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quarta-feira, 29 de junho de 2016

Novo templo evangélico trava Via Dutra em São José dos Campos (SP)


A Igreja da Cidade é o novo nome da antiga Primeira Igreja Batista de São José dos Campos, que - apesar de continuar formalmente filiada à Convenção Batista Brasileira - parece que não gosta muito da denominação "batista", razão pela qual a suprimiu em 2015.

A informação é do G1 Vale do Paraíba:

Inauguração de igreja trava trânsito na Via Dutra em São José, SP


Principais vias da cidade também foram afetadas pelo evento.

Congestionamento chegou a 10 quilômetros na pista sentido Rio de Janeiro.


O evento de inauguração de um auditório da Igreja da Cidade em São José dos Campos na noite desta segunda-feira (27) causou lentidão no trânsito da Dutra e das principais vias da zona leste, oeste e central da cidade.

O trânsito foi causado pela movimentação intensa de veículos que tentavam chegar ao local aliada ao tráfego de horário de pico.

A igreja recém inaugurada fica no km 145 da Via Dutra, no sentido Rio de Janeiro. O congestionamento na pista sentido Rio chegou a 10 quilômetros por volta das 20h. No sentido São Paulo, foram ao menos nove quilômetros no mesmo horário.

As principais vias da zona leste e central de São José, além do Anel Viário, também registraram trânsito intenso e congestionamento. Houve congestionamento principalmente em avenidas do trecho urbano, como a Juscelino Kubitschek, que corta bairros da zona leste.

Outro lado

Por nota, a Igreja da Cidade informou que o "mau andamento do trânsito deveu-se a motivos outros que não apenas o culto inaugural do novo auditório da igreja" e que "todas as providências em relação ao intenso fluxo de carros nas imediações do local foram tomadas".

A Igreja da Cidade ainda pediu desculpas pelo transtorno e informou que a programação a partir desta terça-feira passa a ser a partir das 20h30 - depois do horário de pico do trânsito.

A Polícia Rodoviária Federal e a concessionária da Dutra informaram nesta segunda-feira (27) que foram avisadas do evento e que viaturas foram deslocadas para aquele ponto. Já a prefeitura disse que a Secretaria de Transportes monitorou o tráfego por câmeras e que deslocou agentes para ajudar a orientar os motoristas nas ruas e avenidas que tiveram lentidão.

Nesta terça-feira (28) CCR NovaDutra informou que foi realizado um planejamento operacional para o evento na Igreja da Cidade de São José dos Campos, em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal e com os organizadores do evento. Em função de o público ter sido muito maior do que o estimado pelos organizadores, a CCR NovaDutra, em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal, farão ajustes no planejamento operacional para evitar transtornos aos usuários da rodovia nos próximos dias de evento.



sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Bispo de São Carlos (SP) renuncia após dirigir alcoolizado


A informação é do Estadão:

Bispo renuncia após dirigir alcoolizado no interior de São Paulo

RENE MOREIRA

Pedido foi aceito pelo Vaticano e religioso de São Carlos (SP) será substituído após 26 anos na função

Flagrado ao dirigir embriagado em São Carlos (SP), o bispo da cidade, Dom Paulo Sérgio Machado, de 70 anos, renunciou ao cargo nesta semana. A autorização para deixar a função foi publicada nesta terça-feira, 16, pelo Vaticano.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) informou que Dom Airton José dos Santos, arcebispo metropolitano de Campinas (SP), assume a diocese de São Carlos como administrador apostólico até a nomeação de um novo bispo, ainda sem data para ser definido.

Dom Paulo foi flagrado em setembro pela Polícia Militar na região central da cidade. Segundo os policiais, seu veículo transitava em zigue-zague e por pouco não bateu em outro carro e atropelou um pedestre. Ele dirigia um Chevrolet Onix e foi parado no cruzamento das avenidas Sete de Setembro e São Carlos.

No carro, havia uma garrafa vazia de vinho e uma taça com o líquido. O bispo confirmou ter bebido um pouco em uma festa, sendo levado à delegacia e liberado.

Dias depois, surgiu a informação de que ele renunciaria, o que foi desmentido. Mas agora foi confirmado o pedido, sendo a autorização expedida pelo Vaticano.

Em carta encaminhada ao Papa Francisco, o bispo justificou sua solicitação. "Já me sinto cansado. Tem muita gente boa por aí para me substituir. Não quero servir de peso a ninguém".

História. Dom Paulo Sérgio Machado é natural de Patrocínio (MG) e foi ordenado bispo há 26 anos, estando há nove em São Carlos. Tem como lema "A paz é obra da solidariedade". É especializado em Teologia Pastoral, pela Pontifícia Universidade Gregoriana, na Itália.



sábado, 28 de novembro de 2015

Rodovias brasileiras matam 1,3 milhão de animais silvestres por dia


A única notícia boa é que já tem gente estudando o absurdo massacre de animais nas estradas brasileiras, conforme já tivemos oportunidade de comentar aqui várias vezes sobre o tamanduá-bandeira (leia o artigo Bandeira 2 para o tamanduá para ter uma ideia de nossa militância em seu favor).

A trágica informação vem da BBC Brasil:

Por que o Brasil massacra 1 milhão de animais por dia em suas estradas?

Thiago Guimarães

BR-101, norte do Espírito Santo, setembro de 2015. Um caminhoneiro sente um cheiro forte e localiza uma anta – o maior mamífero terrestre brasileiro – na margem da pista, em estado avançado de decomposição.

Cinco meses antes, no mesmo trecho da rodovia, biólogos encontraram uma fêmea adulta de harpia, a maior ave de rapina das Américas, debilitada por fraturas e hematomas. Por ali, restos de retrovisor de caminhão. No mês anterior, a vítima fora uma onça-parda.

As cenas com espécies ameaçadas de extinção são um retrato de um filme que não sai de cartaz no Brasil: a matança de animais por atropelamentos em estradas.

