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quarta-feira, 22 de março de 2017

Padre Fábio de Melo estreia como ator em novela do SBT


Alegrem-se, fãs do Padre Fábio de Melo!

É que o padre, galã e arroz-de-festa vai mostrar mais um de seus talentos, a atuação dramática.

O sacerdote gravou nos dois últimos dias sua participação na novela "Carinha de Anjo" do SBT.

Foi o que informou Gabriel Perline em seu blog Sem Intervalo do Estadão.

Será que o padre seguirá em sua carreira de ator?



quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Depois do carnaval Andressa Urach quer ser "pastora" sem largar a lingerie

católica evangélica espírita
Andressa quando causava vestida de freira
A modelo Andressa Urach viu sua carreira de subcelebridade ser turbinada pelo infeliz episódio em que chegou à beira da morte em função do excesso de hidrogel aplicado em suas coxas, o que lhe causou uma inflamação gravíssima.

Agora, felizmente já recuperada, Andressa vem dando uma série de entrevistas na última semana em que se diz "renascida" com a experiência.

Alega a jovem que, durante os 25 dias em que esteve em estado de coma, viu "espíritos", "vultos negros" e "sombras" que lhe atormentavam querendo levar a sua pobre alma para as trevas, mas a fé evangélica da mãe, frequentadora da igreja universal, e o amor pelo filho ainda criança a motivaram a lutar pela sua recuperação.

PASSADO PECAMINOSO


Para Urach, foi o seu passado pecaminoso que a levou aos limites do inferno, além da vaidade que a fez procurar os "trabalhos espirituais" de uma senhora especialista em magia negra e pomba-gira, com a qual gastou o valor equivalente ao de um apartamento para conseguir fama, luxo e riqueza.

Ainda segundo a modelo, ela se envolveu com homens casados e ricos para poder frequentar jantares esnobes e conseguir viagens caras a destinos de sonho.

Agora, Andressa quer mudar de vida. E isso não se limita aos vestidos longos que passou a usar para esconder as cicatrizes nas pernas.

VEM AÍ A NOVA PASTORA EVANGÉLICA


Conhecida por sua queda por polêmicas que viram notícia rapidinho, a ex-miss bumbum já causou furor no fim de 2013, quando postou uma foto vestida de freira nas redes sociais, como você pode ver acima.

Para alívio dos católicos, entretanto, ela atualmente pensa em se dedicar a trabalhos voluntários de alguma igreja evangélica (não soube precisar qual denominação contará com os seus préstimos) e, mais adiante, segundo declarou ao programa "Muito Show" da Rede TV, quer ser "pastora".

Os evangélicos terão que esperar um pouco pela nova aquisição, já que no próximo carnaval ela estará no sambódromo paulista para acompanhar os desfiles das escolas de samba trabalhando para o referido programa, do qual é co-apresentadora.

Não descarta, ainda, fazer trabalhos de lingerie para sustentar a família e colocar comida na mesa do filho.

Afinal, a carne é fraca e Deus, para algumas pessoas, é só um detalhe...

Fontes: Samara7days, Ego e Ego



quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Justin Bieber é preso por tirar racha bêbado

As notícias são um tanto quanto desencontradas ainda, mas quando uma fonte do porte do The Boston Globe informa algo assim, deve ter seu fundo de verdade.

Segundo o jornal americano, uma van com vidros escuros estaria transportando o popstar Justin Bieber a uma penitenciária no sul da Flórida, nos Estados Unidos.

A razão para a prisão do cantor canadense teria sido o fato dele estar dirigindo bêbado em Miami e ao mesmo tempo tirando um "racha" com Khalil, um conhecido dançarino e cantor de rhythm & blues e hip hop.

Os dois teriam sido presos na madrugada desta quinta-feira, 23/01/14, quando Biber pilotava uma Lamborghini tirando um "pega" com Khalil, que dirigia uma Ferrari.

