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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Secretaria de Educação de SP exige atestado de virgindade em concurso público

Notícia esquisita publicada no Último Segundo:

Concurso da Secretaria de Educação de SP pede comprovante de virgindade

Seleção pública também exige que mulheres com uma "vida sexual iniciada" apresentem exames ginecológicos intrusivos

Luísa*, de 27 anos, nunca imaginou ter de passar por esta situação. Ela precisou comprovar, por meio de um atestado médico, que "não houve ruptura himenal" [ou seja, que não teve seu hímen rompido] para preencher um dos requisitos do concurso público da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo (SEE-SP). Ela é candidata a uma das quase 10 mil vagas para o cargo de Agente de Organização Escolar da seleção pública da SEE-SP.

"Achei um absurdo. Fiquei mais de uma semana decidindo se deveria fazer isso ou não. Na hora em que fui a um consultório para me submeter à análise ginecológica, entrei em pânico. Foi constrangedor explicar para a médica que precisava de um atestado de virgindade para poder assumir uma vaga em um concurso", diz.

A seleção pública à qual Luísa se refere foi aberta em 2012. Depois de passar pelas provas regulares, ela ficou aguardando sua convocação, o que se deu apenas neste ano. Chamada para a realização dos exames médicos de admissão, Luísa foi surpreendida com um comunicado recente da organização do concurso, onde constavam mais detalhes sobre os exames médicos de admissão solicitados pelo certame.

Publicado em junho, o comunicado, emitido pela Coordenadoria de Gestão de Recursos Humanos da SEE e pelo Departamento de Perícias Médicas do Estado (DPME), traz detalhes sobre testes ginecológicos requeridos às candidatas mulheres.

No documento emitido pela coordenadoria da SEE e pelo DPME, há mais informações sobre os exames de colposcopia e o de colpocitologia oncótica, o Papanicolau, exigidos às candidatas. O comunicado informa que mulheres que "não possuem vida sexual ativa, deverão apresentar declaração de seu médico ginecologista assistente". Dessa forma, com a comprovação de virgindade, estariam isentas da realização dos exames ginecológicos intrusivos, de acordo com confirmação do próprio DPME.

"Só fiquei sabendo disso quando fui convocada para realizar os exames médicos. Antes, não era pedido esse atestado [de virgindade]. O pior de tudo é que todos esses exames são caros e são bancados pelo próprio candidato. Teve gente que pagou mais de R$ 500 pelos exames", fala Luísa.

Segundo a ginecologista Marcia Terra Cardial, da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo, os exames ginecológicos solicitados pela SEE servem, por exemplo, para "rastrear mulheres com lesões precursoras do câncer de colo de útero, separando as mulheres normais, daquelas com necessidade de prosseguir a investigação". No entanto, segundo ela, "dependendo do tratamento, os casos de lesão precursoras de câncer não inviabilizam o trabalho".

Violação

Solicitados para atestar a saúde dos futuros funcionários públicos, tanto o atestado de virgindade quanto os exames ginecológicos para candidatas com mais de 25 anos ou vida sexual ativa são vistos como uma "violação" da dignidade da mulher, segundo Maria Izabel Noronha, presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).

"Atestado de virgindade? Por favor! Estamos em pleno século XXI. Querem evitar candidatas doentes? A verdade é que elas entram com saúde e é a falta de condições da rede que as deixam doentes", diz Maria Izabel, que também é vice-presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão consultivo do Ministério da Educação (MEC).

A crítica de Maria Izabel se refere a uma das razões defendidas pelo DPME, quando da exigência de tais exames. Segundo o comunicado, a avaliação médica oficial tem por objetivo identificar patologias que possam vir a provocar "permanência precária no trabalho, com licenciamentos frequentes e aposentadorias precoces".

Atualmente, a SEE enfrenta o desafio de atenuar as faltas com afastamentos e licenças, por motivos de saúde de professores e técnicos da educação. Só os professores, chegam a faltar, em média, 27 dias por ano.

"Esses exames que pedem não têm nada a ver com a função. Aferir a pressão, apresentar um exame cardiológico pode até ter a ver, mas exames ginecológicos ou atestado de virgindade?", questiona Luísa.

Como Agente de Organização Escolar, o trabalho de Luísa será dar suporte às atividades pedagógicas e ajudar na supervisão de estudantes na entrada, saída e durante o intervalo escolar. O salário é de cerca de R$ 900 para uma jornada de oito horas diárias.