Essa é, de longe, a principal causa de morte de bichos silvestres no país, superando caça ilegal, desmatamento e poluição. São 15 animais mortos por segundo, ou 1,3 milhão por dia e até 475 milhões por ano, segundo projeção do CBEE (Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas), da Universidade Federal de Lavras (MG).

Quem puxa a lista são os pequenos vertebrados, como sapos, cobras e aves de menor porte – respondem por 90% do massacre, ou 430 milhões de bichos. O restante se divide em animais de médio porte (macacos, gambás), com 40 milhões, e de grande porte (como antas, lobos e onças), com 5 milhões.

A situação, dizem especialistas, é o resultado natural para um país que desconsiderou os bichos ao planejar as rodovias e ainda dá os primeiros passos na adoção de medidas para minimizar os impactos das vias.

Corrida contra o tempo

"Está acontecendo uma desgraça total e não temos tempo nem de estudar o que ocorre", disse à BBC Brasil Áureo Banhos, professor do departamento de biologia da Universidade Federal do Espírito Santo.

Banhos coordena um time que monitora os atropelamentos no trecho de 25 km da BR-101 que corta uma das manchas verdes mais intactas do país. É um mosaico de 500 km² (ou um terço da cidade de São Paulo) de unidades de conservação rasgado pela pista única da via.

Um exemplo do alerta do professor: das 70 espécies de morcegos identificadas na região, 47 já foram atropeladas na estrada – e uma delas era desconhecida da ciência até então. Ao todo, 165 espécies de diferentes animais perderam a vida por ali (10 anfíbios, 21 répteis, 63 aves e 71 mamíferos) – são 50 mortes por dia apenas nesse ramo da rodovia, ou 20 mil por ano.

Essa floresta integra as reservas de mata atlântica da Costa do Descobrimento, patrimônio natural da humanidade desde 1999. Por ser um raro fragmento contínuo de mata, é o último refúgio na região para várias espécies ameaçadas, como a anta, a onça-pintada, o tatu-canastra e a harpia.

O fotógrafo Leonardo Merçon, do Instituto Últimos Refúgios, fez um trabalho de registro da Reserva Biológica de Sooretama, a maior peça do mosaico verde da região. Impressionado pelos atropelamentos, acabou se engajando nas ações de conscientização para a gravidade do problema.

"Você nem precisa de dados para ver o impacto real do problema", afirma ele. Um vídeo do instituto que registrou uma onça-parda atropelada na estrada teve mais de 1 milhão de visualizações.

Em locais como esse, a perda de um único indivíduo pode ter impacto muito grande sobre a biodiversidade. "Engenheira" dos ecossistemas, por dispersar sementes e servir de presa para grandes predadores, a anta, por exemplo, leva 13 meses na gestação (com um filhote por vez) e demora dois anos entre as concepções.

Um possível caminho para os animais cruzarem para o outro lado da via são os dutos de drenagem de água sob a pista, mas nem sempre é simples mudar seus hábitos.

"No parque nacional Banff, no Canadá, os ursos demoraram oito anos para começar a usar esse tipo de passagem", afirma Alex Bager, coordenador do CBEE. No caso da BR-101, apenas 15% dos bichos atropelados usam as manilhas.

Ou seja, talvez seja mais fácil mudar os hábitos dos motoristas, por meio de ações como redução de velocidade, radares inteligentes que multam pela média de velocidade (e não em apenas um ponto) e placas de advertência.

A Eco-101, concessionária responsável pelo trecho da BR-101 em questão, diz que o segmento tem dois radares fixos, velocidade máxima de 60 km/h (especialistas defendem 25 km/h) e dez placas educativas. Afirma ainda promover ações de conscientização e que estuda a "ampliação dos dispositivos de segurança para os animais silvestres".

Ausência de normas

A situação da BR-101 no Espírito Santo – que ainda enfrenta a perspectiva de duplicação até 2025 – é uma amostra aguda de um problema nacional. São mais de 15,5 mil km de estradas atravessando áreas federais de conservação.

Os pontos críticos estão por todo o Brasil. Um levantamento do Instituto de Pesquisas Ecológicas em três trechos de rodovias de Mato Grosso do Sul (1.161 km nas BRs 267, 262 e 163) entre abril de 2013 e março de 2014, por exemplo, localizou 1.124 carcaças de 25 espécies diferentes, como cachorro-do-mato (286 mortes), tamanduá-bandeira (136) e jaguatirica (7).

E não há normas nacionais específicas para a construção de rodovias que cortam reservas naturais. Tudo tramita como um licenciamento ambiental padrão. O problema vem mobilizando a classe acadêmica no país. Paralelamente a uma explosão nos estudos em ecologia de estradas, há articulações institucionais em curso no Congresso e em órgãos ambientais.

Um fruto recente desse debate é o PL (Projeto de Lei) 466/2015, do deputado federal Ricardo Izar (PSD-SP), que busca tornar obrigatórias ações como monitoramento e sinalização em áreas "quentes" de atropelamentos, além da criação de um cadastro nacional de acidentes com animais silvestres.

Sobre essa última medida, um esforço já partiu da própria academia, com a criação do Sistema Urubu, uma espécie de rede social para compartilhamento e validação de informações sobre atropelamentos de bichos.

No ar há um ano, a iniciativa do CBEE conta com um aplicativo gratuito pelo qual qualquer pessoa pode fotografar e enviar imagens de acidentes com animais. Os registros são enviados para uma base de dados central e são validados por especialistas cadastrados no sistema, tudo online.

Já são cerca de 15 mil usuários cadastrados e mais de 20 mil fotos enviadas. Para entrar no sistema, cada registro precisa ser validado por cinco especialistas, e ter o consenso de três deles sobre qual é a espécie em questão – são 800 "validadores" ativos na rede, cada um especializado numa classe animal.

