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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

10 anos de blog e 1 adeus


No longínquo dia 2 de fevereiro de 2008, começamos este blog com os melhores propósitos, mas ainda sem saber ao certo aonde iríamos chegar e até quando estaríamos no ar.

O tempo — este velho senhor da razão — se encarregou de nos dar a resposta. 

Dez anos no ar, mais de 4.000 artigos publicados, alguns milhões de páginas vistas por alguns milhões de visitantes, um infarto (do Helio) e um AVC (do Gustavo) vencidos e superados, muitas amizades que foram e continuam sendo verdadeiros presentes, algumas divergências pontuais mas nenhuma inimizade, zilhões de informações cuidadosa e imperfeitamente filtradas para serem compartilhadas, pequenas decepções e enormes alegrias, enfim... no balanço final, ficamos extremamente felizes com os resultados obtidos, muito além do que esperávamos quando demos o primeiro passo desta prazerosa jornada.

Afinal, O Contorno da Sombra durou mais tempo do que prevíamos e foi uma experiência muito mais fascinante do que imaginávamos.

Os queridos leitores já sabem que tudo que aqui divulgamos foi feito com enorme carinho e dedicação, sem interesses escusos nem quaisquer perspectivas de ganhos financeiros.

Muitos artigos tiveram uma repercussão gigantesca e se tornaram referência para gente de todo tipo, desde pessoas que buscam auxílio para algum problema existencial que as aflige até trabalhos acadêmicos de universidades conceituadas, e também serviram de "gancho" para ótimas conversas e "incubadora" para grandes amizades.

E tudo começou com a proposta de se ter um olhar diferente do comportamento religioso na esfera pública, fora das 4 paredes das igrejas e do território do sagrado, para tentar compreender as suas muitas imbricações socioeconômicas, culturais, políticas e (às vezes) jurídicas com a realidade da vida, do cotidiano duro da gente feliz ou sofrida de todo o planeta.

Empenhamo-nos por publicar um amplo espectro de vertentes e visões de mundo de maneira que todos se sentissem representados e respeitados no nosso ambiente conjuntamente construído para a convivência pacífica de polos contrários. 

Exatos dez anos depois, portanto, chegou a hora de — serenamente — dizer adeus.

Julgamos que a nossa missão foi cumprida. 

Foi uma experiência válida e validada por nossos leitores, além de muito gratificante.

Esforçamo-nos para deixar um legado bastante variado de textos e artigos criteriosamente selecionados que — até quando for possível — continuarão no ar e poderão ser lidos, relidos, pensados, debatidos, reconsiderados e contextualizados como o retrato detalhado e marcado com a profundidade de uma larga janela de tempo (no Brasil e no mundo) que teve seus dilemas próprios característicos identificados e esmiuçados.

Talvez daqui a 200 anos, se ainda existir o universo, eles proporcionem a um pesquisador do futuro um belo insight de um período em que, independentemente da angústia que caracteriza a busca humana por significado, fomos felizes e vivemos intensamente.

Chegamos à conclusão de que é hora de baixar as portas de maneira tranquila e sensata.

Aprendemos a identificar os sinais dos tempos em todas as áreas da vida e não temos nenhuma dificuldade em admitir que o ciclo deste blog se encerrou.

Resta-nos uma certa nostalgia no ar, permeada de ótimas recordações que nos animam a prosseguir em outras áreas, mas nos convence e conforta a ideia de que o fluxo e refluxo naturais e  inexoráveis das ondas e dos sabores e saberes das nossas vidas devem ser assimilados e não teimosamente resistidos.

Tanto quanto for possível, manteremos no ar nossas páginas no twitter e no facebook. Siga-nos, adicione-nos e curta-nos por lá que, de vez em quando, segundo se nos apresentar a ocasião, compartilharemos artigos e avisos que nos parecerem relevantes para o conhecimento de todos.

Só este blog ficará sem atualizações constantes, talvez alterando apenas uma ou outra informação pontual que precise ser corrigida ou complementada. Se necessário, alguns comentários serão eventualmente respondidos e publicados.

Esporadicamente, quando sentirmos vontade de matar a saudade de emitir nossa opinião ou reflexão, publicaremos os textos no nosso outro blog, o Peregrinauta, que será atualizado sempre que se nos ocorrer a feliz conjunção de desejo e oportunidade. 

Pensamos, agora, em nos dedicarmos a novos desafios, especificamente no portal e-cristianismo, onde temos uma atuação mais teologicamente concentrada em estudar e fornecer subsídios àqueles que — com um coração puro — procuram humildemente servir ao Senhor (2ª Timóteo 2:22).

É num desses lugares (ou em todos, não sabemos ao certo se e quando os atualizaremos), que os amigos do blog poderão nos encontrar quando quiserem nos rever ou descobrir por quais paragens estamos caminhando.

As matérias serão mais específicas e o trabalho será mais pontual e menos frequente, mas manteremos nosso foco na qualidade do material oferecido.

Resta-nos, portanto, agradecer o carinho, a atenção e o respeito com que nossos amigos leitores nos brindaram e  prestigiaram ao longo desta década.

Esperamos tê-los servido bem dentro de nossas limitadas possibilidades humanas, e desejamos a todos vocês o melhor para suas vidas e suas buscas pessoais, intelectuais e/ou espirituais.

Permitam-nos que nos despeçamos ouvindo a aveludada e poderosa voz de Yolanda Adams cantando "Victory" no mais autêntico gospel, logo abaixo.

Reflete bem o espírito de gratidão e celebração com que anunciamos a nossa retirada deste pequeno palco virtual que  nos deixa tão boas recordações.