Deboche

Se já foi complicado para Luísa tomar a decisão de ir adiante com o atestado de virgindade, a apresentação do documento para a perícia foi ainda mais constrangedor.

"Quando apresentei ao médico perito do Estado, acho que ele pensou que fosse mentira. A sua assistente olhava de lado como um ar de deboche quando eu disse que ainda era virgem. Não conseguiria passar por isso mais uma vez", fala Luísa.

Mesmo tendo apresentado o atestado de virgindade, a candidata ainda aguarda resposta definitiva do DPME sobre sua aprovação. A expectativa e que até o dia 14 deste mês o órgão se posicione sobre o seu caso.

“Eu apresentei tudo que deveria apresentar, mas me consideraram inapta. Disseram que não havia apresentado o atestado de virgindade. Entrei com um pedido de reconsideração para que eles analisem a minha situação", diz.

Governo de São Paulo

Questionada sobre a exigência de tais exames para o cargo em questão e se eventuais candidatas com problemas ginecológicos estariam inaptas ao cargo, a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo (SEE-SP) informou que as determinações atinentes aos exames médicos são de responsabilidade do Departamento de Perícia Médica do Estado (DPME).

O DPME, ligado à Secretaria de Gestão Pública, disse que é "absolutamente errado afirmar que é exigido à candidata a cargo público qualquer laudo, ou suposto ´comprovante de virgindade´ – termo sequer considerado na literatura médica”.

Em nota, o órgão afirmou que “àquelas que ainda não tenham iniciado atividade sexual, é oferecida como alternativa a apresentação de um relatório de seu médico pessoal; e com isso não há a necessidade da realização dos exames”.

O órgão também afirma que os testes solicitados aos candidatos funcionam como medida preventiva. Por fim, segundo o DPME, “todos os candidatos aprovados em concurso, sejam homens ou mulheres, devem passar por uma série de exames, todos previstos em edital, para que comprovem, além de sua capacidade técnica, a capacidade física e mental para exercer o cargo por aproximadamente 25 anos – tempo médio de permanência no Estado”.

No entanto, segundo o próprio comunicado emitido pelo órgão, o teste para detecção de câncer de próstata é exigido apenas para homens com mais de 40 anos. Para as mulheres mais velhas, a partir de 40 anos, também é solicitado um exame específico: a mamografia, para identificação de câncer de mama. Para os homens jovens, na mesma faixa etária de Luísa, por exemplo, não são solicitados exames específicos extras.

Secretaria das Mulheres

Consultada, a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) da Presidência da República afirma que é "contra qualquer exigência que envolva a privacidade da mulher e reverta em preconceito e discriminação. A mulher tem o direito de escolher se quer fazer um exame que em nada interferirá em sua vida profissional".

A SPM ainda considera que "a exigência de exames ginecológicos em seleções e concursos é abusiva, pois viola o princípio da dignidade da pessoa humana, consagrado na Constituição Federal de 1988, bem como o artigo que dispõe sobre o Princípio da Igualdade e o Direito a Intimidade, Vida Privada, Honra e Imagem, que proíbe a exigência de atestados de gravidez e esterilização e outras práticas discriminatórias para efeitos admissionais ou de permanência da relação jurídica de trabalho".

No ano passado, caso parecido ocorreu na Bahia. No concurso para Polícia Civil, também era exigido às candidatas mulheres comprovação de "hímen íntegro". Contudo, depois da repercussão do caso em todo o País, o governador Jaques Wagner suspendeu tal exigência presente de forma explícita no edital. Há concursos públicos, no entanto, que seguem com tais requisitos de seleção, tidos como padronizados pelas empresas que realizam as seleções públicas.

*Para preservar a identidade da candidata foi utilizado um nome fictício


domingo, 30 de dezembro de 2012

As últimas virgens da Albânia


A Albânia, apesar de - geograficamente - fazer parte da Europa, tendo fronteira terrestre com a Grécia e separada da Itália pelo Mar Adriático, é realmente um país com costumes, digamos, esquisitos, como conta Claudia Belfort em seu blog no Estadão:

As últimas virgens da Albânia

Responda em dois segundos se esse retrato é de um homem ou de uma mulher.
Responda em outros dois segundos se a pessoa fotografada parece viva ou morta.

Foto: Jill Peters


Saiba, é uma mulher e ela está morta.

