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quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Governo Temer quer exportar para o Irã. Pode, Malafaia?

Malafaia é aquele sujeito que, em 2010, publicou artigo nos principais jornais do país criticando o acordo nuclear que o Brasil e a Turquia negociaram com o Irã, em condições muito melhores para o Ocidente do que o acordo atual proposto por Barack Obama.

É que o governo brasileiro, naquela época, não era aliado de Malafaia.

Talvez por isso mesmo ele apoiou o golpista Michel Temer que o sucedeu, e ficou caladinho quando o Brasil apoiou o Irã na ONU a mando do Nosferatu tupiniquim.

Agora, olha que horror: esse mesmo governo apoiado por Malafaia quer burlar o boicote internacional ao Irã para vender bilhões de dólares (sim, isso mesmo que você leu: bilhões) em produtos agrícolas ao Irã.

Será que Malafaia vai publicar algum anúncio nos jornais contra essa ajudinha do Temer ao Irã?

Hipocrisia, a gente vê por aqui...

Malafaia aparece filando uns salgadinhos e dando um abraço gostoso num camarada no vídeo abaixo, gravado quando Michel Temer foi elevado à condição de presidente do ex-país chamado Brasil e a "pastorzada" foi lá demonstrar-lhe o seu apoio incondicional, dizendo-lhe que "Deus o escolheu".

Para ajudar o Irã?

Agora, o Temer dá mais uma banana para eles...

E você ainda acredita nesses caras, né?

Vocês se merecem...

Confira o vídeo antológico:




E leia a matéria do Estadão, então:

Agricultura pede que BB financie exportações ao Irã

O Irã, que foi submetido a embargo dos EUA, é o maior cliente brasileiro do setor no Oriente Médio

O Ministério da Agricultura pediu à Câmara de Comércio Exterior que o Banco do Brasil seja o agente financiador de exportações do agronegócio para o Irã, maior cliente brasileiro do setor no Oriente Médio, com US$ 2,2 bilhões em importações no ano passado. Em 2017, as principais aquisições foram de milho, soja, carne bovina e açúcar. Por causa do embargo dos Estados Unidos, grandes instituições financeiras não operam naquele país. Fonte da diretoria do BB, no entanto, revela à coluna que o banco, por atuar nos EUA, tem de seguir as sanções impostas ao país árabe e não se submeteria a nenhum risco de retaliação do governo norte-americano.

Para a instituição, a prerrogativa de autorizar outros bancos para o financiamento de exportações é do governo federal, mas a maioria deles também tem operações globais e está sujeita aos mesmos riscos do BB.



quarta-feira, 7 de junho de 2017

Irã é a bola da vez do Estado Islâmico


Parece que ódio para o Estado Islâmico é algo assim como um esporte a mais: eles entram em campo não importando o adversário.

Só que - neste caso - o "esporte" é matar...

A notícia é da Deutsche Welle:

Parlamento do Irã é alvo de ataque

Atiradores invadem sede do Legislativo iraniano, e homens-bomba atacam mausoléu do aiatolá Khomeini. "Estado Islâmico" reivindica os dois atentados, que deixam ao menos 12 mortos.

Homens armados invadiram nesta quarta-feira (07/06) o Parlamento iraniano em Teerã, enquanto outro grupo realizava um ataque simultâneo ao mausoléu do aiatolá Khomeini, a cerca de 20 quilômetros da sede do Legislativo.

Um parlamentar afirmou à emissora Irib que a invasão ao Parlamento foi realizada por ao menos quatro atiradores, armados com fuzis e uma pistola. Segundo a agência, um homem-bomba detonou explosivos no local.

A agência Irib citou um funcionário do mausoléu do líder revolucionário iraniano, dizendo que atiradores abriram fogo no local, onde uma mulher realizou um ataque suicida, detonando explosivos. Um jardineiro morreu durante a invasão, segundo informações da agência de notícias Isna.

O ministério iraniano da Inteligência, citado por uma emissora de televisão do país, atribuiu o ataque a grupos terroristas e afirmou que conseguiu deter um terceiro atentado. "Nesta manhã, dois grupos terroristas atacaram o Parlamento e o mausoléu do imã Khomeini. Membros de um terceiro grupo foram presos antes de realizarem um ataque", afirmou a emissora.

Mais de três horas após o início dos ataques, a imprensa local informava que o incidente no Parlamento estava encerrado e que quatro terroristas foram mortos no local.

Segundo a mídia iraniana, 12 pessoas morreram e 42 ficaram feridas nos dois ataques. Não está claro se os ao menos quatro agressores do Parlamento e dois suicidas do mausoléu estão incluídos no total de mortos.

O grupo extremista "Estado Islâmico" (EI) assumiu a responsabilidade pelos dois atentados. A agência de notícias Amaq, ligada ao grupo, afirmou que "combatentes do EI atacaram o templo de Khomeini e Parlamento em Teerã". Esta é a primeira vez que o EI reivindica a autoria de um ataque em solo iraniano.



segunda-feira, 22 de maio de 2017

Iranianos reelegem presidente o reformista Rouhani



Manja o Irã, aquela república islâmica tão criticada? Pois é, lá tem eleição direta para presidente e o candidato do manda-chuva do país, o aiatolá Ali Khamenei, perdeu para o atual presidente Hassan Rouhani (ou Rohani, há divergências quanto à grafia), que concorreu à reeleição.