Fecham-se as cortinas, recolhemo-nos aos bastidores, mas — apesar das despedidas e dos sobressaltos — o espetáculo da vida continua para todos nós. Desfrute-o!

Por gentileza, não se esqueçam de serem felizes!

Muito obrigado e adeus!










quarta-feira, 6 de setembro de 2017

7 anos depois, Juca Kfouri tripudia sobre "furo" com lesão de Kaká

Em 2010, pouco antes da Copa do Mundo na África do Sul, o jogador Kaká entrou numa polêmica com o jornalista Juca Kfouri, a quem acusou de divulgar notícias falsas sobre seu real estado de saúde, denunciando que - em vez de ter dado um "furo" jornalístico -, Kfouri o perseguia pelo fato dele ser cristão enquanto o perseguidor é ateu, conforme noticiamos aqui no blog naquela época.

2010 foi um ano realmente complicado para Kaká, para dizer o mínimo.

No final daquele ano, ele romperia uma ligação antiga com os líderes da igreja Renascer em Cristo, o casal Hernandes, e entraria nos anos seguintes em uma crise conjugal que terminaria com a separação definitiva de sua então esposa Carol Celico.

O casamento acabou em 2015.

Agora, em entrevista ao Estadão, Kaká confirma - inadvertidamente - que Juca Kfouri estava certo quanto ao diagnóstico de seu quadro de saúde, ao que o jornalista não perdeu tempo em relembrar a confusão, tripudiando em seu blog no UOL:

Kaká confessa e prova que nada 
como um dia após o outro

No dia 21 de junho de 2010, em plena Copa do Mundo na África do Sul, publiquei a coluna abaixo cujo trecho inicial reproduzo:



Sabe-se lá por que, Kaká reagiu mal ao que era verdade e, bem considerado, valia como um elogio a ele, capaz de se sacrificar pela Seleção. Talvez a referência ao eventual abreviamento da carreira tenha falado mais alto, mas fato é que na entrevista coletiva no dia seguinte à publicação da coluna, sem que eu estivesse presente, Kaká desmentiu que houvesse problema maior e atribuiu a informação ao fato de ele ser evangélico e eu ateu.

Disse ele ao repórter da ESPN Brasil, André Kfouri, meu filho:

“Há algum tempo os canhões do seu pai são disparados contra mim. A artilharia dele está voltada contra mim. Eu queria aproveitar a pergunta para responder às críticas que ele vem fazendo, e o que me deixa triste é que o problema dele comigo não é profissional, mas porque ele não aceita minha religião. Porque eu sou uma pessoa que segue Jesus Cristo. Eu o respeito como ateu, e gostaria que ele me respeitasse como seguidor de Jesus Cristo, como alguém que professa a fé em Jesus Cristo. Não só a mim, mas a todos os milhões de brasileiros que creem em Deus.”

Bobagem maior, impossível, até porque não havia crítica alguma, mas assim foi.

Eis que hoje ele diz o seguinte, em entrevista ao repórter Robson Morelli, de “O Estado de S.Paulo”, publicada nesta segunda-feira:





quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

9 anos de blog



Foi no distante dia 2 de fevereiro de 2008 que nos arriscamos a começar com este blog.

A sensação de que o mundo piorou muito nesses 9 anos e que o Brasil sofre de uma desesperança crônica não nos desanima a seguir adiante.

Felizmente foram poucas, mas não nos faltaram razões para desestimular a sua continuidade, todas elas vencidas com perseverança e o apoio sempre presente dos muitos amigos que fizemos nessa caminhada: vocês, estimados leitores!

Dessa maneira, conseguimos nos manter fiéis ao nosso propósito inicial, o de compartilhar informação necessária e conteúdo de qualidade, com pitadas de descontração aqui e ali, sem nenhum interesse lucrativo, apenas pelo amor ao debate e ao aprendizado coletivo e solidário.

Agradecemos, portanto, a vocês, queridos parceiros de jornada, pela companhia e pela torcida que nunca nos faltaram, mesmo nos momentos mais difíceis.

Ao chegar o nosso nono aniversário, contatamos que resta apenas um ano para completarmos uma década juntos, e que nunca nos falte vigor e cumplicidade para seguir além, e mais além, enquanto pudermos.

Obrigado!



terça-feira, 7 de junho de 2016

Estamos de volta!



Olá, amigos!

Depois de algum tempo afastado por problemas de saúde, estou de volta, plenamente recuperado.

Agradeço o apoio, as orações, a torcida e a compreensão dos amigos leitores ao longo desse período.

Vamos lá, então!



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

7 anos do blog


Hoje completamos exatos 7 anos do blog.

Começamos timidamente no dia 2 de fevereiro de 2008 com a proposta de oferecer matérias interessantes e informação de qualidade envolvendo - primariamente - temas ligados à religião e à vida em sociedade como um todo.

Sete anos depois, sentimos que atingimos este objetivo ao perceber a qualidade dos nossos leitores, pelos comentários e dados estatísticos que temos à nossa disposição e - sobretudo - pelas amizades verdadeiras que tivemos a enorme felicidade de fazer ao longo desses anos.

Manter um blog com publicações diárias não é uma tarefa simples. Exige um bom tempo de pesquisa, leitura e - não tanto quanto gostaríamos - redação própria.

O que nos motiva é continuar aportando nossa pequena contribuição a um mundo melhor.

E isso só é possível graças à sua participação, prezado leitor, pela qual somos profundamente gratos.

