Mostrando postagens com marcador Polônia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Polônia. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 28 de julho de 2016

E o papa caiu...


A imagem do dia é a queda do papa no altar da missa campal que ele celebrou nesta manhã em Czestochowa, no santuário de Jasna Gora, durante a Jornada Mundial da Juventude que está sendo realizada na Polônia.

Felizmente, o papa se recompôs rapidamente,  continuou normalmente a missa e passa bem.

Veja no vídeo abaixo:




terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Papa João Paulo II teve relação "intensa" com filósofa

Já no fim da vida, João Paulo II recebeu Anna-Teresa Tymieniecka no Vaticano

A matéria é da BBC Brasil:

Correspondência revela relação ‘intensa’ de João Paulo 2º com filósofa

Centenas de cartas e fotos contam a história de uma relação próxima entre o papa João Paulo 2º e uma mulher casada, que durou mais de 30 anos.

A BBC teve acesso a parte da correspondência trocada entre o papa e a filósofa polonesa naturalizada americana Anna-Teresa Tymieniecka, que foram mantidas em segredo por anos pela Biblioteca Nacional da Polônia.

Os documentos revelam uma face pouco conhecida do pontífice, que morreu em 2005.

Não há sugestão de que o papa tenha quebrado seu celibato.

Quando ambos se conheceram, em 1973, o então cardeal Karol Wojtyla era arcebispo de Cracóvia. Como ele, Tymieniecka era polonesa e tinha vivido a ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Após a guerra ela foi estudar no exterior e veio a desenvolver carreira como filósofa nos Estados Unidos, onde se casou e teve três filhos.

Tymieniecka contatou o futuro papa sobre um livro de filosofia que ele havia escrito. Ela então viajou dos EUA até a Polônia para discutir o trabalho.

A troca de cartas começou pouco depois. As cartas do cardeal eram formais no começo, mas se tornaram mais íntimas à medida que a amizade crescia.

A dupla decidiu trabalhar em uma versão ampliada do livro do cardeal The Acting Person (Pessoa em ação, em tradução livre). Eles se encontraram por muitas vezes - às vezes com a secretária de Wojtyla presente, às vezes a sós - e se corresponderam frequentemente.

Em 1974, ele escreveu que estava relendo quatro cartas de Tymienkiecka escritas em um mês porque eram "significativas e profundamente pessoais".

No verão de 1976, o cardeal Wojtyla liderou uma delegação de bispos poloneses em um grande encontro católico nos EUA, e Anna-Teresa Tymieniecka o convidou a ficar na casa de campo da família na pequena cidade de Pomfret, em Vermont. Era o tipo de vida na natureza que o papa adorava, e as fotos feitas à época mostram o futuro papa relaxado e descontraído.

Ela aparentemente revelou sentimentos fortes pelo papa porque as cartas escritas por Wojtyla logo depois sugerem um homem lutando para definir em termos cristãos a amizade que mantinham.

Em setembro de 1976, ele escreve: "Minha querida Teresa, recebi todas as três cartas. Você escreve sobre estar arrasada, mas não consegui encontrar resposta a essas palavras."

Ele a descreve como um "presente de Deus".

"Aqui temos uma das grandes figuras públicas transcendentais do século 20, o chefe da Igreja Católica, em uma relação intensa com uma mulher casada", diz Eamon Duffy, professor de história do cristianismo na Universidade de Cambridge.

A BBC não teve acesso às cartas escritas por Tymienkiecka. Acredita-se que cópias tenham sido incluídas no arquivo da filósofa que foi vendido à Biblioteca Nacional da Polônia em 2008, seis anos após a morte dela. Mas elas não estavam lá quando a BBC consultou o arquivo. A biblioteca não confirmou a posse das cartas de Tymienkiecka.

Marsha Malinowski, uma comerciante de manuscritos raros que negociou a venda das cartas, diz acreditar que Tymienkiecka tenha se apaixonado pelo cardeal Wojtyla logo no começo do relacionamento entre os dois. "Acho que isso se reflete completamente na correspondência", afirmou à BBC.