"Muitas vezes, as pesquisas sobre o tema no Brasil são muito regionalizadas, restritas ao raio da universidade por falta de recursos. Com o sistema poderemos criar um mapa de áreas críticas de atropelamentos no país e usá-lo como política pública de conservação", afirma Alex Bager, do CBEE.

Diante da perspectiva da fase mais explosiva de construção de estradas na história, com pelo menos 25 milhões de km de novas rodovias no mundo até 2050, especialistas defendem que essas intervenções passem, cada vez mais, por estudos de custo-benefício.

Seria um modo de evitar a proliferação de vias em regiões de alto valor ambiental mas potencial agrícola apenas modesto, como a bacia Amazônica. "Construir estradas é abrir uma caixa de Pandora de problemas ambientais, e ainda estamos na pré-história da mitigação de impactos", afirma Banhos.



segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Carro atropela evangélicos na saída do culto em SP


A notícia é da Folha de S. Paulo:

Carro em alta velocidade atropela ao menos 15 na saída de igreja em SP

MARTHA ALVES

Ao menos 15 pessoas foram atropeladas na calçada, no Jardim Brasil, zona norte de São Paulo, na noite deste domingo (9). O motorista fugiu sem prestar socorro.

Por volta das 21h, fiéis saiam do culto em uma igreja evangélica na avenida Roland Garros quando um carro em alta velocidade atropelou um grupo.

Os feridos foram levados aos hospitais Vermelhinho, das Clínicas e Santa Casa de São Paulo. O estado de saúde das vítimas não foi divulgado.

Parentes dos feridos relataram que o motorista dirigia em alta velocidade antes perder o controle da direção, atropelar as pessoas na calçada e atingir ao menos um carro parado próximo à igreja, onde uma família embarcava.

O motorista Nelson Alexandre Martins, 36, disse que o irmão, a cunhada e três filhos -de 7, 8 e cinco meses -estavam embarcando no carro quando foram atingidos pelo veículo. "A família e a igreja estão abalados", disse.

Segundo a auxiliar administrativa Suzimara Vieira Martins, 30, mulher de Martins, com o impacto da batida a a família foi arremessada. " O carro jogou todos longe, a minha sobrinha de cinco meses que estava no colo da minha cunhada foi jogada longe. É um milagre com um impacto desse ela ter sobrevivido", disse Suzimara.

A auxiliar administrativa falou que não deu para saber se o motorista estava alcoolizado ou sob efeito de drogas porque ele fugiu a pé do local, acompanhado de uma mulher. " Ele quebrou o vidro do carro e fugiu", disse. Após o acidente, moradores da região revoltados tentaram quebrar o carro, que ficou danificado.

O cinegrafista Marco Antonio da Silva Júnior, 29, falou que estava passando pelo local de carro quando viu as pessoas feridas. " Eu vi oito pessoas serem atendidas pelos bombeiros, mas tinha mais feridos", afirma. Os bombeiros socorreram ao menos oito pessoas, mas parentes e amigos disseram que outras sete foram levadas a hospitais por meios próprios.

Junior disse que durante o socorro aos feridos viu um pai desesperado discutindo com policiais porque queria ver o filho que era atendido dentro da ambulância. O homem foi segurado por algumas pessoas, mas nervoso começou a dar murros na porta de metal de um comércio.

O caso será registrado no 73 DP (Jaçanã). O motorista envolvido no acidente ainda não foi localizado pela polícia.

Por volta das 6h, a avenida Roland Garros continuava interditada nos dois sentidos, próximo à avenida Edgar Ruzzan, para o trabalho de perícia no local do acidente.



sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Ultrapassagens perigosas serão punidas com mais rigor a partir de 1/11


Se você é daqueles motoristas que dirigem com cuidado, nada vai mudar, mas os apressadinhos podem ter uma surpresa desagradável se a lei for aplicada com o rigor que se espera das autoridades responsáveis, o que - infelizmente - nem sempre acontece.

Quem sabe, as estradas brasileiras ficarão um pouco menos perigosas para os condutores responsáveis.

A informação é do Brasil Post:

A partir de 1° de Novembro,
ultrapassagens perigosas terão multas
mais altas e motorista ficará
sem dirigir por até um ano

Jéssica Michellin

A partir do dia 1° de Novembro, os motoristas que cometerem ultrapassagens perigosas terão multas mais altas para pagar e ficarão até um ano sem poder dirigir, segundo informações do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).

As mudanças na lei, sancionadas pela presidente Dilma Rousseff em maio deste ano, visam diminuir a violência no trânsito.

Veja os novos valores:

Ultrapassar em lugar proibido

A nova multa ganhou aumento de 400% e passou a custar R$ 957,70. Antes, o valor era de R$ 191,54.

Ultrapassar pelo acostamento

Agora, a multa custa R$ 957,70, um aumento de 650% em relação ao valor antigo, de R$ 127,69.

Forçar ultrapassagem perigosa

O maior aumento foi nesta infração. Ela passou de R$ 191,54 para R$ 1.915,40, uma alta de 900%.

Disputar corrida – “Racha”

Nesta categoria o aumento foi mais "modesto", de 233%. A multa passou de R$ 574,62 para R$ 1.915,40.



sábado, 30 de agosto de 2014

Quer combater a violência? Comece por você mesmo!

Excelente artigo publicado no UOL Mulher. Estranhamente, entretanto, não há uma só menção ao papel que a mídia desempenha na educação e na perpetuação dos padrões de violência no Brasil:

Reconhecer a própria agressividade ajuda a conter a disseminação do ódio

Marina Oliveira e Suzel Tunes

O Conselho Nacional do Ministério Público divulgou dados alarmantes, em 2012: homicídios cometidos por impulso ou por motivos fúteis representaram 100% do total de assassinatos com causas identificadas registrados no Acre, entre 2011 e 2012. No mesmo período, em São Paulo e Santa Catarina, esse índice ficou acima de 80%.

