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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Quando a bancada evangélica disse que Deus havia escolhido Temer

Não deu certo, Feliciano! 

A bancada evangélica que assombra o Congresso Nacional com o que há de pior no meio evangélico, por ocasião da assunção da presidência da República por Michel Temer, não perdeu tempo e se reuniu com o traidor e golpista para - supostamente - "abençoá-lo", como se pode ver no vídeo abaixo.

No vídeo em questão, o deputado federal João Campos (PSDB-MG), cercado por figuras exóticas como Marco Feliciano e Silas Malafaia, além do que parece ser um sacerdote ortodoxo grego (?!), lê um trecho da Bíblia (versículos pinçados de 1ª Crônicas 28), para dizer que "Deus escolheu Michel Temer para governar o Brasil", justo ele que acabava de assumir interinamente o cargo de presidente do Brasil, no dia 12 de maio de 2016.

Não precisa ser nenhum gênio para perceber que, de profecia e Espírito Santo, esse povo está bem longe, senão não teriam se exposto a uma situação ridícula como esta, se vista um ano depois.

Eles não estão nem aí também com o mandamento que diz para "não tomar o nome de Deus em vão", já que o utilizam sem preocupação alguma com o significado e a extensão de suas palavras.

Depois se queixam que Deus não ouve suas orações...

Imagine então quem acredita piamente no Malafaia e segue cegamente a indicação dele a cada eleição:

Tem gente que acerta mais usando bola de cristal, Malafaia... 


Talvez o deputado gospel pudesse ter dado mais ênfase ao versículo 9 de 1ª Crônicas 28, que diz: "Se o buscares, ele deixará achar-se por ti; se o deixares, ele te rejeitará para sempre". 

E tem gente que ainda vota nesses caras ou nos canalhas que eles indicam (ou justificam).

Que reclamem com o bispo depois...




terça-feira, 13 de setembro de 2016

Circo da cassação de Cunha expõe idiossincrasia evangélica na política brasileira

Clarissa Garotinho e Eduardo Cunha,
"amor cristão" explícito...
Quem teve o desprazer de acompanhar a votação da cassação do deputado evangélico Eduardo Cunha (PMDB/RJ) ontem à noite na Câmara dos Deputados em Brasília (DF), se deparou com o pior que a política (e suas benesses) pode fazer a quem se identifica como cristão para se eleger, mas não age como tal.

A ruína de Cunha foi uma pantomima grotesca, um teatro de mímicas e gestos ridículos, discursos e posturas que destroçaram publicamente a ideia de "bancada evangélica" que age em bloco contra as vicissitudes do mal que insistem em atacar nosso impoluto país.

O discurso da deputada (também evangélica) Clarissa Garotinho (PR/RJ), chamando Cunha de "fariseu", "psicopata" e "mafioso" (vídeo abaixo), enquanto citava o versículo de 1ª Timóteo 6:10, "o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males", foi a cereja no bolo do circo gospel de horrores que é a atuação de alguns parlamentares evangélicos no Congresso Nacional.

Ainda que se refira mais a uma disputa regional, o show de golpes abaixo da cintura entre os dois deputados fluminenses mostrou o quanto é volátil o apoio evangélico a este ou aquele candidato dependendo da temporada eleitoral e - claro - dos interesses em jogo.

Para quem não se recorda nem associa a vestimenta ao santo, Clarissa Garotinho é filha de Anthony Garotinho, que foi o candidato a presidente da República apoiado pelos evangélicos em 2002, quando concorria pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro), e houve até "profetadas" de gente gospel importante dizendo que - finalmente - o Brasil teria um líder evangélico no seu cargo máximo de poder, ô glória!

Sim, é isto mesmo que você leu, prezado ideólogo evangélico, já houve época neste país, não muito tempo atrás, em que seres do seu naipe gospel tinham orgasmos múltiplos ao utilizar a palavra "evangélico" e "socialista" na mesma frase.

Caixas de correio eletrônico ficaram entupidas de e-mails (sim, a gente já usou isso!) que circulavam a mancheias no início do terceiro milênio, prometendo o paraíso na Terra a quem votasse em Anthony Garotinho, o messias "gospolítico" da época.

Como você já sabe, isto não aconteceu, mas convivemos até hoje com esse espetáculo rotineiro de caras lavadas e cabelos lambidos de gente que não conta até três para usar o nome de Deus em vão.

Que ninguém acuse os fluminenses e cariocas de votarem mal, afinal todos eles de todos os rincões do país estão lá em Brasília graças aos erros, deseducação, preconceitos e desinteresse geral da nação.

Não houve jeito ontem no Distrito Federal e o ocaso de Cunha foi sacramentado por 450 deputados, além de abstenções e ausências majoritariamente do suposto partido evangélico intitulado PSC - Partido Social Cristão, cujo recém-convertido e filiado Jair Bolsonaro, quem diria, votou pelo defenestramento do hoje ex-deputado.

Ah... apesar de todas as evidências contrárias, além dos epítetos nada simpáticos que sua "irmã" Clarissa Garotinho atribuiu a Eduardo Cunha, o saltitante deputado gospel Marco Feliciano foi um dos dez beatos que votaram contra a sua cassação.

Tudo joio do mesmo saco...

Resta saber se Cunha irá sozinho para o limbo.




quinta-feira, 11 de agosto de 2016

O dogma da infalibilidade gospel

Primeiramente, é importante esclarecer que utilizamos o adjetivo "gospel" de maneira irônica, querendo diferenciá-lo do termo "evangélico(a)", que - apesar do mau uso que a palavra tem no Brasil - ainda se refere a "evangelhos", que os cristãos - dogmaticamente - creem infalíveis mesmo, sem tergiversações.

Em segundo lugar, desde quando eram conhecidos apenas por "protestantes", as denominações reformadas nunca aceitaram o dogma da infalibilidade papal, aprovado pelo Concílio Vaticano I em 1870, quando era papo Pio IX.

