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domingo, 4 de setembro de 2016

Jogador de futebol americano dá atenção a garoto autista e comove as redes sociais


A matéria é da BBC Brasil:

Atleta causa comoção nos EUA ao não deixar menino autista almoçar sozinho

Uma cena comovente envolvendo um menino autista e um jogador de futebol dos Estados Unidos viralizou nas redes sociais.

Travis Rudolph, que joga como recebedor pela equipe da Universidade do Estado da Flórida, estava visitando uma escola na capital do Estado, Tallahassee, quando avistou Bo Paske comendo sozinho no refeitório na última terça-feira.

Rudolph decidiu sentar-se junto com ele. Uma amiga da mãe de Bo, Leah, registrou o momento e ela postou a foto nas redes sociais, onde foi compartilhada milhares de vezes.

"Naquele dia não tive de me preocupar se meu menino estava almoçando sozinho", disse ela.

"Ele (Bo) estava sentado em frente a alguém considerado um herói por muita gente. Muito obrigada, Travis Rudolph, você me deixou extremamente feliz, e nos tornou seus fãs pela vida inteira!", escreveu ela no Facebook.



Leah também se lembrou de seu passado difícil na escola e como ela se preocupa com Bo.

"Algumas vezes, sou grata pelo autismo dele. Isso pode soar como algo terrível de se dizer, mas de certa forma penso, espero eu, que o autismo o protege", afirmou ela.

"Bo não parece perceber quando as pessoas olham fixamente para ele quando ele bate as mãos. Ele não parece perceber quando não é mais convidado para festas de aniversário. E não parece se importar se almoça sozinho".

Segundo Leah, a foto e o depoimento tiveram um "impacto imenso".

O pequeno gesto de gentileza foi noticiado por jornais locais e nacionais dos Estados Unidos. Rudolph, um dos vários jogadores a terem visitado a escola naquele dia, disse que não esperava tamanha reação.

"Tivemos uma ótima conversa. Ele puxou assunto, dizendo que seu nome era Bo, falou o quanto ele gosta do meu time (Florida State)", recordou Rudolph.

"Eu só queria dizer oi a ele, porque o vi comendo sozinho. Tudo correu bem. Ele tinha um belo sorriso em seu rosto. É uma pessoa bem acolhedora. Nem sabia que alguém tiraria uma foto disso", acrescentou. "Fico feliz que isso possa ter ajudado outras pessoas, tornando-as mais conscientes sobre o autismo".

Bo também ficou entusiasmado com a atenção que recebeu. "Tem sido incrível. Todo mundo ficou orgulhoso de mim", disse ele.

Travis Rudolph, o cara!




domingo, 6 de dezembro de 2015

Sim, é possível ser feliz sozinho

É o que diz matéria publicada na revista Galileu:

Tom Jobim estava errado: é possível ser feliz sozinho, diz estudo

Pessoas que evitam conflitos são mais felizes fora de relacionamentos

MARÍLIA MARASCIULO

Ao contrário do que cantou Tom Jobim, aparentemente é possível, sim, ser feliz sozinho — e isso quem diz é um estudo da Universidade de Auck­land, não algum sucesso qualquer de funk ou pagode. Feita com neozelandeses de 18 a 94 anos, a pesquisa revelou que, diferentemente das pessoas que buscam intimidade, aquelas que preferem evitar conflitos são mais felizes solteiras, independentemente do gênero ou do período da vida em que se encontram.

Até agora, estudos sobre relacionamentos costumavam indicar que os comprometidos são ligeiramente mais felizes e saudáveis que os solteiros. A lógica parece simples: o apoio de um parceiro ajudaria a lidar com o estresse cotidiano, o que provocaria maior sensação de bem-estar. “Mas mesmo as melhores relações podem ser difíceis e expor o indivíduo a mágoas e decepções”, explica a autora do estudo, a psicóloga Yuthika Girme. Em alguns casos, são motivo inclusive de ansiedade e depressão. E, para certas pessoas, passar por isso simplesmente não vale a pena.

Segundo a psicóloga, existem duas maneiras de construir relacionamentos: buscando intimidade ou evitando conflitos. Enquanto pessoas do primeiro grupo buscam oportunidades de tornar os vínculos mais intensos e se sentem mais satisfeitas quando estão comprometidas, aquelas que preferem evitar desentendimentos ou brigas costumam ser mais felizes solteiras.

Em contrapartida, explica a autora, estar solteiro aumenta a possibilidade de melhorar a relação com parentes e amigos e de dedicar-se a hobbies, à carreira e a outras atividades que podem proporcionar bem-estar. “Embora ainda exista pressão para você namorar ou casar, a solteirice está se tornando cada vez mais comum e nem sempre é sinônimo de insatisfação ou tristeza”, diz Girme.



sábado, 15 de agosto de 2015

É possível sobreviver sem televisão?


Bruno Maciel diz que sim, no Brasil Post:

Como sobrevivi a 18 meses sem televisão

Muito bem, para falar a verdade. Depois que o Martin nasceu, a TV virou um caro objeto de decoração, com direito a taxa mensal de manutenção: TV a cabo, que, no nosso caso, era praticamente dinheiro jogado no lixo.

Quando Melissa e eu falamos isso para alguns amigos, percebemos que alguns nem acreditam. Devem achar que somos afetados por algum tipo de pedantismo contagioso. Fico pensando "Será que eles acham que somos metidos a intelectuais?" A verdade é que ficamos "boiando" quando o assunto é alguma série estrangeira de sucesso, ou mesmo uma novela ou o Big Brother. Não há nenhuma razão específica para isso. Não foi uma decisão forçada. Não sei bem o porquê, mas acho sem graça (quase) tudo que passa na TV.

