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domingo, 7 de junho de 2015

Existe casamento sem sexo?

Matéria interessante (e polêmica) publicada no Brasil Post:

Até quando um casamento sem sexo pode sobreviver?

The Huffington Post | De Rebecca Adams

Se você perguntar a Heather*, ela vai dizer que, em geral, tem um bom casamento. Ela e seu esposo, com quem está há dez anos, se dão bem e se divertem juntos. A única coisa é que não têm relações sexuais — ou não têm há pelo menos quase um ano.

Heather, 32, disse ao The Huffington Post que, quando ela e seu marido se conheceram há 15 anos, faziam sexo sempre que podiam. Mas, depois de dois anos de casados, a vida sexual começou a minguar — de várias vezes por semana para uma vez a cada alguns meses, para uma vez por ano, sempre com Heather tomando a iniciativa. Heather não está satisfeita com isso, mas seu marido não está interessado em sexo e não quer falar sobre como consertar o que, para ela, é um grande problema. “Recebo uma variedade de respostas”, disse Heather. “Não está no clima; está cansado; tem dor de estômago.”

Ela acredita que ele tem níveis baixos de testosterona, mas se recusa a ir ao médico. Quando comenta a falta de sexo, seu marido ou se fecha ou fica na defensiva. Ela se queixou sobre como se sente pouco atraente, como sente que eles são apenas colegas de quarto. Mas Heather parece não receber nenhum tipo de retorno ou interesse, então simplesmente parou de tentar — está cansada de ser rejeitada.

Mulheres que querem que seus maridos sintam um tipo específico de vergonha

Atualmente as mulheres podem não depender dos homens para tomar a iniciativa na hora do sexo, mas isso não significa que estejam imunes à rejeição de um desejo sexual não correspondido, especialmente com as tradicionais normas de gênero ainda em voga. O estereótipo do marido com tesão versus “mulher que não está no clima” está entre os difíceis de eliminar.

Se os maridos estão conscientemente se opondo a ter relações sexuais, muitas esposas começam a se perguntar: O que há de errado comigo? Penny*, 43, que conheceu seu marido há 15 anos, disse que naquele tempo nutriam uma “atração instantânea”. Três anos após o casamento, no entanto, notou que ele perdeu o interesse por sexo. Em ocasiões nas quais Penny tinha a expectativa de ter relações sexuais, como no aniversário do relacionamento ou férias, seu marido a rejeitava, diz ela.

“Ficava arrasada”, diz Penny. “Nunca pensei ser a pessoa mais linda na sala, mas me sentia atraente e forte no sentido de quem eu era [antes disso].”

O marido de Penny não estava disposto a falar sobre o casamento sem sexo ou buscar aconselhamento profissional. Penny decidiu fazer terapia por conta própria, o que lhe permitiu perceber que o problema não tem a ver com ela ou com sua capacidade de atração. Penny abordou o marido com cuidado ao longo dos anos e o incentivou a buscar qualquer tipo de ajuda médica ou aconselhamento necessário, mas ele se recusava continuamente a falar sobre o assunto.

Quando não podia mais suportar ficar sem relações íntimas, Penny conversou com o marido sobre buscar um caso extraconjugal. Ela começou a ter relações sexuais com um conhecido; seu esposo consentiu e sabia de tudo. Mas aquilo não resolveu os problemas de comunicação sexual do casal e certamente não aliviou o desejo de Penny de estar mais próxima do marido. No momento estão separados.

Alguns pais podem não notar o declínio da vida sexual até que os filhos cresçam e exijam menos atenção. Esse foi o caso de Megan*, 30, mãe de três filhos. Megan sempre tomou a iniciativa quando queria ter relações sexuais, mas quando a atenção que tinha que dar aos filhos minou suas energias, ela parou de procurar. Disse que o marido não está mais interessado em sexo ou carinhos e nem sequer olha mais para ela.

Megan tentou conversar sobre o assunto — enviou artigos para o marido como ponto de partida e até propôs cirurgia plástica se isso fosse torná-la mais atraente —, mas rapidamente se sentiu muito desmoralizada para continuar insistindo na questão de estimular a vida sexual do casal.