Na categoria, entram crimes que começam com uma simples briga, motivada por conflitos entre vizinhos, desavenças, ciúmes e desentendimentos no trânsito. Em 2014, os casos de linchamento por suspeita de crime aconteceram em diferentes estados brasileiros. E, nas redes sociais, as declarações de ódio crescem e se espalham continuamente.

Mas o que leva um povo internacionalmente reconhecido como cordial e pacífico a agir motivado pela raiva? A resposta talvez esteja na própria questão. Afinal, a definição de cordialidade nada mais é do que agir com o coração. E ter as emoções à flor da pele também significa se deixar levar do amor ao ódio, em poucos segundos –basta lembrar dos crimes passionais.

E, ainda que esses dados sejam recentes, a história do país mostra que não fomos sempre um povo 100% pacífico. "O Brasil tenta jogar para debaixo do tapete a sua brutalidade. Mas é importante lembrar da nossa história violenta contra os índios e negros, do tempo do cangaço e das nossas guerras civis, que preferimos chamar de outro nome, como revolta ou insurreição", afirma o doutor em filosofia Gerson Leite de Moraes, professor de Ética da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas.

Ao ignorar a própria natureza agressiva, mascaramos a contribuição individual para o caos. Quem se vê como alguém pacífico, cercado de pessoas violentas, conclui que o problema está no outro e não em si.

"Incluir-se no mundo é fundamental para criar consciência. O trânsito é, de longe, o palco por onde desfila nossa boçalidade e violência. Mas a culpa é sempre do outro: do caminhão, do ônibus, das motos, dos pedestres, dos ciclistas, dos bêbados. Ninguém diz: o trânsito é ruim porque tem gente como eu circulando nas ruas", afirma o historiador Leandro Karnal, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)

Assim, a violência é sempre definida pelo sujeito. Aquele que é agredido vai abrandar a própria reação, não menos violenta, como uma resposta justa de alguém que precisa se defender. É essa a perspectiva dos que argumentam que "bandido bom é bandido morto" e que preferem fazer justiça com as próprias mãos. Os envolvidos em linchamentos, por exemplo.

"Se nós trabalhássemos com uma ética mais geral, entenderíamos que, se é errado matar alguém, isso vale para o bandido e para o Estado. Sob essa perspectiva, o homicídio na rua é tão ilegal quanto dentro da prisão", diz o historiador.

O valor atribuído à força

Pesa também o fato de que o ódio, no Brasil, é visto como uma característica que confere força e capacidade de ação, um ensinamento passado de geração em geração. Na nossa cultura, alguém que se revolta é frequentemente julgado como uma pessoa de atitude, diferente daqueles que agem com tolerância e que se abrem para o diálogo. Esses últimos podem até ser vistos como fracos, apesar de colocarem a razão acima da emoção.

Para o historiador Leandro Karnal, o peso histórico da escravidão colocou o chicote como um argumento estrutural na consciência coletiva. "O que torna a violência sedutora é que ela funciona, enquanto a razão só tem êxito se os dois lados estiverem jogando de acordo com as mesmas regras", explica o especialista.

O descontentamento com o poder público, da mesma forma, aguça nas pessoas um ímpeto egoísta, uma tentativa de diminuir ou extinguir as violências que elas próprias poderão vir a sofrer futuramente. Aqueles que defendem a pena de morte, o porte de armas e a diminuição da maioridade penal, geralmente, compartilham esse sentimento.

"Onde não existe política e Estado, existe o despotismo e o egoísmo", explica a filósofa Adriana Mattar Maamari, professora da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos). "Nesse cenário, infelizmente, eclodem os piores movimentos, os mais insensatos e hostis aos próprios seres humanos, que opõem uns contra os outros. É a natureza humana tentando sobreviver em meio a tantas adversidades", diz.

Violência gera violência

Outro ponto de atenção é que quanto menos se coíbe a violência, mais ela cresce. Por isso, responder a um ato de agressividade sem hostilidade talvez seja o maior dos desafios contemporâneos. "Fica mais fácil fazer isso se compreendermos que somos falhos e capazes de praticar maldades, tanto quanto qualquer outra pessoa. O outro agiu mal, mas você também poderia ter agido. Todos nós somos sublimes e infames", afirma o filósofo Jorge Claudio Ribeiro, professor da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

Nos pequenos atos, a cultura da violência se perpetua. "O discurso agressivo e o bullying, por exemplo, desencadeiam violências maiores, assim como os comentários raivosos nas redes sociais", declara o professor de ética Gerson Leite de Moraes.

E como conter o próprio ódio em uma sociedade violenta, em que cada um reproduz o que aprendeu, ao longo dos anos? Para os especialistas, a educação ainda é a melhor saída. Tanto a adquirida nas escolas quanto a ensinada pelos pais, a aprendida em livros, debates e outras manifestações culturais.

"Na base da nossa violência está uma cegueira em relação ao outro. Por isso, defendo uma educação que dissemine a tolerância e indique que é bom que sejamos diferentes, do ponto de vista estético, sexual, social ou étnico. É preciso ensinar a solidariedade com o outro", diz Karnal.



segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Carro de agroboys ultrapassa colheitadeira por baixo



Como prova irrefutável de que o ser humano só involui, veja o vídeo abaixo, em que jovens alucinados de Rio Paranaíba (MG) resolvem passar com seu carro por baixo de uma máquina agrícola:








sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Radar humano

Se algum cara resolvesse fazer essa brincadeira no Brasil, ser preso pela polícia seria o menor dos males que ele teria que enfrentar. Muito provavelmente ele seria atropelado ou levaria uma bala na testa, mas quando se trata de países mais calmos, o resultado até que é engraçado:



P.S.: como eu sempre falo para os meus amigos goianos, deviam inventar um radar que identificasse duplas sertanejas à distância e impedisse que eles saíssem de Goiás... #prontofalei


sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Como não fazer o carro pegar no tranco



