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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Bispo da universal teria censurado matéria sobre "novos pais" na Record


A ser verdade o que diz o blog Famosidades do MSN, está enganado(a) quem alega que é só a Globo que molda o controverso e reverso "pensamento único" brasileiro.

Já pensou uma sociedade em que certos "evangélicos" controlem a informação que você pode ou não consumir?

Parece que o buraco da manipulação midiática é mais largo e retrógrado do que se pensa:

Bispo censura reportagem especial do "Jornal da Record"

Programada para estrear no "Jornal da Record" na última segunda-feira (7), a série "Novo Pai" causou transtornos para a produção do noticiário. O motivo? Um dos bispos da emissora decidiu vetar alguns dos temas que seriam exibidos.

De acordo com o colunista Flávio Ricco, o religioso, ao assistir à chamada da série, não aprovou boa parte dos assuntos que estavam em pauta - principalmente os que falavam de filhos de homossexuais.

Temas relacionados a pais solteiros e separados também tiveram que passar por mudanças.

Como as alterações foram feitas em cima da hora, a equipe do jornalístico precisou correr e unir forças para conseguir ter algo pronto para exibir ao público no "JR". As reportagens fazem parte do especial de Dia dos Pais - celebrado no próximo domingo (13).



segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Revista Época condenada a indenizar ex-empregada de Edir Macedo


A história é daquelas cheias de detalhes, conforme a matéria publicada no Brasil Post, com vídeo mais abaixo:

Ex-mulher de pastor demitido da Igreja Universal ganha indenização de R$ 10 mil por polêmica matéria na revista Época


Thiago de Araújo

A 9ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) acolheu a ação indenizatória de Jacira Aparecida da Silva contra a Editora Globo, responsável pela revista Época. A decisão, oficializada na última sexta-feira (20), prevê o pagamento de R$ 10 mil por conta de uma polêmica envolvendo o ex-marido de Jacira, Gustavo Alves da Rocha, ex-pastor da Igreja Universal do Reino de Deus.

A matéria em questão, com o título “Aprendi a extorquir o povo”, publicada em 18 de setembro de 2009, apresentava Rocha como um pastor demitido pela Universal em 2004, mas que pouco tempo antes era responsável por contar e fazer o depósito do dízimo recolhido nos 26 templos da Universal em Nova York (EUA). Na mesma matéria, Rocha afirmou “ter morado” na mansão do bispo Edir Macedo, líder da Universal e dono da Rede Record, por três anos.

Foi lá que o ex-pastor teria conhecido Jacira, com a qual foi “orientado por Macedo” a se casar, na época em que ela seria empregada doméstica do líder da igreja. A ex-mulher de Rocha moveu o processo contra a Editora Globo por conta das denúncias feitas por ele, atribuindo a ela informações falsas e declarações inexistentes sobre supostas irregularidades praticadas por representantes da instituição.

“Tal conduta, por certo, extrapola o mero exercício do direito de liberdade de informação, já que a reportagem ultrapassa os limites da função jornalística, que é de informar à coletividade fatos e acontecimentos, de maneira objetiva, sem alteração da verdade, resvalando nos direitos de personalidade da autora”, afirmou em seu voto o desembargador Alexandre Alves Lazzarini. A decisão muda àquela de primeira instância da ação que começou em 2011, a qual julgou improcedente o pedido de indenização. A editora ainda pode recorrer da decisão.

Na Record, Jacira já havia negado reportagem


Na época da reportagem, a Record produziu uma matéria com Jacira (que, segundo a revista, tinha confirmado o relato do ex-marido), na qual ela negava as denúncias feitas Gustavo Alves da Rocha. Antes de ser pastor da Universal, ele teria conhecido Edir Macedo em Londres, onde o líder da igreja estaria aumentando o número de templos e precisava de ajuda.

Já pastor nos EUA, ele garantia ter presenciado os planos de Macedo para construir o seu império, afirmando ainda que o dízimo ajudou na expansão da emissora.

“Todos os salários dos funcionários da Rede Record são pagos pela emissora em conta corrente dos beneficiários e todos os investimentos são pagos pela emissora com recursos próprios (...). Edir Macedo nos ensinava a atingir as metas que ele criava para cada igreja, e a meta era financeira. Não era de fiéis”, comentou o ex-pastor à Época em 2009.

A Record negou as informações prestadas por Rocha, assim como a Universal. Em seu blog pessoal, Edir Macedo rebateu todo o conteúdo da revista, chamando tudo de um “recomeço da guerra entre Globo e Record”.





quinta-feira, 4 de julho de 2013

Record joga a toalha

Segundo a nota abaixo, da coluna do Ricardo Feltrin publicada n'A Terra, a igreja universal "repassa" 500 milhões de reais por ano à Rede Record, já que, como todos sabem, ambas têm como dono o Edir Macedo.

O que chama a atenção é que, para pagar meio bilhão de reais por ano de patrocínio, este - em tese - deve dar um retorno muito maior aos cofres da igreja.

Agora imagine o que poderia ser feito se essa grana toda fosse efetivamente aplicada para o bem das pessoas e mostrasse o verdadeiro reino de Deus ao mundo.


Record desiste de brigar com Globo pelo 1º lugar


As mudanças que ocorreram na cúpula da Record neste início de semana marcam uma nova era para a emissora. Com a saída do vice-artístico Honorilton Gonçalves e sua substituição por Marcelo Silva, executivo de confiança da Igreja Universal, mostra o fim do chamado "caminho da liderança", slogan (pretensioso) estreado em 2008...? Vamos ponderar na notinha abaixo...

Fecha a torneira

A ordem na Record agora é economizar dinheiro e fazer jus aos quase R$ 500 milhões que a Universal repassa anualmente à emissora, pela compra das madrugadas. Um dos setores que devem ser mais afetados é o da dramaturgia, que sofrerá cortes e redução extrema de produções. Sem novelas, a Record está, na prática, desistindo de tentar competir com a Globo pelo primeiro lugar em audiência - que, pelas contas de Honorilton, deveria ser atingido em 2015... Segundo lugar....