A você, portanto, dedicamos o nosso agradecimento todo especial por continuar nos acompanhando e servindo de inspiração ao nosso árduo (mas gratificante) trabalho diário.



segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Blogueiro teólogo participará do Big Brother Brasil 2015

Confirmando a tese de que "não há nada que esteja ruim que não possa ser piorado", segundo a informação do UOL:

Após desistência, Globo anuncia teólogo como participante do "BBB15"


A Globo anunciou neste domingo (18) o substituto de Rogério Alves, 45 anos, na disputa pelo prêmio de R$ 1,5 milhão do "BBB15". Marco Marcon, teólogo de 35 anos, de Curitiba (PR), ficou com a vaga do bailarino pernambucano, que desistiu de participar do programa quando ainda estava confinado no hotel.

Segundo informações publicadas no Blog da Produção, no site oficial do programa, Marco passou pela Aeronáutica e por uma faculdade de Engenharia Civil. Em 2009, conquistou o título brasileiro de pôquer e disputou um mundial em Las Vegas. Mas um "vazio existencial" o levou a largar o jogo e estudar Teologia. Hoje, pesquisa "O poder do mal em diversos autores" na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e mantém blogs sobre religião.

Casado há três anos com Karina Marques Marcon, tem dois enteados, Marco Aurélio e Murilo, e um filho, Alexandre Iesous. Rogério não aguentou a pressão do pré-confinamento em um hotel, na Barra da Tijuca, e pediu para sair na manhã des sábado, logo após a visita da psicóloga. Segundo uma fonte do UOL, Rogério estava um pouco tenso e abalado, mas firme na sua decisão. A notícia só vazou neste domingo, dia em que o ex-confinado circulou pelas dependências do local, e foi visto pelos hóspedes.

Ator, palhaço, designer e professor de dança de salão, Rogério estava confinado havia sete dias, mas alegou à produção do reality show que a experiência serviu para mostrar que ele não teria condições de ficar mais tempo trancado e por isso preferia que outro participante entrasse no seu lugar. Em Recife, a filha de Rogério, Camilla Caldas, contou à reportagem que ficou surpresa com a notícia, mas que até as 16h30 deste domingo não tinha recebido nenhum contato do pai. "Não sei realmente o que aconteceu. Meu painho é muito inquieto e não para um segundo. Não aguentou a pressão! Ele deve ter sofrido bastante preso em um quarto", disse a advogada de 23 anos, que parecia conformada com a eliminação.

Essa não é primeira vez que alguém desiste de participar de "Big Brother Brasil" ainda no hotel. O pré-confinamento é considero pelos participantes como pior do que permanecer dentro da casa, já que o BBB fica isolado em um quarto, onde só recebe as visitas diárias de um produtor para receber as refeições e de uma psicóloga, quando a profissional é pedida pela pessoa. Campeão do "BBB8", o músico paulista Rafael Ribeiro, o Rafinha, entrou depois que dois participantes desistiram do reality. Na 12ª edição, o advogado mineiro Netinho e a empresária carioca Fernanda Girão também pediram para sair ainda no hotel.



segunda-feira, 22 de abril de 2013

Eduardo e Mônica: e se eles fossem blogueiros?


"Eduardo e Mônica" é a criação imortal de Renato Russo para o Legião Urbana, lançada em 1986, que agora ganha uma versão pós-moderna e antenada no projeto "Draw My Life", em que você pode produzir seus próprios vídeos em forma de desenho animado.

A ideia de transformar "Eduardo e Mônica" em mais um viral da internet é do portal Duka7, com desenho de Luciano Andrade.

O resultado é absolutamente sensacional. Confira no vídeo abaixo:




domingo, 24 de março de 2013

Por que comentários em blogs podem virar um festival de baixarias?

A matéria foi publicada no IHU:

Baixaria em comentários online agrava distorções informativas

"As conclusões mostraram que as pessoas com pouca familiaridade com novas tecnologias como a nanotecnologia tendem a valorizar mais o lado negativo do tema em questão quando os comentários postados nos textos do blog resvalaram para a baixaria e ofensas pessoais", escreve Carlos Castilho, jornalista, pesquisador de jornalismo online, em artigo publicado pelo Observatório da Imprensa, 04-03-2013.

Eis o artigo.

Os comentários grosseiros e ofensivos em páginas informativas na Web têm uma influência muito maior do que se imagina na formação de opiniões, pois a baixaria online é causa e consequência do tipo de informação publicada em blogs, redes sociais e sites noticiosos. Este fenômeno aumenta a polêmica em torno da complexidade da circulação de informações na internet.

A constatação foi feita por um grupo de cinco pesquisadores da universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, que investigaram a influência de comentários pouco civilizados na forma como as pessoas desenvolvem opiniões sobre fatos, dados, eventos e processos sobre os quais têm pouco conhecimento.

O trabalho envolve um estudo das reações aos textos de uma amostra de 2.338 pessoas – escolhidas conforme o perfil da população norte-americana – que comentaram as informações fictícias publicadas em um blog sobre nanotecnologia. Os pesquisadores escolheram propositalmente um tema neutro para evitar o passionalismo inevitável, caso o assunto fosse política, esporte, religião ou terrorismo, por exemplo.

As conclusões mostraram que as pessoas com pouca familiaridade com novas tecnologias como a nanotecnologia tendem a valorizar mais o lado negativo do tema em questão quando os comentários postados nos textos do blog resvalaram para a baixaria e ofensas pessoais. Como mais da metade dos participantes da pesquisa tinha um conhecimento mínimo sobre materiais inframicroscópicos, as pessoas destacaram mais os riscos do que as vantagens das pesquisas nessa área supernova na atividade cientifica.

