Mostrando postagens com marcador Espanha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Espanha. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Em 1777, padre espanhol escondeu mensagem ao futuro em lugar bastante inusitado


A informação esquisitona é da revista Galileu:

Padre usou bunda de estátua de Jesus como "cápsula do tempo"

Esta pode ter sido a primeira vez que um local tão peculiar foi escolhido como esconderijo

Um padre na Espanha do século 18 encontrou um local inesperado para esconder uma mensagem secreta para o futuro: o traseiro de uma estátua oca de Cristo crucificado, chamado Cristo del Miserere. A carta foi encontrada durante a restauração da peça quando especialistas tiraram uma parte do objeto de madeira — mais precisamente o pano que cobre as nádegas de Jesus.

Aparentemente o intuito da estátua realmente era servir como "cápsula do tempo". "Embora seja habitual que muitas esculturas estejam vazias, não é tão difícil encontrar documentos manuscritos dentro", explicou o historiador Efrén Arroyo, membro da Fraternidade da Semana Santa de Sotillo de la Ribera, à Agencia EFE.

O documento foi escrito em 1777 por Joaquín Mínguez, capelão da Catedral do Burgo de Osma, e seu conteúdo conta com a descrição da vida da época, assim como considerações sobre o rei Carlos III, vários regentes e eventos da época.

A carta também detalha as culturas cultivadas na região (trigo, centeio, cevada e aveia e uvas para vinho); as doenças mais comuns (como malária e febre tifóide); e as atividades mais populares da população (como cartas, jogos de bola e jogos de bar).

Ele ainda fornece informações mais gerais, como: "O Tribunal está em Madri, há um Correio e uma Gazeta para as notícias, [e] há uma Inquisição, para a qual não existem erros contra a Igreja de Deus". De acordo com Arroyo, esses detalhes indicam fortemente que Mínguez queria deliberadamente deixar uma mensagem para ser lida no futuro. Resta saber se o padre não ficou com a consciência pesada de guardar esse recado em um local tão peculiar...

(Com informações de Science Alert.)



segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Tatuagem faz polícia identificar assassino


Bom, se você achava que já tinha vista de tudo, é melhor repensar essa pretensão.

A matéria é da BBC Brasil:

Tatuagem de suspeito de matar a própria mulher dá pistas sobre crime

Na Espanha, a polícia prendeu um suspeito de homicídio foragido e encontrou uma pista importante sobre o crime em uma tatuagem sua.

O homem estava sendo procurado pela polícia alemã após o assassinato de sua namorada na Baviera, no sudeste da Alemanha.

As autoridades não sabem a data exata da morte, mas uma tatuagem do homem mostra seu nome, Lisa, e data de falecimento - 27 de outubro de 2016.

O homem foi preso em Lloret de Mar, na Catalunha, com o filho de 18 meses do casal, que estava em boas condições de saúde.

O corpo da mulher fora encontrado por sua mãe na semana passada em um bloco de apartamentos na cidade alemã de Freyung, perto da fronteira checa.

Uma autópsia inicial apontou que a mulher morrera cerca de três semanas antes de ser encontrada.

A polícia federal da Espanha disse que o telefone celular da vítima tinha sido levado pelo suspeito com a intenção de usar suas redes sociais, enganando investigadores. O homem, identificado na Alemanha como Dominik R, foi rastreado na Espanha depois de ter retirado dinheiro no país.

A polícia da Espanha, que o deteve após a emissão de um mandado europeu de prisão, acredita que ele estava a caminho do norte da África.

Em nota, a polícia federal espanhola disse que a tatuagem "pode ser interpretada como a data de morte (da vítima)". Agora, o suspeito aguarda extradição para a Alemanha.



terça-feira, 3 de novembro de 2015

Há exatos 400 anos um samurai chegou ao Vaticano

Hasekura Tsunenaga, um samurai no Vaticano em 1615

Sim, é exatamente isso o que você leu no título acima: em 3 de novembro de 1615 não só um, mas cerca de 20 samurais (não se tem certeza sobre este número) e 120 mercadores japoneses chegavam ao Vaticano, onde foram recebidos pelo papa Paulo V.

Soa estranho aos ouvidos modernos saber que, 400 anos atrás, os japoneses percorreram meio-mundo com os galeões de então para chegar a Roma.

Se ainda hoje, apesar da tecnologia e da comunicação global, existe o inevitável choque cultural entre Ocidente e Oriente, imagine o que isso representava no século XVII.

O líder da caravana nipônica - chamada de Missão Keichō (慶長使節) - era o samurai Hasekura Tsunenaga (支倉六右衛門常長), a mando de Date Masamune (伊達政宗), senhor feudal de Sendai, cidade que este último fundara na região de Tōhoku.

Masamune era, digamos, simpatizante do catolicismo e havia conseguido convencer o xogum (将軍) Ieyasu Tokugawa (徳川家康) a enviar uma delegação diplomática para a Espanha e o Vaticano, a fim de negociar um tratado de comércio com os países europeus.

Numa definição abreviada assumidamente insuficiente, o xogunato (ou shogunato) era um sistema de dominação militar do sistema feudal japonês do século XVII, e Ieyasu Tokugawa foi o primeiro xogum (ou shogun). 

