escoteiros após a decisão de 2013 ao admitir jovens abertamente gays. O total de jovens matriculados, que tinha declinado em alguns pontos percentuais em muitos anos anteriores, caiu 6% em 2013 e 7% em 2014, para 2,4 milhões.

É provável que outros conservadores religiosos se afastem, disse Russell D. Moore, presidente da Comissão de Ética e Liberdade Religiosa da Convenção Batista do Sul. Moore expressou ceticismo sobre a promessa dos escoteiros em deixar que unidades patrocinadas pela igreja excluíssem líderes gays por motivos religiosos.

"Depois que os escoteiros mudaram a regra de adesão, eles disseram aos grupos religiosos que isso não afetaria as lideranças", disse ele. "Agora, estão dizendo que essas mudanças não afetarão os grupos de base religiosa. As igrejas sabem que esta é a palavra final somente até o próximo desdobramento".

Por outro lado, com a mudança de segunda-feira, os executivos dos escoteiros esperam renovar os laços com doadores corporativos, escolas e órgãos públicos e atrair pais que tinham afastado seus filhos do escotismo por causa de sua política.

"Vamos continuar a focar em alcançar e servir os jovens, ajudando-os a crescer para se tornarem cidadãos bons e fortes", disse o comunicado dos Boy Scouts of America na segunda-feira.

O desafio mais difícil, dizem os líderes escoteiros, talvez seja conquistar o tempo e o entusiasmo dos jovens cada vez mais urbanos, diversificados e atarefados de hoje. Para aumentar seu apelo, os escoteiros construíram novos campos de aventura com atividades como mountain bike e tirolesa, e criaram novas medalhas de mérito em áreas como robótica e animação.



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