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domingo, 31 de maio de 2015

A morte como experiência comum de todos os seres humanos


Artigo pra lá de interessante publicado no Aleteia:

O que as pessoas sentem ao morrer

Impressionante relato da enfermeira que trabalhou 20 anos na UTI e registrou as mais variadas e irracionais vivências dos pacientes

As unidades de cuidados paliativos e UTI dos hospitais têm uma íntima relação com a morte, proporcionando numerosas experiências que fogem de qualquer explicação racional: pacientes que intuem o momento exato em que vão morrer, outros que parecem decidir por si mesmos o dia e a hora, adiantando ou atrasando sua morte, sonhos premonitórios de familiares ou pressentimentos de terceiras pessoas que, sem nem sequer saber que alguém está internado ou sofreu um acidente, têm a certeza interior de que faleceram.

Somente os profissionais de saúde que trabalham perto dos pacientes terminais conhecem em primeira pessoa o alcance e variedade destas estranhas experiências. A ciência ainda não foi capaz de oferecer uma resposta a estes fenômenos, razão pela qual costumam ser descritos como paranormais ou sobrenaturais – uma etiqueta “vaga demais para a magnitude destas experiências”, segundo explica a enfermeira britânica Penny Sartori, que dedicou 20 anos da sua vida a trabalhar na UTI.

Sua trajetória é suficientemente sólida para garantir que ela já viu de tudo, tornando-se capaz de intuir padrões e elaborar hipóteses sobre estes fenômenos. Tanto é assim, que dedicou sua tese de doutorado a este tema, e cujas principais conclusões compartilha no livro “The Wisdom Of Near-Death Experiences” (Watkins Publishing).

“Alucinações” compartilhadas por familiares

Ao longo de sua vida profissional, Penny teve contato com pacientes que viveram experiências de quase-morte (EQM), bem como com familiares que viveram de perto experiências de morte compartilhada. A quantidade e repetição de padrões levam a enfermeira a descartar a hipótese do acaso e a da impossibilidade de encontrar um raciocínio lógico para este estendido fenômeno.

Cerca de 75% dos pacientes esperam estar sozinhos no quarto para morrer.

Sua tese principal se centra em que “nosso cérebro é independente da consciência. É o meio para canalizá-la, razão pela qual, na realidade, é fisicamente alheia ao corpo”. Esta ideia explicaria, segundo ela, por que “a alma e a consciência podem ser vivenciadas à margem do corpo”, como nas EQM ou na meditação budista.

Penny apresenta inúmeros exemplos em seu livro, mas todos coincidem em que os pacientes que vivem estas EQM são sempre os que abraçam a morte de maneira mais tranquila e feliz, assim como os familiares que pressentem a morte dos seus entes queridos. Por quê? Segundo as entrevistas que ela fez a estes últimos, isso se deve a que estão convencidos de que só se trata do fim da vida terrena.

Independentemente do fato de serem pessoas religiosas, agnósticas ou ateias, todas elas têm o sonho ou a visão de como seu familiar vai embora deste mundo guiado por alguém (cônjuges já falecidos, seres anônimos ou anjos) e o faz com uma clara sensação de “paz e amor”.

“No começo, me chamava a atenção o fato de que alguns familiares de falecidos não se sentissem tristes após receberem a notícia da morte do seu ente querido, mas, ao entrevistá-los, percebi que, na verdade, estavam tranquilos porque tinham experimentado essa sensação de transcendência da vida”, contou Penny.

Escolhendo o momento “mais apropriado” para morrer

Este é o caso das pessoas que, sabendo quando vão morrer, pedem para ficar um momento a sós no quarto ou o fazem precisamente quando o familiar (que permanece o tempo todo ao seu lado) as deixa por um momento para ir ao banheiro.

Outros casos igualmente chamativos são os das pessoas que morrem justamente depois de ver algum familiar que ainda não havia podido visitá-las (por exemplo, por estar viajando), ou quando terminam toda a papelada de heranças e seguros de vida. “Parecem estar à espera de que um evento específico ocorra para permitir-se morrer”, relatou a enfermeira.

Sensação de transcendência em religiosos, agnósticos e ateus

O diretor do Tucson Medical Center, John Lerma, especialista em cuidados paliativos, recopiou exemplos muito similares aos citados por Penny em “Into the Light: Real Life Stories About Angelic Visits, Visions of the Afterlife, and Other Pre-Death Experiences” (New Page Books). Segundo seus relatórios, cerca de 75% dos pacientes esperam que seus parentes saiam do quarto para morrer.

Penny se nega a acreditar que estas vivências sejam motivadas por alucinações: “Não é possível que várias pessoas vejam a mesma coisa e sejam capazes de descrever o que viram exatamente da mesma maneira, quando se trata de uma percepção distorcida da realidade”.

Seus estudos mais novos se centram nas vivências compartilhadas pelas pessoas que acompanham os que estão em transe de morte. “Abrem uma via completamente nova de iluminação racional sobre a questão da vida após a morte, porque as pessoas que comunicam estas experiências são saudáveis. Costumam estar sentadas junto ao leito de morte de um ente querido quando têm uma dessas experiências maravilhosas e misteriosas.”

Novos rumos de pesquisa

O recurso – cínico, segundo Penny – de explicar este fenômeno a partir de disfunções cerebrais tampouco se sustenta com os exemplos de pessoas internadas com Alzheimer avançado que repentinamente recuperam a capacidade de raciocínio.