É melhor você pensar bem, contar até 10 e revisar os planos A, B, C, etc., até decidir como vai colocar em prática a sua brilhante ideia de fazer o carro pegar no tranco numa ladeira. De preferência, com gente inteligente fora e um motorista dentro para - pelo menos - virar o volante, porque o resultado pode ser um prejuízo gigantesco. Confira o desastre - que aconteceu em Itabira (MG) - no vídeo abaixo:





quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Google Earth flagra pedestre tropeçando em calçada de BH

Todo mundo já sabe que o Google Earth mapeou as principais capitais brasileiras e que várias situações inusitadas foram flagradas pelas suas potentes e intrometidas câmeras fotográficas ao redor do globo, o que deu, inclusive, margem a muita discussão sobre até que ponto elas representam uma invasão de privacidade na vida dos pacatos cidadãos terrestres. Em Belo Horizonte (MG), um dos carros do Google flagrou o momento em que uma pobre pedestre tropeça num desnível da calçada mal conservada. Pelo jeito, o motorista nem parou pra perguntar se ela precisava de socorro. As fotos estão abaixo (clique nas imagens para ampliá-las), mas você pode também vê-las no próprio Google Earth digitando "Rua Flor de Tipuana" no Google Maps da capital mineira, ou acompanhando as dicas do vídeo a seguir:









segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Valdemiro Santiago transforma até rodovia em estacionamento



Parece que o primeiro milagre do novo megatemplo de Valdemiro Santiago às margens da Via Dutra, em Guarulhos (SP), foi a transformação (irregular) da movimentadíssima rodovia num bolsão de estacionamento para ônibus dos fiéis, estimados em 500.000 pessoas de todo o Brasil e países vizinhos, que foram ao evento. Considerando ainda que se tratava do primeiro dia do ano, em que muita gente já começava a voltar pra casa depois das festas, o resultado do segundo milagre de Valdemiro - a "multiplicação dos ônibus" - foi um megacongestionamento que fez muitas pessoas - que não tinham nada que ver com isso - perderem seus voos marcados para o aeroporto de Cumbica, ali perto, só porque alguma autoridade deu vazão aos delírios megalomaníacos do "apóstolo" sem nenhum tipo de planejamento prévio dos impactos causados pelo rebanho deslocado. E - como sói acontecer em ocasiões da estirpe - teve gente que ainda aproveitou pra faturar uma graninha extra com a religião confusão. Conforme Valdemiro Santiago vai dando voos cada vez mais altos, é melhor você escolher um aeroporto bem longe dele pra não ter dor de cabeça na sua viagem. A notícia é do Estadão:

Abertura de igreja na Dutra isola Cumbica e faz centenas perderem voos

Ônibus, vans e carros que levaram as cerca de 500 mil pessoas estacionaram na estrada

Nataly Costa, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - A inauguração de uma igreja evangélica na Rodovia Presidente Dutra e o estacionamento de centenas de ônibus de caravanas nos dois sentidos da estrada bloquearam o acesso ao Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na tarde deste domingo, 1º. No desespero, centenas de pessoas largaram os carros na rodovia e saíram andando, com malas e na chuva, até o aeroporto. Muitas perderam o voo. Para quem voltava do feriado de ano-novo, a lentidão passou dos 20 km na Dutra, afetou a Ayrton Senna e as principais ruas de Guarulhos.

Com o desespero de pessoas na iminência de perder o voo, alguns se aproveitaram da situação para faturar. Vans circulavam pelo entorno cobrando de R$ 10 a R$ 15 para levar passageiros até Cumbica.

O templo da Igreja Mundial do Poder de Deus, com capacidade para 150 mil fiéis, foi inaugurado no km 217 da Dutra, perto do aeroporto. O problema, segundo a concessionária Nova Dutra, não foi a chegada das pessoas, mas a forma como os ônibus pararam: ocupando duas faixas da rodovia em alguns trechos, enfileirados no acostamento e nos canteiros, chegaram a bloquear os dois sentidos da Dutra em alguns momentos, além do acesso à Rodovia Hélio Smidt, que leva a Cumbica. “Transformaram a rodovia em um grande bolsão de estacionamento”, disse Marcos Brunelli, gestor de atendimento do trecho São Paulo da Nova Dutra.

Brunelli afirma que só foi avisado do megaevento - chamado de “1.º Milagre” - na semana entre o Natal e o ano-novo. À concessionária, organizadores disseram que o público estimado era de 100 mil pessoas. “Mas nossa estimativa é de quase 500 mil.” Procurados, representantes da igreja e da Prefeitura de Guarulhos, que autorizou o evento, não foram localizados.

A Polícia Militar avaliou como “normal” o trânsito naquela área e não mandou reforços para desinterditar a rodovia, que permanecia parcialmente bloqueada até as 20h de domingo.

No Brás. Não é a primeira vez que um megatemplo da Igreja Mundial dá o que falar. Em 2009, uma unidade no Brás foi fechada pela Prefeitura por ter sido construída em zona estritamente residencial. O bispo Valdemiro Santiago chegou a colar cartazes no bairro com fotos do prefeito Gilberto Kassab (PSD) com chifres de diabo.

No ano passado, a igreja foi novamente interditada, dessa vez por decisão da Justiça, que alegou falta de alvará de funcionamento.

Reações. Revoltados, passageiros e moradores de Guarulhos se manifestaram no Twitter. “Pela primeira vez perdi o voo, eu e mais todo mundo que tentou viajar por Guarulhos. Responsáveis?”, questionou AnielleGianello (@anigianello).

“Parabéns, Prefeitura de Guarulhos, ninguém chega ao Aeroporto. São 1.000 ônibus travando o acesso do Aeroporto. Que vergonha. Perdi meu voo”, disse Rosy Mello (@rosymello).



sábado, 22 de outubro de 2011

Motorista bêbado atropela e mata dois garis em SP. Alguém liga?