“É como ter que pescar para receber um elogio”, disse. “Não parece sincero se você tem que pedir por isso.”

Claro, essas histórias refletem apenas uma parte da complicada dinâmica. Os homens sentem sua própria dose de humilhação quando falham, seja por um bloqueio psicológico ou um problema fisiológico. Causas fisiológicas comuns para a diminuição do desejo sexual em homens incluem disfunção erétil, medicamentos (como antidepressivos), questões químicas cerebrais e desequilíbrios hormonais (como baixa testosterona). No lado psicológico, o pouco interesse pode estar relacionado à depressão, estresse, ansiedade ou problemas no relacionamento propriamente dito.

Quer os homens decidam buscar ajuda ou não, no entanto, a maioria deles é “motivada pela parceira”, diz Irwin Goldstein, diretor do Programa de Medicina Sexual do Hospital Alvarado, em San Diego, Estados Unidos. Ele disse ao The Huffington Post que muitos de seus pacientes são bastante apáticos em relação à queda do desejo sexual, mas procuram tratamento por causa da parceira, que pode estar se sentindo rejeitada ou ignorada.

O problema nesses casamentos não é necessariamente sexo.

Em muitos casamentos sem sexo, o problema não é apenas sexo — é a falta de empatia do marido e sua incapacidade de resolver a questão com a esposa descontente.

“Se há algo que você realmente quer muito e seu parceiro não reserva um tempo para sequer conversar sobre o assunto, isso geralmente mostra uma disfunção muito maior do que apenas sexo”, disse ao HuffPost Rachel Sussman, psicoterapeuta licenciada e especialista em relacionamentos.

Dito isso, ela acrescenta que a maneira pela qual as mulheres abordam o assunto pode fazer toda a diferença. Em seu consultório, Sussman diz que há mulheres que atacam verbalmente os maridos dizendo coisas como “o que há de errado com você?” ou “que tipo de homem você é?”. Mas a agressividade, seja passiva ou ativa, não é a maneira de abordar a questão. “Quando você tem duas pessoas que estão com raiva uma da outra e com a autoestima ferida, essa [atitude] não é o tipo de receita para conseguir colocar a vida sexual de volta nos trilhos”, disse Sussman.

Ela recomenda que os casais conversem sobre o assunto em um ambiente descontraído, amoroso —, talvez tomando uma taça de vinho ou quando as crianças estiverem dormindo. Num relacionamento saudável, disse, o parceiro acabará respondendo.

Mas quando vale a pena terminar o casamento?

Muitas das mulheres com as quais o HuffPost conversou enfatizaram que, mesmo estando infelizes com a vida sexual, não estavam preparadas para terminar o casamento.

Mas Patty*, 49, disse ao HuffPost que a recusa de seu marido em lidar com o problema sexual entre eles é um sinal de imaturidade que está causando grandes dificuldades em outras áreas do relacionamento. Ela e o marido não fazem sexo há quase sete anos, apesar de ser “como coelhos” nos cinco primeiros anos do casamento. “Meu casamento está em perigo, e não tenho certeza sobre o quanto ele percebe isso”, disse Patty. “Estamos aqui para embarcar numa jornada juntos. O sexo faz parte dessa jornada.”

Não há via expressa, mas Sussman disse que, se depois de quatro a seis meses seu parceiro continua a ignorar o assunto, então pode ser o caso de se perguntar: Estou disposta a terminar meu casamento por causa disso?

Se alguém estiver disposto a melhorar o casamento, no entanto, é preciso começar com um diálogo calmo e aberto.

“Onde houver vontade, há um caminho”, Sussman disse. “É apenas questão de conseguir que alguém esteja disposto.”