As cartas revelam que o cardeal deu a Tymienkiecka um de seus objetos mais preciosos, um escapulário - um colar de devoção com dois quadrados pequenos, geralmente de pano.

Em uma carta de 10 de setembro de 1976, ele escreveu: "No ano passado já estava buscando uma resposta a essas palavras: 'Eu pertenço a você', e finalmente, antes de partir da Polônia, encontrei uma maneira, um escapulário. A dimensão na qual aceito e sinto você em todo lugar em todos os tipos de situações, quando você está perto e quando está distante."

Após tornar-se papa, ele escreveu: "Estou escrevendo após o evento, para que a correspondência entre nós continue. Prometo que me lembrarei de tudo nesse novo estágio da minha jornada".

O cardeal Wojtyla tinha várias amigas, entre elas Wanda Poltawska, psiquiatra com quem trocou cartas por décadas.

Mas suas mensagens a Tymienkiecka às vezes são muito mais intensas, e em alguns pontos lutavam com o sentido da relação que mantinham.

Canonização

João Paulo 2º foi diagnosticado com mal de Parkinson no começo dos anos 1990, e passou a ficar cada vez mais isolado no Vaticano. Anna-Teresa Tymieniecka o visitava com frequência, e mandava flores e fotos de sua casa em Pomfret.

Após a última visita dele à Polônia, ele escreveu: "Nosso lar comum; tantos lugares onde nos encontramos, onde tivemos conversas tão importantes para nós, onde vivenciamos a beleza da presença de Deus".

O marido de Tymienkiecka, Hendrik Houthakker, era um conhecido economista de Harvard. Após a queda do comunismo, ele aconselhou João Paulo 2º sobre a economia dos países do leste europeu, e o papa o homenageou pelos serviços prestados.

O papa João Paulo 2º morreu em 2005, depois de um pontificado de quase 27 anos. Em 2014 ele foi declarado santo.

O processo de canonização costuma ser longo e custoso, mas o de Wojtyla levou apenas nove anos.

Normalmente o Vaticano requisita todos os escritos públicos e privados quando avalia um candidato a santo, mas a BBC não conseguiu confirmar se a correspondência com Tymieniecka foi examinada.

A Congregação para as Causas dos Santos, órgão do Vaticano responsável pelas canonizações, disse que cabe aos fieis católicos decidir sobre o envio de documentos úteis aos processos.

"Todas nossas tarefas foram cumpridas", informou o órgão, em nota. "Todos os documentos privados enviados por fieis e documentos localizados em importantes arquivos foram estudados."

Para a Biblioteca Nacional da Polônia, não foi uma relação única. A instituição diz que foi apenas uma entre várias amizades próximas que o papa teve durante sua vida.



terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Exorcismo virou moda na católica Polônia

Anthony Hopkins - sem querer - foi parar na capa da revista polonesa Egzorcysta

A matéria foi publicada no IHU em 15/12/15:

Polônia vive onda de exorcismos em massa


Dez anos após a morte do Papa João Paulo II, a Polônia, seu país natal, vive uma onda nacional de exorcismo. Os grandes eventos de expulsão do demônio atraem um número maior de pessoas do que as partidas de futebol — recentemente, o Estádio Nacional de Varsóvia foi palco de uma série de rituais em massa. Cada diocese tem em média três exorcistas, afirma Grzegorz Bacik, assistente da prática na Cracóvia. E a revista “Exorcismo”, a primeira da Europa sobre o assunto, conseguiu triplicar sua tiragem. 


A reportagem é de Graça Magalhães-Ruether, publicada por O Globo, 13-12-2015.


Segundo Bacik, autor de mais de cinco livros sobre ocultismo e exorcismo, houve uma explosão da demanda na Polônia nos últimos anos.

—As pessoas começaram a procurar mais o exorcismo porque são mais vítimas do demônio — diz Bacik, de Cracóvia, a cidade onde o então Karol Wojtyla foi arcebispo antes de ser eleito Papa João Paulo II.

O tema é onipresente em igrejas, lojas de santos e crucifixos ou na redação da “Exorcista Mensal” que, lançada há três anos, chega a 40 mil exemplares.