Enquanto você dormia ou tomava seu café da manhã planejando o merecido descanso do fim-de-semana, dois garis trabalhavam honesta e duramente nesta manhã de sábado em São Paulo, na alça de acesso à Ponte Ary Torres, que liga a Marginal Pinheiros à Avenida dos Bandeirantes, quando foram atropelados por um motorista embriagado que perdeu a direção do seu Toyota Hilux SW4 e investiu contra uma turma de limpeza que ali estava. Dois deles morreram na hora.  Um terceiro gari ficou gravemente ferido e foi atendido no PS do Hospital Santa Marcelina. Eram 7h40m da manhã e o mundo acabou para dois jovens honestos que queriam apenas ganhar o pão de cada dia. Bóris Casoy não dirá uma palavra sobre eles (o que já é melhor do que ofendê-los). Não se sabe os nomes das vítimas, se têm família, onde moravam. Provavelmente nunca se saberá, porque, além deles serem pobres e invisíveis à sociedade, este é o país da impunidade, com leis frouxas e juízes bonzinhos, onde o réu sempre tem razão e nunca é culpado de nada, para nossa vergonha coletiva. Os culpados somos nós. Pelo menos aqueles garis deviam ter amigos de verdade, pois deles ficaram apenas as fotos da dor de seus companheiros de infortúnio:





 Fontes: iG - Estadão - Terra



segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Por um triz

Tem gente que gosta de viver perigosamente, como este rapaz australiano que resolveu atravessar a ferrovia para chegar à plataforma no exato momento em que um trem passava pela estação de Mawson Lakes. O Departamento de Transportes da Austrália decidiu divulgar o vídeo como parte da sua campanha de segurança nas ferrovias, a National Rail Safety Week. São impressionantes a loucura, a sorte e as imagens que o garoto mostrou ao mundo:

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Fecha o vagão que vai começar o sermão

Matéria publicada no Jornal da Tarde:

Sermão em trem motiva 1 queixa ao dia na CPTM

De janeiro a junho, empresa recebeu 117 denúncias por mensagens de celular; se flagrados por agentes, religiosos são retirados dos vagões

Caio do Valle

A pregação religiosa nos vagões da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) é motivo de uma queixa por dia enviada por passageiros à empresa. De janeiro a junho, a estatal recebeu 177 mensagens de celular reclamando das orações. Em todo o ano de 2010, foram 261. O assunto é polêmico. Assim como há passageiros que reclamam, há os que reivindicam mais espaço para os religiosos.

A possibilidade de converter os passageiros é o que leva o analista de informática Agostinho Ferreira da Silva, de 46 anos, a evangelizar há 8 nos trens da Linha 12-Safira, que liga o centro da capital a Poá, na Grande São Paulo. "A maioria das pessoas gosta de ouvir", garante.

Conhecido como Irmão Guto, ele prega diariamente no trem que sai às 19h30 do Brás. O vagão escolhido é sempre o mesmo, o quarto. Ele ora e entoa hinos evangélicos. "A situação melhorou nos últimos tempos. Antes, os seguranças nos tratavam com truculência. Uma vez, chegaram a rasgar minha camiseta."

A assessora jurídica Teresinha Neves, de 40 anos, já pregou nos trens da CPTM e hoje auxilia os evangelizadores que se sentem intimidados por agentes da CPTM. Se quiserem, eles podem ser truculentos. Isso eu acho que é ilegítimo em se tratando de um estado democrático e da liberdade religiosa, de culto."

A CPTM informou que a proibição à pregação nos trens "não se confunde com os direitos assegurados na Constituição", "nem se trata de preconceito a uma religião específica". A estatal ainda informou que "o Estado é laico e pela própria Constituição ninguém tem o direito de impor sua fé ao outro, notadamente em ambiente fechado como é o caso dos trens". Segundo a CPTM, quando um pregador é removido do vagão, ele perde o direito da viagem.

Passageiros. O operador de logística Vanderlei Aparecido Luiz, de 38 anos, usa a Linha 10-Turquesa (Luz/Rio Grande da Serra), a que tem mais denúncias. Ele diz sentir-se incomodado. "Às vezes, eles chegam a gritar. E atrapalham as pessoas que tentam voltam dormindo de um dia cansativo." Ele chegou a ver um evangelizador sendo expulso por passageiros revoltados. "Em uma estação, seguraram a porta e falaram que o trem só andaria se ele saísse."

Passageira da mesma linha, a operadora de impressão Adriane Proença, de 23 anos, defende a pregação em outros locais. "Tem de ser na igreja. Nem todo mundo gosta de ouvir ou tem a mesma religião."

A auxiliar de limpeza Dalva Maria de Jesus Pereira, de 49, discorda. "Tem muita gente que precisa, mas não vai à igreja", diz a usuária da Linha 12-Safira - a mesma a que o Irmão Guto vai todos os dias. "Então o trem é um bom lugar para pregarem o que está na Bíblia."