Este dogma católico é mais comedido, pois afirma que o papa é infalível apenas quando se pronuncia ex cathedra, ou seja, quando exerce sua função de sumo pontífice e define uma doutrina de fé, mas não quando fala sobre questões corriqueiras do cotidiano religioso.

Entretanto, os contornos político-ideológicos que o nome "evangélico" ganhou no Brasil nas últimas décadas nos permitem imaginar que, na verdade, "infalíveis" do ponto de vista religioso são - diuturnamente - os líderes e "apóstolos" que surgiram por estas plagas para dominar seus rebanhos particulares e conduzi-los a seus paraísos privados.

É só assim que se entende a notícia do Estadão, publicada em 09/08/16, que dá conta de que o PSC - Partido Social Cristão - vai processar a jovem jornalista que acusou Marco Feliciano de tentativa de estupro, assédio sexual e agressão.

Primeiramente, é estranho um partido que utilize o nome "cristão" e se apresente como reduto "evangélico" como é o caso do PSC, que abriga uma gama de políticos já bem rodados pelo Brasil.

Tudo funciona na mesma base que outras denominações evangélicas que têm donos no país, sim, todos se fundamentam na infalibilidade de seus líderes e na suposta perfeição do caráter de cada um deles, que devem ser cegamente seguidos e obedecidos.

Isso tudo apoiado numa rede de blogs e portais que repercutem a santidade desses homens e mulheres infalíveis, bem como blindam (tanto quanto podem) os seus erros.

Assim, por exemplo, pouca gente ficou sabendo do que aconteceu outro dia, quando um tal "bispo" Marcos Klein, fingindo-se de admirador da causa LGBT, fez uma pegadinha com o deputado Jean Willys durante um voo, dizendo nas redes sociais que ele "ou se converte ou morre".



Deve estar faltando na Bíblia do "bispo" o capítulo 26 de Provérbios, que diz:
24  Aquele que odeia dissimula com os seus lábios; mas no seu interior entesoura o engano.
25  Quando te suplicar com voz suave, não o creias; porque sete abominações há no teu coração.
26  Ainda que o seu ódio se encubra com dissimulação, na congregação será revelada a sua malícia.
Claro que os defensores da "infalibilidade evangélica" fizeram de tudo para abafar o caso, assim como advogam abertamente pela canonização em vida de Marco Feliciano e dos integrantes do PSC, onde já se viu alguém ter a coragem de acusá-los - pobres santinhos infalíveis - de qualquer, digamos, "deslize"?

E assim o nome "evangélico" vai sendo vilipendiado e enterrado no Brasil, neste circo de horrores político-ideológico-fake em que se tornou a fogueira de vaidades e desejos carnais inconfessáveis de tanta gente mais chegada a dissimulações.



sábado, 6 de agosto de 2016

Situação de Marco Feliciano se complica com prisão de assessor

Queridos leitores, conforme adiantamos aqui no nosso artigo publicado na última quinta-feira, 04/08/16, "O que há de real no atual barraco em que Marco Feliciano se envolveu?", tudo poderia se limitar a um "acerto de contas" desses bastidores (geralmente sujos e nojentos) da política e do mundo cóspel, sem implicações criminais, com exceção do áudio muito suspeito (e perigoso para o deputado-pastor) do seu assessor, que podia dar pano pra manga...

E eis que a história (agora com contornos insofismáveis de realidade) teve desdobramentos estranhíssimos e comprometedores, conforme noticia o Estadão:

Mulher acusa Feliciano de estupro; polícia pede prisão de chefe de gabinete

No depoimento que prestou na quinta-feira, 4, à Polícia Civil de São Paulo, a jornalista Patrícia Lelis, ex-militante do PSC jovem, forneceu detalhes de como, segundo ela, o deputado a atraiu para seu apartamento funcional em 15 de junho

Valmar Hupsel Filho e Pedro Venceslau

Ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, o deputado federal Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) foi acusado nesta sexta-feira, 5, pela jornalista Patrícia Lelis, de 22 anos, ex-militante do PSC Jovem, de assédio sexual, tentativa de estupro e agressão. Ela registrou queixa no 3.º Distrito Policial (Campos Elísios), na capital paulista.

Talma Bauer, chefe de gabinete do parlamentar, foi conduzido ao DP, onde permanecia até as 21 horas. Patrícia acusa o funcionário de Feliciano de sequestro qualificado (cárcere privado). Ele teria coagido a jovem a gravar dois vídeos nos quais ela nega as acusações contra o deputado. O delegado Luís Roberto Hellmeister, responsável pelo caso, pediu a prisão temporária de Bauer e, até a conclusão desta edição, aguardava uma decisão judicial.

Patrícia afirmou ao Estado que foi atraída por Feliciano para seu apartamento funcional, em Brasília, no dia 15 de junho. “Ele falou que tinha uma reunião do PSC Jovem, mas quando cheguei la só estava ele”, afirmou. De acordo com a jornalista, o parlamentar teria proposto que ela fosse sua amante em troca de um cargo no partido e um salário de R$ 15 mil.

“Ele tentou me arrastar para o quarto e tirar meu vestido. Como eu resisti, ele me deu um soco na boca e um chute na perna”, disse Patrícia. A jornalista afirmou que só conseguiu escapar porque uma vizinha do deputado ouviu seus gritos e tocou a campainha para saber o que acontecia.

Acompanhada da mãe e de uma advogada, Patrícia também acusou dois outros políticos do PSC. Em seu relato, ela disse que, em 16 de junho, procurou por ajuda no partido, mas teria ouvido como resposta uma proposta para receber dinheiro em troca de seu silêncio.

Sacola de dinheiro. A oferta teria sido feita pelo presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo, que foi candidato à Presidência da República em 2014. “O Pastor Everaldo me deu uma sacola de mercado cheia de dinheiro e disse que era para eu ficar quieta”, disse Patrícia. Segundo ela, Everaldo também a ameaçou de morte. Teria também participado da reunião o deputado federal Gilberto Nascimento (PSC-SP).