Na edição de dezembro, a revista publicou uma entrevista com o padre Andrej Kowalcyk, exorcista na cidade portuária de Gdansk, que aconselha o uso do terço como uma “arma também contra partidos políticos que foram tomados por satã”.

Depois que Francisco reconheceu, no ano passado, a Associação Mundial do Exorcismo, as igrejas europeias começaram a ampliar os seus programas. Há mais casos também na Espanha e na Itália. Mesmo na Alemanha, onde a conferência dos bispos abandonou a prática no fim dos anos 1970, houve expansão.

No último sábado, uma mulher de 44 anos foi encontrada morta no hotel Intercontinental, de Frankfurt, depois de um exorcismo praticado pelos parentes, entre eles o filho de 15 anos. Outra vítima do mesmo ritual foi resgatada pela polícia com ferimentos graves.

— Eu nunca vi algo semelhante — observou a promotora Nadja Niesen.

Já a socióloga Maria Zoltkowska afirma que a “epidemia” é resultado de sugestão, já que o assunto está constantemente na mídia:

— As pessoas acham que a culpa é do demônio porque é mais fácil culpar satã do que enfrentar os problemas.

Para atender à demanda, a igreja convida exorcistas de fora. Tendo como lema “Jesus no estádio”, o especialista em demonologia John Baptist Bashobora, de Uganda, acaba de fazer uma série de rituais de exorcismo em massa. De cada um, participaram 58 mil pessoas no Estádio Nacional de Varsóvia, mais do que nos jogos da seleção.

Especialistas do Departamento de Psiquiatria e Psicoterapia da Clínica Charité, em Berlim, afirmam que há em toda a Europa mais demanda por exorcismo em consequência do baixo oferecimento de atendimento psiquiátrico. O exorcismo seria visto como um substituto, e a possível cura resultado de um processo de sugestão. Segundo um estudo alemão, 38% dos europeus sofrem de algum tipo de distúrbio mental, mas apenas um terço dos doentes têm acesso a tratamento.



quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

O padre que tem horror (ou nojo?) de quem lhe beija a mão


O vídeo abaixo mostra o desespero do padre polonês Tadeusz Rydzik, aparentemente distribuindo livros sobre o seu conterrâneo papa João Paulo II numa cerimônia religiosa, ao negar que os fiéis lhe beijassem a mão.

Cá entre nós, não deve ser muito agradável tanto beija-mão...

São momentos hilários, entretanto, o que nos leva a tentar imaginar o que leva o padre Tadeusz a ter semelhante atitude. Alguma sugestão?


Dica do Chato


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Inédito: Vaticano prende bispo acusado de pedofilia

Papa Francisco não varreu sujeira de Wesolowski para debaixo do tapete

Józef Wesołowski foi consagrado bispo de Sléibhte (Polônia) em 2000 pelo papa João Paulo II, que, em 1972, quando ainda era o cardeal Karol Wojtyła, o havia ordenado padre.

Sobre Wesołowski pesam acusações de pedofilia quando foi núncio apostólico do Vaticano na República Dominicana, de 2008 a 2013. 

Ele já havia sido laicizado (retirado de suas funções sacerdotais pelo processo canônico próprio) em junho de 2014.

A matéria é da BBC Brasil:

Papa ordena 1ª prisão dentro do Vaticano de acusado de pedofilia

O papa Francisco ordenou pessoalmente nesta terça-feira a detenção de um ex-arcebispo e ex-embaixador da Santa Sé acusado de pedofilia, no primeiro caso de prisão no Vaticano de alguém suspeito de cometer esse crime.

O polonês Jozef Wesolowski, de 66 anos, foi representante diplomático da Igreja Católica (núncio) na República Dominicana de 2008 a 2013.

Ele havia sido chamado de volta ao Vaticano no ano passado, após terem surgido acusações na mídia do país caribenho de que ele teria cometido abuso sexual de crianças. Em junho deste ano, Wesolowski foi destituído do cargo de arcebispo por um tribunal do Vaticano. Desde então, ele vivia dentro de um convento na cidade-estado. Segundo um porta-voz da Santa Sé, Wesolowski está sendo mantido em prisão domiciliar no mesmo local devido à fragilidade de sua saúde.