Nem sempre foi assim. Lembro-me do tempo (parece até que foi em outra vida) em que sabia os nomes dos personagens da novela das oito, e não me irritava com a voz do apresentador dominical. Acho que fomos geneticamente programados para nos acostumar com o ambiente a nossa volta, mesmo quando ele é hostil. Já me aconteceu de chegar num hotel, depois de uma viagem a um lugar desconhecido, e ficar meio preocupado com as redondezas. Depois de um único dia, já estava "acostumado" e conseguia sair para dar uma volta. Com televisão, deve ser parecido. A gente acaba se habituando aos excessos, ao sensacionalismo, às vozes estridentes, comerciais abusivos, noticiários com histórias distorcidas e mal contadas. É comum sairmos de um ambiente qualquer, um restaurante, por exemplo, e nos percebermos gritando um com o outro... era a televisão que estava a todo volume e nem tínhamos nos dado conta de que nossa conversa acontecia aos berros.

Pare para pensar um minuto: do ponto de vista das emissoras, que são empresas que buscam gerar lucro, somos todos apenas consumidores. Tudo o que é produzido tem um objetivo: vender nossa atenção aos anunciantes. Além disso, olha que curioso, descobri que um livro infantil tem um vocabulário mais amplo do que um programa de TV (para adultos!) no horário nobre. A TV invade seu espaço e escolhe, da maneira mais conveniente ($$), o que você deve assistir. Segundo o poeta inglês T.S. Eliot, "a característica mais marcante da televisão é que ela permite milhões de pessoas rirem ao mesmo tempo e ainda se sentirem sozinhas". Verdade ou mentira?!

Acredito que nossa mudança de vida tem algo a ver com a ausência da TV em nosso cotidiano. A internet ocupou um pouco desse espaço. Ali, você escolhe o quê e, sobretudo, a fonte. Isso faz uma diferença enorme naquilo que você pensa sobre o mundo a sua volta. Mas o espaço deixado pela TV também foi ocupado por leitura e, sobretudo, muitas conversas noturnas sobre ideias e planos. Foi ocupado até pelo silêncio, de vez em quando. Acreditem, silêncio não faz mal a ninguém.

Quando era criança, assistia filmes do Bruce Lee, e saía na rua pronto para me defender de qualquer mau elemento que me olhasse torto (Não preciso dizer que nunca quebrei uma unha em briga de rua). Hoje, quando assisto a dois ou três "TED Talks", saio por aí com vontade de mudar o mundo...

E você? Sentiria falta da sua televisão em casa? O que seria diferente em você se ela não estivesse lá? Como você veria o mundo à sua volta?

Bruno largou tudo, foi morar no Uruguai como a Melissa e o Martin, e criou o Blog Vida Borbulhante. Quer ter uma vida mais plena e interessante? Passe lá para conhecer. Curta o Blog no Facebook.



domingo, 19 de abril de 2015

A sabedoria de Einstein, 60 anos depois de sua morte


Artigo interessante publicado no Brasil Post:

60 anos da morte de Albert Einstein: 6 frases inspiradoras do maior cientista da história

Ione Aguiar

"Amável", "nobre" e "são". Estas são algumas das palavras usadas para descrever Albert Einstein no obituário que estampou as páginas do New York Times em 19 de abril de 1955.

Neste sábado (19), faz 60 anos que Einstein morreu aos 76 anos, deixando para trás um mundo muito, mas muito diferente de quando nasceu.

O sentido do espaço e do tempo foi completamente demolido com sua Teoria da Relatividade. E duas bomba atômicas, consequências infelizes de sua genialidade, comprovaram até onde pode ir irracionalidade humana.

É consenso em suas várias biografias que Einstein foi um pacifista, dotado de agudo senso de justiça e de tolerância.

O Brasil Post reuniu algumas de suas frases, que provam que Einstein era muito mais do que um grande cientista. Era um homem fascinante.

1. Sobre o maravilhamento

"A mais linda experiência que podemos ter é o misterioso. É a emoção fundamental, berço da verdadeira arte e da verdadeira ciência. Quem quer que não a conheça e já não possa imaginar ou se maravilhar, está morto."

2. Sobre o senso comum

"Senso comum não é nada mais do que um depósito de preconceitos colocados na mente antes de fazermos dezoito anos"

3. Sobre o sucesso

"Se A é sucesso na vida, então A é igual a X mais Y mais Z. X é trabalho. Y é diversão, e Z é manter sua boca fechada!"

4. Sobre a paixão

"Nada realmente valioso nasce da ambição ou do mero senso de dever. Só surge do amor e da devoção pelos homens"

5. Sobre o nacionalismo

"Nacionalismo é uma doença infantil. É o sarampo da raça humana."

6. Sobre a solidão

"Meu apaixonado senso de responsabilidade social sempre contrastou com minha pronunciada ausência de necessidade de contato direto com outros humanos. Eu sou realmente um 'viajante solitário' e nunca pertenci a meu país, meu lar, meus amigos ou mesmo à minha família com todo meu coração. Mesmo com todos estes laços, nunca perdi a necessidade de estar sozinho".



sábado, 4 de outubro de 2014

Como você pode ajudar quem sofre de depressão?