*Os sobrenomes foram omitidos para proteger as identidades das mulheres entrevistadas para este artigo.



sexta-feira, 1 de maio de 2015

Homem que lava louça é mais feliz

Dia do Trabalho, né gente! Momento apropriado para que este que vos escreve (e lava louças, sim!) ressuscite uma matéria publicada na Exame em 24/10/12:

Homem que lava louça é mais feliz, diz pesquisa

Está na hora de ser um homem mais moderno, meus caros. Lavar a louça, passar a própria camisa e arrumar a cama antes de ouvir as reclamações da esposa ou da namorada. E, segundo um estudo divulgado pela Universidade Umeå, na Suécia, tudo isso ajudará (e muito) a sua saúde.

Após acompanhar de perto a vida de 723 pessoas ao longo de 26 anos, o estudo concluiu que aqueles que não dividiam os afazeres domésticos com a parceira tinham maiores problemas de saúde. Ansiedade, nervosismo e problemas de concentração eram alguns dos transtornos comuns aos, digamos, “preguiçosos”.

Por outro lado, aqueles que topavam fazer metade dos serviços, se apresentavam mais tranquilos e felizes. Na outra ponta, as mulheres que não contam com a ajuda masculina se tornam mais vulneráveis às doenças.

As complicações, afirma o estudo, acontecem por conta dos papéis assumidos por cada gênero dentro do relacionamento. A solução para que a vida em casal se saia melhor é conversar e eliminar essas barreiras. Então já sabe: a solução é botar a barriga para ralar na beira da pia!



domingo, 28 de dezembro de 2014

Estudo diz que pornografia faz homens evitarem o casamento

relationship marriage
Polêmico! Aí está um estudo curioso publicado pelo Brasil Post:

Homens se casam menos porque existe pornô gratuito 


Rodolfo Viana

A pornografia gratuita na internet está acabando com o casamento. É o que aponta um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Alemão para o Estudo do Trabalho, em parceria com a Universidade West Chester da Pensilvânia. Eles estudaram as tendências nos números de casamentos e na difusão de filmes pornô na internet, e perceberam que o aumento da disponibilidade e o baixo custo desembolsado para acessar esses conteúdos levam mais homens a evitar o altar.

No estudo Are Pornography and Marriage Substitutes for Young Men? ("Casamento e pornografia são substitutos para o homem jovem?", em tradução livre), os pesquisadores analisaram dados de 1.512 homens na faixa de 18 e 35 anos, colhidos entre 2000 e 2004. O resultado é: o consumo de pornô na internet torna o casamento uma opção pouco atraente.

“Tradicionalmente, uma das razões para se casar é satisfação sexual", afirma o estudo. "Mas conforme as opções de satisfação sexual fora do casamento cresceram, a necessidade de se casar para atender a essa necessidade está diminuindo."

O estudo foi realizado no período em que os cientistas notaram uma rápida ascensão da pornografia na internet, ao passo que o número de casamentos caiu. As estatísticas mostram que homens de 25 a 34 anos tem predisposição ao casamento seis vezes inferior aos homens de mesma faixa etária dos anos 1970.

"Pornografia mais barata é. de maneira inequivocada, associada a taxas de casamento menores", conclui o estudo.



domingo, 28 de julho de 2013

Mentirinhas cotidianas

Interessante artigo publicado no Valor Econômico de 19/07/13:

Pra que mentir?

Marsílea Gombata

"Desculpe o atraso, peguei um engarrafamento terrível." "Perdão por não ter ido ao seu aniversário, mas tive de trabalhar o sábado todo." Atire a primeira pedra quem nunca desrespeitou o oitavo mandamento - "Não levantarás falso testemunho" - e não lançou mão de mentiras para acobertar uma verdade possivelmente danosa às relações sociais se revelada - como a preguiça de levantar cedo da cama ou mesmo de ir a uma festa nem tão legal assim.

Ferramenta necessária à vida humana, a mentira que ajuda a conviver em sociedade e burlar regras sem (tanta) culpa tem origem no contexto do pecado original. Desde que Adão jogou a culpa em Eva e esta jogou a culpa na serpente por terem comido o fruto proibido, como lembra o sociólogo Alexandre Werneck no recentemente lançado "Desculpa - As Circunstâncias e a Moral das Relações Sociais", passamos a recorrer a desculpas em nome do desejo de não ofender nossos semelhantes, da preservação das relações estabelecidas e, portanto, da manutenção da paz. Assim, seja ao justificar um atraso, aprovar o figurino desconexo de uma amiga ou elogiar a comida sem gosto, mentimos e enganamos quem nos cerca de forma corriqueira.