“São pacientes em estado terminal da doença, incapazes de articular palavras, e de repente, de forma surpreendente, começam a falar com total coerência, interagindo com pessoas que não estão no quarto e que frequentemente são familiares mortos”, explica a autora.

Além disso, acrescenta, “costumam ficar em paz após esta experiência e acabam morrendo com um sorriso nos lábios, geralmente um ou dois dias depois”.

O argumento de que estas visões são induzidas pelos fármacos tampouco é aceito pela autora, porque, segundo ela, “os remédios causam ansiedade, todo o contrário do que os pacientes sentem nessas horas”.

A enfermeira defende em seu livro que este tipo de vivências, recopiladas ao longo de toda a sua vida profissional, podem ser importantes para demonstrar a existência de uma vida depois da morte e que, pelo menos, devem abrir uma nova linha de pesquisa (como algumas que partem da física quântica) para os estudos científicos.

Ela diz estar convencida de que “a morte não é tão temível como costumamos imaginar”.



domingo, 2 de novembro de 2014

Como é morrer afinal?


Matéria da revista Superinteressante publicada no Brasil Post:

O que acontece com o seu corpo quando você morre?

Otavio Cohen e; Karin Hueck

Quando Steven Thorpe chegou ao Hospital Universitário de Coventry, no Reino Unido, a equipe médica disse à família que não havia mais nada a fazer. O adolescente de 17 anos havia sofrido ferimentos gravíssimos na cabeça em um acidente de carro e os danos no seu cérebro eram irreversíveis. O diagnóstico era morte encefálica. Mas a família não perdeu as esperanças. O procedimento que comprova a ausência total de atividade cerebral foi realizado mais 3 vezes, até que o quinto exame revelou ondas cerebrais fraquíssimas — o que significava uma chance de sobrevivência. Duas semanas depois, Steven acordou do coma e começou a se recuperar. O caso, que chamou a atenção da medicina em 2008, mostra que o limite entre a vida e a morte é mesmo tênue.

Se um procedimento errado quase acabou com a vida de um jovem em pleno século 21, dá para imaginar por que a morte ainda assusta os médicos (para nem falar de nós, reles mortais). Duzentos anos atrás, quando não existiam aparelhos que identificassem os sinais vitais, os diagnósticos errados para o fim da vida eram frequentes. Em 1846, a Academia de Ciências de Paris aceitou que a morte significa a ausência de respiração, de circulação e de batimentos cardíacos. Mas mais de um século depois, outro francês, Paul Brouardel, concluiu que o coração não sustenta a vida sozinho. Uma pessoa decapitada pode ter batimentos cardíacos por uma hora, o que não quer dizer que ela esteja viva.

Quando surgiram os respiradores artificiais nos anos 1950, os critérios para definir o fim da vida ficaram ainda mais confusos. Ficou decidido que ele acontece quando as células do cérebro param totalmente de funcionar e desligam o encéfalo, a parte do sistema nervoso central que controla funções automáticas, como a respiração e a circulação. Geralmente, isso acontece depois de acidentes ou AVCs. A morte cerebral permite a doação de órgãos — já que o resto do corpo continua intacto e imune à dor. (Embora existam relatos de reações parecidas com às da dor na hora da retirada dos órgãos, como batimentos cardíacos acelerados e pressão alta.) Na teoria, o cérebro é a placa mãe de um computador. Quando ela queima, a máquina não funciona mais, mesmo que todas as outras peças ainda estejam em bom estado. A explicação parece simples, né? Mas daí a identificar com precisão quando isso acontece é outra história.

O fim — ou não

De certa forma, a primeira definição de morte, a da ausência de circulação e respiração, não está totalmente errada. Estima-se que em 99% dos casos são as falhas no coração e no pulmão que encerram de vez a vida (só 1% dos casos tem origem na morte cerebral). Pense de novo na analogia do computador. O sistema coração-pulmão é a bateria da máquina, que garante o funcionamento das outras peças. Quando essa bateria descarrega, você pode continuar usando o computador ligado à tomada. É o que acontece com grávidas que não têm mais sinais cerebrais, mas que são mantidas "vivas" por aparelhos até dar à luz. De acordo com o americano Dick Teresi, autor do livro The Undeath ("Os Não-Vivos"), desde 1981, 22 mulheres tiveram bebês estando clinicamente mortas. Seus corpos estavam vivos — mas o cérebro já não os controlava mais.

Por isso, para compreender a morte, é preciso entender como trabalha a nossa "bateria". O coração funciona com estímulos elétricos que provocam a contração (que joga o sangue para frente) e o relaxamento (que o enche novamente). É muito importante que esses movimentos sejam sincronizados. Se o coração bater rápido demais, não dá tempo de enchê-lo totalmente e a quantidade de sangue bombeada para o corpo diminui. Bater devagar demais também não é bom sinal, pelo mesmo motivo: vai faltar sangue para manter as condições vitais. Isso é especialmente perigoso para os pulmões. Sem sangue por lá, eles não levam mais oxigênio para as células. Sem oxigênio não há metabolismo e, bem, sem metabolismo as células morrem. Para um médico, a ausência de batimentos cardíacos é uma corrida contra o tempo. "Depois de 8 minutos, a chance é extremamente pequena", diz o cardiologista Diego Chemello, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Mas a prática é continuar tentando. Em 2012, o jogador de futebol congolês Fabrice Muamba ficou 78 minutos com o coração parado, e até hoje ninguém sabe direito como. O mais provável é que a atividade elétrica do coração dele nunca tenha zerado totalmente e o oxigênio que ele recebeu por aparelhos tenha garantido sua sobrevivência.