Pelo menos na teoria estava subordinado única e exclusivamente ao Imperador, mas na prática - como você vai ver no desenrolar dessa história - era ele quem mandava.

O xogunato inaugurado por Tokugawa ficou conhecido por seu nome e durou até a Restauração Meiji (明治維新) de 1868, quando o imperador centralizou o poder, extinguiu o regime feudal, tirou muitos dos privilégios dos samurais e país do sol nascente se abriu para o mundo.

O cristianismo havia sido levado ao Japão por Francisco Xavier (o mesmo que foi canonizado em 1622) em 1549, e sempre enfrentou grandes dificuldades com os senhores feudais locais, mas aos poucos foi se imiscuindo na fechadíssima (e xenófoba) sociedade japonesa de então.

O xogum Tokugawa tinha lá suas dúvidas e seu humor era bastante instável para com os missionários católicos.

Ao que tudo indica, Date Masamune não se converteu ao catolicismo, mas exerceu sua influência junto ao xogum para enviar uma missão à Europa, sendo que alguns estudiosos dizem que ele estava muito mais interessado num intercâmbio comercial e - sobretudo - tecnológico do que em matéria de fé.

A primeira missão diplomática à Europa, conhecida como Embaixada Tenshō (天正の使節) já havia visitado o Vaticano em 1585, costeando a Ásia e a África até chegar em Portugal.

A embaixada Keichō fez outro caminho, saindo do Japão em 28 de outubro de 1613 e se aventurando pelo Oceano Pacífico a bordo do galeão Date Maru (chamado de San Juan Bautista pelos espanhóis) até a então colônia do México, onde desembarcaram em Acapulco em 25 de janeiro de 1614.


Réplica do Date Maru em exposição em Ishinomaki, Japão

Em 10 de junho de 1614, Hasekura Tsunenaga e sua comitiva embarcaram em outro galeão espanhol e, passando por Cuba, tomaram outra embarcação até a Espanha, onde chegaram em 5 de outubro de 1614.

A embaixada japonesa só foi se encontrar com o rei Felipe III em 30 de janeiro de 1615, foram bem recebidos e o monarca ficou de pensar na proposta de acordo comercial com Date Masamune.

Passaram ainda pela França até chegar ao Vaticano em 3 de novembro de 1615, onde foram recebidos pelo papa Paulo V, que se comprometeu a enviar mais missionários ao Japão e também a intervir junto ao rei de Espanha para que os dois países chegassem a um acordo de comércio.

Os japoneses então retornaram para Madri, mas ao ali chegarem, receberam péssimas notícias vindas de sua terra natal, que eles haviam deixado mais de 2 anos antes.

Naquele meio-tempo, o xogum Tokugawa havia definitivamente mudado de opinião sobre os cristãos, e em janeiro de 1614 baniu os missionários católicos do Japão, o que levou a uma perseguição terrível contra aqueles que haviam se convertido à religião ocidental.

Oficialmente, o xogum já era seu filho, Tokugawa Hidetada (徳川 秀忠), mas - apesar de "aposentado" - quem mandava de fato era Ieyasu.

A partir de então, a embaixada de Tsunenaga estava condenada ao fracasso. Sem conseguir um tratado comercial com o rei de Espanha, ele ainda retornou ao México, voltando de lá ao Japão, onde encontrou um país completamente mudado pelo menos no que dizia respeito à tolerância religiosa.

O próprio Masamune havia banido o cristianismo de suas terras, em obediência ao decreto do xogum Tokugawa.

Muitos cristãos foram martirizados por não renunciarem à sua fé, outros tantos tiveram que praticá-la em segredo, e boa parte desse conturbado período pode ser lido no excelente livro "O Silêncio", de Shusaku Endo (Editora Planeta, 2011).

400 anos se passaram, muita coisa mudou, e hoje - 3 de novembro de 2015 - uma comitiva de católicos japoneses, liderada pelo bispo Tetsuo Hiraga, vai participar da tradicional audiência coletiva que o papa Francisco dá às quarta-feiras, relembrando a épica e infeliz jornada de 4 séculos atrás.

Entre eles estará Date Yasumune, da 18ª geração dos descendentes de Date Masamune, segundo relata o Vatican Insider.



segunda-feira, 24 de agosto de 2015

No conflito entre Israel e Palestina, sobrou até para Matisyahu na Espanha

Graças a YHWH por não haver limites para a mensagem e o talento de Matisyahu.

Os leitores que acompanham o nosso blog há alguns anos já devem ter percebido que o nosso rapper preferido é Matisyahu, com sua mistura de rap, hip hop e reggae difícil de imaginar para um judeu de origem ultra-ortodoxa.

Seja cantando, seja fazendo a barba, seja estrelando filme de exorcismo judaico, Matisyahu é figurinha carimbada aqui no blog. Talento ele tem de sobra e nós somos fãs de carteirinha.

O Rototom SunSplash é um conceituado festival de reggae realizado anualmente em Benicassim, região litorânea próxima a Valencia, na Espanha, que convidou Matisyahu para se apresentar.

