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terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Sumô luta para sobreviver após 15 séculos de tradição no Japão


A matéria foi publicada na BBC Brasil:

'Chorava todos os dias': o lado obscuro da vida dos lutadores de sumô no Japão

Rebecca Seales

De pé em meio ao frenesi dos flashes disparados em sua direção, o lutador anuncia com os olhos marejados sua aposentadoria imediata. "Desculpem-me do fundo do meu coração", ele diz após se curvar e permanecer nessa posição por um longo tempo.

Harumafuji é um grande campeão do sumô, conhecido em japonês como yokozuna. Em 25 de outubro, ele agrediu um lutador mais jovem em um bar, fraturando seu crânio, um caso que foi alvo de um inquérito policial e permaneceu nas manchetes por semanas.

O atleta, de 33 anos, chegou a pedir desculpas pelo ocorrido e decidiu se aposentar do esporte, mas foi acusado formalmente de agressão na última quinta-feira. Ele deve pagar uma multa, em vez de ser julgado em um tribunal.

De acordo com relatos, Harumafuji teria ficado furioso quando tentou dar conselhos ao rapaz e este continuou olhando o próprio celular.

O incidente reacendeu uma discussão sobre o esporte nacional do Japão, e não é a primeira vez que algo assim acontece. Há uma década, a reputação do sumô entrou em crise quando um rapaz de 17 anos que treinava para ser lutador morreu após levar uma surra com uma garrafa e um taco de baseball.

Os agressores eram seus toshiyoris, ou anciãos, como são chamados os ex-lutadores que assumem posições de autoridade, podendo ser treinadores e gerentes de um ginásio de sumô.

Em 2010, o esporte levou um novo golpe com a descoberta do envolvimento de um atleta e de um treinador em um esquema ilegal de apostas em partidas de baseball que teria ligações com a máfia japonesa, a yakusa.

No mesmo ano, o mentor de Harumafuji, o grande campeão mongol Asashoryu, deixou o sumô após se envolver, embriagado, em uma briga do lado de fora de uma boate na capital do país, Tóquio. Depois, vieram à tona provas da combinação prévia de resultados na segunda divisão do esporte.


Seriam sinais de que o sumô está em declínio e que a disciplina que um dia o definiu está em decadência? Ou será simplesmente que, após 15 séculos, o lado obscuro do esporte está finalmente vindo à tona? 


'Os mongóis estão chegando'


Uma forma de responder essas questões é olhar para a origem do esporte e para o duro regime de treinos ao qual os lutadores são submetidos.

Ainda que o sumô tenha surgido a partir de rituais de templos japoneses entre 1,5 mil e 2 mil anos atrás, o país não domina mais o circuito internacional da luta. Até a aposentadoria de Harumafuji, havia quatro grandes campeões. Três deles, inclusive o do agora aposentado Harumafuji, eram da Mongólia.

Rússia, Havaí, Samoa e países do leste europeu costumam enviar lutadores promissores para os ginásios de sumô do Japão, locais em que mestres treinam adolescentes na arte que um dia foi a grande atração das cortes imperiais da nação asiática.

O sumô não é apenas um esporte no país. É uma cerimônia que abre uma janela para o passado, calcada na tradição e na essência do que é ser japonês. Rituais rígidos estabelecem um código de conduta, e ser nascido no exterior não é desculpa para não receber um tratamento tão duro quanto o conferido aos nativos.

Todos os lutadores devem usar trajes tradicionais em público, inclusive um coque como o de samurais. Nas competições, o triunfo e o fracasso devem gerar a mesma reação impassível. Em conversas, o lutador deve ser um modelo de humildade e falar suavemente, comportando-se com hinkaku, ou dignidade. O status é tal que estranhos se curvam quando cruzam com eles na rua.

Cada um dos 45 centros de sumô no país aceita treinar apenas um estrangeiro, ou gaikokujin, de cada vez, por ordem da conservadora Associação de Sumô do Japão. E, quando conseguem chegar lá, normalmente aos 15 anos e com no máximo 23, devem comer, falar, vestir e respirar como japoneses.

Cozinhando, limpando – sem nada para o café da manhã

"(Os lutadores) São como soldados recebendo treinamento básico", explica Mark Buckton, um ex-comentarista e colunista de sumô do jornal Japan Times. "São eles que cozinham, limpam, descascam batatas... E todos aprendem japonês."

