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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Restam 154 mil cristãos em Israel e 80% deles são árabes

O órgão responsável pelo censo demográfico de Israel revelou no último mês alguns dados interessantes sobre a composição populacional do país, especificamente no quesito "religião", que tem tudo a ver com a chamada "Terra Santa". 

Os cristãos residentes em Israel somam hoje 154.000 almas, ou seja 2% da população total do país. 80% deles são árabes, sendo o restante composto, em sua maioria, por parentes cristãos de judeus israelitas, geralmente de procedência russa. 

A cidade que tem a maior população cristã é Nazaré, seguida por Haifa e Jerusalém. 

A taxa de crescimento, entretanto, é menor do que a dos judeus e dos muçulmanos, sendo estes últimos os que têm a maior taxa de natalidade em Israel. Por outro lado, os cristãos detêm um maior nível econômico e educacional do que seus conterrâneos de outras religiões. 

Esses são alguns dos dados publicados pelo The Jerusalem Post e que podem ser vistos no vídeo abaixo, e que mostram que os cristãos estrangeiros que visitam Israel deveriam pensar melhor que os seus irmãos por lá são - na imensa maioria - árabes que certamente nunca receberão uma visita de Renê Terra Nova nem de tantos outros "pastores" judaizantes que grassam no Brasil.





quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Armagedom finalmente chegou a Israel



Numa prova cabal que o mau gosto é uma praga universal, depois de Cristiano Ronaldo, Rafael Nadal e os jogadores do Denver Nuggets da NBA, soldados israelenses fizeram questão de exibir ao mundo a sua coreografia de "Ai Se Eu Te Pego", do Michel Teló, esse grude brasileiro que já teve - como era de se esperar - a sua versão gospel. Confirme, então, que a turnê do fim dos tempos finalmente chegou à Terra Santa, e falando português (deve ser homenagem ao Renê Terra Nova, que não desgruda de lá):



Dois humoristas israelenses também exploraram o filão:



Dicas do Plugados com Deus! e do Pavablog


domingo, 4 de dezembro de 2011

Respeito à Bíblia começa com quem a prega

Algumas lideranças evangélicas estão indignadas com o episódio ocorrido alguns dias atrás no (chatíssimo) Programa do Jô, da Rede Globo, em que o apresentador, ao entrevistar os músicos Moraes Moreira e Tom Zé, este último disse que utilizava folhas de Bíblia para enrolar seus "baseados" (de maconha), quando Jô, "sem querer interromper, mas já interrompendo", completou dizendo que "a Bíblia tem mil e uma utilidades". Foi o suficiente para levantar uma onda de indignação entre algumas celebridades gospel, como Renê Terra Nova e Marco Feliciano. O primeiro, autointitulado "paipóstolo" (ou coisa que o valha), gravou um vídeo em que exige retratação do programa (pouparemos o leitor de ver o vídeo dessa figura). Já o deputado federal Feliciano subiu à tribuna da Câmara para reclamar providências da Globo quanto ao ocorrido. Primeiramente, há que registrar o - no mínimo - mau gosto da observação das celebridades televisivas, mas até aí não há nenhuma novidade. Afinal, vivemos num mundo que "jaz no maligno" (1ª João 5:19). Não só é esperado que os ímpios não creiam na Bíblia, como também a desprezem e a insultem. Como aprendi com um antigo pastor, só o crente tem consciência do pecado. Além disso, vivemos num país laico e todas as pessoas, indistintamente, têm o direito de manifestar a sua opinião sobre tudo, respeitando alguns poucos limites, é verdade, mas nem podemos dizer que eles foram ultrapassados. A Bíblia não é propriedade de ninguém. Mesmo a Igreja Católica, que alega ser a sua única intérprete autorizada, não pode dizer que é dona da Bíblia. Os próprios muçulmanos têm a Bíblia como um livro sagrado, ainda que em menor degrau que o do Alcorão. Aliás, poucas vezes se agradece a Roma por ter preservado os manuscritos mais antigos ainda existentes da Bíblia, hoje também em alguns museus da Europa. Mesmo as seitas heréticas que dizem ter uma interpretação única e exclusiva da Bíblia, se esquecem facilmente de que a maior parte dos manuscritos que distorcem foi preservada pelo Vaticano.