Sabedor disso, o grupo intitulado Boycott, Divestment, and Sanctions (BDS) se manifestou contrário à apresentação do cantor judeu nascido nos Estados Unidos, devido ao que chamou de "sua posição sionista", ou seja, pró-Israel.

A organização do festival então pediu que Matisyahu fizesse uma declaração pública repudiando a política israelense em relação aos palestinos, o que o rapper nem se deu ao trabalho de responder.

Matisyahu preferiu se manifestar na sua página no facebook, em 17/08/15, dizendo que apoiava paz e compaixão para todas as pessoas, que sua música falava por si mesma e que não mistura política com sua arte. 

Diante disso, ele foi "desconvidado" para o festival, mas a repercussão foi extremamente negativa para os organizadores. O governo espanhol e as embaixadas de Israel e dos Estados Unidos no país protestaram, e não houve outra maneira senão pedir desculpas e "reconvidar" Matisyahu para se apresentar no SunSplash, o que ele prontamente aceitou alegando que sua maior motivação para tanto era privilegiar a liberdade de expressão.

Depois do rebuliço, a própria representação local do BDS desconversou de maneira um tanto quanto truncada, dizendo que não era bem assim e que Matisyahu seria bem-vindo à Espanha.

Para felicidade dos fãs espanhóis e de todos que compreendem e espalham a mensagem pacifista do rapper judeu, o bom senso prevaleceu e ele compareceu - sim - ao festival.

O concerto de Matisyahu aconteceu no último sábado, 22/08/15, e - ao contrário do que muitos imaginavam - tudo transcorreu de maneira tranquila. 

Terminada a apresentação, ele postou no seu facebook:
Esta noite foi difícil, mas especial. Obrigado a todos que a permitiram! Qualquer chance de fazer música é uma bênção!
No vídeo abaixo, você pode ver que há várias bandeiras da Palestina no meio da multidão que acompanhou o show, mas isso não impediu Matisyahu de se apresentar e cantar seus sucessos, entre eles "Jerusalem", que é exatamente a música que ele canta para a plateia.

Inclusive há uma pessoa na audiência segurando um cartaz com a inscrição "Peace for Jerusalem" ("Paz para Jerusalém").

Neste mundo tão conturbado pela intolerância e incompreensão, a manifestação pacífica de Matisyahu precisa ser constantemente ouvida:




quarta-feira, 3 de junho de 2015

Papa expulsa padre pedófilo espanhol

A informação é da ANSA Brasil:

Papa expulsa padre acusado de pedofilia na Espanha

Segundo arquidiocese, a decisão é "irrevogável e inapelável"

A arquidiocese de Oviedo, na Espanha, anunciou nesta sexta-feira (29) que o papa Francisco expulsou o padre Jesús María Menéndez Suárez, mais conhecido como Chuz, que é acusado de pedofilia.

Segundo um comunicado do órgão, o Pontífice removeu o sacerdote do seu estado clerical de maneira "irrevogável e inapelável". "Após uma série de denúncias contra o religioso em questão, a diocese de Oviedo havia pedido uma intervenção da Congregação para a Doutrina da Fé", diz a nota.

No último dia 6 de março, ainda de acordo com o documento, Jorge Bergoglio decretou a expulsão do padre. "A comunidade diocesana exprime a sua profunda dor pelos crimes que causaram um dano enorme, principalmente aos menores de idade", acrescenta o comunicado.

Suárez, de 63 anos, já estava suspenso de suas funções desde 2013 por causa de diversas acusações de pedofilia. Ele atuava como pároco em Villaviciosa, na região espanhola das Astúrias. (ANSA)



quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Papa leva padres pedófilos à Justiça espanhola

O arcebispo de Granada, D. Francisco Javier Martínez, se prostra para pedir desculpas à sua comunidade.

A matéria é da BBC Brasil:

Padres que pregavam 'amor livre' para praticar pedofilia chocam Espanha

"Boa tarde filho, sou o padre Jorge". "Não conheço nenhum padre Jorge", respondeu o interlocutor. "Filho, acalme-se, aqui é o papa Francisco".

Essas são as palavras que um atônito jovem escutou ao telefone. Ele havia escrito uma carta ao argentino Jorge Bergoglio meses antes, para denunciar anos de supostos abusos por parte de um grupo de religiosos da diocese de Granada, no sul da Espanha.

O escândalo foi noticiado pelos sites de internet espanhóis, atraindo cada vez mais atenção estrangeira. O próprio papa se referiu à polêmica na terça-feira (25).

Até o momento, três sacerdotes católicos e um professor de religião foram detidos.

"Eu li sua carta e escrevi ao bispo dizendo que ele comece uma investigação", explicou o papa na terça-feira.

"Recebi essa notícia com grande dor, com uma dor muito grande, mas a verdade é a verdade e não podemos escondê-la", disse.

Mas qual é a trama em cuja investigação o papa se envolveu pessoalmente?

O clã dos Romanones

Acusações de escândalos sexuais , abusos de autoridades eclesiásticas, detenções, heranças duvidosas, segredos e um grupo com sobrenome aristocrático: "os Romanones".

Os ingredientes são de um romance de intriga, crime e suspense. Mas não é ficção.