Logo, ao contrário do Brasil varonil, bons ventos políticos e econômicos sopram no Irã, segundo informa o Estadão:

Reformista Rohani é reeleito no Irã

Com 57% dos votos, presidente que selou pacto nuclear com Ocidente ganha mais quatro anos no cargo em meio à recuperação econômica

Renata Tranches

TEERÃ - O reformista Hassan Rohani foi reeleito neste sábado, 20, presidente do Irã com 57% dos votos, em uma votação que mostrou o apoio dos iranianos ao pacto nuclear com o Ocidente, o fim de mais de uma década de isolamento internacional e um princípio de recuperação econômica.

O anúncio da vitória foi feito na manhã de ontem pelo Ministério do Interior. Seu rival na disputa, o juiz conservador Ebrahim Raisi - próximo do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, teve 38% dos votos.

O acordo negociado em 2015 estipulou regras para o país desenvolver seu programa nuclear, que incluem inspeções internacionais e limites para o enriquecimento de urânio. O Irã alega que o programa, que começou a ser desenvolvido nos anos 50, antes da Revolução Islâmica de 1979, tem objetivos pacíficos, enquanto seus críticos argumentam que teria ambição militar, para construir bombas.

No começo dos anos 2000, EUA e ONU impuseram sanções econômicas ao país, alegando falta de transparência. As medidas afetaram a economia iraniana. A retórica do então presidente, Mahmoud Ahmadinejad (2005-2013), pregando a destruição de Israel, não ajudou.

O clérigo Rohani foi eleito em 2013 com o aval do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, para levar adiante a negociação, mesmo diante da forte resistência dos linhas-duras. O presidente prometeu que, com o pacto, viria a transformação econômica.

Com o levantamento das sanções, o país começou a acumular algumas vitórias. Voltou a exportar petróleo - segundo o embaixador iraniano no Brasil, Seyed Ali Saghaeyan, a produção foi de 1 milhão para 2,5 milhões de barris por dia, entre 2015 e este ano (mais informações nesta página), e a inflação caiu de 37,7% para 7,2%. O país fechou ainda acordos bilionários com companhias europeias e até americanas, principalmente na área de aviação. Mas o desemprego não cedeu e subiu de 10,4%, em 2013, para 11,2%, este ano.

A explicação, segundo o especialista Pejman Abdolmohammadi, pesquisador da London School of Economics, é que o presidente não influenciou drasticamente a condição econômica iraniana, apesar de ter conseguido algumas aberturas que ajudarão no longo prazo. O baixo preço do petróleo, no momento em que o país volta a exportar, limitou os ganhos do acordo.

O fim da “doutrina Obama”, de aproximação com Teerã, foi outro fator negativo e está influenciando os assuntos domésticos, segundo Abdolmohammadi. O especialista da Texas Christian University, Manocher Dorraj, acrescenta que há um lobby de Arábia Saudita e Israel - rivais iranianos - para que Trump não alivie nenhuma sanção fundamental que possa trazer prosperidade à economia do país.

Durante a campanha para tentar um novo mandato, em votação feita na sexta-feira contra Raisi, o presidente foi criticado por seus partidários por não promover a ampliação dos direitos civis e liberdades com as quais se comprometeu. “As pessoas realmente esperavam que ele pudesse fazer algo nesse sentido”, explica o pesquisador da London School. Ele foi cobrado também por não ter criado condições para libertar dois líderes reformistas em prisão domiciliar desde 2011: Hossein Mousavi e Mehdi Karroubi.

Como chefe de governo, Rohani alega que há limites para o que pode fazer. No Irã, quem dá a última palavra é o líder supremo. Mas o argumento não foi suficiente e críticas têm se repetido, como a da premiada atriz Baran Kosari, que fez campanha para Rohani em 2013. “Simplesmente dizer que ele (o governo) está sob pressão não é aceitável”, disse.

De qualquer forma, para especialistas Rohani teve um papel fundamental para mudar a imagem internacional do Irã. “Ele foi um dos presidentes mais influentes da república islâmica, mais até, eu diria, que (Mohammed) Khatami”, disse Abdolmohammadi, em referência ao histórico líder reformista. / COM REUTERS





segunda-feira, 27 de março de 2017

Nem um pio de Malafaia contra ajuda do Brasil ao Irã na ONU


No que diz respeito a certos "líderes" "evangélicos" brasileiros, bem como aos papagaios cóspel que cacarejam suas "façanhas", parece que tudo é uma questão de conveniência.

Foi assim em outubro de 2010, quando Silas Malafaia chegou a publicar anúncios pagos nos principais jornais do país, protestando contra o acordo que, à época, o Brasil havia intermediado com a Turquia a respeito do arsenal nuclear do Irã, à época rejeitado pelos Estados Unidos.

Como se sabe, passados alguns anos, os EUA chegaram a um acordo com o Irã em termos inferiores àqueles que o Brasil havia conseguido em 2010, mas ninguém falou nada sobre isso.

Enfim, quando se trata de Irã, o negócio é jogar para a plateia, mandando-se às favas o bom senso e a credibilidade da informação.