Além das batidas irregulares, a parada cardíaca pode ser causada por um infarto, responsável por 70% das mortes súbitas no Brasil. O sangue que chega ao coração pela artéria coronariana vem cheio de glicose, ácidos graxos e sais minerais que controlam a atividade elétrica do músculo. Se essa artéria é obstruída por gordura (o famigerado colesterol), o suprimento de nutrientes é interrompido e acontece uma pane elétrica. De fato, o infarto é um problema elétrico. Por isso que o aparelho preferido dos paramédicos de séries de TV se chama desfibrilador. O impacto do choque é de 200 joules, o suficiente para acender uma lâmpada de 100 watts por dois segundos — e para botar nosso coração no ritmo.

Se o coração parar de bater, a circulação é interrompida na mesma hora. Nos 3 primeiros minutos, a recuperação é quase certa porque o organismo tem reserva de oxigênio e nutrientes (sim, toda a nossa vida só deixa 3 minutos de economias). Mas isso logo acaba e as células param de funcionar. As do cérebro puxam a fila. É nos neurônios que são feitas as reações químicas e elétricas mais complexas do corpo, que mais precisam de oxigênio. Para se ter uma ideia, o tecido cerebral recebe 10 vezes mais sangue que o muscular, que realiza uma função mecânica e bem menos complicada — o movimento. "Depois de 5 minutos, pode haver danos permanentes", diz o cardiologista Guilherme Fenelon. A consequência pode ser perda da fala ou dos movimentos, por exemplo. Mas também pode ser bem mais esquisita: em 2011, a escocesa Debbie McCann acordou de um derrame com um problema que fez sua fala ficar parecida com sotaque italiano. E teve também o caso do jogador de rúgbi que saiu do armário depois de um AVC.

No fim das contas, seu corpo não foi feito para viver para sempre. No fim, o coração vai parar de bater, a respiração vai cessar e, como uma lâmpada, o cérebro vai se apagar. A vida acaba aí. Mas a morte, não. Ela está apenas começando.



A morte como ela é

Antes de virar pó, nosso corpo vira um monte de outra coisa:

0 minuto — Ao contrário do que diz o clichê, ninguém "cai duro no chão" ao morrer. Como o sistema nervoso não libera mais os neurotransmissores que contraem os músculos, o cadáver fica totalmente flácido.

5 minutos — O corpo deixa de responder a estímulos externos. Não há mais respiração nem batimentos cardíacos.

1 hora — É hora do sangue parar. Primeiro, coagula o conteúdo das veias, por onde o sangue corria mais lentamente. O líquido das artérias segue a gravidade e fica perto do chão, onde a pele fica azulada.

2 horas — Sem circulação não há metabolismo. Sem metabolismo, não há calor. O corpo, que estava a 36,5°C, começa a se resfriar, 1°C por hora até entrar em equilíbrio com o ambiente.

3 horas — O corpo fica rígido quando as reservas de ATP dos músculos acabam. Quanto mais musculosa for a pessoa, mais reservas de energia ela terá, e mais vai demorar para endurecer. A primeira parte do corpo que enrijece é o rosto, que tem músculos menores. Depois, endurecem os ombros, braços e tórax.

De 5 a 8 horas — Sem oxigênio, as células das paredes dos vasos necrosam e ficam frágeis, principalmente nos capilares dos dedos, que são mais finos. Acontece a hipóstase: o sangue sai dos vasos e impregna os tecidos vizinhos.

8 horas — O corpo continua a enrijecer. Os músculos das pernas finalmente se contraem. Por causa disso, os dedos do cadáver podem estar levemente fechados e os joelhos, um pouco dobrados.

12 horas — O corpo é como uma toalha molhada no varal. Depois de um tempo, a água evapora e os tecidos se retraem. Os olhos ficam fundos, os lábios escuros, e pelos e unhas parecem crescer - mas é a pele que se retraiu.

24 horas — Um adulto de 75 quilos pode perder até 1,3 quilo de sua massa nas primeiras 24 horas, graças à evaporação de água (nada dos famosos 23 g que a ficção diz ser o peso da alma). Se o cadáver estiver no calor, ao ar livre, pode ficar seco, como carcaças de animais no deserto.

2 dias — As bactérias continuam a liberar gases, o que faz com que o corpo inche. O cheiro piora por causa da decomposição das proteínas do corpo, e um líquido avermelhado, resultado do rompimento dos alvéolos pulmonares, pode sair pela boca e narinas.

3 dias — O corpo, que até então estava rígido, volta à flacidez. Isso porque os tecidos musculares já estão se decompondo. A ordem é a mesma do endurecimento: primeiro a cabeça, depois braços e tronco e, por fim, as pernas.