"A vida social requer desonestidade. Uma pessoa que sempre disser a verdade será banida socialmente, viverá e morrerá sozinha", afirma David Smith, professor de filosofia da Universidade de New England, nos Estados Unidos, e autor de "Less Than Human: Why We Demean, Enslave, and Exterminate Others". E mais: "Alguém que sempre falasse a verdade a si mesmo possivelmente ficaria louco. A vida é difícil, e o autoengano nos ajuda a levá-la".

Recorremos a tal prática, segundo o psiquiatra e presidente da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica, Alvaro Ancona, para preservar nossa "máscara social", aquilo que Carl Jung denominava persona. Ele diferencia, no entanto, a mentira social da patológica. "Enquanto a primeira busca um ganho afetivo explícito, a segunda ocorre quando se escondem aspectos da identidade ou propósitos. Assim, mentir para evitar que alguém se chateie é bem diferente de tentar vender um terreno que não existe."

A mentira patológica, Ancona acrescenta, pode ocorrer quando há um quadro de transtorno de personalidade antissocial, mais comumente conhecido por psicopatia. Seriam pessoas com maior facilidade para mentir, pois não têm empatia e não conseguem se colocar no lugar do outro, como geralmente fazemos.

No âmbito geopolítico, líderes engajados na difusão do medo, lembra John J. Mearsheimer no livro "Por que os Líderes Mentem", também lançaram mão de mentiras "para criar na mente da população uma ameaça quase inexistente". Como as inverdades entoadas pelo governo de George W. Bush para justificar a necessidade da guerra no Iraque. "Indivíduos-chave no governo Bush que pressionaram para que os EUA invadissem o Iraque antes de 19 de março de 2003 afirmavam estarem certos de que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa", o que mais tarde acabou se mostrando mentira. Segundo o cientista político americano, Bush seguiu os passos de predecessores como Franklin D. Roosevelt, que mentiu sobre um incidente naval de 1941 com o intuito de envolver os EUA na Segunda Guerra. Um exemplo de versão oficial envolta em nebulosidade fundamental para a edificação do país como potência, na visão do jornalista britânico Jeremy Campbell, que escreveu "A Saga do Mentiroso: Uma História da Falsidade" (2001). "Os EUA se tornaram um império graças, em parte, ao fato de ninguém poder definir exatamente o significado da palavra verdade. James K. Polk, seu 11º presidente [cuja administração foi marcada pelo expansionismo territorial], por exemplo, era mestre em semiverdades enigmáticas, que até hoje lhe rendem defensores."

Mas, mesmo cientes da existência de versões nem tão verdadeiras, estaríamos dispostos a abrir mão da mentira? Possivelmente não, arrisca dizer Smith, ao denunciar artifícios e dissimulações na vida cotidiana, tais como maquiagem e cirurgias estéticas, que seriam versões amplificadas da mentira. "A mentira nos ajuda a conseguir o que queremos, a sermos mais populares, [a parecer] mais ricos e mais sexualmente desejáveis. Mentir é um passaporte para o sucesso."

Ao fazê-lo, afirma a psicóloga Mônica Portella, deixamos vazar pistas no campo comportamental, como gestos e reações não verbais que vão desde variações de intensidade da voz e pausas mais frequentes no discurso até sons que não fazem parte da língua, como risadas e suspiros. "Não existe um padrão. Alguns apresentam vários sinais denunciantes e outros conseguem mentir mantendo contato ocular", diz a autora de "Como Identificar a Mentira - Sinais Não Verbais da Dissimulação".