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O conto e a conta dos pedágios paulistas


Os contribuintes (e eleitores) paulistas são tão bonzinhos: mesmo os que não usam diretamente os pedágios (mas pagam por eles nos preços embutidos nos produtos e serviços que consomem), todos vão pagar até morrer os prejuízos causados pela privatização das rodovias, e ainda deixarão aos seus filhos, netos e bisnetos, o prazer de continuar pagando os bilhões de reais dos prejuízos causados à DERSA. Como a cada ano que passa, o Estado de São Paulo perde participação no PIB em razão da fuga da indústria e dos serviços para Estados melhor administrados, a conta ficará ainda mais salgada e os pedágios mais rentáveis do mundo (para poucos) continuarão sendo pagos por milhões de paulistas, mesmo que o veículo do futuro seja uma espécie de jatinho espacial (ou finalmente inventem o teletransporte). A matéria é da Carta Capital:

A conta não ficou só nos pedágios

Rodrigo Martins


As privatizações das rodovias paulistas iniciadas no fim dos anos 1990 prometeram o céu: pistas melhores e menos gastos públicos. As estradas são realmente boas. Quanto à redução das despesas do governo… Basta ver a situação da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A), que operou as rodovias por 40 anos e hoje está em situação calamitosa. Em 2010, a empresa de economia mista vinculada à Secretaria Estadual de Logística e Transportes, apurou um prejuízo de 583 milhões de reais. Com esse resultado, o rombo acumulado pela companhia desde a sua fundação ultrapassou a marca dos 8,32 bilhões de -reais. No fim do ano passado, se a empresa tivesse de fechar as portas, o seu patrimônio não seria suficiente para quitar os débitos. Faltariam 967,2 milhões de reais para honrar todos os compromissos.

O cenário é ruim, mas, de acordo com uma auditoria da KPMG, poderia ser melhor caso o governo do estado tivesse quitado as indenizações que deve à empresa pelas rodovias que entregou à iniciativa privada com o Programa Estadual de Desestatização. A dívida soma 2,5 bilhões de reais. Esse valor, por sinal, seria bem maior hoje se a companhia não tivesse abdicado de cobrar juros e correção monetária sobre o débito. O prejuízo da Dersa em 2010, por exemplo, seria 40% menor, uma diferença de ao menos 240 milhões de reais, segundo os cálculos da KPMG.

Em 2009, a empresa perdeu a operação das últimas três estradas que controlava, encerrando uma história de 40 anos como concessionária de rodovias. A Ecopistas pagou 595 milhões de reais e prometeu investir outros 828 milhões para explorar, por 30 anos, o corredor Ayrton Senna/Carvalho Pinto. Já a rodovia D. Pedro I foi outorgada à concessionária Rota das Bandeiras por 1,39 bilhão de reais, mais investimentos de 2,1 bilhões até 2039. Como a Dersa poderia explorar esses corredores por mais 13 anos, ficou acertado que a empresa receberia 1,58 bilhão de reais a título de indenização no primeiro caso e 935 milhões no outro. A Dersa não sabe estimar quanto deixa de arrecadar em pedágios atualmente pela privatização dessas estradas. No último ano em que as operou por 12 meses completos, faturou 281 milhões.

O que chama mais a atenção no relatório da KPMG, datado de 29 de março, é a constatação de que “a continuidade das operações da companhia depende do aporte de recursos financeiros do governo do estado de São Paulo, seu principal acionista, e do recebimento das indenizações citadas anteriormente”. Além disso, o texto assinado pelo auditor Wagner Petelin levanta “dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional” da empresa. É por essa razão que o deputado Luiz Claudio Marcolino (PT), da Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa de São Paulo, pretende incluir questionamentos sobre a saúde financeira da Dersa durante uma audiência a ser realizada no parlamento paulista. A oposição espera convocar o presidente da empresa, Laurence Casagrande Lourenço, para esclarecer o excesso de aditivos em obras da Dersa. “Os empreendimentos costumam terminar com um preço bem superior ao do contrato original e causa estranhamento saber que, apesar de estar à frente das maiores obras viárias do estado, a Dersa tenha acumulado prejuízos- tão elevados.”

De acordo com Márcio Cammarosano, professor de Direito Administrativo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), os administradores da Dersa podem exigir o pagamento das indenizações devidas pelo governo paulista, mesmo sendo o estado o seu principal acionista. “Trata-se de uma empresa de economia mista, que também deve satisfações aos seus sócios privados. Se a Dersa tinha direito a explorar essas rodovias por mais tempo e foi impedida, deve ser ressarcida, porque isso pode afetar a economia interna da empresa”, avalia. É pouco provável, no entanto, que os sócios privados da companhia venham requerer alguma coisa. Eles detêm apenas 0,000001% das ações da Dersa. O restante pertence à Fazenda paulista. “Normalmente, numa situação como essa, a administração da empresa entra em acordo com o estado, o principal acionista.”

Por meio de nota, a Dersa diz ter solicitado ao Estado “autorização para converter em capital social a parcela do passivo não circulante, registrada como ‘adiantamento para futuro aumento de capital’”. Em outras palavras, o governo pode autorizar o aporte de 3,4 bilhões de reais para tapar o buraco contábil da empresa. “Tão logo sejamos autorizados pelo nosso acionista, faremos a atualização contábil e passaremos a uma situa-ção de patrimônio líquido positivo”.

Esse investimento, contudo, não diz respeito ao pagamento das indenizações devidas à Dersa pela privatização das rodovias, um débito que deve ser quitado pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER). A nota afirma ainda que a Dersa está negociando com o DER, mas informa que a empresa também possui dívidas com o órgão estadual, sem, no entanto, especificar esses valores. “Ao final das tratativas teremos um encontro de contas, com resultado positivo em favor da Dersa, e um plano de quitação desse débito”, completa o texto. Quanto à decisão de não cobrar juros e correção monetária correspondente às indenizações, a companhia alega ter agido em conformidade com o “princípio da prudência”, uma vez que “não existia naquele momento uma expectativa do correspondente ingresso financeiro imediato”.