Fato inédito

É a primeira vez que um prelado do alto escalão da Igreja Católica é preso dentro do Vaticano.

Em Roma, ele aguardava o julgamento de sua solicitação de imunidade diplomática por parte da Justiça dominicana e da Polônia, onde nasceu.

O arcebispo deve ir a julgamento no fim deste ano também em um tribunal do próprio Vaticano.

De acordo com o porta-voz papal, o padre italiano Federico Lombardi, o papa Francisco ordenou pessoalmente a prisão do prelado para que as acusações graves possam ser examinadas sem atraso.

Desde que foi escolhido para chefiar a Santa Sé, no ano passado, o pontífice argentino vem tentando estabelecer como uma das marcas de sua administração o combate às denúncias de pedofilia dentro da Igreja Católica.



terça-feira, 4 de junho de 2013

As infames Cruzadas da Europa do Norte


Um pedaço trágico e vergonhoso da história da religião cristã institucionalizada, com conversões forçadas e forçadas e guerras entre cristãos nominais, que não pode ser esquecido a fim de que não se repita jamais, publicado na revista Aventuras na História.

Curiosamente, os "cruzados do Norte" tiveram uma participação expressiva na formação do reino de Portugal. 

Em 1147, quando já eram proscritos no Norte da Europa, cerca de 13.000 deles navegaram em cerca de 200 barcos até a costa do então Condado Portucalense, já sob o comando de D. Afonso Henriques (mais tarde D. Afonso I, primeiro rei de Portugal).

Sabendo da chegada dos forasteiros, D. Afonso entrou em acordo com eles para vencerem os mouros que ainda comandavam o centro-sul do território que hoje forma Portugal, prometendo-lhes saques e terras, conseguindo o seu apoio para finalmente conquistarem Lisboa.

Se hoje estamos aqui, escrevendo e lendo em português, pelo menos uma mínima medida devemos a esses elementos que barbarizaram o Norte da Europa em nome de Cristo, mas por essas contingências misteriosas do destino, ajudaram a formar Portugal.

Eis a íntegra do artigo:

Os últimos pagãos da Europa

As Cruzadas do Norte, conduzidas pelos Cavaleiros Teutônicos, levaram a palavra de Cristo na ponta da espada e espalharam o terror na Idade Média

Texto Fabio Marton
Ilustrações Rodrigo Idalino

A força era relativamente pequena. Não passava de 300 cavaleiros e soldados de infantaria. Estava às portas da cidade de Gdansk, no litoral da atual Polônia. O uniforme era um paradoxo: túnicas com cruzes pretas cobriam as armaduras. Na cabeça, os elmos eram decorados com chifres. Pareciam demônios agindo em nome de Jesus Cristo. Há controvérsia sobre o que se seguiu.Não está claro se as portas foram abertas, se houve cerco ou combate. O fato é que a Ordem dos Cavaleiros Teutônicos entrou em Gdansk sem muita resistência. Sua missão era retomá-la para o rei da Polônia, após uma revolta de comerciantes alemães negar a autoridade do soberano. Com a cidade conquistada, em 13 de novembro de 1308, todos os resistentes foram mortos. Eram, em sua maioria, compatriotas alemães. As mulheres e crianças tiveram o mesmo destino. Depois, os invasores atearam fogo no local. Cachorros lambiam o sangue que escorria copioso nas ruas. As crônicas medievais, provavelmente exageradas, falam em 10 mil vítimas no que ficou conhecido como o Massacre de Gdansk.