Espere (sentado), portanto, para ver se Malafaia vai dar um pio a respeito da atual ajuda do Brasil ao Irã na ONU, conforme matéria abaixo do Estadão, lembrando que o governo que está lá em Brasília foi apoiado por ele, caso você tenha - convenientemente - se esquecido.

Afinal, hipócritas são sempre os outros, não é mesmo?

Eis o artigo:

Brasil se abstém em votação sobre 
direitos humanos no Irã

Em 2015, Comissão do Senado liderada por Aloysio Nunes - hoje chanceler do País - protestou contra a mesma postura adotada pelo governo de Dilma Rousseff no caso iraniano; ONGs e minorias religiosas criticam decisão

GENEBRA - O governo brasileiro decidiu se abster em uma resolução votada nesta sexta-feira, 24, na ONU criticando as violações aos direitos humanos no Irã e renovando o mandato de uma relatora com o objetivo de fiscalizar a situação em Teerã. A resolução foi aprovada por 22 votos a favor e 12 contra, com 13 abstenções, entre elas a do Brasil.

A resolução contou com votos favoráveis dos EUA, Alemanha e Reino Unido, países que tiveram papel central no acordo nuclear com o Irã, assinado em 2015. No que se refere aos direitos humanos, porém, esses governos mantiveram uma posição crítica.

A posição adotada pelo Brasil é a mesma que o governo já havia tomado em 2010 quando a então presidente Dilma Rousseff optou por se abster em votação similar. Na época, a decisão do Itamaraty levou a Comissão de Relações Exteriores do Senado, presidida por Aloysio Nunes, a convocar uma audiência pública para exigir uma explicação da parte da chancelaria. Agora, como chanceler, Nunes segue a mesma política.

Em 2010, quem também criticou a posição do então governo foi José Serra, que até o mês passado foi o ministro de Relações Exteriores de Temer. Na época, ele alertou para o fato de que Dilma "nunca disse uma palavrinha áspera contra aquela ditadura fascista e feroz". O Irã era governado por Mahmoud Ahmadinejad e, desde então, passou a adotar um tom mais conciliador. Mas, em termos de direitos humanos, ativistas e mesmo a ONU alertam que a situação pouco mudou.

Em sua explicação de voto, nesta sexta, o Itamaraty indicou que "reconhece os esforços" do governo do Irã em relação aos direitos humanos e aprovação de leis internacionais. Para o governo Temer, isso representou passos positivos, tais como a publicação de leis sobre os direitos dos cidadãos.

De acordo com o Brasil, o país optou pela abstenção, apesar das preocupações legítimas em relação aos direitos humanos. Ao explicar seu voto, o governo indicou que "sabe das dificuldades" em implementar novas leis de proteção aos direitos humanos e "espera que o Irã supere os obstáculos".

A embaixadora brasileira em Genebra, Maria Nazareth Farani Azevedo, disse que reconhecia os "passos em boa direção" no que se refere às reformas sobre a punição capital e indicou que o Brasil espera que isso signifique o fim da pena de morte em determinados casos.

Ao se abster, o governo também indica que "levou em consideração a vontade política do Irã em se engajar" com os instrumentos internacionais de direitos humanos. Segundo a embaixadora, o voto brasileiro deve ser visto como um "estímulo para que o Irã permaneça no bom caminho" e "espera avanços mais significativos em direitos humanos".

Ainda assim, o governo afirmou que continua preocupado com as alegações de violações no país. O Brasil ainda se disse preocupado com a situação das mulheres, da liberdade de expressão e de minorias religiosas. De acordo com a embaixadora, a abstenção do País não deve ser interpretada como um questionamento em relação à relatora para as violações no Irã.

Momentos depois de o Brasil falar, o governo do Reino Unido tomou a palavra para alertar que o Conselho da ONU "não é o lugar para reconhecer esforços", e sim para lidar com violações de direitos humanos.

O governo do Irã criticou a aprovação da resolução, enquanto que a Venezuela alertou que a resolução era um "instrumento de potências para atingir seus objetivos geopolíticos".

Reações. Para entidades de direitos humanos, a posição brasileira não se justifica. "Há um descompasso entre a abstenção do Brasil e a justificativa dada em Genebra. O Brasil pede para que governo persa mantenha diálogo com a relatora da ONU para o Irã mas não vota a favor da manutenção deste mesmo posto", afirmou Juana Kweitel, diretora executiva da Conectas Direitos Humanos. "O governo Temer deixou na mão dos demais membros do Conselho a responsabilidade por preservar um dos poucos fluxos de informações críveis sobre violações que acontecem no Irã."

Junto com outras três ONGs, a Conectas Direitos Humanos enviou uma carta ao Itamaraty pedindo que o Brasil votasse a favor da renovação do mandato na ONU para investigar violações no Irã.

Para Iradj Roberto Eghrari, representante da Comunidade Bahá'i do Brasil, o voto "coloca o País em uma absoluta incoerência". "O governo diz que está acompanhando e diz que existem problemas, mas como pretende solucionar sem um instrumento reconhecido que é a relatoria da ONU? O Brasil fica na contra-mão", disse Eghrari.

De acordo com o representante, o voto brasileiro vai "contra os valores defendidos pela diplomacia" do País por décadas. Na avaliação de Eghrari, o Brasil não trata de direitos humanos com o Irã nem no campo multilateral e nem em suas relações bilaterais.