Enquanto pesquisas britânicas do Museu da Ciência de Londres chegaram à conclusão de que o homem mente, em média, três vezes por dia - o equivalente a 1.095 mentiras por ano - contra duas mentiras diárias das mulheres - cerca de 730 anuais - e estudos americanos apontaram que mentimos em cerca de 25% das interações que fazemos, a realidade brasileira mostrou que as mulheres percebem melhor a mentira, enquanto os homens mentem melhor, ou seja, sem deixar tantas pistas. "A mulher tem uma percepção mais global e consegue notar vários aspectos ao mesmo tempo. O homem se prende a uma característica de cada vez", explica Mônica ao sublinhar atributos femininos como intuição e sensibilidade.

Como, então, identificar quando uma desculpa é mentirosa ou genuína? Segundo Smith, enquanto desculpas seriam razões que damos para explicar determinado comportamento, mentiras fariam um falso retrato da realidade. A distinção também é contemplada por Werneck, para quem a desculpa funciona como "um operador linguístico usado quando admitimos que fizemos algo errado, mas dizemos que não somos responsáveis por aquilo".

Mas, atenção: vínculos afetivos e altos níveis de intimidade são avessos à detecção de inverdades. Quanto maior o envolvimento emocional com o interlocutor, menor a capacidade de descobrir mentiras. Assim, explica Mônica, se um especialista em comportamento não verbal tem 80% de chance de identificar quando alguém está mentindo, quando existe envolvimento afetivo essa capacidade de detecção cai para 20%, porcentagem equivalente à taxa de chute. "Ou seja: o especialista consegue saber se uma pessoa no trabalho está mentindo, mas não a mulher dele."

Estamos, portanto, mais cercados de mentiras do que supõe nossa ingênua percepção. A mentira é tão parte do universo humano quanto a verdade.



sexta-feira, 20 de julho de 2012

Homens serão extintos por causa da... pornografia!

Calma, gente, não sou eu que estou dizendo isso... é o Terra:

Pornografia online levará homem à extinção, diz professor

Um professor da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, acredita que o uso excessivo de pornografia online e de jogos de videogame está criando uma geração de "homens desajustados", o que pode levar à extinção dos homens. O psicólogo Philip Zimbardo acredita que homens jovens estão criando "vícios de excitação", deixando-os incapazes de conviver normalmente no mundo real e desenvolver relacionamentos saudáveis. As informações são do jornal Daily Mail.

Ele afirma que os homens estão gastando muito tempo isolados no mundo digital e que as pessoas solitárias morrem mais cedo. Autor do livro The Demise of Guys: Why Boys are Struggling and What We Can Do About It (A Morte dos Caras: porque os garotos estão lutando e o que podemos fazer, em tradução livre), o professor diz que os homens de hoje não estão aprendendo a serem "animais sociais".

Ele critica o fato de que os homens estão, atualmente, gastando grande parte do seu tempo sozinhos no mundo digital, como videogames, pornografia online, YouTube e mensagens de texto. Ele acredita que a pornografia pode se tornar um "substituto para interações saudáveis frente a frente, sociais ou sexuais".



sábado, 16 de junho de 2012

Perfume calvinista

Um momento de descontração e bom aroma para você, calvinista:





sexta-feira, 11 de maio de 2012

Pornografia e agressividade masculina

Artigo do ScienceDaily traduzido por Natasha Romanzoti para o HypeScience:

Pornografia faz mal para você?

Alguns estudos dizem que a pornografia gera alterações cerebrais profundas e generalizadas nas pessoas, tanto em adultos quanto em crianças, incluindo predisposição a violência contra as mulheres. Seria isso verdade?

Segundo Paul Wright, professor assistente de telecomunicações na Universidade de Indiana, em Bloomington, EUA, que estudou o sexo nos meios de comunicação, os estudos sobre pornografia são variados e você não pode olhá-los separadamente para tirar uma conclusão.

A maioria dos estudos experimentais sobre os efeitos da pornografia concentram-se em estudantes universitários. Analisados individualmente, estes estudos parecem mistos.