Ótimas dicas para quem quer (e pode) ser solidário nesses momentos difíceis para alguém querido, segundo o Brasil Post:

7 coisas que você pode dizer 
para quem sofre de depressão

Lindsay Holmes

A depressão pode ser uma batalha monstruosa e massacrante. Ela cobra um alto preço emocional e físico. É uma doença que carrega estigma. Mas talvez uma das maiores dificuldades para quem sofre de depressão seja a sensação de que ninguém mais no mundo possa realmente entender o que você está passando.

Essa sensação de isolamento oferece uma das maiores oportunidades de ajuda, explica Gregory Dalack, responsável pelo departamento de psiquiatria da Universidade de Michigan.

“A chave é a pessoa [deprimida] saber que você entende que ela está doente”, diz ele ao The Huffington Post. “Muita gente vê a depressão como uma espécie de falha de caráter. É importante mostrar para quem está deprimido que você sabe que se trata de uma doença que precisa de tratamento.”

A verdade é que não é fácil lutar contra a depressão – mas você não precisa sofrer da doença para consolar quem sofre dela. Se você quer ajudar quem tem depressão mas não sabe exatamente o que dizer, especialistas em saúde mental oferecem as sete sugestões abaixo – e explicam por que esse tipo de frase ajuda.

“Estou aqui.”

Pequenos gestos podem significar muito, diz Dalack. Dizer que você está à disposição – e demonstrá-lo – ajuda mais do que você imagina. “É preciso refletir um pouco para dar apoio”, diz Dalack. “Familiares, amigos e parceiros têm dar apoio sem fazer críticas – mesmo que seja simplesmente ajudando a marcar uma consulta, a tomar remédios ou a manter a rotina.”



“Você não está sozinho.”

Estar deprimido parece dirigir um carro sozinho num túnel escuro. É importante que as pessoas queridas deixem claro para quem sofre da doença que elas não têm de passar por isso sozinhas, diz Adam Kaplin, professor associado dos departamentos de psiquiatria e neurologia da Universidade Johns Hopkins.

“Pode parecer uma desolação terrível”, diz Kaplin. “É importante lembrar [os doentes] de que as sensações são temporárias e que você está lá para eles. Diga: ‘somos nós dois contra a depressão, e vamos ganhar’.”

“Não é culpa sua.”

Lembrar as pessoas queridas que elas não têm culpa por estarem deprimidas é crucial no processo de cura, diz Dalack. “Às vezes, pessoas que sofrem da doença acham que há algo errado com elas”, explica ele. “Quando você está gripado, não lembra como é estar bem. Quando seu cérebro é o alvo principal da doença, é ainda mais difícil. Sua cabeça é afetada junto com seu corpo – mas você acha que é culpa sua. É importante deixar claro que você entende que a depressão é uma doença, assim como a gripe é uma doença.”

Para aqueles que não entendem as nuances complicadas da depressão, pode parecer lógico pedir para alguém “segurar a onda” ou perguntar qual o motivo de tanta tristeza. Mas frases assim sugerem que a depressão foi uma escolha, diz Dalack.

“Isso dá a entender que a pessoa está fazendo alguma coisa para ficar deprimida”, diz ele. “Não se trata de uma escolha, assim como não é uma escolha pegar uma gripe. Você não pediu para ficar gripado e não vai se curar só com a força do pensamento. Se não pensarmos da mesma maneira sobre a depressão, maiores as chances de que as pessoas se vitimem.”

“Eu vou com você.”

Isso vale para consultas com o terapeuta, com médicos ou até mesmo para ir à farmácia. “Não existe cura do dia para a noite, mas estar presente ajuda muito no tratamento”, diz Dalack. “A única coisa mais difícil do que incentivar alguém a se tratar é garantir que a pessoa complete o tratamento. Oferecer companhia significa apoio, indica que é uma doença tratável e que não vai embora sozinha.”



“O que eu posso fazer por você?”

Outra maneira de dar apoio é fazer algo concreto, diz Kaplin. Sair para uma caminhada ou simplesmente fazer companhia em casa – você sinaliza de que está à disposição para os momentos difíceis. Isso também indica uma rotina diária normal.

“É importante incentivar as pessoas que sofrem de depressão a se manter ocupadas para que o equilíbrio do dia-a-dia não seja comprometido”, diz ele. “Isso inclui uma rotina de sono, de alimentação, de exercícios físicos e de socialização. Parece simples, mas é crítico.”



“Em que você está pensando?”

Kaplin também reforça a importância de manter contato frequente com as pessoas queridas enquanto elas lutam contra a doença. Isso inclui discutir eventuais pensamentos suicidas, por mais desconfortável que seja.

“Não tenha medo de perguntar o que os doentes estão pensando”, diz Kaplin. “A depressão pode ser uma doença fatal. O silêncio é uma grave ameaça para essas pessoas. Fazer perguntas não vai piorar o estado de ninguém – não perguntar representa o risco de deixar de saber algo terrível.”

Mas como abordar o assunto dos pensamentos suicidas? Kaplin diz que a compaixão é o melhor caminho. “Você precisa normalizar os pensamentos, mas estigmatizar o comportamento”, diz ele. “Explicar que é normal ter esse tipo de pensamento quando se está deprimido, mas que o suicídio por causa desse tipo de pensamento não deve ser uma opção.”



Nada.

Às vezes, só a sua presença pode ser apoio suficiente para quem está lutando contra a depressão, diz Kaplin. Você acha que é um pequeno ato, mas na verdade pode ser um grande gesto.