Os Cavaleiros Teutônicos esperavam o pagamento real pelo serviço prestado. Como não se chegou a um acordo, convocaram mais 4 mil cavaleiros, expulsaram a guarnição polonesa e prosseguiram conquistando e arrasando todas as cidades da Pomerélia, deixando a Polônia sem litoral. O massacre gerou um processo em Roma, durante o qual a Ordem chegou a ser excomungada pelo papa, mas terminou absolvida. Se um massacre covarde não parece uma boa introdução para uma história de cavalaria, é porque as Cruzadas do Norte não foram feitas de honra e glória, mas forjadas em combates desiguais, fanatismo, traição e ambição mercantil. Como no Oriente Médio, guerreiros que fizeram votos de pobreza e castidade cometeram saques e estupros. Por mais de dois séculos, a cristandade esteve em guerra santa contra diversos povos do Mar Báltico, os últimos pagãos da Europa.



Cristianismo, armado e perigoso

Após a conquista de Jerusalém pela Primeira Cruzada, em 1099, a cristandade viveu uma fase de violenta euforia. A conversão dos vikings, iniciada no século 8, havia se dado de forma relativamente pacífica, por contato, diplomacia e trabalho missionário - ninguém precisou conquistá-los para impor a crença à força. A opção começou a parecer atraente após a vitória na Cidade Santa. Em 1147, o abade Bernardo de Clairvaux anunciou a primeira das Cruzadas do Norte: "Proibimos expressamente que por qualquer razão se faça paz com esses povos, seja por dinheiro ou tributo, até chegar o tempo em que, com a ajuda de Deus, eles ou sua religião sejam destruídos". As palavras de Bernardo (mais tarde São Bernardo) têm origem um ano e meio antes, quando o papa Eugênio III convocou a Segunda Cruzada para recuperar um território perdido no Oriente Médio. Os alemães da Saxônia pediram uma reunião com Clairvaux, já então um grande ideólogo e propagandista da guerra santa, para demonstrar que o inimigo infiel estava na porta de casa e não era preciso viajar ao Oriente Médio para enfrentá-lo. Numa faixa entre a Alemanha e a Rússia, povos de diversas etnias recusavam a conversão. Uma dessas regiões era a Prússia, habitada então por eslavos. Em 997, o missionário São Adalberto foi morto pelos prussianos a golpes de lança depois que tentou, sem sucesso, cortar a árvore sagrada dos pagãos com seu machado. Sua cabeça desfilou pelas ruas. Havia também apostasia, como a que ocorreu na ascensão do príncipe Niklot, dos vendos, em 1131, que retomou crenças ancestrais depois de dois príncipes cristãos.

Os povos do báltico viviam em sociedades violentas, com frequentes ataques de uns contra os outros. Haviam sido empurrados para a região na Antiguidade, por inimigos eslavos, celtas e germânicos, até conseguirem se proteger atrás de uma faixa de pântanos e florestas que cruzava a atual Polônia. Não tinham escrita. O que se sabe deles vem de sítios arqueológicos, folclore e relatos de seus inimigos. Suas armas eram primitivas: lanças, machados e porretes. Tinham cavalos, mas eram pôneis, menores que os de outros europeus. Sabiam fazer fortificações de madeira e não tinham armas de cerco, como catapultas, torres e trabucos. Os únicos entre eles que chegaram a ter um exército foram os lituanos, que adotaram as tecnologias de seus inimigos - todos os outros eram bandos desorganizados de guerreiros, a típica imagem do bárbaro.

Com barcos de construção similar aos dos vikings, os pagãos que viviam no litoral faziam incursões de pirataria. Por ironia, seu alvo costumava ser os países nórdicos. "Jovens [bálticos] só conseguiam adquirir o dinheiro necessário para comprar uma fazenda e casar por meio da guerra - pilhagens traziam dinheiro, gado, cavalos e escravos", afirma o historiador William Urban, da Universidade de Monmouth (EUA). Influenciado por Bernardo de Clairvaux, o papa Eugênio III lançou uma bula, em 13 de abril de 1147, afirmando que guerrear contra os infiéis na Península Ibérica e no Báltico teria o mesmo efeito que fazer isso no Oriente Médio. O guerreiro seria perdoado por todos os seus pecados, ganhando acesso direto ao Paraíso.