Não é de hoje que Justin Bieber vem apresentando um comportamento alterado, segundo dizem portais especializados em celebridades.

Pairava sobre ele, inclusive, a ameaça de ser deportado dos Estados Unidos (já que tem cidadania canadense), após ter atirado ovos na casa de um vizinho, ocasião em que foi encontrada cocaína em sua residência, segundo ele pertencente ao rapper Lil Za, que foi detido naquela oportunidade.

A hipótese de deportação foi descartada na semana passada porque o crime de vandalismo tem um menor poder ofensivo e não teria o condão de fazer o astro perder seu visto de trabalho no país.

Conhecido também por sempre invocar sua origem cristã e, segundo alega, promover valores evangélicos (conforme comentamos aqui em abril de 2011 no artigo "Do Jesus hippie a Justin Bieber"), o precoce ídolo teen parece - infelizmente - ter sucumbido à rotineira espiral descendente da indústria do entretenimento pop, que engole seus ídolos com a mesma rapidez que os fabrica.

É esperar para ver se ele sai dessa. Esperamos que sim!

A foto que ilustra esta matéria foi tirada pela polícia de Miami Beach.



quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Myley Cyrus acha bonito ser feio

Tudo bem que a Disney só visa o lucro, mas ela tem que se decidir.

De nada adianta pagar e controlar ídolos mirins para que eles satisfaçam os padrões morais exigidos (mas nem sempre praticados) pelas famílias americanas médias se depois que eles crescem, começam a fazer qualquer coisa para chamar a atenção.

Parece que o trajeto de criança-prodígio a adolescente problemático - pela estrada do "é bonito ser feio" - é um caminho sem volta.

A mala-sem-alça ex-Disney da vez é Miley Cyrus, conforme publicou a Folha de S. Paulo em sua edição de 25/10/13:

Miley Cyrus chega à maioridade reposicionando sua marca com muito sexo

ISABELLE MOREIRA LIMA

O que aconteceu com Miley Cyrus? Como se deu a transformação da garota doce e sorridente que deu vida à personagem infantil Hannah Montana no seriado da Disney (2006-2011) no furacão pelado e rebolativo de língua de fora? A pergunta ecoa na internet: nas redes sociais, nos sites de celebridades e até no Yahoo respostas.

As mudanças vêm sendo anunciadas há tempos. Mas foi neste ano que as ações de Cyrus se intensificaram: em dois meses, ela escandalizou com a performance de dança quase sexual no Video Music Awards da MTV, com o clipe em que aparece nua em cima de uma máquina de demolição e com um ensaio provocativo, os dois últimos assinados pelo polêmico fotógrafo de moda Terry Richardson.

"Senti que poderia finalmente ser a vagabunda que realmente sou", declarou no documentário "Miley: The Movement", exibido no começo do mês pela MTV norte-americana.

Há quem ache que a cantora é um desastre pronto para acontecer, algo que lembra outras ex-atrizes-cantoras mirins como Lindsay Lohan e Britney Spears.

Artistas escrevem cartas abertas com críticas -- a cantora irlandesa Sinnead O'Connor disse que a indústria da música estava "a prostituindo" e Sufjan Stevens, músico hipster norte-americano, ao analisar a letra de "Get It Right", sugeriu que Cyrus estudasse gramática.

Enquanto eles falam, ela vende. Chegou ao topo da Billboard com 270 mil cópias de seu álbum "Bangerz" comercializadas nos dias seguintes ao lançamento. Tudo o que faz vira notícia e sua carreira segue firme.

Prestes a fazer 21 anos (dia 23 de novembro), Cyrus reposiciona sua marca. A mudança é estratégica.