Ele também critica a justificativa dada pelo governo de que o Irã está no "caminho certo" ao adotar uma carta de direitos dos cidadãos. "Essa carta é uma camuflagem das violações, já que nem se reconhecem as minorias religiosas", disse Eghrari. "Falta mais pesquisa por parte da diplomacia brasileira sobre o que significa essa carta."



terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Fator Trump acelera o relógio do fim do mundo


Parece que, neste caso, a ordem dos fatores altera significativamente o produto.

A informação curiosa é da BBC Brasil:

Para grupo de cientistas, mundo pode estar mais próximo do apocalipse

Um grupo de cientistas diz que o mundo se aproximou do apocalipse no último ano, diante de um cenário de segurança que vem se tornando obscuro e dos comentários do novo presidente americano, Donald Trump.

O Boletim dos Cientistas Atômicos (BPA, na sigla em inglês) moveu o ponteiro do relógio Doomsday, que simboliza quão próximos estamos de uma hecatombe, de três minutos para dois minutos e meio antes da meia-noite - quanto mais perto dela, mais iminente está o fim do mundo, na avaliação dos pesquisadores.

É o mais próximo que o relógio chegou da meia-noite desde 1953, quando o ponteiro foi movido para dois minutos por causa de testes de bomba de hidrogênio feitos pelos EUA e pela Rússia.

Em um relatório, o BPA disse que as declarações de Trump minimizando as mudanças climáticas, a expansão do arsenal nuclear dos EUA e o questionamento acerca das agências de inteligência contribuíram para o aumento do risco global.

A chefe da BPA, Rachel Bronson, pediu aos líderes mundiais que "acalmem mais do que alimentem as tensões que podem levar à guerra".

O que é o relógio Doomsday?

O ponteiro dos minutos no Relógio do Juízo Final é uma metáfora de quão vulnerável à catástrofe o mundo está.

O dispositivo simbólico foi criado pelo Boletim dos Cientistas Atômicos em 1947 - o BPA havia sido fundado na Universidade de Chicago em 1945 por um grupo de cientistas que ajudaram a desenvolver as primeiras armas atômicas.

Hoje, o coletivo inclui físicos e cientistas ambientais de todo o mundo, que decidem como ajustar o relógio após consultar também o Conselho de Patrocinadores do grupo - que inclui 15 prêmios Nobel.

Por que ele se moveu meio minuto para mais perto da meia-noite?

Nos últimos dois anos, o ponteiro do Relógio do Juízo Final permaneceu fixado em três minutos antes da meia-noite. Mas o BPA diz que o perigo de desastre global é ainda maior em 2017, e decidiu mover o marcador 30 segundos para a frente.

"Os comentários perturbadores sobre o uso e proliferação de armas nucleares feitos por Donald Trump, bem como a descrença no consenso científico sobre a mudança climática expressa por Trump, e por vários dos nomeados para o seu gabinete, afetaram a decisão da diretoria, assim como o surgimento de nacionalismo estridente em todo o mundo."

Outros fatores listados no relatório da BPA incluem dúvidas sobre o futuro do acordo nuclear do Irã, ameaças à segurança cibernética e o surgimento de notícias falsas.

A decisão da diretoria de mover o ponteiro em menos de um minuto - algo que nunca fez antes - é porque Trump só recentemente assumiu o cargo e muitas de suas nomeações ainda não estão atuando no governo.

Como a ameaça se compara aos anos anteriores?

Quando foi criado em 1947, os ponteiros do relógio estavam em sete minutos antes da meia-noite. Desde então, isso mudou 22 vezes, variando de dois minutos para a meia-noite em 1953 a 17 minutos para a meia-noite, em 1991.

O relógio foi ajustado pela última vez em 2015, quando foi transferido de cinco para três minutos antes da meia-noite, diante de perigos como as mudanças climáticas e a proliferação nuclear. Esse foi o mais próximo que ele chegou da meia-noite em mais de 20 anos.

A última vez em que esteve no patamar dos três minutos foi em 1984, quando as relações entre os EUA e a União Soviética atingiram seu ponto mais crítico.


Donald J. Trump: um país e um planeta que não se reconhecem mais...




terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Morre um dos principais fundadores da República Islâmica do Irã

Rafsanjani sorridente abaixo de Khamenei

Dez dias apenas em 2017 e os obituários continuam imperando nas notícias.

Agora é a vez de Ali Rafsanjani, aiatolá e ex-presidente do Irã, e um dos fundadores da teocracia que rege o país desde a Revolução de 1979, que derrubou o xá Mohammad Reza Pahlavi.

Quase 40 anos depois sai de cena, portanto, uma peça fundamental do intricado jogo político local. 

A informação é do El País:

Morre Ali Rafsanjani, ex-presidente do Irã e homem de confiança de Khomeini

O aiatolá sofreu um infarto aos 82 anos, segundo a imprensa local

ALI FALAHI

Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, ex-presidente do Irã, morreu neste domingo aos 82 anos no hospital onde foi internado após sofrer um ataque cardíaco, segundo jornais locais. A Press TV informou que o aiatolá morreu apesar dos esforços dos médicos em salvar a sua vida.