A Bíblia é, portanto, um patrimônio da humanidade, quer daqueles que a consideram divina, quer os outros que a repudiam ou reconhecem nela apenas um valor histórico-cultural. A atitude de cada ser humano em relação à Bíblia é uma prerrogativa que lhe cabe exclusiva e individualmente, para o bem ou para o mal (ou ainda para a turma do "tanto faz"). Afinal, cremos (ou deveríamos crer) que "cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus" (Romanos 14:12). Chama a atenção, portanto, que dois expoentes do mundinho evangélico brasileiro fiquem tão indignados com o fato ridículo ocorrido num programa de TV. Primeiro, porque ninguém lhes deu nenhuma procuração para falarem em nome dos evangélicos brasileiros, ainda que a sua megalomania os faça se iludirem com essa suposta representação. Segundo, porque todo aquele que quer pedir aos outros para respeitarem a Bíblia, deve respeitá-la primeiro, e os dois têm uma interpretação muito particular da Escritura, como já foi exposto aqui no blog. Terceiro, antes de acusar alguém de profanar um símbolo religioso, é melhor não ser profano, como vender consórcio usando o nome de Jesus ou distorcer a Bíblia para fazer campanha política. Quarto, não é função do cristão ficar patrulhando o que os outros dizem ou pensam, mas ele deve pregar o evangelho a toda criatura sem tolher a liberdade de expressão de quem quer que seja. Quinto - e sem terminar por aqui -, essa pregação do evangelho deve ser feita não só com palavras, mas sobretudo pelo exemplo de uma vida cristã digna, humilde e correta.

Desconfio que o mundo não-cristão perceba a hipocrisia que existe nos discursos de tantos líderes supostamente cristãos e - justamente por isso - ridicularize cada vez mais os símbolos sagrados do cristianismo. Ao fazê-lo, estão - na verdade - expondo os hipócritas que manipulam a Bíblia a seu bel prazer. Quanto ao Jô e seus convidados, eles têm todo o direito de falar as asneiras que quiserem, e cabe ao telespectador simplesmente desligar a TV ou mudar de programa. Devem se submeter ao crivo da audiência, já que o da própria consciência não os socorre. De qualquer maneira, por via transversa, Jô Soares acertou num determinado aspecto ao dizer que "a Bíblia tem mil e uma utilidades", e talvez seja esse exato aspecto que incomoda Renê e Marco: o utilitarismo. Nas suas denominações e pregações, assim como em boa parte do evangelicalismo brasileiro, vigora a corrente ideológica do utilitarismo. A Bíblia e sua correta interpretação, bem como o respeito que lhe é devido, não têm mais nenhuma importância para esse grupo, já que o que vale pra eles é que "os fins justificam os meios". A sua mensagem é eminentemente utilitária: "não importa o que a Bíblia diz, mas como vamos atingir certos fins materialistas e esotéricos a que nos propusemos, pinçando um versículo aqui e ali", ou seja, "como é que a Bíblia pode nos ser útil?". No popular, como já falamos aqui a respeito de "Uri Geller e o evangelho torto", a coisa funciona na base do "funciona!". Se a "fé" não produzir resultados concretos, mensuráveis, ela não é mais fé para essas pessoas. Não "funciona". De qualquer maneira, a indignação ocasional dos "expoentes da fé" também não convence ninguém, salvo os tradicionais puxa-sacos de plantão.




segunda-feira, 20 de junho de 2011

Terra Nova cria selo personalizado e diz que foi homenageado pelos Correios

O reino G12 de Manaus estava em festa ontem, para comemorar o "jubileu" de seu "paipóstolo" Renê Terra Nova, para usar uma palavra descontextualizada que ele gosta muito para se referir aos seus 50 anos de idade (se bem que até outro dia ele gostava muito do número 45). À noite seus seguidores lotaram o sambódromo local para, segundo um de seus discípulos disse no twitter, "como Salomão, oferecer 1000 generais para o Reino do Eterno, 1000 holocaustos para o Senhor". Bons tempos aqueles em que o único sacrifício que contava para os cristãos era o de Jesus Cristo, não é mesmo? Parece que contextualização não é o forte de Terra Nova e seus fãs.