Se a polarização de posicionamentos e a radicalização de percepções aconteceram num debate em torno de um tema relativamente pacífico, não é necessário muito esforço para deduzir o que aconteceria se a pesquisa envolvesse comentários sobre eleições, futebol, sexo ou religião. O festival de baixarias,por exemplo, é quase uma característica inevitável das campanhas eleitorais online.

Mas a internet não pode ser culpada pela falta de civilidade evidenciada por milhares de internautas. Também não é um fenômeno apenas brasileiro e nem muito menos um processo irreversível. Os cinco professores norte-americanos (três mulheres e dois homens) afirmam que a baixaria se tornou mais visível na internet pela ampliação exponencial do número de pessoas que podem publicar comentários na rede mundial de computadores tendo, teoricamente, acesso a uma audiência de mais de um bilhão de internautas.

A tendência a baixaria, radicalização e sectarismo já existia, mas não assumia as proporções do fenômeno online por falta de mecanismos de circulação massiva e instantânea de opiniões. O fenômeno é mundial e assume características específicas segundo o país em questão. O estudo da universidade de Wisconsin-Madison mostrou que os norte-americanos também apelam para a baixaria online para defender pontos de vista.

O preocupante é que a universalização e a instantaneidade da internet permitem que as distorções informativas também sejam cada vez mais amplas e imediatas. Isso pode ter consequências trágicas se levarmos em conta que hoje estamos submetidos a uma avalancha informativa na qual nos defrontamos diariamente com problemas complexos sobre os quais temos escasso conhecimento. A possibilidade de sermos envolvidos inconscientemente em processos de radicalização e xenofobia aumenta muito.

Os autores do estudo também assinalam que, embora os comentaristas pouco civilizados sejam os responsáveis pela criação de um clima de radicalização de posições num debate online, a causa, o gatilho que dispara a polêmica, é a noticia ou o texto analítico original publicado num blog, rede social ou página web de referência. A pesquisa mostra que uma notícia descontextualizada, enviesada ou uma análise crítica posicionada contra alguma ideologia, projeto político, postura religiosa ou proposta partidária tende a acirrar ânimos.

Nessas condições, a justificativa de liberdade de expressão perde consistência diante das prováveis consequência da radicalização e passionalismo. Não se trata de culpar A ou B ou C. A questão não é achar um bode expiatório. O problema é desenvolver a consciência de que uma vez deflagrada a baixaria, ela se torna incontrolável, no curto prazo, e vai exigir tempo, paciência e muita conversa para ser revertida.

Aqui no Código Aberto, a área de comentários foi bastante tumultuada durante quase dois anos por trocas de ofensas entre leitores impacientes, pouco acostumados a terem suas opiniões contestadas por outros. Mas desde 2006 a situação mudou depois de uma longa conversa entre os leitores, da qual também participei. Mas a questão continua em pauta.



terça-feira, 21 de agosto de 2012

Como é gostoso brigar na internet...


O artigo abaixo, do Life's Little Mysteries, traduzido por Guilherme de Souza e publicado no HypeScience no mês passado, muito provavelmente foi inspirado em pessoas que adoram brigar por qualquer coisa em blogs e fóruns da internet.

Embora esta possibilidade não seja explicitamente abordada no artigo, ouso afirmar - entretanto - que uma das causas desse comportamento é o fato de que muita gente resolve descarregar no meio eletrônico a frustração de toda uma vida (a sua), e os receptáculos de tanta amargura são seus inimigos virtuais e imaginários.

Eis o artigo:

Por que as pessoas adoram brigar na internet?

Você provavelmente já viu (ou, quem sabe, já começou) discussões “acaloradas” em seções de comentários de sites ou em redes sociais. No ambiente virtual, muita gente gosta de “soltar os cachorros” e expor seus pontos de vista com sarcasmo e agressividade.

Para alguns especialistas, a prática não apenas faz pouco sentido, como também pode atrapalhar o convívio social cara-a-cara. “Ter uma forte experiência emocional que não acaba de modo saudável não pode ser bom para você”, diz o professor de psicologia Art Markman, da Universidade do Texas em Austin (EUA).

Fundamentos da discórdia

Ele apontou algumas possíveis razões por trás das brigas virtuais. O primeiro seria o anonimato – mesmo quando usamos perfis reais, muitas vezes o “adversário” provavelmente nem nos conhece direito. O segundo fator seria a distância, que deixa as pessoas mais à vontade para brigar. Por fim, é mais fácil “destilar veneno” com escrita do que com a fala – há séculos já era comum as pessoas publicarem artigos ou cartas em jornais atacando seus adversários.

Além da agressividade, outro elemento impressionante em alguns debates virtuais é o tamanho dos comentários. Como as brigas não acontecem exatamente em tempo real, a pessoa tem mais tempo para pensar e dar uma resposta – e, ao invés de se acalmar, muitas vezes acaba “refinando” a agressividade.

Para o professor de Ética em Jornalismo Edward Wasserman, da Universidade de Washington e Lee (EUA), há maus exemplos na mídia que reforçam esse tipo de comportamento – em artigo recente, ele cita apresentadores de televisão dos Estados Unidos famosos por seu estilo agressivo. “As pessoas, de modo compreensível, concluem que a ira é a linguagem da política e que é assim que se discutem ideias públicas”, escreveu Wasserman.

Como manter a cabeça no lugar

Embora a internet ajude a criar contato entre pessoas que, de outra maneira, jamais se conheceriam, ela muitas vezes não dá suporte a certos elementos fundamentais da comunicação, como os gestos, o tom de voz e o contato visual.