Guerra confusa

O príncipe Niklot reagiu ao avanço cristão na região com um ataque preventivo aos saxões, dando início à Cruzada dos Vendos. Foi uma guerra curta e confusa. Forças unidas de dinamarqueses, saxões e poloneses, comandadas muitas vezes por bispos e abades, invadiram o território eslavo, saqueando, queimando templos e batizando guerreiros derrotados pelo caminho. No cerco à principal fortificação dos vendos, Dobin, os saxões exigiram o batismo das tropas dentro da fortaleza. Niklot não só aceitou como prometeu pagar tributos a eles. Os cruzados passaram água na cabeça dos inimigos e deram as costas, como se a missão estivesse cumprida. Tanto o príncipe como a maioria dos "convertidos" continuariam pagãos até o fim da vida. Em 1160, após uma revolta, o líder dos vendos foi morto em combate.

Muitos cristãos tomaram a nova regra papal como licença para abusar dos infiéis. Em 1186, com problemas financeiros por causa de uma guerra interna, o rei Sverre da Noruega foi buscar recursos saqueando as terras dos bálticos. Em 1195, atendendo a um pedido por reforços militares em uma missão na Livônia, os suecos se limitaram a encher seus barcos de carga roubada e ir para casa celebrar. Com a autorização do papa, os nórdicos tiveram a chance de voltar a fazer "ataques vikings à moda antiga", descreveu o historiador Eric Christiansen, autor do livro The Northern Crusades (sem tradução). Na Livônia (território das atuais Estônia e Letônia) havia uma missão cristã desde 1185.

Ela começou pacífica, mas se militarizou quando os religiosos perderam a paciência com as conversões insinceras dos pagãos. Em 1193, o papa Celestino III autorizou privilégios cruzadistas para quem reforçasse as tropas na região. Liderando esses exércitos, o bispo Bernardo de Hanover acabou morto, em 1198. Isso levou Inocente III, sucessor de Celestino, a decretar a Cruzada da Livônia. A guerra durou quase um século, e se estendeu a vários outros alvos, como os estonianos e letões. A Ordem Livônia dos Irmãos da Espada foi fundada em 1202. O território conquistado por esses monges guerreiros passou a ser chamado de Terra Mariana - a "terra santa" da Virgem Maria, não menos importante que Jerusalém.




Ainda hoje, os Irmãos da Espada são particularmente infames entre os povos bálticos: "Em nome de Cristo, atacavam, saqueavam, sequestravam, estupravam, matavam", escreveu o historiador letão Visvaldis Mangulis. Estupros eram obviamente proibidos pelos votos de castidade, mas, segundo Christiansen, "o irmão-cavaleiro estava exposto a fortes tentações, pois o poder frequentemente deixava as mulheres à sua mercê. Elas eram butim, e a expectativa de estupro era o que mantinha seus auxiliares nativos motivados. Alguns cavaleiros devem ter se juntado a eles".

Enquanto prosseguia a Cruzada da Livônia, entraram em ação os Cavaleiros Teutônicos. Surgida no final do século 12 em Acre, na Palestina, a ordem era formada por guerreiros que viviam em conventos, renunciando à propriedade e aos prazeres carnais, até mesmo à mesa: se alimentavam quase só de pão, água e alguns vegetais insossos. Os Cavaleiros passaram a procurar novos alvos após as sucessivas derrotas dos cristãos na Palestina, principalmente com a queda de Jerusalém em 1187. Em 1226, aceitaram o convite do duque polonês Conrado I, de Masóvia, para tomar parte em sua até então malfadada campanha contra os prussianos. Conrado deu a eles um feudo em Chelmno, que se expandiria em um novo país.