Patrícia afirmou que, após relatar o caso no PSC, passou a ser perseguida dentro do partido. Ela disse também que, logo depois do episódio, encontrou-se com Bauer, chefe de gabinete de Feliciano, em um café. A conversa entre os dois foi gravada em áudio e o arquivo enviado a amigos com a orientação de que deveria ser divulgado na internet caso acontecesse alguma coisa com a jornalista.

No sábado, Patrícia saiu de Brasília e veio para São Paulo. Assim que chegou à capital paulista, ela relatou que continuou a ser assediada por Bauer. Segundo ela, o chefe de gabinete a forçou a gravar dois vídeos em que negava as agressões e elogiava Feliciano. Os depoimentos foram publicados em redes sociais nesta semana. “Ele também apagou a senha do meu Facebook e do WhatsApp e passou a mandar mensagens em meu nome.”

Após o caso ser revelado pelo blog Coluna Esplanada, do portal de notícias UOL, a Procuradoria Especial da Mulher no Senado enviou, na quarta-feira, um ofício para que o Ministério Público Federal (MPF) investigue Feliciano.

Outro lado. Procurados pelo Estado, Feliciano e Nascimento não foram localizados.

Pastor Everaldo disse que o tema será debatido na sigla na terça-feira e que será criada uma comissão interna para averiguar o caso.

Segundo o dirigente, o deputado federal Marcondes Gadelha (PSC-PB) vai coordenar o processo. “Essa pessoa que está falando aí eu nunca recebi sozinho. Recebi uma única vez na sede do partido. Não conheço essa história. Não sei do que se trata”, disse Everaldo. / COLABOROU LUISA MARTINS



quinta-feira, 4 de agosto de 2016

O que há de real no atual barraco em que Marco Feliciano se envolveu?

Bom, pra começo de conversa, este blog não é fã de Marco Feliciano mas também não entra em polêmicas que não sejam suficientemente fundamentadas, sobretudo quando as suas fontes são confiáveis, mesmo que estejam momentaneamente equivocadas.

Até aí, conforme você já percebeu, tudo é muito subjetivo, vai ao gosto do freguês, mas procuramos nos ater aos fatos e dar voz a fontes autorizadas e submeter nossas primeiras impressões à lei penal, que é onde tudo pode desembocar se realmente houver alguma coisa a ser apurada.

Para quem chegou aqui sem saber exatamente o que aconteceu, recomendamos a matéria que tornou público o caso, que saiu na coluna Esplanada do UOL.

Claro que tudo que envolve Marco Feliciano desperta paixões descontroladas, à direita e à esquerda, dentro e fora dos arraiais evangélicos.

Colunistas e blogueiros a favor e contra já saíram desesperados a defenderem o seu ponto de vista, querendo abafar ou repercutir o caso conforme o seu termômetro pessoal de ódio ou paixão por Feliciano, e a coisa toda ainda vai dar muito pano pra manga.

Aparentemente, as denúncias são bastante inconsistentes, salvo pelas exceções que comentaremos mais adiante.

Os "prints" de conversas pelo whatsapp são facilmente reproduzidos e forjados por qualquer pessoa sem necessidade de altos conhecimentos tecnológicos.

A atitude da moça em delatar Feliciano e depois se retratar também não significa muita coisa, já que o próprio deputado-pastor reconheceu em nota oficial que a conhecia:
“Informo que desconheço tais acusações e as referidas mensagens postadas. Conheço a jovem por meio de sua participação no PSC, é uma grande lutadora contra o aborto e a favor das causas sociais. A conheço da mesma forma que conheço tantos outros jovens ao meu redor''.
Logo, o que a teria motivado a simplesmente "aparecer" na mídia, seja verdade ou não o que lhe atribuem?

Se ela é tão próxima de Feliciano, a ponto dele afirmar que a conhece, por que se tornou pivô desta confusão?

Seria ela uma agente infiltrada dos muitos inimigos do deputado-pastor?

Como não consideramos Marco Feliciano nenhuma autoridade seja do ponto de vista religioso ou político, a nós nos interessa a questão do ponto de vista jurídico, razão pela qual vislumbramos alguns cenários que passamos a comentar a seguir.

Analisando a questão pelo ângulo penal, alguém poderia imaginar que se tratasse de assédio sexual, crime "menor" tipificado no artigo 216-A do Código Penal, "constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função".

Entretanto, após a reforma do código penal introduzida pela Lei nº 12.015, de 7 de agosto de 2009, o crime de estupro (art. 213) teve sua definição ampliada: "constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso".

E - quando se trata de estupro - a ação penal é pública condicionada à representação, pelo art. 225 do Código Penal, ou seja, é promovida pelo Ministério Público desde que a vítima do estupro represente, ou seja, em termos menos técnicos, apresente uma queixa ao promotor.

No caso de "estupro de vulnerável" (quando a vítima é menor de idade ou incapaz de reagir, art. 217-A combinado com o parágrafo único do art. 225 do Código Penal), a ação penal é pública incondicionada, quer dizer, é promovida pelo Ministério Público sem necessidade de representação da vítima.

A moça do caso Feliciano parece ser maior de idade, logo a ela - numa primeira análise - não se aplicaria a ação pública incondicionada.

Além disso, a julgar pela história (ou estória) que foi contada até agora, Feliciano poderia se safar de qualquer investigação, já que a vítima fez até um vídeo para dizer que nada aconteceu, logo não teria interesse em representar ao Ministério Público pela continuidade da ação penal contra o deputado-pastor.