“Quanto maior a distância do diálogo cara-a-cara, em tempo real, mais difícil é se comunicar”, apontou Markman. Ele acredita que a mídia não deveria reforçar a ideia de que agressividade é boa para discussões. “Mesmo que alguém exponha uma ideia legítima, se usar um tom agressivo, está ferindo a natureza da discussão e incentivando outras pessoas a responder da mesma forma”.

Para os usuários “esquentados”, ele sugere que criem o hábito de debater ideias pessoalmente – o que incentiva o exercício da paciência na hora de expor pontos de vista. Se eles praticarem isso, terão mais facilidade para dialogar no meio virtual sem depender de “veneno” para dizer o que pensam.



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Quatro anos de blog e um funeral

mourning
Hoje não é um bom dia para comemorar o 4º aniversário do blog. 

Acabo de chegar do enterro de um amigo de infância, o Zé Augusto, que faleceu ontem aos 48 anos de idade, vítima de um mieloma múltiplo, uma espécie rara de câncer ósseo. 

Lembrei-me então de uma foto que tiramos exatos 40 anos atrás (vide abaixo), no 1º semestre de 1972, quando cursávamos o 3º ano do curso primário, como se chamava à época. 

Como a foto alegre denuncia, nela estão crianças felizes na faixa dos 8 anos de idade e na simplicidade de uma infância em que o bem maior era a amizade que as unia. O Zelão (como o chamávamos) era o último garoto sorridente agachado à direita, do meu lado. 

No funeral desta manhã, das crianças retratadas apenas o Reginaldo, o último agachado à esquerda, estava lá do meu lado. As lembranças, entretanto, continuam presentes. 

No mês passado, eu conversava com o Zelão e percebíamos o quanto aquela ligação antiga continuava viva. 

Brincávamos com o fato dele ser 3 dias mais velho que eu e, apesar da distância natural e temporária causada pelos caminhos diferentes que cada uma dessas crianças trilhou, conseguimos manter firmes e fortes os laços antigos. 

Poucos, entretanto, têm essa possibilidade e esse prazer de manter viva uma amizade de infância. 

Imagino que, depois de uma certa idade, muitos prefiram descartar todas as lembranças que os ligam a situações difíceis, especialmente da adolescência, e belas e valiosas histórias de vida se perdem nessa faxina emocional deletéria. 

Um funeral, 40 anos de uma foto e 4 anos do blog. 

Ainda que seja um fenômeno recente na história da humanidade, manter vivo um blog também é tarefa difícil. 

Requer amor, trabalho, carinho, desprendimento, renúncia às vezes. 

Mas tanto o blog, a infância e mesmo a morte jamais deixam de ser celebrações da vida, com todas as alegrias e dificuldades que ela nos apresenta. 

Se a morte marca o fim da existência terrena, apesar da tristeza e da saudade, os que ficam não podem perder a alegria de viver e deixar de celebrar tudo o que foi vivido antes da pessoa querida partir, encontrando nisso forças para seguir adiante. 

Prosseguir sempre, enquanto pudermos, é isto o que o blog e nós todos faremos, inclusive como homenagem aos que não tiveram tempo e oportunidade de nos acompanhar até aqui.




terça-feira, 18 de outubro de 2011

Blogueiro quer que católicos controlem saúde pública

A ironia é do Blog do Sakamoto:

Que tal entregar a saúde pública à igreja?

O reitor do Santuário Nacional de Aparecida pediu ao ministro da Saúde que não distribua camisinhas nas escolas públicas, afirma o Painel da Folha de S. Paulo de hoje.

Sabedoria divina que arrepia. Até porque, como todos sabemos, jovens só fazem sexo por causa do preservativo grátis. Sim, ela, a camisinha, é a responsável por tirar da inocência milhões todos os anos. Sem a dita, viveriam uma vida de castidade, dedicada às boas causas. Mas não! Enquanto o pecado em forma de látex lubrificado estiver à espreita de nossos adolescentes, feito o Tranca-Rua, o Tinhoso, o Cramulhão mangando Jesus no deserto, não haverá paz.

E o Estado, ao distribuir essas sementes da luxúria, é como a serpente que ofereceu o fruto da árvore proibida à Eva, levando ao conhecimento do bem e do mal. Pobre Adão! Pobres rapazes tirados da castidade por culpa de garotas que repetem o pecado original!

Sem esquecer dos padres acusados de molestar sexualmente de crianças, levados à tentação por conta de anúncios libidinosos de preservativos.

Malditas sejam todas as camisinhas! Antes delas, não havia sexo antes do casamento, muito menos cópula que não fosse com o sagrado intuito da procriação.

Com base no doce raciocínio do clérigo, proponho algo revolucionário: fechar as fábricas de preservativos. Jontex, Olla, Preserv, Blowtex… Isso acabaria com todas as doenças sexualmente transmissíveis, como a Aids, noves fora os filhos indesejáveis.

Enfim, vamos entregar a questão da saúde pública aos cuidados da Igreja Católica. Certamente, ela terá a coragem de pôr em prática ações que o Estado não toma. Os problemas sociais serão resolvidos com base no Código de Direito Canônico e, por que não, na reedição da bula Cum ad nihil magis, do Santo Ofício. Por exemplo, condenar médicos que fizerem abortos, mesmo que nos raros casos previstos em lei, a uma eternidade de privações no limbo – já que não se fazem mais fogueiras em praças públicas como antigamente – vai por um ponto final na questão.

Revolucionário, nesse sentido, foi o então arcebispo de Olinda e Recife José Cardoso Sobrinho, que excomungou os médicos envolvidos no aborto legal feito por uma menina de nove anos, 1,36 m e 33 quilos, grávida de gêmeos do padrastro que a estuprava desde os seis anos de idade.

“Os adultos, quem aprovou, quem realizou esse aborto, incorreu na excomunhão. A Igreja não costuma comunicar isso. Agora, a gente espera que essa pessoa, em momentos de reflexão, não espere a hora da morte para se arrepender”, disse em 2009. Amém.

O mesmo vale para o uso – e, quiçá – distribuição gratuita de preservativos. O arcebispo da Paraíba, Aldo Pagotto, suspendeu o deputado federal e padre Luiz Couto (PT-PB) de suas funções como sacerdote porque ele defendeu o uso da camisinha e os homossexuais.

Enfim, tudo isso seria engraçado, apenas fait divers em colunas de jornais se, em épocas de eleições, os candidatos não vendessem sua alma à igreja na busca por votos, prometendo em troca a manutenção do controle simbólico sobre o corpo dos cidadãos.



domingo, 7 de agosto de 2011

Décadas depois, Globo diz que tem código de ética

Se já é no mínimo curioso que as Organizações Globo existam desde 1925 (com o jornal "O Globo" - a televisão vem desde 1965) e só agora façam questão de divulgar ao público que eles - quem diria! - seguem um tal "código de ética" (seja lá o que "ética" signifique para eles), alguma coisa deve estar muito errada lá pelos lados do Jardim Botânico e de Jacarepaguá, para que eles queiram alardear aos quatro ventos que "são isentos", "apartidários", "ouvem o outro lado", entre outras qualidades que você é capaz de avaliar se eles realmente a praticam. O interessante é que no preâmbulo do tal "código de ética", eles ataquem justamente os blogs, denunciando-os como "não confiáveis", como se a Globo detivesse o monopólio da credibilidade no país, além do monopólio da televisão, que anda meio surrado, mas eles ainda exercem. A pergunta que não quer calar é: uma organização do porte da Globo precisa mesmo esperar décadas para divulgar seu código de ética? Tarde demais, Globo, a gente já te conhece...



Como Fernando Marés de Souza, no seu blog Roteiro de Cinema News, já disse tudo o que importa sobre o tema, reproduzo o texto aqui:

Organizações Globo publicam seus princípios éticos mas não os praticam

As Organizações Globo publicaram com alarde em todos os seus veículos um documento onde delineiam os "os princípios e os valores que regem o jornalismo feito por suas empresas de comunicação".

O documento foi recebido com ironia, ceticismo e críticas nas redes sociais, alcançando rapidamente os "trending topics" do Twitter.

Blogueiros especulam que a divulgação do documento veio em resposta às acusações do jornalista Rodrigo Vianna - ex-funcionário da Globo - de que a direção da emissora emitiu ordem expressa para que seus jornalistas atacassem o novo Ministro da Defesa Celso Amorim.

O ceticismo e as críticas são baseadas no histórico do conglomerado de mídia, e a ira e ironia dos internautas é pautada principalmente pela eterna proteção ao presidente da CBF Ricardo Teixeira - através do conhecido espiral do silêncio - que acusado de corrupção pela BBC inglesa, desdenhou dos veículos que repercutiram a notícia afirmando que só ficaria preocupado "quando sair no Jornal Nacional". Obviamente o Jornal Nacional nunca mencionou as acusações. O silêncio da organização sobre as denúncias contra Teixeira pode ser conferido com uma simples busca aos termos "CBF + corrupção + Ricardo Teixeira" no portal de informações do conglomerado.

As ligações de Teixeira com a Globo são estreitas e antigas e as críticas ao monopólio exercido pela Globo na transmissão do futebol brasileiro recorrentes, porém recentemente uma nova denúncia grave surgiu: as Organizações Globo receberam 30 milhões de recursos públicos dos cofres da Prefeitura e do Governo do Rio através de sua subsidiária Geo Eventos para organizar o sorteio das preliminares da Copa mês passado. A escolha da empresa foi feita pelo Comitê Organizador Local, presidido por - surpresa! - Ricardo Teixeira.

Com interesses econômicos diretos na Copa do Mundo do Brasil, o jornalismo da Globo também faz vista grossa para as crescentes denúncias de violação de direitos humanos e ilegalidades cometidas na remoção de famílias para construção de infra-estrutura do evento, relatadas inclusive pela ONU.


É interessante notar que na mesma edição do Jornal Nacional que anunciou os tais Princípios Editoriais, seus jornalistas descumprem flagrantemente o que está escrito no documento. Em uma matéria sobre a presença de veneno em merenda escolar no RS, a âncora Fátima Bernardes afirma: "Está foragida a merendeira que pôs veneno de rato na comida de crianças e professores de uma escola pública de Porto Alegre" - enquanto mostra a foto da acusada na tela.

Mas como pode a jornalista afirmar como fato algo que ainda não foi comprovado? A merendeira é SUSPEITA de ter colocado veneno, ACUSADA de ter colocado veneno, Fátima Bernardes não pode apresentar como fato que a "merendeira pôs veneno de rato na comida de crianças". Mesmo que haja uma suposta confissão da merendeira, o advogado da acusada afirma que ela não colocou veneno algum e que se apresentará segunda-feira, informação que o Jornal Nacional não traz em sua reportagem. A matéria fere os princípios descritos nos ítens1-v, 1-x, e 1-z dos princípios editoriais, desrespeita o princípio do contraditório e qualquer senso básico de justiça.

A maneira como o jornalismo da Globo lida com suspeitos de crimes é - sob minha ótica - um dos principais desvios éticos da organização. O veículo tem um caráter justiceiro, se coloca acima do judiciário e do devido processo legal, acima do princípio - não descrito no documento da Globo, mas sim na Declaração Universal dos Direitos do Homem - de que todos são inocentes até que se prove o contrário.

A Globo trata suspeitos e investigados como culpados sentenciados, sem autoridade moral ou legal para isso, assume como verdade inequívoca teses não comprovadas de agentes policiais, provocando tragédias como a do calvário do jornalista João Cleves, vítima de uma reportagem sensacionalista do Fantástico em 2001 que - baseado apenas na palavra de um delegado que queria incriminar o jornalista que investigava a corrupção policial - julgou e condenou o réu por antecedência no caso do assassinato de sua esposa. Cleves ficou anos encarcerado, mas posteriormente foi inocentado pelo STF, após intervenção da Comissão Nacional de Direitos Humanos. A matéria do Fantástico havia sido apresentada como prova pela promotoria. O Fantástico nunca se retratou do erro ou citou novamente o nome de Cleves.

Relata João Cleves: "A maldade da polícia, no meu caso, foi reparada pela Justiça, que me absolveu à unanimidade ao acatar a tese de meu advogado de que a arma, apontada pela polícia (e a imprensa que a copiou) como a do crime, fora plantada no local do assalto para incriminar-me. A mesma reparação não tive da imprensa. O espetáculo jornalístico causou um estrago tão grande na minha família que perdi as esperanças de um dia ficar livre desse pesadelo."

No último domingo uma reportagem de Rodrigo Alvarez para o Fantástico acusava várias pessoas de cometer crimes ambientais na construção de mansões em paraísos ecológicos, a maioria ainda em processo de investigação, mas hipocritamente e de maneira corporativista não citou o caso de um funcionário da casa, o apresentador Luciano Huck, condenado por danos ambientais em sua mansão de Angra e processado por outros crimes ambientais no mesmo imóvel.

Outro caso de hipocrisia, agravado pelo recebimento indevido de recursos públicos, se deu na tragédia da região serrana do Rio. Enquanto os editoriais das Organizações Globo responsabilizavam membros do governo federal e estadual por não terem realizado os investimentos para conter as enchentes, escondiam o fato de que a Fundação Roberto Marinho embolsou parte do dinheiro público do Fundo Estadual de Conservação do Meio Ambiente, que deveria ser destinado para a prevenção de enchentes e contenção de encostas, e usou na construção de um museu na área urbana do Rio.

No quesito "correção", o documento diz que "Os erros devem ser corrigidos, sem subterfúgios e com destaque. Não há erro maior do que deixar os que ocorrem sem a devida correção".

Pois bem, a prática de correção de informações equivocadas publicadas pelos veículos da organização é falha. Quando desmenti sozinho quase toda a imprensa brasileira em fevereiro deste ano no "exposé" investigativo "A verdade sobre o Google e a suposta censura de notícias no Brasil", relatei que após publicar informações falsas, o G1 publicou uma correção que a Agência Estado enviou aos seus clientes depois de alertada pela minha reportagem, mas mantém até hoje a página original sem correção e sem nenhum aviso que as informações ali publicadas não são verdadeiras, e esta página original foi (e ainda é) usada como fonte para corroborar uma informação falsa. Na prática, continua publicando mentiras.

Outra vez fica claro que o documento das Organizações Globo é apenas uma vaga declaração de intenções, e não um código de conduta.

Uma afirmação do documento que chega a provocar risos é a de que "As Organizações Globo são laicas". Isso vindo de uma emissora que transmite a "Santa Missa" católica nas manhãs de domingo - sem ônus para o Vaticano - e que trata como fato o "milagre" de Irmã Dulce.

Oremos...

Fernando Marés de Souza

segunda-feira, 27 de junho de 2011

In God We Blog

Quando o blog vira uma igreja:



Tradução:

(com o laptop na mão)

- Você gostaria de se unir à minha igreja?
- Uh...
- O culto é direto no meu blog. Você coloca os pedidos de oração na área de comentários...
- Uh...
- Faça a sua confissão em 140 caracteres e me mande por DM no twitter
- Uh...
- Não existe pratinho de coleta. Só clique em alguns anúncios.
- Uh...


do ChannelATE via Scotteriology

domingo, 15 de maio de 2011

O Vaticano e os blogs


Artigo publicado no Zenit, agência oficial de notícias do Vaticano:

Que blog você leu hoje?

Por Wagner Moura*

SÃO PAULO, domingo, 15 de maio de 2011 (ZENIT.org) - Uma tarefa é cumprida diariamente pelo porta-voz do Vaticano, padre Frederico Lombardi, logo após a celebração da Santa Missa, às 7h30 da manhã. Com o auxílio de um blogueiro (autor de conteúdos publicados em um blog), amigo dele, padre Lombardi atualiza-se sobre os assuntos tratados na blogosfera, conjunto de diferentes blogs que, reconhece o padre, são muito importantes para a sociedade e para a Igreja.A revelação foi anunciada pelo porta-voz do Vaticano, na tarde de 2 de maio, a cerca de 150 blogueiros, de 17 línguas diferentes, convidados pela Santa Sé para o encontro ‘Vatican Blog Meeting', realizado em Roma.

O evento inédito promovido pelos dos Conselhos Pontifícios para a Cultura e para as Comunicações Sociais contou com a participação de quatro blogueiros brasileiros e foi uma oportunidade de diálogo entre a hierarquia da Igreja e protagonistas do "continente digital". Quis servir como exemplo para todas as Igrejas particulares ao reconhecer a contribuição dos blogueiros para desenvolver a opinião pública dos fieis na Igreja, algo já tratado no documento conciliar sobre as comunicações sociais, ‘Inter Mirifica' (n.8 e 14).

Essa consciência é defendida pelo convidado do Brasil para participar do 7° Mutirão Brasileiro de Comunicação, em julho, o arcebispo Cláudio Maria Celli, presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais.

Após o ‘Vatican Blog Meeting', ele demonstrou o apreço institucional pelos porta-vozes da cultura digital, ao afirmar ao ‘L'Osservatore Romano', o jornal da Santa Sé, que "os blogs são espaço de autenticidade e ao mesmo tempo de provocação".

"Eles nos ajudam a crescer. São novas possibilidades de relações humanas, ricas, dinâmicas e vivazes! O anúncio da Palavra de boca em boca, coração a coração, isso é natural à nossa fé e uma nova forma de fazer isso é pelos blogs", disse.

Durante o encontro, no Vaticano, os participantes foram convidados a refletir sobre o sentido missionário dos blogs e provocados a estarem a serviço da liberdade humana para construir comunidade e não estarem a serviço de si mesmos.

Em relação ao diálogo com a Igreja, os blogueiros foram lembrados que esta não é inimiga deles, mas uma fonte de informação que conta com eles para clarificar os discursos dela junto à opinião pública, buscando a verdade para evitar confusão, garantindo-se assim a liberdade.

Falou-se ainda do desafio de uma "pastoral 2.0" que supra a necessidade de formação de "web-agentes-pastorais" e "web-pastores" aptos a dialogar com a cultura digital, a compreender que a atividade pastoral na rede mundial de computadores é comparável à construção de uma comunidade local. As autoridades eclesiais foram estimuladas a se engajar na comunidade blogueira, mostrando assim o desejo de evangelizar o homem imerso nessa cultura.

Para muitos blogueiros que participaram do ‘Vatican Blog Meeting', o momento foi considerado uma homenagem ao Papa João Paulo II beatificado um dia antes do evento e considerado como o Papa das comunicações. Foi ele quem abriu a Igreja para o diálogo com a internet, demonstrando entender bem a necessidade de mediação culturalfrente ao avanço tecnológico dos meios de comunicação de nosso tempo.

Nesse contexto de reconhecimento, alguns blogueiros começaram, pela internet, a divulgação do pedido de "patrono súbito" para tornar o beato Papa João Paulo II o padroeiro dos comunicadores em geral. Até que isso seja possível, os blogueiros reunidos pelo Vaticano esperam fomentar - de preferência em diálogo com as conferências episcopais encontros locais e nacionais de blogueiros para que a mensagem doencontro multiplique-se e gere bons frutos.

*Wagner Moura é autor do blog pró-vida www.diasimdiatambem.wordpress.com e contou com o apoio da Arquidiocese de Campinas para participar do ‘Vatican Blog Meeting'.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

3 anos de blog

Este blog nasceu há exatos 3 anos. Começa hoje, portanto, sua quarta temporada. A ideia de criar um blog já vinha amadurecendo por alguns anos, até que no dia 2 de fevereiro de 2008 O Contorno da Sombra fez sua estreia na blogosfera. Tímido a princípio, explorando o terreno, investigando as possibilidades, buscando seu nicho, acostumando-se ao novo mundo. Desde o princípio, procuramos promover e fornecer conteúdo de qualidade dentro das nossas reconhecidas limitações. Aos poucos fomos encontrando o caminho que nos parece mais claro hoje, que é o de abordar temas de alguma forma ligados à religião (não exclusivamente cristã) e à convivência pacífica numa sociedade democrática e tolerante. Tolerância não significa exatamente abster-se de criticar ou eximir-se de discordar, mas expor as nossas opiniões (e a de outros) de maneira respeitosa, abrindo espaço a quem porventura pense diferente e dando-lhe a oportunidade de contrapor seu ponto de vista. Como já existem muitos blogs que tratam dos mesmos temas, procuramos oferecer sempre novas abordagens e posições vistas por outros ângulos que a maioria não havia cogitado. Nem por isso, entretanto, fugimos dos temas mais comentados se pudermos, de alguma forma, acrescentar algo relevante ao enfrentamento da questão.

Não é fácil manter um blog, atividade que demanda muito tempo e intensa dedicação. Dedicação esta que talvez seja a maior prova de que gostamos do que fazemos. A recompensa vem tanto pelo prazer de ver boas ideias circularem livremente como quando vemos que um determinado texto foi importante para alguém ou teve significativa repercussão. Foram 881 textos publicados até hoje. Uma média de 11.000 a 12.000 visualizações de páginas todo mês, bem mais do que esperávamos a princípio. Nesses felizes 3 anos, muita coisa mudou no mundo, em nossas vidas e na blogosfera em geral. Fizemos bons amigos, conhecemos gente muito digna, descobrimos blogs e sites interessantes, e o principal: aprendemos muito. Tudo isso nos anima a prosseguir, querendo Deus, por um bom tempo ainda. Agradecendo a todos os que nos dão o prazer de seu apoio e visita, vamos, então, festejar. Obrigado!

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Indicando: C. S. Lewis e o blog do Vítor

Destaco o texto que o blog Despertai, Bereanos!, do meu amigo Vítor, publicou sobre "The Screwtape Letters" ("Cartas do Diabo ao seu Aprendiz"), de C. S. Lewis. Para acessar o texto, clique aqui. Recomendo, também, o brilhante texto do Vítor sobre o poder (e a natureza) das escolhas que fazemos na vida (ou a vida nos leva a fazer): Simplesmente escolha! Mas será assim tão simples?

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