Com uma força de 10 mil homens, em 1233, os cruzados levariam quase 30 anos para conquistar a Prússia. Os territórios passaram a fazer parte do Ordensstaat, o Estado da Ordem, ao qual se juntaram as conquistas dos Irmãos da Espada, em 1236, após a Batalha de Saule, na qual os lituanos praticamente aniquilaram os monges-guerreiros - os sobreviventes se juntaram aos teutônicos. Com pagãos escasseando na região, em 1241, a Ordem passa a atacar outros cristãos, invadindo a República de Novgorod, de ortodoxos russos, com apoio do papa e dos reinos da Suécia e Dinamarca. Foram derrotados na Batalha do Gelo, imortalizada no filme Alexander Nevsky (1938), de Sergei Eisenstein. A cavalaria russa empurrou os cruzados para dentro de um lago congelado - com suas armaduras pesadas, o gelo se partiu e 20 deles foram ao fundo. A humilhação delimitou a fronteira máxima da ação dos cruzados: eles nunca mais voltariam a atacar os russos. O território do Ordensstaat cresceu em outras direções e chegou a dominar todo o litoral do Báltico entre a Alemanha e Rússia no final do século 15.

A vingança dos poloneses

Em 1283, a Ordem voltou-se contra o Grão-Ducado da Lituânia, o último e mais poderoso reino pagão da Europa. E também seu maior fracasso. Mesmo após um século de guerras e devastação, os lituanos só aumentaram seus domínios, chegando a uma imensa faixa entre os mares Negro e Báltico. Em 1385, a guerra acabou em derrota moral para os Cavaleiros, quando o grão-duque Jogalia da Lituânia casou-se com a rainha Edviges da Polônia, convertendo-se ao catolicismo e unificando os reinos. Quando uma revolta nativista no Ordensstaat foi apoiada pelos lituanos, os Cavaleiros declararam guerra aos países unificados, em 1409. Foi um desastre: acabaram trucidados na Batalha de Grunwald, um ano depois. A ordem perdeu suas possessões bálticas, principalmente para a Polônia-Lituânia, até os últimos e pequenos feudos monásticos, em 1583, após a Guerra da Livônia - quase dois séculos após os últimos pagãos da Europa terem se inclinado à pia batismal e 446 anos após o início das Cruzadas do Norte. A Ordem dos Cavaleiros Teutônicos existe ainda hoje, depois de abandonarem qualquer propósito militar. Algo que só aconteceu em 1929.

O panteão báltico

Os pagãos do Mar Báltico não eram uniformes: falavam línguas eslavas, bálticas (como o letão e o lituano) e fínicas (como o finlandês e o estoniano), completamente ininteligíveis entre si. Mas sua religião tinha várias características comuns. Os povos bálticos reverenciavam a natureza, com os deuses principais relacionados ao céu, e os menores à terra, florestas e agricultura. Dievas era o deus do céu, onde tinha uma fazenda. Sua noiva era Saule, o Sol. Todos os dias, Saule se movia numa carruagem para seu casamento com Dievas. O rival de Dievas era Menuo, a Lua, o deus da guerra. Em algumas tradições, a Lua conseguia se casar com o Sol, mas era infiel, e por isso era punida por Perkunas, o deus do trovão. A deusa da terra era chamada Zemyna ("mãe terra"). Os cristãos relacionaram Zemyna à Virgem Maria e Dievas a Deus - ainda hoje essa é palavra para o deus cristão em lituano (do qual adotamos a grafia).

Saiba mais

Livro - The Northern Crusades, Eric Christiansen, Penguin Books, 1998





sábado, 5 de janeiro de 2013

Hitler ajoelhado em Varsóvia (é "só" uma estátua!)


Adolf Hitler parece ser um espectro que assombrará o mundo pelo resto da existência da humanidade, o que, pensando bem, é até bom pelo efeito, digamos, pedagógico de evitar que se repitam monstruosidades como aquelas perpetradas por ele.

Agora, daí a colocar uma estátua de Hitler ajoelhado no local que um dia foi o gueto de Varsóvia, onde milhares de judeus perderam a vida ou foram deportados para os campos de extermínio, se trata de uma iniciativa - no mínimo - questionável.

Cá entre nós, estátua de Hitler se parece mais com o boneco Chuck dos filmes de terror. No fundo, é um exercício prático e polêmico sobre quais são os limites da arte. A notícia é do Terra:

Estátua de Hitler no antigo gueto de Varsóvia causa indignação

O grã-rabino da Polônia, Michael Schudrich, manifestou a sua indignação nesta sexta-feira com a presença de uma estátua representando Adolf Hitler ajoelhado no local do antigo gueto judeu de Varsóvia, uma provocação do polêmico artista italiano Maurizio Cattelan.