Ocorre que surgiu um áudio de uma suposta conversa dela com um assessor do deputado, que pode ser ouvida abaixo (antes de provavelmente ser retirada do ar), em que a suposta ex-vítima diz ali pelos 13 minutos que "ele me levou a fazer coisas à força" e "eu tenho provas disso":


Ora, "levar a fazer coisas à força" pressupõe o uso de algum tipo de violência ou, digamos, "força desmedida", o que poderia - em tese - fazer incidir a Súmula nº 608 do Supremo Tribunal Federal, que diz que "no crime de estupro, praticado mediante violência real, a ação é pública incondicionada".

Apesar de críticas doutrinárias que lhe são feitas, a Súmula 608 do STF continua em vigor.

Desta maneira, é muito possível que o Ministério Público venha a investigar este caso como se tratasse de ação penal pública incondicionada, ou seja, independentemente da vontade da ex-vítima.

Resta saber - também - se o áudio é verdadeiro.

Aí então saberemos quem é que está contando a verdade e quem é que está mentindo.

Enfim, há muitos interesses político-ideológico-midiático-religiosos em jogo e a história (ou estória) - no mínimo - está muito mal contada.

Quem viver, verá...





quinta-feira, 14 de julho de 2016

Bancada evangélica é derrotada na eleição para presidente da Câmara dos Deputados

Depois de colecionar muitas vitórias político-ideológicas, a massa amorfa batizada pelo nome de "bancada evangélica", mais conhecida por sua luta incessante pelo direito de odiar livremente, sofreu uma derrota significativa na eleição de Rodrigo Maia para presidente da Câmara dos Deputados na noite passada.

A matéria é do Congresso em Foco:

Sucessão na Câmara: evangélicos fazem campanha contra Rodrigo Maia

Grupo religioso é contra Rodrigo Maia porque ele foi o autor do requerimento para votação em regime de urgência do projeto de lei que criminaliza a homofobia – aprovado pela Câmara em 2006 e parado no Senado

POR LEONEL ROCHA

A frente evangélica está fazendo campanha para derrotar o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) no segundo turno da eleição para a presidência da Câmara. O motivo alegado pelos deputados religiosos é que Maia foi o autor do requerimento para votação em regime de urgência do projeto de lei que criminaliza a homofobia – aprovado pela Câmara em 2006 e parado no Senado por influência dos religiosos.

Para favorecer Rogério Rosso (PSD-DF), que também integra o grupo evangélico, a bancada convenceu o deputado Gilberto Nascimento (PSC-SP) a retirar sua candidatura em pleno processo eleitoral na Casa. A campanha dos evangélicos contra Rodrigo Maia pode decidir a eleição ainda esta noite em favor de Rosso.

Maia dificilmente vai conseguir demover deputados evangélicos da influência desta campanha. O deputado Marcos Feliciano (PSC-SP) é o mais empenhado em derrotar Maia. Ele usa o argumento em todas as conversas nesta noite na Câmara. A bancada evangélica tem cerca de 200 votos.



sexta-feira, 10 de junho de 2016

Marco Feliciano sugere que vítima é culpada pelo estupro

Ao utilizar o velho e surrado discurso de que a mulher tem que se dar respeito para que seja respeitada, Feliciano demonstra (mais uma vez) que radicalismo religioso é só uma questão de momento e lugar.

A matéria é do HuffPost Brasil:

Feliciano nega cultura do estupro: 'Deem respeito para serem respeitadas'

O deputado Marco Feliciano (PSC-SP) não acredita que existe cultura do estupro no Brasil. Em um discurso machista na Comissão de Direitos Humanos, da Câmara dos Deputados, ele afirmou que o que existe são estupradores, deliquentes, pessoas maltratadas.
"Cultura tem a ver com crença, arte, moral, lei e costumes. Não existe no nosso país uma religião que apoie o estupro, portanto não é crença. Não existe beleza no estupro, então não é arte. Não existe moral no estupro, e não há lei que apoie o estupro, tampouco o costume do estupro. Existe estupro? Existe. Existe no nosso país um bando de gente delinquente, sociopatas, psicopatas. Pessoas maltratadas no seio da sua família, com algum tipo de trauma”, disse, segundo a Folha de S.Paulo.
Mesmo vaiado, ele prosseguiu e insinuou que é estuprado quem não se dá ao respeito.
"Moro em uma casa com seis mulheres, minha mãe, minha esposa, minha sogra, minhas três filhas. E sempre ensinei às minhas mulheres que deem respeito para que sejam respeitadas."
Para ele, já existem leis no País para punir os estupradores e elas são bem aplicadas. Na avaliação dele, a família deve proteger as mulheres e o Estado intervir apenas quando houver abusos.

Reação

Parlamentares e movimentos em defesa das mulheres protestaram contra as declarações do parlamentar. A representante do grupo Vítimas Unidas, Vana Lopes, disparou: "Foi um estupro no meu ouvido”. Para a deputada Érika Kokay (PT-DF), a fala de Feliciano de que não há uma cultura de estupro é "extremamente preocupante".



segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Procuradoria arquiva queixa de Feliciano contra humoristas

A informação é do Estadão:

Procuradoria arquiva denúncia de Feliciano contra Porta dos Fundos

POR MATEUS COUTINHO E JULIA AFFONSO

Parlamentar da bancada evangélica acusava vídeo 'Especial de Natal', de ofender a liberdade religiosa e a dignidade dos cristãos; para procuradora, 'não há no vídeo incitação ao ódio'

A Procuradoria Regional da República no Rio arquivou um inquérito civil aberto a partir de uma denúncia do deputado Marcos Feliciano (PSC-SP) contra o grupo humorístico “Porta dos Fundos” pelo vídeo “Especial de Natal”. O vídeo foi divulgado no site de humor no ano passado.

A informação é do Ministério Público Federal no Rio. Com isso, já é a segunda denúncia do deputado da bancada evangélica contra o grupo que é arquivada.

O deputado havia denunciado o vídeo por considerá-lo ofensivo à liberdade religiosa e à dignidade dos cristãos. De acordo com o Ministério Público Federal, Feliciano acusa o vídeo de constituir discurso de ódio contra a população cristã “ao tratar de forma jocosa os dogmas e objetos da religião, causando dano moral coletivo à comunidade cristã”.