Mais de 7 dias — Se o corpo estiver em um ambiente com muita umidade e temperatura alta, a gordura do corpo em decomposição reage com sais do solo (como o potássio) e o cadáver fica macio e escorregadio, como um sabão. Em seguida, o corpo começa a desaparecer até sobrarem só os ossos.






sábado, 11 de outubro de 2014

Cientistas dizem que consciência sobrevive até 3 minutos depois da morte


Matéria publicada n'O Globo de 07/10/14:

Consciência pode permanecer por até três minutos após a morte, diz estudo

Cientistas entrevistaram pacientes que chegaram a ter morte clínica, mas voltaram à vida

RIO - Aquele túnel com uma luz brilhante no fundo e uma sensação de paz descritos por filmes e outras pessoas que alegaram ter passado por experiência de quase morte podem ser reais. No maior estudo já feito sobre o tema, cientistas da Universidade de Southampton disseram ter comprovado que a consciência humana permanece por ao menos três minutos após o óbito biológico. Durante esse meio tempo, pacientes conseguiriam testemunhar e lembrar depois de eventos como a saída do corpo e os movimentos ao redor do quarto do hospital.

Ao longo de quatro anos, os especialistas examinaram mais de duas mil pessoas que sofreram paradas cardíacas em 15 hospitais no Reino Unido, Estados Unidos e Áustria. Cerca de 16% sobreviveram. E destes, mais de 40% descreveram algum tipo de "consciência" durante o tempo em que eles estavam clinicamente mortos, antes de seus corações voltarem a bater.

O caso mais emblemático foi de um homem ainda lembrou ter deixado seu corpo totalmente e assistindo sua reanimação do canto da sala. Apesar de ser inconsciente e "morto" por três minutos, o paciente narrou com detalhes as ações da equipe de enfermagem e descreveu o som das máquinas.

- Sabemos que o cérebro não pode funcionar quando o coração parou de bater. Mas neste caso, a percepção consciente parece ter continuado por até três minutos no período em que o coração não estava batendo, mesmo que o cérebro normalmente encerre as atividades dentro de 20 a 30 segundos após o coração – explicou ao jornal inglês The Telegraph o pesquisador Sam Parnia.

Dos 2.060 pacientes com parada cardíaca estudados, 330 sobreviveram e 140 disseram ter experimentado algum tipo de consciência ao ser ressuscitado. Embora muitos não se lembrassem de detalhes específicos, alguns relatos coincidiram. Um em cada cinco disseram que tinha sentido uma sensação incomum de tranquilidade, enquanto quase um terço disse que o tempo tinha se abrandado ou se acelerado.

Alguns lembraram de ter visto uma luz brilhante, um flash de ouro ou o sol brilhando. Outros relataram sentimentos de medo, afogamento ou sendo arrastado pelas águas profundas. Cerca de 13% disseram que se sentiam separados de seus corpos.

De acordo com Parnia, muito mais pessoas podem ter experiências quando estão perto da morte, mas as drogas ou sedativos utilizados no processo de ressuscitação podem afetar a memória:

- As estimativas sugerem que milhões de pessoas tiveram experiências vivas em relação à morte. Muitas assumiram que eram alucinações ou ilusões, mas os relatos parecem corresponder a eventos reais. E uma proporção maior de pessoas pode ter experiências vivas de morte, mas não se lembrarem delas devido aos efeitos da lesão cerebral ou sedativos em circuitos de memória.



domingo, 16 de março de 2014

Experiências fora do corpo podem ser induzidas virtualmente


Matéria publicada no Canna Club:

Experiência fora do corpo é desencadeada por realidade virtual

Projeção da consciência, experiência extracorporal, desdobramento espiritual, emancipação da alma, projeção astral ou viagem astral são termos usados alternativamente para designar as experiências fora-do-corpo ou estados alterados de consciência, que podem ser supostamente realizadas por qualquer pessoa, por meio do sono, via meditação profunda, técnicas de relaxamento, ou involuntariamente, durante episódios de paralisia do sono, trauma, variações abruptas da atividade emocional e estresse, experiência de quase-morte, deprivação sensorial, estimulação elétrica do giro angular direito do cérebro, estimulação eletromagnética, experiências de ilusão de óptica controladas, e através de efeitos neurofisiológicos por indução química de substâncias comumente descritas como drogas.

Exemplos de tais substâncias correlacionadas com a fenomenologia das experiências extra-corpóreas são o Cloridrato de cetamina, a Galantamina, a Metanfetamina, o Dextrometorfano, a Fenilciclidina e a Dimetiltriptamina (presente na bebida ritualística Ayahuasca)

É fácil perceber que são muitas as causas que poderiam levar as pessoas a este estado notável, frequentemente associado a manifestações espirituais segundo religiosos de várias correntes de fé. Mas uma nova pesquisa realizada por Jane Aspell da Anglia Ruskin University, no Reino Unido e Lukas Heydrich, do Instituto Federal Suíço de Tecnologia, em Lausanne, mostra que uma EFC poderia ser disparada apenas colocando um indivíduo para assistir um vídeo de si mesmo com seu batimento cardíaco projetado sobre ele.De acordo com o estudo, é fácil enganar a mente fazendo com que ela acredite pertencer a um órgão externo e manipular a auto-consciência de uma pessoa simplemente externalizando os ritmos internos de seu corpo.

Os voluntários do estudo foram equipados com uma espécie "óculos de realidade virtual" (um head mounted display - HMD, ou monitor montado na cabeça) e foram filmados em tempo real por uma câmera de vídeo conectada ao HMD, o que lhes permitiu ver o seu próprio corpo em pé a dois metros a frente dos mesmos.

Sincronizado através de sinais da pulsação dos voluntários usando eletrodos, o momento da batida do coração foi usado para acionar um flash brilhante que foi sobreposto contornando o corpo virtual, visto através do HMD.