Como parte das comemorações, o paipóstolo ainda anunciou no seu twitter que os Correios lançaram um selo em sua homenagem, mostrando inclusive uma foto:




O anúncio gerou manifestações efusivas dos seguidores do messias manauara que - acostumados à megalomania que o cerca -, inclusive já mudaram a data do Natal para o dia do aniversário do paipóstolo Noel Terra Nova:



O único problema é que não se trata de um lançamento dos Correios para festejar o bambambam de Manaus. Pode até ser que o paipóstolo não soubesse, já que não deve faltar puxa-saco para prestar-lhe todo tipo de "homenagem" (ainda mais com a farta distribuição de títulos de "apóstolo", "general", etc., que ele reparte), mas qualquer pessoa pode encomendar um selo personalizado. Existe um procedimento simples para fazer isso na página dos Correios, com vários preços e modelos. Um desses modelos, o "Ipê e Bandeira", foi o utilizado para a "homenagem oficial-fake" ao "apóstolo":


O fato, portanto, é que qualquer pessoa pode encomendar selos personalizados para os mais variados fins, a preços módicos. Uma folha com 12 selos sai por R$ 32,00. A partir de 2 folhas, sai por R$ 24,00 cada uma, e há descontos progressivos a partir de 100 folhas. Você pode, por exemplo, encomendar um selo com a foto da sua amada sogra e fazer um despacho cóspel despachando a foto da jararaca pra todos os cantos do mundo, da Sibéria à Terra do Fogo. E ela ainda vai se sentir "homenageada"...

quarta-feira, 2 de março de 2011

Terra Nova bota fogo em Brotas


Pelo jeito, a chapa vai esquentar no interior de São Paulo, mais especificamente em Brotas, cidade conhecida por ser um centro dos esportes radicais. É que lá vai ser realizado, durante o Carnaval, o Evento Plenitude (vídeo abaixo), que contará com a presença de Aline Barros, Renê Terra Nova, Trazendo a Arca, Cassiane e Ludmila Ferber, entre outros ícones do mundo gospel. O evento é promovido pela organização Vale dos Profetas, e pelo "apóstolo" Eurípedes Sousa, candidato (derrotado) de Renê Terra Nova à Assembleia Legislativa de São Paulo no ano passado (teve 23.562 votos). Pelo jeito a neointerpretação bíblico-política de Terra Nova não serviu pra eleger ninguém. A julgar pelo site do Vale dos Profetas, trata-se de mais um grupo judaizante na linha do movimento liderado por Terra Nova, mais preocupado em ter um vínculo político e religioso com Israel e fazer uma mistura exótica do Novo com o Velho Testamento (numa versão que poderíamos chamar de "apostolocracia"), do que propriamente pregar o evangelho da cruz de Cristo. Shofar não vai faltar...



É estranho ver este monte de estrelas gospel reunida, faz a gente pensar o que é que os une. Claro que todos responderão que é "Jesus", mas que "Jesus" exatamente é este preso a alianças judaizantes e motivações políticas, além das evidentes implicações financeiras? Que tipo de compromisso tem esta gente, ou melhor, com quem (ou o quê) eles estão comprometidos? Até o "Jesus" garoto-propaganda do twitter deles parece constrangido.



Obviamente, você pode ir lá e conferir por você mesmo, se tiver coragem e estômago. Basta parcelar sua inscrição em até 12 vezes diretamente no Portal do Céu. Só que ninguém garante que, depois que você entrar, não vai dar de cara com algo bem diferente...



terça-feira, 2 de novembro de 2010

Rescaldo do voto religioso em 2010

Agora que os ânimos estão mais serenados, está na hora de começar a fazer uma avaliação do comportamento do voto religioso no 2º turno das eleições presidenciais de 2010, em que o tema do aborto mobilizou muitas lideranças das mais diferentes denominações contra a candidatura Dilma Rousseff (PT) e a favor de José Serra (PSDB). Muitas conclusões serão tiradas ao longo das próximas semanas, mas é interessante começar pelos dados da última pesquisa do Datafolha, fechada em 30/10/10. Como, ao contrário do que aconteceu no 1º turno, as pesquisas do 2º anteciparam o que se confirmou nas urnas eletrônicas, as intenções de voto do Datafolha parecem ser confiáveis para se avaliar o comportamento final do voto religioso, que teria se manifestado da seguinte maneira entre as religiões:

1) Católicos - Dilma 53% x 40% Serra
2) Evangélicos Pentecostais - Dilma 47% x 44% Serra
3) Evangélicos Não-Pentecostais - Dilma 45% x 45% Serra
4) Espíritas kardecistas - Dilma 44% x 48% Serra
5) Sem religião - Dilma 53% x 37% Serra

Percebe-se, numa primeira análise, que houve uma distribuição equilibrada dos votos entre os diferentes grupos, o que leva a crer que toda a campanha religiosa teve um efeito pequeno no resultado final. Os católicos e os não-religiosos teriam sido mais dilmistas e os espíritas ligeiramente mais serristas, enquanto os evangélicos teriam se dividido ao meio, com pequena vantagem para Dilma entre os pentecostais.