Rafsanjani foi um dos políticos mais influentes do Irã. Homem de confiança do aiatolá Khomeini, o líder da Revolução Iraniana, ele foi fundamental para a formação da República Islâmica, em 1979, e para a eleição de Ali Khamenei no lugar de Khomeini, uma década depois. Como presidente, seu plano de reconstrução do país após oito anos de guerra com o Iraque marcou não apenas o rumo econômico para as décadas seguintes, mas também a estratégia de desenvolvimento.

A partir de então, Rafsanjani perdeu muito terreno para os rivais políticos, em especial para o atual líder supremo, e seu respaldo a Hasan Rouhani nas eleições presidenciais de 2013 talvez tenha sido o seu último erro.

Rafsanjani participou da maioria das eleições realizadas na República Islâmica, embora sempre tenha sido derrotado nas últimas duas décadas. Isso até a eleição da Assembleia dos Peritos, em 26 de fevereiro passado, quando, com 2,3 milhões de votos, ele se tornou o candidato com mais eleitores de toda a história desse órgão, que nomeia, monitora e destitui o líder supremo. Mas não quis disputar sua presidência, o que deixou caminho livre para Ahmad Jannati, um dos clérigos mais conservadores do país e eleito por Teerã. O gesto de Rafsanjani frustrou as esperanças de muitos reformistas que o tinham apoiado, confirmando sua falta de peso no sistema iraniano nos últimos tempos.



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Brasil normaliza relações com o Irã


A informação é da Agência Brasil:

Brasil poderá ampliar parcerias comerciais com o Irã

Sabrina Craide

O governo brasileiro deverá iniciar em breve tratativas para novas parcerias comerciais com o Irã. Segundo o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, o governo recebeu em novembro correspondência em que o governo iraniano manifesta interesse em desenvolver parcerias comerciais com o Brasil que envolvem produtos como tecnologia, automóveis e equipamentos brasileiros. O assunto será tratado pelos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

“O Brasil tem uma boa relação com o Irã, que acaba de vencer a questão das barreiras, portanto, é um grande mercado para o nosso país e, óbvio, nós temos todo o interesse em ampliar esse intercâmbio", disse Braga. O assunto foi tratado na manhã de hoje (11) em uma reunião com a presidenta Dilma Rousseff. Uma reunião com o embaixador do Brasil no Irã deve ser marcada para discutir a questão.

Recentemente, os Estados Unidos e a União Europeia decidiram suspender as sanções aplicadas ao Irã, logo após a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) confirmar que o país cumpriu todas as exigências do acordo nuclear assinado em Viena. De acordo com o ministro de Minas e Energia, o Brasil tem interesse em acordos na área de energia. “Eles têm petróleo, têm muito gás, nós temos uma indústria de petróleo, temos interesses, viemos ao longo dos últimos meses tratando com iranianos a questão de refinarias no Brasil.”

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, entre 2002 e 2009, a corrente bilateral de comércio entre Brasil e Irã passou de US$ 500 milhões para US$ 1,24 bilhão. Em 2010, o Irã tornou-se o segundo maior comprador de carne do Brasil, ficando atrás apenas da Rússia.



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Vaticano e Irã tem mais coisas em comum do que você imagina


A matéria é do IHU:

A ligação entre o Vaticano e o Irã é uma parceria concebida para durar


Embora seja sempre surpreendente para os americanos ouvirem isto, quando o presidente iraniano, Hassan Rohani, chamou o Papa Francisco na terça-feira, ele fez isso como chefe de um estado que tem desfrutado de relações diplomáticas com o Vaticano por muito mais tempo do que os Estados Unidos, e sem dúvida representa uma estratégica parceria que é quase tão importante quanto Washington. 


A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por Crux, 26-01-2016. A tradução é de Evlyn Louise Zilch.


O Irã e a Santa Sé estabeleceram relações diplomáticas completas em 1954, 30 anos antes dos Estados Unidos o terem fieito em 1984 sob Ronald Reagan, e o vínculo manteve-se ininterrupto desde então, mesmo durante a revolução iraniana e a crise dos reféns norte-americana.

Rouhani foi o primeiro presidente iraniano desde 1999 a encontrar o papa no Vaticano, um intervalo de tempo em grande parte explicado pelo fato de que coincide com o reinado do insurgente populista Mahmoud Ahmadinejad, em Teerã. (Rouhani e Francisco deveriam se encontrar em novembro, mas a viagem do líder iraniano foi cancelada após os ataques terroristas em Paris).

Segundo a imprensa italiana, Rouhani pode ter brindado Francisco com um convite formal para fazer uma visita histórica ao Irã, talvez já em maio, quando o pontífice também está considerando uma viagem à Armênia.

Não muito tempo atrás, quando as ambições do Irã em se tornarem uma potência nuclear ainda representavam preocupações reais sobre a segurança global, apenas um passeio já poderia ser problemático, especialmente para uma “Papa da paz”. O acordo do ano passado com os poderes P5+1, no entanto, tornou a situação mais pensável.

Em um nível, os laços estreitos entre Roma e Teerã refletem o muitas vezes subestimado fato de que tanto o Vaticano quanto o Irã pós-revolucionário são, basicamente, teocracias, representando tradições espirituais – o catolicismo e islamismo xiita – que têm uma quantidade surpreendente de pontos em comum.