Depois de assistir o brilho do contorno acendendo e apagando em sincronia com os batimentos cardíacos durante vários minutos, os participantes da pesquisa experimentaram uma forte identificação com o corpo virtual, relatando que eles o sentiam mais como seu próprio corpo. Eles também perceberam que estavam em um local diferente na sala do que em seu corpo físico, relatando sentirem estar mais próximos de seu dublê do que eles realmente estavam, e eles experimentaram toque em um local fora de seu corpo físico.

"Esta pesquisa demonstra que a experiência de si mesmo pode ser alterado quando apresentado informações sobre o estado interno do próprio corpo, como uma batida do coração." - Jane Aspell

As descobertas da investigação podem levar a novos tratamentos para pessoas que sofrem de distúrbios de percepção, como a anorexia e transtorno dismórfico corporal. Aspell atualmente trabalha em um estudo sobre o "efeito sanfona" em pessoas que fazem dietas e suas mudanças de auto-percepção com o ganho e a perda de peso.

"Pacientes com anorexia, por exemplo, têm uma desconexão de seu próprio corpo. Eles olham no espelho e acham que eles são maiores do que realmente são. Isso pode ocorrer porque seu cérebro não atualiza sua representação do corpo depois de perder peso, e o paciente, portanto, fica preso com uma percepção maior de si próprio, que está desatualizada." - Jane Aspell



quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Filmes bíblicos invadirão cinemas em 2014


2014 promete: a Bíblia invadirá as telonas!

É que nada mais, nada menos que 5 possíveis blockbusters ("estouros de bilheteria") estão programados a serem lançados neste ano.

Por mais que tenham os tradicionais fins mercadológicos, não deixa de ser interessante essa retomada de temas bíblicos numa sociedade cada vez mais afastada de Deus.

Confira a lista:

1) "Filho de Deus" ("Son of God")

Previsto para estrear em fevereiro, o filme é baseado na série televisiva "A Bíblia" que foi reproduzida recentemente no Brasil pela Record, com o ator português Diogo Morgado no papel de Jesus.


2) "Noé" ("Noah")

Conforme já comentamos em novembro de 2013, um elenco estelar foi escalado para exibir nos cinemas a narrativa bíblica do dilúvio dos tempos de Noé, ao que parece com muito mais "licença poética" do que se esperaria.

Com Russel Crowe no papel-título, Anthony Hopkins, Jennifer Connely e Emma Watson completam o time de celebridades hollywoodianas que compõem o elenco.


3) "O Céu é de Verdade" ("Heaven is For Real")

Ainda que não tenha explicitamente uma temática bíblica, "O Céu é de Verdade" se baseia no livro de mesmo nome que conta a história do garoto Colton Todd Burpo, filho do pastor evangélico americano Todd Burpo, que, pouco antes de completar 4 anos de idade, teve uma experiência de quase-morte e, segundo alega, teria ido ao paraíso e conversado com o próprio Jesus Cristo.

Com lançamento previsto para pouco antes da Semana Santa, ao que parece se trata de uma estranha versão gospel de "Esqueceram de Mim", com roteiro ao contrário, se é que dá para entender o que isto significa.


4)"Êxodo" ("Exodus")

Se você pensava que, depois do gigantesco sucesso de "Os Dez Mandamentos" (1956), ninguém em Hollywood ousaria fazer outro filme com base no relato bíblico do livro de Êxodo, pode tirar o seu cavalo da chuva e botá-lo no deserto do Sinai.

Para o papel que consagrou Charlton Heston, o Moisés da vez será o ex-Batman Christian Bale, com a ex-Alien Sigourney Weaver segurando as pontas do outro lado dessa superprodução que, ao que tudo indica, também usará e abusará da licença poética para imaginar, digamos, variantes não escritas no texto de Êxodo.

O diretor é Ridley Scott, conhecido por vários outros bons filme de época, como "Gladiador" e "Cruzada", e se especula que será o grande sucesso de bilheteria do Natal de 2014.


5) "Mary, Mother of Christ" ("Maria, Mãe de Cristo")

Também prevista para o Natal de 2014, depois de uma série de atrasos na produção (para você ter uma ideia, Peter O'Toole, falecido em dezembro de 2013, participou do filme), "Maria, Mãe de Cristo" tem seu foco, como o próprio nome indica, na vida de Maria.

Compõem o elenco, entre outros, Ben Kingsley e Julia Ormond, com a jovem atriz israelense Odeya Rush, de 16 anos de idade, no papel-título.

Um dos grandes promotores do filme é Joel Osteen, o pastor-celebridade da Lakewood Church de Houston (Texas) e amigo de Oprah Winfrey nas horas vagas.

Ainda não há trailer oficial.





domingo, 22 de setembro de 2013

Ciência tenta explicar experiências de quase-morte


Artigo da BBC traduzido e adaptado por Bruno Calzavara para o HypeScience:

Experiências de quase-morte explicadas pela ciência

Um dos maiores mistérios da medicina está próximo de ser revelado. Cientistas relatam que uma onda de atividade elétrica no cérebro pode ser a responsável pelas experiências descritas por pacientes no limite entre a vida e a morte.

Um estudo realizado em ratos moribundos encontrou altos níveis de ondas cerebrais no momento da morte dos animais. Pesquisadores americanos disseram que, em humanos, isto pode dar origem a um estado elevado de consciência. A pesquisa foi publicada na revista “Proceedings of National Academy of Sciences”.

