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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Celebrando os 500 anos da Reforma com Lutero - parte 10


O DIREITO

Alguém poderá dizer: Mas como? Não se deve defender o direito? Devemos renunciar à verdade? Não nos foi ordenado morrer por amor do direito e da verdade? Acaso os santos mártires não sofreram por causa do Evangelho? Não quis ter razão o próprio Cristo? Em todos os casos acontece que, às vezes, tais pessoas têm razão perante o público (e, como alardeiam, perante Deus), e agem bem e sabiamente. Respondo: Está na hora e urge abrir os olhos. Aqui está o nó da questão: importa, pois, que se esteja bem instruído sobre o que é estar com a razão. É certo que se deve sofrer qualquer coisa por amor da verdade e do direito e que não se deve negá-los, por mais insignificante que seja o assunto. Pode, inclusive, ser que tenham razão. No entanto, arruínam o direito por não executarem o direito conforme o direito, não agem com temor, não têm a Deus diante dos olhos. Acham que basta que seja direito, devem e querem prosseguir por sua própria autoridade e levar o jogo até o fim. Com isso transformam seu direito em injustiça, embora, em princípio, fosse justo. O perigo, porém, é muito maior quando apenas acham que é direito, mas não têm certeza, como ocorre nos elevados assuntos que dizem respeito a Deus e sua justiça. Em primeiro lugar, todavia, queremos falar do simples direito humano e dar um exemplo singelo e compreensível.

Acaso não é verdade que dinheiro, bens, corpo, honra, mulher, filhos e amigos, etc. também são coisas boas que o próprio Deus criou e deu? Sendo dons de Deus e não tua propriedade, [suponhamos] que ele queira pôr-te à prova para ver se serias capaz de renunciar a eles por amor a ele, aferrando-te mais a ele do que a esses seus bens; que ele te mandaria um inimigo que os tirasse de ti todos ou em parte e te prejudicasse, ou então os perdesses por morte e ruína, ou de outra forma. Crês que, neste caso, terias motivo justo para esbravejar, enfurecer-te e para recuperá-los com violência e à força, ou ficares impaciente até recobrá-los? Alegarias que são coisas boas e criaturas de Deus que ele próprio fez, e que toda a Escritura considera boas essas coisas; por isso estarias disposto a cumprir a palavra de Deus e proteger esses bens com o corpo e a vida e recuperá-los; ou então, ao menos, não estarias disposto a renunciar a eles espontaneamente nem entregá-los resignadamente. Não pareceria bonito? Se quisesses proceder bem neste caso, não deverias tentar passar com a cabeça pela parede. Como então? Deverias temer a Deus e dizer: Bem, querido Deus, são coisas boas e bens teus, como diz tua própria palavra, a Escritura. Não sei, porém, se mos queres conceder. Se porém, soubesse que preferirias vê-los em meu poder do que no poder daquele outro, quereria servir a tua vontade e recuperá-los com o empenho de corpo e bens. Como, porém, não sei nenhuma nem outra e vendo [apenas] o fato de que, no momento, permites que me sejam tirados, entrego a causa a ti. Aguardo o que devo fazer e estou disposto a tê-los ou a prescindir deles.

Eis aí uma alma justa; ela teme a Deus, conta com a misericórdia, como canta a mãe de Deus; a partir daí se pode compreender por que, em tempos passados, Abraão, Davi e o povo de Israel lutaram e mataram muita gente: empreenderam [essas coisas] por vontade de Deus, temiam [a Deus] e não lutavam por causa dos bens, mas porque Deus o esperava deles, como o demonstram os relatos, indicando, em geral, a ordem prévia de Deus. Vê, aqui a verdade não é negada: a verdade afirma que são coisas boas e renunciar a esses bens e estar disposto, a todo momento, a prescindir deles, quando Deus assim o quer, e que deves prender-te somente a Deus. A verdade não te obriga a recuperar os bens ao afirmar que são bons. Tampouco te obriga a dizer que não são bons. Muito antes deves ter uma atitude serena em relação a eles e confessar que são bons, e não maus.

Da mesma forma deve-se proceder também com o direito e toda sorte de bens da razão ou da sabedoria. O direito é uma coisa boa e dádiva de Deus – quem iria duvidar disso? A própria palavra de Deus afirma que o direito é bom e jamais alguém deve admitir que suas causas boas e justas sejam injustas ou más; antes deve morrer por isso e renunciar a tudo que não é de Deus; pois isso significaria negar a Deus e sua palavra que diz que o direito é bom e não mau. Acaso quererias gritar por causa disso, raivejar, esbravejar e destruir o mundo inteiro quando esse direito te é tirado ou suprimido? (Há os que procedem desse modo, os que clamam ao céu, provocam toda sorte de miséria, destroem terras e povos, cobrem o mundo com guerras e derramamento de sangue). Sabes acaso se Deus quer deixar-te essa dádiva e esse direito? Ora, é propriedade dele e ele pode to tirar hoje ou amanhã, dentro ou fora, por meio de inimigos e amigos e como quiser. Ele quer experimentar-te se, por amor dele, também estás disposto a renunciar ao direito, a não ter razão e sofrer injustiça, suportar a ignomínia por sua causa e a te prenderes somente a ele. Se és temente a Deus e pensas: Senhor, tudo é teu, não quero tê-lo a não ser que saiba que mo queres conceder; que se vá, seja o que for, contanto que tu sejas meu Deus – então se aplica este versículo: “E sua misericórdia está com aqueles que o temem”, que nada querem fazer sem sua vontade. Vê, aí está cumprida a palavra de Deus em ambos os casos: em primeiro lugar, confessas que o direito, tua razão, teu conhecimento, tua sabedoria e toda tua intenção são justos e bons, como o diz a própria palavra de Deus. Em segundo lugar, prescindes desses bens voluntariamente por amor de Deus, e aceitas ser destruído e injuriado injustamente pelo mundo, como o ensina igualmente a palavra de Deus. “Duas coisas são boas ou justas: confessar e conquistar”. Para ti basta confessar que tens o bem e o direito; se não o puderes conquistar, entrega isso a Deus. A ti se ordenou confessar; o conquistar está reservado a Deus. Se ele quiser que também o conquistes, ele mesmo o fará ou então to colocará à disposição, sem que te tivesses lembrado, de maneira que o deverás pegar na mão e conquista-lo de uma forma como jamais o terias imaginado ou desejado. Se ele não quiser, que te baste sua misericórdia. Ainda que te tomem a vitória do direito, não te podem tomar o confessar. Vê, assim temos que nos distanciar, não dos bens de Deus, mas do mau e perverso apego a eles, de modo que possamos renunciar a eles ou usá-los com tranquilidade, para que, em todos os casos, nos apeguemos somente a Deus. Isso deveriam saber todos os príncipes e autoridades que não se satisfazem com o confessar do direito, mas também querem, em todos os casos, conquista-lo e vencer, sem temor de Deus. Cobrem o mundo de sangue e miséria, acham que procedem bem e com justiça, porque a causa é justa ou, ao menos, acham que é justa. Isso não é outra coisa do que o orgulhoso e presunçoso Moabe, que declara e se considera digno a si mesmo de possuir o nobre e belo bem e dom de Deus (o direito), quando, na verdade, caso se contemplasse bem na presença de Deus, não é digno sequer de que a terra o suporte e de comer a códea [casca, crosta] do pão, por causa de seus pecados. Oh cegueira! Oh cegueira! Quem é digno ainda que seja da menor criatura de Deus? Contudo, não apenas queremos ter as criaturas mais elevadas, o direito, a sabedoria e a sua honra, mas ainda queremos preservar e conquista-las com furioso derramamento de sangue e toda sorte de desgraça. Depois vamos e fazemos orações, jejuamos, ouvimos a missa, fundamos igrejas com essa mente sanguinária, furiosa e louca, de sorte que não admiraria se as pedras arrebentassem diante de nossos olhos.