O escritor iraniano Vali Nasr, autor do livro de 2006 “The Shia Revival”, argumenta que a divisão entre sunitas e xiitas é comparável à que existe entre protestantes e católicos, com Shia sendo o ramo mais próximo ao catolicismo.

Entre os pontos de contato estão:

  • Uma forte ênfase na autoridade clerical; Uma abordagem ao Alcorão acentuando tanto escritura quanto tradição;
  • Uma raia misticamente profunda;
  • Devoção a um santo da família (no caso dos xiitas, os parentes de sangue de Maomé) e aos santos (os Doze Imãs);
  • Uma teologia de sacrifício e expiação através da morte de Hussain, neto de Maomé e o primeiro imã xiita do Islã Shia;
  • A crença no livre-arbítrio (em oposição à doutrina sunita da predestinação);
  • Dias santos, peregrinações e santuários de cura;
  • A oração de intercessão; Formas fortemente emocionais de devoção popular, especialmente o festival de comemoração de Ashura da morte de Hussain; 


Um sinal recente de vizinhança espiritual é que os estudiosos iranianos traduziram recentemente as Confissões de Agostinho e o Catecismo da Igreja Católica em Farsi, o resultado de um esforço de 12 anos.

Em termos de pura Realpolitik, ambas as partes também têm fortes motivos para manter seu relacionamento verde.

Do ponto de vista do Irã, ele aspira ser não apenas um jogador regional, mas global, e para isso ele requer não apenas o poder “hard”, para invocar a famosa distinção do cientista político de Harvard Joseph Nye, mas também a “soft”, significando legitimidade moral. A percepção de estar em diálogo com o Vaticano é crucialmente importante, contrariando a retórica administrativa de Bush sobre o Irã ser parte de um “eixo do mal”.

Teerã também vê o Vaticano como um corta-fogo com nações ocidentais às vezes hostis. Em 2007, quando parecia que as preocupações sobre o programa nuclear do Irã poderiam levar a um conflito armado com os Estados Unidos, diplomatas iranianos calmamente procuraram o Vaticano como um mediador potencial.

Enquanto o Vaticano estever em causa, alguns desafios geopolíticos estes dias parecem maiores do que a direção futura das sociedades islâmicas, incluindo o destino das minorias cristãs no interior dessas nações. Dado o papel decisivo que o Irã desempenha em países vizinhos como a Síria e o Iraque, o Vaticano acredita que o engajamento é criticamente importante.

Ironicamente, alguns diplomatas do Vaticano realmente têm uma maior confiança na proteção dos cristãos no Oriente Médio pelo Irã e Rússia do que pelas potências ocidentais, que, em seu julgamento, simplesmente não levam a sério a religião como fonte de identidade.

Francisco já fez viagens para a Turquia, Israel, Palestina e Jordânia, e também expressou repetidamente frustração pelas questões de segurança que até agora tornaram impossível para ele ir para o Iraque e a Síria. Nesse contexto, uma excursão para o Irã se encaixaria naturalmente tanto com as prioridades políticas do papa quanto também com a seu evangelismo para o mundo islâmico, que recentemente encontrou confirmação dos indícios de que ele também está planejando fazer uma parada papal pela primeira vez na história na Grande Mesquita de Roma.

Isso não quer dizer que tudo está ótimo entre o Vaticano e o Irã.

Além de pressionar Rouhani sobre a implementação do acordo nuclear, Francisco provavelmente usou a reunião de terça-feira para encorajar o Irã a parar de fomentar o conflito na Síria.

Não é que o pontífice percebe um interesse em derrubar Assad – afinal, ele ajudou a evitar um assalto ocidental para fazer exatamente isso, em setembro de 2013, com a realização de uma vigília de oração dramática pela paz na Praça de São Pedro, e a maioria de seus bispos na Síria acredita que se Assad cair, um governo liderado por ISIS seria a consequência inevitável.

Por seu papel em dirigir uma ofensiva anti-Assad, a revista Foreign Policy chamou Francisco de um “leão-assassino”.

No entanto, Francisco repetidamente pediu paz e condenou a disseminação de armas na Síria e no Iraque, e sem dúvida queria ter essa conversa com um dos fornecedores militares mais importantes de Assad.

No lado iraniano, Teerã se vê como um rival para Ankara sob Recep Erdogan como o líder do mundo muçulmano. Quando Francisco visitou a Turquia em novembro de 2014, Erdogan pressionou-o para ser mais franco na condenação da islamofobia, e é perfeitamente possível que Rouhani entregue uma mensagem semelhante, a fim de manter o ritmo.

No entanto, quando Francisco e Rouhani despediram-se na terça-feira, o fizeram como amigos e, possivelmente, com uma viagem papal na prancheta.

Em outras palavras, esta é uma parceria concebida para durar.



quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Presidente do Irã visita o papa


A notícia é da Agência Brasil:

Papa Francisco recebe o presidente do Irã

O papa Francisco recebeu, no fim da manhã desta terça-feira (26), o presidente do Irã, Hassan Rohani. A audiência com o pontífice faz parte da primeira viagem do líder iraniano à Europa após a remoção das sanções internacionais sobre o programa nuclear de Teerã.