O que realmente são experiências de quase morte?

A autora principal do estudo, Jimo Borjigin, da Universidade de Michigan, Estados Unidos, conta que muita gente pensava que o cérebro, após a morte clínica, se tornava inativo ou hipoativo; ou seja, com menos atividade do que o estado de consciência. Mas o estudo conduzido pela sua equipe provou que este definitivamente não é o caso. “Muito pelo contrário, o cérebro de torna muito mais ativo no processo de óbito do que durante nossa vida rotineira”, ressalta.

Memórias das experiências de quase-morte são mais reais que a realidade?

De luzes brancas brilhantes e experiências fora do corpo à sensação de assistir à vida passando diante de seus olhos, os relatos das pessoas que estiveram perto da morte e conseguiram sobreviver são semelhantes em todo o mundo. No entanto, estudar este assunto em seres humanos é um desafio, e essas visões são bem pouco compreendidas.

Experiência de quase-morte: realidade ou alucinação?

Para se aprofundar no tema, os cientistas da Universidade de Michigan monitoraram nove ratos durante seus últimos instantes de vida. No período de 30 segundos depois que o coração do animal parou de bater, eles registraram um aumento acentuado nas ondas cerebrais de alta frequência, chamadas de oscilações gama. Estes impulsos são uma das características dos neurônios que se acredita estar relacionada à consciência em humanos, especialmente porque ajudam na ligação de informações de diferentes regiões do cérebro.

10 Ocorrências próximas e pós-morte

Nos ratos, esses pulsos elétricos foram encontrados em níveis muito mais elevados logo após a parada cardíaca do que quando os animais estavam acordados e bem. Borjigin afirma que é possível que esse mesmo processo aconteça no cérebro humano – e um nível elevado de atividade cerebral e de consciência pode ser a origem das visões comuns em experiências de quase-morte.

“Isso pode nos dar um panorama para começarmos a explicar estes fenômenos. O fato de os pacientes verem ‘a luz’ talvez indique que o córtex visual no cérebro está altamente ativado. E temos provas para sugerir este pode ser o caso, porque vimos um aumento das oscilações gama na área do cérebro que fica no topo do córtex visual”, explica.

“Nós observamos que houve aumento na interação entre as ondas de baixa frequência e as gama, que é conhecida por ser uma característica da consciência visual e sensação visual”. No entanto, a cientista ressalta que, para confirmar estes resultados, seria necessário um estudo realizado com humanos que tiveram a morte clínica declarada e foram ressuscitados.

Ao comentar a pesquisa, o especialista Jason Braithwaite, da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, explica que o fenômeno parece ser o “último suspiro” do cérebro. “Esta é uma demonstração mais oficial de uma ideia que já existe há muito tempo: a de que, sob certas circunstâncias desconhecidas e confusas, como as experiências de quase-morte, o cérebro fica superestimulado e excitado acima da média”, diz.

“Como ‘o fogo ardente através do cérebro’, as atividades podem surgir em áreas do cérebro envolvidas em experiências conscientes, fornecendo todas as percepções resultantes de uma experiência real, com emoções e sentimentos verdadeiros”, acrescenta.

O pesquisador, no entanto, lembra que existe a limitação de que não se sabe quando, no tempo, a experiência de quase-morte realmente ocorre: talvez aconteça antes de os pacientes receberam anestesia ou em algum ponto seguro durante uma operação, bem antes de uma parada cardíaca.

“No entanto, para aqueles casos em que as experiências ocorrem próximas ao momento da parada cardíaca – ou além dela –, essas novas descobertas fornecem mais informações para revelar como o cérebro conduz essas experiências fascinantes e marcantes”.

O cientista Chris Chambers, da Universidade de Cardiff, no País de Gales, considerou o estudo muito interessante e bem conduzido. “Sabemos muito pouco sobre a atividade do cérebro durante a morte, muito menos sobre a atividade cerebral consciente. Estes resultados abrem a porta para novos estudos em seres humanos”, considera.

Entretanto, Chambers acredita que é preciso ser “extremamente cauteloso” antes de se tirar conclusões sobre experiências de quase-morte em humanos. “Uma coisa é medir a atividade cerebral em ratos durante a parada cardíaca, e outra bem diferente é relacionar este fato às experiências humanas”, conclui.



quinta-feira, 25 de abril de 2013

Lázaro ressurge: médico diz que algumas pessoas podem ser ressuscitadas horas depois da "morte"

"A Ressurreição de Lázaro", por Rembrandt

Já publicamos aqui vários relatos sobre experiências de quase-morte, e agora um médico americano escreve um livro afirmando que é possível ressuscitar alguém horas depois de sua "morte". Não por acaso o título do livro é "O Efeito Lázaro".

A matéria é da BBC Brasil:

Pacientes podem ser ressuscitados horas após morte, diz médico

William Kremer

Um médico defende que uma pessoa pode ser ressuscitada várias horas depois de seu coração parar de bater. Será que isto pode mudar a forma como encaramos a morte?

Carol Brothers não consegue se lembrar da hora em que "morreu", há três meses.

"Eu sei que era uma sexta-feira, na hora do almoço, porque a gente tinha acabado de voltar do supermercado", conta a britânica de 63 anos. "Mas não me lembro de ter saído do carro."