O empresário Anderson Ricardo, que foi responsável pela carreira do cantor Luan Santana, diz que a transição de Cyrus é natural, a forma como acontece é que assusta. "Todo artista que faz carreira para o público teen, em um momento, vai querer se voltar aos adultos. Passei isso com o Luan. O modo como ela faz é que parece forçação de barra. Há pouco tempo, a gente a via na Disney. Agora, ela fez um clipe pelada em cima de uma bola", diz em referência a "Wrecking Ball".

O risco, na avaliação do empresário, é enorme. O público inicial fica vulnerável e o novo pode não comprar a ideia. "Ela foi muito radical."

A professora de marketing da ESPM Mariana Bussab concorda que a transformação é abrupta, mas considera que o "timing" pede. "O mercado infantil já era. Talvez fosse a única forma de se recolocar."

A polêmica, diz Bussab, pode ser um negócio em si. "A Madonna é rainha nesse sentido. E para quantas gerações ainda é ícone? É uma estratégia, a de ver o circo pegar fogo, que pode dar certo."

A professora de antropologia da USP Heloisa Buarque de Almeida vê a nova Miley Cyrus como um personagem. "É uma nova Hannah Montana, mas não mais a menina boazinha. Uma coisa que cola muito na mídia é a hipersexualização", afirma.

Almeida diz que a estratégia não é nova e que Cyrus negocia com as regras da indústria em que está inserida.

"Ela fez um tipo que deu certo, rendeu muitas temporadas de um seriado infantojuvenil. Para romper com ele, tem que ser radical porque a outra imagem colou."

Do ponto de vista da moda, a esquisitice que Cyrus apresentou no prêmio da MTV tem a ver com a contemporaneidade, e a nudez, com uma tendência fashion atual, a da não-roupa. A opinião é da consultora de moda e professora da Faculdade Santa Marcelina, Mariana Rocha.

"Não sei se a Miley vai impregnar o mundo do consumo. Funciona mais como susto, ruptura. Nesse sentido ela acertou", diz Rocha, que considera mais interessante o uso do politicamente incorreto que o bom mocismo.

"Antes, uma mulher para ficar adulta virava romântica. Hoje, é preciso esfregar a sexualidade na cara das pessoas. É excitante a ideia de arriscar a carinha de boa moça. Agora, o cabelo foi imperdoável. Ainda bem que cresce."

O ASSASSINATO DE HANNAH MONTANA

Veja o que a cantora Miley Cyrus está fazendo para provar que cresceu

1992
Nasce Destiny Hope Cyrus, filha do cantor country Billy Ray Cyrus

2001
Interpretou o primeiro papel na TV, na série 'Doc'

2006
Foi ao ar como Hannah Montana pela primeira vez em 24 de março. Os episódios da série tinham em média 4 milhões de espectadores, fazendo com que Miley Cyrus se transformasse rapidamente em febre infantil

2008
Em janeiro, mudou sue nome na Justiça de Los Angeles para Miley Ray Cyrus. Aos 15, faz ensaio para a revista norte-americana "Vanity Fair" em que posa coberta por um lençol de cetim em foto de Annie Leibovitz. A foto gera a primeira polêmica da carreira da cantora e atriz

2010
Lança clipe da música "Can't Be Tamed", que marca o momento da virada, em que aparece com roupa provocante e cabelão armado dentro de uma gaiola. Um vídeo mostra a cantora fumando um narguilé. A assessoria da cantora disse que a substância em questão era sálvia

2012
Manda fazer um bolo em forma de pênis para o aniversário do então noivo Liam Hemsworth e teve fotos em que brincava com o doce vazadas na internet. Corta os cabelos curtíssimos e adotou um tom loiro descolorido

2013
Cyrus faz menção ao ato sexual ao dançar com o cantor Robin Thicke em premiação da MTV e lança o clipe "Wrecking Ball" em que aparece nua e lambe sensualmente um martelo



sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Dona Evani, a evangélica que sabe passear e perdoar

Thelma & Louise ganharam nova companhia

A matéria foi publicada na Folha de S. Paulo de 17/10/13:

Dada como desaparecida, 'Dona Evani' esclarece: 'Estou bem, resolvi passear'

MARCELO SOARES 
YGOR SALLES

Evani Rossal tem 63 anos, um Palio vermelho, paixão por pilates, uma conta no Facebook e, agora, milhares de fãs, especialmente entre as internautas de meia-idade.

