segunda-feira, 14 de agosto de 2017
Charlottesvile mostra o perigo de ser complacente com fascistas em geral
terça-feira, 18 de novembro de 2014
Como o confronto político favoreceu o ateísmo nos EUA
RAUL JUSTE LORES
terça-feira, 26 de julho de 2011
Glenn Beck compara vítimas norueguesas à Juventude Hitlerista
O ativista mórmon Glenn Beck é um dos expoentes do conservadorismo norteamericano, que tinha até alguns meses atrás um programa seu na rede Fox News, de propriedade de Rupert Murdoch, recentemente envolvido no escândalo de escutas ilegais ("grampos") que acarretou o fechamento do tabloide britânico News of the World (do qual era também dono), além de tê-lo levado a depor no Parlamento do Reino Unido. Conhecido pela defesa dos princípios mais à direita do que já está na direita o Partido Republicano dos EUA, o que o levou a formular novas teorias da conspiração a cada programa seu no rádio ou na TV, Glenn Beck também faz questão de se apresentar como um brilhante líder religioso mórmon, nem que para isso tenha que fingir-se "especialista" no que não é, como quando desancou o Concílio de Niceia num programa de rádio de 27 de maio de 2010, misturando-o com os manuscritos do Mar Morto (Qumram), alegando que um havia sido substituído pelo outro, sem qualquer evidência histórica que sustentasse sua fantasiosa versão.
Suas reiteradas acusações infundadas contra tudo e todos terminaram gerando um boicote aos anunciantes do seu programa na Fox News, que não resistiu à metralhadora giratória inconsequente de seu apresentador e foi cancelado alguns meses atrás.
Agora, só lhe resta o programa radiofônico, no qual ele comentou o recente ataque terrorista perpetrado por um fanático religioso conservador na Noruega, Anders Behring Breivik, agora conhecido como "o carniceiro de Oslo", segundo informa o jornal britânico The Guardian.
Estranhamente, em vez de aproveitar a chance para desvincular seu pensamento extremista e condenar o ataque terrorista, Beck, ao que parece, joga a culpa nas vítimas inocentes, ao afirmar que não entende como jovens estavam reunidos na ilha de Utøya para um acampamento político, comparando-os com a Juventude Hitlerista, que também utilizava esse expediente nos mórbidos tempos da Alemanha nazista.
Torbjørn Eriksen, antigo assessor de imprensa do primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, rebateu as críticas de Beck dizendo que já há 60 anos este acampamento é realizado, e nunca houve qualquer ameaça à democracia.
Já na lógica enviesada e corrompida de Glenn Beck, jovens não podem se reunir para um congresso ou encontro político de qualquer matiz, sob pena de se equipararem a nazistas e serem alvejados por algum lunático religioso.
Esquece-se convenientemente, entretanto, que o movimento conservador Tea Party dos EUA, do qual Beck é um dos incentivadores, também reúne jovens em muitos acampamentos por todo o país.
O discurso distorcido de Glenn Beck é tudo o que o mundo não precisa num momento como este (e em todos os outros).
sábado, 22 de janeiro de 2011
Jesus odeia Obama?
O proprietário do site, Richard Belfry, se defende dizendo que realmente não acredita que Jesus odeie Obama, mas acredita na liberdade de expressão e de poder ironizar o governo do presidente norteamericano quando não concorda com suas políticas. Omite o fato de que está ganhando muito dinheiro com isso (diz que já vendeu 70.000 camisetas, como a que ilustra este texto, que diz "Jesus Loves You But Hates Obama" - "Jesus te ama mas odeia Obama"), e a partir de toda essa publicidade gratuita, certamente ganhará mais. Ele acredita no lucro também. A Fox não deu explicações sobre as razões da rejeição do anúncio, mas provavelmente não ficou nem um pouco triste com a repercussão do "incidente". Como costuma acontecer nessas ocasiões, a religião apenas desempenha um papel auxiliar na perseguição de objetivos políticos às vezes não tão claros. O mandamento de "não levar o nome de Deus em vão" é o primeiro a ser esquecido. É muito perigoso misturar duas instâncias explosivas da sociedade como política e religião, e infelizmente o Brasil parece que está seguindo pelo mesmo caminho. Ainda dá tempo de pensar melhor...