Daniel (nome fictício) tem 24 anos e há alguns meses denunciou ─ em uma carta dirigida ao papa ─ que entre os 13 e os 18 anos foi submetido a constantes abusos por parte de um grupo de sacerdotes católicos, os "Romanones".

O jovem, membro da organização católica Opus Dei e professor universitário, entrou em contato com os sacerdotes investigados quando era coroinha em na paróquia de San Juan María Vianney, localizada em um bairro de Granada.

Segundo seu depoimento, a rede seria comandada por um dos detidos, o padre Román M.V.C (de quem deriva o nome do clã) e realizaria atos sexuais em diversas de suas propriedades na província de Granada.

Ele afirmou que os religiosos justificavam suas práticas sexuais com a frase: "o amor é livre, eleva o espírito".

Vítimas

As acusações recaem sobre dez sacerdotes e dois laicos.

Não se sabe exatamente quantos meninos e meninas podem ter sido vítimas do grupo, que supostamente atraía os jovens conquistando sua confiança ou afastando-os de suas famílias.

Daniel disse que decidiu fazer a denúncia principalmente por não saber a extensão da rede e quantas pessoas foram vítimas dela. Ele acrescentou não querer que as pessoas que arruinaram sua infância façam o mesmo com outros meninos e meninas.

Encorajado pelo respaldo do papa, Daniel apresentou uma denúncia formal perante a Fiscalização Central de Andaluzia, em outubro.

Detenções

O processo foi acelerado a partir do momento em que a denúncia foi feita.

O órgão judicial encarregado da causa ordenou na segunda-feira (24) a detenção de três sacerdotes e um leigo. Mas a Justiça ainda vai decidir se eles responderão ao processo em liberdade.

Os detidos são Román M.V.C, a quem o denunciante identifica como "o diretor", Francisco C.M, e Manuel M.M. Todos eles tiveram algum vínculo com a paróquia de Vianney.

Eles foram encaminhados à Chefatura Superior de Polícia de Andaluzia Oriental e negaram qualquer relação com os crimes ao ser interrogados.

Além disso, há alguns dias, foi denunciado o desaparecimento de vários computadores de um chalé em Pinus Puente (Granada), que é de propriedade dos acusados.

Também há uma segunda denúncia, formulada por uma outra suposta testemunha, que forneceu aos investigadores mais dados e nomes.

O subdelegado do governo, Santiago Pérez, afirmou que não há mais prisões previstas por enquanto.

Reação da hierarquia

Enquanto isso, a Igreja Católica na Espanha demonstrou estar chocada e consternada com os eventos.

A Conferência Episcopal, por meio de seu porta-voz, José María Gil Mamayo, expressou repulsa e pediu perdão às "possíveis vítimas".

O arcebispo de Granada, Francisco Javier Martínez, protagonizou no domingo uma cena pouco usual na catedral da província: deitou no solo junto com outros membros da diocese por vários minutos – um gesto que só é realizado Sexta-feira Santa.

"Os males da Igreja são os males de cada um de nós", disse o arcebispo durante a homilia. Ele disse que tudo isso é "uma ferida dolorosíssima para (Jesus) Cristo".



quinta-feira, 3 de abril de 2014

Historiadores dizem ter encontrado o Santo Graal na Espanha


Ah, a lenda do Santo Graal, quantas buscas inúteis já foram feitas para localizá-lo. Até Hitler já correu atrás do suposto objeto sagrado. O Graal da vez vem da Espanha, segundo informa o UOL Notícias:

Igreja esconde relíquia, após historiadores afirmarem que é o Santo Graal

Os curadores da Basílica de San Isidoro, na cidade de León, na Espanha, foram obrigados a retirar uma relíquia que estava em exibição pública, após historiadores afirmarem que se tratava do Santo Graal. Multidões de fieis e curiosos correram para a igreja e, diante da possibilidade de um tumulto, a direção decidiu esconder o objeto histórico.

O número de visitantes cresceu repentinamente na basílica depois que dois historiadores publicaram um livro dizendo que a taça, adornado com pedras, era na verdade o mítico cálice que Jesus Cristo teria usado durante a última ceia.

Segundo a diretora do museu da Basílica de San Isidoro, Raquel Jaén, o cálice foi retirado de exibição nesta última sexta-feira (28), enquanto os curadores procuravam por um espaço maior para sua exibição.

"Ele ficava em uma sala pequena, onde não era possível admirá-lo inteiramente", afirmou a diretora do museu.

Feita em ágata, ouro e ônix, adornada com pedras preciosas, a relíquia é formada por dois cálices, um deles voltado para cima e outro para baixo.

Historicamente, a peça é conhecida como o cálice da Infanta Doña Urraca, filha de Fernando 1º, rei de León de 1037 a 1065.

Os dois historiadores, a especialista em história medieval Margarita Torres e historiador de arte José Manuel Ortega del Rio, identificaram a taça como sendo o Santo Graal em seu livro, Reis do Graal, publicado na semana passada.

Eles afirmam que dois pergaminhos egípcios encontrados em 2011 na Universidade de al-Azhar, no Cairo, os colocaram na pista para a investigação que durou três anos.