No fim da semana passada, Evani, até então uma pacata pensionista de Passo Fundo (RS), foi dada como desaparecida em uma notícia publicada no site de uma rádio local. Segundo seu filho adotivo, ela teria sumido levando o carro da família.

Seria apenas mais uma notícia de cidade do interior se a personagem não tivesse ocupado a caixa de comentários para publicar uma errata: "NÃO ESTOU DESAPARECIDA, ESTOU BEM. O CARRO NÃO É DA FAMÍLIA, É MEU. AS CONTAS EM PASSO FUNDO TODAS PAGAS. RESOLVI PASSEAR", escreveu em caixa alta, como sempre faz quando posta algo na internet.

Mais tarde, em outro comentário, queixou-se da falta de apoio do filho adotivo num momento de doença. "É isso que dá cuidar do filho dos outros", disparou.

ESTRELATO DIGITAL

A altivez da resposta e a história de coragem fizeram a notícia da pequena rádio Planalto se popularizar na internet e alçaram Dona Evani, como ficou conhecida, ao estrelato digital.

"Vai, dona Evani! Voa!", escreveu um internauta. Um anônimo chegou a criar uma conta na rede social Tumblr para publicar montagens com fotos de Dona Evani "on the road".

Em uma das montagens, por exemplo, ela aparece com as personagens do filme "Thelma & Louise".

Durante anos, dona Evani mal saiu de Passo Fundo -era dona de casa, mulher de um brigadiano (a versão gaúcha de um policial militar). "Minha profissão foi cuidar dos meus filhos."

Agora, diz ser reconhecida até por adolescentes em shoppings.

Mulheres de meia-idade comentam que gostariam de ter a mesma valentia. Jovens dizem temer que suas mães resolvam fazer o mesmo.

"SÓ NO PILATES"

Tudo o que Dona Evani fala se populariza. Quando o blog "#hashtag", da Folha, lhe perguntou se ela fez muitos novos amigos, ela respondeu: "Só no pilates".

Foi a senha para que centenas de tuiteiros aplicassem a frase a qualquer coisa. Na carona do Palio vermelho de Dona Evani, a conta de um hipermercado no microblog chegou a usar a frase para tentar vender acessórios para fazer pilates.

"Meu depoimento está repercutindo muito. Criaram Facebook, Twitter, Tumblr, coisas que eu nem sei mexer direito", escreveu no Facebook na terça, ao aceitar os convites de centenas de internautas para serem seus amigos.

Com a notoriedade, também achou melhor fazer as pazes com o filho adotivo, a quem fez pesadas acusações no site da rádio.

"Minha religião diz que devo perdoar", explica a evangélica Dona Evani, frequentadora da igreja Espaço Esperança.

A pensionista está agora na casa de um sobrinho na praia da Armação, em Santa Catarina.

"Dou uma caminhadinha na praia, adoro tomar meu chimarrão, leio meus livros e mexo no Facebook para falar com minha família", disse, descrevendo como está curtindo a vida.

E, esperando que seu exemplo seja seguido, deu o seu recado. "Quero que mais mães tristes façam como eu", disse antes de se despedir da reportagem com outro de seus bordões involuntários: "Beijos no coração".






domingo, 4 de maio de 2008

Eclesiastes - capítulo 2

Leitura anterior: Eclesiastes - capítulo 1

Depois de passar o capítulo 1 "desconstruindo" algumas verdades que as pessoas têm por inquestionáveis na vida, no início do capítulo 2 de Eclesiastes, o Pregador passa à construção de alguns pilares do seu ensino. 