Já seu marido David tem memórias muito mais claras daquele dia. Ele abriu a porta de casa e viu a mulher caída no chão, ofegante e pálida. Carol acabara de sofrer uma parada cardíaca. Por sorte, um vizinho conhecia os procedimentos básicos de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) e rapidamente começou a pressionar seu tórax repetidas vezes na tentativa de reanimá-la.

Os paramédicos chegaram logo em seguida e, em algum momento entre 30 e 45 minutos depois do ataque cardíaco, o coração de Carol voltou a bater. "Apesar de 45 minutos ser um tempo enorme que levaria muitas pessoas a acreditarem que ela estaria morta, hoje sabemos que há pessoas que voltaram a vida três, quatro, cinco horas após morrerem e depois disso tiveram vidas normais", diz o médico Sam Parnia, diretor de pesquisa sobre ressuscitação na Stony Brook University, em Nova York.

Muitas pessoas consideram uma parada cardíaca como sinônimo de morte, diz ele. Mas muitas vezes não é o fim.

O efeito de Lázaro

Parnia é autor do livro, Lazarus Effect ("O Efeito de Lázaro", em tradução livre, uma alusão à passagem bíblica que relata que Jesus ressuscitou Lázaro quarto dias após sua morte). Ele explica que depois que o cérebro para de receber oxigênio por meio da circulação sanguínea, não morre imediatamente, mas entra em estado de hibernação, uma forma de se defender do processo de decomposição.

E o "acordar" desse estágio de hibernação pode ser o momento mais crítico de todos, já que o oxigênio pode se tornar tóxico para o cérebro. O efeito, compara Parnia, é como o de um tsunami após um terremoto, e a melhor resposta é resfriar os pacientes, de 37ºC para 32ºC.

"A razão pela qual a terapia de resfriamento funciona bem é porque desacelera a decomposição do cérebro", diz Parnia.

E foi nesse momento que Carol Brothers teve sorte. Depois que seu coração voltou a bater, ela foi transferida para um helicóptero, onde um médico a resfriou utilizando pacotes de comida congelada que ela havia acabado de comprar.

Depois de dias em coma na UTI, durante os quais exames sugeriam que ela estava com morte cerebral, Carol acordou.

"Ela me disse três palavras", relembra a filha Maxine. "Estou voltando para casa", teria dito Carol, sussurrando.

Deus ou diabo

Sam Parnia é fascinado por relatos de pacientes que sentiram a morte de perto.

"Pessoas no mundo todo descrevem experiências semelhantes, mas a interpretação do que eles veem depende muito de sua crença", diz ele.

Essas descrições incluem viagens em túneis iluminados, encontros com figuras angelicais, recordações de eventos passados e, em alguns casos, a sensação de se observar a mesa de cirurgia da perspectiva de quem está "fora do corpo".

O médico está atualmente trabalhando com vários hospitais para investigar relatos desse tipo de experiências "fora do corpo". Como parte do estudo, os pesquisadores posicionaram objetos em prateleiras em salas de operação, que só podem ser observados do alto.

Caroline Watt é psicóloga na Universidade de Edimburgo especializada em examinar relatos paranormais. De mente aberta, ela é também crítica. Ela foi coautora de um artigo que sugere que a sensação da morte pode ser baseada em atividades neurológicas.

Ela afirma que um estudo indica que cerca de metade dos pacientes que disseram ter visto a morte de perto tiveram essa experiência sem estar perto de morrer. Essa sensação foi vivida em momentos de grande expectativa de experiência traumática, como no caso de um nascimento, quando se da à luz, por exemplo. Isso sugere que, qualquer que tenha sido essa sensação, ela não chega a ser uma amostra do que pode ser experimentado perto ou depois da morte.

Ruth Lambert diz ter tido a sensação da morte depois que uma queda interrompeu a circulação de sangue para seu cérebro.

"Foi uma sensação de boas-vindas e de estar indo para um lugar melhor", relembra. "Eu senti a presença forte de Deus, de que não era a minha hora, e então eu acordei".

Desde então, ela disse ter ouvido relatos de outras pessoas que quase morreram. Ela se lembra especificamente de um homem que voltou do coma horrorizado.

"Ele achava ter visto o diabo se aproximando e dizendo: você é meu agora, peguei você."

Se Carol Brothers viu Deus ou o Diabo, ela não se lembra.

"Nenhum dos dois me quis. Eles jogaram cara ou coroa e a moeda caiu em pé."



quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Pessoas que "morreram" e voltaram à vida desenham sua quase-morte

Experiências de quase-morte são recorrentes nas mais diferentes culturas, e suas descrições após o retorno à vida estão intimamente ligadas à visão de mundo compartilhada pelas pessoas e pela sociedade com as quais convive o quase-morto.

Assim, por exemplo, como já tivemos oportunidade de notar aqui, ao passar pela quase-morte os americanos veem túneis de luz e os japoneses, jardins floridos.

O inconsciente coletivo exerce, portanto, um papel preponderante na, por assim dizer, "lembrança" do que ocorreu naqueles momentos em que a pessoa estava temporariamente "morta".

Por isso é muito interessante os distintos relatos que o The Daily Beast trouxe, algumas semanas atrás, sobre pessoas que passaram pela quase-morte, conforme passamos a reproduzir de agora em diante.

A narração de uma experiência próxima da morte remonta à "República" de Platão, tendo sido registrada em outros momentos pela veia artística de pintores como El Bosco, em seu quadro "Ascensão da Santíssima".