Ao final do encontro, Rohani pediu que o papa reze por ele. "Peço-vos que rezeis por mim. Gostei muito deste encontro e desejo-lhe bom trabalho", respondeu, em farsi (idioma mais falado no Irã, conhecido como língua persa), o presidente iraniano.

O papa Francisco pede com frequência a seus convidados que rezem por ele.

O último presidente iraniano a visitar o Vaticano foi Mohammad Khatami, que esteve em 1999 com o papa João Paulo II.

Em nota, a Sala de Imprensa da Santa Sé diz que, durante a visita, "os cordiais colóquios" entre o papa e o líder iraniano evidenciaram os valores espirituais em comum e o bom estado das relações entre a Santa Sé e a República Islâmica do Irã.

As delegações diplomáticas também abordaram a recente conclusão e aplicação do acordo nuclear, destacado o "importante papel" que o Irã foi chamado a desempenhar, junto com os outros países da região, para promover soluções políticas adequadas aos problemas que afligem o Oriente Médio, "contrastando a difusão do terrorismo e o tráfico de armas".

Os representantes do Vaticano e do Irã ressaltaram ainda "a importância do diálogo inter-religioso e a responsabilidade das comunidades religiosas na promoção da reconciliação, da tolerância e da paz".

Roma

Rohani chegou ontem (25) a Roma, sob forte esquema de segurança, mas com grandes expectativas diplomáticas e econômicas. O presidente iraniano encontrou-se o presidente italiano, Sergio Mattarella, e com o primeiro-ministro Matteo Renzi. Rohani disse que o acordo nuclear pode se tornar um exemplo a ser aplicado no Oriente Médio, na África e no sul do Mediterrâneo e pediu coesão internacional para derrotar o terrorismo.

Também Renzi destacou que o acordo nuclear pode ser o primeiro passo rumo a uma nova era de paz e prosperidade em toda a região. Segundo o primeiro-ministro, com o Irã nas mesas internacionais, será mais fácil vencer o terrorismo, um conceito que havia sido reiterado pelo presidente Mattarella.

Nas próximas horas, Itália e Irã vão assinar uma série de acordos econômicos significativos no setor de mineração. Permanecem, porém, entre os dois países, diferenças sobre os direitos humanos. "Mas demonstramos a capacidade de discutir e dialogar", afirmou Renzi.

Em Roma, Hassan Rohani iraniano visita ainda o Coliseu, antes de partir para Paris, onde é esperado pelo presidente francês, François Hollande. Na capital francesa, o presidente iraniano deverá se encontrar com dezenas de empresários.



terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Irã condena execução de líder xiita pela Arábia Saudita


A matéria é da Agência Brasil:

Arábia Saudita sofrerá "vingança divina", diz líder supremo do Irã

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, condenou a execução do líder religioso xiita Nimr al-Nimr, ocorrida este sabado (2). Khamenei afirmou que os sauditas sofrerão "uma vingança divina" pelo ato.

"Sem dúvidas, o ilegítimo derramamento de sangue deste mártir inocente terá um efeito rápido, e uma vingança divina se abaterá sobre os políticos sauditas", disse Ali Khamenei hoje (3) sobre a morte de Nimr al-Nimr.

O religioso era opositor declarado da família real saudita e havia sido preso em 2012, após uma série de protestos da minoria xiita no Bahrein. A manifestação no país vizinho foi contida em uma ação conjunta das autoridades sauditas e barenitas e foi considerada extremamente violenta pelas entidades de defesa dos direitos humanos.

Al-Nimr era acusado de motim, desobediência ao rei e porte de armas e foi executado ao lado de 46 terroristas que pertenciam, em sua maioria, ao grupo Al Qaeda. O xiita sempre reconheceu sua posição opositora ao governo, mas negava ter incitado a violência nos protestos ou portar uma arma.

Após a execução, centenas de muçulmanos xiitas foram às ruas protestar pela morte de al-Nimr na Arábia Saudita, no Bahrein, no Iêmen, no Irã e no Líbano.

Um grupo de pessoas chegou a invadir a embaixada saudita em Teerã e destruiu o local. O governo iraniano informou que deteve 40 pessoas que teriam invadido o centro diplomático. O consulado saudita em Mashaad, no norte do Irã, também foi invadido por pessoas que protestavam contra a morte do líder.



domingo, 15 de novembro de 2015

Irã nomeia primeira embaixadora desde a revolução islâmica de 1979


A informação é do HuffPost Brasil:

Pela primeira vez desde 1979, Irã nomeia uma mulher como embaixadora

Marzieh Afkham, 50 anos, foi nomeada embaixadora do Irã na Malásia, de acordo com anúncio feito pelo ministro das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif. É a primeira vez que uma mulher se torna embaixadora do país desde 1979.

Diplomata de carreira há 30 anos, Marzieh ocupava o cargo de porta-voz do ministério das Relações Exteriores desde 2013. No entanto, com a mudança de cargo, sua antiga posição será ocupada por um homem, Jaber Ansari.

Segundo informações da AFP, Marzieh elogiou "a confiança depositada nas mulheres ao concedê-las responsabilidades e a oportunidade de ajudar a fazer avançar a sociedade iraniana".

Desde a eleição de Hassan Rouhani, considerado moderado, para a presidência, algumas movimentações mais liberais têm aparecido.