A foto faz parte de um documentário que a fotógrafa norteamericana Jill Peters está desenvolvendo sobre as últimas virgens juramentadas da Albânia. Remanescentes de uma tradição quase extinta – hoje elas não chegam a 100 – essas mulheres ignoraram suas identidades para viver como homem. Não por uma afirmação de sexualidade, mas para sobreviver às rígidas restrições impostas às mulheres entre comunidades das montanhas dos Balcãs, sudeste da Europa.

Os camponeses dessa região viveram por 500 anos sob as normas do Kanum, um código de honra que vigorou até o início do século XX, e que limitava às mulheres os cuidados da casa e dos filhos. Só. Elas eram proibidas de ter uma profissão, trabalhar, dirigir, beber, fumar, não tinham direito a herança e tornavam-se propriedades do marido. Elas não podiam cantar. “Naquela época ser mulher e ser um animal era a mesma coisa”, disse uma virgem juramentadas, Pashe Keqi, numa entrevista ao The New York Times. Ela nascera em 1930.

O Kanum permitia, no entanto, que a mulher se proclamasse homem, passando consequentemente a viver sob as mesmas regras deles. A partir de então podiam podiam trabalhar e tornar-se patriarcas, sendo muitas vezes o único “homem”do clã. Essa regra do Kanum tem origem nas precárias condições de sobrevivência nas montanhas da Albânia, agravada pelos crimes de vendeta, outra tradição no país, que chegava a dizimar todos os integrantes do sexo masculino numa família. Na ausência de um herdeiro, a mulher mais velha do clã era obrigada a proclamar-se virgem para garantir o sustento e a honra dos familiares. Outras proclamavam-se homem para ter autonomia e evitar o casamento arranjado.

Para isso, elas faziam um juramento público de virgindade e celibato, cortavam os cabelos e adotavam trajes e gestos masculinos para a vida toda. Deixariam a condição de serva se também deixassem a de mulher, se renunciassem ao sexo, à maternidade e à identidade.

É, de um certo modo, um matar a si mesma.

Foto: Jill Peters




sábado, 5 de março de 2011

Virgindade cresce entre jovens norteamericanos

A notícia é do site Opera Mundi:

Cresce proporção de jovens virgens nos Estados Unidos

Quase 30% dos americanos de idades entre 15 e 24 anos nunca fizeram sexo, constatou um estudo publicado nesta quinta-feira (03/03) pelo Centro Nacional de Estatísticas de Saúde (NCHS) dos Estados Unidos. Segundo o estudo, 29% dos meninos e 27% das meninas entrevistadas entre 2006 e 2008 disseram que nunca tiveram um "encontro sexual".

Quando o NCHS fez o mesmo estudo nacional em 2002, a proporção dos jovens que deram a mesma resposta era de 22%, tanto de meninos como de meninas, portanto, menor do que o atual. A definição "encontro sexual" inclui tanto relações com penetração como também sexo oral e outras formas de contato sexual entre duas pessoas, indica o relatório.

Os pesquisadores do NCHS perguntaram sobre a opção sexual e os hábitos dos 13.495 entrevistados de idades entre 15 e 44 anos, entre os quais 5.082 de idades entre 15 e 24 anos.

A tendência à abstinência sexual mostrou-se ainda mais evidente quando reduzido o espectro de idade para os jovens entre 15 e 17 anos, já que 58% das meninas e 53% dos meninos disseram que nunca tiveram um encontro sexual.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Evangélicos americanos e o controle chinês de natalidade

Artigo publicado hoje no jornal O Estado de S. Paulo:


Evangélicos dos EUA e a abstinência sexual na China


Autoridades apelam a grupo cristão para conter natalidade

Se tudo correr conforme planejado, até o fim deste ano uma garota em algum lugar da Província de Yunnan da China dirá a seu namorado que não pode fazer sexo com ele. E ele terá de agradecer a um programa de abstinência dos EUA. Neste ano, em escolas de Yunnan, professores estão sendo treinados num currículo de educação sexual criado pela organização cristã conservadora Focus on the Family. O acordo com a secretaria da Educação de Yunnan é um marco para a organização, que vem batalhando há quatro anos para fazer incursões sobre abstinência na China.