Na pintura em questão, as almas são levadas ao céu por criaturas aladas (seriam anjos?) mediante uma espécie de "rapto iluminado".



Entretanto, a arte moderna não se preocupa mais em registrar esses momentos transcendentais últimos, tema que o livro "The Big Book of Near-Death Experiences" procura resgatar.

Na obra estão reunidas algumas ilustrações desenhadas pelas próprias pessoas que alegam ter passado pela experiência de quase-morte, na qual tiveram, digamos, "visões" um tanto quanto exóticas, para não dizer esotéricas:

1) Tannis Prouten, por exemplo, uma moça de 20 anos de idade, deprimida e a um passo da anorexia. Seu desenho tenta registrar uma onda de "calor amoroso" que a fez levitar e a carregou até um canto da sala. Ela passou pela parede e, através das trevas, sentiu esferas de brilho suave a espreitando, como se fossem presenças espirituais.

Finalmente, as trevas cederam à luz, e Prouten se lembra de ter experimentado uma completa euforia: "eu me senti loucamente apaixonada pelo Espírito da Verdade!".



2) Tonya era jovem ainda quando ela quase se afogou na piscina de casa. Enquanto estava inconsciente, ela diz ter visto uma mulher radiante, etérea, cuidando amorosamente dela. Acrescenta que, alguns anos depois, a mesma mulher reapareceu quando sua filha foi atacada por um cão e precisou de uma cirurgia plástica facial. Tonya acha que essa mulher é seu anjo da guarda.



3) O relato de Scott vai pelo lado tenebroso, digamos. Ele tinha 6 anos de idade quando foi atropelado e ficou inconsciente por várias horas. Durante este período, Scott tentou (inutilmente) segurar no braço de seu pai com uma espécie de (seu) braço de fantasma, enquanto gritava pelo irmão mais velho para brincar com ele.

O irmão se recorda de haver comentado com os pais que ele podia ouvir a voz de Scott na hora do acidente.

Depois, Scott escorregou por uma espécie de túnel de ar escuro, que o levou a um lugar monstruoso de carne podre ao qual ele chama de "diabo" (que está do lado esquerdo do desenho). A figura do lado direito foi redesenhada 5 anos depois do atropelamento.

O diabo teria acusado Scott de ser mau e o ameaçou com ficar com ele para sempre. Quem o consolou foi seu tio (já morto à época), ainda enrolado na túnica do hospital em que morreu, até que o garoto foi colocado numa espécie de masmorra, de onde finalmente recobrou a consciência e voltou à vida.



4) Gracie Sprouse se lembra também de quase ter se afogado quando tinha 11 anos de idade. No desenho, ela mostra como um anjo se apresentou a ela com uma espécie de "filme" da sua vida. Enquanto Gracie via o "filme", ela se autocondenou pelas coisas ruins que havia feito a suas irmãs.



5) Arthur Yensen está tão convencido de ter visto o seu após um acidente de carro em 1932 que ele escreveu um livro intitulado "I Saw Heaven" ("Eu Vi o Céu"). Segundo narra, o céu é inteiramente translúcido e repleto de pessoas felizes num cenário natural deslumbrante.

Yensen se recorda de que seres etéreos lhe disseram que ele tinha que voltar à Terra para ajudar a estabilizar as pessoas nos tempos de confusão que logo viriam. Ele morreu com 90 anos de idade, após anos de serviço à sua comunidade.

No desenho, ele representa as mulheres que vieram em seu auxílio depois do acidente de carro e o paraíso que o recebeu.



6) Celeste Weitz diz que "morreu" enquanto estava nos braços de seu pai quando era bebê e, de repente, se viu desperta olhando a angústia do pai, acompanhada por outros "invisíveis". Sentindo-se responsável pela dor que causara, ela quis voltar à vida.



7) Chris Brown diz ter visto "de fora" a resposta dos médicos e paramédicos à sua crise de angina em 1962, inclusive o erro quase fatal que a enfermeira ia cometer, rapidamente corrigido pelo médico que o assistia.

Brown acrescenta que fez uma lista mental de suas culpas e concluiu que estava OK com o mundo e pronto para partir, mas um grupo de homens "cinzentos" discordou, mandando-o de volta ao seu corpo.



8) Tina Sweeney não se recordava - até recentemente - da surra que a deixou inconsciente quando tinha 4 anos de idade, mas, com a ajuda de um psiquiatra, a lembrança retornou, relembrando-a de um período de total escuridão, tornada confortável pela pulsação firme e quente daquilo que ela chama de "sopro da criação".

Então ela se viu, como criança, parada em frente a uma parede de luz. No desenho, Tina se vê como a árvore diante da luz.



9) Richard Borutta era alcoólatra com o fígado nas últimas quando ele "morreu" durante uma cirurgia quando tinha 42 anos de idade. Enquanto os médicos operavam o seu fígado, Borutta "escorregou" para o "outro lado" e exigiu que ele continuasse por lá. Ele se lembra de "espíritos emplumados" que o convenceram que ele devia retornar para acertar as contas com sua família.



Situações bastante exóticas, não é verdade? Entretanto, conforme já comentamos aqui, essas lembranças vívidas podem estar muito mais ligadas ao cérebro de cada pessoa do que propriamente a qualquer influência vinda de fora (ou do além).

De qualquer maneira, tome cuidado quando alguém não entender o que você está dizendo e aí você se sair com aquela tirada: "quer que eu desenhe?".



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