É curioso verificar que a campanha enfática de muitos líderes, inclusive com o papa Bento XVI se manifestando a três dias da eleição, não foi suficiente para influenciar a decisão de seus seguidores. Em Cachoeira Paulista (SP), por exemplo, sede do movimento católico carismático Canção Nova, Dilma teve 50,25% dos votos contra 49,75% de Serra, um resultado bem diferente do Estado de São Paulo como um todo, em que o tucano teve 9 pontos percentuais a mais que a petista. Também em Guarulhos (SP), onde o bispo católico local, D. Luiz Gonzaga Bergonzini, fez uma intensa campanha contra Dilma, a candidata teve 49,05% dos votos.

Por seu lado, regiões de forte presença evangélica também não acompanharam o juízo político de seus líderes. Em Quinze de Novembro (RS), tida como a cidade proporcionalmente mais evangélica do país (cerca de 80% dos 3.600 habitantes), houve um quase empate (Serra 50,19% x 49,81% Dilma). Já Arabutã (SC), que tem a mesma proporção de evangélicos, deu a Dilma a vitória por 59,78% a 40,22%. Palmas (TO), que é a capital mais evangélica do Brasil (cerca de 1/4 da população) também preferiu Dilma (54,13%) a Serra (45,87%). A petista também teve enorme votação no Estado do Rio de Janeiro, de forte presença evangélica, onde ganhou por 60,48% a 39,52%. É bom lembrar que um dos maiores apoiadores de Serra no meio evangélico, Silas Malafaia, está sediado no Rio. Parece mesmo que o "profeta" não tem sucesso na sua própria terra, pois pior sorte teve o autointitulado "paipóstolo" Renê Terra Nova, que produziu exegeses bíblicas absurdas no afã de eleger Serra, e terminou vendo Dilma com cerca de 80% dos votos em Manaus e no Estado do Amazonas.

Obviamente, há uma série de fatores que terminam influenciando o voto, pelo que fica difícil particularizar qual deles é decisivo no momento da eleição. Circunstâncias regionais, pessoais, políticas, culturais, etc., se compõem (ou decompõem) conforme o cenário local. Espera-se que análises mais aprofundadas sejam promovidas a fim de entender este fenômeno, mas, ao que tudo indica, o fator religioso é apenas mais um ingrediente desse caldeirão de motivações que envolvem o eleitor, sem, entretanto, ter esta importância gigantesca que lhe foi atribuída na recente campanha política.

domingo, 31 de outubro de 2010

A apologética tucana do "paipóstolo"

No seu twitter ungido, o brilhante exegeta e autointitulado "paipóstolo" Renê Terra Nova continua causando urticárias com sua tentativa neomessiânica de interpretação novidadeira (e confusão) bíblica. O "profeta" manauara só esqueceu de combinar com o deputado federal José Mentor (PT-SP) a mistura explosiva com seu homônimo Serra:



Para nossa felicidade, entretanto, o "paipóstolo" sempre termina se entregando em mais uma tuitada, ainda que inadvertidamente. Para o fenômeno amazônico, "arrependimento" (em grego, metanoia) significa uma volta de 45 graus, e não de 180º, como toda criança sabe desde que não falte às aulas de geometria, o que significa que ainda faltam 135º pra ele se converter. "Virada de 45º" não representa propriamente uma virada, mas errar (feio) o alvo:



E ele deve ser daqueles que chamam o Lula de analfabeto e apedeuta...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Interpretação tucana da Bíblia, por Renê Terra Nova

Mais peripécias exegéticas do autoproclamado (e pseudo-) apóstolo Renê Terra Nova, ensinando a interpretar "serristicamente" a Bíblia, conforme noticia o jornal Valor Econômico, em matéria reproduzida no site do Instituto Humanitas da Unisinos, numa demonstração inequívoca de que esta gente abdicou completamente da teologia para se entregar de corpo e alma à ideologia que lhe for mais conveniente:



Nos cultos, vale até trocar monte por serra

"Explique porque Serra, mas explique também porque não o outro lado (...) 'Ah, pastor, eu não sei como fazer'. Sabe sim, porque sabe tirar dízimos e ofertas".