"Quando se trata de mostrar o personagem de Hitler, temos a responsabilidade extraordinária de sermos sensíveis àqueles que sofreram, por causa do que Hitler provocou aos sobreviventes do Holocausto e aos sobreviventes não-judeus", declarou nesta sexta-feira à AFP o rabino Schudrich.

Uma estátua de cera representando Adolf Hitler, com a estatura de uma criança, vestido com um uniforme cinza, ajoelhado e rezando, foi instalada no antigo gueto de Varsóvia em 16 de novembro.

A estátua pode ser vista apenas de costas e somente as pessoas mais atentas conseguem descobrir a instalação que passa despercebida da maior parte dos passantes. É possível observá-la apenas através de um buraco na porta de entrada de um prédio residencial abandonado.

A obra, intitulada "Him" ("Ele") é apresentada como parte de uma exposição do artista, no Centro de Arte Contemporânea de Varsóvia.

"Colocá-la exatamente aqui, na rua Prozna, que fazia parte do antigo gueto, é prova de uma falta de sensibilidade, e mostra por que isso causa problemas", acrescentou o grã-rabino da Polônia.

Segundo Michael Schudrich, antes do início da exposição, os responsáveis pelo museu haviam dito a ele que esta obra não constituía uma reabilitação de Hitler, mas mostrava que o mal pode existir na forma de uma criança de ar ingênuo e inocente. "Eu achava que tinha ouvido que (a obra) fosse ficar no museu, mas talvez isso não tenha sido dito. Mas é certo que eles não disseram que a colocariam no antigo gueto", acrescentou Schudrich.

O Centro Simon-Wiesenthal de Jerusalém havia classificado a instalação da estátua no antigo gueto de Varsóvia "de deturpação da arte, que insulta as vítimas dos nazistas" e "de uma provocação sem sentido", em um comunicado de 27 de dezembro. Um ano depois da invasão da Polônia no dia 1º de setembro de 1939, os alemães criaram o bairro do gueto judeu de apenas 3 km2 onde ficaram amontoados cerca de meio milhão de judeus.

Seus habitantes foram quase todos dizimados pela fome e por doenças, ou deportados para os campos da morte. O bairro foi destruído pelos nazistas em 1943 após a insurreição do gueto.



terça-feira, 1 de novembro de 2011

Padre polonês abençoa tampas de bueiro



Problemas de segurança na sua cidade? Os amigos do alheio andam furtando tudo o que é de cobre, ferro, qualquer metal? Então os seus problemas, senhor prefeito (e moradores), acabaram. Basta pedir ao pároco local para que ele faça como um padre da cidade de Lodz, na Polônia, que enfrenta o mesmo problema de furto de tampas de bueiro, o que obviamente causa muitos problemas aos transeuntes desprevenidos. O risco de um acidente grave ou fatal não pode ser desconsiderado jamais. A padroeira de Lodz é Santa Faustina, não por acaso nascida na cidade polonesa em questão, isso em 1905, vindo a falecer em 1938, tendo sido canonizada por seu compatriota papa João Paulo II em 2000. Com o prestígio de uma santa local, a Prefeitura da cidade pediu aos padres que rezassem uma missa para benzer 4.000 novas tampas de bueiro, na esperança de que os poderes místicos de Santa Faustina apelem para o coração dos meliantes e os faça desistir da vida dedicada ao crime. Afinal, o número acima revela que 4.000 tampas de bueiro já foram furtadas e precisaram ser substituídas. Bem que os padres cariocas podiam fazer o favor cívico de benzer as tampas de bueiro do Rio de Janeiro, não é mesmo? O povo não pode mais andar sossegado pelas ruas de Copacabana com medo das tampas explodirem e tudo voar para os ares. Qual padre é corajoso o suficiente para benzer in loco uma por uma das traiçoeiras tampas de bueiro cariocas?

Fonte: Orange News



LinkWithin

Related Posts with Thumbnails