Os estudos teriam levado a dupla a identificar a parte superior do cálice da princesa, feito em ágata, como o Santo Graal, uma das relíquias mais procuradas da Cristandade.

O cálice teria sido dado ao rei Fernando 1º como uma oferta de paz por parte do emir de um reino muçulmano que estaria em território espanhol, segundo Torres.

Na Europa, há mais de 200 objetos apontados como sendo o Santo Graal. Os pesquisadores admitem que essa não é a primeira vez que historiadores apontam uma taça como sendo a relíquia de Cristo, mas afirmam que, em seu livro, eles rebatem muitas teorias e comprovam historicamente a origem do cálice.

Os historiadores que escreveram o livro "Los Reyes del Gríal - Una investigación histórica consigue desvelar
donde se custodia desde hace mil años la Copa de Cristo". Sensacionalismo vende!




sábado, 28 de dezembro de 2013

Ladrão denuncia pedófilo furtado por ele


O mais novo episódio do "bom ladrão" aconteceu na Espanha e O Globo noticiou em 19/12/13:

Ladrão encontra vídeos de pedofilia e denuncia crime na Espanha

Criminoso se chocou ao ver fitas de sexo com crianças numa câmera roubada e acionou a polícia

MADRI - O gesto inusitado de honestidade de um ladrão permitiu à polícia prender um suspeito de pedofilia na província de Jaén, na Andaluzia. O gatuno invadiu uma casa na capital da província e roubou uma câmera de vídeo e três fitas. Mas, ao ligar o aparelho, se assustou ao ver o dono da casa roubada tendo relações sexuais com crianças de cerca de 10 anos de idade. E não teve dúvidas: chamou a polícia.

O ladrão, cujo nome não foi revelado, acionou os policiais através de um telefone público e deixou debaixo de um carro na vizinhança um envelope com as fitas e o endereço do proprietário das fitas. “Eu tive a infelicidade de ter essas fitas nas minhas mãos e me sinto na obrigação de apresentá-las, deixando que vocês façam seu trabalho e possam prender essa pessoa.... pelo resto da vida”, escreveu o ladrão num bilhete anônimo deixado para os policiais.

Segundo o jornal “El País”, as investigações rapidamente levaram os agentes a identificar o autor das imagens, o local onde mora e o clube de futebol onde trabalha. O suspeito foi preso e enviado à cadeia.

Até agora foram identificadas quatro crianças vítimas de abuso e violência sexual, incluindo um menino de 16 anos que poderia ter sido violentado durante uma década. A tática do pedófilo era conquistar aos poucos a confiança dos menores no clube esportivo e convencê-los a ver filmes pornográficos. Posteriormente, segundo o inquérito policial, ele exortava as vítimas à masturbação e ao sexo forçado.

O curioso é que o detido havia dado queixa na polícia por roubo nove dias antes. Ele havia contado que entraram em sua casa pela janela e lhe roubaram vários aparelhos de pequeno porte. No entanto, ele não tinha incluído a câmera de vídeo e as fitas entre os artigos afanados pelo ladrão - e agora algoz.





domingo, 28 de outubro de 2012

A invasão grisalha

Quem diria que daqui a 10 anos o planeta terá um bilhão de idosos, e esse contingente exige uma nova atitude não só dos governos mas de toda a população mundial para enfrentar os enormes desafios que essa cifra traz, ao mesmo tempo que oferece ótimas oportunidades de melhorar a vida de todos.

O jornalista americano Ted C. Fishman escreveu o livro "Shock of Gray" (algo traduzido como "Choque do Grisalho"), que aborda o tema. Abaixo uma entrevista que ele concedeu ao Estadão e foi publicada no dia 07/10/12.

Trata-se de uma leitura espetacular (o adjetivo é esse mesmo, pode crer) não só para o seu domingão, mas para todo o resto da sua vida e a de sua família e seus amigos. Leia e aprenda sem moderação:

Invasão grisalha

Viver mais está dificultando o planejamento do mundo. A boa notícia é, justamente, que se vive mais

Mônica Manir

Como bom jornalista que é, Ted C. Fishman gosta de uma boa história. Daí que começa Shock of Gray com uma muito próxima, a dos próprios pais, para ilustrar duas faces do mesmo dominó: a velhice. Enquanto a mãe, na casa dos 80, ainda rebola num concerto tributo ao Led Zeppelin e nada no Lago Michigan, o pai muito antes disso entrou num processo degenerativo, que o deixou totalmente dependente da família.

Daí em diante Ted parte para o subtítulo do livro: o envelhecimento da população mundial e como ele coloca jovens contra velhos, filhos contra pais, trabalhadores contra patrões, empresas contra rivais e nações contra nações. Tem-se a impressão de que só virá pedreira. Mas não é assim. O jornalista, autor do best seller China S. A., também mostra como o choque grisalho traz expansões de civilidade, de círculos sociais e de investimentos na ciência em busca da expansão maior, a imortalidade.

