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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Lata velha

por C. S. Lewis:

Há um alerta ou incentivo para cada um de nós. Se você é uma pessoa legal – que tem facilidade em alcançar virtudes -, tenha cuidado! Muito se espera daqueles a quem muito é dado. Se você considerar mérito seu o que na verdade são presentes que Deus lhe deu por meio da natureza e se contentar em ser uma pessoa simplesmente legal, não passará de um rebelde. E os dons só o levarão a cair de forma ainda mais terrível; o tornarão ainda mais corrupto e seu mau exemplo, ainda mais desastroso. O próprio demônio já foi um arcanjo; os dons naturais dele estavam tão acima dos seus, quanto os seus estão acima das habilidades dos chimpanzés.

Mas, se você não passa de uma pobre criatura – envenenada por uma má criação, numa família cheia de invejas e intrigas absurdas – premiada com alguma perversão sexual independente de sua vontade; e atormentada pelo complexo de inferioridade que a faz humilhar-se diante dos seus melhores amigos -, não se desespere. Ele sabe de tudo isso. Você é um dos pobres que ele abençoou. Ele sabe muito bem que lata velha você está tentando dirigir. Não desista. Faça o que puder. Algum dia (quem sabe em um outro mundo, mas talvez até antes disso) ele lhe jogará no ferro velho e lhe dará uma carcaça novinha. Então, você poderá nos impressionar a todos – e não menos a si mesmo -, pois terá aprendido a guiar na auto-escola mais exigente do mundo. (Alguns dos últimos serão os primeiros e alguns dos primeiros, os últimos).

(C. S. Lewis em “Mero Cristianismo”, citado em “Um Ano com C. S. Lewis”, Ed. Ultimato, 2005, p. 232)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Renove-se!

A vida é curta e no dia-a-dia estressante ou mesmo na rotina de momentos entediantes, nos esquecemos facilmente do nosso chamado – como cristãos – a vivê-la de maneira diferente, em constante renovação. Afinal, mesmo que as misericórdias de Deus sejam novas a cada manhã (Lamentações 3:22-23), permitimos que os cuidados da vida sufoquem o verdadeiro sentido que ela deve ter para com Deus, que consiste em aprendizado e crescimento permanentes. De vez em quando temos insights de que algo em nós mudou, que amadurecemos, que deixamos as coisas antigas para trás, e estamos prontos para (mais) uma nova etapa. A tendência natural humana é acomodar-se à situação, admitir que não é possível mudar e simplesmente conformar-se com as dificuldades. Entretanto, a vida cristã não é algo estático, mas dinâmico, em constante progresso, ainda que isso não signifique o acúmulo de riquezas e benesses que caracterizam a pregação da teologia da prosperidade. Não, não se trata disso. Finalmente entendemos o que Paulo queria dizer ao nos exortar a não nos conformarmos com este mundo, mas nos transformarmos pela renovação da nossa mente, para que assim experimentemos a boa, perfeita e agradável vontade de Deus para nós (Romanos 12:2). Nascemos de novo (João 3:3), nos tornamos novas criaturas (2ª Coríntios 5:17), nos despimos do homem velho (Colossenses 3:9), renovamos as nossas forças (Isaías 40:31), andamos em novidade de vida (Romanos 6:4) e nos esquecemos das coisas que ficaram para trás e avançamos para as que estão adiante (Filipenses 3:13). Vamos sendo constantemente transformados, de glória em glória (2ª Coríntios 3:18), mesmo através dos problemas e dilemas que enfrentamos. Ainda que passemos pelo vale da morte (Salmo 23:4) ou pela angústia (Salmo 91:15), o Senhor está lá conosco, segurando-nos pela mão, os metendo as Suas próprias mãos no barro para nos fazer vasos novos (Jeremias 18:3-6). “Mas agora, ó Senhor, tu é nosso Pai, nós somos o barro e tu, o nosso oleiro; e todos nós, obra das tuas mãos” (Isaías 64:7). O nosso Pai, que no final dos tempos fará novas todas as coisas (Apocalipse 21:5), nos permite desde já termos vislumbres do Seu infinito trabalho de renovação das nossas vidas. O Senhor que nos perdoe, mas mesmo que Ele nos convide a cantar um cântico novo (Isaías 42:8-9), nessas horas dá vontade de cantar aquele antigo corinho:

Eu quero ser, Senhor amado.
Como um vaso nas mãos do oleiro.
Quebra a minha vida e faze-a de novo .
Eu quero ser, eu quero ser um vaso novo!

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