Em suas explicações, o grupo Porta dos Fundos ponderou que o vídeo é uma paródia de passagens bíblicas, sem qualquer ofensa à liberdade religiosa nem intenção de humilhar os fiéis cristãos.

Em sua defesa, o grupo humorístico usou como argumento a liberdade de expressão e lembrou que o Ministério Público do Estado de São Paulo arquivou em janeiro um processo semelhante movido por Feliciano contra eles pelo mesmo vídeo.

Para a procuradora regional da República Maria Helena de Paula não houve choque entre as liberdades de expressão e de religião. “A liberdade de expressão só deve sofrer restrições em situações extremas, visando à proteção de outro direito fundamental. Como não há no vídeo incitação ao ódio nem ridicularização de fiéis, ele não caracteriza ofensa à dignidade dos cristão”, conclui Maria Helena de Paula.



segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Filme mostra travestis combatendo Bolsonaro, Feliciano e Malafaia


A matéria foi publicada na Folha de S. Paulo em 14/10/15:

Travestis combatem 'Jair Malafaia' e 'Eduardo Feliciano' em filme

ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER

E se o Brasil vivesse sob uma ditadura religiosa comandada pelo chanceler Eduardo Feliciano e pelo general Jair Malafaia?

"Não precisei me esforçar muito para criar essa história", diz Ivan Ribeiro, 35. Para o diretor baiano, não há meras coincidências com a vida real no enredo de "Bodas do Diabo", curta­metragem que estreia nesta terça­feira (20), no Cine Olido, no centro de São Paulo.

Apesar de não dar nome aos bois, os alvos do cineasta são claros: os deputados Eduardo Cunha (PMDB­-RJ), Marco Feliciano (PSC­-SP) e Jair Bolsonaro (PP­-RJ), mais o pastor carioca Silas Malafaia.

Todos são evangélicos e simpáticos a projetos como o Estatuto da Família – aprovado em setembro numa comissão da Câmara, o texto institui a entidade familiar como a união entre homem e mulher.

"Basta imaginar o futuro desejado pela direita conservadora evangélica e também católica. O Brasil que esse povo quer é totalmente distópico. Um país que não tenha gay mesmo", afirma Ribeiro.

Passado: em 1962, a revista "Fatos e Fotos" noticiou o casamento encenado entre uma transformista e um amante, numa boate de Copacabana, com esta chamada: "As bodas do diabo".

Presente: a definição virou título do quinto curta de Ribeiro.

Em 2014, seu projeto anterior venceu o Show do Gongo –aquela sessão clássica apresentada por Marisa Orth no festival Mix Brasil, na qual a plateia pode gongar filmes ruins e salvar os bons.

No vídeo gráfico "Shoshanna", uma transexual simula assassinar Cunha, Feliciano, Malafaia e Bolsonaro ao som de "People Are Strange" (The Doors).

A certa altura, entram "flashes" do clipe "Deus nos Amou", da pastora Ana Paula Valadão, vocalista do grupo Diante do Trono. "Quem pecar vai pagar / Quem pecar vai morrer", ela canta rodeada de crianças.

"Shoshanna" caiu nas graças do público e levou o troféu Coelho de Prata. A personagem reaparece no novo curta de Ribeiro e traz "amigas travestis que estão bem com o foda-­se para tudo isso", diz o diretor.

Futuro: "Bodas do Diabo" se passa em 2020. "O medo que vivemos em 2015 concretizou­-se: foi instalada uma ditadura religiosa no Brasil", conta a sinopse.

Travestis se unem para combater o regime e libertar seu povo. Bill Santos, candidato a deputado federal pelo PSOL-­SP nas últimas eleições, interpreta Veronika Stronger.

"É uma homenagem a Verônica Bolina, travesti que foi torturada pela Polícia Civil de São Paulo", diz Santos.

Refere­-se à travesti que ficou desfigurada após apanhar na cadeia, em abril. Na ocasião, Verônica ratificou a versão policial do caso: "Possuída pelo demônio", teria recebido uma surra de outros presos e arrancado a dentadas a orelha de um carcereiro.

Valder Bastos, que encarna a drag queen Tchacka nas noites paulistanas, também está na equipe.

Em "Bodas do Diabo", Ivan Ribeiro funde cenas filmadas em protestos contra a presidente Dilma Rousseff, em março, a gravações do elenco na rua Augusta, na Vila Mariana e no Pacaembu.

Seu gênero, diz, é o "gayexplotation", que une a temática LGBT ao "exploitation", um tipo de cinema apelativo, violento e de baixo orçamento – Quentin Tarantino reverenciou esse filão em obras como "Pulp Fiction" e "Kill Bill". "Testosterona", o curta de estreia, é um bom exemplo: um rapaz arranca os testículos do namorado após ser traído.

Para Ribeiro, "é triste que não seja natural" a inclusão maciça de filmes gays em grandes festivais de cinema –a circulação acaba restrita a mostras como o Mix Brasil. É de se pensar, ele afirma, numa cota para o segmento em eventos que recebam dinheiro público.

OUTRO LADO

Os deputados Bolsonaro e Feliciano criticaram o curta­metragem que os "homenageou".

"Não tenho tempo de assistir a este tipo de lixo", afirma Bolsonaro. "Ele [Ivan Ribeiro] não devia combater a ditadura, afinal de contas, gosta de ditadura", completa o parlamentar, que vê no "ativismo gay" uma vocação para oprimir.

Já Feliciano, que também é pastor evangélico, diz que estuda tomar medidas legais contra o filme, caso se enquadre no artigo 208 do Código Penal Brasileiro, que fala sobre "escarnecer de alguém [...] por motivo de crença".