O ginásio de sumô é regido por uma hierarquia rigorosa, com um mestre – um ex-lutador – no comando. "Não é como no futebol, em que você pode se transferir de um time para outro", diz Buckton à BBC.

"Você faz parte de um ginásio para o resto da vida. A única forma de sair dele é abandonando o sumô."

Os lutadores deixam o cabelo crescer, normalmente até o meio das costas, para que o cabeleireiro do ginásio possa fazer um penteado tradicional. Só lavam o cabelo a cada uma ou duas semanas, e passam nele bintsuke, um tipo de cera feita a partir de soja com um cheiro adocicado que acompanha o lutador aonde ele vá.

As refeições, geralmente compostas de um caldo quente rico em proteína com vegetais, são tão controladas quanto o regime de treinos, em que os jovens passam horas tentando empurrar seus enormes colegas em um círculo coberto por areia. "Eles comem muito. Mas o crucial é ir dormir logo após de comer", diz Buckton.

"Eles não tomam café da manhã. Todo o treinamento ocorre pela manhã. Eles almoçam quase o mesmo que uma pessoa normal, talvez um pouco mais. Mas comem isso com uma grande quantidade de arroz. Depois, vão para a cama e só acordam no meio da tarde. Comem de novo à noite e vão dormir cedo, porque se levantam às 5h, 6h da manhã para treinar."

Ginásios mais rigorosos costumam gerar lutadores melhores? "Com certeza, com certeza", afirma o especialista.

Sem salário, namoradas ou telefones

Há seis competições profissionais de sumô por ano, todas no Japão. Um lutador ganha ao forçar seu oponente a sair do círculo ou ao fazê-lo tocar o chão com alguma parte do corpo que não os pés. Conforme acumula vitórias, o lutador sobe no ranking.

Há cerca de 650 lutadores nas seis divisões, mas apenas cerca de 60 disputam a primeira. Eles não recebem salários nas quatro divisões inferiores. Um lutador talentoso pode levar de dois a três anos para começar a receber um salário.

Quando há pagamento, ele é bom: cerca de US$ 12 mil (R$ 39,6 mil) por mês na segunda divisão, um valor que pode chegar a US$ 60 mil (R$ 198 mil) na elite do esporte, incluindo contratos de patrocínio.

Os lutadores mais jovens devem usar um traje de tecido de algodão fino, o yukata, e geta, ou sandálias de madeira, mesmo no auge do inverno. Dirigir não é permitido, mas os melhores lutadores têm motoristas, algo que é tanto um símbolo de status quanto uma necessidade, já que seu tamanho dificulta a vida ao volante.

Celulares e namoradas são tecnicamente proibidos abaixo das duas primeiras divisões, ainda que haja uma tolerância crescente com isso. Mulheres não podem morar nos ginásios, e lutadores não podem se casar ou morar em outro local com sua namorada até atingir ao menos a segunda divisão.

Caso se machuque e caia para a terceira divisão, o lutador deve deixar sua mulher e filhos para trás e voltar a morar no ginásio.

O que acontece se os jovens não atenderem os padrões dos mestres ou criticarem o regime quase monástico do ginásio? "Ah, eles são terríveis", diz Buckton. "Antes do rapaz ser morto em 2007, havia espancamentos frequentes. Você via os caras com marcas nas costas e na parte de trás das pernas por não se esforçarem o suficiente."

No ano passado, segundo relatos, um lutador recebeu quase 32,4 milhões de ienes (R$ 946,3 mil) de indenização após de ter sido maltratado diariamente e ficar cego de um olho.

Depois que Takashi Saito, de 17 anos, foi espancado até a morte por ter ameaçado deixar seu ginásio, o grande campeão mongol Hakuho relatou experiências chocantes de surras que chegam a durar 45 minutos.

"Você pode olhar para mim agora e ver um semblante feliz, mas, na época, eu chorava todos os dias", disse. "Os primeiros 20 minutos são muito dolorosos, mas, depois, fica mais fácil, porque mesmo que você esteja apanhando, começa a sentir menos dor. Claro que chorei e, quando meu ancião disse que isso era para meu próprio bem, chorei de novo."

Quebrando o silêncio

Mas por que - em um esporte que submete seus maiores talentos a anos de punição corporal - Harumafuji foi forçado a se aposentar após agredir um lutador mais jovem? "Bem, ele bateu no rapaz em um bar...", afirma Buckton.

O escritor Chris Gould, que acompanha o universo do sumô há três décadas, diz que o "pacto de silêncio" no esporte é bem poderoso.