Alguns acham que a exposição de jovens à pornografia aumenta atitudes sexistas e até mesmo uma vontade de infligir dor (conclusão que é muitas vezes apoiada por testes experimentais em que homens têm a oportunidade de infligir o que eles acreditam ser verdadeiros choques elétricos em uma mulher). Por outro lado, outros estudos encontram pouco ou nenhum efeito negativo de assistir pornografia.

Para entender esses resultados, os psicólogos dependem de meta-análises ou estudos que analisam os dados de vários estudos individuais. Usando esta técnica, Wright disse que os efeitos da pornografia ficam “bastante claros”.

“Em situações experimentais em que o comportamento agressivo real é medido entre os homens, tanto pornografia violenta quanto não violenta aumenta a probabilidade de agressão posterior”, explica Wright.

“A questão que permanece é: o que esses caras fazem no laboratório, eles realmente aplicam à vida real?”, disse Chris Ferguson, um psicólogo que estuda a relação entre mídia e comportamento violento.

Na vida real, é claro, os pesquisadores não podem realizar experimentos controlados de pornografia. Uma estratégia alternativa tem sido olhar as taxas de violência sexual em países logo após a pornografia ser descriminalizada.

Estes estudos, muitos feitos por Milton Diamond, da Universidade do Havaí em Manoa, costumam concluir que as taxas de violência sexual diminuem após a pornografia se tornar mais prevalente.

Diamond vê isso como evidência de que a pornografia proporciona na verdade um “canal de escape” para os homens que têm tendências agressivas sexualmente. “A maioria da pornografia dissipa a excitação pela masturbação e eu acho que funciona tanto para homens quanto para mulheres”, diz. “E, geralmente, depois de alguém se masturbar e ter o seu orgasmo, perde o interesse em sexo, o que pode dissipar também o interesse de sair e fazer qualquer coisa ilegal”.

Porém, não há prova desse efeito de escape nos estudos por todos os EUA. Não é nem possível interligar firmemente a queda na violência à pornografia, dado o grande número de outros fatores que poderiam desempenhar um papel.

Efeito moderado ou perigoso?

Se os estudos de laboratório estiveram corretos em dizer que a pornografia aumenta a violência masculina, esse efeito é pequeno a moderado.

O pesquisador Neil Malamuth, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, EUA, descobriu que a exposição à pornografia não afeta o homem médio. Mas homens com outros fatores de risco que predispõem à violência sexual, sim.

“A pornografia pode tornar uma pessoa com uma certa tendência, uma certa inclinação, um perfil de risco ainda mais propensa a agir de uma maneira sexualmente agressiva”, disse Malamuth.

Características de risco incluem hostilidade em relação às mulheres, personalidade narcisista e tendência a derivar satisfação de poder e controle sobre as mulheres, bem como características de fundo, como crescer em um lar violento.

Pode ser que os estudos feitos tiveram diferentes proporções de homens com essas características, o que explicaria os resultados conflitantes. Na outra ponta, alguns pesquisadores estão se voltando aos sinais potencialmente positivos da mídia sexualmente explícita.

Nos estudos, os usuários de pornografia em geral a veem como um benefício.

“A pornografia pode ter muitos efeitos benéficos para algumas pessoas em suas vidas sexuais, e muitos não se veem prejudicados de forma alguma”, disse Malamuth.

Visão pornográfica

Em um estudo da Universidade do Havaí em Manoa, pesquisadores compararam poses de mulheres em fotografias tiradas de sites de pornografia populares, revistas e portfólios na Noruega, Estados Unidos e Japão.

Esses três países foram escolhidos porque eles caem em diferentes partes da Medida de Empoderamento do Gênero das Nações Unidas (ONU), uma medida de poder político e econômico das mulheres em uma nação. A Noruega é a número 1 na escala global, os EUA é o nº 15, e o Japão é o nº 54.

Os pesquisadores compararam poses de poder e não poder nas fotografias pornográficas de cada nação. Um exemplo de uma fotografia de não poder seria uma mulher amarrada ou contorcida, com pouco conforto. Uma fotografia de poder seria o oposto, por exemplo, uma mulher de frente para a câmera com um olhar de confiança.