"Sou cinéfilo, mas um filme deste tipo coloca a religião como algo ruim. O diretor está nos atacando frontalmente, é uma obra preconceituosa", diz. O deputado Eduardo Cunha e o pastor Silas Malafaia não foram encontrados pela Folha para comentar "Bodas do Diabo".

BODAS DO DIABO
Direção Ivan Ribeiro
Elenco Silvero Pereira, Bill Santos, Miguel Vicentim, Fabinho Vieira e Valder Bastos
Produção Brasil, 2015
Quando Terça­feira (20), às 19h
Onde Cine Olido, av. São João, 473, São Paulo



quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Marco Feliciano também quer liberdade de expressão só pra ele

Seguindo o exemplo de Silas Malafaia, Marco Feliciano quer liberdade de expressão só pra ele e não consegue distinguir uma piada da realidade.

A matéria é do Brasil Post:

Feliciano processa Sensacionalista por se sentir 'abalado moralmente e torturado'

Grasielle Castro

O pastor Marco Feliciano (PSC-SP) não soube lidar com as brincadeiras do site Sensacionalista e entrou na Justiça contra a página humorística. Ele pediu para não virar mais piada no site, quis danos morais pelas postagens já publicadas e ainda solicitou segredo de Justiça.

As alegações do deputado, entretanto, não foram acatadas pelo juiz Raimundo Silvino da Costa Neto, da Sétima Vara Cível de Brasília.

No despacho, o juiz argumenta que "o site em referência trata-se de atividade vinculada diretamente à imprensa humorística, retratando notícias com base em situações inusitadas e com caráter de comédia, sendo sabido que todos os leitores detêm conhecimento que suas matérias não retratam a realidade."

Ainda de acordo com Neto, a retirada imediata desse conteúdo fere o direito constitucional de livre imprensa e repúdio à censura.

De acordo com o Sensacionalista, a postagem que motivou a ação foi publicada no dia em que os Estados Unidos aprovaram o casamento gay, “Marco Feliciano cancela a remessa de Xampu comprado em Miami”.

O site explica que o deputado se sentiu ofendido, “abalado emocionalmente e torturado conscientemente, não podendo suportar a ideia de que qualquer pessoa possa acessar esse tipo de site virtual”. Procurado, o parlamentar não retornou.



sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

No dia de seu aniversário, papa doa sacos de dormir a pessoas sem-teto

sem-teto

O papa Francisco completou 78 anos de idade no último dia 17 de dezembro, quarta-feira passada, e a grande notícia da data foi o reatamento das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba, processo no qual o pontífice teve importante papel.

Entretanto, naquela mesma data o papa enviou a Guarda Suiça pelas ruas de Roma, dentro de um micro-ônibus, e os guardas distribuíram sacos de dormir para pessoas que não têm um teto para repousar às portas do sempre intenso inverno europeu.

EMBLEMA PAPAL


Cerca de 400 sacos de dormir com o brasão papal foram doados aos indivíduos sem-teto, pelo menos todos os que os membros da Guarda Suíça encontraram, e os regalos eram declarados como um presente do papa, pedindo ainda que os beneficiários rezassem por ele.

A gente até tenta não dar notícias todos os dias sobre o papa, mas ele tem monopolizado a atenção do mundo desde que assumiu o trono do Vaticano, e como este é um blog com ênfase nas notícias religiosas, não podemos evitar de comentar os mais recentes gestos de Francisco.

VERGONHA ALHEIA


Enquanto isso, no Brasil, um certo Marco Feliciano, que se apresenta como pastor evangélico e deputado federal, faz de tudo para aparecer na mídia defendendo o direito de um colega deputado (cujo nome não merece ser mencionado) dizer que mulher ele quer ou não estuprar.

Por esses últimos, sentimos a mais profunda vergonha alheia e lhes dedicamos o nosso mais solene silêncio.



A fonte da notícia sobre o papa é o Vatican Insider. Sobre Marco Feliciano e outra conhecida evangélica defendendo aquele deputado que não merece ser mencionado (a rigor, nenhum deles merece), a fonte é o Brasil Post.



quarta-feira, 7 de maio de 2014

Assembleia de Deus de SP quer cassar título de pastor de Marco Feliciano

"Vaidade de vaidades, tudo é vaidade", já dizia o Pregador (Eclesiastes 3:1). Aliás, se certos indivíduos que se apresentam como "pastores" lessem como se deu a queda de Lúcifer no capítulo 28 de Ezequiel, eles - quem sabe - aprenderiam alguma coisa com as mancadas do satanás.

Depois de sua bombástica entrevista à revista Playboy, o conhecido pastor arroz-de-festa Marco Feliciano está sendo questionado por seus pares, segundo informa a Folha de S. Paulo:

Por dar entrevista à Playboy, Feliciano pode perder o título de pastor

DANIELA LIMA

A Convenção Fraternal das Assembleias de Deus no Estado de São Paulo (Confradesp) pode cassar o título de pastor do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) por ele ter dado uma entrevista à revista "Playboy", cujo carro-chefe é a publicação de fotos de mulheres nuas.

Ontem, a entidade que reúne oito mil pastores do Ministério do Belém no Estado decidiu abrir uma apuração contra Feliciano em seu conselho de ética. O procedimento pode levar a desde uma advertência até o "descredenciamento pastoral" do deputado. Ou seja, a cassação do título de pastor.

A entrevista, publicada em abril, tem oito páginas. À publicação, Feliciano confessou ter usado cocaína na adolescência e disse sonhar com a Presidência. Ele também falou sobre sexo anal.

"Com certeza tem homens que têm tara por ânus, sim. Não entendo muito dessa área porque nunca fiz, graças a Deus, e espero nunca fazer, porque parece que quem faz não volta mais", avaliou.

À Folha, o chefe de gabinete de Feliciano, Talma Bauer, disse que ele não falaria sobre o caso porque ainda não havia sido notificado, mas que considerava normal um "pedido de explicações".