“Um componente importante da ajuda é simplesmente aparecer”, diz ele. “Atos e palavras são igualmente importantes. A pessoa sabe que você não desistiu. Mostra que você está presente.”






domingo, 3 de agosto de 2014

O menino-passarinho de Higienópolis

Artigo maravilhosamente escrito por Vivian Codogno, desses que fazem a gente acreditar que o bom jornalismo não morreu e trazem múltiplas reflexões sobre a condição humana em seus mais variados (e controversos) matizes, publicado no Estadão de 01/08/14:

'Menino-passarinho' intriga moradores de Higienópolis

Há uma semana, adolescente vive sobre uma árvore no bairro da região central de SP; abordagem da PM fez garoto desmontar abrigo

SÃO PAULO - A Rua Veiga Filho, em Higienópolis, bairro nobre da região central de São Paulo, recebeu nesta semana um morador inusitado. Há seis dias, Pedro (nome fictício) se abrigou em cima de uma árvore na altura do número 105 e passou a fazer parte da paisagem de quem transita por aquela rua. Com 16 anos, negro, sem documentos e sem família, o garoto relata a epopeia de como saiu de Cachoeiras de Macacu, município próximo a Nova Friburgo (RJ), e chegou até seu novo ninho depois da morte do pai e do sumiço da mãe. Ele conta que se escondeu entre a carga de um caminhão-cegonha e aportou em São Paulo.

Na bagagem, Pedro carrega uma almofada, um edredon e uma sacola com uma blusa e uma calça jeans. Também leva a "Enciclopédia prática da mágica e do ilusionismo", que diz não se lembrar onde encontrou. Seu sonho é ser mágico, "daqueles de baralho", mas como não sabe ler, espera alguém que possa lhe ensinar alguns truques.

A casa não era mais que alguns tapumes apoiados nos galhos, que serviam como base para que ele pudesse se deitar na hora de dormir. Esse abrigo precisou ser desmontado depois de uma abordagem da Polícia Militar, acionada pela terceira vez por alguns moradores do Edifício Santa Emília, prédio logo à frente da árvore. Os policiais aconselharam o garoto a retirar suas coisas e sair daquela rua. Como se recusou, foi agredido por moradores do bairro que assistiam a cena. Fugiu e só retornou no dia seguinte, bastante assustado.

O aposentado Luis Inácio Pio de Almeida, condômino do Edifício Santa Emília, incomoda-se com a presença de Pedro nos arredores. Para ele, além de correr risco ao viver sobre uma árvore, o garoto pode ser uma ameaça aos moradores. "Ele ainda não teve uma atitude violenta, mas não o conhecemos. Já sugeri até que derrubem a árvore para ver se ele vai embora, pois ele se instalou aqui e não sai mais", esbraveja de dentro da grade do prédio.

A síndica do condomínio, Maria Nilza Dupas, tenta outras maneiras para conseguir com órgãos públicos um local adequado para Pedro. Ao notar o movimento causado pela reportagem, Maria Nilza se aproxima. "Não é apenas a nós que esse caso está atingindo.Tem muito movimento aqui por causa do shopping. Não existe preconceito em relação a ele, o problema é a atitude que ele tem. A rua é uma sedução para estas pessoas", diz a síndica. Para ela, o garoto não é "caso de Febem (atual Fundação Casa)", mas é preciso encontrar uma solução em abrigos para moradores em situação de rua.

Adoção. A fama de Pedro se espalhou tão rápido pelos arredores que as especulações sobre a sua história não demoraram a aparecer. Alguns dizem que já o ouviram falar em francês e em espanhol, outros acreditavam, no início, tratar-se de um haitiano desabrigado. E com as histórias que conta, o menino passarinho colabora com sua existência lendária. "De onde eu venho todo mundo vive em árvores, moça. E eu já morei em outra dessas no fim da rua. Escolhi esta aqui porque testei e nela foi mais fácil colocar minha coisas. Mas depois do que aconteceu ontem não subo mais aí não", conta Pedro com a sobrancelha franzida, esbanjando desconfiança.

"Eu quero ser adotado, moça. Quero ser filho da dona Dulce", conta o garoto logo após acordar, ainda coberto pelo edredon rasgado, escondendo o rosto da claridade do sol. Pedro se refere a outra moradora do Santa Emília, a aposentada Dulce Santucci, que logo chega oferecendo uma maçã para ele. "Se eu não estivesse com 80 anos, adotaria mesmo. Como meu filho morreu, até pensei em dar os documentos dele para o Pedro, já que ele não tem, mas não daria certo, né? Uma pena, meu sobrenome é tão bonito".

Outra 'mãe postiça' que Pedro conquistou desde que chegou à Rua Veiga Filho é a psicóloga e terapeuta Luciana Sodré Cardoso. Também moradora do número 105 da rua, ela se sensibilizou com a história do garoto e tem tentado, a cada dia, estabelecer um vínculo de confiança com Pedro, para que ele possa ser encaminhado para um órgão de proteção.

"Ele é uma criança, e sempre se apresentou muito honesto, muito amoroso. As violências que ele tem sofrido nos últimos dias podem o ter deixado um pouco arredio, mas ele é sempre muito alegre. Se continuar sendo maltratado, pode virar um delinquente", defende Luciana. "Ele não quer sair daqui porque se sente protegido. Eu tenho sido um apoio para ele. Eu olho nos olhos, toco, o trato como uma pessoa."