Rouhani chegou a pedir aos ministros que nomeassem mulheres para cargos relevantes e advertiu que "a discriminação não seria tolerada". Atualmente, são três mulheres entre os 11 vice-presidentes iranianos.



terça-feira, 4 de agosto de 2015

Os curdos pagam o pato na guerra da Turquia contra o Estado Islâmico

Militantes curdos aprendem a dura lição: nem sempre o inimigo do seu inimigo é seu  amigo!

E são todos muçulmanos... a informação é da BBC Brasil:

Por que a Turquia também bombardeia os inimigos do 'Estado Islâmico'?

A Turquia deixou de ser, na semana passada, uma observadora dos ataques contra o grupo autodenominado "Estado Islâmico" (EI) para se tornar um agente militar ativo no combate aos extremistas.

No entanto, os bombardeios turcos não têm como alvo apenas o EI: também caíram sobre bases do separatista Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) no Iraque.

E milicianos curdos das Unidades de Proteção Popular (YPG) na Síria - uma das forças que mais fizeram para conter os avanços do "Estado Islâmico" - também disseram ter sido alvejados pelos ataques turcos.

Mesmo derrotando o Estado Islâmico, a guerra não acabou para as bravas mulheres guerreiras curdas do YFG na Síria.

"Em vez de atacar os terroristas do EI, as tropas turcas atacaram posições dos nossos defensores. Essa não é uma atitude correta", disse um porta-voz do YPG, referindo-se ao bombardeio de seus postos perto de Zormikhar, na Província síria de Aleppo.

Muitos veem a ação turca como uma "traição" e como uma tentativa de usar a ofensiva contra o EI como uma desculpa para avançar contra quem considera seus principais inimigos, os separatistas curdos.

Muitos curdos acusam os Estados Unidos de fazer vista grossa a essa estratégia de Ancara, em troca do apoio logístico turco no combate aos extremistas islâmicos.

As autoridades em Ancara afirmam, em resposta, que os nacionalistas curdos na Síria "não estão contemplados dentro do atual esforço militar" e prometeram investigar os bombardeios. Mas também alegam que os ataques do PKK contra a Turquia impossibilitam negociações de paz.

Política local

30 milhões de curdos compõem a maior etnia
sem um Estado que os represente no mundo.
Os curdos formam a minoria étnica sem Estado próprio mais numerosa do Oriente Médio: são mais de 30 milhões de pessoas - segundo os cálculos mais conservadores - ocupando um território que engloba partes da Turquia, da Síria, do Iraque e do Irã.

E os bombardeios contra o PKK - que lidera a luta pela independência curda na Turquia - poderiam ser um elemento-chave para conquistar os votos nacionalistas que o atual governo de Ancara precisa para recuperar a maioria perdida nas recentes eleições de junho.

EUA e Turquia têm trabalhado para criar uma "zona segura", no norte da Síria, para libertar a região do EI. A área, de cerca de 90 km de extensão, seria usada para treinar forças moderadas de oposição, informa o correspondente da BBC na Turquia, Mark Lowen.

O objetivo de Ancara é também permitir que refugiados sírios na Turquia possam retornar ao seu país por essa "zona segura".

Mas o líder do partido pró-curdos Partido Democrático do Povo (HDP, um dos principais partidos vencedores da última eleição turca), Selahattin Demirtas, disse à BBC na quarta-feira que a operação de Ancara contra o EI além das fronteiras turcas é um "disfarce" para alvejar rebeldes curdos e impedi-los de avançar na luta por um Estado próprio.

Ele alega que a verdadeira intenção da "zona segura" é fazer uma incursão a áreas de predominância curda na Síria para impedir que os curdos sírios controlem um território contínuo.

Estratégia arriscada

Se for essa mesmo a estratégia turca, ela é arriscada, explica o correspondente Mark Lowen.

"Ao atacar as duas frentes, a Turquia pode se ver exposta a mais ataques por parte do EI e fomentar mais violência entre a minoria curda", diz.

Os bombardeios colocam em perigo o frágil processo de paz entre o governo turco e os separatistas curdos, iniciado em 2012.

Ao mesmo tempo, analistas explicam que dificilmente Ancara poderia ficar de braços cruzados ante o atentado suicida de Suruc, na semana passada - fato apontado como determinante para a entrada da Turquia na ofensiva militar atual.

O atentado, que a Turquia atribui ao "Estado Islâmico", deixou 32 mortos no vilarejo do sul turco, no dia 20 de julho. Em seguida, forças do EI atacaram guardas de fronteira turcos.

Mais tarde, o PKK reivindicou a morte de dois policiais turcos em represália pelo ocorrido em Suruc - os separatistas curdos sempre acusaram o governo em Ancara de colaborar com os fundamentalistas islâmicos.

E, oficialmente, foi por isso que a resposta das autoridades turcas não incluíram apenas ataques contra o EI, mas também a detenção de centenas de simpatizantes do PKK e o bombardeio de seus postos no Iraque.

Assim, o cessar-fogo determinado pelo PKK em 2013 está oficialmente terminado, trazendo à tona memórias de uma guerra civil que matou mais de 40 mil pessoas em três décadas.

A situação fica ainda mais complexa considerando-se que os curdos fazem parte da coalizão que combate o "Estado Islâmico".



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