Bauer diz que a entrevista foi um "direito de resposta" concedido pela revista ao deputado, que se sentiu ofendido pelo modo como um humorista se referiu a ele na 'Playboy'.

Membro da direção da Confradesp, o pastor Lelis Washington diz que o problema não está no conteúdo das declarações de Feliciano. "Deixando de analisar a entrevista, não é essa literatura que recomendamos aos fiéis."



quarta-feira, 9 de abril de 2014

Marco Feliciano assume seu lado "fiscal de fiofó"

Você, amigo crente, que escondia a revista Playboy enrolada na toalha ao passar pela família na sala em direção ao banheiro, não precisa mais se preocupar. Os seus problemas acabaram!

É que a conhecida revista pornográfica erótica traz na edição deste mês, entre uma e outra moça pelada, a opinião do pastor pop-star e deputado Marco Feliciano sobre questões essenciais da vida cristã e da humanidade em geral.

Assim, se papai ou mamãe perguntarem o que você vai fazer com a Playboy no banheiro, responda-lhes que está mais interessado no conteúdo, sobretudo na opinião de Marco Feliciano sobre os temas mais candentes do mundo atual.

Na entrevista em questão, o pastor Feliciano declara que já consumiu cocaína quando tinha 12 anos de idade e, questionado sobre o prazer anal dos homossexuais, acrescenta:
“Com certeza, tem homens que têm tara por ânus, sim. Eu não entendo muito dessa área porque nunca fiz, graças a Deus, e espero nunca fazer, porque pa­rece que quem faz não volta mais. [Risos]. Deve ser uma coisa tão estranha…”.
O deputado Feliciano tem todo o direito de emitir a opinião que quiser sobre qualquer tema e também pode manifestá-la onde preferir, ainda que sejam - no mínimo - de mau gosto suas afirmações sobre sexo anal.

Na verdade, ele poderia manifestá-la onde preferisse, não fosse sua insistência em se apresentar à sociedade como "pastor" e "evangélico".

O estranho é que ele venha a público fazer suas colocações esdrúxulas numa revista mais conhecida por suas fotos de mulheres nuas, entre umas e outras páginas grudadas em razão do uso alternativo que ela brinda aos seus "leitores".

Bons tempos aqueles em que evangélicos zelavam pela sua imagem e por não se associarem a veículos de massa que exploram o mundanismo e a sensualidade.

Bons tempos aqueles em que os pastores pregavam apenas a mensagem da cruz sem nem imaginar em se intrometer em meandros anais.

Como Paulo já aconselhava no capítulo 5 da carta aos Efésios, "toda sorte de impureza ou cobiça, nem sequer se nomeie entre vós, como convém a santos, nem baixeza, nem conversa tola, nem gracejos indecentes, coisas essas que não convêm" (versos 3 e 4) e "não vos associeis às obras infrutuosas das trevas, antes, porém, condenai-as; porque as coisas feitas por eles em oculto, até o dizê-las é vergonhoso" (vv. 11 e 12).

Entretanto, certos "pastores" modernos do Brasil, que pregam (e vivem) apenas o que lhes convém, não só estão ficando mais conhecidos por suas expressões verbais vergonhosas, como associam sua imagem a uma revista pornográfica erótica sem nenhum constrangimento.

Afinal, nunca vai faltar trouxa para segui-los em seus delírios midiáticos. O que vai faltar, sim, é gente que leia a Bíblia para conferir se as palavras de seus líderes correspondem à verdade e realmente edificam (Efésios 4:29).

Tá rindo de quê, Marco Feliciano?



terça-feira, 8 de abril de 2014

Pilantras usam imunidade tributária de igrejas para lavar dinheiro

Lamentavelmente, a profusão de pilantras montando "igrejas" que se dizem "evangélicas" serve também para todo tipo de maracutaia, burlando a fiscalização mediante a isenção tributária que a Constituição Federal confere às religiões.

Repare no gráfico e na matéria abaixo, como cresceu o número de "evangélicos não determinados", ou seja, aqueles que não se filiam a nenhuma denominação tradicional ou pentecostal históricas.

Aqui no blog, somos favoráveis ao controle das finanças das igrejas mediante registro obrigatório de todas as suas movimentações de dinheiro, aprovação das contas em assembleia, responsabilização dos líderes em caso de desvios, movimentação compulsória em conta bancária e um imposto simbólico de - digamos - 0,01% das doações dos fiéis para que o Fisco tenha meios hábeis para saber exatamente de onde vêm e para onde vão os recursos da denominação.

Dizemos "imposto simbólico" porque a grande maioria das religiões, aí incluídas as evangélicas ou não, tem um trabalho social efetivo e significativo, mas é necessário (e urgente) coibir a prática de alguns safados que se valem dessa imunidade tributária para lavar dinheiro de origem ilícita.

Uma igreja séria jamais temerá fiscalização de quem quer que seja. Líderes evangélicos sérios e comprometidos com o evangelho nunca terão o rabo preso com meliantes.

O problema é que o povo que se diz "evangélico" continua votando em candidatos que têm uma denominação para chamar de sua. 

Se pelo menos pudessem lavar suas consciências...

A matéria foi publicada no jornal Valor Econômico de 25/03/14:

Doleiros usam imunidade tributária de igrejas para lavagem

André Guilherme Vieira

Doleiros usam imunidade tributária conferida por lei a templos religiosos para lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e sonegação fiscal.

A prática é investigada em inquéritos e procedimentos preparatórios do Ministério Público nos Estados e pelas procuradorias da República, fato que preocupa a Justiça Eleitoral em ano de escolha de presidente, governadores, deputados e senadores.

As igrejas contam com uma condição fiscal privilegiada no Brasil. A Constituição estabelece no artigo 150 que é vedado à União, Estados, Distrito Federal e municípios, instituir impostos sobre templos de qualquer culto. A proibição compreende patrimônio, renda e serviços relacionados às finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já definiu que "templo" não está restrito ao espaço físico do culto religioso, compreendendo o conjunto de bens da organização religiosa, que devem estar registrados como pessoa jurídica.