Atualmente, a Dersa sobrevive com a receita das travessias de lanchas e ferry-boats que operam no litoral paulista e a prestação de serviços técnicos no campo da infraestrutura de transportes e logística, sobretudo no apoio a grandes projetos viários do governo. A empresa garante não ser dependente do Tesouro paulista, “o que significa que os aportes de capital do acionista são dirigidos somente a investimentos da empresa”. Por essa razão, as contas da Dersa não são registradas no Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária (Sigeo), mecanismo de controle dos gastos públicos aberto aos parlamentares. No fim, a empresa virou uma caixa-preta que não permite avaliar até que ponto as privatizações de rodovias prejudicaram a Dersa e, a despeito do pagamento das concessões, criaram, na prática, um rombo a ser coberto pelos cofres públicos.

sábado, 13 de agosto de 2011

Com Jesus no caminhão

De fato, aqueles que viajam pelas estradas do país podem reparar que, a cada dia que passa, é maior o número de caminhões que ostentam mensagens bíblicas e religiosas em seus parachoques, outrora um tradicional reduto de piadas curtas e ditados populares, muitos de gosto duvidoso, obviamente. O fenômeno se repete nos adesivos dos carros, e em geral está escrito "Deus é fiel" ou "Propriedade de Jesus", entre outros chavões evangélicos. Luiz Antonio Simas, no seu blog Histórias Brasileiras, chama essas frases de parachoque de caminhão de haicai, aqueles poemas mnemônicos japoneses, e se queixa de seu desaparecimento gradual e sua substituição cada vez mais visível por chavões evangélicos padronizados, dentro do que ele chama de "praga neopentecostal". Por um lado, a sua crítica faz sentido porque os parachoques sempre foram o repositório do imaginário popular brasileiro, na sua forma mais simples e bem-humorada, que nem sempre respeitava as regras da gramática e as raias do bom gosto. Por outro lado, a vida do caminhoneiro não deve ser nada fácil frente aos perigos de acidentes e assaltos que eles enfrentam crescente e diuturnamente, daí ser natural imaginar que eles busquem algum tipo de proteção espiritual na esperança de sempre poderem voltar pra casa. Fica a dúvida, entretanto: caminhoneiros de Cristo e bom humor são mesmo irreconciliáveis? Será que não dá para a espiritualidade e a espirituosidade conviverem sem se excluírem mutuamente? Abaixo, o texto de Luiz Antonio Simas. Se você eventualmente se ofender com palavras chulas não o leia, mas elas apenas desfilam o enorme repertório de cultura popular que (antes mais, agora menos) transitava pelas estradas do Brasil:



A MORTE DOS HAICAIS DO POVO

Um dos sintomas mais evidentes da praga neopentescostal que invadiu o Brasil é o surgimento dos inacreditáveis caminhoneiros de Cristo. As estradas tupiniquins estão tomadas por hordas de caminhões com mensagens evangélicas nos parachoques. Eu mesmo, que não sou de viajar muito de carro, já li coisas como Esse caminhão pertence a Jesus; Cristo me guia no caminho; Dirigido por mim e guiado pelo Senhor; Jesus, tome conta do teu rebanho nas estradas; É teu, Rei dos Reis, meu caminhão e um enigmático A bíblia disse que meu caminhão pertence ao homem da quarta fornalha. Não bastasse isso, temos as sentenças de louvação familiar. Numa viagem a Parati anotei a seguinte máxima: Cristo ensinou a melhor maneira de fazer sexo seguro: o casamento.

Essa evangelização rodoviária é criminosa e representa a morte da tradição, brasileiríssima, da frase de parachoque. Era fabuloso viajar observando as máximas que os caminhões ostentavam; sentenças sobre amor, mulheres, sogras, dinheiro, política, amizades e uma cacetada de outros temas. Mais que simples brincadeiras, as frases continham verdadeiras pérolas da cultura popular. Cito:

- Restaurante que serve farofa não liga ventilador de teto.
- Esperta é a mulher do saci, que toma um pé na bunda e quem cai é ele.
- Se dinheiro fosse merda eu nasceria sem cu.
- O homem que diz que as mulheres são frígidas tem má língua.
- Em briga de saci ninguém dá rasteira.
- A cal é virgem porque o pincel é brocha.
- Aqui jaz minha sogra; descanso em paz.
- Se ruga fosse velhice meu saco era pré-histórico.
- A primeira ilusão do homem começa na chupeta.
- Se a onça morrer, o mato é nosso.
- A mulher foi feita da costela, imagine se fosse do filé.
- Adoro as rosas, mas prefiro as trepadeiras.
- Marido de mulher feia tem raiva de feriado.
- Champanhe de pobre é sonrisal.
- Coceira de rico é alergia, coceira de pobre é sarna.
- Criança e tamanco, só se faz com pau duro.
- Em baile de cobra, sapo não dança.
- Quem dorme com morcego acorda de cabeça pra baixo.
- Gato que levou tijolada não dorme em olaria.
- Merdas cagadas não voltam ao cu.
- Urubu na guerra é frango.
- Pobre que sente cheiro de flor pergunta onde é o velório.
- O diabo não se casou e Cristo morreu solteiro.

São ditados cheios de uma auto-ironia repleta de sarcasmo, bom-humor e sacanagem, verdadeiros haicais do povão. Sem autores conhecidos, as sentenças de parachoques consagram o artista popular com o maior prêmio que um criador decente ousa alcançar: o completo anonimato. O que mais pode pretender um sujeito além de se diluir nos costumes de seu povo, como se as frases existissem desde tempos remotos?

É por isso que lanço desse meu coreto um protesto contra a praga dos caminhoneiros de Cristo, verdadeiros gafanhotos da cultura das estradas, mal-humorados, chatonildos e intolerantes. Tivesse eu um caminhão, escreveria conforme li no parachoque de uma lata velha cheia de dignidade :

- Jesus pode te amar, mas eu te acho um babaca.

Abraços



terça-feira, 6 de abril de 2010

Se beber não dirija

O vídeo abaixo celebra os 20 anos das campanhas contra os acidentes de trânsito na Grã-Bretanha. Embora tenha reduzido em mais de 50% o número de mortes nesse período, não se trata exatamente de uma "comemoração", mas da lembrança de que ainda há muito trabalho a ser feito. Ao som de REM cantando "Everybody Hurts", as imagens e os efeitos especiais são impressionantes e, depois de vê-las, você vai tomar muito mais cuidado antes de por o carro na rua ou na estrada, especialmente se tiver bebido antes.


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