É o resultado também de uma estreita confluência de interesses: grupos cristãos evangélicos querem entrar na China. E autoridades chinesas, apesar do ateísmo oficial do país, querem ajuda para controlar o crescimento populacional e lidar com a rápida mudança de valores na sociedade chinesa. Ela experimentou grandes transformações nas últimas décadas, com um firme crescimento das taxas de divórcio e a migração e modernização exercendo uma crescente pressão sobre as famílias, segundo sociólogos. A Focus on the Family tentou vender seus programas orientados para casamento e família como soluções. Mas algumas autoridades do Partido Comunista manifestaram suspeitas sobre os motivos do grupo.

Numa primeira demonstração do currículo de abstinência há dois anos - aplicado à Liga da Juventude Comunista da China em Hangzhou - esperava-se que os adolescentes terminassem o seminário firmando um compromisso de virgindade, o marco do programa de abstinência do grupo cristão. Mas autoridades do governo inferiram, insistindo que os rapazes só deveriam ter compromissos com o Partido Comunista.

"Não tem sido fácil", disse Deanna Go, diretora de campo na China da organização com sede no Colorado. "Tudo é mais demorado aqui." Mas autoridades de Yunnan disseram que a mensagem de abstinência da Focus on the Family repercutiu entre os líderes conservadores da província.

"Atualmente, os adolescentes têm muitos canais diferentes para aprender sobre sexo", disse Ma Lianhong, ex-secretária geral de comunicações de Yunnan, que apresentou o grupo cristão aos líderes provinciais. "Mesmo que não se possa falar nisso, eles aprenderão sobre o assunto silenciosamente, o que é ainda mais perigoso. A abstinência é boa para manter as famílias sólidas e reduzir a taxa de divórcios. E ela vai ao encontro da moral tradicional da China."

Os programas de abstinência provocaram uma polêmica considerável nos EUA. Os críticos citam pesquisas que, segundo eles, demonstram que a abordagem é ineficaz, e argumentam que os esforços deviam ser orientados para educação sobre o sexo seguro. Mas os defensores dizem que a estratégia tem a capacidade de reduzir as taxas de natalidade fora do casamento e as doenças sexualmente transmissíveis.

Na última década, a Focus on the Family obteve um relativo sucesso com seu programa de abstinência em outros países - especialmente em nações majoritariamente muçulmanas, como Egito e Malásia, onde sua marca de abstinência cristã coincide com os ensinamentos do Islã. No mundo, o grupo diz que atingiu aproximadamente 3 milhões de adolescentes.

A China tem se mostrado um mercado difícil de entrar. O sexo pré-marital tornou-se comum em suas cidades desenvolvidas. Especialistas dizem que mesmo em áreas mais rurais os costumes sexuais estão mudando.

As companhias fabricantes de preservativos querem capturar uma parte lucrativa dos 1,3 bilhão que compõem a população chinesa. A ONU, organizações sem fins lucrativos que trabalham com a prevenção da aids e outros grupos estão despejando milhões em programas de sexo seguro. E a abstinência, dizem alguns, é a última coisa nas mentes dos adolescentes chineses.

"É difícil convencê-los a frequentar nosso treinamento", disse Qian Honglin, fundadora de uma organização sem fins lucrativos que trabalha com a Focus on the Family em Pequim. "Seus pais querem que eles venham, mas os jovens adultos não escutam as mães. Mas depois que eles entram é fácil perceberem os benefícios."

Antes do acordo de Yunnan, o programa era ensinado sobretudo em seminários ocasionais por organizações humanitárias associadas em quatro cidades importantes. A abordagem gradativa atingiu somente 9 mil alunos. O novo acordo de Yunnan promete uma exposição mais ampla. Apenas na semana passada, 512 professores da metade dos distritos escolares da província foram treinados para ensinar o currículo em seminários patrocinados pelo governo.

Como foi exatamente então que a Focus on the Family vendeu seu programa ao governo chinês? Como a maioria das coisas na China, foi preciso "ter as conexões certas". Em 2006, autoridades de Yunnan que tinham ouvido pelo rádio alguns comentários do fundador da Focus on the Family, James Dobson, procuraram se informar sobre a possibilidade de transmiti-los em sua estação. Isso levou líderes provinciais ao Colorado durante uma viagem aos EUA em 2007.

Para trabalhar na China, entretanto, a Focus on the Family teve de fazer o seu próprio compromisso: nada de material politicamente sensível, e nada de religião. O grupo evangélico diz que está cumprindo estritamente esses termos. / TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK


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