Primeiro, ele começa a experimentar algumas hipóteses para ver se alguma delas se encaixa no bem supremo da vida, que deve ser buscado e alcançado pelos mortais. 

A primeira hipótese que ele, digamos, "testa", é a do hedonismo, antes mesmo que o hedonismo viesse a ser especulado pelos filósofos pós-socráticos na Grécia na transição do século V para o IV antes de Cristo. 

O hedonismo, muito simplificadamente, é uma corrente filosófica que defende a busca do prazer imediato, aqui e agora, o prazer pelo prazer, como a suprema felicidade. 

Logo no v. 1, o Pregador testa esta hipótese, mas também considera o hedonismo como vaidade, pois, para ele, o riso é loucura (ou tolice) e a alegria de nada serve (v. 2). 

O Pregador cogita, então, de se entregar ao vinho e à loucura, mas preservando a sabedoria (v. 3). 

Isto não significa propriamente embriagar-se, mas permitir algum tipo de privação mínima dos sentidos, como aquele que toma algumas taças de vinho, e começa a rir e falar imoderadamente, mas também nisso o Pregador não encontrou resposta aos seus anseios. 

Desde já, entretanto, apresenta a sabedoria como uma espécie de moderadora, controladora, desta busca. 

E, a seguir, testa as riquezas, a ostentação, o consumismo, o "ter" em vez de "ser", como uma possível razão para a felicidade (vv. 4-11), mas tudo era também "vaidade e correr atrás do vento, e nenhum proveito havia debaixo do sol" (v. 11). 

O estranho é que muitos pregadores atuais encontram somente no "ter" sinais distintivos de um verdadeiro cristão. Certamente, não leem ou não pregam Eclesiastes.

Todas essas coisas eram vistas àquela época, e continuam sendo vistas assim até hoje, como aquilo que uma palavra só consegue definir: o "sucesso". 

O sucesso sempre foi um critério mundano para se definir, à primeira vista, se uma pessoa é ou não é feliz. 

O sucesso desperta a inveja, mas este é um tema que guardaremos para outra oportunidade. 

Por ora basta constatar que, como a própria experiência atual nos mostra, o sucesso não é duradouro, e muitas vezes faz mal. 

O exemplo de artistas que não conseguiram lidar com o sucesso, e muitas vezes sucumbiram a ele, está estampado todos os dias nos jornais e na televisão. 

Quando ninguém os conhece, eles querem atingir o sucesso a todo custo, a qualquer preço, e quando finalmente o conseguem, vêem que não lhes basta, há algo mais do que o sucesso a ser buscado, este sucesso que não consegue preencher o vazio que eles têm. 

O mesmo acontece com aquele que busca o prazer pelo prazer. Os hedonistas sabem que o prazer nunca é suficiente, e é sempre necessário algo mais, daí a razão de muitos se entregarem à luxúria, às drogas, à violência, e se perderem pelo caminho. 

O paradoxo hedonista é que, quanto mais se busca o prazer, menos ele é encontrado (ou, pelo menos, mais ele foge). 

Tudo isto é, como o Pregador diz, "correr atrás do vento", e como Jesus também disse, "o vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai" (João 3:8).

A partir do v. 12, o Pregador passa a considerar a sabedoria, que já lhe havia servido como moderadora da embriaguez e da loucura (v. 3). 

Aqui, o Pregador já vê na sabedoria algo melhor do que a estultícia, já que "a luz traz mais proveito do que as trevas" (v. 13). Entretanto, tanto o sábio como o estulto terminam do mesmo jeito (vv. 14-15). Logo, por que buscar a sabedoria? Não seria isto também vaidade? 

Dentro da sua dialética toda peculiar, o Pregador primeiro vê alguma vantagem na sabedoria, mas depois volta atrás e se pergunta se ela é realmente tão vantajosa assim e, tanto a memória do sábio como a do estulto não durará para sempre, pois passado algum tempo, "tudo cai no esquecimento". 