Para a terapeuta, é importante que a autonomia de Pedro seja preservada e que ele seja convencido a sair da árvore, não removido à força. Por isso, Luciana tem chamado amigos com algum envolvimento em movimentos sociais para se aproximar do menino, além de acionar diariamente ONGs de apoio a crianças em situação de rua. Porém, a forma legal de tirar Pedro da rua é acionando o Conselho Tutelar e, de acordo com Luciana, suas solicitações em relação ao órgão não foram atendidas.

Enquanto isso, o garoto afirma que gostou daquela rua e vai ficar por ali. "Essa rua é bonita, gostei daqui. Mas quero uma família, e uma casa, não importa como seja." Durante a conversa, Pedro ganhou diversas coisas de pessoas que passavam na região: metade de um sanduíche, suco de frutas, algumas esfirras e duas garrafas de refrigerante pela metade. Ao se despedir, ele estica o braço, entrega uma das garrafas e diz: "pode levar essa, moça, uma só já dá pra mim".

Trâmites. Consultada, a Polícia Militar não quis dar esclarecimentos sobre a abordagem da noite de quinta-feira, que levou Pedro a abandonar sua casa na árvore. O Conselho Tutelar não soube informar sobre o andamento das solicitações de Luciana e informou que a forma mais eficiente de chegar a um menor em situação de rua é acionando o Centro de Referência Especializado de Assistência Social para População em Situação de Rua (Creas-Pop). Indagado, o órgão afirma que procurou por Pedro durante a tarde mas não o encontrou no endereço indicado.



quinta-feira, 8 de maio de 2014

O homem que quer se casar com seu computador cheio de pornografia


É... tem louco para tudo neste mundo, segundo noticia o Planeta Bizarro do G1:

Homem entra na justiça para se casar com notebook repleto de pornografia

Chris Sevier entrou com pedido de união no estado de Utah, nos EUA.br/<> Americano afirma que casamento com máquina é de 'menor risco'.

O americano Chris Sevier entrou com um processo na justiça da Flórida, nos EUA, para que possa oficialmente se casar com seu computador repleto de pornografia, a quem chama de “esposo máquina”.

De acordo com o site de notícias “Sky News”, Sevier alega que foi discriminado no estado de Utah, alegando que apresentou um pedido de casamento com sua máquina, mas que teve a licença negada pelo funcionário.

“Meu objeto de afeição estaria fora do escopo de definição de parceiro”, lamentou Sevier. “Meu casamento com a máquina é de menor risco, já que a possibilidade de um divórcio litigioso seria evitado, caso a união não desse certo”, argumentou o americano.

A moção, de mais de 50 páginas, foi levada a uma corte de apelação no estado, e não foi o primeiro processo polêmico em que Chris teria se envolvido. Em 2013, Sevier processou a Apple alegando que a empresa teria falhado em colocar um “dispositivo de segurança” no notebook (o mesmo com que deseja se casar), o que teria tornado o homem viciado em pornografia, ao ponto de deixar de se envolver com mulheres.

Desde então, o americano teria "se relacionado" com o computador, e preenchido a máquina com grandes quantidades de material pornográfico.



sábado, 22 de março de 2014

Solidão acompanhada

Artigo perturbador de Sergio Augusto para o Estadão de 15/03/14:

Ciberescapismo

Viciados no Facebook, Twitter e serviços afins vivem como zumbis, almas penadas do limbo digital em busca de uma saída distanciada, clean, para sua solidão

À saída de uma sessão vespertina de Ela, uma senhora pergunta à amiga se aquilo que acabaram de ver poderia acontecer de verdade. "Sei lá", respondeu a outra, "mas quando acontecer, não estaremos mais aqui pra ver." Resposta sensata. Primeiro porque ninguém sabe ao certo se a tecnologia digital atingirá aquele grau de sofisticação mostrado no filme de Spike Jonze. Segundo porque as duas senhoras certamente há muito terão morrido quando os smartphones e computadores puderem oferecer um serviço de interação online como o do filme.

Aos que ainda não viram Ela e nada leram a respeito, resumo: é uma delicada, melancólica e inquietante comédia ciber-romântica na qual um recém-separado de carne e osso, Theodore (Joaquin Phoenix), apaixona-se pela voz e o jeito de falar de um sistema operacional chamado Samantha. Ela não é um autômato como os replicantes de Blade Runner e Gigolo Joe, o edipiano robô humanoide encarnado por Jude Law em A. I., Inteligência Artificial, mas um programa de computador que conversa e interage com o usuário, algo como uma extensão do aplicativo Siri, a assistente pessoal inteligente do iOS da Apple, só que "humanamente" inteligente e sensível. Além de sexy. Até um software vira um tesão com a voz de Scarlett Johansson.

Li em algum lugar que daqui a 30, 40 anos haverá um aplicativo como Samantha ao alcance de todos nós. Se for um quebra-galho full time e onipresente, uma super-Siri, com respostas e recomendações para tudo, beleza. Se uma vampe virtual, uma app-fatale capaz de virar a cabeça de clientes solitários e carentes como o Theodore de Ela, babau. Que não chegue a tal extremo a distopia da Singularidade (ou o momento hipotético em que a inteligência artificial irá superar a inteligência humana), até por ser grande o risco de a NSA, ciente da onisciência do aplicativo, com total acesso aos dados, e-mails e demais segredos de sua freguesia, transformá-lo numa Mata Hari. Como se já não bastassem as coletas de dados dos internautas repassados pelas plataformas de mídia social e aplicativos a empresas e anunciantes.