"Há uma consistência impressionante em como o treinamento e as punições são aplicados em diferentes ginásios e ao longo do tempo. Isso significa que, quando ocorrem incidentes como o de Harumafuji, não se fala sobre o assunto para preservar o grupo", diz Gould.

No episódio mais recente, o técnico do lutador agredido foi quem fez a denúncia e defendeu mudanças no esporte. "É interessante ver um técnico ser criticado por quebrar o código de silêncio. Na maioria dos esportes, ele seria celebrado como um herói."

Com esse tipo de atitude, é possível esperar que jovens continuem se interessando pelo esporte?

Os dias em que a promessa de duas boas refeições diárias atraía jovens de famílias pobres do Japão rural para o sumô ficaram no passado, e esportes como o futebol e o baseball oferecem salários melhores sem o risco de sofrer violência.

Mas, apesar de tudo isso, a popularidade do sumô vem crescendo. Em janeiro, foi consagrado o primeiro campeão japonês em quase duas décadas, para a alegria dos fãs. A Associação de Sumô do Japão também tem feito campanhas publicitárias para voltar a tornar o esporte atraente.

Na visão de Chris Gould, a previsões sobre a ruína do sumô foram prematuras. "Ainda não é hora de entrar em pânico quanto ao futuro. Mas a associação precisa divulgar o que o sumô defende ou não, seus valores fundamentais. A não ser que isso aconteça, o número de grandes lutadores em potencial que nem chegam a entrar para o esporte só vai continuar a crescer."



sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Martin Scorsese lança filme sobre origens do cristianismo no Japão


Sobre o tema e o livro que inspirou o filme, já publicamos aqui no blog:



O artigo abaixo foi publicado no blog Carmadélio:

‘Silêncio’, o novo filme de Martin Scorsese sobre os cristãos perseguidos no Japão

Após uma acidentada rodagem, o diretor de formação católica, apresentará em dezembro o drama de dois jovens jesuítas que vão ao Japão em busca de um missionário que perdeu sua fé após sofrer inúmeras torturas.

O diretor de cinema Martin Scorsese, finalmente irá estrear, em dezembro, seu aguardado filme Silêncio. Um filme que está na mente do cineasta desde 2004 e que contará o drama dos cristãos perseguidos no Japão dos samurais

Scorsese, de formação católica, explica que a história será protagonizada por Liam Neeson, Adam Driver e Andrew Garfield, e tratará de dois jovens jesuítas que vão ao Japão em busca de um missionário que perdeu sua fé após sofrer inúmeras torturas. Ali viverão a experiência da perseguição.

O filme, produzido pela Paramount, viveu uma rodagem muito acidentada durante as 14 semanas de filmagens em Taiwan. Segundo conta Religión en Libertad, em janeiro de 2015, um teto caiu, causando a morte de um funcionário e ferindo outros três.

O diretor baseou o roteiro do seu filme no romance Silêncio, do escritor católico japonês Shusaku Endo (1913-1997). Uma história ambientada no Japão dos séculos XVI e XVII, e que se centra principalmente no choque de mentalidades entre a espiritualidade dos jesuítas espanhóis e portugueses e o pragmatismo materialista dos japoneses.

O autor escreveu este romance após anos de estudos da literatura cristã francesa e de autores como Paul Claudel ou Emmanuel Mounier.

A perseguição de cristãos no Japão

As primeiras perseguições de convertidos japoneses aconteceram em nível local, provocadas principalmente pelos protestantes ingleses e holandeses, pelo clero budista e a nobreza. Os ataques aconteceram até 1873, chegando a se expandir por todo o império

O romance conta como os jesuítas começam a pregar no país sob o assédio das autoridades. A perseguição fez os religiosos e o padre Sebastián Rodríguez, enviado ao Japão para consolar os que ali se encontravam e julgar um padre apóstata, se colocarem a questão de se realmente valia a pena sofrer tantas desgraças, inclusive quem é verdadeiramente Jesus e o papel de Deus.

Os missionários católicos chegaram ao Japão em 1549 e embora, em um princípio, a fé cristã parecesse não tocar a comunidade nipônica, finalmente se estabeleceu no país. Em 1600, já havia 95 jesuítas estrangeiros no país (57 portugueses, 20 espanhóis, 18 italianos) e ao menos 70 jesuítas nativos do Japão.