A frase do apóstolo Renê Terra Nova mostra até que ponto vai seu empenho em conquistar votos para o tucano José Serra.

A reportagem é de Cristian Klein e publicada pelo jornal Valor, 29-10-2010.

Diante de mais de 100 pastores, Terra Nova ensinou como fazer campanha do púlpito, sem ser enquadrado na legislação eleitoral.

"É proibido na hora do culto. Você sabia disso. Pode ser enquadrado em crime eleitoral pelo TRE. Mas você pode fazer o que eu faço na igreja", disse, ao iniciar a reunião estratégica em que deu dicas de como transmitir mensagens subliminares aos fiéis.

Terra Nova explicou que eles poderiam, por exemplo, mencionar uma passagem da Bíblia que remetesse ao número de José Serra. "Eu digo, olha, irmãos, eu vou ler Isaías [capítulo] 45 e eu descobri um versículo que fala sobre serra", orientava.

Sem problema se a passagem em questão não se referir a uma serra propriamente dita.

"Deus diz que gosta que seus filhos estejam num lugar alto e subam a sua serra. O nome lá é monte. Mas eu ponho o nome que eu quero (risos na plateia). A tradução é minha. A hermenêutica é da Bíblia, mas a exegese é minha", disse.

Terra Nova recomendou aos pastores que eles poderiam fazer como ele, que citou num culto a realização de um congresso da Visão Celular na cidade de Serra, no Espírito Santo.

"Eu estou blefando? É mentira que Serra fica no Espírito Santo? E eu digo que, no próximo ano, o congresso será em Serra, e que de Vitória (olha a vitória, olha a vitória, olha a vitória...) para Serra... 45 quilômetros, 45 Serra, 45 Vitória. Eu quero ver o TRE me julgar por isso. Não julga, não", disse.

Serra fica no Espírito Santo. Mas, pelo Google Map, a distância para Vitória é de 28 quilômetros.

Renê Terra Nova ressaltou que os pastores deveriam abusar da internet, mas sem vulgaridade, com informações verdadeiras. Em seguida, porém, apontou como fato mensagem que circulou pela internet segundo a qual Dilma Rousseff não poderia entrar nos Estados Unidos e mais 11 países.

Nos cultos, a recomendação foi de agir com inteligência. Terra Nova contou que não "é confortável" ser chamado pela Polícia Federal, como ocorreu com ele, três vezes este ano, para responder a inquérito por "problema político".

Uma "apostolada" pró-Serra

Peripécias do autoproclamado (e pseudo-) "apóstolo" Renê Terra Nova, noticiadas pelo jornal Valor Econômico e reproduzidas no site do Instituto Humanitas da Unisinos:

Modelo 'Amway' difundiu voto tucano entre evangélicos

A plateia era formada por mais de 100 pastores, convocados em caráter de urgência, por telefone e e-mail, para a reunião estratégica em São Paulo. Representavam várias igrejas evangélicas independentes e vinham de todos os Estados, para ouvir as orientações do denominado "apóstolo", ou mais recentemente "patriarca", Renê Terra Nova.

A reportagem é de Cristian Klein e publicada pelo jornal Valor, 29-10-2010.

"Quem aqui já ganhou uma pessoa pra Jesus? Fala sério. Pelo menos uma. Ora, se a gente conseguiu tirar alguém da mão do diabo, não é possível que a Dilma seja pior do que o diabo (risos). A gente convence".

Difícil encontrar uma ocasião que mais simbolize a mistura de política e religião que tomou conta do segundo turno da eleição presidencial do que a ocorrida na quarta-feira, 21, na Comunidade Cristã El Shaddai, igreja evangélica localizada no bairro Ipiranga, na capital paulista.

A convocação urgente - endereçada em convite eletrônico a pastores batizados de "Generais de Guerra" - é um caso exemplar de como o segmento religioso entrou de corpo e alma na campanha à Presidência que termina domingo.

Campanha que se viu, de repente, enredada em temas tabus como aborto, união civil de homossexuais, descriminalização das drogas e mostrou a força de um grupo de interesse. Dos bispos da Igreja Católica e seus panfletos distribuídos na saída das missas à mobilização dos evangélicos pela internet, os líderes religiosos tiveram o senso de oportunidade de aproveitar o momento.