O filme se passa numa época indefinida, numa Los Angeles asséptica e high tech, com visual de Xangai (onde as externas foram rodadas), justo o oposto da Los Angeles de Blade Runner, que era uma versão degradada de Tóquio, com detalhes maias em sua regressiva arquitetura. Essa concepção de Xangai como protótipo da metrópole do futuro pode sugerir uma visão prospectiva menos sombria, menos pessimista, que a dos autores de Blade Runner, mas a perspectiva de um mundo onde seres humanos inteligentes e sensíveis como Theodore caiam de quatro por vozes movidas a algoritmos não deveria empolgar nem os mais fanáticos apologistas da cibercultura.

Se Samantha é um avatar avançado de Siri, Theodore em nada difere dos cibernautas do presente que vivem vicariamente num mundo à parte, como almas penadas do limbo digital em busca de uma saída distanciada, clean, para sua solidão. São zumbis, e não apenas usuários, das mídias sociais, viciados no Facebook, no Twitter e serviços afins. Diversos estudos recentes, e não tão recentes, sobre os efeitos negativos da convivência virtual revelam dados preocupantes. Conclusão unânime: quanto mais vazia nossa vida pessoal, maior a tendência para preenchê-la na realidade virtual. Quanto mais ocupados e ativos, menos nos deixamos seduzir pelo ciberescapismo.

Permanecer muito tempo nas redes sociais pode provocar insônia, ansiedade, estresse, distúrbios digestivos (revelação da última edição do Journal of Eating Disorders), anorexia, afetar a autoestima, incitar a inveja e o ciúme. A psicoterapeuta Sherri Campbell defende essa tese com ardor: "As mídias sociais nos dão um falso sentimento comunitário, uma falsa conectividade com o mundo e as pessoas. As trocas que nelas se processam são meros simulacros das relações interpessoais no mundo físico. Milhares de contatos, amigos, seguidores e curtições não valem o sucesso real, palpável, que podemos desfrutar no mundo real".

Apesar de ter um pezinho na autoajuda, Sherri Campbell fala com a autoridade de quem há tempos se dedica a pesquisar os motivos que levam as pessoas a sobrepor suas relações nas redes sociais às da realidade concreta.

Metade dos imoderados usuários do Facebook e do Twitter que ela entrevistou admitiu ter ficado, com o passar do tempo, mais ansiosa, frustrada e insatisfeita. Nas mídias sociais a vida dos outros parece perfeita e isso pode nos deixar complexados e deprimidos, ainda que o que os outros nos mostram seja apenas um instantâneo da realidade, eventualmente edulcorada, falsificada, "porque também produto de um complexo de inferioridade", acrescenta a psicoterapeuta, que, a exemplo de Christopher Carpenter, autor de Narcissism on Facebook (Narcisismo no Facebook), oferece duas alternativas aos acometidos de compulsão tecnológica: uma clínica de reabilitação (sem acesso à internet) e uma terapêutica reconexão ao mundo real, com frequentes tête-à-tête com amigos e parentes. Foi o que Theodore, o cibermissivista apaixonado de Ela, compulsoriamente fez.



sábado, 22 de fevereiro de 2014

Solidão mata mais que obesidade


Artigo de Carol Castro para o Superinteressante:

Solidão mata mais que obesidade

Um pouco de solidão faz bem: deixa você até mais criativo. Mas vê se não abusa do tempo longe dos amigos e familiares. Ficar muito tempo na solidão é mais perigoso que a obesidade.

Tão perigoso que mata até duas vezes mais, segundo pesquisa do psicólogo John Cacioppo, da Universidade de Chicago. Ele acompanhou, ao longo de seis anos, o impacto da solidão na saúde de mais de 2 mil pessoas com mais de 50 anos. E percebeu que os mais solitários correm mais riscos de morrer do que quem se sente amado e querido.

É que a solidão eleva a pressão arterial a níveis perigosos: perto da zona de perigo de ataques cardíacos e derrames. Além disso, o isolamento pode enfraquecer seu sistema imunológico, deixar você depressivo, e piorar a qualidade do seu sono. Pois é, a ausência de amigos faz você perder até o sono.

Segundo Cacioppo, quando nos sentimos isolados ficamos mais atentos a qualquer ameaça e por isso acordamos com qualquer barulhinho.

Viu só que perigo?



sexta-feira, 26 de abril de 2013

Vivendo com fé e paralisia cerebral


Conheça Roger Flournoy Junior. Ele tem paralisia cerebral e mora em Austin, no Texas. No vídeo abaixo, ele fala sobre as dificuldades que enfrenta no seu dia-a-dia e como a fé em Jesus Cristo lhe faz encontrar sentido na vida. A tradução das legendas em inglês está logo a seguir:



Eu tenho paralisia cerebral.

Viver com paralisia cerebral definitivamente não é algo fácil.

Um monte de pessoas não entendem o que é paralisia cerebral e eles me tratam diferente.

Um monte de gente inclusive tem medo de mim ou se sentem muito desconfortáveis ao meu lado.

E isto me machuca porque eu quero ser amigo de todo mundo.

E eu não posso evitar o fato de que tenho paralisia cerebral.

O meu nome é Roger Flournoy Jr. e eu moro no centro de Austin (Texas).

Viva os “longhorns” (como são conhecidos os atletas de diferentes esportes da Universidade do Texas que fica em Austin).

Algumas das lutas que eu enfrento com a paralisia cerebral é que eu tenho que fazer coisas que uma pessoa normal nunca vai ter que fazer, como engatinhar no carpete todo dia, algumas vezes ele fica grudado em mim.

Eu utilizo um computador com um aparelho que se chama “head pointer” e eu digito no teclado como se estivesse catando milho.

Eu me locomovo pela cidade com uma cadeira de rodas elétrica. Ele me permite ter liberdade de me locomover por minha própria conta.v A pior coisa é a solidão.

Eu me transformo no meu pior inimigo quando me deixo sentir solidão.

Mas Jesus significa tudo para mim.

Sem Jesus eu sei que já teria cometido suicídio, porque viver sem Jesus não vale a pena.

Tempos difíceis aparecem todos os dias. Na maioria das vezes eu tento nocauteá-los porque o evangelho mudou a minha vida de uma maneira maravilhosa que eu nunca conseguirei entender em sua plenitude.

A adoração é a minha vida.

Deus me criou para adorar.

Jesus pagou o máximo preço e se eu não adorá-lo totalmente é como se eu não agradecesse por Ele ter morrido por mim.

E isto é tão poderoso.

Um dia eu estarei na eternidade com Deus.



quarta-feira, 28 de novembro de 2012

12 dicas para quem cuida de pessoas em estado terminal

Alguns dias atrás, divulgamos aqui a notícia da americana que ficou 42 anos em coma, sendo cuidada pela mãe até a morte desta, e depois pela irmã.

Todas as pessoas que, de alguma forma, se veem na condição de ter que cuidar de outras pessoas debilitadas em razão de alguma enfermidade ou acidente, sabem como é difícil se desincumbir de tamanha responsabilidade sem causar dano a si próprias.

Isso se dá, principalmente, porque as pessoas cuidadoras – além do alto nível de stress envolvido - sacrificam boa parte das suas próprias necessidades em prol da pessoa que está sob seus cuidados.

Pesquisa da Universidade de Yale revela que cerca de 1/3 dos cuidadores de seres amados em estado terminal sofrem de depressão. Aproximadamente ¼ deles se encaixam nos critérios clínicos estabelecidos para o diagnóstico de ansiedade.

Já 41% dos cuidadores de um cônjuge com mal de Alzheimer ou outra forma de demência passam por uma severa depressão em até 3 anos depois da morte daquele(a) que cuidavam.

Analisando essa situação, o site World of Psychology trouxe 12 recomendações aos cuidadores para protegê-los da ansiedade e da depressão e fortalecer a sua saúde mental enquanto cuidam de um parente.

Como são bastante relevantes, relembrando situações que já enfrentei pessoalmente com meu pai e minha avó, decidi traduzi-las em parte e adaptá-las àquilo que eu próprio vivenciei. São elas:

1) Reconheça que o problema existe

Não tente fingir que você não está cansado, ou que cuidar de alguém é padecer no paraíso. Seja honesto a respeito dos seus próprios sentimentos.

Isto significa que você não deve suprimir as suas emoções reais em troca de um pensamento positivo imaginário, por mais real que seja o seu sacrifício.

Um estudo da revista Psychological Science revelou que pessoas com baixa autoestima que, mesmo contra todas as evidências, insistem em forçar um pensamento positivo de que seu esforço é reconhecido, terminam rancorosas e com autoestima mais baixa de quando entraram no processo.

É melhor reconhecer para si mesmo, de preferência em voz alta e com as palavras mais cruas possíveis, o quanto essa situação é extremamente injusta, desagradável e desgastante.

2) Eduque-se

Procure se informar sobre as reais condições da pessoa amada e quais são os tratamentos, as terapias e as intercorrências possíveis.

Fazendo isso, você não será surpreendido nem se assustará quando situações anômalas ocorrerem. Consequentemente, o seu choque será menor.

Tanto quanto possível, procure inclusive treinamento adequado à situação que você enfrenta.

Isto não eliminará as surpresas pelo caminho, mas fará com que você, além de enfrentá-las de maneira proativa, tenha uma perspectiva do que ocorrerá com a pessoa sob seus cuidados no prazo de um mês ou um ano, por exemplo. Assim, poderá programar melhor a sua própria vida.

3) Coloque a sua máscara de oxigênio

Lembra-se daquela recomendação de rotina no inicio dos voos, “máscaras de oxigênio cairão do compartimento acima; coloque a sua primeiro para depois colocar a das crianças”?

Isto quer dizer que cuidar de você mesmo primeiro é tão ou mais importante do que cuidar da pessoa amada em necessidade.

A lição vale para tudo na vida: você só terá condição de cuidar dos outros se estiver bem em primeiro lugar.

Pesquisa do Journal of the American Medical Association revelou que cuidadores mais velhos (do que aqueles de quem cuidam) que estão super estressados têm o seu próprio risco de morte aumentado em 63% em comparação com aqueles cuidadores que sabem administrar o seu stress.

4) Programe uma folga

Estabeleça um período diário de cerca de meia-hora para dedicar-se única e exclusivamente a você, sem pensar em nenhum outro problema de quem quer que seja.

Isto não significa que você deva tirar uns 15 minutos enquanto a sopinha não fica pronta, ou na leitura daquele material entediante sobre a enfermidade que a pessoa querida sofre.

Significa – sim – que durante este pequeno período dedicado a você mesmo, as tarefas diárias e as necessidades de nenhuma pessoa neste mundo ocuparão a sua mente.

Isto não é egoísmo, é relaxamento essencial para a sua saúde física e emocional.

5) Rotule a sua culpa

É inevitável que você se cubra de “culpas” (geralmente imaginárias) ao longo do período em que cuida da pessoa amada, seja direcionada a ela ou aos seus afazeres e relacionamentos deixados de lado.

Procure, entretanto, classificar essas “culpas” em verdadeiras ou mentirosas, em benéficas ou não, se te ajudam a prosseguir ou se te paralisam e te afundam no poço da depressão.

Desta forma, pensamentos mórbidos sobre as suas habilidades como cuidador(a) devem ser rejeitadas e descartadas de imediato.

Já novas ideias sobre como melhorar o seu desempenho podem ser eventualmente rotuladas como “benéficas” e trabalhadas a seu devido tempo.

6) Organize-se

De certa forma, cuidar de pessoas acamadas é como criar crianças: ter organização e disciplina é essencial.

Assim, por exemplo, os horários para as crianças se alimentarem, comerem “bobagens”, brincarem, assistirem TV, etc., devem ser bem administrados.

Da mesma maneira, se a sua mãe ou esposa estão acamadas e com um mínimo de consciência, ajuda tanto a elas como a você saber de antemão o horário em que tomarão banho ou se alimentarão.

7) Saia de casa

Trancar-se em casa é uma das piores atitudes que um cuidador pode ter. Se insistir nesse comportamento negativo, rapidamente se sentirá um prisioneiro numa cela escura e assustadora.

Procure sair de casa. Aproveite todas as oportunidades que lhe aparecerem (ou provoque-as!) para interagir socialmente. É extremamente benéfico entrar em contato com outras pessoas em situações completamente diferentes daquelas que você enfrenta de casa.

Tanto quanto possível, faça cursos ou vá ao clube, a reuniões sociais ou à academia por curtos períodos tantos dias da semana quanto possíveis.

Ao fazer isso, o seu estado de espírito se animará e você certamente se tornará um melhor cuidador para a pessoa que você ama.

8) Durma

A melhor recomendação que este artigo pode dar é essa: durma bem. Por uma razão muito simples (e perigosa): distúrbios do sono potencializam o risco de depressão severa.

Se o seu sono está rotineiramente alterado e disperso, você passará a sentir fadiga e o seu estado de espírito vai por água abaixo.

Não tardará muito a perder interesse na interação social, tão necessária nesse momento, e os pensamentos negativos se intensificarão, levando a alterações no apetite e à perda de concentração.

Portanto, faça todo o possível e o impossível para dormir bem.

9) Reduza as suas expectativas

Não se engane: a tendência é que você seja constantemente lembrado de como a enfermidade tirou de você e da pessoa amada os maravilhosos anos que passaram juntos.

Não adianta, entretanto, querer ter de volta aqueles bons momentos, porque – mesmo que nada de ruim tivesse acontecido – eles de qualquer maneira jamais voltariam. Pertencem agora ao tempo que passou. É a regra da vida.

Não se torne prisioneiro, portanto, desses pensamentos nostálgicos, e se convença de que vale a pena continuar vivendo de maneira simples e – muito provavelmente – solitária, os anos que lhe restam.

Isto não significa que o que você ainda tem a viver não seja bom. Depende de você e das circunstâncias que só o futuro revelará a seu próprio tempo. Tenha paciência e procure manter a calma e a serenidade.

10) Peça ajuda

Não tenha vergonha nem espere demais até reconhecer que precisa de ajuda. Você não precisa chegar à exaustão completa antes de gritar por socorro.

Enquanto você ainda tem energia sobrando, mas sente que ela está se esvaindo, procure a ajuda de familiares e amigos para pequenos auxílios no seu dia-a-dia de cuidador(a).

Mesmo que você não tenha mais familiares e amigos próximos que possam lhe ajudar, procure saber se na sua comunidade ou na sua cidade existem serviços de assistência a pessoas nessas condições a que você possa recorrer.

Informe-se, procure, pesquise, não se sinta constrangido(a) ao pedir ajuda. É para o seu próprio bem, e também da pessoa de quem você cuida.

11) Adie decisões importantes

Os psicólogos aconselham as pessoas que acabam de perder um ente querido a não tomar decisões cruciais por um ano, período razoável para que elas tenham condições de avaliar com boa dose de equilíbrio as opções que se lhes apresentam.

O mesmo vale para os cuidadores. Evite tomar decisões que importam numa mudança radical de aspectos muito sensíveis de sua vida, sobretudo na área de relacionamentos e da sua carreira profissional.

Para tanto, espere um momento em que você esteja mais estável emocionalmente. Não faça nada precipitadamente.

12) Fale sobre isso

Não importa tanto saber como você vai conseguir apoio, porque você certamente vai precisar dele.

Procure na sua região um grupo de ajuda a cuidadores. Se não for possível, converse com pessoas do seu bairro, do hospital, da clínica ou da sua cidade para trocar experiências com quem enfrenta situação parecida.

O simples fato de desabafar com alguém capaz de entender na prática o que você está passando já é de grande ajuda.

Além disso, busque na internet organizações ou sites que possam te preparar a enfrentar o seu imenso desafio. Busque, acima de tudo, empatia. Não tenha vergonha de chorar. A empatia geralmente se faz acompanhar da simpatia.

No Brasil, por exemplo, busque no Google pelas palavras-chave “associação”, “cuidadores” acrescentando a enfermidade que eles sofrem, como “Alzheimer” ou AVC, etc., que você encontrará vários sites com informações úteis.

Cuide de você mesmo. Vale muito a pena!



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