Ted estava em Chicago, sua cidade natal, quando deu esta entrevista atualizando suas pesquisas. Shock of Gray foi lançado em 2010 e, na época, ainda não se cravava 1 bilhão de idosos em dez anos, dado que a ONU divulgou nessa semana. Um pouco antes da entrevista o jornalista havia feito uma palestra para 1.100 executivos da segurança pública sobre como a polícia, os bombeiros e outros serviços de emergência devem se adaptar a um mundo em que, a cada segundo, duas pessoas celebram o 60º aniversário. "O complicador da história é que esses profissionais estão enfrentando pressão para que reduzam suas pensões", diz. Funcionários públicos contra governo. Trabalhadores contra patrões, enfim.

Quem sofrerá e quem se beneficiará com 1 bilhão de idosos daqui a dez anos?

Ted C. Fishman - Um mundo de idosos implica enormes desafios em diferentes frentes. O envelhecimento da população se propalou por dois motivos: o prolongamento da vida em si e o fato de muitas famílias serem menores do que há uma ou duas gerações. Se continuarmos construindo redes de seguridade social nos moldes dos anos 1930, 50 ou 80, os países irão à bancarrota e todos os cidadãos vão sofrer. E, se não encontrarmos maneiras de cuidar do crescente e imenso grupo de pessoas que não tem filhos, então centenas de milhões no mundo se encontrarão sozinhos e isolados quando mais velhos. Acho, no entanto, que o aspecto mais importante de um mundo envelhecido é que o benefício é maior que o sofrimento. O fato de as pessoas estarem morrendo mais tarde significa que a humanidade está ganhando o maior tesouro de todos: mais vida. É o que sempre desejamos, desde que começamos a misturar ervas em tigelas e conversar com espíritos nas árvores. O economista Robert Fogel, Nobel de Economia, destacou que por 7 mil gerações não houve grandes alterações na longevidade. Isso começou a mudar a partir do século passado, e agora as pessoas normalmente vivem 40 anos mais. Isso é maravilhoso.

Mas ainda não alterou o tom pejorativo que cerca a palavra 'velho'.

Ted C. Fishman - "Velho" é uma expressão escorregadia, usada de forma diversa pelas diferentes culturas. Quando se pergunta a um americano com quantos anos ele se sente, ele geralmente se dá 15 anos a menos que a idade, porque a valorização da juventude é muito alta aqui. Já um japonês responde com dez anos a mais, porque eles veneram a velhice e sentem que, com ela, ganham sabedoria. Há também uma divergência sobre quem é velho ou não no trabalho e fora dele. Quando empregadores e estatísticos tratam de trabalhadores mais velhos, tendem a pensar naqueles com mais de 50. Mas, na maioria dos estilos de vida, os 50 anos se encaixam na meia-idade. Claro que, se você joga futebol ou precisa dar um sprint na Olimpíada, ter 30 anos é muito. Mas, se aspira a ser papa, ainda é jovem de tudo.

Como preparar nossa sociedade para mais idosos e menos carrinhos de bebê?

Ted C. Fishman - Um caminho é melhorar o condicionamento físico para que os mais velhos continuem ágeis. Além disso, com pessoas vivendo tanto, teremos que redesenhar o espaço físico das nossas comunidades para torná-las mais acessíveis. Em Shock of Gray eu descrevo um lugar em Tóquio chamado Sugamo, algo como a Broadway ou os Champs-Élysées, só que dirigido à faixa dos septuagenários. A maior parte dos consumidores exibe uma forma física notável e consegue se divertir muito. Para tanto, as ruas se tornaram mais "suaves", de tal forma que bengalas e andadores não se enrosquem nas calçadas, por exemplo. Os vendedores das lojas também foram treinados para lidar com uma clientela que tem dificuldade para ouvir e para enxergar de perto e que, às vezes, também parece um pouco desorientada. O transporte público é essencial em lugares assim, e criar meios de locomoção que os idosos possam usar confortavelmente e em segurança é essencial para ajudá-los no acesso os serviços e à interação social de que precisam para se manterem saudáveis e felizes. Obviamente, esses são benefícios que também atendem os pais com carrinhos de bebê. Ajustes que criam tensão entre gerações são aqueles que desviam recursos dos jovens, como dinheiro para a educação, para os mais velhos, como investimentos no sistema de saúde. Os orçamentos públicos terão de pesar prioridades para gerações que estão décadas distantes uma da outra.

A medicina convencional sabe como tratar os idosos?

Ted C. Fishman - Sim, os avanços na medicina são um ingrediente chave para a longevidade. Ainda assim, pessoas mais velhas podem sofrer de tratamento excessivo. Em geral, sintomas que parecem estar relacionados à idade são, na verdade, resultado da sobreposição de medicamentos. Um bom geriatra muitas vezes começa o tratamento de uma pessoa de idade tirando todos os remédios que ela vem tomando até então.

Estamos mais próximos da imortalidade? Ou mais perto de um infinito controle de doenças crônicas?

Ted C. Fishman - Nem uma coisa, nem outra. Mas, se você vai frequentemente a consultórios médicos, sabe que leva uma eternidade para ser atendido.

No Brasil, que tem cerca de 23,5 milhões de idosos, a previdência é identificada como o principal problema decorrente do envelhecimento da população. O processo todo foi pensado como se fôssemos viver, no máximo, até os 70. Como isso se dá nos EUA?