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Pastor americano diz que Deus ordenou assassinatos em Tucson
domingo, 18 de abril de 2010
Vulcão da Islândia é castigo de Deus para Obama
Vocês sabem, alguns dias após a lei da reforma da saúde ter sido promulgada, o Obama saiu por todo o país dizendo, "Sabem, eu estou olhando em volta e a terra não se abriu, não tem Armagedom lá fora. Os pássaros ainda estão cantando". Já eu acho que a terra se abriu. Deus pode ter respondido. Este vulcão na Islândia colocou mais aviões no chão - e o espaço aéreo foi mais afetado - do que no 11 de setembro, por causa dessa coluna de fumaça, por causa dessa nuvem de cinzas sobre o Norte e o Oeste da Europa. No aeroporto de Paris, eles estão dizendo às pessoas para se dirigirem à estação e pegar trens pra fora da França, e quando as pessoas chegam à estação de trem, eles lhes comunicam, "Não há lugares vazios até 22 de abril, pelo menos", basicamente daqui a uma semana. Isto deixou todo mundo paralisado e sem rumo. A terra se abriu. Eu não sei se se trata de um renascimento ou do Armagedom. Espero que seja um renascimento, e que Deus esteja falando.
Curioso é verificar, conforme constata o jornal britânico The Guardian, que a última erupção do vulcão Eyjafjallajoekull, de 8 de junho de 1783 a meados de fevereiro de 1784, despejou lava e lançou cinzas na atmosfera de maneira que 1/4 da população islandesa morreu de fome nos anos seguintes, devastando não só a agricultura local como a da Europa como um todo. A catástrofe climática resultante teria sido um dos estopins da Revolução Francesa de 1789. O contraste não deixa de ser interessante, afinal toda a democracia moderna é tributária, de alguma forma, das conquistas políticas e de direitos humanos da Revolução Francesa, ou seja, naquele caso, o vulcão Eyjafjallajoekull teria sido uma bênção de Deus para a humanidade, e agora é uma maldição para o Obama. Vai entender...
Eu fico imaginando o que aconteceria se todos nós fizéssemos este mórbido exercício de ficar associando tudo quanto é desgraça e desastres naturais a um castigo preciso e pontual de Deus, ¿a quantas conclusões diferentes chegaríamos? Acho que pelo menos no caso do vulcão todos concordaríamos num aspecto: este nome Eyjafjallajoekull é um tanto quanto apocalíptico mesmo, né não?

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Neoconservadorismo à brasileira
Retomando o tema que inicia a matéria do Nassif sobre a Veja, ele comenta:
O estilo neocon
De um lado, há fenômenos gerais, que modificaram profundamente a imprensa mundial nos últimos anos. A linguagem ofensiva, herança dos “neocons” americanos foi adotada por parte da imprensa brasileira, como se fosse a última moda.Durante todos os anos 90, Veja havia desenvolvido um estilo jornalístico onde campeavam alusões a defeitos físicos, agressões e manipulação de declarações de fonte. Quando o estilo “neocon” ganhou espaço nos EUA, não foi difícil à revista radicalizar seu próprio estilo.
Isso provoca algumas situações inusitadas. Embora a direita em geral, e a extrema-direita em particular, sejam terrenos privativos do fundamentalismo religioso interdenominacional, há situações como a do meu amigo Moisés que, mesmo sendo ateu, vem seguidamente postando artigos neoliberais e anticomunistas no fórum Atos. Como somos amigos (sim, eu tenho amigos ateus e os prezo muito!), eu brinquei com o Moisés, dizendo que pediria para o Supremo Concílio dos Ateus expurgá-lo dos seus quadros, já que, como diria o Padre Quevedo, "non ecziste" ateu de extrema-direita. Essa "conversa" se deu num dos artigos postados pelo Moisés (ver aqui), assinado por João Mellão Neto e publicado no Estadão, de profundo mau gosto (no melhor estilo neocon), que iniciava e terminava assim:
"Ensinamento ministrado numa aula de Filosofia do Direito para alunos do 7º semestre de uma conceituada universidade paulistana: “Vocês, que só transaram com ‘patricinhas’ burguesas, não sabem de fato o que é sexo. Essas meninas se preocupam exclusivamente com sua aparência e nunca se permitem entregar-se por inteiro aos prazeres da carne. Se vocês querem saber o que é sexo de verdade, tenham relações com moças da periferia. Estas estão livres dos condicionamentos e valores burgueses e por isso sabem de fato como se pratica um ato sexual.”