É o caso de Renê Terra Nova. Apoiador de Marina Silva (PV), ele embarcou de Bíblia e notebook em seu avião - um Falcon 010, comprado no ano passado - para fazer campanha país afora para José Serra (PSDB) no segundo turno. Tomou para si a tarefa de empreender uma grande cruzada pelo tucano, como fizera para a candidata do PV.

Conhecido o resultado das urnas, no domingo, 3, Terra Nova conta que conversou com Marina Silva por telefone e, em seguida, se apresentou às hostes do PSDB. Na primeira semana do primeiro turno, teve uma reunião em Brasília com Mônica Serra, mulher do presidenciável, e com o candidato a vice da chapa, Indio da Costa. Desde então, passou a gastar dinheiro do próprio bolso em viagens com finalidade exclusivamente política. Garante não ter pedido nada em troca: nenhum cargo, verba para projeto de assistência social, ou concessão de rádio ou TV. "Sou um oferecido", diz, numa declaração de desprendimento que não corresponde ao seu comportamento.

Renê Terra Nova tem um estilo personalista. No encontro em São Paulo, os pastores sob sua influência o esperaram por mais de duas horas até que ele chegasse num Toyota CR-Z, ano 2010, cercado por assessores. No local, o estande da Semente de Vida, editora que publica alguns de seus mais de 100 títulos, exibia um grande banner com a foto do líder.

Na reunião política, Renê Terra Nova ensinou diversos truques para driblar a legislação eleitoral e enviar mensagens subliminares de apoio a José Serra durante as pregações nos cultos (leia abaixo). O apóstolo ressaltou muito a importância da internet como uma "ferramenta poderosa" de persuasão fora do púlpito.

"Correio eletrônico, You Tube, Facebook, Twitter, e-mails, MSN, se vire nos 30. Começe a mandar informações", ordenou a seus pastores, depois de se vangloriar de ter 14 mil seguidores no Twitter, mas não seguir ninguém.

Terra Nova abriu a reunião estratégica - que não escapou ao formato de culto, entremeada por orações e cânticos - dizendo que havia apenas 11 dias para fazer algo "grande", ou seja, uma virada de José Serra sobre Dilma Rousseff (PT).

Momentos antes, em entrevista ao Valor, ele reclamava dos institutos de pesquisas. Justamente na véspera, levantamento do Vox Populi apontava que Dilma abrira vantagem de 12 pontos. O pastor lembrava que Marina Silva havia sido vítima dos institutos no primeiro turno e que o mesmo estaria acontecendo com Serra. "É imoral, é estuprar a realidade", vociferava.

O prognóstico poderia provocar um anticlímax no encontro. Mas Renê Terra Nova não fez por menos. Minutos depois, no discurso aos pastores, afirmaria que duas pesquisas, pela manhã, já haviam sido divulgadas e apontavam empate técnico entre Serra e Dilma. Não citou a fonte.

Com o poder da palavra e uma alta dose de marketing, Terra Nova multiplicou fiéis, aumentou seu poder econômico e, agora, afirma, pretende conquistar poder político, a partir do rebanho sob seu controle.

Sua base é Manaus, onde ergueu um templo capaz de abrigar 7.500 pessoas e que custou US$ 17 milhões. É a matriz de sua denominação, o Ministério Internacional da Restauração (MIR), que tem igrejas no Rio, Natal, Porto Velho e Roraima. Ao todo, o MIR congrega pouco mais de 100 mil adeptos.

Seu poder de influência, contudo, não reside aí. Terra Nova cresceu no meio evangélico ao introduzir no Brasil uma nova forma, uma metodologia, de arrebatar fiéis. O modelo tem inspiração clara no mercado. "É marketing de rede", assume.

A estratégia piramidal é muito semelhante à utilizada pela marca Amway, que esteve em voga nos anos 90. Cada pessoa que entra num grupo ou "célula" de 12 discípulos tem a missão de ser um pastor/líder e formar seu próprio grupo de 12. O resultado esperado é um avanço em progressão geométrica. A primeira geração de 12 é seguida por uma segunda, de 144, que forma uma terceira, de 1.728, uma quarta de 20.736, e assim por diante. É o Modelo dos 12, ou M-12, que se inspira no número de apóstolos que seguiram Jesus e que dá origem à chamada Visão Celular, em referência ao grupo de células que se multiplicam.