"O uso de 'templos de fachada' ou 'igrejas-fantasma' está se disseminando no país", alerta o desembargador federal Fausto Martin de Sanctis, especializado no combate a crimes financeiros e à lavagem de dinheiro. O magistrado, autor de livros sobre o tema no Brasil e nos Estados Unidos, destaca que a condição tributária singular franqueada às igrejas tornou-se um expediente eficaz para abrigar recursos de procedência criminosa, sonegar impostos e dissimular o enriquecimento ilícito: "É impossível auditar as doações dos fiéis. E isso é ideal para quem precisa camuflar o aumento de sua renda, escapar da tributação e lavar dinheiro do crime organizado. É grave", conclui Sanctis.

Doações de organizações religiosas a partidos políticos são proibidas pela legislação. Elas podem significar cassação do diploma ou indeferimento da candidatura. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) firmou convênio com a Receita e a Polícia Federal (PF), para agilizar punições quando detectadas operações de caixa dois e outros ilícitos: "Sempre nos preocupamos com essa forma de doação, porque, além de criminosa, desequilibra a corrida eleitoral", diz o juiz assessor da presidência do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), Marco Antonio Martin Vargas. "Agora há maior facilidade de aferição de recursos, por conta do cruzamento com dados das declarações de imposto de renda", assinala Vargas. Ele salienta que a colaboração da sociedade é fundamental para reprimir o fluxo de valores não contabilizados e a lavagem de dinheiro. " A doação ilegal existe, claro. E aquele que recebe por caixa 2 corre por fora da declaração de arrecadação e gasto".

Na opinião do procurador da República em São Paulo, Silvio Luís Martins de Oliveira, que investigou e denunciou criminalmente responsáveis pela Igreja Universal do Reino de Deus por lavagem de dinheiro, evasão de divisas, formação de quadrilha e estelionato, é preciso refinar a fiscalização sobre atividades financeiras de entidades religiosas: "Eu acho que se a igreja cumpre um papel social, tudo bem quanto ao tratamento fiscal diferenciado. Mas quando começa a virar empresa de telecomunicações, fazer doações a políticos, aí é preciso refrear". Segundo o procurador, o mecanismo utilizado em templos destinados à lavagem de dinheiro continua sendo o sistema paralelo conhecido como dólar-cabo, embora, algumas vezes, também envolva a compensação bancária: "Costuma ser um doleiro de confiança que busca ajuda de casas de câmbio, pois a quantidade de cédulas é enorme. É o que chamam de 'dinheiro sofrido', porque o fiel costuma pagar o dízimo com notas amassadas", esclarece.

Uma das lideranças mais polêmicas da bancada evangélica na Câmara dos Deputados, o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), discorda que falte fiscalização às doações realizadas às igrejas: " Essa citada falta de fiscalização é questão de ponto de vista. Se o legislador após longo debate na Assembleia Nacional Constituinte isentou as instituições religiosas de impostos, nada mais fez do que atender aos anseios da maior parte da sociedade", pondera.

O número de igrejas e templos abertos no país segue em crescimento, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação. São 55.166 organizações religiosas em atividade em 2014, contra 54.402 no ano passado e 46.010 em 2012. Crescimento de 18,24% na variação entre 2012 e 2013, e de 1,4% na comparação deste ano com 2013. O número de entidades religiosas já é maior que o de sindicatos (33.837) e que o de cooperativas (40.196).

O estudo "Religião e Território" (2013), dos pesquisadores Cesar Romero Jacob, Dora Rodrigues Hees e Philippe Waniez, indica expansão exponencial dos chamados "evangélicos não determinados". Eles passaram de 580 mil no ano 2000 para impressionantes 9,2 milhões em 2010. Os evangélicos de missão cresceram de 6,9 milhões para 7,6 milhões no mesmo período, enquanto os evangélicos pentecostais passaram de 17,6 milhões para 25,3 milhões em dez anos.

Seguiu engessado por quase um ano na Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara dos Deputados, Projeto de Lei Complementar (PLP) que suspenderia a imunidade tributária de templos de qualquer culto, partidos políticos, sindicatos e de instituições educacionais e de assistência social sem fins lucrativos. Mas a proposta foi retirada pelo próprio autor, deputado Marcos Rogério Brito (PDT-RO): "Foi o partido que me pediu para reapresentar o projeto, que originalmente teve outro deputado como autor, Gustavo Fruet (PDT) [atual prefeito de Curitiba]. Mas demandaria modificar a Constituição, então teria de ser pela via da emenda constitucional. Por isso retirei", explica.

O parlamentar nega ter havido pressão para o descarte da proposta e afirma considerar a possibilidade de reconfigurar a ideia nos moldes de uma PEC. Mas diz que o estudo ainda não foi concluído pela área técnica da Câmara. No entanto, Brito diz que, pessoalmente, é favorável à imunidade tributária "para igrejas, partidos políticos, jornais e revistas".

A manutenção da condição ímpar de isenção fiscal a que as entidades religiosas foram alçadas pela Constituição, é defendida intransigentemente pela bancada evangélica da Câmara dos Deputados, que conta com 73 parlamentares eleitos em 2010 e vem ganhando representatividade a cada nova legislatura. O deputado Marcos Feliciano declara-se "visceralmente" a favor da imunidade fiscal aos templos, em nome da 'liberdade religiosa'. Sobre o uso das casas religiosas para práticas de moral e legalidade questionáveis, Feliciano faz uma alusão indireta a entidades católicas: "Se partirmos do pressuposto que uma entidade não deve ter tratamento especial pela possibilidade de malfeitores se aproveitarem, por analogia o mesmo princípio se aplicaria às Santas Casas e Universidades mantidas por Fundações sem fins lucrativos".





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