(LUTERO, Martinho. O Magnificat. 1521. MARTINHO LUTERO. Obras Selecionadas. São Leopoldo: Sinodal. Porto Alegra: Concórdia. Tradução Ilson Kayser. 1996. Vol. 6, págs. 56-58)



segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Celebrando os 500 anos da Reforma com Lutero - parte 2


A ORAÇÃO - PARTE II

(para acessar a PARTE I clique aqui)

Faze isso também quando o diabo te tenta e te retém devido à tua indignidade, quando ele pede que espere até seres mais piedoso e puro. Pois, se não queres começar antes que te tornes digno, jamais vais orar. Portanto, começa imediatamente, embora te sintas indigno. Sê corajoso e salta por cima de tua dignidade e indignidade, mesmo que estejas atolado em pecados. Sim, mesmo que tivesses caído em pecado nessa hora e estivesses vindo diretamente dele, que deverias fazer? Gostarias de ficar sem orar por causa disso até receberes absolvição? De forma alguma! É muito melhor que te ajoelhes enquanto estás no pecado e ores de todo o coração: “Ah, querido Pai, perdoa-me e ajuda-me a sair deste pecado!” Deves fazer isso para que o diabo não te lance mais profundamente no pecado e te retenha eternamente ali. Afinal, espera-se que ores quando estás cercado pela morte e qualquer adversidade; quanto maior tua miséria, tanto mais intensamente deves orar. Que sentido haveria em não começar a orar até sentires a redenção e a ajuda? Assim, o profeta Jonas [2.1-9], como ele próprio confessa, teve de orar e clamar quando se encontrava sob o pesado e insuportável conhecimento de seu pecado e sentia a morte e o inferno, enquanto estava no ventre da baleia. De forma semelhante, Davi orou seus salmos – por exemplo, o 6, o 51 e o 130 – enquanto estava bem consciente de seu pecado e de sua indignidade e apavorado com eles.

De forma semelhante, também deves resistir à terceira tentação, quando o diabo quer que duvides de que tua oração será ouvida e quer que creias estares pressupondo demais ao te jactar, tendo em vista a sublime majestade de Deus, que ele é teu Pai, que és o filho amado dele e que tua oração lhe agrada sinceramente, etc. Então, deves defender-te confiantemente e basear tua oração na Palavra e promessa de Deus, sim, em seu próprio mandamento e ordem, e dizer: “Amado Senhor, sabes que não me apresento diante de ri por iniciativa própria e por presunção minha e que não sou levado a isso por estar convencido de minha dignidade. Pois se seu fosse levar em consideração minha dignidade, eu não ousaria levantar os olhos diante de ti e não saberia como começar a orar. Não, venho a ti em obediência a teu próprio mandamento, a teu sério pedido para que te invoquemos e, também, [em confiança] na promessa que fizeste. Ademais, enviaste teu próprio Filho, que nos ensinou as palavras com que devemos orar. Por isso, eu sei que esta oração te agrada. E por grande que pareça minha presunção em jactar-me como sendo filho de Deus, preciso ser obediente a ti. Tu o queres assim, para que não te chame de mentiroso, acrescentando, com isso, um pecado mais grave a meus outros ao desprezar teu mandamento e descrer de tua promessa”.

Observa que poderias repelir o diabo e todas suas falsas sugestões, baseando tua oração em três elementos: o mandamento de Deus, sua promessa, o modo [de orar] e as palavras que o próprio Cristo nos ensinou. O diabo não pode negar e anular isso. Então, começa a orar com confiança e tem certeza de que tua oração é apropriada e não falha. Podes apostar que, se tentares fazê-lo e começares a orar, sentirás seu poder e seu fruto, gostarás disso, e teu coração se aquecerá e se fortalecerá. Mas isso é o mais difícil e (como se costuma dizer) é a montanha mais alta, antes de passar pela soleira e conseguir dizer as primeiras palavras, “Pai nosso” (com verdadeira seriedade e fé). Por isso, o melhor é convencer-se e dizer: “Afinal, é necessário orar; quanto antes tanto melhor; não importa em que condições eu esteja, preparado ou indigno, aflito, triste ou impaciente, irado, tomado de maus desejos ou carregado de outros pensamentos”.

Isso seja dito à guisa de exortação à oração, para que nos acostumemos a orar com toda diligência e seriedade. Pois, logo após a pregação do Evangelho, em que Deus fala conosco e nos oferece toda sua graça e todos seus bens, a obra maior e mais proeminente que podemos realizar é, por nosso turno, falar com ele através da oração e receber dele [o que ele nos dá]. Assim, temos, verdadeiramente, grande necessidade da oração, pois, afinal, é por meio dela que devemos agir para manter o que temos e defender-nos contra nossos inimigos, o diabo e o mundo. Aqui, devemos procurar e encontrar o que havemos de obter, para que a oração possa ser consolo, força e bem-estar para nós mesmos, assim como nossa defesa contra todos os inimigos e vitória sobre os mesmos.

Agora, voltamos ao texto, em que Cristo nos mostra como nos defender e resistir contra os obstáculos e as tentações com que o diabo e nossa carne tentam separar-nos, à força, da oração. Ele diz: “Em verdade, em verdade vos digo, se pedirdes alguma coisa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome”. Aí, ouves, em primeiro lugar, que Cristo ordena aos discípulos que orem e os censura por não terem pedido coisa alguma até agora. Repetindo e incutindo [esses pensamentos] com muitas palavras, ele mostra que leva a questão a sério e que exige a oração como o verdadeiro culto a Deus e como a obra propriamente dita dos cristãos.

Considera e grava bem esse mandamento, de modo que não penses que orar ou não orar seja algo que fica a teu critério, como se não orar não fosse pecado, sendo suficiente que outros o façam. Não. Deves saber que Deus ordenou seriamente a oração sob pena de se incorrer em seu maior desfavor e punição, exatamente como ordenou que não tenhas outros deuses, que não blasfemes ou uses em vão o seu nome, mas o confesses e o proclames, louves e enalteças. Aquele que transgride este mandamento deve saber que não é cristão e não tem lugar no Reino de Deus. Agora, se crês que Deus tem bons motivos para estar irado com idólatras, blasfemadores e desprezadores da Palavra, com assassinos e ladrões e que ele inflige terríveis punições ao mundo por causa desses pecados, por que, então, não temes também, neste caso, a ira de Deus quando ignoras esse mandamento e segues complacentemente teu caminho, como se não tivesses obrigação de orar?