Pela primeira vez, o Pregador fala da morte no seu discurso (v. 16). Aqui, a meu ver, ele passa a delinear uma resposta às suas questões, e começa a erguer dois pilares para sustentar seu pensamento e suas conclusões que só apresentará no final do livro. 

Um desses pilares, bastante claro, é a sabedoria. O outro é a eternidade

Ele vem falando da inutilidade do sucesso, e no v. 16 mostra que a tendência natural do mundo é que tudo e todos sejam esquecidos. A morte nos nivela a todos, indistintamente. 

É necessário, então, ligar este versículo com outro do capítulo 3, aquele que diz que Deus "pôs a eternidade no coração do homem" (3:11). 

Por um certo tempo da minha vida, por uma série de razões profissionais e sociais, eu convivi com muitas pessoas famosas, daquelas que integram o glamoroso mundo das celebridades. 

Naquela época, eu comecei a pensar sobre o que significava a fama, afinal. O que é esta tal de fama, que tanta gente busca, mas nunca se sacia? Foi aí que eu percebi que todos aqueles que buscam a fama, no fundo, buscam uma maneira de se eternizar. 

Diante da mortalidade que nos limita a todos (e cuja constatação a tantos sufoca), e diante também deste desejo de eternidade que Deus colocou no coração do homem, a fama é um recurso que muitos buscam para tentar driblar a mortalidade e inscrever-se na eternidade. 

É verdade que muitos conseguem ser recordados e cultuados por algum tempo, mas a sua lembrança vai gradualmente se desfazendo e desaparecendo da memória coletiva. 

Quantas vezes ouvimos que "o brasileiro tem memória curta", mas será só o brasileiro que se esquece fácil e rapidamente? 

Penso que a verdade está com Davi, que teve coragem de dizer: "Sou esquecido como um morto de quem não há memória; sou como um vaso quebrado" (Salmo 31:12). 

O Pregador retornará a este tema em Eclesiastes 9:5, quando dirá que a memória dos mortos "jaz no esquecimento".

A partir do v. 18, o Pregador começa a finalizar o capítulo 2 de Eclesiastes falando sobre o trabalho e a herança. De que vale, afinal, trabalhar tanto? Quem se dedica ao trabalho a ponto de se tornar um "workaholic" é sábio ou estulto? 

De que adianta trabalhar tanto, morrer de repente e deixar tudo para quem não derramou uma gota de suor para merecer a herança? (vv. 18-21). 

Como Jesus disse numa de suas parábolas, sobre o homem rico que queria construir mais celeiros: "Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?" (Lucas 12:20). 

De que adianta levar trabalho do escritório à noite para casa (v. 23)? Ou seja, o "debaixo do sol" de que tanto fala o Pregador, corre o risco de se tornar "debaixo da lua" (v. 22). 

Deve o homem, então, simplesmente parar de trabalhar e esperar o tempo passar? "Não", é a resposta do Pregador. 

O homem deve trabalhar e conseguir o suficiente para "comer, beber e fazer com que a sua alma goze o bem do seu trabalho", sempre reconhecendo que é a mão de Deus que lhe proporciona estas alegrias simples da vida (v. 24). 

Aqui, o Pregador constrói um terceiro pilar para sustentar suas conclusões: a providência divina

É Deus, afinal, quem "dá sabedoria, conhecimento e prazer ao homem que lhe agrada", ressalvando que "ao pecador dá trabalho, para que ele ajunte e amontoe, a fim de dar àquele que agrada a Deus" (v. 26). 

O trabalho não é nenhum mal em si, mas é o seu uso deturpado, ou a sua valorização excessiva, que o torna uma pedra de tropeço (e muitas vezes, de morte) para o ser humano.



Leitura seguinte: Eclesiastes - capítulo 3


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