...
Quanto ao professor universitário que citei nos preâmbulos, devo confessar que, apesar de seus eloqüentes argumentos, continuo vendo mais encantos nas “patricinhas”..."(artigo completo no site do Estadão)
Este senhor que atende pelo sobrenome de Mellão é figurinha antiga e desbotada da direita brasileira. Foi secretário da prefeitura de Jânio Quadros, e apoiador de primeira hora da campanha do Collor, de quem foi ministro da Administração. Ele até tinha uma certa admiração da direita brasileira até então, e defendia com unhas e dentes os dois tristes exemplos da política brasileira aí em cima. Depois que o filme deles queimaram, o Mellão sumiu.... talvez envergonhado por ter vendido ao país uma idéia de modernidade tão nefasta como Fernando Collor. Como a memória do Brasil é reconhecidamente curta, depois de passar muito tempo no ostracismo, hoje ele ainda tem um certo trânsito na direita brasileira, mais pelo jornal em que ele é articulista (o Estadão) do que propriamente por méritos pessoais.
De fato, ele atravessa uma fase de decadência constrangedora. Só o exemplo com que ele começa e termina o seu artigo é de um mau gosto que articulistas de direita jamais cometeriam. Talvez ele quisesse realçar a sua condição de privilegiado, por ter filhos que estudam em universidade e podem transar com patricinhas.... vai saber... a idade deve ter chegado, e a virilidade típica dos machistas tende a se projetar nos filhos, ainda mais se eles puderem reproduzir a velha tradição colonial dos filhos de senhores-de-engenho que se iniciavam sexualmente com as escravas negras. Freud explica!
Igualmente infeliz é a ligação que Mellão tenta fazer entre o malfadado exemplo das patricinhas e o amontoado de idéias desconexas que despeja sobre o leitor a seguir. Como participante de governos em que os comandantes não reservaram à posteridade uma imagem de bons gestores públicos (pra dizer o mínimo), soaria engraçado ele falar de desperdício de verbas públicas, não fosse trágico. Cita eleições livres, como se não fosse estranho o Bush ter assumido o primeiro mandato tendo menos votos do que Al Gore, sendo que a contagem dos votos na Flórida foi varrida pra debaixo do tapete. Cita tribunais de contas como garantia de lisura na administração pública, como se os tribunais de contas do Brasil não fossem compostos de juízes e conselheiros nomeados pelos próprios governantes que deveriam investigar (vide o atual escândalo de corrupção no TCE de São Paulo). Fala da globalização como se fosse uma concessão da suprema bondade dos países ricos aos pobres, e não uma necessidade da economia deles que permita a desova do excedente de produção nos mercados marginais, a fim de não haver desemprego LÁ. Se os países pobres terão boa parte de sua população tirada dos bolsões de miséria, isso se trata de mero efeito colateral desejável, pois garante o incremento da produção e da riqueza dos países ricos nas próximas décadas. Obviamente, embora o seu sobrenome até inspirasse a lembrança, Mellão não fala nada dos subsídios agrícolas e das barreiras fitossanitárias que os países ricos impõem aos pobres. Tampouco fala da fiscalização das suas políticas econômicas pelo FMI, que obriga os pobres a seguir sua cartilha, mas faz vistas grossas aos constantes e seguidos déficits das economias maiores, como os EUA, tão próximos de uma recessão, e, agora (pasmem!), ameaçado pelo FMI com uma investigação nas suas contas. O remédio é amargo, mas deixe que os outros tomem.
Enfim, Mellão não continua o mesmo, piorou muito! Atualmente tem uma certa dificuldade em concatenar idéias e o ranço do seu passado oligárquico e collorido contamina o seu texto e a sua percepção do mundo, das patricinhas e das moças da periferia. Estas, se pudessem falar, se tivessem vez e voz, talvez pudessem lembrar aquela velha frase que, me parece, foi originalmente proferida por Rui Barbosa: "os canalhas também envelhecem".