Renê Terra Nova está no topo da cadeia no Brasil. Ele trouxe o modelo - que surgiu na Coreia, nos anos 50 - depois de importá-lo da Colômbia em 1998. Viajou, à época, acompanhado de outra pastora, Valnice Milhomens, tida como a maior responsável pela difusão da candidatura Marina Silva no eleitorado evangélico. Valnice, porém, preferiu a neutralidade no segundo turno.

Terra Nova diz ter 30 mil pastores sob sua influência, os quais, por sua vez, teriam sob sua cobertura 325 mil líderes de células, abrangendo ao todo 6 milhões de fiéis. É um rebanho gigantesco - próximo da maior igreja protestante no Brasil, a Assembleia de Deus, que fez 19 deputados federais entre os 64 da bancada evangélica eleita no primeiro turno. Em Manaus, porém, Renê Terra Nova não elegeu os dois candidatos a deputado que apoiava, um estadual e outro federal.

Questionado sobre a confiabilidade da estimativa de 6 milhões de fiéis que estariam sob sua influência, ele é evasivo. "Nós também temos nossos institutos de pesquisa...", diz, sem esconder o sorriso de ironia.

Terra Nova é um nome de peso no competitivo mercado religioso. A Visão Celular lhe proporciou expandir seu projeto, ao amealhar fiéis que não precisam abandonar as igrejas as quais costumam frequentar. As reuniões dos grupos de 12 discípulos são realizadas em residências, duram no máximo uma hora e têm como apelo a proximidade entre seus integrantes. Numa igreja grande, com 3 ou 4 mil frequentadores, por exemplo, dificilmente um pastor tem condições de saber ou tempo para confortar alguém, individualmente, caso esteja passando por um grave problema, como a morte de um parente.

A Visão Celular de Renê Terra Nova tenta se aproveitar desse dilema entre quantidade e qualidade. E fornece a uma gama difusa de pastores independentes - que abriram suas próprias igrejas - um corpo de ideias coeso e uma metodologia para expansão. Tal qual uma franquia.

A comparação com empresas não é descabida. Para que a multiplicação das células se dê, os fiéis são incentivados a ser pró-ativos. Por nove meses, frequentam uma "escola de líderes". Em um ano e meio, estão autorizados a empreender e abrir seu próprio grupo. Por experiência, a melhor forma de a célula ir adiante é que seja formada metade por homens e metade por mulheres.

O modelo é uma radicalização da teologia da prosperidade, que move a maioria das denominações evangélicas neopentecostais. Incentiva que o fiel seja ele mesmo um empresário da fé e não só um beneficiário de práticas aprendidas na igreja e voltadas para sua ascensão social.

A ideia de prosperidade está tão entranhada que, em discurso que antecedeu ao de Renê Terra Nova, uma de suas discípulas, Nídia Sá, precisou ressaltar a importância da política não como meio para se ganhar dinheiro, mas por se tratar de uma questão ideológica, para preservar uma sociedade com princípios cristãos. Nídia, ao falar do púlpito, era o símbolo de como a política e religião se casaram nesta eleição. À frente dos mais de 100 pastores, seu notebook trazia um adesivo escrito "Serra 45".

O projeto de poder político é visto como uma consequência inevitável da autonomia econômica. "Queremos governar. Cansamos de ser cauda", diz Renê Terra Nova, ao afirmar que o resultado surpreendente de Marina Silva mostrou a força do segmento evangélico. A onda verde, para ele, foi, essencialmente, uma onda cristã, de apoio à candidata do PV, embora Marina não tenha enfatizado o fato de ser evangélica.

Terra Nova conta que, no início, era muito crítico do mundo da política, mas que chegou à conclusão de que não é possível ficar à margem. Tanto que criou o chamado Governo dos Justos, que admite ser o braço político de sua organização. A intensa participação na campanha de José Serra é um sinal dos novos tempos. Outro é a expansão midiática.

"Decidi agora ir para a TV. Vou dar as caras daqui para frente. Preciso aparecer mais", diz o pastor, em referência a negociações para ter um programa na televisão e à entrevista que concedia, que chamou de "milagre", pois recusara pedidos de vários jornais e revistas nacionais de grande circulação. O que não deixa de ser outra estratégia de marketing.

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