Esperança vã

Muitos funcionários da Record ficaram felizes por saber que o novo executivo Marcelo Silva não é bispo da Igreja Universal. Ledo engano. Não é bispo, mas tem status de. É homem de confiança de Romulado Panceiro, indicado pelo próprio Edir Macedo como seu herdeiro.




quinta-feira, 13 de junho de 2013

Psicanálise do vilão gay da novela das 9


Interessante análise publicada no portal F5 da Folha.com:

Vilão gay de "Amor à Vida" sequestra o brilho da mocinha

ROBERTO DE OLIVEIRA
SILVANA ARANTES

Esqueça a mocinha. Em "Amor à Vida", a trama é toda trabalhada na maldade de Félix Khoury. A "bicha má" vivida pelo ator Mateus Solano roubou a cena na semana de estreia da novela de Walcyr Carrasco na faixa das 21h.

Suas frases ferinas viraram hit nas redes sociais e gíria no circuito gay. Nessa toada, "parece uma ratinha" e "salguei a Santa Ceia" vão entrar para o glossário da Parada Gay no domingo que vem.

Na trama, Félix é o irmão da mocinha Paloma (Paolla Oliveira), de quem sente torturantes ciúmes, por julgar-se preterido pelo pai, César Khoury (Antonio Fagundes).

Casado com Edith (Bárbara Paz), com quem tem um filho, Félix se encontra às escondidas com um amante. Edith surpreendeu os dois num almoço romântico no terceiro capítulo da trama.

Na opinião do psicanalista e colunista da Folha Francisco Daudt, a impressão deixada pelos primeiros capítulos "é de que se trata de um caso grave de doença sadomasoquista, quando toda a inteligência da pessoa está voltada para o rancor e para a destruição, que costuma ser também autodestrutiva". Diz que "o personagem lembra os gays efeminados. Eles nascem assim, brincam de boneca e de casinha com meninas desde muito pequenos".

Segundo o psicanalista, "quando um menino assim tem uma irmã, sobretudo única e caçula, forma com ela a configuração familiar mais difícil que há: duas irmãs. Ciúmes, inveja, competição, preferir a infelicidade da outra à sua própria felicidade, disputar o amor do/dos pais".

Essas afirmações, ressalva Daudt, "são estatísticas; sempre haverá exceções".

O também psicanalista Jorge Forbes encara a trajetória de Félix por outro ângulo. "É perigoso associar gay à maldade, o que reforça a caricatura de 'bicha má'", diz.

Forbes considera um equívoco os heterossexuais acharem que só os homossexuais têm dificuldade em expressar sua sexualidade. "Todo ser humano tropeça na pedra de sua sexualidade. Ela é difícil para todo o mundo."

Diz ainda que o fascínio e o endeusamento exercidos por Félix legitimam o personagem e o espectador. "Essa representação de algo tão perverso nos diz o seguinte: se Félix existe, eu, com minhas fantasias menos graves, também posso existir e dizer: 'Félix é ele. Ufa!'"

Para além de fomentar discussões sobre comportamento social e sexualidade, porém, "Amor à Vida" tem a tarefa mais urgente de reabilitar a audiência da Globo no horário nobre, que "Salve Jorge" (Gloria Perez) derrubou.

Na estreia, na última segunda, a novela marcou 35 pontos no Ibope (cada ponto equivale a 62 mil domicílios na Grande São Paulo). A média foi mantida nos dois capítulos seguintes --36 e 34 pontos, respectivamente.

Apontado pelos tuiteiros fãs de novela como uma versão gay de Carminha (Adriana Esteves), de "Avenida Brasil" (João Emanuel Carneiro), Félix pode passar a novela toda sem conseguir conquistar o afeto de seu pai, mas o público parece já ter caído de amores por ele.



segunda-feira, 20 de maio de 2013

Evangélicos preocupados com o que a Globo pensa deles

O mundo “evangélico” brasileiro está em polvorosa desde a última sexta-feira, preocupado que está com o que a TV Globo pensa deles.

Por “evangélicos” entre aspas entenda as pessoas que se dizem (ou se acham) cristãs e cuja regra de vida e conduta não é mais a Bíblia, mas a opinião da mídia sobre eles e a visão de mundo que seus líderes, “pastores” e “apóstolos” lhes impõem.

É que, na exibição do último capítulo da novela “Salve Jorge”, a personagem Wanda, encarnada pela atriz Totia Meirelles, antes uma facínora inveterada, se converte e vira “evangélica” na prisão.

A “conversão” de Wanda foi recebida como um tapa na cara dos “evangélicos”, desferido pela autora da novela, Glória Perez, como vingança pelo boicote de audiência que sofreu daqueles pelo alegado título católico-umbandista da obra, “Salve Jorge”.

A novelista estaria, ainda, se vingando sarcasticamente do fato de Guilherme de Pádua e Paula Thomaz, assassinos de sua filha Daniella Perez em 1992, terem também supostamente se convertido a evangélicos na prisão.

No final de "Salve Jorge", Glória Perez teria, portanto, matado dois coelhos com uma cajadada só.

Longe de avaliar as qualidades artísticas de quem quer que seja, já que o que espanta é que alguém ainda se preocupe em ver novelas, futebol e Formula 1 no país, é no mínimo curioso notar que alguns grupos “evangélicos” se pautem desesperadamente pelo que os outros dizem deles.

Em sua fase áurea, a igreja cristã nasceu, cresceu e se desenvolveu num meio que lhe era francamente hostil, sem nunca se preocupar com o que os parcos meios de comunicação e entretenimento da época pensavam deles.

Pelo contrário, em muitas oportunidades os cristãos foram queimados e devorados pelos leões como parte dos espetáculos circenses que se desenrolavam no Coliseu e nas arenas de todo o Império Romano.

O “evangélico” brasileiro do século XXI, entretanto, perde o sono porque uma novela da Globo - oh, céus! - mostrou o que é corriqueiramente aceito sem nenhum questionamento pelo país afora: as “conversões” repentinas de muitos criminosos sanguinários e contumazes na prisão.

Contraditoriamente, portanto, esse “evangélico” se ofende pelo fato da novela que tanto combateu mostrar algo que ele não só aceita como incentiva e apresenta como trunfo (ou troféu de guerra) de sua pregação: a recuperação de um criminoso sanguinolento.

É um tanto quanto constrangedora a indignação dos “evangélicos” ao ver uma “inimiga” como Glória Perez utilizar uma personagem fictícia para questionar o oportunismo de uma “conversão”.