Ted C. Fishman - Nos EUA, pesquisas mostram que a insegurança quanto à aposentadoria é o grande medo dos americanos. O tema é tão complicado que os políticos evitam discuti-lo, então se prorroga o problema ad infinitum.

Ao mesmo tempo, mais da metade dos mais velhos no Brasil sustenta a família.

Ted C. Fishman - Existe uma grande desconexão em relação à forma como os recursos são transferidos entre as gerações. Na maior parte dos países industrializados, pensões e custos com o sistema de saúde transferem recursos dos trabalhadores mais jovens para os mais velhos e dependentes. No entanto, no seio das famílias, a transferência se dá dos mais velhos para os mais novos. Uma das razões para as pessoas estarem tão preocupadas quanto à previdência social, a ponto de sair às ruas para protestar a respeito, é que desejam o dinheiro para contribuir com a saúde e a educação dos netos. Uma vantagem das famílias menores, com uma ou duas crianças, é que o dinheiro dos pais e dos avós pode ser direcionado para uma educação mais completa, em vez de uma educação parcial para quatro, cinco ou seis crianças. É um gasto privado que ajuda os países a desenvolver seu capital humano.

Você afirma no livro que o envelhecimento da população mundial pode acelerar a globalização. Como isso acontece?

Ted C. Fishman - O envelhecimento acelera a globalização porque os empregos e o dinheiro investido migram para os países mais jovens, nos quais a mão de obra é barata e as populações rurais ainda estão indo para as cidades. Uma vez que essa migração se dê, o tamanho das famílias passa a diminuir, as crianças têm uma educação melhor, mulheres podem frequentar as escolas e conseguir melhores empregos e o valor do mercado e da mão de obra local crescem. A partir daí aquele país promissor começa a procurar lugares nos quais investir e conseguir mão de obra mais barata, e o ciclo inteiro se repete. Nesse sentido, um mundo envelhecido é um mundo mais próspero.

Nas suas pesquisas anteriores, a Espanha lidava com um contingente grande de imigrantes, entre eles muitos equatorianos que trabalhavam justamente como curadores de idosos e desguarneciam seu país de mão de obra jovem. Como está essa realidade agora, após a crise econômica?

Ted C. Fishman - A economia da Espanha se enfraqueceu muito desde aquelas minhas reportagens de dois anos atrás. O marcante é o desejo de permanência desses imigrantes, que hoje chegam a 5,5 milhões de estrangeiros residentes no país. Apesar das altas taxas de desemprego, o salário que um equatoriano receberia em um ano de trabalho na sua terra natal corresponde a dois meses na Espanha. Ou seja, eles preferem ficar por lá, apesar de o governador equatoriano ter criado o Welcome Home Program, chamando de volta a população jovem.

Um desafio da China é chegar à riqueza o mais rápido possível, antes que os seniores emperrem o crescimento. Os chineses vão ter sucesso nisso?

Ted C. Fishman - Devido à política do filho único, a China é hoje o país que envelhece mais rapidamente, mas ainda não é um país velho. Pelo contrário: está no ponto ideal do seu período de bônus demográfico. Os chineses também estão muito preocupados em educar a nova geração de trabalhadores para tirá-los dos escalões inferiores de trabalho. Acredito que, para centenas de milhões de chineses, essa fórmula funcionará e suas famílias serão capazes de se sustentar sozinhas ao longo das gerações. No entanto, para outras centenas de milhares essas mudanças não ocorrerão rápido o suficiente e seu futuro será marcado por pobreza e isolamento. É um cenário bem misto.

Está prevista sua vinda ao Brasil na semana que vem para um simpósio de economia global. O que já sabe do País quanto a sua demografia?

Ted C. Fishman - O que sei é que o Brasil pode tirar vantagem do tão famoso "dividendo demográfico". É quando o número de nascimentos está diminuindo ao mesmo tempo que a população de jovens está chegando ao seu clímax e seus pais ainda continuam saudáveis. Juntas, essas tendências significam que o país tem muitas pessoas em idade produtiva e relativamente poucas pessoas dependentes, sejam crianças ou idosos. Para muitas nações, isso simboliza o período de máximo crescimento. Em geral acontece uma única vez. O Brasil pode capitalizar isso ou então desperdiçar a oportunidade por causa da corrupção generalizada e do planejamento econômico politicamente popular, porém instável. Mas acho que não é de forma alguma o pior caso - e ainda pode vir a ser um dos mais bem-sucedidos.

Qual foi a história mais interessante que ouviu entre tantas que pesquisou para o seu livro?

Ted C. Fishman - Gostei da história de Sarasota, na Flórida, demograficamente a mais idosa do país. Ela se tornou um centro de inovação em serviços para as pessoas mais velhas. É como um Vale do Silício para um mundo em envelhecimento. A região é um ímã para aposentados ricos, que muitas vezes vivem em mansões ou condomínios de luxo e ali permanecem até não poderem mais gerenciar a casa. Quando isso acontece, eles se mudam para uma comunidade de aposentados que se assemelha a um hotel 4 estrelas. Mas, por Sarasota ser uma comunidade agradável à beira-mar, agrada a ricos e pobres. Muitos vivem em pequenas casas, outros em barracas ilegais na periferia da cidade. É uma comunidade maravilhosa, onde as pessoas mais velhas procuram ficar ativas e se engajar culturalmente. Mas há também tristeza lá. Muitas mulheres em cadeiras de rodas contam com a caridade para sobreviver. Gastaram a maior parte do seu dinheiro e de sua força física cuidando de um marido doente, que agora está morto.