Em primeiro lugar, portanto, podes usar este texto para refutar e derrotar a tentação do diabo quando ele sugere que não estás preparado ou que não és digno Aqui, não vale pretextar e dizer que não estás pronto para crer, para ouvir a Palavra de Deus, para amar teu próximo, etc., e que, por esse motivo, o mandamento de Deus nada significa. Pois aqui não deves perguntar se és digno ou indigno. Não. Aqui deves obediência a Deus. Eu tampouco sou digno de ser batizado e de ser chamado de cristão; sim, não mereço o pão que como cada dia. Mas eu deveria, por causa disso, negar meu Cristo ou não ser batizado jamais ou deixar de comer e beber? Por isso, dize também aqui: “Mesmo que eu não seja digno ou não esteja preparado para orar, isso deveria me induzir a desobedecer a Deus?” Não. É importante, sobretudo, observar o mandamento de Deus e não tolerar qualquer obstáculo. Deves estar pronto para obedecer a qualquer momento ou hora.

Em segundo lugar, também deves considerar a promessa contida nas palavras de Cristo: “Em verdade, em verdade vos digo, se pedirdes alguma coisa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome”. Toma essas palavras e grava-as em teu coração. Pois aqui se diz que Cristo não só concede a promessa, mas também a fortalece e confirma com um dúplice juramento. Ele afirma muito solenemente: “Tão-somente creiam em mim. Tão certo quanto Deus existe, não lhes mentirei”. Com certeza, aquele que se diz cristão deveria enrubescer um pouco aqui e se envergonhar, caso escute essas palavras e, no entanto, jamais tenha orado de coração. Não é uma vergonha eterna diante de Deus e do mundo que, embora Cristo o jure, tão encarecida e solenemente, não o acreditemos nem sejamos, por fim, levados a orar de coração? Afinal, que vamos dizer no tribunal de Deus e em resposta à nossa própria consciência quando nos perguntarem: “Alguma vez oraste seriamente e com o coração livre de dúvidas ao Pai celeste que seu nome fosse santificado? Não sabes quão seriamente ordenei isso e quão solenemente jurei que tua oração, certamente, será ouvida contanto que ores de coração?” Digo que deveríamos, com razão, ficar vermelhos de vergonha e, realmente, temer o terrível juízo de Deus se damos tão pouca importância ao seu mandamento e à sua encarecida promessa, permitindo que caiam em ouvidos moucos. De nada adiantará desculpar-te e dizer: “Eu não sabia se eu era digno” ou “eu não estava disposto, e não me convinha” ou “eu tinha de cuidar de outros negócios”.

Aqui tu perguntas: “Como essa promessa pode ser sempre verdadeira se Deus, muitas vezes, não nos concede o que pedimos? Ele não deixou Davi suplicar em vão pela vida de seu filho?”, 2 Rs [2 Sm 12.16-25]. Resposta: eu disse frequentemente como se deve ordenar e dispor a oração. Não devemos estipular para Deus a medida, o termo, a maneira, o lugar ou a pessoa. Não, ele certamente sabe o que nos deve conceder e o que nos é útil. Por isso, Deus mesmo estabeleceu a sequência no Pai nosso e determinou três objetivos que sempre devem ter precedência: a santificação de seu nome, seu Reino e sua vontade. Então vem o pão nosso de cada dia e a libertação da tentação e de todas as dificuldades, etc. A preferência deve ser dada ao nome de Deus e a seu Reino; se isso vem em primeiro lugar, então, certamente, seguir-se-ão os nossos interesses. Por isso, S. João diz, 1 Jo 5[.13]: “E esta é a confiança que temos para com ele, que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve”. E S. Paulo diz, Rm 8[.26s.]: “Não sabemos orar como convém, mas o Espírito intercede por nós de acordo com o que agrada a Deus”.

Agora, certamente é a vontade de Deus, como o afirma em sua Palavra (por exemplo, nos Dez Mandamentos e no Pai nosso), livrar-te de todo mal e não te abandonar nas tentações, dar-te teu pão de cada dia, etc. Caso contrário, ele não teria ordenado que orasses. Por isso, as quatro últimas partes do Pai nosso, que dizem respeito às necessidades temporais de nossa vida, certamente também estão incluídas em sua vontade. Mas os três itens que se referem propriamente a ele têm prioridade. Dessa maneira, tens, aqui, toda a vontade de Deus. Ele, com certeza, não tem, em seu coração, outros pensamentos para contido do que esses que te são mostrados no Pai nosso. E, se orares dessa maneira, pedindo que sua vontade seja feita, tua oração, indubitavelmente, será ouvida. Mas deves orar de tal forma que não quebres ou alteres a sequência de Deus ou que ignores as questões mais importantes.

Portanto, se perceberes que tua petição não é ouvida e nem atendida, isso, com certeza, deve-se ao fato de que tu, como diz S. Paulo, não sabes o que estás pedindo e não sabes orar como convém. Ele afirma que esse conhecimento é sublime demais para nós. Não podemos descobrir, nem determinar o que serve para a santificação de seu nome, para a promoção de seu Reino e para a realização de sua vontade. Tampouco sabemos como ele te deve conceder o pão de cada dia e satisfazer as tuas outras necessidades, livrar-te do pecado e da tentação, salvar-te das dificuldades. Com certeza, está escrito o que devemos pedir e como devemos fazê-lo, mas não temos condições de especificar ou indicar o tempo, a pessoa, a maneira e a medida com que ele deve concedê-lo. Por isso, se tu mesmo ou outros estiverem em dificuldades e em perigo, deves orar por libertação e ajuda, mas deves fazê-lo como o Pai nosso te ensina, de modo que sirva para a santificação de seu nome e para a realização de sua vontade. Caso contrário, Deus deveria agir da forma como sabe e considera melhor. Esta é a maneira correta de orar: “Amado Pai, dá-nos o pão nosso de cada dia, tempo bom e saúde; guarda-nos de peste, guerra e carestia, etc. Mas, se queres colocar-me à prova por um tempo e não conceder logo [o que peço], seja feita a tua vontade. SE for o tempo e a hora, livra-me do mal; caso contrário, dá-me força e paciência”.

Agora, considerando que está além e fora de nossa laçada saber quando ou como Deus nos deve ajudar e atender nosso pedido, é necessário deixar isso com ele e, no entanto, orar. Não deveríamos deixar de orar por causa disso ou duvidar de que somos ouvidos, pois, afinal, tudo acontece para o nosso benefício. Mesmo que Deus o adie ou não nos dê exatamente aquilo que mencionamos a ele, nossa oração, [mesmo assim], lhe agrada; em lugar daquilo que pedimos ele quer dar algo muito melhor do que somos capazes de entender. Ele faz isso para que aprendamos a conhecer sua vontade e lhe sejamos obedientes, cresçamos na fé, sejamos fortalecidos e vitoriosos na paciência. A atitude de Deus para conosco é como a de um pai correto para com seu filho. É possível que ele não dê à criança tudo que ela lhe pedir, mas faz tudo para o melhor dela, para que ela aprenda a conhecer o coração e a vontade do pai e lhe seja obediente. Dessa maneira, Deus nos pune com sua vara irada (mesmo que isso nos faça gritar e suplicar, ele não para imediatamente). Isso serve para que nos tornemos mais decentes; depois disso, Deus nos mostra tanto mais misericórdia e nos concede tanto mais favores. Ele gosta de ouvir esses gritos e soluços como sinal de crianças corretas que se emendam e não fogem dele, mas querem continuar sendo bons filhos.

Isso se disse a respeito de ocasiões em que nossas preces não são atendidas ou, pelo menos, não são atendidas imediatamente. Mas, também há ocasiões em que Deus não demora a ouvir e ajudar, ocasiões em que a necessidade é tão grande e intensa que não admite protelação, conforme Sl 9[.10] que chama Deus de Adiutor in oportunitatibus [“o que ajuda nas necessidades”], etc. Portanto, é muito importante que oremos e o invoquemos com disposição e firme confiança, que deixemos que ele decida em sua sabedoria divina quando, como, onde e mediante quem deve ajudar, e que não duvidemos disso, embora não entendamos como podemos ser ajudados.

A terceira parte deste texto são as palavras “em meu nome”. Elas são o principal fundamento sobre o qual a oração se deve basear e se estabelecer. Elas lhe dão a boa qualidade e a dignidade que a tornam aceitável perante Deus e lhe conferem o poder que faz com que tenha de ser ouvida. Elas também nos libertam de todas as grandes tentações e preocupações inúteis que impedem nossa oração e nos assustam mais do que qualquer outra coisa. Dessas palavras depreendemos que não devemos perguntar pela nossa dignidade ou nos preocupar com ela, mas que devemos esquecer tanto a dignidade ou nos preocupar com ela, mas que devemos esquecer tanto a dignidade quanto a indignidade e fundamentar nossa oração em Cristo e orar em seu nome.

Por que te martirizas longamente com teus próprios pensamentos e te pões a debater com o diabo ou por que procuras desculpas e tens medo de orar por te sentires frio e despreparado? Com certeza, estás ouvindo que não deves orar confiando em ti mesmo ou em teu próprio nome ou, talvez, no nome de outra pessoa (não importa quão santa, digna e espiritual ela seja), mas ele quer que se ore em seu nome. Ele quer exortar-te e atrair-te (através do mandamento e da promessa) a que ores, como se quisesse dizer: “Meu caro, não importa em que condições te encontres. Se não podes orar por ti mesmo e em teu nome (o que, de fato, não deves), então ora em meu nome. Se não és suficientemente digno e santo, deixa que eu o seja. Vem a mim e dize em meu nome: “Amado Senhor, devo e vou orar motivado pelo teu mandamento e tua promessa. Se não consigo orar bem, e minha oração não ajuda ou não tem validade quando dita em meu nome, então permite que ela tenha validade e seja boa quando feita em nome de meu Senhor Cristo’”. Só não duvides que tal oração agrade a Deus e que seja ouvida tão certamente quanto o nome de Cristo, seu amado Filho unigênito, agrada a Deus, e que Deus, com absoluta certeza, dirá sim e amém a tudo que Cristo lhe pede.

Portanto, estas palavras “em meu nome” requerem fé quando se ora e indicam que nossa própria dignidade não deveria exigir que oremos ou que nossa oração seja ouvida, e que nossa indignidade não deveria impedir que oremos. Elas mostram que, com certeza, somos ouvidos tão-somente por causa de Cristo, nosso único mediador e sumo sacerdote perante Deus. Portanto, nossa oração deve basear-se completamente nele. Assim ora toda a cristandade; ela conclui e sela todas as suas orações e invocações com as palavras “por Jesus Cristo, nosso Senhor”. Dessa maneira, ela traz suas ofertas a Deus em fé. Por conseguinte, procede do mesmo modo para defender-te contra os abomináveis pensamentos que te assustam e te impedem de orar. Não permitas que o diabo te iluda, quando sugere que não és digno; exatamente por esse motivo, ajoelha-te, quando sentes que não és digno e tampouco podes tornar-te digno. Apega-te a Cristo, faze com que tua oração dependa dele e leva-a a Deus, pedindo-lhe que a aceite e a ouça por causa de Cristo. De forma alguma duvides ou estejas incerto quando oras. Crê, confiantemente, que tua oração chegou a Deus, alcançou seu objetivo e já foi ouvida. Pois ela foi oferecida em nome de Cristo e foi concluída com o “amém” com que o próprio Cristo confirma, aqui, sua Palavra.

Pois seria uma das maiores blasfêmias (que chama Deus de mentiroso), se orasses por causa do mandamento e da promessa de Deus e, além disso, em nome de Cristo, vacilando, no entanto, ao dizer: “Quem sabe se estou orando adequadamente, quem sabe se minha oração é ouvida?” Nenhum cristão, em nenhum momento, deve admitir tais dúvidas em seu coração. “Se queres servir a Deus ou orar” (diz Jesus Siraque, 17[.23]), toma cuidado para que não tentes a Deus”. Deves orar de tal modo que estejas certo de que Deus ouve; caso contrário, não se pode chama-lo de oração, mas de escárnio de Deus e blasfêmia, como têm feito e continuam fazendo até agora toda a corja do papa, sacerdotes e monges. Tagarelam, cantam e berram incessantemente, dia e noite. Dizem que tudo isso é oração, mas nenhum deles tem qualquer pensamento de fé. ‘Eu orei” (dizem eles), “mas, se Deus quer me ouvir ou não, isso eu entrego em suas mãos”. Com isso, eles próprios confessam que não creem em coisa alguma, e sua oração não é ouvida. Sim, isso nada mais é do que pecado e blasfêmia (conforme Sl 108[sc. 109.7]). Por que Deus se interessaria por uma oração que tu mesmo ofereces com dúvida e descrença, afirmando, assim, com tuas próprias palavras, que tanto tu quanto Deus são mentirosos?

Um cristão deve estar tão certo de que sua oração será ouvida quanto ele está certo da veracidade de Deus e da fé. Pois, mesmo sendo indigno, ele não orou em seu próprio nome, tampouco quer ser ouvido por causa de si mesmo, mas orou em nome de Cristo e espera ser ouvido por causa da dignidade deste. Ele deve duvidar disso tão pouco quanto ele duvida da Palavra de Deus, que ele prega ou ouve, ou do Batismo, do Sacramento e da absolvição, dos Dez Mandamentos ou de sua própria vocação. Se fosse julgar baseado em sua própria indignidade, ele teria de duvidar, em última análise, de que é criatura de Deus. Essa dúvida seria uma negação do próprio Deus, e seria melhor para ele se não soubesse coisa alguma a respeito disso.

Assim como ele deve manter sua fé e não duvidar de que tenha sido batizado, e de que tenha ouvido ou recebido o Evangelho e deva continuar recebendo o Sacramento, muito menos ele deve duvidar de que precisa observar o mandamento de Deus e que sua obediência em sua vocação é apropriada segundo os Dez Mandamentos. Ele deve crer e dizer: “Sei que tenho a Palavra de Deus e vivo em uma vocação em que devo obediência a Deus. Mas, se minha fé não é suficientemente forte e eu não ajo e não vivo como deveria, isso não vem em prejuízo da Palavra”. Portanto, também aqui falamos: “Embora eu não mereça que minha oração seja ouvida, Cristo, em cujo nome ofereço esta oração, é, certamente, muito digno; por causa dele, minha indigna e insuficiente oração também deve ser aceitável e digna diante de Deus. S. Bernardo foi um excelente homem e teve pensamentos cristãos, porque admoestou seus irmãos tão fielmente de que, quando quisessem orar, não se deixassem impedir pela dúvida. “Pois tão logo que começamos a orar” (disse ele), “as palavras já estão contadas e registradas no céu”.

(Martinho Lutero, “Os capítulos 14 e 15 de S. João, pregados e interpretados pelo Dr. Martinho Lutero e Capítulo 16 de S. João, pregado e explicado”, tradução de Hugo S. Westphal e Geraldo Korndörfer, in MARTINHO LUTERO, Obras Selecionadas. São Leopoldo: Sinodal, Porto Alegre, Canoas: Ulbra, 2010, vol. 11, págs. 406-413)



terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Garoto americano morre após pais adotivos orarem em vez de buscar um médico

Seth Johnson, um sorriso que se apagou devido à negligência e ao fanatismo de quem devia cuidar dele... 

Tristemente, mais uma demonstração de que a religiosidade não serve para desmascarar a depravação humana. A matéria é d'O Globo:

Menino morre 'após seus pais rezarem em vez de chamar um médico'

Criança teve pancreatite aguda e infecção generalizada; Pais são acusados pela polícia

PLYMOUTH, EUA — Um menino 7 anos de idade morreu após seus pais rezarem por ele em vez de levá-lo ao hospital, alega a promotoria pública do estado americano de Minnesota. Os pais, Timothy e Sarah Johnson, foram indiciados por negligência e devem comparecer ao tribunal este mês.

Por semanas, o menino Seth Johnson sofreu de pancreatite aguda e sepse — infecção geral grave —, mas nunca foi levado pelos pais para se consultar com um médico. De acordo com a Justiça, o garoto chegou a ser deixado em casa sozinho sob os cuidados do irmão de 16 anos para os pais irem a um casamento num fim de semana. Na volta, com o filho em um estado de saúde mais crítico, os pais simplesmente oraram para ele e o colocaram para dormir. Apenas quando Seth foi encontrado incosciente e coberto de vômito, os pais ligaram para a polícia.

— Não podemos compreender como um pai deixaria um filho de 7 anos muito doente aos cuidados de um adolescente de 16 anos para que pudesse sair no fim de semana — disse ao "Independent" Mike Freeman, promotor do condado de Hennepin. — Nem podemos compreender como os pais se recusaram a voltar para casa no domingo de manhã para cuidar de seu filho doente quando eles foram avisados de sua condição grave. Também é difícil compreender por que os pais não chamaram uma ambulância no domingo à noite para obter imediatamente ajuda médica quando finalmente chegaram em casa.

PAIS DISSERAM TER 'PROBLEMAS COM MÉDICOS'

Segundo Freeman, apesar de Timothy e Sarah Johnson terem presunção de inocência, a equipe da promotoria usará todos os recursos para que eles sejam considerados culpados.

Um documento de cinco páginas elaborado pelos promotores explica como o casal conheceu Seth aos 3 anos de idade, adotou-o aos 4 anos e o educou em casa. Segundo este mesmo documento, o casal afirmou que o comportamento do menino mudou nas semanas que antecederam sua morte, em 29 de março de 2016. Ele parou de dormir, desenvolveu bolhas nas pernas, lesões nos calcanhares, passou a levar cerca de duas horas para fazer as refeições e, às vezes, jogava-se pelas escadas.

Mas, aparentemente, eles nunca procuraram ajuda profissional porque tinham "problemas com médicos", de acordo com o documento. Em vez disso, eles mesmos diagnosticaram o garoto com transtorno de estresse pós-traumático e lesão cerebral traumática.

Segundo a polícia, o casal afirmou que o menino tinha sido previamente diagnosticado com problemas identificados como síndrome alcoólica fetal e transtorno de apego reativo — quando se sofre de negligência infantil. No entanto, a clínica que os pais deram como referência para a polícia checar essas informações afirmou que não tinha nenhum registro de já ter tratado o menino alguma vez.

Suas feridas foram alegadamente tratadas com pomada antibiótica Neosporin e "mel medicinal". Quando os pais voltaram para casa, na noite em que o menino morreria, eles "oraram por sua saúde", e, depois de darem banho nele, colocaram Seth para dormir. Somente depois de o pai encontrá-lo inconsciente e coberto de vômito, a mãe ligou para a polícia.

O caso não é o primeiro assim a acontecer. No Canadá, um casal cristão teria rezado por duas horas para seu filho diabético que estava morrendo, sem levá-lo ao hospital. E, em outra ocasião, um pai foi preso por se recusar a procurar tratamento médico para seus filhos por causa de crenças religiosas.



terça-feira, 5 de julho de 2016

Lei obriga oração do "Pai Nosso" em escolas de cidade goiana

Caro político evangélico, quando você apresenta e/ou aprova um projeto de lei como esse, a mensagem que você está passando é que Deus não é Todo-Poderoso para alcançar Seus santos objetivos neste mundo, e precisa desesperadamente dessa criatura maravilhosa (você, nobre vereador/deputado) para Se fazer Conhecido e Soberano. Entendeu?

Bem, na verdade, todos nós sabemos... o que você quer é se promover, não é mesmo?

Conseguiu! uhulll

A matéria é do G1 Goiás:

Lei obriga alunos da rede pública a rezarem ‘Pai Nosso’ e gera polêmica


Medida foi aprovada e dividiu opiniões em Aparecida de Goiânia, GO.

OAB-GO afirmou que projeto pode ser considerado inconstitucional.

Uma lei que torna obrigatória a oração do “Pai Nosso” antes das aulas das escolas municipais de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital, causou polêmica entre os moradores da cidade. O projeto foi aprovado e publicado no Diário Oficial da cidade no último dia 23 de junho, mas só deve ser colocado em prática no mês de agosto deste ano.

A lei afirma que “fica estabelecida a obrigatoriedade da realização da Oração Universal do Pai Nosso, nas Escolas Municipais de Ensino Fundamental, Cmeis Públicos e Conveniados do Município de Aparecida de Goiânia”. Ainda conforme o texto, a oração deve ser feita em todas as salas antes do início das aulas.

O vereador Francisco Gaguinho (PSC) é o autor da lei e explicou que criou o projeto pensando na maioria. “Nós vivemos em um país em que 95% das pessoas são cristãs”, afirmou.

O vereador William Ludovico (PTB), no entanto, membro da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal da cidade, acredita que a medida pode ser considerada inconstitucional. “O nosso voto é em respeito à constituição, uma vez que é vedado ao poder legislativo interferir nas competências exclusivas do poder executivo. Por outro lado, a questão que está lá esculpida é de que o país é laico”, afirmou.

A Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás (OAB-GO) informou à TV Anhanguera que a lei mistura estado e religião, o que pode ser considerado inconstitucional. A OAB-GO afirmou ainda que quer propor uma votação, mas a previsão é que esta aconteça somente em agosto. Nesta época, a lei já deve entrar em vigor.

Polêmica

Os moradores da cidade tiveram opiniões diversas a respeito da obrigatoriedade. A comerciante Isabel Ana Zanatta afirmou que concorda com a lei. “Você tem que agradecer a Deus e realmente, eu não sou contra não, tem que fazer sim”, disse.

Já o mototaxista Ionei Pereira dos Santos discorda e afirma que a oração não deveria ser obrigatória. “Não tem que ser obrigado não, tem que fazer um convite mesmo. Quem quiser participar, participa, quem não quiser [não participa]”, disse.



segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Igreja russa paga dívida com orações

Eu fico até com medo de republicar essa notícia aqui no Brasil, porque o que vai ter de gente fundando "igrejas" (e aproveitando as denominações já existentes) pra pagar dívidas com "orações" não tá no gibi...

A matéria é da BBC Brasil:

Igreja russa 'paga' dívida de R$ 15 mil com orações

Uma igreja ortodoxa russa encerrou uma dívida de 300 mil rublos (R$ 15 mil) em troca de orações pela saúde dos credores.

O caso envolveu a diocese, localizada na cidade de Nizhny Novgorod, a quinta maior do país, e uma construtora. A companhia havia instalado um sistema de calefação em um dos edifícios da instituição religiosa, informou o site de notícias russo Znak.

A igreja alegou, no entanto, que só tinha dinheiro para pagar metade da dívida total ─ de cerca de 916 mil rublos (R$ 46 mil).

Antes de a briga ser levada aos tribunais, as duas partes chegaram a um acordo quando os donos da construtora, que são fiéis da diocese, aceitaram eliminar parte do débito por orações.

Segundo a Justiça russa, é a primeira vez que um acordo do tipo é realizado.

O departamento jurídico da diocese afirmou ao site de notícias russo Gazeta.ru que a ideia partiu dos próprios credores. “Ficamos surpresos...Eles mesmos vieram com a sugestão", afirmou um representante da igreja.

O diretor de vendas da construtora, Andrei Lepustin, afirmou que os donos da empresa não planejam checar como o acordo será implementado.

"Respeitamos a diocese e somos todos fiéis da Igreja Ortodoxa russa", disse ele ao Gazeta.ru.

"Dependerá da consciência deles implementar (o acordo), mas confiamos neles e já sentimos os frutos das orações, na medida em que os indicadores econômicos da companhia vêm mostrando um desempenho positivo", acrescentou.



quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Papa quer torcida de adoradores extravagantes

Para os adeptos da assim chamada "adoração extravagante", fenômeno que andava meio esquecido pelo nome, mas continua em alta em muitas igrejas evangélicas brasileiras (além dos católicos carismáticos), uma declaração do papa Francisco deve tê-los reconfortado.

Na sua homilia durante a missa matinal realizada ontem, 27 de janeiro de 2014, na Casa de Santa Marta, no Vaticano, ao comentar o texto bíblico em que Davi vai dançando à frente da Arca da Aliança (2ª Samuel 6:13-16), não por acaso o preferido por aqueles que pregam que "vale qualquer coisa" para louvar a Deus, o papa Francisco disse que "Davi dançava com todas as forças diante do Senhor".

Acrescentou que que essa imagem alegre da Bíblia mostra que todo o povo estava em festa porque a Arca regressava à sua casa.

O louvor de Davi, segundo o papa, "o levou a deixar toda compostura de lado e a dançar diante do Senhor com todas as forças", concluindo que esta "era precisamente a oração de louvor".

Então, o pontífice recordou a história de Sara, que - numa tradução católica um tanto quanto liberal de Gênesis 21:6 ("Deus me tem feito riso") - teria "dançado de alegria diante do Senhor".

Com essa imagem recorrente em mente, o papa observou que "a nós é fácil entender a oração para pedir alguma coisa ao Senhor, e também para agradecer ao Senhor, mas devemos também entender a oração de louvor, de adoração, o que não é tão difícil". E -imaginando um diálogo fictício com um fiel tradicionalista reticente - acrescentou:
"Mas, padre, isso é para aqueles da Renovação Carismática, não para todos os cristãos!". Não, a oração de louvor é uma oração cristã para todos nós. Na missa, todos os dias, quando cantamos o Santo... esta é uma oração de louvor: louvamos a Deus por sua grandeza, porque é grande! E lhE dizemos coisas bonitas, porque gostamos que seja assim. "Mas, padre, eu não sou capaz... eu devo...". Mas você é capaz de gritar quando teu time de futebol faz um gol e não é capaz de cantar os louvores ao Senhor? É difícil sair um pouco de sua contenção para cantar isto? Louvar a Deus é totalmente gratuito. Não pedimos, não agradecemos: louvamos!
Entretanto, no nosso modesto ponto de vista, a comparação da oração, ou da adoração, com o comportamento de uma torcida de futebol, ainda que faça certo sentido no raciocínio peculiar e inconcluso do papa, é perigosa quando percebemos que muitos fiéis das mais diferentes denominações têm um comportamento de torcida organizada quando se trata de defender sua placa de igreja ou seu líder, conforme já comentamos aqui em dezembro de 2009, no artigo "Torcedores brahmeiros e igrejeiros".

Comparações como essas, jogadas ao léu, podem até ser ferramentas de embelezamento e popularização de um discurso (para não dizer que são sofismas), mas dificilmente resistem a um melhor escrutínio e tampouco apontam para o céu.

Agora o que vai ter de gente pegando carona na adoração extravagante futebolística do papa não é brincadeira! Seguuuuuuura, peão!

A fonte das informações acima é o Religión Digital.



terça-feira, 12 de novembro de 2013

Abraço do papa x abraço de afogado


Na tradicional audiência geral da quarta-feira, 6 de novembro de 2013, o papa Francisco surpreendeu o mundo ao abraçar um homem desfigurado pela neurofibromatose, também conhecida como "doença de Von Recklinghausen".

A enfermidade, de origem genética e até o momento incurável, se caracteriza pelo crescimento descontrolado do tecido nervoso conhecido como neurofibroma, e se apresenta em várias formas, que podem eventualmente ser tratadas com radioterapia ou remoção cirúrgica, caso seja possível.

Em sua pior manifestação, o enfermo pode ficar completamente desfigurado pelos tumores e arquejado pelas fortes dores, como se pode perceber pelo que aconteceu no evento com o papa.

A rejeição social é, portanto, um equivalente moderno da situação pela qual passavam os leprosos na época de Jesus, o que chama ainda mais a atenção para o belo gesto do papa em abraçar alguém que tenha essa doença.

É inevitável notar, também, o contraste do gesto papal com a atitude de certos líderes evangélicos brasileiros, que se afogam (e geram afogados) em suas preocupações e pregações com mansões, aviões, carrões e televisões, deixando de lado o cuidado com o próximo, cuidado este que - muitas vezes - se basta com um simples abraço.





quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Diplomata pivô da fuga de senador boliviano diz que Deus "multiplicou gasolina"


O rocambolesco episódio da fuga (por via terrestre) do senador boliviano Roger Pinto teve como seu articulador o diplomata brasileiro Eduardo Saboia, que atuava como encarregado de negócios na embaixada do país em La Paz.

Entrevistado pela Folha de S. Paulo, Saboia disse que a principal motivação para a aventura diplomática foi o "estágio perigoso de depressão" em que o senador Pinto estava, com possibilidade real de suicídio depois de 15 meses refugiado na representação brasileira na capital boliviana, período em que lhe foi negado o salvo conduto para sair do país andino, apesar do asilo político que o Brasil lhe havia concedido.

Alegando estar comovido com a situação do refugiado, acusado de vários crimes pelo governo boliviano e que estava já há 452 dias sem tomar sol, Eduardo Saboia justificou sua decisão dizendo que "fiz uma opção por um perseguido político, como a presidente Dilma fez em sua história".

Só que o imbroglio diplomático andino terminou derrubando o chanceler Antonio Patriota, que havia sido o responsável pela indicação de Saboia para o cargo que ocupava na embaixada brasileira em La Paz.

Com o Ministério das Relações Exteriores em polvorosa desde a fuga de carro do senador Pinto em trajeto de carro que levou 22 horas de La Paz a Corumbá (MS), o católico praticante Eduardo Saboia se defende dizendo que "ouviu a voz de Deus" para levar a cabo a arriscada empreitada.

Segundo alega, depois de 1.600 km de altitude, névoa, gelo e frio, sem comida suficiente, com o senador passando mal, o combustível estava no limite.

Antes do tanque zerar de vez, Saboia não teve dúvidas e apelou à reza: "peguei a Bíblia, abri nos Salmos e li. Foi o milagre da multiplicação da gasolina".

Não é difícil concluir que alguma coisa está errada quando um diplomata joga a responsabilidade em Deus para sumir com um refugiado e precisa rezar para multiplicar gasolina.

Logo, logo, vão contratar alguma sessão de descarrego para benzer os nossos valorosos diplomatas. Ou fazê-los ver repetidas sessões do filme "Thelma & Louise" para doutriná-los  na triste conclusão de que fugas cinematográficas de carro costumam não terminar bem.

Algo me diz que - tão cedo - nem com reza braba o Itamaraty voltará a ser considerado um lugar sério.



segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Música e religião são mais próximas do que você pensa


Artigo interessante publicado na Deutsche Welle:

Parentesco entre música e religião é extremamente próximo

Duas manifestações aparentemente diversas têm origem nas mesmas necessidades humanas e partem do subconsciente. Canções substituem a oração para alguns, e outros utilizam o ritual como estratégia de marketing.

"Para mim, cantar é como um mantra que cura", revelou a cantora pop italiana Gianna Nannini numa entrevista recente. "Cantar me deixa como que em transe, me faz feliz e transforma minha consciência. E é essa sensação que eu quero levar pelo mundo afora." E, por via das dúvidas, esclarece: "Mas não sou religiosa".

Nannini podia estar falando em nome de muitos de seus colegas, de Jimi Hendrix a Santana, que se dissolvem na própria música e se entregam a uma sensação de êxtase. Os fãs também não conseguem escapar dessa atração, pois o efeito dos sons é subconsciente.

"Música e religião têm a mesma origem", diz a musicóloga e psicóloga suíça Maria Spychiger, que atua em Frankfurt. "Ambas desencadeiam sentimentos difíceis de definir com palavras, têm a capacidade de provocar experiências que ultrapassam o dia a dia."

"Bater de asas de um anjo"

O poder espiritual da música se faz sentir desde os primórdios da história humana até hoje. Em pleno século 21, xamãs empregam em seus rituais o toque de tambores ou sons de flauta. Entre os povos nativos, a música não serve apenas para diversão, mas também ajuda a entrar em contato com os deuses.

No cristianismo, a arte dos sons sempre desempenhou um papel importante. Do canto gregoriano ao gospel, passando pelas cantatas de Johann Sebastian Bach, a música encontra uma linguagem própria para o lamento e o júbilo, a meditação e o êxtase.

Heiner Gembris, especialista em psicologia musical, descreve com uma imagem poética a relação entre esses dois âmbitos: "A música é como o bater de asas de um anjo, que nos toca e faz sentir a presença de algo maior, que nos eleva para além dos limites de nossa prisão no mundo".

No mundo ocidental secularizado, o aspecto religioso da música é cada vez mais colocado em segundo plano. Ao mesmo tempo, os jovens transferem em massa aos astros musicais a idolatria que a geração de seus avós dedicava a Nossa Senhora ou aos santos. Nos shows ao vivo, eles vivenciam sentimentos antes reservados ao campo da oração ou dos rituais religiosos: aqui eles procuram alegria e consolo.

"O lado espiritual não brota simplesmente dos seres humanos", explica Spychiger. "Eles recorrem, antes, a conteúdos já presentes na sua cultura. Para muitos a música tem um valor elevado, nela eles encontram significado e sentido existencial. E alguns até mesmo satisfazem suas necessidades religiosas através do meio música."

Fãs como Elisabeth Dick, de 36 anos, corroboram plenamente tal afirmação. "Antes, eu gostava de escutar o Enigma. A música suave da banda era absolutamente espiritual para mim, me dava a sensação de estar flutuando em outras esferas." Hoje em dia, ela vai muito a shows de rock. "Não é para pensar que tenha qualquer coisa a ver com espiritualidade, mas, quando centenas de fãs dançam a noite toda, é bem fácil a pessoa se sentir levada. Aí eu fico como se fosse em transe."

Esse fenômeno também se manifesta nas festas techno. Os jovens se movem ao som de um ritmo compulsivo e pulsante, o qual, segundo estudos científicos, opera sobre o sistema neurovegetativo, em todo o corpo. Os DJs fazem uso desse saber, ao encadear músicas com a mesma frequência de batidas por minuto. Após horas seguidas consumindo esses ritmos, os dançarinos entram em estado de transe.

A tentação de ser superstar

Assim, não são apenas os astros da música, mas também os DJs a ganharem status de ídolos semirreligiosos, imitados sobretudo pelos jovens em fase de formação da personalidade. Ou, como sintetiza a cantora norte-americana Pink numa de suas músicas de maior sucesso: "God is a DJ" (Deus é um DJ).

Além disso, nos concertos dos seus superstars os fãs desenvolvem um sentimento de comunidade com os demais espectadores. Através de determinados rituais – como vestuário ou ornamentação corporal – alguns grupos até mesmo se isolam intencionalmente dos adeptos de outros estilos musicais.

A mistificação também tem um papel forte na comercialização dos artistas, e a indústria de publicidade trabalha avidamente para transformá-los em supersseres humanos.

A fascinante promessa de se transformar num desses super-homens se reflete em formatos televisivos como Idols/ Superstar (criado na Inglaterra em 2001), ou The Voice (Holanda, 2010). Estas e outras franquias basicamente exploram o desejo de milhares de jovens, que sonham com uma carreira estrondosa como músicos.

Fiéis, hereges e falsos sacerdotes




O papel da religião para cada músico é bastante diverso. Há cantores religiosos, como o alemão Xavier Naidoo, que expressa sua fé nas letras e também na vida quotidiana. Cristão convicto, ele afirma rezar duas vezes por dia.

Outros empregam símbolos religiosos com o fim de provocar. Como Madonna, ao pintar nas mãos as chagas de Cristo e utilizar o crucifixo para fins pouco ortodoxos. O Vaticano escandalizou-se, enquanto a estrela falava em um sinal de emancipação. No fim das contas, tais ações são, em grande parte, uma esperta estratégia de marketing.

Ainda outros, como Michael Jackson, se celebram no palco com fogo, efeitos de luz bombásticos e impressionantes shows de laser. Segundo psicólogos, cenários desse tipo manipulam a percepção dos espectadores, ao aproximar o artista da imagem de um Redentor que condescende em se apresentar a seu povo. O concerto se converte num ritual pomposo, lançando mão de um simbolismo que lembra o Velho Testamento da Bíblia, em que Deus se mostra em pessoa.

Para os amantes do pop e rock, tais análises são totalmente supérfluas: o importante é se divertir. Como relata um fã de 19 anos: "Quando vou a um show de rock com meus colegas, é uma libertação. A gente voa em direção ao céu. Toda a porcaria da semana, o chefe que enche o saco, de repente tudo isso está lá longe e não faz a menor diferença. Eu me sinto como se tivesse chegado a algum lugar... no meu próprio mundo".




E aí, que tal conhecer o alemão Xavier Naidoo?


A seguir a tradução da canção acima, "Bitte Hör Nicht Auf Zu Träumen" ("Por Favor Não Deixe de Sonhar"):

Bitte Hör Nicht Auf Zu Träumen

Bitte hör nicht auf zu träumen,
von einer besseren Welt.
Fangen wir an aufzuräumen,
bau sie auf wie sie dir gefällt.
Bitte hör nicht auf zu träumen,
von einer besseren Welt.
Fangen wir an aufzuräumen,
bau sie auf wie sie dir gefällt

Du bist die Zukunft,
du bist dein glück.
du träumst uns in die höchsten Höhen,
und sicher auf den Boden zurück.
Und ich bin für dich da,
du für mich.
Seit deiner ersten Stunde glaube ich an dich.

Bitte hör nicht auf zu träumen,
von einer besseren Welt.
Fangen wir an aufzuräumen,
bau sie auf wie sie dir gefällt.
Bitte hör nicht auf zu träumen,
von einer besseren Welt.
Fangen wir an aufzuräumen,
bau sie auf wie sie dir gefällt

du bist der Anfang,
du bist das licht.
Die Wahrheit scheint in dein Gesicht.
Du bist ein Helfer,
Du bist ein Freund.
Ich hab so oft von dir geträumt.
Du bist der Anlass,
Du bist der Grund.
Du machst die kranken wieder gesund.
Du musst nur lächeln,
und sagst dein Wort.
Denn Kindermund,
tut Wahrheit kund.

Bitte hör nicht auf zu träumen,
von einer besseren Welt.
Fangen wir an aufzuräumen,
bau sie auf wie sie dir gefällt.
Bitte hör nicht auf zu träumen,
von einer besseren Welt.
Fangen wir an aufzuräumen,
bau sie auf wie sie dir gefällt
Bitte hör nicht auf zu träumen,
von einer besseren Welt.
Fangen wir an aufzuräumen,
bau sie auf wie sie dir gefällt.
Bitte hör nicht auf zu träumen,
von einer besseren Welt.
Fangen wir an aufzuräumen,
bau sie auf wie sie dir gefällt.

Por Favor Não Deixe de Sonhar

Por favor não deixe de sonhar
Com um mundo melhor
Vamos começar a organizar
Construí-lo como ti agrada.
Por favor não deixe de sonhar
Com um mundo melhor,
Vamos começar a organizar,
Construí-lo como te agrada

Você é o futuro,
Você é sua felicidade.
Você sonha nós nos mais altos ares
E retornar com segurança ao solo.
E eu ali pra você,
Você para mim.
Desde sua primeira hora, acredito em você.

Por favor não deixe de sonhar..
De um mundo melhor.
Vamos começar a limpar,
Construí-la como você gosta dela.
Por favor, não ouvir, em sonho,
De um mundo melhor.
Vamos começar a limpar,
Construí-la como você gosta dela

Você é o começo,
Vós sois a luz.
A verdade resplandece em seu rosto.
Você é um parceiro ( ajudador)
Você é um amigo.
Sonhei tantas vezes com alguém como você.
Você é a razão
Você é o Motivo.
Você faz o doente ficar são.
Você só tem que sorrir,
E dizer a sua palavra.
Pois boca de criança,
Serve à verdade

Por favor não deixe de sonhar..(repete igual refrão inicial)
De um mundo melhor.
Vamos começar a limpar,
Construí-la como você gosta dela.
Por favor, não ouvir, em sonho,
De um mundo melhor.
Vamos começar a limpar,
Construí-la como você gosta dela
Por favor, não ouvir, em sonho,
De um mundo melhor.
Vamos começar a limpar,
Construí-la como você gosta dela.
Por favor, não ouvir, em sonho,
De um mundo melhor.
Vamos começar a limpar,
Construí-la como você gosta dela.





sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Quando ateus experimentam orar

Com base num estudo do filósofo da Universidade de Oxford, Tim Mawson, intitulado "Praying to Stop Being an Atheist" ("Orando para deixar de ser ateu"), o apresentador de rádio Justin Brierley teve uma ideia, digamos, instigante.

No seu programa chamado "Unbelievable?" ("Inacreditável?" - vídeo abaixo) na rádio cristã britânica Premier, ele convidou 71 ateus e agnósticos para participar do Atheist Prayer Experiment ("Experimento de Oração Ateísta").

O projeto consistia em que cada pessoa se comprometesse a orar por alguns minutos durante 40 dias entre os últimos meses de setembro e outubro.

O pedido da oração era que Deus se revelasse a eles. Os ateus tiveram uma atitude simpática e aceitaram o desafio.

Depois do período estipulado, os resultados foram curiosos. Dos 71 ateus que iniciaram a experiência, 2 delas terminaram crendo em Deus. Uma outra pessoa se qualificou como "indecisa", dizendo que está "procurando ter fé".

6 pessoas confessaram que suas experiências não deviam ser contadas como válidas, já que falharam em cumprir o compromisso. 14 participantes não responderam.

Os 48 restantes chegaram à conclusão de que Deus não se revelou a eles, sendo que alguns oraram por 40 dias enquanto outros fizeram isso esporadicamente no período, havendo aqueles que abandonaram a oração depois de alguns dias.

Curiosa foi a situação de dois participantes, um cujo pai morreu dois dias após se inscrever no projeto e outro que escapou por um triz de um atropelamento, mas viu o carro (que avançou o sinal vermelho) atingir uma mulher ao seu lado.

Vendo que só ele e uma enfermeira que passava pelo local se preocuparam em socorrer a mulher, o ateu ficou indignado com o egoísmo das pessoas, e ao chegar em casa orou pedindo a Deus que cuidasse da vítima e "perdoasse os omissos porque eles não sabiam o que estavam fazendo".

E aí, amigo ateu, porque você não se inspira no exemplo de seus colegas britânicos e se candidata a fazer o mesmo.





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