Os pesquisadores descobriram que as fotografias de não poder eram igualmente comuns em todos os três países. Mas a Noruega teve o maior número de fotografias de poder, seguido pelos EUA.

As descobertas sugerem que a pornografia pode espelhar a igualdade de gênero ou a ausência dele da sociedade em geral.

“É um reflexo do que a nossa cultura produz para mostrar o que é sexy sobre as mulheres ou o que deve ser considerado um ideal sexual”, disse a pesquisadora Dana Arakawa.



sábado, 4 de fevereiro de 2012

O evangelho macho de Driscoll e Piper

Alguma coisa estranha anda acontecendo nas igrejas evangélicas dos Estados Unidos. 

Existe uma certa, digamos, "masculinização" do evangelho no ar e o cheiro parece não ser agradável. Mark Driscoll já vinha provocando polêmicas com sua insistência na testosterona gospel, como quando elogiou a beleza máscula e "pura" de lutadores (suados e ensanguentados) de MMA no octógono e ridicularizou líderes de louvor afeminados, conforme já escrevemos aqui no texto "O bullying afeminado de Mark Driscoll", numa declaração - no mínimo - fora de propósito. 

Que Driscoll dê umas bolas fora de vez em quando, isso a gente já está lamentavelmente acostumado. 

Agora, para nossa surpresa, a bola de vez é o respeitabilíssimo pastor John Piper, de quem se pode discordar eventualmente numa ou outra ênfase de sua pregação, mas em geral ela é bem exposta e calcada na Bíblia, de maneira que fica difícil refutá-la. 

Entretanto, na última terça-feira, dia 31 de janeiro, durante a conferência anual de pastores patrocinada por sua organização "Desiring God", Piper entrou por uma seara que, se não era exatamente nova na sua pregação, teve suas implicações largamente expandidas. 

Segundo o renomado pastor, a intenção de Deus para o cristianismo é que ele tenha uma "sensação masculina", já que "Deus se revelou a Si mesmo na Bíblia penetrantemente como rei e não rainha; pai e não mãe (...) a Segunda Pessoa da Trindade é revelada como o Filho eterno e não a filha; o Pai e o Filho criaram homem e mulher à sua imagem e deram a eles o nome de homem, o nome do macho". 

Continua Piper: "Deus apontou todos os sacerdotes do Velho Testamento como sendo homens; o Filho de Deus veio ao mundo para ser um homem; Ele escolheu 12 homens para ser Seus apóstolos; os apóstolos apontaram que os cuidadores da Igreja deveriam ser homens; e com respeito ao casamento eles ensinaram que o marido deveria ser a cabeça. Portanto, de tudo isso eu concluo que Deus deu ao cristianismo uma sensação masculina. E sendo Deus um Deus de amor, Ele fez isso para o nosso máximo deleite, tanto machos como fêmeas". 

A conferência já havia sido aberta por Piper, na segunda à noite, com o tema "Deus, Masculinidade e Ministério - Construindo Homens para o Corpo de Cristo", com um apelo tanto à masculinidade como a paternidade que seriam os dois principais assuntos abordados durante sua preleção.

De fato, o tema masculinidade associado à paternidade não é novo no mundo evangélico, embora saia de cena por longos períodos. Daí podemos concluir que é perfeitamente compreensível e louvável a iniciativa de John Piper em trazer de novo esse assunto à baila. 

O que talvez possa ser criticado é se a ênfase na masculinidade não ultrapassou os limites do razoável, e mesmo que Piper seja um ícone (no bom sentido da palavra) dos bons pregadores cristãos que ainda restam no mundo, parece que ele forçou um pouco a mão no cozido que pretendia fazer (macho também cozinha, gente!). 

Primeiro, por que o subtema "Construindo Homens para o Corpo de Cristo" e não "para a Noiva de Cristo", como a Igreja é - repetida e femininamente - chamada no Novo Testamento, em especial no Apocalipse? 

Claro que a Igreja é apresentada como o masculino Corpo de Cristo, mas também como a Noiva. Afinal, não existe universo mais exclusivamente feminino - que perpassou e transcendeu culturas e gerações - do que o da "noiva". 

Curioso que o próprio Jesus se refere a Si próprio como Deus numa referência também bastante feminina e, digamos, "ecológica", ao chorar sobre Jerusalém clamando: "Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!" (Mateus 23:37 e Lucas 13:34). 

É no mínimo inacreditável, portanto, que Piper tenha se esquecido dessas duas alegorias tão importantes e femininas. 

Isto para não citar outras tantas passagens bíblicas onde as mulheres são reverenciadas, nem entrar no tema "Maria, Mãe de Deus" para evitar frissons anticatólicos. É forçoso reconhecer, também, que o conhecido pastor procurou minimizar a masculinização pregada, dizendo que "Deus não quer que as mulheres se sintam frustradas ou de qualquer maneira sofram ou não desfrutem de gozo pleno e duradouro nesse cristianismo masculino (...) pelo que posso inferir que o mais completo deleite de mulheres e homens acontece em igrejas e famílias que têm essa sensação masculina". 

Sabendo de antemão das controvérsias que sua pregação causaria, ele já apresentou também sua defesa: "Quando eu digo 'cristianismo masculino' ou 'ministério masculino' com uma sensação masculina, aqui está o que eu quero dizer: a teologia, a igreja e a missão são marcadas por uma supremacia divina de liderança masculina no espírito de Cristo com um ethos de força e ternura, coragem contrita, determinação de assumir riscos, e prontidão ao sacrifício em prol de liderar, proteger e prover comunidade. Todas as quais são possíveis somente através da morte e ressurreição de Jesus".

Por mais que John Piper se auto-explique, não deixa de ser estranho sentir tanta, digamos, "testosterona" em sua pregação, que talvez ficasse menos surpreendente de ouvir na boca de Mark Driscoll, acostumado que ele é à apologia da masculinidade e da "pureza" de lutadores suados e ensanguentados no octógono. 

Curioso que, depois dessa alocução, muita gente deve estar se questionando (sem qualquer ofensa ou duplo sentido) se não via e ouvia as pregações de John Piper com três características que são rotineiramente mais associadas à feminilidade: a delicadeza, a paixão e o amor. 

Justo ele de quem poderíamos dizer que "manifesta em todo lugar a fragrância do Seu conhecimento [de Deus]" (2ª Coríntios 2:14). 

Suspeito, entretanto, que Piper tenha tido outra motivação que merece ser discutida mais a fundo. 

Quando utiliza a expressão de que Deus se revelou na Bíblia como "rei" e não "rainha" ("queen" em inglês), ele está utilizando uma palavra, "queen", que já significou um eufemismo pejorativo associado aos homossexuais (também conhecidos jocosamente por "queers", sem falar nas "drag queens"). 

Talvez essa, digamos, masculinização excessiva ("machista", no popular) do evangelho pregado nos Estados Unidos (agora assumida por John Piper) tenha muito a ver, curiosamente, com o movimento gay e não com uma certa teologia feminista que teve dias melhores. 

Se esta ligação (por oposição) com a agenda gay for verdadeira, desconfio que as lideranças evangélicas, tanto nos Estados Unidos como no mundo, estão deixando a pregação cristocêntrica de lado e se envolvendo - por vontade própria, diga-se de passagem - numa disputa ideológica com elementos externos ao evangelho puro e simples da cruz, que fatalmente terminarão minando os seus esforços em levar o reino de Deus adiante. 

Quando gente como John Piper, conhecido por sua pregação bíblica e cristocêntrica, adere a esse movimento, talvez seja o caso de pensar melhor. 

Opor-se à agenda gay dentro dos estritos limites da convivência democrática é uma causa legítima. Deixar que ela dite a pauta da sua pregação é algo completamente diferente. 

Permitir o perigoso reducionismo do evangelho a questões de gênero ou trans-gênero representa o empobrecimento radical de uma preciosíssima mensagem radicalmente transformadora. 

Ainda bem que Deus não depende disso, senão o cristianismo estaria irremediavelmente perdido.



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