Das duas uma: ou o seu discurso antinovela e a pregação (e exposição) legitimadora das conversões penitenciárias é só fachada, ou eles realmente consideram cínico e hipócrita um criminoso se aproveitar da boa fé dos outros para dizer que – automática e instantaneamente – se regenerou.

Além disso, por mais audiência e poder real que a Globo tenha, qual é a importância de saber o que ela pensa sobre os evangélicos em geral?

O cristianismo, em sua gênese, nunca precisou da legitimação do poder e da precária “mídia” que existia na época para crescer e se firmar.

Pelo contrário, perdeu a sua força e a sua essência de pureza e verdade quando foi de certa forma absorvido por eles e se institucionalizou.

Logo, o que a indignação desses “evangélicos” revela é que a sua luta é pelo poder, a sua disputa é ideológica e os seus objetivos são tão mundanos quanto uma briga por audiência na TV.

Tão mundanos que, conforme já observamos aqui, a própria Globo tem buscado diferentes e inusitadas maneiras de atender as necessidades supostamente “espirituais” de seu público gospel.

Tivessem os “evangélicos” alguma aspiração ou inspiração espiritual, nem perderiam seu tempo se preocupando com o que é que a Globo pensa deles.

A continuarem agindo assim, apenas descerão mais rápido ao inferno anunciado da sua irrelevância total. E sem ibope.

O antídoto para essa queda aparentemente irreversível? Fácil: ore mais, leia mais a Bíblia, pregue mais o evangelho, ame e sirva o seu próximo e o seu irmão, e veja menos TV. 

Preocupe-se mais com a opinião que Deus tem a seu respeito e da igreja onde você congrega. Simples assim...






segunda-feira, 22 de abril de 2013

Ana Maria Braga é atropelada ao vivo


Calma, gente, ela está bem! É que depois de usar um colar de tomates, a natureza resolveu se vingar... tecnologicamente, é claro.

A matéria que estava sendo exibida ao vivo era sobre um "carro inteligente" criado por pesquisadores brasileiros, que, pelo jeito, não foi com a cara da apresentadora global e por pouco não a matou.

Isto depois do entrevistado dizer que a inspiração veio da curiosidade dele para saber "como o cérebro funciona"...

Veja o vídeo do "atropelamento" ocorrido hoje, 22/04/13, no programa "Mais Você" da Globo, ante o olhar atônito do Louro José:




sexta-feira, 19 de abril de 2013

Próxima novela global terá tema budista

Pelo jeito não adiantou muito o lobby de Silas Malafaia na Rede Globo para que a emissora exibisse uma novela com abordagem positiva de personagens evangélicos em horário nobre.

A se confirmar a notícia de que a próxima novela das 9 da noite na TV carioca terá uma protagonista evangélica, parece que a "vênus platinada" já tratou de contrabalançar o aperreio gospel com um antídoto budista na nova novela das 6 da tarde, "Joia Rara", com direito a reencarnação, um tema recorrente nas espíritas novelas globais do horário.

Vê se aprende, Malafaia! Com a Globo é assim, uma no cravo, outra na ferradura. E "joia rara" está só no título da obra.

Logo, independentemente de você ser ateu, religioso ou indiferente, se você ainda acha que as novelas têm o condão de mudar o mundo, prepare-se: vem aí (mais) uma overdose de religião pra ninguém (ou todo mundo) botar defeito. A deusa Globo agradece...

A notícia vem da coluna Outro Canal publicada na Folha de S. Paulo de 13/04/13:
A próxima novela das 18h da Globo, “Joia Rara”, tem produção de novela das 21h. A trama de Thelma Guedes e Duca Rachid vai movimentar uma equipe de cerca de 50 pessoas em duas semanas de gravação no Nepal, na Ásia.

Segundo alguns profissionais envolvidos, que devem embarcar no final do mês para o país asiático, a equipe já recebeu as recomendações da emissora com relação aos costumes da região.

Entre os pedidos da Globo aos viajantes estão: não beber água fora do hotel e não consumir bebidas alcoólicas e drogas, pois as leis locais são muito rigorosas.

Assim como foi em “Cordel Encantado”, “Joia Rara” terá pinta de produção cinematográfica. A maior parte dos equipamentos e câmeras será alugada nos EUA.

A nova trama, que sucederá “Flor do Caribe”, conta a história de um jovem muito rico, vivido por Bruno Gagliasso, que sofre um grave acidente durante uma viagem ao Tibete.

Ele acaba salvo por monges e é cuidado num mosteiro por um budista muito sábio.

O monge morre pouco depois, e o rapaz tem como missão encontrar no Brasil a criança na qual o homem reencarnou.

A direção de “Joia Rara” é de Ricardo Waddington e Amora Mautner, e a estreia está prevista para setembro.




sexta-feira, 12 de abril de 2013

Atriz global diz que Marco Feliciano é "bênção de Deus"

Antes que o Marco Feliciano se anime muito, é melhor que ele leia a matéria até o fim. A notícia é do Glamurama do UOL:

Letícia Sabatella: “O pastor Feliciano é uma benção de Deus”. Entenda

Glamurama acaba de cruzar com Letícia Sabatella no Projac e, sabendo da veia politizada da atriz, puxou papo sobre o pastor Marco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. “O Feliciano é uma benção de Deus. Ele é tão nazista, arcaico e egoísta que enfim estamos acordando para a homofobia e o preconceito. É um mal que vem pra bem. É tão absurdo e forte, como se quem não pensa como ele estivesse associado ao demônio, possuído. Aconteceram coisas que doeram na minha alma. E, para ser contra essa aberração, quem antes não queria chocar a bisavó está se assumindo. Graças a isso, a homofobia daqui a pouco vai acabar, como acabou a escravidão.”





Um desabafo de Letícia Sabatella mobilizou a internet nessa semana. Ao dizer que “o pastor Feliciano é uma benção de Deus”, a atriz, conhecida por ser politizada, despertou o interesse dos internautas, que fizeram com que Glamurama atingisse seu recorde de acessos do ano. Na segunda-feira, mais de 188 mil visitantes acessaram o site para entender a história – desses, mais de 161 mil vieram de compartilhamentos do Facebook. Obrigado, glamurettes!

* Há pouco mais de um mês à frente da Comissão de Direitos Humanos, o deputado Marco Feliciano é assunto em todas as rodas. Suas opiniões, especialmente a respeito dos gays, têm gerado protestos como “Feliciano não me Representa”.