Shock of Gray foi publicado há dois anos. Que capítulos você acrescentaria a uma nova edição?

Ted C. Fishman - Eu acrescentaria mais dados sobre a América Latina, vista como um bastião da juventude, mas que está envelhecendo mais rapidamente que os EUA, por exemplo.

E como está sua mãe? Viajando?

Ted C. Fishman - Minha mãe acaba de voltar da Índia, para onde foi pela primeira vez, e sozinha. Ela fará 85 anos em janeiro.



segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Judeus espanhóis querem banir palavra "judiada" do dicionário

Uma iniciativa dos judeus espanhóis quanto à língua castelhana pode ter reflexos interessantes na sua correspondente ibérica, essa última flor do Lácio chamada de "português".

É que a Federação das Comunidades Judaicas da Espanha peticionou junto à Real Academia Española (RAE) requerendo a retirada da palavra "judiada" do dicionário oficial da língua castelhana.

Uma rápida consulta ao dicionário online da RAE mostra a seguinte descrição para o significado da palavra:
1. f. Acción mala, que tendenciosamente se consideraba propia de judíos.
2. f. p. us. Muchedumbre o conjunto de judíos.
Segundo noticia o jornal israelense Ha'aretz, os judeus da Espanha consideram a palavra "ofensiva" e "pejorativa", e conforme se queixa o presidente da organização judaica subscritora do pedido à RAE, Isaac Querub, "esta declaração negativa quanto aos judeus vai contra as normas de bom comportamento. Não deve pertencer a um dicionário publicado no século XXI".

A divulgação da carta de Querub vem à tona logo após um pedido idêntico, da professora universitária Raquel Amselem, ter sido rejeitado pela RAE no último mês de junho, sob a alegação de que "o dicionário é meramente um reflexo da linguagem e a palavra está documentada numa quantidade suficiente de textos".

O Ha'aretz (citando o jornal espanhol El Mundo em matéria que não foi possível localizar) alega ainda que o dicionário oficial patrocinado pela RAE teria recentemente mudado a definição de "casamento" para incluir no seu significado as uniões entre pessoas do mesmo sexo, o que teria servido de pretexto para a presente iniciativa da comunidade judaica do país.

Entretanto, ressalvada alguma orientação ainda não oficial para a próxima edição do Dicionário - a ser lançada em 2014 -, a definição online do dicionário da RAE mantém o conceito de "casamento" como sendo a união entre homem e mulher:
casamiento.
1. m. Acción y efecto de casar (‖ contraer matrimonio).
2. m. Ceremonia nupcial.
3. m. Der. Contrato por el que un hombre y una mujer se comprometen a vivir en matrimonio.
4. m. ant. dote (‖ caudal que la mujer aporta al matrimonio o adquiere con él).
~ en casa.
1. m. Ar. casamiento autorizado por el cónyuge que antes muere al sobreviviente, sea por manifestación directa, sea mediante fideicomisarios, para que, contraído el nuevo matrimonio, la casa y bienes del premuerto queden en poder del que sobrevive, y en ellos tengan iguales derechos los hijos de ambos enlaces.
no perderás por eso ~.
1. expr. coloq. U. para dar a entender que alguien no desmerece por hacer algo que juzga impropio.
Não deixa de ser curioso notar, por outro lado, que, ao contrário do que ocorre na língua espanhola, o idioma português mantém no seu léxico não só a palavra "judiada" como também todas as variações e flexões do verbo "judiar", além do substantivo "judiação", como uma rápida consulta ao Dicionário Houaiss ensina:
Judiar
Datação
sXV cf. FichIVPM
Acepções
■ verbo
intransitivo
1 m.q. judaizar ('adotar práticas judaicas')
transitivo indireto
2 (1789)
tratar com escárnio; zombar
Ex.: j. com a infelicidade alheia
transitivo indireto
3 (1881)
tratar mal, física ou moralmente; atormentar, maltratar
Etimologia

judeu + -ar; f.hist. sXV ajudyar, 1713 judiar, sXVIII judear



Judiação
Datação
1913 cf. CF2
Acepções
■ substantivo feminino
Regionalismo: Brasil.
ato de judiar, de fazer de alguém alvo de escárnio ou de maus-tratos; judiaria
Etimologia
judiar + -ção; ver judeu
Como essas palavras são usadas corriqueiramente, especialmente no Brasil, com um sentido que não remete mais à origem histórica da palavra, que muito provavelmente remonta à época da Inquisição na Península Ibérica, resta saber se um movimento "de-léxico-semântico" parecido deveria ser iniciado pelos lados de cá.

Afinal, por muito menos (do ponto de vista quantitativo), a RAE está sendo provocada a retirar do vernáculo um termo (mal) consagrado pelos séculos de uso. Com a palavra, a sua equivalente brasileira guardiã do idioma, a Academia Brasileira de Letras (ABL).

E você, o que acha?

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails