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domingo, 6 de dezembro de 2015

Sim, é possível ser feliz sozinho

É o que diz matéria publicada na revista Galileu:

Tom Jobim estava errado: é possível ser feliz sozinho, diz estudo

Pessoas que evitam conflitos são mais felizes fora de relacionamentos

MARÍLIA MARASCIULO

Ao contrário do que cantou Tom Jobim, aparentemente é possível, sim, ser feliz sozinho — e isso quem diz é um estudo da Universidade de Auck­land, não algum sucesso qualquer de funk ou pagode. Feita com neozelandeses de 18 a 94 anos, a pesquisa revelou que, diferentemente das pessoas que buscam intimidade, aquelas que preferem evitar conflitos são mais felizes solteiras, independentemente do gênero ou do período da vida em que se encontram.

Até agora, estudos sobre relacionamentos costumavam indicar que os comprometidos são ligeiramente mais felizes e saudáveis que os solteiros. A lógica parece simples: o apoio de um parceiro ajudaria a lidar com o estresse cotidiano, o que provocaria maior sensação de bem-estar. “Mas mesmo as melhores relações podem ser difíceis e expor o indivíduo a mágoas e decepções”, explica a autora do estudo, a psicóloga Yuthika Girme. Em alguns casos, são motivo inclusive de ansiedade e depressão. E, para certas pessoas, passar por isso simplesmente não vale a pena.

Segundo a psicóloga, existem duas maneiras de construir relacionamentos: buscando intimidade ou evitando conflitos. Enquanto pessoas do primeiro grupo buscam oportunidades de tornar os vínculos mais intensos e se sentem mais satisfeitas quando estão comprometidas, aquelas que preferem evitar desentendimentos ou brigas costumam ser mais felizes solteiras.

Em contrapartida, explica a autora, estar solteiro aumenta a possibilidade de melhorar a relação com parentes e amigos e de dedicar-se a hobbies, à carreira e a outras atividades que podem proporcionar bem-estar. “Embora ainda exista pressão para você namorar ou casar, a solteirice está se tornando cada vez mais comum e nem sempre é sinônimo de insatisfação ou tristeza”, diz Girme.



sábado, 26 de setembro de 2015

"Mente vazia" na infância ajuda a lidar com frustrações na vida adulta


É o que afirma, entre outras informações igualmente interessantes, matéria publicada no R7:

Pais que mimam filhos estão criando geração de adultos deslocados e incapazes de lidar com frustração

Especialistas mostram como imediatismo dos pais causa graves consequências às crianças

À mesa do restaurante, João faz manha exigindo o celular da mãe para se divertir durante o almoço. Maria se joga no chão da loja de brinquedos porque quer que o pai compre aquela boneca agora. E, sentado no sofá de casa, Pedro se irrita com os pais porque quer uma resposta urgente sobre poder ou não ir à festa dos amigos no sábado à noite. Todos eles, não importa a idade, têm algo em comum: vão se tornar adultos mimados, incapazes de lidar com as frustrações do mundo.

A culpa do destino dos três, João, Maria e Pedro, é do imediatismo que rege as relações atualmente. Temos, como pais, dito muitos “sim” para os filhos, quando, na verdade, o ideal seria dizer mais “não sei” ou “vou pensar”. Como explica a psicóloga e educadora Rosely Sayão, essa atitude traz como maior prejuízo uma alienação em relação à realidade.

— O adulto que tem o imediatismo cultivado, ao invés de controlado, tem dificuldade de compreender e se inserir no mundo.

Pressionados a responder às demandas dos filhos imediatamente, os pais acabam soltando respostas impensadas, e a consequência, na visão da coach de vida e carreira Ana Raia, é a criação de jovens pouco preparados para lidar com a vida.

Segundo ela, os pais, atualmente, não aguentam não ser imediatistas. Se no passado eles se permitiam deixar os filhos insatisfeitos por mais tempo, hoje atitudes como essa se transformaram em um dos maiores desafios na educação das crianças e jovens.

Ana acredita que a tecnologia colabore para o imediatismo a partir do momento em que, ao toque de um dedo na tela do celular, a resposta para qualquer pergunta ou busca de informação podem ser obtidas em pouquíssimos segundos.

— Não conseguimos sustentar uma dúvida por muito tempo, um incômodo. Não sabemos lidar com um mal-estar neste mundo onde a felicidade é imperativa.

E a dúvida, explica Rosely Sayão, é preciosa, assim como a espera e o pensamento, porque eles ajudam a criança a crescer e a amadurecer. Crianças que não têm momentos de “mente vazia”, por exemplo, poderão sofrer graves consequências na vida adulta.

Alguém que está sempre entretido terá para sempre a necessidade de entretenimento constante, alerta o médico Daniel Becker, criador do projeto Pediatria Integral. Segundo ele, para ser criativo, o cérebro humano precisa da criatividade.

— São necessários momentos em que ele está engajado com algo externo, e também momentos em que está ocioso, em estado de contemplação. Quando uma criança tem seu tempo completamente tomado com atividades como escola, inglês, natação, Facebook, Instagram, WhatsApp, ela fica incapacitada de ter importantes processos interiores.

Becker acrescenta que crianças que não interagem com seus pares ou com os adultos, porque passam o dia com eletrônicos na mão, terão menos inteligência emocional, menos empatia e menos capacidade de se comunicar com os outros quando crescerem.

Se este já não fosse um bom argumento, ainda haveria a opinião de outros especialistas, que enxergam o hábito dos pais de entregar celulares e tablets às crianças como algo benéfico apenas para os adultos.

Na opinião de Rosely Sayão, oferecer um eletrônico em momentos em que se espera que os filhos se socializem com a família e amigos não é um carinho, mas, sim, um comodismo.

— O celular e o tablet nestas situações têm a função do “cala a boca”, nada além disso.

Mas, então, o que fazer quando a conversa no restaurante está boa, mas os pequenos não param de dar chilique e pedir para ir embora? O pediatra Daniel Becker dá uma boa dica.

— As pessoas se esquecem que as crianças sabem conversar e que podem fazer pequenos contratos. Mesmo as menorzinhas têm essa capacidade de compreensão. Basta dizer ao filho que, nos momentos em que estiverem conversando em família, ele não terá o tablet, mas que, quando a mamãe e o papai estiverem falando só com seus amigos, ele poderá pegar o tablet emprestado por 15 minutos. Assim, se alcança um equilíbrio.

Soluções como esta são recursos para que os pais lidem não só com o imediatismo das crianças, como também o deles próprios, que pode, mesmo que de maneira não intencional, servir como exemplo negativo aos filhos, que acabam copiando as atitudes da família.

Para o pediatra presidente do Congresso Brasileiro de Urgências e Emergências Pediátricas, Hany Simon, a ansiedade e a angústia na adolescência e na vida adulta podem ser resultados do imediatismo paterno presenciado na infância. E, como reforça Rosely Sayão, viver de maneira urgente só traz impactos emocionais negativos nas crianças.

— Somos imediatistas desde que nascemos. Choramos para manifestar desconforto, somos atendidos e temos nossas necessidades básicas saciadas. Com isso, vem também uma sensação de prazer, que vamos desejar para sempre. No entanto, precisamos entender que não é o princípio do prazer que vai reger a nossa vida, e, sim, o princípio da realidade. O papel dos pais é, aos poucos, mostrar aos filhos a realidade do mundo.



domingo, 20 de setembro de 2015

Desacelere a sua mente, elimine o excesso de informação e viva melhor!


É o que aconselha o neurocientista Daniel Levitin em entrevista concedida a Lúcia Guimarães e publicada no Estadão:

Contemplar o capim

Em livro, neurocientista desmonta o mito das multitarefas e mostra que descansar a mente libera espaço para as grandes ideias

Folgo e convido minha alma,
deito-me e folgo à vontade vendo
uma lança de capim no estio.
(CANÇÃO DE MIM MESMO, POEMA DE FOLHAS DE RELVA, DE WALT WHITMAN)

Quem tem tempo de se espalhar na grama e admirar a lança de capim em vez de conferir a tela do smartphone? Em 1855, o poeta Walt Whitman não sabia nem precisava saber o que era ser multitarefas, mas já ensinava, em seu poema clássico, que a mente precisa vadiar. Vivemos uma era de aceleração de fontes de informação como nenhuma outra na história da humanidade. Mas o nosso cérebro tem a mesma capacidade fisiológica de enfrentar esse ataque de dados que tinha o cérebro do poeta. Em um livro best-seller escrito para você e para mim, não para cientistas, o celebrado autor Daniel Levitin oferece recursos para impedir que o leitor seja soterrado pela avalanche diária de informação. A Mente Organizada combina a apresentação das descobertas recentes em estudos sobre o cérebro e sugere rotinas para assumir o controle do ecossistema de informação, e não ser controlado por ele. Levitin é um neurocientista, especialista em psicologia cognitiva e músico, autor de outro best-seller, A Música no Seu Cérebro.

Ele dirige um laboratório de percepção musical na McGill University, em Montreal, e é cofundador e diretor do programa de Ciências Sociais do Projeto Minerva, universidade fundada em 2012 em San Francisco. O Minerva é um programa de graduação com 120 alunos que visa a reformar a educação superior do século 21 para enfrentar as rápidas mudanças em vários campos de conhecimento. “Não achamos honesto cobrar altas anuidades de estudantes que, ao se formar em certos campos profissionais, não podem mais usar o que aprenderam porque seu conhecimento já está superado”, diz Levitin, em entrevista exclusiva ao Aliás. “Temos foco em pensamento crítico, solução de problemas e 25% do currículo é concentrado em promover a comunicação efetiva.” Engraçado: na era dos nerds esquisitões da tecnologia, uma escola de vanguarda privilegia o diálogo.

Em A Mente Organizada, Levitin observa o que têm em comum as pessoas bem-sucedidas e produtivas. Sugere estratégias de organizar a memória – esvaziá-la com exercício e instrumentos que chama de extensões do cérebro, como calendários eletrônicos, smartphones e cadernos de anotação. Curiosamente, ele notou, entre seus mais ocupados interlocutores, um apego físico a objetos analógicos, pequenos cadernos de anotação, fichas, canetas e lápis. E especula sobre as vantagens de manter esse hábito.

O cérebro precisa de resets neurais. São esses resets que nos tiram de situações como a de um carro atolado na lama. É frequente, depois de uma pausa de repouso, encontrar a solução para um problema que parecia fora de alcance. A neurociência, conta Levitin, comprova que contemplar a natureza oferece um poderoso reset – até mesmo olhar imagens da natureza.

A eficiência em organizar a informação nos torna mais do que produtivos. É um instrumento de libertação para o ócio, para os momentos em que podemos contemplar a grama e ter grandes ideias. Como ter inspiração para escrever o maior clássico da poesia norte-americana.

Por que falamos em sobrecarga de informações?

Para os cientistas, a sobrecarga é a diferença entre a quantidade de informação com que somos bombardeados e a capacidade do nosso cérebro de lidar com ela.

O que é a obsolescência evolucionária, que o senhor aponta como parte do obstáculo para lidar com o excesso de informação?

Todos os organismos vivos estão constantemente se adaptando ao meio ambiente. A seleção natural exerce influência sobre essa adaptação. Por exemplo, nós nos adaptamos à erosão da camada de ozônio e pessoas que adquirirem maior resistência aos raios ultravioleta transmitirão aos descendentes o gene de sobrevivência a eles. Mas é um longo e lento processo. Nosso cérebro evoluiu para lidar com um ambiente que existia há 10, 20 mil anos. O genoma humano precisa de tempo para se adaptar. Para você ter uma ideia, em 30 anos quintuplicou a quantidade de informação que recebemos a cada dia. Pense nisso como o equivalente a ler 175 jornais de ponta a ponta diariamente. Outro número extraordinário: em 1976, nos Estados Unidos, havia cerca de 9 mil produtos únicos à venda num supermercado. Hoje, há cerca de 40 mil. O consumidor americano, que compra uma média de 150 produtos, tem que navegar entre uma quantidade muito maior de escolhas.

Embora a evolução do cérebro esteja “atrasada”, há duas gerações essa obsolescência era muito menos sentida, certo?

Vamos considerar um aprendizado que foi necessário para nossos avós. Eles tiveram que aprender a usar o telefone uma ou duas vezes – tiveram que fazer chamadas com ajuda de telefonistas e depois aprenderam a discar. Hoje, os smartphones não param de mudar. Você troca de modelo e tem que aprender inúmeras funções, que daqui a poucos anos serão trocadas.

Há um site chamado “Deixe eu googlar isto pra você” inspirado na exasperação que muitos sentem quando alguém faz uma pergunta que pode ser respondida online. Qual a importância de ter tanta informação disponível em poucos segundos?

Quando eu cursava a Universidade Stanford, na Califórnia, gostava de estudar dentro da enorme biblioteca principal. Havia ali respostas para tudo o que eu queria saber. Mesmo se eu me distraísse e quisesse conferir algo que não tinha ligação direta com o trabalho em questão, era preciso levantar, localizar um livro ou publicação num sistema de classificação. Hoje, a nossa atenção é desviada o tempo todo para novas fontes e isso afeta a possibilidade de recuperar o foco inicial. Há enorme variação na nossa capacidade de virar a chave da atenção. Mulheres e jovens tendem a ser mais rápidos do que homens e idosos. Mas varia muito. Se me distraio de algo, demoro uns cinco minutos para retomar a concentração.

A palavra multitarefas, executar várias tarefas ao mesmo tempo, é indissociável da rotina do século 21. Mas o senhor diz que multitarefas não passam de ficção.

Não existem multitarefas, é um mito. O cérebro simplesmente não comporta isso. A pessoa pensa que está lidando com várias coisas ao mesmo tempo quando, de fato, o cérebro está experimentando rápidas mudanças de foco que mal percebemos, o que resulta numa atenção fragmentada a várias coisas e nenhuma atenção sólida a uma que seja. Recentemente ficou provado que conseguimos prestar atenção a, no máximo, três ou quatro coisas de uma vez. O cérebro é eficaz em provocar autoilusão. Achamos que estamos no controle das coisas. Mas executar várias tarefas ao mesmo tempo libera um hormônio de estresse, o cortisol. O cortisol tem um papel evolucionário, mas também provoca ansiedade, nervosismo e afeta a clareza de pensamento. Comparo o ato de fazer várias tarefas ao mesmo tempo com uma espécie de embriaguez. Há trabalhos que exigem essa capacidade, como tradutor simultâneo ou controlador de tráfego aéreo. E não é à toa que, nessas funções, as pessoas são obrigadas a fazer várias pausas de descanso para recuperar a capacidade de se concentrar.

No entanto, há uma noção de que as pessoas bem-sucedidas, e o senhor entrevistou mais de 100 para escrever o livro, são as que têm o poder de acumular mais tarefas do que os outros.

Exato, mas a história e a ciência de laboratório nos provam o contrário. Estudos mostram que o trabalho de quem mantém o foco numa tarefa é mais criativo. Isso vale tanto para grandes empresários, atletas e inovadores como para artistas. Valia para Da Vinci e Michelangelo. Olhe para o alto na Capela Sistina, considere grandes conquistas como o cubismo, a 5ª Sinfonia de Beethoven, a obra de William Shakespeare – tudo é resultado de atenção sustentada ao longo do tempo.

Por que o senhor diz que as crianças devem aprender na escola, já aos 10 anos, a enfrentar a sobrecarga de informação?

Qualquer criança alfabetizada sabe que pode encontrar uma informação em segundos. Mas a maior parte do que está online é desinformação. Ficções mascaradas de fatos. Até estudantes universitários se deixam confundir. Recolhem informações sem perguntar quem está por trás. Como saber que a fonte é confiável? Na escola, os professores devem ensinar, para começo de conversa, que websites não são iguais. Devem incutir um questionamento crítico na pesquisa. À medida que os alunos crescem, vão adquirindo mais nuances para se informar. Por exemplo, se a criança quer um brinquedo, pode-se ensinar a ela que o website do fabricante não é a fonte mais confiável sobre a segurança do brinquedo. Antes, no ecossistema analógico, tínhamos curadores de informação, era mais fácil distinguir a credibilidade de fontes.

O senhor diz que as pessoas mais produtivas são as que melhor estabelecem prioridades.

A maioria de nós chega ao trabalho hoje em dia e é bombardeada com o “por fazer”. É como entrar cambaleando num ambiente em que há muitas exigências e começamos a atacar o que passa pela frente. Não fazemos um esforço consciente e deliberado de evitar que o ambiente em volta nos domine. Isso aumenta o cansaço e diminui a produtividade. Todas as pessoas altamente bem-sucedidas com quem converso têm em comum o fato de que elas anotam o que há por fazer e já começam a trabalhar cientes de prioridades.

O senhor diz que uma ferramenta útil para priorizar são os chamados exercícios de limpeza da mente.

Sim. O David Allen, um guru da produtividade e autor de A Arte de Fazer Acontecer, aponta para a importância de externalizar a informação. Recomenda anotar tudo o que está se passando na sua cabeça, coisas que têm a ver com a tarefa em questão e preocupações que podem distrair a pessoa. É um processo neurológico, porque o cérebro teme esquecer o que é importante. Quando o cérebro sabe que a informação foi arquivada externamente, nas anotações, e o efeito é de nos acalmar, é libertador. Retira o entulho mental que prejudica a atenção.

A sobrecarga de informação se estende ao excesso de objetos. Por que o senhor defende uma gaveta de bagunça?

Um profissional precisa saber exatamente onde estão seus instrumentos. Pode ser um cirurgião, um dentista, um bombeiro. Este tipo de organização nos libera para pensar e tomar decisões. Mas excesso de organização é contraprodutivo, uma perda de tempo. O importante é deixar visíveis os objetos que utilizamos regularmente. Quantas vezes você encontra um parafuso, uma peça e não se lembra de onde vem? Jogue na gaveta de bagunça, a que tem objetos de utilidades diferentes. Isso é uma forma de fazer economia cognitiva, porque não é preciso classificar tudo.

O senhor aponta a correlação entre eliminar o excesso de informação e de pertences e a felicidade.

Se quiser destilar tudo o que se conhece sobre pessoas que se consideram felizes, a frase é a seguinte: elas se satisfazem com o que têm. E são as que querem conquistar algo, não receber prêmios e elogios. O que é diferente de não ter ambição pessoal ou criativa. O empresário Warren Buffett, o terceiro homem mais rico do mundo, com uma fortuna de mais de US$ 70 bilhões, mora na mesma casa há mais de cinco décadas. Ele inventou o neologismo “satisficing”, sobre as coisas que bastam. Não perde tempo com o que não lhe interessa e tem uma agenda diária de trabalho quase vazia, de poucas reuniões, que o deixa livre para ser produtivo.



domingo, 6 de setembro de 2015

É possível meditar caminhando...


Artigo publicado no Brasil Post:

Dicas práticas para transformar uma simples caminhada numa meditação completa

Amy Packham

Mindfulness - a arte de trazer toda a sua atenção para o momento presente - é uma forma de desenvolver a paz e a felicidade em nossas vidas, de acordo com Thich Nhat Hanh.

Hanh é líder espiritual e já publicou mais de 100 títulos sobre meditação e mindfulness, e o seu livro mais recente - Silence (Silêncio, em tradução livre) - foca em como permanecer em silêncio em um mundo barulhento.

No capítulo Mindfulness Means Reclaiming Attention (“Mindfulness Significa Recuperar a Atenção”) Hanh explica como praticar a meditação através de caminhadas, incentivando aqueles que não acreditam que consigam meditar e que na verdade é sim muito fácil.

Ele dá orientações sobre como se concentrar quando sua mente está cheia de pensamentos e também mostra como é possível meditar em qualquer lugar e a qualquer hora.

O seguinte trecho foi retirado do livro Silence de Thich Nhat Hanh:

Não-pensar é uma arte e, como qualquer arte, requer paciência e prática. Recuperar a atenção e manter a sua mente e o seu corpo juntos, mesmo que por dez respirações, pode ser muito difícil no começo.

Mas com prática contínua você pode recuperar a sua capacidade de estar presente e aprender a apenas ser. Encontrar alguns minutos no seu dia para sentar-se calmamente é a maneira mais fácil de começar a treinar e abandonar sua habitual forma de pensar.

Quando você se senta calmamente, você consegue observar como seus pensamentos vão surgindo acelerados e você pode praticar não ruminá-los e, em vez disso, deixá-los ir e vir concentrando-se na sua respiração e no silêncio interior.

Eu conheci uma mulher que decidiu que nunca meditaria porque "não dava certo".

Então eu a chamei para uma caminhada comigo.

Eu não chamaria de "caminhada de meditação", mas nós andamos lentamente com consciência, apreciando o ar e a sensação dos nossos pés no chão.

Quando voltamos os seus olhos estavam brilhantes e ela parecia revigorada e livre.

Se você puder tirar apenas alguns minutos para si mesmo e acalmar desta forma o seu corpo, seus sentimentos, suas percepções, a alegria torna-se possível.

Caminhar é uma ótima maneira de limpar a mente sem tentar limpar a mente. Você não diz: "Agora eu vou meditar!" ou ainda "Agora vou parar de pensar!" Você apenas anda e quando você está se concentrando na caminhada, a alegria e a atenção plena vêm naturalmente.

Para poder aproveitar bem os passos que você dá ao caminhar, permita que sua mente se esvazie completamente de planos ou preocupações. Você não precisa gastar muito tempo e esforço para se preparar em parar de pensar. Com uma inspiração você já parou.

Você respira e dá um passo.

Você pode dar um passo a cada inspiração e um a para cada expiração. Se a sua atenção divagar, gentilmente volte a se concentrar na respiração.

10 ou 20 segundos não é muito tempo. Um impulso nervoso, uma ação em potencial, precisa de apenas um milésimo de segundo. Se quiser você pode se dar ainda mais tempo. Nesse curto tempo você pode sentir a alegria, o prazer, a felicidade de parar.

Durante esse tempo de parada o seu corpo é capaz de curar a si mesmo. A sua mente também tem a capacidade de curar a si mesma. Não há nada, nem ninguém, para impedi-lo de continuar a sentir a alegria que você produziu com um segundo passo, uma segunda respiração.

Os seus passos e a sua respiração estão sempre lá para ajudá-lo a curar-se.

Ao caminhar é possível ver a sua mente sendo empurrada e puxada pelo velho e arraigado hábito de sentir a energia da raiva ou do desejo.

Quando você reconhecer isso, simplesmente sorria e dê a esse impulso um bom banho de atenção plena e de acolhedor e amplo silêncio.

O silêncio não significa apenas não falar.

Grande parte do barulho que ouvimos é a conversa agitada dentro da nossa própria mente. Pensamos e repensamos demais, em círculos.

É por isso que no início de cada refeição devemos nos lembrar de comer apenas a nossa comida e não os nossos pensamentos. Nós praticamos dar atenção plena ao ato de comer. Não há pensamentos; nós apenas focamos toda a nossa atenção para a comida e para as pessoas que estão próximas de nós.

Isso não significa que nunca devemos pensar ou reprimir nossos pensamentos. Significa apenas que ao caminhar nós nos damos o presente de pausar o nosso pensamento, mantendo a nossa atenção em nossa respiração e em nossos passos. 
Se realmente precisamos pensar em algo nós podemos parar de andar e pensar na questão dando a ela toda a nossa atenção.

Não falar, por si só, já pode nos trazer um grau significativo de paz. Se pudermos também oferecer a nós mesmos o silêncio mais profundo de não pensar, poderemos encontrar nesse silêncio uma maravilhosa leveza e liberdade.

Deslocar a atenção para longe dos nossos pensamentos e voltar para casa para o que está realmente acontecendo no presente, é uma prática básica de mindfulness.

Podemos fazer isso a qualquer momento, em qualquer lugar, e encontrarmos mais prazer na vida. Seja cozinhando, trabalhando, escovando os dentes, lavando as roupas ou comendo, nós podemos desfrutar desse silenciamento revigorante dos nossos pensamentos e de nosso discurso.

A verdadeira prática de mindfulness não requer estar sentado meditando nem observando formas exteriores de prática. Implica olhar profundamente e encontrar a calma interior. Se não pudermos fazer isso, não poderemos tratar as energias de violência, medo, covardia e ódio em nós.

Quando nossa mente está a mil e barulhenta, a calma externa é apenas uma pretensão. Mas quando podemos encontrar espaço e calma interior, em seguida, sem nenhum esforço irradiamos paz e alegria.

Nós temos a capacidade de ajudar os outros e criar um ambiente de cura ao nosso redor sem dizer uma única palavra.

Extraído do Silence de Thich Nhat Hanh

(Tradução: Simone Palma)



sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Quer ser feliz? Escreva uma frase por dia!


A dica foi publicada na Galileu:

Escrever uma frase por dia pode te deixar mais feliz

Manter um diário toma um tempo que, muitas vezes, não temos. Mas há indícios de que escrever uma frase por dia pode te deixar mais otimista sobre sua vida

LUCIANA GALASTRI

Eu já tentei manter um diário. Algumas vezes. Mas o negócio nunca deu certo por mais de algumas semanas. Seja porque eu tinha familiares enxeridos que gostavam de inspecionar meus escritos ou por pura e simples falta de tempo: afinal, manter um diário normal demanda alguns bons minutos (ou horas) de contemplação e solidão.

Mas uma dica da autora Gretchen Rubin pode te ajudar a manter um diário mais simples, registrar suas lembranças mais poderosas e ainda te deixar mais feliz: escrever uma frase por dia. Afinal, estudos mostram que lembrar de pequenos momentos cotidianos podem nos deixar mais felizes. E, claro, dessa forma quem tem os mesmos problemas que eu com a regularidade de diários pode aproveitar a melhor coisa deles sem sacrificar um tempo que não tem.

E outra coisa bacana: pesquisas mostram que temos uma tendência de escrever em diários os momentos mais felizes. Então quando você reler as suas frases, ela provavelmente trará as melhores lembranças, aumentando seu otimismo - com um esforço mínimo.

Que tal tentar? Conte pra gente as suas experiências através dos comentários ou de nossas redes sociais.

Via The Muse



sexta-feira, 22 de maio de 2015

Pesquisa diz que mais sexo não significa mais felicidade


Matéria publicada no Brasil Post:


Fazer mais sexo não significa ser mais feliz.
Muito pelo contrário, segundo pesquisadores dos EUA
(ESTUDO)


Acreditar que uma vida regada a uma dose cavalar de sexo vai te fazer mais feliz é balela. Pelo menos é o que aponta um recente estudo divulgado neste mês por pesquisadores da instituição norte-americana Carnegie Mellon University, que procurou tentar relacionar felicidade com o sexo entre casais.

Os pesquisadores George Loewenstein, Tamar Krishnamurti, Jessica Kopsic e Daniel McDonald instruíram 32 casais a dobrar o número de relações sexuais que eles estavam tendo, enquanto um outro grupo de 32 casais mantinha a sua frequência sexual considerada normal para cada um deles.

Semanas depois, os pesquisadores realizaram entrevistas com todos os casais envolvidos no estudo e aqueles que tinham feito mais sexo não eram os mais felizes. Em geral, a resposta desses casais era de que o aumento na frequência das relações tornou o parceiro (a) menos atraente e diminuiu o desejo sexual.

A derrubada de um ‘mito’ – ao qual os pesquisadores chamam de ‘casualidade reversa’ –, no qual estar feliz signifique estar fazendo muito sexo, ou que ser saudável tenha tudo a ver com estar feliz e tendo horas diárias de sexo, também ajuda na qualidade do sexo, na visão do pesquisador George Loewenstein. Para ele, aumentar a frequência pode ser benéfica, desde que pelas razões certas.

Segundo a pesquisadora Tamar Krishnamurti, o estudo ajuda a demonstrar o que de fato é importante para uma vida a dois, auxiliando na melhora tanto da vida sexual quanto na felicidade de cada um deles.

“Ao invés de se focar no aumento da frequência da atividade sexual aos níveis do início do relacionamento, os casais devem trabalhar em gerar um ambiente que desperte os seus desejos e faça com que o sexo que fazem seja mais prazeroso”, afirmou ela ao site da universidade.



sexta-feira, 1 de maio de 2015

Homem que lava louça é mais feliz

Dia do Trabalho, né gente! Momento apropriado para que este que vos escreve (e lava louças, sim!) ressuscite uma matéria publicada na Exame em 24/10/12:

Homem que lava louça é mais feliz, diz pesquisa

Está na hora de ser um homem mais moderno, meus caros. Lavar a louça, passar a própria camisa e arrumar a cama antes de ouvir as reclamações da esposa ou da namorada. E, segundo um estudo divulgado pela Universidade Umeå, na Suécia, tudo isso ajudará (e muito) a sua saúde.

Após acompanhar de perto a vida de 723 pessoas ao longo de 26 anos, o estudo concluiu que aqueles que não dividiam os afazeres domésticos com a parceira tinham maiores problemas de saúde. Ansiedade, nervosismo e problemas de concentração eram alguns dos transtornos comuns aos, digamos, “preguiçosos”.

Por outro lado, aqueles que topavam fazer metade dos serviços, se apresentavam mais tranquilos e felizes. Na outra ponta, as mulheres que não contam com a ajuda masculina se tornam mais vulneráveis às doenças.

As complicações, afirma o estudo, acontecem por conta dos papéis assumidos por cada gênero dentro do relacionamento. A solução para que a vida em casal se saia melhor é conversar e eliminar essas barreiras. Então já sabe: a solução é botar a barriga para ralar na beira da pia!



sábado, 28 de março de 2015

A vida real é feita de rotina


Artigo de Raquel Rocha no seu blog Céu de nuances:

Que a rotina vire felicidade


Um dia desses, no casamento de uma amiga querida, o celebrante fez a seguinte reflexão direcionada aos noivos (não exatamente com essas palavras, claro): “Aproveitem muito o dia de hoje, com certeza será um dia que vocês guardarão para sempre no coração e na memória. Dias como esses são muito importantes, mas não se esqueçam, a nossa vida acontece na rotina, nos dias comuns”.

Algo que parece tão óbvio me fez pensar como passamos o tempo todo em busca de acontecimentos incríveis e singulares e, dado isso, acabamos nos esquecendo de viver a rotina, o comum. Atualmente noto que há um grande medo assolando o ser humano, o de ser uma pessoa comum. Ser um profissional comum, ter uma família padrão, alegrias e tristezas normais...

É necessário viver momentos incríveis e realizar proezas a todo momento, caso contrário para que serve essa vida? As redes sociais, com toda certeza, agravam esse fenômeno. Como a minha volta todos amam o trabalho, fazem a viagem do sonho, têm uma família perfeita, são emocionalmente equilibrados e só vivem dias espetaculares – mesmo que para isso glamourizem a rotina ou até mesmo o sofrimento – quem seria eu para ousar viver uma vida comum? Provavelmente, um fracassado.

Reconheço que é delicioso e até mesmo difícil de explicar o que sentimos quando nos casamos, fazemos a viagem dos sonhos, somos promovidos no trabalho ou alcançamos qualquer feito importante para nós. Trata-se de uma mistura de bons sentimentos para qual não existe nome. Entretanto, isso não é o que acontece na maior parte dos nossos dias, aqueles corriqueiros, de lutas e pequenas conquistas. A vida real é feita da rotina, da correria do dia a dia, dos momentos de tristeza e mau humor, das angústias acerca de nossas escolhas, e claro, das “pequenas grandes alegrias”. Alegrias essas que nos arrancam um sorriso verdadeiro e, por milésimos de segundo, nos fazem esquecer da felicidade do futuro. Pode ser um pedacinho bonito do caminho até trabalho, um encontro com as amigas, um elogio sincero ou um beijo carinhoso de boa noite.

Eu almejo sim batalhar pelos meus sonhos e viver intensamente o contentamento de suas realizações. Pois como o celebrante falou, esses instantes de glória são importantes, e, muitas vezes, inesquecíveis. Contudo, espero ter sempre a consciência do que a vida realmente é feita. Não quero sentir angústia ao final de cada um dos inúmeros dias comuns, nem estar sempre pensando no futuro ou ainda necessitar viver eventos magníficos para me sentir plena. Quero ousar ser feliz nos dias ordinários, em que nada e, ao mesmo tempo, tudo acontece. E quero além disso atrever-me a me sentir completa e em paz com essa felicidade.

Há uma frase por aí que diz: “que a felicidade vire rotina” acho que prefiro a versão: “que a rotina vire felicidade”.



quinta-feira, 5 de março de 2015

Pesquisa diz que casados são mais felizes (nos países ricos)


Matéria publicada no Estadão:

Na saúde e na doença: as pessoas casadas são realmente mais satisfeitas, mostra estudo

Estudo indica que nos países mais ricos, o casamento traz níveis elevados de felicidade

O casamento pode deixar as pessoas mais felizes? Entre os altos índices de divórcio e jovens postergando ou mesmo desistindo de se casar - se seus países os permitirem abdicar do casamento -, a resposta pode ser um sonoro 'não'.

Alguns estudos já tentaram provar o contrário, pelo menos nas nações mais ricas do ocidente, e mostram que pessoas casadas registram níveis mais altos de felicidade e satisfação em comparação àqueles que nunca subiram ao altar. A partir dessa perspectiva, sua atitude passiva-agressiva diante da seus amigos que não para de se gabar sobre o cônjuge perfeito nas redes sociais é perfeitamente justificável.

Um novo estudo publicado pelo National Bureau of Economic Research vem para fortalecer o grupo dos adeptos ao casamento. A partir da análise de dados sobre sua satisfação em diversos aspectos da vida dos entrevistados, de relacionamentos a status socioeconômico, os autores da pesquisa, Shawn Grover, do Canada's Department of Finance e John F. Helliwell, da Vancouver School of Economics, chegaram a resultados que podem apoiar quem tem o casamento como plano futuro:

- O casamento realmente leva à satisfação: "Mesmo levando em consideração a vida pré-marital, aqueles que se casam são mais satisfeitos do que aqueles que permanecem solteiros".

- Estes benefícios não se esgotam, ao contrário do que indicam outros estudos: "Os benefícios do casamento persistem no longo prazo, por mais que o período imediatamente após o casamento seja de maior sucesso".

- O matrimônio ajuda as pessoas a se manterem firmes nos períodos mais suscetíveis à depressão: "O casamento é visto com maior importância na meia idade, quando as pessoas estão mais sensíveis a mergulhar no bem-estar ou cair na melancolia, não importa o estado civil".

- Faça do seu cônjuge seu melhor amigo: "Aqueles que são melhores amigos dos seus parceiros obtêm os maiores benefícios do casamento e da convivência. O bem-estar do casamento é dobrado para aqueles cujo cônjuge também é seu melhor amigo".

Esses dados podem parecer desanimadores para quem não está a caminho do altar ou de uma parceria para o resto da vida, por escolha ou não. Mas há um lado positivo: a felicidade não é inata, nem definida por genes, portanto, há um controle sobre aquilo que pode levar a uma vida plena, seja casamento, dinheiro, carreira, tempo com amigos.



terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Resoluções de Ano Novo para a vida toda

new year

Penúltimo dia de 2014, uma boa hora de reexaminar as prioridades da vida e traçar seus planos para 2015.

Talvez a leitura do artigo abaixo, publicado no Brasil Post, possa ser um bom esboço de mapa para o seu Ano Novo:

11 coisas que pessoas de 50 desejariam ter feito de forma diferente aos 25


The Huffington Post | De Yagana Shah

Você pode chamar isso de experiência de vida ou se deparar com a dura realidade, mas aos 50 todos nós já temos uma retrospectiva de quais decisões foram boas e quais delas foram resultado da ingenuidade juvenil. Mas se você acredita firmemente que "tudo acontece por uma razão", ou se deseja de todo o coração que os gênios do Google um dia desenvolvam uma máquina do tempo, você provavelmente já deve ter aprendido uma ou duas coisas com suas falhas.

Os seguidores da página HuffPost50 no Facebook responderam o que eles desejariam saber aos 25 e que sabem agora.

Aqui está o que eles disseram que todos os jovens de 20 e poucos anos deveriam saber sobre a vida.



1. Fale mais


Como diz o ditado, é a roda estridente que consegue a graxa. Você é a única pessoa capaz de se defender de verdade; por isso, nunca tenha medo de se impôr e falar o que pensa, porque o arrependimento é uma b****.




2. Saiba quando dar no pé

Muitos leitores expressaram que se afastar de algo, mesmo que pareça uma decisão difícil, às vezes é a melhor coisa que você pode fazer por si mesmo. E quanto mais rápido você chegar a essa conclusão, mais chances você tem de se libertar.



3. Economize mais dinheiro


A aposentadoria não é brincadeira, como você descobrirá aos 50. Ao encarar a realidade sombria do seu plano de aposentadoria, você pode se deparar com o fato de estar contando cada centavo ao ver todo seu dinheiro desperdiçado em gastos sem sentido. Então, comece a preparar seu próprio almoço, encontre um estacionamento na rua (ou use o ônibus) e lembre-se que uma moedinha economizada é um moedinha a mais no bolso, por mais cafona que isso possa parecer.



4. Pense bem qual carreira quer seguir


Alguns leitores mencionaram como eles desejariam ter escolhido melhor a carreira, ou até mesmo que teriam pensado duas vezes antes de largar a universidade.



5. Viaje mais


Você é jovem apenas uma vez na vida. Portanto, antes de ficar amarrado por responsabilidades como uma hipoteca, um cônjuge e filhos, é uma boa ideia explorar o mundo e tudo o que ele tem a oferecer — desde que você não quebre a banca! Considere trabalhar no exterior. Visite a cidade que você sonha conhecer. Simplesmente vá a algum lugar que irá fazer você olhar para o alto e para o mundo ao seu redor, em vez de para baixo e para a tela do seu smartphone.



6. Faça menos dívidas


Não compre coisas que você não precisa e pense muito antes de obter um cartão de crédito. Não importa o que digam, não é dinheiro grátis; não importa o quão alto seja o seu limite, você não deveria gastar tudo em roupas de grife ou em férias sofisticadas. Ter dívidas não tem graça. Em vez disso, concentre-se em construir um histórico de crédito sólido para fazer o financiamento da casa própria.



7. Use mais protetor solar


Aquecer-se ao sol pode dar certo no curto prazo, pois você ficará com um bronzeado incrível; a longo prazo, ele causa manchas de velhice, rugas e flacidez da pele. Então pegue seu protetor solar de todos os dias, aproveite o autobronzeamento ou apenas aceite o seu tom de pele como ele é.



8. Pense muito bem antes de se casar


Vários leitores expressaram que deveriam ter esperado para se casar. Uma leitora disse que ela teria esperado até pelo menos os 30 anos. Enquanto não há nenhuma regra rápida e inflexível que todos possam utilizar, é um bom conselho, para qualquer idade, pensar cuidadosamente antes de se casar.



9. Desacelere


Muitos de nós desperdiçamos momentos preciosos porque estamos muito ocupados com nossos dispositivos digitais ou com as mídias sociais; ou ainda, nos preocupando com o próximo passo na carreira. A vida é curta. Aproveite-a. Pensamos que a leitora Trisha C. Mokoshsq fez uma perfeita colocação a respeito: "Eu não teria focado tanto em ser bem sucedida, trabalhar 80 horas por semana todos esses anos para me tornar uma sócia da empresa. Eu teria demorado mais. Eu teria definido mais para mim mesma do que o que eu fiz para viver".



10. Ter uma boa educação


Como diz o ditado, ninguém pode tirar suas conquistas de você. A educação é uma dessas conquistas. Muitos leitores desejariam ter ido para uma faculdade ou ter concluído um curso. A educação é sempre uma boa escolha, seja da forma que for.



11. Considere questões de saúde


Aos 25 você pode ter notado que seu metabolismo começa a diminuir. Mas cuidar de si mesmo ao envelhecer é muito mais do que desistir da sua dieta de pizza por vaidade. Trata-se da criação de hábitos (rompendo aqueles que nos fazem mal) que levarão você a uma longa vida, uma em que você estará saudável o suficiente para fazer tudo o que sempre quis fazer. Então, pare de fumar ou diminua o álcool. Pequenas mudanças podem levar a grandes benefícios a longo prazo.



sábado, 15 de fevereiro de 2014

Como viver sem dinheiro por 30 dias


Matéria interessante publicada na revista Sorria:

Minha vida sem grana

E se a gente vivesse sem dinheiro? Por um mês, a Bia tentou não pôr a mão no bolso. E, assim, vivendo na pindaíba, ela descobriu o real valor do que consome

Sou a Bia, tenho 27 anos e trabalho com os novos projetos da Editora MOL, onde a Sorria é feita. Gosto de pensar sobre como consumimos e gastamos nosso dinheiro, e, por isso, no início do ano, topei o desafio de passar um mês com apenas 100 objetos (e contei o que aconteceu na edição 18). Então, quando apareceu a oportunidade de viver com pouca ou nenhuma grana, logo me candidatei. E a experiência que vivi acabou me ensinando sobre muito mais do que o preço das coisas.

Para começo de conversa, viver sem dinheiro exige que a gente use outra medida de valor – como o escambo, a troca de serviços e objetos que é a forma básica de economia da humanidade. Então, saí me oferecendo para trocar favores. Logo descobri que a coisa mais cara que temos é o tempo. Sugeri ao meu pai que ele colocasse gasolina no nosso carro e eu, em troca, o lavaria. Ele não topou. Disse que preferia que eu levasse o carro ao mecânico, porque isso economizaria suas horas. Uma colega de trabalho também achou melhor fazer isso. Por um almoço, fiquei vários minutos resolvendo um problema na conta de celular dela no SAC da operadora. Terminei com um carro abastecido e comida fresquinha sem pôr a mão no bolso – mas consumi algumas horas do meu dia.

Fui também a uma feira de trocas, em São Paulo, levando coisas que não me interessavam mais: um porta-papel, um bauzinho, canecas e um vaso. Na base da negociação, dava para trocar roupas, objetos, móveis e até alimentos. Voltei para casa com um cd e um equipamento para fazer exercícios que estava a fim de comprar há um tempão.

Foi aí que comecei a pensar sobre o valor que atribuo ao dinheiro: como algo que não vale nada para alguém pode valer tanto para outra pessoa? Procurei Waldir José de Quadros, professor de economia da Universidade de Campinas (Unicamp), e foi ele quem me disse que, desde que surgiu, o dinheiro é uma forma de vaidade e diferenciação entre as pessoas. Na Antiguidade, os imperadores romanos cunhavam seu rosto em moedas e pagavam com elas o trabalho que consideravam nobre, como o de soldados ou artistas. O escambo parou de ser a forma de comércio só na Idade Moderna, quando as moedas chegaram para facilitar as compras. Ou seja, o dinheiro como conhecemos hoje é usado há menos de 500 anos. E, mesmo assim, damos um valor imenso a ele.

Sem um tostão furado

Com isso em mente, parti para os próximos desafios – que foram os mais difíceis. Para não usar dinheiro, vi que teria que fazer as coisas por conta própria. Só que nunca tive o costume do “faça você mesmo”. Em casa, se o encanamento entupia, chamava o encanador; se a roupa rasgava, ia à costureira. Talvez por isso meu único pensamento ao querer fazer essas coisas foi: vou estragar tudo!

Apesar do medo de destruir o quarto, comecei por pendurar quadros na parede. Para me revelar os segredos dos pregos e parafusos, convoquei meu namorado, que é artista plástico e entende disso. Aprendi o básico: medi as paredes, usei um nivelador, martelei alguns pregos e fui apresentada à furadeira. Em menos de uma hora, tudo pronto. Animada com minha nova habilidade, resolvi passar para os serviços de beleza. Soube que há top models que cortam as próprias madeixas e achei que também seria capaz. Peguei a tesoura, aparei a franja e... ficou ótimo! Duro foi cortar a parte de trás do cabelo. As mechas se confundiram, e resolvi parar antes de acontecer o pior. Mas deixei a tesoura no banheiro e, todos os dias, acerto uma mechinha. Estou ficando craque.

Minha maior dificuldade foi presentear meu namorado sem gastar dinheiro. Queria fazer algum artesanato, algo de que gosto muito – mas quando é feito pelas mãos dos outros. Depois de muito pensar, resolvi reaproveitar uma galocha velha para transformá-la num vaso com um cacto. Plantar era algo que eu sabia fazer. Já o acabamento... Acabei apelando para meu namorado – pedi a ele que fizesse os detalhes finais. De qualquer forma, foi divertido, e ele ganhou um bom vaso que não custou um centavo.

Estou lisa!

O próximo passo foi me divertir de graça. E os museus da cidade de São Paulo foram uma revelação. Por puro preconceito, não acreditava que existissem bons espaços culturais no meu país. Encantei-me com a Pinacoteca e adorei o acervo e a exposição em cartaz. Vi tudo sem filas nem muita gente ao meu redor. Entusiasmada, quis conhecer um Centro Cultural da Juventude, em um bairro da periferia. Vi um filme ótimo, mas a projeção foi feita só para mim e para mais uma pessoa que apareceu por lá.

Aí fiquei intrigada: por que espaços tão bons e gratuitos estão quase sempre vazios? Em uma conversa com Cláudio Salvadori, professor de economia da Unicamp, entendi que a falta de público nesses locais é por causa da baixa valorização da cultura por aqui. É como se, mesmo de graça, a entrada fosse cara, já que a arte é considerada supérflua.

Outro lugar que descobri foram os Clubes da Cidade. São 41 unidades, com piscinas, quadras, ginásios, campos e pistas de corrida. E uma delas é ao lado da minha casa. O problema foi que perdi dias tentando fazer a carteirinha do clube. Cada pessoa me dava uma informação, e, quando finalmente consegui levar os documentos necessários, a máquina de impressão estava quebrada. Algo parecido aconteceu quando fui procurar médicos no serviço público de saúde. Queria marcar uma consulta, e a atendente de um hospital público me disse que era só ir até lá. Fui, mas depois de andar por vários guichês, um senhor me indicou um posto de saúde – no hospital só atendem emergências. Perdi uma tarde com isso. Na manhã seguinte, enfrentei a fila de pacientes no posto, que se estendia pela calçada. Quando fui atendida, soube que só havia horário livre para dali a dois meses.

Nesses dois lugares, a grande questão para mim, além da perda de tempo, foi a sensação de que eu estava roubando o lugar de alguém que precisa do serviço e não pode pagar. Gasto todo mês com um convênio médico e tenho quadra de esportes no prédio. Foi aí que lembrei que, como os museus tinham me ensinado, os serviços públicos podem ser muito bons. Mas tem de ultrapassar a burocracia. E, talvez, essa dificuldade exista para tornar difícil o acesso. Por isso, só quem não tem alternativa recorre a eles. E quem pode prefere pagar.


A preço de banana

Então, chegou a hora de comer sem gastar. Resolvi ir atrás dos ingredientes na feira para fazer, pela primeira vez na vida, um jantar. Cheguei na hora da xepa, quando os preços são menores e dá para pechinchar. Vai que tem algo de graça? E foi por pouco. Adoro negociar e ganhei descontos de mais de 50%. Com 7 reais comprei tomate, manjericão, cebola, rúcula, limão e maçã. Fiz comida para duas pessoas durante dois dias e descobri que sou capaz de cozinhar.

Mas ainda quis insistir na ideia de comer sem pagar. Fiquei sabendo da inauguração de uma loja e fui lá para almoçar o que eles oferecessem. Só que o cardápio era amendoim e balas. No fim, a comida baratinha da feira valeu mais a pena. Mesmo assim, achei boa essa ideia de aproveitar o que nos dão de graça e resolvi passar em uma loja de cosméticos, para me maquiar com os produtos do mostruário. A vendedora não ficou muito satisfeita quando eu disse que não ia levar nada, depois de já ter passado sombras, lápis de olho, rímel, blush e batom. Mas gostei muito dos produtos, e o make ficou lindo!

Enquanto tentava não usar a minha carteira, pensei muito sobre o que me leva a gastar em coisas desnecessárias. Nos últimos dias, uma colega anunciou que estava vendendo um celular, e eu, na hora, senti que precisava dele. Levei-o para casa, toda contente. Só que, no dia seguinte, percebi que o aparelho era metade do preço da bicicleta que eu quero comprar. Foi aí que caiu a ficha e vi que costumo pôr a minha felicidade em produtos. E o que realmente importa e tem valor não é isso. Entendi que preciso pensar melhor na utilidade das coisas, para ver se preciso mesmo delas – e esperar antes de sair gastando. Que o dinheiro é indispensável, não tinha dúvidas. Mas descobri que minhas moedinhas podem ser mais bem aproveitadas se eu usá-las conscientemente.

Texto: Karina Sérgio Gomes // Ilustração: Davi Augusto // Foto: Daniela Toviansky // Assistente de fotografia: Raphael Jacomini // Beleza: Élcio "Maizena" Aragão/Agência First // Produção de moda: Ana Gabriela Nascimento // Fotodesign: Felipe Gressler



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