*Só para esclarecer: a afirmação de Letícia foi pura ironia, seguida de “Feliciano é tão nazista, arcaico e egoísta que enfim estamos acordando para a homofobia e o preconceito”.



sábado, 30 de junho de 2012

A vida precisa de links afetivos

Se você tem dúvidas sobre o que ler no fim de semana, principalmente se não tiver muito tempo e quiser aprender algo útil para o resto de sua vida, leia a entrevista com Julio Ribeiro, presidente da agência de publicidade Talent, publicada pela Sonia Racy no Estadão de 25/06/12.

Assim, você não precisará chegar - como ele - aos 79 anos de idade para desfrutar da sabedoria que a maturidade traz, principalmente quanto a aproveitar melhor a sua vida.

A última frase da matéria é emblemática: "tem gente que está no paraíso e reclama da qualidade das toalhas". No mínimo, você repensará aquela sua ideia antiga de que publicitários não são seres humanos...

“DO QUE A VIDA PRECISA? DE LINKS AFETIVOS”

Aos 79 anos, Julio Ribeiro, fundador e presidente da agência de publicidade Talent, tem tempo para pintar, aprender jazz ao piano e participar, ativamente, da criação de campanhas para seus (poucos) clientes.

Também escreve livros sobre sua grande paixão. O mais recente (Marketing de Atitude – Como Fazer Suas Equipes e Seus Clientes Gostarem de Você) será lançado amanhã, no Iguatemi.

O segredo? “Faço o que gosto!” – desde que começou, em 1958, quando foi trabalhar na McCann Erickson. Depois, passou por Denison, Alcântara Machado e MPM. Em 1967, fundou sua primeira agência: Julio Ribeiro Mihanovich Publicidade, juntamente com Armando Mihanovich. E, em 1980, criou a Talent.

Após mais um dia de trabalho – quando foi informado de que a agência havia ganhado o Grand Prix na categoria rádio em Cannes (além de outros três leões) –, ele recebeu a coluna e falou sobre novas mídias, responsabilidade social, coisas que fazem mal à saúde, toalhas e, claro, vida.

A seguir, os melhores momentos da conversa com este Jerry Maguire brasileiro.

É preciso mesmo que o cliente goste de você?

Ninguém tem de fazer nada (risos). Mas interação é fundamental, sim. Você sabe que a Talent não perde um cliente há cinco anos? Tem a ver com isso, com certeza. O mais importante, claro, é que você goste de você. Eu, por exemplo, gosto de mim (risos). Quem não gosta de si mesmo não vai a lugar nenhum. E um ambiente de trabalho saudável é essencial – para que as pessoas possam fazer o que tem de ser feito com tranquilidade. Isso tem de ser passado para fora, para o cliente. Escrevi o livro por acreditar, piamente, nessa forma de trabalhar. Nós temos um cliente, um laboratório de exames médicos. Você entra e tem a impressão de que todos ali gostam de você. Essa experiência faz diferença. Por exemplo: você vai comprar uma bicicleta para seu filho. Ninguém sai procurando em dez lojas. Geralmente, vai a duas ou três. Ou seja, existe um filtro. E esse filtro está ligado à experiência que o comprador tem quando chega à loja.

Não tem a ver com preço?

Nem sempre. Pesquisas mostram que preço não é o fator mais importante. A interação com os atendentes e a experiência positiva da compra são essenciais. A Apple não me deixa mentir. Sempre que anuncia um produto novo, a fila na porta das lojas se forma uma semana antes do lançamento.

Às vezes, a empresa não ajuda.

Estava lendo um livro sobre gestão, estes dias, e um exemplo me chamou a atenção. Uma empresa americana especializada em limpeza de banheiros de estádios de futebol. Ninguém gostava de trabalhar lá, a rotatividade anual de funcionários beirava 100%. Um dia, um novo chefe de RH resolveu saber por que o turnover era tão alto. Sabe o que ele descobriu depois de uma pesquisa com os empregados? Que a maioria não gostava de trabalhar lá porque precisava pegar três conduções para ir de casa até a sede da companhia. O que a empresa fez? Criou uma linha de ônibus fretado. O turnover caiu para 40%.

Conhecer quem trabalha com você ainda é a alma do negócio?

As pessoas passam o horário nobre de suas vidas no escritório. Imagina: o funcionário tem um dia a dia horrível, chega em casa dizendo “eu vou acabar pedindo demissão” ou “eu não aguento mais aquele lugar, aquelas pessoas” e ouve da mulher que ele tem de pensar nas contas, na escola das crianças… Uma pessoa que vive assim não consegue brincar com os filhos, com o cachorro, não consegue ser atencioso com a esposa. Porque não existe a cabine do super-homem. Agora, quando você trabalha numa empresa em que as pessoas gostam de você, te respeitam, fica tudo mais fácil. São vantagens que mudam uma companhia. A criação desses links afetivos é o objetivo do meu livro.

É mais fácil estabelecer links afetivos em tempos de internet e redes sociais?

A internet dificilmente cria links afetivos. Eles só se estabelecem com relação pessoal.

A Talent nunca fez campanha para cigarro, bebidas destiladas e para o governo. Por quê?

Porque os três fazem mal à saúde (risos). Desde o início da Talent, em 1980, decidimos que não aceitaríamos – o que nos custa dinheiro, porque são clientes muito ricos. No que diz respeito à política, eu sigo um lema: “Quem dorme com cachorro acorda com pulga” (risos).

Qual foi seu primeiro cliente?

A Grendene. E, na época, o Alexandre (Grendene, fundador da empresa) estava com um problema. As sandálias de plástico eram consideradas coisa de pobre – ele não conseguia mudar esse conceito. Eu fiz uma pesquisa e descobri que o problema não era o produto, mas as pessoas. E as pessoas achavam o produto de baixo nível. O que não condizia com a realidade. Então, disse a ele: “Existem duas verdades: a primeira é o que os olhos veem; a segunda, a tela da TV Globo” (risos). A estratégia que adotamos? Fazer com que atrizes de novela usassem a sandália. Isso mudaria o conceito. Outra estratégia: convencer as mais influentes colunistas de moda de que o produto tinha charme. E conseguimos.

Atualmente, se critica muito as campanhas de TV. Elas estariam ficando menos inteligentes?

Acho que propaganda idiota sempre existiu. O que há, hoje, é mais mídia, mais formatos. O marketing dos dias atuais nasceu de três invenções simultâneas: o computador, o avião a jato e o satélite. Isso mudou tudo. Aproximou as pessoas, diminuiu as distâncias. Novas formas de se comunicar foram criadas. E vão se tornando nativas das gerações. O computador, por exemplo: eu ainda apanho, já meus netos aprenderam a mexer nele na escola. Agora, independentemente da mídia, o conteúdo não muda.

O meio é a mensagem?

Com certeza. Veja o exemplo deste filme que ganhou o Oscar, O Artista. Em tempos de cinema digital, 3D, venceu uma produção muda, em preto e branco. E por quê? Porque as aspirações são as mesmas, as formas é que mudam.

O que acha da proibição de publicidade voltada às crianças?

Toda vez que o governo mete a mão em alguma coisa, piora. Crianças gostam de brinquedos, sabem o que querem e não querem as mesmas coisas.

O politicamente correto atrapalha a vida da agência?

A gente se policia. Algumas vezes, nos antecipamos: “Ah, isso não vai passar pelo Conar”. Faz parte do processo social, a sociedade vai mudando. Deve fazer uns quatro anos que eu não recebo reclamação do Conar. Todo mundo sabe o que é socialmente incorreto. Mas somos contra intervenção do governo, de proibir propaganda para crianças ou de produtos que engordem. O cara come porque gosta, você não pode proibir o sujeito de comer. Agora, campanhas educativas ao estilo “coma de forma mais saudável”, isso a gente gosta. Quando comecei na carreira, durante as reuniões de criação, cortava-se a fumaça do cigarro com uma faca (risos). Hoje, não existe mais esse problema, ninguém fuma em ambiente fechado. E o processo foi, essencialmente, educativo. Outro exemplo: um dia, estava em casa fazendo a barba. Com a torneira aberta. Meu neto chegou e me deu bronca: “Você está desperdiçando a água do planeta, vovô!” Fechei a torneira na hora (risos).

O seu jeito low profile é um estilo criado ou é inerente a sua personalidade?

Tem gente que adora brilhar, aparecer na TV, badalar, sair em jornal e revista. Mas eu… não gosto. Uma vez fui escolhido para ser jurado em Cannes. Declinei. Ninguém acreditou! (risos) Não tenho vocação para board de empresa. Meu negócio é fazer planejamento e criação, é disso que eu gosto. É para isso que me pagam.

Você sempre trabalhou com poucos clientes. Num mundo voltado para o “quanto mais melhor”, isso é um problema?

A gente rejeita clientes com alguma frequência. E somos muito prósperos. Acho impossível ter uma boa agência e não ter limite de clientes. Porque, se você começa a pegar todos os que aparecem, acaba com um monte de coelhos numa sala (risos), não dá. Sempre fomos assim.

Acredita que a internet vai comer as outras mídias?


Não, porque a internet tem um problema: ninguém descobriu como ganhar dinheiro com ela. É uma obrigação das agências nos dias de hoje, você precisa investir nela, mas a verdade é que não dá dinheiro. Tem-se falado muito no iPad, mas também não o vejo como substituto de jornais e revistas. E os números mostram que os jornais têm crescido, apesar das mídias digitais. As revistas estão estáveis. O Bill Gates disse, há mais de uma década, que o papel iria desaparecer. Mas fez a biografia dele em papel (risos). 

Tem Facebook, Twitter?


Tenho tudo (risos). Mas minhas paixões são outras. Sou pintor, voltei a pintar. E estou estudando piano, jazz, porque gosto de improviso. Além disso, hoje fico mais com a família, cultivo mais os laços.

A que horas costuma chegar à agência?

Hoje, estou mais moderado (risos). Costumava chegar às 7h30 e sair às 19h. Agora, chego umas 9h, saio às 18h30.

Vida pessoal e profissional convivem em harmonia?

Eu me casei com minha primeira namorada. Tive meus filhos, tenho meus netos, escrevo meus livros, gosto do que faço. Acho que tudo pode conviver, sim, em harmonia. Mas depende, claro, de você. Tem gente que está no paraíso e reclama da qualidade das toalhas (risos).

DANIEL JAPIASSU



quarta-feira, 13 de junho de 2012

Entrevista imperdível de Ciro Gomes à Record News

Você tem todo o direito de não gostar de Ciro Gomes, nem das alianças políticas ou das opiniões dele sobre determinados temas e pessoas, mas há de concordar que muito do que ele fala é extremamente relevante e deve ser levado em consideração por todo cidadão brasileiro que quiser - de fato - ajudar a mudar o país.

A entrevista foi concedida ao programa Brasil em Discussão, da Record News, com direito inclusive a uma crítica rápida ao "culto" que é dono da rede de televisão (leia-se "universal"). 



Quem quiser discutir o país de verdade, tem que ter sempre em mente os temas fundamentais que ele levanta. Vale muito a pena ver a íntegra da entrevista no vídeo abaixo:




terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Pregação pode ser feita de qualquer jeito?

Recentemente, a emissora Globo organizou um festival de música evangélica, intitulada de “Promessas”. Obviamente a emissora - que amarga baixos índices de audiência - está procurando se aproveitar do modismo gospel que está em alta, para retomar sua antiga glória.

No entanto nem todos acham a iniciativa, por mais interesseira que possa parecer, uma iniciativa reprovável. Este festival foi comemorado por muitos evangélicos, onde alguns inclusive comentaram que Deus teria tocado o coração dos dirigentes da Globo.

Muita discussão se seguiu ao evento, onde se travou uma verdadeira guerra sobre a validade ou não da iniciativa global. E nesta guerra, uma das armas usadas a favor do utilitarismo gospel foi o versículo de Filipenses 1:18, que diz:

(Fp 1:18) Mas que importa? contanto que, de toda maneira, ou por pretexto ou de verdade, Cristo seja anunciado, nisto me regozijo, sim, e me regozijarei;

O que Paulo estava querendo dizer com estas palavras? Os fins então justificam os meios?

Algumas pessoas negando que o versículo 18 dê base a qualquer tipo de utilitarismo, disseram que estas pessoas que pregavam por inveja eram judeus que acusavam Paulo perante as autoridades romanas.

Como estes judeus tinham que explicar às autoridades o que Paulo estava ensinando, então eles faziam uma “pregação” a elas. Isto no entanto não parece negar o uso que os defensores do festival “Promessas” fizeram do versículo, mas sim, estabelecê-lo.

Pois se pessoas não cristãs falando sobre o que os cristãos ensinam é considerado pregação por Paulo, então por que não poderíamos considerar o mesmo para o festival “Promessas”?

Mas dificilmente este é o caso. Para começar, os judeus não se detinham tanto tempo explicando aquilo que Paulo ensinava. Por exemplo em Atos 24 vemos eles o acusando perante Félix:

(At 24:1) Cinco dias depois o sumo sacerdote Ananias desceu com alguns anciãos e um certo Tertulo, orador, os quais fizeram, perante o governador, queixa contra Paulo.
(At 24:2) Sendo este chamado, Tertulo começou a acusá-lo, dizendo: Visto que por ti gozamos de muita paz e por tua providência são continuamente feitas reformas nesta nação,
(At 24:3) em tudo e em todo lugar reconhecemo-lo com toda a gratidão, ó excelentíssimo Félix.
(At 24:4) Mas, para que não te detenha muito rogo-te que, conforme a tua equidade, nos ouças por um momento.
(At 24:5) Temos achado que este homem é uma peste, e promotor de sedições entre todos os judeus, por todo o mundo, e chefe da seita dos nazarenos;
(At 24:6) o qual tentou profanar o templo; e nós o prendemos, [e conforme a nossa lei o quisemos julgar.
(At 24:7) Mas sobrevindo o comandante Lísias no-lo tirou dentre as mãos com grande violência, mandando aos acusadores que viessem a ti.]
(At 24:8) e tu mesmo, examinando-o, poderás certificar-te de tudo aquilo de que nós o acusamos.
(At 24:9) Os judeus também concordam na acusação, afirmando que estas coisas eram assim.

Vemos que acima os judeus o acusavam de profanar o templo e ser chefe da seita dos nazarenos. O nome de Jesus sequer foi mencionado acima. Embora em outras ocasiões os judeus pudessem até mencionar e explicar a crença em Jesus, por este exemplo podemos ver que isto não era necessário.

Quem são estas pessoas então? Uma análise do contexto nos dará algumas evidências sobre eles.

Paulo começa sua carta elogiando os filipenses por seu empenho em proclamar o evangelho (Fp 1:5). E antes que alguém possa dizer que as prisões de Paulo o impedem de pregar, ele demonstra como mesmo sua prisão tem contribuído para que ele pregue o evangelho para toda a guarda pretoriana e demais romanos (Fp 1:13).

Será que o fato de Paulo ser preso foi motivo para que os cristãos daquela época deixassem de pregar, por algum medo de ser preso? Nada disto: Paulo fala que muitos irmãos, animados com sua prisão, também saíram a pregar ousadamente (Fp 1:14).

É interessante aqui como Paulo fala de “muitos” irmãos, pois no próximo versículo, quando Paulo passa a comentar daqueles que pregam Cristo por inveja e contenta, ele fala que estes são “alguns”.

Há talvez uma tendência de se entender isto como significando “alguns homens”, mas o contexto está tratando de irmãos que estão pregando o evangelho, então o mais natural seria entender que, assim como alguns irmãos pregam de boa vontade o evangelho, outros pregam por inveja e contenda. Paulo então está falando de irmãos!

Há mais um detalhe que reforça este entendimento. Paulo está dizendo que eles pregam a Cristo. Neste versículo, Paulo atribui o mesmo verbo a ambos os grupos. Todos eles estão fazendo a mesma coisa, mas por motivos diferentes: estão anunciando Cristo.

E no versículo 18 que estamos analisando, Paulo diz que o fato de Cristo ser anunciado o deixa feliz. Uma pregação errada (é a tendência de uma acusação caluniosa) por parte de não-cristãos não deveria causar esta alegria no apóstolo.

Pode-se então perguntar: que irmãos são estes que pregam por inveja e contenda? No versículo 17 Paulo diz que o objetivo destes irmãos é suscitar aflição às prisões dele, indicando que eles possuem inveja e contenda com relação a ele. De fato, em outros lugares, Paulo fala de alguns que questionam seu apostolado:

(1Co 9:1) Não sou eu livre? Não sou apóstolo? Não vi eu a Jesus nosso Senhor? Não sois vós obra minha no Senhor?
(1Co 9:2) Se eu não sou apóstolo para os outros, ao menos para vós o sou; porque vós sois o selo do meu apostolado no Senhor.
(1Co 9:3) Esta é a minha defesa para com os que me acusam.

É bem provável então que aqueles que questionaram o apostolado de Paulo sejam os mesmos que ele se refere ao dizer que “há alguns que pregam por inveja”.

E é interessante observar que uma das contendas que Paulo tenta resolver, e que envolve seu nome, é a contenda que dividia a mesma igreja de Corinto em facções (1Co 1:12). É a mesma igreja onde vemos os questionamentos sobre seu apostolado.

Sendo assim, fica mais fácil entender por que aqueles irmãos pregavam por “inveja”. Pois eles provavelmente tinham inveja de Paulo por seu trabalho bem-sucedido de pregação entre os gentios.

Assim, aproveitando-se do fato de Paulo estar preso, eles provavelmente se empenharam mais em pregar para fazer mais adeptos e conseguir maior influência entre os irmãos. A glória dos homens era o lucro alvejado por aqueles irmãos.

Possivelmente por isto que Paulo no mesmo capítulo se dedica a mostrar aos Filipenses qual é o seu lucro. E talvez por eles pensarem assim é que Paulo inicia sua epístola dizendo aos filipenses que até mesmo em prisão ele tem pregado o evangelho.

Paulo diz então neste versículo que não importa, pois se Cristo for pregado “de toda maneira”, ele ficará contente. O que significa este “de toda maneira”? Estaria ele se referindo à forma como a pregação é feita, se por música, discurso ou teatro talvez?

A próxima cláusula explica a expressão de toda maneira: “ou por pretexto ou de verdade”. Paulo então está falando sobre intenções, não sobre modos de pregação.

Então, o caso do festival “Promessas” poderia ser uma aplicação do versículo de Filipenses 1:18? De forma alguma.

Em primeiro lugar, o versículo fala de cristãos anunciando Cristo. Eles possuem intenções erradas, mas são cristãos, não um grupo secular que não possui a menor intenção de se tornar cristão.

Em segundo lugar, Paulo está se regozijando pelo anúncio de Cristo, pela pregação do evangelho, não por que pessoas estão cantando hinos cristãos ou estão ensinando estes hinos para as pessoas de seu tempo.

Pode-se pensar que, por Paulo admitir que Cristo poderia ser anunciado por qualquer intenção, poderíamos também admitir que o evangelho seja pregado por ganância, desde que seja levado a todo o mundo. Mas a ganância de longe é o defeito humano que mais prejudicou o cristianismo. Já no capítulo de 8 de Atos temos um exemplo que seria lembrado por toda história do cristianismo:

(At 8:18) Quando Simão viu que pela imposição das mãos dos apóstolos se dava o Espírito Santo, ofereceu-lhes dinheiro,
(At 8:19) dizendo: Dai-me também a mim esse poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos, receba o Espírito Santo.
(At 8:20) Mas disse-lhe Pedro: Vá tua prata contigo à perdição, pois cuidaste adquirir com dinheiro o dom de Deus.
(At 8:21) Tu não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus.
(At 8:22) Arrepende-te, pois, dessa tua maldade, e roga ao Senhor para que porventura te seja perdoado o pensamento do teu coração;
(At 8:23) pois vejo que estás em fel de amargura, e em laços de iniquidade.
(At 8:24) Respondendo, porém, Simão, disse: Rogai vós por mim ao Senhor, para que nada do que haveis dito venha sobre mim.

Simão, o mago, foi o primeiro a querer usar o dinheiro para comprar os servos de Deus, de forma que eles fizessem aquilo que ele desejava. E é por este motivo que a prática de usar o dinheiro desta forma foi conhecida na história da igreja como simonia. Este mal foi uma das principais causas do declínio moral da igreja na Idade Média, e foi o principal ponto atacado por reformadores morais daquela época, como nos conta Justo González:

Quando terminamos o volume anterior um pequeno grupo de peregrinos marchava para Roma. Liderava-o o bispo Bruno de Tula, a quem o imperador tinha oferecido o papado. Bruno tinha se negado a aceitá-lo das mãos do imperador, e tinha insistido em ir a Roma como peregrino. Se lá o povo e o clero o elegessem bispo, então ele aceitaria a tiara papal. Esta atitude de Bruno refletia uma das principais preocupações dos que queriam reformar a igreja. Para estas pessoas, um dos piores males de que a igreja padecia era a simonia, ou seja, a compra e venda de cargos eclesiásticos. Somente a nomeação por autoridades civis, mesmo sem envolver qualquer transação monetária, parecia a Bruno e a seus acompanhantes estar muito próximo da simonia. Um papado reformador deveria surgir puro já da raiz. Como o monge Hildebrando tinha dito a Bruno, aceitar o papado das mãos do imperador seria ir para Roma, “não como um apóstolo, mas como apóstata”1.

Ao permitir que o dinheiro falasse mais alto, a igreja permitiu que pessoas não comprometidas com o evangelho entrassem para a igreja, mantendo sua conduta imoral e manchando o nome de Deus. Por este exemplo histórico podemos ver que a relação entre grupos seculares movidos pela ganância e a igreja nunca foi benéfica para o cristianismo. E se o cristianismo pode existir e se propagar muito bem sem estas pessoas, por que nos envolvermos com elas?

Nota
1. GONZÁLEZ, Justo L., Uma História Ilustrada do Cristianismo, A era dos altos ideais, Volume 4, página 17, Edições Vida Nova.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Rodolfo Abrantes no Rock Estrada do Multishow

Não é só a TV aberta da Globo que está investindo pesado no segmento evangélico, com o Festival Promessas. A sua versão a cabo, os canais Globosat, também. No último dia 23 de dezembro foi a vez do Multishow apresentar um especial de Rodolfo Abrantes no seu programa Rock Estrada. Fazendo o estilo documentário, mesclando bem rock com testemunho e bom humor, tirando algumas viagens como a explicação "cristológica" da bandeira do Flamengo, o resultado foi muito bom. Confira no vídeo abaixo:





domingo, 18 de dezembro de 2011

Globo oferece prato de lentilhas a evangélicos e alguns Esaús aceitam

"Business is business", já diria o caipira. Com a audiência em baixa e a ideologia gospel em alta, era só questão de tempo para que a Rede Globo percebesse a mina de ouro que é o mercado "evangélico" no Brasil, antes território cativo da Record do bispo (enquanto a Globo se especializou em produzir novelas espíritas, diga-se de passagem).

Depois de passar décadas ignorando e ridicularizando os evangélicos em suas novelas e minisséries, a Globo resolveu realizar o evento especial de final de ano, intitulado "Promessas", um fracasso de público ao vivo que vai ao ar em videotape na tarde deste domingo, e que certamente fará os seus artistas gospel (da Som Livre) venderem mais discos.

Foi o suficiente para uma leva de evangélicos, Malafaia incluído, achar que o céu desceu na forma de Vênus Platinada, como a Globo sempre foi conhecida. Não deixa de ser (mais) um misticismo pra esse povo seguir.

Como Esaú vendeu seu direito de primogenitura por um prato de lentilhas (Hebreus 12:16), ao primeiro aceno mercadológico da antes Babilônia televisiva, lá estavam na rebarba vários cantores e cantoras, sempre com a desculpa na ponta da língua de que estavam fazendo um "serviço" pra Deus.

Como se Ele precisasse da Globo para que o evangelho seja pregado. Não é surpresa, portanto, que alguns tenham viajado na maionese gospel, dizendo que "Deus tocou o coração da Globo".

Agora, quem diria, além de cozinhar lentilhas na Ana Maria Braga, a Globo também "tem coração"... confira na notícia publicada na Folha de S. Paulo de hoje:

Cantora gospel diz que 'Deus tocou o coração da Globo'

Festival Promessas reuniu público abaixo do esperado no Rio, mas artistas e fiéis o classificam como 'evento histórico'

Rede carioca, que exibe show hoje, montou estrutura com um helicóptero, câmeras de alta definição e gruas

MARCO AURÉLIO CANÔNICO
DO RIO

"Este é um evento histórico", dizia o animador de palco, tentando inspirar o pequeno público que aguardava o início do festival Promessas, no sábado passado. "Você vai poder dizer que esteve no primeiro evento evangélico que a Globo organizou!"

No palco como na plateia, a visão de que se tratava de um "evento histórico" estava disseminada entre os fiéis -boa parte vinda de municípios da Baixada Fluminense e de subúrbios distantes do Aterro do Flamengo (onde o festival aconteceu).

O baixo quórum não preocupava: todos apostavam na capacidade da emissora líder de disseminar "a palavra de Deus" para uma audiência abrangente.

"É a concretização de um clamor de muitos anos. Vai marcar a história", disse a pastora e cantora Ludmila Ferber. "É maravilhoso que a Globo tenha abraçado a causa e entendido quão poderosa é a mensagem de Deus."

Fé à parte, o aspecto comercial da empreitada -para a qual a Globo montou uma grande estrutura de divulgação e de transmissão (14 câmeras de alta definição, gruas, helicóptero)- não escapou aos religiosos.

"A Globo era a única emissora que não abria para os evangélicos. Notou que estava ficando para trás", disse Erisvaldo Oliveira, 26, fiel da primeira Igreja Batista da Ponte Preta, de Magé (RJ).

"Ela sabe que vai passar a ter muito mais audiência."

A disputa pelos telespectadores (e pelos ouvintes, já que parte dos artistas tem discos lançados pela Som Livre, gravadora ligada à Globo) era, no entanto, relativizada pelos participantes.

"Eu sei que, a princípio, todo mundo pensa em grana, em 'business'. É claro que isso existe, nós somos de carne e osso, mas acima disso tudo está o propósito de Deus para esta nação", disse o cantor Fernandinho, um dos mais aguardados do festival.

Os evangélicos também celebravam o evento como um ponto de inflexão no tratamento dispensado a eles pela emissora carioca.

"A Bíblia diz que todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Deus é o Senhor", afirmou a enfermeira Janaína Silva, 28, citando um trecho da Carta aos Romanos.

"A Globo fez isso agora porque Deus tocou o coração deles. Era o momento certo, Deus não chega atrasado", disse a cantora Damares.





terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Um silêncio ensurdecedor

Desde meados da semana passada, uma parte significativa da população brasileira, pelo menos aquela porção que tem condições de acessar informação não controlada pela mídia ou pelo governo, está estarrecida com o lançamento de um livro pela Geração Editorial, "A Privataria Tucana", do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que expõe os intestinos da era da privatização da telefonia brasileira, no governo FHC, do PSDB, com ênfase nas articulações pouco ortodoxas de José Serra, ex-candidato a Presidente da República em 2002 e 2010, mas também sobra parte da munição para gente do PT, segundo dizem, já que não tive oportunidade de ler ainda o livro, que já está a caminho de casa, segundo a Livraria Saraiva me informou ontem. Entretanto, o livro em si, ao que parece, traz provas irrefutáveis de ligações tucanas no mínimo estranhas com gente que foi (muito) beneficiada pelas privatizações no Brasil. Aliás, não se trata nem de uma discussão se a privatização foi ou não uma boa solução para o Brasil, mas se a sua motivação principal foi a abertura da economia ou o desvio de recursos públicos e a venda de estatais a um grupinho seleto de amigos. Independentemente do que você ache a respeito, ou mesmo da sua posição política a favor ou contra esse ou aquele partido, o que está chamando a atenção nos últimos é o silêncio da grande mídia brasileira a respeito do assunto. Não só da mídia, registre-se, mas também do PT, a quem - em tese - interessaria investigar e execrar seus rivais tucanos diante de uma bomba como essa. Só que os deputados e senadores do PT fingem que nada sabem, e seu comportamento de avestruz revela que o teatro político brasileiro não deve ter nenhum mocinho. Pelo jeito, são todos vilões.

Diante desse quadro de mistura nada ética de políticos de situação e oposição num pacto do algodão no ouvido e do esparadrapo na boca, a imprensa deveria ser a nossa salvação. Só que reina um silêncio mortal nas redações da Globo, SBT, Folha, Abril e Estadão. A lei da mordaça impera nesse lugares, e eles nem se preocupam em desqualificar o livro ou seu autor, talvez porque seja realmente impossível desmontar as provas documentais que ele traz. Este silêncio ensurdecedor, como diz Bob Fernandes no comentário abaixo, feito na pouco vista TV Gazeta de SP, é revelador. Mostra o perigo que TODA a sociedade brasileira está correndo com uma mídia que - ao que tudo indica - deve ter o rabo preso com alguém, ou com algum esquema do qual se favoreceu ou é favorecida, a ponto de se calar sobre o maior fenômeno editorial dos últimos anos, um livro que tem vendido na casa dos milhares ao dia, mesmo que a primeira edição já tenha se esgotado e as próximas reimpressões já estejam dobradas. Mais do que a reputação desse ou daquele político medalhão, ou da própria imprensa, o que está em jogo é a democracia brasileira. Como já dissemos em outra oportunidade aqui no blog, liberdade de imprensa não é sinônimo de liberdade de expressão, e ambas também não se confundem com a liberdade de informação. São três liberdades distintas, e do equilíbrio entre elas depende a saúde democrática de um país. Liberdade de expressão temos todos. Liberdade de imprensa só têm aqueles que conseguem montar um veículo próprio para noticiar o que querem. Liberdade de informação deveríamos ter todos, mas ultimamente só aqueles que vão buscá-la em veículos como a internet é que conseguem alcançá-la. Além do conchavo político por baixo dos panos entre PSDB e PT, o silêncio que reina na imprensa brasileira sugere, pelo menos, que existe algo tão grave por trás dos bastidores das suas redações que jornais, revistas e televisões têm tanto medo de revelá-lo a ponto de arriscarem a sua própria sobrevivência para levar o segredo à cova. Independentemente da sua preferência partidária, você tem TODO o direito de ser corretamente informado. É por essa e outras que o comentário de Bob Fernandes, abaixo, é tanto revelador como assustador:



Abaixo segue a íntegra da entrevista do escritor Amaury Ribeiro Jr., em que fatos e conexões nunca imaginados são revelados:






Abaixo a entrevista do autor Amaury Ribeiro Jr. a Heródoto Barbeiro, no Jornal da Record News:



Abaixo a entrevista do autor a Paulo Henrique Amorim, na Record News:






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