O auge do cristianismo provocou, em 1614, o início de uma perseguição sistemática contra os cristãos e que se proibisse os padres de continuarem sua pregação. Desse momento em diante, o cristianismo entrou na clandestinidade e, segundo os historiadores, pelo menos 18 jesuítas, sete franciscanos, sete dominicanos, um agostiniano, cinco sacerdotes seculares e um número desconhecido de jesuítas nativos foram descobertos e executados.

A perseguição provocou mil mártires diretos e milhares de cristãos leigos morreram por causa de doenças e da pobreza aos sofrerem o confisco dos seus bens.

Durante 240 anos o Japão permaneceu fechado ao mundo e embora algumas comunidades tenham tentado manter o cristianismo sem contato com o exterior e sem sacerdotes, o número de católicos diminuía e iam se afastando do cristianismo.

Fonte: Actuall



terça-feira, 3 de novembro de 2015

Há exatos 400 anos um samurai chegou ao Vaticano

Hasekura Tsunenaga, um samurai no Vaticano em 1615

Sim, é exatamente isso o que você leu no título acima: em 3 de novembro de 1615 não só um, mas cerca de 20 samurais (não se tem certeza sobre este número) e 120 mercadores japoneses chegavam ao Vaticano, onde foram recebidos pelo papa Paulo V.

Soa estranho aos ouvidos modernos saber que, 400 anos atrás, os japoneses percorreram meio-mundo com os galeões de então para chegar a Roma.

Se ainda hoje, apesar da tecnologia e da comunicação global, existe o inevitável choque cultural entre Ocidente e Oriente, imagine o que isso representava no século XVII.

O líder da caravana nipônica - chamada de Missão Keichō (慶長使節) - era o samurai Hasekura Tsunenaga (支倉六右衛門常長), a mando de Date Masamune (伊達政宗), senhor feudal de Sendai, cidade que este último fundara na região de Tōhoku.

Masamune era, digamos, simpatizante do catolicismo e havia conseguido convencer o xogum (将軍) Ieyasu Tokugawa (徳川家康) a enviar uma delegação diplomática para a Espanha e o Vaticano, a fim de negociar um tratado de comércio com os países europeus.

Numa definição abreviada assumidamente insuficiente, o xogunato (ou shogunato) era um sistema de dominação militar do sistema feudal japonês do século XVII, e Ieyasu Tokugawa foi o primeiro xogum (ou shogun). 

Pelo menos na teoria estava subordinado única e exclusivamente ao Imperador, mas na prática - como você vai ver no desenrolar dessa história - era ele quem mandava.

O xogunato inaugurado por Tokugawa ficou conhecido por seu nome e durou até a Restauração Meiji (明治維新) de 1868, quando o imperador centralizou o poder, extinguiu o regime feudal, tirou muitos dos privilégios dos samurais e país do sol nascente se abriu para o mundo.

O cristianismo havia sido levado ao Japão por Francisco Xavier (o mesmo que foi canonizado em 1622) em 1549, e sempre enfrentou grandes dificuldades com os senhores feudais locais, mas aos poucos foi se imiscuindo na fechadíssima (e xenófoba) sociedade japonesa de então.

O xogum Tokugawa tinha lá suas dúvidas e seu humor era bastante instável para com os missionários católicos.

Ao que tudo indica, Date Masamune não se converteu ao catolicismo, mas exerceu sua influência junto ao xogum para enviar uma missão à Europa, sendo que alguns estudiosos dizem que ele estava muito mais interessado num intercâmbio comercial e - sobretudo - tecnológico do que em matéria de fé.

A primeira missão diplomática à Europa, conhecida como Embaixada Tenshō (天正の使節) já havia visitado o Vaticano em 1585, costeando a Ásia e a África até chegar em Portugal.

A embaixada Keichō fez outro caminho, saindo do Japão em 28 de outubro de 1613 e se aventurando pelo Oceano Pacífico a bordo do galeão Date Maru (chamado de San Juan Bautista pelos espanhóis) até a então colônia do México, onde desembarcaram em Acapulco em 25 de janeiro de 1614.


Réplica do Date Maru em exposição em Ishinomaki, Japão

Em 10 de junho de 1614, Hasekura Tsunenaga e sua comitiva embarcaram em outro galeão espanhol e, passando por Cuba, tomaram outra embarcação até a Espanha, onde chegaram em 5 de outubro de 1614.

A embaixada japonesa só foi se encontrar com o rei Felipe III em 30 de janeiro de 1615, foram bem recebidos e o monarca ficou de pensar na proposta de acordo comercial com Date Masamune.

Passaram ainda pela França até chegar ao Vaticano em 3 de novembro de 1615, onde foram recebidos pelo papa Paulo V, que se comprometeu a enviar mais missionários ao Japão e também a intervir junto ao rei de Espanha para que os dois países chegassem a um acordo de comércio.

Os japoneses então retornaram para Madri, mas ao ali chegarem, receberam péssimas notícias vindas de sua terra natal, que eles haviam deixado mais de 2 anos antes.

Naquele meio-tempo, o xogum Tokugawa havia definitivamente mudado de opinião sobre os cristãos, e em janeiro de 1614 baniu os missionários católicos do Japão, o que levou a uma perseguição terrível contra aqueles que haviam se convertido à religião ocidental.

Oficialmente, o xogum já era seu filho, Tokugawa Hidetada (徳川 秀忠), mas - apesar de "aposentado" - quem mandava de fato era Ieyasu.

A partir de então, a embaixada de Tsunenaga estava condenada ao fracasso. Sem conseguir um tratado comercial com o rei de Espanha, ele ainda retornou ao México, voltando de lá ao Japão, onde encontrou um país completamente mudado pelo menos no que dizia respeito à tolerância religiosa.

O próprio Masamune havia banido o cristianismo de suas terras, em obediência ao decreto do xogum Tokugawa.

Muitos cristãos foram martirizados por não renunciarem à sua fé, outros tantos tiveram que praticá-la em segredo, e boa parte desse conturbado período pode ser lido no excelente livro "O Silêncio", de Shusaku Endo (Editora Planeta, 2011).

400 anos se passaram, muita coisa mudou, e hoje - 3 de novembro de 2015 - uma comitiva de católicos japoneses, liderada pelo bispo Tetsuo Hiraga, vai participar da tradicional audiência coletiva que o papa Francisco dá às quarta-feiras, relembrando a épica e infeliz jornada de 4 séculos atrás.

Entre eles estará Date Yasumune, da 18ª geração dos descendentes de Date Masamune, segundo relata o Vatican Insider.



segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O estranho caso das ninjas mórmons


Ah, Utah! Utah! com seus lindos desertos e montanhas, e aqueles motoristas mórmons doidos para ultrapassar o limite de 80 milhas/hora na I-15.

Ah, Salt Lake City, linda cidade com seu majestoso templo, sede mundial da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, também conhecidos como mórmons.

É cada coisa que acontece por ali...

A esquisitice da vez, verdadeira mesmo (devemos adiantar porque é difícil acreditar), aconteceu esta semana em West Jordan, região sul da área metropolitana de Salt Lake City, onde duas mulheres vestidas como ninjas invadiram uma casa para sequestrar uma garota de 15 anos, quando foram rendidas por um homem com uma espada samurai.

Todos mórmons!

A referência à religião não é gratuita ou jocosa, já que quase todo mundo nas redondezas é mórmon, mas necessária para se tentar entender o que aconteceu, algo que as próprias autoridades policiais locais estão tendo dificuldade em fazer.

As informações ainda não estão claras, mas, ao que tudo indica, as duas ninjas, que teriam 18 e 22 anos de idade, seriam esposas de um mórmon polígamo que está sendo acusado de abuso sexual da garota de 15 anos de idade que estava dentro da casa, e que nos próximos dias testemunhará em juízo contra o estuprador, que se encontra preso.

Tanto a família da adolescente como a polícia acreditam que as ninjas mórmons queriam sequestrá-la para evitar que ela depusesse contra o "marido" de ambas na Justiça.

As informações dão conta, ainda, que um dos homens que residem na casa atacada conseguiu subjugar as duas ninjas com o auxílio de uma espada samurai.

Essa misteriosa conjunção de ninjas invasoras esposas de polígamo com um espadachim samurai em território mórmon ocorreu na última sexta-feira, 19 de setembro de 2014, por volta das 4 horas da manhã.

Talvez alguns mórmons tiveram a ideia de montar a sua própria League of Legends, não é mesmo?

A propósito, as ninjas mórmons estão devidamente encarceradas.

Ah, Utah! Utah!

Apesar do insólito caso, não há como ficar com uma má imagem do Estado de Utah.

Por uma simples razão: é impossível não ficar boquiaberto com as suas muitas belezas naturais, como esta linda vista do Monument Valley na fronteira com o Arizona, que tive o prazer de fotografar:



Fontes: The Guardian e Fox News 13



domingo, 4 de novembro de 2012

Aprenda filosofia samurai com Fernando Alonso

A matéria foi publicada no UOL no dia 01/11/12:

Alonso se inspira na filosofia dos samurais para buscar o título na reta final

Não é à toa que Fernando Alonso tem uma enorme tatuagem de um samurai nas suas costas. O espanhol é um confesso admirador da cultura japonesa e se inspira nos ensinamentos orientais para buscar forças na reta final do Mundial de Fórmula 1.

Alonso está a 13 pontos do líder Sebastian Vettel, que assumiu a liderança do campeonato no GP da Coreia do Sul e desde então só aumentou a sua vantagem.

O espanhol sabe que a Ferrari não é um carro tão veloz quanto a Red Bull, e por isso busca apoio na filosofia dos samurais para continuar na briga.

O Twitter de Alonso ficou repleto de ensinamentos orientais a partir do momento em que o espanhol se viu em dificuldades no campeonato. Ele não vence desde julho, no GP da Alemanha. Desde então, seus seguidores puderam compartilhar da “filosofia de samurai” do piloto, como se vê nas frases a seguir.











quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Campinas oficializa o Dia do Samurai

Ora, se estão realizando até Congresso Brasileiro de Teologia na Flórida (EUA), ¿por que é que Campinas não pode ter o seu Dia do Samurai?, conforme a notícia abaixo, do site Cosmo On Line:

Câmara aprova lei que institui o Dia do Samurai

Vereadores de Campinas deram sinal verde por unanimidade à proposta do vereador Paulo Oya

A Câmara de Campinas aprovou ontem (22/2) à noite, por unanimidade, projeto de lei que cria o Dia do Samurai no calendário oficial do município. Se for sancionada pelo prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT), a proposta — de autoria do vereador Paulo Oya (PDT) — fará os campineiros reverenciarem os antigos guerreiros japoneses todo dia 24 de abril. Mas não consta, na história, que Campinas teve qualquer relação com os samurais, que reinaram durante oito séculos no Japão, a não ser com a arte das espadas praticada por eles e ensinada em algumas escolas de artes marciais da cidade.

A era dos samurais chegou ao fim em 1867 como uma das consequências da Revolução Menji, a sucessão de eventos que conduziu a uma profunda mudança nas estruturas política, econômica e social do Japão e fez a transição da sociedade feudal ao capitalismo.

O projeto de lei é do vereador Paulo Oya (PDT), filho de imigrantes japoneses das ilhas Ryu Kyu. Ele justifica a homenagem pela necessidade de falar da cultura samurai nesses anos em que a sociedade carece de tantos valores. “Durante quase um milênio, essa cultura influenciou profundamente o caráter, os valores e a cultura do povo japonês que tanto os brasileiros admiram”, disse.

Várias cidades brasileiras instituíram o Dia do Samurai em 24 de abril, como uma homenagem a Jorge Kishikawa, autor do livro Pensamentos de um Samurai Moderno (Shin Hagakure). Nascido em 24 de abril, Kishikawa foi um introdutor no Brasil do kobudô, a arte marcial dos samurais, e um dos principais difusores da cultura japonesa em São Paulo.

O vereador explica, no projeto, que as virtudes do samurai são justiça, coragem, benevolência, educação, sinceridade, honra e lealdade e tiveram origem no budismo, shintoísmo e confucionismo.

Os samurais ocupavam o mais alto status social enquanto existiu o governo militar nipônico denominado Shogunato. Eram pessoas treinadas desde pequenas para seguir o caminho do guerreiro. Se seu nome fosse desonrado, ele executaria o seppuku, porque acreditava que era preferível morrer com honra a viver sem ela. No seppuku, ele comete suicídio usando uma faca que enfia no estômago e puxa para cima.

No início, eram coletores de impostos e servidores civis do império. Depois, ganharam funções militares e, mais tarde, se tornaram uma casta, com o título passando de pai para filho, e tornaram-se burocratas aristocráticos. Na era Meiji, foram abolidos e um exército nacional ao estilo ocidental foi estabelecido no Japão. O legado samurai até hoje influencia a sociedade japonesa.

A Câmara também aprovou ontem projeto do vereador Arly de Lara Romêo (PSB) e outros parlamentares que institui no calendário de eventos do município a Semana do Taekwondo.

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